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segunda-feira, 28 de fevereiro 2011

Consenso no topo, divergência na base: Os primeiros 60 dias de Dilma Rousseff (1ª parte)

A perplexidade da direita e a indignação da esquerda é uma tradição dos começos de governo lulistas. É provável que muita gente não se lembre, mas quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente, ele prometeu um governo que deixaria “a direita indignada e a esquerda perplexa”. Como se sabe, a profecia fracassou, mas treze anos depois Lula a atualizaria com signo trocado: em 2003, a reforma da Previdência, a elevação do superávit primário de 3,75% para 4,25%, a manutenção das metas de inflação e do câmbio flutuante, assim como o privilégio à estabilidade macroeconômica deixariam a direita perplexa e a esquerda indignada. Em dezembro de 2003, atendendo o convite da saudosa revista argentina Punto de Vista, escrevi um balanço otimista do primeiro ano do governo Lula, a partir da noção de superação do populismo. Quem se lembra de quantas bordoadas o governo Lula levou pela esquerda naquele ano saberá como era difícil que um cabra de esquerda mantivesse aquela posição. No número seguinte da Punto de Vista, Norberto Ferrera, argentino radicado no Brasil e professor da Universidade Federal Fluminense, publicava uma resposta, em que falava de “vergonha alheia” pelo meu otimismo e aludia ao “péssimo político Gilberto Gil” e à “falta de efeitos práticos” do governo Lula. Deixo ao leitor a decisão sobre quem riu por último.

Relembro aquele episódio não para bater no peito e dizer que eu estava certo. Talvez eu estivesse certo mas era, com certeza, pelas razões erradas. Seis anos depois, já com a perspectiva de dois mandatos de Lula, André Singer escreveria aquela que ainda é a melhor análise do lulismo, mostrando como ele se apropria da bandeira da redução da desigualdade sem perturbação da ordem, o que seria a chave para a conquista da população de baixíssima renda, o subproletariado, que havia sido anti-Lula até um passado recente. Observando a votação das várias classes sociais nas eleições brasileiras desde 1989, Singer vê o ponto de inflexão em 2006, justamente quando setores da classe média abandonavam Lula, e os muito pobres, que em 1989 haviam seguido Collor por medo da desordem, abraçavam seu novo líder, favorecidos pelas políticas de valorização do salário mínimo, pelo Bolsa Família, e por programas como o Luz para Todos, mas movidos também pela empatia com o retirante nordestino que chegou à Presidência.

&&&&&

O petismo pode ter representado uma superação do populismo, como eu dissera em 2003 (há um belo livro de Raul Pont, aliás, que recomendo a todos: Da crítica do populismo à construção do PT). Mas o lulismo, que foi quem efetivamente governou, é uma atualização do populismo, que combina o ganho econômico para os mais pobres, o sólido cuidado com os interesses do andar de cima, especialmente do capital financeiro, o papel do Estado na correção (moderada) das desigualdades, e o apreço pela ordem. É o que Cristóvão Feil resume num ótimo achado: lulismo de resultados. Dilma mantém tudo isso, mas o lulismo agora sobrevive sem um de seus pilares: a identificação dos mais pobres com seu nordestino retirante, nove-dedos e corintiano. Todos os assessores e colaboradores coincidem na avaliação de que Dilma é extremamente difícil de ser lida, mas alguns de seus movimentos iniciais têm a ver, acredito eu, com a sua percepção desse problema: como reinventar o lulismo sem Lula. Nós sequer temos uma tradição de presidentes concluindo mandatos e transmitindo o cargo a um(a) correligionário(a). Dilma tem a tarefa de suceder o maior mito político de nossa história moderna.

&&&&

O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses. A afirmativa é até banal, de tão óbvia, mas é chave para entender estes primeiros 60 dias. Têm alguma representação na coalizão lulista o subproletariado e o capital financeiro; ruralistas e ambientalistas; o capital industrial e as centrais sindicais; oligarquias peemedebistas e setores trotskistas do PT. A administração dessa coalizão heterogênea, com Dilma, certamente terá um caráter diferente da que teve com Lula. A tecnocracia de esquerda, para usar a certeira expressão de Moysés Pinto Neto, não é simplesmente um traço da personalidade da Presidenta, mas uma estratégia real, que recoloca os problemas políticos—onde a expressão dos antagonismos de classe é inevitável—como questões técnicas e gerenciais. Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento.

As frentes amplas—como aquela formada em apoio a Dilma durante as eleições—são reconfortantes. Nos sentimos parte de um todo unitário. Há um inimigo comum. É uma ótima sensação: "somos todos companheiros!" Mas seria uma ingenuidade, na melhor das hipóteses, imaginar que essa unidade se manteria durante o governo. Daí o fato de que, seja qual for sua opinião sobre os primeiros 60 dias, qualquer tentativa de sufocar o debate com afirmativas sobre a necessidade de manter a “unidade” são daninhas e devem ser rechaçadas. Se, no topo, há um consenso—até a Revista Veja e Kátia Abreu reservam elogios para Dilma, sem que a esquerda do PT, por exemplo, sequer cogite romper com o governo—, na base há uma proliferação de avaliações diferentes, da perplexidade à indignação, da justificativa automática de qualquer ação da Presidenta a julgamentos peremptórios sobre a hegemonia neoliberal no governo. É normal que assim seja. Estamos todos tateando.

No caso da internet e da blogosfera, foi o feminismo o primeiro a ser acusado de “desagregador”, já logo na época da posse. Houve gente que se dispôs a “investigar” quem estaria “por trás” da crítica ao masculinismo da esquerda. Houve gente que comparou a crítica feminista ao masculinismo progressista no Brasil de hoje ao colapso dos republicanos espanhóis na Guerra Civil em 1937. Houve gente que viu, por trás da crítica feminista, os dedos de um misterioso e onipotente ex-assessor da Soninha. Mal sabiam os acusadores de então que seriam depois, também eles, acusados de romper a “unidade”, seja ao questionar ações do MinC, ou criticar a política do salário mínimo, ou questionar a ida da Presidenta à Folha de São Paulo, ou defender essa mesma visita (neste caso, aliás, eu entendo os que se indignaram e entendo os que a justificaram; só não entendo aqueles que, dos dois lados, se surpreenderam). A estas alturas, portanto, já não tem sentido pensar em agregadores ou desagregadores, posto que está mais ou menos óbvio que existe uma pluralidade de avaliações acerca dos primeiros 60 dias de Dilma—o que é muito positivo.

Esta é, portanto, a primeira tese: a pluralidade de avaliações dos primeiros passos do governo Dilma deve ser incentivada. A retórica da “necessidade de manter a unidade da blogosfera” é enganosa e serve interesses escusos. A conversa deve ser ampliada para incluir camaradas que optaram pelo apoio a Marina Silva, e que agora com certeza terão algo a dizer, por exemplo, sobre a construção da Usina Belo Monte. Ela deve incluir também forças da oposição de esquerda, como, digamos, Ivan Valente e Milton Temer, cuja exclusão do debate sobre os rumos do governo não interessa em absoluto ao petismo. Eles serão aliados, por exemplo, no debate sobre a reforma política. Está mais ou menos claro que haverá uma reconfiguração das forças políticas brasileiras nos próximos anos: quem, em sã consciência, um ano atrás, imaginaria Kassab no PSB ou Kátia Abreu na base dilmista?

A hegemonia sobre os rumos do governo não está dada de antemão. Vale a pena brigar por ela. Volto ao assunto num próximo post, tratando da reforma política e das comunicações.



  Escrito por Idelber às 01:26 | link para este post | Comentários (65)


Comentários

#1

Idelber, com todo o respeito (e considerando a sua hipótese de "valorização da pluralidade) o governo Dilma (seja ele bem ou mal avaliado aqui a quatro anos, não me cabe aqui nenhum exercício de adivinhação) pecou por comunicar-se com extrema gentileza com a chamada "direita" brasileira (que inclui, sim, grupos heterogêneos e com interesses conflitantes, como industriais e latifundiários, por ex.) e não dar nenhum sinal de reconhecimento ou de adequação às diversas orientações tidas como "de esquerda".
Pelo contrário, a sequência de maus sinais, dos quais destaca-se a atuação do MinC, pode ser entendida como uma revelação, à lá Meszaros, de que o sistema convenceu-se da prevalência do neoliberalismo, a qual os diversos atores políticos, como o Obama (por ex.), são incapazes de reverter.
A manutenção do Brasil como um país periférico, fornecedor de commodities para o centro do capitalismo acabou por sustentar-se na divisão de renda "na marra" representada pelo Bolsa Família, e não por políticas públicas de longo prazo, como o investimento massivo em educação e a reforma agrária, que ao meu ver e a depender do início do governo Dilma, tornaram-se sonhos um pouco mais distantes.
Ou isso ou eu ainda não sou um pragmático pró-mercado.

