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segunda-feira, 29 de novembro 2010
Wikileaks: O maior vazamento da história, o embaraço de Hillary com o Cablegate e a cumplicidade da imprensa dos EUA
Liberais e conservadores brasileiros, chegou a hora. Depois do 11 de setembro diplomático desencadeado neste fim de semana pelo mais impactante vazamento da história moderna-- 250.000 comunicações, a maioria secretas, entre o Departamento de Estado e embaixadas estadunidenses ao redor do mundo--, e do completo sufocamento do tema na TV dos EUA, não resta fiapo de credibilidade à ideia da imprensa 'mais livre do mundo', com que tantos brasileiros à direita do espectro político se referem aos conglomerados de mídia norte-americanos. Para quem se lembra da extrema docilidade com que as mídias eletrônica e escrita dos EUA replicaram a patacoada das armas de destruição em massa do Iraque em 2003, esta foi a cereja do bolo. Não importa o partido que esteja no poder (Democratas ou Republicanos), quando se trata dos interesses imperiais estadunidenses, não sobrevive na mídia gringa um farrapo de compromisso com a verdade ou com a pluralidade de pontos de vista. Ponto final. Podemos passar para o próximo assunto? Grato. Continuemos.
Como já tratamos amplamente aqui, os poderosos usam dois pesos e duas medidas nos casos de “vazamento”, “grampo” ou qualquer obtenção de informação que ocorre naquela zona cinza entre o legal e o ilegal. Conforme a conveniência, enfocam-se na forma ou no conteúdo. Assim aconteceu com os dossiês dos aloprados petistas sobre a corrupção realmente existente no Ministério da Saúde de José Serra, do suposto, miraculoso e etéreo grampo sobre Gilmar Mendes e Demóstenes, e da quebra de sigilo da filha de Serra (cuja forma só importava até o momento em que apurou-se que foi tucano mesmo). Inacreditavelmente, aqui nos EUA, tanto o governo como o parlamento só reagiram à montanha de revelações do Wikileaks com ameaças pesadas contra Julian Assange e equipe. Sarah Palin, sem perder a chance de usar o episódio eleitoralmente contra Obama, sugeriu que os EUA "cacem Assange como a Bin Laden". Sobre o conteúdo dos documentos, nem um pio. Para isso, contaram com a sempre dócil imprensa norte-americana que, no pronunciamento de hoje de Hillary Clinton, não fez sequer uma única pergunta que tratasse do conteúdo das revelações.
E revelaram-se coisas para todos os gostos. Os EUA disseram à Eslovênia que lhe conseguiriam uma reunião com Obama caso os eslovenos aceitassem receber prisioneiros de Guantánamo, o que demonstra o tamanho da batata quente em que se transformou o campo de concentração paralegal [pdf] instalado por George W. Bush. Na Alemanha, os EUA ficaram em saia justa. Os vazamentos mostram tentativa de espionagem gringa sobre o Democratas Livres (liberais de centro-direita, uma espécie de DEM desagripinizado) e comentários feitos nos telegramas da embaixada se referem ao Chanceler alemão como “vaidoso e incompetente”. Hillary quis bisbilhotar o histórico de saúde mental da Presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner. Revelou-se que Israel fez lobby incessante, permanente por um (na certa irresponsável e catastrófico) ataque americano ao Irã, embora nem só de lobby sionista viva o interesse bélico anti-persa: também o rei saudita, confirmam os documentos do Wikileaks, fez pressão pelo ataque. Aliás, não são só os EUA que ficam mal na fita com esses cabos. Os governos árabes, com sua tradicional combinação de subserviência ante Israel e obscurantismo e truculência ante suas próprias populações, também receberam algumas boas lambadas com os vazamentos.
Até agora, as duas revelações sobre as quais valeria a pena um exame mais detido, pelo menos do ponto de vista brasileiro, são duas bombas: a primeira, a de que o estado espião e desrespeitoso da lei internacional, que se consolidou com Bush, foi mantido com o Departamento de Estado de Hillary sob Obama. A segunda é de que até os EUA sabiam que o golpe em Honduras, com o qual pelo menos setores de sua diplomacia colaboraram, era uma monstruosa ilegalidade.
Confirmando a primeira bomba, há um espantoso telegrama em que se detalham planos para espionar o Secretário-Geral da ONU, o coreano Ban Ki-moon, que de forma alguma pode ser descrito como alguém hostil aos interesses americanos. Os planos de espionagem incluíam até mesmo o cartão de crédito de Ki-Moon. A ordem veio diretamente do Departamento de Estado de Hillary que, obviamente, em seu pronunciamento de hoje, nada disse sobre o assunto. Nada lhe foi perguntado tampouco.
Sobre a segunda bomba, Cynara Menezes já disse tudo. Durante meses, bizantinos debates sobre a constituição hondurenha serviram para mascarar o fato cabal de que o golpe que depôs Zelaya não tinha um farrapo de apoio na lei internacional ou mesmo na bizarra legalidade estabelecida pela constituição hondurenha. Ancorados principalmente numa retórica da Guerra Fria herdada da mesma diplomacia estadunidense agora desmascarada, os direitecas brasileiros recorreram aos sofismas de sempre para justificar o golpe. Agora, ficou claro: alô, Revista Veja, nem os gringos acreditavam na mentirada.
Sobre o Brasil, até agora, há pouco, a não ser o já conhecido dado de que os EUA tentaram nos impor uma lei antiterrorismo, da qual o governo Lula-Dilma (o cabo faz explícita referência à atuação dela) conseguiu se safar. De novidades nesse front, há a participação de um especialista brasileiro, André Luis Woloszyn, como uma espécie de “consultor” para os estadunidenses interessados em adequar a legislação alheia a seus interesses: “é impossível”, disse ele, “fazer uma lei antiterrorismo que não inclua o MST”. O caso me parece gravíssimo.
As bombas vão se sucedendo com rapidez só comparável à desfaçatez com que a mídia dos EUA as ignora. O Wikileaks repassou seus vazamentos a cinco veículos de mídia: Le Monde, Der Spiegel, El País, Guardian e New York Times. Destes, a cobertura mais tímida e manipuladora, sem dúvida, é a deste último, totalmente focado na punição a Assange e na “legalidade” de seus atos, com pouca coisa sobre o conteúdo embaraçoso para os EUA. Uma manchete no lugar de destaque do site, na noite desta segunda-feira, dizia: “"Vazamentos mostram o mundo se perguntando sobre a Coreia do Norte". Haja óleo de peroba.
PS: Como grande destaque desta segunda-feira, o Presidente equatoriano Rafael Correa ofereceu guarida a Julian Assange, “sem perguntar nada”, para que ele “apresente suas informações não só na internet mas em outros fóruns públicos”. Realmente a Sociedade Interamericana de Imprensa deve ter razão: a “liberdade de imprensa” está ameaçada nos regimes “populistas” latino-americanos. É nos EUA que ela vai bem.
Escrito por Idelber às 23:49 | link para este post
| Comentários (82)
#1
"Não importa o partido que esteja no poder (Democratas ou Republicanos), quando se trata dos interesses imperiais estadunidenses, não sobrevive na mídia gringa um farrapo de compromisso com a verdade ou com a pluralidade de pontos de vista".
Somente por este paragráfo já valeu a leitura... rsrs...
Ótimo texto, como sempre!
Patricia Fornitani em novembro 30, 2010 12:29 AM
#2
a grande e mais bela surpresa do seu texto, pra mim q passei o dia lendo sobre isso e tendo orgasminhos, foi a atitude generosa e democratica do rafael correa. ele acabou de me ganhar pra sempre.
alex castro em novembro 30, 2010 12:32 AM
#3
Penso exatamente o mesmo, Alex. Rafael Correa, que o CQC hoje provou ser um desconhecido por boa parte dos parlamentares tupiniquins, me ganhou pra sempre. Fantástica essa atitude.
