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quarta-feira, 10 de novembro 2010

ENEM não pode ser um vestibular nacional, por Ana Maria Ribeiro

Minha amiga de muitos anos, Ana Maria Ribeiro, Técnica em Assuntos Educacionais na UFRJ (Instituto do Coração/ Complexo Hospitalar UFRJ), é a autora do texto que segue. O Biscoito o publica em primeira mão, como contribuição à parcela séria dos debates suscitados sobre o ENEM a partir do último fim de semana.

********************

O Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) foi instituído há mais de dez anos. Na sua implantação, o então governo do PSDB desejava que este fosse o instrumento para sua intervenção nos conteúdos do Ensino Médio em nível nacional. Para tal, convocou todas as universidades federais, algumas comunitárias e confessionais, propondo o seu uso para ingresso nas universidades. Intencionava o então governo implementar seu projeto de intervenção no currículo e diretrizes do ensino médio, de responsabilidade da esfera estadual, através de seu sistema federal de ensino – as instituições superiores federais e privadas. O ENEM foi implantado, mas não foi aceito pelas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) como instrumento de ingresso. Naquele período, a principal critica formulada contra seu uso era a minimização de conteúdos, assim como a retirada de vários conteúdos considerados importantes para acesso ao ensino superior. Entretanto, varias instituições privadas não hesitaram em usar o ENEM como processo seletivo e com isso reduzir os custos com provas e bancas.

No governo Lula o ENEM passou por uma grande reformulação e foi transformado num instrumento de aferição de habilidades e competências  cumprindo sua função e avaliação de uma etapa importante da formação: o ensino médio. Este forte instrumento possibilitava uma radiografia importante, mas o fato de não ser obrigatório deixava de fora um contingente importante de estudantes brasileiros, o que reduzia sua eficácia no processo de avaliação do sistema.

Sendo o Ensino Médio de responsabilidade dos Estados e o papel do Ministério da Educação complementar, algumas iniciativas começaram a ser desenhadas buscando uma ampliação do escopo desta avaliação. Os especialistas do MEC não tiveram duvidas de que a melhor forma de ampliar o uso do ENEM seria a obrigatoriedade para ingresso na universidade pública.

Com um novo enfoque nas habilidades e competências, seu formato agradou os educadores e a proposta de inclusão do ENEM no processo de seleção de alunos às instituições federais não encontrou grandes resistências. Soma-se a essa posição a clara, e explicita, política governamental de apoio às IFES com o REUNI (Programa de Reestruturação das Universidades Federais). Ou seja, se estabeleceu ao longo destes anos um grau intenso de confiança entre os gestores universitários e governo federal possibilitando a construção de reais parcerias. Para algumas IFES seria necessário inserir no novo modelo do ENEM conteúdos, de forma a possibilitar testar o instrumental necessário para o ingresso no ensino superior.

A partir daí começamos a identificar os problemas cujas consequências se assiste, mais uma vez, nesta segunda edição do ENEM, neste novo modelo. Ao buscar atender a solicitação dos reitores das IFES, o ENEM passou a tentar responder a avaliação de conteúdos, habilidades e competências e a ser instrumento de vários tipos diferentes de avaliação. Ao tentar avaliar vários parâmetros, passou a correr o sério risco de não conseguir avaliar nada. Ao utilizar o método do Teste de Resposta ao Item (TRI), para que o teste possa ter uso atemporal, estabeleceu-se um mecanismo de difícil compreensão na sua correção, o que aumenta a insegurança dos jovens sobre o real resultado. Outro aspecto é que, para atender aos quesitos do TRI, as questões são longas, com textos que tornam sua resolução cansativa. Em síntese, a metodologia adotada para o novo modelo do ENEM, a partir de 2009, ao querer atender a expectativa de facilitar o ingresso nas IFES e a pretensão de se transformar num Vestibular Nacional Único no país, se transformou em uma prova cansativa, confusa e com alto poder decisório para a conquista de vagas concorridíssimas no ensino superior brasileiro. Há no ENEM hoje um forte componente explosivo por ter todos esses elementos embutidos.

