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quarta-feira, 01 de dezembro 2010
Sexismo, eleições e conservadorismo, por Cynthia Semíramis
O Biscoito estréia hoje um outro modus operandi. Continuaremos com a marca do blog, que é a publicação de textos inéditos, mas eu não serei o único a escrever. Já temos três novos colunistas recrutados. A primeira é Cynthia Semíramis.
Aproveitarei a oportunidade como blogueira convidada d' “O Biscoito Fino e a Massa” para comentar alguns aspectos que me chamaram a atenção durante o período eleitoral, e que têm potencial para se tornarem grandes problemas nos próximos anos. O post de hoje é sobre sexismo e ascensão política e social das mulheres.
A campanha eleitoral em si foi sexista, embora bem menos do que esperávamos. É interessante observar que a maioria desses episódios não veio de políticos, mas dos meios de comunicação, que procuraram valorizar um modelo de feminilidade extremamente restrito, focado em aparência e controle do corpo feminino. É por isso que o aborto esteve em pauta durante parte do período eleitoral, e é por isso que a maioria das críticas a Dilma resvala, em algum momento, na questão estética ou questiona sua capacidade de liderança.
Após a eleição, tivemos alguns episódios sexistas direcionados a Dilma Rousseff. Monica Waldvogel comentou que Dilma é uma mulher sozinha (pois não tem marido!) e insinuou que o país talvez não aceite se ela arrumar um namorado; alguém se lembra de perguntas semelhantes na época em que o divorciado Itamar Franco assumiu a presidência? A Folha de São Paulo fez um vexaminoso momento Caras vigiando a ida de Dilma a uma praia em Itacaré. Discutiu-se à exaustão se Dilma será "presidenta" ou "presidente". A especulação sobre Dilma destinar 30 % dos ministérios a mulheres rendeu algumas grosserias inclusive de quem se considera de esquerda.
Esses episódios já eram esperados. Afinal, sexismo independe de posição política, grau de escolaridade ou classe social. Nossa sociedade é bastante preconceituosa e está mais interessada em julgar uma mulher pela aparência e submissão do que pelo bom desempenho profissional. Ainda temos poucas mulheres em cargos políticos, o que implica em um período de adaptação para que as pessoas e os meios de comunicação aprendam a se comportar de forma menos sexista.
É importante notar que o acesso ao poder político não é garantia de respeito ou de segurança para mulheres. Uma observação que surgiu durante a discussão sobre feminicídio no Fazendo Gênero 9 foi de que em alguns países a maioria das mortes de mulheres não tem mais a motivação tradicional ligada à posse da mulher (morte causada pelo ex-marido que não aceita a separação, por exemplo, e que é situação corriqueira no Brasil). Passaram a ser mortes causadas por ódio porque as mulheres estão tendo ascensão social e política. E os meios de comunicação têm papel fundamental nesse processo.
Uma das formas encontradas para fazer as mulheres se retirarem da vida social é criar um clima de violência e medo que as faça retornar ao espaço privado. Isso pode ser obtido tanto com reportagens sensacionalistas sobre crimes cometidos contra mulheres quanto com o descaso na aplicação de leis que exigem proteção de mulheres em caso de violência. Diversos juízes se recusam a aplicar a Lei Maria da Penha, mas apenas um juiz foi punido pelo CNJ por ter utilizado linguagem imprópria e discriminatória de gênero ao se recusar a aplicar a lei Maria da Penha. Em sites jurídicos pode-se encontrar diversos comentários defendendo o juiz; os comentaristas optam por criticar uma lei que e ignorando a situação de desespero das mulheres vítimas de violência intra-familiar.
Outra variante desse modelo é incentivar uma visão conservadora, valorizando apenas as mulheres que se mantêm dóceis e em segundo plano, sem grandes ambições além de cuidar de si mesmas, da casa, dos filhos, e trabalhar para pagar as contas do mês. Esse movimento pode ser visto em diversas crônicas recentes, que buscam determinar como as mulheres devem se comportar para serem aceitas socialmente – e sempre o comportamento esperado é o de submissão à vontade masculina e retorno a um mundo no qual mulheres não podiam ir além de se casar, agradar o marido e cuidar dos filhos.
