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segunda-feira, 21 de fevereiro 2011

Crônica de uma visita à Coreia do Sul

Aconteceu entre os dias 23 e 25 de abril de 2010, na época em que o blog estava hibernando, o Primeiro Encontro das Literaturas da Ásia, África e América Latina, em Incheon, na Coreia do Sul, para o qual tive a honra de ser um dos três convidados latino-americanos. É uma história que há tempos quero contar aqui, em parte para que o blog volte à sua rotina pré-eleitoral de misturar a política com outros assuntos, mas também pelo interesse e curiosidade que gera aquela parte do mundo.

Já aviso de cara que todos os meus comentários são baseados numa visita de uma semana, que eu não entendo uma palavra de coreano, e que há pelo menos duas blogueiras que conhecem a Coreia por longas estadias. Elas estão muito mais equipadas que eu para responder perguntas gerais sobre o país. Relato só o que vi e as impressões que tive.

O encontro era parte de um esforço cada vez mais visível, que vai muito além dos estudos literários: construir pontes de diálogo Sul-Sul, através das quais África, Ásia e América Latina possam interagir sem a mediação das potências do Atlântico Norte. Para o encontro de Incheon, infelizmente, os dois outros convidados latino-americanos—dois dos mais aclamados escritores cubanos, Miguel Barnet e Nancy Morejón—não puderam comparecer, por motivos que desconheço. Éramos, portanto, vários asiáticos, vários africanos e eu. Esta era a turma que se reuniu em Incheon:

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Era a primeira vez que eu visitava um país cuja língua desconheço completamente (ok, eu estive na Holanda, mas ali não conta: em Amsterdã, pelo menos, todo mundo fala inglês). Cheguei ao aeroporto de Incheon no dia 22 de abril e, já de saída, fui tomado pela sensação que seria constante nos dias que se seguiriam: a de completa ignorância. Na van que nos levava ao hotel, juntos com dois membros da equipe de organização, estávamos eu e o romancista vietnamita Ho Ahn Thai (que depois apresentaria uma comunicação impressionante sobre o processo de perdão aos estadunidenses no Vietnã). Qual foi o primeiro medo que sentiu a besta quadrada aqui? Puxa, será que as línguas coreana e vietnamita são mutuamente compreensíveis e eu vou ficar boiando? Logo descobri que as duas não têm nada a ver e que o idioma ali na van seria o inglês.



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Lanternas no Cheonggyecheon. Foto: Denise.


Ao longo da estadia em Incheon e Seul, meus dois grandes choques foram: a verdadeira paixão dos coreanos pelo caraoquê e o tremendo impacto da separação entre as Coreias sobre uma parcela enorme das famílias do país. Numa das noites em que saímos por Seul, eu, Harry Garuba, crítico literário nigeriano radicado na África do Sul, e outros amigos fomos parar num caraoquê em que havia uma única mesa enorme, com umas quinze pessoas. O nosso grupo era composto, na sua totalidade, por gente reconhecivelmente estrangeira.

Com a típica amabilidade, a turma da mesa trocou a música coreana por sucessos do pop americano (claro que sem saber que alguns de nós preferimos qualquer música coreana a “Hotel California” e congêneres). Acabamos contagiados pela alegria dos anfitriões e dançamos bastante. Conversando com uma senhora bem idosa, descubro que ela tem um filho do outro lado da fronteira, a quem ela não vê desde 1953. A separação entre coreanos significa isolamento total: sem telefone, sem comunicação de qualquer espécie, sem notícias. Ela não tem como saber se o filho está vivo. Praticamente todos os coreanos com quem conversei têm histórias dolorosas sobre um pedaço da família do outro lado da fronteira. É algo muito mais presente do que eu imaginava. Todos os assuntos, em algum momento, resvalam ali. Quando acontece, é visível a mudança na expressão facial das pessoas.


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Cartaz do encontro


Ao longo da minha estadia, foi se reforçando a sensação de que os coreanos se parecem a nós, brasileiros, bem mais que os chineses, japoneses ou vietnamitas. Apesar da intransponível barreira da língua, seu jeito afetuoso e sorridente trazia algo de conhecido. A hospitalidade é impressionante: tudo funcionava à perfeição. Não só os tradicionais componentes de um congresso bem organizado (horários, transporte, programação etc.), mas também coisas mais intangíveis. Dou um exemplo: depois da última palestra, nos avisaram que havia presentes para os convidados na saída do auditório. É claro que imaginei que todos receberíamos a mesma coisa, ou coisas parecidas. Ao pegar a sacolinha, me dei conta de que os presentes eram personalizados. Na minha, havia vários agrados, incluindo-se uma coleção de contos coreanos traduzidos para o português. Dali nos levaram a um banquete inesquecível.

