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domingo, 30 de janeiro 2011

Do MinC 1 ao Minc2: a Cultura e a Retórica da Gestão no Brasil

Na discussão sobre o furdunço gerado a partir da remoção da licença Creative Commons do site do Ministério da Cultura—debate que gerou ótimos textos ou entrevistas, como a de Sérgio Amadeu ao Luiz Carlos Azenha, o de Marco Aurélio Weissheimer e, de um outro ponto de vista, o de Lady Rasta--, fica nítida uma coisa e nem tão nítida mais uma, pelo menos. É claro que há, no Ministério de Cultura atual, um certo grau de ruptura, tanto no discurso como na prática, com a gestão anterior (que é uma só, Gil/Juca). Ruptura comparável não se observa nem mesmo nos ministérios maiores e mais ricos que passaram do PMDB para o PT, como Saúde e Comunicações.

ana-de-hollanda-2-300x300.jpg Menos óbvio é o fato de que a coalizão que sustenta a Ministra Ana de Hollanda é heterogênea, e dizer “a Ministra do ECAD” é tão falso como foi o retruque da própria Ministra, quando afirmou que “a relação que tenho com o ECAD é a mesma que têm Gil, Chico, Caetano”. A assertiva da Ministra não procede pelo menos por duas razões. Ela não representa—com todo o respeito—, como autora, o mesmo que os três citados, é óbvio. Isso tem consequências enormes para a questão dos direitos autorais. O segundo motivo é que ela não mantém, com as posições defendidas pelo ECAD sobre os direitos de autor, a mesma relação que mantém, por exemplo, Gilberto Gil. Essa é a questão.

**********

Para constatá-lo, basta ler o discurso de posse da própria Ministra, em especial o décimo parágrafo, em que ela, em clássico ato falho freudiano, afirma o que não eliminará do Ministério:


É claro que vamos dar continuidade a iniciativas como os Pontos de Cultura, programas e projetos do Mais Cultura, intervenções culturais e urbanísticas já aprovadas ou em andamento – como as ações urbanas previstas no PAC 2, com suas praças, jardins, equipamentos de lazer e bibliotecas. E as obras do PAC das Cidades Históricas, destinadas a iluminar memórias brasileiras. Enfim, minha gestão jamais será sinônimo de abandono do que foi ou está sendo feito. Não quero a casa arrumada pela metade. Coisas se desfazendo pelo caminho. Pinturas deixadas no cavalete por falta de tinta.

Afirmações sobre o que você não vai interromper no governo são comuns quando a oposição ganha as eleições. Você quer assegurar ao cidadão que as coisas boas da gestão anterior serão mantidas. Não fazem muito sentido quando a situação ganha, especialmente num caso como o do Brasil 2010, em que tudo na identidade da candidatura Dilma dizia que ela era a situação, a candidata de Lula. No entanto, no Ministério da Cultura, o discurso de posse oferecia um rol de não-mudanças. A função da lista era falar/calar o que, sim, ia mudar na prática do Ministério.

**********

Um balanço do que fez a gestão Juca/Gil na Cultura está fora do escopo e até das possibilidades deste post, mas uma coisa deveria ser mencionada na transição entre o MinC Lula e o MinC Dilma. Seja qual for sua opinião sobre o trabalho anterior (e a minha é positiva, por mais que eu veja uma ou outra coisa que criticar), um dos traços inegáveis da gestão Juca/Gil foi retirar a discussão acerca de qual conteúdo cultural privilegiar--debate histórico da esquerda brasileira quando se tratava de cultura—e enfocar-se preferencialmente na criação de condições políticas, econômicas e jurídicas para a circulação de cultura, independente de seu conteúdo. É uma diferença chave.

No primeiro modelo, você tende a ficar preso em debates sobre se o samba de roda (e não o funk carioca, por exemplo) deveria ser merecedor de incentivo estatal; debates sobre o que é cultura legitima ou autenticamente brasileira; sobre qual conteúdo, enfim, deve ter a cultura para que ela seja amparada no Ministério. No segundo modelo, nada disso importa. Trata-se de criar condições para que toda e qualquer iniciativa cultural circule com maior amplitude possível, sem impedimentos de ordem econômica ou jurídica. É neste contexto que entendo iniciativas como o incentivo aos Pontos de Cultura, ao Creative Commons e ao software livre, além de várias outras ações do Ministério Gil/Juca como os mencionados na Carta Aberta da Cultura Digital à Dilma e à Ana de Hollanda: o Fórum de Mídia Livre, o Fórum da Cultura Digital, a iniciativa de revisão da lei de direitos autorais, a recusa a propostas irracionais de criminalização da rede, a construção do Marco Civil da Internet e a rejeição ao ACTA .

**********

O incrível, então, é que, no Ministério Juca/ Gil, a Cultura deixa de ser focalizada em termos de conteúdo, e passa a ganhar mais relevo a questão legal-econômica. Daí o discurso, audível em algumas comarcas, de que o Ministério da Cultura teria se "hipertrofiado", tucanês para "metido o bedelho em coisa que não é de sua conta". A abordagem passa a genuinamente incomodar interesses privados de apropriação dos bens culturais. Sobre o papel da rede mundial de computadores nesse processo (tema de uma canção do ex-Ministro, aliás), basta ler os textos do Professor Sérgio Amadeu, autoridade no assunto, para entender por que a gestão Gil / Juca contraria interesses transnacionais poderosíssimos.

Estava, como sempre, corretíssimo ao dar a notícia o Renato Rovai, quando anunciou em 1ª mão que a nomeação de Ana de Hollanda representava a vitória de um grupo petista que havia bancado seu nome. No Rio de Janeiro, a expressão maior, não é segredo para ninguém, é Antonio Grassi, grande nome da teledramartugia que também é muito conhecido, respeitado, dentro do PT, com grande capilaridade no partido, por motivos óbvios: é um petista histórico, que faz campanha desde sempre. Conta também com nítida simpatia em setores dos grupos de mídia brasileiros.

