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domingo, 19 de dezembro 2010

A busca incansável por um feminismo dócil, ou, não é de você que devemos falar

kollontai.jpgUma das coisas que aprendi sendo amigo e interlocutor de Mary W é que a própria resistência (entendida em sentido freudiano) ao feminismo é um fenômeno sociologicamente interessante, um dado a se estudar, um caso, diria a Mary, com sua sintaxe e seu uso do negrito inconfundíveis. Essa sacada dela coincide com algo que eu lhe disse certa vez durante um chope: quando homens emitem “opiniões” sobre o feminismo, elas não costumam vir embasadas em bibliografia ou sequer em escuta da experiência das mulheres narrada por elas próprias. Arma-se alguma capenga simetria entre machismo e feminismo, decreta-se que “as” feministas são isso ou aquilo e encerra-se o assunto sob viseiras, em geral acompanhado de algum choramingo contra “elas”, que são “radicais” ou “patrulheiras” (confesso que “barraqueira” eu ouvi pela primeira vez esta semana), sem que nenhum esforço tenha sido despendido na escuta do outro, neste caso na escuta da outra. Note-se, por favor (já que malentendido, teu nome é Internet), que não me refiro a uma opinião sobre tal ou qual leitura feminista de tal ou qual texto de Clarice Lispector, mas às emissões de “opinião” sobre o que “é” o feminismo. Essas, invariavelmente, são um desastre.

Essa prática sempre me pareceu espantosa, porque ninguém, nem mesmo um daqueles jornalistas mais caras-de-pau de MOSCOU, se arriscaria a ter “opinião” sobre, digamos, fenomenologia ou hermenêutica sem antes equipar-se minimamente para tanto. Todavia, sobre o feminismo, uma constelação de pensamentos, escritas e práticas políticas das mulheres não menos complexa, multifacetada, ampla e profunda que aquelas duas escolas, e sem dúvida mais influente que ambas, os homens, em geral, e com visível desconforto e pressa, acham que podem ter “opinião”, passar juízo, assim, sem mais nem menos, sem sequer dar um checada nas estatísticas de violência doméstica, estupro ou diferença salarial entre homens e mulheres ou ouvir uma feminista. Não falemos de ler alguma coisa de bibliografia, uma Beauvoir ou Muraro básica que seja. Acreditam sincera e piamente que essa sua atitude não tem nada a ver com o machismo.

Quando esses homens são confrontados por uma feminista, seja em sua ignorância, seja em sua cumplicidade com uma ordem de coisas opressora para as mulheres, armam um chororô de mastodônticas proporções, pobres coitados, tão patrulhados que são. Todos aqueles olhos roxos, discriminações, assédios sexuais, assassinatos, estupros, incluindo-se estupros "corretivos" de lésbicas (via Vange), objetificações para o prazer único do outro, estereotipia na mídia, jornadas duplas de trabalho, espancamentos domésticos? Que nada! Sofrimento mesmo é o de macho “patrulhado” ou “linchado” por feministas! A coisa chega a ser cômica, de tão constrangedora.

Desfila-se todo o rosário dos melhores momentos do sexista: como posso ser machista se tenho mãe, mulher e filha, como posso ser machista se quem passa minhas roupas é uma mulher, como posso ser machista se de vez em quando 'divido' o serviço doméstico com ela, como podem considerar o feminismo um elogio se o machismo é um insulto, por que as feministas ficam nos dividindo, por que as feministas ficam sendo radicais demais e a longa lista de etecéteras bem conhecida das mulheres que têm um histórico de discussão do tema. Os caras sequer são capazes de renovar os emblemas frasais de sua ignorância.

Foi o caso, nestes últimos dias, de alguns dos blogueiros autoidentificados, a partir de um encontro recente em São Paulo, como “progressistas” (não está muito claro de onde vem nem para onde vai esse “progresso” nem em que consiste o “progredir”, mas é evidente que sou ferrenho defensor da primazia da autoidentificação: que cada um se chame como gosta, contanto que me incluam fora desta; este é um blog de esquerda). O progressismo blogueiro é visivelmente masculinista, e que ele reaja com tão ruidosa choradeira ao mero aflorar de uma crítica feminista é só mais uma óbvia confirmação do fato.

O acontecido já foi relatado por Cynthia Semíramis e Lola Aronovich, e só me interessa aqui como sintomatologia do blogueiro progressista que faltou à aula em que o feminismo explicava em detalhe como o pessoal está imbricado com o político, como a apropriação e a simultânea desqualificação do trabalho das mulheres têm sido componentes históricos de uma hierarquia de gêneros que se impõe com tremenda brutalidade. O blogueiro progressista provavelmente nem notou que o Jornal Nacional mais uma vez se permitiu comentários sobre a aparência de Dilma que jamais se permitiria sequer sobre Lula. Mas a Marjorie Rodrigues notou.

Uma das características do masculinismo progressista é sua tremenda dificuldade em entender a lição de Ana que, escrita num contexto de discussão do racismo, também se aplica aqui: não é sobre você que devemos falar. Não é sobre seu umbiguismo, não é sobre seu desconforto, não é sobre a sua necessidade de que as feministas sejam dóceis (ou não “divisionistas”) o suficiente para que possam carimbar e avalizar o seu tranquilizador atestado de boa consciência. Pra isso o Biscoito Fino e a Massa recomenda outra coisa: psicanálise freudiana. No Brasil de Lula e Dilma, já não é coisa tão cara, pelo menos para a maioria dos que leem esta bodega.

O progressismo blogueiro refletiu pouco, me parece, sobre como até suas referências a si próprio estão encharcadas de sexismo. O encontro progressista em São Paulo (que contou com interlocutores e amigos meus, que foi uma bela iniciativa à qual fui convidado, e a cuja continuação eu desejo sucesso) foi, em várias ocasiões, apresentado por seus principais protagonistas, quase todos homens, como “o” encontro de blogueiros, “o primeiro encontro” nacional, “a primeira grande” reunião.

Ora, o que isso tem a ver com o sexismo?

O progressismo blogueiro formado por homens jornalistas oriundos da grande mídia ou pautados por ela desconhece tanto a história de blogolândia que, como diria Macedonio Fernández, se a desconhecesse um pouquinho mais, já não caberia nada. Isso não seria problema se ele não tivesse a pretensão de falar em nome de uma totalidade "progressista". A primeira pessoa levada a um portal por seu trabalho em blogs foi uma mulher, Daniela Abade. A primeira vez que em um livro foi vendido via blogs aconteceu também num blog feminino, o Udigrudi. Talvez a mais massiva troca de experiências e formação de comunidade num livro de visitas de blog ocorreu pelo trabalho de duas mulheres feministas. Refiro-me ao Mothern de Laura Guimarães e Juliana Sampaio, que também representou a primeira vez em que um blog virou série de televisão. A mais longeva comunidade blogueira em atividade na rede provalvemente é a do imperdível Drops da Fal. Cynthia Semíramis, a feminista cujo texto-resposta foi recusado no espaço que transformou “feminazi” em post, tem mais história na rede que qualquer das lideranças masculino-jornalístico-progressistas (é coautora, por exemplo, de um texto clássico sobre a questão jurídica na internet). De Marina W a Cláudia Letti a Meg Guimarães, há uma história de pioneirismo de mulheres em blogolândia que se deveria conhecer com mais interesse e humildade, se é que a palavra "progressista" vai preservar ainda um farrapo de relação com alguma experiência que possa ser chamada de emancipatória.

Confesso que sinto um pouco de vergonha alheia quando vejo blogueiros progressistas referindo-se ao seu (notadamente importante, sublinhe-se) encontro como “o” encontro de blogueiros ou como “a primeira” reunião ou a si próprios como “os” progressistas. Tudo isso enquanto ignoram completamente a história que lhes precede, na qual o protagonismo feminino é indiscutível. Na história que lhes é contemporânea, o protagonismo feminino não é nada desprezível tampouco, mas também a ignoram.

O jornalismo masculino progressista não apenas desconhece essa história. Ele não parece interessado em conhecê-la, não suspeita que familiaridade com ela problematizaria alguns elementos de sua prática. Fazendo tantas referências adâmicas a si próprio, contribui para a invisibilização e o silenciamento da história de blogolândia construída pelas mulheres. Daquele jeito convicto bem próprio dos ignorantes em denegação, o blogueiro jornalista-progressista jura que isso que não tem nada a ver com o machismo. Provavelmente ele não também não se perguntou se essa invisibilização terá algo a ver com vícios oriundos de 100 anos de um modelo em que jornalistas, quase sempre homens, falavam, na maioria das vezes sobre assuntos que domina(va)m assombrosamente mal, e leitores e leitoras recebiam calados.

Caso o jornalismo blogueiro masculino progressista tenha inteligência, humildade e decência, escolherá escutar o que sobre o feminismo disseram as próprias feministas. A bibliografia não é exatamente pequena. Sempre se pode começar com O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, passar à Mística Feminina, de Betty Friedan, chegar a Problemas de Gênero [pdf], de Judith Butler, escolhendo, no caminho, mil outras veredas possíveis. Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria enintitulada "sistemas duais", que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes). Essa polêmica está apresentada num livro de Michelle Berrett, intitulado Women's Oppression Today, que seria uma ótima pedida traduzir. De Patrícia Galvão a Rose Marie Muraro, é possível informar-se, um pouquinho que seja, sobre a história no Brasil.

Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo, mas quando se trata de aprender a escutar, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca.


PS: A primeira oração do título é tirada de um texto de Paulo Candido. A segunda é tirada de um texto de Ana Maria Gonçalves. Na foto, Alexandra Kollontai, líder feminista da Oposição Operária russa da década de 1920 (daqui).

PSTU: Registro com alegria e gratidão que passei a fazer parte da seletíssima lista de recomendações do Blog do Sakamoto. Obrigado, Leonardo, a quem leio há tempos.

PSTU do B: O grupo que chamo neste texto de jornalismo blogueiro masculino progressista inclui desde amigos queridos e/ou pessoas que genuinamente admiro até pessoas com a qual tenho interlocução protocolar, com variados graus de interesse, até pessoas a quem não costumo ler. Ao contrário do que sempre faz este blog quando discorda de alguém, desta vez o grupo vai nomeado assim, no abstrato, sem links nem nomes, não porque ele seja homogêneo, mas porque, afinal de contas, não é de você que devemos falar.


Atualização em 21/12: Como toda polêmica, esta terá valido a pena se bons textos tiverem sido produzidos e posições tiverem sido explicitadas, reveladas. Tentando manter fidelidade ao subtítulo do post, recomendo os posts de Renata Winning, Niara de Oliveira, Lola Aronovich e Cris Rodrigues.



  Escrito por Idelber às 04:59 | link para este post | Comentários (257)


Comentários

#1

Não sou uma ativista, mas me considero feminista desde que me conheço por gente, pois nunca admiti ser tratada diferente de um homem, fosse em casa, com meus irmãos mais novos usufruindo de menos responsabilidades e maiores privilégios (brigas intemináveis com minha mãe), fosse no meu primeiro casamento, onde ouvi do meu então marido "Vc não tem que pensar. Eu mando e você obedece" (e cerca de três meses depois disso mandando o machistazinho passear), fosse nas minhas decisões de vida, que sempre priorizaram a busca pela independência como a única base para uma vida satisfatória e para relacionamentos saudáveis. Minha sogra é uma mulher fantástica, que ganha mais que o marido até hj e é a mão forte da casa, e criou meu marido (esse não é de maneira alguma machista, muito pelo contrário, tem a cabeça muito mais aberta que muita mulher que se acha feminista) e cunhada com as mesmas medidas e pesos, que é como crio meus filhos (um menino e uma menina). Porém, algumas situações ainda me deixam chateada, e acompanhar a discussão feminista-feminazi me ajudou a enfrentar pelo menos uma dessas situações que ocorre com um colega de trabalho que não se conforma com meu jeito "rústico" de ser. Na verdade, acho que poucos se conformam, mas esse não consegue se conter. Sempre tem uma piadinha (sem-graça, diga-se de passagem)pronta, uma crítica na ponta da língua ou alguma frase pra fazer eu me sentir mal por não ser toda sorrisos e delicadeza, como se espera de uma mulher. Até bem pouco tempo atrás eu me chateava bastante com isso, e pensava que realmente a culpa era minha (olha aí a velha técnica machista de invalidar comportamentos indesejáveis funcionando, minha gente), como se eu fosse realmente obrigada a ser simpática, boazinha, delicada e sorridente mesmo quando meu interlocutor fosse um porre ou eu simplesmente não estivesse a fim de sê-lo. Meu colega fazia duras críticas, raramente baseada em fatos, a meu posicionamento político, muitas vezes de maneira preconceituosa e com a clara intenção de tornar ilegítimo qualquer argumento meu. Semana passada, numa dessas discussões eu disse a ele de maneira bem humorada, mas incisiva, que eu era tão rústica quanto ele próprio, e que eu merecia na verdade um desconto e não uma crítica, pq eu sofro de TPM e ele não. Ele desmontou. Não acredito que terei paz a a partir de então, mas consegui trazer a discussão para uma arena mais justa, aquela que diz "direitos iguais". Vários homens têm pavio curto ou são moderadamente amigáveis no trato com os outros, mas quando uma mulher assume esse mesmo comportamento causa estranheza e duras críticas. O problema é que nós ainda nos culpamos quando somos rotuladas como as "barraqueiras", as "brabas", as "rústicas". Eu só tenho a agradecer por hj existirem os blogs humanistas, esquerdistas, progressistas, e tantos outros que nos levam a refletir, pensar de maneira crítica e questionar o modo de as coisas e relacionamentos funcionarem, buscando alternativas justas e humanas para aquilo que já não serve mais.

Anitcharangel em dezembro 19, 2010 9:38 AM


#2

Mino há tempos disse que a “os donos da imprensa se odeiam porem se unem quando se sentem ameaçados”. Posteriormente formalizaram a união no encontro do Instituto Millenium.
A polemica radical que serve para distinguir as diversidades (tanto quanto cada um que opina), na minha opinião (nova portanto) a afasta da verdade, equilíbrio, convivência, convergência, união enfim. Então são duas uniões. Os donos da midia e a dos blogueiros. Ao encontro compareceram mais de 300 blogueiros ou não, progressistas ou etc.
Bem não nos odiamos e a nossa união é indescritível em termos de velha midia. Cada um que sai da caverna vê a luz de forma diferente. Nos une uma luz. A cor branca resulta da união das sete cores do arco Iris. Desfrutar portanto. Minha índole é diplomática, entretando dou graças aos que polemizam para realçar como as vezes acontece na internet. Preservemos a nossa união de cooperação já que eles se odeiam por competição.

Luiz Monteiro de Barros em dezembro 19, 2010 9:53 AM


#3

Fiquei matutando um tempão sobre a autodesignação "blogosfera progressista".

E convergi numa única hipótese: colocaram "progressista" por falta de opção. Por ser um termo vago o suficiente, pouco "comprometedor".

Tascaram "progressista" porque ou 1) tem pudor em se declarar "esquerda" e se aproximar de "cupinchas esquerdistas", ou 2) não se fiam no primado da luta de classes e, portanto, não acreditam em direita x esquerda como propulsão da história.

Afinal, os "progressistas" se sentem tããããoo acima dessa briga esquerda x direita.

Então "progressista" é isso mesmo: qualquer coisa de pudico.

Bruno Cava em dezembro 19, 2010 10:00 AM


#4

"Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo", hahahaha! Vou mandar fazer camiseta, Master.
De resto, obrigada. Por me colocar no rolo e por falar desse lance de progressista, que isso tava me dando nos nelvos faz tempo.
beso

Fal em dezembro 19, 2010 10:38 AM


#5

Lindo esse post. É esse o ponto: critica-se sem saber nada. Até outro dia eu não tinha feito nenhuma leitura feminista, mas sou mulher e sei o que é ser vista com condescendência, a "café-com-leite". Tive a sorte de não ter uma educação especialmente machista, mas o machismo está aí, me afetando todos os dias. Daí vem o cara que não leu nada, não sentiu nada na pele, querer determinar como e porque posso me revoltar e ainda diz que não é machista? Aham, senta lá.

Iara em dezembro 19, 2010 10:43 AM


#6

1-) Olha, acho que usar um termo popularizado por Rush Limbaugh em blogs "progressistas" é de doer.

2-) Na boa, parte do problema não seria que muitos dos blogs conhecidos escritos por mulheres são escritos pensados em mulheres? Acho a Lola Aaronovitch fantástica, mas parece que estou invadindo um espaço alheio toda vez que leio o blog dela. : P

André Kenji em dezembro 19, 2010 10:47 AM


#7

Idelber, meus parabéns. Não é sempre que concordo com vc, mas desta vez estou aplaudindo de pé.

Essa história do "machismo progressista", ao menos pra mim, tem um lado positivo: sempre recusei o rótulo de feminista por não me identificar com algumas correntes feministas, que eu sempre critiquei. Eis que agora estou deixando de lado esse tipo de discordância pra me perfilar ao lado das feministas. Como diz a @letrapreta, um dia eu saio do armário, hehehe

Mais uma vez, meus parabéns

Flavia (@ladyrasta) em dezembro 19, 2010 10:50 AM


#8

Parabéns pelo excelente texto!
Não sou esquerda, não sou progressista, não me considero feminista nem tampouco machista.

Mas sou mulher. E com um nível mediano de QI, conjugado a uma estética razoavelmente satisfatória.

Além disso, tenho um gênio extremamente competitivo, provavelmente por ser a caçula de uma família de cinco.

O resultado da união dessas três características?

- já sofri assédio sexual e moral tantas vezes que perdi a conta;

- já sofri abuso sexual e escapei por um milímetro de ser estuprada;

- já ouvi comentários sobre minhas promoções profissionais como "quem está comendo?";

- idem por ter sido a melhor aluna da faculdade;

- já fui preterida em cargos estratégicos porque os funcionários do sexo oposto abaixo de mim se sentiriam ofendidos com isso;

- já fui ridicularizada e humilhada em sites e blogs ao tecer comentários contrários aos posts, com frases como "volta pra novela", "você deve ser é mal comida", "sua gorda" (esse é hilário, sendo que passei minha vida fazendo regime pra engordar...rs) e, tenho certeza, não foi por serem comentários estúpidos ou sem sentido.

Eu não sou intelectual. Sou atrevida o bastante para dar pitacos em assuntos tão variados como a adoção de animais até o Wikileaks. Ou seja, sou como todo mundo.

O que me incomoda é, só pelo fato de pertencer a um gênero específico, não importa o quanto inteligente, amiga, generosa, divertida eu possa ser. Sempre serei primeiro rotulada por essa minha condição de ser mulher (que adoro, destaco) e, por ela, passar por esse tipo de situação e, quando reclamo, ainda ser tachada de "feminazi".


Respeito. É uma palavra tão pequena e mudaria tudo isso. Concorda?

Abraço e, mais uma vez, parabéns!

Adriana Torres em dezembro 19, 2010 11:34 AM


#9

Excelente, Idelber. Acho ótimo que blogueiros homens falem sobre feminismo, porque um dos sintomas do machismo (assumido ou - no caso dos blogueiros progressistas - definitivamente não assumido) é que uma mulher escrevendo ou falando exatamente a mesma coisa não será recebida com a seriedade que um homem. Ou seja, torço para que os blogueiros progressistas leiam este post (e o do Paulo lá embaixo, e o do Alex), que reconheçam sua ignorância (no sentido de não saber absolutamente nada sobre feminismo, ou é sério que eles se consideram experts neste assunto também?), que queiram aprender, que entendam que realizar encontros ou entrevistas com presidente lixando-se pra participação de blogueirAS, e blogueiros negros, e blogueiros gays, é sim um problema sério de exclusão, que não condiz com a bandeira "progressista".
Este chororô causado pelo post do Paulo nos comentários me impressionou. Foi um tal de blogueiro homem entrar pra dizer que não gosta de feministas e que elas são antipáticas, e quase que imediatamente revoltar-se com as respostas, pra "provar" que, de fato, feminazis existem e homens brancos são as verdadeiras vítimas na nossa sociedade. E o umbiguismo é tão grande que eles, do alto do seu privilégio, parecem nunca ter ouvido falar na frase "It's not about you". Entendam: vcs não são os protagonistas sempre. Lidem com isso. Tentem mudar o foco de vez em quando.

André, ué, tenho certeza que a enorme maioria dos blogueiros homens escreve pensando em leitorES, não leitoras. Então por que uma blogueira não pode escrever pensando nas leitoras? Ainda assim, tenho vários leitores homens (não sei quantos, tá na hora de fazer outra enquete, provavelmente uns 35%). Muitas vezes uso o feminino, considerando que leitoras são a maioria. Agora tô usando mais o @, como "vcs estão incomodad@s". Mas na realidade acho bom que cause estranhamento. Mulheres são treinadas pra não estranhar que, por exemplo, no caso da Natura ter despedido 39 funcionárias e um funcionário com LER, diga-se "40 funcionáriOS foram demitidOS". Mas é só uma blogueira dizer "Sejam bem-vindas" pra leitores sentirem-se excluídos. A linguagem exclui as mulheres toda hora. Taí um bom ponto de partida pros blogueiros progressistas refletirem.

Lola em dezembro 19, 2010 11:43 AM


#10

Lola,

no meu site de escritor, na primeira página, eu tb dizia "bem-vindAs".... e vc não sabe a quantidade de gente q reclamou, se sentindo excluidOs....

alex castro em dezembro 19, 2010 11:56 AM


#11

Lola

1-) Eu juro que tento fugir de temas que ofendam mulheres. Embora muitas o tenham feito.

2-) Não falo do uso de "bem vindas" nem o diabo. Falo em temática. Será que toda blogueira na internet PRECISE ser feminista? Nos EUA você tem ótimas blogueiras feministas, mas também tem blogueiras como Ariana Huffington ou Ana Maria Cox com bastante fãs entre homens.

André Kenji em dezembro 19, 2010 12:23 PM


#12

Idelber, beleza de post! E a junção dos títulos dos textos do Paulo e da Ana foi na mosca: é preciso romper o moto-perpétuo desse mimimi.

Cleber em dezembro 19, 2010 12:30 PM


#13

Vou insistir num ponto que acho estar sendo ignorado. Embora seja fundamental dar uma aula para alguns acerca do feminismo, não está se discutindo com mais afinco o modo como o Nassif e alguns blogueiros estão tentando abafar críticas, caricaturar pontos de vista divergentes dos seus.

Para mim isso é um pouco mais grave, porque qualquer que seja o assunto abordado, feminismo, racismo, políticas sociais ou jogo de peteca, quando há esse tipo de postura que trata as discordâncias como se fossem tautologicamente ridículas fere-se, dissimuladamente, a liberdade de expressão.

Vou agir como "patrulheiro" mesmo e pedir para você, Idelber, me dar alguma atenção e se posicionar a respeito disso. O Rovai, que saiu em "defesa" do Nassif, me tratou com desdém parecido com o que vale-se de expressões como "barraqueiras", "mulher braba".

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/12/13/nem-bloco-homogeneo-de-feministas-nem-quadrilha-de-blogueiros-progressistas/comment-page-1/#comment-21521

Ele confunde liberdade de expressão com inconseqüência, com blindagem dos emissores.
Age como a velha mídia com sua "liberdade de imprensa", que veste de autoritarismo qualquer reação às contradições, aos equívocos, bem como aos abusos e má-fé.

Abraços.

Euclides F. Santeiro Filho em dezembro 19, 2010 12:44 PM


#14

Eu acho é que estamos diante de um primoroso estímulo ao sectarismo.

Porque está parecendo:

1) que não se pode questionar o episódio do 'feminazi' sem ter o certificado de 'iniciado no feminismo'.

2) aparentemente, é inconcebível afirmar que existam posicionamentos radicais (no sentido vulgar) dentro do feminismo...

3) em que pese na própria caixa de comentários se se veja afirmações que parecem indicar uma visão de feminismo como um machismo com sinal trocado.

4)Calma meu povo. Esse episódio já está se tornando francamente contraproducente.

Rodrigo Saraceno em dezembro 19, 2010 1:47 PM


#15

Euclides, muito boas algumas das coisas que vc comentou no blog do Rovai. Pessoalmente, acho que o "momentum" do caso Nassif vs feministas passou (já na segunda-feira eu tinha essa impressão). Ele deixou claro que não acredita em pedir desculpas. Os blogueiros que o defenderam tb deixaram clara sua posição - pra mim, sem comprovação - de que "houve excesso dos dois lados", e chegaram à conclusão de que Nassif foi a única vítima e que ele está acima das críticas, por conta de todos os serviços prestados ao jornalismo. Bom, são posições. Obviamente discordo delas.
Entendo o que o Idelber quis fazer, que foi tirar a discussão do escopo (limitado e datado) do caso Nassif e escrever um post mais geral e didático, educativo mesmo. Acho muito válido. Afinal, o caso Nassif já passou, mas suas causas continuam bem vivas. E, se não houver uma certa vontade dos blogueiros progressistas em aprender, em olhar pros lados, no próximo encontro de blogueiros ou na próxima entrevista com presidente, teremos, mais uma vez, apenas homens brancos participando. E chamando de oportunistas qualquer um(a) que ouse criticar o óbvio. Porque gente, É óbvio. Só não vê quem não quer.

Lola em dezembro 19, 2010 1:52 PM


#16

Do blog do Nassif: A nova blogosfera e o episódio com as feministas

"(...) É nesse contexto que surge o episódio das "feminazi" – o problema com as feministas decorrente da publicação de um post com a palavra depreciativa.


É um bom momento para analisar erros, fazer auto-crítica e permitir uma definição mais clara sobre o papel de cada ator no universo da blogosfera.


Primeiro, vamos aos mal-entendidos


Publiquei o comentário sem atentar para o significado da palavra "feminazi". Até aí, acontece. Duas feministas de bom nível me enviaram emails solicitando o contraponto. Em viagem, não os li. Só dias depois, alertado, localizei os emails. Mas aí a fogueira já tinha se alastrado.


A falta de resposta foi interpretada pelas feministas como descaso. A reação foi agressiva, compreensível para quem julgava que eu estaria minimizando sua indignação. Como, de minha parte, não conhecia o que estava por trás dos ataques, não compreendi, fiquei perdido, no início, e irritado na sequência. Mas, por enquanto, tudo no reino da chamada confusão informacional.


Aí começaram a surgir os erros de minha parte.


Primeiro erro, julgar o todo pela parte – no caso, imaginando que o movimento feminista tivesse a cara de uma delas, especialmente agressiva e desagradável. Com sua agressividade, "exigindo" retratação, me deixou amarrado. Qualquer explicação, tentando desmontar o imbróglio, significaria o recuo com faca nas costas.


Besteira minha, julgar que ela fosse a cara do movimento – e não era.


O segundo erro foi o de publicar no Blog twitters agressivos de algumas pessoas empenhadas em "detonar", personalizando os ataques sofridos. Às pessoas atingidas, peço desculpas.


O terceiro erro foi, no fragor da batalha, publicar o comentário de uma leitora mostrando as tendências políticas às quais pertenciam algumas das moças que me atacaram. Aí virou um forrodobó, um terreno movediço no qual não deveria nunca ter entrado. Aliás, um terreno que me fez desistir da militância sindical nos longínquos anos 80. (...)"

Igor em dezembro 19, 2010 2:00 PM


#17

Do blog do Nassif: A nova blogosfera e o episódio com as feministas

"(...) É nesse contexto que surge o episódio das "feminazi" – o problema com as feministas decorrente da publicação de um post com a palavra depreciativa.


É um bom momento para analisar erros, fazer auto-crítica e permitir uma definição mais clara sobre o papel de cada ator no universo da blogosfera.


Primeiro, vamos aos mal-entendidos


Publiquei o comentário sem atentar para o significado da palavra "feminazi". Até aí, acontece. Duas feministas de bom nível me enviaram emails solicitando o contraponto. Em viagem, não os li. Só dias depois, alertado, localizei os emails. Mas aí a fogueira já tinha se alastrado.


A falta de resposta foi interpretada pelas feministas como descaso. A reação foi agressiva, compreensível para quem julgava que eu estaria minimizando sua indignação. Como, de minha parte, não conhecia o que estava por trás dos ataques, não compreendi, fiquei perdido, no início, e irritado na sequência. Mas, por enquanto, tudo no reino da chamada confusão informacional.


Aí começaram a surgir os erros de minha parte.


Primeiro erro, julgar o todo pela parte – no caso, imaginando que o movimento feminista tivesse a cara de uma delas, especialmente agressiva e desagradável. Com sua agressividade, "exigindo" retratação, me deixou amarrado. Qualquer explicação, tentando desmontar o imbróglio, significaria o recuo com faca nas costas.


Besteira minha, julgar que ela fosse a cara do movimento – e não era.


O segundo erro foi o de publicar no Blog twitters agressivos de algumas pessoas empenhadas em "detonar", personalizando os ataques sofridos. Às pessoas atingidas, peço desculpas.


O terceiro erro foi, no fragor da batalha, publicar o comentário de uma leitora mostrando as tendências políticas às quais pertenciam algumas das moças que me atacaram. Aí virou um forrodobó, um terreno movediço no qual não deveria nunca ter entrado. Aliás, um terreno que me fez desistir da militância sindical nos longínquos anos 80. (...)"

Igor em dezembro 19, 2010 2:02 PM


#18

Ops... Postei duas vezes a mesma coisa. Barbeiragem minha. Foi maus aí pessoal!

Igor em dezembro 19, 2010 2:04 PM


#19

Alex, eu li o post em que vc fala dessa estranheza. Legal fazer com que os homens se sintam excluídos uma vezinha só.
André, mas quem disse que toda blogueira na internet precisa ser feminista? A maior parte não é. Semana passada o Estadão publicou uma reportagem sobre blogueiras que fazem grande sucesso com seus blogs de moda e maquiagem. Pra velha mídia, é só esse tipo de blogueira que existe, as que abordam a mesma temática que os jornais destacam em seus cadernos femininos (e nada contra essas blogueiras, quero deixar claro. Só que seria bom a velha mídia perceber que nem todas as blogueiras escrevem sobre moda, cabelo e culinária). Da parte da "nova" mídia, da blogosfera progressista, digamos, blogueiras (qualquer uma, seja ou não feminista) são ignoradas. É como se não existíssemos. Agora, depois dessa confusão toda, talvez não sejamos mais ignoradas. Agora somos francamente inconvenientes, brabas, oportunistas, chatas...
Quanto à temática do meu blog, eu escrevo pelo menos um post feminista por semana. Tento também publicar dois posts de cinema toda semana, alguma coisa de humor, um post de política partidária, algo contra racismo e homofobia, algo mais pessoal, um guest post (sobre temas bem diferentes), e por aí vai, bem variado mesmo, e com postagens diárias. Mas meu ponto de vista é o meu, de uma mulher feminista, hétero, de esquerda. Não tenho como, e nem quero, fugir disso. Eu preciso deixar de ser eu pra atrair mais leitores homens?

Lola em dezembro 19, 2010 2:09 PM


#20

Lola (#15),

Especificamente com relação à entrevista com o Presidente, li em vários lugares que foram convidadas quatro mulheres, mas que motivos diversos somente uma pode participar enquanto outra mandou um substituto homem. Procede?

Igor em dezembro 19, 2010 2:09 PM


#21

Idelber, só tenho uma coisa a dizer, você arrasou.
Realmente é raríssimo que um homem se manifeste sobre o feminismo com lucidez, ou pelo menos façam esforço. Tenho que lhe dar valor.
E não vejo hora melhor para essa conversa do que agora, duas semanas antes do Brasil dar posse para a primeira mulher presidenta.