A comida coreana é requintada, mas de sabor fortíssimo para o nosso paladar. Talvez a iguaria mais famosa seja o kimchi, uma espécie de repolho fermentado com bastante tempero. Algas marinhas são presença frequente. As sopas são bastante apimentadas. Peixes cozidos são comuns no café da manhã. Mesmo na megalópole Seul não é muito fácil encontrar culinária ocidental em meio aos restaurantes coreanos, japoneses e chineses. Só graças à Denise Arcoverde, colega de blogosfera a quem conheci pessoalmente na Coreia, pude ter a minha única refeição ocidental em toda a estadia.

Tive a honra de conhecer intelectuais e escritores gigantes: Lui Zhenyun, romancista chinês que vende nada menos que 5 milhões de exemplares, em média, dos seus livros; Makerand Paranjape, crítico indiano que conhece o Brasil melhor que muitos de nós; Harry Garuba, pesquisador nigeriano que foi o grande companheiro de cervejas durante a visita e com quem aprendi muito sobre a África; o ensaísta palestino Fahri Saleh, exilado na Jordânia e proibido de visitar suas laranjeiras, que brincava dizendo que eu era “mais palestino” que ele; a grande escritora egípcia Salwa Bakr:

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a poeta sul-africana Sindiwe Magona, de quem você terá uma versão das letras sul-africanas completamente diferente da mais canônica, consagrada pela Prêmio Nobel Nadine Gordimer:

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e finalmente o decano das letras filipinas, Francisco Sionil José, um verdadeiro cidadão do mundo, com uma vida dedicada à luta pela justiça, e com quem aprendi dezenas de palavras em tagalo que são idênticas às do espanhol:

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Tivemos situações bem divertidas com a língua. Durante o congresso, todos os não-coreanos fizemos nossas apresentações em inglês, com a exceção dos chineses, que usavam o mandarim. Havia, então, serviços de tradução simultânea entre mandarim e coreano, entre inglês e coreano, e entre mandarim e inglês. No congresso, tudo perfeito. Num passeio pela ChinaTown de Incheon, resolvemos entrar numa loja. Éramos vários: o nigeriano, a egípcia, eu, o filipino, o chinês, o vietnamita, a sul-africana. Mas nenhum coreano. A garota da loja só falava chinês. Mas Lui Zhenyun, o chinês que andava conosco, não falava inglês. Resultado: dizíamos, em inglês, ao vietnamita, o que queríamos; ele transmitia o pedido em vietnamita ao chinês, que entendia o idioma. Este, por sua vez, se comunicava com a garota da loja no idioma nativo de ambos. Invariavelmente voltava uma explicação que nos chegava, em inglês, já meio incompreensível. O mais sensacional telefone-sem-fio que já presenciei.

Com o idioma, registre-se, fui um fracasso completo. A sensação de ser analfabeto e ter diante de mim caracteres indecifráveis era mais tranquila dentro da universidade, onde todos, de alguma forma, tínhamos uma língua em comum. Nas vezes em que me aventurei sozinho pela cidade, a sensação de desamparo era constante. A cada dez minutos, enfiava a mão nos bolsos das calças para ter certeza de que ainda tinha o endereço do hotel anotado para entregar ao taxista. Apesar de ter decorado a sequência de fonemas, por exemplo, da palavra “obrigado”--samkahamnida gamsahamnida--, só depois de uma semana pude pronunciar a última sílaba com a entonação exigida. Conversando com meu anfitrião, o Prof. Suk Kyun Woo, perguntei num certo momento:

-- Você convive com ocidentais aqui há décadas. Conhece algum que tenha aprendido a língua?

-- Não. Nunca. Nenhum.



  Escrito por Idelber às 18:43 | link para este post | Comentários (19)


Comentários

#1

Eu tenho um professor (sul-coreano) de linguística na faculdade que me deu uma patada quando eu disse que não reconhecia a diferença entre "s'al" e "sal", quando ele pronunciou. Ele disse simplesmente: "claro que você não reconhece a diferença. Você não é coreana." Me desanimou completamente.

O professor Lee também nos ensinou que a escrita coreana é meio que "artificial"; sua invenção foi quase toda documentada... Também aprendi que coreano e chinês não tem nada a ver (e nenhum deles tem nada a ver com japonês, exceto pelos kanjis nipônicos, emprestados dos ideogramas chineses).

Mas começo esse ano o curso de japonês. Mais fácil =D


Deve ter sido uma viagem muito bacana essa sua, Idelber!

Bárbara em fevereiro 21, 2011 7:51 PM


#2

Delicioso post e q me deu saudades das aventuras por lá...

