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quinta-feira, 10 de fevereiro 2011

31º aniversário do PT: algumas memórias

Ocorreu num domingo, no dia 10 de fevereiro de 1980, a partir das 11:30 da manhã, no Colégio Sion, em São Paulo, a reunião de fundação do Partido dos Trabalhadores. Havia cerca de 700 pessoas no auditório. Presidia a mesa Jacó Bittar, do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia. O secretário era Henrique Santillo, médico formado pela UFMG e Senador por Goiás (sim, havia um Senador da República na fundação do PT). Também presente na mesa estava um certo Luiz Inácio, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, já na época um líder sindical internacionalmente famoso pela greve que ajudou a solapar as bases da ditadura. De acordo com vários presentes, o momento mais emocionante foi a chamada dos seis primeiros signatários do manifesto. Eles foram: Mário Pedrosa, crítico de arte; Lélia Abramo, então presidenta licenciada do Sindicato dos Artistas de São Paulo; Manoel da Conceição, líder camponês; Sérgio Buarque de Hollanda, um dos maiores pensadores da nossa história como nação; Moacir Gadoti, que assinou em nome de Paulo Freire; e o mítico líder popular Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola.

Mas o objetivo deste post não é contar uma história que já está documentadíssima nos ricos arquivos da Fundação Perseu Abramo. Ao contrário, eu gostaria de fazer algo mais parecido ao que Bia, filha de Perseu, fez no ano passado: narrar um pouco da minha relação com esse projeto.

Tenho alguma lembrança do histórico discurso de Lula na 1ª Convenção Nacional, em agosto de 1981, no qual ele disse: nosso partido é um menino que nasceu contra a descrença, a desesperança e o medo. Mas minha primeira memória de participação real no PT foi a campanha de Sandra Starling para o governo de Minas em 1982. Ali eu já havia me convertido no que se poderia chamar um militante. Nunca mais deixei de me associar a essa palavra, e em definitivo não me importo que me associem a ela, apesar de que meus períodos de militância são intermitentes e de que militei no PT mesmo, em tempo integral, no Brasil, “somente” oito anos. As decepções foram muitas, as derrotas numerosas. Quem é torcedor de futebol e já disse, alguma vez, enraivecido, nunca mais saio de casa para torcer para esse time saberá do que falo. Olhando para trás e, acima de tudo, olhando para o Brasil de hoje, não consigo escapar da conclusão de que valeu a pena.

Nossa relação com o restante da esquerda era dificílima. O PCB, o PcdoB e o MR-8 nos odiavam mortalmente. Tudo no PT parecia diferente da esquerda tradicional: havia sindicalistas e havia desbundados fumando maconha; havia parlamentares do MDB e havia feministas; havia militantes oriundos da POLOP, da AP e de outros grupos de resistência à ditadura e havia militantes do movimento negro; havia gays e lésbicas saindo do armário, ansiosos para colocar suas pautas na mesa, coexistindo com ativistas católicos das pastorais da terra; havia uma coleção de grupos trotskistas. Aquilo era um saco de gatos. Não tinha a menor chance de dar certo, nos diziam.

A grande acusação recebida pelo PT ao longo da década de 80 foi a de dividir o campo das forças democráticas. Tanto o PCB como o PCdoB haviam optado por alianças preferenciais com o PMDB, coerentes com a teoria etapista que sustentavam (o PcdoB só abandonaria essa estratégia no final da década de 80). O PT era a força política que atrapalhava o consenso, a voz dissonante que desafinava o coro dos contentes da transição. Essa acusação foi repetida até o momento em que ela deixou de fazer sentido, dado o fato de que o PT havia se tornado uma agremiação muito maior que todas as outras forças de esquerda reunidas.


elza-monerat.jpg
Elsa Monerat, militante do PCB a partir de 1945 e do PCdoB a partir de 1956. No comício de Lula-Bisol no Rio, em 1989. Daqui.



Um dos auges desses ataques pode ser visto num vídeo que desenterrei para a ocasião: o último programa eleitoral do candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo em 1985, Fernando Henrique Cardoso. Para quem não se lembra, as eleições para prefeito na época eram em turno único. Concorriam em SP Jânio Quadros, pelo PTB, FHC pelo PMDB, e Eduardo Suplicy, pelo PT. As pesquisas apontavam a vitória de FHC, que dedicou boa parte de sua campanha a atacar o PT como divisionista. Como se sabe, Suplicy chegou à imponente marca de 20% dos votos, e FHC ficou atrás de Jânio (39 x 35). Aqui, se vê a comemoração antecipada de FHC no último dia de campanha na televisão. O programa, repleto de ataques ao PT, já contava com a indefectível Regina Duarte, comparando a emergência do partido com a divisão dos democratas alemães que permitiu a ascensão de Hitler (a comparação com a ascensão dos franquistas na Espanha viria alguns anos depois):




Aquela época deixou um legado que sobrevive até hoje para muitos petistas: a desconfiança ante aqueles que querem sufocar o debate em nome da necessidade de consenso e de unidade. A lição continua atual, num momento em que jornalistas que até anteontem serviam aos Marinho ou aos Frias acusam, por exemplo, as feministas de serem “a esquerda de que a direita gosta”. Foi exatamente essa a acusação contra a qual o PT surgiu. Derrubá-la foi sua razão de ser.

Talvez a memória que mais me provoca risadas seja do comício de encerramento da campanha de Lula no segundo turno das eleições de 1989, na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Brizola era o favorito para ficar com a segunda vaga que definiria o adversário do líder Collor, mas uma arrancada na reta final, impulsionada pela militância, levou Lula a ultrapassá-lo. Três lembranças daquele comício ficaram comigo: a chuva torrencial que caía sobre BH (mas que não fez ninguém arredar pé da praça), o discurso interminável de Fernando Gabeira e o hilário momento em que alguém colocou para tocar a “Internacional Comunista”. Lula vinha fazendo um esforço para se aproximar da classe média, ampliar sua base, espantar, enfim, os medos que aquela terrorífica barba não aparada provocava em alguns segmentos da sociedade. A última coisa que queríamos, evidentemente, era a “Internacional Comunista” tocando num comício.


comicio-lula.jpg
Comício da campanha de Lula-Bisol, no Rio, em 1989. Daqui.

Situado atrás do palanque, eu me lembro de ficar literalmente gelado ao som dos primeiros acordes da Internacional. Quando ecoa o de pé, ó vítimas da fome, desencadeia-se uma correria repleta de trombadas entre os membros da direção da campanha. Um dos líderes da campanha em Minas (talvez tenha sido Luiz Dulci, mas disso eu não me lembro) desembesta na direção do aparelho de som gritando tira essa porra, tira essa porra, põe o Lula-lá, põe o Lula-lá. Por sorte, alguém trocou a Internacional pelo jingle da campanha e o comício prosseguiu sem grandes percalços.