Jac em dezembro 19, 2010 2:10 PM


#22

Car@s, não milito na esfera feminista nem nada, mas me causou espécie esse trecho da "retratação" do Nassif:
E, agora, o que julgo terem sido os erros das feministas.
O primeiro, o de permitir que as feministas mais agressivas assumissem o controle da reação. Sei que as mais bem preparadas tendem a ter um perfil mais maduro e discreto, não gostando de se envolver em quiproquós. Mas, para os usuários do Twitter, a cara do movimento passa a ser a das extremamente agressivas.

"mais maduro e discreto?"... de preferência usando colar de pérolas e tomando chá à tarde, imagino. Porque não pode é discutir, se posicionar, "se envolver em quiproquós". Isso lá é retratação de alguma coisa?

Renata Lins em dezembro 19, 2010 2:22 PM


#23

e....mais uma vez a emenda fica pior que o soneto...rsrsrs

Reconhecimento tardio do Nassif, mas, mesmo assim....reconhecimento (oxalá seja)....antes tarde que mais tarde....

Leio Mary por conta de sugestões/links de Cacarecos da Marta e ainda por conta de Sociedade Brasilis....pois li/ debati BBS e afins.....Mary é uma das melhores coisas da blogosfera....

Leio Marta Bellini e Ozaí pois estudei na UEM e eles são/foram/serão (dúvidas no caso da Marta) refências.....

Lendo aqui cheguei à Lola...
Caí aqui por conta das campanhas políticas....e os tais blogs progressistas.....tomara fossem TODOS de esquerda mesmo...mas, enfim, é o que tem pra hoje....

E quer saber?

As postagens sobre Lobato e sobre esta polêmica em relação ao feminismo (falta de igualdade, na verdade) desde a entrevista de Lula aos blogueiros passando por este rolo com o Nassif foram, pra mim, as melhores coisas deste ano na rede....

então: brigada Ilderber, Lola, Ana e cia....
brigada mesmo....

No mais...vida que segue...

Ana Paraná em dezembro 19, 2010 2:39 PM


#24

Marta e Ozaí - * referências

Ana Paraná em dezembro 19, 2010 2:43 PM


#25

Errata dois: brigada *Idelber

Ana Paraná em dezembro 19, 2010 2:47 PM


#26

Idelber, é isso. Uma hora isso precisava ser dito. O que aconteceu ao longo desses dias foi qualquer coisa desmedido. Pior do que o começo, foi a continuação. Espero que essa cutucada por um pouco de humildade, atenção e respeito surta efeito, porque precisamos disso.

Hugo Albuquerque em dezembro 19, 2010 3:22 PM


#27

Freud talvez tomasse esse texto para estudos. Ele é genérico na pretensão e direto na intenção.

João Maurício em dezembro 19, 2010 3:45 PM


#28

Vou me permitir só agradecer os comentários genericamente, porque foi punk o batente da produção deste post--feito numa viagem de ônibus, de madrugada, entre BH e Três Corações.

Lady Rasta, bem, contando com este, com o da Marina, com o papo no Buzz, qualquer dia desses estamos concordando em 70% ;)

Eu vi que o Nassif publicou um post intitulado "A Nova Blogosfera ... ". Eu não me senti aludido, claro, pois estou na rede desde outubro de 2004;)

Mas vi que ele publicou um email meu a ele, pessoal, sem minha autorização. Alguém páre a fábrica de emendas ao soneto, faça o favor.

Não se pode dizer "duas feministas de bom nível me escreveram" e continuar sem entender por que foi/está sendo chamado de machista. Não é possível.

Mas posto que o Nassif fala de lealdade, deixe-me definir meu conceito de lealdade na rede: 1. explicitar publicamente discordâncias sempre que se tratar de coisa pública, ou seja, post publicado na rede, por exemplo; 2. não reproduzir posts sem crédito e link; 3. não publicar informações pessoais de ninguém em meio a polêmicas, tipo lugar onde fulana trabalha etc.; 4. Jamais publicar correspondência privada passiva sem autorização de quem escreveu. 5. Jamais "baixar o nível" numa polêmica falando da vida pessoal de ninguém.

Então, que as leitoras e os leitores julguem por si. Bom domingo.

Idelber em dezembro 19, 2010 4:22 PM


#29

Tem cada um que, vou te contar, parecem dois. Começou com um comentário que trazia a expressão "feminazi". Notou-se o bom nível dos argumentos para o comentário ser destacado como post.

Com alguns cuidados de não atribuir à Dilma uma suposta postura "feminazi", o comentador noticiava que homens também são apedrejados no Irã. E a Dilma, na entrevista ao Washington Post, condenou o apedrejamento de mulheres.

O sujeito, talvez porque imagina que vivemos num Brasil isonômico, condenava a pena de apedrejamento... para mulheres e homens no Irã. Como se homens e mulheres no Irã fossem alvo de barbaridades na mesma medida. E como se alguém pudesse admitir que homens continuariam a ser apedrejados na hipótese de uma mulher não mais sê-lo.

Além do argumento ruim, os fatos estão contra o sujeito. Olha só (via Estadão):

"As mulheres são mais propensas a ser acusadas de adultério no Irã porque elas não podem requerer o divórcio, ao contrário de seus maridos, que podem o fazer quando estiverem insatisfeitos. Além do homem ter o direito de se casar com cinco mulheres, ele também pode manter relações sexuais com uma mulher solteira por meio do "casamento temporário".

Essa opção legal não existe para as mulheres, que só podem ter relações dentro do casamento, mesmo após a morte de seu marido. Assim, se uma mulher se relacionar com outro homem, e ainda não for casada com ele, mesmo sendo viúva, como Sakineh, estará cometendo o crime de adultério.

As mulheres também são desfavorecidas na própria aplicação da pena. Em alguns casos, se o condenado a apedrejamento conseguir escapar durante a execução da sentença, pode ser libertado. No entanto, o artigo 102 do Código Penal Islâmico iraniano determina que os homens que serão apedrejados devem ser enterrados até a cintura, ao passo que as mulheres devem ser cobertas até a altura do peito, o que dificulta a sua fuga.

Enfrentar a Justiça é outro desafio para as mulheres iranianas. Em Estados onde o apedrejamento é previsto na lei, o adultério precisa ser provado na corte por quatro testemunhas oculares apenas homens ou três homens e duas mulheres. O crime também pode ser provado por meio de quatro confissões separadas do acusado perante o juiz.

O artigo 105 da lei iraniana, no entanto, prevê que uma pessoa pode ser condenada por adultério com base na "intuição" ou "conhecimento" do magistrado responsável pelo caso, o que dá brecha para julgamentos arbitrários. Sakineh foi condenada por adultério com base no "conhecimento" de três juízes".

Fábio Carvalho em dezembro 19, 2010 4:43 PM


#30

Sinceramente?? É muito bom ver os ditos "progressistas" mostrarem o universo limitado do qual se negam fazer parte. Um Nassif, muito competente e com todo seu mérito, também pode ser um machista, sim! E ae? Como é que fica? Máscaras sempre caem, rs.

Cristiane em dezembro 19, 2010 4:45 PM


#31

Idelber,

se não me engano tinha alguém dizendo que não entendia o paralelo entre racismo e sexismo. Falta Foucault e Lacan na vida. O racismo e o sexismo, para além das causas estruturais, é a incapacidade de suportar o gozo do outro. É querer adequar o outro a sua forma de vida. Bom, daí também a homofobia, etc. Enquanto acharmos que o outro é subdesenvolvido (atrasado) e tentarmos desenvolvê-lo (progresso) a nossa maneira, teremos essas formas perpetuadas. Foucault dizia que o racismo é o corte que permite escolher quem deve viver e quem dever morrer e acrescenta que essas formas de morte se expandem para o silêncio, a opressão, a exclusão, etc. Para mim, é uma visão excelente do estado das coisas porque mostra também como esses micro-fascismos estão grudados em nós, nas nossas perspectivas de mundo. Muito bom o post, como sempre. Um beijo

Flávia Cera em dezembro 19, 2010 4:45 PM


#32

Mas o post do Nassif não deixa de ter seu lado cômico: Nosso Eduardo Guimarães, por exemplo, foi o primeiro a se valer da militância digital, criando eventos com repercussão e acima das tendências políticas.

É impressionante a ignorância. O que faziam na rede Hernani Dimantas, Rossana Fischer, Marcelo Estraviz, Cris Fernandes e Manoel Fernandes (Novae), bem antes de 2002-03, em alguns casos desde 1999, muitos anos antes de que se iniciasse o bom blog do Eduardo Guimarães? Não era "militância digital" de "eventos com repercussão" e "acima das tendências políticas"? Ou Nassif não sabe quem eram aquelas pessoas e o que elas faziam?

Aí chega o jornalista que conhece pouco a história dos blogs no Brasil e diz "E.G. foi o primeiro a..." e fica por isso. E muitas pessoas começam a repetir. Se alguém o corrige publicamente -- porque afinal ele o disse publicamente, não num email privado --, está faltando com a "lealdade"? Ora, não é assim que a banda toca.

Idelber em dezembro 19, 2010 4:50 PM


#33

teoricamente falando. eu to com imensa dificuldade de entender pq o feminismo ou o movimento feminista teria espaço dentro de um quadro qualquer de esquerdismo ou progressismo ou whatever. sem qq pretensao de ser blasé ou fazer a linha galvao, eu ja sabia. me parece bem obvio que o alinhamento nao é automatico. entao to com dificuldade de montar uma linha de raciocinio pq à indignaçao quanto ao uso do termo feminazi, o que me vem na cabeça é "mas, ué, pq nao usaria?". eu fui até dar uma olhada num livro da quartim de moraes sobre a atuaçao da esquerda dentro do movimento. e ela é bem clara quanto a isso. a atuaçao da esquerda é machista, EXCETO o PT, que considera que o movimento deve se manter autonomo e evitar institucionalizaçao. nem me parece uma posicao feminista essa, mas é considerada ok pq as outras eram estapafurdias. enfim. isso nao tem nada a ver com o post. mas eu fiquei lembrando do 2o Congresso da Mulher Paulista, que é considerado o racha das feministas com a esquerda. eu acompanhei bastante esse embrulho feminazi todo, e desisti de palpitar. e nao tem a ver, mas eu lembrei e acabei lendo o livro de novo. etc. blablabla.

mary w em dezembro 19, 2010 4:53 PM


#34

eu fiquei mesmo emocionada de vc usar o verbo "aprender" antes do meu link. verdadeiramente. pode colocar um "ensinar" depois do seu. obrigada você. :*

mary w em dezembro 19, 2010 4:55 PM


#35

Quando eu li "Falta Foucault e Lacan na vida", pensei: na verdade falta mesmo é Fourier pra filtrar esse ruído todo!

Helena em dezembro 19, 2010 5:08 PM


#36

Parabéns pelo ótimo texto, Idelber.
Para lá (ou para cá) do meramente episódico, isso tudo teve o dom de trazer à tona essas questões mal resolvidas e colocá-las em discussão.
Nada como a eleição da primeira presidenta do Brasil e o que isso tem a ver com nossas opiniões e visões de mundo, que consideramos tão "nossas", pessoais e transferíveis...

Jair Fonseca em dezembro 19, 2010 5:08 PM


#37

Idelber,

O pior é que depois de tudo, ainda faltaram links.

Hugo Albuquerque em dezembro 19, 2010 5:19 PM


#38

tal qual ocorre com os clubes de leitura desse blog, não me utilizarei da carta do "não li o post nem acompanhei a discussão". seguem minhas opiniões:

1) não achei apropriado o link entre a blogsfera progressista e a questão do post do nassif. acho que se misturou alhos com bugalhos.

2) quanto ao termo feminazi, foi apenas uma boa junção execrada no mundo chato do politicamente correto. apenas para argumentar, se feministas exaltadas e radicais pregassem a castração de todos os homens (forma curiosa de compensação pelos séculos de machismo) e incentivassem a inseminação artificial, o nome não cairia bem?


boto - ssa em dezembro 19, 2010 5:24 PM


#39

Nassif faz uma tremenda bobagem, rompe esse véu de unanimidade que o preservava de sua própria idiotice, e eis que é obrigado a usar seus velhos métodos "barra pesada": publicar um e-mail privado. Que vergonha !

E toda essa ladainha sobre jornalistas que "se voltaram contra a grande mídia"...Alguém ainda é bobo o suficiente para acreditar nesse papo laudatório dos mais furados ?

Como mostra o Idelber nesse último comentário, um grupelho está se apropriando da vasta, contraditória e fragmentária história da "blogosfera" no brasil...

Mas não se preocupem: nós linkaremos a verdade !

Carlos Cardoso em dezembro 19, 2010 5:29 PM


#40

Idelber,
Nas várias vezes em que li textos seus, sempre o tive como um cara ponderado, equilibrado. Para mim, são virtudes.
Acabei de ler esse seu texto sobre o "feminismo dócil".
Para minha surpresa, não o reconheci. Esse seu texto exala uma estranha arrogância...
Não conheço os bastidores dessa tragédia, mas o que apreendo da cena é muito ruim.

Marco Vitis em dezembro 19, 2010 5:31 PM


#41

Gostei muito do texto, principalmente das criticas em relacao a falta de humildade dos 'blogueiros progressistas' em reconhecer a historia da luta contra a grande midia na internet no Brasil.

Como mulher tambem gostei do que o texto falou sobre como homens criticam o feminismo sem nunca ter tentado se educar sobre o assunto antes. E pior ainda são os exemplos que usam para sustentar suas críticas.


x em dezembro 19, 2010 5:46 PM


#42

Parabéns pelo texto. Não somente pela parte que fala sobre feminismo, mas principalmente sobre levantar a questão da falta de humildade dos 'blogueiros progressistas' em reconhecer o que vinha acontecendo na Internet no Brasil (em relacão à blogs/sites que lutam contra a grande mídia e pela democratizacão da comunicacão) antes do tal encontro.

santa em dezembro 19, 2010 5:51 PM


#43

Eu nunca vi tamanho orgulho ferido do que nessa derrapada feia do Nassif.

Certos líderes (?!) da blogosfera progressista (?!) se acham intocáveis.

Uma fogueira de vaidades. Estão mordidíssimos.

Bruno Cava em dezembro 19, 2010 6:00 PM


#44

lendo os comentarios aqui, o post do miguel, o post do nassif, é realmente impressionante como o povo nao entende, e como a cada correção, se afundam mais.

é como o cara que qt mais nega o racismo, mais coisas racistas fala...

alex castro em dezembro 19, 2010 6:02 PM


#45

Não tenho ilusões sobre os blogueiros progressistas.

A soberba de certas pessoas do grupo (Nassif e PHA) é algo irritante.

Gustavo em dezembro 19, 2010 6:13 PM


#46

Eu acho "desfaçatez" uma palavra tão bonita. Especialmente quando aplicada a mim. Ainda mais se usada para fazer avançar a marcha da ignorância. Eu cito:

"No meu blog, o comentarista Antonio ADS colocou suas explicações sobre o episódio e sobre o post publicado e avalizado pelo Idelber:

Antônio CDS

Ivan,

A esquerda. Ah, a esquerda. Acho que o Paulo/Idelber (vou considerar os dois já que ele(s) co-responsabilizam o Nassif pelo texto do André - inclusive exige retratação deste, não daquele) escreveram este texto possuído pelo ectoplasma do Cesinha.

Parece que o protagonismo de alguns blogueiros está fazendo aflorar ressentimentos.

Só pra completar a desfaçatez permeada[GRIFO MEU! A desfaçatez, quando permeada, acho ainda mais linda!] no post do Paulo/Idelber, talvez por não ter sido escolhido para ir na entrevista, ele "acusa" os blogueiros de terem escolhido apenas homens para entrevistar o presidente, numa clara mentira, haja vista que havia quatro mulheres selecionadas e que não foram por motivos pessoais. Uma delas (Maria Frô) participou pelo twitter.

Alegar que não sabia disto seria "argumento infantil", pq foi amplamente divulgado em todos os blogs progressistas.

Coloco esses dados apenas para completar o quadro. E para demonstrar a loucura em que se transformaria a blogosfera se se permitisse que a mesquinharia passasse a dominar as discussões. Entrar nesse terreno pantanoso das intrigas é mais desgastante do que enfrentar um exército inteiro de zumbis do Serra."

Eu ficaria orgulhoso em ser parte da entidade binária Paulo/Idelber, mas infelizmente eu sou apenas a metade menos culta e inteligente. Mas acho que vale lembrar que fui só eu que escrevi, editei e publiquei o texto ao qual o trecho parece aludir (sem link, como de praxe ali).

1. "talvez por não ter sido escolhido para ir na entrevista" é materialmente errado. Basta ler aqui. Para o Idelber, claro. Eu nem poderia ser convidado (e muito menos ficar ressentido por não ter sido convidado).

2. No meu texto eu apenas faço uma alusão rápida e final a este episódio, pois não é meu debate ali. Apenas anotei o parágrafo do Rovai que era uma referência direta ao caso e ainda acusava os críticos de terem "dificuldade de conviver com construções coletivas" e buscarem "fazer do protagonismo alheio escada para seus desejos de sucesso". Há textos espalhados na blogosfera que tratam desde outro problema, que sequer estava em questão.

De qualquer forma, acho que foi uma estreia divertida. Não esperava fazer a água mexer tanto. Pelo menos o Nassif acabou escrevendo uma porra de uma retratação digna do nome. Ainda que. Importante para o desenrolar das descobertas ( (a.k.a. "construção do conhecimento", versão Escola de Genebra circa 1995) dos leitores lá dele.

Paulo Candido em dezembro 19, 2010 6:14 PM


#47

Não tenho ilusões sobre os blogueiros progressistas.

A soberba de certas pessoas do grupo (Nassif e PHA) é algo irritante.

Gustavo em dezembro 19, 2010 6:14 PM


#48

Infelizmente, diante dessa postura oportunista de buscar a fama, acabo de remover o blog biscoito fino e a massa da minha lista.

Jorge Passos em dezembro 19, 2010 6:20 PM


#49

Além do claro-escuro de verdade-engano de alguns jornalistas e blogueiros em relação ao machismo, estamos vendo, ao vivo, a "construção social" do corporativismo. Azenha acaba de publicar e sancionar a dita explicação de Nassif.

Em relação à dita explicação de Nassif, vale a pena comentar alguns aspectos:

1) o abuso da mea culpa:
- depois da "autocrítica", volta a atacar as "feministas mais agressivas", defendendo que as feministas "mais bem preparadas tendem a ter um perfil mais maduro e discreto, não gostando de se envolver em quiproquós". Nassif defende uma linha de conduta "justa" para as feministas -- é o Falo falando pelo inconsciente de Nassif.
- Nassif reconheceu o erro, mas não fez autocrítica. Fez mea-culpa. Sintoma: não precisava retomar o ataque às feministas "mais agressivas".
3) o estilo baseado na insinuação e na indireta:
- crítica Hugo, para enfim confirmar sua "lealdade" a Idelber.
- aproveita Hugo para bater em Idelber.
4) na crítica aos "acadêmicos", abusa do uso retórico de "amenizadores":
- diz que o artigo de Hugo é de bom nível (amenizador), para depois afirmar que Hugo exagerou, "mas tudo bem";
- faz o contraponto entre blogueiros intelectuais e jornalistas, fazendo a apologia dos últimos, aqueles que tiraram "o exclusivismo dos antigos donos das cátedras" (quem?);
- diz que Hugo defende o blog autoral, "o qual um guru pontifica e seguidores de bom nível comentam em plano secundário" -- pergunto: guru?;
- mais adiante, esclarece o que chama de "guru", aproveitando para criticar os "acadêmicos" (quem, cara pálida?): "alguns acadêmicos estavam muito atarefados para participar dessas guerras. Acordaram de uma longa hibernação no dia seguinte ao do fim da guerra e constataram que a blogosfera tinha se tornado grande demais, diversificada demais, para comportar donos, gurus";
- diz que o artigo de Hugo é "de muito bom nível" (um amenizador), para depois afirmar que Hugo faz parte de "um certo tipo de acadêmico das humanas" (amenizador), mas aproveita e dá a cacetada: Hugo "considera-se portador das grandes verdades";
- continua a assoprar e bater: reclama dos "métodos de guerra adotados por alguns desses intelectuais orgânicos", mas diz que não se refere a Hugo (amenizador), e sim a intelectuais "melífluos, especializados no método florentino de enfiar uma adaga nas costas dos aliados sem sujar as mãos de sangue. E cujo único objetivo parece ser o de conquistar espaço pessoal, não o de contribuir para as grandes causas, como um a mais, em um exército sem oficiais e em um ambiente sem catedráticos" -- Ufa! Mas Nassif fala de quem? Diz logo na cara!
- E, enfim, depois de expor uma mensagem pessoal de Idelber, torna-se vítima e cobra... lealdade. E esfrega, na cara dos ditos "acadêmicos" (Idelber?), a grande lição moral da blogosfera: "a força da Internet consiste na rede de relações, de lealdades, de pactos que são formados diariamente, que se fazem e refazem ao sabor dos temas do momento".

PQP, é muita frescura!

Artur Perrusi em dezembro 19, 2010 6:28 PM


#50

Estou achando muito triste a postura do blog diante dos fatos ocorridos. Há muito rancor a solta por aqui se apegando a ponto menores, e até contraditórios, para fazer coisas que não se (de)via. São tão feministas, sabem muito bem brincar com os conceitos, como os matemáticos com as formulas, e ficam jogando dentro dos seus quadrados. Sabem aplicar a dureza da lei para os inimigos e as brechas para os amigos. Sabem dar um banho de conhecimento para corrigir uma palavra mal colocada por um comentarista, que para os efeitos da discussão era uma entidade binária Andre/Nassif.Continuarei a visitá-los.

Jose em dezembro 19, 2010 6:37 PM


#51

E para completar a desculpa e o reconhecimento dos erros é arrogância e frescura. Legal. A sandália da humildade é só barroco lingüístico na discussão.

Jose em dezembro 19, 2010 6:42 PM


#52

Arrogância é sofismar, meu chapa. É defender a lealdade e fazer o contrário. E a "sandália da humildade" de Nassif tem um salto altíssimo.

Artur Perrusi em dezembro 19, 2010 6:50 PM


#53

Parabéns, Idelber, pela análise lúcida. Não esperava menos de você.

E é de entristecer ler a mea culpa do Nassif, pedindo desculpas enquanto ataca novamente.

Luiza em dezembro 19, 2010 6:59 PM


#54

Cadê o Rafael Galvão que não aparece pra botar ordem nessa mixórdia?!

hélio jesuíno em dezembro 19, 2010 7:01 PM


#55

Artur Perrusi, Pois é, eu cheguei a responder lá, "esclarecendo" alguns pontos que eu não sei de onde o Nassif tirou quando comentou os trechos do meu post porque, certamente, eu não escrevi as hipóteses que ele testou - ainda, para variar, meu post não foi linkado. Mas o post dele seguiu a tônica de variação entre ataque e vitimizações comum ao episódio todo. Tirando as partes incompreensíveis, o que ele esperava, que o Idelber determinasse que o Paulo só poderia postar aqui algo que não mexesse com as nove horas de fulano ou sicrano? Ou que o Idelber precisa do meu blog para fazer uma crítica a ele, "sem sujar as mãos"? Se for, que falasse logo e não ficasse nesse joguinho de insinuações. A reação corporativista de lado a lado, aliás, foi reveladora. O episódio foi um catalisador que antecipou um debate sobre algo que estava passando desapercebido na blogosfera, a formação de uma lógica hierarquizada de rede, na qual os blogs-jornalísticos ditavam a pauta e a natureza da crítica devidamente legitimados, mistificados e blindados em relação a qualquer questionamento. A primeira vez que um deles sofreu uma cobrança mais séria bastou para que, ao invés de entrarem em um debate, dessem uma grita se dizendo vítimas de uma fantasmagórica "crítica destrutiva". E a revelação da reação foi auto-explicativa. Aliás, isso me mostrou como a situação era pior do que eu supunha.

P.S.: Quando eu falo em jornalistas-blogueiros, estou dizendo em gente que veio da velha mídia e, embora se oponha a ela, ainda traz consigo uma certa lógica de comunicação hierarquizada e estranha à própria blogagem. Existem jornalistas que têm blogs e blogam de verdade como o João Villaverde, por exemplo.

Hugo Albuquerque em dezembro 19, 2010 7:13 PM


#56

O comentário da MaryW (#33) me deixou pensando. Porque a verdade é que estas lutas transversais e estas interpretações "pós-...", muito ligadas a um determinado olhar sobre a linguagem, sobre a filosofia, não são interpretações naturais para uma certa esquerda e muito menos para qualquer progressismo. Eu nem chamaria de esquerda como o Idelber, talvez chamasse de radical. E talvez por isso a gente se depare com situações que algumas vezes parecem muito mais vários monólogos do que com qualquer coisa que se assemelhe a um diálogo.

A Mary faz isto né? Faz a gente ficar pensando...

Paulo Candido em dezembro 19, 2010 7:15 PM


#57

Talvez o que falta é o conhecimento de alguns poucos blogs voltados ao público masculino, e mais blogs masculinos, mas eu sei que falar isso é inútil, sempre se fala o que os homens pensam equivocadamente sobre o que seria feminismo, mas não se procura o que alguns poucos e bons acertam sobre o feminismo, mas o feminismo sempre tem que estar certo.

Maurico em dezembro 19, 2010 7:27 PM


#58

Idelber, sou um admirador de seu refinamento intelectual, engajado ao mesmo tempo em que é rigoroso, e concordo com a imensa maioria de suas posições políticas.
Mas nessa última discussão com o Nassif notei uma excessiva arrogância livresca, cheia de citações a vozes de autoridade para sustentar suas posições, tratando o Nassif como se ele estivesse em uma banca de doutoramento.
Nessa polêmica parece que descobrimos que o Nassif é machista. Eu também sou. Luto contra isso, mas é óbvio que não consegui me livrar de toda a "cultura" que cercou minha formação. Nem acho que vá conseguir isso.
O Nassif errou, já reconheceu, foi legal o alerta e a bronca das feministas (nele e em muitos de nós que poderiam ter cometido o mesmo erro), mas não cabia mais um "discurso geral", e pernóstico, "sobre a banalidade do mal" (no caso o machismo e sua reprodução inconsciente).
Mais pernóstico que isso só a sua implicância com o termo "progressista", como se estivéssemos, de novo, em uma banca de doutorado de ciência política. Implicância sua e do Hugo, que se auto-intitula "intelectual" clandestino(?!), o que considero horrível, meio que desejo (inconsciente?) de fazer parte de uma certa classe na República de Platão.
Longe de mim não desejar o conflito (sou de esquerda também, logo o conflito é inerente ao meu pensamento político), ou achar que a internet mais à esquerda deva ser monolítica na "ação". Bobagem.
Mas agora, até de "centro-direita" estão chamando o Nassif (mesmo os defensores dele nessa polêmica, como o Miguel do Rosário, em um comentário no último post), quando lá no início da década de 90 ele já criticava as privatizações no setor de fertilizantes, defendia políticas estratégicas para o Brasil, apesar de ainda acreditar, na época, pelo que ele escreve, num PSDB que não vingou.
Então, ok, o Nassif tem um machismo inconsciente em sua formação e em suas atitudes (ele, outros blogueiros "progressistas" e eu também), mas ele poderia ter sido criticado por isso de forma mais terna (hay que endurecer, pero...) e não por meio de um doutrinamento pretensamente genérico.

Abraços,

P.S.: Talvez o desejo de porrar geral seja a manifestação de sua índole trotskista (o da piada).
PSTU (Avelar, Idelber: in "O Biscoito Fino e a Massa"): Desculpe, foi inevitável a sacaneada sobre trotskistas.
PSTU do B (Idem): Não vi nada demais nele citar seu e-mail e nem em você mudar de idéia depois e porrar duro. Discordo da porrada dada.

Mauro Abdon Gabriel em dezembro 19, 2010 7:34 PM


#59

texto de jornalismo blogueiro masculino progressista inclui desde amigos queridos e/ou pessoas

e há mulher nisso?

texto de jornalismo blogueiro masculino progressista inclui só homi?

bilu bilu em dezembro 19, 2010 7:37 PM


#60

Mauro, lido e apreciado, seu comentário. Não vou me estender, mas há uma correção: Não vi nada demais nele citar seu e-mail.

Ele não "citou" meu email. Citá-lo não seria nenhum problema. Ele reproduziu um email pessoal na íntegra sem autorização.

Você não vê nada de errado com isso? E com a publicação do endereço de pessoas na internet sem a autorização delas, você vê? Talvez com a publicação integral de trabalho tradutor feito por outrem sem crédito ou link você vê?

Quanto às citações livrescas: o feminismo é um corpo (ou vários corpos, ou uma constelação) de pensamento (além de ser também uma prática política). Aí um jornalista de importância como é o Nassif diz o que diz, publica o que publica sobre as feministas, recusa a publicação do contraditório, chama-as de barraqueiras, leva uma delicada e breve coleção de citações nas fuças que comprovam que ele não tem ideia do que está falando, e aí é aqui que faltou "ternura"?

Isso é ser muito mimado, bicho. Para quem diz que "introduziu o jornalismo eletrônico no país", isso é demonstração de não saber como funciona a rede.

Idelber em dezembro 19, 2010 7:43 PM


#61

"Professor"

Sua postura neste episódio, está mais para "biscoito fino" do que pára "massa".

Lamento mas, meu pai diria " mais ajuda quem não atrapalha"

A erudição é "bonita" mas a sensatez e a capacidade de emprego do conhecimento para a construção é nobre.

A vaidade prevalece, dissimulada de razão, que se pretende isenta.
Igual a muitos "jormalistas" da velha mídia.

Não teria errado na mão? Caso afirmativo, teria humildade para reconhecer e "ajudar a juntar os cacos"?
Quem ganha com isso?

Lamentável!
Quem sabe, por isso que um presidente "afastado" dos saberes acadêmicos tenha se saido tão bem enquanto os "sabidos", com a visão ofuscada pelo próprio brilho,(Brilho?) não são capazes de enxergarem a sí próprios.

Lamento!

Adalberto em dezembro 19, 2010 7:45 PM


#62

Mauro,

Se você não entendeu a ironia do "intelectual clandestino", tudo bem, mas me acusar de desejar o que eu mesmo ironizei já é um pouco demais. Reclamar que eu fui implicante é, antes de mais nada, uma brincadeira ou completo desconhecimento de causa - ou dessa conversa inteira. É passar por cima de tudo que foi dito e de todo sarcasmo e deboche que se seguiu e que, ainda assim, as postagens de crítica foram bem moderadas e profundamente educadas. Aliás, palavras têm lá o seu significado, desqualificar a crítica a uma questão como empecilho, implicância ou quetais é ignorância ou desonestidade intelectual mesmo. Fazer isso por meio de uma narrativa que sugere um complô dos "intelectuais preciosistas contra a grande Causa" é argumento manjado entre argumentos manjados. Construir de tempos em tempos um grande fantasma para desqualificar previamente um certo tipo de crítica ou de argumento, idem. O ponto aqui é debater os fatos, isso, ninguém está disposto, no máximo, pedir desculpas atacando.

P.S.: Ser contra privatizações não torna ninguém de esquerda (?!).

