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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 23 de dezembro 2010

Na Revista Fórum: Carta à Presidenta Dilma Rousseff

Que história, hein Dilma? Parecida com a de Lula em muitos aspectos, ela é singular em tantos outros. Quando, ainda no Estadual, você optou pela resistência à ditadura, não estava claro para ninguém que a derrota seria tão amarga. Não podia estar, não importa o que digam os profetas do acontecido. Garota de classe média, você tinha todas as condições de atravessar a ditadura como uma jovem conformista, ouvindo seu Dom e Ravel, seus Beatles, seu Caetano, ou mesmo seu Chico Buarque ou Geraldo Vandré. Todos sabemos que o conteúdo da cultura consumida não diz nada, por si só, sobre a ética ou a política de quem a consome. Você poderia ter feito isso, mas escolheu lutar. Isso não mudaria nunca em você, ainda que os métodos de luta variassem ao longo do tempo, como deve ser o caso, aliás, em qualquer luta inteligente.

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Tantos fizeram autocríticas fáceis e autocomplacentes daquele período, não é mesmo? Sabe, Dilma, o grande escritor argentino Ricardo Piglia criou a personagem perfeita para definir essa turma do arrependimento confortável. Está num lindo livro intitulado A cidade ausente. A personagem se chama Julia Gandini, e é vítima de uma lobotomia virtual que lhe impõe um discurso automortificante, cheio de certezas acerca de quão erradas estavam as certezas passadas. Nesse discurso autocomplacente, platitudes sobre a violência mascaram o fato de que a ditadura foi a grande responsável pelas atrocidades. Julia Gandini repete como um papagaio a lição da boa menina arrependida, prestando esse enorme desserviço à educação das novas gerações, levando-as a crer numa falsa simetria entre verdugos e vítimas. Qualquer semelhança com o discurso de certo deputado verde não é mera coincidência, não é, Dilma?

Você, não. Você jamais se prestou a esse jogo, que teria sido tão fácil replicar e que lhe teria rendido frutos. Sem nunca deixar de pensar o passado de forma crítica, você nunca o renegou. Isso é tão bonito, especialmente num país cuja mídia e senso comum começam a lançar lama sobre os jovens que se insurgiram contra a ditadura.

Quando a prenderam, Dilma, muita gente na VAR-Palmares ainda acreditava no sucesso da luta armada. Até na VPR ainda acreditavam. Eu suspeito que, no fundo, você já sabia que não dava, e mesmo assim você teve aquele comportamento impecável.


Continue lendo, na Fórum, Carta à Presidenta, minha saudação a Dilma Rousseff e celebração da nossa vitória no histórico 31 de outubro. Querendo comentar, é só dar um pulo aqui de volta.


Atualização em 25/12: Moderação de comentários instalada, enquanto o titular do blog viaja. Boas festas para todos.



  Escrito por Idelber às 12:24 | link para este post | Comentários (38)



quarta-feira, 01 de dezembro 2010

Sexismo, eleições e conservadorismo, por Cynthia Semíramis

O Biscoito estréia hoje um outro modus operandi. Continuaremos com a marca do blog, que é a publicação de textos inéditos, mas eu não serei o único a escrever. Já temos três novos colunistas recrutados. A primeira é Cynthia Semíramis.



Aproveitarei a oportunidade como blogueira convidada d' “O Biscoito Fino e a Massa” para comentar alguns aspectos que me chamaram a atenção durante o período eleitoral, e que têm potencial para se tornarem grandes problemas nos próximos anos. O post de hoje é sobre sexismo e ascensão política e social das mulheres.

A campanha eleitoral em si foi sexista, embora bem menos do que esperávamos. É interessante observar que a maioria desses episódios não veio de políticos, mas dos meios de comunicação, que procuraram valorizar um modelo de feminilidade extremamente restrito, focado em aparência e controle do corpo feminino. É por isso que o aborto esteve em pauta durante parte do período eleitoral, e é por isso que a maioria das críticas a Dilma resvala, em algum momento, na questão estética ou questiona sua capacidade de liderança.

Após a eleição, tivemos alguns episódios sexistas direcionados a Dilma Rousseff. Monica Waldvogel comentou que Dilma é uma mulher sozinha (pois não tem marido!) e insinuou que o país talvez não aceite se ela arrumar um namorado; alguém se lembra de perguntas semelhantes na época em que o divorciado Itamar Franco assumiu a presidência? A Folha de São Paulo fez um vexaminoso momento Caras vigiando a ida de Dilma a uma praia em Itacaré. Discutiu-se à exaustão se Dilma será "presidenta" ou "presidente". A especulação sobre Dilma destinar 30 % dos ministérios a mulheres rendeu algumas grosserias inclusive de quem se considera de esquerda.

Esses episódios já eram esperados. Afinal, sexismo independe de posição política, grau de escolaridade ou classe social. Nossa sociedade é bastante preconceituosa e está mais interessada em julgar uma mulher pela aparência e submissão do que pelo bom desempenho profissional. Ainda temos poucas mulheres em cargos políticos, o que implica em um período de adaptação para que as pessoas e os meios de comunicação aprendam a se comportar de forma menos sexista.

É importante notar que o acesso ao poder político não é garantia de respeito ou de segurança para mulheres. Uma observação que surgiu durante a discussão sobre feminicídio no Fazendo Gênero 9 foi de que em alguns países a maioria das mortes de mulheres não tem mais a motivação tradicional ligada à posse da mulher (morte causada pelo ex-marido que não aceita a separação, por exemplo, e que é situação corriqueira no Brasil). Passaram a ser mortes causadas por ódio porque as mulheres estão tendo ascensão social e política. E os meios de comunicação têm papel fundamental nesse processo.

Uma das formas encontradas para fazer as mulheres se retirarem da vida social é criar um clima de violência e medo que as faça retornar ao espaço privado. Isso pode ser obtido tanto com reportagens sensacionalistas sobre crimes cometidos contra mulheres quanto com o descaso na aplicação de leis que exigem proteção de mulheres em caso de violência. Diversos juízes se recusam a aplicar a Lei Maria da Penha, mas apenas um juiz foi punido pelo CNJ por ter utilizado linguagem imprópria e discriminatória de gênero ao se recusar a aplicar a lei Maria da Penha. Em sites jurídicos pode-se encontrar diversos comentários defendendo o juiz; os comentaristas optam por criticar uma lei que e ignorando a situação de desespero das mulheres vítimas de violência intra-familiar.

Outra variante desse modelo é incentivar uma visão conservadora, valorizando apenas as mulheres que se mantêm dóceis e em segundo plano, sem grandes ambições além de cuidar de si mesmas, da casa, dos filhos, e trabalhar para pagar as contas do mês. Esse movimento pode ser visto em diversas crônicas recentes, que buscam determinar como as mulheres devem se comportar para serem aceitas socialmente – e sempre o comportamento esperado é o de submissão à vontade masculina e retorno a um mundo no qual mulheres não podiam ir além de se casar, agradar o marido e cuidar dos filhos.

Esse conservadorismo é um ponto a ser observado nos próximos anos, para que a pressão cultural (através principalmente da grande mídia, que serve de inspiração inclusive para a mídia alternativa e para a blogosfera) e o aumento de violência contra mulheres (através da impunidade dos agressores) sejam combatidos e não atrapalhem a ascensão das mulheres em todas as áreas. A julgar pela campanha política, tenho minhas dúvidas que o sexismo continuará se dirigindo somente contra a presidenta Dilma Rousseff. É mais provável que seja dirigido contra todas as mulheres, repreendendo-as por se recusarem a seguir o modelo conservador.


Cynthia Semíramis



  Escrito por Idelber às 21:12 | link para este post | Comentários (51)



terça-feira, 02 de novembro 2010

A vitória de Dilma e a falsa tese do “país dividido”

Nem bem contada estava a maior parte dos 55.752.529 votos recebidos por Dilma Rousseff e um insidioso meme começava a circular pelos meios de comunicação brasileiros, especialmente pela Rede Globo de Televisão. Parece que não entendiam, ou se recusavam a entender, o momento histórico que vivíamos. Trata-se da cantilena do “país dividido”, reforçada por um enganoso mapa em que o Brasil aparecia separado entre estados azuis e vermelhos. Acompanhado por uma série de bizarras declarações de figuras como W. Waack (“a imprensa criou o mito de Lula e ele se voltou contra ela, ingrato”) ou do inacreditável Merval Pereira (“Dilma deve saber que a oposição teve uma votação muito alta”), o mapa cumpriu o papel de sugerir uma divisão que absolutamente não existe: Dilma venceu com larga margem (12%), que em qualquer democracia presidencialista qualificaria como um sacode-Iaiá. Basta lembrar que na categórica vitória de Obama sobre McCain a diferença foi 52,9% a 45,7%, pouco mais da metade, portanto, da diferença imposta por Dilma a Serra.

Como apontou Alexandre Nodari no seu Twitter, a divisão por estados peca por impor ao Brasil um modelo que é essencialmente estadunidense, baseado no princípio de que o candidato vencedor num determinado estado leva todos os seus votos a um Colégio Eleitoral, numa eleição que é, para todos os efeitos, indireta. No Brasil, como se sabe, o presidente é eleito por sufrágio universal, e nele a ideia de estados “vermelhos” e “azuis” não faz o menor sentido. O mapa do Estadão, colorido por municípios e com várias gradações de azul e vermelho, esse sim, serve a um estudo sério, já iniciado pelo Fabricio Vasselai.

A ideia dos estados azuis e vermelhos faz menos sentido ainda depois de estudado o mapa eleitoral do pleito de 2010. A grande maioria dos estados que aparecem em azul no “país dividido” da TV Globo são unidades da federação em que Serra venceu por mínima diferença: Goiás (50,7%), Rio Grande do Sul (50,9%), Espírito Santo (50,8%), Mato Grosso (51,1%). Não se encontra, na coluna azul, nem rastro de um estado em que a vantagem se compare com a conquistada por Dilma em lugares como Amazonas (80%), Maranhão (79%), Ceará (77%), Pernambuco (75%), Bahia (70%), Piauí (69%) e vários outros. Num país com eleição por sufrágio universal e uma diferença tão acachapante entre os estados “dilmistas” e os “serristas”, só com muita desonestidade intelectual você colore alguns estados de azul e outros de vermelho, sem variação no tom das cores, para apresentar um país “dividido”.

Se a tese do país dividido não tem fundamento, menos ainda o tem a tese do país dividido entre Sul / Sudeste, por um lado, e o Norte / Nordeste, por outro. Não custa lembrar, mas essa divisão grita em desacordo com os fatos: Dilma enfiou goleadas acachapantes em Serra no Rio de Janeiro (60,5% x 39,5%) e Minas Gerais (58,5 x 41,5), além conquistar um empate no Rio Grande do Sul. Não custa lembrar aos jornalistas da Globo: Dilma Rousseff venceu as eleições no Sudeste, caso o fato tenha passado despercebido no Jardim Botânico.

Já na segunda-feira, a mídia brasileira havia conseguido insuflar uma onda divisionista que não demorou em encontrar solo fértil no nosso bom e velho racismo latente. No Twitter, proliferava o discurso do ódio aos nordestinos, desinformado até do básico dado de que Dilma teria ganho eleição mesmo se o Brasil não incluísse o Nordeste. Aludindo de forma desonesta ao “fato” que ela mesma havia ajudado a criar, a Globo relatava que havia um “embate” entre regiões do Brasil nas redes sociais, quando na verdade o único embate se deu entre a sanidade e uma minoria racista e ressentida. Começa mal, muito mal a Vênus Platinada, talvez como consequência do que aconteceu nesta eleição histórica: Dilma venceu o pleito com o debate da Band, desmontou a última armação com um vídeo do SBT e concedeu sua primeira entrevista à Record.

Sinais dos tempos.

PS: Enquanto isso, no Roda-Viva, Augusto Nunes passava por uma das maiores vergonhas da vida.

PS 2: Está ótimo o texto do Alê Porto sobre os próximos passos de Dilma.



  Escrito por Idelber às 06:14 | link para este post | Comentários (113)



domingo, 31 de outubro 2010

A primeira presidenta e um inédito reencontro com o passado

Poder-se-iam elencar 13 sólidas razões no campo da política, ou um motivo mais fundamental, que aludisse à alma da nação, ou um incontável rosário de números, fatos e dados para explicar a eleição de Dilma Rousseff. Poderíamos recorrer às doutas palavras do Enéas de Souza, da Fundação de Economia de Estatística/ RS:

Ela foi uma espécie de Super-Ministro do Planejamento. Logo de saída, deu ordenação e coerência nas obras dos diversos ministérios. Deu unidade e tornou denso o trabalho do governo. Pois, antes de Dilma, as pernas estavam para um lado, os braços para outro, a cabeça jogada lá diante, e os calcanhares e os pés andavam sozinhos pela Esplanada dos Ministérios. Tudo existindo, mas, todas as partes dispersas.

Uma espécie de diáspora do governo Lula. Dilma fez como os mágicos: agregou um cenário ao conjunto e reuniu tudo num corpo só. E surgiu daí a envergadura do governo Lula. Era o que o político Lula precisava. Tinha que vir alguém que soubesse organizar as peças do governo numa cara de governo. Precisava de um ministro que planejasse e coordenasse as ações para que Lula se tornasse o estadista. E ele o foi. E é.

Assim, no final do Lula I, a população já tinha se dado conta que todo um projeto estava organizado: aumento de salário mínimo consistente, Bolsa Família, crédito consignado, ProUni. E Dilma, vindo do Ministério de Minas e Energia acrescentou o que faltava: Luz para Todos. [...]

O Luz para Todos. Se pensarmos bem foi um dos grandes projetos de Dilma. Pense o leitor e imagine. Na época, discutia com um amigo e lhe disse: “Ah, você acha que esse é um programa banal, é? Faça o seguinte, você que é classe média: apague as luzes da sua casa e fique uns 15 dias sem luz. Pense como será o seu dia; pense, sobretudo, como será a sua noite. Você está na Idade Média. São 15 milhões de pessoas que viajaram 500/600 anos”



Poderíamos seguir elencando razões e fundamentos, mas com esse rol não esgotaríamos o significado da eleição de Dilma Rousseff, posto que é por demais poderoso e simbólico o que acontece no Brasil neste 31 de outubro. Para além de toda política, para além de todos os números do Bolsa Família, do ProUni e da ascensão à classe média, essa potente simbologia repousa em dois ineditismos extraordinários de Dilma: ela é nossa primeira presidenta e nosso primeiro reencontro de cabeça erguida com o passado traumático da ditadura (ela também será nossa primeira presidente atleticana, mas o blogueiro concede que este fato é de importância ligeiramente menor que os outros dois).

O giro que descreve Enéas de Souza foi fruto, sem dúvida, da sintonia inaudita que se desenvolveu entre Lula e Dilma, já na época das Minas e Energia, mas especialmente depois que ela chega à Casa Civil em meio à tempestade de 2005, e arruma a casa no Ministério mais importante da Esplanada. O machismo com que foi representada essa sintonia na nossa mídia é mais um capítulo enlameado da história desta campanha (e razão pela qual nunca é demais recordar que os conglomerados midiáticos são os últimos a ter o direito de criticar a sujeira destas Presidenciais 2010).

Dilma Rousseff, mulher de classe média que, sem carecer, lançou-se a enfrentar a ditadura, foi barbaramente torturada e não delatou companheiros, levantou-se, sacudiu, deu a volta por cima, serviu como Secretária da Fazenda no mandato de Alceu Collares (PDT) que iniciou histórica hegemonia de esquerda em Porto Alegre, repetiu a dose como Secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, tanto sob Collares como sob Olívio Dutra (PT), ascendeu ao governo federal, consertou a calamitosa situação deixada pelos apagões de FHC nas Minas e Energia, assumiu a Casa Civil em meio à maior crise política desde o Collorgate e pilotou a maior redução da desigualdade da história da nação, essa, ninguém menos que essa mulher foi apresentada como “poste”, “desconhecida” ou, no máximo, “bem treinada”, quando surpreendia os preconceitos dos semiletrados jornalistas brasileiros com seu impressionante domínio dos números e dos mecanismos da máquina federal.

Para ir além do pobre sexismo das análises que vimos na mídia brasileira sobre a relação entre Lula e Dilma, há que se recordar a história do PT e o profundo incômodo que, com frequência, sentia Lula ante a atuação das alas “intelectuais” do partido, desde os seus economistas e sociólogos até os militantes de classe média oriundos da esquerda organizada. Dilma vem desse mundo, mas ela é, sobretudo, uma cabeça prática, executiva, que faz acontecer, com assombrosa capacidade de assimilação e processamento de dados. A combinação que realiza Dilma entre a paixão e a entrega militantes, por um lado e, por outro, o talento prático já desprovido das enrolações retóricas de tantos quadros da esquerda, absolutamente encantou e seduziu Lula, já antes da posse em 2003. Quando todos apostavam que Luis Pinguelli Rosa seria o escolhido para a pasta das Minas e Energia, surge Dilma, já destacando-se com seu laptop, domínio dos números e conhecimento prático da matéria. Lula encontrou ali uma alma gêmea, e é esse pé de igualdade na sintonia o que retrata esta foto, mais reveladora que todas as matérias e colunas:

zzzzzzzzzLula%20e%20Dilma.jpg



Também é da ordem do verdadeiro dito mais profundamente pela imagem que pela palavra a fotografia tirada por Ricardo Stuckert nesta sexta-feira, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Lula visitava José Alencar e prometia: Zé, nós subimos a rampa juntos, vamos descer juntos. O carinho demonstrado nesta foto diz mais que todas as análises do lulismo como recomposição da aliança de classes no Brasil. Lula e Zé:


alencarlula.jpg


As duas fotos não estão, evidentemente, desvinculadas. A capacidade de gestão de Dilma e a facilidade com que ela conversa com os vários setores da sociedade são parte integrante do pacto de classes que se arma no Brasil do lulismo de resultados, e que tem nesse gesto de amor no Sírio-Libanês o seu mais acabado emblema.

O blog deseja um bom voto a todos na Pátria Amada, promete comentários em vídeo, ao vivo, durante o dia, e parabeniza Carlos Drummond de Andrade e John Keats por fazerem aniversário no dia em que o Brasil elegerá sua primeira presidenta.



  Escrito por Idelber às 05:24 | link para este post | Comentários (67)



sábado, 30 de outubro 2010

Recomendação de transmissão ao vivo

Ao longo do fim de semana, o projeto Democracia 48 horas tem apresentado debates de alta qualidade, com temas relacionados à política, eleitoral ou não. Já passaram por lá Leonardo Sakamoto, Renato Rovai, Rodrigo Savazoni, Antônio Martins e vários outros.

Dá para assistir ao Democracia 48 h também neste link do Renato Rovai. Fique à vontade para fazer observações nesta caixa de comentários sobre os temas debatidos lá.

Entre a noite de hoje e a manhã de domingo, eu pretendo ligar a Twitcam também e abrir um post para o vídeo ao vivo.



  Escrito por Idelber às 19:55 | link para este post | Comentários (7)




Seleção de vídeos da campanha 2010

Vamos em quatro categorias: programa eleitoral, declaração de voto, humor e trilha sonora.

Melhor declaração de voto (do Mr. Cloaca News):



Melhor programa eleitoral na TV (da Dilma Rousseff)




Melhor vídeo de humor (o que segue é o número um da série; merece menção honrosa também vídeo número três):




Melhor trilha sonora (tirado do indispensável NaMaria News):





* Menção honrosa para o Mulher na Presidência:






Se gostou de algum outro vídeo, compartilhe o link aí. Mais tarde a gente volta com texto.



  Escrito por Idelber às 09:00 | link para este post | Comentários (31)



terça-feira, 26 de outubro 2010

O maiô de Dona Marisa, ou: quem são os verdadeiros jecas do Brasil? por Rodrigo Nunes

Tendo recebido uma bolsa de estudos no exterior, passei quase todo o governo Lula distante do Brasil. Antes de meu retorno, no ano passado, minha única vinda ao Brasil desde 2003 fora por um mês, em janeiro de 2005. Num dos poucos momentos que tive na frente da televisão, acabei assistindo um programa (bastante conhecido) onde se discutiam os destaques do ano anterior. Muita coisa aconteceu em 2004, no Brasil e no exterior, mas uma das apresentadoras do programa optou por destacar “o maiôzinho da Dona Marisa”. Com tantos estilistas brasileiros de renome internacional, se perguntava, como pode a esposa do presidente usar uma coisinha tão jeca? Não foi nem a irrelevância da escolha, nem o comentário, mas o tom que mais me chamou a atenção: o desdém que não fazia o menor esforço em disfarçar-se, a condescendência de quem se sabe tão mais e melhor que o outro, que o afirma abertamente.

Veio-me imediatamente uma piada corrente durante as eleições de 1989, quando pela primeira vez Lula ameaçara chegar ao poder. Ele e Dona Marisa passam pela frente do Palácio Alvorada, e Lula diz a ela, “É aqui que vamos morar”; ao que Dona Marisa responde, “Ai, Lula, não! Essas janelas vão dar muito trabalho para limpar”. A piada explica tudo: no Brasil, uma camada da população tem sua superioridade sobre a outra tão garantida, que não vê necessidade de dissimular essa distância, mesmo em público. Ser ou não primeira-dama, aqui, é secundário; pode-se rir na TV da “jequice” de Dona Marisa do mesmo modo em que se faz troça do perfume que põe a empregada quando termina o trabalho, e pelo mesmo motivo – porque a patroa pode, e a subalterna, não.

