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quarta-feira, 08 de dezembro 2010

Wikileaks: O 1º preso político global da internet e a Intifada eletrônica

Julian Assange é o primeiro geek caçado globalmente: pela superpotência militar, por seus estados satélite e pelas principais polícias do mundo. É um australiano cuja atividade na internet catupultou-o de volta à vida real com outra cidadania, a de uma espécie de palestino sem passaporte ou entrada em nenhum lugar. Ele não é o primeiro a ser caçado pelo poder por suas atividades na rede, mas é o primeiro a sofrê-lo de um jeito tentacular, planetário e inescapável. Enquanto que os blogueiros censurados do Irã seriam recebidos como heróis nos EUA para o inevitável espetáculo de propaganda, Assange teve todos os seus direitos mais elementares suspensos globalmente, de tal forma que tornou-se o sujeito mundialmente inospedável, o primeiro, salvo engano, a experimentar essa condição só por ter feito algo na internet. Acrescenta mais ironia, note-se, o fato de que ele fez o mais simples que se pode fazer na rede: publicar arquivos .txt, palavras, puro texto, telegramas que ele não obteve, lembremos, de forma ilegal.

Assange é o criminoso sem crime. Ao longo dos dias que antecederam sua entrega à polícia britânica, os aparatos estatal-político-militar-jurídico dos EUA e estados satélite batiam cabeças, procurando algo de que Assange pudesse ser acusado. Se os telegramas foram vazados por outrem, se tudo o que faz o Wikileaks é publicar, se está garantido o sigilo da fonte e se os documentos são de evidente interesse público, a única punição passível, por traição, espionagem ou coisa mais leve que fosse, caberia exclusivamente a quem vazou. O Wikileaks só publica. Ele se apropria do que a digitalização torna possível, a reprodutibilidade infinita dos arquivos, e do que a internet torna possível, a circulação global da hospedagem dessas reproduções. Atuando de forma estritamente legal, ele testa o limite da liberdade de expressão da democracia moderna com a publicação de segredos desconfortáveis para o poder. Nesse teste, os EUA (Departamento de Estado, Justiça, Democratas, Republicanos, grande mídia, senso comum) deixaram claro: não se aplica a Primeira Emenda, liberdade de expressão ou coisa que o valha. Uniram-se todos, como em 2003 contra as “armas de destruição em massa” do Iraque. Foi cerco e caça geral a Assange, implacável.

Wikileaks é um relato de inédita hibridez, para o qual ainda não há gênero. Leva algo de todos: épica, ficção científica, policial, novela bizantina, tragédia, farsa e comédia, pelo menos. Quem vem acompanhando a história saberá da pitada de cada uma dessas formas literárias na sua composição. O que me chama a atenção no relato é que lhe falta a característica essencial de um desses gêneros: é um policial sem crime, uma ficção científica sem tecnologia futura, uma novela bizantina sem peregrinação, comédia sem final feliz, tragédia sem herói de estatura trágica, épica sem batalha, farsa sem a mínima graça. Kafka e Orwell, tão diferentes entre si, talvez sejam os dois melhores modelos literários para entender o Wikileaks.

Como em Kafka, o crime de Assange não é uma entidade com existência positiva, para a qual você possa apontar. Assange é um personagem que vem direto d'O Processo, romance no qual K. será sempre culpado por uma razão das mais simples: seu crime é não lembrar-se de qual foi seu crime. Essa é a fórmula genial que encontra Kafka para instalar a culpa de K. como inescapável: o processo se instala contra a memória.

O Advogado-Geral da União do governo Obama, que aceitou não levar à Justiça um núcleo que planejou ilegalmente bombardeios a populações de milhões, levou à morte centenas de milhares, torturou milhares, esse mesmo Advogado-Geral que topou esquecer-se desses singelos crimes e não processá-los, peregrinava pateticamente nos últimos dias em busca de uma lei, um farrapo de artigo em algum lugar que lhe permitisse processar Julian Assange. O melhor que conseguiram foi um apelo ao Ato de Espionagem de 1917, feito em época de guerra global declarada (coisa em que os EUA, evidentemente, não estão) e já detonado várias vezes—mais ilustremente no caso Watergate—pela Suprema Corte.


guardian-07122115-1.jpg


À semelhança do 1984 de Orwell, o caso Wikileaks gira em torno da vigilância global mas, como notou Umberto Eco num belo texto, ela foi transformada em rua de mão dupla. O Grande Irmão estatal o vigia, mas um geek com boas conexões nas embaixadas também pode vigiar o Grande Irmão. Essa vigilância em mão dupla é ao mesmo tempo uma demonstração do poder da internet e um lembrete amargo de quais são os seus limites. Assange segue preso, com pedido de fiança negado (embora o relato seja que o Juiz se interessou pela quantidade de gente disposta a interceder por ele e vai ouvir apelo) e, salvo segunda ordem, está retido no Reino Unido até o dia 14/12. A acusação que formalmente permitiu a captura é o componente farsesco do caso, numa história que vai de camisinhas furadas em sexo consensual à possíveis contatos das personagens com a CIA.

