Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.
A Semana nas Comunicações, a Denegação de MOSCOU e uma receita de #Mordalingua
Nas derrotas futebolísticas, há um momento em que você sente que o jogo está perdido. É um instante de chegada meio mágica, retrato do imponderável do futebol. Enquanto que nos outros esportes coletivos pode-se supor uma fórmula matemática que combine a diferença de pontos com os minutos ou posses de bola restantes e nos dê uma equação universal que localiza esse momento, no futebol, como atesta qualquer um que tenha jogado ou mesmo assistido com atenção ao esporte, só mesmo o devir particular de cada jogo vai lho dizer.
Um 3 x 0 aos 30 minutos do 2º pode ser um jogaço em aberto, como sabemos os fanáticos do time das impossíveis viradas (contra e a favor). Por outro lado, uma equipe pode perfeitamente estar batida de forma categórica depois de um simples 1 x 0 aos 10 do 1º. Omitamos, por incontáveis, os exemplos.
Esse momento epifânico, que só no futebol é imponderável, é o descrito em “Rosa dos Ventos”:
Pois transbordando de flores/ A calma dos lagos zangou-se/ A rosa-dos-ventos danou-se/ O leito do rio fartou-se/ E inundou de água doce/ A amargura do mar // Numa enchente amazônica/ Numa explosão atlântica/ E a multidão vendo em pânico/ E a multidão vendo atônita/ Ainda que tarde/ O seu despertar
Relembre com Chico:
(Se você trabalha num grupo de mídia brasileiro e nunca se perguntou sobre o que a 2ª estrofe de “Rosa dos Ventos” pode estar lhe dizendo sobre o seu lugar hoje, a piedosa recomendação deste blog é que você o faça antes de continuar as tarefas do dia. A pergunta, com certeza, é mais urgente).
A tese deste post é que, durante esta semana, uma parcela significativa dos conglomerados máfio-midiáticos brasileiros deu-se conta de que o jogo está perdido.
Ele ainda será jogado durante algum tempo mas, como previu “Rosa dos ventos”, está perdido para eles. Que jogo é esse e que parcela é essa, o que significam “perdido” e “dar-se conta”, e até mesmo qual é o sentido da palavra “brasileiros” naquela frase são temas que merecem reflexão, se queremos ter uma visão matizada, não ufanista do processo. Antes, uma palavra sobre o termo mais polêmico, “conglomerados máfio-midiáticos”, que será doravante usado neste blog de forma também intercambiável com o acrônimo MOSCOU.
Foto de Jochem Wijnands, no Getty, museu montado por meu amigo Tom Reese
Meu não-uso do termo PIG advém de que, apesar de a própria executiva da Folha reconhecer textualmente que a imprensa brasileira substituiu os partidos de oposição no governo Lula, apesar de sabermos que, em várias partes do Brasil, ela é partido mesmo o tempo todo (como no caso da RBS no Sul), e apesar de ser visível o componente golpista do seu DNA em diversos momentos de sua história, não acho que a metáfora “partido golpista” tenha referencialidade suficiente; é unitário demais. Não há, por exemplo, como assistir ao Seminário de ontem sobre mídia, ouvir Merval Pereira e Renata LoPrete, e não perceber a imensa diferença intelectual, moral e ética entre eles. É um bom achado humorístico, a sigla PIG, e eu a leio sob esse tipo de licença poética. Não a uso.
“Conglomerado máfio-midiático” é diferente, porque você pode perfeitamente ser funcionário de um conglomerado mafioso e continuar fazendo, no seu canto, um trabalho sério e honrado, como bem sabem os datilógrafos e faxineiros do PPS (ou do PTB, pra não dizerem que só falo mal da oposição). Com esse tipo de preocupação em mente, o antenadíssimo gringo Colin Brayton cunhou, em português, sim sinhô, o acrônimo MOSCOU: Mídia Orquestrada por Sociedade Civil de Oligarcas Unidos. Como também numa orquestra podem existir reais sonoridades dissonantes, prefiro MOSCOU a PIG.
Pois bem, MOSCOU percebeu que o jogo está perdido, argumentávamos. Mas também “perdido” aqui requer explicação, para que não se leia o que não está escrito.
Eles perderam, mas isso não quer dizer que o vitorioso seja “a internet”, “a blogosfera” ou muito menos a blogosfera “progressista”--termo que merece um digno funeral em breve, pelo menos como suposição de que representa universalmente a esquerda. Note-se que eu proponho que MOSCOU perdeu. Não presumo saber quem ganhou. Aliás, o segundo argumento do post é este: MOSCOU já perdeu o jogo, mas quais serão os vencedores é matéria que ainda não sabemos. Ao contrário do que argumentam os que reclamam do Fla x Flu, esta não é uma partida com dois jogadores.
Ganha a democratização da informação, é óbvio, quando perde MOSCOU. Mas quais são as vozes concretas que encarnarão dita abertura, ou seja, qual será o bloco hegemônico a emergir das ruínas, é matéria ainda mais nebulosa do que parece, na opinião da ala trotsko-atleticana de blogolândia.
Continuemos com a tese do post: MOSCOU deu-se conta de que perdeu o jogo. Mas como “deu-se conta”?
Mais ou menos como a palavra “talvez” em Derrida, que sempre significa seu antônimo, ou seja, “com certeza”, entendo o termo “dar-se conta” aqui como o oposto de “perceber”. MOSCOU dar-se conta de que perdeu o jogo deve ser entendido freudianamente, ou seja, como Verneinung (denegação [pdf]). Ainda não entenderam nada do que está acontecendo, isto me parece óbvio, mas algo neles percebe, um “algo” freudiano, ou seja, inconsciência.
Só assim é possível ler a coleção de micos com que O Globo e uma colunista de MOSCOU nos brindaram esta semana, na esteira da entrevista do Presidente Lula ao grupo de blogueiros. Listemos alguns desses micos, poupando a paciência do leitor com uma abundância de links:
1) O Globo afirma que Cloaca News é o primeiro pseudônimo que “participou de entrevista”, provavelmente se esquecendo da existência de Truman Capote e Stanislaw Ponte Preta, entre incontáveis outros; 2) Na mesma matéria, O Globo usa intercambiavelmente os termos “apócrifo” e “pseudônimo”, o que qualquer consulta a qualquer dicionário da língua desautoriza: são termos mutuamente exclusivos, aliás. As Escrituras não são “de pseudônimo”, e quando Truman Capote assina In Cold Blood, por definição, não se trata de algo “apócrifo”; 3) A mesma matéria d'O Globo, não assinada, mas tão ruim que poderia ter sido escrita por um ator de filme pornô ou personagem de ficção científica, diz que José Serra os “teria classificado” de blogs sujos, sem ter feito, portanto, a pesquisa básica no próprio MOSCOU, que lhe confirmaria que a paternidade do sintagma “blogs sujos” é mesmo do candidato do Jornal Nacional nas últimas eleições; 4) o episódio em que a acho-colunista Dora Kramer tentou dar aulas de Direito a um dos maiores Penalistas do Brasil merece um parágrafo a parte, para que se entenda porque eu vejo “dar-se conta”, na frase-tese do post (MOSCOU deu-se conta de que perdeu), como sinônimo de “denegação”.
Sem guglar o nome “Túlio Vianna”, Dora Kramer interpretou a pergunta do Doutor em Direito pela UFPR, Professor da UFMG e autor de Transparência Pública, Opacidade Privada, a Lula, sobre a possibilidade de nomeações mais, digamos, à esquerda para o STF (enfim, sem citar Konder Comparato, o Túlio fez a pergunta número 1 que eu teria feito) como se Túlio não soubesse o que é separação de poderes, passando, enquanto isso, atestado de não ter, ela, nem vaga notícia sobre o assunto. Ela confundiu prerrogativa presidencial de indicação de Ministros ao STF com suposta violação da separação de poderes.