Como defensora do ENEM como um exame nacional que deve ser mantido e fortalecido e de utilização pelas Instituições de Ensino Superior--publicas e privadas--para acesso aos cursos de nível superior, não posso concordar com sua desconstituição e destruição. Para sua manutenção, é necessário que tenha um foco claro e objetivo e, portanto, ele não pode se transformar no único processo de seleção centralizado e organizado por um órgão executivo de governo. O MEC não pode se transformar numa grande Comissão de Vestibular Nacional. O papel do Ministério da Educação deve ser o de impulsionar, financiar e coordenar, mas jamais o de executar.

As universidades federais têm ampla experiência na execução deste tipo de concurso, que difere completamente dos tradicionais concursos públicos. Foram anos e anos de aprendizagem e de atenção especifica, buscando seu aprimoramento e os cuidados com nossa juventude que o mesmo requer.

Os problemas identificados pelos candidatos na aplicação do ENEM 2010 são variados e, na sua maioria, passiveis de superação desde que o MEC o responda com clareza e rapidez. Neste sentido, a anulação das provas realizadas no sábado e uma nova aplicação na primeira quinzena de janeiro é a saída mais justa e real frente ao sério problema do erro do cartão de resposta. Todas as demais questões levantadas são pequenas e de fácil acerto, mas o erro no cartão e a falta de sincronia da fiscalização em nível nacional induziu ao erro milhares de candidatos e possibilita que alguns menos escrupulosos possam se apresentar como vítimas depois da verificação do gabarito. A injustiça estaria disseminada. A nova aplicação das provas de sábado em nada atrasaria o processo, visto que a leitura do cartão poderá se dar em paralelo a correção das redações possibilitando a manutenção do calendário de inicio das aulas em março de 2011 nas IFES.

Para o futuro, desejamos um repensar do papel do MEC e de atuação mais contundente das universidades federais na aplicação e na execução da seleção de seus alunos. Cada um na sua função constitucional, esse é o caminho.



  Escrito por Idelber às 18:38 | link para este post | Comentários (36)


Comentários

#1

Idelber,

Parabéns por trazer um texto tão claro e, até, elucidativo de vários aspectos que haviam passado desapercebidos. A visão de Ana Maria Ribeiro, com a qual concordo na sua quase totalidade, é importante por mostrar, com suavidade e objetividade, caminhos que podem permitir a saída desse impasse que se apresenta.

Pynkoo em novembro 10, 2010 7:59 PM


#2

Apesar de achar deplorável a ideologia que sustenta o GPA na América do Norte, não seria assim mal agregá-lo à pontuação do ENEM na ponderação de quem entra nas Universidades. Assim pelo menos a escola voltaria a ser mais do que esse apêndice dos vestibulares.

Luiz em novembro 10, 2010 8:21 PM


#3

Não sou contra, Luiz, mas para isso teria que haver uma uniformidade mínima nas avaliações no ensino secundário brasileiro. Não a vejo neste momento.

(Não é que ela exista nos EUA tampouco, mas aqui já se desenvolveu um método de "computar" essas diferenças no próprio processo de levar em conta o GPA).

Idelber em novembro 10, 2010 8:29 PM


#4

Não posso concordar.
Problemas sempre existiram nos vestibulares e sempre existirão.
Só que os vestibulares não são interessantes para a mídia.
Para verificar o sucesso da aplicação das provas do ENEM é só comparar os números: 1000 provas erradas contra 4.599.000 provas OK.
Se fossem apenas 10 casos a mídia faria o mesmo escarcéu.
A nossa justiça não fica atrás e dá a sua parcela nesse 3º turno.
Pelo menos muitos dos inimigos estão mostrando a cara.

Paulo Athaydes em novembro 10, 2010 8:38 PM


#5

A consideração sobre a necessidade de nova aplicação da segunda prova em janeiro, mas com o aproveitamento das redações, esbarra numa contradição.

Se o problema foi a indução a erro, e o estresse relativo ao gabarito confuso, é lógico que muitos estudantes tiveram problemas ao escrever suas redações em decorrência disso.

Eu não concordo com esse argumento, e acho que a melhor saída é aplicar uma nova prova para os estudantes que fizeram a prova e requerirem uma nova prova, mas com aproveitamento da prova para os demais que assim o desejarem.

Para os próximos anos, a sugestão é que sejam realizados diversos Exames, e que as notas continuem sendo aproveitáveis de um ano para o outro.