No campo dos cinco "escolhidos" para repercutir a rede anônima, não resta a menor dúvida: cabeça e tronco acima dos demais está o Guardian, que tem tomado posição, feito jornalismo de verdade, e mantém banco de dados com o texto dos telegramas. Brigando pelo segundo lugar, El país e Spiegel, com o Le Monde seguindo atrás. Acocorado abaixo de todos os demais, rastejante em dignidade e decência, o New York Times, que se acovardou outra vez quando mais era de se esperar jornalismo minimamente íntegro. A área principal da página web do jornal, na noite de 07/12, não incluía uma linha sequer sobre a captura que mobilizou as atenções de ninguém menos que o Departamento de Estado:


NYT-07-12-2117.jpg

Enquanto isso, a entrevista coletiva de Obama acontecia com perguntas sobre o toma-lá-dá-cá das emendas entre Republicanos e Democratas, e silêncio sepulcral sobre o maior escândalo diplomático moderno dos EUA. Nada como a imprensa livre.

A publicação dos telegramas não para, evidentemente, no que é outra originalidade do caso: a não ser que você acredite que a acusação sexual na Suécia foi a razão real pela qual o aparato policial do planeta foi mobilizado para prender Assange, cabe notar que o “crime” que motivou a prisão continuará sendo praticado mesmo com o “criminoso” já capturado. O caso Wikileaks inaugura o crime que continua acontecendo já com o acusado atrás das grades: delito disseminado como entidade anônima e multitudinária na Internet. 100.000 pessoas têm os arquivos do Cablegate, proliferam sites espelho com os telegramas já tornados públicos. E a Intifada está declarada na rede, com convocatórias a ataques contra os sites que boicotaram o Wikileaks.

Atualização: e os EUA estão mesmo tentando com os britânicos e suecos a extradição de Assange para processá-lo por ... espionagem!

Atualização II: No Diário Gauche, há um belo vídeo com entrevista de Assange em Oxford, com legendas e tudo.



  Escrito por Idelber às 02:37 | link para este post | Comentários (52)


Comentários

#1

I'm Julian Assange!

Dandi Marques em dezembro 8, 2010 3:46 AM


#2

Que bom ler isso aqui, Idelber, porque hoje de manhã havia posts estranhíssimos, insinuando coisas contra o Wikileaks, ou o menosprezando, no Rodrigo Viana e no Azenha, nao entendi nada. A maior prova de que o Assange é sério é a caçada que estao fazendo contra ele. E ele merece a solidariedade blogueira, e nao descrédito.

Anarquista Lúcida em dezembro 8, 2010 3:59 AM


#3

Estamos vivendo "Tempos Incríveis", parodiando Eric Hobsbawm...Fico feliz de poder acompanhar - e até participar, modestamente - e espero viver o suficiente para ver os resultados.
Tem um componente interessante q vc não citou: a censura q o twitter fez ao assunto nos TTs...não aparece nada! Por essa eu ñ esperava.

aiaiai em dezembro 8, 2010 5:43 AM


#4

Wikileaks perdeu de vez a sua máscara no dia 6. No dia 7, bem cedo, ele procurou a polícia.

Thomaz Braga em dezembro 8, 2010 6:25 AM


#5

Havia assistido ao vídeo, ontem e fiquei impressionado com a sua clareza e desprendimento.

Ele demonstrou que se sacrificaria pela sua causa, A VERDADE.

Paulo Pessoa em dezembro 8, 2010 6:33 AM


#6

As melhores fontes me garantem que os advogados de Assange preferem mantê-lo na Inglaterra, já que na Suécia ele seria facilmente extraditado. Como se trata de um hacker, os americanos procuram algum vestígio de crime eletrônico que ele tenha promovido. As perspectivas não são boas

Tiago Mesquita em dezembro 8, 2010 7:05 AM


#7

O banco suíco que suspendeu a conta do Assange continua fora do ar, mais de 36 horas depois do começo do ataque.
Pelo que li, os clientes do Banco lançaram um apelo ontem para que pudessem ter 10 minutos de arreglo para pagar as contas.

Niet.

Radical Livre em dezembro 8, 2010 8:09 AM


#8

Agora, Thomaz, como assim perdeu sua máscara? que máscara?

desenvolve aí, vai?

Radical Livre em dezembro 8, 2010 8:11 AM


#9

É uma pena que a maioria das pessoas prefira ignorar, ouço e leio muitos comentários (como hj de manhã, no bom dia brasil, afff) que ele 'colocou em risco' as operações americanas, que é um traidor. É um absurdo que o jornalismo esteja virando as costas para tanta verdade. O pior cego é o que não quer ver.

Lia Drumond em dezembro 8, 2010 8:11 AM


#10

Há quem argumente que não se pode acusar um cerceamento da liberdade de imprensa no EUA, pois a postura das emissoras e jornais em casos como Iraque e WikiLeaks se dá por iniciativa própria, não por pressão governamental. Que talvez possa se falar no máximo em uma falta de pluralidade e criticidade, chapa-branquismo, mas não censura.

E que por lá quando estão em jogo entidades como "segurança nacional" ou "patriotismo", todos se unem, esquece-se as divergências de partidos ou figuras políticas, faz-se vista grossa sobre mentir à população ou tolher direitos civis, contanto que os tais valores primordiais - claramente a democracia não está inclusa - sejam defendidos a qualquer custo.