Tentemos desenhar. Imagine, leitor, o mico.
Um colunista com QI abaixo da média, de um jornal em decadência, com vendas declinantes, pertencente a um conglomerado que viu reduzidas as suas chances de realizar mutações em bolinhas de papel, interpela o Professor Luiz Antonio Simas para lhe explicar o que é um samba de enredo e qual a diferença entre a Beija-Flor e a Deixa Falar, cometendo, no processo, confusão entre quem foi Noel Rosa e quem é Martinho da Vila.
Esse é o nível do monumental mico que a colunista Dora Kramer pagou esta semana no Estadão.
Em qualquer imprensa genuinamente pluralista do mundo, seria abalador ou detonador de carreira, e sobre isso perguntem Arianna Huffington no dia 21 de dezembro, em São Paulo. Acho que ela concordaria. Daí, enfim, que a locução verbal "dar-se conta de", na frase-tese deste post, deva ser lida como signo do seu antônimo: ainda não entenderam nada, é evidente, mas algo neles entendeu.
PS: Ainda sobre o tema deste post, eu gostaria de alistar alguém que entende de programação para uma receita de gerador eletrônico de #Mordalíngua: o mecanismo é muito simples. Visitamos os arquivos de MOSCOU, digitamos "Merval", "Leitão" ou "Cantanhêde" e mandamos a máquina rastrear verbos no futuro ou no condicional. Tudo o que eles preveem dá errado. São a confirmação viva de que "até relógio parado acerta duas vezes ao dia" é só isso, um clichê falso. É perfeitamente possível estar errado sempre. É um talento notável, convenhamos. Mas ele existe.
PSTU (apud NPTO): De forma relacionada ao post, mesmo que tangencialmente, o blog acompanha o zumbido de que o Ministro Paulo Bernardo pode ser o encarregado da Pasta das Comunicações no governo Dilma. O blog tenta ter informação independente e não trafica boatos, mas acompanha com interesse e torcida. Seria excelente combinação de firmeza, tato político e ponderação num ministério chave.
PSTU do B: O Biscoito anuncia, esta semana, três coautores: colunistas convidados que escreverão, cada um, um post quinzenal (os confirmados são dois homens e uma mulher). Ainda estamos em negociações com a quarta convidada.
Parabéns pelo otimismo. Eu não consigo ser, assim. Fico muito mais otimista quando vemos indicativas de criação de conselhos sociais de comunicação do que uma entrevista do presidente Lula à blogueiros 'progressistas' e sua esperada reação por você-sabe-quem (PIG, Moscou, Grande Mídia).
Porque ainda que, esteja mais escancarado a reação e os interesses deles, não dá para os mesmos se sentirem tão ameaçados. Não se perde o poder, porque eles detêm o poder econômico. Quem está ameaçando esse poder? O que se está fazendo para democratizar esse poder?
Não há democratização de informação, enquanto não se ameaça, diminui, cancela, enfim, o poder que esses grupos tem!
e lá vai o velho debate sobre concessões, e blá, blá.
Minha primeira impressão, ao ver aquela matéria d'O Globo sobre a entrevista dos blogueiros foi: piscou, que nem no poquer. Depois, refletindo melhor, cheguei à conclusão que não piscou não, tremeu todo, entregou o jogo completamente.
Queria jogar poker com o Kamel. o cara deve ser facinho de ler.
Não sei se você anda lendo jornais, mas está acontecendo uma guerra civil no rio de janeiro e esse blog está estranhamente se omitindo em comentar o assunto, por quê? Não é suficientemente político-partidário? Petista? De âmbito nacional? Não entendo como uma das vozes mais acirradamente críticas do espaço blogueiro se cala face a essa vergonha que não é só dos cariocas, mas do país, do país que o PT ajudou a governar durante todos esses anos. Ficou cego, surdo e mudo? Shame.
Vera
Não sei se você anda lendo jornais, mas está acontecendo uma guerra civil no rio de janeiro e esse blog está estranhamente se omitindo em comentar o assunto, por quê? Não é suficientemente político-partidário? Petista? De âmbito nacional?
Vera, eu não sei se você anda lendo os arquivos deste blog, mas ele se pauta por um certo princípio, deste outubro de 2004: não falo sobre assunto que acredito não dominar de forma suficiente. O Brasil chegou a disputar o Oscar há uns anos e este blog também "se omitiu". Por quê? Porque não domino o assunto.
Procure, neste blog, um post sobre cinema. Não há.
Da mesma forma, não vou virar especialista num tema complexo como segurança pública do Rio de Janeiro da noite para o dia. A resposta à sua pergunta era simples, bastaria ser leitora frequente e atenta do blog para sabê-la.
Li os tuítes do Simão e achei patéticos, nem graça têm.
Quanto a você não comentar sobre certos assuntos, eu acho que certos assuntos se impõem ao comentarista, depende da gravidade dos acontecimentos, você não precisa ser um especialista para dizer o que pensa, mesmo como leigo, a respeito do assunto. Ou então encaminhar seus leitores para sítios menos tolinhos do que esse aí do Simão. Sorry, Idelber, não preciso ler seu blog todo (alguém leu?) para emitir minha opinião sobre um assunto tão impositvo, continuo achando que você está, sim, se omitindo.
Até,
Vera
Pois é, ao invés de policiar o que pode e o que não pode dizer o anfitrião em sua própria casa, ao invés de adulterar nela o nome dos outros, ao invés de procurar graça no que não tem graça, talvez lhe fizesse bem, Vera, como aula de elegância e de decência, ler o que disse sobre a crise o maior especialista em segurança pública do Rio. Se ler direitinho, com atenção, verá que atitudes como a sua são parte do problema.
Adorei o termo MOSCOU. Mas essa mídia só perderá mesmo poder quando houver o marco regulatório, e olha lá! Enquanto isso está aqui no Brasil um puta pastiche com os problemas no Rio de Janeiro. É impossível ver as reportagens, simplesmente. Ao passo que muitos outros acabam apenas aceitando-as dizendo "É isso aí mesmo! Tem que matar esses traficantes".
Quanto aos incompetentes da mídia golpista, há vários outros para citar, como o intragável Pondé, mas estes crápulas que são os formadores de opinião, ao ponto de fazerem velhinhas pacatas quererem o sangue dos bandidos, como o Datena faz. Vai muito o nome e sua tradiação a estes pacatos cidadãos, mesmo quando erram - e erram feio.
Torço por uma mídia mais plural e celebro a entrevista aos blogs, mas não sei se esse jogo está acabado. Usando de gírias futebolísticas, sempre rola um "tapetão" no Brasil, Idelber.
Mesmo assim, aguardo otimista as novas demandas do Ministério das Comunicações e governo Dilma.
Sim, eu acho que o marco regulatório é uma esperança bem plausível para o governo Dilma, Dandi. Concordo, claro, que ainda vai rolar jogo por um bom tempo. Abraços.
Espero, sinceramente, que esteja certo, mas não estou tão otimista assim. Seu blog é muito bom, leio com prazer, mesmo sendo os posts tão longos...
abs.
Só para ver se eu entendi direito, para eu me alinhar direitinho: O Merval Pereira, Miriam Leitão, Dora Kramer e Castanhede são do mal, mas a Renata LoPrete é do bem e podemos ler, é isso mesmo?
Curioso, Rafael, procurei as expressões "do bem" e "do mal" no post e não as encontrei.
Você tem uma paráfrase mais honesta para oferecer ou quer tentar ler o texto de novo? Se acha que o que este blog oferece é determinação do que você "pode" ou "não pode" ler, eu já adianto o veredito: no seu caso, deve poder ler tudo, porque é o mais saudável em época de alfabetização e formação da capacidade cognitiva e do caráter.