De lá para cá, como se sabe, Lula perdeu mais duas, ganhou mais duas, e elegeu sua sucessora. Foram muitas as conquistas, numerosos os erros, graves algumas traições ao longo da história. Mas, no todo, ela não envergonha a memória de Apolônio de Carvalho e Elza Monerat.



  Escrito por Idelber às 09:43 | link para este post | Comentários (63)


Comentários

#1

Fui filiado ao PT ainda menor de idade, o que não é permitido pela lei eleitoral. O PT tinha o instituto da "filiação interna", com a qual milhares de jovens que não tinham nem idade pra votar participavam das decisões do partido.

Mas o meu tempo de militância foi mais curto que o seu. Uns quatro anos. Meu desencato com o arrivismo e o aparelhismo da maioria das correntes petistas que eu via no movimento estudantil foi grande. Me desfiliei expressamente.

Apesar disso, sempre tenho votado no partido, desde então, salvo exceções. E mantenho intacta minha visão crítica sobre ele. Se há algo que me chateia, são amigos que se furtam a fazer as críticas corretas, apenas porque o PT também tem qualidades!

Na época da campanha do Lula de 1989, eu estava na minoria dos que achavam que devíamos apoiar Brizola no segundo turno. A Articulação não largava o seu hegemonismo (presente até hoje) e a esquerda trotskista dizia que Brizola não era um candidato "classista".

Por sorte, não tivemos que escolher, naquele ano. E por mais sorte ainda perdemos a eleição, porque o programa político e o clima no PT da época (apesar da historinha que você contou acima) prenunciava um governo de choque com a burguesia, o que fatalmente o levaria a um fracasso.

Marcus Pessoa em fevereiro 10, 2011 10:21 AM


#2

Essa narrativa pra mim é riquissíma, visto eu ter nascido um ano após a fundação do partido. Levei muito tempo para entender a importância da política na minha vida e hoje carrego essa bandeira para onde eu for(não com as mesmas experiências que teve, mas com algumas frustrações também e inúmeras alegrias).
OBS.:Campanha de FHC = Campanha de Serra = Ridícula! kkkk....

Patricia Fornitani em fevereiro 10, 2011 10:26 AM


#3

Exato, Marcus, eu também usufruí dessa filiação que permitia a entrada de menores de idade. Só completei 18 anos em 1986. Quando votei pela primeira vez, eu já era militante "velho". E, em definitivo, o movimento estudantil me deu alguns bons desgostos. Muitas memórias boas, mas muito desgosto também.

Idelber em fevereiro 10, 2011 10:30 AM


#4

Patricia, eu não acreditei quando encontrei, por acaso, esse vídeo da campanha do FHC de 1985.

Eu andava procurando algo sobre a campanha de Virgílio Guimarães para prefeito de BH em 1985. Na época, Virgílio ainda era da Democracia Socialista. Não achei nada na internet.

Idelber em fevereiro 10, 2011 10:32 AM


#5

O PT é certamente o maior movimento político do Ocidente nestes 31 anos - a perspectiva história hoje nos mostra.

Por outro lado, quem está construindo algum movimento capaz de fazer frente ao que se desenha como uma hegemonia petista na política brasileira?

Está na hora de o PT começar um debate interno mais sério, abandonar um pouco a necessidade de composição com as forças retrógradas e avançar nas conquistas sociais pela qual toda essa militância sempre lutou.

O Brasil está maduro para isso.

André Egg em fevereiro 10, 2011 10:32 AM


#6

Está maduro. A chave aí é a reforma política: voto em lista, fim de coligações nas proporcionais, financiamento público de campanha, fidelidade partidária mesmo. Mas a batalha é morro acima, porque o PMDB sabe que uma reforma política real representaria, pelo menos a médio prazo, um golpe duro ao poder dos seus caciques regionais.

Idelber em fevereiro 10, 2011 10:36 AM


#7

Idelber, acho que a dsconfiança de outros setores da esquerda diante do PT tinha outras razões também, menos 'estratégicas' e mais profundas. Do lado trabalhista/comunista, havia a percepção de que a História do Brasil contada pelos intelectuais petistas jogava no limbo a esquerda pré-1964, tida como 'populista'. Havia no PT uma crença de que o "antes" era uma espécie de História em falso, conduzida por elites populistas que impediam a formação da 'verdadeira' identidade subalterna. Isso conduziu o partido a ter uma leitura negativa do Estado na história do Brasil, e a nascer fazendo certa apologia da nova' sociedade civil, supostamente uma agência pura que não deveria ser 'corrompida' pelo ativismo estatal.
Esse ranço permaneceu durante muito tempo, mas ao longo dos anos 1990 ele foi arrefecendo, pois o PT, na prática, aproximou-se muito da cultura política trabalhista-comunista, falando em soberania nacional, criticando privatizações e apostando numa linguagem política mais afastada daquela apologia quase narodnik das virtudes do 'social' como agente da pureza. A chapa Lula-Brizola, que não deu certo, foi uma expressão dessa aproximação. A figura de Lula, hoje, é praticamente a bela vingança da cultura trabalhista-comunista, relida a partir de uma experiência democrática que só poderia ter sido traduzida pelo PT.

João Marcelo em fevereiro 10, 2011 10:47 AM


#8

O locutor do programa do FHC parece saído diretamente dos anos 1950!

Eu também estava no último comício da Praça da Estação. Não lembrava da história da Internacional.

Guto em fevereiro 10, 2011 10:50 AM


#9

Ah, sem dúvida, João Marcelo, daria para aprofundar bem mais e esse é um tema que ainda quero tratar no blog com calma: a volta "com vingança" (como costumam dizer em inglês) do legado populista no PT. Nem tanto o comunista, eu diria. Mas principalmente o trabalhista mesmo. A releitura da figura de Vargas tem sido uma constante no lulismo da última década.

Idelber em fevereiro 10, 2011 10:54 AM


#10

Oi, Guto, felizmente acho que foram poucos os que perceberam a história da Internacional naquele comício. A música não chegou a tocar por mais de alguns segundos. Como eu estava atrás do palanque, presenciei a bagunça.

Idelber em fevereiro 10, 2011 10:59 AM


#11

Minha história com o PT também começou em 1982, fazendo campanha aqui no Rio para alguns candidatos a Deputado (e tentando carregar um Lisâneas Maciel nas costas).

Nunca me filiei mas, à excessão de alguns votos no PV (gabeira, minc e outros), sempre me senti um petista.

Bom post, boas lembranças. abraços.