**********

O curioso é que o fundamental da frente que torna possível a candidatura de Ana de Hollanda passa pelo PT, mas não do Rio, embora, reitero, a notícia do Rovai tenha sido exata: a chancelaria imediata do nome Ana de Hollanda tinha importante âncora em Grassi. Há uma chancela que atravessa a máquina partidária e que, no caso do MinC Dilma, remete a nomes paulistas e mineiros (para não ir mais longe, não é segredo que Fernando Pimentel é muito próximo a Dilma, nem que Palocci é uma chancelaria e ancoragem forte). E há também uma liga que é a que realmente entra em interlocução com Dilma no processo MinC, uma liga baiana. Nesse grupo, destaque-se um nome próximo a Dilma, que tem por bons motivos o respeito da Presidenta, e a quem ninguém com bom senso negaria a condição de um grandes pensadores da cultura brasileira. Falo de Antonio Risério, que compartilha, quase todos reconhecem isso, muito mais com os valores, concepções, pautas e inspirações do Ministério Juca/ Gil do que com aqueles do Ministério Ana de Hollanda—embora, por ruptura pessoal, dolorosa e complicada de se analisar no Minc 2004, as relações de Risério com Gil, e deste com um amigo muito próximo de toda a vida, Roberto Pinho, tenham se estremecido.
antonioriserio.jpg


**********

(sobre as acusações feitas na época a Pinho, e nas quais um irresponsável jornalismo alinhado com os poderosos teve o seu papel, diga-se o seguinte: a apuração do blog indica que não houve jamais corrupção pessoal. Portanto, qualquer condenação a Pinho antes que ele tenha a chance de responder as acusações da PF tem o meu repúdio e não é permitida neste blog; acerca do evento que as envolveu, limite-se aqui a registrar que os que conhecem o ex-Ministro sabem que ainda é motivo de dor para Gil).

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Mas, se a notícia de Rovai estava certa—i.e., a ascensão de Ana de Hollanda foi vitória de grupo petista, e se a política do atual Ministério indica que vai capar, decepar, castrar a mais ousada característica da gestão Juca/ Gil, como é possível explicar esse paradoxo, o de que o PT tenha passado a ser representante de uma visão privatista de cultura, e de que um pensador bem mais afim a Gil que ao privatismo, histórico partícipe de campanhas do PT, tenha cumprido um papel nessa transição? É mais complexo do que parece, porque vários setores do PT (para não ir mais longe, o PT-BA, partes--minoritárias-- do PT-MG, incontáveis petistas que trabalharam no Minc anterior) favoreciam a permanência de Juca Ferreira ao leme, embora ambos ex-Ministros sejam filiados ao PV. Esse setor não se articula muito bem no processo.

Este é um dos nós da transição do Minc 1 ao Minc 2: a heterogênea frente que torna possível a nomeação de Ana de Hollanda.

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Na nomeação para o Ministério da Cultura, a Presidenta entendia—com muito boas razões, diga-se—que se tratava de uma boa pasta para contribuir ao contingente feminino na Esplanada dos Ministérios. Sabendo que o PMDB não vai nomear mulher nenhuma, já tendo os nomes dos Mantega e Palocci para uma série de pastas, e comprometida com a questão, não é de se surpreender que Dilma tenha reservado atenção ao MinC no que se refere a gênero. Nesse contexto, o principal nome a aparecer para apreciação foi o da historiadora e pesquisadora mineira Heloísa Starling. Por várias razões que têm a ver com a composição da frente artística e de cultura de apoio à Dilma, e também com o estado de esfacelamento do PT mineiro—e o blog realmente não apurou até que ponto a Profa. Heloísa quis ser Ministra, em todo caso--, o fato é que o nome da Professora Titular da UFMG não foi adiante.

Ao longo da campanha, outras figuras da cultura tiveram presença importante, como Emir Sader, professor/ editor com históricas ligações com a militância do PT, recém nomeado por Ana de Hollanda para dirigir a Fundação Casa de Rui Barbosa, e chave na organização de importante evento de virada, o ato dos artistas e intelectuais em apoio a Dilma, no Rio de Janeiro.

Estava ali presente uma enorme lista de apoiadores de Dilma na música, no cinema, na TV, na literatura, na universidade, nas artes plásticas. Surpreendente para os mais incautos, também estava no gigante evento alguém de campo claramente antagônico às políticas da gestão Gil/ Juca: Barretão, ou Luiz Carlos Barreto, produtor importante sempre que se fala em política cultural no Brasil. Por boas razões, Barretão passou a ser visto como uma espécie de metonímia dos interesses dos grandes grupos áudio-visuais em geral, e da Globo em particular, quando se discute a formulação de políticas públicas para a cultura no Brasil.

**********


Antes da nomeação do novo MinC, um grupo de artistas se mobilizou pela permanência de Juca, o #ficaJuca bombou no Twitter, mas no mundo real as coisas seguiam outro curso. Isso era, em parte, coerente com a própria filosofia implantada na gestão Gil/Juca, o privilégio às ações disseminadas, rizomáticas, sem comando, confiantes no espontaneísmo geek. Em meio à briga cerrada, de foice, entre macacos velhos que é o processo de nomeação a um Ministério com hegemonia em disputa, convenhamos que não costuma ser a tática mais apropriada. Juca foi presa fácil para a coalizão—heterogênea--de interesses que se reuniam contra ele.

Do ponto de vista das pautas que o Ministério Juca passou a representar, que é o mais importante—e não conheço melhor resumo delas que a carta do pessoal da Cultura Digital à Dilma e à Ana de Hollanda--, muita coisa ainda pode ser feita. Ter claro quais são essas pautas e forçar o atual Ministério a colocá-las em discussão de forma aberta seria um bom começo. Entender que nem todos os setores que bancam a nova Ministra compartilham o compromisso de eliminar ou desqualificar essas pautas seria importante também.

Mas não há dúvidas de que muita coisa, a partir de aqui, será morro acima.

*********



PS 1: Fotos de Ana de Hollanda e Antonio Risério.

PS 2: Natalia Viana organizou histórica entrevista popular com Julian Assange, reproduzida por inúmeros blogs. À la Blog da Petrobras, ela também publicou as outras 350 perguntas recebidas. O mais recente material Wikileaks mostra amplamente a ignomínia que foi o papel de Heráclito Fortes como informante da embaixada dos EUA. Parabéns ao povo do Piauí por jogá-lo à lata de lixo da história. A jornalista Natalia Viana concorre na 7ª edição do Troféu Mulher Imprensa e tem o apoio desta bodega. Vote nela aqui.

PS 3: O grande especialista em Pedro Nava, meu amigo e mestre Antonio Sérgio Bueno, oferece curso sobre a obra do memorialista na Livraria Mineiriana, da Savassi, nas quatro quartas-feiras do mês de março, com início às 19:30 hs. Reservas de vagas com Tião (03197647073) ou Janaína (03184795556). Se estás em BH, te liga.



  Escrito por Idelber às 02:53 | link para este post | Comentários (33)


Comentários

#1

O que importa é: remoção da licença Creative Commons do site do Ministério da Cultura será revista ou não?

nilza bellini em janeiro 30, 2011 7:26 AM


#2

Há um simbolismo que antecipa um dos eixos possíveis para a(s) próxima(s) eleições.

Uma política reconhecida do governo Lula foi efetivada pelo PV!