Fernando Leme em fevereiro 28, 2011 2:27 AM


#2

Idelber, Idelber, não sei se a tua bola de cristal tá tão bem cotada assim não, teus textos de 2004 não dizem o mesmo que os de 2003... ;)

----

Bom, sobre os próximos 4 anos de Dilma, ando pessimista. Acho que o Brasil deve mesmo crescer acima de 6%, pobreza ainda mais reduzida, melhora em diversos indicadores. Mas se eu quisesse um bom gerente, votava no PSDB.

Eu sou de esquerda, mas aceito coalizões "amplas". Só não me agrada a perspectiva de bons resultados de centro, sem as bandeiras de esquerda. Sem casamento gay, sem fontes menos agressivas de produção de energia, sem reforma agrária, sem briga pela democratização dos meios de comunicação, sem PNDH-3... (por mais quatro anos), bem, aí eu vou ter que procurar um partido de esquerda pra votar em 2014.

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Uma historinha rápida:

Tenho um amigo que se diz de esquerda e votou em Lula em 2002, mas pulou fora indignado depois do mensalão (tá bom, eu também fiquei indignado). Em 2010, votou na Marina, e na Dilma no segundo turno, mais pra evitar o Serra (quem gosta do Serra?). Prefere o Palocci; vai com a cara do Aécio; seus olhos brilham com expressões como "choque de gestão"...

Enfim, esse meu amigo existe mesmo, por mais que pareça uma caricatura, extremamente comum de se encontrar, de pseudo-esquerdista-tucano-enrustido.

O caso é que sempre que eu tento contra-argumentar com ele (e outros do mesmo time), a fim de desfazer essa panaceia de "bons gerentes" que o PSDB vende aqui e ali, costumo atacar tal modelo dizendo coisas como que se trata de uma estratégia de discurso "que recoloca os problemas políticos—onde a expressão dos antagonismos de classe é inevitável—como questões técnicas e gerenciais. Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento."

Moral da história: roubaram a minha crítica ao PSDB, pra usá-la como elogio a Dilma.

(isso não me traz bons pressentimentos)

JG_ em fevereiro 28, 2011 5:57 AM


#3

Eu concordo com a tese de ajudar a manter a pluralidade, mas acho que tem um pessoal pegando meio pesado nas críticas.
Do salário mínimo, nem sei o q dizer. Ela conseguiu transformar em lei o acordo q o lula tinha feito com sindicatos. Foi uma supervitória para quem acha bom o salário mínimo subir com critérios alinhados ao crescimento do brasil, ou não?
Essa história da ida à folha foi ridícula. A presidenta cumpriu o protocolo - não são muitas empresas no brasil que fazem 90 anos-, fez um discurso coerente com o que ela é e sempre foi, e, depois do discurso, foi embora, porque ela tem mais o que fazer na vida. E pronto.
Chamá-la de tecnocrata também é meio precoce. Eu acho que ela está usando argumentos técnicos para obter vitórias políticas, vitórias para a estratégia de crescimento que o pt traçou e quer alcançar.
Acho que todas as questões sociais e de direitos humanos terão melhores condições de avançar com dilma do que tiveram com lula. Primeiro porque a base dela no congresso é mais sólida do que a q lula teve. segundo porque ela tem ainda mais vontade política de mudar essa estrutura arcaica do Brasil do que tinha o lula no início de mandato. Aposto que em seu governo vai passar lei de comunicações; casamento gay; descriminalização do aborto, etc.
O perigo que eu vejo é a esquerda se desmantelar em picuinhas e deixar a direita (kassab, etc) tomarem acento no apoio ao governo. Ai ela vai ficar sem apoio para fazer o que ela certamente gostaria de fazer em algumas áreas, para garantir a execução da meta maior que é - e deve ser mesmo - reduzir a pobreza.

aiaiai em fevereiro 28, 2011 7:59 AM


#4

O que eu acho curioso dessa revolta da esquerda é que a narrativa de 2011 é a mesma de 2003. Com certeza, muito mais do que uma suposta opção por uma guinada ideológica ou administrativa muito abrupta, estão usando esse momento oportuno e a solidez da base (mesmo que perplexa) para desestruturar a oposição, tanto no plano partidário quanto no plano imagético e ideológico. Se esse movimento não é claro agora, não importa: apela-se à base com resultados em alguns anos. Mas é patente que existe um cálculo e uma prática política mais sofisticados do que o derrotismo que anda circulando.

Dilma já cumpriu uma promessa do Lula, que não é pouca coisa. Extirpou o DEM da política brasileira! Kátia já não se dá com Bornhausen que não se dá com Kassab. Nisso, ainda alijou a Força Sindical e fez o PSDB votar contra a bandeira histórica deles e entrar de cabeça na oposição negativa pela qual tanto se criticou o PT pré-poder. É só parar pra imaginar como isso vai soar nos debates de 2014 com o Aécio.

thor em fevereiro 28, 2011 8:14 AM


#5

Puxa, descriminalização do aborto eu sou capaz de apostar que não passa, não. União civil de casais do mesmo sexo, sim. Mas aborto? Duvido.

Gostaria de estar errado, sublinhe-se.

Idelber em fevereiro 28, 2011 8:38 AM


#6

Para mim fica uma questão que não considero fácil: é possível valer-se da tecnocracia como forma de resolver - talvez fosse melhor dizer evitar - as questões políticas, sem levar junto o insulamento burocrático e certo autoritarismo que acompanhas as práticas gerenciais? Além disso, me parece que a resolução tecnocrática coloca a hegemonia sobre bases frágeis uma vez que não se trata de um "consenso" orgânicamente articulado, mas que é, em certa medida imposto.

Concordo que não se pode esperar que as "bases" avaliem consensualmente as políticas de governo, mas elas não podem ser ignoradas, já que a conquista por "espaços" na sociedade civil é interminável. Contudo, na medida em que o gerencialismo visa escamotear o conflito inserindo a dimensão da técnica acaba por dar pouco espaço a resolução política das questões.

Amon B. em fevereiro 28, 2011 9:12 AM


#7

Ouvimos coisas muito parecidas de alguns esquerdistas no primeiro ano do primeiro mandato do presidente Lula. Muitos deles foram para a extrema esquerda se encontrar com a extrema direita (pelo outro lado). Ver o PSOL alinhado com o DEM e o Chico Alencar repetindo as coisas que o Roberto Freire diz é muito instrutivo. Minha convicção continua inabalada: a presidenta Dilma vai fazer um ótimo governo. Quanto aos direitos humanos, a impressão que eu tenho é que a ministra Maria do Rosário está muito à vontade no cargo.

Igor em fevereiro 28, 2011 10:36 AM


#8

Idelber, a União Civil vai sair via STJ e STF.

Semana passada começou o julgamento de um recurso com esse objeto no STJ, que está em 4 a 2 a favor da tese. Faltam 4 ministros votarem, me parece que vai rolar.

Além disso, temos o STF, que vai julgar uma ação constitucional com esse mesmo objeto nesse ano ainda, provavelmente no primeiro semestre.

Rodrigo Saraceno em fevereiro 28, 2011 11:12 AM


#9

Sim, sim, acompanhei a votação no STJ, até o inacreditável pedido de vista...

Idelber em fevereiro 28, 2011 11:19 AM


#10

Bem vindos ao mundo corporativo, após a eleição, não de uma política, mas de uma C.E.O. Nem um tucano faria melhor...

O chato é que, em um país democrático - e como o nível de política que temos - quem vota na Assembléia Geral Ordinária de 4 em 4 anos não são apenas os militantes, digo, os que tem as ações majoritárias (preferenciais ou ordinárias) , mas todo o quadro de acionistas, digo, todo o eleitorado, daí que essa C.E.O. terá que levantar o traseiro do trono, digo, da cadeira presidencial, e se travestir de política mais uma vez, deixando os acionistas majoritários, digo, os militantes de respiração suspensa mais uma vez...