Bruno em novembro 30, 2010 12:54 AM
#4
Ah, e o The Huffington Post, pra variar, se tornou o beacon of hope da mídia americana. O Salon também fez ótimas reportagens. Viva a internet e sua mídia mais independente e menos medrosa.
Bruno em novembro 30, 2010 12:57 AM
Bruno em novembro 30, 2010 1:05 AM
#6
Rafael Correa...Adoro!!!!!
Aguardo ansiosa a analise do Chomsky sobre o referido comportamento da midia "livre" dos eua!!!
Marci em novembro 30, 2010 1:07 AM
#7
Idelber,
Não estou questionando a informação não, é só curiosidade, já que não tem link: qual é a fonte de que pelo menos setores da diplomacia dos EUA colaboraram com o golpe em Honduras?
Manuel em novembro 30, 2010 1:11 AM
#8
Oi, Brunão, problema nenhum, comente quantas vezes quiser. Eu só não sei se a cobertura no Huffington Post foi lá essa beleza toda. Olha o tipo de coisa que andaram publicando...
Oi, Manuel, que alguns setores da diplomacia americana tiveram uma sequência de contatos com as forças golpistas e participaram de conversas sobre o golpe foi noticiado na época. Não é segredo. A posição dos EUA ante esse golpe de Honduras é matéria complicada, porque houve movimentos contraditórios. Mas é fato que ele contou com a colaboração de setores da diplomacia americana.
Idelber em novembro 30, 2010 1:17 AM
#9
O mais interessante é que a internet foi desenvolvida pelos militares americanos, a partir da década de 60, mas os civis que trabalhavam para eles criaram um canal de comunicação muito mais livre do que os militares imaginavam inicialmente.
Pois foi desta internet nascida do aparato industrial-militar americana que coisas como a Wikileaks puderam surgir.
É uma grande ironia, realmente.
Radical Livre em novembro 30, 2010 1:18 AM
#10
Uma coisa não pode ser negada: Julian Assange tem colhões. Divulgar informações confidenciais e constrangedoras de tantos países sob o preço de se tornar persona non grata quase no mundo inteiro é para poucos.
Guilherme em novembro 30, 2010 3:02 AM
#11
Pois é, Idelber. E não é que hoje me peguei num papo com um tio direitista do interior de Goiás, este falando que torce pelo governo Dilma, mas não acha que ela é competente, que não tá gostando dessa aproximação do Brasil com políticas anti imprensa livre como de Chaves.
Eu que não encontrei as chaves para o livrar da intolerância, mesmo com mais de duas horas de debate, pois o sujeito continuou achando que a ideia do marco regulatório é puramente uma ditadura à voz da imprensa, assim como uma série de outras disparates fortemente batidos por toda a ação política na blogosfera brasileira contra o Zé Bolinha. O pior que o cara é um advogado, daqueles que sempre acham espaço para polêmica e torna difícil o diálogo. Reaças...
Sobre o texto, estou ansioso quanto ao que pode dar este Wilileaks em relação ao Império americano. Espero que eles não tentem camuflar isso com mais um joguinho de guerra, como estão arquitetando entre as Coréias. E a posição do presidente galã Correa foi fundamental e ganhou eterno respeito de minha parte.
Um americano que conheço aqui da embaixada americana em Brasília disse que o dia lá foi tenso. Não tive contato direto com ele ainda, mas o mesmo disse que o Assange é muito burro em achar que não vai ser pego. Vi uma ameaça implícita e é o que a grande maioria vai acabar pensando do cara. É o que Palin vai acabar induzindo aos descontentes do Tea Party, um novo Judas.
Parece que a comunidade latina que trará o progresso para o Novo Mundo...
Dandi Marques em novembro 30, 2010 3:56 AM
#12
Olá, Idelber.
Venho acompanhando esse assunto com interesse, e estou com uma dúvida até meio boba: é praxe que esse tipo de comunicação seja feita por telegramas? Não há formas de comunicação mais seguras do que essa?
Um abraço!
Pedro Marques em novembro 30, 2010 6:28 AM
#13
O Azenha publicou o cable com a opinião da embaixada americana sobre o golpe em Honduras: Diplomacia americana sabia que houvera golpe em Honduras.
P.S.: ri muito ontem no fim da tarde lendo as matérias do El País. Eu sabia que as ditaduras do Golfo eram covardes, mas a que ponto! Ficam dando declarações em público neutras em relação ao Irã e, na surdina, pedem aos Estados Unidos para invadir o país.
Patrick em novembro 30, 2010 7:55 AM
#14
Só agora notei que os linques deste post estão bem inacessíveis para quem só lê português. Se alguém conhece bons textos em português sobre o caso, favor deixar a referência aqui (obrigado, Patrick, por lincar o cable: na verdade ele está lincado no post também, ao blog do Rovai ... ).
Pedro, eu poderia tentar responder sua pergunta, mas acho que vai pintar gente mais qualificada aqui para fazê-lo. O lance é que hoje em dia, com a digitalização, tudo é "inseguro", nesse sentido. O seu email, por exemplo, pode ser bisbilhotado a qualquer momento por quem tem os meios tecnológicos para tal . . .
Idelber em novembro 30, 2010 9:08 AM
#15
E alguém acaha que se o Assange for preso e levado para Guantánamo outros não continuarão seu trabalho?
rabbit em novembro 30, 2010 9:13 AM
#16
Bem, mas Guantánamo já é exagero, né Rabbit? Aliás, eles estão doidos para se livrar daquilo e não sabem como...
Idelber em novembro 30, 2010 9:26 AM
#17
Sobre isso aí, no #16
Parece até que ofereceram dinheiro e perdão das dívidas a alguns países que aceitassem alguns dos prisioneiros de guantánamo.
Radical Livre em novembro 30, 2010 9:36 AM
#18
É tão bonitinho ver a raiva que o Idelber tem do país que *escolheu* para viver, assim como um adolescente tem raiva do pai que lhe dá tudo (com o agravante de que o último não tem o privilégio da escolha). Quem te lê assim, Idelber, corre o risco de achar que você é obrigado a morar no Império malzão. Fica a sugestão de que você releia o diálogo Críton, em que Sócrates dá uma aula de como reconhecer as qualidades das instituições das quais você eventualmente discorda.
Esse post é um desfile de opiniõee pré-fabricadas e de generalizações pobres, sem qualquer sofisticação. Vou ficar no aguardo dos próximos posts responsáveis.
Rafael em novembro 30, 2010 10:02 AM
#19
Rafael, essa objeção é tão velha que dá até preguiça de responder. Sim, eu escolhi viver aqui. Convidado por universidades muito boas, com condições de trabalho excelentes. Os EUA nunca me "deram" nada. Trabalho aqui, como você trabalha aí, sem que o Brasil tenha "lhe dado" nada.
De um acadêmico, exige-se, em primeiro lugar, que ele pense com sua própria cabeça. E não perca o senso crítico.
Desde 1982 eu critico a política externa americana. O meu código postal não altera em nada a minha opinião sobre ela.
Adoro várias coisas nos EUA: a liberalidade no vestir-se, a tradição de liberdade de opinião (cada vez mais ameaçada, diga-se), o extraordinário sistema universitário, a bela tradição de engajamento humanitário, a soberba qualidade dos seus iogurtes.