Radical Livre em fevereiro 10, 2011 11:06 AM


#12

Minha primeira "experiência militante" foi na campanha de 1989. Eu panfleteei na rodoviária da minha cidade, no interior do Rio Grande do Sul (São Francisco de Paula)... 10 anos... hehehe

márcio barcelos em fevereiro 10, 2011 11:27 AM


#13

Eu nunca fui filiada ao PT mas sempre fui petista de coração, mesmo qd não votei de cabo a rabo no pt, como em 89 quando no primeiro turno votei no Brizola.

Em 80, quando aconteceu a fundação do PT e do PDT, meus pais até tinham medo de que eu fosse presa porque falava dos dois partidos e eles achavam que os militares ainda iam prender todo mundo que fosse vermelho kkkkkkk.


aiaiai em fevereiro 10, 2011 12:16 PM


#14

Olha Professor...
meu post vai destoar um pouco do conjunto, talvez pq embora seja mais jovem (32 anos) não tenha vivido o clima que relata e principalmente pq fiz parte no início de minha militância estudantil no PC do B, a tal velha esquerda.
Apesar de saber de cor todas as cagadas do mov. comunista, acho que há naquela tradição (e tb no velho trabalhismo/brizolismo) um manancial de experiências que não deveria ter sido descartado da forma como foi. Eu me lembro da forma odiosa que velho Brizola foi isolado aqui no Rio, em sua briga quixotesca e mais do que nunca válida com a família Marinha. Seu definhamento da forma como se deu é uma das explicações de pq o Rio de Janeiro hoje está dividido politicamente entre o neochaguismo (Sérgio Cabral) e o Neulacerdismo (César Maia). O PT chegou a fazer "enterro simbólico" do Darcy Ribeiro! no primeiro governo do velho. Na última eleição municipal vi militante petista em grupos de discussão salivando de satisfação o fato da Jandira Feghalli não ter chegado ao segundo turno, pq peitou a briga mais do que necessária como parlamentar pela legalização do aborto.
Hoje quando vejo executivo petista topando privatizar saúde pública, manter a elite do rentismo no Banco Central e enterrar a reforma agrária da agenda política. Fico imaginando o que seria um governo da "velha esquerda" (Brizola, Arraes e outros) que não fariam um décimo disso e por isso mesmo estariam sendo atacados pelos enragés do petismo (em uma concepção um tanto tosca do hegemonismo gramsciano).
E fácil saber pq o petismo se tornou hegemônico: politica e ideologicamente ambiguo, podia assustar menos a classe média do que a foice e o martelo comunista ou o "populismo" trabalhista ao mesmo tempo em que no mov. estudantil e sindical posava de jacobino/bolchevique. Esquecemos que o petismo em todo os anos 90 teve como discurso principal um "neoudenismo" que tanto critica agora. No movimento estudantil lá da uerj me lembro quando tive que impedir que um panfleto da oposição a reitoria saisse com a frase "Mar de Lama na Reitoria".
A medida que foi hegemonizando-se o discurso foi abrandando (já que tanto o trabalhismo quanto o comunismo já tinham sido transformados em satélites) ao ponto que vemos hoje.
Votei mais no PT na minha vida que em qualquer outro partido. Depois que sai do PC do B, tenho habitualmente votado no Psol no legislativo e no executivo no primeiro turno e no PT nos segundos turnos. Agora quando vejo o Nelson Jobim no Ministério da Defesa, a manutenção acrítica do suprassumo do neoliberalismo no BC, fico imaginando até quando a esquerda terá que aguentar a chantagem petista tipica que usa o PSDB/DEM como espantalho quando o bicho pega graças a despolitização no segundo turno. Governo de esquerda sem confronto? Como?
A quadratura do círculo que principalmente o segundo governo Lula conseguiu não se manterá para sempre. Meu medo atual é que o petismo já tenha se tornado a "retaguarda do status quo". O PSDB/DEM inicia processos maquiávelicos, o PT chia, mas quando assume executivos não os muda, institucionalizando-os e tornando-os consenso. Repito, executivos petistas já assumiram a terceirização da saúde como "favas contadas". Alguém imaginaria um discurso estilo Vacarezza ha digamos cinco anos?
Bem.. desculpe ter destoado da festa e espero como comunista que ainda sou, estar errado...
Abraços,

Alexandre Vasilenskas em fevereiro 10, 2011 1:24 PM


#15

Podem dizer o que quiserem, mas um debate com o Brizola era muito mais divertido. O homem tinha uma capacfidade de desancar/ironizar/espicaçar a direita que hoje não encontramos mais.

Marcelo Silva em fevereiro 10, 2011 2:39 PM


#16

Belo texto. Sou, muitas vezes, mais petista do que os filiados (minha filiação interna nunca foi oficializada pela bagunça do Diretório Municipal de minha cidade). Por isso, sou defensor da tradição petista e a considero uma das bases do pouco de modernização política que obtivemos.

Observo, contudo, que o final de seu texto faz parecer que Elza Monerat fosse petista. Como você deve bem saber, Elza nunca abandonou o PCdoB. É uma verdadeira lenda da esquerda comunista brasileira.

Reinaldo em fevereiro 10, 2011 3:52 PM


#17

Grande Idelber,

Belo post, me faz ter saudade de tempos em que ainda nem tinha nascido (hehehe, não podia deixar de zuar).

Acho que seu comentário #6 já adiantou o tema de um futuro post, sobre a reforma política, que tá na pauta do dia.

Abraço.

Paulo Morais em fevereiro 10, 2011 4:01 PM


#18

Eu tinha 16 anos em 1989. Morava em Juiz de Fora (MG). Eu estudava numa escola estadual pequena.

No primeiro turno, votei no Roberto Freire (pausa para xingamentos). Meus amigos votavam no Lula em maioria, outros no Brizola, alguns no Covas. Otário de votar no Freire era só eu mesmo, eu acho. Ninguém votava no Collor (noves fora meus pais).

Houve um comício do Collor na Praça da Estação. Eu e três amigos achamos que seria uma ótima oportunidade para matar a última aula daquele dia. E, sem combinação prévia (se houve, eu e meus amigos não havíamos sido "mobilizados"), uma moçada grande estava por lá, mesmo antes mesmo de o comício começar.

Gente que nem votava ainda estava no agito. Havia poucos ou nenhum militante de carteirinha, eu acho. Era uma moçada numerosa e desorganizada.

"O que esta turma está fazendo aqui?", perguntava para meus botões. Encontrava fulano, que eu conhecia de outras quebradas, e perguntava. "Você vota no Collor?". Fulano só faltava se benzer e respondia alguma coisa como "tá maluco?".