Te digo q, durante os quase 3 anos q morei lá, conheci 2 brasileiros em Seul que falavam coreano perfeitamente (um deles peruano criado no Brasil, casado com uma japonesa, e que falava essa miscelânea de português-espanhol-japonês-coreano em casa, com os filhos, uma loucura). E o médico americano da clínica internacional do Seoul University Hospital, q tem um coreano flawless - perguntei a um coreano pra confirmar e ele disse q o coreano do médico era melhor q de muitos coreanos... :D

De resto, realmente, ocidentais penam para aprender até o básico. E isso não é uma maravilha? Eu particularmente adorava andar pelas ruas com essa sensação de total estrangeira, de não-pertencer. Aliás, ainda adoro: quando vou a países de língua por mim desconhecida meu passatempo predileto ainda é de alguma forma ter essa sensação, seja andando pelas ruas, dentro de lojas ou tentando conversar por mímica, de que "só sei que nada sei" MESMO. :D

Idelber, quanta saudade esse post me trouxe... aiai... preciso revisitar Seul um dia...

P.S: O obrigado é "gamsahamnida". Vc inverteu as consoantes. (E, sim, só estou falando isso pra "pentelhar" vc mesmo, pq eu não ligo nem pra português errado, quiçá coreano... hahahahaha!!) :D

Lucia Malla em fevereiro 21, 2011 7:53 PM


#3

Ah, Lu, que honra ter mexido com suas saudades. Eu também gosto da sensação de não pertencer, de ser um estrangeiro total e completo--tenho essa sensação na Europa, independente da língua, muito mais que em qualquer país das Américas. Mas na Coreia o desamparo era forte demais!

E, sim, você está certa, eu troquei as consoantes. Está vendo como não aprendi nada da língua? Nem o raio do "obrigado", que eu achei que tinha aprendido! Já corrigido :-)

É isso, Bárbara. É difícil mesmo. O alfabeto coreano se chama Hangul. Antes, eles usavam caracteres chineses, mas no século XV foi desenvolvido o sistema usado que é usado até hoje :-)

Idelber em fevereiro 21, 2011 8:43 PM


#4

Que leitura prazerosa!

@Bárbara Vai se divertir aprendendo japonês. Mas não é nada simples com o kanji, hiragana, katakana, romanji ... Fiz muitos anos e apenas consigo ler história infantil.
:P

Isabella em fevereiro 21, 2011 9:26 PM


#5

Ótima história Idelber, lembrei de alguns momentos da nossa conversa em Curitiba, acho que você tinha passado em Seul. Tão legal esses encontros de gente de todo país - troca de experiências intensiva - para nos colocar no nosso eixo a partir de outra perspectiva.

Muito bom.

Lauro Mesquita em fevereiro 21, 2011 9:47 PM


#6

Não conheço a Coréia, mas conheço coreanos e sua comida e posso concordar com você em duas coisas: os coreanos são realmente muito agradáveis e a comida é difícil, pelo menos para mim que não gosto de pimenta. Outro ponto em comum com os brasileiros: futebol, que eles adoram.

Arthemísia em fevereiro 22, 2011 12:34 AM


#7

OCEANOS
by Ramiro Conceição


Quando viajo à terra do SER-HUMANO
- esse composto-substantivo-complexo -,
vem a sensação de não pertencer a nada,
de ser um total estrangeiro dentro de tudo,
mas com a liberdade para beijar o mundo.
Quando acontece… Amplo é o desamparo.
Porém ainda bem que volto ao porto e paro:
meu ser humano se alegra - com oceanos!

PS: Idelber, seu relato foi o mote…

Ramiro Conceição em fevereiro 22, 2011 1:21 AM


#8

Isabella,

kanji eu sei que é quase impossível eu aprender... Mas katakana e hiragana eu até já conheço um pouquinho! Vou estar satisfeita se eu conseguir acompanhar animes legendados (se puder ouvir e entender sem legenda, melhor ainda!). =D

Bárbara em fevereiro 22, 2011 1:41 AM


#9

Oi Idelber,
Olha só que coincidência. Este ano o FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, que acontece aqui em BH, em novembro, terá a Coreia do Sul como país homenageado. Assim teremos a presença de exposições, quadrinistas coreanos e um pouco da cultura daquele país. O Manhwa, como é conhecido o quadrinho na Coreia, está cada vez mais presente no mercado editorial brasileiro.

Afonso Andrade em fevereiro 22, 2011 11:12 AM


#10

Grande Idelber,
Que relato de viagem admirável. Você nos transportou à Coréia do Sul, de forma leve, simpática e bem-humorada.
Você poderia aproveitar para trazer aos seus leitores as suas experiências "marcopolianas" do período em que o blog esteve em estado de animação suspensa :-)
Me senti em Seul, cantando "Hotel California" em um animado karaokê!
"Gamsahamnida", meu caro!

érico cordeiro em fevereiro 22, 2011 11:13 AM


#11

Da Coréia do sul só conheço mesmo o Kim Ki-duk. Mas todos os sul coreanos que tive prazer de conversar pelo mundo são extremamente simpáticos. Deu vontade de ir até lá.