Acho que a tese está correta, mas não vejo com otimismo. Até a derrota ainda teremos um jogo duríssimo pela frente. Dilma e seu ministro das comunicações serão chamados de comunistas totalitários, chavistas, etc.
Mas dá um certo prazer ver o desespero de pessoas como merval, kramer e leitão, isso dá! Esse prazer pode servir de munição à resistência. Eu, pelo menos, acho o humor sempre revigorante. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Rafael, o Idelber escreveu: "Não há, por exemplo, como assistir ao Seminário de ontem sobre mídia, ouvir Merval Pereira e Renata LoPrete, e não perceber a imensa diferença intelectual, moral e ética entre eles."
Tenho notado que essa é uma opinião quase unânime de quem lê jornal. Você tem argumento para se opor a ela ou só quer trollar mesmo?
Grande Idelber,
Os caras sentiram a pancada. Lembrei de um outro post seu, que retrata o declínio global, na medida em que o debate da Band definiu o resultado do segundo turno, o SBT desmontou a farsa da bolinha de papel e a presidente eleita deu a sua primeira entrevista à Record.
Além disso, ao irmos no Cloaca para ver o vídeo de Voldemort no Solar das Taras Proibidas, encontramos um singelo aviso: "este vídeo foi removido porque seu conteúdo violou os termos de serviço do YouTube" (será que isso quer dizer alguma coisa, sobretudo acerca da decantada "liberdade de imprensa"?).
Me permita dois adendos:
a) Prefiro o moleque PIG ao carrancudo MOSCOU (e acho que o mestre Luiz Antônio Simas também);
b) Depois dessa, acho que o Reinaldo Azedo vai buscar, ele mesmo, o Jabuti na casa do Chico (que provavelmente está tomando um chopinho, fazendo caminhada ou jogando uma boa pelada no campo do Politheama).
Temos Chico, Idelber. Eles têm Mainardi, Merval, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhede e quejandos.
Abração!
MOSCOU também é gozação, é moleque... Não dá ficar usando toda hora, mas acho divertido também.
Não sabia que tinham removido o vídeo do ator pornográfico Ali Kamel do YouTube, Érico, obrigado pelo aviso. Vai ver é algo, sim, relacionado com a liberdade de imprensa, né?
Essa tentativa de enfraquecer a importancia da entrevista 'incriminando' os entrevistadores por usarem pseudónimos é realmente muito reveladora.
Acho que eles estão se utilizando, em parte, da própria história do jornalismo.
Aqui tem uma entrevista com Maneco Müller; http://migre.me/2wLhZ, pseudónimo Jacinto de Thormes, que dá uma idéia de como eram vistos os psedónimos. Assim como Sérgio Porto, e seu Stanislaw Ponte Preta, pseudónimos eram usados para fazer, digamos, galhofa.
A questão fica complicada quando os pseudónimos são interpretados com a coisa ilegal, falsa, sem autenticidade. Iintercambiando com o termo 'apócrifo' e sugerindo um encobrimento da pessoa.
No caso da entrevista, não tem o menor sentido, pois eles estavam lá dando 'suporte material' aos pseudonimos (Se bem que o plural não se aplica, pois a questão foi em torno do Sr. Cloaca).
Mas, é tão furado esse argumento, que vc citou dois exemplos muito apropriado de pseudónimos, mas tem também um que é muito relevante, o psedónimo Paulo Francis.
Sobre a renegação, tem uma passagem muito ilustrativa em “A Organização Genital Infantil” em que Freud diz: “nós sabemos como os meninos reagem às primeiras impressões sobre a ausência de pênis; eles renegam (...) e crêem que vêem um pênis (...) eles dissimulam a contradição entre a observação e a pré-concepção, dizendo a sí próprios que o pênis ainda é pequeno, mas crescerá”.
Obs, o blog se recusa a falar de futebol diretamente, mas se utiliza constantemente do futebol em citações indiretas. Quando é que esse charuto vai voltar a ser apenas um charuto? hehehehe!
Abrs.
Torço pra que você não passe a usar com frequência essa história de "MOSCOU", Idelber. Acho esses apelidinhos extremamente constrangedores, dão vergonha alheia mesmo. Gosto de ler seus textos, Idelber, e ficaria realmente triste em ter essa sensação com certa frequência ao passar aqui pelo Biscoito. Fico na torcida, então.
Lembro que por um tempo o Rovai insistia em emplacar outro apelidinho jocoso: "Big Mídia, a filha bastarda do Big Mac" - isso, assim, sempre a frase inteira. Ainda bem que ele parou com isso.
Que mal que o Paulo Henrique Amorim faz pro debate político. Até nisso.
Mas alto lá com a autoria, MOSCOU é do Colin Brayton, não do PHA, JG! É bem mais engenhoso que o anterior.
Mas claro que não é pra ficar usando até desbotar.
Frank, grande lembrança, Maneco. Eu pretendo fazer um post sobre futebol este ano, que vai se chamar "Notas sobre um campeonato que eu não vi". Vamos ver se rola. Deixa só a gente ver se o Galo se safa.
hahahahaha...
excelente, Idelber, excelente.
desde 2006, pelo menos, (mas, na verdade, desde antes), os fados do pessoal de Moscou já estão selados.
não sei se ainda demora muito (e no meio tempo eles ainda podem causar muito estrago), mas já são favas contadas.
ah, e qdo for falar do "campeonato q vc não viu", aproveite e fale da Série B tb, pra poder falar da maravilhosa torcida do meu time...
=)
PS: ah, e qto ao Galo... não precisa se preocupar, a última vaga do rebaixamento já tá reservada para o Vitorinha, aquele rubro-negro pelo qual vc diz ter alguma (inexplicável) simpatia. risos...
abração!
Acho esse debate, da forma como você põe, Idelber, extremamente engessado.
O círculo de blogs que você coloca como opositores da mídia tradicional é muito pequeno, ínfimo, seja em número ou em acessos.
Têm seu papel, lógico, não estou desmerecendo, ter pequeno alcance não é um problema, é mais uma conseqüência do modelo descentralizado da internet.
A questão aqui é que esses "blogs de crítica a mídia" - no seu caso é mais uma tag, Idelber- parecem encarar essa revolução promovida pela internet, o desmantelamento de oligarquias de "formadores de opinião" e "produtores culturais", como se se resumisse às fontes de informação que estão com o PSDB versus as que estão com o PT.
Meu deus, não é o caderno de política dos jornais que está perdendo poder. Os outros cadernos, opiniões sobre diversos temas, as editoras, as gravadoras, a indústria cinematográfica, a televisão como um todo... Enfim, estamos falando de visões hegemonizantes sobre todo e qualquer tema ou campo do conhecimento ou da cultura, que agora têm cada vez menos alcance.
Hoje, vale cada vez menos como as emissoras de TV contam uma história, seja de uma eleição, mas também de uma pessoa, uma banda, um lugar, um fato, um jeito de ser, um grupo... E importa cada vez mais como os sites que falam a respeito estão ranqueados pelo Google, ou como o círculo de convivência (físico/digital ou só digital) da pessoa sugere fontes, sob a forma de links no Twitter ou Facebook.
È uma visão muito restrita achar que quem está desmontando o poder da informação dos grandes veículos são essas poucas dezenas de blogs de política (e outros temas) que estão seu blogroll e mais os que estão no blogroll deles, Idelber. Você está reproduzindo o discurso do oligopólio que você critica. Só porque o oligopólio deles é de 10 e o seu é de 100. Mas quando vamos falar de fontes de conteúdo na internet, temos que falar da casa das centenas de milhares de fontes. Milhões, se considerarmos - e temos mesmo que fazê-lo - que cada comunidade do Orkut, cada canal do Youtube, cada conta no Twitter, cada um dos milhões de blogs (são milhões mesmo) transformam um pouco as visões de mundo dos 60 milhões de brasileiros com acesso à internet.