Detesto vários coisas nos EUA: seu autocentramento ignorante, seu monolinguismo, seu assombroso tratamento aos mais pobres e mais velhos, sua agressiva e desrespeitosa política externa, a péssima qualidade dos seus quitutes.
Se isso é muito difícil entender para você, seria absurdo, claro, eu pedir que você demonstrasse qual é realmente a sua leitura do Wikileaks, já que acha que minhas opiniões, abundamentemente apoiadas em fontes e linques, são "pré-fabricadas".
Idelber em novembro 30, 2010 10:18 AM
#20
Pois é Rafael, mas de vez em quando o Idelber tem que manter o astral da tropa elevado! :)
bacana em novembro 30, 2010 10:18 AM
#21
Esse Rafael tá com cara de ser um daqueles leitores de Olavo de Carvalho. Sempre vão ao Platão e Aristóteles, tendo lido meia dúzia de linhas de cada um, pra citá-los como argumento de autoridade. Se a gente retira o argumento de autoridade e vai prestar atenção no que eles estão dizendo, não sobra nada, a não ser prepotência e trollagem.
Valdir em novembro 30, 2010 10:24 AM
#22
Mas eu continuo com uma dúvida: o vazamento foi legal?
Não que isso vá mudar a gravidade daquilo que foi exposto. Isso tudo que está aparecendo é mesmo absurdo e deve ser apurado (se for o caso, punido). Mas eu fiquei curiosa para saber se o vazamento é legal ou não.
Barbara em novembro 30, 2010 10:31 AM
#23
Barbara, aí realmente entramos numa vasta e complexa discussão.
Porque está em questão o sigilo da fonte, a liberdade de imprensa etc. Sacumé? Todas aquelas coisas que a grande mídia evoca quando é de sua conveniência.
Pelo que eu saiba, o Wikileaks não quebra sistemas de segurança. Ele se apóia em vazamentos possibilitados pelos próprios funcionários do governo.
Idelber em novembro 30, 2010 10:40 AM
Bernardo em novembro 30, 2010 10:51 AM
#25
Igual a essa do Rafael, tem outra que curto muito, tipo: "você quer igualdade, socialismo, comunismo, mas tem carro e bebe vinho".
Alexandre Cearax em novembro 30, 2010 10:53 AM
#26
Idelber;
Parabéns!!! Vc sempre na vanguarda dos acontecimentos e com um diferencial: olhar crítico sobre os fatos. Se os EUA te deram tudo eu não sei, mas se sim, vc merece ainda mais nosso aplauso por se posicionar assim.
Minha contribuição se dá por um singelo e sincero elogio, seguido de um "obrigada" por presentear a massa com biscoitos tão finos!
Abraço!
Cristiane em novembro 30, 2010 10:54 AM
#27
É isso, Cearax. Por que não divide sua cerveja, já que é socialista?
Brigadim, Cris.
Idelber em novembro 30, 2010 10:56 AM
#28
Bem, de tudo isso fico com o velho Bismarck: se a gente soubesse como as leis e as salsichas são feitas...
Vocês já pensaram se essa fonte constante de vazamentos de documentos sigilosos - próprios de todos os países, todos os partidos, todas as agremiações - fizesse isso acontecer junto aos bastidores de nossos partidos e seus ajuntamentos coligativos? As conversas trocadas na intimidade do PT do Maranhão... As conversas havidas na intimidade do PT de Minas... Os acertos feitos entre o PT e o PMDB na crise do Senado, que culminou com a permanência do indestrutível Sarney...
Pois é, pau que dá na cabeça de Chico, dá na de Francisco... As ilusões cairiam por terra (assim como qualquer diplomata sabe o enorme palco onde ela atua); o iniputável Lula e seu "tenis é esporte de burguês, porra" seria visto na sua real dimensão. E a militância se veria sem ídolos, de moral baixa.
Gente, esse cara vazador é realmente um perigo. Tem colhões, o cabra (dizem até que é acusado de estupro - Nova Zelândia, Austrália?)...
Dida em novembro 30, 2010 11:02 AM
#29
Certo, Idelber, começamos mal a conversa e eu reconheço a responsabilidade do meu post mais ou menos incendiário. Vamos ao seu texto, então:
"não resta fiapo de credibilidade à ideia da imprensa 'mais livre do mundo'" - Não vi nenhum documento do Wikileaks demonstrando uma cadeia de comando entre o governo e a imprensa americana. A crítica que se deve fazer ao episódio da guerra do iraque é a condescendência dessa imprensa em um momento de choque nacional, mas, enquanto esse episódio pode até depor contra o senso crítico desses veículos, não diz nada a respeito de sua liberdade de publicar o que bem entender. Os jormais não estavam interditados de veicular opiniões divergentes do discurso oficial, como estão em alguns outros países. Ficar repetindo a teoria de uma conspiração entre governo americano + imprensa americana + empresas americanas para dominar o mundo não é "pensar com a própria cabeça", é repetir slogans de centro estudantil. Não reconhecer que esses segmentos da sociedade têm autonomia e mesmo interesses divergentes revela uma falta de sofisticação inadmissível em um debate sério (e, no seu caso, deliberada, pois seus leitores sabemos de sua capacidade de ir muito além dessas generalizações quando você quer).
Quanto à velhice de minha objeção, pode ser que sua resistência por tanto tempo seja um sinal de sua força, não? ;). Falando sério, não tenho muito gosto por ficar patrulhando a trajetória das pessoas com quem falo, mas não dá pra escapar do fato de que, ao escolher morar nos EUA, você admite para o mundo que não há melhor lugar no mundo para viver atualmente. É possível que você esteja certo, mas, mesmo que não esteja, por que não direciinar sua energia contra países que precisam mais de sua força intelectual para derrubar governos tirânicos? Que obsessão é essa da esquerda contra os EUA, como se esse fosse o pior país do mundo, o que mais oprime seus cidadãos?
Por último: "Os EUA nunca me "deram" nada. Trabalho aqui, como você trabalha aí, sem que o Brasil tenha 'lhe dado' nada." Está enganado, meu velho, falando assim você dá de barato todo o aparato social e político que te apóia (e a mim também). Sugiro, novamente, a releitura de Críton, que, como você deve se lembrar, é um texto pequeno, que não vai te dar muito trabalho. Sócrates trata justamente disso.
***
Valdir,
não acompanho o Olavo de Carvalho, e a objeção que faço a ele é a mesma que falo ao Idelber em temas políticos: pessoas competentes que, deliberadamente, emprestam sua capacidade intelectual a slogans elegantes e simplórios. Agora, preste bem ateção no seu comentário: ao associar quem lê Platão ao Olavo, você transforma o grego em um subordinado do brazuca. Que merda, não? Se você deixar de ler Platão só porque o Olavo também o lê e o cita, você está dando um crédito enorme ao cara. Deixa de besteira.
Rafael em novembro 30, 2010 11:04 AM
#30
"Sarah Palin, sem perder a chance de usar o episódio eleitoralmente contra Obama, sugeriu que os EUA "cacem Assange como a Bin Laden". "
Quer dizer que vão deixar o Assange na "sombra e água fresca", tutelado pela família no interior de um desses países alinhados com os EUA? (é assim que Michael Moore se refere a Bin Laden, sugerindo que o mesmo, por não poder se locomover muito longe da civilização, devido à sua necessidade de hemodiálise diária, está no interior da Arábia Saudita, ganhando grana das petroleiras e dos fabricantes de armas, agradecidos a ele por criar uma desculpa homérica para existirem.)
Leonardo em novembro 30, 2010 11:07 AM
#31
Então, Idelber, além de demonstrar uma enorme hipocrisia da diplomacia americana, da China, dos países árabes e de sei lá mais quem, o que me surpreendeu nisso tudo é como o Departamento de Estado e a CIA continuam amadores quando comparados com seus "counterparts" europeus, russos e até mesmo chineses.