Esse conservadorismo é um ponto a ser observado nos próximos anos, para que a pressão cultural (através principalmente da grande mídia, que serve de inspiração inclusive para a mídia alternativa e para a blogosfera) e o aumento de violência contra mulheres (através da impunidade dos agressores) sejam combatidos e não atrapalhem a ascensão das mulheres em todas as áreas. A julgar pela campanha política, tenho minhas dúvidas que o sexismo continuará se dirigindo somente contra a presidenta Dilma Rousseff. É mais provável que seja dirigido contra todas as mulheres, repreendendo-as por se recusarem a seguir o modelo conservador.
Cynthia Semíramis
Escrito por Idelber às 21:12 | link para este post
| Comentários (51)
#1
Opa, depois eu passo e comento propriamente, e de quebra ainda parabenizo a polifonia do espaço. Mas gora é só pra avisar que a partir de "presidenta" os links estão quebrados.
Emil em dezembro 1, 2010 9:41 PM
#2
Oi, Emil, tivemos um probleminha de formato, mas acho que já está corrigido. Dê um F5 aí.
Idelber em dezembro 1, 2010 9:48 PM
#3
Nossa, curiosa pra saber quem são os outros colunistas! Começamos com o pé direito.
Esse texto era bem necessário, Cynthia. Lembrei do post que publiquei aqui, no primeiro turno, e o quanto ele ficou obsoleto. Porque as piores manifestações de sexismo vieram no segundo turno. Então a análise que eu fiz foi muito precipitada. É ótimista, comemora que a coisa não foi tão ruim... Eu nem fazia idéia do que estava por vir.
E vc faz muito bem em ressaltar que o sexismo vai continuar, né. Temos quatro anos pela frente. Dilma se elegeu, o que é ótimo, é simbólico, mas tem todo um movimento de resistência. E eu acho que, com uma mulher no poder, essas manifestações de machismo vão ser mais pesadas, mais claras.
PS - Fiquei chocada com os comentários no Conjur. Quê isso, gente?
Marjorie em dezembro 1, 2010 10:13 PM
#4
Marjorie, eu me lembrei de você no 2º turno exatamente nesses termos. Pensei cá com os botões: "caramba, a Marjorie disse aquilo tudo, mas ela--e nós--nem imaginava(mos) o que viria". A coisa foi muito pior do que qualquer um podia prever.
Idelber em dezembro 1, 2010 10:18 PM
#5
Opa, certinho agora!
Então, parabéns pela abertura de vozes, acho importantíssimo que uma rede comece a ser construída! Gosto muito do que a Cynthia Semíramis escreve, por isso achei que faltou um pouco de foco a este texto (tenho a impressão de que o público que acompanha o biscoito aguentaria uma introdução menos simples, com uma análise mais a fundo). Mas é um excelente começo!
Espero ansiosamente a passagem dos próximos quinze dias.
Emil em dezembro 1, 2010 10:28 PM
#6
Oi Cynthia,
parabéns pelo texto! Esse tema do sexismo durante as eleições também me levou a escrever umas linhas. Meu texto é mais "desbocado" [peço desculpas pelos palavrões :) ], pois senti um clima muito forte de desrespeito às escolhas das mulheres. Ele se encontra em: http://www.revistaglobalbrasil.com.br/
Abraços!
Barbara Szaniecki em dezembro 1, 2010 10:54 PM
#7
Bem, em primeiro lugar, meus parabéns para a Cynthia pelo post e a estreia nesse espaço. A questão da exclusão da mulher da política remonta às origens da segunda. O conceito de política surge sobre a época do sagrado e confirma a tradição patriarcal que herda: As mulheres estão interditadas das decisões coletivas, a recém-inaugurada praça pública, lhes é vedada. A construção da figura do "político" passa longe da feminilidade. Quando se delira o comandante, não se delira a mulher, ao contrário. E isso se materializa até nos dias atuais, as mulheres podem votar, mas não votam em mulheres e mostram resistência em fazê-lo. O mesmo acontece com outros grupos, com histórico de terem sido oprimidos, cuja participação no eleitorado é menor do que nos cargos eletivos. É uma questão interessante, como se opera esse recalcamento.