E eu não tou falando de teoria, de "potencial da internet", estou falando de como é hoje.
E não adiante dizer "eu sei disso tudo aí que você falou", se continuam levantando discussões como se nunca tivesse pensado a respeito. Como aqueles acadêmicos que dão show em palestras e aulas, mas quando as sutilezas da palestra alcançam o mundo real, a mesa de bar, a conversa em família, todo aquele conhecimento fica preso à cúpula de vidro da universidade.
Discutir esse tema nos termos em que está posto neste post e no histórico inteiro de blogs desse pequeno círculo, é perguntar à atriz da malhação o que ela acha das ações de segurança no Rio.
Você sabe o que é que o Garotas Estupidas anda dizendo sobre ostentar marcas de grifes, ou sore o que o Meiobit diz sobre obsolescência programada, ou o que o Felipe Neto pensa sobre música engajada? E olha que eu estou citando três gigantes em seus nichos, mas o mesmo vale pras fontes de conteúdo 10 vezes menores que eles.
Você está falando de 30 blogs discutindo a próxima eleição, eu estou falando de milhões de fontes moldando a formação cultural de toda uma geração.
O legal de Moscou é identificá-los com o diabo deles: o fantasma soviético. Idelber, achei o texto excelente. Mas eu também não apoiaria uma indicação do Doutor Fábio Comparato. Para quem quer um judiciário mais laico, acho que ele não é uma boa alternativa.
Acho que vc tocou um ponto importante, Idelber. Mais do que uma postura ideológica equivocada ou uma mal disfarçada imparcialidade de araque, o problema principal da grande mídia brasileira é de competência mesmo. Os caras que estão na posição de formadores de opinião estão no mesmo nível dos comentaristas de futebol que ficam dando palpites no nível que qualquer brasileiro que acompanha o futebol dá na mesa do bar do seu bairro. Ninguém faz um dever de casa básico, uma pesquisa de meia-hora sobre o assunto que pretendem "analisar". E a única justificativa para acompanhar um jornal, por exemplo, é acreditar que ele tem um controle de qualidade que a internet, é claro, não tem.
Sobre os comentários de JG (#27) e Paulo Moreira (#29) acrescento os seguintes, concordando ou discordando:
1. Apesar de serem milhares de blogues e sítios (só eu tenho 4 diferentes), o desmonte do PIG (prefiro a Moscou) se deu pelo enfrentamento feito pelos blogues sujos como fonte básica de informação, redistribuida no corpo a corpo dos emails, das listas de discussão, das discussões em família, nos bares, no ambiente laboral. Os blogues sobre culinária ou sobre comércio exterior não combateram o PIG, e não o poderiam ter combatido.
2. No geral, o PIG e não só, tem dificuldade em apresentar a realidade, frequentemente deformando-a por pura incompetência, e essa incompetência não me parece resolvivel. A imprensa pode melhorar, é verdade, mas como, por exemplo, a seção de política internacional de qualquer jornal poderá concorrer com o Boletim Mundorama, mantido por especialistas da área?
3. Mesmo os especialistas se atrapalham. Li o texto "A crise no Rio e o pastiche midiático", de Luiz Eduardo Soares, indicado por Idelber (# 7), texto muito bom, mas até ele confunde as competências da Polícia Federal com as da Aduana Brasileira, a quem compete fiscalizar a entrada e saída de mercadorias do país.
4. Talvez seja o caso de os blogues de qualidade começarem a se articular entre si de modo a termos um blogue índice, onde sejam listados por assunto, após devidamente aceitos pelos demais. Isso permitiria articular as boas fontes de informação da Internet, por critérios de mérito, e não de autômatos do Google.
"JG, me ajude, pois eu não consegui encontrar no texto do Idelber qualquer citação à quantidade de blogs, nem mesmo à um certo círculo de blogs."
fm (#30), eu te respondo citando o comentário do Paulo (#31), que é extremamente emblemático do quanto a minha crítica a uma visão limitada do tema faz sentido.
"Apesar de serem milhares de blogues e sítios (só eu tenho 4 diferentes), o desmonte do PIG (prefiro a Moscou) se deu pelo enfrentamento feito pelos blogues sujos como fonte básica de informação, redistribuida no corpo a corpo dos emails, das listas de discussão, das discussões em família, nos bares, no ambiente laboral. Os blogues sobre culinária ou sobre comércio exterior não combateram o PIG, e não o poderiam ter combatido."
1.
A questão é que mesmo que não houvesse um único desses 30 "blogs progressistas" (ou quantos forem), se não houvesse nenhum mesmo, ainda assim a grande mídia estaria perdendo poder, ainda assim o oligopólio da informação que eles representam estaria desmoronando.
Os tais blogs são só um pingo d'água, talvez todos eles juntos tenham poder de influencia menor do que um único vídeo do Felipe Neto, com seus 3,2 milhões de visualizações, falando mal do bolsa-família. Talvez o Felipe neto Neto sozinho não dê conta de 30, mas os Felipes Netos são milhares espalhados pelo Youtube. O público se divide, tem opções, cada quantum de informação tem cada vez menor poder toda vez que surge uma fonte nova.
Em resumo, a mídia tradicional perdeu e continua a perder poder de influência não porque é diretamente criticada pelos blogs sujo-progressistas, matéria por matéria, mas porque em um ambiente onde só havia algumas dezenas de fontes de informação, agora há milhares.
2.
Outra coisa importante, como eu disse no outro comentário, não se vence eleição no caderno de política.
Eu estou tentando dizer é que é a visão de mundo das pessoas que faz com que elas sintam afinidade por um partido ou outro, por um projeto ou outro. Em outros tempos vários grupos oligárquicos tinham um poder imenso de influenciar na visão de mundo de público, e insisto, isso não se refere ao caderno de política do jornal, mas sim às editoras, às emissoras de TV, indústria fonográfica, cinematográfica, de entretenimento... Mesmo em um ambiente de oligopólio, não é só telejornal que cria um imaginário de política, a Ana Maria Braga também, a novela - lembram do Rei do Gado, onde os sem-terra eram heróis? Faz só 15 anos -, o Casseta e Planeta...
E isso também vale no ambiente de descentralização da produção de conteúdo promovida pela internet, em que não são só os blogs, twitters ou canais do youtube que falam estritamente de política é que irão influenciar na formação política do público.
Como eu citei, o Meiobit com seus 40 mil leitores de rss-feeds, ou o Garotas Estupidas com seus 50 mil visitantes diários mesmo sem nunca terem feito um único post sobre política partidária, foram decisivos nessa eleição e serão em todas as outras que a geração que eles formaram forem votar.
Ok, JG não dá mas.
Em que pese a opinião dos puristas, estou na mesa de um buteco, o samba tá quente, a caipirinha tá uma delícia, o sinal está ruim e amanhã terá jogo do Timão. Resumindo, o controle de qualidade tá falho :)
Mas, apesar de tudo isso, fico com uma certeza, continuo não sabendo do que vc está falando. Eu não li o mesmo post que vc.
fm, desliga esse celular aí, rapá, não tem coisa mais chata do que tá todo mundo na mesa conversando e um mané "twittando" no celular. =)
Responde ao comentário amanhã, ora.
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Bom, acho que agora eu peguei o espírito do que você contesta, do "lemos posts diferentes".