Já li em algum lugar - agora não lembro onde - que o sistema de inteligência americano é ainda muito primário, até porque se pauta muito por futilidades - vide "enfermeira ucraniana" do Kadafi - e teorias furadas plantadas por "especialistas" - caso André sei-lá-o-que e lei antiterrorismo no Brasil.
Penso que o MI-6, a antiga KGB (não sei o nome da sucessora) e mesmo o Mossad têm preocupações muito mais práticas do que as "grandes descobertas" da diplomacia americana.
Acho que o poderio militar avassalador é que serve como massa de manobra, porque de diplomacia os EUA só tiveram um grande, apesar dos enormes pesares, que foi Kissinger.
Raphael em novembro 30, 2010 11:08 AM
#32
Não vi nenhum documento do Wikileaks demonstrando uma cadeia de comando entre o governo e a imprensa americana.
Mas a questão, Rafael, não é "cadeia de comando". Não é preciso acreditar em teoria conspiratória para perceber que a extrema concentração do dinheiro e da propriedade dos meios de comunicação nos EUA, acoplada a tudo o que sabemos sobre a 'intimidade' entre imprensa e poder no país, levam a uma situação em que nada de verdadeiramente incômodo para o poder, em situações chave, seja discutido.
Claro, pentelham o Obama, como pentelharam o Bush, com questões pontuais, tangenciais, laterais. Ou questões até importantes, mas de política doméstica. Em 2003 ficaram todos do ladinho da mentira das armas de destruição em massa. Até o liberalíssimo New York Times.
Assim como agora: ainda estou pra ver alguém discutir, na mídia americana, a comprovação de que os EUA espionam a ONU.
Idelber em novembro 30, 2010 11:10 AM
#33
Raphael, na mosca. O Robert Fisk nota isso num livro dele: que a diplomacia americana parte de uma tese já definida a priori, e tenta encontrar gente para sustentá-la. E é claro que sempre encontra. Sem dúvida, poderiam levar aulas e aulas do Mossad
Aliás, note-se que nada verdadeiramente incriminador contra Israel apareceu até agora. E duvido que vá aparecer. A confirmação de que eles fizeram pressão pelo ataque ao Irã é só isso, a confirmação de algo já mais ou menos sabido.
Em tempo: parabéns pelo eibidí!
Idelber em novembro 30, 2010 11:18 AM
#34
Ô Rafael, o ponto é outro. Li o teu Críton mais de uma vez e muitas outras coisas do Platão, se isso te consola, mas quanto ao ponto que estamos discutindo, não faz sentido ir a Sócrates. É absurdo você achar que porque leu Platão pode encarar a questão com mais propriedade. Há inúmeros outros modos de abordar o problema. Sustentar teu argumento em "vão ler Platão, depois conversamos" é mostra da tua postura escolástica (mesma do Olavo, sim), que por não ter posição social legítima a partir da qual discutir, precisa recorrer à violência, à virulência e ao menosprezo.
Valdir em novembro 30, 2010 11:30 AM
#35
A questão mesmo, Idelber, é vc conseguir ver os problemas do capitalismo (parabéns pelas suas análises, tem 500 mil pessoas fazendo as mesmas), mas não ver do socialismo. Por que isso acontece?
Jether em novembro 30, 2010 12:07 PM
#36
Valdir, você está colocando palavras no meu teclado. Quem disse "vão ler Platão, depois conversamos" foi o Rafael que você construiu para si, contra quem seria muito mais fácil argumentar. Onde você viu "postura escolástica" no meu comentário?
É sintomático que justamente você, que me ofendeu primeiro por causa de minha "trollagem", venha dizer que eu recorro "à violência, à virulência e ao menosprezo". Já percebeu que, numa discussão acalorada, aquele que diz "não precisa levantar a voz" é quase sempre a mesma pessoa que começou a gritar?
Rafael em novembro 30, 2010 12:09 PM
#37
Bernardo (#24), sim, a charge publicada pelo Noblat é profundamente racista. Não creio, por exemplo, que usassem a representação de símio para se referir à playboyzada branca que bate em empregada doméstica num ponto de ônibus na madrugada. Ou que queima índio que dorme na rua (já que estão falando de incendiar, né?). Sabendo que estamos tratando de uma maioria negra envolvida no caso da guerra do Rio, é muito irresponsável esse uso da figura do macaco. É claro que é racismo.
Tratar puramente como vândalo ou irracional um indivíduo que, vivendo no contexto do tráfico, coloca fogo em ônibus como reação ao que quer que seja (dizem que é às UPPs...), é de uma estreiteza e de um preconceito constrangedores, sem dúvida. É não ter entendido porra nenhuma do que está acontecendo na cidade (com suas raízes nacionais de mais de 500 anos), e ainda colaborar para continuar dessa forma, criminalizando a pobreza, ridicularizando os que vivem nesses espaços e nessas situações, e assim por diante.
É vexaminoso e, talvez, criminoso. Mas, como a nossa justiça é formada por um cartel de famílias brancas, tradicionais e conservadoras, fica até difícil levar um caso desses à côrte. O crime se torna liberdade de expressão, caso contrário estaríamos entrando em um estado de exceção que censura a imprensa e blábláblá.
Rafael Cesar em novembro 30, 2010 12:22 PM
Bruno em novembro 30, 2010 12:34 PM
#39
Idelber, e quanto às prisões de supostos terroristas no Brasil que foram fichados com outras fichas criminais para não causar alarde?
A Folha estampou isso em capa de ontem, mas não vi nenhum comentário seu a respeito (ainda!).
Você, que está acompanhando mais detalhadamente esses vazamentos do Wikileaks, acredita que de fato isso ocorreu?
Abraços,
Tiago
Tiago Ferreira em novembro 30, 2010 1:58 PM
#40
Oi, Tiago, a questão aqui é aquela, velha: o que é terrorismo? Todos os que os EUA qualificam como "terroristas" são mesmo terroristas segundo as definições dos outros países do mundo? Até que saibamos que prisões foram essas e quais eram as acusações, fica difícil.
A última coisa que dá pra fazer no mundo hoje é aceitar acriticamente a definição de terrorismo que os EUA querem impor. Aliás, já está implicitamente comentado no post: vários membros do Congresso americano querem caçar Julian Assange como ... terrorista!
Idelber em novembro 30, 2010 2:03 PM
#41
Rafael,
ao que me consta o Críton trata da submissão voluntária do indivíduo à lei, reconhecimento subjetivo de sua autoridade, por mais que dela decorra uma injustiça. Até aí tudo bem, Sócrates o faz para ser não ser exemplo a ser evocado quando cada um quer se furtar arbitrariamente a obedecer à lei. Agora, como isso se aplica ao Idelber você vai precisar nos explicar. Pois me parece que a possibilidade de crítica é perfeitamente legal, admitida pela constituição norte-americana. Aliás, o que está ilegal aí é muito do que se está sendo revelado pelos vazamentos, e essa ilegalidade vem do próprio Estado. Se Críton é completamente aplicável, como se no correr dos séculos não houvesse sido pensado o direito de resistência contra Estados ilegais, creio que deve se aplicar sobretudo aos homens de Estado, não acha? Além disso, quando você fala que é preciso focar esforços para derrubar verdadeiras tiranias, é deliberadamente que você fecha os olhos para o suporte que os EUA dão aos países árabes tirânicos, mas alinhados internacionalmente com o governo norte-americano? Pode ser deficiência cognitiva da minha parte, mas sua opinião me deixa confuso demais, não consigo enxergar seu ponto.