Um mau momento de má televisão teve, para mim, a força de várias revelações. Em primeiro lugar, sobre o país em que eu então vivia, a Inglaterra. Um comentário desses, lá, receberia condenação pública. Alguém certamente acionaria o Ofcom, órgão que fiscaliza a imprensa, para exigir providências. Se fosse na BBC, rede pública de TV e rádio, talvez o autor fosse demitido. Não por atentar contra a esposa de uma autoridade, ou por essa bizarra “liturgia do cargo” que a cada tanto se invoca no Brasil, mas por ser uma manifestação pública de preconceito. O quê tem a ensinar o livre exercício desse preconceito sobre o Brasil? O que tem a ver com a grita (“Estalinismo! Chavismo! Retrocesso!”) cada vez que se fala em fiscalização da mídia, coisa corriqueira naqueles países (Reino Unido, Suécia, Portugal, EUA...) em que nossa elite não cansa de querer espelhar-se; e com que, até hoje, pouquíssimas sejam as instituições brasileiras públicas que se comparem, em qualidade de serviço, a uma BBC?

Nos anos 70, Edmar Bacha popularizou o termo “Belíndia” como descrição do país: um pouco de Bélgica e muito de Índia, o Brasil era muito rico para poucos e muito pobre para muitos. A auto-imagem que mantém os habitantes de nossa “Bélgica” consiste em ver os dois lados da moeda sem sua conexão necessária. Para esses, o verdadeiro Brasil é o deles – branco, remediado, educado. A “Índia” sem lei do lado de fora dos muros não somente existe por si só, sem nenhuma relação causal com a riqueza do lado de dentro, como é aquilo que atrasa o país; não fosse a plebe, já seríamos Bélgica, ou seja, já não seríamos principalmente Índia. A pobreza dos pobres não resulta da má distribuição da riqueza que se gera, pelo contrário: os pobres são culpados de sua própria pobreza. Mais do que isso, o potencial sub-aproveitado do país nada tem a ver com o a maioria da população ser sistematicamente excluída na educação, nos direitos, na renda; pelo contrário, “é por conta desse povinho que o país não vai para a frente”.

Essa é a cara de uma elite pós-colonial: crê-se um ser estranho na geléia geral da colônia, padecendo num purgatório de nativos indolentes e enfermidades tropicais. Comporta-se todo o tempo como se ainda tivesse a caravela estacionada ali na costa, pronta para zarpar de volta à metrópole. Mas sofre mais ainda porque, não muito no fundo, sabe que não pode voltar, e que chegando lá será apenas mais um subdesenvolvido, um imigrante, um “moreninho”, um jeca. Parte de sua truculência vem de saber que jamais será aquilo que quer ver no espelho, e que aquilo que menos quer ser é o que realmente é; de precisar provar para si que é diferente de quem exclui e discrimina, já que nunca será igual a quem gostaria de ser.

No fim das contas, ela sabe que sua verdadeira cara não é nem a das socialites da Zona Sul, nem dos intelectuais de Higienópolis, mas a do grileiro da fronteira agrícola, do “coroné” do agreste. E que, no fim das contas, o que a mantém no topo não são os rapapés de seus salões, mas o bangue-bangue de seus jagunços. Da modernidade do primeiro mundo a que gostariam de aceder, só o que lhes interessa são os sinais externos de consumo e distinção social, não o histórico de direitos sociais, democratização das instituições, criação de equipamentos públicos e reconhecimento de minorias e setores desfavorecidos. Seu modelo sempre foi menos a Bélgica, a Escandinávia, a Alemanha ou o Reino Unido, e mais o excesso kitsch de uma Miami, a opulência caipira de uma Dallas.

A falta de uma instituição como a BBC (ou boas escolas públicas) tem tudo a ver com essa maneira de desejar o desenvolvimento apenas o suficiente para manter as bases dos privilégios existentes. É a mesma dinâmica que vê crescerem, paralelamente, o crime organizado e a indústria dos condomínios fechados e da segurança privada: as camadas superiores da sociedade brasileira trocam direitos – inclusive o direito de desfrutar da cidade e de seus bens sem medo – por consumo. Da porta para dentro, luxo; da porta para fora, faroeste. Cada vez que um debate sobre democratização ou fiscalização da mídia é silenciado por acusações de autoritarismo, o que temos é a jagunçada defendendo os latifúndios comunicativos que algumas poucas famílias grilaram há um bom tempo. É de fazer rir a fingida consternação de alguns grupos e interesses com os riscos que hoje sofreriam as “instituições republicanas”, quando a história das instituições brasileiras no geral demonstra que elas sempre interessaram tão-somente na medida em que permitiam liberdade de ação para uns e limites para outros. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. A fragilidade institucional sempre foi não apenas instrumento de reprodução da desigualdade, como ainda é o que permite a manifestação explícita do preconceito. Modernidade à Daslu: o luxo “de primeiro mundo” sustentado pela sonegação de impostos; a finesse que se assenta na barbárie de um estado de natureza.

Haverá sido a distância, e a experiência de conhecer o quê foi a modernidade pela via da criação de direitos, que fez nosso preconceito social saltar-me aos olhos; mas também tenho a impressão que as coisas tenham, nestes anos, se tornado ainda mais escancaradas. A polarização seria, sem dúvida, uma consequência do governo Lula. Nem tanto do próprio presidente, de tendência (talvez demasiado) conciliadora, mas da dificuldade de aceitação, por parte de quem faz e consome a grande mídia de massa brasileira, do que aconteceu no país nos últimos anos. O crescimento econômico experimentado nos últimos anos foi a perfeita demonstração da falácia que culpava os pobres por sua própria pobreza, e a do país: ele não teria sido possível se a pobreza não tivesse caído 43% (20 milhões de pessoas), se 31,9 milhões (mais de meia França) não tivessem ascendido às classes ABC, ativando um mercado interno potentíssimo que permaneceria em potencial enquanto essas pessoas estivessem excluídas do consumo mais básico. Graças ao ciclo virtuoso que se formou foi possível, por exemplo, aumentar o orçamento da educação em 125%, expandir 42 universidades federais, criar 15 novas, construir mais escolas técnicas (240) que em todo o século anterior (140).

Mais importante que qualquer número: políticas como o Bolsa Família e o ProUni abrem a perspectiva de um ciclo virtuoso de criação de direitos. Tais ciclos, como demonstra o retrocesso brutal que a Europa atravessa, não apenas não são irreversíveis, como não se mantém sem a mobilização social que garanta sua expansão. Mas o fato de que hoje milhões de pessoas se percebam como detentoras de direitos a exigir do Estado, ao invés de clientes a trocar seus votos por favores de um “painho” na época da eleição, não apenas é um salto qualitativo para a democracia brasileira, como cria justamente as condições para novos saltos da organização popular. Construir direitos e instituições, no lugar do clientelismo e do casuísmo da república dos bacharéis: se essa tendência se consolida, terá sido a maior herança desses últimos oito anos. É pouco ainda, mas já é muito.

O que para alguns é difícil de engolir é que, quando o Brasil finalmente deu um passo para deixar de ser Belíndia, não foi por obra da “Bélgica”, mas da “Índia”. Para quem se projetava no sangue azul de Odete Roitman, custa aceitar que a cara do Brasil hoje é de Raquel Acioli, a ex-marmiteira que batalhou para subir na vida da novela Vale Tudo. Os episódios mais lamentáveis dessa eleição – os emails e mensagens apócrifos, o uso do telemarketing na propagação de boatos (criação de Karl Rove nos EUA, depois seguida por John Howard na Austrália), a mobilização de um discurso conservador e obscurantista que culminou com fazer do aborto uma questão eleitoral pela primeira vez na história do país – são, mais uma vez, os punhos de renda rasgando a fantasia e abraçando o mais desbragado faroeste. Partido e candidato que um dia representaram uma vertente modernizante das classes média e alta de São Paulo, de quadros intelectuais e tecnocratas bem-formados, dissolveram-se na geléia geral em que quatrocentão e “painho”, uspiano e grileiro, socialite e “coroné” existem, desde sempre, em continuidade e solidariedade uns com os outros. As promessas desesperadas de ampliação do Bolsa Família vindas de quem até pouco tempo o desdenhava como “Bolsa Vagabundo”, ou a cortina de fumaça que se constrói ao redor do debate do pré-sal, indicam que, atualmente, é impossível eleger-se no Brasil negando certos direitos recém-descobertos por vastas parcelas da população. A elite, mais do que nunca, precisa esconder seu verdadeiro programa.

Resta-lhe, então, partir para um jogo que começou nos EUA nos anos 80, e cuja eficiência na Europa cresceu muito na última década: tirar a política do debate político e substituí-la pelos cochichos igrejeiros, pelo apelo a um passado mistificado e a um moralismo espetacular – que instrumentaliza os medos causados por um tecido social cada vez mais esgarçado e propõe falsas soluções simples e regressivas, ao invés de confrontar-se verdadeiramente com a complexidade crescente dos problemas. É um “fim da política” que cobre a política que realmente lhe está por trás. Assim, por exemplo, o governo inglês anuncia, na mesma semana, o perdão de uma dívida de 6 bilhões de libras da empresa Vodafone e um programa de cortes de serviços sociais maior que qualquer coisa jamais proposta por Margaret Thatcher. Ou, depois do mercado financeiro ter usado a crise grega para dobrar a União Européia com a ameaça de um ataque ao euro, volta-se a culpar os imigrantes pela sobrecarga de serviços sociais de orçamentos cada vez mais reduzidos – culminando com o recente apelo de Angela Merkel por “uma Europa de valores cristãos”.

Talvez seja apenas no momento em que a Europa regride que a elite brasileira poderá, enfim, realizar seu sonho: juntar-se a seus “iguais” de ultramar na vanguarda de um retrocesso que mobiliza o medo e o reacionarismo mais rasteiro contra direitos e instituições historicamente conquistados. Afinal, a “lavagem” dos votos da extrema-direita, pela qual o centro dá uma cara “respeitável” ao conservadorismo “selvagem”, tornou-se o maior negócio político de nossos tempos. (Quem sabe, mesmo, agora a extrema-direita comece a prescindir de intermediários: ver o PVV de Geert Wilders na Holanda.)

Rasgada a fantasia, fica tudo claro. Quem quer Estado apenas na medida em que este garante privilégios; quem tira os sapatos no aeroporto de Miami e entra na justiça para que o porteiro o chame de “doutor”; quem troca direitos por capacidade de consumo; quem sonega impostos e abomina as gambiarras e “gatos” das favelas; quem diz o que quer, denuncia todo questionamento como ameaça à liberdade de expressão, e então demite o funcionário que o faz ouvir o que não quer (como fez o Estadão com Maria Rita Kehl); quem se queixa da falta de autoridade e do “jeitinho”, mas suborna o policial e espera que as legislações ambientais ou trabalhistas não se apliquem aos seus negócios; quem ainda se comporta como se estivesse com a caravela ancorada, sem nenhum interesse no país a não ser o lucro rápido para partir de novo, e então se queixa que “esse país não vai para a frente” – esses são os verdadeiros jecas do Brasil. A boa noticia é que, pelo menos por hora, eles estão perdendo.

Rodrigo Nunes é doutor em filosofia pelo Goldsmiths College, Universidade de Londres, pesquisador associado do PPG em Filosofia da PUCRS (com bolsa PNPD – CAPES), e editor da revista Turbulence

PS de Idelber: Antonio Luiz Costa e La Pasionaria avisam, no Twitter, que a piada sobre as janelas e o maiô aconteceu quando Lula era candidato ao governo do estado em 1982. Continua valendo, claro, a argumentação do Rodrigo na sua essência, mas está corrigido o dado factual.



  Escrito por Idelber às 15:35 | link para este post | Comentários (77)



domingo, 24 de outubro 2010

Dom Angélico Sândalo Bernardino lê importante carta sobre as eleições

Um trecho:

INFELIZMENTE, destoando da orientação oficial da CNBB Nacional e Sul 1, irmão Bispo de Diocese localizada na grande São Paulo, na publicação, no início de julho de 2010, “ EM QUEM NÃO VOTAR “, após considerações sobre o aborto e posicionamentos do PT, afirma “ recomendamos a todos os verdadeiros cristãos a que não dêem seu voto à sra. Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam liberação do aborto”.

{...}

Foi o prato cheio de que a oposição à candidata à Presidência da República se serviu, de maneira facciosa,parcial, para instrumentalizar a Igreja, dividir comunidades, tornar temas religiosos, o aborto, focos principais de debates, levando muitos a crerem que votar em Dilma , é contrariar a orientação da Igreja Católica. Ora, isto é mentira, uma vez que a Igreja oficialmente não se posicionou a respeito de NOMES e PARTIDOS, PODENDO, POIS O CATÓLICO CONSCIENTEMENTE VOTAR em Dilma, em candidatos do PT. Contra a instrumentalização do aborto para fins eleitorais, ergueu-se valorosa a voz profética de D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales, no artigo “ DESMONTE DE UMA FALÁCIA”.


Seja você religioso ou ateu, é uma bela carta, disponível na íntegra lá na Rede Brasil Atual. Caso prefira assistir à leitura de Dom Angélico, segue o vídeo abaixo.


Para variar, a nossa imprensa deu destaque às sandices de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que o PT é o "partido da morte", e ignorou a voz lúcida de Dom Angélico Sândalo Bernardino.



  Escrito por Idelber às 09:46 | link para este post | Comentários (40)



sábado, 23 de outubro 2010

Folha de São Paulo publica a ficha policial falsa da bolinha de papel (cuja autencidade não pôde ser provada, mas também não pode ser negada)

Depois da grosseira montagem feita pela Escola Ali Kamel de "Jornalismo", que provocou embaraço e vergonha até mesmo na redação da própria Globo,



eis que o bolinhagate, que fez de Serra motivo de chacota até na imprensa argentina, se conclui agora com a publicação, ao melhor estilo Folha de São Paulo, da ficha policial falsa da bolinha de papel:


ficha-policial-falsa.jpg


PS: A desmontagem da palhaçada do Jornal Nacional foi feita por Daniel Florencio e a ficha policial falsa, ao estilo Folha, é obra do designer gráfico João Márcio Dias de Alencar.



  Escrito por Idelber às 10:57 | link para este post | Comentários (109)




Eventos deste sábado na campanha de Dilma

Se você está acessando este blog em Belo Horizonte na manhã do dia 23 de outubro, saia da frente do computador, porque é hora de ir para a Contorno! Confira abaixo os locais de concentração. Se você está em BH, mas acessando o blog à tarde ou à noite, conte-nos como foi o evento na caixa de comentários. Se você está em outra cidade brasileira, confira abaixo do cartaz a programação dos eventos Dilma neste fim de semana. Compareça, vista vermelho, leve sua bandeira, consiga material de campanha e converse com indecisos. É hora de ir para as ruas:

cartazabracocontornover.jpg


São Paulo está cheia de eventos neste sábado. Em primeiro lugar, os eventos com Dilma:

10:00 h Carreata Diadema
Concentração - Jardim Rosinha - Largo redondão - centro (final da Av. São José)
Caminhada com Dilma e Lula, às 10h Avenida São João, Centro (próximo ao Redondão do Rosinha).

11: 00 h - Carreata Carapicuíba
Concentração - Heliponto Helipark - Rua Fortunato Grilenzone, 417


Outros eventos em São Paulo:

às 9h: Ato com Lideranças Evangélicas da Capital em apoio a Dilma
Auditório Diretório Estadual – Rua Abolição, nº 297, Bela Vista

às 9h: Caminhada do Comitê de Igualdade Racial. Praça Patriarca, com a presença do ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira Araújo.

às 10 h: Atividade de Mulheres do PPL (Partido Pátria Livre), na Avenida Paulista (em frente ao prédio da Gazeta)

10:30: Caminhada na Vila Madalena. Rua Fradique Coutinho, esquina com Rua Wisard.

Em Guarulhos:
às 9 h: Ato com Lideranças Evangélicas em apoio a Dilma, com a presença do Prefeito Sebastião Almeida.

Em Várzea Paulista
às 9 h: Caminhada com a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Rua Força Publica, nº 90

Em São Carlos:
às 9h: Mobilização no Comitê Suprapartidário – Rua Padre Teixeira, nº 2419, Centro

Em Jales:
às 9h30: Inauguração do Comitê Cristão Pró-Dilma, Verdade e Justiça, Rua Hum, nº 759, Centro

Ainda em Jales
às 9h: Ato Político na Associação Nipo Jalense - Rua 14, nº 2427, Centro, com a presença do ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas

Em Ribeirão Preto
às 10 h: Plenária com Michel Temer, no Centro de Eventos Taiwan – Rodovia Ribeirão Bonfim, Salão Esmeralda, com a presença do ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Em Jundiaí:
às 11 h: Caminhada no Calçadão, com a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva

Em São Carlos
às 14h: Carreata, na Avenida Luciano Eduardo Félix, Parque Douradinho

Nos municípios da região de Itapecerica da Serra:
Caravanas Regionais, com adesivagem e panfletagem

CARAVANA A
9h - Vargem Grande Paulista – Centro
11h - Cotia
13h - Taboão da Serra (Estrada Kizaemon Takeuti, Jardim Pirajussara)
14h30 - Embu (em frente à paróquia do Jardim Santo Eduardo)

CARAVANA B
9h - Embu-Guaçu (Praça Inácio Pires, atrás da Prefeitura)
11h - São Lourenço da Serra (Praça Central)
13h - Juquitiba (Praça Central)

ENCONTRO DAS CARAVANAS
15h - Ato Político em Itapecerica da Serra (em frente à fonte da Av. XV de Novembro)


Osasco - Encontro Virtual de Blogueiros e Twitteiros no Comitê Central da Dilma presidente, 15h, V. Yara. Concentração no Viaduto Metálico e caminhada até o Comitê.

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Rio de Janeiro, ainda neste sábado:

Lindberg Farias visita bairros do Rio (10:00 Tijuca - Pça Saens Pena; 12:00 Vila Isabel - Petisco da Vila; 14:00 Calçadão de Campo Grande e 16:00 em frente ao Shopping de Santa Cruz)

9h panfletagem e bandeiraço no calçadão de Campo Grande (Concentração no relógio marco zero).

10h30 militantes do PT de Copacabana, veteranos da antiga 5ª Zona, voltaram a ocupar a Galeria Menescal nas manhãs de sábado e estarão lá.

09h Mini comício na praça do Alcântara/São Gonçalo.

09h30 Caminhada no calçadão de Nova Iguaçu, concentração altura das Lojas Americanas.

10h Panfletagem no Saara.

10h Panfletagem na Praça Saens Pena.

10h Panfletagem na Praça do Méier.

10h Panfletagem na Avenida 28 de setembro (Petisco da Vila).

10h Panfletagem e Caminhada no Largo do Machado.

16h Panfletagem no Engenhão.

16-19h Panfletagem na Central do Brasil.

Atividade juventude e movimento negro, 9h, Piabeta/Magé

Panfletagem, 10h, Aterro do Flamengo

Banquinha na Praça da Matriz em São João de Meriti, 10h

Caminhada pelo Calçadão de Nova Iguaçu, 10h

Panfletagem LGBT na Farme de Amoedo, 20h

Panfletagem na Praça da Prefeitura em São João de Meriti, 19h


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Rio Grande do Sul:

BT_RS13.jpg

Em primeiro lugar, noticie-se que está lançado o site RS 13, que vai centralizar informações sobre a campanha de Dilma no Rio Grande.

Porto Alegre:

Caminhada da Cultura com Dilma às 11h, no Largo Glênio Peres.

Mutirão "Lugar de Mulher é na Presidência", às 10 h. Concentração: Praça do Bairro Tristeza (zona Sul de Porto Alegre) em frente à Igreja Nossa Senhora das Graças. Caminhada e panfletagem nas seguintes comunidades:

- Vila São Vicente Martir
- Vila São Gabriel
- Vila Nossa Senhora das Graças (Beco do Resvalo)


Canoas :

Caminhada, 10h, Centro (Tiradentes com XV de Janeiro)
Caminhada, 15h, Niterói (Santa Teresinha com Monte Castelo)

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Pernambuco:

Recife – Ato da Juventude com Dilma (passeio Ciclístico, Skateata, grupos de corredores, passeata), 15h, Saída do Parque da Jaqueira.

Lagoa de Itaenga, às 8:00 - Panfletagem na Feira Livre do Centro da Cidade.

Caruaru, às 9 h, panfletagem e adesivaço na mítica Feira.

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Bahia:

Carreata em Ilhéus, às 9 h.

Carreata em Itabuna às 11:00h

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Alagoas:

Maceió – Plenária de mobilização, 14h, Comitê Dilma da Fernandes Lima.

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Sergipe: Eventos do Na Rua com Dilma:

6h30 – Feira da Coroa do Meio – Nucleo dos Petroleiros

08hs- Panfletagem nos Mercados. Concentração : G Barbosa do Mercado.