Imagino que você diga isso por causa desse trecho:
"Eles perderam, mas isso não quer dizer que o vitorioso seja “a internet”, “a blogosfera” ou muito menos a blogosfera “progressista”--termo que merece um digno funeral em breve, pelo menos como suposição de que representa universalmente a esquerda. Note-se que eu proponho que MOSCOU perdeu. Não presumo saber quem ganhou. Aliás, o segundo argumento do post é este: MOSCOU já perdeu o jogo, mas quais serão os vencedores é matéria que ainda não sabemos. Ao contrário do que argumentam os que reclamam do Fla x Flu, esta não é uma partida com dois jogadores."
Mas eu digo que foi justamente esse parágrafo que me instigou a fazer os comentários.
Eu achei que aí havia um momento de reflexão isolado, que não condiz com o modo como esse ambiente é abordado normalmente, que só estava aí porque essa é uma discussão sobre o ambiente em si, mas não sobre um tema inserido nele. Como a analogia que eu falei no comentário anterior, do professor que dá show na aula e não aplica no dia-a-dia.
Que o diga o post anterior, chamando de "momento histórico" um encontro entre o presidente e meia dúzia de jornalistas que fundaram seus pequenos jornais (seus blogs), eonde eles ainda são... jornalistas.
Como eu disse, se fosse verdade que a perda de poder dos grandes veículos (ou vitória na eleição) fosse graças a eles, seria trocar um oligopólio de 10 por um de 100. E mesmo um oligopólio de 10 mil ainda seria oligopólio, porque o que se tem agora não é um aumento no número de vozes, é um ambiente em que TODOS podem ter voz. A divisão de poder está em processo ainda, é lógico, mas cada nova ferramenta só maximiza o potencial e os resultados já palpáveis.
Falei o exemplo do post do Idelber, mas ele ao menos reconhece a situação quando é um meta post. Esse debate desviado é muito pior com os ditos "blogueiros que odeiam a mídia" e seu público. Reina um triunfalismo absolutamente ingênuo. No meu comentário anterior, eu coloquei o exemplo do comentarista logo baixo de você, fm, que ia exatamente por esse caminho.
Enfim, eu fico feliz em constatar o quanto os tais "blogs progressistas" são irrelevantes em relação ao todo da população brasileira. Mas ficarei muito mais muito mais feliz quando puder dizer que o big-pig-mafio-midiático-russo também é completamente irrelevante. Mais fontes é igual a menos poder por fonte. A matemática é linda.
Estou mais ou menos com você, mas não é o caso de 1, 10, 100, ou 1 zilhão. O PIG, ou Moscou, era uma condomínio do pensamento único distribuindo monopolísticamente informação para a população, só existia o que saía na Globo...
Entretanto, cada um falar o que quer na blogosfera é apenas barulho.
A diferença agora é que o monopólio caiu. Ainda estamos um pouco na era do caos, muita gente falando ao mesmo tempo, mas aos pouco chegaremos - espero - num equilíbrio, em que aqueles que tem o que falar serão ouvidos, permitindo a circulação de idéias.
A circulação de senso comum, de achismos, é democrárica, talvez, mas inútil. Nesse ponto concordo muito com o Idelber ao explicitar que não fala do que não sabe - segurança, cinema. Quem fala demais dá bom dia a poste. O corolário disso é que alguns sítios tem retorno de visitantes, outros não. Alguns se tornam referência, outros não. A diferença que o acesso à possibilidade de se tornar referência está mais democratizada: agora basta ter tempo, alguma instrução, algum poder aquisitivo.
O Paulo Werneck tem feito algumas colocações muito sensatas aqui. Deixem-me tentar dar um pitaco de veterano sobre a influência real dos blogs: houve uma época, 2004-05, em que os blogueiros gostávamos de brincar com uma metáfora: "ser celebridade na blogosfera é como ser Miss Cangaíba". A boutade tinha algum fundo de razão, numa época em que as pessoas se deslumbravam muito facilmente. Brincar com a mesma metáfora hoje, como se nada tivesse mudado, é passar atestado de que não está atento o suficiente.
A turma mais antiga é testemunha de que ao longo dos anos tentei não ser ufanista com o poder real dos blogs. Depois de tantas décadas de um jornalismo unidirecional, a tentação de deslumbramento é grande quando você começa, bem ou mal, a produzir e circular textos e informação também. Portanto, evite-se, sim, o ufanismo vazio.
Mas eu fico me perguntando se quem fala em "meia dúzia" de blogs que não significam nada tem realmente os números em mão. Limito-me a um único: mais pessoas procuraram diariamente o Biscoito Fino e a Massa no mês pessado que procuraram a Folha de São Paulo nas bancas diariamente(ou seja, venda total menos assinantes) no ano de 2009, que é o último para o qual temos números do IVC. E olha que o Biscoito não é dos blogs que mais se empenham em publicar vários posts por dia para aumentar números de visitas. As buscas por PHA-Nassif-Vianna-BrizolaNeto-Idelber (ou correspondentes: Biscoito Fino e a Massa, Conversa Afiada, Tijolaço etc.) no Google já excedem em muito as buscas pela totalidade dos blogs de política dos grandes portais, incluindo-se Reinaldinho da Veja, Noblat etc. Eu me pergunto se o JG tem noção, por exemplo, de quantos Ministros de Estado leram não só este post, mas o próprio comentário dele (mais de um já me disse que lê também a caixa).
Não vou ficar arrotando números aqui. Aprendi a resistir a essa tentação também. Mas, para se avaliar o que evoluímos, é preciso tê-los pesquisado, além de, evidentemente, considerar episódios como o desmascaramento da bolinha de papel do Serra, que foi feito na internet. Não ter uma leitura de como a internet se contrapôs a MOSCOU na eleição Dilma/Serra/Marina é, simplesmente, não ter elaborado ainda uma leitura da campanha 2010 -- que foi histórica, sim sinhô.
Nada disso significa que vamos tirar os pés do chão, é claro. Mas que o jogo é outro, ah, isso é.
o JG leu o post que você linkou há uns 3 meses, que mostrava essa diferença nas buscas no Google entre esses dois grupos de blogs. O JG sabia sobre o IVC 2009, que mostrava que os 10 maiores jornais caíram nos últimos 10 anos (a exceção de um sensacionalista de minas), e que desses, a Folha despencou. O JG também sabe que alguns ministros leem o biscoito, porque você já deu a entender isso em algumas ocasiões, Idelber, twitter ou em nos comentários, não importa, mas essa informação já estava presente na cabeça do JG. E o JG não ficou lá muito lisonjeado porque dois ministros já leram algum comentário dele no meio de dezenas no seu blog, e mais as dezenas nos outros que eles leem. Nesse contexto o comentário do JG tem pouco poder de influência nos ministérios.
O JG acha inclusive que pra quem não queria arrotar números, isso tudo foi um tentativa pouco eficiente de arrotar os tais números de forma disfarçada. hehehe
Pô, Idelber, quer dizer que você tá chegando nos números da grande mídia. Acho que tá na hora de eu para de te ler, fazer como indies, “se a banda que eu gostava ficou popular, não quero mais saber dela”. hehehe
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Mas falando sério agora, eu continuo achando que os seus “pés no chão” ainda estão um pouco longe do nível do mar. O exemplo que você deu da eleição é ótimo, porque corrobora tudo o que eu disse.
Não foram os blogs progressistas que desmascararam e desmoralizaram o Serra e a sua bolinha de papel, foi o SBT, a fala do Lula, e as hashtags #serrarojas e #bolinhadepapelfacts. Uma parte fruto do decrescente poder que a mídia ainda consegue manter e a outra parte do ambiente absurdamente despolarizado que é o twitter. O excelente post do professor, que desmontou a segunda história, da fita adesiva, teve repercussão ínfima.