A praça toda enfeitada, tinha um balão imenso do Collor no centro. Haveria show, ao final, dos péssimos Michael Sullivan e Paulo Massadas. Ninguém curtia aquele som, porra.

O comício era chatíssimo... Alguém teve uma ideia ótima para reunir a turma do contra. "Esquerda vai para a esquerda". No boca a boca, a senha correu rápido a praça inteira. Quando Collor pegou o microfone, houve uma vaia enorme. O "esquerda vai para a esquerda" tinha funcionado e a nossa vaia superava e muito a claque colorida do gargarejo. Ainda estávamos bem atrás, distante do palco.

Collor não falou dois minutos. Passou a palavra para o Itamar Franco, que é de Juiz de Fora. Não deu certo. A vaia não parou. Tiveram que encerrar os discursos, porque era muita vaia.

Botaram a dupla boçal para tocar e a gente começou a gritar "mercenários, mercenários". A essas alturas, tinha cabo eleitoral pago do Collor que já tinha jogado a bandeira fora e estava lá do nosso lado.

Não tínhamos adesivo, estrelinha, broche, bandeira, lencinho do Brizola, nada. Lembro-me de duas meninas com tesouras. Uma suprimia o "r" do adesivo do Collor. A outra partia o restante ao meio. Elas fabricaram centenas de adesivos "lloCo" em poucos minutos. A gente colava no peito; alguns na testa.

Lembro-me de detalhes cômicos. Um fulano fez um turbante de marajá com um pedaço de pano qualquer e colou o "lloCo" no centro. "Eu sou o marajá louco. Vem me caçar, feladaputa", berrava. E a gente dava risada dele.

A coligação do Lula tinha o nome de Frente Brasil Popular. Logo, vamos pra frente! Todos os que estávamos à esquerda, ainda longe do palco, começamos a andar para frente. Era uma massa de jovens. "Vamos pra frente, vamos pra frente". O show acabou, é claro. Não chegou à terceira música, eu acho.

Festa geral. Aquele comício estava arrasado. Daí, subimos o calçadão da Halfeld cantando "Lula lá" a plenos pulmões. Chuva de papel picado em todos os edifícios nos recebia. Fomos até a avenida Rio Branco, onde o grupo desorganizado se dispersou.

Então, resumindo, eu fui num comício do Collor que se encerrou com uma passeata pró-Lula. Bons tempos.

Fábio Carvalho em fevereiro 10, 2011 5:07 PM


#19

Embora tenha sido um militante um tanto relapso, orgulho-me muito dessa história de que participei também, em BH.
Eu estava lá nas primeiras reuniões para formar o PT de Minas e participei da fundação do partido no Colégio Santa Rita, no Barreiro.
Nas primeiras eleições, uma mulher feminista pra Governadora (Sandra), um idoso operário negro pra Senador (seu Joaquim)... Fiz campanha para Luiz Dulci, que foi eleito primeiro (e único, então) Deputado Federal do PT de Minas, e fui seu assessor, segundo ele para assuntos poéticos... O único Deputado Estadual que o PT elegeu foi o João Batista dos Mares-Guia.
Lembro-me desse comício com o Brizola, que fez um empolgante discurso, naquele seu velho estilo.
Percebi que as coisas começariam a mudar em outro comício, na eleição presidencial posterior, quando na mesma Praça da Estação Lula apresentou corajosamente um show dos Racionais, no qual Mano Brown mostrou toda sua moral pra controlar as "galeras" das favelas e periferias de BH, que assustaram a turma da classe-média ali presente...
A partir daí, sabíamos que mais ano dia menos ano chegaria a vez de Lula. E que ganharíamos cada vez mais eleições, mostrando que era possível mudar o Brasil, em favor do povo pobre, mas sem ilusões.

Jair Fonseca em fevereiro 10, 2011 5:15 PM


#20

Nada a acrescentar, a não ser que senti falta da imagem da estrelinha:)

fm em fevereiro 10, 2011 5:19 PM


#21

Bom Texto! Relembrar é VIVER! A minha História no PT é DOÍDA....Amo o PT. de Belo Horizonte. Parabéns PT!

David Rodrigues da Silva em fevereiro 10, 2011 5:40 PM


#22

Casei, pela primeira vez, em 08.03.1980. Meu mestrado, na Epusp, começou às 8:00 de 10.03.1980, isto é, casei num sábado - não trepei num domingo- mas fui estudar pra valer numa segunda-feira…

Na semana seguinte, contribuí - angariando assinaturas- à formação do primeiro núcleo do PT, na Poli, em plena ditadura…

Eu era membro do MEP, oriundo do CAEEM, Centro Acadêmico da Escola de Engenharia Mauá e, também, do GEMA, Grupo Experimental Mauá – grupo de teatro estudantil especializado em Bertolt Brecht…

Portanto, sou um petista histórico, um verdadeiro dinossauro socialista…

Após cinco casamentos, dois filhos – Débora, de 26, cientista política pela Unicamp, e Isaac de 2, aprendiz a fazer cocô e de não ter medo de AU-AU…

Ou seja, após um mestrado, um doutorado, um pós-dourado, dois prêmios em engenharia, 40 trabalhos publicados, um livro de Poesia, cinco mestrados em andamento e três vitórias à Presidência da República, hoje, escrevi … :


PAULISTANA
by Ramiro Conceição


No meio do beijo:
um tiro; um grito;
um medo a sangrar,
uma sombra a fugir;
mas a bicha drogada, que
correu, não sabia de nada.


Valeu a pena? Como era mesmo o verso de Pessoa?...


Ramiro Conceição em fevereiro 10, 2011 8:06 PM


#23

O relato deste comício me deixou emocionada, afinal eu também estava lá, corri assim que terminei a minha prova do vest/EFMG, e a emoção correu solta. afinal eu vinha acompanhando o Lula, desde o Acre, Brasilia e Goiania, cidades que estive morando e eu sabia que o comício de BH seria o último que eu poderia acompanhar e não tinha como ficar longe disso tudo. Temos muita história pra contar, não?
Era o meu primeiro voto, eu estava grávida, vestibular, mudanças e mais mudanças, mas a maior pra mim era poder acreditar que nossas lutas e ideais eram possiveis e ainda é uma verdade.
A semente foi plantada e o primeiro voto da minha filha em 2011 foi para o PT.
saudações Petistas (era assim sempre o final de suas cartas)

Jacquelini Marinho em fevereiro 10, 2011 8:35 PM


#24

Como tudo será daqui a 20 anos?...


MESAS CALADAS
by Ramiro Conceição


Tanta gente a entrar…
Tanta gente a partir…

Será que elas testemunharam algum sonho
à solução - desse nosso mundo bisonho?