Mateus Araújo em novembro 10, 2010 8:55 PM


#6

Reproduzo nota enviada pelo DCE-UFMG:

Nota do DCE UFMG sobre o ENEM

1. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG se posicionam contra a anulação do ENEM 2010. Milhões de estudantes realizaram a prova em condições adequadas, prepararam-se, e a anulação da prova seria cometer uma injustiça com esta grande maioria.

2. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG são intransigentes na defesa de que os estudantes prejudicados tenham o direito a realizar uma nova prova. Nenhum estudante pode ser prejudicado sob o risco de descredibilizar o ENEM.

3. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG exigem que o MEC determine OBJETIVAMENTE os critérios para que os estudantes tenham direito a este novo exame. Se o MEC não tiver condição de determinar estes critérios, defendemos que o critério seja opcional, ou seja, todos aqueles que se disserem prejudicados devem ter o direito a esta nova prova. O estudante que optar por não fazer esta nova prova deve ter garantida a sua nota inicial.

4. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG aguardam a retratação do MEC em relação ao post publicado no twitter da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação.

5. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG reivindicam a criação de um Instituto Federal que será o responsável pela aplicação das provas do ENEM.

6. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG reivindicam ainda a marcação de uma audiência com o reitor da UFMG para que representantes das entidades estudantis possam discutir os pelos problemas ocorridos no ENEM.

7. Defender o Enem é, antes de tudo, corrigir os seus erros. O DCE UFMG, a UNE e a UEE-MG não se somam àqueles que se utilizam de equívocos para derrotar o ENEM. Na nossa opinião, o ENEM deve se consolidar na direção da democratização da universidade brasileira, superando o velho modelo do vestibular, cruel método de acesso ao ensino superior no pais. O Enem é também elemento fundamental na construção do Sistema Nacional da Educação.


9 de novembro de 2010

Diretório Central dos Estudantes da UFMG (DCE UFMG)
União Nacional dos Estudantes (UNE)
União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG)

Idelber em novembro 10, 2010 8:55 PM


#7

À parte essa questão do erro nas provas e a necessidade ou não de reaplicação, o Enem merece sim um monte de críticas.

A princípio, gosto da proposta do Enem atual: um vestibular unificado pra todo país.

Mas vale lembrar que essa é A ÚNICA vantagem do modelo atual do Enem.

Já que apesar dessa conversa de "competências e habilidades", no resultado final não há tanta diferença na abordagem das questões entre Enem e as provas anteriormente aplicadas pelos melhores vestibulares do país. É só ler e conferir, nos últimos 10 ou 15 anos o modelo de questões dos principais vestibulares havia evoluído muito ante a decoreba de décadas atrás.

Quanto aos problemas, existem alguns menores - como absurda proibição do uso de lápis, este ano - mas os principais, apontados pelos críticos desda o início da aplicação nacional no ano passado, há dois:


-O tamanho da prova

Apesar do Inep ter diminuído de 200 pra 180 questões - atualmente, são 180 questões e mais a redação, em 2 dias, 4 horas e meia em cada dia-, ainda temos uma média de questões por hora bem maior do que víamos nos vestibulares anteriores. Sem contar que há uma preferência por textos grandes nas questões, o que as torna ainda mais cansativas.

Enfim, fatores como resistência e velocidade passam a pesar muito mais, em detrimento a acúmulo de conhecimento e a raciocínio lógico.

Uma mudança simples resolveria, como reduzir de 180 pra 120/140 questões (60/70 questões por dia de prova), mais próximo do que se tinha nos vestibulares anteriores.


-A eliminação dos regionalismos no conteúdo

Todos sabemos que os colégios condicionam a imensa maioria do seu conteúdo ao que vai ser cobrado no vestibular, portanto, no momento em que os regionalismo ficam de fora deste, deixam também de ser ensinados às crianças.

Matérias como história, geografia e literatura sempre foram um espaço vital pra que muito do conhecimento sobre a cultura regional se mantivesse sendo ensinado e aprendido.

A abolição desses espaços traria danos tremendos pra construção de memória de um Brasil que está longe de ter uma cultura homogênea. Iria ser a morte ou o engavetamento em museus de muito do que hoje faz parte do bate-papo cotidiano.

Aqui em Recife não é difícil se ver surgir em meio a algum assunto qualquer as particularidades do governo Maurício de Nassau durante a dominação holandesa, ou diferenças entre Zona da Mata e Agreste. Estou falando de mesa de bar, de arquibancada de estádio. Pode não se ter conhecimento profundo, mas está lá, no imaginário popular.