09h- Carreata em Aracaju (Governador)

Concentração: Colina do Santo Antônio

17h- Carreata em Simão Dias (Governador)

17h Carreata na Barra dos Coqueiros (Marcio Macedo e Setoriais)

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Isso foi o que eu consegui compilar daqui, daqui, daqui e daqui. Se você foi a algum desses eventos, dê o seu testemunho. Se quiser acrescentar notícia sobre algum outro, fique à vontade.



  Escrito por Idelber às 03:47 | link para este post | Comentários (43)



quinta-feira, 21 de outubro 2010

Fita crepe é o caralho! Meu nome é bolinha de papel, porra!

O dia de hoje mereceria um post caprichado. Ontem, dois conglomerados máfio-midiáticos brasileiros aprofundaram um pouco mais o seu processo de ridicularização. De manhã, a Folha foi desmoralizada pelo texto de sua própria reportagem e, à tarde, pela Polícia Federal. À noite, a Rede Globo de Televisão foi desmoralizada por ... uma bolinha de papel.

Haveria muito que se escrever, mas eu sou obrigado a dar outra pausa no blog. Viajo de novo no domingo, desta vez para o Chile, convidado a um encontro internacional de especialistas na obra de Walter Benjamin, que se reunirão em Santiago, em evento comemorativo dos 70 anos da morte do grande pensador alemão. Nas próximas duas semanas, então, o calendário do blog é o seguinte: até domingo estarei escrevendo a minha apresentação e até quinta-feira que vem estarei no Chile. Haverá atualizações no blog, mas elas acontecerão de forma bem lenta e precária. Na quinta-feira, eu retorno do Chile e, aí sim, entro de sola na cobertura da reta final da campanha e da apuração dos números de domingo, esperando que Dilma me dê aquele presente de aniversário no dia 31. Enquanto eu estiver a maior parte do tempo offline, volta a moderação de comentários. E a aprovação vai demorar, portanto, paciência.

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Deixo com vocês alguns links que valem a pena serem lidos. Primeiro, sobre o episódio da quebra do sigilo da filha de José Serra, leia:


Na Rede Brasil Atual: A Folha desmente a Folha. E não assume.

No Renato Rovai: Folha livra Aécio e implica PT.


Depois de a Folha estampar manchete tentando implicar o PT numa quebra de sigilo oriunda de guerra intra-tucana (PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma), o UOL foi obrigado a encontrar um cantinho para a nota da Polícia Federal que desmascara o jornal.


O que a investigação da Polícia Federal confirmou é aquilo que, de forma alegórica e críptica, mas evidentemente compreensível para quem tivesse um pouquinho de familiaridade com o tema, O Biscoito Fino e a Massa relatou no longínquo dia 03 de setembro, quando toda a imprensa brasileira armava um auê com a acusação que José Serra fez a Dilma, e da qual, agora, ele não quer nem ouvir falar. Se o que relatei aqui no dia 03 não fosse a verdade, não teria ocorrido tanta confusão lá na Av. Getúlio Vargas, 291, não é mesmo, caros amigos do Estado de Minas?


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Sobre o episódio de Campo Grande, sugiro, em primeiro lugar, que você assista ao vídeo do SBT:



Depois de passear pelas mentiras de Noblat, mentiras da Veja, mentiras de Indio, mentiras da Globo, entenda por que Serra levou tantos seguranças ao evento em Campo Grande lendo a explicação de Flávio Loureiro acerca do ódio que mantêm por ele os trabalhadores conhecidos como mata-mosquitos, cujo sindicato se localiza precisamente em Campo Grande. A reintegração desses trabalhadores, escorraçados por Serra na época em que era Ministro da Saúde, foi conseguida em 2005. Para quem não se lembra, os trabalhadores mata-mosquitos levaram uma enorme réplica de um mosquito da dengue à inauguração do comitê de Serra em 2002.

Depois, acompanhe, estarrecido, as declarações deslavadas de um médico que deveria ser imediatamente investigado pelo Conselho Federal de Medicina.

No Twitter, claro, a farsa de Serra, Globo e médico foi imediatamente ridicularizada. Bombaram durante toda a noite e chegaram ao topo dos Trending Topics as tags #boladepapelfacts e #SerraRojas (para quem não acompanha futebol: Rojas é um goleiro da seleção chilena que simulou ter sido atingido por um foguete no Maracanã, em episódio que nos rendeu uma capa de Playboy--'a fogueteira'- e que é lembrado até hoje pelos chilenos como uma das maiores vergonhas da história do futebol no país). Siga os links sobre as tags para deliciar-se com mais um espetáculo de criatividade tuiteira.

Não posso deixar de notar que minha querida Democracia Socialista arrasou ontem no Twitter. Quem iniciou a tag #SerraRojas foi o Deputado Doutor Rosinha e quem iniciou a tag #boladepapelfacts foi o Mateus Araújo, ambos ligados à corrente política petista com a qual este blogueiro também mantém suas relações de simpatia e preferência.

O título que escolhi para este post não foi ideia original minha: é cortesia d'Opetista, a quem copiei. Ele alude, para quem não se lembra, a uma famosa frase de Zé Pequeno no filme Cidade de Deus.

Volto, então, intermitentemente ao longo da próxima semana e com força total na próxima quinta. Agora eu preciso ir ali, me preparar para não fazer feio em Santiago, porque o time que estará lá é de primeira.



  Escrito por Idelber às 07:03 | link para este post | Comentários (95)



quarta-feira, 20 de outubro 2010

Belo Horizonte prepara o abraço à Contorno com Dilma

Acontece em Belo Horizonte, neste sábado, dia 23/10, com concentração a partir das 9:30h da manhã até as 12h, o abraço à Contorno com Dilma. A ideia não foi minha, mas surgiu aqui no Biscoito e o blog convoca todos os leitores belo-horizontinos encarecidamente: se você gosta deste espaço, se alguma vez, alguma coisa que escrevi lhe serviu de algo, se você tem apreço pela comunidade que montamos aqui, faça-me este favor. Dedique algumas horas dos próximos três dias a telefonar para amigos, parentes e conhecidos, e ajudar na convocação do ato. Se você não mora em Belo Horizonte, mas tem amigos ou parentes por lá, você pode ajudar também. Eu prometo fazer minha parte, telefonando aos que não usam a internet com frequência.

É muito importante sair às ruas e conversar com outros eleitores neste momento.

Aqui vão os mapinhas dos treze pontos de concentração:

contorno-com-dilma.jpg

contorno-com-dilma-2.jpg




Aqui vão as informações que você pode precisar para ajudar na organização do ato. O comitê da Dilma fica na Rua Santa Catarina, 846 - Lourdes. O email é casadilma arroba gmail ponto com. O email criado pelos organizadores do evento é contornocomdilma arroba gmail ponto com.

O Diretório Estadual do PT fica na Rua Bernardo Guimarães, 3087, Barro Preto, Telefone: 31-3115-7613. O Diretório Municipal do PT fica na Rua Timbiras, 2330, Lourdes, Telefax 31-3291-5997. O PCdoB de Minas fica na Rua Mucuri, 69, Floresta (Fone: 31-3214-0068), ali nas imediações do Amarelinho. É uma linda e acochegante casa, por sinal, onde este trotskista sempre foi muito bem-vindo.

A acumulação de forças para o ato de sábado vai contar com um evento na UFMG. Na sexta-feira, dia 22, às 11 h, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, vai palestrar na Faculdade de Educação (campus) sobre “Desafios e possibilidades da educação brasileira”. Haverá panfletagem e bandeirada das 7:30 às 8:30, das 11 às 13hs e das 17 às 19hs, nas portarias da Antônio Carlos e da Catalão. A UFMG, minha alma mater, está em peso com Dilma. Um ex-Reitor e dois ex-Vice-Reitores escreveram um belo texto de apoio também.*

Fica aqui o convite, então, para que você nos ajude a fazer do evento de sábado um sucesso. Ligue para os amigos e parentes, e se mande para a Contorno no sábado de manhã. Peço aos leitores do blog que deixem esta caixa de comentários para mensagens relacionadas à organização e divulgação do abraço à Contorno, ou notícias sobre eventos similares em outras cidades.

Organizadores, se eu puder fazer algo mais, me avisem, por favor.

*Texto corrigido. Obrigado, Maria.



  Escrito por Idelber às 05:44 | link para este post | Comentários (43)



terça-feira, 19 de outubro 2010

Para você, eleitor indeciso, por Ricardo Lins Horta

Ricardo Lins Horta escreveu este texto, recheado de fontes. Ele é dirigido aos leitores indecisos. Fique à vontade para repassá-lo mas, por favor, preserve os links. Eles são a fundamentação do argumento. Se você não consegue copiar o post mantendo os links, escreva-me e eu lho envio por email.

********
Esta mensagem é dedicada a você, eleitor consciente e crítico, cujo voto é fundamentado em argumentos, que ainda está indeciso.

Ela é dividida em tópicos para facilitar: você pode ir direto onde lhe interessa.

Tudo o que será exposto nesta mensagem terá dados e respectivas fontes (clique nos links), diferentemente de tantos spams eleitorais e correntes apócrifas que surgem por aí.

Se você discordar de algo - o que é perfeitamente legítimo - o debate poderá se dar em cima de evidências, em vez de boatos e achismos.

Os argumentos defendidos são:

Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula;

Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;

Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC";

Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;

Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.



Tópico 1: Não é verdade que houve "aparelhamento da máquina administrativa" na Era Lula;
Você já deve ter ouvido por aí, tantas vezes, que o PT e o governo Lula "aparelharam o Estado", usando dos cargos em comissão para empregar amigos, apaniguados e militantes, certo?

Pois bem, então lhe perguntamos: quantos são esses cargos em comissão no Poder Executivo federal? São 200 mil, 80 mil, 20 mil? Você faz ideia de qual é esse número preciso?

Primeiramente, acesse este documento aqui: o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, última edição, de julho deste ano.

Vejamos: na página 33, você pode ver que há hoje, no Executivo federal, um total de 570 mil servidores civis na ativa.

Os ocupantes de DAS (cargos de direção e assessoramento superior) são 21,6 mil (página 107).

Porém, os de recrutamento amplo, ou seja, aqueles que foram nomeados sem concurso, sem vínculo prévio com a administração, são quase 6 mil (página 109), ou pouco mais de 1% do total de servidores civis. Se você considerar apenas os cargos que são efetivamente de chefia (DAS 4, 5 e 6), não chegam a mil e quinhentos.

Parece bem menos do que se diz por aí, não é mesmo? Agora vamos lá: para que servem esses cargos? Não custa dizer o óbvio: em democracias contemporâneas, o grupo que ganha o poder via eleições imprime ao Estado as suas orientações políticas. Em alguns países, o número de comissionados é maior (caso dos EUA); em outros, menor (como na Inglaterra). É natural que seja assim.

O que dizem os estudos internacionais sérios sobre a máquina administrativa brasileira? Vá aqui e baixe um estudo da OCDE sobre o tema. No Sumário Executivo, você verá que o Brasil não tem servidores públicos em excesso, embora o contingente de servidores esteja em expansão e ficando mais caro; que há necessidade de servidores sim, para atender às crescentes demandas sociais; que uma boa gestão de RH é essencial para que isso se concretize; e que o governo federal deve ser elogiado pelos seus esforços em construir um funcionalismo pautado pelo mérito.

Vamos então falar de meritocracia? O que importa é que o governo Lula perseguiu uma política de realização de concursos e de valorização do servidor público concursado sem precedentes. Basicamente, com os novos concursos, a força de trabalho no serviço público federal retomou o mesmo patamar quantitativo de 1997. A maior parte dos cargos criados pelo PT, porém, foi para a área de educação: para as universidades e institutos técnicos já existentes ou que foram criados. Volte no Boletim Estatístico e veja a página 90, sobre as novas contratações em educação. Houve muitos concursos para Polícia Federal e advocacia pública, além de outras áreas essenciais para o bom funcionamento do Estado.

O governo Lula regulamentou os concursos na área federal (veja os arts.10 a 19 deste Decreto), recompôs as carreiras do ciclo de gestão, dotou as agências reguladoras de técnicos concursados (veja a página 92 do Boletim Estatístico), sendo que nos tempos de Fernando Henrique, elas estavam ocupadas por servidores ilegalmente nomeados.

E então? você ainda acha que houve inchaço da máquina pública? Dê uma olhada nos dados deste estudo aqui.

E os tucanos, que alegam serem exímios na gestão pública? O que têm para mostrar?

Nos tempos de FHC, o contingenciamento levou à sistemática não realização de concursos. Para atender às demandas de serviço, a Esplanada nos Ministérios se encheu de terceirizados, temporários e contratados via organismos internacionais, de forma ilegal e irregular. Eram dezenas de milhares deles. Em 2002, apenas 30 servidores efetivos foram nomeados! O governo Lula teve de reverter isso, daí a realização de tantos concursos públicos.

Você sabia? O Estado de São Paulo, governado por José Serra, tem proporcionalmente mais ocupantes de cargos em comissão por habitante do que o governo federal.

E os técnicos, concursados, como são tratados por lá? Bem, eles não estão muito felizes com o Serra não.

Talvez porque as práticas que o PSDB mais condena no governo federal sejam justamente aquelas que eles praticam no governo estadual...



Tópico 2: Não é verdade que "houve mais corrupção no governo Lula do que no FHC"; pelo contrário, os últimos 8 anos foram marcados por um combate inédito a esse mal;
Muitos eleitores revelam a sua insatisfação com o governo Lula enumerando casos como o mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios. Porém, uma memória que não seja curta pode se lembrar de casos como SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc, para ponderar que mais do que exclusividade deste ou daquele governo, escândalos de corrupção são um mal da nossa cultura política.

Cientistas sociais sabem que é muito difícil "medir" a corrupção. Como a maior parte dela nunca vem à tona, não chega a ser descoberta, noticiada e investigada, nunca se tem uma noção clara do quanto um governo é realmente corrupto. O que importa, então, é o que um governo faz para combater essa corrupção. E nisso, o governo Lula fica muito bem na fita.

Vamos começar pela Polícia Federal. Logo no início do governo, foi feita uma limpeza no órgão (até a revista Veja chegou a publicar uma elogiosa reportagem de capa). Desde então, foram realizados uma série de megaoperações contra corruptos, traficantes de drogas, máfias de lavagem de dinheiro, criminosos da Internet e do colarinho branco (veja uma relação dessas operações aqui). Só em 2009, foram 281 operações e 2,6 mil presos. Desde 2003, foram quase dois mil servidores públicos corruptos presos. Quem compara os números não pode negar que a PF de FHC não agia, e que a PF de Lula tem uma atuação exemplar.

E a Controladoria-Geral da União? Inicialmente, FHC criou a tímida Corregedoria-Geral da União. Foi Lula que, a partir de 2003, realizou concursos públicos para o órgão e expandiu sua atuação. Hoje, a CGU é peça-chave no combate à corrupção. Graças ao seu trabalho, quase 3 mil servidores corruptos já foram expulsos. A CGU contribuiu no combate ao nepotismo e zela pelo emprego das verbas federais via sorteios de fiscalização. E o Portal da Transparência, você conhece? Aquele "escândalo" do mau uso dos cartões corporativos só apareceu na imprensa porque todos os gastos das autoridades estavam acessíveis a um clique do mouse na Internet.

Vamos ficar nesses casos, mas poderíamos citar muitos outros: o fortalecimento do TCU como órgão de controle, um Procurador-Geral da República que não tem medo de peitar o governo (o do FHC era chamado de "engavetador-geral da República", lembra-se?), o Decreto contra o nepotismo no Executivo Federal. Numa expressão, foi o governo Lula quem "abriu a tampa do esgoto".

Se uma pessoa acreditar menos numa mídia que é claramente parcial, e mais nas evidências, a frase "o governo Lula foi o mais republicano da nossa história" deixará de parecer absurda. Que tal abrir a cabeça para isso?


Tópico 3: Não é verdade que "a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC";
Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o leitor do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações fiscais para pagar as contas do governo.

Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, a cotação do dólar, que valia pouco mais de um real, subitamente dobrou. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição - que teve um custo altíssimo para o país - e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como "populismo cambial"). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um "cavalo-de-pau" na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão "genial", que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco, hoje apoiador de Serra, discorde disso).

Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior. E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores, com redução da dívida pública.

A alta do preço das commodities no mercado externo favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas - e deu certo, puxando o crescimento do PIB; o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo (veja esta tabela), induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo.

Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

E quando bateu a crise? Aí o governo Lula foi exemplar. Ao aumentar as reservas em dólar desde o princípio do governo, dotou o país de um colchão de resistência essencial. Os aumentos reais do salário mínimo e o bolsa família possibilitaram que o consumo não se retraísse e a economia não parasse - o mercado interno segurou as pontas enquanto a crise batia lá fora. E, seguindo o receituário keynesiano - num momento em que os economistas tucanos sugeriam o contrário - aumentou os gastos do governo como forma de conter o ciclo de crise. Deu certo. E a receita do nosso país virou motivo de admiração lá fora.

No meio da pior crise global desde a de 1929, o Brasil conseguiu criar milhões de empregos formais. Provamos que é possível crescer, num momento de crise, respeitando direitos trabalhistas, sendo que a agenda do PSDB era flexibilizá-los para, supostamente, crescer.

Você ainda acha que tucanos são ótimos de economia e petistas são meros imitões?

Então vamos ao argumento mais poderoso: imagens valem como mil palavras.

Dedique alguns minutos a este vídeo, e depois veja se você estaria feliz se Serra fosse presidente quando a crise de 2008/2009 tomou o Brasil de assalto.

Se você tem mais interesse nessa discussão, baixe este documento aqui e veja como andam os indicadores econômicos do Brasil neste período de crescimento, inflação baixa e geração de empregos.



Tópico 4: Não é verdade que o governo Lula "enfraqueceu as instituições democráticas"; pelo contrário, hoje elas são muito mais vibrantes e sólidas;
Mostramos no tópico 2 que os órgãos de controle e combate à corrupção se fortaleceram no governo Lula. Além deles, os outros Poderes continuaram sendo independentes do Executivo. O Legislativo não deixou de ser espaço de oposição ao governo (que Arthur Virgílio não me deixe mentir), e lhe impôs ao menos uma derrota importante. O Judiciário... bem, além de impor ao governo derrotas, como no caso da Lei de Anistia, está no momento julgando o caso do mensalão, o que dispensa maiores comentários.

E a imprensa? Ela foi silenciada, calada, em algum momento? Uma imagem vale por mil palavras - clique aqui.

O que se vê, na verdade, é o oposto. Foi o Estadão, que se diz guardião da liberdade, quem censurou uma articulista por escrever este texto, favorável ao voto em Dilma.

Neste vídeo, uma discussão sobre as verdadeiras ameaças à liberdade de expressão.

Sobre democracia, é impossível não abordar um tema que foi tratado à exaustão neste ano de 2010: o terceiro Plano Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3.

Muito se escreveu sobre seu caráter "autoritário", sobre a "ameaça" que ele representaria à democracia. Pouco se escreveu sobre o fato de ele ser não uma lei, mas um Decreto do Poder Executivo, incapaz, portanto, de gerar obrigações em relação a terceiros. Não se falou que se tratava de uma compilação de futuros projetos de governo, que teriam que passar pelo crivo do Poder Legislativo. Não foi mencionado que ele não partiu do governo, mas de uma Conferência Nacional, que reuniu os setores da sociedade civil ligados ao tema. E pior, a imprensa deliberadamente omitiu que seus pontos polêmicos já estavam presentes nos Planos de Direitos Humanos lançados no governo FHC.

Duvida? Leia este texto e este aqui. Ou ainda, veja com seus próprios olhos: neste link, os três PNDH's.

Olha lá, por exemplo, a temática do aborto no PNDH-2, de 2002 (itens 179 e 334).

Por fim: você realmente acha que um governo que traz a sociedade civil para discutir em Conferências Nacionais, para, a partir delas, formular políticas públicas, é antidemocrático? Pense nisso.


Tópico 5: A campanha de José Serra é baseada nas fanáticas campanhas da direita norte-americana, daí o perigo de referendá-la com seu voto.
Quem acompanhou as eleições de 2004 e 2008 para a Presidência dos Estados Unidos sabe quais golpes baixos o Partido Republicano - aquele mesmo, conservador, belicista, ultrarreligioso - utilizou para tentar desqualificar os candidatos do Partido Democrata. Em 2004, John Kerry foi pintado como o "flip flop", o "duas caras". Em 2008, lançaram-se dúvidas sobre a origem de Obama: questionaram se ele era mesmo americano, ou se era muçulmano, etc. Em comum, uma campanha marcada pelo ódio, pela boataria na Internet, pela disseminação do medo contra o suposto comunismo dos candidatos da esquerda e a ameaça que representariam à democracia e aos valores cristãos.

Você nota aí alguma coincidência com a campanha de José Serra, a partir de meados de setembro de 2010?

Não?

Então vamos compilar algumas acusações, boatos e promessas que surgiram nas ruas, na internet, na televisão e nos jornais, com o objetivo de desconstruir a imagem da candidata adversária, ao mesmo tempo em que tentam atrair votos com base em mentiras e oportunismo.