Hugo Albuquerque em dezembro 1, 2010 11:08 PM
#8
Cynthia, tive uma leitura feliz de um artigo correto e sereno. Gracias!
Recomendo que leia Dona Lô. Dona Lô, vc vai descobrir quem é, além de ser uma mulher com Dilma. Só adianto que ela está pintando e bordando pela Dilma no blogue Tá lubrinando - escritos da Chapada do Arapari.
Vai gostar:
"– Ô Dindinha o negócio é o seguinte: Dilma se quiser enfrentar as barreiras de gênero ao seu governo, que serão zilhões, das descobertas às camufladas, precisa botar a massa cinzenta em ação... Primeiro, esquecer os machos palpiteiros, a começar pelos 3 porquinhos, que de certeza serão do contra, ou no mínimo grunirão muitos poréns... E, segundo, adotar o lema da paridade de gênero na política e no governo como essencial para a democracia. Martelar nisso. Ancorada no discurso e na prática da paridade de gênero ela já garante ter ao seu lado, de saída, metade da população, as mulheres. São favas contadas. Será que ela vai querer perdê-las?"
Dilma esturricou o Blocão & A festa é nossa, oxente!
http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com/2010/11/dilma-esturricou-o-blocao-festa-e-nossa.html
Caetana Carvalho Campos em dezembro 1, 2010 11:39 PM
#9
Amei o texto, Cynthia!
Acabei me lembrando de um texto escrito pela Danuza Leão exatamente sobre o que ela pensa dos 30% de mulheres no ministério. Ela cita que não concorda por não ver que existam tantas mulheres competentes para tais cargos! O pior de ouvir isso é ouvir essas asneiras sairem da boca de uma MULHER! Aff...
Esse é o link: http://17rs.blogspot.com/2010/11/folha-de-spaulo-danuza-leao-o.html
Parabéns e quero ler mais textos de sua autoria.
Patricia Fornitani em dezembro 1, 2010 11:44 PM
#10
Parabéns Cynthia pelo belo post e por se integrar a esse blog que amo! Parabéns Idelber pela escolha mais que perfeita.
Sobre o texto, não tenho nada a acrescentar. Apenas comento que a questão PRESIDENTA - para mim fundamental - vai sim ser usada e muito pela oposição e pelos meios de comunicação. Acho que temos que nos fazer ouvir para brecar a disseminação, como "fato", de que presidenta está incorreto.
Outro dia uma mulher me corrigiu dizendo que presidenta é o mesmo que falar estudanta...vejam o tamanho da desinformação. E eu nem estava me referindo à Dilma...falava de uma presidenta de uma instituição social, a Dorina Nowill.
Eu falei, "a presidenta Dorina"... e a mulher me interrompeu e disse: "presidenta não...presidente. Não caia nessa ideia dos petistas, presidenta é tão errado como estudanta".
Pedi a ela que checasse no dicionário...blablablá, mas duvido que ela mude de opinião. A coisa já ficou ideológica, claro.
aiaiai em dezembro 2, 2010 8:24 AM
#11
Idelber, questão de ordem. Não tem jeito de o link ir automaticamente para outra aba do navegador? Na maioria dos outros sites isso acontece, mas no Biscoito o link abre na própria janela.
Sei que posso clicar com a direita e escolher "abrir em outra aba" mas nem sempre isso é possível.
PS: gostei do texto.
bacana em dezembro 2, 2010 10:40 AM
#12
serão 4 anos duros anos neste aspecto... :/
denise em dezembro 2, 2010 11:20 AM
#13
Bacana, já rolou essa discussão por aqui. Na época, a maioria preferiu que eu mantivesse o blog assim mesmo, para evitar a proliferação de janelas.
Use o botão direito do mouse aí, seu preguiçoso :=)
Idelber em dezembro 2, 2010 11:22 AM
#14
Cynthia,
Parabéns pela estréia e pelo texto. A observação de que "sexismo independe de posição política, grau de escolaridade ou classe social" é perfeita, e eu adicionaria que independe de gênero também. Como um todo, as mulheres demonstraram uma desconfiança enorme da Dilma, e o mesmo vale para ourras líderes do sexo feminino. É claro que nenhuma das forças políticas colaborou, na campanha, para que esse quadro mudasse, seja pela associação de Dilma à figura paternalista de Lula (explorada eleitoralmente pelo Serra e reforçada pelos próprios militantes petistas, que, no discurso de posse, gritaram o nome de Lula mas não o de Dilma), seja pelo apoio a candidatos no mínimo controversos do ponto de vista dos direitos da mulher. Como pauloista, lamento que, para alguns progressistas, Idelber incluído, a carteirinha do PSDB é um documento mais incriminatório do que um B.O. da delegacia de proteção à mulher.