É difícil dizer até que ponto prevaleceu esse tipo de motivação, sem saber em que termos foi negociado com o governo pelo NYT o que poderia ser publicado ou não, ou saber que tipo de receio passa pela cabeça de alguns veículos e jornalistas quanto a reação do governo americano contra si. Mas eu estou mais pra achar que, ao menos por parte da cúpula dos veículos, a subordinação é consentida mesmo.

Mas com intervenção direta sobre imprensa ou não, o fato é que os defensores da democracia americana não podem mais jogar aquela conversa de que Patriot Act, Guantánamo e afins são só filhos de Bush e da ala mais reacionário do Partido Republicano. Obama sequer pode ser colocado no grupo mais centrista dos democratas, mas nem por isso exitou em interferir ilegalmente junto a PayPal, Amazon, Twitter, Visa, Mastercard e bancos suíços (até o momento), sob os mesmos pretextos antidemocráticos de Bush.

Pois é, parece que já faz algum tempo que os EUA deixou de ser um país essencialmente democrático. Se é que algum dia já foi, né, já que, só pra fixar no basicão, em séculos de história, só há algumas décadas a metade negra da população passou a gozar dos mesmos direitos.

ps.: Cuidado, Idelber, não vai falar em Wikileaks nas aulas, hein, que até nisso o governo americano já fez suas ameaças.

JG_ em dezembro 8, 2010 8:49 AM


#11

Não acho que o Assange seja vilão, mas é inocência achar que é o herói.
A transparência é um valor, mas não um valor absoluto; como escrevi no Psiquiatria e Sociedade, creio que o Wikileaks misturou jornalismo político com fofoca e furos temerários: http://wp.me/pNBp1-9y

Daniel em dezembro 8, 2010 8:58 AM


#12

Só uma pergunta:

Nesse caso do vazamento, de qual crime Assenge pode ser acusado que não tenham cometido também os 5 jornais?

JG_ em dezembro 8, 2010 8:58 AM


#13

Professor Avelar, lamento poluir seu blog com os links que estão logo abaixo do meu comentário, mas eu decididamente precisava mostrar para você e para os outros visitantes como alguns "jornalistas" brasileiros" estão começando a torturar conceitos como "liberdade de imprensa" e "democracia" com o propósito de defender os interesses do Império Estadunidense. O mais engraçado de tudo é que essas mesmas "tristes figuras" se consideram "defensoras" contumazes da Liberdade de Expressão, principalmente quando tal conceito envolve criticas pesadas ao Governo Lula, aos Governos de Esquerda da América Latina, ao Irã e aqueles que questionam as atidudes de Israel... Vai entender... De um jeito ou de outro, segue abaixo os links sugeridos e, por favor, tampem seus narizes quando estiverem lendo tais artigos...

http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/wikileaks-e-a-encruzilhada-do-jornalismo/

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0712201021.htm

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-wikileaks-e-a-questao-relevante-ou-a-carranca-velha-do-pos-moderno/

Claudio Roberto Basilio em dezembro 8, 2010 10:28 AM


#14

Se o Tim Robbins fosse mais novo era o candidato certo para fazer o Julian Assange no filme que fatalmente virá..e quem poderia dirigir? Oliver Stone..claro

Strupicio em dezembro 8, 2010 10:47 AM


#15

Daniel, eu leio o que você escreveu e por um instante mágico até concordo. Mas aí eu passo os olhos nas notícias os jornais e minha concordância se dissolve no ar. Qual é exatamente a diferença entre a categoria "fofoca inútil" e a categoria "notícia relevante"? Ordenar que o Secretário Geral da ONU seja espionado se enquadra em qual das duas? E colecionar apoios do Ministro da Aeronáutica e do Ministro da Defesa para a compra de caças americanos e não franceses? Quem decide qual mentira é "azul", para usar a sua literatura peculiar? Ah, sim. O filho de FHC foi classificado como fofoca inútil por toda a nossa imprensa. Já o namorado de Marta Suplicy não. A ficha falsa de Dilma era fofoca ou notícia? E a bolinha de papel?