Campanha terceirizada:
Panfletos pregados em periferias associaram a candidatura de Dilma a tudo o que, na ótica conservadora, ameaça a família e os bons costumes;
Panfletos distribuídos de forma apócrifa disseram que Dilma é assassina, terrorista e bandida, com argumentos dignos da época da Guerra Fria;
E você acha que isso foi iniciativa isolada de apoiadores, sem vínculo com o comando central da campanha? Sinto lhe informar, mas não é o caso: é o PSDB mesmo que financiou e fomentou esse tipo de campanha de baixo nível.

Oportunismo religioso:
- José Serra distribuiu panfletos em igrejas, associando seu nome a Jesus Cristo;
- José Serra pagou campanhas de telemarketing para associar o nome de Dilma ao aborto;
- Até hino em igreja evangélica o Serra cantou;
- José Serra começou a ir a missas constantemente, de forma tão descarada que chamou atenção dos fiéis;

Promessas de campanha oportunistas:
- O PSDB criticou o Bolsa Família durante boa parte do governo Lula; mas agora, José Serra propõe o 13º do Bolsa Família;
- O PSDB defende a bandeira da austeridade fiscal e da contenção dos gastos públicos - foi no governo FHC que se criou o "fator previdenciário"; mas para angariar votos, Serra prometeu um salário mínimo de 600 reais e reajuste de 10% para os aposentados;
- O PSDB criticou o excesso de Ministérios criados por Lula, mas nesta campanha, Serra já falou que vai criar mais Ministérios;
- O DEM do vice de Serra ajuizou ação no STF contra o ProUni, mas agora diz que defende o programa;
- O PSDB se pintou de verde para atrair os eleitores de Marina no 1º turno, mas é justamente o partido de preferência da bancada ruralista e dos desmatadores da Amazônia;

Incoerência nas acusações:
- Serra acusou a Dilma de ser duas caras, mas ele mesmo entrou em contradição sobre suas relações com o assessor Paulo Preto;
- Serra tentou tirar votos de Dilma dizendo que ela era favorável ao aborto, sendo que ele, como Ministro, regulamentou a prática no SUS;
- Mônica Serra chamou Dilma de "assassina de crianças", sendo que ela mesma já teve que promover um aborto;
- José Serra nega que seja privatista, mas já foi defensor das privatizações, tendo o governo FHC a deixado a Petrobras em frangalhos;
- Serra acusa Dilma de esconder seu passado, mas ele mesmo esconde muita coisa;
- A campanha de Serra lança dúvidas sobre o passado de resistência de Dilma, mas omite que dois dos seus principais apoiadores, Fernando Gabeira e Aloysio Nunes Ferreira, pegaram em armas na resistência contra a ditadura, e que ele, Serra, também militou numa organização do tipo;
- Serra associa Dilma a figuras controversas como Renan Calheiros, Fernando Collor e José Sarney, mas esconde o casal Roriz, Roberto Jefferson, Paulo Maluf, ACM Neto, Orestes Quércia e outros apoiadores nada abonadores. Aliás, antes do Indio da Costa (que aliás pertence a uma família de tutti buona gente), quem era cotado para vice dele era o Arruda, do mensalão do DEM, lembra-se?

Isso sem citar os boatos que circulam nas ruas, nos ônibus, nas conversas de bar e entre taxistas.

E então: você ainda acha que a campanha de Serra é propositiva, digna, limpa? Um candidato que se vale de expedientes tão sujos para chegar ao poder merece o seu voto?



Por fim: então por que votar em Dilma Rousseff?

Se você está disposto a dar uma chance para Dilma nestas eleições e quer saber bons motivos para tanto, remetemos aos três textos abaixo.

http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=7171

http://www.amalgama.blog.br/10/2010/para-voce-que-nao-votou-na-dilma/ (especialmente para quem votou em Marina no 1º turno)

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/10/10/frei-betto-dilma-e-a-fe-crista/ (se você acha que a questão religiosa importa, quando bem utilizada no debate eleitoral)

Boa leitura e boa reflexão: e um desejo para que a campanha, doravante, seja marcada pelo debate de projetos de país, propostas concretas e dados, não por calúnias, boatos e achismos.



  Escrito por Idelber às 01:57 | link para este post | Comentários (183)



segunda-feira, 18 de outubro 2010

Serra utiliza funcionárias da Secretaria de Educação de SP em horário eleitoral

O programa do candidato José Serra, apresentado na noite do dia 15 de outubro, traz algumas imagens interessantes, que aguçaram a minha curiosidade e me levaram a uma pesquisa que trouxe curiosos resultados. Para quem não tem paciência de ver o vídeo até o final, pule para o minuto 04:10 e comece a observar a “sala de aula” do programa de Serra:

serra-programa-1.jpg



Curiosamente, não há um único fio saindo dos laptops retratados no programa de Serra. Até aí, nada de extraordinário. Entendemos que se trata somente de uma simulação. Afinal de contas, o sujeito que inventou a favela de plástico e a Elba que não é Elba não teria nenhum problema em simular o laptop de bateria infinita.

Mas impõem-se algumas outras perguntas sobre os componentes do vídeo. Quem são esses alunos? Essa é uma aula de quê? Onde eles se encontram? Onde isso foi filmado? Quando? Aí a coisa começa a ficar bonita e interessante mesmo. Por volta do minuto 04:48, vemos a seguinte imagem:

serra-programa-2.jpg

A “aluna” do vídeo de José Serra é ninguém menos que Silvia Galletta, funcionária de alto cargo que trabalha na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Silvia Galetta é Gerente de Apoio Pedagógico da Fundação para o Desenvolvimento da Educação da Secretaria de Educação de São Paulo. Ela responde ao Sr. João Thiago de Oliveira Poço. O organograma está disponível neste pdf. Repito: uma funcionária de alto cargo na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo aparece no vídeo eleitoral de José Serra simulando ser uma professora ou aluna. Ela trabalha no prédio da praça da República. Será que o vídeo foi gravado em hora de expediente?

Mas as interessantes simulações não terminam aí. Por volta do minuto 04:40, vemos outra imagem:

serra-programa-3.jpg

Quem é a “professora” que aparece no horário eleitoral de Serra explicando as maravilhas do seu projeto educacional? Outra funcionária paga com o dinheiro do contribuinte paulista, desta vez Nely Aparecida Silva, concursada na Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Ela também está locada na Secretaria da Educação, no prédio da Praça da República.

Em que horário em que foi gravado o vídeo? As citadas funcionárias participaram de livre e espontânea vontade ou terá havido, digamos, algum outro estímulo? Elas estão cientes de algum impedimento legal regulando a participação de funcionários públicos em horário eleitoral? De onde vieram os laptops? Quantos outros participantes deste vídeo são funcionários públicos locados na Secretaria de Educação?

Com a palavra, o Sr. José Serra.



  Escrito por Idelber às 12:53 | link para este post | Comentários (68)



domingo, 17 de outubro 2010

Áudio da CBN com o vexame de José Serra e Tasso Jereissati em Canindé (CE)

O ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, provocou tumulto com um padre que se posicionou contra a campanha de boatos utilizando a Igreja Católica e o aborto.

A confusão ocorreu durante compromisso de campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra, na Basílica de São Francisco das Chagas em Canindé, no Ceará. O ex-governador tem montado uma agenda religiosa neste segundo turno, tentando se aproveitar da campanha de boatos contra a adversária, a petista Dilma Rousseff.

O problema começou quando o padre disse que eram falsos os panfletos que circulavam pela igreja afirmando que Dilma é favorável ao aborto e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Foi então que Jereissatti se irritou, afirmando que um “padre petista” como aquele estava “causando problemas à igreja.” De acordo com a reportagem da Agência Brasil, os administradores da paróquia não informaram o nome do padre.

O texto acima é da Rede Brasil Atual, que mostra mais um grosseiro episódio de exploração da religião por parte de José Serra nesta campanha.

O Biscoito acrescenta o áudio da CBN com o relato do vexame:



  Escrito por Idelber às 18:02 | link para este post | Comentários (19)



quinta-feira, 14 de outubro 2010

O ambientalismo e o segundo turno das eleições

Pode-se argumentar que o governo Lula não foi longe como poderia ter ido na área de meio ambiente. Está aí o Blog do Sakamoto, vigilante e crítico, para nos lembrar de tudo o que ainda resta por ser feito. O que é indiscutível é que houve avanços enormes em relação ao governo tucano e que haveria grande retrocesso nesta área com a eleição de José Serra. Na questão do trabalho escravo, por exemplo, na qual o Sakamoto é um dos maiores especialistas brasileiros, há dois dados fundamentais. O governo Lula libertou quase seis vezes mais escravos que o governo FHC. Dilma assinou um compromisso contra o trabalho escravo. Serra, não.

Em setembro de 2009, a insuspeita Folha de São Paulo publicou reportagem de Marta Salomon mostrando que o desmatamento na Amazônia havia sido o menor desde 2004. Dez meses depois, já na Agência Estado, a mesma Marta Salomon, que faz jornalismo investigativo sério sobre o assunto, mostrava mais uma queda no desmatamento.

As conquistas nesse campo são méritos tanto da gestão de Marina Silva como da Carlos Minc, que continuou o trabalho de Marina. Não é segredo para ninguém que houve e há tensões no interior do governo, o que é perfeitamente natural num governo democrático de coalizão. Da mesma forma como há tensões entre o Ministério da Agricultura, mais alinhado com os interesses do agronegócio, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mais pautado pelos interesses dos trabalhadores rurais, também há tensões entre as áreas do governo responsáveis pela implementação de projetos, como a Casa Civil, e o Ministério do Meio Ambiente. Essa pluralidade de perspectivas pode e deve ser defendida. O que não podemos é entregar o Palácio do Planalto a uma coalizão hegemonizada por aqueles denunciados por Carlos Minc nesta entrevista:







A Operação Arco de Fogo foi fundamental para a redução contínua do desmatamento na  Amazônia. A ação combinada da polícia Federal, IBAMA, ICMBio e Força Nacional de Segurança desarticulou a exploração ilegal de madeira, gerando forte resistência política. O principal articulador dessa resistência foi o PSDB, como afirma o próprio site do partido. Na ofensiva contra a Operação Arco de Fogo, os senadores da oposição se aliaram ao setor madeireiro, um dos principais interessados no bloquear o trabalho da PF, do IBAMA e da FNS.

Curiosamente, a votação de José Serra no Norte do Brasil no primeiro turno é proporcional ao desmatamento. No Arco de Fogo, no Pará, onde se concentram os municípios que mais desmatam, Serra venceu, como mostra o gráfico abaixo:


Serra-Madeireiros.jpg



A coalizão que apoia Dilma Rousseff não está livre de desmatadores, é verdade. Mas a diferença entre a composição total das forças que apoiam Dilma e aquelas que apoiam Serra é abissal. Trata-se de eleger um governo alinhado com um projeto político no qual figuras como Marina Silva e Carlos Minc tiveram papel protagônico ou ceder terreno para que as Kátias Abreu tenham a última palavra sobre as políticas agrícola e ambiental. Em sua esmagadora maioria, os desmatadores estão com Serra. Os ambientalistas, em nome de uma pureza inatingível, não podem se omitir. A opção é eleger Dilma e lutar por espaço dentro de seu governo como fizeram, no governo Lula, Marina Silva e Carlos Minc.



  Escrito por Idelber às 12:36 | link para este post | Comentários (77)



quarta-feira, 13 de outubro 2010

José Serra, o privatista

Entre as pancadas que aparentemente José Serra não esperava receber no debate da Band de domingo passado, um dos mais incisivos foi o lembrete de Dilma: Candidato Serra, você foi ministro do Planejamento na época áurea das privatizações. E foi chefe do plano nacional de privatizações do Brasil. Eu gostaria de saber quantas empresas você privatizou nesse período além da Vale e das empresas mencionadas aqui - por exemplo, a Light? (Eu gostaria, inclusive, que todos os autores do comentário machista acerca de como Dilma está “bem treinada” soubessem o quanto da estratégia de domingo foi iniciativa dela, fora de qualquer script pré-estabelecido). Em todo caso, com essa pergunta, Dilma foi no nervo: as relações de José Serra com a privataria ainda merecem muitas linhas.

Em algumas comarcas, a figura de José Serra ainda é associada ao protagonismo do estado na economia—talvez pela comum confusão entre dirigismo econômico e autoritarismo político. Na verdade, é o insuspeito Fernando Henrique Cardoso quem atesta que José Serra é um privatista de pura cepa:



O decreto número 1.510, de 1o de junho de 1995, já citado pelo Rovai, dispôs sobre a inclusão da Companhia Vale do Rio Doce no Programa Nacional de Desestatização. As três assinaturas que constam do decreto publicado no Diário Oficial na sexta-feira, 02/06/1995, são de FHC, Raimundo Brito e José Serra. O blog entra em modo “recordar e viver” e lhes traz um fac símile do Diário Oficial daquela sexta-feira em que o Brasil começou a entregar a Vale:

diario-oficial-2.jpg


A afirmação de que sob José Serra o Brasil correria o risco de entregar as riquezas do pré-sal não é “terrorismo eleitoral”, mas puro exercício de lógica condizente com a história passada do candidato. Afinal de contas, em um ano como Ministro do Planejamento, Serra privatizou 19 empresas (o número omitido por ele na resposta à pergunta de Dilma). Entre elas, estão a Light e a Excelsa, abrindo o setor elétrico para a privataria, a Copene, liquidando o setor petroquímico, e o Meridional, permitindo a entrada de capital estrangeiro na venda dos bancos oficiais. O esquemão é conhecido: emprestamos grana, via BNDES, a juros bem camaradas, para que a iniciativa privada adquira, com dinheiro público, patrimônio público—com os lucros, evidentemente, passando a mãos particulares, com frequência estrangeiras. Entre 1991 e 2002, o Brasil privatizou 165 empresas públicas.

Não foi nenhum “terrorista eleitoral” do PT, mas o próprio governo tucano quem afirmou, com todas as letras, segundo relato da insuspeita Veja, que este governo não retarda privatização ... e vai vender tudo o que der para vender:

serra_privatiza_1995_05b.jpg
(daqui)

Quando você ouvir um serrista argumentar que aquelas privatizações eram necessárias, mas a riqueza do pré-sal não corre perigo, vale a pena ter em mãos outra coleção de documentos, a saber, todo o rastro do plano tucano de mudar a legislação referente ao pré-sal, privilegiando de novo o regime de concessão da produção, por oposição ao regime de partilha, adotado no governo Lula.

No dia 22 de março,o deputado economista Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), presidente do Instituto tucano Teotônio Vilela, deu entrevista ao Valor Econômico, na qual não só defendeu o modelo dos anos 90, como afirmou explicitamente falar em nome de Serra. Parafraseando o deputado tucano acerca do modelo para o pré-sal, disse o Valor: Cotado a coordenar a elaboração do programa de governo tucano à Presidência, o deputado fala em nome do candidato a presidente, o governador José Serra, e diz que o partido está fechado na defesa do modelo de 1997 para a campanha. No dia 05 de outubro, de novo no Valor Econômico, o assessor técnico para a área de energia da campanha de Serra (PSDB), David Zylbersztajn, disse que aconselhava o candidato a abandonar o modelo do atual governo federal, baseado na partilha, e adotar, para o pré-sal, o regime de concessões de campos de petróleo. A defesa das concessões está em site tucano oficial.

Demétrio Toledo, que estuda o assunto, já demonstrou, com conhecimento de causa, que foi um modelo de fortalecimento do bem público o responsável pelo sucesso social da Noruega na exploração do seu petróleo. Para quem ainda tem dúvidas sobre o desastroso legado das privatizações dos anos 90 na América Latina, o blog fortemente recomenda o documentário argentino Memoria del saqueo, que mapeia a pilhagem do patrimônio público nos anos Menem.

São, então, dois modelos bem diferentes de relação com o bem público. Se tornarmos a diferença entre eles clara o suficiente, a população brasileira responderá, como respondeu em 2006.


PS: Cristina Lobo, da Globo, mentiu no Twitter ao afirmar que Dilma havia se desculpado pela "agressividade" no debate da Band. Corrigida em duas ocasiões, em tuítes replicados mais de cinquenta vezes, ela não reconheceu o erro e cinicamente disse: Ok. Dilma não se desculpou, lamentou... Ta bem agora?, sem acrescentar que Dilma não lamentou nada que ela própria tivesse feito, mas sim o comportamento da campanha de Serra. Assim funcionam os mentirosos pagos pelas quatro famiglias. É impossível determinar o limite entre o analfabetismo e a desonestidade desses sabujos.


Atualização às 14:38: Para quem insiste que foi a privatização que universalizou a telefonia celular, recomendo enfaticamente o texto de alguém que conhece bem o assunto, Sergio Leo: A ideologia e a privatização das teles.



  Escrito por Idelber às 04:05 | link para este post | Comentários (87)



terça-feira, 12 de outubro 2010

O pós-debate, por Lauro Mesquita e Idelber Avelar

Este post foi escrito a quatro mãos pelo titular do blog e por Lauro Mesquita, do Blog do Guaciara.

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A campanha de Dilma Rousseff passou por compreensível baque na semana passada. A candidata superou Lula em número de votos, a coligação elegeu uma bancada acachapante e, com a exceção de José Agripino, todos os grandes adversários do projeto Lula desabaram. Mas Dilma e todos os seus eleitores ficaram cabisbaixos. A expectativa é mesmo um fantasma que se torna um peso quando não se cumpre. Da euforia de se ter a primeira mulher na presidência e a inédita vitória do PT no primeiro turno, fomos congelados por uma falsa derrota que se baseava numa campanha que retrocedia em 40 anos as conquistas femininas no Brasil.

De repente, era mais importante silenciar sobre a opinião conservadora e preconceituosa de alguns religiosos do que se posicionar sobre os direitos da mulher. Parecia que a campanha caminhava para um jogo de silêncios e desculpas em que todos os passos deveriam ser medidos e as palavras calculadas, em que a vitória só seria possível às custas de constrangimento.

O risco de derrota tinha se tornado iminente, como disse um amigo, e era mencionado em voz baixa de conspiração. Até que, na noite de domingo, tudo mudou. Dilma partiu pra cima de Serra e, pela primeira vez, o obrigou a se explicar.

Dilma fez questão de apontar o aborto como uma questão de saúde pública e de mostrar que era vítima de uma campanha baseada em spams. Além disso, fez questão de delimitar qual deve ser o papel do Estado em um governo seu e a característica necessariamente privatizante de um governo tucano. De lambuja, desmascarou o batido argumento do aparelhamento do Estado; levantou suspeitas sobre o sumiço dos R$ 4 milhões do caixa serrista e, principalmente, marcou a mulher de Serra como uma das articuladoras da campanha de ofensas orquestradas pelo núcleo da campanha do PSDB/DEM/PPS. Dilma foi incisiva quando denunciou a campanha caluniosa da coalizão serrista:

O silêncio e a bem apontada tergiversação de Serra valeram mais do que qualquer explicação. O sujeito estava visivelmente nervoso. Os lábios se pregavam ao seu dente, a voz havia diminuído o volume, num esforço descomunal para se conter e até as perguntas se perdiam nas anotações do até então confiante tucano.

Dilma cumpria um roteiro que toda sua militância aguardava. Já no domingo de manhã, eu notava no Twitter que o clima nos bastidores era outro. A entrevista de Rovai com Padilha furava os jornalões, que anunciavam um debate "paz e amor". Dilma respondia com firmeza a todos os ataques e boatos que os tucanos espalhavam sem provas. E, melhor, se posicionava em relação a fatos como o caso de Erenice.

A reação se esboçou já no debate. O Serramilcaras criado pela Dilma ocupava os trending topics, as pesquisas qualitativas do PT eram motivo de comemoração para os partidários da candidata já nos estúdios da Band. A militância amanheceu com sorriso nos lábios. Pela primeira vez, após três semanas de porrada, sentia que havia levado o adversário às cordas e obrigando-o a ficar na defensiva. `

Já antes de terminar o debate, as qualitativas que chegavam ao PT eram excelentes. Mostravam que Dilma havia não só animado a militância, como também influenciado os indecisos. Claro que se trata somente de um debate com 4 pontos de audiência, mas na era da internet o impacto de um debate como esses é bastante difícil de se medir de antemão. Os vídeos circulam. E a performance de Dilma foi contundente.

Dilma pautou o debate e mudou o rumo da conversa. As milhares de pessoas que se reuniram em Ceilândia debaixo de chuva torrencial haviam se comprometido com a candidatura dela, agora não só uma sucessora de Lula, mas a porta-voz de um projeto próprio para o Brasil que pensa o País respeitando a sua diversidade, seus potenciais e sua singularidade. A campanha tem novos roteiristas e eles estão empolgados e na rua.


PS: O grosso deste texto foi escrito por Lauro Mesquita. O titular do blog está em São Paulo, deliciando-se com a melhor gastronomia do mundo, e muito animado. A revisão do texto contou com a ajuda dela.



  Escrito por Idelber às 06:11 | link para este post | Comentários (69)



domingo, 10 de outubro 2010

Conversa livre sobre o debate presidencial Band

Não haverá blogagem ao vivo do debate de hoje à noite entre Dilma Rousseff e José Serra, mas eu vou postar algumas observações no Twitter. Para você que está fora do Brasil e quer ver pela net, acompanhe o Site Dilma e o Dilma na Rede. O Renato Rovai, no blog e Twitter, sempre tem boas observações. Rede Brasil Atual e Terra Magazine são ótimas opções de notícias.