Entende-se a necessidade de “retomar” para o PT ministérios que foram razoáveis, como o da Saúde, ou foram muito mal, como o das Comunicações.
Pode-se até interpretar isso como um recado ao PMDB

Mas por que não dar continuidade a um trabalho como o do Ministério da Cultura?

O governo Dilma abre mão de trazer o PV, com todas suas contradições, para o governo?

Abre mão de um celeiro de idéias?

Mais ainda, por que afirmar a ruptura em uma área que é e será cada vez mais decisiva em qualquer embate político, a dos novos modos de relacionamento, de troca, de compartilhamento e que vinha dando certo?

Eu e muitos amigos que batalhamos de fato pela eleição da Dilma já tomamos uma “decisão”: se o governo petista não apontar e iniciar a materialização de novidades nas áreas ambiental e cultural desde já iremos dirigir nossos votos para candidaturas progressistas de fato, ainda que sem chances de vitória, ou para o voto nulo, na falta de opções.

Do mesmo modo, para não dizer que somos alienados “light”, também queremos que daqui a quatro anos a questão dos juros e da dívida pública esteja melhor, bem melhor encaminhada e que a discussão sobre a corrupção seja melhor trabalhada, escapando ao dilema moralismo X indiferença.

E não vai valer dizer que será um retrocesso esse posicionamento, que estaremos ajudando os tucanos e o PIG a retomar o poder.

Daqui a quatro anos queremos um Brasil pensando, produzindo, criando novas fontes de energia; um Brasil pensando e ajudando a determinar os caminhos das novas formas de produção e disseminação da cultura; um Brasil gastando menos em juros para poder pagar salários aos professores (e não a ajuda de custo que hoje eles recebem); e um Brasil que encaminhe a discussão de um Estado menos necessitado de favores a este ou aquele político, o que passa por uma mudança política ( eu não voto mais numa coligação PT-PMDB)

Acho que a polêmica do MINC tem muito a ver com tudo isso

rabbit em janeiro 30, 2011 10:29 AM


#3

Oi, Rabbit, certíssimo, mas há que se pontuar uma coisa: a política não foi exatamente "efetivada pelo PV". Ela foi efetivada por Gil, Juca e equipe--esta última cheia de gente do PT e eles, os dois, bem distantes da máquina partidária do PV, seja o PV-BA, o PV-RJ ou qualquer outro. Eu vejo Juca e Gil, apesar de filiados ao PV, como figuras que não se reduzem ao partido. São voos solos, por assim dizer.

Nilza, nem sei se isso é o que mais importa agora, mas acho difícil.

Idelber em janeiro 30, 2011 10:52 AM


#4

De acordíssimo!

Acrescento que são pessoas como Gil e Juca que não devemos alienar da caminhada para um futuro que queremos

rabbit em janeiro 30, 2011 11:31 AM


#5

Gostaria de deixar aqui os meus parabéns pelo excelente blog e também fazer uma sugestão: a de publicar uma postagem aqui informando sobre a existencia do "Portal das Video Aulas", um site que reuni diversas video-aulas gratuitas, que vão desde aulas de inglês, até como tocar violão... com o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento no Brasil. O endereço do site é www.portaldasvideoaulas.com.br
Obrigado......

Alexandre em janeiro 30, 2011 12:09 PM


#6

idelber, parabéns pelo excelente post, interessante não apenas para quem deseja tomar pé nas questões recentes que envolvem a nova ministra, mas também para recuperar algumas discussões em torno do minc nos últimos anos. você poderia indicar links de blogs ou coletivos que vêm fazendo esse acompanhamento na área de ciência e tecnologia? como andam as discussões sobre mercadante e os rumos dessa pasta?

grande abraço!

fabio em janeiro 30, 2011 12:45 PM


#7

Parabéns! Uma excelente síntese. O texto fechou muitas lacunas para mim!
abraço

Arakin Monteiro em janeiro 30, 2011 1:22 PM


#8

Um bom - e providencial - texto, Idelber. Eu escrevi recentemente sobre o tema; sim, existe algo que tem a ver com o tamanho e o caráter heterogêneo da base de apoio a Dilma - como ocorria com Lula - e também com a própria diversidade petista, tudo isso somado a um estilo de fazer política que, não raro, contorna polêmicas no lugar de resolvê-las e as traz para esfera de debates ao melhor estilo sindical - colocando em pé de igualdade coisas que não são iguais, basta lembrar dos termos da dualidade de poder entre Fazenda e BC nos anos Lula.

Dilma, administrativamente, tem méritos incontestáveis - basta ver como ela organizou a equipe econômica - assim como não é boba em matéria política, mas é óbvio que lhe falta uma densidade maior na segunda área. Arrisco em repetir aqui o que já disse lá no meu blog: De grandes reformas, o PT terá a política, de resto, será um misto de intervenções tópicas em escala microscópica, mas que nem por isso são desimportantes - aliás, muito pelo contrário. Isso inclui a área da Cultura, que, lamentavelmente, era um setor que tinha uma base muito boa herdada de Lula (diferentemente das Comunicações) que agora sofreu um retrocesso. Isso vai exigir um aprimoramento e uma inteligência política grande, algo que me preocupa verdadeiramente quando lembro que temos uma pessoa como Palocci na Casa Civil, seja por ele não ser um homem da área propriamente política ou por sua falta de criatividade - é um arauto do caminho único, ainda que com face humana. Para além do problema específico da Cultura, essa questão sistemática virá à tona mais vezes.

Hugo Albuquerque em janeiro 30, 2011 1:52 PM


#9

"O incrível, então, é que, no Ministério Juca/ Gil, a Cultura deixa de ser focalizada em termos de conteúdo, e passa a ganhar mais relevo a questão legal-econômica."


isto é: Reforma Cultural, igualzinha a Reforma Sanitária 20 anos atras.

Antes do SUS discutia-se o que na saude devia ser de todos (vacina), sob pena de os nao-cobertos prejudicarem indiretamente os cobertos, e o que deveria ser apenas dos que pagavam o INSS (leito hospitalar), criando para fora disso a classe de indigentes.

com a Constituição de 1988 e as duas Leis Orgânicas da Saúde fica claro o seguinte: paga por sua saude, suplementarmente, quem quiser; mas ela deixa de ser parte da seguridade social contributiva; e todos os procedimentos devem ser universalizados e gratuitos (nota minha: inclusive mudança de sexo), sendo alguns exclusivamente públicos (HIV/AIDS, hemoderivados, transplantes de órgãos).

Isso artista nenhum vai entender, e muitos críticos culturais tambem nao. Porque isso é parte das Reformas de Estado em direção ao bem-estar social, isso é politica publica hard e macro, isso é coisa de servidor público de carreira. Como eu, por exemplo - modesta e orgulhosamente.