Hugo Albuquerque em dezembro 19, 2010 7:54 PM


#63

Uma neófita ávida, é o que eu sou. Leio o máximo que consigo e tento aprender tudo o que posso. Comecei com o blog do Nassif e foi através dele que cheguei ao Biscoito Fino e a Massa. Fui cativada pela qualidade e pela honestidade dos autores. Pela coragem e pela inteligência. Mas por tudo que tenho lido resolvi que vou me posicionar pelo simples fato de ter uma opinião (e não mais que isso) e esperar que ela tenha espaço. Sem medo de ferir sentimentos (que soberba a minha!) ou ofender ninguém. Tanto mais que minha crítica se refere a posturas, não a pessoas: Se desde sempre se soube que no Nassif não há muita prática de linkar, qual é o espanto? Se o blog do Nassif não é feminista, por que ele deveria se posicionar como tal? Feminismo, progressismo e outros ismos mil, tem mais é que ser discutidos mesmo, ninguém prometeu um mar de rosas e consenso. Críticas são saudáveis, mas educação é fundamental. Não estou falando que as mulheres ou as feministas tenham que ser educadas, acredito que as pessoas deveriam ser mais educadas. Isso pouparia muito atrito e confusão. Não vou parar de ler o Nassif por não concordar com tudo que ele defende ou dá voz. Não vou parar de freqüentar o Biscoito por achar que exagerou nas críticas ao Nassif. Afinal ambos têm mérito no aprofundar do meu senso crítico. E eu só estou começando... apesar dos meu 48 anos de sonho, de sangue e de América do Sul.

Flavia em dezembro 19, 2010 7:58 PM


#64

Adalberto: você não precisa me chamar de professor. Pode me chamar de Idelber mesmo, como todo mundo. Se optar por professor, tudo bem, mas aí eu sugiro que retire as aspas. Eu exerço o magistério sem interrupções desde 1985.

Quanto a ser "biscoito fino" mais que "massa" neste episódio, eu não discordo. Mas é aqui, e não lá, que a "massa" se expressa sem moderação prévia e sem filtragem da discordância.

A diferença entre o Lula, que você citou, e os jornalistas blogueiros progressistas é que Lula, por exemplo, jamais chamou feministas de feminazis ou barraqueiras, nem jamais emitiu opinião sobre o que são "as" feministas sem ter preocupado em escutar as que têm algo a dizer sobre o assunto.

Não é difícil.

Idelber em dezembro 19, 2010 8:00 PM


#65

você não precisa me chamar de professor. Pode me chamar de Idelber mesmo, como todo mundo. Se optar por professor, tudo bem, mas aí eu sugiro que retire as aspas. Eu exerço o magistério sem interrupções desde 1985.

queria só registrar q essa foi mt bonita.

alex castro em dezembro 19, 2010 8:20 PM


#66

Ih, essa polêmica serviu para muitas máscaras caírem. É muito fácil ser profeta do acontecido, mas eu sempre encarei o Nassif (bem como o PHA) como prepotente e intelectualmente indigente.

Gabbardo em dezembro 19, 2010 8:51 PM


#67

"quanto ao termo feminazi, foi apenas uma boa junção execrada no mundo chato do politicamente correto."

Foi um termo popularizado por Rush Limbaugh. Vá lá, pode alegar que o seu show é divertido, mas obviamente não é a melhor fonte para blogs de esquerda, vá lá.

André Kenji em dezembro 19, 2010 8:58 PM


#68

Idelber,

Sou leitor e admirador do Biscoito Fino, do Nassif, do Rovai e de muitos outros blogs (“progressistas” ou não, rsrsrs). Aliás, conheci o Biscoito através do Blog do Nassif.

Este episódio (feminazi) foi uma sequencia de bolas foras (e algumas bolas nas costas) e teve função didática para mim (alguém já apontou o caráter educativo do seu texto), pois o meu distanciamento da temática feminista era enorme.

Mas tem uma coisa que tá me deixando curioso: porque diabos o termo “progressista” está causando uma verdadeira catarse em alguns comentários? Tá parecendo uma convenção de comentaristas esportivos (previsões do passado), dizendo que o “progressista” já incomodava há muito tempo, que nunca entendeu o sentido que se quis com o termo (se não me engano foi você mesmo que disse isto), que os “progressistas” se acham intocáveis (que história é esta?)... Mas a verdade é que antes deste episódio eu nunca vi nada escrito este sentido. Sabe quando o cachorro tá morto e todo mundo resolve chutar?

Mais que um erro do Nassif (e de muita gente que não assume também), isto tudo está me parecendo um raivoso acerto de contas.

Sem medo de quebrar os ovos para se fazer a fritada, podemos ser mais construtivos e menos aproveitadores de um momento para fazer um acerto total de contas.

Existem pioneiros que não estão sendo reconhecidos? Vamos falar deles. Existiu uma seleção direcionada na entrevista do Lula? Vamos debater o assunto. O termo progressista não caiu bem? Falemos então disto.

Mas não me parece corajoso enfiar tudo no mesmo saco colocar tudo na conta do Nassif, mesmo que alguns movimentos dele tenham sido infelizes.

Quanto à frase “Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo”, é antológica. Vou mandar fazer a camiseta (sem esquecer de dar os devidos créditos à Fal).

Tovar Fonseca em dezembro 19, 2010 9:01 PM


#69

Pronto, agora, foi a vez do blogueiro Eduardo Guimarães tomar as dores de Nassif. O ciclo "progressista" fecha-se enfim num restrito corporativismo.

Toda a discussão sobre o feminismo é colocada debaixo do pano, e o "progressismo", em ordem unida, prejulga Idelber (ninguém sabe que a culpa é de Paulo Candido?!):

"Contudo, há uma figura que me levantou suspeita nesse espantoso caso “feminazi”. O tal de Idelber Avelar, com quem só falei uma vez até hoje. Ele aproveitou para acertar alguma conta antiga com Nassif e ainda envolveu gente que não publicou post nenhum divulgando o termo doentio, os blogueiros progressistas" (Blog da Cidadania).

Bem, pelo menos, agora, as posições ficaram claras. Nada como uma boa discussão para esclarecer as posições político-ideológicas.

Artur Perrusi em dezembro 19, 2010 9:05 PM


#70

Absolutamente emocionada com esse texto. Extasiada. Como é lindo, como é justo saber se expressar de forma tão límpida, em favor de valores tão simples, como o respeito e a humildade, acima de qualquer causa, qualquer opinião. Sinto-me representada na forma mais digna possível. Realmente, muito obrigada.

rosi em dezembro 19, 2010 9:07 PM


#71

Tovar: Eu posso lhe prometer para breve um post sobre o termo "progressista" e o porquê de minha recusa desse termo como algo que me inclua ou com o qual eu me identifique.

Essa recusa minha está explícita publicamente (claro, em livros, artigos acadêmicos meus etc., coisa que ninguém tem obrigação de conhecer) desde pelo menos 1999, muito antes de qualquer tipo de coletivo blogueiro se identificar assim.

Quanto à entrevista com Lula, não tenho nenhum problema com a transparência que teve o Rovai, se não não a teria saudado aqui e a acompanhado no Twitter--o que não quer dizer que as escolhas não tenham sido informadas por algo é estrutural na nossa sociedade, e que tem a ver com a hierarquia de gênero.

Há um abismo de diferença entre o Rovai e o Nassif, por exemplo. Nenhuma afirmação minha sobre o termo "progressista" deve ser tomada como indicador de que eu ignoro essa diferença.

Mas o post sobre "progressismo" eu posso prometer.

Idelber em dezembro 19, 2010 9:12 PM


#72

Vcs já viram isso: http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/a-quem-interessa-desagregar-a-blogosfera/ ?

O Eduardo enlouqueceu. Tá até confabulando sobre conspiração pra derrubar os blogueiros progressistas. E o cabeça é o Idelber.

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Luiza Senna em dezembro 19, 2010 9:13 PM


#73

Comédia total. O cara sugere que eu penso o que penso sobre o episódio porque não estive na entrevista com Lula. Aí um leitor dele coloca um link do Biscoito do dia da entrevista com Lula, de um post em que eu explico que havia sido convidado, transmito a entrevista e a celebro.

Aí, ante a contradição, o cara diz que "eu mudo de posição muito rápido".

Ora, vá se informar, seu Eduardo Guimarães.

Idelber em dezembro 19, 2010 9:19 PM


#74

My last tweet, just for the record: "@iavelar You have single-handed destroyed the Brazilian progressist blogosphere. Please report to Langley for you next assignment"

Paulo Candido em dezembro 19, 2010 9:32 PM


#75

Tem dois trechos deste texto que me fizeram muito feliz neste domingo...: "Confesso que sinto um pouco de vergonha alheia..." e "...mas quando se trata de aprender a escutar, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca". Acho que essa é uma questão importante quando falamos sobre feminismo
/feminino...a escuta. Parabéns e obrigada (sim, nós ainda precisamos agradecer por textos como esse).

alessandra em dezembro 19, 2010 9:44 PM


#76

Rapaz, o circo acabou de pegar fogo com essa do Eduardo Guimarães.
Isso me lembra o finado movimento estudantil e as guerrinhas entre suas tendências.

Jair Fonseca em dezembro 19, 2010 9:45 PM


#77

Idelber, vc é um agente secreto do Serra trabalhando pra desagregar a blogosfera progressista! E como descobrimos isso? Ora, porque você ousou publicar um post do Paulo, e ainda escreveu outro se colocando a favor das "feminazis" nessa polêmica toda. Mas não tema, que tenho certeza que a culpa ainda vai cair no lugar de sempre... nas mulheres. No caso, as feministas. Elas, tão agressivas, que não ficaram com a boca fechada mesmo diante de um totem sagrado como o Nassif!

Lola em dezembro 19, 2010 9:56 PM


#78

Corrigindo o meu post #45

Não tenho ilusões sobre os blogueiros progressistas.

A soberba de certas pessoas do grupo (Nassif e PHA) é algo irritante.

Pode incluir também o Sr.Eduardo Guimarães, ao que parece, esse senhor julga ser dono de um poder único na blogosfera.

Gustavo em dezembro 19, 2010 9:57 PM


#79

"Provavelmente ele não também não se perguntou se essa invisibilização terá algo a ver com vícios oriundos de 100 anos de um modelo em que jornalistas, quase sempre homens, falavam, na maioria das vezes sobre assuntos que domina(va)m assombrosamente mal, e leitores e leitoras recebiam calados".

E caso estes jornalistas-blogueiros-progressistas não se reverem, vão estar fazendo o mesmo, apenas mundando o rumo do discurso mas oprimindo e desinformando da mesma forma.

Por isso também me considero desde sempre de esquerda. Maravilha de texto, Idelber. Abs

Dandi Marques em dezembro 19, 2010 9:57 PM


#80

Quem são nossos inimigos?
Nassif? Eduardo Guimarães? Azenha?
Com esta divisão boba, estamos fodidos e mal pagos
Como no filme O Rei Leão, matem nossos inimigos: Nassif, Eduardo Guimarães, Azenha...Destruam-nos, nem a amizade com eles é conveniente.
Que decepção

IV Avatar do Rio Meia Ponte em dezembro 19, 2010 10:15 PM


#81

Aí a gente diz que tem que se averiguar o fato, há que se ir atrás da informação, buscar as fontes, tratar a verdade factual com um pouquinho de respeito e ainda há gente--pouca, é verdade--que vai reclamar por aí fica cheio de "citação livresca".

O cara se propõe a "descobrir quem está por trás" do meu post. Jisuis, era só ele passar o olho pelos arquivos do Biscoito e saber que quem está por trás de todos os meus posts sou sempre eu mesmo.

A não ser, claro, quando cito outrem, em cujo caso haverá um link.

Idelber em dezembro 19, 2010 10:17 PM


#82

Prezado Idelber,

apesar de achar exagerada a porrada dada no Nassif, que tem muitas qualidades apesar de estar totalmente equivocado nesse "quiprocó", parabéns pelo excelente texto. Não acho o termo "progressista" tão execrável assim, apesar de problemático, mesmo quando claramente usado em contraposição a "reacionário"... mas até aí te classificar como um agente infiltrado do "Mal" é um pouco demais...

um abraço

Gustavo Rabello em dezembro 19, 2010 10:21 PM


#83

Ao que tudo indica o Senhor Idelber tem alguma richa com os blogueiros denominados progressistas. E esse papo de ser de esquerda é muito relativo. O tempo todo vemos pessoas que se denominam de esquerda, mas que faz o jogo da direita. Me lembro das primeiras manifestações contra o Governo Lula em Brasília, muitos partidos denominados de esquerda radical foram financiados pelo antigo PFL para manifestarem contra o Lula.
Para quem o nobre Idelber está trabalhando? Está fazendo o jogo de quem? Que interesses está defendendo?
Ou está apenas querendo aparecer?
Não creio que seja, mas apenas o próprio poderá responder.

Marcos Faria em dezembro 19, 2010 10:23 PM


#84

Marcos, trabalhar, eu trabalho para a Universidade Tulane.

N'O Biscoito Fino e a Massa eu faço frila ;)

Idelber em dezembro 19, 2010 10:24 PM


#85

Fiz um comentário no Blog da Cidadania e as pedras voaram: espião infiltrado do PIG, busca de espaço político, autoritário e leviano etc. Tudo muito normal e até tranqüilo pra quem está acostumado com a militância internauta. Embora convenhamos que é, no mínimo, histriônico o blogueiro querer intimidar com: "vamos atrás de todos vocês!".

Em síntese, dá pra tirar de toda a massa de ressentimentos, nóias e orgulhos esbarrados, a seguinte burlesca narrativa:

O Idelber, um velho guru dos velhos blogues, interessantes e legalzinhos porém sem projeção, está ressentido com a hegemonia conquistada recentemente pelos profissionais-jornalistas-comunicadores, e toda a "blogosfera progressista" que eles promoveram e constituíram no calor das batalhas (jamais na torre de marfim da academia). Por causa dessa invejinha desse "tal Idelber", mero "acadêmico" que ninguém ouviu falar, os blogueiros das antigas e seus epígonos resolveram, com má fé, oportunismo florentino e ciumeira digna de Iago, conspirar, semear a cizânia e patrulhar levianamente os intocáveis progressistas, esses que são, a toda evidência jornalística, os grandes responsáveis pela blogosfera brasileira ser o que ela é hoje --- uma instituição reconhecida até por Lula.

Bruno Cava em dezembro 19, 2010 10:29 PM


#86

IV Avatar, quem falou em inimigos aqui? Ou em destruição e morte? Ou ainda, o que exatamente a "divisão boba" divide? Qual era o todo anterior que foi destruído? Ele foi destruído? Ou os pontos de contato continuam intactos e apenas se explicitaram alguns poucos pontos onde o contato é atrito?

Paulo Candido em dezembro 19, 2010 10:30 PM


#87

Hum, já fui até censurada por lá.
Ele apagou o comentário que tinha feito pedindo pra ele se acalmar e me bloqueou para novos coments. ^^

Sei não, hein... espero que quando ele se acalmar, pense um pouco sobre tudo isso.

Ele inverte as coisas por lá. O primeiro fato que cita é o pedido de desculpas do Nassif, que na verdade foi o último fato desse episódio. O post de 'mea culpa' só foi ao ar hoje, depois de meio dia e de dias [já faz uma semana?] que essa confusão rola. Até esse post do Idelber saiu antes. Aí fico pensando se o Nassif não tivesse feito isso antes não teria poupado todos nós disso tudo e o diálogo não estaria bem mais avançado?

Não quero julgá-lo [Eduardo], inclusive acompanho o blog dele e fiquei na torcida qdo ele estava na luta com a filha pra superar a doença dela. Prefiro pensar que está nervoso e que vai voltar a si.

Luiza em dezembro 19, 2010 10:33 PM


#88

Realmente, esse exagero do Eduardo Guimarães não tem explicação razoável, a não ser ter ficado chateado com o fato de ter sido citado pelo Idelber:

http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/a-quem-interessa-desagregar-a-blogosfera/comment-page-1/#comment-38842

Gustavo Rabello em dezembro 19, 2010 10:48 PM


#89

Pessoal, farei pequenos comentários dispersos, sem grandes pretensões:
1- Me parece que tem gente na web achando que os tais "blogueiros progressistas" são a resposta para todos os problemas da esquerda, o novo "farol";
2- Partindo desse equívoco (afinal, os blogs NÃO SUBSTITUEM PARTIDOS, SINDICATOS, MOVIMENTOS E AFINS), ignoram a pluralidade da esquerda (ou a pluralidade de um arco ainda mais amplo, tanto que optou pelo termo "progressista") e exigem uma solidariedade cega e um comportamento monolítico, pra não "rachar o movimento";
3- Desta forma, qualquer polêmica explicitada (que só reforça o caráter plural do espaço) é imediatamente adjetivada, questionada e, por último, condenada, quando me parece que um amplo e profundo debate sobre N temas só torna o espaço mais rico e aumenta sua capacidade de ser referência para parcela expressiva da sociedade;
4- Apesar de MUITO importante, a rede de blogueiros NÃO SUBSTITUI iniciativas que devem ser buscadas no âmbito das políticas públicas e da legislação na área de comunicações, nem substitui a necessidade de veículos tradicionais com postura isenta (que não significa sem opinião), republicana e estrutura capaz de bancar redes independentes de apuração e investigação;
5- A virtude da articulação iniciada no período eleitoral (sua extensa rede de participantes e colaboradores, tendo como ponto de contato a crítica à velha imprensa e a necessidade de fortalecimento de canais alternativos de comunicação) transformar-se-á na sua maior fragilidade se gente de peso começar a viajar na maionese e achar que o movimento é mais do que isso. Afinal, se for mais do que isso, necessariamente irá reagrupar-se em torno de posições comuns e em vários outros subgrupos (onde, por exemplo, Renato Rovai, velho militante de esquerda, e Paulo Henrique Amorim, com histórico de posições ambíguas, NÃO FAZEM PARTE DO MESMO CAMPO).
Abraços.

Bernardo Cotrim em dezembro 19, 2010 10:48 PM


#90

"Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria entitulada "sistemas duais", que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes)"

Idelber, não preciso repetir aqui os elogios que já fiz ao seu blog, então vou direto à acusação: o nome do que você fez aí em cima é "carteirada". Trazer jargões acadêmicos como "funcionalismo" e "sistemas duais" para o debate público não ajuda em nada para o avanço a discussão e transmite a impressão de que você está erguendo, defensivamente, uma barreira entre quem está e quem não está por dentro dessa literatura de estudos de gênero que faz tanto sucesso nas Humanities dos EUA. Você sabe bem que o público a quem está se dirigindo não é esse.

No que diz respeito ao conteúdo da discussão, não vou me estender: me parece que o centro da discórdia está em definir se os(as) oprimidos(as) têm o direito de expressar seu descontentamento da forma que bem entenderem ou se eles(as) devem respeitar certas normas de conduta, com um discurso educado e de banho tomado. Tendo a preferir a segunda opção por julgar que a primeira é muito dada a deixar todos em uma posição extremamente defensiva; o debate não avança e acaba por esfriar em um stalemate, sem produzir nenhum canal de comunicação. É sintomático que, em grande parte, seus leitores estejam elogiando sua posição aqui enquanto os leitores do Nassif estejam elogiando a posição dele lá.

Abraço,
Rafael

Rafael em dezembro 19, 2010 10:49 PM


#91

É sintomático que, em grande parte, seus leitores estejam elogiando sua posição aqui enquanto os leitores do Nassif estejam elogiando a posição dele lá.

Pois é, Rafael, a diferença é que aqui você clica e o comentário entra. Lá você não sabe quantos comentários ficaram retidos na filtragem.

Idelber em dezembro 19, 2010 11:01 PM


#92

Idelber,
não é do seu feitio, mas por favor não escreva "com o fígado" hoje e jogue mais gasolina nessa fogueira. O Edu é um cara excelente, assim como você, e ainda vai se arrepender do que escreveu hoje, tenho certeza.
TODOS estão do mesmo lado e TODOS tem as suas idiossincrasias. Te peço encarecidamente para não responder à altura o post do Edu, pois essa história pode ter desdobramentos ainda mais lamentáveis.
A internet é muito boa para várais coisas, mas não ainda para resolver (ou pacificar, pelo menos)diferenças.
Um telefonema ou quem sabe um chop tem um poder mil vezes maior de resolução de diferenças (que na minha opinião são apenas pontuais) do que posts ou comentários na rede.
Por favor não publique esse comentário.
Saudações e sucesso sempre.
Abraço,
CDM

CDM em dezembro 19, 2010 11:03 PM


#93

Tenho certeza absoluta que nucna vi um post seu tao bizarro, Idelber. Pra comecar, nao tenho a menor ideia do que voce esta dizendo. Pra segundar, nao sou academico e me recuso a ter um mapa pra desvendar seus significados.

Isso... eu nunca esperei.

Francamente...


Ivan Moraes

Ivan Moraes em dezembro 19, 2010 11:06 PM


#94

Como eh que eh, Euclides????

O ROVAI "confunde liberdade de expressão com inconseqüência, com blindagem dos emissores":????

Mas que cara de pau eh essa?!

Ivan Moraes em dezembro 19, 2010 11:13 PM


#95

que bom ler suas palavras, meu amigo. que bom ouvir um homem se pronunciar desse lugar de onde você fala.
e você é preciso ao mostrar a negação a escutar o que a outra tem a dizer. afinal, quando falamos de machismo, estamos falando de dominação. e negar o outro o princípio de não considerá-lo como legítimo. é assim que assim na escravidão, no racismo, no nazismo ( hannah arendt já nos ensinou que o mecanismo de anular a fala está na base do que tornou possível o nazismo).
enfim, é preciso estar atento e forte, já nos ensinaram os doces barbáros.
de novo, que bom ler você.
um beijo.
p.s. alexandre leu tb, sentiu-se de alma lavada com tuas palavras e manda um abraço.

kellen Gutierres em dezembro 19, 2010 11:23 PM


#96

Obrigado, querida amiga, e um abração no Alexandre. Obrigado, Rosi.

CDM, você me pediu tarde pra não publicar. Aqui clicou, entrou. Se quiser que eu apague o comentário, me avise. Mas não se preocupe, eu sou sempre bem humorado nessas polêmicas ;)

Idelber em dezembro 19, 2010 11:26 PM


#97

Idelber, não tenho twitter por isso não sei como é a dinâmica do mesmo, mas o Nassif o acusa de fazer intriga pelo twitter sobre uma questão de tradução. Me parece que a questão original (o uso do termo feminazi) ganhou a proporção que ganhou devido às cobranças feitas ao Nassif via twitter. Seria essa ferramenta uma "destruidora de lares"?

André em dezembro 19, 2010 11:30 PM


#98

"diferença é que aqui você clica e o comentário entra. Lá você não sabe quantos comentários ficaram retidos na filtragem":

Nenhum, Idelber. E se, com "retidos na filtragem", voce esta querendo deixar no ar que Nassif censura os comentarios desagradaveis, voce esta sendo dishonesto. Conte tambem pros seus leitores que o protocolo do blog ja dita, ha um mes, que os cadastrados sao liberados imediatamente, e que os nao-cadastrados ficam em uma fila de liberacao, e nao em uma "filtragem".

Ivan Moraes em dezembro 19, 2010 11:30 PM


#99

uma fila de liberacao, e nao em uma "filtragem"..

Não aprendi ainda qual é a diferença entre uma "fila de liberação e uma filtragem". E não estou "acusando" nada. Quando acuso, uso o verbo acusar. Estou dizendo que lá não se sabe quantos comentários ficam retidos. E os testemunhos de gente que escreveu e não foi publicado são inúmeros. A própria Cynthia Semíramis ficou na "fila de liberação", e era um comentário escrito por alguém classificada pelo Nassif como "uma feminista de bom nível".

Portanto, não estou sendo "dishonesto", não.

Idelber em dezembro 19, 2010 11:35 PM


#100

Pois a presidente Dilma foi vergonhosamente pressionada pela direita para colocar uns caras complicados no ministério, como Jobim, Palocci, Wagner Rossi, Moreira Franco - e ninguém vê nada demais? Estes caras têm capacidade de fazer o governo empacar e a cada dificuldade que eles provocarem certamente os machistas gritarão seus preconceitos contra a presidente mulher, como gritaram oito anos contra o presidente operário.

Marcelo Rodrigues em dezembro 19, 2010 11:37 PM


#101

"Fiz um comentário no Blog da Cidadania e as pedras voaram: espião infiltrado do PIG, busca de espaço político, autoritário e leviano":

Nao, Bruno, nao foi bem assim. Voce mentiu a respeito das mulheres na entrevista de Lula. Aqui esta o que voce disse: "A blogosfera progressista foi reacionária em não levar nenhuma blogueira mulher à entrevista com Lula. Não “só” porque é mulher, mas PRECISAMENTE porque é mulher. É como a cota social para negros nas universidades; a cota não é “só” pra negro, mas JUSTAMENTE pra negro."

Ivan Moraes em dezembro 19, 2010 11:39 PM


#102

Idelber, hehehe, o pessoal do PSOL deve estar se divertindo pacas com essa acusação de que você está fazendo o jogo da direita... "A quem interessa?". Porra (desculpa aí), esse pessoal pirou na batatinha, mesmo.

Alguém precisa dizer pro Nassif que "Feminazi" equivale à "Ditabranda", que ele tanto malhou e que causou ânsias de vômito em qualquer um que saiba o que é uma ditadura. NASSIF, É A MESMA COISA. ASSIM VOCÊ ME MATA DE VERGONHA.

E olha que eu nem concordava com aquela história de que a falta de mulheres na entrevista com Lula tenha sido obra de machismo inconsciente. Mas começo a ver chifre em cabeça de cavalo também. LOLA WAS RIGHT.

Sério que tem gente reclamando que Idelber faz citação de autores?

Olha, já-já vai surgir nas prateleiras o livro "NÃO SOMOS MACHISTAS". Completará a trilogia o "NÃO SOMOS HOMOFÓBICOS".

Cajueiro em dezembro 19, 2010 11:41 PM


#103

E qual é exatamente a "mentira" do comentário do Bruno?

Idelber em dezembro 19, 2010 11:41 PM


#104

Idelber, hehehe, o pessoal do PSOL deve estar se divertindo pacas com essa acusação de que você está fazendo o jogo da direita... "A quem interessa?". Porra (desculpa aí), esse pessoal pirou na batatinha, mesmo.

Alguém precisa dizer pro Nassif que "Feminazi" equivale à "Ditabranda", que ele tanto malhou e que causou ânsias de vômito em qualquer um que saiba o que é uma ditadura. NASSIF, É A MESMA COISA. ASSIM VOCÊ ME MATA DE VERGONHA.

E olha que eu nem concordava com aquela história de que a falta de mulheres na entrevista com Lula tenha sido obra de machismo inconsciente. Mas começo a ver chifre em cabeça de cavalo também. LOLA WAS RIGHT.

Sério que tem gente reclamando que Idelber faz citação de autores?

Olha, já-já vai surgir nas prateleiras o livro "NÃO SOMOS MACHISTAS". Completará a trilogia o "NÃO SOMOS HOMOFÓBICOS"

Cajueiro em dezembro 19, 2010 11:43 PM


#105

Nassif, a mesma pessoa,

1) capaz de analisar e explicar, com extrema competência e sofisticação, o funcionamento da mídia, o jogo de poder político, a conjuntura econômica, o funcionamento da blogosfera, entre outras realidades complexas (e já ia esquecendo a música brasileira),

2) conta, no seu texto de hoje, a seguinte história: não tinha opinião minimamente elaborada sobre o feminismo até anteontem. De modo que, ao primeiro ataque, “imaginou” que o movimento, este desconhecido, tivesse a cara de uma feminista “agressiva” e “desagradável”. Partiu para o revide. Depois, descansou, foi se informar, chegando à conclusão de que estava errado: 1) só algumas são agressivas e desagradáveis. Outras, “mais discretas”, têm “bom nível”; 2) as feministas “maduras”, “discretas” e de “bom nível” que protestaram com a devida delicadeza tinham razão (especificamente: quanto à impropriedade do uso do termo “feminazi”).

Esta é a história contada. É verossímil? Eu, modestamente, acho que não. Por duas razões:

1) no próprio texto, diz Nassif: “o que nos une é a crença em alguns valores fundamentais de inclusão social, direitos civis e individuais, luta contra o monopólio da informação e respeito à diversidade.” Como seria possível que alguém que se auto-identifica deste modo tenha conhecido o feminismo de ontem para hoje? Por que, de repente, uma pessoa madura teria adotado um critério de seleção de crenças típico de um adolescente? Não faz sentido. Me parece mais verossímil que conhecesse, e que tivesse opinião a respeito do feminismo: opinião que a) explicaria a promoção do famigerado comentário a post e b) explicaria o fato de, em todas as análises posteriores do imbroglio, ter sempre reafirmado a existência das tais feministas más, “indiscretas”, “barraqueiras”, de “baixo nível”, “desagradáveis” etc. (que poderiam ser chamadas de feminazis se o termo não fosse, pelas razões delicadamente apresentadas pelas boas feministas, inadequado).

Como se sabe, não é bem verdade que é um “erro julgar o todo pela parte”. Só é um “erro julgar o todo pela parte” se a parte não é representativa do todo. Dado o padrão, me parece que faz mais sentido acreditar que o Nassif julga (há muito mais tempo do que anteontem quando, segundo a fábula, teria tido o seu primeiro contato imediato com uma feminazi), que as feminazis (hoje, “feministas agressivas”) são a cara do feminismo. Para mim, pelo menos, faz mais sentido.

2) a segunda razão se baseia no histórico do
blog. Quanto às questões que envolvem igualdade e diversidade, não apenas quanto ao movimentos feministas mas também quanto a questões raciais e de orientação sexual, Nassif segue o mesmo padrão. Entre outras coisas muito razoáveis, interessantes, inteligentes, etc., Nassif promove a post comentários ou textos reacionários e não raro ofensivos sem nenhum contraponto. O problema das feministas raivosas, dos gays indiscretos, dos negros racistas está sempre na pauta. Nos comentários, sempre surgem os protestos do povo de esquerda e as reações do senso comum (sim, porque ninguém é de direita). Sempre a mesma coisa. Nassif vê o circo pegar fogo e acaba resolvendo tudo na crítica ao radicalismo. Odiar os negros, as mulheres e os gays é tão odioso quanto odiar os brancos, os machos, os heterossexuais. Há um padrão, muito claro, que o senso comum “progressista” adora.
Pro meu gosto, a história é fajuta. E não há nada de novo no front.

Rodrigo Guedes em dezembro 19, 2010 11:45 PM


#106

Ivan,

Qual mentira? assisti ao vivo e não havia mulher presente. Qualificar o fato de reacionário é uma opinião minha, que você pode concordar ou discordar, mas é a minha verdadeira opinião.

Qual era a intenção profunda de cada organizador me interessa tanto quanto saber o que se passa na cachola de um caranguejo.

Tive a felicidade de emplacar aquele comentário, e logo de primeira. Se não fosse pra dizer coisas desagradáveis quando acho devam ser ditas, para as pessoas que acho seria interessante ouvi-las, eu não estaria empregando tempo na internet, e militaria somente fora dela.

Mesma coisa com o 'feminazi'. É irrelevante a intenção, mesmo porque isso só uma divindade onisciente saberia julgar. Quando você faz besteira, melhor esclarecer o erro, autocriticar-se logo e bola pra frente, em vez de tentar contornar o incontornável com malabarismos, contorcionismos e até cafajestice.

Agora, se a pessoa se orgulha de ter um charme (machista) rodriguiano, assuma-se de uma vez e não fique querendo dar uma de cordeirinho vítima. É mais honesto.

Bruno Cava em dezembro 20, 2010 12:01 AM


#107

2) conta, no seu texto de hoje, a seguinte história: não tinha opinião minimamente elaborada sobre o feminismo até anteontem.

Mentira. Aonde esta escrito isso, Rodrigo? Conte pra nos. Com link de documentacao, conte pra nos.

Ivan Moraes em dezembro 20, 2010 12:03 AM


#108

Pois é, Bruno, continuo também aguardando a explicação de onde é que foi que você mentiu.