Paulo Candido em dezembro 8, 2010 10:55 AM


#16

A vida imita a arte..de novo
Ou...Não é por falta de precedente recente que deixamos de entender o que acontece com Julian Assange e Wilileaks...
Mesmo num mundo onde George W. Bush, Fernando Collor, Silvio Berlusconi e assemelhados podem ser presidentes de um país importante, a prisão de Roman Polanski na Suíça, a pedido dos americanos, por ter supostamente, há quase 40 atrás, cedido aos encantos de uma Lolita, que hoje, casada e mãe de filhos, tudo que deseja, em suas próprias palavras, é que esqueçam do assunto, soava como um absurdo além dos generosos padrões de surrealismo do mundo atual e pedia explicação mais convincente.
Agora, pelo preço de um ingresso de cinema pode-se ter essa explicação de modo mais que satisfatório, bastando para isso que se vá assistir ao filme que diretor terminou já na prisão – O Escritor Fantasma – e que contém, em seu enredo, de modo explicito, a tese que o ex primeiro ministro britânico Tony Blair, também conhecido na imprensa inglesa como “o pet de Bush”, e senhora, não passavam de funcionários da “Companhia”, na folha de pagamento do governo americano como agentes “undercover”, infiltrados, no governo da reino unido para servir aos propósitos imperiais da única superpotência remanescente no mundo, fazendo o serviço sujo na guerra do Iraque principalmente. Como qualquer “gauleiter”, fantoche, nos governos de republiquetas sul americanas, africanas ou asiáticas.
O Tony Blair do filme se chama Adam Lang, e é feito por um Pierce Brosnan sob medida, numa escolha de fina ironia, por ter sido um dos últimos 007 do cinema, o agente secreto de sua majestade que personificava o ultimo motivo de orgulho viril do desdentado Leão Britânico, em sua sanha de varão hiperativo, talvez para compensar, no imaginário universal, a crença no escasso interesse dos ingleses pelas atividades da alcova. Ao menos quando essas atividades envolvem membros do sexo oposto.
Qualquer um que já viu o fantoche de Bush, no papel de primeiro ministro, na TV, não tem dúvida que ele precisava de orientação externa para amarrar o sapato ou qualquer outra tarefa de igual complexidade. Enfim, isso – o filme - deve ter soado aos ouvidos – e olhos- dos súditos de sua majestade, como um insulto intolerável, e os americanos apesar, de certamente terem achado uma piada divertida, não podiam se omitir de ajudar o aliado de primeira hora, em todas suas estripulias bélicas, cobrando do governo Suíço o encarceramento do famigerado cineasta. Com quem, convenientemente, já tinham contas a acertar por sua independência, ousadia, pouca vergonha e safadeza.
Isso só reforça a tese que o governo e mídia americanos nunca toleraram a trinca de realizadores, integrada por judeus, baixinhos e abusados, subversivos, provocadores, e muito talentosos, formado por Chaplin, Woody Allen e Roman Polanski. Além do gênio mais que evidente, e empatia com um certo publico letrado – em geral não americano – dividiam também a incontida preferência por mulheres muito jovens, o que na sociedade puritana e hipócrita, que construíram na América do Norte, onde quase sempre a violência exacerbada e nauseante nos filmes substituiu o sexo, e o único instrumento fálico que admitem na tela é uma arma fumegante.
De modo que, sem metáforas, essa violência se reflete de modo simétrico no mundo real, e é imperdoável quem prefere o amor à morte, fornecendo o pretexto mais que suficiente para a retaliação que tarda mas não falha. Woody Allen quase teve a carreira arruinada quando se casou com a jovem enteada vietnamita de sua ex-mulher, Mia Farrow, há alguns anos, e Charles Chaplin, o grande e imortal Carlitos, foi impedido de desembarcar em solo americano – sob pretexto idêntico - depois de uma viagem a Europa, e acabou, findando seus dias no exílio...onde? Na Suíça, claro.
Dos três, o único que ainda não sentiu o peso do braço vingativo de Tio Sam em toda sua fúria – até por ser o menos explicitamente político dos três – foi Woody Allen, mas já sentiu, sem duvida, a rarefação da atmosfera de trabalho, na dificuldade de financiar seus projetos em solo americano, na justa medida que aumenta seu prestigio no exterior, onde tem filmado intensamente, a convite de governos e produtores independentes. Mas tem de ficar esperto para não dar pretexto para uma ação mais enérgica, com a CIA, o FBI, os “county sheriffs”,e os Marines em seu encalço por qualquer infração de transito, ou atraso no pagamento da conta de luz.

Lord Jim em dezembro 8, 2010 10:56 AM


#17

Agora, novidade mesmo é a Suecia fazendo esse papel triste que normalmente cabe aos ingleses..(ou estou enganado e tambem nisso existem precedentes??)

Tião Medonho em dezembro 8, 2010 11:04 AM


#18

Julian Assange lembra muito o Domingos Fernandes Calabar da peça de Chico Buarque, mais ainda quando os americanos o acusam de "traição" e "espionagem", pedem sua prisão, julgamento e execução (se bem que a maioria dos que pedem isto dispensariam alegremente o segundo passo).

No fim, o Wikileaks não traiu ninguém. Sendo uma organização internacional e voluntária, não cabem os conceitos de "lealdade" ou patriotismo. Não são "combatentes inimigos" ou "terroristas" - onde estão suas exigências?

No fim nós estamos vendo nascer um tipo novo de jornalismo, um jornalismo globalizado, capilar e independente da influência de governos locais. Para o bem ou para o mal, a possibilidade aberta pelo Wikileaks mudou o mundo. Apesar da demonstração ter sido apenas com os americanos, deve estar claro que nenhum segredo de nenhum país está à salvo. Quantos governos sobreviveriam à transparência total?

Paulo Candido em dezembro 8, 2010 11:21 AM


#19

Minha única certeza é de que Julian Assange é apenas o primeiro. Com certeza esse tipo de ação de transparência e combate virtual vai se disseminar na rede.

Alguém avisa os EUA: Acabou a mamata! O mundo já mudou e as coisas nunca mais serão como antes. Não estaremos restritos a meia dúzia de "Michael Moores" novamente. Os governos terão que conviver cada vez mais com a abertura de informações sigilosas, deixando claro qual o verdadeiro jogo mundial.