Idelber e bacana,
em 99% dos mouses, não é utilizar o botão dreito para abrir links em outras abas. Basta clicar o scroll (a-hem, a rodinha), e vocês diminuem o trabalho em 50%.
Abraços
Rafael em dezembro 2, 2010 11:35 AM
#15
Caramba, Rafael, você acaba de mudar a minha vida kkkkkkkkkkkkkkkkkkk...eu to rindo mas não é de sarcasmo, adorei saber que clicando na rodinha dá para abrir o link em outra janela. E ainda fiquei sabendo que chama "scroll"...se vc não avisasse eu nunca ia saber o que era...eu sou uma ignorante!
cara, to rindo muito disso, Valeu!
aiaiai em dezembro 2, 2010 11:48 AM
#16
Oi Cynthia,
fundamental acompanhar essa discussão, e principalmente como ela seguirá.
Por exemplo, eu fiquei irritadíssima com um telejornal que, ao cobrir a viagem da Dilma para a Coréia logo após a eleição, foi filmar a bagagem de retorno da presidente eleita lá no container do aeroporto, mencionando o que havia, uma sacolinha de presente e quetais... Aliás nã só isso, entraram no quarto do Hotel depois da saída dela, mexeram até no guardanapo amassado encima do móvel...
Quero saber quem é o responsável tanto por segurança quanto por ética jornalística. Por acaso foram filmar aposentos ou bagagem do FHC ou do Lula? Que tranquilidade é essa de violar a esse nível a privacidade da Dilma?
abços
Lilian
Lilian Starobinas em dezembro 2, 2010 12:35 PM
#17
Alguém já pensou aí que a própria escolha da Dilma se deu por questões sexistas, dentro da tradicional visão de que mulher=passiva=manobrável=poste?
A meu ver, a escolha da Dilma, sua vitória a todo custo, a escolha dos ministério e toda a dinâmica que vem se apresentando no pós-eleição só confirmam o papel de submissão que o Lula atribui ao gênero.
Dida em dezembro 2, 2010 12:47 PM
#18
Olá Cynthia! Post bem interessante!
Gostaria que vc refletisse sobre algumas considerações. Acho que, no primeiro turno, a questão do papel da mulher nas eleições foi um prato cheio para a grande mídia explorar duas imagens, qual sejam: De um lado nós tínhamos a Marina Silva, mulher exemplo, religiosa, casada, de jeito franzino e fala mansa. De outro tínhamos a Dilma, uma mulher ranzinza, antipática e truculenta.
Acho que a exploração de uma suposta imagem negativa da Dilma, contribuiu muito, no segundo turno, para a não total identificação das mulheres com ela. Eu pude perceber que muitas mulheres quando citavam o seu voto na Marina, falavam muito sobre o voto em uma mulher, na Dilma nem tanto. É como se a Marina fosse a mulher correta, por ser casada, evangélica etc.. e a Dilma fosse uma burocrata competente e só, mas que, no fundo, não representasse um ideal feminino. Não sei se vou muito além ao dizer que a Marina representa o ideal de uma mulher padrão, só que para os machistas.E A Dilma representa uma mulher independente, muitas vezes cara ao sexo masculino.
Vitor Bones em dezembro 2, 2010 4:31 PM
#19
Caramba, Dida, que contorcionismo mental.
Voce não conhece a Dilma, rapá... rsrs.