A caixa de comentários está aberta para a conversa sobre o debate.



  Escrito por Idelber às 21:13 | link para este post | Comentários (176)



sexta-feira, 08 de outubro 2010

Comparação entre os governos FHC e Lula

Lula-vs-FHC-2.jpg




Copie, circule. Este é o debate que nos interessa, não esses sofismas, acusações e ilações sobre fé e moral. A luta política com política se ganha. A mensagem é simples: nós governamos o Brasil melhor que eles, com mais crescimento, distribuição de renda e liberdade, que inclui sempre, claro, tanto a liberdade de culto como a liberdade de não ter fé nenhuma. A verdadeira diferença que deve ficar clara nesta campanha é a diferença entre dois projetos políticos, expressa de forma nítida nesta comparação.

Este belo cartaz foi feito pelo @ilustreBOB (que bloga aqui) e eu o roubei lá do Celso. Para quem quiser realmente se aprofundar nos números, o blog sempre sugere este pdf.



  Escrito por Idelber às 15:42 | link para este post | Comentários (93)




Links

Poucas coisas interessam menos a quem estuda literatura a sério que o Prêmio Nobel de Literatura que, evidentemente, não tem qualquer relação com o literário enquanto tal. Como este ano a honraria coube a Vargas Llosa, multiplicaram-se os pedidos de declaração por aqui, como imagino que tenha acontecido com profissionais de literatura em toda a América Latina. A quem interessar possa, conto que a Revista Eñe, caderno cultural do jornal argentino Clarín, me pediu uma nota sobre o tema. Ela sai neste sábado. A Eñe está disponível pela internet, na íntegra.

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Alguns leitores me perguntaram também sobre o caso Maria Rita Kehl / Estadão, em que a nossa grande mídia mais uma vez demonstrou seu compromisso com o "pluralismo". Depois de publicar o texto "Dois pesos...", Maria Rita Kehl, uma das maiores pensadoras da língua, foi demitida por delito de opinião. Eu me pronunciei no Twitter, logo que o caso começou a se desenrolar. Claro que o Estadão escalou um sabujo qualquer para referendar a versão do patrão. Pobre jornalismo brasileiro.

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Combinemos: às vezes Ciro Gomes aparece e diz o que tem que ser dito.

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Está confirmada a informação que havíamos circulado aqui há algum tempo: os EUA realmente mataram pelo menos 71 guatemaltecos usados como cobaias, em experimentos com sífilis e gonorreia nos anos quarenta.

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Ainda na Fórum, há um artigo com o qual eu não concordo na totalidade, mas que vale ser lido: Por que Netinho de Paula não foi eleito.

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Com este, sim, concordo na íntegra: Reflexões dos pampas sobre a campanha de Dilma, de Paulo Cezar da Rosa.

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Ainda no Jornal Sul 21, que está cada vez melhor, aliás, eu indico Os verdes e a depuração democrática, de Paulo Abrão Pires Jr., e o sensacional recado de Luiz Cláudio Cunha, Toninho, Churchill e o demônio, escrito para/sobre o candidado psolista ao governo do Distrito Federal, Toninho, que chegou a quase 15% dos votos e, logo depois do primeiro turno, anunciou que na decisão entre o petista Agnelo Queiroz e Weslian Roriz, ele ... votaria nulo! Ainda no Distrito Federal, o Partido Verde já declarou apoio ao candidato petista.

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O Partido dos Trabalhadores passou a ser não só a maior agremiação na Câmara dos Deputados, mas é também, a partir de agora, o partido com maior presença em Assembleias Legislativas pelo país. Em 2006, havia 164 deputados estaduais do PMDB, 152 do PSDB, 126 do PT. Em 2010, o PT passou a ser o primeiro, com 149, seguido de PMDB (147) e PSDB (123). Os tucanos, os demos e o PPS encolheram não só na Câmara e no Senado, mas também nas Assembleias Estaduais. Vai ser bem difícil para os jornalistas pagos pelas famiglias escreverem, desta vez, que "tucanos e petistas podem discutir quem venceu". Não que o Globo não tenha tentado, claro. O Alexandre Porto tem a lista dos novos deputados e senadores do PT.

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Mui apropriadamente para os dias de hoje, Cynthia Semíramis republicou seu post Técnica infalível para não divulgar boatos. Para você, eleitor de Dilma Rousseff, não custa ter aí o link anti-boatos. O site da campanha também abriu um espaço para desmentir os spams da boataria.

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Nenhuma discussão será mais importante nos próximos 23 dias que os rumos da política econômica e social que queremos para o país. Nenhum tema coloca o embate em termos mais favoráveis para Dilma. Atentemos, então, para textos como este: O que um governo Serra faria com o pré-sal?

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Foi divulgada a notícia de que a bancada feminina na Câmara havia diminuído. Não é verdade. O resultado não foi nenhuma maravilha neste front, mas a bancada se manteve com o mesmo número na Câmara e cresceu um pouco no Senado.

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Ainda sobre o grande tema dos últimos dias, o voto evangélico, Maria Inês Nassif escreveu uma boa coluna: O voto do pecado e o poder satânico.

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Pesquisadores e professores de filosofia do país escreveram uma bela carta de apoio a Dilma Rousseff. Ela contém as assinaturas de vários comentaristas deste blog, como o nosso amigo João Vergílio, da USP. Parabéns.



  Escrito por Idelber às 04:42 | link para este post | Comentários (36)



quinta-feira, 07 de outubro 2010

10 vitórias das forças políticas que apoiam Dilma em 03 de outubro

vanessa.jpg Da mesma forma em que, na avaliação dos votos marinistas, não cabe tomar as calúnias e os spams pseudo-religiosos como se fossem a identidade da candidatura verde, a avaliação do campo dilmista não pode, não deve, de jeito nenhum, deixar que a decepção pela não decisão em primeiro turno nas presidenciais obscureça um fato indiscutível das eleições à Câmara e ao Senado: a esquerda teve uma grande vitória, talvez seu mais significativo triunfo na história das legislativas da República. Este é, inclusive, um potente argumento em favor de Dilma Rousseff e contra José Serra. O Congresso que acabamos de eleger se alinha esmagadoramente com Dilma; Serra não teria mais que 25% da Câmara na base da sua coalizão. Com toda aquela “paciência” e “poder de negociação” que são típicos seus, imaginem o inferno que viveríamos nas relações do Executivo com as duas casas. Os números são cabais.

1) Câmara: Há três partidos, entre os de alguma importância, que encolheram em mais de 15% na Câmara. Quem são eles? A trinca do antilulismo: o PSDB encolheu 20%, o DEM 34% e o PPS 45,5%. É um tremendo recado das urnas. PTB e PMDB também encolheram, em 13,6% e 11,2%, respectivamente. A esquerda lulista, sem exceções, cresceu: o PT volta a ser a maior bancada da Câmara, com 88 deputados e crescimento de 6%. Seus três aliados preferenciais na esquerda tiveram ótima performance. O PSB saltou de 27 para 34 (+26%), o PDT foi de 24 para 28 (+16,7%) e o PcdoB subiu de 13 para 15 (+15,4%).

O campo dilmista deve saber desses números, tê-los na ponta da língua e usá-los como potente argumento nestes 25 dias: o Congresso que elegemos está alinhado com Dilma, não com Serra. O ex-governador de São Paulo não é conhecido por sua maleabilidade e capacidade negociadora. É eleger Dilma ou tornar um inferno as relações entre o Executivo e Legislativo brasileiros.

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Senado da República

2010 foi o ano em que o PSOL elegeu o mesmo número de senadores que o DEM. O signatário deste blog acredita que as mudanças descritas abaixo, em particular, farão do Senado da República um lugar mais comprometido com a realidade da maioria do povo. Com a exceção do revés parcial em São Paulo, onde as pesquisas indicavam dobradinha lulista, mas só uma senadora do lado governista se elegeu-- e felizmente foi Marta Suplicy--, todas as outras expectativas principais e batalhas chave se resolveram a contento para a esquerda. A eleição da própria Marta, claro, conta como uma das vitórias significativas, dado o contexto e o perigo. É a primeira da minha lista para o Senado, segunda vitória importante, então, das legislativas.

3) Amazonas: Foi a mãe de todas as batalhas no terreno alegórico: o mais estridente, arrogante, histriônico, histérico e parlapatão Senador da República, Arthur “dou surra em Lula” Virgílio, foi a nocaute, obra de mulher, jovem e comunista, Vanessa Grazziotin. Este blog apostou na corrida desde o primeiro momento como seu objeto de desejo. Na época, Vanessa ainda estava dois dígitos atrás. Sempre acreditei nessa mui especial vitória, e o vídeo em que declarei apoio à Senadora Grazziotin contém minhas razões. gleisi.jpg

4) Piauí. O Brasil é um lugar mais respirável, tolerante e bonito para se viver sem a figura de Heráclito Fortes no Senado. Perguntem ao Daniel. Ainda por cima, caiu o Mão Santa também. Apostamos na corrente pra trás do Heráclito desde o começo e celebramos esse belo golpe desferido sobre o atraso coronélico. Wellington Dias, do PT, se elegeu, e o outro Senador, Ciro Nogueira (PP), é da base de apoio a Dilma.

5) Ceará. Seria chamado de louco quem dissesse, há uma década, que Tasso Jereissati se candidataria ao Senado, num ano em que há duas vagas em disputa, e não conseguiria se reeleger. As vitórias de Eunício e Pimentel na corrida ao Senado são, talvez, o golpe mais violento sofrido pelo PSDB nestas eleições, junto com o sacode-Iaiá comunista do Amazonas. Talvez não seja ruim para o partido, inclusive, na medida em que pode favorecer o surgimento de lideranças mais propositivas do que Tasso tem sido.

6) Bahia. Duas vagas para o Senado em disputa na Bahia, e o carlismo não levou nenhuma. Esse fato, por si só, também teria sido impensável até pouco tempo atrás. Ocorreu uma baita renovação, com as eleições de Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB). Ambas, especialmente ela, já são figuras históricas na cidade de Salvador. Em contraste com a redução (pequena, mas real) da bancada feminina na Câmara, Lídice é parte de uma significativa vitória das mulheres de esquerda nestas eleições para o Senado, e foi parte de um barba-cabelo-bigode na Bahia, que incluiu a reeleição do governador Jaques Wagner em primeiro turno.

paulo%20paim%201.jpg 7) Paraná. Também aqui o lulismo levou ambas as vagas, e a renovação inclui outra mulher de esquerda: Gleisi Hoffman foi uma grande aposta para o Senado em chapa com Roberto Requião. Ela terminou em primeiro, cheia de moral, e Requião se elegeu em segundo. Hoffman faz do Senado um lugar mais inteligente e receptivo à sociedade. Requião, além de trazer sua perspectiva nacionalista, com certeza não contribuirá para tornar o Senado um lugar mais monótono.

8) Rio Grande do Sul: Um líder histórico dos trabalhadores, Paulo Paim, enfrentou o que parecia, ao princípio, uma briga de foice com três cabeças, mas chegou em primeiro lugar com folga, também cheio de moral. O Senado brasileiro continua tendo um líder negro, continua contando a dignidade de Paulo Paim. Para completar a dobrada, Tarso Genro se elegeu governador no primeiro turno. Os petistas guascas de novo mostraram como se faz a coisa bem feita. O PMDB gaúcho, como o pernambucano, escolheu o antilulismo e sofreu pesada derrota, perdendo a vaga no Senado e não disputando sequer segundo turno contra o PT na briga pelo Piratini.

9) Pernambuco: Pela primeira vez em quarenta anos, Marco Maciel perdeu uma eleição. Desde a época de Telê Santana no comando da seleção, Brasília não terá o esguio líder do DEM como Ministro, Vice-Presidente ou Senador. Em reconhecimento à sua elegância, o blog não tripudiará. Mas considero, sim, a queda de Maciel uma grande vitória para a esquerda e para a democracia em geral. Elegeu-se a dobradinha lulista: Humberto Costa, do PT, redimiu-se de injustiças sofridas com acusações pouco fundamentadas (por denunciar um esquema de faturamento de ambulâncias que ocorreu sob José Serra, em governo tucano) e Armando Monteiro, do PTB, ligado à indústria, e que traz uma visão mais arejada que Maciel. Obrigado pelos serviços prestados, Senador. Mas já era hora. Raul Jungmann, do PPS, passou longe, muito longe de competir por uma vaga.

10) Rio de Janeiro: Elegeu-se Senador um jovem petista, Lindberg Farias, e César Maia ficou fora. Não se conta Crivella como parte de uma bancada de "esquerda", mas ele foi um Senador fiel a Lula, apesar de que os laços religiosos aqui são preocupantes. Em todo caso, é uma enorme vitória da esquerda bater César Maia de forma tão categórica, relegando-o a um quarto lugar e negando-lhe qualquer possibilidade de protagonismo como liderança nacional.

São maiúsculas vitórias que devem ser mencionadas, estudadas e trazidas à baila nestes 25 dias de campanha de Dilma Rousseff.

PS: Em especial, saudamos as eleições de Dr. Rosinha, Alessandro Molon e Jô Moraes, endossados pelo blog, respectivamente, em eleições para a Câmara no Paraná, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, assim como a eleição de Raul Pont, também endossado aqui, para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

PS 2: Basta aparecer uma pessoa que sabe fazer algumas continhas básicas e morre um meme do jornalismo brasileiro.



  Escrito por Idelber às 02:22 | link para este post | Comentários (60)



terça-feira, 05 de outubro 2010

O que dizem os votos de Marina e como conquistá-los

Você pode discutir qual é o peso relativo dos três (não dois) grandes blocos de votos que contribuíram para os surpreendentes 20% de Marina Silva: 1) o voto estritamente marinista, verde, ecológico, que é crítico de algo maior que o PT, ou seja, de todo um paradigma desenvolvimentista que, ironia das ironias, o PT veio a representar melhor que ninguém; 2) o voto "ético"-jovem-universitário-profissional-liberal-urbano, uma parte dele (a maior, me parece) composta por desiludidos com erros ou presepadas do PT, e a outra parte (menor, me parece) composta por eleitores movidos pelo episódio Erenice; 3) o voto evangélico que, por sua vez, tampouco é homogêneo, posto que formado de uma parcela—menor, creio—de votantes que já estavam com Marina e outra parcela—maior, creio—que foi mobilizada em termos anti-Dilma às vésperas da eleição. Num debate que teria, de preferência, que se realizar com atenção aos mapas relevantes, poder-se-ia discutir à exaustão qual é a contribuição de cada um desses segmentos para o resultado final.

O que me parece indiscutível é que somente este último, o voto evangélico, chega como irrupção e acontecimento. Foi ele o grosso do voto não computado nas pesquisas. Isso me parece verdadeiro, mas não se pode pular daí para a afirmação de que foi o atraso quem impediu a vitória dilmista no primeiro turno. Essa linha de análise é sempre muito rasa.

Para a campanha de Dilma, a tarefa é dupla. Por um lado, há que se entender os recados dados por todos os segmentos que votaram em Marina, para que a partir daí ocorra a negociação e o convencimento desse eleitorado. Esses recados têm densidade, têm conteúdo, aludem a fatos reais e não se limitam, de forma nenhuma, a uma suposta “Marina no colo da direita”. Jogar por aí é não entender o jogo. Por outro lado, há que se analisar quais foram os erros de campanha de Dilma que ajudaram a impedir a esperada vitória no primeiro turno. Fazer as duas coisas já não é fácil. Fazê-las simultaneamente é mais difícil ainda, pois a primeira—ouvir realmente os eleitores de Marina—exige humildade, proximidade e empatia. A segunda tarefa—fazer a autocrítica da campanha—exige inteligência, desprendimento, distância. São duas tarefas aparentemente contraditórias, que demandam posturas e capacidades opostas, mas elas são simultâneas e complementares.

O fascinante do resultado de domingo é que todo mundo errou. Se alguém aí previu que Marina venceria em Belo Horizonte, Maceió, Distrito Federal, Nova Lima, Volta Redonda, Vitória, Vila Velha e Niterói, além de praticamente empatar com Dilma em Natal e superá-la em Campina Grande, levante a mão, mostre um link com data anterior a 03 de outubro, que eu visto uma camisa do Flamengo ou do Cruzeiro aqui, a gosto do freguês. Todo mundo errou nas previsões, inclusive o vitorioso de domingo na eleição presidencial, que foi claramente o campo marinista. Por isso o futebol, na sua imponderabilidade, é o esporte que mais tem a ver com a política democrática. Sim, trata-se do velho clichê da caixinha de surpresas, mas também do dado menos óbvio de que o futebol é o menos contábil dos esportes, e se há uma mensagem relevante que a campanha de Marina tentou transmitir é a crítica à redução do mundo a uma lógica contábil. Quando gente como Ricardo Paes de Barros, José Miguel Wisnik, Alexandre Nodari e Eduardo Viveiros de Castro coincidem numa candidatura que não é a sua, ou que não é a que você esperava que eles apoiassem, só um sectário muito desprovido de sensibilidade passaria à desqualificação sem uma escuta detida.

No campo dos erros, há que se destacar os estruturais, mais antigos, e os conjunturais, que se manifestaram de uma forma especialmente maluca nesta campanha. Os erros estruturais são parte do recado das urnas marinistas e não podem ser ignorados. O caso de Belo Horizonte é emblemático. Há exatos dois anos, o PT concluía 16 anos de governo de uma coalizão sua na cidade, com um prefeito que deixava o cargo com noventa por cento de aprovação. Esse prefeito, Fernando Pimentel, é diretamente associado a Dilma e é parte da cúpula de sua campanha. A cidade não tem qualquer tradição de antipetismo raivoso como aquele encontrado em partes de São Paulo e Porto Alegre. Como é possível que o resultado aqui tenha sido Marina Silva 39,9%, Dilma Rousseff 30,9% e José Serra 27,7%, num contexto de grande vitória da esquerda nas legislativas?

Essa parte me parece relativamente simples. As urnas disseram: “não gostamos das lambanças do PT-BH nas eleições de 2008 e do PT-MG em 2010, apesar de o PT ter governado bem a cidade. Votaremos em alguém que é suficientemente próxima aos ideais da bem sucedida prefeitura de 1992-2008, mas que se afastou do campo petista, em parte, por lambanças como essa”. Junte-se a esse recado mais estrutural a avalanche de desinformação e propaganda pra cima dos evangélicos nos últimos dias--essa avalanche realmente existiu—e você tem os ingredientes dos números que deixaram todos os junkies políticos belo-horizontinos de queixo caído. Os mesmos ingredientes se combinam em outras latitudes, como o Acre, um estado onde o PT tem fortíssimas raízes, elegeu o Governador e um Senador, mas no qual Dilma ficou empatada com Marina e bem longe de Serra. Se você é petista e não vê aí um recado além do “Marina está no colo da direita” ou do “Marina é a falência do movimento ecológico” (sim, isso foi escrito), sinto muito, você precisa ler a Flávia Cera.

É sabido que, por volta de dois meses atrás, um grupo de lideranças evangélicas procurou a campanha de Dilma, preocupadas com a disseminação de boatos e emails falsos. A campanha fez a “Carta ao Povo de Deus” e ficou por isso mesmo. Os programas de João Santana—excelentes, belíssimos, inovadores—não dedicaram um só minuto, no entanto, à refutação da pilha de spam religioso anti-Dilma disseminada para púlpitos e fiéis. A coordenação de internet não ofereceu respostas a isso. Preferiu brincar de Twitter e #ondavermelha. A campanha online foi feita à base do cada um por si, sem que se aproveitasse de forma coordenada a enorme base de recursos humanos da esquerda brasileira na rede.

Quando os evangélicos voltaram a procurar a campanha de Dilma, em setembro, o nível da loucura havia piorado sensivelmente. Algumas lideranças religiosas gravaram depoimentos de apoio à candidata petista, mas não houve uma resposta sólida e consistente da campanha. Os marqueteiros não são lá grandes fãs do potencial da rede e, por sua vez, a coordenação de internet de Dilma era pobre e fraca de ideias. É importante reconhecer isso sem que esse reconhecimento nos ensurdeça para o recado real das urnas marinistas, que transcende em muito o spam do ódio.

É evidente que temos que explicar que Michel Temer não é satanista. Aliás, podemos inclusive esclarecer que ele já fez pactos com o DEM mas, pelo que nos consta, com Satã nunca aconteceu. Mas é preciso fazer isso sem desmerecer ou desqualificar o recado dado pelas urnas marinistas em sua totalidade, sem reduzir o voto de Marina a qualquer um de seus blocos, muito menos o evangélico, justamente aquele que é mais conjuntural (apesar que não necessariamente menos numeroso) na constituição da identidade da sua candidatura.

Não há motivo para pânico. Marina tem muito mais a ver com Dilma que com Serra, e isso é o próprio Serra quem diz. Para nós, faltam 3 pontinhos. Para Serra, faltam quase 18. Marina sabe que coloca seu capital político em maus lençóis se apoiar alguém como Serra. Também sabe que não lhe interessa entregar nada de graça a Dilma agora, e há que se entender isso. É da política. Um petista reclamando que Marina não está agindo de forma a facilitar as coisas pra nós é como um lateral queixando-se de que um ponta o engana, fingindo que vai abrir o jogo para depois cortar para o meio. Ora, você tem que aprender a marcar. O jogo é jogado.