Tocando este ponto, mas focando a heróica gestão de Márcio Meirelles na hoje mais importante Secretaria Estadual de Cultura do país (a da Bahia, que nunca existira até 4 anos atrás), já havia escrito aqui -> http://ultimobaile.com/?p=2239

Lucas Jerzy Portela em janeiro 30, 2011 2:20 PM


#10

Risério é quem melhor entendeu a Avant-Gard do período Octávio Mangabeira - Luiz Viana Filho. Político, no sentido adjetivo do termo, soube manter-se próximo de ACM sem ceder ao carlismo.

Mas tem idéias também questionáveis, inclusive do ponto de vista urbano: uma defesa, ao meu ver equivocada por radicalismo, de uma "carioquização" da relaçao orla-centro em Salvador (uma cidade barroca e encarapixada em montanhas, exato oposto do Rio de Janeiro nesse aspecto).

Por fim, é marido de uma das grandes professoras que tive na graduação: Taya Soledade-Risério, que por sorte foi intelectualmente próxima de mim - e me botou pra ler Vigotsky (talvez isso explique em parte meu trânsito da Psicologia Clínica para a Crítica Cultural).

Lucas Jerzy Portela em janeiro 30, 2011 2:24 PM


#11

Idelber,

fui lá votar na Natália Vianna, mas a gente é obrigada a opinar também numa segunda lista. Não conheço nenhuma das concorrentes, não tenho tempo para ir atrás de saber exatamente se são todas reacionárias demais. Vale pedir um conselho também ali?

Talitha em janeiro 30, 2011 3:40 PM


#12

Rabbit,

tenho uma professora que fala: "voto nulo é coisa que a gente fazia no tempo da ditadura, quando não tinha opção."
sobre votos em candidaturas realmente progressistas, bem, isso implicaria em alguém construir tais candidaturas e o pv, nem de longe, fez isso nas últimas eleições.
acho meio precipitado dizer que o pv é um celeiro de idéias. eu acho o gilberto gil um gênio, isso sim, sob muitos aspectos, e por razões dele lá sua história política foi construída no pv. agora, essas contradições existem, temos baixas, disputas, creio que mobilizar-se é justo e necessário, é o que resta. mas lembremos que se dependesse do que o pv fez no segundo turno, a esta hora não seriam exatamente essas as disputas em torno dos ministérios. melhor dizendo, não teria disputa nenhuma - sem o governo Dilma, sabemos que não existiria sequer interlocução com a sociedade.

Talitha em janeiro 30, 2011 3:51 PM


#13

Talitha

pois é, a aproximação com o campo ecológico (na falta de melhor conceituação) é talvez a maior batalha para os próximos embates políticos

significa, entre tantas outras coisas, aproximação com a juventude, significa pensar o futuro

deixar essa questão de lado é permitir o crescimento do PV conservador como ele existe hoje

e é tornar o PT, o PCdoB e outros cristalizarem uma imagem - aliás, imagem não, uma postura - também conservadora, iluminista, desenvolvimentista, estritamente materialista

uma visão de que será através do estado que os problemas se resolverão

eu e várias outras pessoas estamos propondo essa discussão política desde já

queremos propostas para diminuir a indústria automobilística, por exemplo, num horizonte de trinta anos

queremos diminuir o tamanho das grandes cidades

queremos candidatos a prefeitos que discutam isso

e por aí vai, pois de repente estamos fugindo ao escopo do Blog

se formos conservadores em cultura, o que dirá em reação ao resto


rabbit em janeiro 30, 2011 4:21 PM


#14

'ao escopo do post', não do blog

rabbit em janeiro 30, 2011 4:22 PM


#15

Vc está errado caro blogueiro, quando diz ser diferente a relação de Ana de Hollanda como compositora, ou cantora, e os dois outros compositores e cantores. Ela quis dizer que a relação dela é como associada. Entendeu mal e aumentou ainda mais a confusão. Existe um conflito entre a antiga gestão e atual? Sim existe. A anterior foi largada ao vento, ao Deus dará. Ali tomou espaço grande militantes não necessariamente do PT. Não se aplica pois nenhuma relação a hipotética briga por espaço acontecendo no momento entre PMDB e PT. A relação entre os dois partidos é feita dentro do restrito acordo feito e sacramentado antes e durante as eleições de Outubro. Ajuda ai parceiro, não cofunda as coisas. A não ser que você tenha aparecido no pedaço para fazer o papel de Chacrinha.

Jair Alves

Jair Alves em janeiro 30, 2011 4:29 PM


#16

Fui lulista os oito anos e participei intensamente da campanha de Dilma. E, junto de milhões de brasileiros, votei pela CONTINUIDADE do governo Lula.

É inaceitável, da perspectiva democrática, um ministério guinar 180 graus numa das políticas mais centrais e ousadas do governo Lula, na cultura. Significa a mais deslavada traição do voto.

Não se trata somente dela boicotar o Creative Commons ou compartilhar lençóis com o ECAD. Nem de usar o pretexto nacionalista, --- o tipo de nacionalismo que a MicroSoft e o Departamento de Estado dos EUA adoram.

Trata-se, sim, de uma mudança radical de concepção do que seja cultura, difusão do conhecimento e mesmo democracia no mundo contemporâneo.

Não é só um tema "cultural", mas central no modo de produção pós-industrial. Estamos falando da cura da AIDS, da constituição de um espaço público mundial (Wikileaks, Wikipedia, mídia global), do acesso generalizado pelos cidadãos, principalmente os pobres, aos bens culturais e, mais importante, à possibilidade de também produzir cultura/conhecimento/valor.

A ministra não consegue falar três frases sem citar 1) a propriedade intelectual, 2) a "classe artística", 3) as raízes da cultura brasileira.

De uma atuação extraordinariamente democrática e vanguardista, com Gilberto Gil e Juca Ferreira, retorna-0se à concepção nacional-industrial de cultura, e à concepção identitária de cultura brasileira, --- o que por sinal é uma mazela de vários setores desse governo (o nacional-desenvolvimentismo de esquerda).

A ministra pretende aplicar um modelo de indústria criativa, de arte como produção de uma classe separada, e de um ministério que não é da cultura, mas desses medalhões. A subida ao palco dos medalhões ao palco durante a campanha simboliza à perfeição esse 'takeover' sobre a multidão de cidadãos-produtores-artistas.

É a transposição da República Platônica ao MINC: o "grande" artista como casta de ouro, os produtores e agentes culturais como de prata, o povão como de bronze.