Cláudio Freire em dezembro 2, 2010 4:33 PM
#20
De fato, não conheço a Dilma. Não gozo de qualquer intimidade com ela. Mas conheço inúmeros "sargentões" (não é essa a fama que ela tem?) que, de seu nível hierárquico para baixo se comporta como um pitbull, mas no trato com seus superiores são uns cordeirinhos mansos. Isso é típico de quem é disciplinado em meio militar (militar=militante) ou guerrilheiro, onde o respeito às ordem superiores é o comportamento padrão. O superior da Dilma é o companheiro Lula, que escolheu a subordinada Dilma por suas "qualidades gerenciais" e comportamento submisso, típico de um soldado bem disciplinado ou de uma "mulher-que-conhece-o-seu-lugar-e-não-contesta-o-poder-constituído". Que cada um faça a leitura que melhor conforto lhe der...
Dida em dezembro 2, 2010 5:19 PM
#21
caraca, Dida, quanto mais você fala, pior fica.
em outro ponto:
Uma coisa sobre a identificação de Dilma como candidata das mulheres que eu só percebi no final da campanha, foi que a Dilma, realmente só se apresentou como representante de uma importante conquista feminina no discurso da vitória - aquela frase de se virar para suas filhas e dizer 'você pode' (aliás, estava assistindo ao discurso junto da minha filha de 12 anos e fiquei visivelmente emocionado com aquilo).
Radical Livre em dezembro 2, 2010 6:04 PM
#22
Dida, me desculpe, mas seu comentário é extremamente sexista e preconceituoso. De todos os ângulos que se olha.
Dilma tem personalidade, capacidade de liderança, e uma história de luta e coragem que voce deveria pelo menos respeitar.
Lula, por sua vez, tem carisma e liderança que simplesmente dispensam se cercar de "cordeirinhos".
Sugiro que espere um pouco para avaliar a Dilma no comando do governo.
Claudio Freire em dezembro 2, 2010 7:21 PM
#23
Só li meia dúzia dos comentários no Conjur. Foi o quanto meu estômago agüentou. Ainda estou na fase da negação: esses comentários não existem, estão todos brincando, é produto da minha imaginação, não pode ser, não pode ser, NÃO PODE SER!!!!
He will be Bach em dezembro 2, 2010 8:19 PM
#24
Homens e mulheres podem trabalhar juntos sem o menor problema. Lula é presidente, Dilma foi eleita, é sua sucessora e é mais que natural que eles conversem para compor os ministérios. Estou super de acordo com o Claudio Freire: Lula e Dilma são complementares. Calhou de ser um homem e uma mulher, poderia ser dois homens ou duas mulheres: porque se trata de uma transição de governo. Ademais, ambos estão do mesmo lado, respeitam-se e estão trabalhando juntos. Não vejo sexismo nessa relação, não.
Cynthia, querida! Parabéns pelo post.
Idelber, parabéns pela idéia. Sei que vem muita coisa boa por aí =)
Beijo nos dois.
Flávia Cera em dezembro 2, 2010 8:49 PM
#25
nenhum problema com o fato de o nosso machismo ser uma tara cultivada majoritariamente por mulheres não é?? qualquer contestação a esse fato da vida deve levar em conta que a presidente foi eleita principalmente por homens...
A Lesma Lerda em dezembro 2, 2010 9:01 PM
#26
É, tava faltando pouco pra alguém vir dizer que a culpa do sexismo é das próprias mulheres. Cansativo, viu? Bom, não são as mulheres que estupram mulheres e meninas, abusam sexualmente e praticam violência doméstica em proporções tão alarmantes. Pense antes de atribuir a culpa do sexismo a algum gênero. Sou contra ao maniqueísmo homem algoz x mulher vítima, mas se alguém vem dizer que a culpa do sexismo é das mulheres a comparação se faz muito pertinente.
Andréia Freire em dezembro 2, 2010 9:11 PM
#27
andréia, andreia...minha filha...gracinha linda e tchutchuca..a questão é de aritmetica não de argumentos ideologicos...as mulheres nao votaram na presidente, é simples assim...e meu ponto é só esse...nenhum outro.
A mosca da sopa em dezembro 2, 2010 10:07 PM
#28
Bem, gente, não creio que seja questão de apresentar os oprimidos - aqui, no caso, as mulheres - como meras vítimas, a questão vai para além disso: É como essa relação de opressão sem as mulheres se rebelarem sempre em relação a essa ordem. Isso não quer dizer que dentro da relação de sujeição, mulheres sejam as culpadas, afinal, são elas as oprimidas - aliás, isso também é complicado demais para o paradigma cristão da culpa conseguir explicar.