Dida em fevereiro 28, 2011 11:23 AM


#11

Idelber, ia comentar exatamente o que voce comentou em #5!
Concordo muito com aiaiai (em #3), mas acho que a discriminalização do aborto, infelizmente, vai ter que esperar. E isso é consequência do processo eleitoral, ocasião em que o PT respondeu à campanha fascista do PSDB se comprometendo em não tocar nessa questão. Gostemos ou não, esse foi o compromisso.
Mas, no geral, concordo com aiaiai. Principalmente porque, na minha opinião, tem muita gente baseando-se um informações da velha imprensa para criticar o governo em seu início. Acho isso, no mínimo, precipitado.
Obs: depois que as coisas estiverem mais claras, claro que críticas serão feitas, e devem sempre ser feitas. Com elas, temos a oportunidade de refletir, avançar e/ou corrigir rotas.
Mas devemos saber separar as atitudes a serem tomadas pelo governo com as atitudes a serem encampadas pelo partido majoritário (PT). Esse entendimento ainda tem que ser melhor amadurecido, e noto isso desde que trabalhei em alguns governos do PT, na esfera executiva municipal. Lembro-me, por exemplo, como foi dolorosa essa discussão no governo Luisa Erundina.
Mas vamos em frente. Saber trabalhar com o tempo é uma das maiores virtudes de um lider político. Vamos deixar as coisas se definirem um pouco melhor, mas sempre vigilantes e dispostos a fazer as necessárias críticas construtivas.

Cláudio Freire em fevereiro 28, 2011 11:26 AM


#12

E eis que acabo de ler na Folha uma entrevista com Luiz Werneck Vianna que vai mais ou menos na linha do exposto aí no post.

Idelber em fevereiro 28, 2011 11:28 AM


#13

Ótimo texto. Por enquanto, estou enxergando as coisas como o comentário do Amon B.

Moysés em fevereiro 28, 2011 11:28 AM


#14

O mundo complexo do jeito que está e tem gente que ainda se apóia nos velhos clichês de esquerda e direita?
O que é ser de esquerda hoje? O que é ser de direita?

Rodrigo N. em fevereiro 28, 2011 12:38 PM


#15

Concordo que o modelo adotado no Brasil nos últimos anos envolve uma pactuação social heterogênea, mas ela é diferente do populismo em essência. No populismo os conflitos sociais se davam dentro do estado. No nosso modelo atual estamos próximos do que os autores das Varietes of Capitalism chamam de "capitalismo cooperativo", em que o estado atua como árbitro dos conflitos sociais (explicação rasa, a teoria é muito mais complexa). Sugerido, para complementar ao André Singer, a leitura do artigo de Glauco Arbix sobre o modelo econômico adotado no governo Lula, em comparação com o desenvolvimentismo e o neoliberalismo.

Paulo Roberto Silva em fevereiro 28, 2011 12:47 PM


#16

Já que vamos fazer indicações..

Após uma pequena temporada estudando populismo, especialmente o Jorge Ferreira, cheguei à conclusão que se trata de uma categoria vazia, de uso meramente desqualificatório. Só serve quando vem qualificado (populismo-trabalhismo do Vargas, populismo cambial do FHC, populismo salarial cooptatório do Jango ministro do trabalho. Vê-se que a palavra não acrescenta nada)

thor em fevereiro 28, 2011 1:08 PM


#17

A tecnocracia não é perniciosa se for tática para encobrir políticas de esquerda, ou seja, escamotear a visão ideológica para minimizar a barulheira da imprensa conservadora que, apesar das redes sociais e mídias livres, ainda é dominante.

Mas a tecnocracia passa a ser um problemão, e de fato se alinha ao discurso tucano, quando é posta em dialética com a democracia. Isto é, opor gestão e democracia. Aí a tecnocracia passa a ser usada para encobrir não a política de esquerda, mas precisamente a sua neutralização, curvada sob a incontestabilidade de números e especialistas e teses acadêmicas.

Exemplo concreto. Ministério da Cultura. O discurso tecnocrático aí se apresenta como sustentabilidade, qualificação profissional, inserção no mercado, gestão eficiente, para se opor, de modo dialético, à democratização dos recursos, ao empoderamento transversal dos agentes culturais, à expansão dos Pontos de Cultura e da Cultura Viva (política cuja importância se equipara ao Bolsa Família, por atender, cf IPEA, mais de 8 milhões de pessoas e complementá-lo com a capacitação produtiva e cognitiva dos pobres).

Não a toa a Ministra Ana de Hollanda tenha aparecido no caderno MERCADO da Folha de São Paulo e no DINHEIRO da Isto É. Está assessorada por advogado do ECAD, medalhões da "classe artística" e cabeças da aristocracia ilustrada do Rio de Janeiro (três grupos que são as mesmas pessoas). E assim maneja o discurso técnico pra anular a política de esquerda. Isso é estratégia, sim, mas do mais desvalado reacionarismo.

Isto tem significado: 1) contornar a ampliação dos Pontos de Cultura (como prometido na campanha) em nome da "qualificação" do programa e sanar problemas de gestão; 2) priorizar iniciativas "sustentáveis" como indústrias criativas = parcerias com grandes conglomerados cultural-midiáticos (seguindo o exemplo do Rio, onde o discurso da economia criativa se concretizou com três mega-museus nas mãos da Fundação Roberto Marinho); 3) reunir "especialistas" para formular as políticas públicas, ao invés da construção em rede de baixo pra cima dos ministros anteriores, e isso fica evidente na discussão da LDA, onde Ana promete "montar uma comissão de juristas"; 4) estabelecer a dicotomia entre criadores (classe artística) e consumidores, onde a cultura não passa de produtora de bens integrada à economia, e não como autovalorização social e construção de mundo em rede, ou seja, mundinho separado da cultura (atividade técnica e especializada) e não cultura como mundo, ou seja, cultura proprietária x cultura commonista.

Esse discurso autoritário e surdo, porque blindado pela aura de apoliticidade, tomada como valor e não desvalor, está apresentado de modo cristalino no MinC. Nas outras áreas, meu juízo fica um pouco atenuado pelos argumentos dos defensores do governo. Essa questão dos 90 Anos da Folha pra mim não passou de dor de cotovelo da blogosfera progressista, e serviu para ela parar de ser mais realista que o rei. Mas no Minc é simplesmente indefensável a guinada, mais que conservadora: reacionária. É um desastre total.

É preciso produzir o dissenso.

Bruno Cava em fevereiro 28, 2011 1:34 PM


#18

Quanto à questão do casamento gay, além do processo no STJ, o deputado Jean Willys (não sei como escreve o nome dele) apresentou o projeto de uma PEC do casamento gay. Vamos ver se vai ser discutido.

Infelizmente o aborto não deve passar. Lembro que durante o governo Lula alguém tentou propor que se desse tratamento no SUS às mulheres que fizessem um aborto clandestino (li um artigo em defesa dessa proposta na Veja!), mas também não passou. E vendo o tipo de argumento que usam nas discussões desses temas (casamento gay, aborto), me pergunto se estamos mesmo num Estado laico livre de influências religiosas em suas decisões.

Bárbara em fevereiro 28, 2011 1:48 PM


#19

Ótimo texto, Idelber. E o resumo (se podemos chamar assim) é este:

"O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses."

Corrija-me se estiver enganado, Idelber, mas para poder "acomodar" esta heterogeneidade de classes e interesses, o poder, necessariamente, deve gravitar no CENTRO do espectro político, não?

Não seria uma incoerência chamar um governo assim de esquerda? Ou será que essas divisões em direita, centro e esquerda está ultrapassada, pelo menos no caso brasileiro?

Não corremos o risco de embaralhar muito o espectro político em nosso país, nessa conjugação de interesses, ficando assim difícil da população em geral identificar quais partidos/candidatos os representam mais fielmente, facilitando a vida dos conservadores (lobos vestidos em pele de cordeiro)?

Esses questionamentos foram levantados num post recente do Rodrigo Vianna e achei que tem muito a ver com o seu post. Agora, só o tempo trará as respostas.

Abraços,
Carlos Lessa

Carlos Lessa em fevereiro 28, 2011 1:56 PM


#20

O comentário #16é perfeito quanto à inutilidade do conceito de populismo.

Paulo Roberto Silva em fevereiro 28, 2011 2:09 PM


#21

O governo Dilma é um governo em disputa e as forças que o compõem precisam brigar para se fazerem ouvidas. O que eu realmente cobrarei do governo Dilma é a continuidade de uma característica presente em ambos os governos Lula: que seja melhor que todos os governos anteriores, ou, como disse a presidenta em campanha: avançar, avançar, avançar.

eltonbcastro em fevereiro 28, 2011 2:16 PM


#22

Thor, Paulo: Eu tenho observado essa tendência de uso do conceito de populismo de forma desqualificatória. Tenho observado também que ele costuma aparecer sempre que algum governo toma medidas em favor das classes menos desfavorecidas. Nesse sentido, acho que vocês têm razão.