Felipe em novembro 30, 2010 3:13 PM
#42
Respondendo ao Pedro Marques,
As informações dos relatórios são transmitidas por uma rede denominada Siprnet - Secret Internet Protocol Router Network. É uma rede de internet exclusiva dos militares americanos. Parece que o vazemento não ocorreu na transmissão, mas sim no acesso ao banco de dados, que dizem, era ridiculamente permissivo. Essa reportagem do The Guardian trata desse assunto. http://www.guardian.co.uk/world/2010/nov/28/siprnet-america-stores-secret-cables
Thiago em novembro 30, 2010 3:34 PM
#43
Nunca aconteceu de eu dizer nesta caixa "vai aparecer alguém com uma explicação melhor" que a dita cuja não aparecesse. Valeu, Thiago!
Idelber em novembro 30, 2010 3:51 PM
#44
Acho que uma das razões pelas quais o NY Times tem sido tão dócil na cobertura do vazamento é pelo fato de prejudicar mais a Hillary do que o próprio Obama. O NYT nunca escondeu seu amor pela Hillary, apoiando-a inclusive nas prévias contra Obama. Esse episódio pode prejudicar os esforços dos que querem passar uma rasteira no Barack e lançá-la como candidata em 2012.
Falando nisso, o Assange dise que quem repassou as informações ao NYT foi o The Guardian e não o Wikileaks. Qual foi a primeira providência no NYT? Mandar tudo para o Departamento de Estado para que eles averiguassem o que podia ou não ser publicado.
Thiago em novembro 30, 2010 3:53 PM
#45
Muito obrigado, Thiago!
Pedro Marques em novembro 30, 2010 4:13 PM
outro Edson em novembro 30, 2010 6:40 PM
outro Edson em novembro 30, 2010 6:43 PM
#48
O Washington Post, jornal centrista e no passado recente não muito aventuroso, dedicou a maior parte do primeiro caderno da edição de hoje ao assunto. Tem artigos sobre o conteúdo do vazamento, um artigo sobre a possibilidade de processar o Assange que demonstra exatamente porque isso seria muito duvidoso, e cinco colunas de opinião, de várias tendéncias ideológicas--com destaque para coluna de Dana Milbank, sobre os detalhes do casamento de um magnata de petróleo russo que surgiram de um cable vazado. Muito engraçado, e inteligente também. O Post tem muitos defeitos, como seus próprios jornalistas reconhecem--situação análoga à do New York Times, ou da Folha, por falar nisso--mas não está tapando o assunto. Na cobertura de hoje, falta qualquer menção à América Latina, mas os outros vazamentos mencionados aqui foram destacados, sim. A imprensa americana não gosta do Assange, por razões óbvias de proteção de interesse e privilégio, mas não vejo ela tão corrupta assim, não.
Bryan em novembro 30, 2010 6:50 PM
#49
Sim, Bryan, eu tive o cuidado, no post, de me referir ao sufocamento do tema na TV dos EUA.
No primeiro dia, com a imprensa inteira do mundo falando do tema, nem CNN nem FOX nem MSNBC deram qualquer destaque aos vazamentos. Depois do pronunciamento da Hillary, começaram a cobrir timidamente, mas enfocados na possibilidade de processar Assange.
Até agora não vi a mídia televisiva dizer uma só vez: "documentos mostram que EUA espiona a ONU".
Idelber em novembro 30, 2010 6:58 PM
#50
É impressão minha ou o Reinaldo Azevedo e a cambada de autista que aplaude ele estão pianinhos a respeito do que disseram sobre Honduras?
Não eram eles que queriam "hondurar"?
Rodrigo em novembro 30, 2010 8:01 PM
#51
Caro Idelber,
Restam muitos fiapos à ideia da imprensa 'mais livre do mundo'. Liberdade de imprensa há; liberdade de imprensa é justamente ser livre para publicar (ou não publicar) o que se quer (ou não se quer). O seu ponto acredito que seja o de conflito de interesses, que não tem relação obrigatória com a liberdade de imprensa. Se fosse assim não haveria imprensa livre em lugar algum do mundo: até jornal de botequim tem lá seus interesses. Ser livre para publicar não significa ser obrigado a publicar -- e repare que isso não é uma defesa aos jornais.
Raphael #31: "demonstrar uma enorme hipocrisia da diplomacia americana".
A única diferença entre a diplomacia americana em relação às outras é justamente o "demonstrar". Ou você acha que diplomatas trocam entre si receitas de bolinho de chuva? Bastou meia-dúzia de documentos saídos do Brasil para mostrar que um ministro do governo brasileiro, Nelson Jobim, estava dando lá suas rasteiras em seus pares de salão. Se abrir o Itamaraty todo não sai coisa muito diferente disso.
E uma detalhe nem tão detalhe assim: essas correspondências são diplomáticas, e não da CIA. Não são produto de inteligência ou relatórios de 007; são encontros e impressões entre diplomatas. Nove mil quilômetros de distância entre uma coisa e outra.
Leandro Demori em novembro 30, 2010 8:16 PM
#52
Felipe,
sua síntese do Críton parece boa e quadra à lembrança que tenho do diálogo (já tem um tempo que o li). O trecho do texto que se aplica à postura anti-americana do Idelber já está, julgo eu, apresentada nos meus comentários anteriores: o Idelber acha que os EUA (ou o Brasil) nunca lhe deram nada; eu acho, e tentei buscar o apoio do Sócrates nessa direção, que o Idelber não estaria onde está hoje sem o suporte institucional dos países onde ele se educou, e é no mínimo controversa a dedicação com que ele condena o país onde escolheu viver.
Pesquei este trecho no Google (você deve se lembrar que Sócrates personifica as Leis de Atenas e dá voz a elas):
"'Vê, portanto, Sócrates' diriam talvez as Leis, 'temos razão em tachar de injusto o que intentas fazer-nos agora. Nós que te geramos, te criamos, te educamos, te admitimos à participação de todos os benefícios que podemos proporcionar a ti e a todos os demais cidadãos, sem embargo, proclamamos termos facultado ao ateniense que o quiser, uma vez entrada na posse dos direitos civis e no conhecimento da vida pública e de nós, as Leis, se não formos de seu agrado, a liberdade de juntar o que é seu e partir para onde bem entender. Se, por não lhe agradarmos nós e a cidade, algum de vós quiser rumar para uma colônia ou quiser fixar residência em qualquer outro país, nenhuma de nós, as Leis, o impede ou proíbe de seguir para onde lhe parecer, levando o que é seu'"
Rafael em novembro 30, 2010 8:24 PM
#53
Leandro Demori (#51): "A única diferença entre a diplomacia americana em relação às outras é justamente o "demonstrar"."
talvez não se encontre nada parecido na correspondência diplomática do Togo ou de Tanganika, mas em qq país minimamente relevante q opere p/ promover seus interesses no cenário internacional se poderá encontrar coisa semelhante (feitos os devidos ajustes de peso relativo do país, etc., etc.).
Frank em novembro 30, 2010 9:04 PM
#54
Francamente, Idelber
O tratamento dado ao assunto pelo Reinaldo Azevedo é muito mais realista e vai ao encontro ao que eu escrevi e alguns outros aqui. São conversas internas, posicionamentos não oficiais, impressões trocadas por gente de governo, nada que não aconteça aqui, lá e alhures. Sobre Honduras, o fato de os americanos terem informalmente duvidado da "legalidade" do "golpe" não invalida as análises feitas por ele, Reinaldo, as quais foram confirmadas por ninguém menos que o Dalmo Dallari. Só demonstra que cada um teve a oportunidade - a partir dos documentos disponíveis - a situação e se posicionou conforme o seu entendimento acerca do assunto.