Belo post!

abraços!

João Guilherme Dayrell em fevereiro 22, 2011 12:22 PM


#12

Tb fui aluno do Lee, na Letras-UFMG. É bem legal ter um professor de linguística coreano.

Quem nos dera vc pudesse viajar o mundo todo só pra escrever esses pequenos e prazerosos relatos, Idelber.

Valeu.

Pedro Lobato em fevereiro 22, 2011 1:23 PM


#13

Que gostoso de ler esse seu relato!
Que saudades da minha experiência multiracial em um curso no Japão, onde a única outra mulher era coreana! E como ficamos amigas, apesar de todas as diferenças! Nunca me esqueço do seu olhar espantado me vendo derramar potes de lágrimas ao nos despedirmos e da sua recomendação para que eu tratasse bem os coreanos que encontrasse pelo mundo...
Como fiquei mais tempo que você, aprendi a não ter medo de me perder na cidade cheia de códigos ininteligíveis para mim. Só não podia esquecer o mapinha do metrô.;0)

Mari em fevereiro 22, 2011 4:25 PM


#14

O pior, Idelber, é que, em coreano, samkahamnida quer dizer: "por favor, não toque no meu cangote". Você deve ter deixado muito taxista perplexo lá em Seul.

E que série de contos não dariam as viagens de Harry Guaruba e o mineiro Avelar pelo bas fond asiático... Cadê o Murakami que não foi para esse Congresso.

SLeo em fevereiro 22, 2011 6:52 PM


#15

Na Coréia do Sul até novela é erudita.

Há algum tempo, ouvi por acaso uma interpretação magnífica de uma música do Astor Piazzola e ao pesquisar a fonte, surpresa! Era um trecho de uma novela de lá chamada "Beethoven Virus".

Consegui o DVD pela Amazon e me apaixonei por este povo.

Com sua permissão, Idelber, gostaria de sugerir para o pessoal daqui pesquisar no You Tube:

Festa On Ice - Yuna Kim (esta menina sul-coreana é campeã mundial de patinação artística que, em uma apresentação, quase fez este bronco aqui chorar).

Libertango Beethoven Virus (É uma cena que, quem vê, não permanece o mesmo)

Tae Yeon ft. Seo Hyun - Can You Hear Me (Esta música faz qualquer um querer falar sul-coreano)

Um grande abraço

Lugon de Souza em fevereiro 22, 2011 9:38 PM


#16

Esse post me lembrou um lindo texto do Paulo Rónai sobre o húngaro - "retrato íntimo de um idioma". Tá no livro "Como aprendi o Português e Outras Aventuras". E, claro, deu vontade de chegar perto do coreano, assim como o do Paulo Rónai dá vontade de pelo menos dar uma experimentadinha no húngaro...

Renata Lins em fevereiro 23, 2011 12:02 AM


#17

Caríssimo, agradeço pelo post.
(e nem tento fazê-lo em coreano, audacioso por demais seria)
Penso que todos os professores (principalmente os de português aqui do Brasil) deveriam ter a oportunidade de vivenciar essa experiência de total ignorância. Talvez assim compreendessem melhor quem tem dificuldades em aprender a leitura e a escrita.
Grande abraço, e saudações alvi-negras, de um botafoguense que também ama viajar.

J. Messias em fevereiro 23, 2011 11:52 AM


#18

Pedro Lobato,

Lee foi um dos melhores professores que eu tive até hoje... Até me matriculei esse semestre em outra disciplina dele (teoria fonética e fonológica). Pena que a gente tem que puxar muito a língua dele pra ele contar os "causos" de quando ele morou fora, de como é a educação na Coreia, como é a cultura dele...

Bárbara em fevereiro 23, 2011 5:01 PM


#19

"Ao longo da estadia em Incheon e Seul, meus dois grandes choques foram: a verdadeira paixão dos coreanos pelo caraoquê..."
Cara,
Ficar surpreso com o ainda presente impacto da separação das Coréias, eu até entendo. Por mais que a gente "imagine" como "deve ser", o impacto de sentir isso naquela terra, de receber as palavras de alguém que não vê o filho há quase 60 anos, é mesmo impossível de transmitir ou de representar esse impacto.
Agora, não saber do caraoquê é dose... É mais ou menos como não saber que o esporte nacional da Coréia é Starcraft. :)
Aliás, japoneses também são loucos por caraoquê. Bom, japoneses são loucos, ponto. :D
Aliás2, apesar da asquerosa ocupação japonesa, a Coréia ainda guarda um grande trunfo histórico contra o Japão: eles deram uma surra tão grande no Hideyoshi que os japoneses lembram disso até hoje.

He will be Bach em fevereiro 27, 2011 11:47 PM