Mas eu não jogaria fora o conceito de populismo, não. É uma discussão longa, que eu não tenho condições de reeditar aqui agora, mas eu os remeteria a um livro do Laclau, um post do Biscoito sobre João Ubaldo, outro sobre Fernando Henrique, em que aparecem alguns esboços de como eu entendo, hoje em dia, o conceito de populismo.

Para resumir a ópera: entendo as reservas que o Thor coloca. O termo é mesmo usado, levianamente, para desqualificar. Mas não sei se eu "jogaria o bebê fora junto com a água suja do banho", para usar outro clichê. Claro que o Thor deve ficar totalmente à vontade para dissertar aqui sobre suas razões para descartar o termo. Eu ainda acho o conceito essencial.

Idelber em fevereiro 28, 2011 2:25 PM


#23

"a opressão quase sempre conta com a conivencia do oprimido" Jean Paul Sartre

Lord Jim em fevereiro 28, 2011 2:56 PM


#24

As dificuldades para aprovar uma lei que ao menos trate o aborto como uma questão de saúde pública serão imensas, não duvido. Mas a Espanha já conseguiu...Portugal também. Então, pensando que Dilma ficará 8 anos, não acho improvável que ela consiga. Vai depender muito de como nós - os cidadãos - vamos nos comportar nas próximas eleições.

Um dos pontos importantes: se a gente ficar dando ouvidos à esquerda evangélica (coisa esquisita, mas vcs sabem quem é, né?), não vamos conseguir avançar mesmo.

aiaiai em fevereiro 28, 2011 3:11 PM


#25

Os analistas que enxergam tantas sutilezas e nuances são muito mais inteligentes que eu, isso é uma coisa evidente pra mim que quero deixar claro.
O sistema que permitiu e eleição do Obama lá, da Lula e da Dilma aqui, sabe o que faz e não abre mão de nada, ao contrário.
Em nosso país pobre só é motivo de preocupação para o poder quando pega em armas. Uma parte da população inconformada e com disposição para a ação mas que não tem a menor capacidade de se organizar politicamente em guerrilhas ideológicas, se organiza em quadrilhas (milícias, traficantes, crime organizado e o escambau). O mesmo sistema que “permitiu” essas eleições controla e administra muito bem seus interesses e descobriu que, impossibilitada de manter um dos seus a frente dos governos eternamente, o melhor é recrutar um dos “excluídos’, de “esquerda” – operário nordestino, negro americano, mulher, índio biliviano – para tocar o barco pq daria uma enorme satisfação aos realmente excluídos. E daria tempo aos donos do mundo para ajustar suas estratégias para os momentos seguintes.
Para melhor resumir o que penso melhor fazer o seguinte: baixar na net o documentário Da Servidão Modera, assistir e pensar a respeito. Boa sorte pra todos nós que vamos precisar.

Lord Jim em fevereiro 28, 2011 3:32 PM


#26

Idelber, discutir o popu,lismo sob um enfoque como o de Laclau é interessante, porque aí estamos falando do populismo tal como ele se configurou em um determinado momento histórico: Um modelo político em que as classes emergentes ligadas ao processo de industrialização (tanto burguesias nacionais modernizantes como setores populares, especialmente urbanos) encontraram -, ou melhor dito, formaram, embora com diferentes graus de poder e influência no produto final - um Estado e um regime que pudesse dar resposta política, econômica e social à crise da dominação oligárquica (Weffort, 1973; Laclau, 1977; In: Calderon).

Agora, pactuações entre grupos sociais heterogêneos para o desenvolvimento aconteceram em diversas circunstâncias, não necessariamente desembocando em populismo. O Oriente é pródigo nestes exemplos. Ou vamos chamar de populista o governo japonês nos anos 1960, o coreano dos 1970 ou mesmo o chinês a partir de Deng Xiaoping?

O "lulismo", ou algo assim, assim como o "chavismo", não é uma resposta à crise da dominação oligárquica, mas à crise das reformas liberais do consenso de Washington. No Brasil, o PT construiu um pacto social que no qual a grande empresa ocupa um papel de vanguarda. Na Venezuela Chaves articulou outro pacto, no qual a grande empresa não tem voz. O resultado é a diferença entre o desarollo endógeno de Chavez e o ativismo estatal sem estatismo de Lula/Dilma

Paulo Roberto Silva em fevereiro 28, 2011 3:36 PM


#27

Blog de esquerda não significa eliminar a direita. Aldo Rebelo, relator do novo código florestal apoiado por Kátia Abreu, apoiadora da CPI do MST! Que nada apurou e o PIG não anunciou. Como no caso dos laranjais.
Temos pois um único problema – é a midia, o PIG, a Fox. Passamos mais tempo desmanchado factóides, que na falta surgem os feminazis, os blogueiros com Luls
Enfim ser presidenta é ser como uma mãe,segundo Lula no documentário argentino. Se favorecer o filho mais necessitado. Isso é paradigma como dizem imperativo categórico. O pensamento convergente é a utopia de Estado e Mercado eficazes!!!Estado é mãe. mercado é partilha se for eficaz. Ser presidenta, mãe, gerir o Estado no Brasil é muito fácil. No pais mais rico do planeta, integrante de um MERCOSUL, o imperativo categórico, o destino, a profecia torna inexorável a diminuição da desigualdade de renda das famílias. Quando atingiremos uma Noruega que partilhou o seu petróleo. Alias como será a blogosfera lá. Tem blogs sujos e não sujos ou é tudo cinzento?
Dêem banda larga acessível como já existe em outras economias capitalistas e mais gente virá ao Biscoito aprovar, criticar e muito pelo contrario.
Se Dilma fizer, pe. mais pela educação como Lula, torneiro mecânico - mais 214 escolas técnicas alem das 105 (?) que desde sempre existiram a partir da 1a. em 1909 e o pouco sempre será > que zero, apesar de ser condição necessária mas não suficiente. A desigualdade diminuiu. Para tal aritmeticamente é preciso que os + pobres se apropriem de uma PARCELA maior. Sem revolução diante da bonomia da raça brasileira.Ah foi o IPEA que disse isso dirigido pelo Pochmman que agora o Moreira minista, (paradoxo, outro?). Ah e ele tambem disse termos o fator populacional a nosso favor - o crescimento já está abaixo de 1,9 filhos por casal, na media. Imagine quando o nordeste do Nicolelis, pela neurociencia se apaixonar pela cultura. Nutrição e reprodução.
Sonhar juntos...........

Luiz Monteiro de Barros em fevereiro 28, 2011 4:25 PM


#28

Concordo contigo, Idelber.
Outro dia mess falei para um (já!)decepcionado eleitor da Dilma que ainda é muito cedo, e ainda lembrei a ele dos decepcionados eleitores de Lula, ao fim já não tão decepcionados. Pelo contrário: surpresos pelo seu ótimo desempenho, apesar do clichê "mas-claro-que-poderia-ser-melhor"...

Fora do assunto: silêncio de um minuto pela morte de Benedito Nunes, aos 82 anos.
Um ótimo e raro crítico literário com forte formação filosófica, no Brasil.
E um camarada muito gente boa, com quem já bati ótimos papinhos.

Jair Fonseca em fevereiro 28, 2011 5:29 PM


#29

Não tenho conhecimento nem erudição pra comentar com muita qualidade o texto do blogueiro, que é sempre muito bom. O que diria é que não vejo muita diferença entre Lula e Dilma, a menos do estardalhaço do primeiro(aliás Frei Beto foi certeiro quando disse que saímos da Escola de Samba para o Teatro Municipal).

As concessões à direita estavam e continuam lá, bem como os méritos e avanços sociais provavelmente continuarão também (espero que os avanços políticos, abandonados por Lula, aconteçam agora).

Então acho que a essência do governo é praticamente a mesma, o que é uma vantagem, pois teremos um Governo Lula SEM O LULA, uau, isso é ótimo, viva Dilma!!!
Wagner

wagner em fevereiro 28, 2011 5:47 PM


#30

Caro Jair, deixei ontem no Twitter minha notinha de pesar pela morte de Benedito Nunes. O Alexandre Nodari fez o comentário perfeito: foi um dos poucos filósofos a entender a forte carga de pensamento que havia em Oswald de Andrade e Clarice Lispector.

Requiescat in pace.

Idelber em fevereiro 28, 2011 5:52 PM


#31

Idelber, você leu no Blog do Sakamoto sobre o acordo do governo com a Cosan, que praticamente desmonta a luta contra o trabalho escravo no Brasil? Isso tb é estratégia?

Concordo com você que ainda é cedo para avaliar, mas que estou profundamente desanimada com os sinais que esse governo está emitindo, estou. Tomara que você esteja certo e eu errada.