Não sou inocente para pensar que as regras do jogo vão mudar abrupta e radicalmente com isso, mas aos poucos novos jogadores estão sendo inseridos no sistema, e isso com certeza deve alterar os rumos da política daqui para a frente.

Luan Crespo em dezembro 8, 2010 11:53 AM


#20

Viva a internet!!!

angel em dezembro 8, 2010 11:53 AM


#21

Julian Assange é um desbravador, e ingenuos seriam aqueles que acreditasse ser ele um santo, é um homem astuto e com uma visão maior do que deva ser a relação dos homens , governos e diplomatas como também corporações com o outro.
Desmascarou como somos na maior parte do tempo pouco responsáveis nas nossas avaliações e como julgamos mal os outros.
É um prisioneiro global...pois buliu com muita gente "santa".
Se fez isso por fama ou heroismo ou por esporte não importa....VALEU!
Só que está nas mãos da CIA!

Jose Mario HRP MAN! em dezembro 8, 2010 11:56 AM


#22

Bá, Idelber, genial. Como literatura e tese.

Milton Ribeiro em dezembro 8, 2010 12:03 PM


#23

o negócio era o Assange ir pra Amazônia, onde os "tentáculos" são sufocados pela mata, e o estado é só uma crescente clareira...

tapecuim em dezembro 8, 2010 1:59 PM


#24

Viu essa, Idelber?:

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/reconhecimento-do-estado-palestino-nas-fronteiras-de-1967

Torço um bocado pra que a presidenta Dilma mantenha esse nível de coragem.

Apesar que é difícil não ficar ressabiado quando se vê a saída de um Celso Amorim, mas a manutenção de um Jobim.

E ainda essa discordância quanto ao Irã na entrevista, que pode não ser tão significativa, mas também dá a entender uma mudança de rumo equivocada.

Daqui a uns 6 meses a gente fica sabendo.

JG_ em dezembro 8, 2010 2:09 PM


#25

Opa, post errado.

Mas fica o link, que é o mais interessante.

JG_ em dezembro 8, 2010 2:11 PM


#26

Interrompi a leitura no meio somente pra elogiar a analogia entre a caça a Assange e O Processo. É absolutamente brilhante, não tinha pensado nisso.

Gustavo S. em dezembro 8, 2010 2:14 PM


#27

A respeito do NYT, daqui a um ou dois anos, eles publicam um editorial fazendo o mea culpa por terem aberto mão de publicarem o que deveriam publicar e de criticarem o que deveriam criticar. Não adianta, o NYT deixou de ser relevante há muito tempo. Não tem jeito.

Agora, lamentável mesmo foi a decisão do Wikileaks de usar a Farsa de S. Paulo e o Gloebells como canais para a veiculação de telegramas para o distinto público brasileiro.

Ninguém em dezembro 8, 2010 2:47 PM


#28

Essa história toda é uma mistura do Admirável Mundo Novo de Huxley, do Processo mesmo e, sobretudo, do Nossa Homem em Havana de Greene. Sim é kafkiano o que se passa com Assange, mas a nossa época tá mais para Huxley do que para Orwell, especialmente porque no livro e no episódio em discussão, a questão do encobrimento e revelação da verdade (e sua ligação com o poder) estão sofoclianamente em questão. Sobre o último ponto, Greene tilinta na minha cabeça quando o assunto é a diplomacia americana: Mais parece que cada embaixada americana tem um Mr. Wormold, louco para manter seu carguinho da "inteligência" e pronto a enviar o esquema de aspirador de pó como se fosse a planta de uma instalação nuclear para seus superiores ciosos de certas notícias...

Hugo Albuquerque em dezembro 8, 2010 3:56 PM


#29

Para aqueles que não conhecem, inddddico um bom site.

http://informacaoincorrecta.blogspot.com/

Paulo Pessoa em dezembro 8, 2010 3:59 PM


#30

Desculpe, nova intromissão, mas achei isso .

Cidade de Berkeey votou moção a favor do Bradley, quem vazou os documentos para WL.

http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/c/a/2010/12/08/BAL91GNB87.DTL

Paulo Pessoa em dezembro 8, 2010 4:23 PM


#31

Ninguém, não existe essa "escolha" do Wikileaks. Eles vazam os telegramas para esses 5 veículos. Pronto. Daí em diante é o que está na rede e o quem quiser pegar, pegou. A ombudsman da Folha, outro dia, pagou um mico falando de "exclusivisidade" da Barão de Limeira no Wikileaks, e ajudou a criar a confusão expressa também no seu comentário.

Idelber em dezembro 8, 2010 4:25 PM


#32

:: Sobre como os países "democráticos" tratam os
direitos de seus cidadão, deixo um trecho de IT´S BAD FOR YA - George Carlin:

"if you think you do have rights, one last assignment for you.
Next time you're at the computer get on the internet.

Go to Wikipedia. in the search field for Wikipedia
I want you to type in Japanese Americans 1942,
and you'll find out all about your precious fucking rights, okay.

In 1942 there were 110,000 Japanese-American citizens
in good standing, law-abiding people, who were thrown into internment camps
simply because their parents were born in the wrong country.