Esse me parece o mais grave dos problemas do Enem, mas parece que após os debates do ano passado o tema arrefeceu, e não há indícios de medidas a respeito por parte do MEC.

Pode-se pensar em um caderno à parte pra cada estado, com uma cota de questões com espaço pra regionalismo... não sei. O problema atual não é ainda como resolver, mas sim se admitir que existe essa lacuna e que é preciso debater soluções.


JG_ em novembro 10, 2010 9:17 PM


#8

Desculpe mudar a pauta, mas hoje é dia de festa no inferno. Morreu o covarde, o que foi resumido pelo jornal Página 12 como "O inferno é pouco", o Mengele da América, o Fleury da Argentina, o canalha, o covarde, ele: EMÍLIO EDUARDO MASSERA.

Que o inferno lhe seja suficientemente tenebroso para todo o sempre!

Armando do Prado em novembro 10, 2010 9:30 PM


#9

Mas o que me provoca coceira na língua é o seguinte: cadê a turma que diz que o Biscoito virou um blog cego e partidário, que só tem uma visão das coisas, e de onde a reflexão matizada sobre a realidade foi banida? Cadê a turma que reclama do Fla x Flu quando um debate não flafluizado precisa deles?

O que eles têm a dizer sobre o complexo de problemas levantados pela Ana Maria e o difícil debate suscitado pelo ENEM?

Idelber em novembro 10, 2010 9:31 PM


#10

Sobre o texto da Ana Maria Ribeiro eu concordo que uma avaliação unificada nacional é um retrocesso.

Se recria uma nova indústria de vestibular, cria-se uma seleção muito mais cara (questões de logística e sigilo) e, como dito, não é boa para selecionar os novos alunos da universidade nem é boa para avaliar o ensino médio.

Em relação ao caso específico deste ano, me parece que a solução que minimiza os prejuízos (inclusive os financeiros) seria refazer a prova apenas para os alunos que requisitarem refazer a prova de sábado.


Sérgio Lima em novembro 10, 2010 10:02 PM


#11

O artigo vai muito bem quando oferece uma solução para o problema desse ano. Pode-se discutir se ela é boa ou não, vantagens, desvantagens, mas a solução foi proposta.
O problema está no resto. Perdoe a minha falta de paciência, mas vocês de humanas adoram "propor uma discussão". Eu não aguento esse papo de "Para o futuro, desejamos um repensar do papel do MEC".
Caramba, depois de desfilar um monte de problemas, qual é a proposta ? Volta para o que era antes ? Muda o quê ?

Fernando em novembro 10, 2010 11:02 PM


#12

Nota ao pé:

Esta publicação é o testemunho da alegria de um reencontro: eu conheci Ana Maria Ribeiro em mil novecentos e oitenta e cinco e nós não nos vemos desde 1988 ou 1989, depois de intensa relação de companheirismo e militância (o que há de mal, ao fim e ao cabo, com essa palavra?) durante anos. Que fique a publicação como homenagem ao poder da internet de reunir gente que pensa, que trabalha, que milita, tentando fazer o certo.

Idelber em novembro 10, 2010 11:09 PM


#13

Uai, Idelber.
Para o debate fluir de repente você podia começar se posicionando em relação ao texto da Ana Maria Ribeiro, já que ele representa um angle bem distinto do seu texto de ontem.

Luiz em novembro 10, 2010 11:28 PM


#14

Então comecemos! Concordo com tudo do texto da Ana Maria menos com a segunda frase do penúltimo parágrafo. Realmente não sei se a anulação total seria o caminho agora. Gostaria de ouvir mais educadores. Mas, de resto, o texto de Ana é a análise firme e aguda que conheço há décadas.

Idelber em novembro 10, 2010 11:32 PM


#15

A proposta da Ana Maria não passa pela anulação total, e sim por uma anulação parcial. Seria anulado o primeiro dia de provas, solução que, creio, poderia ser bem aceita pela justiça, pelos estudantes e por seus órgãos representativos. Não sendo esta saída, creio que teremos uma enxurrada de ações que, ao fim, terminarão por deixar o Enem deste ano inviabilizado e os estudantes numa incerteza e desamparo muito grandes.