Anarquista Lúcida em fevereiro 28, 2011 8:00 PM


#32

Mas o meu texto não diz que não há sinais preocupantes. Só diz que a hegemonia está em disputa. Sim, há várias coisas preocupantes. A que você cita é uma delas. Estou contigo.

Idelber em fevereiro 28, 2011 8:06 PM


#33

Idelber, sinceramente um governo que começa com sua presidenta no mesmo dia que sai um corte monumental indo ao Rio de Janeiro com o jato oficial para cozinhar em um programa de TV é um mal sinal, ou não?

Por sinal nesses cortes estão os futuros fiscais que iriam fiscalizar a Cosan (port 31) em uma semana que ela fez acordo com a AGU, curioso não? É para fazer o acordo e impedir novas fiscalizações, é isso que dá para entender?

O Guido também cortou a contratação de 300 cgu que iriam fiscalizar os gastos do governo, mas irá contratar por uma quantia maior a FGV, o mesmo expediente usado pelo grande gestor Sarney (não é um ataque a FGV, mas não era necessário nem um caso nem o outro, todos sabem o ocorre na folha, estão querendo economizar mesmo?

Sem contar os agrados para o Sarney, a Dilma ao meu ver é apenas um Serra melhorado, o que é muito pouco, a hegemonia já foi dada, se a direita tiver o mínimo de articulação Aécio Neves será o futuro presidente, todos que ela paparica nesse instante estarão do outro lado, e quem considerou traído não terá confiança nela.

marcelo l. em fevereiro 28, 2011 10:15 PM


#34

"Sem contar os agrados para o Sarney, a Dilma ao meu ver é apenas um Serra melhorado,"
hehehe... melhor seria ter ficado com o original, de fábrica, então.

dida em fevereiro 28, 2011 10:20 PM


#35

Marcelo, na boa, o lance da Dilma fazer um omelete de queijo com a Ana Maria Braga eu acho de pouca monta. Mas os outros pontos que você coloca, esses sim, valem discussão.

Pra quem não viu ainda: o João Villaverde tem uma boa análise do corte orçamentário.

Idelber em fevereiro 28, 2011 10:24 PM


#36

Idelber, até entendo mas a analise do João Villaverde falta alguns dados...

1 - Começo pela CGU já que foi eu que coloquei, isso foi informado pelo Jorge Hage está adiado para 2012, e é ela que faz a controle interno para o governo, se você adia a estruturação dela para que contratar uma auditoria externa que será mais cara, se não terá quem implementar o plano, e a mesma CGU poderia fazer o plano, mas aí nem vou comentar.

2 - Agora partindo para analise do João Villaverde, questão dos concursos públicos, sim é uma indústria, mas estava forte este ano por algumas razões, o governo tem um acordo não cumprido com o Ministério Público Federal de acabar com funcionários terceirizados em funções fins, por sinal os terceirazados saem mais caro (mas isso é outro problema), vamos raciocionar, não contratamos para indicar que queremos pessoal na iniciativa privada, mas ao mesmo tempo deixamos um "trabalhor mais caro temporário"...

3 - O termo indústria do concurso é mais a causa de um problema estrutural brasileiro, a constituição de 1988 exige que sejam realizados concursos, o serviço público paga melhor que o particular, e há milhares vagas não preenchidas que ficam represadas por adiamentos, enquanto isso cargos de livre provimento mais os terceirizados sempre aumentam.

4 - O caso Cosan já cheira mal, este mês havia notícias verdadeiras ou não que queria-se mais fiscais por que o atual número é insuficiente para combater o trabalho analogo ao escravo e não terá concurso? Idelber é estranho, até por que um lobby bem feito com uma boa reportagem das condições de trabalho escravo e a falta de vontade do governo de combater conseguirá facilmente obtenção de barreiras tanto nos EUA como na Europa, é jogar com a sorte e nesse momento o "mercado" (para usar uma expressão tão queria do Guido) é protecionista e procura desculpa para proteger os empregos dos seus nacionais.

5 - Só pensar na área das Universidades Federais e escolas técnicas recém-inauguradas adiar a contratações é meio sem sentido em um governo que diz vai atacar o conteúdo e que precisa de um esforço de formar melhores trabalhadores.

6 - Acho que o problema do jatinho e do omelete, Idelber, é simbólico, no momento que seu governo está congelando salários e fazendo cortes de investimento duríssimos, você vai mostrar na TV que é uma boa dona de casa prendada, eu sinceramente achei um momento de extrema alienação com o povo que a elegeu. Claro que o Guido ainda torpedeu a mesma FAB dizendo que não tem dinheiro para caça, mas descobrimos que tem para jatinhos presidenciais passearem ao Rio de Janeiro.

7 - Próximos dias teremos um novo aumento dos juros, ou seja, toda economia e sacrifício será entregue ao Deus Mercado.

marcelo l. em fevereiro 28, 2011 11:26 PM


#37

Xará, ótimo comentário. Eu tô aqui só assuntano. Não se pode dizer nem que a mascara caiu, por que a presidentE nem chegou a colocar uma máscara. O mais interessante é como a parte da esquerda que ainda reage _ ou deveria reagir _, vai aos poucos percebendo que deve adotar novos questionamentos, se quiser ser diferenciada. Vai ser sintomático ler a evolução dos post do Idelber daqui para frente!

Marcelo em março 1, 2011 12:00 AM


#38

caro idelber, o que percebo, de muito salutar, em seu caderno, são as fundas indagações de todos. gente que conhece o chão (minado?)da política(esta arte de bagaceiras, como diria o matuto, de pés de chão)concordo com você,o quanto o sr luis inácio lula da silva foi espezinhado no os primórdios de 2002-03. foi peia, aos montes. o tempo mostrou a lucidez do operário. nessa perspectiva, lula, melhor do que ninguém, sabia quem deveria prosseguir com o rumo. não vi o inferno desabar e instaurar-se, mediante ao fato da presidenta comparecer ao aniversário da folha(onde reside a perdição em dilma conversar com com fhc?) será que a nação vai ser desmilinguida e esfacelada pelo capital porque a presidenta vai conversar no programa "mais você" tenho enormes ignoranças", do ponto de vista político e dou inteiras razões ao gênio de sigmund freud quando diz que educar e governar são imperativos impossíveis. fica redundante dizer, dila já faz um ótimo governo, desde o ministério das minas e energia. inté

mario cezar em março 1, 2011 12:15 AM


#39

Excelente comentário, marcelo (o do xará também). Lido com mucha atención. Estou aqui matutando, catando informação aqui e acolá. Agora vou me deliciar com meu Borges e deixo este post aqui mais 24 horas para você conversarem -- inclusive porque amanhã deve sair um aumento dos juros, não é isso?

Volto a fazer outro post de política, se os orixás assim o permitirem, na madruga de terça para quarta.

Conversem aí à vontade.

Idelber em março 1, 2011 12:18 AM


#40

Idelber, para além do comentário específico sobre sua avaliação desse primeiro momento, que prefiro deixar pra daqui a pouco, gostaria de louvar o seu chamamento à conversa de grupos que não votaram na Dilma (no primeiro e/ou no segundo turno), e também a sua conclusão: todo governo numa democracia é, em certa medida, um governo em disputa. Um governo que se diz de esquerda (ou à esquerda), mas que fez alianças ao centro et alli, precisa da luta permanente de sociedade - movimentos sociais, militantes diversos, grupos de interesses - que o puxem mais para a esquerda. Nenhuma conquista dos trabalhadores jamais se deu sem luta. Porque agora seria diferente, se as forças que compõem o governo são tão heterogêneas? A questão é que, se há no governo gente disposta a trabalhar em prol dos avanços para assalariados e excluídos, é necessário que haja forças de fora do governo que briguem por isso. Com críticas, com protestos, com luta. Porque democracia se constrói assim. Nem toda crítica é para destruir, e alguma são fundamentais para construir. Valeu.

Renata Lins em março 1, 2011 12:37 AM


#41

A politica monetaria-cambial esta destruindo o pais. Alem da forte perda de competitividade da industria, o pais esta registrando o maior deficit em conta corrente da historia, quando as commodities estao no mais alto nivel da historia. Isso tudo porque o supermonetarismo impede a queda da taxa de juros e a "correcao" do cambio.
Esse modelo produzira uma crise cambial num futuro proximo. Para mim, a Dilma manter os ortodoxos no BC e apoiar o aumento dos juros e uma decepcao. Um pais nao se faz so de maladragem politica de ir para o centro para isolar a oposicao. A economia importa e muito.