A concepção de Gil, tropicalista e antropofágica, desdobrava a atividade cultural como rede difusa na sociedade, como produção imanente de cidadania, como bens COMUNS e não propriedade, produzida de cima pra baixo.

Há com Ana de Hollanda uma virada grotesca e ela não pode esperar menos do que uma mobilização encolerizada, como a de Sérgio Amadeu, militante do softaware livre.

As políticas de Lula/Gil não saíram prontas da cabeça de Júpiter: foram construídas no compasso de fóruns, simpósios, encontros, reuniões online. E sim, incomodou muita gente, deixou-as irritadíssimas: a Globo, as grandes produtoras, as gravadoras, o ECAD, a IIPA, a "classe artística" que viu um ministério corporativista transformar-se em ponta-de-lança do governo Lula.

A ministra começou a "acertar as contas" com a cultura livre e toda essa imanência produtiva promovida com Lula e Gil. E faz isso de modo imperial, sem transparência. E, assim, só comprova o que já se dizia: não está preparada. Não está preparada para liderar o mais brilhante ministério, em matéria de políticas públicas (pontos e pontões, editais transversais, software livre, disputa do paradigma primeiromundista sobre difusão do conhecimento), durante o governo Lula.

Menos que incompetência dela, é incapacidade política e, continuar o governo Lula/Gil, seja por suas relações íntimas com direitos autorais, seja por sua visão conservadora de "classe artística" e produção cultural.

Esse ministério não pode ser chamado sequer de esquerda, se favorecer os latifundiários da cultura, sob o slogan "economia criativa", em vez dos agentes e produtores articulados em rede pelo Brasil.

Contestada, a ministra tergiversa sobre suas medidas e conta meia-verdades. Ora, ministra Ana de Hollanda, a senhora não está organizando um show, mas liderando um ministério do Governo Dilma, que continua o Governo Lula. É razoável exigir transparência.

A ministra deve prestar contas e discutir abertamente o seu programa, antes de qualquer decisão, principalmente se pretende interromper e contrariar as políticas mais essenciais do governo Lula/Gil. Se planeja contornar as propostas de campanha de Dilma.

Até agora, não compreendo como Ana de Hollanda foi escolhida: se foi diretiva do partido (o que lhe cobre de responsabilidade política), se foi certa gratidão com Chico Buarque, se realmente faz sentido dentro de certo nacional-desenvolvimentismo do governo, se foi reação contra a democracia propugnada por Juca/Gil, ou se foi tudo isso junto em proporções diversas.

O fato é que há pessoas muito mais preparadas, do ponto de vista artístico, político, cultural, democrático, de todos os ângulos.

Dou só um exemplo: Tom Zé, 64. Me parece o cara talhado pro desafio de continuar o governo Lula/Gil/Juca. Decerto mais antropofágico e sensível à luta de cultura livre, que tanto gerou orgulho na esquerda (e irritação da direita proprietária), durante os últimos oito anos.

Bruno Cava em janeiro 30, 2011 4:49 PM


#17

Vc está errado caro blogueiro, quando diz ser diferente a relação de Ana de Hollanda como compositora, ou cantora, e os dois outros compositores e cantores. Ela quis dizer que a relação dela é como associada.

E eu quis dizer que a associada Ana de Hollanda, pela história de suas posições sobre questões referentes aos direitos autorais, mantém com o ECAD relação diferente daquela que mantém o associado Gilberto Gil. Será que fui eu quem se confundiu? Creio que não.

Idelber em janeiro 30, 2011 5:04 PM


#18

Pessoal, a política é sustentada pelo poder. Embora filiados ao PV, o ministro Gil e o ministro Juca nunca se mantiveram no cargo por isso, aliás, muito pelo contrário. Se mantiveram por manter contato com formas vanguardistas de se pensar a política cultural no país. Nisso, foram acompanhados por produtores, criadores, gestores e pensadores da cultura. Dos partidos, o maior número de pessoas vinha do PT e do PC do B (por exemplo, o Manoel Rangel da Ancine e o Célio Turino, que criou os pontos de cultura). Mas o ministério era relativamente apartidário.

O ministério da Ana de Holanda também nparece ser feito de uma coalizão bastante heterogênea. O erro da crítica parece a personalização. É necessário politizart a discussão e descobrirmos flancos possíveis para avançarmos no que a gestão anterior teve de boa.

Tiago Mesquita em janeiro 30, 2011 7:55 PM


#19

Pessoal, avisei no Twitter, mas deixo o aviso aqui também: acabo de fazer longa entrevista, de uns 40 minutos, com Antonio Risério. Ele é otimista, acha que não há retrocesso à vista, e afirma, entre outras coisas, "Ana tem a melhor das virtudes, saber ouvir". Vou fazer uma seleção dessa entrevista e publicá-la nos próximos dias. Ou, pelo menos, fazer um post-relato a partir dela. Abraços.

Idelber em janeiro 30, 2011 8:03 PM


#20

Logico que vc esta certo sobre a diferença da relação de Gil e de Ana com o ECAD.
Aqui fica bem claro sua historica posição.

Ana de Holanda visita o blog de Grassi só para dar seu pitaco sobre o que ela coloca entre aspas "Democratização do Acesso"
http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=240&postId=4332&permalink=true

Vale tambem Idelber a leitura desta materia de Arakin Monteiro.
Um dos articuladores da carta aberta que vc cita.
http://arakinmonteiro.wordpress.com/2011/01/29/o-ministerio-da-cultura-e-o-perigo-do-ai5-cultural/

Aqui falo da estinção da SID-Secretaria da diversidade e Identidade por Ana de Holanda.

http://www.culturaemercado.com.br/opiniao/pontos-de-vista/o-discurso-de-manevy-e-o-retrocesso-do-novo-minc/
Abraços e parabens pela otima analise.

Carlos Henrique Machado em janeiro 30, 2011 11:41 PM


#21

Sua análise é bastante profunda e consequente. Acho que a polêmica em torno do CC foi, como disse o Rovai, simbólica da ruptura. Ruptura que, aliás, já havia se anunciado muito antes. Infelizmente, para ambos os lados e para nós. Fiquei muito triste, pois a gestão GIL-JUCA teve muito mais méritos do que deméritos. E também porque essa ruptura desgastará desnecessariamente um Ministério fundamental para quem pensa a transformação verdadeira do país. O fato do ex-ministro ser do PV, um partido de centro-direita na maioria dos estados, também pesou contra sua continuação no ministério. Enfim, acho que não se pode ver a cultura a partir do ponto de vista do artista exclusivamente, ainda mais se os artistas a serem levados em consideração forem o do mainstream. Os atores são múltiplos, diversos e com interesses conflitantes.