Agora, quanto ao Rafael aí em cima, o que dá para dizer é qualificar o Idelber de "progressista" é das piores trollagens já feitas por aqui - e a carteirinha do PSDB é incriminatório de uma série de coisas sim, inclusive de compactuar com o espancamento de estudantes, professores, policiais entre outros.
Hugo Albuquerque em dezembro 2, 2010 10:32 PM
#29
Bach,
eu estou além do denial - eu simplesmente me recuso a seguir o link para o conjur e ler o que sei que vai me fazer passar mal pelo resto da noite.
e concordo com o Hugo aí em cima. tá na hora do pessoal do 'PSDB de carteirinha' acordar para a realidade deste partido.
Radical Livre em dezembro 2, 2010 11:05 PM
#30
Dizer que "as mulheres" não votaram em Dilma é tão falso como dizer que "o Sudeste" não votou em Dilma. Inclusive no caso das mulheres mais ainda, porque não sabemos qual foi a porcentagem dela entre as mulheres. Ela ganhou com ampla folga na população em geral (56 x 44) e vinha ganhando, é verdade, nas pesquisas, com porcentagem maior entre os homens do que entre as mulheres.
Só isso.
A não ser que alguém tenha números do TSE sobre a votação da Dilma entre mulheres e homens, o que, num regime de voto secreto, até onde sei, não existem, é só uma manipulação sem fundamento dizer que "os homens" votaram em Dilma e "as mulheres", não.
É provável, baseado nas pesquisas, que a vantagem dela entre os homens tenha sido maior. Mas não há fiapo de evidência de que Serra a derrotou entre as mulheres.
Se há, eu gostaria de ver.
Idelber em dezembro 3, 2010 12:55 AM
#31
Gente....eu não quis em nenhum momento dizer que as mulheres não votaram na Dilma! Só disse que a Marina, no primeiro turno pelo que eu percebi, conseguiu incitar o voto feminino de forma mais competente do que a Dilma. Foi a minha percepção, mas eu não saberia dizer o motivo disso.
Vitor Bones em dezembro 3, 2010 1:03 AM
#32
Acho que passa despercebido em nossa sociedade, que a maioria das mulheres se encontra, ainda, subjugada pelo machismo. Ou seja, elas tomam a superioridade masculina como coisa natural e "sabem" que precisam ser dominadas para sobreviver.
Elas simplesmente não conhecem outro caminho ou outra realidade. Isso se dá em todas as classes sociais. Basta ver a quantidade de mulheres que se submetem à violência durante toda a vida, apenas porque é preciso. Na cabeça delas, esse é um direito que o marido tem. E é incrível que nem sempre isso está relacionado a capacidade financeira do homem. Já vi mulheres que trabalhavam e bancavam o "lar" sofrerem essa submissão simplesmente porque não conseguiam conceber a vida sem estarem casadas.
Para os homens isso tudo é muito difícil de enxergar, mesmo para os mais progressistas. Já para as mulheres que conseguiram sair desse círculo de machismo, essa realidade é tão clara quanto cruel. Sofremos por essas mulheres e não conseguimos mostrar a elas um outro caminho...pelo menos até agora.
aiaiai em dezembro 3, 2010 6:54 AM
#33
Ah, Idelber, não acho que valha a pena limitar a discussão aos dados oficiais do TRE, ou a gente só vai poder fazer análise eleitoral por regiões geográficas. Na boca-de-urna do 2o. turno, o Ibope acertou o resultado em cima. Se você estiver disposto a acreditar neles, o relatório (http://www.eleicoes.ibope.com.br/Resultado/449.pdf) tem uns dados interessantes.
Os votos feminino e masculino de Serra e Dilma reproduzem exatamente a distribuição dos votos na população geral. Se por um lado você esta certo em dizer que as mulheres votaram mais na Dilma do que no Serra, por outro, podemos dizer que a população brasileira ignorou completamente quaisquer questões de gênero na hora de decidir o voto (a variável "idade" tem o mesmo comportamento).