Ou foram cúmplices dum plano macabro
dum bando de assassinos engravatados?

Quanto foi o leite derramado?
Quantos ficaram enamorados?

Que delicadeza têm as mesas caladas
dum restaurante à beira duma estrada!

Ramiro Conceição em fevereiro 10, 2011 9:52 PM


#25

Uma pergunta, Professor Idelber: nos Estados Unidos, o senhor teria coragem de fazer uma defesa tão enfática, por escrito, de um partido político?

Marcelo C em fevereiro 10, 2011 11:12 PM


#26

Boa pergunta, chará. Se os gringos lá de Talase Touluse ou o raio que o parta da universidade do Idelber soubessem o português, para lerem seus posts, lá estaria o Idelber escrevendo sobre suas experiências por rodoviárias no interior de Minas, e não em aeroportos internacionais.

Mas...passei para dizer: que fofura, o Lula tem discurso por escrito, e histórico ainda!

Marcelo em fevereiro 10, 2011 11:20 PM


#27

Belo texto, Idelber. A existência do PT, entre outras coisas, nos livrou de uma dicotomia falsa entre a direita e uma esquerda sem povo - algo que corrói a política europeia de hoje, p.ex., mas que se tivesse se repetido por aqui, teria sido trágica pelas próprias condições do país. É claro, na prática as coisas são uma dureza, muito precisa ser melhorada assim como existem riscos claros no horizonte - mas ainda se trata do melhor partido brasileiro.

As minhas memórias do PT são do início dos anos 90, algo muito remoto e desconexo da época do Impeachment de Collor e o medo que eu sentia do Lula, sempre retratado como um barbudo ameaçador e mau. Depois veio o decorrer dos anos 90, o agravamento da crise do projeto do PSDB e aquele movimento todo que deu no Lula presidente em 2002. As decepções profundas do Primeiro Mandato e uma certa animação no Segundo, quando o partido se reinventou em cima de uma onda de prosperidade que conseguiu produziu, retomando, quem sabe algo do espírito brasileiro. Ano passado, uma das melhores lembranças certamente foi a festa da vitória de Dilma na Paulista.

P.S.: Interessante pensar no momento atual e ler esta entrevista de Lula a Guattari no começo dos anos 80.

Hugo Albuquerque em fevereiro 10, 2011 11:56 PM


#28

Marcelos: Cansei de falar e escrever sobre o PT em inglês. Mais recentemente, menos de 2 meses atrás, para a Al Jazeera. E pra quem acha que o português é uma língua desconhecida em Tulane, recomendo uma visita a este site. Menas, Marcelos. Os EUA andam retrocedendo no quesito liberdade de expressão, mas a coisa ainda não chegou a isso, especialmente na universidade. Somos avaliados pelo trabalho de pesquisa e ensino, e ponto.

Idelber em fevereiro 11, 2011 12:30 AM


#29

Jacquelini, eu nem acredito que houve uma época em que eu terminava cartas com "saudações petistas"... Faz tempo, hein?

Hugo, essa entrevista de Lula a Guattari é o ouro! Eu a havia lido quando você postou. Recomendo aos leitores do blog a visita ao Descurvo.

Idelber em fevereiro 11, 2011 4:08 AM


#30

Reinaldo, muito bem dito. Não era minha intenção sugerir que Elza foi petista, evidentemente. A intenção era homenagear a tradição comunista e colocar o PT como herdeiro, até certo ponto, dessa tradição.

Fábio, sensacional essa história de Juiz de Fora!

Idelber em fevereiro 11, 2011 4:12 AM


#31

Uma coisa engraçada nesse post é notar como o discurso contra o PT na sua fundação é semelhante ao contra o PSOL hoje.... são a esquerda que a direita gosta", "fazem jogo da direita", são "divisionistas"...

Enquanto o PT cada dia mais se aproxima - e se torna? - do PMDB, o PSOL se recusou e formou um novo grupo. E aqueles que antes eram criticados, hoje, fazem as mesmas críticas.

Raphael Tsavkko Garcia em fevereiro 11, 2011 5:37 AM


#32

Sim, mas me inclua fora dessa. Neste blog não há uma única referência ao PSOL como "divisionista", que faz "jogo da direita" etc. Tenho críticas, mas não são essas.

Idelber em fevereiro 11, 2011 5:44 AM


#33

Foi só uma brincadeira, Idelber. Tá claro o motivo da gringaiada de Tulane em terem vc no quadro docente. Pura competência e conhecimento.

Abraço.

Marcelo em fevereiro 11, 2011 6:11 AM


#34

Tranquilo :-)

Idelber em fevereiro 11, 2011 6:20 AM


#35

Idelber,
Pra nossa geração, 1989 é o verdadeiro "ano que não terminou".
Para além dos equívocos - que foram muitos - acho que o PT construiu uma belíssima trajetória ao longo desses 31 anos.
Nunca militei no partido - em 1989, no primeiro turno fui de Covas (e não me arrependo, mas lamento que o PSDB não tenha se consumado como uma alternativa social democrata verdadeira, tendo optado por uma aliança muito mais orgânica com o conservadorismo do que a que o PT tem feito nos últimos tempos). Mas creio que nunca participei de uma eleição sem que tenha votado, no mínimo, em um ou dois nomes do PT (quando não havia um bom nome disponível, votava na sigla).
Naquele ano, no segundo turno, claro, fui de Lula e desde então jamais votei em outro candidato à presidência.
O PT do Maranhão jamais me seduziu, pois com raras e honrosas exceções é exatamente aquilo que o Marcus Pessoa disse (#1): um balaio de gatos cheio de arrvistas, carreiristas e outros "istas" menos pronunciáveis (quem acompanha a política maranhense sabe como foi gestada a atual chapa para o governo do estado e dá para ter uma idéia).
Mas no plano nacional não é possível deixar de reconhecer que o partido soube se "reconstruir", encontrar um discurso que não despreza as bandeiras e conquistas históricas do trabalhismo (importantíssimas, por certo) e ocupar uma posição que outros partidos de esquerda sequer sonham em conseguir (claro que a aliança com o PMDB e que tais é meio difícil de engolir, mas é assim que as coisas funcionam no modelo atual e ninguém parece disposto a bancar uma reforma política séria).
De qualquer forma, acho que o partido tem muito a comemorar e, mais importante, ainda tem muito espaço para se consolidar como a mais importante agremiação partidária de esquerda do planeta (ou alguém ainda acredita no partido trabalhista inglês pós-Blair? ou no PCI (que até já mudou de nome e nem é mais comunista)? Ou no PCF?).
Muito bom o post e dá uma saudade danada daquele tempo, em que as utopias eram possíveis e bastava ir até a esquina para vê-las contecer.