Idelber em dezembro 20, 2010 12:06 AM


#109

Bruno, voce filigranou a verdade. Aqui esta o que voce disse:

"A blogosfera progressista foi reacionária em não levar nenhuma blogueira mulher à entrevista com Lula. Não “só” porque é mulher, mas PRECISAMENTE porque é mulher. É como a cota social para negros nas universidades; a cota não é “só” pra negro, mas JUSTAMENTE pra negro".

Eu assisti tambem, varias vezes.. Nao houve qualquer "blogosfera progressista reacionaria" nem possivelmente "machista" negando "justamente" aas blogueiras o direito de ir. Nao haver blogueiras la --com a honradissima excessao-- foi como a vida aconteceu, nao foi por falta de convite. Mais estrondoso sucesso de longa-metragem brasileiro do youtube de todos os tempos, ja com 42 mil views:

http://www.youtube.com/watch?v=T2iOZOmaNqo

O que voce ganha ao "acusar" os progressistas pela falta de mulheres que 42 mil pessoas ja assistiram ( e nao somente voce), que ja foi explicada anteriormente, inclusive na propria entrevista?

Ivan Moraes em dezembro 20, 2010 12:13 AM


#110

Bruno e Idelber, havia uma entrevistadora que, embora fisicamente não estivesse presente, fez perguntas como qualquer um dos outros. Os organizadores dizem que quatro foram convidadas mas não puderam ir, me parece que o Bruno deu uma viajada equivalente ao Eduardo Guimarães em relação às motivações do Idelber.

André em dezembro 20, 2010 12:15 AM


#111

O certo é que há poucos para carregar o piano, como tem feito estes blogueiros aos quais o Idelber se refere de forma depreciativa
Ponham o Idelber para carregar o piano, aí ele aprende o que é bom prá tosse, isso é falta do que fazer

Será que o Idelber vai se deslocar dos EUA para promover no Brasil encontros como os já realizados pelos blogueiros aos quais ele se refere de forma depreciativa ou se limitará ao seu blog, esta opção é mais provável

Repito:
Quem são nossos inimigos?
Nassif? Eduardo Guimarães? Azenha?
Destruam estes blogueiros
Mesmo que eles nos tenham ensinado e muito
Destruam-nos, nem a amizade com eles é conveniente
Que decepção ao presenciar esta autofagia

IV Avatar do Rio Meia Ponte em dezembro 20, 2010 12:22 AM


#112

(Ivan Moraes #107) Mentira. Aonde esta escrito isso, Rodrigo? Conte pra nos. Com link de documentacao, conte pra nos.

No texto que você leu, uai:

"Primeiro erro, julgar o todo pela parte – no caso, imaginando que o movimento feminista tivesse a cara de uma delas, especialmente agressiva e desagradável. Com sua agressividade, "exigindo" retratação, me deixou amarrado. Qualquer explicação, tentando desmontar o imbróglio, significaria o recuo com faca nas costas.

Besteira minha, julgar que ela fosse a cara do movimento – e não era."

A confissão não é essa? Foi ou não foi o primeiro contato com uma feminista "desagradável" que levou, segundo o texto, a uma generalização apressada quanto à "cara do movimento"? Se houvesse alguma reflexão prévia, UMA feminista desagradável seria tomada como "a cara do movimento"?

Nota bem: eu não estou dizendo que não houve tal relexão. Ao contrário, estou "imaginando" que houve. Uma reflexão segundo a qual "feministas desagradáveis" são a cara do feminismo.

Daí que o Nassif não tenha visto nada de errado em promover o comentário. Daí que, no final das contas, todo o imbroglio, como vc mesmo diz no comentário a este mesmo texto, se reduz a uma "discussao a respeito de uma unica palavra". É mesmo "o fim da picada...".

Rodrigo Guedes em dezembro 20, 2010 12:27 AM


#113

Rapaz, os comentários nos diversos blogs que trataram do assunto fariam corar o personagem Charlie, de Two and a Half Men, um misógino convicto. Até o Azenha resolveu dar uma de engraçadinho.

Cajueiro em dezembro 20, 2010 12:28 AM


#114

Se, num universo de nove entrevistadores, houvesse só três ou duas blogueiras, até se pode esboçar explicar por contingências e desencontros.

Agora, quando você vê NOVE homens e ZERO mulheres, não dá.

Com menos razão, lendo os relatos dos bastidores do evento: quem organizou a coisa foram homens, do governo e da "blogosfera progressista", e ninguém se tocou da importância fundamental de contar com blogueiras, pelo menos a ponto de garanti-las lá.

Isso no dia da não-violência à mulher.

Isso logo depois da eleição da primeira presidenta.

A blogosfera progressista falhou em levar blogueiras. Ponto.

E isso é tão reacionário quanto um processo seletivo de um vestibular falhar em levar negros à universidade. E não adianta explicar que foram convidados, mas não tiveram como pagar o ônibus, comprar a caneta ou ler o edital na internet. Não estavam lá e não foi por acaso.

O episódio do feminazi, bem como todo o corporativismo de jornalista que se seguiu, mostra bem como a ausência de mulheres no evento também não foi por acaso.

Idelber faz muito bem em analisar isso. É isso que ele faz e tão bem. Analisa.

Bruno Cava em dezembro 20, 2010 12:32 AM


#115

O Idelber publicou post, no dia 24 de novembro, sobre a coletiva do Lula para blogueiros. Havia um PS sobre a questao de gênero - o que não impediu, ao contrário ensejou, um estranhamento da Lola.

Aiaiai se estranhou com o Rovai.

Em seguida, Mary W postou o seguinte na caixa de comentários.

"Eu não to entendendo mesmo essa chiadeira de gênero. Conceiçao Leme e Maria Frô foram convidadas. A Helena foi convidada. E antes da entrevista foi dito que a Ivana Bentes foi convidada. As três primeiras se destacam mesmo na cobertura política e a Bentes acho uma das pensadoras mais estimulantes das redes sociais. NENHUMA delas pôde ir. Não vejo mesmo onde a organização errou. Claro que tem um monte de blogueiras que não estão na lista que teriam condição de participar. Mas, né? QUATRO recusas. Não acho mesmo que cabia "cotas" e substituição automática de uma mulher por outra. Quando eu vi a confusão no twitter, fiquei puta.Principalmente pela Maria Frô, que eu considero que fez uma das melhores coberturas políticas das eleições, mas aí logo vi que ela foi convidada. Então não entendo e não concordo com a reclamação. Acho que na abertura isso tudo foi destacado e não considero que a pergunta feita pela webcam tem um efeito simbólico menor. Não mesmo. Pois o evento não é histórico JUSTAMENTE por conta do significado das novas tecnologias? Então. Não pôde ir mas esteve lá. E eu acho que as perguntas contemplaram muito bem também. As questões de gênero e raciais. Enfim. Podemos até discutir o porquê das mulheres terem recusado e como isso informa a respeito das diferenças entre os gêneros etc. Mas a crítica à organização, acho injusta."

Pois é. Injustiça é ruim em qualquer lugar, contra qualquer pessoa.

Fábio Carvalho em dezembro 20, 2010 12:40 AM


#116

Idelber, na mosca.
O imbróglio poderia ter tido outro rumo considerando que "quando se trata de aprender a escutar, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca."
Contudo, acho ótimo o ocorrido, pois mostrou que o rei está nu.

Cláudio Luiz em dezembro 20, 2010 12:44 AM


#117

Salve Idelber,
Agora que foi, não precisa de retirar o comentário. Mas insisto com todos: vamos tentar manter isso no mundo das diferenças de idéias e não dos ataques pessoais, pois o resultado pode ser extremamente lamentável.
Abraço,
CDM

CDM em dezembro 20, 2010 12:49 AM


#118

Idelber,

O negócio está ficando muito barra pesada.
Não sou blogueiro, não tenho twitter, nem facebook, nem orkut, nem fotolog nem nada.
Como certas pessoas estão acusando os outros de quererem aparecer, de escalarem o "sucesso" alheio, gostaria muito de saber o que eles podem me imputar?

Além do mais, a conveniência impera.
Se há anonimato, imputam covardia. Se há assinatura, estrelismo.

Sou "apenas" um leitor, de livros, de blogs, da vida.

Confesso-me assustado com certas atitudes, decepcionado com outras e positivamente surpeso com você, o Hugo, a Bárbara, a Lola e a Cynthia.

Decepcionado estou com o Nassif e com o Rovai, o primeiro por motivos óbvios; o segundo, pelo modo como me tratou em seu blog e pela postura geral.

Mas o Eduardo Guimarães me assustou. Eu não era seguidor do Blog da Cidadania, mas havia lido muitos textos interessantes por lá.
Só não sabia que eram escritos por uma pessoa COMPLETAMENTE DESPREPARADA PARA LIDAR COM O PÚBLICO.

O Rovai, se discordo de suas atitudes, ao menos foi educado. Já o Eduardo perdeu definitivamente um leitor, além do meu respeito como pessoa.
Me destratou e destratou outro leitor que sequer saiu em minha defesa, mas que pediu calma para ele.

http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/a-quem-interessa-desagregar-a-blogosfera/comment-page-1/#comment-38848

Não sei o que há nos bastidores entre os blogueiros, mas alguns estão atirando para todo lado, em pessoas que não tem nada a ver com essa guerra de vaidades (se é que ela existe).

Que as máscaras estão caindo é óbvio, mas de uma forma bem desagradável.

Até acusação de conspiração tucana para atacar os "blogueiros progressitas" surgiu num comentário do Blog da Cidadania. O Eduardo parece estar achando que estou a serviço de alguém, que tenho algum interesse nessa história que não um debate sobre opiniões e discordâncias.

Bom, estou esperando um comentário meu aparecer lá no blog do Nassif. Por enquanto ele não entra na caixa de comentários e não sei o motivo, pois geralmente leva uns 15 minutos para isso acontecer. Bem estranho.

Caso eu seja censurado, espero contar com seu apoio para poder me expressar por aqui a respeito desse triste final de ano para a blogosfera.

Abraços.

Euclides F. Santeiro Filho em dezembro 20, 2010 12:57 AM


#119

"A blogosfera progressista falhou em levar blogueiras. Ponto.":

E todo mundo assistiu isso. 42v mil pessoas ja assistiram isso e ja fizeram suas cabecas a respeito do que aconteceu.

Sinto muito, Bruno. Decadencia critica acontece...

Ivan Moraes em dezembro 20, 2010 1:07 AM


#120

Não é sobre você que devemos falar.


Não sendo negro (ou afrodescendente, segundo os politicamente corretos),
apenas mestiço (termo considerado ofensivo em alguns países), jamais saberia a dor do preconceito racial;


Não sendo mulher (apesar de ser marido, filho, irmão e amigo de mulheres e acreditar em reencarnação e, por conseqüência, que possa ter reencarnado várias vezes como mulher), jamais saberia descrever como é o sofrimento e a discriminação sofrida pelas mulheres há séculos;


Não sendo pobre, mas classe média, jamais entenderia o que é ficar sem comida, sem saúde e sem esperança, e ser amparado por um governo com algo chamado (equivocadamente) por alguns de bolsa-esmola;


Não sendo rico, jamais entenderia o medo constante, os diversos vícios (inclusive de consumo) e como o (reduzido) poder proporcionado pelo dinheiro pode levar as pessoas para o caminho "fácil" das drogas, da corrupção e da auto-destruição;


Não sendo progressista, jamais entenderia como rótulos e frases contundentes podem aproximar ou afastar pessoas;


Não sendo de direita, jamais entenderia como perder todos os escrúpulos se torna fundamental para manter o status quo e o poder, ainda que por um momento e apesar da mácula para toda a vida;


Não sendo de esquerda, jamais conseguiria falar ou escrever tanto, argumentar e, ao mesmo tempo, se parecer tanto com aquilo que combate, como bem ilustrou Nietzsche;


Mas se não sou ninguém, nunca falarão de mim. E, assim, eu não existo. Mas, se não existo, como posso falar de todos?


Abraços


PS: Em síntese, o que quero dizer é que a pior forma de desqualificação de interlocutor é lembrá-lo de que ele não faz parte do objeto de estudo em questão. "Você não é mulher, não estamos falando de você!". "Você não é negro,…". Claro que uma mulher pode falar com toda a propriedade do mundo sobre o que acontece com ela, a sua vida. O mesmo vale para os negros. Entretanto, a riqueza do debate só existe quando a visão externa também é avaliada. Caso contrário, tudo parecerá lindo, perfeito e dividido.


PSV: Porém uma coisa é uma visão externa. Outra coisa é um preconceito arraigado e uma percepção totalmente equivocada. Aliás, isso me lembra: há negros e há mulheres que são preconceituosos e "feministas radicais" ( o que quer que, por Crom, isso signifique). Mas são a minoria da minoria. Fazer parte do grupo em debate não qualifica ninguém. Mas uma pessoa com bom senso desse grupo pode dar uma opinião melhor do que uma pessoa com bom senso que não pertence a esse grupo. E essa pessoa dará uma opinião infinitamente melhor do que aquela proferida por alguém que, além de não pertencer ao tal grupo (mulheres, negros, pobres, ...), também encontra-se carregada de preconceitos e estereótipos.

Robson França em dezembro 20, 2010 1:12 AM


#121

Ivan,

Chamar alguém de cara de pau não é argumentar. Leia como o Rovai tratou minhas críticas e tire suas conclusões. Só dizer ser democrático, libertário, humilde não faz isso verdade por mágica. As atitudes é que contam.
E o Rovai, NESSE CASO, não mostrou seu melhor lado, com argumentos pífios e prepotentes.

Estou disposto a debater, mas com argumentação, não com acusações levianas, coisa que não fiz com ninguém. E quero que me prove o contrário.

Abraços.

Euclides F. Santeiro Filho em dezembro 20, 2010 1:12 AM


#122

lola, sua otimista incorrigível. claro que não vai sobrar para as mulheres. o feminismo, o machismo, enfim, tudo o que deu início a essa discussão já foi ofuscado pelo duelo de egos gigantescos daqueles que se autodenominam blogueiros progressistas e suas "turmas", como eles mesmos gostam de dizer... stories for boys.

mf em dezembro 20, 2010 1:19 AM


#123

Idelber, você é um cara bacana, mas acho que está procurando pelo em casca de ovo.

Essa discussão já deu o que tinha que dar e agora virou apenas um campo de batalha para que rancorosos da ultra-esquerda, ególatras com complexo de inferioridade e paus mandados do PiG ataquem o Nassif e outros blogueiros mais "famosos" que ajudam a dar sustentação à blogosfera (progressista, de esquerda, independente, seja lá qual nome for).

Escrevi sobre isso em meu blog (que já dá link ao seu há anos): http://tudo-em-cima.blogspot.com/2010/12/direita-pig-complexados-e-donos-do.html

André Lux em dezembro 20, 2010 1:24 AM


#124

Outra coisa: tenham calma antes de denegrir o Eduardo Guimarães por causa de alguma suposta atitude "destemperada" dele, pois o cara é apenas um cidadão comum que colocou a cara pra bater nessa luta de David contra Golias e paga alto preço por isso (já foi inclusive ameaçado e teve problemas profissionais). Ele não é um jornalista tarimbado como o Nassif ou o PHA e, ou um professor que publica textos teóricos. Ele atua na blogosfera com o coração e, por isso mesmo, tem reações muito mais emocionais. Temos que levar isso em consideração e respeitá-lo.

André Lux em dezembro 20, 2010 1:32 AM


#125

Caro André,

eu fui um dos comentaristas que acabou brigando com o Eduardo Guimarães... não pense, pelo menos no meu caso, que isso se deu por não conhecer o trabalho dele ou por querer "defender" o Idelber ou quem quer que seja. Acompanho o blog do Eduardo, assim como do Idelber, há anos. Não dá pra respeitar ou ter consideração quando se trata um sujeito com todo o respeito, mesmo criticando-o, e o cara diz as coisas que ele está dizendo para os comentaristas que estão dizendo o que ele não quer ouvir. O problema dessa história toda é a tentativa de impor uma unidade artificial que, essa sim, vai acabar desagregando todo mundo...

Continuarei, por exemplo, sendo leitor diário do Idelber e do Nassif, mas não do Eduardo. Tenho certeza que muita gente que foi atacada lá pensa assim também.

Abraços

Gustavo Rabello em dezembro 20, 2010 1:46 AM


#126

O que me incomoda profundamente e ler esse tipo de coisa.

"rancorosos da ultra-esquerda, ególatras com complexo de inferioridade e paus mandados do PiG ataquem o Nassif e outros blogueiros mais "famosos" que ajudam a dar sustentação à blogosfera"

Sei...qualquer crítica então aos ditos "progressistas" pode colocar a sustentação da blogosfera em perigo?

Entenda eles não são os "donos da bola" e muito menos são imunes as críticas.


Gustavo em dezembro 20, 2010 1:48 AM


#127

O que está acontecendo não são "críticas", mas sim ataques pessoais movidos por rancores e outros interesses inconfessos. Ninguém é imune a críticas (ainda bem). Agora, tentar desqualificar pessoalmente alguém só por não concordar com sua opinião ou por causa de algum erro cometido é algo que só interessa aos inimigos da nossa causa.

André Lux em dezembro 20, 2010 1:57 AM


#128

Caro André, mas essa é a questão: o post não fala sobre ninguém em particular. Fala sobre um problema. Não cita ninguém em particular, a não ser os textos que o post quer recomendar. Mas publicou texto na rede, bicho, tem que estar tranquilo com a ideia de que alguém vai fazer reparos ao escrito. É muita viagem achar que isso é "desagregar blogosfera" ou "fortalecer nossos inimigos".

Sempre, sempre achei isso muita viagem. Está na rede, tem um certo peso, circulou opiniões? Ora, elas serão debatidas por outros, em outros espaços, inclusive por pessoas que, em outros contextos, estarão com você apoiando o mesmo candidato a presidente, por exemplo. Tem que relaxar com isso. Não vejo esse grande perigo "divisionista".

Aliás, acho que a preocupação com o "divisionismo" já é meio que fruto de uma visão restrita, que ignora muita coisa, e que fantasia uma unidade mítica que nunca existiu.

Idelber em dezembro 20, 2010 2:14 AM


#129

Idelber, seu comentário #91 foi no mínimo temerário, borderline desonesto. Você não tem elementos para jogar no ar uma afirmação travestida de reticências.

Esta discussão está em um nível absolutamente ridículo.

Rodrigo Saraceno em dezembro 20, 2010 2:17 AM


#130

Idelber, o problema não são as críticas, são os ataques pessoais e as acusações maliciosas.

Não é por causa de alguns erros que o trabalho amador desses colegas deve ser desmerecido muito menos o carater deles.

Eu não dou a mínima para como foram escolhidos os entrevistadores do Lula. Se eu queria estar lá? Claro que sim, mas não fui convidado. E daí? Não estou nessa pelos holofotes. Qualquer um da blogosfera que fosse lá me representaria.

Essa polêmica toda e os ataques chulos já passaram do limite do tolerável. Alimentar isso aí é apenas atirar em aliados e no próprio pé.

André Lux em dezembro 20, 2010 2:22 AM


#131

E lembre-se que grande parte de seus leitores também frequentam o LN. Sua afirmação em #91 indica um desprezo por aqueles que não se inclinam por sua posição.

Não afirmo isto categoricamente. Apenas digo que essa discussão atingiu níveis anaeróbicos. Só tem grita aqui: construção de conhecimento, zero. Sei que a poucos meses você afirmou que a este blog ficaria mais militante que analítico: mas a eleição já passou.

Rodrigo Saraceno em dezembro 20, 2010 2:23 AM


#132

O comentário #91 não "joga no ar" absolutamente nada. Ele afirma uma verdadeira e realmente existente diferença entre este espaço e o espaço do Nassif, a partir de um comentário do Rafael: aqui, clicou, entrou. Lá, tem aprovação prévia de comentário.

Onde está a "desonestidade" de se apontar essa diferença factual, Rodrigo, você poderia explicar?

Idelber em dezembro 20, 2010 2:24 AM


#133

A impressão que essa celeuma me passa é daquelas brigas de bares que começam por bobagem e depois se transformam numa pancadaria generalizada. O Nassif publica um post infeliz, demora mais do que deveria a se retratar, mas o faz... e como resultado temos quase uma semana de trocas de ofensas entre personalidades importantes da blogosfera. Alguém realmente acha que Rovai, Nassis e o Eduardo Guimarães são trogloditas machistas?
Professor Ideber lhe tenho o maior respeito, mas tanto o Nassif quando o Eduardo estão tomando pancada de forma gratuita. A boa polêmica é sempre bem vinda, mas não é isso que temos assistido. Acho que talvez a "hybris" das eleições ainda não tenham arrefecido como deveria....

Alexandre Vasilenskas em dezembro 20, 2010 2:26 AM


#134

Idelber, quando você não filtra os comentários de seu blog fica sujeito a ver lixo ofensivo publicado nele (e esse post está cheio deles).

Ativar a opção de aprovação de comentários não é sinônimo de censura, muito pelo contrário. Você optar por deixar qualquer coisa entrar na sua caixa de comentários é um direito seu, mas também o torna co-responsável por tudo que é depositado nela...

Não se faça de superior só porque outros preferem adotar posturas diferentes das suas em seus blogs.

André Lux em dezembro 20, 2010 2:36 AM


#135

Idelber, tem um equívoco seu aí.

No blog do Nassif o sistema de comentários funciona assim: se você está cadastrado no portal Brasilianas (o que se faz sem grandes requisitos), seu comentário entra automaticamente; senão, passa pela moderação.

O que acontece lá é que os comentários são atualizados de 10 em 10 minutos, e não imediatamente; mas o sistema é automático. Por isso um comentário de um usuário cadastrado não aparece imediatamente.

Esse sistema substituiu o critério de liberação de comentários caso a caso. Agora, um comentário de usuários cadastrados só é moderado se for indicado como abusivo por 3 ou mais usuários.

Os comentários de usuários não cadastrados continuam moderado.

Então, repito que sua afirmação foi temerária, pois categórica, mas sem conhecimento de causa (se você não conhecia como funciona o sistema, como me parece que é o caso).

Se conhecia, aí fica complicado, porque o blog do LN é bem maior que o seu: você pode se dar ao luxo de fazer moderação pos facto, na mão. Lá é mais complicado sem um sistema automatizado.

E, não sei se você sabe (afirmação honesta), alguns blogueiros nacionais já foram processados e condenados por afirmações feitas por comentaristas em seus blogs: e o blof do LN é grande, em número de usuários, e bastante visado.

Rodrigo Saraceno em dezembro 20, 2010 2:42 AM


#136

Só para organizar, o comentário #135 responde ao #132.

Rodrigo Saraceno em dezembro 20, 2010 2:44 AM


#137

Aqui vai uma contribuição para a discussão:

http://anaocorcunda.blogspot.com/2010/12/sobre-machismo-e-conservadorismo.html

Um abraço.

Anão Corcunda em dezembro 20, 2010 2:45 AM


#138

Olá,

escrevo aqui, pela primeira vez, para manifestar meu apoio ao Idelber na corrente polêmica. Sou também parte dos menosprezados "acadêmicos" - doutorando em Teoria da Literatura - e me preocupam muito algumas das posições que vejo colocadas. A primeira é uma atitude caricatural em relação ao debate crítico. Mutatis mutandi, em alguns momentos fazem com o feminismo - e com o Idelber - o que o Paulo Henrique Amorim faz com o Serra e o PSDB. (Aliás, não gosto muito do Conversa Afiada por conta dessa atitude caricatural, que considero contraproducente.) A segunda é o anti-intelectualismo que parece tomar conta da discussão, desde a tirada do Nassif contra os "acadêmicos", até comentários mais toscos aos posts. Um dos pontos fascinantes da história da esquerda é o quanto, e apesar de quantas adversidades, seus expoentes procuraram compreender o mundo que os cercava. O anti-intelectualismo quebra a unidade da praxis, criando uma falsa dicotomia entre compreender o mundo e transformá-lo (lembrando das Teses sobre Feuerbach). Compreender o mundo, transformando-o, INCLUI pesquisar sobre um assunto antes de falar sobre ele - e as referências que o Idelber traz deveriam ser entendidas dentro desse esforço de compreensão, e de ajudar o outro na compreensão.

Pedro Mandagará em dezembro 20, 2010 2:52 AM


#139

Então, repito que sua afirmação foi temerária, pois categórica, mas sem conhecimento de causa (se você não conhecia como funciona o sistema, como me parece que é o caso).

Conheço exatamente como funciona e tenho os testemunhos de leitores não aprovados.

Agora você teria que decidir, Rodrigo: eu fui "categórico", como você diz no #135, ou "joguei no ar", como você diz no #131? Me parecem afirmações opostas. Quem está "jogando no ar" não pode estar sendo categórico.

E não opostas, mas certamente diferentes, são as afirmações de que eu fui "desonesto" ao responder apontando a diferença entre caixa aberta vs. moderada a um leitor que dizia que era "sintómatico" que os leitores aqui concordassem comigo e que os de lá com ele (como você faz no #131) ou que eu fui "temerário" (como já é o caso no #135). Foi nesse contexto, André, que eu apontei a diferença: era uma observação de um leitor no #90. Não era para ser "superior" a ninguém.

No fundo, a questão é a seguinte: se alguém quer entender por que o Nassif está levando tantas saraivadas de críticas, o razão não está aqui n'O Biscoito. O meu post não critica ninguém nominalmente. Fala de uma coisa muito mais geral. As razões pelas quais o Nassif está levando tantas críticas em tantos lugares deve ser buscada no blog dele, não aqui. Meu post é sobre outra coisa. Que se tente entender o que Cynthia, Marjorie, Lola, Mary W, Rosi e muitas outras e outros disseram aqui. É isso.

Idelber em dezembro 20, 2010 2:53 AM


#140

Prezado Sr. Corcunda,

Me lembrou de um aforismo de 'Rua de Mão Única': "convencer é infrutífero". Haja Walter Benjamin.

Minha escrita anda muito careta, essa aparição do Anão me deixa mais animado.

Precisamos tomar umas,

Grande abraço

Gustavo Rabello em dezembro 20, 2010 3:05 AM


#141

Ô Idelber, quando você diz que aqui o papo é livre e lá você não sabe, essa afirmação soa como sarcasmo. Soa como se o papo aqui é sem censura, mas lá as afirmações podem estar viciadas, afinal "Lá você não sabe quantos comentários ficaram retidos na filtragem".

Você está colocando a sua caixa de comentários como um parâmetro idôneo a validar suas afirmações, ao mesmo tempo que desqualifica a caixa do blog do LN.

E o problema dessa sua afirmação de que o LN está sendo criticado em 'tantos lugares' é que ignora que ele está sendo defendido em outros tantos.

Claro que esses tantos que defendem o LN estão sendo taxados de machistas, mas o cara está sendo defendido sim.

Aí tem que ver se essa discussão doida está servindo para algo de útil, ou se é um espetáculo que gera calor mas nenhuma luz.

Porque uma joça de um post que fale do feminismo de forma didática que é bom, necas. Fica esse quebra pau que vai do nada a lugar nenhum.

Rodrigo Saraceno em dezembro 20, 2010 3:08 AM


#142

Rodrigo:

Porque uma joça de um post que fale do feminismo de forma didática que é bom, necas.

Este post que está acima destes 142 comentários é meu melhor intento de fazer exatamente o que você pede, um post que fale do feminismo de forma didática. Várias pessoas que têm alguma história com o feminismo vieram aqui hoje para dizer que lhes serviu. Talvez não tenha servido para você, mas que tal ouvir as razões que elas possam ter para achar que o post está fazendo precisamente o que você pede?

Idelber em dezembro 20, 2010 3:13 AM


#143

"A blogosfera progressista falhou em levar blogueiras. Ponto."

Com quatro blogueiras já estava combinado. Três não puderam ir. Uma foi por webcam.

Talvez devessem ter cancelado a entrevista. Pedido desculpas, informado o motivo, enfim, reconhecido a incapacidade de levar blogueiras para Brasília.

E, sem a entrevista, possivelmente essa questão desse neologismo "feminazi" (pelo menos para mim é novo), não teria surgido.

Talvez fosse melhor.

No mínimo melhor do que escutar esse diálogo de surdos.

Ticão em dezembro 20, 2010 3:24 AM


#144

Idelber,
Freqüento o blog há pouco tempo e, mesmo com receio de soar inconveniente, não posso deixar de registrar que houve sim uma clara tentativa de patrulhar e cercear o debate no post do Paulo Candido. Os instrumentos foram dois: argumento de autoridade dos que conhecem bem o tema e o “machista” marcado a ferro quente na testa de quem ousou questionar, mesmo de forma contingencial, o consenso instituído.
A minha tendência era seguir o consenso. Mas quando vi gente cagando regra e impondo certezas, me permiti um exercício hipotético: excluí qualquer juízo de valor dos conceitos de machismo e feminismo para me concentrar na (in)tolerância com que as pessoas lidavam com opiniões contrárias (que para falar a verdade nem eram tão divergentes assim). Mas ainda ficou abstrato demais para o meu pouco conhecimento e limitada capacidade de raciocínio. Daí então resolvi simplificar as coisas e substituí machismo e feminismo por palestino e israelenses.
Imediatamente me lembrei dos tempos de colegial. Recém chegado à São Paulo e novo na escola, inadvertidamente ousei defender os palestinos durante uma aula de geografia em que discutíamos a Segunda Intifada, numa classe que contava com uma dúzia de judeus bem nascidos e educados. O argumento que apresentaram – com direito a berros e dedo na cara – foi mais ou menos o que vi aqui. Quem não fosse judeu ou nunca tivesse visitado a região conflagrada simplesmente não poderia opinar sobre o conflito árabe-israelense. A não ser, claro, para concordar integralmente com o governo de Israel. Não havia dúvidas ou sutilezas naquele antro localizado nos Jardins: quem fosse contra era um defensor do Holocausto.
Pelo consenso forjado aqui, o feminismo foi alçado à condição de dogma e suas sacerdotisas jamais poderão ser contestadas por aqueles que não forem vítimas diretas do machismo e não tenham profundo conhecimento da causa, mesmo quando, excepcionalmente, o feminismo seja apenas um véu para encobrir interesses mais concretos e menos nobres.
Não concordo. O movimento feminista é de natureza política. E se influencia a política deve estar sujeito a apoio, discussão e crítica da forma mais ampla possível. E por qualquer pessoa. Que deverá arcar com a conseqüência de seus atos, inclusive o de ser acusado de machista.
p.s.: se debater é importante, não significa que eu queira ou precise fazê-lo aqui.
p.s.2: tenho quase certeza que serei ignorado. Mas se alguém quiser rebater só peço que o façam de forma clara e sem muita sofisticação, porque confesso que tem hora que a discussão fica tão hermética que fica até difícil compreender o argumento.

Thiago em dezembro 20, 2010 3:24 AM


#145

Caros Idelber e Hugo,

Primeiro, o Hugo. Não, não entendi a ironia do termo "intelectual clandestino". Até agora, inclusive, não entendi. Deve ser minha estupidez. Mas eu gosto dos seus textos e fora minha implicância com a autodenominação de "intelectual" (a palavra "clandestino" eu achava que fosse apenas para ser chique), tudo que falei sobre você foi sua contrariedade com o termo "blogueiros progressistas".
Não vejo nada de errado com o termo, pois o entendo como uma tentativa de juntar pessoas que tenham algumas coisas em comum, coisas estas, aliás, bem enumeradas pelo Nassif no post tão atacado. Por isso entendo ser uma bobagem criticar o termo com rigor acadêmico. Só isso.
E eu nunca afirmei que o Nassif fosse de esquerda. Mas eu não leio ou respeito só gente de esquerda. Leu as entrevistas do Delfim Neto e do Adib Jatene na Carta Capital desta semana? Ótimas. E não são pessoas propriemente de esquerda. Só disse que é um erro, na perspectiva das duas últimas décadas, classificar o Nassif como de "centro-direita". E sem uma perspectiva histórica acabaremos por constatar que eu, você e talvez o Idelber seríamos contra a revolução russa de 17, pois é muito provável que nossas posições de hoje estejam à direita da dos Mencheviques naquele tempo.