That's all they did wrong. They had no right to a lawyer,
no right to a fair trial, no right to a jury of their peers.

No right to due process of any kind. The only right they had?
"- Right this way into the interment camps."

Just when these American citizens needed their rights the most,
their government took them away, and rights aren't rights if
someone can take them away.

They're privileges. That's all we've ever had in this country
is a bill of temporary privileges."

MBSantiagoJr em dezembro 8, 2010 4:49 PM


#33

Pois é caro Idelber, apesar de continuar a ler muito online, não tenho escrito muito..., essa é a minha primeira manifestação sobre o caso Wikileaks.

De fato as analogias apresentadas são perfeitas, mas para muito além do Assange, entendo que o Cablegate e suas consequências são um sinal de uma nova ordem planetária em que não mais há possibilidade dos poderosos controlarem completamente e a seu bel prazer a informação(retendo, distorcendo e/ou manipulando exclusivamente a seu favor e interesse).

Vai completamente de encontro a um dos meus slogans favoritos, um velho ditado Yorubá : " Enquanto os leões não puderem contar suas próprias histórias, as histórias serão sempre as dos caçadores..."; mas está claro que ultimamente (e em muitos lugares e situações diversas) os leões começaram a poder "dar com a língua nos dentes" (e serem mundialmente ouvidos); os caçadores tradicionais que se cuidem, a unilateralidade definitivamente acabou...

Juarez Silva (Manaus) em dezembro 8, 2010 5:13 PM


#34

MBSantiagoJr, só para não perder a oportunidade, lembro que os nipo-americanos não foram todos confinados a campos de concentração na WWII, muitos se integraram ao Exército norte-americano formando unidades segregadas que combateram valorosamente na Europa..., se foram heróis com "consciência patriótica" ou "buchas de canhão" enviados compulsóriamente para as piores missões "kamikaze" já é outra história..., sugiro a todos o filme : Sacrifício e Coragem (Only the Brave) http://www.cinepop.com.br/filmes/sacrificioecoragem.php

Juarez Silva (Manaus) em dezembro 8, 2010 5:43 PM


#35

Excelente artigo, Idelber. Parabéns mais uma vez. A ação dos EUA e das polícias do mundo transforma Julian Assange no primeiro guerrilheiro cibernético da história, um espécie de Che de carne e pixels. A atuação corajosa do Wikileaks atingiu o calcanhar de aquiles da águia imperial e aponta novos caminhos para o ativismo político global.

Nivaldo Lemos em dezembro 8, 2010 6:01 PM


#36

"Austrália diz que dará apoio legal a fundador do WikiLeaks"
No site da BBC Brasil, agora,...quer dizer, será que o governo australiano costuma sair defendendo estupradores pelo mundo a fora assim sem mais aquela???

Strupicio em dezembro 8, 2010 6:23 PM


#37

Strupicio tbém acredita nas armas de destruição em massa do Iraque, mesmo quando Bush, o inventor da mentira, nem acredita mais nela. Tenho uma pra t contar do papai noel e do coelinho da páscoa q tu vais achar o máximo, strupício.
Tem uns estrupícios q parecem ñ se dar conta do nível dos debates e atravessam o samba com cada idiotice q vou t contar. Estás levando algum do dpto de estado ianque pra pagar esse mico por aqui?

Eugênio

Eugênio em dezembro 8, 2010 9:04 PM


#38

Idelber, a tradução do comunicado do grupo Anonymous avisando dos ataques na rede!=)

http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/operacao-vingar-assange-hackers-em.html

No blog tem também a badge que criaram para apoiar o Assange e petição do Avaaz em defesa do WikiLeaks!

Raphael Tsavkko em dezembro 8, 2010 9:43 PM


#39

Se Assange fosse chinês e fizesse a mesma coisa ganharia um Nobel...

sites do Mastercard, Visa e Paypal caíram hoje...quem será a próxima vítima? hehe

Mariana Carvalho em dezembro 8, 2010 11:31 PM


#40

Todo mundo já sabe, mas não custa deixar registrado na caixa de comentários (da qual, aliás, já me socorri algumas vezes à cata de informações).

O Twitter suspendeu hoje (8) o perfil @anon_operation, de uma organização de hackers que decidiu "se vingar" das tentativas de censura sofridas pelo Wikileaks. O perfil tinha 15 mil seguidores. Agora, o próprio Twitter está ameaçado de ataques.

A artilharia virtual derrubou nesta quarta-feira sites de empresas que executam o cerco global contra o criador do site, Julian Assange, que continua preso, e sua criatura, o Wikileaks.

O site visa.com saiu do ar quando uma ordem de ataques foi disparada, às 19 horas, via Twitter. Os hackers haviam anunciado a investida pelo microblog às 18 horas (horário de Brasília).

Antes disso, o site mastercard.com também havia ficado fora do ar durante algumas horas nesta quarta-feira.

O @anon_operation reivindica ainda a autoria dos ataques ao site do banco suíço PostFinance, que fechou a conta de Assange, e do Paypal, de pagamentos online, que suspendeu doações ao Wikileaks. Apenas o blog do Paypal foi atingido.