Foi outro fenômeno da informação descentralizada que, esse sim, teve algum peso real nos números da eleição: as calúnias apócrifas contra Dilma, via listas de e-mail. Vejam só, listas de e-mail. Não foi um impacto gigantesco, mas pôde ser contado em porcentagem de votos.
“O jogo é outro, diferente de 2005”. Se fosse tão outro assim, não teríamos um mapa eleitoral de 2010 tão parecido com o de 2006 (nas outras eleições da nova democracia as disparidades são gritante), pese ainda algumas diferenças cruciais não relacionadas à rede, como Dilma não ser Lula e o mensalão não estar logo ali. Quanto desse mapa, região por região, cidade por cidade, pequenas áreas das cidades, quanto pode-se dizer que teve uma porcentagem representativa de votos influenciados decisivamente pelos blogs progressistas? (Eu sei que isso é quase impossível de se medir, a ideia é só fazer um exercício mental, pra lembrar o tamanho do universo de que estamos falando).
Impacto estatístico, em números, tem que ser medido em relação a um universo, lógico. 300 mil é muito, em universo de 190 milhões de brasileiros, dos 120 milhões de eleitores ou mesmo dos 60 milhões de internautas? Dá até pra mandar a paródia manjada: “Um milhão de leitores dos 'blogs progressistas' aqui, um milhão ali, e logo vamos estar falando de eleitores de verdade.”
“Ah mas aí você está se contradizendo, você tava dizendo que a internet era isso e aquilo, mas agora diz que o impacto dela como propagadora de informação não mudou nada de 2006 pra cá, quando o número internautas triplicou e novas ferramentas de propagação de conteúdo descentralizado surgiram”. Não, estou dizendo, como eu disse nos outros comentários, que os milhões de blogs, twitters e posts no Orkut estão moldando a personalidade de uma geração que consome conteúdo primordialmente daí. Estou dizendo que essa influência não deve ser medida nessa eleição, ou talvez nem em eleições em geral, mas que o impacto na construção de cultural do tempo em vivemos é muito maior do que o somente pegar matérias de jornais e mostrar onde eles estão mentindo, como mais da metade do conteúdo de muitos dos blogs progressistas ( o Biscoito não conta aqui, lógico).
Quando eu digo que o impacto desses blogs progressistas é pequeno, não estou querendo desmerecê-los, debochar de sua insignificância ou qualquer coisa do tipo, não sou idiota. Digo que esse poder de influência é pequeno porque no novo ambiente nenhum grupo com tão poucos membros terá mesmo grande poder. Voltando aos números e aos exemplos que eu já citei, é bom lembrar que o Felipe Neto fala mal do bolsa-família pra 2 milhões de pessoas em média, e que o Garotas Estúpidas estimula um consumismo desenfreado e divisor de classe pra mais de 1 milhão de leitores. E eles não falam de política partidária. Mas é bom lembrar também que eles dividem publico com diversos outros, já que não tem mais horário coincidente entre os telejornais.
Na boa, Idelber, falar que um grupo de pouco mais 30 fontes de informação podem ter sido ou ser decisivos em um ambiente como esse, para um universo de 190 milhões, não dá, não entra na minha cabeça.
JG_, uma pequena correção/acréscimo e alguns pensamentos esparsos em busca de um sujeito que os acolha.
A correção: o pontapé inicial para a desmoralização do caso das bolinhas de papel de dois quilos foi o trabalho de um "blogueiro" até então desconhecido, analisando quadro a quadro o mesmo vídeo mostrado pela Globo. Não muda a essência do que você disse, mas é importante no contexto da análise de uma ambiente com múltiplas fontes emissoras, todas compartilhando o mesmo meio em igualdade de condições (mais ou menos). Sem esta análise técnica inicial ou, mais importante, sem a possibilidade publicação e disseminação rápida desta análise, a Globo teria a última palavra.
Mas acho que há um erro de perspectiva perdido aí nesta discussão, nas duas partes. Os números de audiência tem uma importância muito relativa. As audiências individuais ou coletivas dos blogs são apenas um detalhe. Como você mesmo observou no estranho caso do candidato que ainda tem moleira, as hashtags do twitter amplificam muito o alcance deste ou daquele texto que por acaso cai sob seu grande olho. Os textos ou as ideias também vazam para os jornais. Para as redes sociais. E daí para as ruas.
E há, afinal, o leitor. Que dificilmente vai se pautar no Garotas Estúpidas para escolher seu candidato a deputado. Que não é idiota. E que submetido a inúmeras fontes de informação acaba tendo um comportamento por um lado mais errático, flutuante, e por outro mais imune a influências únicas (ainda que poderosas, como o Jornal Nacional).
Um grupo suficientemente grande de fontes emissoras de ideias contrarias/opostas/incompatíveis com as ideias propostas quase em uníssono) pela mídia tradicional acaba criando um campo de dissonância que afeta não só seu entorno direto mas acaba afetando todo o ambiente.
Bem, pode até ser que exista um caos.
Pra resolver, o Paulo wernek deseja um 'blog indice', desde que 'aceito pelos demais' com o intuito de articular as boas fontes.
Mas veja que curioso, o Paulo Wernek diz, sobre Luiz Eduardo Soares, que ele se equivoca e o Idelber o coloca com maior especialista em segurança pública do Rio.
Por outro lado, O PW , em outro comentário também diz, sobre 'A circulação de senso comum, de achismo,..':
'O corolário disso é que alguns sítios tem retorno de visitantes, outros não. Alguns se tornam referência, outros não. A diferença que o acesso à possibilidade de se tornar referência está mais democratizada: agora basta ter tempo, alguma instrução, algum poder aquisitivo.'
Pra mim isso só demostra que o leitor sabe muito bem fazer seu filtro. O que dispensaria esse tal índice. Que só traria conflito. Vejam o bafafá que deu a ida ao planalto, de alguns blogueiros.
O exemplo da entrevista com a professora Isabel Cappeletti demonstra a diferença entre uma matéria publicada num jornal e blog. Mesmo que a questão não seja aprofundada existe essa possibilidade nos comentários.
Bem, eu não sei se a blgosfera está pronta para substituir jornais e revistas, e nem sei se é o caso, mas existe uma segunda voz, barulhenta sim , mas infinitamente plural. Muito mais democrática e portanto, num primeiro momento, mais útil.
Nestas eleições, foram muito eficientes na covergência quando o assunto era desmentir a velha mídia e seu oníssono mentiroso.
Essa capacidade de mobilização, que inclusive reverbeou muitas questões para a velha mídia, como por exemplo no caso da bolinha de papel, foi surpreendente.
Obs.;quando fui publicar meu comentario li o que Paulo Candido, publicou em comentário, que vai na mesma direcão do meu. Inclusive o termo 'uníssono' foi coincidente.
O Paulo também levantou o dado que eu ia trazer: o fundamental na bolinha de papel não foi o vídeo do SBT (claro que ajudou), mas o fundamental para o estabelecimento da verdade foi o do Prof. Rocha lá da UFSM. Ele estabeleceu o terreno para o vídeo do SBT no que diz respeito à reconstituição da verdade, não o contrário. Aquilo ali, quando apareceu, no Twitter, na Internet toda, nos blogs, nas redes sociais, viu-se que era bala.
fm, achei demais esta ideia do índice do Paulo Wernek. Acho que podia inclusive ser automático, assim ter um programa que visitasse os blogs e indexasse automaticamente os posts, usando não só as palavras chave que o autor pôs mas também procurando as palavras mais presentes no texto. E a busca podia ordenar os blogs por um critério de relevância qualquer (tipo trazer antes os blogs mais linkados por outros, mais citados etc). Assim a gente procuraria por "Biscoito Fino" e na resposta viria este Biscoito mas também os blogs de receitas da Fal Azevedo e da Alessandra Blanco, por exemplo.