Dida em novembro 30, 2010 9:30 PM
#55
Reinaldo Azevedo, doutor em direito constitucional hondurenho, prazer!
Rodrigo em novembro 30, 2010 10:01 PM
#56
Prezados,
Sobre liberdade de imprensa.
A dita liberdade de imprensa não foi pensada para que os donos dos jornais possam ganhar dinheiro ou poder mas para permitir que a população seja informada e possa decidir seus destinos. Há exercício de liberdade de imprensa não quando não há nenhum impedimento legal a esse exercício mas quando a imprensa publica o que está acontecendo. Quando a imensa maioria dos veículo deixa de informar fatos relevantes temos censura à imprensa, seja por seus donos, pelos seus editores ou pelo governo, conforme o caso.
Sobre criticar o país em que se escolhe viver.
Primo, cada um, salvo talvez os muito miseráveis, vive onde escolheu viver.
Secundo, é impossível criticar um país simplesmente porque país é uma ficção jurídica. Critica-se comportamentos sociais (franceses carregarem a baguete embaixo do sovaco, por exemplo), atos de pessoas (sejam elas presidentes, embaixadores, generais, jornalistas). Se os EUA se consideram land of the free (terra dos homens livres) é consequência lógica que nada há de censurável em seus habitantes exercerem sua liberdade de pensamento criticando ou elogiando o que considerarem criticável ou elogiável. Eu escolhi viver no Brasil, tenho dupla cidadania e poderia viver na Europa com os direitos dos nacionais, e jamais me furtarei a criticar tudo que eu achar errado aqui no país onde vivo, e se critico o que ocorre aqui, não vejo porque não criticar o que ocorre alhures.
Pergunta: só tem acesso aos documentos os jornais escolhidos pelo wikileaks? Não encontrei no site como acessar a eles.
Paulo Werneck em novembro 30, 2010 10:23 PM
#57
Paulo Werneck: ou seja, não é, definitivamente, o caso dos Estados Unidos, onde existe milhares (ou milhões) de jornais, rádios, TVs, sites. Tem jornal do interior do país com Pulitzer.
>> Pergunta: só tem acesso aos documentos os jornais escolhidos pelo wikileaks?
Só. Pouca liberdade de imprensa. (provocação gratuita)
>> Não encontrei no site como acessar a eles.
Estão somente alguns, os já divulgados. A promessa é que todos estejam lá. A estratégia é justamente usar os grandes jornais dando a eles o que eles querem: exclusividade. É assim que se melhora a imprensa, fazendo parte dela.
Leandro Demori em novembro 30, 2010 10:42 PM
#58
Caro Leandro,
Qdo vc falou que "E uma detalhe nem tão detalhe assim: essas correspondências são diplomáticas, e não da CIA. Não são produto de inteligência ou relatórios de 007; são encontros e impressões entre diplomatas. Nove mil quilômetros de distância entre uma coisa e outra." esqueceu que estamos falando dos EUA, não das Ilhas Maldivas.
O Departamento de Estado, num país com tantos interesses estratégicos, trabalha trocando impressões com a inteligência, ou vc acha que a espionagem pretendida contra o Secretário-Geral da ONU não teria nenhum auxílio da CIA?
Lembrando mais uma vez que estamos falando dos EUA, seria até mesmo temerário dizer que o Departamento de Estado atua sozinho, principalmente em questões tão graves quanto o programa nuclear iraniano.
É claro que a diplomacia, em diversas vezes, atua num sentido contraditório daquele que é exposto em público, por pronunciamentos presidenciais e de autoridades. Porém, acredito que quando um país se porta como o "paladino da lei e da democracia", deve seguir certos preceitos, despir-se de moralismos, porque o que importa para o mundo hoje em dia se Berlusconi dá festas com prostitutas ou se Cristina Kirchner pode ser louca?
É justamente isso. Se diplomacia não é "receita de bolinho de chuva", é coisa séria, então vamos discutir o que importa. Se isso existe lá ou no Itamaraty, não me importo. Acredito que esse tipo de gestão diplomática denigre a diplomacia, e acaba por convalidar - de modo torto - a máxima de que diplomatas vivem de glamour e de coletar informações inúteis, o que não é verdade.
Seria mais legal saber que a diplomacia americana pressiona de fato Israel, ou não se curva aos medos do Rei Abdullah, mas não, ela só confirma a hipocrisia que rege as relações deste tão admirável e importante país.
Raphael em novembro 30, 2010 10:44 PM
#59
Raphael: não invalida o caso de serem relatos diplomáticos, e não documentos da CIA. São coisas diferentes, sim, e muito. Tanto que dos 251 mil documentos somente 15.652 são secretos (101.748 são confidenciais -- um grau bem mais brando -- e a maioria, 133.887, são 'unclassified').
A estratégia do Assange me parece bem clara: ele emulou uma página de jornal -- duas ou três notícias relevantes (ONU espionada e o Rei de Turbante que queria jogar bomba na cabeça do Armandinho Jah), o resto é gossip. Vale lembrar que, segundo o site, menos de 300 documentos foram divulgados dos 250 MIL. Ou seja: nada ainda. Não nos apressemos em julgamentos.
Por hora pode parecer que embaixadas fazem esse trabalho de trollagem, de gossip, o que tem uma boa dose de verdade. Embaixadas são órgão públicos, afinal, e muita gente que trabalha nelas não foge do sistema do cafezinho. Conheço algumas; tem gente séria, mas tem gente que é muito aquém de qualquer possível expectativa.
Note bem que entre os docs. publicados até agora muitos trazem resenhas de jornais ou relatos de festas, amenidades sociais, a vida vista pela TV ou em meio aos salões de baile. Isso também é diplomacia. A diplomacia não é uma carranca daquelas vendidas na Bahia.
Aliás, tem um cable que é uma obra-prima literária, eu chamei lá no meu twitter de "O Poderoso Chefão do Cáucaso".
http://cablegate.wikileaks.org/cable/2006/08/06MOSCOW9533.html#
Pena que estou sem tempo, se não traduziria e publicaria no meu blog. Esse tipo de documento pode dizer mais sobre uma sociedade do que dezenas de investigações de 007's.
Grande abraço,
Leandro Demori em novembro 30, 2010 11:00 PM
#60
Raphael: não invalida o caso de serem relatos diplomáticos, e não documentos da CIA. São coisas diferentes, sim, e muito. Tanto que dos 251 mil documentos somente 15.652 são secretos (101.748 são confidenciais -- um grau bem mais brando -- e a maioria, 133.887, são 'unclassified').
A estratégia do Assange me parece bem clara: ele emulou uma página de jornal -- duas ou três notícias relevantes (ONU espionada e o Rei de Turbante que queria jogar bomba na cabeça do Armandinho Jah), o resto é gossip. Vale lembrar que, segundo o site, menos de 300 documentos foram divulgados dos 250 MIL. Ou seja: nada ainda. Não nos apressemos em julgamentos.
Por hora pode parecer que embaixadas fazem esse trabalho de trollagem, de gossip, o que tem uma boa dose de verdade. Embaixadas são órgão públicos, afinal, e muita gente que trabalha nelas não foge do sistema do cafezinho. Conheço algumas; tem gente séria, mas tem gente que é muito aquém de qualquer possível expectativa.
Note bem que entre os docs. publicados até agora muitos trazem resenhas de jornais ou relatos de festas, amenidades sociais, a vida vista pela TV ou em meio aos salões de baile. Isso também é diplomacia. A diplomacia não é uma carranca daquelas vendidas na Bahia.