Idelber, veja, um cara foi apanhado em um erro. Mas é um cara valoroso, que realiza, ao que tudo indica, um trabalho honesto e importante. Dos trocentos blogs que leio com frequência, o dele e o do Azenha foram os que mais destaque deram e mais posts publicaram sobre a sanção da Lei Maria da Penha. Muitos que hoje o criticam sequer mencionaram o tema. Atacado por seu erro, praticou a mais humana das ações: negou o erro. Agora, se desculpou. E eu não o culpo por ter também atacado. Com tanta gente pior por ai, por que ele deveria aceitar ser o bode expiatório do machismo brasileiro. A coisa tomou uma dimensão desnecessária, é isso que penso. E você ajudou nisso, provando agora por A mais B que o Nassif nada sabe sobre a história e as demandas do feminismo. Conseguiu, com ótimos argumentos e citações, os quais você tem absoluta competência para fazer. Agora está dizendo que o Nassif nada sabe sobre a história da internet brasileira. Talvez consiga provar de novo. Só me pergunto, e esse foi o motivo do meu post, para que tudo isso?
Sei lá, eu no seu lugar tomaria cuidado porque daqui a pouco a Soninha e o Reinaldo Azevedo vão fazer posts te defendendo (rsrsrsrs).

Abraços,

Mauro Abdon Gabriel em dezembro 20, 2010 3:29 AM


#146

Thiago, entendo o que você diz, mas permita-me sugerir que o que rolou na discussão do post do Paulo Candido foi algo bem diferente de "berros e dedos na cara". O Miguel perguntou por que machismo era ofensa se feminismo era elogio e foi, no dizer do Alexandre Nodari, "contra-trollado". Se sentiu, pelo jeito, muito atingido mas, sinceramente, vi em vários momentos uma discussão muito produtiva. Não foi de temperatura mais elevada que outras que rolam por aqui. Há que se relaxar um pouco com isso. Escreveu na rede? A polêmica sempre pode acontecer, mesmo.

O que não dá é pra fazer esse tipo de pergunta e aí, quando muitas mulheres (e vários homens também) demonstram estupefação e indignação, vitimizar-se, como se estivesse sendo linchado fisicamente. Sempre achei isso uma bobagem.

O lema deste blog sempre foi o do filósofo Vicente Matheus: está na chuva é para se queimar.

Idelber em dezembro 20, 2010 3:35 AM


#147

Claro, foi só uma lembrança pessoal mesmo. Até porque berros e dedos na cara virtual é bem mais tranquilo que o real. Abraço.

Thiago em dezembro 20, 2010 3:51 AM


#148

"Compreender o mundo, transformando-o, INCLUI pesquisar sobre um assunto antes de falar sobre ele - e as referências que o Idelber traz deveriam ser entendidas dentro desse esforço de compreensão, e de ajudar o outro na compreensão."

Pois é. Algumas vezes achamos que nossa experiência de vida, aquilo que aprendemos ao longo de 50 ou 60 anos, nos dá o direito de opinar sobre qualquer assunto.

Eu nunca pesquisei ou estudei esse tema do Feminismo.

Por isso acho melhor não emitir nenhum juízo sobre essa questão do "feminazi" e toda a discussão decorrente.

O máximo que sei sobre esse tema é a vivência do cotidiano, de trabalhar com mulheres e homens, e ir observando os comportamentos, inclusive o meu. Se de alguma for compreendi o mundo e talvez tenha contribuido para transforma-lo foi sem nenhum estudo, foi por acaso.

Certamente não é o bastante para dar "palpite".

Ticão em dezembro 20, 2010 3:53 AM


#149

O mais irônico disso tudo foi que Idelber usou as feministas como justificativa para despejar aqui (e no twitter) toda a sua fúria contida por Luis Nassif.

Esperou pacientemente por uma oportunidade. E que oportunidade! Surgiu uma chance única de atacar o Nassif tendo a cobertura de um grupo "ofendido" pelo alvo em questão, além do aval dos que lutam (corretamente) em favor das minorias.

Conseguiu seu objetivo e ainda saiu como herói.

Grande estratégia!

Bruno Barros em dezembro 20, 2010 4:26 AM


#150

O que eu acho mais gozado nessa estória toda é como a história realmente se repete como farsa.

Quando o Obama foi eleito o papo era de uma América pós-racial, que o racismo tinha acabado, que os negros estavam tão inseridos na sociedade Americana que podiam eleger um presidente e tal e qual. O que se viu logo em seguida foi um recrudescimento do racismo - a direitona Americana se tornou ainda mais reacionária que nos anos Bush e hoje os racistas nem sentem mais vergonha de se identificarem como tal nos EUA. Desde a posse do Obama o que se imaginava como um avanço se mostrou um retrocesso monstruoso.

Cá, como lá, com a eleição da Dilma como a primeira presidentA do Brasil foi timidamente celebrado como uma conquista do espaço feminino na sociedade. A mulher nem tomou posse ainda e já tem quem se ressinta das posturas feminazi que ela pode-vir-a-adotar-porque-feminista-é-tudo-mulher-braba.

Não causa estranheza a ninguém que as mulheres - que são metade da população - AINDA precisem se inserir na sociedade; que AINDA seja visto como conquista quando uma delas realiza algo que deveria ser direito de qualquer cidadão que é participar da vida pública, etc e coisa e tal. Lugar de mulher é na cozinha ou pilotando tanque de lavar roupa, mas se alguém se levanta contra a idiotice desse argumento é taxado de RADICAL e o céu cai sobre a cabeça.

Pra quem usa argumentos infantis prá justificar seu machismo entranhado, faz assim: não pode chamar ninguém de "feminazi" não, que é feio. Se não entende por quê, se acha que é exagero, só lembra que é tão feio quanto arrotar em público ou cuspir no chão.

Infelizmente, se o ciclo que está se dando com o Obama nos EUA se repetir por aqui eu prevejo anos muito difíceis pela frente. Espero que a Dilma se prepare porque isso é só o aperitivo.

Bruno Santos em dezembro 20, 2010 6:36 AM


#151

Nesse imbróglio todo apoio sua posição, idelber. vejo que foi coerente do início ao fim. respeito muito você e outros que já são veteranos na blogosfera. leio sempre seu blog, sei que suas posições externadas são fruto de sua consciência e formação. o mesmo não posso dizer de nassif. leio o blog dele também. mas também lia os textos do jornalista na folha de são paulo e percebi como todas as posições dele mudaram a partir do momento que saiu de lá. já li textos onde ele afirmava que serra era o melhor político do país e que o pt precisava se livrar do comando de lula para crescer. por isso, não me surpreendem as posições conservadoras de nassif sobre feminismo e tantas coisas mais, ele esteve muito tempo do lado de lá, é um grande jornalista, mas jamais diria que é um "progressista" no melhor sentido do termo.

Marcelo Rabelo em dezembro 20, 2010 8:25 AM


#152

Logo este blog que eu tanto gostava....q pena..

Concordo com o Rodrigo Viana: essa esquerda que está aqui é aquela esquerda que a direita adora...

Idelber, agora quem precisa vestir a sandalia da humildade é vc e pedir desculpas ao "jornalismo masculino progressista"...rs

Felipe em dezembro 20, 2010 9:34 AM


#153

Só quero dar um pitaco: uma falha que vejo nesse post do Idelber é exatamente ficar atrás de um biombo de "não atacar ninguém nominalmente". Acho que errou o foco ao atribuir aos "blogueiros progressistas" (o nome não tem a menor importância, a meu ver) o fato de serem machistas, o que absolutamente não pode ser provado sem apontar onde está o machismo (que vimos, rigorosamente, no post do comentarista do Nassif, e no qual ele tem responsabilidade). E também sem identificar nominalmente quem são esses blogueiros. Afinal, onde está o machismo dos "blogueiros progressistas"? Quem são eles? Desculpe, mas assim fica fácil! É tomar o todo pela parte. Não se trata mais de debater o machismo, virou uma fogueira de vaidades.

sidneig em dezembro 20, 2010 9:57 AM


#154

Antiguidade é posto no exército. E só serve para assunção na patente e no salário, nada mais. Então, me deixa um pouco desconfortável carteiraços temporais como: "- Eu estou na blogosfera desde..." É feio. Citações de autores não traduzidos ao português soam como pedantismo. Eu li, eu li, eu sei, eu sei... E, por outro lado, há autoras e autores brasileiros muito bons e que tratam da temática do feminismo em nossa realidade (ou conjuntura se quiser). Agora, ninguém é inatacável. Se o senhor Nassif "pisou na bola" deve pedir desculpas e seguir a vida. Creio que não se pode e não se deve valorizar demais o episódio, pois reforça certos conceitos e preconceitos que podem não fazer bem ao país. Sem nos esquecermos, que um dia, o PT e seus aliados sairão do governo federal. E, aí, como diz a música, é preciso estar atento e forte, e não dividido e fraco.

Claudio Cunha em dezembro 20, 2010 10:41 AM


#155

CDM (#92) e Idelber
Não vejo problema no confronto (embora as motivações estejam um pouco obscuras e, talvez por isso, o tom um pouco acima do que seria desejado). Apenas acho que, para este imbroglio se encaminhar para um bom termo - afinal de contas não tem o menor cabimento pessoas tão lúcidas e com pensamentos tão irmanados não conseguirem resolver supostas diferenças -, seria interessante que os posts relativos ao assunto não fossem abertos a comentários. Não vejo em tudo isso motivo para uma guerra campal - um duelo talvez. Deixaria menos feridos e seria mais produtivo. Abs.

Cláudia em dezembro 20, 2010 10:43 AM


#156

O Sr. Eduardo Guimarães tem um problema sério com o contraditório...

Abel Botelho em dezembro 20, 2010 10:47 AM


#157

Engraçado que quando se criticou os blogueiros progressistas no atacado pela escalada de erros do Nassif, muitos reagiram dizendo "opa, nós não somos ele, nós somos muitos e diferentes e nem tão organizados assim". Mas agora já mudaram de ideia, a blogosfera progressista existe, é (era?) unida e articulada, mas isso está sob ameaça pelo Idelber. (Aliás, se todos discordam do Idelber, de onde vem a desunião?)

Bárbara Lopes em dezembro 20, 2010 10:53 AM


#158

Todo o episódio é sintoma de algo maior.

A eleição acabou e vencemos. Agora é hora de aprofundar a mudança, inclusive e talvez principalmente por dentro da esquerda.

Com a vitória de Dilma, que é a nossa vitória, a vitória dos muitos, formou-se um consenso ao redor de certas pessoas e isso começa a funcionar de maneira autoritária.

Vejo isso quando esse consenso significa, aqui no Rio, despejar sistematicamente comunidades pobres, sob o argumento das olimpíadas, pela Secretaria Municipal de Habitação do partido do governo; ou quando esse consenso significa, no MINC, prevalecer o discurso das raízes e da visão obsoleta da cultura como indústria.

De modo semelhante, existe esse "consenso progressista" (e seus representantes) na blogosfera querendo operar ao revés, contra o aprofundamento da mudança que o evento Lula significou, impregnando a blogosfera do velho modelo do jornalismo, dos velhos preconceitos, do velho corporativismo.

E todo consenso precisa de mecanismos de reafirmação de identidade, e nenhum é melhor do que o inimigo externo, daí o PIG (que a meu achata inúmeras questões e sutilezas, embora tenha valor midiático), daí a demonização histriônica do Idelber e seus asseclas.

Bruno Cava em dezembro 20, 2010 10:56 AM


#159

O Sr. Eduardo Guimarães tem um problema sério com o contraditório...

Abel Botelho em dezembro 20, 2010 10:57 AM


#160

Ora, Idelber. Não vamos transformar Lula em um Santo.

"A diferença entre o Lula, que você citou, e os jornalistas blogueiros progressistas é que Lula, por exemplo, jamais chamou feministas de feminazis ou barraqueiras, nem jamais emitiu opinião sobre o que são "as" feministas sem ter preocupado em escutar as que têm algo a dizer sobre o assunto."

Lula já disse por aí que Pelotas era uma cidade exportadora de Veados. Fosse o Nassif a fazer uma brincadeira dessas... Hum!

Bruno Barros em dezembro 20, 2010 11:10 AM


#161

Caro Idebel, texto rico, como sempre. Mas você foi injusto na crítica ao campo que se denominou de progressista num encontro nacional que reuniu mais de 300 blogueir@s das mais diversas procedências geográficas, políticas e ideológicas. Por não ter participado do evento, especialmente do debate sobre a definição do "nome" do campo, você também patina. A discussão que acabou definindo o termo "progressista" para nos identificar foi dura, extensa e tensa. Entre as propostas alternativas, havia, sim, a ideia de se cunhar o grupo de "blogs de esquerda", bem como "blogs democráticos" e outras sugestões menos acolhidas. Diante da imensa heterogeneidade - a qual você não pode sequer fazer ideia, pois não esteve lá - do encontro, ficou nítido que o termo mais agregador, com todos os seus problemas, seria "progressista". Eu mesmo me manifestei expressando minha divergência político-ideológica com o termo, mas que considerava necessário e pertinente abrirmos mãos de convicções individuais para chegarmos a um termo que, embora trouxesse inúmeros problemas (como todos os outros trariam), fosse o mais adequado para demarcarmos nosso campo político. Na minha fala eu disse enfática e explicitamente: - Eu não sou progressista, eu sou comunista! - o que até levou várias pessoas a me perguntarem se eu era filiado ao PCdoB (sou petista, do campo da esquerda, na verdade). Esse debate provavelmente será retomado no próximo encontro nacional de blogs e mesmo antes já despertou desdobramentos positivos. Por exemplo, no Maranhão, o campo dos blogueiros e tuiteiros progressistas especificou o que para eles está nesse campo: (1) defesa incondicional dos direitos humanos; (2) defesa da democratização da comunicação em todos os seus aspectos e (3) defesa das lutas sociais que visam a libertação do Maranhão das mãos da oligarquia. Por fim, concernente ao tema desse post, você também foi injusto e impreciso ao associar o equívoco de alguns "blogueiros progressistas" ao conjunto do campo. Muitos - entre os quais me incluo - integrantes do campo de blogs progressistas são ativistas e defensores do feminismo (e, também, das militantes feministas) e não são merecedores de sua crítica generalista. Abrs e sigamos no debate e na luta!

Rogério Tomaz Jr. em dezembro 20, 2010 11:16 AM


#162

O Nassif questionou o fato de ter sido tratado como um inimigo. É óbvio que ele se sentiu agredido ao invés de alertado e instruído. Vocês realmente acreditam que o Nassif é contrário as lutas das mulheres? Isto não faz sentido. Perderam uma boa oportunidade de agregar ao invés de dividir.

Fabio Passos em dezembro 20, 2010 11:39 AM


#163

ê pano pra manga...


Leio o Biscoito Fino há bastante tempo - se é que se pode achar que blog existe há bastante tempo, e muito pouco do Nassif ou dos outros blogs que assumiram o manto da 'blogosfera progressista'. Dito isto, algumas reflexões sobre essa história toda; mesma história do post, essa novela só serve de gancho:

1) Maldito dualismo. Dualismo fácil. Homogeneidade de conveniência. Transformar política, e principalmente, análise e comentário de movimentos sociais e políticos em Fla x Flu é furada, mermão.


Desde a eleição essa polarização PT x PSDB já estava me cheirando mal. Usando o sr. Leonel Brizola e sua citação que está sendo usada contra essa 'desunião', 'essa é a esquerda que a direita gosta'. No caso, a esquerda dogmática, atada aos velhos tempos, em cerco. Como tal, se vê inimigo em tudo quanto é canto. Us x them. Fica se discutindo quem tem o manto da esquerda legítima até ser criada a Frente Popular da Judéia. Isso já criou problemas entre PT x PSOL, no primeiro turno, PT x PV, também no primeiro turno, enfim...


A beleza da internet, principalmente, é a pluralidade. O debate. Criar uma frente ampla é isso, respeitar o amplo leque, sempre mutante, do que se pode chamar de uma frente de esquerda, contra exatamente o dogmatismo, dedo-apontadismo, cara-de-pau do estabilishment, das forças e microforças conservadoras - reforço aqui conservadorismo porque pode haver tanto conservadorismo de esquerda quanto de direita - incluindo aí reflexos da sociedade no discurso. Analisar discurso é procurar pelo em ovo, mas acho que todos queremos ovos depilados no café da manhã.

2) Essa atitude (auto)crítica em relação aos reflexos da sociedade no discurso de tal ou tal pessoa - sejamos sinceros, não fazia diferença antes quem falou o 'feminazi', mas sim o fato de ter falado e ter passado despercebido - é exatamente isso. Não é pessoal. Não é sobre ninguém. E é sobre todo mundo. Porque o discurso do status quo é invasivo, corrói o senso crítico. Ser apontado das falhas do seu discuro é positivo. Claro, depende do que se é feito com isso.


No momento que se criticou o Nassif pelo uso do 'feminazi' não foi um dedo na cara falando 'vc é machista'. Apontar dedos com conjunturas é desperdício de tempo. Tudo é machista. Todos somos. Cabe a nós nos policiarmos pra remover os traços desse discurso que recebemos e introjetamos. Não é patrulha ideológica, a não ser q vc considere patrulha ideológica não peidar no elevador, ou a ser educado e prestativo ao seu redor. Se você considera isso patrulha, vc tem problemas sérios de ajuste a sociedade, e todo esse papo de conjuntura, status quo realmente não fazem muito sentido pra você. Deixa pra lá.


Agora, de novo, como o título do post está aí lindamente afixado, não é de você que devemos falar. Eu sei, a força gravitacional exercida pelo umbigo é forte, mas se conseguimos lançar ônibus espaciais para o infinito e além, vc também consegue lançar seu discurso além do umbigo. Só precisa uma forcinha.

3)Claro, também tem a questão de egos atingidos, cultura jornalística pré-internet, patamares, escadas, 'fama' (o que não se faz por uns 15 segundos a mais...), enfim. Menos, gente, menos. Ninguém é livre de qualquer crítica por qualquer atitude, ainda mais na internet. Tá no inferno é pra se molhar, e tá na chuva é pra se foder. Compra uma carapaça mais dura, compra uma carapuça que sirva, e segue em frente. Acreditar em teoria da conspiração queima filme.

TL;DR: chega dessa porra de Fla x Flu que já deu, e isso tem que ser resolvido com uma cerveja coletiva, nem que por videoconferência, e com ampla participação feminina e feminista.

Marcos Ceia em dezembro 20, 2010 11:58 AM


#164

Acredito que sim o movimento Feminino é deveras imnportante, já que faz parte da luta das imensas injustiças sociais, uma opressão que dura a séculos...

O que não concordo é tranfomar o Nassif em um inimigo a ser exterminado... Diga-se de passagem conheci seu blog por ele.... um cara que resolve enfrentar a veja sozinho, demonstra que é uma pessoa que somente por isso já merecia mais respeito... e lamento, mas seu post ai coloca mais lenha na fogueira de um incêndio que estava se apagando... muito ruim, já que ele desculpou-se sim, e achei que fora um exagero atacar assim uma pessoa.. erros todos comentem, quem não que atire a primeira pedra, né??

Beto em dezembro 20, 2010 12:11 PM


#165

"É impressionante a ignorância. O que faziam na rede Hernani Dimantas, Rossana Fischer, Marcelo Estraviz, Cris Fernandes e Manoel Fernandes (Novae), bem antes de 2002-03, em alguns casos desde 1999, muitos anos antes de que se iniciasse o bom blog do Eduardo Guimarães? Não era "militância digital" de "eventos com repercussão" e "acima das tendências políticas"? Ou Nassif não sabe quem eram aquelas pessoas e o que elas faziam?"

Sem querer desmerecer – claro –, algum desses pioneiros da blogosfera fez a "militância digital" se materializar de forma tão significativa como fez o Eduardo Guimarães?

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-07.html

Se fez, ótimo. Eu gostaria de tomar conhecimento. Se não, Eduardo é o precursor de uma nova etapa da "militância (que se reune de forma) digital". E deve ser exaltado por isso, não diminuído. O trabalho de Eduardo Guimarães (com o seu Movimento dos Sem Mídia) está, sem sombra de dúvidas, um patamar acima dos que fazem "militância" e "protesto" apenas dentro de um quarto trancado.

Bruno Barros em dezembro 20, 2010 12:13 PM


#166

Beto, o que precisa ser entendido é que eu não falei absolutamente nada sobre Nassif no post.

Entenda o subtítulo do texto, meu amigo: não é sobre você que devemos falar. O título não é irônico. O texto é sobre outra coisa mesmo. Quando eu falo de alguém, eu falo dando nome e link.

O texto fala de um problema, um dado, algo que existe.

Bruno, vou deixar você pesquisar por si próprio quem é Hermani Dimantas, por exemplo, ok? Vai lá, você consegue.

Idelber em dezembro 20, 2010 12:19 PM


#167

Idelber,

Confesso que, particularmente, o tema feminismo não me atrai muito a ponto de ler todas essas referências que você linkou ou livros que você indicou.

Mas o barato do seu texto, como mencionei lá no Twitter, está em tocar em dois temas que acho que valem a pena sempre serem guardados com carinho: conhecimento e humildade.

Conhecimento para poder ter alguma "autoridade" para falar sobre qualquer assunto. Ainda mais os "espinhosos". Se não corre-se o risco de se tornar um "especialista" de tudo, arriscando-se a falar besteira a qualquer momento.

E humildade para reconhecermos eventuais posturas ou opiniões equivocadas, além de nos ajudar a receber críticas e lidar bem com o contraditório. Mais ou menos como você falou lá no nosso bate-papo no centro do Rio no último dia 17/12: não gostou do que escrevi? Então rebata, fundamentando sua opinião através de argumentos consistentes.

Li hoje dois posts de blogs ditos progressitas (também não sou muito fã desse termo) que versam sobre este seu post: um do Eduardo Guimarães e outro do Rodrigo Vianna. Pra quem não leu, os links estão aqui:

http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/a-quem-interessa-desagregar-a-blogosfera/

http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/nassif-e-a-esquerda-que-a-direita-adora.html

Entendo o lado deles, de como deve ter sido difícil organizar um encontro de blogueiros para poder dar visibilidade à blogosfera nacional. É uma batalha árdua, desigual. Eles estão de parabéns pela mobilização. Mas percebi uma certa falta de humildade em receber as críticas (no caso, as suas, expostas aqui).

Ao meu ver, o fato de sermos de esquerda, de termos lutado contra um inimigo em comum (no caso Serra e todas as forças retrógradas que ele representava) nas últimas eleições não invalida termos posições diferentes sobre diversos aspectos da vida humana, surgindo daí um bom debate que só tende a enriquecer ainda mais o nosso conhecimento.

É bacana o espaço que o Nassif dá os seus leitores? É. (inclusive ele elevou a categoria de "post" um comentário meu).

É bacana a luta (representada por esse encontro de blogueiros) do Eduardo Guimarães, Rodrigo Vianna e outros blogueiros contra o pensamento único da grande imprensa? É.

Como é igualmente bacana vir aqui no seu blog e ler uma outra opinião a respeito. Bem fundamentada e com bons argumentos, diga-se.

Enfim, é essa pluralidade de estilos, pensamentos e opiniões, que encontra um solo fértil na internet, que temos que buscar sempre (democracia não tem a ver com isso?). E, se possível, com conhecimento e humildade.

Abração,
Carlos Eduardo Lessa

Carlos Lessa em dezembro 20, 2010 12:52 PM


#168

Todo homem com mais de 40 anos foi criado, educado, ouvindo, aprendendo conceitos machistas, atitudes machistas...Depois, quando adquirimos independência intelectual, passamos o resto de nossas vidas tentando eliminar esses conceitos e atitudes interiorizadas. Para muitos não é fácil. Idelber e todos aqui, essa luta diária também e tua, não é? Eu, velho hippie, com 56 no lombo, 2 casamentos, 2 filhas, irmãs, amigas, admirador incansaaavel da beleza feminina, venho aqui afirmar que a discussão já foi longe demais, se espalhou demais, perdeu o rumo; progressistas (o que é?)ou não, devemos todos tratar de outros assuntos por que que este sobre machismo/feminismo etc e tal já foi devidamente explorado. Devemos parar de dar motivos para as gargalhadas de Tio Rei e outros menos célebres.
Obrigado.

maurício em dezembro 20, 2010 1:06 PM


#169

Euclides #121: notado. Retirado.

Gosto muito do material dele, so isso.

Ivan Moraes em dezembro 20, 2010 1:27 PM


#170


Epa, desculpe mas eu li que algumas mulheres foram convidadas a participar da entrevista,porém não puderam comparecer por compromissos pessoais.

Marinho em dezembro 20, 2010 1:55 PM


#171

Caro Idelber,
de fato vc não falou nada do Nassif no post. Só que falou de um machismo de "blogueiros progressistas", e não mostrou onde está esse machismo. O que tem o encontro de blogueiros a ver com o sexismo? Voce fez essa pergunta no post. Não achei nenhuma resposta convincente no post.

sidneig em dezembro 20, 2010 2:00 PM


#172

estou a muito tempo trabalhando em espaços mistos e tenho a alegria de hoje poder contar com colegas/amigos que tem lutado em conjunto conosco feministas para mudar esta realidade. Fico muito feliz ao ler o teu texto, em março fizemos uma caminhada de 10 dias em São Paulo, com mulheres do Brasil todo, para debater e apresentar nossas reivindicações a sociedade brasileira. Qual não foi minha decepção quando a maioria dos blogs progressistas, sequer divulgou uma linha do acontecido, afinal não foi um evento que mudava o mundo, eram só 3.000 mulheres fazendo de seus limites a muralha para o debate e a construção de um novo feminismo. novamente parabéns pelo teu texto. é de companheiros assim que precisamos nesta empreitada, que ainda está longe de ser superada,

cecilia em dezembro 20, 2010 2:42 PM


#173

Putz grilo, como assim Idelber é arrogante por sustentar sua argumentação com citações bibliográficas?! A coisa tá descambando pra amadorismo, gente! Para sustentar uma discussão com seriedade e profundidade, seja ela acadêmica ou cotidiana (por que entendo que o modelo de concessão dos pedágios paulistas é um roubo, por exemplo)é regra básica embasar os argumentos em fontes seguras de informação, aí incluída a literatura científica. O saber não é fruto de geração espontânea, de achismo ou de umbiguismo. Argumentamos e contra-argumentamos com base em referenciais teóricos (os autores e sua produção), em literatura científica, nas fartas bases de pesquisas acadêmicas.

Que história é essa, porra? Agora, porque um grupo corporativista (e machista e sexista e prepotente, sim) decide proclamar a inutilidade (ou sua importância relativa, o que dá no mesmo) da produção intelectual de uma parte da blogosfera, qualquer praxis que privilegie o rigor do modus operandi é puro esnobismo acadêmico? Ah, faizfavoire, se a crítica vai por aí, não dá nem pra começar a discutir.

Idelber, seguinte: sua análise é PRIMOROSA. E o rigor biblográfico me permitirá avançar em questão em que ainda engatinho, qual seja, o feminismo. Compartilhar conhecimento é gesto generoso e raro. Em regra, uma marca dos professores com pê maiúsculo, daqueles que não temem a concorrência. Muito obrigada!

Cláudia M. em dezembro 20, 2010 3:05 PM


#174

Obrigado, Cláudia. Para quem não tem costume de fundamentar o que afirma com links e fontes, fazê-lo às vezes pode parecer "arrogância", "ostentação", "exibição de título" etc.

Idelber em dezembro 20, 2010 3:13 PM


#175

Idelber, first things first:
Eu assisti e acompanhei essa coisa toda desde o início. Aturdida, deixei um comentário no blog excelente da Cynthia Semiramis. Tá lá, podem ver.
Eu estava à espera, era necessário um post seu. Não por ser homem, uma ilocução masculina, não, mas por tudo o que você representa, para quem sabe avaliar realmente o seu papel na internet. Agora que já fez, tornou-se um post *necessário*.
Quanto à questão feminina (oh my gosh, La Kollontai ali em cima, que viagem no meu tempo interior, de silencioso estudo) eu só posso dizer que, infeliz ou felizmente, temos que estar preparados para essas oportunidades de reexame e reavaliação.
Eu fico chocada não pelo fato da pisada de bola do jornalista. Eu me preocupo muito mesmo é com um tipo de pensamento do gênero: não critique, releve, porque Fulano tem toda uma história, e afinal ele esteve junto apoiando a canditatura da presidente.
Ora, é justamente por isso mesmo que se deve falar, sublinhar o que stá sendo dito, afinal se alguém apoiou a presidente, apoiou também uma mulher. E o gênero de uma certa forma define a pessoa: é assim que se cria uma identidade social.
Lidar com gênero é uma das mais ingratas tarefas que existem porque se precisa estar atento para a questão das representações (o termo pejorativo é um exemplo disso)
Não vou me estender, há tanta gente qualificada para tal, além disso, como vc diz e tem carradas de razão: "malentendido, teu nome é internet.
Queria apenas acrescentar - e me corrijam se eu estiver errada, por favor, - que tenho um certo desconforto com a expressão: " não é de você que devemos falar: dá a impressão para os desavisados ou para os mais lentos como eu, que a questão e por conseguinte, o objeto da discussão é restrito ao grupo atingido. OK, a - digamos - dor da injúria, da opressão ou discriminação é de *um* ou mais estamentos específicos, mas deve se falar de todos e, principalmente todos deveriam ser instados a falar. É só assim que entendo com quem estou lidando. Se se expõe, falando por si.
A Gertrude Stein tem uma abordagem que acho perfeita, ela diz: " Qualquer pergunta me desvia de *mim*."
=-=-=
Finalmente - e porque este é um comentário a titulo precário, gostaria de lembrar a sua entrada na internet. Eu que sou leitora - e você sabe disso, desde o seu primeiro post... vc fumava:-))) (private joke)
Foi aí e assim que aprendi a respeitá-lo: mesmo com seu j´invejável resumé à época, você não deu uma de agora que cheguei é que as coisas vão começar... Seria muito salutar explorar-se arquivos, pressentir que em quase tudo já há uma história.
A chamada "referência adâmica" pra meu desprazer é cada vez mais persistente. À medida que o tempo avança mais e mais se encontram os *introdutores* (ops) de tudo. Afinal, o mundo teve início quando eles chegaram.
Por fim, lembro para quem acha que é fácil ser e estar sempre atento à condição feminina e suas necessidades mais imperiosas e legítimas, às suas representações e figurações face às tensões entre fala e silêncio, masculino e feminino, gêneros que transgêneros etc, lembro a expressão de um homem que está looonge de ser considerado alguém que tenha simpatia pela causa feminista: Millôr Fernandes, que disse certa vez que o melhor movimento das mulheres era o dos quadris:-(. Foi o mesmo Millôr que disse o que resume tudo: " A mulher é o negro* do mundo.
=-=-
No mais, todo o cuidado é pouco; temos uma mulher na presidência e que terá que tomar decisões coraosas e arrojadas. Como será que vão tratá-la, pelo andar da carruagem? Se não se descobrir agora que por mais que se tenham em alta conta, pessoas têm seus dogmatismos e suas miopias insuspeitos.
E, por fim, mas tão importante quanto tudo: eu agradeço não só em meu nome, mas no de todas as blogueiras que desde o ano de 2000, desempenharam um papel que deve ser lembrado. Não porque estavam na internet, mas pelo que faziam e como agiam, e com que nível! Uma ruptura no que se achava que eram simples diários em torno do seu próprio umbigo.
Um abraço, afetuoso, como sempre.