Ainda estamos bem, mas é preciso jogar com inteligência, humildade e decência e, acima de tudo, não deixar que nenhuma dessas qualidades atrapalhe as outras duas.



  Escrito por Idelber às 04:55 | link para este post | Comentários (234)



segunda-feira, 04 de outubro 2010

Discussão livre sobre a eleições

Este é um post para que vocês troquem impressões sobre a eleição durante esta segunda-feira. Como eu ainda quero estudar alguns mapas antes de escrever qualquer coisa, e como a caixa anterior já está superlotada, fica aqui o espaço aberto. Na terça-feira eu volto com um texto decente.



  Escrito por Idelber às 00:32 | link para este post | Comentários (195)



domingo, 03 de outubro 2010

Boca de urna e apuração: Presidência do Brasil

22:55 A imprensa brasileira é inacreditável. Dilma Rousseff, que recebeu quase 47% dos votos dos eleitores do país, estava pronunciando-se ao vivo. A GloboNews cortou a fala dela, passando para o estúdio com Merval Pereira.

21:59 Puxo aqui pra cima o comentário feito pelo leitor Alcides: Caro Idelber, discordo que Marina seja a grande vencedora. O Brasil foi quem perdeu feio hoje. A onda verde, acho que mais forte do estado do RJ, foi apenas resultado de extremismo religioso. Sim, vc que tanto critica o extremismo nos EUA, agora saiba que ele está aqui no Brasil. De sexta até hoje, pude presenciar que frequentadores de igrejas, principalmente evangélicas foram bombardeados com o que existe de mais sórdido contra Dilma. Essas pessoas, que votariam Dlma, foram de Marina. Não tenho dúvida que se essa bomba não for desarmada, ela ficará mais poderosa e vai favorecer Serra. Será o pior dos mundos. Teremos uma eleição decidida por motivos religiosos, e um candidato eleito que não representa seus eleitores, sendo apenas beneficiário de uma campanha do radicalismo religioso. Desconfio que no segundo turno não haverá debate político. Será uma sucessão de boatos e desmentidos e a palavra mais ouvida será Deus e Jesus.


21:25 Sem dúvida, são muito surpreendentes os números. Marina se cacifa para negociar politicamente em excelentes condições nos próximos dias. Ela tinha entre 12% e 14% nas últimas pesquisas e chegou, na hora da onça beber água, a quase 20%.

20:42 Está matematicamente decidido que haverá segundo turno nas presidenciais. Apurados 87,74% dos votos, Dilma tem 45,62%, Serra 33,26% e Marina, 20,02%.

19:59 Com 107.752.278 votos apurados, (79,34%) Dilma tem 36.862.926 (45,43%), Serra tem 27.507.364 (33,90%) e Marina tem 16.585.820 (20,44%).

18:50 Saiu a boca de urna do Ibope: Dilma 51, Serra 30, Marina 18, Plínio 1. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos. Ou seja, tudo pode acontecer.

17:20 Começaram a pingar os primeiros números no site do TSE (via Bárbara).

16:23 Resultados de Roma e Milão: Total de votos válidos: 5.596 / Dilma, 50,46% / Serra, 28,9% / Marina, 17,8% / Outros candidatos, 3,61% (via Jornal Sul21)

16:11 A votação já foi concluída em 25 países.

16:09 Decretada a prisão do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

15:29 Entre os brasileiros residentes em Tel Aviv, venceu José Serra. Leandro Fortes notou, com sua verve baiana, que Serra também venceria na Berlim dos anos 30. Dilma Rousseff venceu em Ramalá, Palestina Ocupada.

15:27 Flavio Aguiar, via RS Urgente, nos informou o resultado da votação em Berlim: Dilma, 306, Marina, 244, Serra, 223, Outros, 26

15:26 Resultados de Paris: Paris: Dilma 964, Serra 618, Marina 462.

15:25 Para os junkies políticos que queiram acompanhar com agilidade os números, está disponível para download o software Divulga 2010, do TSE. Já trabalhei com ele e recomendo.

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Este é o post que será atualizado com boca de urna, impressões e apuração da eleição para Presidente da República, que pode consagrar, talvez já no primeiro turno, a primeira mulher a ser eleita para governar o país. Nas pesquisas divulgadas neste sábado, a situação era a seguinte, nos votos válidos: Dilma 51 x 49 do resto no Ibope, 50 x 50 no DataFalha, 53 x 47 no Vox. Os números do tracking interno do PT coincidem com os números do Vox Populi.

O blog está ligado no Alê Porto, que entende de números, no Renato Rovai, que entende de bastidores, nos excelentes Terra Magazine e Rede Brasil Atual e também na cobertura colaborativa do Democracia 48 horas.

Fique à vontade para trazer informações a esta caixa de comentários sobre a corrida para o Palácio do Planalto. Ocasionalmente, eu as pescarei para o corpo do post, sempre com crédito a quem as trouxe. As atualizações serão precedidas de hora e minuto, e feitas de forma que as entradas mais recentes fiquem por cima.


PS: Espere alguns (3, 4, 5) minutos entre cada F5, por favor, para que não tenhamos problemas com excesso de pedidos ao site de uma vez só.



  Escrito por Idelber às 15:50 | link para este post | Comentários (186)




Boca de urna e apuração: Governadores

23:17 Geraldo Alckmin está eleito em São Paulo. Havia dúvidas, por causa da impugnação de votos de PSTU, PCB e PSOL. Durante boa parte da noite, trabalhamos com a hipótese de que, caso esses votos fossem considerados, eles poderiam talvez levar a disputa para o segundo turno. Mas a conta fechou. Mesmo que esses votos fossem contados, eles não seriam suficientes (pdf).

21:10 No Distrito Federal haverá segundo turno. Agnelo Queiroz (PT) 48,41% e Weslian Roriz 31,50%.

20:51 Depois de censurar seis pesquisas, um blog, uma revista e até um tuíte, Beto Richa (PSDB) é eleito governador do Paraná com 52,44% dos votos (99,80% dos votos apurados).

19:44 No Mato Grosso do Sul, está matematicamente eleito André Puccinelli, do PMDB (56, 43% do votos, com 95% apurados).

19:04 Primeiro resultado confirmado, e é vitória lulista. Renato Casagrande (PSB) é eleito governador do Espírito Santo

18:41 No Rio Grande do Sul, a boca de urna do Ibope sugere vitória de Tarso no primeiro Tarso Genro (PT) 53%, Fogaça (PMDB) 28% e Yeda Crusius (PSDB) 15%.

18:08 No Distrito Federal ainda não dá para comemorar, mas a boca de urna do Ibope registra Agnelo Queiroz (PT) com 52%. A chance de vitória no primeiro turno é grande.

17:58 No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira sofre a derrota mais acachapante da sua vida. O Ibope registra vitória de Sérgio Cabral no primeiro turno com 66% dos votos.

17:50 E Pernambuco continua na vanguarda do encontro entre o lulismo e as lutas históricas do povo. Com 79% segundo a boca de urna do Ibope, está reeleito Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes!

17:41 A esquerda baiana pode comemorar. Ibope registra 59% para Jaques Wagner (PT), que está reeleito. Parabéns, governador!

17:33 Haverá segundo turno no Maranhão! Números do Ibope indicam Roseana Sarney com 47%, mas Flávio Dino (PC do B) tem 27% e Jackson Lago (PDT) tem 23%

17:31 A boca de urna do Ibope deu Alckmin com 50% dos votos em São Paulo. Mercadante tem 37%.

17:26: A boca de urna do Ibope deu Anastasia (PSDB) eleito com 57% dos votos, o que já era esperado. Minas Gerais fará mesmo caixinha para a campanha de Aécio em 2014.

16:54 Já há movimentação em torno do Diretório do PT ali na João Pessoa, querida Porto Alegre, na expectativa da vitória de Tarso no primeiro turno. Cordão policial e carros de som já presentes. A informação chega via galera do Jornalismo B, no Twitter. Os guascas merecem!

14:25 Para os junkies políticos que queiram acompanhar com agilidade os números, está disponível para download o software Divulga 2010, do TSE. Já trabalhei com ele e recomendo.


Este é o post que será atualizado com boca de urna, impressões e apuração das eleições para Governador em todo o Brasil. O blog torce pelo segundo turno em São Paulo, confia muito nas vitórias de Tarso Genro (RS), Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE) no primeiro turno e já comemora de antemão a grande vitória de Eduardo Campos em Pernambuco. Confiamos também no vira-vira paranaense para cima do piá de prédio e aprendiz de censor, e acompanhamos com interesse a performance da esquerda no Acre (Viana), no Pará (Ana Júlia) e no Distrito Federal (Agnelo).

Fique à vontade para trazer informações do seu estado. Ocasionalmente, eu as pescarei para o corpo do post, sempre com crédito a quem as trouxe. As atualizações serão precedidas de hora e minuto e feitas de forma que as entradas mais recentes fiquem por cima.


PS: Espere alguns (3, 4,5) minutos entre cada F5, por favor, para que não tenhamos problemas com excesso de pedidos ao site de uma vez só.



  Escrito por Idelber às 13:36 | link para este post | Comentários (34)




Boca de urna e apuração: Senado

23:26 Confira a composição do novo Senado da República, campo de muitas vitórias importantes.

21:52 Há muita gente decepcionada porque haverá segundo turno. Mas atenção: boa parte da direita mais raivosa está sendo varrida do Senado.

21:51 Galeguim dos óio azul, coroné Tasso Jereissati perdeu o emprego! Eunício e Pimentel são os senadores eleitos no Ceará.

20:35 A dupla lulista está eleita na corrida para o Senado por Pernambuco. Armando Monteiro tem 39,66% e Humberto Costa tem 38,60%. Marco Maciel está fora, com 12%.

20:34 Vira-vira no Amazonas, Senado: Vanessa tem 583.825 (22,38%), Artur Neto 581.400 (22,29%). 87,94% das urnas apuradas.

19:53 No Rio Grande do Sul, está reeleito, pelo Partido dos Trabalhadores, o Senador Paulo Paim. Ana Amélia Lemos, do PP, ficou em 2o. Rigotto (PMDB) está fora.

19:37 Daniel informa: Senado PI: Metade dos votos apurados, Wellington (PT) e Ciro (PP) na frente de Mão Santa (PSC) e Heráclito (DEM).

19:19 Está matematicamente eleita, pelo Partido dos Trabalhadores do Paraná, a Senadora Gleisi Hoffman. Parabéns!

17: 37 Sem dúvida, são surpreendentes os números da boca de urna do Ibope para o Senado SP: Aloysio Nunes (PSDB) 27% Marta Suplicy (PT) 25% e Netinho de Paula (PCdoB) 22%.

17:17 Morreu Aécio Cunha, pai do ex-governador Aécio Neves.

14:25 Para os junkies políticos que queiram acompanhar com agilidade os números, está disponível para download o software Divulga 2010, do TSE. Já trabalhei com ele e recomendo.


Este é o post que será atualizado com boca de urna, impressões e apuração das eleições para o Senado. O blog torce muito por alguns em especial: Vanessa Grazziotin no Amazonas, as dobradinhas lulistas em Pernambuco, Bahia e São Paulo, Paulo Paim no Rio Grande do Sul. Já comemoro de antemão a vitória das dobradinhas lulistas no Paraná e no Rio de Janeiro e torço contra Heráclito Fortes no Piauí com muitíssimo gosto. Para a intensa torcida por Vanessa, além de minha admiração pela comunista, contribui também o meu desprezo por um Senador em particular. Acompanharemos com interesse a esquerda no Brasil todo.

Fique à vontade para trazer informações do seu estado. Ocasionalmente, eu as pescarei para o corpo do post, sempre com crédito a quem as trouxe. As atualizações serão precedidas de hora e minuto e feitas de forma que as entradas mais recentes fiquem por cima.


PS: Espere alguns (3, 4,5) minutos entre cada F5, por favor, para que não tenhamos problemas com excesso de pedidos ao site de uma vez só.



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Boca de urna e apuração: Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas

22:34: Está definida a composição da nova Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

14:25 Para os junkies políticos que queiram acompanhar com agilidade os números, está disponível para download o software Divulga 2010, do TSE. Já trabalhei com ele e recomendo.

Este é o post que será atualizado com boca de urna, impressões e apuração daquela que será a (numericamente) mais expressiva vitória da esquerda em eleições proporcionais na história da República. Todas as estimativas coincidem no crescimento da bancada do PT e do encolhimento das bancadas dos dois partidos que capitanearam a venda do público na bacia das almas durante os anos 90, PSDB e DEM. Alguns apostam que o PT será o maior partido da nova Câmara, outros que será o PMDB. De qualquer forma, eles serão os dois líderes. Computemos esses números, também com atenção às bancadas do PCdoB, PSB, Psol.

O blog torce muito por Jô Moraes em MG, Raul Pont, Henrique Fontana, Elvino Bohn Gass e Stela Farias no RS, Dr. Rosinha no PR e Alessandro Molon no RJ. Fique à vontade para trazer informações a esta caixa de comentários sobre a corrida para a Câmara e as Assembleias Legislativas de cada estado, ou sobre o seu deputado de preferência. Ocasionalmente, eu as pescarei para o corpo do post, sempre com crédito a quem as trouxe. As atualizações serão precedidas de hora e minuto, e feitas de forma que as entradas mais recentes fiquem por cima.


PS: Espere alguns (3, 4, 5) minutos entre cada F5, por favor, para que não tenhamos problemas com excesso de pedidos ao site de uma vez só.



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sábado, 02 de outubro 2010

13 razões para votar em Dilma Rousseff

1. Dilma é a continuação do governo Lula. Esta é a mãe de todas as razões. O governo Lula é aprovado por mais de 80% dos brasileiros e acumula, em todas áreas, uma coleção de números de fazer inveja a qualquer outro governo da nossa história republicana. A pobreza caiu pela metade. Mais de 30 milhões de brasileiros se juntaram à classe média. O salário mínimo subiu 74% sobre a inflação. Mais de 14 milhões de empregos foram criados. Dilma Rousseff foi parte deste governo desde o primeiro minuto e é a legítima herdeira desse legado (pdf).

2. Dilma continua a política de fortalecimento do patrimônio público. Uma das razões pelas quais o PSDB foge da figura de Fernando Henrique Cardoso como o diabo foge da cruz é a categórica opção, feita pela esmagadora maioria da sociedade brasileira, contra o privatismo, a desregulamentação e a venda do patrimônio público na bacia das almas. Somos um país de centro-esquerda, neste sentido. Nada foi privatizado no governo Lula e empresas como a Petrobras deram um salto gigantesco, de combalida candidata a ser “desmontada osso por osso” à condição de quarta maior empresa do mundo, responsável pela maior capitalização da história da humanidade. É Dilma, não nenhum outro candidato, quem representa a continuação desse fortalecimento.

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3. Com Dilma sabemos que nossos irmãos mais pobres continuarão a ter acesso ao Bolsa-Família. Mais de 12,6 milhões de famílias foram beneficiadas pelo maior programa de transferência de renda do mundo. Não somente nós, de esquerda e centro-esquerda, mas também economistas liberais e instituições como o Banco Mundial concordam que o Bolsa-Família é parte essencial da redução da desigualdade. O principal candidato da oposição, José Serra, não conseguiu unificar sequer sua campanha ao redor de uma posição sobre esse tema. Chegou-se, inclusive, à bizarra situação de que enquanto o candidato prometia dobrar o BF, seus correligionários e sua própria esposa davam declarações que associavam o programa à “vagabundagem”. Com Dilma não tem erro: continuaremos a reduzir a desigualdade no Brasil.

4. Dilma representa uma política externa altiva, soberana e baseada no diálogo. A política externa é um dos grandes êxitos do governo Lula. Passamos de uma situação subordinada, em que discutíamos a entrada numa órbita estritamente controlada pelos EUA, que trouxe consequências tão desastrosas para os nossos irmãos do México, à condição de país internacionalmente respeitado, ouvido nos fóruns mundiais e líder incontestável da América Latina. A campanha do principal candidato da oposição foi marcada por desastrosas declarações, cheias de insultos aos nossos vizinhos. Traduzidas em política externa, seria uma fórmula certa para que o Brasil perdesse o lugar que conquistou no mundo. A opção pelo diálogo, pelo respeito às instâncias multilaterais e pela autodeterminação dos povos foi um sucesso no governo Lula e está em sintonia com as melhores tradições do Itamaraty. É Dilma quem representa essa opção.

5. Dilma provou ser uma verdadeira democrata. Nenhuma candidata à Presidência no período pós-ditatorial—nem mesmo Lula—sofreu bombardeio midiático comparável ao que foi lançado sobre Dilma Rousseff nesta campanha. Acusações falsas sobre seu passado; grosseiras infâmias sexistas; falsas notícias; manipulação de declarações suas; mentiras sobre suas contas; fichas policiais adulteradas: tudo foi lançado contra ela. Em nenhum momento Dilma moveu um dedo para calar ou censurar qualquer jornalista. Por outro lado, José Serra, tratado de forma infinitamente mais dócil pela imprensa brasileira, demonstrou amplamente que não é confiável no quesito democracia. Exigiu cabeças de jornalistas nas redações; confiscou fitas de vídeo; deu-nos uma patética coleção de pitis. Mostrou que não convive bem com a crítica. É com Dilma, não com Serra, que garantiremos a continuação da nossa condição de um dos países com mais ampla liberdade de expressão do mundo.

6. Dilma dá show de conhecimento numa das áreas mais importantes da atualidade, a energia. Em 2003, quando Dilma assumiu o Ministério das Minas e Energia, o Brasil vivia uma situação periclitante. Acabávamos de viver um vergonhoso racionamento. Dilma arrumou a casa, garantiu a segurança no abastecimento e a estabilidade tarifária. Participou diretamente da implantação do Luz para Todos, cuja meta original era 2 milhões de ligações, mas que em abril de 2010 já havia realizado 2,34 milhões de ligações, beneficiando 11,5 milhões de pessoas. Nossa produção de petróleo passou a 2 milhões de barris por dia. O pré-sal, descoberta possibilitada pelo trabalho de Dilma, dobrou nossas reservas de petróleo. Além de tudo isso, Dilma já provou ser conhecedora profunda das fontes limpas e renováveis de energia. Faça uma enquete entre os engenheiros da Petrobras. As intenções de voto em Dilma, entre eles, deve andar em torno dos 90%. Eles sabem o que fazem.

7. Dilma é a mais equipada para expandir e melhorar a educação no Brasil. Neste quesito, a comparação entre o histórico petista e o histórico tucano é uma surra de proporções inomináveis. Enquanto em São Paulo, alunos e professores sofrem com a falta de investimento e, acima de tudo, com a falta de respeito, emblematizada nas frequentes pancadarias policiais a que são submetidos, o Brasil criou, durante o governo Lula, 16 novas universidades, mais de 100 novos campi, mais de 200 novas escolas técnicas, mais de 700.000 novas vagas para pobres, a maioria negros e mulatos, através do ProUni. Os professores da rede federal saíram da situação de arrocho salarial em que viviam e agora têm um plano de carreira digno (que ainda pode e deve melhorar, sem dúvida, mas que representou um salto gigantesco em relação ao governo FHC). Se você é aluno, professor ou funcionário do ensino, ou tem filhos na escola, basta olhar para o histórico dos dois principais candidatos e você não terá dúvidas sobre em quem votar.

8. Dilma não criminalizará os movimentos sociais. O histórico tucano na relação com os movimentos sociais é péssimo. Professores espancados no Rio Grande do Sul e em São Paulo; os ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra tratados como criminosos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; o funcionalismo público submetido a arrocho salarial e a uma total recusa ao diálogo em Minas Gerais. Sem misturar movimento social com governo, sem transigir na aplicação da lei, quando de aplicar a lei se tratava, Lula e Dilma estabeleceram com as manifestações políticas da sociedade brasileira uma relação de respeito e diálogo. É assim que deve ser. As declarações de José Serra sobre, por exemplo, o MST, são profundamente preocupantes. É com paz e negociação que se resolvem os embates entre movimentos sociais e governo, não com porrada. Dilma é a garantia de que essa política continuará sendo seguida.

9. Dilma representa um novo reencontro do Brasil com seu passado. Notável na sua capacidade de falar sobre um passado traumático, admirável na tranquilidade com que se refere às torturas a que foi submetida, Dilma teve o dom de não transformar o rancor e o ressentimento em arma política. O Brasil está anos-luz atrás dos seus vizinhos do Cone Sul naquele processo para o qual os alemães cunharam essa belíssima palavra, Vergangenheitsbewältigung, que poderíamos traduzir como o dom de acertar as contas com o passado. É Dilma quem nos pode guiar na revisão desse pretérito ainda tão recente e tão pouco saldado. Sem rancor, sem revanche, sem ódio, mas sem transigir na aplicação da lei.