Aliás, tem um cable que é uma obra-prima literária, eu chamei lá no meu twitter de "O Poderoso Chefão do Cáucaso".
http://cablegate.wikileaks.org/cable/2006/08/06MOSCOW9533.html#
Pena que estou sem tempo, se não traduziria e publicaria no meu blog. Esse tipo de documento pode dizer mais sobre uma sociedade do que dezenas de investigações de 007's.
Grande abraço,
Leandro Demori em novembro 30, 2010 11:01 PM
fm em novembro 30, 2010 11:16 PM
#62
A FSp já traduziu os 'telegramas'
Vejam os temas que eles disponibilizaram;
'EUA destacam aproximação do Brasil com muçulmanos
EUA estudaram comunidade muçulmana no Brasil
EUA dizem que esforço antiterror se concentra em São Paulo
Brasil voltou atrás em lei antiterrorismo, segundo EUA
EUA dizem que Brasil é parceiro no combate ao terrorismo
EUA discutem presença da Al Qaeda na tríplice fronteira'
fm em novembro 30, 2010 11:21 PM
Vianey em novembro 30, 2010 11:23 PM
#64
O fato do vazamento é espetacular, mas o conteúdo, convenhamos, não é novidade nenhuma. Há muito, indícios aqui e ali - às vezes a própria lógica e o bom senso - provavam que esse é o modus operandi americano pelo mundo mesmo. O que mérito do Wikileaks é sepultar de vez qualquer possibilidade de se topar o sol com a peneira, sem passar pelo ridículo de uma linkagem que pouca alguns minutos preciosos que precisavam ser gastos com longos argumentos. Outro ponto: Isso é revelador da crise profunda pela qual passa os EUA. Trata-se de um país cujo modelo está à beira do esgotamento, sua sociedade não consegue produzir nada novo que responda a tal demanda - nem permite que surjam as condições para tanto. Nesse sentido, a liderança de Obama é completamente débil; aquela pequena chance dele representar uma saída para a sua política externa - usando a conjuntura favorável para renegociar a posição americana no mundo, promovendo o multilaterialismo -, fez-se água. Os desdobramentos disso são imprevisíveis e muito graves.
Do nosso lado, é curioso como setores da direita nacional articulam por fora a criminalização a todo custo do MST. De Dom Bertrand falando em direito natural da propriedade a um especialista em javanês tentando envolvê-lo no caldo comum do "terrorismo" internacional, passando pelo Ministério Público Gaúcho. Mais do que isso, interessante que a menção a Dilma seja, justamente, de uma intervenção sua no sentido de impedir uma Lei Antiterrorismo elaborada nesses termos pelo temor disso ser utilizado para criminalizar mais ainda os movimentos sociais. Está de parabéns mais uma vez nossa Presidenta.
Hugo Albuquerque em novembro 30, 2010 11:44 PM
#65
Idelber, do ponto de vista de quem se informa meridinamente, possua alguma percepção e pouco idolatrismo, as informações divulgadas por esse Wikileaks só corroboram em tom de fofoca de alcova, o que já se sabia sobre política externa e "amizade" entre países. Principalmente a diplomacia americana, que como todo império que se preze, quer saber e meter o bedelho até na cor da cueca da rainha da Inglaterra.
Acho que a discussão que poderia ser feita, é até que dia o processo civilizatório vai suportar essas hipocrisias e maldades, em corroboração a um pragmatismo enviesado e imoral sob o ponto de vista da justiça e auto determinação dos povos.
O Azenha divulgou um texto legal (e humorado) do Robert Fisk sobre essa pseudo saia justa por que passariam os EUA. Aqui: http://www.viomundo.com.br/politica/fisk-a-perversao-do-pensamento-ocidental-sobre-o-oriente-medio.html
Um abraço.
Sérgio Troncoso em dezembro 1, 2010 8:29 AM
Guilherme em dezembro 1, 2010 9:55 AM
#67
Bom dia a todos.
Não dá para não concordar com a frase atribuída à ex-Presidente chilena Michele Bachelet segundo a qual "só não há golpes de Estado nos EUA porque lá não tem Embaixada americana"...
abraços
Pedro Migão em dezembro 1, 2010 10:07 AM
Pedro Migão em dezembro 1, 2010 10:13 AM
#69
Professor Idelber, lógico. Sorry.
Pedro Migão em dezembro 1, 2010 10:13 AM
#70
Carece chamar de professor, não :=)
Idelber em dezembro 1, 2010 10:20 AM
#71
Eu tinha digitado seu nome errado também... :)
Aliás, eu publiquei dias atrás um artigo assustador sobre a Sarah Palin. Se realmente ela conseguir a indicação republicana à Presidência estamos lascados...
abraço forte
Pedro Migão em dezembro 1, 2010 10:36 AM
#72
Migão,
eu acho que se a sarah ganhar lá, eles (USA) estão lascados...é o fim do declínio, o encontro fatal com o fundo do poço.
aiaiai em dezembro 1, 2010 12:05 PM
#73
Pedro Migão, eu complementaria a frase atribuída a Bachelet da seguinte forma: como não há embaixada americana nos EUA para planejar civilizados golpes de Estado, parte-se para ignorância mesmo. Até hoje foram 4 presidentes assassinados (Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John Kennedy) e mais 4 tentativas (Andrew Jackson, Harry Truman, Gerald Ford e Ronald Reagan). Todos os atos foram cometidos por cidadãos americanos, alguns por lunáticos, sem dúvida, mas lunáticos americanos.
Cláudia em dezembro 1, 2010 12:27 PM
Felipe Alves em dezembro 1, 2010 12:40 PM
#75
Mestre, até agora esses vazamentos parecem mais coisa de revista de fofoca...
Abraço,
Rapha
Raphael Neves em dezembro 1, 2010 1:29 PM
#76
vamos por partes:
"aiaiai", quem escreveu o artigo sobre a Sarah Palin é um dos colunistas do Ouro de Tolo, que esteve recentemente nos EUA - inclusive enviou o artigo de lá. Mas sem dúvida alguma a ideologia que ela representa, com o poderio militar dos EUA, é uma combinação pra lá de indigesta...
Cláudia, os americanos também partiram para a ignorância em outros países: basta ver o que fizeram no Panamá e no Equador nos anos 70/80, como bem explana o economista John Perkins em seu indispensável "Confissões de um Assassino Econômico"
abraços
Pedro Migão em dezembro 1, 2010 4:39 PM
#77
Paulo Werneck, quem decide o que é relevante?
Jether em dezembro 1, 2010 4:55 PM
#78
Aos que criticam o minerim por morar e permanecer na 'terra dos livres', mas ser contrário a algums de seus aspectos.
Seriam então obrigados a condenar um garoto de dez anos que fosse contra o pai surrar sua mão, pois, afinal, ele, o fiho 'ingrato', recebe seu sustento do 'provedor'.
Devo ressaltar que não sou afeito a leituras filosóficas ou hermenéuticas, assim não estou, nem quero estar, preparado para tecer argumentações do nível dos coment[arios aqui encontrados.
Aliás nunca li um livro completo de Socrates, somente partes, mesmo assim há muitos e muitos anos.
Muito grato.
Braquicéfalo em dezembro 2, 2010 2:31 PM
#79
Ah, o seres humanos! Fulano fala A; Beltrano entende B; e cicrano escreve um tratado sob fulano, citando beltrano e Ninguém, que escapou de Creta, entende “lhufas”.