Pynkoo em novembro 11, 2010 12:07 AM


#16

Gente, eu gostaria de ouvir os argumentos de por que se está considerando tao bom um exame de ingresso único para as universidades de todo o país. Me parece que há um risco muito grande dos estudantes das regioes do país com melhor ensino, e tb das capitais dos vários estados, ocuparem vagas de outras regioes e das cidades do interior, deixando essas regioes e cidades sem os profissionais necessários após a volta dos estudantes para suas cidades de origem. Sendo assim, para que criar tantas extensoes universitárias em cidades do interior? Gostaria de ouvir a respeito desse problema. E nao me parece que isso favoreceria os mais pobres, muito pelo contrário, sao os estudantes com mais recursos que podem se permitir morar longe da família.

Anarquista Lúcida em novembro 11, 2010 12:29 AM


#17

Para mim, a proposta na nota do DCE da UFMG é a mais sensata: uma nova prova a ser aplicada a todos que se sentiram prejudicados (permite-se ao candidato uma escolha, cuja negação é também concordância com a justiça da opção), somente para a prova que teve problemas.
Nesta proposta, convoquemos a grande mídia, ora pois, a colaborar na divulgação, com inserções gratuitas e cobertura ampla. Esta seria uma atitude mais digna que tentar pressionar a saída mais trabalhosa (a anulação da primeira e promoção de uma segunda prova pra todos) para provar a posição - política e finan$eira - de que o Enem, perdão pelo termo, não presta.
De todas maneiras, belo texto, o do post.
Abraços.

Douglas em novembro 11, 2010 12:54 AM


#18

Várias das sugestões da Ana Maria Ribeiro fazem já parte da história da evolução do SAT. A descentralização da aplicação da prova (no SAT aplicada pelo College Board, não o sucedâneo do MEC), a pulverização da aplicação da prova durante o ano letivo, etc.
Certamente essas medidas serveriam como damage control.
Na minha opinião o ENEM passa agora por críticas pelas quais o SAT também já passou - Se já não há por aí críticas de que o SAT é seletivo racial e etnicamente talvez seja porque esse não seja um esporte muito nosso, mas o argumento da seletividade social já está aí multiplicado pelas redes sociais e pelos blogs.
A Ana Maria Ribeiro me parece certa em defender que o teste possibilita justamente o contrário, uma maior e mais igual distribuição do acesso às universidades.
Agora, concordo com você, Idelber, que pensar a partir do paradigma do SAT pode ser salutar, ajuda a refletir nos erros e acertos do outro, mas isso deve ser feito sem a ingenuidade de achar que o transplante é a solução.

Luiz em novembro 11, 2010 1:33 AM


#19

#18

(Se já não há por aí críticas de que o ENEM é seletivo racial e etnicamente talvez seja porque esse não seja um esporte muito nosso, mas o argumento da seletividade social já está aí multiplicado pelas redes sociais e pelos blogs)

Luiz em novembro 11, 2010 1:46 AM


#20

Lindo texto. Com certeza isso nao foi nem um pouco agradavel. O Luiz que falou ali em cima, aqui nos EUA para voce entrar na faculdade o seu GPA nao eh o que mais pesa nao, eh tambem uma prova. Com certeza o GPA conta, mas a prova eh o principal. Cada estado tem a sua aqui em Massashussets chama SAT (:

Belle Polenta em novembro 11, 2010 2:38 AM


#21

Recomendo a todos a leitura do relato de um comentarista do blog da Lola que teve contato direto com o procurador cearense que pediu a anulação da prova. Duvido que a Ana Maria concorde com ele em algum ponto.


http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/11/um-procurador-na-hora-do-almoco.html

aiaiai em novembro 11, 2010 4:18 AM


#22

A Ana conseguiu dizer tudo o q eu não tive a competência de dizer no meu texto (http://incautosdoontem.opsblog.org/2010/11/09/o-enem-e-sua-eterna-ausencia-de-credibilidade/) e nos comentários da postagem anterior (#49, #51, #56 e #59).

O ENEM pode um ser um ótimo avanço. Só q, nesses mais de 10 anos, ainda não foi. E o pior é q quem sofre no processo, quem fica de rato de laboratório, são os estudantes. Ver meus alunos, no início da semana, comentando e comparando os problemas que tiveram por conta dos erros deste ano é de dar um dó imenso.