Meg em dezembro 20, 2010 3:29 PM


#176

Querida Meguita, que honra e que prazer tê-la aqui, e obrigado por tomar seu tempo para escrever algo tão luminoso, bonito e, para muitos, quem sabe, didático. Realmente de adanismo se tratava aqui, muito mais que de crítica ao machismo, talvez. Ou quiçá de perceber uma conexão entre o machismo e o adamismo que, confesso, me havia passado batida, pelo menos na extensão que tem.

Daí imaginei que Kollontai seria a melhor figura para ilustrar o post ;)

Mas, bem antes disso, eu sabia que você era uma das pessoas que eu queria linkar como pioneiras na militância digital, esse fenômeno cuja história às vezes é apresentada como se tivesse começado quatro ou cinco anos atrás.

Daí, para nós, era inevitável não se lembrar da blog em que blogs eram coisas de mulherzinha, diário etc., e os veículos nos quais trabalhavam todos os grandes jornalistas brasileiros tematizavam blogs no caderno infantil ou teen. É uma boa história para se aprender, mas há que se ter um pouco de abertura para ela. O seu comentário ajuda a construir essa abertura para alguns, eu confio.

É muito bom te ter aqui;)

Idelber em dezembro 20, 2010 4:20 PM


#177

Idelber, estou impressionada com o tamanho do seu ego. Um pouco, tempera, demais, fica insuportável.Se era muito justa a crítica no início, depois ficou bastante clara sua intenção de tirar proveito do episódio. Ah! A vaidade...

Ana Arrigoni em dezembro 20, 2010 4:55 PM


#178


Quando foi que o que era um debate se tornou isso?:


Comentários do próprio Eduardo Guimarães no tão falado post em seu blog (linkado acima), todos esses que eu transcrevi são referentes ao Idelber:

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eduguim
19/12/2010 • 19:47

tem safadeza aí e vou descobrir

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eduguim
19/12/2010 • 19:48

o que o tal Idelber fez não tem nome publicável

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eduguim
19/12/2010 • 20:05

Esse sujeito me deu nojo. Foi oportunista, irresponsável. Não o conheço. Não sei nada dele. Ele não me conhece e mentiu descaradamente sobre mim e sobre os outros blogueiros, dizendo que não levamos mulheres para a entrevista com Lula quando na própria entrevista há a explicação de que, por uma terrível coincidência, as quatro que convidamos não puderam comparecer. Está gravado, está dito lá no vídeo da entrevista com Lula. Isso está muito suspeito e vou descobrir o que está acontecendo. Está cheirando muito mal. Mas essa gente não me conhece. Se não tenho medo do PIG, de impérios de comunicação, não é de meia dúzia de oportunistas doidos pra aparecer que vou ter medo.

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eduguim
19/12/2010 • 20:54

Vou descobrir por que fizeram isso. É esse o sentido. Há alguma coisa muito suspeita, aí.

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eduguim
19/12/2010 • 21:40

Tentou-se parar. Mas a turminha do Idelber continuou. E, para completar, o sujeito fez mais e mais posts, colocando no angú gente que não tinha nada com o peixe, mentindo descaradamente ao dizer que os “blogueiros progressistas” não levaram mulheres à entrevista com Lula quando convidamos quatro delas, que por uma coincidência tiveram todas problemas para ir à Brasília pouco mais de 24 horas antes. Por isso, foi feito o esforço para colocar a Maria Frô em teleconferência com o presidente, que deu a ela mais espaço que a todos os outros. E o tal de Idelber não precisava ter feito isso porque foi convidado, eu mesmo sugeri o nome dele porque tinha boas referências suas. Caí do cavalo ao ver o post que ele escreveu hoje. Aliás, ele vem pegando carona no tema há muito tempo. Até agora não entendi, não os ataques ao Nassif, pois ele tinha problemas anteriores com ele e aproveitou seu tropeço para chutar-lhe a cabeça, de forma covarde. Não entendi porque inventou mentiras sobre os blogueiros progressistas. Aliás, ele gastou ainda tempo para desmentir a afirmação do Nassif, e não minha, de que fui o primeiro fazer ativismo digital. Citou algumas pessoas que teriam feito antes e que ninguém tomou conhecimento simplesmente porque o que fizeram, se é que fizeram, não atingiu o nível de repercussão do que fiz, como o ato da Ditabranda, que levou meio milhar de pessoas para diante da Folha e obrigou o jornal a se retratar. Agora à tarde, recebi algumas informações que começam a explicar a motivação do rapazinho. Isso não terminou.

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eduguim
19/12/2010 • 23:14

Será que estou falando grego? Esse sujeito caluniou, mentiu sobre nós. Esse é o único problema.

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eduguim
19/12/2010 • 23:39

Tem coisa aí. E vou descobrir o que é. Valeu o apoio. Bjs.

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eduguim
20/12/2010 • 00:05

pois é… Mas será só isso? Virão novidades por aí. Ele não sabe onde se meteu.

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eduguim
20/12/2010 • 00:21

Vou descobrir por que ele fez isso. Juro por Deus.

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eduguim
20/12/2010 • 00:57

levamos anos pra construir o encontro, a entrevista com lula, e chega esse mauricinho, que nunca moveu uma palha, e destrói em um segundo o que construímos a tão duras penas. terá sido só por inveja ou arrogância ou tem mais coisa, aí?

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eduguim
20/12/2010 • 00:56

valeu, claudionor. você foi no ponto. tem gente que acha que tudo se constrói por decreto. aí chega um riquinho mimado de lá dos states com seus diplomas em punho e, sem nunca ter movido uma palha, quer dominar tudo e fazer decretos. mas é claro que isso tudo não foi à toa. tem coisa, aí.

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eduguim
20/12/2010 • 01:03

Do bem… Hélio, o que ele fez foi do mal, do péssimo, do terrível, do covarde, do irresponsável… Nunca moveu uma palha para agregar a blogosfera, mas moveu céus e terras para destruir. Cuidado com as companhias.

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JG_ em dezembro 20, 2010 5:31 PM


#179

Eu, como filiado ao PT a muitos anos, irei fazer um protesto ao Diretório Nacional do partido por convidá-lo a palestar no PT- RJ. E sabe pq? Pq o senhor é um desagregador. E desagregadores não palestram em partidos de esquerda que precisem agregar-se com forças da sociedade, inclusive com blogueiros progressistas, que pasmem, o sr, chama de sexistas. Que texto mais calhorda meu senhor! O senhor agora é o juiz de quem acha é sexista? Eu acho o movimento feminista em sua ampla maioria FANTÁSTICO, mas também acho uma parte minoritária FACISTA, SECTÁRIO. E aí, sou sexista? Faça-me o favor. Tem uma parte do movimento negro que eu acho que faz o jogo da direita, pois são contra as cotas, eu sou a favor das cotas para os negros, o Brasil é racista. Agora, porque critico uma parte minoritária do movimento negro quer dizer que sou racista? Aqui neste biscoito já era O nosso adversário, esta direita racista e sexista do Brasil é que devemos combater, não companheiros de trincheira. No más, até seu bobalhão.

Sandro Jornada Machado em dezembro 20, 2010 5:32 PM


#180

"Quando foi que o que era um debate se tornou isso?:

Quando trolls anonimos como voce entraram na jogada. Se voce ta tao indignado, porque nao tem nome?

Ivan Moraes em dezembro 20, 2010 5:43 PM


#181

Tou com a impressão de que nesse momento muitos nem sabem mais o quê estão discutindo e o porquê de estarem fazendo.

Acho que essa discussão (seja ela qual for) se perdeu completamente. Já tou na expectativa que essa celeuma toda seja página virada.

--

ps.: Agora, uma coisa é certa, Idelber, você ganhou claramente a antipatia de muitos blogueiros-jornalistas (Rovai, Nassif, Rodrigo Viana, Azenha...). E, no caso do Eduardo Guimarães, ganhou um inimigo.

JG_ em dezembro 20, 2010 5:44 PM


#182

Ivan, o JG_ é comentarista antigo, comenta aqui com email verdadeiro. Quem é você para patrulhar quem é "anônimo" no meu blog?

Sandro, pode encaminhar seu protesto a Bernardo Cotrim, Secretário de Formação do PT-RJ, ou ao Carlos, membro há bastante tempo da Executiva do PT-RJ. Ambos estiveram presentes no evento. Tenho certeza que eles vão ouvir seu protesto com o respeito à pluralidade de opiniões que sempre caracterizou o PT :-)

Idelber em dezembro 20, 2010 5:46 PM


#183

Ivan Moraes (#180),

sempre achei que em um debate com argumentos pouco importa quem esteja falando - exceto quando há alguma acusação sem provas, porque aí deixa de ser só um debate e vai para seara dos tribunais.

Sem contar que dizer um nome na internet assim, numa caixa de comentários, não garante que seja verdadeiro né.

Meu nome Gabriel Figueiredo. Você acredita? Eu devo acreditar que o seu nome é Ivan Moraes? Isso tem alguma importância?


JG_ em dezembro 20, 2010 5:51 PM


#184

Será que o JG acredita que quem está interessado no que o Eduardo Guimarães escreveu não sabe ir até seu blog? Veio trazer os comentários para ganhar aplausos do Idelber? Já ganhou sua defesa em relação ao Ivan, parabéns... tapinha nas costas! Esse leva-e-trás é meio demais. Pode até ser conhecido, antigo frequentador e tal, mas fazer papel de Candinha é desnecessário. Já tem muito fel por esses dias e as "tchurmas" já estão alteradas demais.

Flavia em dezembro 20, 2010 6:17 PM


#185

O fato é: não havia motivo algum, quando a postagem foi feita, para se atribuir a pecha de sexismo ou machismo, aos "blogueiros progressistas". Falo de motivos reais, de fatos. Caso contrário, eles estariam expostos aqui e não estão. Creio ter vindo daí uma certa indignação e até decepção. Será que não cabe um mea-culpa, talvez, como o próprio Nassif fez? Abraços.

sidneig em dezembro 20, 2010 6:22 PM


#186

Flavia: também acho que não tinha necessidade do JG postar esses comentários. Mas não controlo isso. Leitor vem e escreve. Em alguns lugares é assim, em outros não ;)

Idelber em dezembro 20, 2010 6:28 PM


#187


"Uma pequena reflexão sobre a "unidade da esquerda"...

Alguém já parou pra pensar como se forma a unidade da direita? Alguém já viu a extrema-direita pedir licença à direita moderada? Olha os Estados Unidos: a extrema-direita faz a direita moderada de refém, permanentemente, sem o menor escrúpulo ou contemplação - e sabe o que mais? Funciona. E funciona mesmo.

Na esquerda é o contrário. Ficamos sempre reféns da moderação - até o ponto que acabamos reféns do extremismo do outro lado. Vamos olhar de novo o post infeliz que começou tudo isto, o post do tal de "André", no blog do Nassif? Vamos entender a lógica dele?

Era o seguinte: a Dilma expressou a idéia de que ela não concordava com o voto (abstenção) do Brasil numa questão que envolvia os direitos humanos no Irã. E disse que não tergiversava com o tratamento medieval dado às mulheres em alguns lugares - como, por exemplo, o Irã.

Aí o André comentou que temia que esse tipo de declaração fosse usado pela direita para acusar que a Dilma de "feminazi". Pronto, ficamos reféns da direita: cuidado, não podemos dizer que apedrejar mulheres pelo "crime" de adultério é "medieval", por que alguém na direita pode entender que isso é "feminazismo".

Claro, seguindo essa lógica, não podemos também deixar de dizer que apedrejar mulheres pelo "crime" de adultério é "medieval", por que alguns na direita vão entender que esse silêncio é uma capitulação ao "islamofascismo". E assim, reféns pelos dois lados, aceitamos a dicotomia: ou somos feminazis, ou somos islamofascistas; melhor deixar a direita governar, porque ela sabe como oprimir as mulheres sem ser islamofascista, e como usar a opressão das mulheres como pretexto para iniciar guerras imperialistas sem ser feminazi.

Eu acho que nós deveríamos aprender um pouco com a direita. Aprender a não ficarmos reféns da moderação. Aprender a construir a nossa unidade com um pouco de porrada também.

E se a tal blogosfera progressista for implodida no processo, é porque era frágil como uma bolha de sabão, e não merecia mesmo tanto esforço pela sua preservação."

Luiz Henrique em dezembro 20, 2010 6:30 PM


#188

Post maravilhoso, Idelber. Obrigada.
Agora, abrindo a caixa de comentários, me impressiona demais como, num post cujo subtítulo é "não é de você que devemos falar", as pessoas degringolaram a conversa para uma discussão absurda, colocando o feminismo absolutamente de lado, ou não avançando nada em tudo aquilo que já foi criticado, e voltando umbiguisticamente o debate para os mesmos blogueiros-machos-adultos-brancos-sempre-no-comando.
Mas, gente, o post não era justamente para convidá-los a parar de achar que essa turma (e seus temas) são o centro do mundo (ou pelo menos da blogosfera) e entender de forma mais aprofundada por que o movimento feminista está se sentido alijado do debate?

Ju Sampaio em dezembro 20, 2010 6:45 PM


#189

Até pensei em colocar minhas impressões pessoais a respeito desses episódios todos por aqui. Mas como foi decretado que não é de mim que devemos falar, paciência.

Por outro lado, acho estranho interditar relatos pessoais ao mesmo tempo que se lambe o Idelber e se joga pedra no Nassif. Isso pra mim tem dois nomes, respectivamente: adulação e fofoca. E penso que gente libertária não devia descer a esse nível, mas enfim... Estou falando de mim, e esse não pode ser o assunto.

No mais, volta, NPTO!

Zarastro em dezembro 20, 2010 6:59 PM


#190

Caramba, Idelber!

No #186, só falta você falar: "Eu queria ser um blogueiro normal ao invés de um Titã, mas ninguém escolhe seu destino".

Procure um cartum do Wolinski (que não é nenhum direitoso, muito pelo contrário) para ver o porquê de eu ter lhe dirigido essas linhas. E acho que não preciso dizer que estou profundamente desapontado.

Zarastro em dezembro 20, 2010 7:03 PM


#191

Olha, o Nassif admitiu seu desconhecimento sobre o termo "feminazi" há muito tempo... e propôs um ótimo debate incluindo o feminismo e outras formas de combate a opressão:

Inclusão geral ou inclusão excludente?
Enviado por luisnassif, seg, 13/12/2010 - 16:37
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/inclusao-geral-ou-inclusao-excludente

Parece-me que "faltou feijão" para debater com ele...

Fabio Passos em dezembro 20, 2010 7:07 PM


#192

Boa, Luiz Henrique!!! E vamos ver, agora, até onde vai a grotesta estratégia corporativista de tentar blindar os "progressistas" blogueiros.

Afinal, senhores, convenhamos, na ordem do discurso que vem orientando as discussões das últimas horas, eles (os genuinamente progressistas, caramba!) são detentores da vontade da verdade (ah, Foucault, sempre tão definitivo). Deles emana o saber (o poder) político, logo, a unidade da esquerda, senhores, é direito divino deles, pertence a eles e só a eles. Discordem, questionem, debatam e logo vocês (Idelber, Paulo, Lola, parte da audiência deste blog, na qual me incluo) serão proscritos, etiquetados com o indefectível, e sempre útil a quem não pode ser contrariado, rotúlo de sectários irascíveis, desagregadores e outros clichês de mesma estirpe.

Ao ler os postes de dois expoentes da elite progressista, Rodrigo Vianna e Eduardo Guimarães, fiquei chocada. Este último foi ainda mais constrangedor, empenhado num inacreditável exercício de "assassinato da reputação" (só pra ficar numa expressão nassifiana) do Idelber de fazer inveja a Reinaldo Azevedo. Um horror!

Cláudia M. em dezembro 20, 2010 7:10 PM


#193

Bla, bla.bla bla, ora vá se cuidar , nada a ver esse texto.

Davi em dezembro 20, 2010 7:19 PM


#194

Só para dar um testemunho: O Nassif já censurou um comentário meu, que não continha nenhum insulto e era escrito de forma educada. Fiquei surpresa porque sempre acompanhei discussões acaloradas por lá. Aí mandei um email pra ele perguntando se ele tinha censurado e ele confirmou. Desse dia em diante parei de comentar lá. E fiquei bem decepcionada,não esperava isso naquele espaço.

Renata Lins em dezembro 20, 2010 7:21 PM


#195

Vejamos... Parece que a questão central é a não participação feminina na entrevista com o presidente. Nesse sentido, eu pergunto as " feministas":

1. Blogueiras tão atuantes, não perceberam que o alvo da blogosfera era a quebra do monopólio da informação e não uma questão de gênero?
2. Feministas tão atuantes não foram detectadas qdo a questão do aborto levou as eleições para o segundo turno?
3.Pq blogs feministas tão relevantes, seriam pautados por blogs machistas e pq as discussões estão evoluindo fora deles?
4.Pq razão qq feminista teria interesse em colocar sua pauta a frente da quebra do monopólio midiático, se, em última análise, é esse mesmo monopólio que engessa o feminino, há décadas?
5.Ao elegerem o sr. Ildeber, como seu " representante", a intenção era o " pinçamento" para a entrevista, ou seja, alguma feminista estaria esperando ser conduzida pelas mãos por um homem influente a entrevista?
6.Se os blogs acima, estavam na luta, pq não impugnaram ou lançaram nomes para a entrevista?
7.O que fazem Luiz Nassif, Azenha,Eduardo Guimarães, etc.. na tábua de tiros das feministas? E o que faz O Biscoito Fino, o atirador? Onde estão os tais blogs?
8. Pq a questão do IldeberXNassif, antiga, não foi levantada aqui? Soninha Francine é do tal movimento feminista?
9. O que tem a ver a postagem ( na verdade, resposta a um comentário, do André ) das feminazi, com o termo progressista e com a entrevista do Lula? Qual a intenção do movimento feminista, não entendi?
10. Pq, até agora, os movimentos feministas não se manifestaram, oficialmente?
Obrigada,
Cristiana Castro

Cristiana Castro em dezembro 20, 2010 7:23 PM


#196

Lembro de um bom debate no Nassif, que foi muito interessante e dura até hoje.
Nassif é contra as cotas para negros, mantendo a mesma coerência do artigo acima. O debate fluiu. Nassif inclusive elevou a post vários comentários em defesa das cotas. Creio que entre os frequentadores do blog dele a posição favorável as cotas é inclusive majoritária. Desta vez, na questão feminista, a situação evoluiu para ofensas. Não funcionou. Sinceramente, vocês acreditam mesmo que Nassif é contra as mulheres? Pergunto por que é difícil acreditar que vocês pensem assim.
Ao invés de entrar no bom debate e inserir o feminismo entre as lutas sociais, permaneceram em um circulo fechado, louvando-se por dominar o tema como ninguém.

Fabio Passos em dezembro 20, 2010 7:28 PM


#197

Conheci o blog do Eduardo Guimarães durante a eleição.

Ao ler os posts dele sobre essa discussão mais besta do mundo (que já abandonou o feminismo na beira da estrada láaa atrás) reafirmei a inescapável conclusão: blogs bons, como o do Idelber, não são bons por serem de esquerda (embora isso ajude). São bons porque são bons. Ser de esquerda, e só, não garante nada.

Aliás, linkei na caixa de comentários de lá alguns posts do Idelber que demonstravam as inverdades contidas no post do Eduardo Guimarães. Os comentários foram censurados por "ofenderem" o editor do blog.

Quer dizer: o contraditório é ofensa.

Progressismo é isso?

Daniel em dezembro 20, 2010 7:56 PM


#198

Flávia (#184),

não Flávia, não sou "menino de recados" do Idelber - até porque os comentários que eu colei são públicos -, tampouco estou aqui pra fazer o papel de bajular ou "lamber" o Idelber.

Colei os comentários porque fiquei um tanto quanto, digamos...chocado.

Estamos falando de ameaças, porque é isso que as palavras do Eduardo Guimarães soam pra mim.

E digo isso - que fiquei muito impressionado com o teor dos comentários dele - justamente porque já li o blog dele algumas vezes e me parece ser uma pessoa séria.

Colei os comentários porque achei que qualquer comentário que eu pudesse fazer aqui - já que por lá, qualquer comentário crítico nesse momento está sendo tratado com algo como "caiam fora seus capangas do Idelber" - a respeito não seria tão incisivo quanto os próprios comentários do Eduardo Guimarães.

Insisto: o Rodrigo Viana por exemplo fez um post criticando diretamente o Idelber, concorde-se ou não, aquilo é debate. Mas os comentários do Eduardo Guimarães estão mais para ameaças. E como eu disse, se viesse de um Augusto Nunes, sei lá, não me impressionaria, mas vindo de quem veio, me deixou realmente embasbacado.


JG_ em dezembro 20, 2010 7:58 PM


#199

Os comentários do Eduardo Guimarães alinhavados pelo JG só mostram quão tosco é o modus operandi de *alguns* dos blogs ditos "progressistas" (estou começando a achar que essa alcunha malacabada é o que eles merecem ed fato): acusar uma conspiração, colocar os inimigos ao lado da "velha mídia", etc. É de praxe.


E é Conversa Fiada!

Carlos Cardoso em dezembro 20, 2010 8:12 PM


#200

Então de quem estamos falando?

Tentei, mas foi difícil ignorar essa polêmica envolvendo Luis Nassif, os tais “blogueiros progressistas” e seus desafetos ocasionais. O caso parece ter começado com a publicação de um texto no blog dele que usava o termo “feminazi”, mas aos poucos descambou para confusões de outra natureza.
Os erros de Nassif ultrapassaram as limitações de sua autocrítica, como já ficou bem esclarecido. E a idiotice da palavra utilizada pelo tal “André” dispensa comentários. O que dá preguiça na polêmica é notar que um necessário debate sobre o machismo (ou sobre diversos elementos da pauta feminista), ainda mais importante após a ascensão de Dilma Rousseff à Presidência, seja contaminado por argumentos muito fraquinhos. E hipócritas, também.
Nassif não é o único blogueiro “de esquerda” que permite excrescências em suas caixas de comentários, ou que limita a participação de certos desafetos, ou que ignora discordâncias. Um pouco de autocrítica nesse quesito não faria mal a ninguém.
Defender a igualdade de direitos passa também pela superação das barreiras de falsas “competências”, sejam intelectuais, de gênero ou quaisquer outras. Sexismo não é matéria exclusivamente acadêmica, destinada a uma confraria de sábios iluminados. Ou sábias. E tampouco é restrito a(o)s feministas, nem mesmo às mulheres.
Grupinhos existem em toda parte. Há as confrarias de escritores, as dos artistas plásticos, as dos arquitetos, as de petistas, as das próprias feministas. Há também as dos blogueiros, oras bolas. Muita gente boa, além da blogosfera feminista, costuma não aparecer nos eventos organizados pelos “progressistas”. Estes fariam jus às próprias plataformas se discutissem mecanismos para ampliar a participação da imensa gama de articuladores que atua na internet. Apenas culpar o caráter desagregador dos críticos é insuficiente.
E a todos os envolvidos cabe notar que qualquer argumento pode se tornar despótico e ilegítimo, quando usado para desacreditar os adversários. Mas disso os bons libertários já sabem, não é mesmo?

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com

Guilherme Scalzilli em dezembro 20, 2010 8:16 PM


#201

alex castro, em #65:

"você não precisa me chamar de professor. Pode me chamar de Idelber mesmo, como todo mundo. Se optar por professor, tudo bem, mas aí eu sugiro que retire as aspas. Eu exerço o magistério sem interrupções desde 1985.

queria só registrar q essa foi mt bonita."

putzgrila....tenho q concordar.

eu devo concordar com 15% das opiniões / pontos de vista q o titular dessa página veicula, mas cacildis ! - o cara sabe inteligir com elegância.

Frank em dezembro 20, 2010 8:21 PM


#202

Idelber,

Acompanho o trabalho do Nassif desde o início dos anos 1990. O Luís é o jornalista que mais admiro neste país, devido à coerência e ao posicionamento democrático que sempre encontrei em seus textos. Assim como eu e como outras pessoas que se manifestaram em alguns dos blogs envolvidos nesse quiprocó que você criou, o Nassif não identificou a referência ao nazismo na composição do tal termo feminazi. Pensei ser alguma expressão italiana ou de alguma outra língua latina. Quem acompanha o blog do Nassif não engole a sugestão de que ele seja machista ou detrator de qualquer movimento organizado da sociedade, que lute por direitos.

Você criou e está promovendo um factóide. Isso ficou claro para a imensa maioria dos que se informaram sobre o assunto por meio de diversas fontes, inclusive pelo seu blog. Muitos dos seus leitores ficaram decepcionados com sua postura. O aguerrismo que você demonstrou é típico de jovens com pretensões intelectuais e de ibope, em seus primeiros anos de graduação. Virulência misturada com carteirada intelectual é o estilo dos manifestos dos centros acadêmicos da FFLCH, tão imaturos. Você já passou dessa fase, Idelber. Você é um cronista interessante, culto, não precisa perder a elegância para se promover. Após o e-mail educado, respeitoso e esclarecedor que o Nassif lhe escreveu, não havia motivo para você continuar nessa barca furada. O Nassif reforçou a admiração que tenho dele, ao fazer o mea culpa. Tenho certeza de que seus leitores e amigos considerarão um gesto de grandeza se você fizer o mesmo.

Abs,

Breno em dezembro 20, 2010 8:21 PM


#203

Idelber, meu caro, lamentável essa atitude do Guimarães e de muita gente que ouve o GALÔ cantar e não sabe aonde.
Os caras tomam críticas como ofensas. E em vez de argumentos partem para ofensas de verdade e ameaças malucas.
Imaginárias, de fato.
Devem estar investigando se você é agente da CIA, já que o tratam como traidor do movimento...
Quem o conhece sabe que você é tão rigoroso (no melhor sentido do termo) na crítica quanto é afetuoso nas relações.

Jair Fonseca em dezembro 20, 2010 8:22 PM


#204

Idelber,

Acompanho o trabalho do Nassif desde o início dos anos 1990. O Luís é o jornalista que mais admiro neste país, devido à coerência e ao posicionamento democrático que sempre encontrei em seus textos. Assim como eu e como outras pessoas que se manifestaram em alguns dos blogs envolvidos nesse quiprocó que você criou, o Nassif não identificou a referência ao nazismo na composição do tal termo feminazi. Pensei ser alguma expressão italiana ou de alguma outra língua latina. Quem acompanha o blog do Nassif não engole a sugestão de que ele seja machista ou detrator de qualquer movimento organizado da sociedade, que lute por direitos.

Você criou e está promovendo um factóide. Isso ficou claro para a imensa maioria dos que se informaram sobre o assunto por meio de diversas fontes, inclusive pelo seu blog. Muitos dos seus leitores ficaram decepcionados com sua postura. O aguerrismo que você demonstrou é típico de jovens com pretensões intelectuais e de ibope, em seus primeiros anos de graduação. Virulência misturada com carteirada intelectual é o estilo dos manifestos dos centros acadêmicos da FFLCH, tão imaturos. Você já passou dessa fase, Idelber. Você é um cronista interessante, culto, não precisa perder a elegância para se promover. Após o e-mail educado, respeitoso e esclarecedor que o Nassif lhe escreveu, não havia motivo para você continuar nessa barca furada. O Nassif reforçou a admiração que tenho dele, ao fazer o mea culpa. Tenho certeza de que seus leitores e amigos considerarão um gesto de grandeza se você fizer o mesmo.

Abs,

Breno em dezembro 20, 2010 8:23 PM


#205

Muito pertinente as perguntas da Cristiana Castro (#195). Gostaria de ver alguém responder OBJETIVAMENTE a elas, em especial as de número 1, 2, 5 e 6.

Faz mais de uma semana que tento formar minha opinião sobre se considero oportunista ou não a intensidade da reação à falta de mulheres na entrevista com o Lula e ao feminazigate. Mas até agora, tirando a resposta na lata da Barbara ao comentário do André no blog do Nassif e um post da Cynthia Semíramis, só vi ironias, distribuição de rótulos e distorção de sentido das opiniões contrárias.

Vocês podem ter razão, mas permitam-me suspeitar de quem na hora que o cala aperta passa a agir feito Miriam Leitão e Merval Pereira, dois dos mais caricatos spin doctors tupiniquins.

Thiago em dezembro 20, 2010 9:12 PM


#206

Breno: está amplamente demonstrado por que, para mim, essa sugestão é estapafúrdia. Está demonstrado não no post, que não era sobre isso, mas nos comentários, porque o assunto da caixa virou isso. De mais, eu agradeço a crítica (convido-te a reavaliar o seu "muitos leitores decepcionados" com uma rápida busca pelos perfis no Twitter, pra ver as citações a cada um, por exemplo), mas eu vou me permitir a partir de agora responder comentários somente sobre o tema do post.

Que não é, evidentemente, nenhum blogueiro progressista em particular.

Idelber em dezembro 20, 2010 9:12 PM


Milton Ribeiro em dezembro 20, 2010 9:20 PM


#208

Olá Idelber, gostaria de fazer uma observação quanto à eficácia de algumas colocações tuas.

Blogs como o Nassif e o do Eduardo Guimarães são muito diferentes do teu no que tange a uma certa, vamos dizer assim, erudição literária.

São blogs mais "classe média". Mais atentos a temas do senso comum. Aprofundam muito pouco e trazem referências literárias escassas. Essa é uma das razões de suas grandes audiências.

O Nassif ainda tenta fazer aquele negócio de "trivial"/"fora de pauta", que é um saco, muita superficialidade, uma massa de gente falando, salvo raríssimas exceções, uma maçaroca de obviedades. O Eduardo Guimarães nem isso.

Ao mesmo tempo, ambos tem uma representatividade na área cibernética brasileira. E fazem coisas dignas de aplauso. O Nassif repercute muita informação que não sai na grande mídia, e isso é de extremo valor. Além disso, o cara manja bem de assuntos de economia, jornalismo e música, e merece ser ouvido/lido. O Eduardo Guimarães, que eu não leio mais há muito tempo, já é um cara muito mais limitado, mas é um maluco que resolveu comprar briga com a grande imprensa com relativa eficácia - pelo menos chegou a incomodá-los um pouco.

Não tô escrevendo isso para defendê-los ou para amenizar a situação, até porque acho que briga e discordância é algo sério e merece respeito: a coisa mais chata do mundo é alguém querendo botar panos quentes onde tudo já tá fervendo.

Mas é que me parece um tanto ineficaz mesmo achar que esses caras vão fazer um debate aprofundado sobre machismo/feminismo/sexualidade. Eles não tem como fazer isso além do senso comum. Não tem instrumentos para tal. Quando esses assuntos pintarem, vão se enrolar até dizer chega, quando não desenfrearem uma série reativa muito grande.

Mais que isso: não parecem dispostos a sentar e estudar esses temas, que são complicados pra cacete, e mesmo muito estudo pode ser pouco pra isso. Não adianta nada fazer mil citações e recomendações: não vão servir para estudo, com o risco de contribuir (quase nada, é verdade) para afastá-los ainda mais da leitura.

Essa minha objeção também se aplica à recomendação de psicanálise, e talvez sirva um pouco mais a ela. Principalmente quando você percebe o ponto onde eles mais deixam a desejar, mas acaba incorrendo na mesma compulsão recomendativa: eles precisariam "aprender a escutar". O problema, meu caro, é que pra aprender a escutar não tem receita nem ordenamento que dêem jeito, e estudo é também muito insuficiente pra isso.