Nos seguintes segmentos, houve empate técnico: eleitores com ensino superior, municípios com até 20 mil hab., municípios entre 20 e 100 mil hab, eleitores com renda familiar acima de 5 s.m.
Por fim, os únicos segmentos nos quais o Serra venceu foi entre eleitores das regiões Norte/Centro-Oeste (que o Ibope junta em uma mesma região) e Sul. Eses dados podem ser comparados com os do TRE, mas não corri atrás.
Rafael em dezembro 3, 2010 7:16 AM
#34
interessante aiaiai. Posso fazer um paralelo com os brasileiros que se sentem inferiores no cenário mundial e 'sentem' que precisam dos Estados Unidos para dizerem o que devem fazer?
Radical Livre em dezembro 3, 2010 7:48 AM
#35
A Lesma Lerda = A mosca da sopa = Vitor Bones ???
Claudio Freire em dezembro 3, 2010 8:07 AM
#36
Amigo Claudio, talvez vc tenha passado de forma desatenta pelo meu post. Convido vc a uma leitura mais cuidadosa e verá que o meu post e dos outros dois debatedores tem diferenças fundamentais. A minha questão foi a análise da identificação dos votos femininos tendo como base o alcance da Marina e da Dilma entre as mulheres.
Agora, eu votei na Dilma nos dois turnos, li muito de sua biografia e tenho a convicção de que ela foi a melhor escolha para o nosso país. Não acho ela pau mandada nem capacho de ninguém, aliás, a escolha de Fernando Pimentel e principalmente a do Paulo Bernardo para o Ministério das comunicações mostram que ela tem sensibilidade; acredito que com Lula ou sem Lula ambos eram nomes certos na linha de frente do governo.
Eu não disse de maneira nenhuma que as mulheres não votaram na Dilma. Votaram sim claro, mas acredito que no quesito "representação da mulher" a Marina conseguiu angariar mais votos devido a imagem dela que foi bem trabalhada pelo seu marketing e por quem tinha aversão à Dilma. A ideia da dona de casa, evangélica de fala mansa, quer queira ou não, é mais palatável para uma sociedade machista do que a ideia de uma mulher independente, separada. São ideias que passam para o senso comum facilmente em uma sociedade machista como a nossa.
Vitor Bones em dezembro 3, 2010 9:02 AM
aiaiai em dezembro 3, 2010 9:20 AM
#38
aiaiai, excelente o texto do Alex de Castro. Quando houver livro impresso, me avise que eu compro!
bacana em dezembro 3, 2010 12:12 PM
#39
Tem razão, Vitor Bones. Me desculpe, realmente seu comentário não deve ser comparado aos outros dois (que são trolls, aliás bem fraquinhos).
Claudio Freire em dezembro 3, 2010 12:19 PM
#40
tá a venda, bacana.
veja no blog
http://www.interney.net/blogs/lll/
Eu já comprei 5, quero ter mais um e vou dar quatro para pessoas que eu acho que vão poder aproveitar.
Corra lá e compre o seu...ele mandou reimprimir sob demanda e vai começar a enviar agora no início de dezembro
aiaiai em dezembro 3, 2010 12:21 PM
#41
Fazendo força pra me deter no comentário da Caetana, porque dali pra baixo... vou te contar! O texto é mesmo sereno e correto, parabéns ao anfitrião e à convidada. Gente, a invisibilidade da própria condição é determinante em sociedades como a nossa, Marx já falava disso sobre a classe operária. Assim como muitos negros nem se veem alvo de racismo, muitas mulheres nem percebem o jugo.
Olhem o que disse a Carmo Sales Monteiro,
da Rede Feminista de Saúde-SP: “Todos estamos imbuídos da política racista mais eficiente do planeta, que é a brasileira. É tão eficiente que o negro fica invisível, e nem vê a si próprio. Sempre que se tenta inserir propostas relacionadas
a negros e índios cria-se um clima. E olhe que se trata de lideranças da área de saúde, formadores
de opinião, gente que faz as leis, que está nos governos. É por isso que é tão difícil mudar.”
Com a mulher não é diferente. Quanto ao Lula, escolheu quem viu ralando por quase 7 anos.
marinildac em dezembro 3, 2010 1:39 PM
#42
Escolheu quem não tava com o rabo preso e em quem ele podia mandar...