Hoje o próprio Twitter foi ameaçado. Inicialmente, o microblog negou fazer parte do cerco global: alegou um mal entendido causado pela lista dos mais tuitados. O Wikileaks não apareceu na lista dos Trending Topics de ontem (7).

Depois da tentativa de negar participação ao cerco global, o perfil da organização de hackers anônimos foi suspenso pelo Twitter. O Facebook também suspendeu o perfil homônimo.

Para finalizar o dia, ainda teve uma cereja para a história embolada. O vice-presidente da Bolívia, Alvaro Garcia Linera, anunciou o lançamento de um site espelho do Wikileaks.

Fábio Carvalho em dezembro 8, 2010 11:38 PM


#41

De fato a cobertura do The Guardian tem sido exemplar. Da velha mídia é o jornal que tem melhor se adaptado aos novos tempos, construindo pautas colaborativas com seus leitores. Acabei de ler no blog que eles criaram especialmente para os vazmentos do Wikileaks um interessante chamado do editor solicitando indicação de assuntos a serem explorados. Quem tiver alguma sugestão deverá twitar para @gdncables, indicando termos de pesquisa, data aproximada do evento e a embaixada envolvida.

"We're now around 10 days into coverage of the embassy cables. We've done a thorough job of searching for themes, people and issues, but we know we'll have missed many intriguing and important stories. What have we missed? What would you be searching for if you were sitting in front of the database?

We'll do our best to look. We can't, as the agony aunts say, enter into personal correspondence or hand out information or individual cables. But we can look for material that could be reported in the Guardian, or on WikiLeaks' own site, or with the four other news organisations involved. The rule of thumb is that we'll use our news judgements, as we have with all the cables we've looked at so far.

Simply tweet @gdncables with the information you're interested in. We're working with a search engine, remember, so it would help greatly if you could give us:

- Search terms
- Rough dates (the main archive runs from 2005 to Feb 2010)
- The likely embassy involved ( eg 'Moscow', or 'Kampala')"


Thiago em dezembro 9, 2010 1:00 PM


#42

http://www.flickr.com/photos/vip223/2855961762/

Feliz 1984!

O Guia para um nerd sacar a wikiLeaks começa nos quadrinhos com "V de vingança", adaptada ao cinema por Alan Moore com John Hurt no elenco.

Meu irmão mais novo, Daniel, disse-me que o Assange parece um personagem de anime.

=]

Tiago Aguiar em dezembro 9, 2010 1:14 PM


#43

Idelber, não disse que o Wikileaks escolheu a Folha e o Globo. Apenas repeti o que disse – com todas as letras – a Natália Viana, jornalista independente e colaboradora do Opera Mundi, que foi convidada pelo Wikileaks para participar do projeto. Como vi esse texto dela ser repercutido no Nassif (http://tinyurl.com/289sozz), imaginei que tivesse sido disseminado de forma mais ampla. Nas palavras dela mesma:
**************************************************
Segunda fase

Esta semana começa a segunda fase da divulgação. Agora, o Wikileaks vai trabalhar em parceria com dois dos maiores jornais do país – a Folha e O Globo – por meio de dois grandes repórteres, que buscarão dar o tratamento adequado ao material.

São centenas de histórias que merecem tempo, apuração e faro para serem bem escritas, e como o Wikileaks é uma organização pequena (embora grande), não tem condições de realizar todo o jornalismo sozinho. Contamos com os dois jornais para nos ajudar a narrar essa importante história.
**************************************************
Fonte: http://tinyurl.com/27mavmd

A Natália, pelo que dá a entender, é a ponte entre o Wikileaks e a imprensa brasileira. Logo, imagino que esteja falando em nome do Wikileaks quando descreve a parceria com a Folha e o Globo.

Em momento algum mencionei a palavra “exclusividade”, apenas lamentei que esses dois veículos brasileiros tenham sido escolhidos pelo Wikileaks. Falar em “exclusividade”, como fez a Suzana Singer, é, no meu modo de entender, uma grande tolice, uma vez que todos os telegramas estão sendo, em tese, publicados (ainda que a conta-gotas) numa página da Internet de acesso livre. Portanto, não há razão para se falar em exclusividade. No máximo, esses veículos – que agora, lamentavelmente, incluem Folha e Globo – estão tendo acesso prioritário aos telegramas.

Espero que possamos continuar acessando os telegramas brutos. Espero que a Wikileaks reveja essa escolha. Imagine como serão as versões e ênfases que darão a Folha e o Globo para esses telegramas. Imagine que nomes serão retirados dos documentos. Pior que isso, imagine quais nomes poderão ser incluídos (afinal de contas, esses dois veículos, sabemos muito bem, são mais do que capazes de fazer isso).

Creio que a Carta Capital – onde a própria Natália abriu um blogue sobre o Wikileaks (http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/) – seja o veículo de massa mais adequado para receber e analisar esse material. Claro, desde que os telegramas não tratem da obsessão maior do Mino Carta: o Cesare Battisti...

Portanto, para que fique claro: a) houve, sim, a escolha pelo Wikileaks; b) não houve confusão alguma no meu comentário; e c) errei ao não mencionar a fonte, por acreditar que esta fosse de amplo domínio público.