Bruno Galvao em março 1, 2011 12:59 AM


#42

-É falso pensar o PT como atualização do populismo, principalmente se tivermos em mente a forma como ele se deu no pré-64. O que havia ali era uma sociedade combativa, em que demandas classistas chocavam-se. Faz parte da compreensão do populismo também a entrada do povo no jogo eleitoral que vinha se dando desde os anos 20 e 30, e que encontrava nas altas esferas uma resistência que sempre esboçava soluções golpistas. Clima tenso.

-Esse está longe de ser o quadro atual. Não há nenhuma rota de colisão iminente que o PT deve evitar. Nenhuma efervescência conflitiva, (a não ser no reduzido espaço entre os blogueiros "progressitas" e a mídia aristocrática). Se "O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses", como você disse, isso só se dá de forma, digamos, mais pontual, sem que por isso seja definido o quadro geral da política brasileira. Você, com seu resíduo de marxismo, passa uma idéia falsa da conjuntural luta-de-classes no Brasil, que estaria capitaneada pelo PT, que, para você, só finge fazer o jogo dos banqueiros. O PT estaria na verdade é amansando o capital finaceiro, fazendo um jogo de cena (ao mesmo tempo que lhe rende lucros altos), e com isso sagazmente conduzindo as conquistas dos trabalhadores, não é mesmo?

-Mas o que é a conquista dos trabalhadores nesse PT? Certamente não são os direitos trabalhistas: teve a reforma da previdência, o salário mínimo agora, todos conduzidos com discurso semelhante ao do Sarkozy, diga-se de passagem. E não custa lembrar que nomes petistas como o de Gushiken vem dos fundos de pensão, que significam orgia do capital especulativo, acima de tudo comprometido com a privatização e com o lucro que, por sua vez, significa alta exploração da força de trabalho. A resistência "trabalhista", da qual a Dilma seria uma expoente, se dá só nos poros.

-A conquista dos trabalhadores,o grande marco da era Lula, foi a elevação do consumo, essa porta de entrada no mundo capitalista. As famílias que afora viajam pelos aeroportos, como os leitores desse blog lembram. Os carros que agora são mais vendidos, a casa própria conquistada. Tudo isso é bom, o sonho americano também é uma coisa muito bonita. Mas esse é justamente o projeto neoliberal dando certo. Isso é fé demais no capitalismo, e pouca fé na política.

-A pouca fé na política significa a exclusão política das massas que o PT promoveu, paradoxalmente enquanto essa se alinhava a ele eleitoralmente. Isso começou com o "Lulinha Paz e Amor", a ideologia de pós-política conciliatória do Lula. Por isso não é populismo, porque este se deu historicamente no Brasil em um momento de ascensão política das massas. O Lula é de um neo-populismo, meio que um avesso desse, como o Chico de Oliveira escreveu brilhantemente em seu "O momento Lenin" (artigo que é uma das melhores sínteses sobre o governo Lula).

-E agora vem você, para reforçar esse movimento, entendendo também que "defesa da ordem" é um valor, que o pragmatismo serve à esquerda porque a permite avançar, e que situar as questões como problemas gerenciais é uma bela estratégia! Ora, isso faz parte justamente da ideologia dominante que quer despolitizar o debate, instaurando sua ortodoxia como bom -senso, ou melhor dizendo, boa gestão. Como assim isso é uma estratégia para a esquerda? Essa é justamente a estratégia da ideologia neoliberal. Ela diz "there's no alternative" e coloca como a única coisa sensata a se fazer aumentar apenas ridiculamente o mínimo, e deixar intocado os serviços da dívida, que é o grande senhor do PT desde a "Carta ao Povo Brasileiro".

-Como assim ainda tem alguém tateando, querendo achar o sentido do governo Dilma? Sem dúvida as contradições existem, mas a demanda de esquerda só aparece no governo Dilma enquanto foco de oposição, como diria Poulantzas. O que é hegemônico é o neoliberalismo, não como nos tempos de selvageria tucana, mas triunfante e progredindo.

-O assunto é complexo, demanda análise detida, etc. Mas o que não pode é esse teu texto, um malabarismo conformista e alinhado, que se disfarça de "complexidade da situação".

wesley em março 1, 2011 1:59 AM


#43

Vou continuar batendo no concurso, por que ela em parte vai permear a discussão de toda a política da Dilma, hoje tem uma entrevista do novo presidente do Ibama, ele é claro tem apenas 280 técnicos e precisa de pelo menos mais o mesmo número para agilizar os processos.

Aí se fala bem ainda tem 1,5 bi para contratar, bom é verdade, mas é esse ano que o governo contrata praticamente todos os comissionadas e por isso no orçamnento já sai com 5.580 x salários e ainda dos 20.000 DAS se faz um cálculo do que o servidor efetivo irá receber a mais, se alguém pegar a calculadora não vai sobrar tanto assim.

Como vai contratar técnicos para IBAMA e aprovar os projetos na rapidez que o governo quer analisando corretamente se tem pouco espaço para as necessidades do órgão?

Pulando a desculpa do Minha casa, minha vida do corte dos 40% por que o Congresso não votou é assim terrível, só ver a maioria que o governo tem no Congresso, faltou foi vontade política.

Além do mais as alianças com a direita patrimonialistas começam a demonstrar os estragos no PT, o pedido de prisão hoje do presidente regional do PT do Maranhão que "ganhou" o cargo graças a uma interveção do diretório federal para apoiar a família Sarney, é um indicativo que a aceitação de certas regras de governabilidade levaram a uma conta alta em um partido que já tem a imagem arranhada desde o mensalão que levou a Marina receber um bom número de votos da antiga base petista.

Concluindo, o que vimos hoje foi um show de horror, não apenas nos cortes burros que arranha a sua imagem de gestora, mas a maneira autoritária da costura de alianças já começa a apresentar escândalo, o futuro próximo será a subida da taxa básica de juros e aumento da gasolina, tudo em menos de 100 dias de governo. È difícil pensar que ela começou bem.

marcelo l. em março 1, 2011 2:29 AM


#44

Wesley, eu teria que estar bem menos cansado do que estou para responder sua (rica) crítica com o vagar que ela merece, especialmente a parte sobre o populismo. Podemos discutir se a existência de uma "sociedade combativa" é ou não é um requisito para a existência do fenômeno populista. O seu comentário parece sugerir que sim. Isso é curioso, porque há teorias do populismo--você com certeza as conhece, pelo que noto do que escreveu--que enfatizam justamente o contrário, a imobilização das classes populares, cujas demandas estariam canalizadas na figura do líder populista. Enfim, longa discussão.

Mas vou me limitar aos momentos em que eu acho que você falsificou o que eu escrevi:

Você, com seu resíduo de marxismo, passa uma idéia falsa da conjuntural luta-de-classes no Brasil, que estaria capitaneada pelo PT, que, para você, só finge fazer o jogo dos banqueiros. O PT estaria na verdade é amansando o capital finaceiro, fazendo um jogo de cena (ao mesmo tempo que lhe rende lucros altos), e com isso sagazmente conduzindo as conquistas dos trabalhadores, não é mesmo?

Vixe Maria, onde é que meu texto diz que o governo petista "só finge" fazer o jogo dos banqueiros e está na verdade amansando o capital financeiro? Eita, eu não me reconheço nessa paráfrase, não! Está lá, no terceiro parágrafo, com todas as letras, o sólido cuidado com os interesses do andar de cima, especialmente do capital financeiro.

Quem tem "sólido cuidado" com alguma coisa não pode estar "fingindo", não é mesmo?

Segunda falsificação:

E agora vem você, para reforçar esse movimento, entendendo também que "defesa da ordem" é um valor, que o pragmatismo serve à esquerda porque a permite avançar, e que situar as questões como problemas gerenciais é uma bela estratégia!

Carácolis, eu disse que o lulismo inclui a redução da desigualdade com defesa da ordem. Ponto. Eu relatei isso como um fato. Pode se concordar com ou discordar de que isso seja um fato. O que você não pode negar é que minha frase está no modo constativo. Em momento nenhum eu disse que isso é "um valor" ou uma "bela estratégia". Nas passagens em que eu me refiro à estratégia de recolocar a política como questão gerencial, onde é exatamente que eu uso a palavra "bela" ou alguma outra que se lhe assemelhe?

Eu aceito a crítica de que há malabarismos no meu texto. Estou mesmo, me equilibrando na corda bamba que separa o adesismo automático da crítica segura de si (essa na qual o seu comentário resvala, acredito eu, em alguns momentos, ao falar de "hegemonia neoliberal").

Touché, portanto. Você percebeu isso muito bem. Há malabarismo, sim. Há um certo rebolado no texto, digamos. Se é isso que será criticado, eu aceito a crítica. Mas você não precisa distorcer o que eu disse para formulá-la.