Em homenagem ao Wernek a gente daria a este índice nome de "Woogle" (ou "Wing").
Paulo, hahahah!
Mas eu pagaria pau pra participar, como ouvinte, de uma reúnião entre blogueiros para decidir, consensualmente, quem é quem no tal índice.
Escrevi rápido e me fiz entender mal. É o resultado da pressa. Vamos devagar.
1. Os jornalões, PIG, Moscou, perderam o monopólio da informação. Quantos exemplares são vendidos pelos serviços prestados não sei, mas as vendas e a credibilidade despencaram, e não me parece que é apenas um reflexo da revolução eletrônica: é perda de credibilidade mesmo.
2. Falei de algum tempo e algum dinheiro como prerequisito não para escrever algo relevante, mas para escrever qualquer coisa. Ainda relativamente poucos podem ser agentes ativos da Internet.
3. O índice que defendo não é, me parece, antidemocrático, mas como que um conjunto de indicações de pessoas com credibilidade. Exemplo: considero o Biscoito relevante e, por isso, tendo a considerar relevantes os ponteiros do Biscoito. Só que não sei para onde apontam! Se eu estiver procurando alguém que discuta defesa do país, me ajudaria uma indicação. Esse índice seria temático, e os blogues e sites iriam sendo inseridos ou excluídos por indicação dos próprios participantes, O fato de eu encontrar um erro, diria até espantoso, no posto do Luiz Eduardo, não retira dele o nosso respeito. Ru também erro, conquanto muito raramente... Uma máquina de busca encontra palavras, tags, mas não tem como avaliar credibilidade.
3. Mesmo quando PIG - Moscou detinha o quase monopólio da informação, a opinião pública era construída pelo público, conversas no ônibus, no trabalho, em família, no bar, acrescida pelas palestras, jornais sindicais, panfletos e que tais. Nada disso mudou. A bolinha de papel foi estudada por um professor, repercutiu nos blogues, foi para as discussões das listas e para a mesa do bar. Não é necessário que a pessoa se conecte e leia em primeira mão para ser afetada pela mensagem.
4. Garotas alguma coisa influencia a eleição na medida em que atrai pessoas para um tipo de visão de mundo, ou reforça essa visão de mundo, que processando as mensagens propriamente eleitorais definem o voto da pessoa. Não votei na Dilma por causa da propaganda eleitoral. Antes dela ser candidata minha visão de mundo - construída ao longo de décadas, com todos os tipos de informação - já me predispunha para votar em alguém de um campo político mais ou menos determinado; as informações subsequentes serviram para dizer que a Dilma é que se ajustava melhor a essa visão. Acredito que isso ocorra com a maioria, indecisos são realmente poucos. Isso faz também que você prove a um eleitor do Serra que os argumentos dele em favor do candidato são falsos e mesmo assim não consegue o voto dele. Os argumentos eram apenas a justificativa racional, o voto já estava decidido lá dentro.
Resumindo: a Internet não é essa bola toda mas é boa demais...
Não falo de índice tipo nota, mas tipo catálogo, para facilitar a busca de informações. Um site/blog poderia ter várias entradas, se abordasse vários assuntos, e em cada assunto não haveria nenhuma classificação melhor - pior. São sérios ou não (não escrevi sisudos!), podendo até ter opiniões muito divergentes.
PW,
1. Perder 'credibilidade mesmo', não advém de um fenomeno espontâneo.
Perde-se credibilidade por algum motivo mas sólido, como por exemplo, ser desmentido categoricamente na tentativa de apresentar uma 'ficha criminal falsa' da Dilma. Ou pior, quando tentam impingir que esta ficha prova que que ela foi terrorista, e não combatente de um regime de excessão, um regime que foi apoiada pela empresa que a julga terrorista. Isto é perda de credibilidade. É sólido, real.
2. Vc está se esquecendo que, reproduzir conteúdo não dispensa dinheiro no mais demanda tempo, mas não é uma arma que pode ser desprezada. Muito pelo contrário.
Sobre o seu indice, nada mais a dizer.
3. Sua terceira questão despreza o fundamental. O contraponto. Mudou tudo.
No geral, não mudou como as pessoas tradicionalmente se comunicam, afinal o convívio social tradicional não foi abolido. O que mudou é agora há mais informações. Há outras vozes a influir no debate.
4. O primeiro parágrafo do seu quarto ponto vai de encontro à totalidade do seu terceiro. Ou seja, há uma outra voz relevante influindo.
Segundo sua colocação, tanto o Serra quanto a Dilma já tinham os votos que deveriam ter, sempre. Mas, vc está se esquecendo que houve dois turnos, e a diferenca de votos do Serra, por exemplo, no primeiro turno e no segundo foi grande, portanto os votos dos 'indecisos' não foram insignificantes. Estamos falando de quase 20 milhões de votos dados à Marina que foram divididos entre duas candidaturas .
Ao contrário do que se supunha, não houve nada que justificasse a racionalidade de uma pré decisão, não havia voto pré decidido em escala suficiente pra darmos vitória a um ou outro candidato. Isto é fato.
E eu resumiria de forma diferente;
A internet não é essa bola toda, mas tá com tudo!
Engraçado que te escape o óbvio, Idelber. Enquanto o PIG, MOSCOU, ou seja qual for a nova onda depreciativa contra a imprensa escrita nacional, da forma criticável que seja, fala sobre o tema mais importante a acontecer no Brasil, atualmente: o grande fracasso do Estado brasileiro representado pelos eventos da violência do Rio de Janeiro, você apenas se desvia do debate com o tolo argumento de não ser especialista em segurança pública? E, com isso, ainda apregoa o fim da imprensa "mafiosa" e a unanimidade da única imprensa verdadeira e não tendenciosa: a dos blogs, e dos blogs de esquerda? Parece brincadeira de criança ou um auto de fé apoiado na firme convicção dos poderes da mente para mudar a realidade.
Bela facha de miss Cangaíba vc tem no pescoço. Facha dada por bem menos acessos a este blog que quando estava na campanha da Dilma, e pelos mesmos comentaristas com os seus "excelentes textos, professor". A especialidade rigorosa que vc e o Celso dominam, pelo visto, é apenas centrada no ufanismo do PT e na criação de uma realidade paranóica em que a Veja, o reinaldo azevedo, a Globo e a Folha tentam dominar o mundo, e vcs são os cavaleiros da távola redonda que irão salvá-lo. Quando passou a campanha, o Celso sumiu, e vc tem o álibe de "não ser especialista". Ou talvez a imagem não seja a do Arthur, mas a do Quixote: os mil acessos dos cem leitore frequentes que tem contra a tiragem de um milhão e trezentos mil exemplares da Veja por semana.
1. Fiz a pergunta a sério. Sempre pergunto às pessoas quem elas lêem nos jornais, e porquê. Achei graça ver tantos nomes conhecidos sendo classificados como...
(do mal não parece uma paráfrase razoável para você Idelber? Sem problemas, eu mudo.)
... classificados jornalistas reacionários e vendidos da MOSCOU (melhorou?), mas achei ainda mais graça na exceção feita a Renata LoPrete. Como não participo de seminário sobre mídia (perdão, minha profissão é outra), não tenho como conferir de perto a imensa diferença moral e ética entre eles.
(aliás, são esses adjetivos "moral" e "ética" atribuídos ao Merval como diminuídos ou ausentes, que me levaram a achar que "do mal" seria uma paráfrase honesta. Para mim, uma pessoa com pouca moral e ética pode ser chamada de "do mal". Perdão de novo pela má leitura).