Ulisses Adirt em novembro 11, 2010 4:20 AM


#23

O problema desse texto é que não disse a que veio e ainda tá querendo que repita a prova para todo mundo. Acho que a questão tem dois fatores:

1. imediato - resolver a pendenga criada pelo erro em 0,06% ou 0,04% das provas (e transformada em bicho de sete cabeças pela mídia), com justiça para todos. Acho que o ministro ofereceu uma boa opção e que ainda foi melhorada com a sugestão de diversos DCEs e da UNE - de dar chance a todos que acharam que foram prejudicados. Isso resolve o problema da maioria, os mais de 3 milhões que fizeram a prova, não tiveram problema e estão, com razão, indignados de terem que fazer a prova de novo. E oferece oportunidade de reparação à minoria prejudicada.

2. o futuro do ensino no brasil no médio e no longo prazo - isso é uma questão maior, que não pode ser discutida em partes e com achismos como "é melhor ter um enem nacional" " é horrível ter um enem nacional". O enem é só parte do problema ou da solução. E deve ser discutido dentro de um programa que veja o desenvolvimento da educação desde as creches até o final do ensino médio. A grande pergunta é: que pessoas queremos admitir na universidade? Como elas devem ser preparadas para isso pelo ensino municipal, estadual e federal?

Outro ponto é que dizer que as universidades tem experiência em fazer vestibular e nada é a mesma coisa. O que significa essa frase? Uma instituição pode ter experiência e ainda assim ser péssima, como é o caso. Os vestibulares nunca aferiram nada de relevante. Conheço gente muito bem preparada que nunca conseguiu passar e gente muito despreparada que conseguiu. Os erros sempre foram normais, questões anuladas, provas compradas, desorganização, etc, etc, etc...tudo isso faz parte dessa triste história de vestibulares no brasil.

Ou seja, atacar o enem e defender vestibular a essa altura do campeonato é ingenuidade ou ação de quem tem alguma agenda oculta, que não foi explicitada no texto. Espero que a Ana Maria seja ingênua.

aiaiai em novembro 11, 2010 4:49 AM


#24

Você, que é a favor da anulação do enem e do seu enfraquecimento para que volte o poder do vestibular, olhe quem está do seu lado:

http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2010/11/09/enem-2010-caos-no-exame-faz-surgir-novo-grupo-estudantil-922992163.asp

nada mais nada menos que o novo grupo estudantil descoberto pelo Globo: os jovens do colégio Notre Dame de Ipanema! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Agora, morram de vergonha!

aiaiai em novembro 11, 2010 5:01 AM


#25

Eu não acho o ENEM um teste adequado. Essa história de cobrar só raciocínio e interpretação é muito bonita, mas não funciona. Também é preciso cobrar conteúdo, senão para que ir à escola e aprender as coisas? De nada adianta a inteligência sem as ferramentas (leia-se conhecimentos) para pô-la em prática. Corre o perigo de entrar muita gente na universidade sem conhecimentos básicos.
Além disso, sou contrário à realização de um teste único em um país de dimensões continentais como o Brasil. Cada estado e região tem suas particularidades, principalmente geográficas, que em uma prova de caráter nacional é perdida. Acho importante que os indíviduos provindos de um local conheçam melhor sua própria região, senão quem vai?

Guilherme em novembro 11, 2010 10:20 AM


#26

É método.

A primeira parte do texto é dedicada à meia-verdade: o PSDB queria usar o ENEM (que, ao menos se admite, ele crieou) para manipular currículos estaduais. De onde vem essa teoria da conspiração, Deus sabe. A menos que se queira imputar ao PSDB métodos gramscianos, assumidamente utilizados por outro partido, que nós conhecemos bem, não é?

O resto, é o reconhecimento do inevitável: tentaram aproveitar uma idéia boa, onde só viam infundado maquiavelismo (ou gramscianismo, se preferirem), para os próprios interesses - aí sim gramscianos comme il faut (basta ver as perguntas do ENEM, aliás, para ver que até na matemática impõe-se esse viés social da luta de classes).

E deu caca, né. Não por conta da utilização malandra do exame, mas por falta de competência técnica, mesmo. Talvez uma coisa até tenha a ver com a outra, mas caixinha de comentário não é lugar para perorações morais (aliás, nenhum lugar é).