10. Dilma tem com quem governar, tem equipe. Este blog respeita o voto verde e respeita Marina Silva. Mas a afirmativa, tantas vezes feita por Marina nesta campanha, de que governaria com “os melhores do PT e do PSDB”, como se não existisse um pequeno detalhe chamado política, só se explica pela ingenuidade ou pela manipulação da ingenuidade. Um político governa com a equipe política que conseguiu montar, e é a equipe de Dilma quem botou Brasília para funcionar de acordo com os interesses dos mais pobres durante os últimos oito anos. Com todos os seus problemas, é o PT, não o PV, quem tem quadros experimentados o suficiente para a gestão de um país complexo como o Brasil. Isso não é por acaso. Mais de 50% dos brasileiros que têm alguma opção partidária preferem o PT. Por volta de 30% da população escolhe o PT como o partido de sua preferência. PMDB e PSDB seguem de longe, muito longe, com 6%.

11. Dilma é mais internet para todo mundo. O principal candidato da oposição, José Serra, pertence a uma força política que já demonstrou não ter compromissos com a expansão da internet para as camadas mais pobres da população. Expressão privilegiada dos grandes conglomerados midiáticos do país, o tucanato é responsável por desastres como o AI-5 Digital, uma coleção de inomináveis asneiras destinadas a cercear, censurar e controlar a liberdade da internet. Sob o governo Lula, o acesso à rede mundial de computadores aumentou muito e é Dilma, não qualquer outro candidato, quem tem histórico e compromisso com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga, uma verdadeira de carta de alforria informativa no país. Quanto mais gente tiver acesso à internet, mais democrática e bem informada será a nossa sociedade. Os pobres sabem disso e estão com ela, em sua esmagadora maioria.

12. Dilma tem uma bela, impecável história de vida. Representante da geração que correu risco de morte para lutar contra a ditadura com os recursos que tinha, Dilma jamais renegou seu passado. Com serenidade, ela sempre explica que o contexto mudou, que o mundo é outro, e que agora ela luta com outros instrumentos, dentro da normalidade democrática. Mas ela nunca fez as penitências meio patéticas, as autocríticas confortáveis a que nos acostumamos ao ouvir, por exemplo, Fernando Gabeira. Representante também da geração que acompanhou Leonel Brizola na recomposição do legado varguista na pós-ditadura, ela jamais renegou a herança do trabalhismo. Dilma Rousseff é a ponte entre o que de libertário e popular havia no trabalhismo brasileiro e o que de novo e transformador trouxe o Partido dos Trabalhadores. Sua presença já na administração Olívio Dutra em Porto Alegre mostrou que ela estava consciente de que essa ponte era possível. Muitos petistas—este atleticano blogueiro incluído—adotaram, especialmente nos anos 80, posturas sectárias e intolerantes ante o trabalhismo, incapazes que fomos de ver qualquer característica positiva no movimento que conferiu cidadania à classe trabalhadora pela primeira vez. Dilma é a possibilidade de aprofundamento desse diálogo entre o lulismo e tradição trabalhista que ele transforma. Essa bela história de vida está bem narrada em seu primeiro programa de TV:




13. Dilma representará uma vitória inesquecível para as mulheres brasileiras. Ainda somos um país muito machista. A violência doméstica é uma realidade cotidiana para milhares, talvez milhões de mulheres, especiamente as mais pobres. As mulheres ainda recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. A maioria da população feminina ainda acumula uma dupla jornada de trabalho. Não só por ser mulher, mas também por pertencer a um projeto político que já demonstrou ser aliado das mulheres na luta, Dilma pode contribuir a mitigar essa situação e nos fazer avançar nessa área tão urgente. Não é desimportante, claro, o fato de que ela é mulher: da mesma forma como a vitória de Lula, por si só, representou imenso ganho para a autoestima dos trabalhadores, que agora sabiam que podiam chegar lá, da mesma forma como a vitória de Obama trouxe enorme esperança para muitos negros jovens, que agora tinham a prova de que alcançar o topo era possível, a vitória de Dilma representará um enorme salto para a autoestima, as possibilidades, as aspirações de milhões de mulheres e, especialmente, de crianças e adolescentes do sexo feminino.


É por tudo isso, e muito mais, que eu voto Dilma Rousseff.



  Escrito por Idelber às 05:26 | link para este post | Comentários (143)



quinta-feira, 30 de setembro 2010

Uma sugestão, como forma de respeito e afeto, por Katarina Peixoto

Katarina Peixoto enviou este texto a alguns amigos. Ele é belo demais para que fique numa caixa de correios. Pedi permissão para publicá-lo. É de interesse especial dos gaúchos, mas realmente todo mundo deveria ler.

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Tenho muita coisa a dizer e algumas a sugerir, e agora é madrugada e eu tô podre de cansada. Mas este é um pedido de voto, e um compartilhamento de um abraço em cada um e cada uma. Inclusive e bem de muito naqueles meus amigos que não votam em quem eu voto. Também para vocês eu escrevo, não para pedir voto, exatamente.

Mas sabem aquele oboé emendando os movimentos da Pastoral de Beethoven? Aliás, vocês por um acaso já pensaram que aquele maluco fez uma sinfonia em que a imaginação não surrupia a música em nem um milésimo de segundo e nos devolve um mundo como semeadura e colheita, assim, guiados por um oboé? Pelo menos não ultrapassa a fronteira, porque a Pastoral pode ser goiaba, às vezes, mas é linda e hepática. Luminosa, como a primavera, mesmo que eu tenha asma.

Então é o seguinte: sem ufanismo nem lulismo nem petismo, vivemos num outro país. Mas não é de mito que quero falar. Tem um monte de coisas sérias que interpelam o atual estado de coisas, e o meio ambiente (não o da Arca de Noé, obviamente), importa muito.

A experiência Lula e as mortes e desaparições do último período produziu cicatrizes que não apenas doem, como fornecem um certo charme sobrevivente. Sobreviver é tão insularmente determinado que ter charme é o mínimo que se exige, enfim.

Se você não vota em Dilma, não tem problema. Isso não o impedirá de sonhar e projetar um futuro. Se você detesta a Dilma e o PT, problema menor ainda. O PT, penso eu, meio que acabou. Tudo tem um custo, o que jamais se reduz a um preço, na vida. Então, isso não impedirá de você confiar que as instituições e o futuro serão mais tranquilos.

A Dilma não é somente séria. Não é somente republicana e workaholic. Não é apenas mineral em termos de caráter e força. Ela é nossa, viu? Ela também é música, numa palavra.

Chega a ser assustador pegar alguns dos artigos e ensaios de intelectuais, agentes da finança global e analistas econômicos heavy a respeito de nosso, brasileiro, futuro. Muitos deles estão na Carta Maior e outros, mais entusiastas, como os do Financial Times, deixariam alguns artigos da Caros Amigos à sua direita. O que não é exagero é que este ano o Brasil tem a escolha mais cara do Planeta a fazer: 20 trilhões de dólares, do Pré-Sal.

Nossos filhos poderão viver num país como aqueles que eu, na minha adolescência, via como muito distantes.

E isso sem virar a China. E sem a barbárie desigual da Índia. Com SUS (quero crer melhor), com pesquisa, universidade, escolas, IPEA. SEM MISÉRIA.

Pode-se pensar que uma paisagem é objeto de viagem hippie. Minha aversão aos hippies impede essa frase de fazer sentido: o que faz sentido é a paisagem como objeto de vida real. De coisa feita de carne e, agora, cimento. Uma paisagem de palafita virar cimento e saneamento.

Saber que ali, logo ali, naquela parada de ônibus, você não verá um menino com lombrigas saindo pelo ouvido.

Não é um paraíso, mas já é algo menos distante da dignidade.

Quem está contra a Dilma, em termos de relação de força são basicamente as 6 famílias e um setor do PSDB e o Dem – motivo de orgulho para nós, óbvio. O grande capital financeiro, o grande capital industrial e produtivo (agrobusinesse e construção civil), a indústria naval e o universo de pequenos e médios está conosco.

Não é delírio algum dizer que a mídia das 6 famílias assumiu uma posição de vanguarda tão delirante, enquanto delirante, como as vanguardas troskas do alasca, na década de 60. Um comportamento meio vulnerável à tal da “moral bolche”, uma flexibilidade comportamental que opera a despeito da realidade e militantemente contra a verdade.

Eu, Katarina, do auge de minha relevância impressionante, acho isso ruim. Preferiria que as forças político-partidárias fossem mais orgânicas e programáticas. A experiência Lula desarrumou as coisas e nós estamos no meio da bagunça.

É por isso que eu escrevo, afinal, pedindo uma certa paciência. Se você não tem candidato a proporcional, seguem as minhas sugestões, de gente que sobreviveu à bagunça, com charme, coluna vertebral da moralidade e dos compromissos de pé, clareza sobre quem é o inimigo e um amor que beira o incompreensível, pela militância e pelo equilíbrio das relações injustamente desiguais que marcaram o Brasil antes dos 20 trilhões.

São eles meus amigos, alguns mais, outros menos. E nós, aqui, e nossas famílias, votarão neles.

Henrique Fontana (1313) – Moço que abdicou do caminho mais fácil da família para obedecer ao seu coração e a sua mente privilegiadamente inteligente. Eu não acredito que inteligência é mérito, mas a inteligência de Henrique é assustadoramente real. E ele não a vendeu e não a vende. Ele respeita e não lava. Ele negocia e defende. Não vende, não compra, não tira onda da minha cara. Além disso ele é patologicamente apegado à praça. Uma coisa assustadora, mas necessária, enfim. É um deputado federal que merece ser reeleito, para o bem, a construção e não o melhor do mundo, mas o melhor do congresso nacional. Isso já é muita coisa. Para mim é necessário e suficiente.

Elvino Bohn Gass (1320) – Moço de família alemoa de Santo Cristo, católico não reacionário nem das libertaçã. É o sujeito mais decente e sério que conheci e conhecerei. Compromissado com a agricultura familiar, a justiça tributária, o republicanismo e a democracia. Ele é tão sério que chego a pensar que seu futuro gabinete terá de contratar um psiquiatra, caso ele chegue a Brasília. Sofrerá no congresso, mas sua determinação e seriedade não deixam, senão os psicopatas e sicopantas, indiferentes. Eu tenho orgulho também de ele ter se mantido de pé, quando sentia dor e perplexidade ouvindo os áudios e lendo as transcrições das peças judiciais vinculadas à corrupção do Detran e da então prefeitura de Canoas. Ele sofria, não celebrava. E muitas vezes não conseguia a agressividade toda para inquirir, dada a perplexidade diante da bandidagem. Ele é raro. E necessário.

Stela Farias (13113): candidata a estadual, que com Elvino enfrentou a turma que andou assaltando o governo do estado nos últimos 7 anos. Sob vários aspectos ela dispensa apresentações, porque foi prefeita, porque é bastante conhecida. Mas este pedido de voto reside na confiança nela. Pelo seguinte: Stela é uma guerreira, uma companheira, uma mente e uma energia da natureza operando na política. Ela, junto ao Elvino, são quadro miraculosamente republicanos, cuja falta de maldade chega a preocupar. Mas isso não é elogio de inocência: ela é um puta quadro nosso. Professora, mãe, militante, workaholic, corajosa contra os que ladram e mordem.

Raul Pont (13400): O político sem qualidades, porque só as tem como virtudes. Então, não carece de qualidades, mas de voto na urna, para ser consagrado. Raul é uma honra e um orgulho, uma confiança e uma alegria. Sujeito que, assim como o Henrique, gosta tanto dessa loucura que a transforma numa história. E que, de uma maneira só sua, desta vez, respeita a história e a leva a sério em cada gesto e em cada combate. Poder votar em Raul Pont é uma das razões para acreditar que faz sentido viver em sociedade, apostar na generosidade, escutar e respeitar.

Tenho o maior orgulho e confiança nesses 4 companheiros. E acho que eles são todos os 4 figuras de que todos nós, e sobretudo aqueles que votam nos PTB e quetais da vida, necessitamos, em nome da república, da democracia e dos compromissos.

E como eu sou trabalhadeira mas não sou boba, seguem alguns vídeos animados para nós.

Um do último programa do Tarso. Eu peço encarecidamente que vocês o vejam todo, até o final. Estamos todos ali, desta vez não como obo, mas como flauta transversa, informal, convicta.

Depois, o primeiro e definitivo programa da Dilma. O programa em que é tudo verdade, e nada mais nem menos que a integridade dela.



  Escrito por Idelber às 12:58 | link para este post | Comentários (46)




Eleições em Minas Gerais

Caso o leitor tenha paciência de procurar os arquivos dos jornais brasileiros, verá que até muito pouco tempo atrás, os tucanos planejavam sair de Minas Gerais com 2 milhões de votos de vantagem sobre Dilma Rousseff. Essa era a matemática da vitória de José Serra: 5 milhões de votos de frente em São Paulo, 2 milhões em Minas e 1 milhão no Paraná. Desde bem antes da volta do blog, antes mesmo da sensacional declaração de José Serra de que não entende mineirês, eu já compartilhava artigos no Google Reader dizendo que Dilma venceria em Minas com ampla vantagem. Não era necessário saber muito para apostar nisso.

Confirmou-se a previsão. Dilma dará uma bela surra de votos em Serra, tanto em Belo Horizonte como no interior. Mas, nas eleições para o Palácio da Liberdade e o Senado, as coisas têm outra cara.

Os números mais recentes do DataFolha são os seguintes: para o governo do Estado, Antonio Anastasia, do PSDB, tem 43% das intenções de voto (52% dos válidos), e Hélio Costa (PMDB) tem 36% (43% dos válidos). Na simulação de segundo turno, Anastasia lidera por 48% a 40%. O candidato a vice-governador na chapa de Hélio Costa é o popular ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias, do PT. Há dois quadros possíveis hoje: um segundo turno entre Costa e Anastasia ou vitória de Anastasia já de cara no domingo.

Para o Senado, a única coisa realmente definida é que Aécio Neves (PSDB) leva uma das vagas. Ele tem, no momento, 67% das intenções de voto segundo o Datafolha. Itamar Franco (PPS) teria 43%. Fernando Pimentel (PT) subiu dois pontos e tem 34%. O suplente do provecto Itamar Franco é Zezé Perrella, dirigente do Cruzeiro indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Até os pombos da Praça da Liberdade sabem que o PT está pagando o preço pela desastrada manobra de Pimentel em 2008. O acordo, costurado com Aécio Neves e enfiado goela abaixo do PT, entregou a Márcio Lacerda (PSB), ligado ao aecismo (o PSB em Minas, assim como o PV, são legendas de aluguel de Aécio), uma prefeitura de esquerda que acumulava 16 anos de sucessos e uma taxa de aprovação em níveis lulísticos, de mais de 80%, numa cidade em que, ao contrário de São Paulo e Porto Alegre, o antipetismo praticamente inexiste.

Por outro lado, Pimentel tem uma folha de serviços prestados e foi um bom prefeito. Cumpriu um papel importante na consolidação da equipe de Dilma. Considerando a onda vermelha que vem por aí no domingo, eu não me surpreenderia se ele ainda reunisse forças para uma virada. É difícil, mas não está fora da ordem do possível. Nos últimos dias, a campanha de Pimentel tem intensificado as menções ao suplente de Itamar, com um recado bem simples: votar em Itamar é fazer de Zezé Perrella um Senador da República.

O companheiro de chapa de Pimentel é Zito Vieira, do PcdoB, que faz uma campanha de poucos recursos. Ele não deve segurar muitos votos na chapa, o que é o grande problema para Pimentel, já que além de convencer o eleitor a votar nele, Pimentel deve convencê-lo a não entregar o segundo voto a Itamar.

Como PT e PMDB estão coligados nas proporcionais, outro dado importante a se observar na apuração de domingo será o número de deputados de cada legenda eleitos para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa. Minas será vermelha na eleição presidencial, mas o resto da cédula sofrerá as consequências da hecatombe de 2008—o que é uma pena, pois o PT vinha num crescendo constante no estado há duas décadas. A estas alturas, é impossível prever qual será o preço e até quando ele terá que ser pago.


PS: Saiu na Revista Fórum mais um texto meu: O que é um terrorista? Fiquem à vontade para comentá-lo aqui também.

PS 2: Sucedem-se as matérias elogiosas a Dilma Rousseff na imprensa internacional. Ontem foi a vez da Nature (uma das principais revistas científicas do mundo), da prestigiosa Foreign Policy e, de novo, do Guardian.

PS 3: Inacreditavelmente, depois que sete ministros do STF já haviam se pronunciado contra a exigência de dois documentos na eleição de domingo, Gilmar Mendes pediu vistas, mesmo com a votação já definida. Ricardo Noblat afirma que foi depois de um telefonema de José Serra.

PS 4: Aconteceu, no domingo, uma eleição na Venezuela. Havia 165 cadeiras em jogo. O PSUV, de Hugo Chávez, conseguiu noventa e oito dessas 165 cadeiras. Mas, para o Estadão, o que ocorreu foi "A Derrota de Chávez". Depois não entendem por que estão morrendo.



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quarta-feira, 29 de setembro 2010

Faltam quatro dias

***** Saiu, muito oportunamente, carta de José Eduardo Dutra, presidente do PT, conclamando a militância para ir às ruas e garantir a vitória de Dilma Rousseff no domingo. Mais que nas duas eleições anteriores (Lula I e Lula II), há uma sensação geral de renascimento da militância do PT, depois de um período em que o partido fez a transição para o modelo da militância remunerada. Depois de ir ao comício final de Lula, Dilma e Mercadante em São Paulo, Azenha confirmou essa percepção, que eu já vinha tendo também.

****** Por falar em São Paulo, tudo indica que a eleição para governador se encaminha para um segundo turno, no qual Alckmin teria que encarar 27 dias de Mercadante, Lula, Dilma (provavelmente eleita) e toda a troupe de blogs sujos na ofensiva. O tucanato tem muito medo de perder São Paulo, pelos motivos que todos conhecemos. Para acompanhar notícias de São Paulo, recomendo o blog do Rovai, que tem intensificado as postagens nesta reta final.

******* Ainda sobre São Paulo, destaco três textos acerca da difícil escolha que encaram as mulheres de esquerda na eleição ao Senado: Camila Pavanelli, Kellen Gutierres e, discordando das duas, Mary W. Não vou entrar na conversa, que está muito boa, mas quero fazer um comentário ao texto da Mary: a estas alturas do campeonato, não dá pra dizer que um Senador não "faz diferença" na base da Dilma. Um Senador pode fazer a diferença entre poder ou não poder aprovar uma emenda constitucional, por exemplo (para o que é necessária uma maioria de 3/5, que a base de Dilma está em condições de conseguir nesta eleição). No Senado, um votinho é muita coisa.

******* O Toledo, do Estadão (que, aliás, tem um bom blog, bem melhor que os da Folha), publicou um mapa que representa as intenções de voto em Dilma, Serra e Marina em todo o país, dividido em microregiões. Os números são do Ibope. Dilma lidera em 82% das 255 áreas. No território vermelho, Dilma lidera com mais de 5 pontos sobre Serra. No território azul, ocorre o contrário. Nas áreas cinzas, há empate técnico. Veja o mapa:

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******* A expectativa com a eleição é tanta que passei uns 40 minutos ontem no site do Weather.com, revisando a previsão do tempo para o domingo nas principais cidades brasileiras. Não há previsão de chuva para nenhuma capital nordestina, o que é excelente notícia para nós. Parece que haverá chuvas esparsas em Sampa e pancadas ocasionais tanto no Rio de Janeiro como em Belo Horizonte.

******* Pesquisas: de acordo com fontes deste blog, o Ibope que sai hoje não confirmará os números do Datafolha de terça-feira. Quando você estiver lendo isto, provavelmente já saberá se eu acertei. No instituto do Sr. Frias, os números são: Dilma com 46%; Serra, 28%, Marina, 14% e outros candidatos 1% (isso dá a Dilma 51% dos votos válidos, ou seja, perigo real de segundo turno). No Vox Populi, os números são outros: Dilma 49%, Serra 25% e Marina 12% (o que dá 57% dos válidos para Dilma, ou seja, vitória no primeiro turno com folga). No Tracking interno do PT (via Rovai), os números estão bem mais próximos ao Vox: Dilma 51%, Serra 23% e Marina 11% (de novo, vitória no primeiro turno com alguma gordura). Não é possível que tanto Datafolha como Vox estejam certos, pois a diferença entre eles está bem além da margem de erro. O tira-teima é domingo. O Biscoito, assim como o Rovai e Celso de Barros, continua apostando: vamos levar no domingo mesmo. Quanto ao Datafolha, salvo engano de Cecília Figueiredo, ele publicou pesquisa em que a soma total dos votos é 109%.

******* Na imprensa internacional, continua o destaque a Dilma. A maioria já deve ter visto, mas ainda não demos o link aqui. O Independent fez bela matéria, que agora está disponível em português, graças ao trabalho generoso de Katarina Peixoto. Mais no estilo Veja, a Newsweek também publicou artigo. Na Argentina, o Página 12, sempre atento a questões relacionadas a militares, fez matéria sobre a reunião no Clube Militar.

******** No Sul do Brasil: Beto Richa, candidato tucano ao governo do Paraná, conseguiu impugnar mais duas pesquisas. Eu não sei a quantas anda o Judiciário paranaense, mas ele deve explicações: o Paraná é o único estado brasileiro sem números atualizados nas corridas para governador. Não assisti aos debates desta terça-feira, mas parece que no Rio Grande do Sul, Yeda Crusius levou um belo sacode-Iaiá. Ainda no Rio Grande, o RS Urgente publicou post demonstrando mais uma falsificação de afirmativas de um petista.