Ótimo comentário, voltarei a ele. Mas esse texto do Chico, cá pra nós, não é grande coisa, não.

PS: pra quem não conhece o texto do Chico ao qual o Wesley faz alusão, aqui vai o link.

PSTU: eu não disse que o PT é a atualização do populismo. Eu disse que o lulismo é a atualização do populismo. Big difference.

Idelber em março 1, 2011 2:32 AM


#45

A propósito, já que estamos na seara das críticas à esquerda, aí vai um link que pode interessar: a tradução de "Quand le gauche essayait", de Serge Halimi: Quando a esquerda tentava. Cortesia de Renata Lins.

Idelber em março 1, 2011 2:39 AM


#46

Eu diria que o lulismo não é a atualização do populismo:

http://www.andrekenji.com.br/weblog/?p=3096

André Kenji em março 1, 2011 3:15 AM


#47

Também acredito e defendo a pluralidade de avaliações.

Essa atualização do populismo me parece bem aquela discussão em torno do pós-positivismo jurídico: não há pós-positivismo, mas aprimoração do que já existia. No caso do populismo, não sei se posso falar em aprimoração. Mas em atualização, sim.

Outra coisa, o que me preocupa é a forma como a distribuição de renda é feita. Os tributos deveriam ser recolhidos de maneira mais adequada e o retorno dele em serviços deveria ser mais fiscalizado e mais cobrado pela sociedade. Acho que li em outra canto texto seu falando que as coisas devem ser simultâneas, continuar os programas de repasse de dinheiro enquanto arruma-se a casa. Começo a pensar que pode ser interessante. Mas quando isso é usado como arma de compra de voto e fortalecimento do populismo, fica difícil de defender.


***

Às vezes quando ando por aqui fico pensando: me parece que a blogosfera anda possibilitando uma comunicação social cada vez mais interessante. Fico feliz em poder participar.

Daniel Caceres em março 1, 2011 4:05 AM


#48

Estranho que sempre via a articulação e o agora dito lulismo ser uma atualização do populismo, na faculdade um membro do DS já tinha me alertado para notar como eles apropriam o discurso dos adversários mais a direita, e exigem submissão da esquerda por dizerem ser a única saída para um projeto de construção de um novo país, hoje o que vemos são alguns programas sociais, mas o cerne do poder patrimonista que domina o Brasil desde cabral cada dia mais ligado ao executivo além do "Mercado" o principal beneficiário das políticas economicas.

marcelo l. em março 1, 2011 10:31 AM


#49

Quando leio neste e em outros sítios sobre como a Presidenta esta atuando, me ocorre que esses textos,de pessoas letradas omite que não foi esse alto nível de "ilustração" que fez o Brasil melhorar nos últimos 8 anos. Textos cheios de citações, estudos, teses, filosofias. Esse "escravismos acadêmico" é um dano causado pelo descolamento da realidade. É a realidade vista do nosso sofá confortável.
O Presidente Lula melhorou o Brasil quando "minorou" a fome e o desemprego... Quando deixou de lado a conversa mole do estudo e dos "bons" modos. Melhorou quando deu "uns trocados" aos pobres. Melhorou quando fez do almoço o assunto principal e não os livros. Milhões de brasileiros precisam de comida, emprego, casa e saúde para poderem estudar e lerem teses... Entender a realidade que passa na frente de nossas confortáveis casas é o grande desafio para os "doutores".

Da bela, que já foi menos desigual, Floripa

Rogério Neibert Bezerra em março 1, 2011 10:48 AM


#50

Percebe-se que os "operários da Opus Dei" estão muito ativos nos blogs "sujos".A semanal "lavagem cerebral" a que são submetidos pelas chefias, produzem estas figuras "letradas".
Para a outrora, nobreza da sociedade brasileira restou criticar o PT, criticar a Presidenta através de seus operários.
Enquanto isso, outros "letrados" enviam "suas crias" para atividades culturais na Disney.

Rogério Neibert Bezerra

Rogério Neibert Bezerra em março 1, 2011 12:01 PM


#51

"(...)quem, em sã consciência, um ano atrás, imaginaria Kassab no PSB (...)"

A lápide do Miguel Arraes deve até ter afundado de tanto que ele se remexeu lá embaixo.

He will be Bach em março 1, 2011 2:34 PM


#52

Hoje o mimimi já mudou. A direita tá perplexa porque a dilma mostrou que sabe fazer omelete e a esquerda indignada porque ela teve que quebrar ovos para tal!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

aiaiai em março 1, 2011 4:56 PM


#53

É cedo para avaliar se a presidenta tem talento para dar prosseguimento ao "lulismo", que não é respeito à pluralidade coisa nenhuma, apenas luta política, num governo que não pode ignorar sua base social, nem o setor "produtivo" (tanto devido à base social como aos "produtivos" que mudaram de lado tendo em vista os resultados dos governos do teórico da dependência), sem chocar-se com o capital financeiro, este sim hegemônico. O lumpen entrou de massa de manobra para que os governos Lula tivesse força para tocar essa política que, ao final das contas, foi mais produtiva para o país.

angel em março 1, 2011 6:27 PM


#54

Passado o primeiro mês do governo de Dilma, o saldo que fica, para mim, é negativo. Negativo em relação a Lula que, ele próprio, já foi muito inferior ao que desejava a militância e os movimentos sociais. Estamos diante de retrocessos do que, em geral, já não foi bom - mas apenas o que deu para fazer, como dizem muitos.

Reconhecer conquistas não é apagar os retrocessos, e Dilma, infelizmente, praticamente não tem grandes conquistas, mas coleciona significativos retrocessos.

Ao ler diversas análises do Rodrigo Vianna, Maurício Caleiro, Maria Frô, Azenha, Leandro Fortes e até mesmo do Eduardo Guimarães, governistas até a medula, me surpreendeu a amargura de alguns com acontecimentos recentes e também o temor de maiores retrocessos. Em geral o que vi foram críticas muito bem colocadas e temor.

Principal alvo das críticas - ou talvez o estopim - foi a presença da Dilma na festa de 90 anos da Folha, que descrevi como "Uma linda festa que reuniu saudosos da Ditadura, criminosos higienistas, produtores de jornalixo e... o PT.".

O engraçado foram alguns tentando justificar, que a presença de Dilma na Folha teria sido uma lição, um golpe duro na mídia... Mas ninguém comenta sobre os elogios rasgados feitos pela Folha neste semana? Qual foi o acordo? A presença de Dilma na Folha em troca de um abrandamento da oposição? Ou há algo mais, envolvendo a Ley de Medios, que a cada dia se torna mais e mais uma ilusão?

É de assustar a ingenuidade e a cegueira de alguns, incapazes de notar qualquer problema com o governo.

Mas Dilma não se contentou em apenas ir na Folha, ela também vai, agora, ao programa de Ana Maria Brega Braga, uma das musas do movimento Cansei. Lá, ela falará até mesmo com a Marina, candidata neopentecostal representante do atraso.

O que me assusta não é o retrocesso, ou retrocessos - eu já esperava por eles -, mas o fanatismo de parte da militância que é simplesmente incapaz de conviver com críticas.

http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/blogosfera-reage-aos-retrocessos-ou-o.html

Raphael Tsavkko em março 1, 2011 7:41 PM


#55

-Idelber, de fato, o conceito de populismo merece mais rigor do que eu dei a ele. E associá-lo a "sociedade combativa" não é o melhor caminho. Quis sublinhar a diferença histórica entre o que tivemos antes do golpe e o que acontece hoje, de forma a desautorizar sua leitura. Mas realmente, o conceito merece melhores contornos.

-Mas se dissemos que as leituras clássicas sobre populismo investem na "desmobilização" das massas, isso merece uma melhor qualificação. Acho que a "desmobilização" nessa sociologia brasileira se dá mais enquanto ausência de perspectiva de enfrentamento (que no limite seria revolucionária) do que outra coisa. É como se a política das massas estancasse diante da demagogia do líder, instituindo assim o limite dessa política. Daí, ela fica à mercê até para ser massa de manobra, etc. Mas veja, o quadro aqui é o da crescente modernização do Brasil, que desenvolve sua democracia liberal, a cidadania dos direitos trabalhistas, do voto, etc. É algo crescente, movido por uma sociedade politizada, de uma forma que os anos 2000 não tiveram nem de perto. O Weffort chega a usar uma expressão como "os fantasmas que assombram", algo assim, ao se referir a essa mesma massa que ele entende como alienada e submissa (ou imobilizada, diríamos até). Se o líder, nessas leitura clássica, é o canal das demandas da classe imobilizada, como você notou, ele é também muito propriamente o freio político dessa classe. Ora, o colapso do populismo, para o Ianni, se dá justamente quando da perda dessa capacidade por parte do Estado populista, diante da agitação que vem dos "de baixo". A solução do impasse, que coroa o fim do populismo, teria vindo, então, da caserna.