Então, primeiro, todo mundo nega: o presidente fala em sucesso absoluto; o ministro diz que cada dia diminui o número de prejudicados; outro põe a culpa na gráfica (que, vejam, está no perverso estado de São Paulo!).

Depois vão vendo a dimensão da bobagem, enfrentam uma juíza cearense (graças a Deus, porque se fosse do Sul-maravilha, aiaiai), e acabam reconhecendo, aqui e ali, que erraram, desculpe, vamos fazer de novo, a gente aprende, isto é o começo de um processo para um país melhor...

Não espanta por isso: é método.

Turma do Fla x Flu em novembro 11, 2010 10:22 AM


#27

Em linhas gerais, o argumento da Ana Maria é o mesmo do Paulo Renato. Abaixo texto do blog do ex-ministro:

http://www.paulorenatosouza.com.br/reportagemmanchete.asp?id=540

Sobre o vestibular, acredito piamente que a Fuvest é das poucas coisas sérias deste País. Apesar dos defeitos acho extremamente democratico e meritocratico. Muito diferente do sistema americano, que ainda é extremamente elitista, ser filho de ex-aluno ou de um grande doador são passos certos para entrar na faculdade. Isto não acontece no Brasil, deveria ser motivo de orgulho.

O ENEM é boa iniciativa deve continuar, mas não pode substituir o vestibular para os cursos mais concorridos das universidades federais. Servir como uma primeira fase estará de bom tamanho.

Quanto a indústria dos vestibulares, e o plano secreto do PIG acho que é um pouco conspiratório e ressaca do processo eleitoral, além de muito pouco construtivo para a discussão da educação neste país.

Heitor em novembro 11, 2010 3:17 PM


#28

Excelente post. Fiz bem em insistir.

Demorei um pouco a postar pois estive de ressaca (da boa) por causa do meu Palmeiras :-)

bacana em novembro 11, 2010 3:37 PM


#29

Eu gostei do texto e o concordo até a parte da anulação das provas. Por favor, as 2 mil provas (ou até menos) que tiveram problemas não representam nem 0,01% dos estudantes que se esforçaram e esperaram ansiosamente para provarem que são capazes e assim realizarem os seus sonhos de ingressar numa faculdade pública. Não podemos fingir que é fácil simplismente anulando a prova e colocando outra. Quem vai garantir que a próxima prova não contenha tantos ou mais erros que essa? É preciso raciocínio e consideração com os envolvidos antes de julgamentos falaciosos que só comprometem ainda mais esse país, que ao meu ver, está seguindo o caminho certo no ENEM.

Denise em novembro 11, 2010 6:26 PM


#30

Qualquer dúvida que eu tinha sobre o ENEM acabou quando eu vi o link no comentário 24.

Quando os privilegiados de sempre começam a reclamar de algo, é porque estamos no caminho certo.

Pepino, o Breve em novembro 11, 2010 11:11 PM


#31

Guilherme #25,

O ENEM cobra conteúdo tb.
------

Qto ao que escreve Ana Maria Ribeiro: "[O] erro no cartão e a falta de sincronia da fiscalização em nível nacional induziu ao erro milhares de candidatos e possibilita que alguns menos escrupulosos possam se apresentar como vítimas depois da verificação do gabarito. A injustiça estaria disseminada."

Não concordo que isso implique na realização de nova prova para *todos*. No máximo, para todos os que receberam a versão incorreta dos cartões.

Mas de todo modo, as pessoas podem realizar quantos ENEMs quiserem - só têm que esperar as datas do exame. Que injustiça haverá em permitir que quem quiser realize a prova de novo? Ou mesmo q se permita essa decisão depois de se verificar o gabarito? Afinal será aplicada uma *nova* prova e não a mesma. E a isonomia é mantida pelo modelo baseado na TRI.

[]s,

Roberto Takata

Roberto Takata em novembro 12, 2010 4:56 AM


#32

A companheira Ana Maria não é apenas uma “técnica em assuntos educacionais”, ela também é (ou era em julho de 2010, a nos fiar pelo que diz matéria publicada em http://www.ufrj.br/mostraNoticia.php?cod_noticia=10108) “presidente da Comissão de Acesso do Conselho de Ensino de Graduação (CEG)” da UFRJ. Nessa condição, a desinteressada técnica em assuntos educacionais se viu na contingência de analisar a proposta apresentada pela Reitoria de, com vistas a “democratizar o acesso ao ensino superior na UFRJ”, oferecer 50% do total de vagas da instituição “para candidatos aprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), vinculado ao Ministério da Educação (MEC)”. O parecer da representante da instância responsável por um dos maiores (e mais rentáveis) vestibulares do país, foi um primor de desprendimento:

“De acordo com o documento exposto pela presidente da comissão do CEG, a proposta da Reitoria:

- fere o princípio da autonomia universitária ao transferir para o exame do MEC a responsabilidade pelo processo seletivo; [...]