Fontinatti em janeiro 31, 2011 12:00 AM


#22

Ótimos links, Carlos, obrigado, e o comentário da Ministra deixa claro o prisma pelo qual ela vê a coisa. Não há como ser mais explícito do que ela foi ali.

É contundente e bem escrito o texto do Carlos Henrique Machado Freitas. As referências à fala do Alfredo Manevy são muito boas, e batem com as que tenho -- sempre muito positivas quanto à visão que tinha o Manevy no Ministério. Eu espero que o Carlos esteja errado, que eu esteja errado, enfim, mas o argumento colocado lá está muito bem posto. Obrigado também pelo link ao blog do Arakin, estou ligado nele. Fontinatti, verdade o que dizes, a filiação partidária não ajudou de jeito nenhum neste caso. Abraços.

Idelber em janeiro 31, 2011 1:44 AM


#23

Ótimo texto Idelber! Bom saber que o Risério está, de algumaa forma, "mediando" a transição. Não deixa de ser um alento em meio às adversidades. Aguardamos ansiosos a publicação da entrevista. Tentei algumas vezes contactá-lo para uma matéria na revista que editamos e nunca consegui alcançar o homem!
Sem dúvida a questão não é mais o retorno ou não do CC ao site do MinC. A questão é até onde vai o alinhamento dessa gestão com o discurso do ECAD e das entidades arrecadadoras, mais especificamente UBC e ABRAMUS. A questão é saber em que termos será reaberto o debate sobre a revisão da Lei dos Direitos Autorais e qual vai ser o encaminhamento dado às reivindicações da Carta Aberta da Cultura Digital.
Meu maior receio é que a Ana seja um trampolim para o Grassi chegar ao MinC - já bati aqui na madeira...
Tentei fazer aqui uma espécie de balanço da gestão Gil/Juca a partir de uma perspectiva tropicalista programática: http://www.overmundo.com.br/overblog/politica-da-cultura-e-cultura-na-politica
Acho que agora a sociedade civil que se organizou e ganhou poder de interlocução nesses anos precisa estar atenta e forte pra pressionar. Não é assim que funciona - ou deveria funcionar - numa democracia?
Mais uma coisa, a campanha pelo nome do Tom Zé é simbólica, mas deu a dimensão da insatisfação e incerteza de quem estava aguardando um ministério da Cultura Livre!

Maakely em janeiro 31, 2011 2:34 AM


#24

Pois é, Maakely. Ela só tirou o CC do ar? Como assim *só*? o Creative Commons é peça fundamental na luta do mundo contra o copyright.

Se o problema é remunerar o Artista, 99% não têm como ser remunerado pela exploração da propriedade intelectual. É até erro conceitual pensar o contrário: como se o trabalho não fosse alienado no capitalismo. Como se o direito da propriedade não fosse, justamente, uma ferramenta dessa exploração. Nunca o caminho para propiciar renda e liberdade. Quem explora a produção-cultura não é o produtor-cultura (senão viveríamos num mundo comunista), mas os atravessadores, e os medalhões apascentados pelo establishment capitalista-publicitário (a celebridade que legitima a divisão social em primeiro lugar).

Ademais, se ela tirou o CC, por que não tirou também o Wordpress do site? faz tudo um software Gurgel ministerial, ao invés de usar o código aberto produzido em rede transversalmente pelo mundo.

Não tem jeito, trata-se de discordância POLÍTICA, de concepção do que seja cultura, liberdade e renda; e não meramente de gestão, administrativa ou conjuntural. Não tem jeito dela continuar sem atrapalhar o processo constituinte que, se antes corria "apesar" dos governos, com Lula/Gil/Juca passou a ser "lado a lado".

Estarei hoje, e com muito ímpeto, no lançamento da frente no pontão da ECO/UFRJ.

O tropicalista Tom Zé no MINC é simbólico e por isso mesmo subscrevo (Gil um dia também era uma idéia mirabolante). Lancei uma "cause" pró-Tom Zé no Facebook e em pouco mais de 24 horas já tem mais de 50 subscrições.

http://www.causes.com/causes/571397-tom-z-ministro-da-cultura?m=c44cf46b

Bruno Cava em janeiro 31, 2011 9:56 AM


#25

Acho pertinente a avaliação da transição Lula-Dilma no MinC, entretanto acredito que diferente do que alguns postaram é uma questão personalizada sim a politicagem - não politica - que envolve a nomeação de um ministro ou qualquer cargo de confiança governamental.
Dentro dessa lógica levanto duas questões: Se em menos de um mês de gestão a medida autoritária da retirada do CC do site foi tomada, onde está a "Ana que ouve?" Será que ainda há esperanças reais quanto a continuidade - não pelo não fim, mas pela manutenção em vários sentidos - dos projetos antecessores ao novo esquema do MinC será realmente considerada por alguem que toma e defende de forma clara em seu discurso o direito autoral mais rigoroso em moldes estadusunidenses?
Acredito que até agora a prática vem sendo bem coerente com o discurso de posse, e que me decepciona, tanto pela indicação quanto pelo partido da ministra, PCB, quanto pela desconsideração com o Plano de Cultura do ex-presidente.
Alguns membros do partido, PT, acreditam que isso tem cara de cala-boca para algumas figuras indecisas, outros acreditam que é uma forma de devolver favores de campanha. sendo uma coisa ou outra, o fato é que o descontentamento vem crescendo e ações e discussões tem que ser expandidas.
O que não pode ser esquecido são os projetos em andamentos, e pior que isso, negligenciados.

stella em janeiro 31, 2011 11:35 AM


#26

Idelber e companheiros comentaristas

Primeiro quero parabenizar a todos pelo alto nível das observações, o que, mais que me alivia, alegra-me e, de certa forma acabo comemorando essa zica provocada pelos primeiros passos de Ana de Hollanda como ministra. Por isso quero pontuar este trecho do artigo de Idelber que, a meu ver, é fundamental quando cita o que denunciou o Professor Sergio Amadeu, “por que a gestão Gil/Juca contraria interesses transnacionais poderosíssimos”.