[ ]s,
Ninguém

Ninguém em dezembro 9, 2010 2:16 PM


#44

MANIFESTO CLÔNICO
para julian assange (pirata-mor)

Quebrar todas as chaves Nenhum direito de cópia Viva todos os hackers Sem conteúdos pagos Pela clonagem sem fim Um byte copiado é igual ao original Tudo que se lê se vê se ouve na rede Pode ser capturado E copiado E reproduzido E reproduzido E reproduzido E Lancem as redes hackers Capturem os peixes pop da indústria cultural E façam torrents grátis deles O milagre da multiplicação Do pão das mentes Torrentes de bytes piratas Invadindo as fortalezas das Apples dos Googles dos Gates das Amazons do mundo De tudo que é .com Não sobre som sobre som ver(bo) sobre ver(bo) Não reste filme música livro que não seja livre das peias dos pagamentos O direito autoral é o mocinho da lei Mas não tem moral O povo quer é o cowboy fora da lei De saque rápido e tiro certeiro Bem no meio das fuças da criptografia dos conteúdos Roubem segredos de estado E derramem na ávida boca do povo Dancem hackers espiões piratas digitais sublime escória da net Dancem a dança dos canibais Em torno do fogo em torno dos corpos De nossos inimigos Em torno da taça da última ceia Aprendam com Cristo A derrubar um império com doze apóstolos E uma multidão bola-de-neve O Deus agora é o caos Bilhões de chips e cérebros Ligados ponto a ponto .net Prontos para a próximo torrent Para o próximo byte a ser clonado baixado e repassado ao próximo com fervor Amai o próximo-clone como a ti mesmo Amai o caosplural acima de todas as coisas Pois sois (um) feito/feixe de caos E de muitos Vós sois a imagem do único Deus: Caos&Acaso&Miríades

wilton cardoso em dezembro 9, 2010 3:50 PM


#45

Para Ninguém # 43,

Acho que não há motivos para se preocupar com a divulgação pelos panfletos Folha e O Globo. Pelo que tenho acompanhado, o Wikileaks repassa os documentos aos jornais algumas horas antes de disponibilizá-los no site. Ou seja, dá oportunidade do jornal preparar uma matéria exclusiva, mas logo depois os originais já estão disponíveis na íntegra.

Nem perca tempo lendo os jornais, se puder vá direto na fonte. Os documentos originais geralmente tem poucas páginas e são de fácil compreensão.

Thiago em dezembro 9, 2010 4:33 PM


#46

Lula, o primeiro chefe de estado a protestar com todas as letras contra a perseguião ao Julian Assange. Já estou com saudades desse cara!

http://www.youtube.com/watch?v=_No3PuIiJ4Q&feature=player_embedded

Thiago em dezembro 9, 2010 4:42 PM


#47

Achei o artigo do Janio de Freitas muito bom.
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/janio-de-freitas-os-meios-e-os-fins.html
Ele demonstra bem como o wikileaks pos em sinuca de bico a imprensa brasileira que gosta de defender os interesses americanos e se posar de defensora da liberdade de imprensa.

Bruno em dezembro 9, 2010 5:58 PM


#48

Impressionante a rapidez com que as pessoas estão assinando a petição. Entrei no site e vejam são vários por segundo: Espanha, Inglaterra, Brasil, França, Alemanha, Austrália, canadá, EUA, Colombia, República Tcheca, Hungria, Bélgica, Benim, etc.
Entrem e repassem aos seus amigos.

https://secure.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?r=act

Bruno em dezembro 9, 2010 8:08 PM


#49

caramba...será que alguem pode desenhar o sentido de "ironia" para o Eugenio, o genio entender????
acho que ele precisa de ajuda urgente...

Strupicio em dezembro 9, 2010 10:17 PM


#50

Strupicio

"Austrália diz que dará apoio legal a fundador do WikiLeaks"
No site da BBC Brasil, agora,...quer dizer, será que o governo australiano costuma sair defendendo estupradores pelo mundo a fora assim sem mais aquela???

Onde está a ironia??? Se pelo menos a palavra "estupradores" estivesse entre aspas, vá lá. Da forma como foi escrito, parece um típico comentário de troll. Se era pra ser irônico, acabou parecendo outra coisa.

Eugênio

Eugênio em dezembro 10, 2010 1:09 AM


#51

Senhoras e senhores, sabem da última do Wikileaks?
Um latido poético, de um cachorrinho ateu, favelado
do Rio, destinado ao patife de codinome - Bento XVI.


PERFUME
by Ramiro Conceição


Dentre os passos meus, naquela manhã, vi deus
no olhar de um cachorrinho ateu, que passeava…
Aquele deus não era tribal, nem um assassino – de gays;
não tinha escravos, terras ou altares justificados por leis;
abominava políticos, padres, freiras, pastores e dízimos;
não era uma lua mística, mas um sublime sol – objetivo!;
era um olhar enamorado que, agora, tento dar um nome,
mas aquele deus não tinha nome; era qualquer homem
ou mulher; era a luz de estrelas num vagar de um vaga-lume;
era um perfume… a dizer: “NEM OURO QUE RELUZ É TUDO”

Ramiro Conceição em dezembro 10, 2010 10:42 PM


Jose Donizetti Nunes em dezembro 14, 2010 11:44 AM