Por fim, não dá pra falar em humildade e decência neste ponto. Fica muito moralizatório. De moralidade esses caras já estão saturados. Na verdade, em questões sexuais, machismo e feminismo aí inclusos, seria preciso que eles tivessem um pouco mais é de indecência para debater o assunto. Aliás, menos humildade também... falar de sexualidade com franciscano é um saco!!!

Anão Corcunda em dezembro 21, 2010 12:43 AM


#209

Olá Idelber, gostaria de fazer uma observação quanto à eficácia de algumas colocações tuas.

Blogs como o Nassif e o do Eduardo Guimarães são muito diferentes do teu no que tange a uma certa, vamos dizer assim, erudição literária.

São blogs mais "classe média". Mais atentos a temas do senso comum. Aprofundam muito pouco e trazem referências literárias escassas. Essa é uma das razões de suas grandes audiências.

O Nassif ainda tenta fazer aquele negócio de "trivial"/"fora de pauta", que é um saco, muita superficialidade, uma massa de gente falando, salvo raríssimas exceções, uma maçaroca de obviedades. O Eduardo Guimarães nem isso.

Ao mesmo tempo, ambos tem uma representatividade na área cibernética brasileira. E fazem coisas dignas de aplauso. O Nassif repercute muita informação que não sai na grande mídia, e isso é de extremo valor. Além disso, o cara manja bem de assuntos de economia, jornalismo e música, e merece ser ouvido/lido. O Eduardo Guimarães, que eu não leio mais há muito tempo, já é um cara muito mais limitado, mas é um maluco que resolveu comprar briga com a grande imprensa com relativa eficácia - pelo menos chegou a incomodá-los um pouco.

Não tô escrevendo isso para defendê-los ou para amenizar a situação, até porque acho que briga e discordância é algo sério e merece respeito: a coisa mais chata do mundo é alguém querendo botar panos quentes onde tudo já tá fervendo.

Mas é que me parece um tanto ineficaz mesmo achar que esses caras vão fazer um debate aprofundado sobre machismo/feminismo/sexualidade. Eles não tem como fazer isso além do senso comum. Não tem instrumentos para tal. Quando esses assuntos pintarem, vão se enrolar até dizer chega, quando não desenfrearem uma série reativa muito grande.

Mais que isso: não parecem dispostos a sentar e estudar esses temas, que são complicados pra cacete, e mesmo muito estudo pode ser pouco pra isso. Não adianta nada fazer mil citações e recomendações: não vão servir para estudo, com o risco de contribuir (quase nada, é verdade) para afastá-los ainda mais da leitura.

Essa minha objeção também se aplica à recomendação de psicanálise, e talvez sirva um pouco mais a ela. Principalmente quando você percebe o ponto onde eles mais deixam a desejar, mas acaba incorrendo na mesma compulsão recomendativa: eles precisariam "aprender a escutar". O problema, meu caro, é que pra aprender a escutar não tem receita nem ordenamento que dêem jeito, e estudo é também muito insuficiente pra isso.

Por fim, não dá pra falar em humildade e decência neste ponto. Fica muito moralizatório. De moralidade esses caras já estão saturados. Na verdade, em questões sexuais, machismo e feminismo aí inclusos, seria preciso que eles tivessem um pouco mais é de indecência para debater o assunto. Aliás, menos humildade também... falar de sexualidade com franciscano é um saco!!!

Anão Corcunda em dezembro 21, 2010 12:43 AM


#210

Merda, entraram dois comentários iguais... por favor, apague um deles e este aqui também!

Um abraço!

Anão Corcunda em dezembro 21, 2010 12:45 AM


#211

Amigo, algumas reflexões do Jornalismo B sobre essa confusão toda:
"A(s) blogosfera(s) brasileira(s) - trajetória recente, momento atual e próximos passos" - http://jornalismob.wordpress.com
Abração!

Alexandre Haubrich em dezembro 21, 2010 2:03 AM


#212

Prezado Idelber,

Não o conheço, mas já visitei o seu blog umas poucas vezes e gostei do que lí. Parece-me a mim que você ficou um tempo sem blogar e depois voltou a fazê-lo. Lembro desta ocasião por que fui ao blog do Nassif na época em que ele mencionou a volta do seu blog. E fez isso com muita alegria.

Que ironia...

Agora toda esta querela... não levará a lugar algum e só acumulará mágoas. Sou formado em história, músico, tradutor/intérprete de línguas e leitor assíduo do blog do Nassif. Considero o Brasilianas (blog do Nassif) o blog mais democrático de todos os que são chamados de "progressistas". Gosto do blog por que é variado e propicia espaço para que o leitor/comentarista exponha as suas idéias e, em muitos casos, tenha o seu comentário elevado à categoria de "post".

Confesso que não estou a par de todo o problema, mas tenho uma sólida idéia geral do que aconteceu neste mal entendido. O Nassif não é contra as feministas e o blog que leva o seu nome não é mais ou menos democrático que o seu simplesmente por uma questão de moderação dos comentários. Muitos comentaristas já expuseram o fato de que os comentários no blog do Nassif são moderados por que muitas pessoas aparecem por lá apenas para praticarem ofensas. Para melhorar a situação e o "flow" do blog, o Nassif agora possibilita que os indivíduos cadastrados no blog tenham seus comentários disponíveis para leitura em 10 minutos. As vezes até menos. Afirmo isto por que percebí, na maioria dos seus comentários, que você tenta imputar um aspecto de "anti-democrático", ou "cerceador de opiniões", à figura do Nassif ou de seu blog, o que daria no mesmo neste contexto. Nada mais longe da verdade!

Enfim, queria apenas que você - uma pessoa que parece ser inteligente e sagaz - não se deixe levar por sentimentos vís e patrulhamentos de quaisquer natureza. Com todo respeito às feministas, mas eu conheço muito bem o blog do Nassif e, por suas posições, não acredito que ele seja um cara machista, como muitos apregoam direta ou indiretamente. É pratica do Nassif colocar posts de comentarístas na página principal do blog, posts com os quais ele mesmo não concorda, apenas para suscitar discussão e, talvez, polêmica. Apenas isto. O Nassif exagerou na dose em algum momento? Sim. Mas o cara pediu desculpas. Teve essa grandeza. Quantos homens e mulheres são capazes de um ato de grandeza? Infelizmente, poucos. As feministas não estão acima do bem e do mal e podem ser passíves de receberem críticas pertinentes. Qual é o problema em fazê-las?

Vamos esfriar a cabeça, tomar uma cerveja (isto é, se você bebe), termos humildade e grandeza, e tocar a bola para frente. Continue com o seu belo e importante trabalho, e lembre-se: os inimigos da informação, da democracia e da liberdade de expressão são outros!!

Abraços!

Ricardo R. em dezembro 21, 2010 3:37 AM


#213

Idelber

Estive doente esses dias e cheguei meio tarde a esses novos desdobramentos.O post é ótimo,é bom reafirmar,bem escrito como sempre.Como já passou muita água debaixo da ponte, a primeira coisa que quero dizer não é exatamente sobre seu post. Fui eu que fiz o comentário sobre seu texto ser publicado sem link no nassif, mas não foi do jeito que ele disse.Desculpe ter puxado você pro meio da história dos "motivos escusos".Também fiquei passada com a publicação do email pessoal e dos nossos twets fora de contexto.
Tanto no caso do texto da Ana como nesse, muito obrigada por recolocar a questão no eixo. A Mary também falou uma coisa que eu também pensei. Eu não estranhei o post, estranhei e estou nessa polêmica por causa das atitudes antiéticas, antiprofissionais que vi.
Uma coisa é a discussão sobre feminismo, outra coisa é essa discussão sem critérios. nem sei se estou me explicando direito, são 5 hs e eu devia estar dormindo.
Mas pensei numa coisa hoje, na entrevista da mônica nome-q-começa-com-w na época da eleição em q ela queria fazer os professores de direito aceitarem a premissa q o dossiê saiu do comitê de Dilma. Essa é a diferença de ser professor, jornalista ou simplesmente blogueiro, professor é não só a sua profissão mas um modo de ser, que não parte da premissa "todo mundo sabe" "senso comum", vai lá e explica por a+b.
Ah, achei engraçado que nessa polêmica temos dado um refresco ao nassif ressalvando que ele não é de esquerda, então não lhe cabem cobranças nessa área. Aí vem o outro e se reafirma de esquerda...
Vai ver que é mesmo, sei lá, as coisa tão tão mudadas...

Mani em dezembro 21, 2010 6:00 AM


#214

É que nos últimos dias o blog do Nassif passou por um momento de instabilidade, tudo por conta da polêmica provocada pelo uso do termo "feminazi", usado inavertidamente por um comentarista, se bem que o problema, é o que percebo, não ocorreu exatamente o uso do termo "feminazi" mas devido ao superdimensionamento que se fez do caso, e isto se deu por questões outras, talvez o conflito academicismo(do blogueiro Idelber Avelar) x liberdade, pareceu-me incompatibilidade de gênios. Como apontou o próprio Nassif, esta ruptura era aguardada depois das eleições, como nos melhores casamentos, a blogosfera está rachada, tudo bem, sinto que o período de lua nova passou, ainda bem

IV Avatar do Rio Meia Ponte em dezembro 21, 2010 9:17 AM


#215

Caro Idelber
A contextualização que vc e outros fazem dos blogueiros progressistas não se aproxima da realidade política que vivemos no enfrentamento da ultra direita nas eleições de 2010.
O aborto e a homofobia foi o mote final da campanha dos demo-tucanos e que levou a eleição para o segundo turno. A questão do gênero foi o pano de fundo dos ataques perpetrados pela velha e poderosa imprensa, comandadas pela Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, como vc mesmo observa sobre as referências à aparência da presidenta Dilma.
Esses ataques foram potencializados por uma máquina de boataria na internet e nomear de machista, masculinista, umbiguista e sexista um conjunto de blogueiros engajados na internet na resistência e desmontagem dessa campanha fascista e moralista é um equívoco factual, político e uma grave injustiça.

João Aguiar em dezembro 21, 2010 11:02 AM


#216

Um texto feminista - e tão lúcido - escrito por um homem é uma raridade, meus parabéns.

Larissa de Andrade em dezembro 21, 2010 11:48 AM


#217

Sério, cara, acho que vc daria um bom tucano, tipo FHC, quanta pomposidade para atacar a blogosfera progressista!
Se liga, qual a finalidade de ficar assoprando uma brasa que já se extinguiu!

André em dezembro 21, 2010 3:07 PM


#218

Idelber, minha solidariedade.

Deve ser barra ver tantos comentários de bajuladores, ignorantes, alienados, estupidamente arrogantes que levam tudo pro lado pessoal.

Se antes dava pra ficar decepcionada com a postura de uma ou outra 'estrelinha', agora tá de lascar. Pra escapar das críticas, armaram todo um circo de paranóias pra continuarem se sentindo "Os Subversivos".

Haja paciência.

Ághata em dezembro 21, 2010 4:03 PM


#219

Ágatha, Mani, Larissa: obrigado. Estando pela primeira vez no ano numa super maratona de dormir, comer, beber, numa casa super tranquila, deu pra olhar para todo o fundunço com alguma perspectiva e, de longe, o saldo é muito positivo. Historicamente falando mesmo. Alguns bons textos se produziram. Além dos que eu já linkei, hoje saiu um belíssimo de Renata Winning.

Nesta caixa também muita coisa se revelou -- é a vantagem de quando não há filtragem da discordância --, porque, não sei se muitos homens notaram, mas sei que algumas mulheres notaram, que a proporção entre comentários delas e os deles vai diminuindo na proporção em que a discussão vai se encaminhando para algo que não era o tema do post. Isso é instrutivo. Depois dos comentários da Meg, da Ju Sampaio, da Cláudia M., instalou-se outra dinâmica.

Mas durante bom tempo discutimos algo que não era o tema do post, e isso coincidiu com a instalação de uma proporção que era quase de 100% de homens falando.

Por isso agradeço, Ágatha, Mani, Larissa. E às citadas aqui acima: Ju, Meg, Cláudia. E todas às que comentaram lá em cima e que não pude responder, pela dinâmica da relação sono/postagem: Fal, Mary W, Iara, Adriana Torres, Lola, Jac, Renata Lins, Ana Paraná, Cristiane, Flávia Cera, Luiza, Santa, Rosi e, com certeza, aquelas que me esqueci de citar. Valeu.

Abraços,

Idelber em dezembro 21, 2010 5:35 PM


#220

Uma das coisas mais reveladoras, pelo menos para mim, foi o fato de o Nassif só ter se dignado a fazer um mea culpa (bem capenga por sinal, utilizado para novo ataque) depois do post do Idelber, sendo que tantas mulheres já haviam se manifestado antes com clareza e conhecimento de causa. Nenhuma delas mereceu reposta, apenas uma confissão de ignorância (em relação ao termo - aliás, bem auto-explicativo) em 12/12: "Confesso que não tinha conhecimento do termo" , e uma tentativa de mudar de assunto, em 13/12: "Vamos deixar de lado o termo "feminazis" – que provocou tanta indignação e que já admiti que não conhecia o significado até então – e nos fixarmos em alguns pontos de justiça social." Como assim, se o problema é especificamente sobre o termo, vamos deixá-lo de lado e falar de outras coisas? Todo o movimento feminista pode ir pra fogueira mas ele não pode?

Ana em dezembro 21, 2010 6:19 PM


#221

Depois dessa resposta(#219) não precisa dizer mais nada sobre o assunto!

Parabéns, Idelber.
Conte com minha solidariedade em todo episódio em que os fatos estiverem sendo distorcidos, contra você ou contra qualquer um.

Abraços.

Euclides F. Santeiro Filho em dezembro 21, 2010 7:06 PM


#222

E agora o Miguel do Rosário foi ao blog DELE pedir permissão AO IDELBER para ele, Miguel, poder ter opiniões sobre feminismo SEM SE INFORMAR SOBRE NADA. Porque se o Idelber citar fontes, links, livros, essas coisas, aí ele tá "dando carteirada". E o coitado do Miguel não tem direito à opinião dele, porque afinal, o tanto de informação que o Idelber trouxe, e o tanto que as mulheres bateram no Miguel, tadinho ... deixa para lá.

Alô, blogueiro progressista, vamos sair do pré-primário?

Socorro em dezembro 21, 2010 8:16 PM


#223

Não consigo deixar de pensar que essa situação toda se explica pela situação defensiva que @s que lutam pelos direitos das mulheres se encontraram desde o fim do primeiro turno da eleição presidencial até agora.

Tod@s @s feministas estavam acuad@s, a militância feminista mais aguerrida não encontrou um bom lugar de fala pra defender as posições pró-escolha e fazer frente ao terrorismo viral da campanha serrista contra Dilma. A defesa mais aguerrida pró-escolha poderia comprometer os votos pró-Dilma e, contra todas as vontades, fortalecer o candidato reacionário: Serra.

Uma armadilha. Esse debate sobre o direito das mulheres ao próprio corpo estava absolutamente interditado.

Então quando uma das figuras eminentes da blogosfera - Nassif - deu uma mancada antifeminista, abriu-se a possibilidade de um debate, no campinho interno da """blogosfera progressista""", que estava interditado no espectro mais amplo da "opinião pública", refluindo naquele ponto pequenino (o termo "feminazi") tudo o que estava represado nos assuntos que dizem respeito às lutas das mulheres.

André O. em dezembro 21, 2010 9:03 PM


#224

Ô Socorro, não fala assim, senão daqui a pouco Miguel vai nos brindar com mais um de seus brilhantes textos dizendo como, tadinho, foi trollado numa caixa de comentários quando, na realidade, estava fazendo de tudo pra apaziguar os ânimos!
Esse é fiel! Esse será convidado pra próxima entrevista de blogueiros, sem dúvida!
Ah é, esqueci que não devo ser agressiva. Eles sim são cavalheiros! E são assertivos. Bom, agressiva, assertivos, ambos começam com a, tem dois s's, tô no lucro.

Lola em dezembro 21, 2010 9:06 PM


#225

Que felicidade se a desinformação que você aponta fosse tão mais masculina que feminina.
Não falta mulher que caiu no conto de que tem que apanhar sorrindo - quando não rebolando...
Acredita que num dos blogs progresssistas tinha mulher SE GABANDO de não ser feminista, porque seria ultrapassado e fora de moda?
Não é de você que devemos falar. Mas ainda bem que você bloga, ufffa, rs!!

Mariana em dezembro 21, 2010 9:31 PM


#226

Idelber,

Esperei um post seu para ver no que as coisas iam dar. Notando que não foi citada a base teórica que o levou a detonar todos os blogueiros progressistas e a implicitamente autorizar a falta de educação de uma tantas autointituladas feministas frequentadoras do Biscoito, e considerando que não tenho paciência para participar de barracos, despeço-me do seu blog, agradecendo os momentos de alegria e prazer de leitura que nele desfrutei, mormente durante o segundo turno das eleições.

Digo mais, também sem qualquer base teórica: não me parece que ninguém convença ninguém na base da porrada.

Talvez eu volte quando terminar de ler toda a literatura sobre tudo. Parabéns pelo seu blog de esquerda reacionário, uma vez que não é progressista, embora tal me pareça, sem fundamento teórico, uma contradição de termos.

Um abraço rubro-negro, cores do meu time, do socialismo e do anarquismo,

Paulo Werneck

Paulo Werneck em dezembro 21, 2010 9:41 PM


#227

A Ana (#220) disse antes o que eu tinha entrado aqui pra dizer: a partir do momento em que o Idelber entrou (brilhantemente) na briga, os posts das feministas passaram a ser solenemente ignorados.

Os amigos blogueiros progressistas querem briga de macho, mulher é carta branca. Com mulher não se discute, em mulher não se bate, nem argumentativamente.

E assim se reproduz e se perpetua a estrutura em que a mulher não tem voz. Nossa opinião vale menos, até na hora da polêmica. Ganhamos o rótulo de agressivas, somos colocadas na prateleira das histéricas chiliquentas, e fica aberto o caminho para os adultos conversarem.

Deborah Leão em dezembro 21, 2010 9:53 PM


#228

Deborah (#227), eu posso estar errado mas diria que não é que as feministas estão sendo ignoradas é que a maior parte da discussão é sobre o que o as pessoas acham que o Idelber disse sobre os outros blogueiros.
Segundo entendi do que o Idelber disse nos comentários, o texto reflete absolutamente o titulo. O problema é que depende como voce lê o texto, parece que ele fala que um monte de gente não é informada, humilde, inteligente, democrática, sincera, sem preconceitos etc e que ele tem todos esses predicados. Nenhuma feminista conseguiu juntar todos esses adjetivos em um so texto, por isso talvez estejam sendo preservadas. A maioria que está criticando o Idelber não está discutindo sobre ou com as feministas. Eles acham que o titulo está correto, não é sobre as mulheres que eles querem falar, mas sobre o que o Idelber disse.

Mauro_R em dezembro 21, 2010 11:19 PM


#229

Será que as feministas não poderiam aproveitar esta polêmica para apresentar e discutir propostas e demandas concretas do movimento?

Sem querer ofender, mas o Nassif chegou a abrir uma ótima oportunidade de discussão que a meu ver não foi aproveitada pelas feministas:

Inclusão geral ou inclusão excludente?
Enviado por luisnassif, seg, 13/12/2010 - 16:37
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/inclusao-geral-ou-inclusao-excludente

Como leigo, não sei bem o que querem as feministas.

Presumo que é muito mais do que demonstrar de forma cabal o quanto as desmerece o uso do termo "feminazi". Bom... isto vocês já conseguiram.

Há uma demanda concreta para que na entrevista da Presidenta Dilma aos "blogueiros progressistas", a participação feminina seja igual a masculina? Duvido que diante de uma demanda concreta isto não vai acontecer.

Imagino que a legalização do aborto, por ex, é um tema capital para as feministas.

Acredito que a grande maioria dos "blogueiros progressistas" apóiam a legalização do aborto e estão ao lado das feministas nesta luta.

Fabio Passos em dezembro 21, 2010 11:59 PM


#230

Deborah, obrigado, inclusive porque eu te acompanhava no GReader, mas nunca havia estado no blog. Adorei visitar, já o juntei às minhas leituras. Abraços.

Idelber em dezembro 22, 2010 12:18 AM


#231

Olá a todos, acompanho todos os blogs envolvidos na polêmica há um bom tempo, com grande apreço por todos. Faço questão de transcrever o comentário do Nassif no novo texto (texto?) do Miguel do Rosário:

"Luís Nassif said:
Prezado Miguel,
pretendia fazer essa desconstrução, mas você entregou o prato completo. Me dá dois prazeres. O primeiro, de revelar a lógica rasa de um sujeito que vive de carteirada acadêmica, um poseur sem conteúdo, sem capacidade mínima de raciocínio criativo, vivendo apenas de chavões primários. O segundo, de me poupar de escrever sobre esse sujeito, um deslumbrado que só falta ter orgasmos quando o Ministro Paulo Bernardo aparece no Twitter dando bom dia para seguidores. Ele é o primeiro a correr: “Bom dia, Ministro”.
Poucas vezes vi um sujeito tão raso e deslumbrado quanto ele. E ainda se dá o tratamento de “professor”."

Isso tudo me deixou me sentindo mal, minha decepção com nomes como Nassif, Miguel do Rosário, Rodrigo Vianna, e outros não tem tamanho.

Mas apesar de tudo foi bom, melhor descobrir o caráter deles o quanto antes for possível.

Idelber, meu caro, sei que isso não significa nada, mas estou contigo.

Abraços

Augusto Botelho em dezembro 22, 2010 12:33 AM


#232

Agradeço, Augusto mas, se posso dar uma opinião para a sequência: acho bobagem transcrever esses comentários. E acho que há enormes diferenças entre as pessoas que podem, à primeira vista, parecer um bloco. Essa foi uma das coisas boas da polêmica. Todos são diferentes, não há um bloco unitário. O Vianna, por exemplo, escreveu texto leve, com humor, com link, em que ele dizia algumas coisas que acho bobas ("dizem que ele é professor", "deixa as mágoas de lado" etc.), mas coisas com as quais até se pode dialogar (a acusação de divisionismo, que também acho improcedente, mas sobre a qual dá para bater um papo). Conversamos no Twitter, uma conversa agradável. Nenhum problema. Claro que quando alguém começa a elucubrar se este post foi conjuminado com o PIG, com Soninha, com a Veja, com o Psol ou com a CIA, não há como conduzir a conversa num mínimo patamar de sanidade.

Com as pessoas que realmente me importam não há grandes problemas, o que no grupo pequeno de pessoas de liderança da chamada blogosfera progressista, é o Renato Rovai, por quem tenho afeto. Enquanto jornalistas que leio, linko e admiro, o Vianna e o Azenha. Com o Vianna, já um bom papo. Com o Azenha, confio, em breve. Enfim, tudo tranquilo, relax. Abraços.

Idelber em dezembro 22, 2010 12:46 AM


#233

O que dizer a uma altura dessas?

Reitero o meu apreço por atacadistas e varejistas, atacados e atacantes.
Manterei, no meu blogue, a bandeirinha de apoio a Nassif por seus textos antológicos sobre a história de Veja. Manterei, igualmente, O Biscoito como meu lugar de referência ao abrir uma aba para leitura.

Manterei, ainda, a questão do machismo como um dos principais problemas da sociedade brasileira, sobre o qual leio e reflito menos do que deveria. Isso inclui a vontade - mas não a realidade - de frequentar, tanto quanto gostaria, uma pá de blogues por aí.

Por outro lado, nada mais injusto que colocarem sobre o Idelber a pecha de ultra-esquerdista. O sujeito defendeu, desde que leio este espaço, o Governo Lula. O fez, de forma exemplar, desde que voltou a escrever, neste 2010.

Fico à vontade para falar porque discordei e discordo de quase tudo que foi dito por ele durante a campanha eleitoral. O engajamento pleno, sincero e público de Idelber na campanha do PT é admirável, apesar d'eu ter apostado em outra candidatura e ter feito oposição (de esquerda. Vai saber se alguém considerará isso uma "carteirada") ao governo do PT durante boa parte destes oito anos.

Tem uma pá de gente - me incluo nessa - onde caberia muito melhor a pecha de "ultraesquerdista", se alguém quisesse usar esse critério como parâmetro de qualificação ou desqualificação.

* * *

Enfim, essa discussão está mais exaltada do que a média e meio fora de prumo.

Mas desqualificar o furdúncio só porque alguns consideram a opressão às mulheres questão secundária - e, pior, a reação braba àquelas que ousam reclamar da mesma!

Ah, isso não dá, não.

* * *

No mais, toda minha ojeriza às iniciativas para desqualificar o adversário como forma de não precisar discutir (ou contra-argumentar) o que ele está dizendo.

Rafael Fortes em dezembro 22, 2010 2:16 AM


#234

É isso, Mauro_R. O ponto passou a ser não com as posições das feministas. Assim como elas justamente se ofenderam com o termo 'feminazi', muitos blogueiros progressistas se ofenderam com o texto do Idelber, generalizando e acusando-os de machistas sem uma única demonstração a título de exemplo (afinal, 'não é de você que devemos falar'!).
Tudo isso gerou diversas pisadas na bola do Nassif, do Eduardo Guimarães, do próprio Idelber, ainda que este bem mais educado, e de diversos comentadores desta caixa, que extrapolaram, trollaram, ridicularizaram quem não concordou com suas idéias, fizeram papel de leva-e-tras, etc. E falo sem querer ofender, considero boa parte dos que fizeram isso comentaristas extraordinários, inteligentes e capazes, que elevam o nivel desse espaço; só que nesse caso em particular todos nós parece que passamos do tom, fomos passionais e exageramos nas reações.
E no final, vou continuar a ler Nassif, Eduardo, Idelber, separando sempre a pessoa da sua obra, como faço em relação à Arte. As pessoas, podemos gostar mais ou menos, a obra fica, se for valorosa como a dessas pessoas.

sidneig em dezembro 22, 2010 9:30 AM


#235

Obrigada, Idelber, é uma honra constar desse blogroll cheio de gente boa =)

Mauro_R, a questão é exatamente essa: que, a partir do texto do Idelber, o foco da discussão saiu completamente do feminismo, e se dirigiu a outras searas, como se o feminismo fosse mesmo questão menor. Eles querem falar sobre o que o Idelber - que é homem, e isso não é um dado aleatório - disse sobre eles, e ele é considerar um interlocutor válido, ao contrário da Lola, da Cynthia, e das demais feministas que se posicionaram incisivamente em seus blogs.

O nosso discurso, quando é incisivo, é logo rotulado de agressivo, chiliquento, histérico, e deixado de lado. Só vale quando é dócil, e endossa o status quo. E isso é parte do incômodo, é parte da discussão. Fala-se das mulheres (feministas, feminazis, dóceis, barraqueiras), mas elas não são ouvidas quando falam de si. Continuamos não sendo sujeitos, não tendo significante, exceto quando somos objeto do discurso se um homem.

Deborah Leão em dezembro 22, 2010 9:43 AM


#236

Não vale nem quando é dócil, Deborah, por que aí fica fácil de ignorar.

Luís Henrique

Luís Henrique em dezembro 22, 2010 9:54 AM


#237

A blogosfera está virando umbiguismo, discussão de ego para ver quem tem razão.

Não aguento mais esta retroalimentação da história do "feminazi".

Esta discussão só está acontecendo porque cada um dos lados escolhe uma generalização (o machista desmiolado e insensível X a feminista ranzinza e patrulheira) para poder bater.

Desde quando a blogosfera é o nosso grande palco de luta, de política? Se "as estruturas não descem à rua", esta blogosfera, do jeito que está, também não desce. O feminismo, a luta feminista, se faz na interação social com o outro, com a sua diferença, se faz na rua, no conflito entre os corpos - masculinos e femininos - e não nessa discussão já estéril e repetitiva.

Ana em dezembro 22, 2010 10:20 AM


#238

É curioso que um rapaz tão letrado, com tanta erudição, escreva "entitulado". Em que escola aprendeu o português?

Aryoswaldo em dezembro 22, 2010 10:25 AM


#239

1. Blogueiras tão atuantes, não perceberam que o alvo da blogosfera era a quebra do monopólio da informação e não uma questão de gênero?

E de que adianta quebrar o monopólio da informação se isso não nos leva à liberdade de discutir o que queremos - inclusive a questão de gênero?

2. Feministas tão atuantes não foram detectadas qdo a questão do aborto levou as eleições para o segundo turno?

A questão do aborto levou as eleições para o segundo turno?

Desculpa, mas a Dilma teve 47% dos votos no primeiro turno. Em 2002, o Lula teve 46%; em 2006, 48%. Parece que o eleitorado que vota no PT no primeiro turno é bastante estável há bastante tempo. E mesmo que não fosse assim, quem disse que foi o aborto, e não o caso Erenice? Ou o salto alto de muitos de nós? Ou até a reação destemperada e desesperada de alguns que começaram a postar críticas de extrema-direita ao Serra (tipo, "o Serra nem tem o direito de se considerar católico, porque qdo era ministro, mandou distribuir milhares de camisinhas no Carnaval")?

3.Pq blogs feministas tão relevantes, seriam pautados por blogs machistas e pq as discussões estão evoluindo fora deles?

Por que, se são feministas, seu principal objetivo é combater o machismo. Mas duvido que "as discussões" não estejam evoluindo dentro deles tb; aliás uma das reclamações que tenho lido é exatamente que elas não param de falar sobre isso.

4.Pq razão qq feminista teria interesse em colocar sua pauta a frente da quebra do monopólio midiático, se, em última análise, é esse mesmo monopólio que engessa o feminino, há décadas?

Porque a quebra do monopólio midiático só tem sentido se for para liberar o conteúdo. Trocar a ditadura do PIG pela do Blog da Cidadania não interessa a ninguém - nem ao próprio Eduardo Guimarães, como ele parece já estar se dando conta.

5.Ao elegerem o sr. Ildeber, como seu " representante", a intenção era o " pinçamento" para a entrevista, ou seja, alguma feminista estaria esperando ser conduzida pelas mãos por um homem influente a entrevista?

O Idelber foi eleito?

6.Se os blogs acima, estavam na luta, pq não impugnaram ou lançaram nomes para a entrevista?

Talvez para "não desagregar a blogosfera"?

7.O que fazem Luiz Nassif, Azenha,Eduardo Guimarães, etc.. na tábua de tiros das feministas? E o que faz O Biscoito Fino, o atirador? Onde estão os tais blogs?

O que fazem os citados no sentido de combater as desigualdades de gênero? O que fazem no sentido de reforçá-las?

Olha, nenhum problema, no abstrato, em usar metáforas balísticas para argumentos, tipo "Marx afundou o navio de Hegel com três tiros abaixo da linha d'água. No concreto, eu tomaria cuidado, porque os machonazis estão tendo problemas em entender as metáforas como metáforas. Tem gente falando que "querem destruir o Nassif" - quando na verdade ele foi apenas criticado, o que, convenhamos, não tira pedaço.

8. Pq a questão do IldeberXNassif, antiga, não foi levantada aqui?

Vai saber. Provavelmente por que não existe.

Soninha Francine é do tal movimento feminista?

Não que eu saiba. Ela é do PSDB, serrista de carteirinha; não sei como ela se sentiu quando o candidato dela tentou transformar a eleição num plebiscito sobre o aborto. Se é feminista, deve ter sido complicado para ela não romper com o Serra por conta disso. Se não é, talvez tenha achado uma boa idéia. O que é que ela tem a ver com esta discussão?

9. O que tem a ver a postagem ( na verdade, resposta a um comentário, do André ) das feminazi, com o termo progressista e com a entrevista do Lula? Qual a intenção do movimento feminista, não entendi?