Há mais ou menos três anos mantenho uma coluna no site Cultura e Mercado que é fundamentalmente em sua mensagem, um site voltado aos negócios da cultura e, portanto, propõe uma interpretação multidisciplinar restrita ao mundo do neoliberalismo cultural. Escrevo de forma regular não só os meus textos como também participo intensamente do debate. Aprendi a conhecer como se constrói a confusão dos espíritos dentro do universo cultural que é por si só um universo de múltiplas interpretações. Portanto, ao mesmo tempo em que propõe uma liberdade sem fronteiras, a cultura, dependendo do seu manuseio, cria uma situação inversa. Pela minha própria vivência como músico sabia do limite do discurso neoliberal frente às realidades vividas pela cultura brasileira. Não conseguia achar uma única semente de evolução positiva que a gestão da cultura corporativa tinha produzido nesses praticamente vinte anos em que a Lei Rouanet passou a ditar a pauta e, consequentemente tentando regular a vida coletiva da cultura brasileira. Identificar as diferenças entre os pontos de vista ético não foi a mais difícil das missões, não havia nenhuma convergência na causa dos neoliberais da cultura que pudesse ser considerada um fato natural de um pensamento ético republicano e democrático. Percebia a pobreza produzida politicamente pelas empresas, seus institutos e fundações que se apresentavam como os novos pais das letras e das artes no Brasil, movidas misericordiosamente pelo mecanismo do mecenato restituído com recursos públicos.

Portanto, identificar que, quanto mais esse processo se expandia, mais aumentava o desemprego dos profissionais da cultura, também foi por mim igualmente percebido. Acontece que cânones científicos de toda essa pobreza se vendiam e se vendem como remédio absoluto para a questão do desemprego na cultura se colocando como os principais atores e, portanto, motor essencial e definidor dos processos evolutivos. Nada mais mentiroso. Nada menos colaborativo. Nada mais ideologizado pelo fragilíssimo ambiente de fazer da figura do cidadão comum uma presa fácil do grande fundamentalismo neoliberal.

Acontece que, para juntar todas essas peças para entender a unicidade técnica que dão aos gestores corporativos papel determinante na vida da cultura institucional hoje no Brasil, tive que entender o funcionamento de um sistema que associava política de direita, técnicas cada vez mais burocratizantes dominadas por poucos e uma espécie de tratado conceitual que têm como resultado o estabelecimento do conceito de competitividade. Mesmo isso é uma grande mentira, pois não passa de uma crueldade instável quando sai do campo das novas técnicas e joga todo esse elemento conceitual numa ficção universal, numa mundialização do produto cultural, permitindo somente as classes dominantes, no caso os próprios, estabelecerem vínculos com a globalização cultural. Tudo um saco de bobagens.

A partir de então passei a analisar não o pensamento, mas o pensador para saber como conseguia criar uma avassaladora esquizofrenia no espaço cultural. Fui puxando a meada e entendendo por que esses gestores têm o benefício exclusivo, mesmo arrotando tantas patacoadas sobre cultura e apresentando resultados de suas cátedras comerciais tão falidos e fracassados.
Abro parênteses aqui para o Itaú Cultural que, para erguer o seu faraônico instituto na Paulista, lançou mão de recursos públicos, na época, a Lei Sarney. Instituto no qual no último balanço anual do Ministério da Cultura sobre os maiores captadores, o Itaú Cultural ostenta a ponta da lista como o maior captador. Mas mesmo sendo isso um escracho de abuso de poder político e econômico do Itaú, esses recursos se comparados ao patrimônio do mesmo, são fichinha e seria ingênuo imaginar que um banco estaria nisso por uma merreca de, aproximadamente 100 milhões.

Despertei para tudo isso quando no golpe de Honduras, o IImo. “sociólogo” Demetrio Magnoli, além de fazer questão de enfatizar que o golpe era lícito, ou seja, não era um golpe, ele, entre outras carteiradas pra se valer de o grande pensador, fez aquele típico “ah, sou quase um representante do Instituto Millenium!”, aquele instituto de notáveis que todos conhecemos, que de tanto enfiar o pé na jaca com Jabor, Arnaldo Azevedo e Marcelo Madureira naquele ridículo encontro, ficou excessivamente pixotesco e caricatural. Porém, ainda assim, naquele momento me veio um estalo... Que, na verdade, esses institutos usam seu marketing não para vender os seus produtos, mas sim seus perigosos conceitos, tanto que considero hoje a GIFE, mãe de todos os institutos e fundações, uma entidade perigosa para a democracia brasileira, por construir uma coluna de fazedores de consenso.

O meu grande conselheiro para entender toda essa construção mapeada, na cultura, pelos institutos, recorri ao fundamental livro de Milton Santos “Por uma outra globalização”, aonde Milton não só destrincha todo o mecanismo construído pela ideologia neoliberal das grandes corporações e dos perigosos conglomerados, como propõe um caminho para outra consciência universal que possa deter a teia perigosa do pensamento único.

Milton Santos literalmente simplifica em que tipo de situação hoje estão os possuidores e em que tipo de situação estão os não possuidores. Nesse livro, Milton Santos mostra com muita propriedade o que ele classifica como globaritarismo ou os novos totalitarismos estabelecidos pelo sistema sórdido e perverso que a financeirização impôs a todo o sistema produtivo a partir do ideário das técnicas de mercado.

Portanto, quando o governo Lula, na gestão Gil/Juca cria os pontos de cultura que se identificam imediatamente com a sociedade brasileira, sobretudo com as camadas mais pobres, o Ministério da Cultura torna-se o Ministério politicamente mais estratégico do governo, porque, dando voz e liberdade aos muitos pontos de cultura Brasil afora sobretudo as camadas mais pobres da sociedade e sua diversidade de expressão e pensamento, ele não só mobiliza a sociedade, como a liberta do pensamento único, atingindo frontalmente a coluna vertebral da GIFE, dos construtores de consenso.

Na verdade, o governo Lula criou um conjunto de variedades que deu legitimidade concreta e reforçada à liberdade de pensamento e ação, furando, ou melhor, cupinizando os sistemas técnicos, políticos e hegemônicos, como papel unificador das técnicas de informação produzidas pelo alinhamento através dos institutos e fundações das grandes corporações.

Por isso comemoro tanto ver a sociedade e não os “especialistas” de gestão cultural debatendo todas as questões políticas que desaguaram a partir das declarações seguidas de atos, de Ana de Hollanda. O que me parece fundamental é que a sociedade hoje está vigilante e a extinção da SID (Secretaria da Identidade e Diversidade), por exemplo, está sendo muito criticada e também a retirada do Creative Commons. Mesmo que as duas se completem num processo natural de interfecundação.
Vejo também com muita preocupação, e espero eu a sociedade esteja atenta a isso, que tanto os medalhões do mundo artístico quanto os da gestão corporativa estão, de maneira mais escrachada ou mais sutil, tentando desconstruir a importância dos pontos de cultura. Um desses medalhões artísticos ligados ao ECAD que se intitula o patrono da cultura nacional e que é um dos conselheiros espirituais de Ana, chega ao cúmulo de afirmar que o projeto Pixinguinha foi sacado do MinC para dar lugar aos pontos de cultura, lógico, dando valores imperativos a um projeto que só funcionou verdadeiramente na década de 1970, quando ainda carregava a aura do projeto “Seis e Meia” de Albino Pinheiro. As edições seguintes tanto no governo de FHC quanto de Lula, o projeto Pixinguinha sequer foi sombra do projeto original.