O Fulano, o Idelber, neste post, pelos menos pra mim que sou fruto cultural de Ninguém, deixou bem clara a sua posição na sua escrita: a imprensa americana, quando o cu na reta é do tio Sam, fica quietinha. Ok (isso se o velho cu do tio estiver na mesma reta do cu da velha imprensa; pois se não for assim - não há ilusão senhoras e senhores: o capitalismo recomenda que - pau no cu do velho! A prova disso é a atual crise, em que poucos poderosos não foram enrabados e, portanto, a enrabação geral deve sobrar pra muitos). Porém isso acontece em qualquer lugar do mundo, em qualquer fase da história, em que a imprensa (ou o bater dos tambores; ou as fogueiras sinalizadoras; ou sei lá que caralho a quatro a emitir mensagens…) quando próxima do poder, do cheirinho da grana, da riqueza em todos os seus matizes. Então o que faz, a grande cafetina com o seu prostituto exército miserável de medíocres assalariados? Se omite!!! Portanto, a liberdade de imprensa ou a verdade associada à uma dada realidade são uma puta briga dentro duma sociedade de classes, isto é: a classe dominante produzirá sempre IDEOLOGIA com o objetivo de manter a “mamata” histórica; por outro lado, o outro lado será um produtor de facas ao esquartejamento de tal específica “mamata”. Creio que foi isso que o velho “Carlos” tentou ensinar a nós.
Bem, ai, vem Beltrano, o Rafael, sem dizer bem, claramente, pra que veio, e diz: “É tão bonitinho ver a raiva que o Idelber tem do país que *escolheu* para viver, assim como um adolescente tem raiva do pai que lhe dá tudo (com o agravante de que o último não tem o privilégio da escolha). Quem te lê assim, Idelber, corre o risco de achar que você é obrigado a morar no Império malzão. Fica a sugestão de que você releia o diálogo Críton, em que Sócrates dá uma aula de como reconhecer as qualidades das instituições das quais você eventualmente discorda”. (Claramente, o Beltrano, Rafael, está aqui por alguma razão que não revelou: pois se trata, efetivamente, de um hábil prestidigitador…)
Então o Fulano, Idelber, meio puto responde: “Os EUA nunca me "deram" nada. Trabalho aqui, como você trabalha aí, sem que o Brasil tenha "lhe dado" nada.
Aqui, cabem dois comentários dum tal cicrano (eu):
1) Fulano, Idelber, não é verdade que EUA não lhe deram nada. E muito menos verdade que o Brasil não lhe deu nada (embora não dito: ESTÁ DITO IMPLICITAMENTE!!! Idelber, já discordei de você sobre o post de “11 de setembro”, no qual você se referia ao 11 chileno, mas omitia o 11 americano. Lembra? Quanto ao que os EUA lhe deram não sei dizer, mas quanto o Brasil lhe deu, um mínimo posso dizer, com certeza: O GALO - E TODOS NÓS, DESSA CAIXA DE COMENTÁRIOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (Idelber, galo e comentário é uma rima preciosa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!).
2) Ao Beltrano, Rafael, quero dizer que, em Críton, Sócrates dá uma aula de como reconhecer as qualidades das instituições das quais você eventualmente CONCORDA”. Isto é, Críton propõe a Sócrates uma fuga, pois o navio ao culto de Apolo chegou à Atenas e, portanto, a morte de Sócrates dar-se-á em algumas horas. Porém, toda a argumentação de Sócrates a Críton, em essência é a seguinte: como eu que batalhei tanto por essas Leis, agora, por covardia diante da minha morte passo a negá-las… Para um sábio como Sócrates tal atitude seria a morte em vida. Então ele se entrega ao seu destino…
A MORTE PARA SÓCRATES É A CONSAGRAÇÃO DO QUE ELE FOI EM VIDA.
Bem, dito isso, como sempre, deixo um poema aos oriundos de NINGUÉM…
ILHA DAS ÁGUIAS
by Ramiro Conceição
Cantam cantos antigos
que o Mal é ardiloso
e que, sedutor, ilude a platéia
que, por ter os caninos escuros
com sangue de assassinatos cometidos,
não percebe - por medo - a insensatez.
Cantam sonhos longínquos
que o Mal é a raiz da culpa
que impede esta monada,
desde a tenra idade,
à iluminação, à Humanidade,
ao cuidado desta Terra única.
Cantam que tudo em nós é fruto
duma moral hipócrita e repressora
e que tudo sempre termina
num medíocre e terrível engano
colossal de templos e religiões:
uma manada de anões primatas,
bambos, prontos pra assassinar
quem ouse à Alegria de duvidar.
Cantam cantos modernos
que a nossa civilização
judaico-cristã-muçulmana,
por ser estupidamente desumana,
possui a face dum quadro de Picasso:
o lado esquerdo em cisalhamento ao direito
tal qual o desespero em gritos dos ciprestes
destorcidos das telas de Van Gogh…
Cabe aqui uma pergunta.
Fomos, somos e seremos somente
caretas, caricaturas e canalhas
dum bando de micos amestrados?
Cabe aqui uma resposta.
Por herança da evolução,
somos um milagre repleto
de coragem.
Mas coragem pra quê?!
Para cantar e permitir
a continuidade da Vida
nesta Casa bendita.
Portanto canto
e declaro claramente
que somos parte
das Consciências do Futuro,
do Passado e do Presente
em processos de passagem;
canto e declaro
claramente que a diferença
entre um Bem-te-vi e Einstein
é simplesmente a maneira
diferente do bater de asas.
O Amor é o senhor da Terra!
E não há diferença qualquer
entre a Mulher, que nos braços
seus Filhos queridos abraça,
e o Sol, que com nove braços
seus Filhos queridos entrelaça
(Plutão não é um bastardo!).
Dizem que sou de aquário
pois ao sonhar às vezes rio,
a crer que do nosso aguadeiro
florescerá a sinfonia do Amor
que será cantada e amada
em estelares línguas claras.
Porém, confesso: sou um contumaz
devorador de astrólogos à milanesa
regados — é claro— à muita cerveja.
Contudo, lúcido, continuo a declarar
que o Amor não necessita de templos
e que nunca será de pouquíssimos:
pois Beethoven canta no Uirapuru!
À frente
das minhas asas,
dança com graça
a Ilha das Águias...
Lá,
elas procriam...
De lá,
elas vigiam...
De lá,
vêm
o início
e o fim...
Eu vim... de lá!
Pra profetizar, instaurar e mediar
toda a forma de Amar que está ali,
na Estelar Sala de estar e, aí,
dentro do teu Amor, caro Leitor.
Ramiro Conceição em dezembro 2, 2010 4:58 PM
#80
O Assange tem um ponto estratégico a seu favor: se sumirem com ele, ele vai se tornar um mártir. É como no Godfather: "Se um raio cair na cabeça do meu filho, terei de atribuir isso aos senhores".
Só que, nesse caso, se cair um raio na cabeça de Assange, nem vai dar para saber quem foi.
He will be Bach em dezembro 2, 2010 8:05 PM
#81
Jether, #77
"Paulo Werneck, quem decide o que é relevante?"
A sociedade, nós, incluindo todos os setores, reacionários, progressistas, jovens, velhos, etc. Saber se há ou não liberdade de imprensa é saber se a população considera ou não que os fatos que ela entende deverem ser divulgados o são, não se os donos dos jornais tem ou não problema em divulgar aquilo que eles querem divulgar.
Paulo Werneck em dezembro 3, 2010 12:34 AM
#82
Os donos de jornais são parte da sociedade. Eles não têm direito de colocar nos jornais deles o que consideram que aconteceu de relevante no dia?
Os consumidores são parte da sociedade. Não têm direito de comprar o jornal que quiserem?
(Em ambos os casos pode haver erro, tanto por parte do dono do jornal quanto do consumidor, e má-fé também.)
J em dezembro 3, 2010 10:16 AM