érico cordeiro em fevereiro 11, 2011 8:11 AM


#36

Na mosca, Érico, o Maranhão é a parte mais difícil de engolir de toda essa trajetória.

Idelber em fevereiro 11, 2011 8:15 AM


#37

Tinha 9 anos e minha mãe, advogada trabalhista, era daquelas petistas hormonais. Lembro-me claramente da campanha nas ruas, nos comícios, na televisão, como se fosse hoje a denúncia do aborto, a baixaria do debate. Minha mãe de vermelho também me levou na campanha de Lula pro governo do estado, nos anos 1980, e em comícios das Diretas-Já. Tenho lembranças muito tênues de pular com a bandeirinha. Ela se desfiliou em 2005. Em 2011, votou na Marina e no segundo anulou. Não há como demovê-la da decepção. O engraçado é que, justamente nesse período, de 2002 a 2010, me tornei mais simpático ao partido. Se por um lado perdeu ao se concentrar muito no P, não deixou de ganhar com a saída de uma esquerda velha, classemédia branca, socialista de salão, que enaltece o operário de modo romântico.

Bruno Cava em fevereiro 11, 2011 10:48 AM


#38

Esclarecendo o último comentário: tinha 9 anos na campanha de Lula de 1989. A fundação do partido eu não lembro :-)

Bruno Cava em fevereiro 11, 2011 10:51 AM


#39

Idelber,
Tambem vivi esta episódio. Há muito a falar sobre o PC do B e o PT. Fui militante do PC do B e me desiludi muito na época da queda dos muros. Albânia? Como pude acreditar naquilo? Acho que há ainda muito a ser feito em termos de autocrítica por esse partido. Reconheço, no entanto, que esse partido tem dado a sua contribuição no avanço dos trabalhadores, na consolidação da democracia.
Mas, eu era jovem na época, orgulhosamente fizemos campanha em porta de fábrica: vendíamos botons, camisetas, para comprar mais e mais. E voltar novamente para as portas de fábrica. E como vendíamos!! Nenhum centavo conosco, tudo contabilizado, apenas para comprar mais e fazer mais campanha.
E orgulhosamente cheguei à Praça da Estação junto com dois ônibus de operários. Lulalá, brilha uma estrela. Foi inesquecível. Chuva, muita chuva. Ficamos encharcados, mas ninguém arredava pé.
Se eu viver 100 anos, nunca vou esquecer desse fato. Marcou para sempre minha vida.
Hoje, não sou filiada a nenhum partido (desilução mesmo, essa coisa de partido revolucionário para mim não é real). Mas, votei sempre em Lula, como votei em Dilma e faço campanha, ferrenha sempre.
Ah, eu participei, antes, do comício das Direjas Já em BH e também de todas as manifestações do Fora Collor, posteriormente. Lembra-se do enterro que os estudantes fizeram dele? E da musica que cantavam?
Obrigada por me fazer relembrar momentos tão especiais.

Victoria em fevereiro 11, 2011 12:36 PM


#40

Caro Idelber, saudações!
É sempre bom relembrar os tempos de militância, a derrubada da ditadura, o movimento estudantil, o início de nosso presente período democrático (que esperamos que se perpetue, apesar da direita reativa). Tudo isso nos traz uma ponta de orgulho e muita satisfação por saber que o Brasil que cresce com justiça é fruto da luta de muita gente boa.
Valeu. Obrigado pelas lembranças.

José Messias Eiterer Souza em fevereiro 11, 2011 12:48 PM


#41

Cara Victoria, caro José, obrigado pela leitura. Victoria, eu me lembro bem da campanha das diretas: foi o auge do meu período de militância.

Mas do Fora Collor eu não tenho nenhuma lembrança. Eu vim morar nos EUA em 1990, dois anos antes do movimento estourar. Como não havia internet na época, e os jornais demoravam um pouco a chegar à biblioteca, eu praticamente não acompanhei :-(

Idelber em fevereiro 11, 2011 12:51 PM


#42

Caro Idelber, saudações Atleticana.

Idelber, minha militância politica começou bem cedo,por influencia de meu irmão comunista do partidão (PCB),eu ainda jovem participava de reuniões clandestinas e fui me politizando lendo o pasquim, o jornal movimento e principalmente lendo o Fradim do Henfil.O PT só vim a conhece-lo quando mudei para SJcampos SP na década de 90. nunca fui filiado mas sou petista, voto PT e toda minha família Paulista é petista.Meu primeiro voto foi em 74 no Itamar pelo MDB para o senado.
PS. meu irmão é um velho comunista que foi pela 1º vez na última eleição candidato a deputado federal pelo partidão mineiro.Seu nome, António de Almeida Lima.

Roberto M Almeida em fevereiro 11, 2011 1:41 PM


#43

Idelber, como você já sabe, o meu pai, o Mesquitão, foi um desses esquerdistas ligados à boêmia, à vida popular, de saco cheio do Partidão e da Libelu. Quando apareceu o PT, partido com pobre de verdade, com povo de verdade, partido que fazia churrasco e bebia cerveja, foi ali que ele foi militar (e milita até hoje). Mas ele sempre, sempre, desde que eu me lembro de falar pela primeira vez de política, me falou do ressentimento dos sovietistas. Não por acaso, o cão mais raivoso das direitas é o patético PPS. Sobrevivente envergonhado do PC, com dono e lacaios. Alguém precisava escrever sobre a história desse ressentimento. Ser esquerda sem povo é fogo ...

Tiago Mesquita em fevereiro 11, 2011 6:06 PM


#44

Tiago: Esquerda sem povo só não é a pior do que a ex-esquerda que vira direita raivosa - mas normalmente a segunda sai da primeira...

Hugo Albuquerque em fevereiro 11, 2011 6:59 PM


#45

Quando o mensalão estorou, Lula disse que havia sido traído e um dia revelaria por quem. Hoje, no aniversário do PT, Lula disse que o mensalão foi "uma campanha infame" contra o parti.

Feliz aniversário, PT!

Pedro em fevereiro 11, 2011 7:38 PM


#46

Parabéns, Pedro, fizeste o comentário de número 45!

Hugo Albuquerque em fevereiro 11, 2011 11:04 PM


#47

hohoho, boa, Hugo!

Tiago, foi um prazer mesmo inesquecível conhecer o Mesquitão. Uma aula de integridade em pessoa, relação direta com o melhor legado do PT nas suas origens.

E saudações atleticanas, caro Roberto, há toda uma história do Partidão que é bonita e heroica, apesar de todos os problemas. Uma pena que o legado tenha sido sequestrado por esse apêndice demotucano que hoje é o PPS.

Abração a todos.