Dida em dezembro 3, 2010 2:01 PM
#43
Ô BABACA, quem de teu essa liberdade de se referir a mim como "andréia, andreia...minha filha...gracinha linda e tchutchuca.."? Não sou sua filha e você nem me conhece pra vir com papo "de gracinha linha e tchuchuva" e essa sua ironiazinha machista. Tenha mais respeito ao discutir com mulheres, ok? Se enxergue. Putz, até num blog bom desses, tem comentarista que fala com a gente como se a gente fosse retardada. É de lascar, viu? Sobre mulher "não votar" na Dilma, já foi respondido muito bem.
Andréia Freire em dezembro 3, 2010 3:44 PM
#44
Não quero fazer confusão não, tá, gente, mas isso merecia resposta. Espero sinceramente que o comentário não cause incômodo ao dono do blog. O último comentário foi direcionado ao A Lesma Lerda, Mosca na Sopa, seja lá qual for o "nome" da criatura que não se identifica. E o comportamento dele exemplifica um post bem antigo daqui mesmo sobre como algumas homens ao discutirem com mulheres se referem a elas com excesso de intimidade, com tom de quem tá falando com umm criança ou desautorizando em algum nível a opinião delas. Isso enche a paciência. Se ele tivesse falando com um homem o tom seria completamente diferente.
Andréia Freire em dezembro 3, 2010 3:53 PM
#45
Seria bom que "Lesma Lerda" / "Mosca na Sopa" 1) não volte a esta caixa de comentários; 2) escolha um pseudônimo só para comentar nas próximas, se quiser comentar; 3) evite se referir a outros(as) leitores(as) da forma como fez.
Senão, vai perder o direito de ler o blog -- que não é um "direito" no sentido estrito, evidentemente, é uma prerrogativa que eu posso suspender a qualquer momento. Minhas desculpas à Andréia, que assina nome e sobrenome, pelo desaforo ter passado batido à minha vigilância. Não voltará a acontecer.
Idelber em dezembro 3, 2010 3:57 PM
#46
Talvez eu tenha me alterado um pouco. ;) Às vezes a gente comenta de forma impulsiva. Mas a mensagem geral foi dada e era essa mesmo. No aguardo da próxima participação da Cynthia.
Andréia Freire em dezembro 3, 2010 5:43 PM
#47
Titulo: Testando o Expurgo ou
Alguns Nervos Expostos Parecem Ter Sido Tocados..
Dia desses, perto do meio dia, na repartição as colegas discutem acaloradamente:
Todas são letradas, viajadas, doutoradas, psicanalisadas e o escambau; o tema?
O de sempre; filhos, maridos e empregadas..ah sim..médicos, exames e doenças imaginárias...e..feminismo: a pauta do dia? Um dos métodos mais perversos e covardes que os homens usam em sua eterna opressão sobre as coitadas.. A infantilização das mulheres com o uso de diminutivos carinhosos que as mantém eternamente em inferioridade psicológica e moral. E o papo segue animado até que uma se lembra que deu a hora do almoço, pega a bolsa e chama as outras:
- Crianças...hora de papá; e saem em bando como colegiais alegres e despreocupadas.
Todas têm mais de 50 anos.
A Lesma Lerda em dezembro 3, 2010 8:01 PM
#48
Idelber, desculpe-me por sair do assunto do seu post. Voce sabe se tem consistência os boatos de que o empresário Gerdau integrará o governo Dilma. Se sim, saberia dizer em que pasta ele atuaria?
Cláudio Freire em dezembro 4, 2010 11:32 AM
#49
Pessoal, obrigada pelos comentários. Li todos mas, infelizmente, não poderei responder individualmente.
O que posso adiantar é que voltarei ao tema de alguns dos comentários, especialmente o do Vitor Bones sobre Marina e Dilma, em outros posts.
Cynthia Semíramis em dezembro 4, 2010 12:42 PM
#50
Cláudio, realmente não sei.
Idelber em dezembro 4, 2010 1:06 PM
#51
Fenomenal seu post Cynthia Semíramis, espero ainda ler muitos post seus por aqui.
Abrass !
Diego S. em dezembro 4, 2010 2:38 PM