O primeiro comentário do André é uma imbecilidade sem tamanho. É de um machismo primário e atroz, mas, mesmo que não fosse, ainda seria um comentário imbecil, tentando ensinar a presidente eleita o que ela deve ou não deve dizer, e fazendo isso no sentido de amordaçá-la para que ela não diga nada que possa assustar a direita. Não me espanta que tenha sido criticado pelas feministas; me espanta que não tenha sido detonado por todo mundo, pelo seu contúdo divisionista, atrasado e direitoso.

O segundo comentário é delirante, levantando o espantalho de um suposto "feminismo radical" que teria como objetivo o extermínio dos homens, e afirmando que isto constitui um perigo real. Foi esse comentário que foi elevado a post. Quem reclamou, leu algumas piadinhas sem graça do Nassif.

O que é que isso tem a ver com "progressismo"? Talvez cause estranheza um blog progressista elevar a post um comentário abertamente reacionário. Imagina se algum blog progressista publicasse um post alertando para o perigo dos "negronazis, anti-racistas radicais que querem exterminar a raça branca"? Vc continuaria a considerar esse blog como progressista?

Aliás, quantos blogueiros negros havia na entrevista com o Lula?

10. Pq, até agora, os movimentos feministas não se manifestaram, oficialmente?

E por que deveriam?

Tudo isso está muito inchado. Olha, eu pertenço a um partido político - por acaso, o mesmo da presidente eleita. Aquele que ganhou a eleição. Sendo um partido político, tem uma direção, uma linha política definida, programa, estatuto, o escambau. Sendo um partido político, foi quem ganhou a eleição. E eu não sinto, dentro do meu partido político, que foi quem ganhou a eleição, que é o partido da presidente eleita, nenhuma pressão no sentido de uniformizar o discurso e de evitar a discussão de problemas relevantes "para não favorecer a direita". Por que deveria a "blogosfera progressista" - que não é um partido político, que não tem direção, que não tem linha política definida, programa, nem estatuto, cumprir o triste papel estalinista de sufocar a discussão - e, pior, fazer isso em nome da liberdade de expressão?

A blogosfera progressista tem um comitê central? Se tem, quem é, e porque não informa o baixo clero, via circular, o que pode e o que não pode discutir?

Luís Henrique em dezembro 22, 2010 11:16 AM


#240

Tinha que existir uma lei que nem a de Godwin para quem aponta erros de português ao invés de discutir a questão. Nocaute automático.

Deborah Leão em dezembro 22, 2010 11:20 AM


#241

Aliás, desculpa, mas cometi um erro terrível. A Soninha Francine não é do PSDB. É do PPS. Desculpa, PPS. Desculpa, PSDB. Desculpa, Soninha. Desculpem todos que se sentiram enganados, traídos, ou ofendidos por causa do meu erro.

Luís Henrique em dezembro 22, 2010 12:56 PM


#242

Quero concordar parcialmente com o Fábio Passos (229) e questionar tb parcialmente a Ana (237). Ana, nao uma militante feminista, mas tenho muita identificação com as causas e o discurso feminist@s. Sem querer ensinar ave-maria ao vigário, por que a blogosfera nao pode ser tb um pátio de lutas? E nao só em blogs feministas, que praticamente só falam aos já convencidos, mas em blogues gerais, onde realmente haveria pessoas a atingir?
Por que as feministas nao entram nos tópicos sobre essa questao do Blog do Nassif? Está irrespirável? Em parte sim. Mas seria tao bom que se fizesse presente um discurso feminista lá. Há várias pessoas confusas, que nada sabem sobre feminismo, mas nao necessariamente sao idiotas, podem ouvir argumentos. Possibilidade de entrar há, o espaço é razoavelmente plural. Levar lambadas? É verdade, levariam. Mas e daí?

Anarquista Lúcida em dezembro 22, 2010 1:30 PM


#243

Aryoswaldo, você achou um "entitulada" em vez de "intitulada" em texto de blog, com zilhões de links, escrito de madrugada! Parabéns e gracias. Está corrigido e, como sempre por aqui, com rasura, para mostrar que o erro estava lá ;)

Idelber em dezembro 22, 2010 3:24 PM


#244

"Sobre a carteirada acadêmica."

Contando o meu tempo de "acadêmico", desde o meu primeiro ano de faculdade até o dia de hoje, tenho aproximadamente 13 anos de vida dentro da universidade. Professores que estão a mais tempo na "lida" (e eu sou ainda apenas um estudante) já deveriam ter percebido o quão "falcatrua" é essa de dar carteirada (desculpem a gíria curitibana). Apesar de toda sua pretensão intelectual, o texto do Idelber apenas se limita a citar nomes, conceitos e interpretações sem desenvolvê-los ao público não-especialista. Essa é a clássica tática da carteirada acadêmica: criar a ilusão de superioridade intelectual sem correr o risco de expor o que realmente sabe do assunto. Se ele escrevesse o que sabe sobre os autores que citou, correria o risco de algum leitor especialista aparecer para corrigí-lo. Mas escondendo o que sabe, elimina-se o debate, e fica apenas a carteirada.

O professor Idelber deve saber melhor do que eu que o meio acadêmico vive uma tendência à especialização, uma crescente subdivisão de nichos de estudo que muitas vezes têm dificuldade de conversar entre si. O número de publicações é atualmente tão vasto, que para cada subdivisão de um assunto qualquer existem dezenas ou centenas de livros e artigos, e o tempo gasto em selecionar o que parece mais relevante é muitas vezes não muito menor do que o tempo que se gasta na leitura propriamente dita. Cada pesquisador ocupa uma posição particular na produção do conhecimento, e tenta, na medida do possível, articular o seu trabalho com a pesquisa dos seus colegas. No final das contas, o acadêmico é uma "autoridade" em temas bastante restritos, e é apenas em um trabalho em rede e coletivo com outros acadêmicos que se consegue produzir um conhecimento "mais vasto". Não é a toa que muitos livros se dedicam não à publicação de uma pesquisa, mas a sintetizar e articular o momento coletivo de uma área do conhecimento.

No mundo "não-acadêmico", a realidade é muito semelhante. O número de profissões e suas várias sub-especializações também se multiplica nesse mundo que não vive em torno da universidade. O tempo e o esforço físico/mental que uma pessoa "não-intelectual" gasta para se capacitar em um ofício qualquer é cada vez maior - isso vale até mesmo para os trabalhos ditos manuais. O público internauta dos blogs é diversificado, de origem social diversa. Assim como ocorre no mundo acadêmico, a blogosfera promove um intercâmbio de idéias num processo coletivo e em rede. Sabendo disso, exigir que cada cidadão seja especialista como condição para participar de um debate qualquer não é apenas exigir o impossível, é também desonesto.

O professor Idelber sabe muito bem que, em um congresso qualquer sobre o assunto X, ele poderia não estar na mesa fazendo a apresentação do seu trabalho. Ele estaria sentado do outro lado, ouvindo e, quem sabe, fazendo alguma pergunta ao final das apresentações. Algum dos especialistas presentes talvez tentasse excluí-lo por seu conhecimento não-especializado, provavelmente o faria citando uma série de autores menos consagrados sobre o assunto sobre os quais a "vítima" ainda desconhece. Também poderia argumentar que o senhor Idelber estuda outra coisa, e não tem contato direto com o assunto. Tão injusto e desonesto quanto esse exemplo hipotético é aparecer na internet e tentar essa tática contra os não-especialistas e não-acadêmicos da blogosfera. Mais do que isso, mostra que o senhor deveria rever seus conceitos sobre o papel do intelectual, da universidade, e até mesma da dinâmica de produção do conhecimento.

PS: Este meu texto não tem a profundidade que se espera de um texto acadêmico. Minha pretensão se limita a comentar um post de blog. Você quer escrever um artigo com profundidade acadêmica sobre o feminismo? Você aparentemente acredita que pode. Existem inúmeros periódicos esperando por você. Mas neles a carteirada não vai funcionar. No "peer revision", citar autores no vazio não convence ninguém. Agora, quer escrever para um público maior? O mínimo que se espera do seu texto é que ele seja acessível ao público alvo. Mais do que isso, deve ser um texto que convide ao debate, não um texto que exclua os indesejados que discordam do que você pensa. Quer citar um autor relevante? Faça isso, mas não para criar a ilusão da autoridade. Coloque as idéias do autor de forma clara e acessível ao leitor "médio" da blogosfera que não é especialista. Coloque as idéias do autor de modo que este contribua ao debate. Convença o leitor não-especialista da importância do autor e incentive este a conhecê-lo, mas não use esse autor como uma tática para excluir os indesejáveis.

Juan em dezembro 22, 2010 3:50 PM


#245

Olha Juan (#244), deixa eu te dizer, na minha qualidade de não acadêmico e leitor (acho que bastante mediano, típico mesmo) deste blog: eu não sei se essa ideia do poder arrasa-quarteirão da academia é mais esquisita sendo proferida por um antiacadêmico como o Miguel do Rosário (recentemente promovido a "mentor não intelectual" no blog do Nassif) ou por alguém de dentro da academia. Usando a gíria gaúcha, estou até agora procurando o "carteiraço" arrasador do Idelber no post, assim como procurei a "agressividade desagradável" nos textos da Lola e já estou desistindo de procurar algum traço de dignidade nas atitudes do Nassif a respeito. Em todos esses casos, uma procura em vão.

Cleber em dezembro 22, 2010 6:00 PM


#246

Olha gente, vou dar meu pitaco também. Vamos esquecer esse troço de ''feminazi'', que foi a infelicidade das infelicidades, e vamos procurar pensar na união de todos, pois vamos ter muito trabalho. Quero aqui fazer uma denúncia: ao procurar no Google pelas palavra ''igreja amordaçada'' e ''iglesia amordazada'', encontrei centenas de páginas. Em todas elas o PT é acusado de perseguir a Igreja Católica. Há um documento de 240 páginas em espanhol, produzido em Belo Horizonte, que já foi lido até pelo Bento XVI. Vai ser uma ofensiva mundial contra o governo da Dilma. Não vai ser só o PIG brasileiro, mas o internacional. E na hora que os padres pedófilos começarem a responder por seus crimes, o PIG vai dizer que as provas de que a igreja é perseguida são essas. E vai alça-los à condição de heróis, e as vítimas serão demonizadas. Vamos precisar de muita união para rebater essas falsidades. Peço a todos que mutuamente se perdoem, e unidos vamos derrotar essa ofensiva. Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos. João Paulo.

João Paulo Ferreira de Assis em dezembro 22, 2010 7:34 PM


#247

Eu posso estar enganado, mas o Idelber listou as obras acadêmicas porque muita gente tava choramingando nos comentários do post anterior que queria ser "ensinado" sobre o feminismo. Por atender a esse pedido ele agora está sendo acusado de "dar carteirada"? É dura a vida de blogueiro.

Patrick em dezembro 22, 2010 9:53 PM


#248

Eu entendo "carteirada" como a evocação de uma autoridade exterior ao assunto em questão. Se eu dissesse "ah, não venha discutir isso comigo porque eu tenho doutorado" (coisa que nunca aconteceu aqui) ou se alguém dissesse "ah, não se pode criticar o Nassif porque ele fez ótimas coisas, como a Série Veja, e portanto 'merece respeito'" (opa, isso foi dito!), aí sim, teríamos uma carteirada. É um ad hominem, uma coisa que você tira do bolso e que é externa ao tema em discussão.

Mas o contexto aqui é: estamos falando de feminismo e eu cito alguns livros e links que eu considero importantes no feminismo. Isso é "carteirada"? Ora, isso lá em casa se chama oferecer fontes.

Idelber em dezembro 22, 2010 10:34 PM


#249

Há um documento de 240 páginas em espanhol, produzido em Belo Horizonte, que já foi lido até pelo Bento XVI.

É verdade. E do que esse documento acusa o PT, exatamente?

Bingo, de perseguir a Igreja Católica porque esta se posiciona contra o aborto.

É isso. Em cima de que vamos nos unir? De uma ampla campanha para explicar que não, nós não somos a favor do aborto, nem mesmo nos casos legais, e que vamos reverter todas as conquistas dos últimos anos?

Ou vamos tomar coragem e explicar por que é impossível, numa sociedade moderna, manter o aborto na ilegalidade sem com isso levar ao desespero e à morte milhares e milhares de mulheres, particularmente as mais humildes?

Eu apóio a minha presidente na decisão que ela tomar. Mas eu não vou ajudar a direita a emparedá-la. Se ela optar por se submeter a esse emparedamento, não vou deixar de apoiá-la. Mas não acho que nesse caso se possa esperar muito mais dos próximos quatro anos do que evitar os piores retrocessos; os menos ruins serão inevitáveis.

Luís Henrique em dezembro 22, 2010 10:35 PM


#250

Creio que devemos deixar claro alguns pontos:

1- o aborto é assunto do Congresso Nacional. Se o Congresso resolver aumentar ou diminuir os casos em que o aborto é permitido, à Presidente só cabe sancionar o projeto. Só deverá vetá-lo se ele não tiver respeitado princípios constitucionais durante a sua tramitação.

2- O aborto é questão de saúde pública, sim. Muitas ricaças da sociedade já praticaram aborto, e nem por isso a Igreja Católica as excomunga latae sentenciae. Não é de se estranhar que depois de ter comparecido a um hospital particular para fazer o aborto sem correr nenhum risco, ainda haja de receber a comunhão na Igreja de Nossa Senhora do Brasil ou no Santuário do Terço Bizantino. Ao passo que uma pobre que teve de recorrer ao aborto por absoluta falta de condições, ainda o tem de fazer em clínicas clandestinas de fundo de quintal e com todas as sequelas que isto deixa. E ainda é excomungada pela Igreja.

3- Em todo o caso há de se fazer algumas concessões. Por exemplo, prestar ajuda psicológica a grávidas vítimas de estupro, para que elas possam conceber. As feministas mais radicais até podem não gostar, mas diga-se que por ser o Brasil um país pluralista, têm que se comtemplar todos os interesses lícitos dos grupos sociais.

Enfim, se descriminalizaria, mas toda uma estrutura seria montada para persuadir as jovens a não fazer aborto.

Saudações e um Feliz Natal e Ano Novo próspero ao sr. Luís Henrique.

João Paulo Ferreira de Assis em dezembro 22, 2010 11:13 PM


#251

O que me deixa impressionado nesta questão da criminalização do aborto é que Portugal, por ex, é um país de maioria ultra-carola... e mesmo assim conseguiu legalizar o aborto.

Por que será que fracassamos no Brasil?

Não é um pequeno atraso.
Não conseguimos implementar no Brasil uma conquista civilizatória elementar.
Trata-se de uma derrota acachapante das forças progressistas(?).

O que estamos fazendo de tão errado?

Fabio Passos em dezembro 23, 2010 12:13 AM


#252

Professor Idelber, seguem abaixo os trechos do que eu entendo por carteirada.
Antes um disclaimer, já que eu sei que este tema está pegando fogo entre as feministas, blogs, etc.
Não trato diretamente de feminismo porque sei patavina nenhuma sobre o assunto. A única coisa que escrevi em outro blog foi que não concordo com a utilização do termo "patriarcado" como sinônimo de poder de homens sobre mulheres. Como o senhor sabe, as relações de gênero são um elemento da sociedade patriarcal, mas não o seu todo. Nem estou interessado na sua rivalidade com o Nassif, ainda que tenha me inteirado deste seu post pelo blog dele. Esse diz-que-diz e rivalidades entre blogueiros não é problema meu. Ah, não tenho blog.
Enfim, ao que interessa.

No trecho 1, seu texto defende que se alguém não leu uma bibliografia mínima sobre um assunto X, nem checou as estatísticas, etc, tem já de saída uma "opinião" (com suas aspas) que não se equivale em qualidade àqueles que tiveram tempo (até por profissão, já que são pagos pra isso) para informar-se adequadamente. Ao contrário "deles", seus adversários, parece-me que está nas entrelinhas que certas pessoas, incluindo você, atendem aos requisitos elementares de uma opinião (agora sem aspas) qualitativamente melhor. A qualidade do seu argumento, pelo menos neste post, não está na sua capacidade de convencimento ou sequer na força da análise do tema em si, mas no fato de você dominar a tal literatura mínima.

Além disso, palavras como "aula" e "lição" estão no seu texto, reforçando o tom professoral-hierárquico que você adotou. Você também utiliza as palavras "ignorante" e ainda diz que aos seus desafetos falta "inteligência, humildade e decência". Suponho que essas qualidades são um empecilho para que eles reconheçam a posição de subalternos "opinativos" frente ao seu "discurso acadêmico." (Sim estou emprestando a palavra discurso no mesmo sentido que tanto se usa para "discurso médico", "discurso científico", etc.).

Mas seus desafetos têm a chance de estudar. Para que você os reconheça como interlocutores válidos, eles devem consultar a "bibliografia mínima" por você sugerida, o que pode ser observado no trecho 2. Assim eles não apenas provaríam a você que são humildes, talvez decentes e inteligentes, mas demonstraríam o reconhecimento da hierarquia professoral que você lhes impõe.
Ainda que seja apenas uma lista de autores, não vejo em nada no seu post uma única relação entre a sua argumentação e as obras citadas. Por favor, indique-me onde no seu texto esse "sistema dual" de independência relativa entre capitalismo e patriarcado é relevante. Como ele informa a sua argumentação contra os "opinativos"? Talvez o tal "sistema dual" ou os autores citados tenham, sim, alguma importância, mas o seu texto é insuficiente em dizer o porquê. Ou seja, ele está ali apenas como um requisito imposto pelo discurso acadêmico... a bibliografia mínima que se deve dominar antes de emitir "opiniões."
Para finalizar, você realmente espera que um indivíduo não-acadêmico, depois de passar 8 horas de trabalho, tendo ainda que lidar com sua família e demais obrigações tenha que obrigatoriamente passar por uma bibliografia mínima para que algum blogueiro o reconheça como interlocutor válido? Imagine se cada debate fosse acompanhado por tal imposição... melhor desistir de ler blogs e comentar. (Eu costumo ver uns filmes no cinema de vez em quando. Você me permite dizer que não gosto de alguns, ou tenho que fazer um curso de film studies antes?)
Nem a academia exige isso dos seus membros. Nem você ou eu, e somos pagos para isso (você com seu salário, eu com meu stipend) conseguimos ler tudo o que gostaríamos. Como regra, nos dedicamos mais à nossa disciplina... e olhe lá.

Você pode discordar do uso do termo "carteirada". Se encontrar uma palavra melhor para o que eu acabo de encontrar no seu texto, tudo bem... me passa aí.

Trecho 1: Essa prática sempre me pareceu espantosa, porque ninguém, nem mesmo um daqueles jornalistas mais caras-de-pau de MOSCOU, se arriscaria a ter “opinião” sobre, digamos, fenomenologia ou hermenêutica sem antes equipar-se minimamente para tanto. Todavia, sobre o feminismo, uma constelação de pensamentos, escritas e práticas políticas das mulheres não menos complexa, multifacetada, ampla e profunda que aquelas duas escolas, e sem dúvida mais influente que ambas, os homens, em geral, e com visível desconforto e pressa, acham que podem ter “opinião”, passar juízo, assim, sem mais nem menos, sem sequer dar um checada nas estatísticas de violência doméstica, estupro ou diferença salarial entre homens e mulheres ou ouvir uma feminista. Não falemos de ler alguma coisa de bibliografia, uma Beauvoir ou Muraro básica que seja. Acreditam sincera e piamente que essa sua atitude não tem nada a ver com o machismo.

Trecho 2: A bibliografia não é exatamente pequena. Sempre se pode começar com O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, passar à Mística Feminina, de Betty Friedan, chegar a Problemas de Gênero [pdf], de Judith Butler, escolhendo, no caminho, mil outras veredas possíveis. Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria enintitulada "sistemas duais", que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes). Essa polêmica está apresentada num livro de Michelle Berrett, intitulado Women's Oppression Today, que seria uma ótima pedida traduzir. De Patrícia Galvão a Rose Marie Muraro, é possível informar-se, um pouquinho que seja, sobre a história no Brasil.

Juan em dezembro 23, 2010 12:24 AM


#253

Minha opinião é que, de fato, ninguém precisa ter pós-doutrado em um assunto para emitir juízo sobre ele.

Entretanto, acontece que alguém cujo trabalho é veicular informações não pode ser leviano, tratando de um assunto que não tem domínio algum.Feminismo, por mais que dele eu nada entenda, é um dos maiores acontecimentos político-sociais do século XX, não é coisa de ser discutida com base em orelhada.No dia que eu for falar disso, mesmo que seja no meu não-lido blog, pode ter certeza que será com algum tipo de embasamento.

P.S.: nesse link (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-nova-blogosfera-e-o-episodio-com-as-feministas#more o Nassif cometeu a gafe de chamar mulher de minoria. Eu achei esquisito.

Pedro Marques em dezembro 23, 2010 5:20 AM


#254

Pra parar de encher o saco: cês já leram "A revolução dos bichos", né?

Pedro Marques em dezembro 23, 2010 5:42 AM


#255

João Paulo, vc propõe alguns consensos. Concordo em grande parte, mas acho que há algumas dificuldades. Vamos ver.

o aborto é assunto do Congresso Nacional.

Eu mesmo já disse isso durante a campanha eleitoral, para pessoas que seria impossível convencer, no espaço de um mês, da impossibilidade de manter a ilegalidade do aborto.

Mas é uma meia verdade. O que acontece é o seguinte. Temos uma legislação que abre duas exceções para o aborto: o risco de vida da mãe, e o estupro. Mas historicamente isso nunca tinha sido regulamentado, de maneira que as exceções caíam no vazio. Mulheres que não tivessem acesso a médico não teriam o risco de vida diagnosticado, e morreriam sem saber que sua gravidez era de risco. Mulheres estupradas teriam de esperar a condenação do estuprador para poderem abortar, o que jamais ocorreria a tempo. E o sistema de saúde pública, em consequência, sequer tinha os instrumentos adequados para realizar abortos legais.

Ora, a regulamentação da lei via decreto, assim como as portarias e ordens de serviço necessárias para que os postos de saúde se equipassem para realizar abortos, são de responsabilidade do executivo. E, começando no governo Fernando Henrique, o Estado brasileiro começou a abandonar sua secular omissão e a regulamentar as exceções previstas no código penal.

Mas a direita religiosa não se conforma com isso. Veja por exemplo esta homilia absurda de um certo padre Leo:

http://www.youtube.com/watch?v=EdNJwnN_vV0&feature=related

Assim, a briga hoje não é sequer pela descriminalização do aborto; é pela manutenção dessas pequenas grandes conquistas, contra um movimento que quer equalizar aborto a homicídio.

Se o Congresso resolver aumentar ou diminuir os casos em que o aborto é permitido, à Presidente só cabe sancionar o projeto. Só deverá vetá-lo se ele não tiver respeitado princípios constitucionais durante a sua tramitação.

Hm, não. Não é assim que funciona. Na verdade, a maior parte do que eu faço, profissionalmente falando, é justamente escrever argumentos para fundamentar o veto ou a sanção de dispositivos legais, do ponto de vista da gestão pública. Muitas vezes, é claro, é possível embasar um veto em questões de procedimento; mas às vezes não - às vezes o que eu escrevo é basicamente "esse projeto não atende aos interesses do Poder Executivo" (é verdade que se trata, no meu caso, sempre do interesse do Poder Executivo em relação à própria administração. Mas isso é por causa do lugar onde eu trabalho, não por que a presidente não possa vetar um projeto baseando-se exclusivamente no que ela pensa ser o melhor interesse público).

E vamos ter que tomar em consideração o seguinte. Pressionada pelas circunstâncias, e por aliados excessivamente educados e nada barraqueiros, a Dilma assumiu o compromisso de não sancionar legislação descriminalizando o aborto. É, portanto, uma promessa de campanha. Nada contra romper promessas de campanha, mas tem um custo político.

O cálculo, com certeza, foi baseado na famosa máxima do Barão de Itararé: de onde menos se espera é que não sai nada mesmo - ou seja, do Congresso Nacional não vai sair nenhuma legislação descriminalizando o aborto. Portanto, a Dilma basicamente prometeu que não vai fazer algo que não será mesmo demandada a fazer.

Assim, a questão do aborto, hoje, nos termos restritos em que está efetivamente colocada, tem mais a ver com o Executivo - e até mesmo com o Judiciário - do que com o Legislativo.

O aborto é questão de saúde pública, sim. Muitas ricaças da sociedade já praticaram aborto, e nem por isso a Igreja Católica as excomunga latae sentenciae. Não é de se estranhar que depois de ter comparecido a um hospital particular para fazer o aborto sem correr nenhum risco, ainda haja de receber a comunhão na Igreja de Nossa Senhora do Brasil ou no Santuário do Terço Bizantino. Ao passo que uma pobre que teve de recorrer ao aborto por absoluta falta de condições, ainda o tem de fazer em clínicas clandestinas de fundo de quintal e com todas as sequelas que isto deixa. E ainda é excomungada pela Igreja.

Concordo integralmente. É isso mesmo. Agora, do ponto-de-vista legal, o problema é o seguinte. A infeliz que chega a um hospital público com uma hemorragia decorrente de aborto intencional corre o risco de ser denunciada à polícia como criminosa. Na verdade, se levarmos as coisas ao pé da letra, é dever dos médicos e para-médicos fazerem a denúncia. O que leva, com certeza, muitas mulheres a não procurarem auxílio médico, ou a só fazê-lo quando a situação é muito grave. Essa situação, é claro, mata. Sem descriminalizar o aborto, ou, no mínimo, sem mudar sua característica de crime de ação pública, não vejo muito como mudar isso.

Em todo o caso há de se fazer algumas concessões. Por exemplo, prestar ajuda psicológica a grávidas vítimas de estupro, para que elas possam conceber. As feministas mais radicais até podem não gostar, mas diga-se que por ser o Brasil um país pluralista, têm que se comtemplar todos os interesses lícitos dos grupos sociais.

Se se trata de apoio psicológico para as mulheres que decidirem, por sua própria conta, levar a termo uma gravidez resultante de estupro, concordo. Mas sou absolutamente contra "ajuda psicológica" para convencer mulheres que não querem ter um filho de um criminoso a deixarem de abortar. E temo sinceramente que isso seria desviado nesse sentido.

Enfim, se descriminalizaria, mas toda uma estrutura seria montada para persuadir as jovens a não fazer aborto.

Olha, não concordo muito em desperdiçar dinheiro público com isso. Se for o preço, absolutamente inegociável, da descriminalização, então, sob protesto, sim. Mas, olha, isso tem de ser para convencer as jovens que não estão grávidas. Senão é tortura demais, e vai virar uma tentativa de protelar a decisão até um ponto em que seja tarde demais para fazer o aborto.

Abraços, e feliz Natal e Ano Novo pra você também.

Luís Henrique em dezembro 23, 2010 9:53 AM


#256

O blog do discurso

É esta a melhor das sensações que se promove hoje no biscoito, o que lhe deixa com um gostinho suave na superfície, mas amargo na substância do recheio. O tema assou em fornos quentes com o texto do blogueiro convidado Paulo Cândido, discussão antiga, mas renovada ante a presunção masculina em declarações iniciada num blog do qual não leio e nem fiquei curiosa em saber do “qui pro quo” por lá, mas entendamos bem que o tema feminismo está muito distante, especificamente, desta argumentação proposta pelo post e pelo discurso dos comentários subsequentes, pois se a correção da palavra me permite, o feminismo não é um movimento formado somente por um bloco de pensadoras e pensadores sobre o tema, não é um bloco(de notas) ou blog de sugestões simplesmente sobre a “questão feminina”, não perpassa somente pela leitura de livros sobre o assunto, (que além de serem poucos, alguns me parecem difíceis de achar), não é a menção arbitrária pejorativa de uma palavra simplesmente que se advoga sempre entre os homens ditos ‘machões’ ou os não machos, principalmente aqueles sabidamente “respeitáveis” mas:
Como a mulher pode se livrar desta condição de inferioridade imposto pelo padrão formal de nosso pensar, de nosso sentir, de nosso agir?
Como desconstruir este tecido entremeado de “fortuitas” formas opressivas de relegar a mulher os papéis secularmente impostos de esposa/mãe/dona de casa e, mais recentemente, trabalhadora subserviente a lógica masculina que carimba estes papéis e lhes dão sustentação e significação na normatização do valor feminino no contexto social (reforço dos estereótipos)?
Não é o significado em si da palavra ‘feminaze’, de sua insídia representação no contexto da luta feminina, mas o como este assunto foi tratado do ponto de vista do quanto podemos nos sentir afrontadas em nossa luta, desmerecidas (como de hábito), rebaixadas a condição como descrita no post daquela velha docilidade que se impõe aos que estão ‘sob os pés’ de algum soberano, revoltante a toda mulher que empenhada numa luta extrema pelos seus direitos se vê as voltas dessas artimanhas “machinianas” no trato ‘de’ e ‘com’ mulheres.
Percebo muitas das vezes que os homens utilizam estes recursos, revestido de “nobres” intenções, para provocar as feministas e na maioria das vezes (justificadamente ou não) caímos nesta arapuca promovidas por eles para reforçar a tese do quanto somos descontroladas ou coisa que o valha...Invariavelmente, também alguns homens e seus brios masculinos feridos se valem de argumentos (se é que eles existem de fato) para nos tratar de forma redutora (pra dizer no mínimo) com as nuances de suas palavras, intenções e posturas. Mas é tão comum, a meu ver, a forma como estes nos tratam no dia a dia que já se tornou banal esse tipo de asserção. Estas referencias se tornaram ainda mais gritantes com a eleição de Dilma, sabidamente se previa este tipo de postura como já arremetidas vezes nos deparamos com ele na imprensa, com algum tipo de tratamento aviltante em relação a ela, como já foi tratado reiteradas vezes em posts anteriores, creio eu que perder tanto tempo com as mesmas é reforçar a trollagem masculina de subverter a luta pelos direitos da mulher, que mais que lutar por direitos devemos acima de tudo lutar pela reconstrução de significados, de significação mesmo do valor da mulher enquanto pessoa, enquanto ente humano capaz, de desempenhar papéis além da ordinariedade imposta pela demência de uma dita sociedade patriarcal ou masculina arcaica no reforço dos papéis sociais femininos que há muito se definharam com re-ordenamento social pós moderno, onde nossas e outras ‘minorias’ assimilaram novas necessidades e capacidades de participação e inserção sócio-política (fora a reestruturação psicológica ante novos dilemas e novos conflitos) no mundo que vivemos.
Como rompermos com esta condição auto-opressora que a nós mesmos nos impomos, tamanha força destes estereótipos habilmente conduzidos pela inteligência estrutural daqueles que ardilosamente traduzem e conduzem este padrão de pensamento e comportamento de pai ou mãe para filho ou filha, de jornalista para leitor ou leitora, de juiz ou juíza para julgado ou julgada, de opinião pública para cidadão ou cidadã, da forma mais aviltante possível de nossa condição de mulher, do qual estamos todas indistintamente atreladas? Será que só o enfrentamento as questões externas de aviltamento de nossas condições é suficiente para mudarmos nosso padrão de conduta?

Marcia Valéria em dezembro 23, 2010 11:38 PM


#257

Creio que quem permitiu que "feminazi", um termo inequivamente discriminatório contra as lutas feministas, fosse postado em seu blog, deve um pedido formal de desculpas. E mais: a mulher, que não se sabe quem é nem que apito ela toca, classifique grosseiramente o movimento feminista em "facções", numa referência visivelmente criminalizadora nessa conjuntura histórica, esquece de dizer qual, então "facção" ela mesma pertence. Porque a direita adora dizer que "os outros" são ideológicos e tendenciosos, e que eles e elas, de direita, são "neutros".

Janes Rodriguez em dezembro 25, 2010 11:11 PM