Idelber em fevereiro 11, 2011 11:25 PM


#48

Idelber, seu post me causou o que chamo "efeito ratatouille" (do desenho animado da Pixar, quando a volta no tempo se faz sentir de maneira quase física). Várias recordações daquele 89, das quais duas ligadas ao futebol:

1 - No dia do comício da Praça da Estação (quando se podia ter manifestações públicas por lá), teve um Galo e Náutico nos Aflitos, com um tabu em cima: o Galo nunca tinha ganhado lá. Marcou primeiro, mas tomou a virada e perdeu. Muito menino para ir ao comício, fiquei vendo o jogo, e esperando meus pais voltarem totalmente encharcados para me contarem como foi.

2 - Teve um Atlético x Cruzeiro alguns dias antes disso, e num determinado momento, as duas torcidas se uniram para cantar "Olê, olê olê olá, Lulá, Lulá". Desses eventos que marcam o caráter de uma criança.

Senão, sobre as releituras do primeiro gouverno Vargas - e lembrando que um dos responsáveis pelo mito da outorga que hoje se desconstrói foi o ex-petista Francisco Weffort -, recomendo fortemente o livro "O Direito do Trabalho no Brasil", de Magda Barros Biavaschi, da LTr, 2007. A maneira como ela, juíza do trabalho, destaca a institucionalização do direito do trabalho no Brasil a partir de casos concretos é extremamente inovadora. Vale a conferida.

Abraço e sorte pra nós hoje de tarde!

Leonardo Fazito em fevereiro 12, 2011 7:01 AM


#49

Leonardo, que impressionante essa memória do jogo do Galo com o Náutico! Como eu sou chato e pentelho, fui conferir para ver se você estava certo mesmo. Certíssimo! O comício foi em 18 de outubro e foi mesmo dia de Galo x Náutico. Olha aqui a ficha técnica do jogo.

O Galo x Cruzeiro a que você se refere eu ainda estou procurando. Abração, sensacional comentário memorialístico. Eu nunca consegui conjugar as lembranças do futebol e da política. Sempre ficam como compartimentos estanques, separados na memória.

Idelber em fevereiro 12, 2011 7:49 AM


#50

Que máximo vc encontrar um vídeo da campanha de 85 pra prefeito de SP! 85 foi a única vez na vida em que fiz campanha pra algum candidato que não fosse do PT. Eu gostava muito mais do Suplicy, mas achava que ele não tinha chance, e como naquela época não existia segundo turno, embarquei na conversa do voto útil e até fiz boca de urna pro FHC. Ai, se arrependimento matasse... Não lembrava da Regina Duarte. Lembro que naqueles tempos empunhar bandeira e entregar santinho era uma coisa puramente amadora, sem pagamento. E mesmo assim essa boca de urna pro FHC foi a única na vida em que recebi alguma coisa: uma camiseta e um sanduíche. Só a gente sabe que tinha de pagar do próprio bolso pra adquirir estrelinha, camiseta, e bandeira do PT... Em 89 eu já tava lá, firme e forte, participando intensamente da campanha do PT. E foi lindo ir sozinha de SP pro Rio só pra estar no comício da Candelária e ver Lula e Brizola pela primeira vez juntos num palanque (naqueles tempos eu nutria muita simpatia pelo Brizola, que esmaeceu quando ele foi o último a defender o Collor).
As eleições do ano passado foram, pra mim, as mais emocionantes desde 89. Mas desta vez ganhamos!

Lola em fevereiro 12, 2011 1:11 PM


#51

Putz, meu comentário foi o de número 45! Que bom, então vamos deixar o mensalão e a posição contraditória do Lula pra lá, né? A linda história do PT é muito maior que essa história mal contada.

E vamos também deixar o Genoíno ir pra festa na casa do Sigmaring com o carro da câmara! E nem pensar em falar dos passaportes do Lula.

Parabéns, PT, obrigado por este imenso legado ético.

Pedro em fevereiro 12, 2011 3:58 PM


#52

A linda história do PT é muito maior que essa história mal contada. -- sim, é! Principalmente se levarmos em consideração como FHC mudou as regras do próprio jogo, em pleno andamento, para se favorecer, no caso da nefasta emenda da reeleição. Então antes de ficar nessa choradeira absurdista faça um favor para si mesmo e estude a história da política nacional, porque o buraco é mais embaixo, companheiro ;-)

Hugo Albuquerque em fevereiro 12, 2011 6:50 PM


#53

Puxa, que coisa essa história do meu querido Náutico.

Hugo Albuquerque em fevereiro 12, 2011 6:52 PM


#54

Hugo,

O que os erros do FHC têm a ver com os erros do PT? Eles se justificam? O erro de um serve de álibi para o erro do outro?

A roubalheira tucana absolve a roubalheira petista?
Os desvios petistas são virtuosos, pois seus objetivos são nobres? Em nome do povo, às favas a ética.

Abraços do chorão que desde já está a estudar a história política nacional. Um dia chego lá!

Pedro em fevereiro 12, 2011 7:13 PM


#55

Abraços do chorão que desde já está a estudar a história política nacional. Um dia chego lá! -- talvez não, há quem nunca chegue lá! A ligação é que os problemas políticos brasileiros vão muito além do que qualquer maniqueísmo moralista - que o PT alimentou em certo momento e agora o PSDB tenta simular - pode alcançar ou resolver. Foi? Se não foi eu é quem fui! Abraço

Hugo Albuquerque em fevereiro 12, 2011 7:34 PM


#56

Lolita, obrigado a você também pelas memórias, realmente Lula e Brizola no mesmo palanque foi uma das grandes atrações daquele segundo turno. Sempre gostei muito do Brizola, mas me opus (já daqui dos EUA) com todas as forças que eu tinha (que eram muito poucas) ao acordo de 1998, que colocou um Brizola já muito enfraquecido--ele havia ficado atrás de Enéas em 1994--como vice na chapa de Lula, o que obrigou o PT a um injustificável apoio ao Garotinho nas eleições estaduais fluminenses. Na minha avaliação, o PT-RJ não se recuperou daquilo até hoje. Abração.

Idelber em fevereiro 12, 2011 9:32 PM


#57

Um dia, quem sabe, eu abandono esse maniqueísmo moralista. E de quebra viro aliado do sarney. E do collor. E do renan. Um dia,Hugo,um dia!

Pedro em fevereiro 12, 2011 10:21 PM


#58

Alexandre Vasilenskas,

Talvez você nem leia mais esse comentário, posto que o post já está no ar há 4 dias, mas vou falar assim mesmo.