-Você notou duas falsificações que eu teria feito da sua leitura. Uma delas é sobre a "defesa da ordem", e você está certíssimo ao acusar o meu vacilo. Foi má leitura, uma coisa triste mesmo quando acontece em um debate, e geralmente isso pertence mais a quem esperneia do que a quem ama a reflexão. Peço desculpas.

-Em relação a outra, eu de fato forcei algo que você não diz textualmente. Mas acredito que estou sendo justo quanto à verdade do seu pensamento, exposto aqui e em outros lugares, que é a de que o governo serve a dois senhores.

wesley em março 1, 2011 8:02 PM


#56

Rodrigo,

O mundo complexo do jeito que está e tem gente que ainda se apóia nos velhos clichês de esquerda e direita?
O que é ser de esquerda hoje? O que é ser de direita?

Não vejo qual a grande complexidade do mundo hoje que não existisse em 1848.

Os conceitos continuam a significar o mesmo de então: "de esquerda" é quem é contra a desigualdade, "de direita" é quem é a favor dela (ou quem acha que ela ainda é pouca e devia ser aumentada).

Luís Henrique em março 1, 2011 10:13 PM


#57

Ando bastante sem tempo, mas fico feliz com este post, Idelber. Pegando a análise do Singer sobre o Lulismo, creio que ele identifica bem alguns fenômenos sociais, mas erra ao tentar enquadra-los em uma camisa de força racionalista: A questão de direita x esquerda não está no plano do Trabalho, mas sim no da Linguagem. Eis o ponto que muda a conversa toda, eis o ponto que o faz se perder logo adiante. É o que está em jogo agora nesse momento de embaralhamento geral.

Sobre o Governo Dilma? Eu não tenho bola de cristal, mas perplexidade não é o que eu sinto definitivamente. Sempre fiz questão de pontuar que um eventual governo seu seria (I) qualquer coisa bem menos criativo do que o de seu antecessor; (II) mais preciso administrativamente do que o dele. O primeiro ponto está aí, o segundo também, embora fique mais claro apenas depois. É evidente que houve muito de errado, como assinalava à época, o processo de sua escolha, quase que por aclamação, foi sintomático, mas a conjuntura com a histeria de direita serrista e a crise do PSOL não abriam muito espaço para muita coisa.

No meu entender, ao PT resta uma grande reforma, a política, mais o resto de agora em diante são políticas específicas em áreas pontuais, não reformas extensas, mas sim reformas profundas. Esse é o momento no qual o PT pode ser engolido pelas reformas que produziu e algo imprevisível acontecer - com a direita em crise ou fagocitada pelo governismo e a esquerda não-petista meio perdida. Claro, uma liderança mais política do que administrativa - como um Tarso Genro ou um Jaques Wagner - seria mais capaz de tocar as coisas nesse momento, mas não é isso que temos.

A minha perspectiva do "futuro" é simples: Se faltava a Lula uma administradora em algum ministério central, falta a Dilma o inverso. Se ela não conseguir encontrar essa pessoa - ou quiser fazer isso -, terá problemas sérios logo mais. De todo modo, o papel da esquerda neste momento, ao meu pensar, é fora dos partidos, lutando para que não se estabeleça definitivamente um consenso, uma contemporização geral - algo que sempre esteve perfeitamente claro no horizonte de um país no qual a ideologia oficial sempre foi, veja só, o cordialismo.

abraço

Hugo Albuquerque em março 1, 2011 10:54 PM


#58

O governo petista não é de forma alguma revolucionário. É, talvez, o governo mais sintonizado com as demandas do capitalismo brasileiro atual que o país poderia ter, levando ele mais um passos em direção à integração aos países de capitalismo mais avançado.

Explico-me:na conjuntura atual de crescimento e desenvolvimento, para que o país possa se manter em rota de crescimento com paz social, é necessário ampliar conquistas e direitos exatamente para manter as coisas como estão.

A necessária inclusão de vastas camadas de população ao grupo dos consumidores, permite a expansão do próprio aparelho produtivo e possibilita a ampliação dos lucros do conjunto do capital. Ok, o jogo é esse mesmo, afinal no capitalismo se não há a expansão crescente, a crise é certa.

Contudo, na medida em que as concessões feitas à população passam ao largo da política e se estabelecem sobretudo a partir de critérios técnicos, temos o empobrecimento daquela esfera. Isto poderia ter aspectos positivos, no médio prazo, principalmente se os sindicatos e outros movimentos sociais se descolassem da influência governamental imediata.

Assim, teríamos outros grupos de pressão que poderiam forçar o governo a manter a hegemonia a partir de negociações mais amplas, que incluíssem demandas populares como elemento de contrapeso no momento de tomada de decisões.

Porém, com o governo ensimesmado em seus critérios técnicos e na necessidade de se manter a pax econômica a partir dos critérios atuais, e com os trabalhadores se vendo fielmente representados no governo petista, apenas o capital (com especial ênfase no financeiro) se verá no direito de fazer exigências e demandas.

Talvez, a maior batalha que o governo atual tenha que travar seja a de estabelecer novos parâmetros na busca de manter a economia sob controle. Da forma como está este fica sendo um flanco muito aberto, restringindo bastante a capacidade de manobras.

(acho que ficou meio confuso o texto, mas é o que meu tempo me permite dizer no momento).

Amon B. em março 2, 2011 12:34 PM


#59

O lulismo (que ainda não se pode confirmar como conceito válido) nada mais é que a boa e velha conciliação entre Capital e Trabalho.

Dilma representa a continuidade dessa Conciliação.

E sua ida a programas populares de TV ajudará a diminuir sua distância em relação ao eleitor.

Mas ninguém superará o que Lula fez.

Creio que muitos consideram a presidenta apagada a partir de uma comparação injusta, afinal, por muito tempo ninguém sequer se aproximará de Lula em termos de exposição e uso de exposição.

Paulo Soares em março 2, 2011 10:29 PM


#60

Quede a segunda parte? Promessa é dívida...

Anarquista Lúcida em março 4, 2011 6:10 PM


#61

Calma! É carnaval :-)) A 2ª parte vai ser sobre reforma política.

Idelber em março 4, 2011 6:21 PM


#62

Se o titular deste blog fosse docente de IFES, certamente estaria desiludido com o início de governo da Dilma. Ela rasgou todas as promessas de campanha no tocante à educação e C&T. Cortes no orçamento de C&T, IFES à mingua, autorização de contratação de professores temporários, intransigência na negociação do novo plano de carreira, etc. Nada mais parecido com o Serra do que a presidenta (sic) Dilma!

Moco em março 5, 2011 10:11 AM


#63

Ótimo texto, Idelber. Mas, gostaria que você, quando pudesse, explicasse melhor essa questão de que o Lulismo promoveria uma 'atualização e superação do Populismo'. Este é um tema muito interessante e atualíssimo.

Bem, inspirado por seu comentário, eu escrevi um texto no meu blog a respeito do assunto, no qual faço uma análise do 'Populismo' varguista (que prefiro chamar de Trabalhismo) e das diferenças existentes entre as políticas de Vargas e de Lula (sobre o governo Dilma, penso que ainda é muito cedo para se tirar qualquer conclusão definitiva a respeito do mesmo e quem já desembarcou desta canoa é porque, de fato, nunca entrou nela):

Lula e Vargas: Duas políticas distintas!

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/03/lula-e-vargas-duas-politicas-distintas.html

Saudações

Marcos Doniseti em março 7, 2011 3:05 PM


#64

Alguns críticos do governo Dilma, supostamente 'esquerdistas, estão afirmando que ela teria se rendido a uma 'ortodoxia neoliberal' em função do corte de gastos públicos que anunciou.

Porém, andei pesquisando dados relativos aos investimentos públicos válidos para o período de 1995 a 2009 e também a respeito do Orçamento da União para 2011 e constatei que tal afirmação não passa de um conto da carochinha.

Para maiores informações, sugiro a leitura do texto que publiquei no meu blog a respeito do assunto (não irei publicá-lo neste espaço pois ele ficou muito extenso):

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/03/o-governo-dilma-e-o-suposto-corte-dos.html

Saudações

Marcos Doniseti em março 8, 2011 3:18 PM


#65

rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr.Desentupidora

CAÇA - VAZAMENTO em março 10, 2011 3:03 PM