Já o pelotão da gestão corporativa, intimamente ligado aos institutos e fundações das grandes corporações tentam persuadir as pessoas sobre uma suposta ineficiência de operação pelo MinC dos sistemas que movem o pontos de cultura, baseado na carta magna da meritocracia neoliberal.

Acho que o debate vem ganhando um corpo extraordinário. Algumas informações em muitos blogs ainda estão desencontradas. Aqui neste espaço é que percebo o nível do debate que vai estimular um pensamento mais global sobre o que está em jogo em todas essas questões.

Peço desculpas por me alongar tanto, mas achei essencial dar esta minha contribuição.

Um abraço a todos.

Carlos Henrique Machado em janeiro 31, 2011 1:32 PM


#27

Idelber, obrigado pelo ótimo artigo, que me parece sintetizar bem os diversos componentes em jogo desta polêmica.

Destaco, especialmente:

1 - a explicitação da existência dos dois modelos diferentes de se encarar a cultura, um privilegiando conteúdos a priori, e outro privilegiando o fluxo de qualquer conteúdo. Para mim, isto parece esclarecer bastante a questão, ao mesmo tempo que oferece as bases para a tomada de qualquer posicionamento - meu e de qualquer um. Sem ter base nenhuma, e de forma algo precipitada, arrisco dizer que o segundo modelo estaria mais adequado e coerente à visão inclusiva que marcou o governo Lula e, suponho, continuará com Dilma. Ainda de forma leviana, diria que o estabelecimento apriorístico de conteúdos do primeiro modelo "cheira" um pouco a uma visão algo antiquada, hierarquizada, elitista, e meio anacrônica mesmo, de sociedade, que não combina muito com o mundo em que vivemos. É como se esse modelo pretendesse estabelecer critérios de qualidade a partir dos quais seriam então eleitos os conteúdos o que, repito, "cheira" a uma excessiva centralização da cultura. Enfim, você podia desenvolver mais este ponto que, a meu ver, parece ser fundamental.

2 - o fato de você ter incluído uma visão aparentemente mais isenta - embora não acredite muito em isenção. Refiro-me ao link para a Lady Rasta. Há ali alguns pontos muito interessantes.

Saudações

Gustavo em janeiro 31, 2011 2:32 PM


#28

Carlos, eu é que agradeço que você tenha tomado o tempo de escrever um comentário tão rico, do ponto de vista de alguém que acompanhou por dentro os debates chave que informam a gestão do MinC e o entendimento da cultura no Brasil. Vou ter que responder de forma mais detida outro dia, mas quero agradecer especialmente a menção a essa defesa meio hipócrita que se faz do Projeto Pixinguinha em algumas comarcas, como se a mera aura desse nome ("Pixinguinha") bastasse, e como se o projeto nos anos 90/00 tivesse sido, como você lembra, o mesmo de outras eras. Também acho que a saída é a abertura de forma mais ampla do debate -- é, em todo caso, o que nos resta. Forte abraço e obrigado pelo comentário tão rico.

Gracias, Gustavo, e, sim, eu tampouco acredito em isenção. Creio que minha posição fica mais ou menos clara no artigo. Mas é o que você diz, respeito aos fatos também é bom, e há muitos fatos em torno dessa transição que devem ser parte da equação. O post da Lady Rasta, ao mostrar de forma abalizada um entendimento possível no campo do Direito acerca do furdunço licença CC/ MinC, também é parte importante dessa conversa.

Sergio Amadeu, claro, é um nome gigante a se ouvir daqui em diante. Assim como todos os envolvidos nas iniciativas como a Casa de Cultura Digital e várias outras.

Em breve, um post sobre o papo com o Risério (não sei se a transcrição da entrevista toda, que é bem longa, mas com certeza várias citações dele). Abraços.

Idelber em janeiro 31, 2011 3:51 PM


#29

Idelber, obrigado.

Teu blog é bom pra caralho (não há forma melhor de dizer), estou sempre aqui. Leio tudo, comento pouco.

Nesta história do MinC, em que passei por todos os links daqui e por outros tantos, há um pequeno trecho que chamou muito minha atenção por indicar todo um paradigma ético-político e por explicitar de maneira singela grande parte das questões para as quais este início de gestão Ana de Hollanda apontam.

É o fechamento do discurso de posse da ministra: "A criação será o centro do sistema solar de nossas políticas culturais e do nosso fazer cotidiano. Por uma razão muito simples: não existe arte sem artista"

Embora a razão não me pareça simples e nem mesmo a afirmação me pareça incontestável (mas nem vou entrar nesta discussão aqui), ela deixou menos surpreendente tudo o que foi dito e acontecido desde então.

Morro acima e com vento contra...

Bernardo em janeiro 31, 2011 4:18 PM


#30

Pois é, eis o ministério da classe artística, dos Artistas; e não da cultura como usina para a produção de sentidos e valores, imanente à vida, ao social, à partilha de mundos.

Como política cultural, retoma a cultura como indústria nacional brasileira (triplo erro) da era Vargas (quem falou bossa nova).

Como política da arte, resgata o brasilianismo pré-modernismo, pré-tropicalismo, pré-arte conceitual.

A subida ao palco na campanha de Dilma foi o início de um golpe branco no MinC e suas políticas outrora tão multitudinárias.

Bruno Cava em janeiro 31, 2011 5:41 PM


#31

Aguardemos a entrevista do Idelber com o Risério, poeta, pesquisador, antropólogo e alguém por dentro de várias jogadas de bastidores artísticos e políticos.
Tomara que não seja apenas o lado mineiro desse baiano quentíssimo que o leve a defender a indicação de Ana para o MinC.
Isso foi mesmo um banho de água fria.

Jair Fonseca em janeiro 31, 2011 6:21 PM


#32

Apenas como complemento à discussão, publico hoje um artigo em que tento qualificar esse debate e apresentar os riscos de uma nova visão sendo gestada nos gabinetes do MinC: http://quadradodosloucos.blogspot.com/2011/02/minc-parte-que-nos-cabe-desse.html

Bruno Cava em fevereiro 5, 2011 5:58 PM


#33

E, ampliando o debate, o MinC agora usa capangas para atacar opositores, mesmo dentro do PT. Capangas da gravadora da Ministra, aliás... Suspeito? http://tsavkko.blogspot.com/2011/02/ministra-ana-de-hollanda-desmascarada.html

Raphael Tsavkko Garcia em fevereiro 13, 2011 4:33 PM