Moro em Pernambuco, estado que foi governado por Miguel Arraes três vezes, das quais duas eu acompanhei. Em Olinda, cidade vizinha de Recife,o PC do B responde pela prefeitura há 3 mandatos. Em Recife, é o PT quem governa há 3 mandatos. No caso da política pernambucana, posso lhe assegurar que Arraes e o PC do B não fizeram nem fazem nada diferente do que fez o governo Lula e o PT. Aliás, o PC do B aqui sempre se aliou a partidos e a políticos "duvidosos"; o PSB de Arraes, então, nem se fala. Hoje, o neto de Arraes, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB está implantando as OS na saúde.

Nunca fui filiada a nenhum partido, embora tenha feito muita campanha para o PT. Mas dificilmente seria simpatizante de partidos comunistas, com estruturas tão centralizadas quanto o próprio regime. Para mim, tô fora de partido comunista e de comunismo. O que os partidos comunistas brasileiros nunca conseguiram explicar foi porque a sociedade, ou melhor, a classe trabalhadora, não aderiu ao discurso comunista. Também é exatamente esse o ranço dos partidos comunistas com o PT, que nasceu cheio de intelectuais, mas sempre foi o partido da classe trabalhadora. Contra fatos não há argumentos, pelo menos em alguns casos. O PT não pode ser acusado de ter criado a disputa na esquerda; neste caso, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.

Arthemísa em fevereiro 13, 2011 1:03 PM


#59

Olá Arthemísa,
pois é... já eu acho que "se não for para ser comunista é melhor cuidar da própria vida" (frase do Badiou).
Os comunistas já cometeram vários erros, alguns graves, mas acho que o saldo ainda é positivo.
Já fomos "hegemonicos" em vários contextos históricos inclusive no Brasil. É preciso lembrar por exemplo que quando o PT se legaliza em 1980, em 1982 um congresso do PCB termina com todo mundo preso. Aí é relativamente crescer... fora a ambiguidade política do qual falei.. nunca se assumindo ideologicamente de forma clara. Aquele papo de "não sou esquerdista, sou torneiro mecânico".
Eu mesmo já sai do PC do B, em grande parte pq considero um erro grave nesse momento ficar a reboque do projeto lulista, mesmo tendo votado no PT para todas as eleições presidenciais desde 94.
Meu medo é o processo de "americanização" que estamos vivendo no Brasil. Daqui a pouco seremos obrigados a escolher entre um social-liberalismo "mal menor" e uma direita criptofascista de influência religiosa.

Alexandre Vasilenskas em fevereiro 13, 2011 5:53 PM


#60

Professor Idelber: vou reformular a minha pergunta, ainda que à custa de alguma prolixidade.

Sabemos que, nos EUA, o senhor é eleitor do partido democrata. Queria saber (e realmente quero, pois desconheço ambiente intelectual daí) se o senhor se sente tão à vontade para defender, por escrito, o partido de sua preferência na política norte-americana. Não se trata de uma questão de liberdade de expressão, mas sim uma pergunta sobre os hábitos acadêmicos de outros países.

Marcelo C em fevereiro 14, 2011 1:50 AM


#61

Caro Marcelo, eu me sentiria completamente à vontade para defender minha opção pelo Partido Democrata com toda ênfase, caso eu tivesse, pelo PD dos EUA, o mesmo entusiasmo que tenho pelo PT do Brasil. Mas defendi, sim, por escrito, várias vezes, o meu voto em Obama. É super comum aqui que professores façam isso. Como no Brasil, aliás.

A questão é, obviamente, respeitar os limites do espaço onde isso pode acontecer. Jamais usei sala de aula, palestra ou publicação acadêmica para fazer campanha. Você pode consultar Alex ou Camila, que foram meus alunos, para saber se alguma vez usei a posição privilegiada de professor em sala de aula para traficar propaganda política. Não faço isso.

Mas aqui, no meu site, pago com meu dinheirim? Claro que faço e lhe garanto que nenhum administrador de Tulane está preocupado com isso.

Era essa sua dúvida? Me parece meio inverossível que alguém tenha uma dúvida dessas, com todo respeito. Mas se era essa, está respondida.

Idelber em fevereiro 14, 2011 2:24 AM


#62

Era sim, professor. Sempre tive a impressão de que, no Brasil, a atuação política dos acadêmicos era mais explícita. Minha formação acadêmica se fez na Alemanha e, lá, percebo um distanciamento maior dos professores. Até hoje, por incrível que pareça, não sei em quem meu orientador votava. Talvez, por lá, os problemas sociais não sejam tão urgentes quanto no Brasil.

Não quis questionar a sua ética acadêmica, professor. Quis saber se, nos EUA, a tomada de posição política por parte da academia é tão disseminada (e tão assertiva) quanto no Brasil.

Marcelo C em fevereiro 14, 2011 3:49 PM


#63

Idelber,

valeu pela resposta. Mal a demora na tréplica. Correria monstra.

Se eu acertei na pinta a data do jogo do Náutico, a memória me pregou peças: para mim, o jogo tinha sido 2x1, e não 3x2. E, na cabeça do menino que eu era, foi uma frustração do cacete: quando o Galo marcou o primeiro, eu pensei "com mil caracóis, se o Galo que é o Galo quebra esse tabu hoje, é lógico e óbvio que o Lula leva as eleições". Como perdeu, temi o pior.

Quanto ao jogo contra o Cruzeiro, que na minha memória tinha sido antes do comício, eis que a "memória substituter" da Internet põe as coisas no lugar: foi no fim-de-semana antes do segundo turno, mais precisamente dia 10 de dezembro. O que explica a adesão massiva da galera Belorizontina, já que no primeiro turno, a balança pesava ora para o Afif, ora para o Covas (e quem diria que esse tipo de pendor esquisito iria voltar em 2010 com a Marina emplacando em BH, hein? Culpa do Pimentel e do Lacerda).

Pra terminar, uma outra lembrança futepolítica, meio off-topic. No dia seguinte às eleições municipais de 1992, rolou um Galo e Caldense (ou Galo e Democrata-GV, a memória falha, mas creio que é Caldense), domingo 4 de outubro. Fui ao Mineirão. Qual é a graça do caso? O João Leite era candidato e jogava ainda. A cada vez que ele pegava na bola, um senhor que estava sentado perto na arquibancada gritava "joga direito, seu CORRUPTO"! E o cara nem tinha sido eleito ainda (votação manual, contagem do quoeficiente eleitoral, etc.). Mas dei boas risadas, ainda mais que o Patrus ficou em primeiro lugar, e que o Arnaldo Godoy acabaria eleito para seu primeiro mandato (como foi o primeiro mandato eletivo do Arqueiro tucano de deus).

Aquele abraço.

Leonardo Fazito em fevereiro 16, 2011 9:23 AM