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sábado, 05 de fevereiro 2011
Pergunta ao Ministro Paulo Bernardo sobre propriedade cruzada
Às 10:30 da manhã deste sábado, rola um Na Varanda, programa de entrevistas via Twitcam com a coordenação do Emerson Luis, do Cesar Cardoso e outros em Brasília. O convidado é o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O Na Varanda já incluiu, numa edição anterior, o Ministro Alexandre Padilha.
Ainda sem saber se vou poder acompanhar a transmissão ao vivo—estou 4 horas atrás e a temperaturas de -3Cº--, deixo ao Ministro uma pergunta em duas partes sobre o tema da proibição à propriedade cruzada na mídia. Se chegar a tempo, fantástico. Se não, que fique para o próximo papo com o Ministro no Twitter.
1. Ministro Paulo Bernardo, bom dia. Já foi bastante enfatizado entre os movimentos pela democratização das comunicações como é concentrada a propriedade de mídia no Brasil. O Sr. abriu a entrevista da TV Brasil apontando isso. Quando se fala em “proibição à propriedade cruzada na mídia”, pensa-se tradicionalmente em um grupo ou família controlando TVs, estações de rádio e jornais—aquela situação de oligopólio clássico. No entanto, nas referências ao tema da propriedade cruzada na mídia brasileira hoje, é comum que se misture a internet nesse meio. Não creio que seja uma confusão inocente, mas argumentemos como se fosse. A internet opera sob outro princípio, que é o da não-escassez, diferente do princípio de finitude das concessões públicas como TVs e rádios. Está correta a premissa de que, do ponto de vista do Ministério, quando se fala de “propriedade cruzada” na mídia, está se pensando em TVs e rádios (e, com as especificidades da imprensa escrita, jornais), e não na internet, que seria objeto de outro marco regulatório?
2. Pressupondo que a resposta é um sim, aí vai uma pergunta sobre o caso talvez mais escabroso de propriedade cruzada no Brasil, a RBS no Sul. Como demonstrado em texto de Venício Lima na Carta Maior ontem, são 18 canais de TV aberta, 24 emissoras de rádio AM e FM e 8 jornais. Os países mais diversos têm mecanismos de limite à propriedade cruzada. Mesmo sabendo que uma coisa são as atribuições do Ministério das Comunicações e outra as do Ministério Público, o Sr. teceria seus comentários sobre esse tipo de situação que se vive no Sul? O Ministério das Comunicações acompanha ações como a do Ministério Público Federal de Santa Catarina contra a propriedade cruzada do grupo RBS?
Fica aí a pergunta, caso ela chegue a tempo ao Ministro, e a caixa de comentários para os leitores que queiram comentar o programa, ou tema relacionado ao MinCom.
Atualização: Foi um sucesso o papo com o Ministro. O áudio da entrevista já está disponível no Na Varanda. A pergunta do Biscoito foi respondida, com as normais limitações de tempo. Vale a conferida.
Escrito por Idelber às 06:11 | link para este post
| Comentários (2)
#1
Querido Idelber,
me desculpe... Que se foda!
a propriedade cruzada na mídia...
O MEL DA VIDA
by Ramiro Conceição
O que fazer com o bem adquirido
senão entregá-lo ao mais querido?
Não é assim - se não se teme o fim?
O que fazer com a riqueza conquistada
a não ser consagrá-la à humanidade?
Não é assim - se o existir é além de si?
O que fazer com a ciência,
a não ser ensiná-la à inocência?
Não é assim - o mel da vida?!
Ramiro Conceição em fevereiro 6, 2011 3:39 PM
#2
Muito além,Idelber, das propriedades cruzadas...
PÁSCOA DAS CIGARRAS
by Ramiro Conceição
Acordei em meio a uma melopeia nativa
de uma tribo do Xingu a dançar ao redor
da cama onde eu, sem medo, dormia nu.
Enquanto ocorria, levantei-me à alegria
e com fé fiz um café e - às gargalhadas! -
sambei no seio da casa do velho "eu" que se auto-olhava
não acreditando em mim, ali, a cantar tal qual as cigarras.
CATASSOL
by Ramiro Conceição
O poeta fora prometido ao Deus da Vida;
porém, sem saber, engravidou de poesias
por ação do espírito humano.
E o Deus da Vida, seu marido prometido,
que era justo, não o denunciou
porque sabia que o artista trazia frutos
ao seu passado-presente-futuro.
O poeta concebeu em sua língua
para ensinar, em muitas línguas,
sua linguagem estética, política
e ética.
E a lira não se quebrou.
E um catassol cantou:
“Sou um ruminante cérebro mutante,
um ser que considera o ser maior que o ter,
um lento catassol, sobre a leitura,
que sabe que ler é conceber com ternura.”
“Sou uma repetição, uma aliteração,
uma especiaria para condimentar iguarias,
uma hortaliça que plantei em nossa horta.
Sou homenagem póstuma a estrelas mortas!”
“Perdi a hora de tudo.
Meu relógio marcou todos os fusos.
Sou a maçaroca no fuso do mundo.”
“Cada vez mais, torna-se claro
que sou feito de outra história.
Não desta, mentirosa e sem memória.”
“Cada vez mais, tenho a certeza
de que pertenço ao mar bravio
pois sou um peixe que não pertence
a este aquário vil.”
EXISTIR
by Ramiro Conceição
A minha prisão é estranha
porque expande e encolhe
conforme o jeito que eu olhe.
A minha prisão é de antanho,
um jardim de seres castanhos
numa caverna de Platão onde, certa vez,
um animal olhou a Lua pela primeira vez
e murmurou: “Por que estou aqui?”
Diante do desamparo e despreparo,
com esmero, inventei algo raro:
um mimo ao sonho do mundo,
um conjunto de cantos inconjuntos
à questão fundamental: por que estar aqui?
Fui aquilo que sou e aquele que não sei.
Agora estou com o melhor de mim.
A essência do meu canto não é a dor que vi,
apesar de vir daí.
A minha essência é o processo de existir.
Venho de distâncias distantes.
Vou para distâncias distantes.
“Sou do tamanho do que vejo”
qual dizia o Poeta do Ribatejo.
Ramiro Conceição em fevereiro 6, 2011 4:14 PM