Eu falo para vocês: Acompanho poucos jornalistas em temas políticos. Costumo ler o seguinte: A própria Renata Lo Prete no Painel, a Miriam Leitão na CBN (enquanto vou ao trabalho), o Elio Gaspari às quartas e domingos e este próprio blog (que aprecio ler há alguns anos, embora discorde várias vezes -- e comente as discórdias por aqui). De resto, leio o noticiário e vou formando minhas opiniões com base na minha experiência, vivência e formação.
Eu leria a Dora Kramer, que não sei de nada contra ela, mas prefiro a Folha ao Estado, então não leio.
Não tenho paciência para nenhum dos outros citados. Não por ideologia (não tenho tantos elementos para julgar). Mas porque acho que eles escrevem mal.
Sendo assim, peço desculpas pelo sarcasmo do meu primeiro comentário neste post. Talvez desnecessário. E faço a minha pergunta de maneira mais direta:
"Idelber, entendo que você classifica os jornalistas dos jornalões segundo um ranking de "nível intelectual", "moral" e "ética" no qual a Renata Lo Prete aparece no lado bom do ranking e o Merval Pereira no lado ruim do ranking. Entendo que Dora Kramer, Eliane Castanhede, Miriam Leitão estão mais perto do Merval nesse ranking, na sua opinião.
Como é sempre bom ver quem mais eu poderia ler de interessante, quem mais está perto da Renata Lo Prete?"
2. Acho legal você achar que estou em fase de alfabetização e formação da capacidade cognitiva. Sempre estive, sempre estarei. Se deus quiser, morrerei aprendendo coisas novas.
Agora, quando lhe dei qualquer indicação que eu estava em fase de formação de caráter? Devo entender que você acredita que eu não tenho caráter? Qual a sua evidência para isso, por minúscula que seja?
3. Não sei nada sobre a opinião unânime de quem lê jornal. Mas, pela lógica, potenciais argumentos contra a ideia de unanimidade seriam:
i) a própria tiragem do jornal (as pessoas compram jornais, algumas possivelmente porque gostam dos colunistas);
ii) o fato de que há pessoas que compartilham uma visão diferente da sua e que podem apreciar os colunistas que também tenham uma visão diferente da sua (por exemplo, 44% dos votos do país não foram para a Dilma, em quem suponho que você votou. Talvez estes eleitores não achem os colunistas tão ruins (desculpe a má paráfrase).
Admitindo que não é possível que só existam cretinos e imbecis entre esses 44% dos eleitores (afinal, são quase 60 milhões de pessoas), talvez algumas das pessoas que podem apreciar os colunistas sejam até mesmo inteligentes.
Continua uma péssima paráfrase e extremamente desonesta: os termos "reacionários e vendidos" não aparecem no post e ninguém que saiba Beabá sobre o que significa "ética" substituiria "diferença ética" por "diferença entre do bem e do mal".
Como continuo me recusando a dar indicações a quem está em estágio ainda tão precário de alfabetização, honestidade intelectual e caráter, você vai continuar sem minhas sugestões sobre quem ler ao lado da LoPrete, Rafael. O máximo que terá é minha garantia de que se juntou a um seleto grupo de 3 ou 4 comentaristas que escrevem aqui e vão direto para minha pastinha intitulada 'publicar sem ler'.
Sugestão ao próximo leitor que quiser opinião sobre a situação no RJ: eu sou um dos 23 brasileiros que não entende do assunto. Escreva, caro leitor, um texto sobre o Wikileaks e aí e eu escrevo um sobre segurança pública no Rio.
Aliás, Idelber, deixa eu fazer mais um comentário.
Você tem razão quando fala da mídia e da formação de opinião. Os jornalões realmente perdem credibilidade e espaço. A "comunicação online" ganha espaço e se torna a maior fonte de informações para as pessoas.
Os colunistas dos quais falávamos antes se tornam apenas mais uma voz, e o fato de estarem em jornais deixa de ser uma grande vantagem para eles chegarem nas pessoas. Outras vozes (como este próprio blog) poderão competir de igual para igual pela atenção das pessoas.
Até aí tudo bem.
Uma questão importante deixada de lado, no entanto, é como essas opiniões serão "recebidas".
E isso é importante porque há mudanças sérias neste campo também. A pessoa mais jovem, que lê blogs, etc, se relaciona com a informação de uma maneira completamente diferente da pessoa que lia jornal há 15 anos atrás. A formação da opinião será um processo muito mais fragmentado, independente e não direcionado do que se imagina.
Veja o movimento marinista da eleição. Como é que isso se formou? Não falo dos preocupados com religião e essas coisas. Falo dos meus amigos e colegas, não muito politizados, independentes, que de repente resolveram votar para a Marina. Como essa opinião se formou?
Não foi exatamente nos jornalões (eles eram Serra, não é isso?), não foi exatamente nos blogs progressistas (eles eram Dilma, não era isso?). Tendo a crer que ainda não existe no Brasil nada que se comunique bem com esse novo grupo de pessoas.
Do mesmo jeito que a direita quase nunca admite a derrota, a esquerda quase nunca comemora a vitória, apesar de parecer que as coisas estejam mudando, pelo menos pra nós, eu comemorei pra caramba a entrevista do Lula e as reações do PIG (acho poeticamente falando mais lúdico do que Moscou).
Abs
Além do Wikileaks, outro fenômeno apareceu neste final de semana e mostrou a força da internet: o pessoal do @vozdacomunidade transmitindo ao vivo o que acontecia nas comunidades do Alemão, de dentro da batalha. O grupo - de jovens da favela - já está com mais de 21 mil seguidores.
Mais um fenômeno proporcionado pela Internet que ajuda a quebrar o monopólio da grande mídia: blogs das empresas, como o do petrobras. Desmentem na hora as mentiras publicadas...isso acaba com a imagem de credibilidade dos que sempre se intitularam como donos da verdade, caso do estadão.
A Kramer interpretou a pergunta de Túlio Vianna com a arrogância típica dos que jamais foram contestados. Mal acostumada, esqueceu a boa prática de, de vez em quando, duvidar das próprias certezas.
A Kramer interpretou a pergunta de Túlio Vianna com a arrogância típica dos que jamais foram contestados. Mal acostumada, esqueceu a boa prática de, de vez em quando, duvidar das próprias certezas.
Evidentemente há pessoas inteligentes que apoiaram Serra, Marina e os outros candidatos. Cada qual define os destinos do país segundo sua avaliação de mundo e interesses pessoais.
Evidentemente há pessoas inteligentes que lêem Veja, O Globo e outros veículos do PIG, assim como aquelas que preferem outras fontes de informação.
Para saber o porquê das ações individuais de uma pessoa, só conversando com ela e esperando que responda sinceramente às indagações.
Aqui não há ninguém apoiando uma "revolução cultural" no sentido de obrigar os demais a lerem isso ou aquilo, ou impedir de lerem os escritos de fulano ou beltrano, mas podemos conversar sobre a qualidade da escrita, a confiabilidade das fontes e coisas que tais.
Eu, por exemplo, não leio Veja nem O Globo. Se aparece cortesia dessas publicações na minha caixa de correio, não as levo para casa. Tenho meus motivos, basicamente um só: não confio neles.
Há quem diga que devemos ler tudo. Não tenho tempo para isso: há incontáveis livros muito mais importantes que quaisquer dessas publicações e meu tempo é finito. Há outras fontes de informação que considero possuirem maior credibilidade (no caso, credibilidade > zero...).
Assim leia o que entender bom para seus interesses pessoais, que te agrade, é sempre uma decisão pessoal. Mas se o prezado quer algum conselho, abandone o PIG, a menos que os interesses dele sejam os seus.
Para concluir, e voltando ao início, nem todos os que votaram em A ou B nas eleições escolheram o candidato mais de acordo com seus próprios interesses: para que isso ocorra sem ser por mera sorte, há que conhecer uns e outros.
A questão não é essa.