- ao adotar o modelo Sisu-MEC, transforma a escolha dos cursos em ‘uma loteria’, em que jovens simulam suas opções, em função das notas atribuídas no Enem; [...]”.

Em resumo, o problema não é o Enem, mas os interesses que ele fere. Os quais não se restringem apenas ao sórdido mundo dos cursinhos e que tais. Passam também pelos subterrâneos das “Comissões de Vestibulares”.

Falso em novembro 12, 2010 9:49 PM


#33

Com a palavra, a Ana Maria, caso ela queira se defender. Eu não tinha ciência desse possível conflito de interesses ao publicar o artigo.

Idelber em novembro 13, 2010 5:57 AM


#34

Quanto ao uso do ENEM como unico exame de admissão ou então como um exame parcial, não tenho opinião formada.

Minha questão é quanto a refazer o exame para todos os 3.500.000 alunos.

Já estou meio de s**o cheio de teóricos sem nenhum pé plantado na prática. Essa gente vive no mundo da lua ou da perfeição. Falsa perfeição. Tudo que não é absolutamente perfeito, sob todos os ângulos, está errado e deve ser refeito. Sinto informar que essa perfeição não existe. Até podem achar que encontraram algo perfeito e que não merece reparo. Ledo engano. Só não foram capazes de encontrar o erro.

Imagine se um porteiro de local de prova fechasse a porta 30 segundos antes do tempo correto, só porque seu relógio estivesse marcando a hora errada. E com isso impedisse 5 alunos de prestar a prova.
Como esses puristas resolveriam a questão? Obviamente anulando todo o exame. Na ótica deles tudo deve ser feito para garantir a igualdade de condições. Sem nenhum limite. Nem de tempo, nem de dinheiro, nem de PROPORCIONALIDADE. Se necessário repetiriam esses exames indefinidamente até satisfazerem seus impossíveis desejos de justiça absoluta.

Acho que ainda estão vivendo a ressaca da ditadura. Foram do direito mitigado da ditadura ao direito absoluto da redemocratização.

Se um exame como o ENEM não permite fazer uma aferição válida em outro dia, então é um exame BURRO. Me recuso a acreditar que é impossível aplicar outro exame para os talvez 2.000 prejudicados mantendo uma igualdade de aferição num nível absolutamente aceitável.

Essa gente não conhece o velho ditado de que "A teoria na prática é outra".
Repito que já estou de s**o cheio dessa gente que vive no mundo da lua.

Ticão em novembro 13, 2010 3:14 PM


#35

Ai meu Jesus Cristinho. Quousque tandem, quousque tandem? Antes era o caos, aí veio o governo do PT e "negociou" a luz. O que era uma imposição na base do "manda quem pode", agora é o bálsamo dos "cumpanhêru".

O "pobrema" é que as cagadas se sucedem e fica tudo por isso mesmo. As cagadas dos "cumpanhêru", of course. Se fosse de adversário, era tinta, passeata, demissão etc..

Aos "debatedores de alto nível" que tentam limpar a cagada, dedico a regra number one das máximas joãomiguelianas: "Merdas cagadas não voltam ao cu".

Ao menos a Dilma ficou livre do Fernando Haddad. Vamu qui vamu...

Bob em novembro 15, 2010 9:04 AM


#36

Por que o ENEM não pode ser um vestibular nacional unificado.
Na minha opinião este é o seu grande mérito. Acho que ele DEVE ser um vestibular nacional unificado.
Deixar que as universidades individualmente "resolvam" o seus problemas de seleção é um terrível retrocesso. É se render à indústria dos cursinhos.
Aliás as universidades já tem a liberdade de aceitar ou não o ENEM, ou aceitá-lo inteiramente ou parcialmente. E isto já é o suficiente.

newton em novembro 15, 2010 11:27 PM