******** Nesta terça, eu li dois posts de que gostei muito: a declaração de voto do Allan Patrick, lá no Rio Grande do Norte, e o post autobiográfico da Maria Frô.

****** Para finalizar: vale a pena ler o texto de Nicolau Soares na Fórum: O que está por trás dos ataques à suposta república dos sindicalistas?

Atualização para os pobres mortais sem Twitter: Já saiu a pesquisa do Ibope. Como previsto, os números são bem diferentes do Datafolha: Dilma 50%, Serra 27%, Marina 13%. Dilma tem 55% dos válidos e venceria no primeiro turno com gordura. Ou o Datafolha cala a boca de todo mundo no domingo, ou deve longas, muitas e detalhadas explicações à sociedade brasileira.



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segunda-feira, 27 de setembro 2010

Notas sobre o debate da TV Record

O debate de ontem à noite, na TV Record, mostrou quão equivocados estavam os estrategistas tucanos que imaginavam que José Serra daria surras de argumentação em Dilma Rousseff nos confrontos ao vivo. Bastou aparecer uma equipe de jornalistas que não faz entrevista combinada para que Serra perdesse a compostura e, mais uma vez, saísse reclamando das perguntas que lhe foram feitas. Creio que é possível discutir se a maior vencedora do debate foi Dilma Rousseff ou Marina Silva. Mas acho que dificilmente um tucano acreditaria, de boa fé, que José Serra ganhou pontos ontem na TV Record. Também acredito que nenhum tucano de boa fé diria que a TV Record favoreceu Dilma. Ela também enfrentou perguntas questionadoras e duras. A diferença é que Serra também teve que enfrentá-las. Dilma está mais que acostumada a isso. Serra, não.

O debate da Record foi o mais importante até agora, por motivos óbvios. Ele teve lugar em rede nacional de TV, chegou a marcar 14 pontos de audiência (a média total do programa foi 9) e aconteceu uma semana antes da eleição. Na minha avaliação, Serra foi muito mal, Plínio fez um papel bisonho, Marina mostrou uma melhora considerável em relação aos debates anteriores (e pode ter ganhado pontos de quem já decidiu não votar em Dilma ou Serra) e a candidata do PT, encarando tarefa difícil, saiu-se muito bem. Como o empate lhe favorece e ela claramente prevaleceu nos dois embates diretos com a outra figura de destaque da noite, Marina, o campo dilmista comemorou vitória, a meu modo de ver, com razão.

O debate teve três grandes momentos de sacode-Iaiá: um de Marina em Plínio, outro de Ana Paula Padrão em Serra, o terceiro de Dilma em Marina. Estes eu achei que foram os três sacode-Iaiá incontestáveis, de claros nocautes sem apelação. No primeiro, Marina lembrou a Plínio o seu abuso dos rótulos. Falou firme e com altivez acerca do respeito ao outro. O recado foi dado de maneira claríssima e, pela própria reação da plateia, ficou nítido o nocaute. No segundo, Ana Paula Padrão lembrou a Serra o uso da imagem de Lula e a desesperada insistência do candidato do PSDB em esconder Fernando Henrique. Para piorar a situação de Serra, Ana Paula mencionou a recente declaração de FHC, feita no exterior, de que a vitória de Dilma já estaria garantida. A resposta do candidato misturou ataques à jornalista, coisa que é bem do seu feitio (já terá pedido a cabeça dela à Record?), com algumas frases que devem ter feito a equipe de Dilma vibrar: acusações ao PT de ser “ingrato” com Fernando Henrique. A acusação pode até ser verdadeira. É fato que existem setores do petismo que se recusam a dar a FHC o seu quinhão de méritos na estabilização da economia. Mas a veracidade da acusação não faz com que ela deixe de ser, eleitoralmente, um tiro no pé. Do ponto de vista do PT, quanto mais o nome de FHC for mencionado, melhor. Sim, é injusto. Quem disse que política tem a ver com justiça?

O terceiro sacode-Iaiá foi categórico e ocorreu no único momento em que Marina decidiu repetir a cantilena da qual havia abusado no debate anterior: a retórica udenista sobre a corrupção. Ao interpelar Dilma a respeito do caso de nepotismo na Casa Civil, ouviu a resposta de que a investigação estava sendo feita e que tanto em 2005, quando Dilma assumiu o cargo, como agora, à raiz do caso Erenice, ela tomara medidas para coibir os malfeitos. Marina replicou que era inaceitável que isso se repetisse e que pelo jeito as medidas não estavam surtindo efeito. Com certeza, não esperava a tréplica que veio: Dilma lembrou que tomou as mesmas medidas da própria Marina quando vieram à tona casos de corrupção no Ministério do Meio Ambiente comandado por ela. Lembrou-lhe, com elegância, que ninguém tem monopólio sobre a moral. De forma implícita, nocauteou o argumento tantas vezes usado por Marina nesta campanha, o de que ela supostamente seria mais limpa ou ética que o governo do PT – do qual ela fez parte durante sete anos e que só resolveu abandonar às vésperas da eleição.

Os camaradas do PSOL sabem do meu respeito por e de minha interlocução com o partido. Inclusive, a partir de algumas conversas com psolistas no Twitter, quero oferecer o espaço do Biscoito, a partir de novembro, para que façamos uma ampla discussão sobre os rumos do partido. Poderíamos armá-la a partir de um texto meu e dois ou três textos de militantes do partido que queiram contribuir, publicando todos os textos num mesmo post e, a partir daí, usando a caixa de comentários para a conversa. Esta é uma promessa do blog, caso interesse, é evidente.

No entanto, o meu respeito não me impede de dizer que o papel de Plínio ontem foi grotesco, bisonho. Esqueceu-se de que ele não saiu do PT quando estouraram casos de corrupção, mas quando perdeu a eleição para presidente do partido. Mostrou estar desinformado sobre o ProUni. Chamou Dilma de Marina. Teve a oportunidade de uma tréplica e não a usou, pois não sabia o que estava acontecendo. Falou da União Soviética como se ela existisse. Fez uma infantil correlação entre o aumento das investigações sobre a corrupção e um suposto aumento da própria, como se o Brasil nunca tivesse tido um Engavetador-Geral da Repúbilca. Repetiu a cantilena sobre salário mínimo de R$ 2.000, 10% do PIB para a Educação e uma série de outras promessas pouco factíveis, respondendo, quando perguntado sobre de onde sairia o dinheiro, com o chavão da ruptura com os banqueiros—sem nos dizer o que faria o Brasil em estado de isolamento ante o sistema financeiro internacional.

Vejamos como se comportam os jornalistas da TV Globo no próximo debate, o último. Para os que gostam de contrapor, às críticas à parcialidade da Globo, alusões a uma suposta parcialidade da Record para o lado oposto, fica o lembrete: ontem, todo mundo encarou perguntas duras dos jornalistas. Mas só Serra saiu reclamando delas.



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domingo, 26 de setembro 2010

A corrida eleitoral nos estados

A IstoÉ publicou este mapa das eleições nos estados, que dá uma boa ideia da dimensão da vitória lulista que se aproxima. Alguns dos números indicados na matéria já estão desatualizados e, na maioria dos casos, as mudanças recentes favorecem as forças governistas.



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Entre as mudanças importantes dos últimos dias, estão:

1) Paraná: o tucano Beto Richa liderava mas, impulsionado pela onda vermelha nacional e pelas fortes candidaturas ao Senado (Gleisi e Requião, que devem se eleger), Osmar Dias, candidato único da base lulista, já virou. Beto Richa impugnou a divulgação de três pesquisas na Justiça, o que certamente é indício que ele não quer ver os números atuais divulgados. A virada lulista no Paraná já foi noticiada, inclusive, pela própria IstoÉ.

2) São Paulo: mesmo com a grande torcida da mídia por uma vitória de Alckmin no primeiro turno, deve se confirmar a previsão de Renato Rovai. A parada vai para o segundo turno. A última pesquisa Vox Populi mostra uma queda de 32 pontos para 12 na diferença entre Alckmin e Mercadante. Os números atuais do Vox são: Alckmin: 40%, Mercadante 28% Russomano 7%. Ainda há 13% indecisos. Caso se confirme o segundo turno, Alckmin deve ver-se bem acuado, tendo que enfrentar 27 dias de campanha contra Mercadante, Dilma provavelmente eleita, Lula e os blogs sujos centrando todo o fogo em São Paulo.

3) Pará: Ali o tucano Simão Jatene ainda lidera, mas a situação da petista Ana Júlia já esteve bem pior. A curva dela é ascendente e tudo indica que, no segundo turno, Lula e cia. devem ser capazes de costurar o apoio do candidato peemedebista, que hoje anda por volta dos 7%. Nada definido ali, pois.

4) Nordeste: Em todo o Nordeste se confirma a vitória do lulismo, com a exceção do Rio Grande do Norte, onde a pefelê Rosalba Ciarlini pode se eleger no primeiro turno. Nos outros estados, as vitórias lulistas estão praticamente garantidas, algumas delas por margens acachapantes, como a homérica humilhação que Eduardo Campos (PSB, neto de Arraes) imporá ao peemedebista "autêntico" e antilulista Jarbas Vasconcellos em Pernambuco.

5) Rio de Janeiro: O moralismo de Gabeira sofrerá uma derrota inesquecível. Sabe-se lá o que será dele depois destas eleições.

Por outro lado, devem se confirmar mesmo as vitórias da direita em Santa Catarina, em Roraima e no Mato Grosso do Sul. Minas Gerais ainda é uma incógnita.



  Escrito por Idelber às 16:41 | link para este post | Comentários (45)



quarta-feira, 22 de setembro 2010

Mapinha de blogolândia para as eleições

Saio daqui a pouco rumo a Santiago, primeira parada no caminho que me leva ao encontro de uma urna da 27ª zona eleitoral de Belo Horizonte no dia 03, para cravar o que será seguramente o voto mais emocionante desta já longa vida de votos. Acompanhado dos meus dois filhos, deixo lá o meu grão de areia que se junta à avalanche de dezenas de milhões que vão consagrar o governo Lula e fazer de Dilma a primeira Presidenta do Brasil. Se você não vê que está se aproximando um momento histórico, esfregue os olhos e pingue o colírio. Daqui a 100 anos, esta primeira década do século XXI será consensualmente vista por historiadores como mui singular, ah, isso vai. O povão já viu.

Devo estar bem instalado e equipado de excelente conexão de internet, como sempre é o caso quando desfruto da incomparável hospitalidade chilena, de forma que a blogagem e a tuitagem não devem sofrer interrupções. Por ora, deixo um breve mapinha de blogolândia para as eleições.

O Biscoito e o Blog do Alê estão em permanente contato no Twitter, trocando pitacos. O Alê sabe dos números e é a minha grande recomendação para esta temporada eleitoral. Trabalharemos em parceria. Para ler o que publicam as quatro famiglias, cancele logo sua assinatura (paga para ter email UOL na era do Gmail por que mesmo, mô fio?) e acesse o Clipping do Planejamento, o Conteúdo Livre ou o ArquivoEtc. O blog do Favre também faz bons clippings. Fortaleça as revistas realmente incômodas aos poderosos e os excelentes blogs e sites jornalísticos que oferecem o indispensável contraponto.

Sob a tag Eleições, o Último Segundo-iG e a Rede Brasil Atual têm publicado boas coisas. Há alguns sites (genuinamente) apartidários que valem a visita, como o Vote Brasil, com notícias e números, e o Eleitor 2010, com relatos sobre irregularidades. Vale a conferida também o blog de Jairo Nicolau. Sempre bom é ter aí os links aos institutos com presença nacional: Ibope, DataFalha, Sensus, Vox Populi., cujo tracking diário é anunciado na aba direita deste gráfico.

No nosso campo, o campo que vai se consagrar nas urnas no dia 03, recomendo, além do blog do Alê, a Agência Carta Maior, o blog do Rovai, jornalista que conhece eleições, o Deputado Brizola Neto, grande revelação da blogolândia política no ano, o Amálgama, que tem publicado excelentes textos, e os nossos velhos conhecidos Celso de Barros, patota do Guaciara, Hugo Albuquerque, Lola Escreva e Revista Fórum, além, é claro, do Site da Dilma, do Dilma na Rede e dos Amigos do Presidente Lula. Feito por um eleitor de Marina, Consenso, só no paredão com certeza trará textos bem escritos e inteligentes, marca registrada do blog.

A melhor blogosfera de esquerda do Brasil é a gaúcha. Para acompanhar o sacode-Iaiá que a Sra. Yeda Crusius vai levar nas urnas dia 03/10, se ligue no RS Urgente, de trabalho jornalístico, na lâmina afiada de Cristóvão Feil--que cunhou o impagável lulismo de resultados-- e no Jornalismo B. Também gaúcho, o Cloaca News deve se divertir neste período eleitoral, assim como o farão o Blogoleone e o Eugênio e a Cláudia, do Dialógico.

No campo da oposição, eu acompanho o Blog do Noblat, de assustadoramente despencada credibilidade, mas que vale a pena ser lido neste seu crepúsculo, pois ainda é acompanhado por políticos. Nessa turma, o blog mais legível sobre temas eleitorais é o do Fernando Rodrigues. Às vezes, ao corrigir redações de alunos da graduação e desesperar-me com os anacolutos, também leio um pouco sobre política no Blog do Josias, para me lembrar de que poder ser comparado favoravelmente com algo é um atributo universal, de todas as coisas. Os links deste parágrafo vão com a tag=nofollow, porque os três blogueiros em questão nunca linkam ninguém, a não ser o próprio aparato midiático que os hospeda.

Com certeza faltou gente boa. Entre os blogs com notícias regionais, há muitos que merecem a recomendação, como o pernambucano Acerto de Contas, mas me falta o tempo para uma lista completa agora.

Estes aí ficam como indicações e a caixa aceita outros. Volto em breve, já do Chile.

PS: Além de dica cartográfica aos leitores regulares do blog, talvez a lista acima sirva de algo, um dia, para o jornalista da Folha que disse ao sociólogo espanhol Manuel Castells que "quase não há discussão política na internet brasileira, só torcidas organizadas trocando provocações". Nunca é tarde para alfabetizar-se.

PS 2: A quem interessar possa, aí vai o pdf com o itinerário das minhas palestras na Pontifícia Universidade Católica de Santiago, a quem agradeço pelo convite.



  Escrito por Idelber às 15:23 | link para este post | Comentários (56)



terça-feira, 21 de setembro 2010

Blog endossa Vanessa Grazziotin (PC do B, 656) para o Senado-AM

Esta é a eleição que o Biscoito acompanha com mais entusiasmo e interesse, portanto não poderia faltar o vídeo. Está aí meu endosso enfático a Vanessa Grazziotin (nº 656), do PC do B, candidata ao Senado pelo Amazonas:






Vanessa está numa briga de foice pela segunda vaga ao Senado com Artur Neto (a.k.a. Arthur Virgílio), do PSDB, aquele da "surra em Lula". As últimas pesquisas foram publicadas em A Crítica e no Portal Amazônia. Nesta última, há um errinho. Onde se diz que a sondagem foi realizada entre 11 e 15 de agosto, leia-se 11 e 15 de setembro. Essa informação está confirmada. Se você quiser o pdf completão, com a pesquisa da Perspectiva em detalhes, é só clicar aqui.

Como sempre, a caixa está aberta para que você endosse seu candidato (sem spam) e converse, se quiser, sobre as eleições ao Senado nos vários estados.


PS: A compilação de informações para este vídeo contou com o auxílio luxuoso de Fabiana Motroni.



  Escrito por Idelber às 09:34 | link para este post | Comentários (43)



segunda-feira, 20 de setembro 2010

Na Fórum: Religião e política no Brasil atual

O assunto que me ocupa hoje é complexo, multifacetado, cheio de nuances. O papel que a religião tem cumprido nesta campanha eleitoral ainda não foi bem analisado, provavelmente não o será por um bom tempo e o máximo que este post pretende é levantar algumas indagações iniciais. Como sabe quem lê o Biscoito, sou ateu convicto e participante de movimentos em defesa do estado laico. Não acredito que religiões devam ser “respeitadas”, se por “respeito” entende-se o comum neste caso, ou seja, a blindagem delas a questionamento, crítica, paródia ou ridicularização. Entendo-as como ideias sujeitas à apropriação, como quaisquer outras. Isso é diferente de não respeitar as pessoas religiosas como interlocutores adultos e maduros ou mesmo como eventuais parceiros de alianças políticas. Afinal de contas, o maior presidente da história do Brasil é um firme crente em Deus, e isso não o impediu de ir muito mais longe que o sociólogo ateu no reconhecimento dos direitos dos casais homossexuais.

Discordo frontalmente dos amigos ateus que repetem uma rasa cantilena sobre a suposta equivalência entre Record e Globo como dois males idênticos e intercambiáveis. Essa cantilena é fruto da confusão mais característica das análises de uma certa classe média (e rara, diga-se, entre o povo pobre): a confusão entre moral e política. Se querem me dizer que Record e Globo se equivalem moralmente, eu posso considerar a propositiva como digna de elucubração. Se o que estamos discutindo é política, como suponho ser o caso aqui, eu digo a esses amigos ateus: no em dia em que a TV Record ajudar a patrocinar um golpe de estado contra um governo legítimo, ocultar e beneficiar-se do assassinato de centenas e da tortura de milhares de brasileiros, editar criminosamente um debate presidencial para influir na eleição e esconder o maior acidente aéreo da história brasileira para exibir fotos ilegalmente obtidas das mãos de um delegado, de novo com puros objetivos eleitorais, aí eu discuto essa suposta equivalência no terreno da política. Se alguém vir o jornalismo da Record tratar o MST como um bando de criminosos, que é como ele é retratado na Globo, por favor me avise. O próprio MST já percebeu que ele é tratado de outra forma por lá.

Não há como se tratar do papel da religião na campanha eleitoral de 2010 sem falar da figura de Marina Silva.

Continue lendo Religião e política no Brasil atual no site da Fórum, e volte se quiser papear.



  Escrito por Idelber às 18:43 | link para este post | Comentários (63)



domingo, 19 de setembro 2010

Links de domingo

Aí vão alguns links para sua navegação dominical. A maioria eu já compartilhei no Twitter ou no Google Reader, mas eles aparecem aqui acompanhados de comentários que não cabem ou não são apropriados naquelas duas ferramentas.

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Aécio sairá do PSDB foi a bomba lançada esta semana por matéria de Maurício Dias para Carta Capital. Imediatamente depois, Aécio deu entrevista negando veracidade à matéria. Maurício Dias contra-atacou, reiterando o afirmado. Para quem conhece o modus operandi de Aécio, que é um pouco diferente do de Serra, tudo ali faz sentido: a matéria em si e o próprio desmentido. Para bom entendedor, meio recado basta, ainda mais tratando-se de velhos conhecidos como são Minas Gerais e São Paulo.

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Por pura coincidência, claro, imediatemente depois a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau decidiu investigar a verba de publicidade governamental da revista, a partir da denúncia de “um cidadão”. O Biscoito Fino e a Massa não conseguiu averiguar se algum “cidadão” solicitou também investigação das verbas federais e estaduais recebidas por veículos como Globo, Veja, Folha e Estadão. Quem sabe alguma solicitação chegue às mãos da Dra. Cureau, já que ela afirma que é só fazer a denúncia que ela investiga. Mino Carta, evidentemente, reagiu.

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Imagine que um ministro do PT utilizasse uma empresa de arapongagem para espionar adversários e até aliados políticos. Agora imagine que, poucos anos depois, esse mesmo petista, na condição de governador de estado, contratasse essa mesma empresa, pela bagatela de R$ 2,5 milhões de reais, para cuidar da “segurança de comunicações” do estado. Não sei, mas algo me diz que se isso ocorresse, estaríamos vivendo em regime de permanente gritaria pré-apocalíptica. No entanto, a nossa imprensa parece não ter descoberto que José Serra fez exatamente isso. Talvez o silêncio sobre o assunto tenha algo a ver com os polpudos negócios do estado de São Paulo com essa mesma imprensa.

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Três boas opções de informação à cada vez mais ilegível mídia escrita brasileira são o (nosso velho conhecido) Terra Magazine, competentemente pilotado pelo Bob Fernandes, o Rede Brasil Atual e o Opera Mundi. Foi na Rede Brasil Atual que descobri uma estatística incrível: os paulistanos passam 30 dias por ano no trânsito. A única coisa que me surpreende no Opera Mundi é que eles, praticando excelente jornalismo, ainda estejam hospedados no UOL. Não tem o menor sentido.

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Homônimo do imortal personagem de Lima Barreto, Policarpo Júnior, da Revista Veja, é conhecido por razões, digamos, um pouco menos nobres que o nacionalismo que animava o herói de Lima. Segundo informações obtidas por um blog mineiro, o Sr. Policarpo parece estar agora às vésperas de entrar em apuros com a polícia. É o Professor Beto Blog do LEN quem conta o caso. (Obrigado pela correção, Lolita!)

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A partir do inacreditável episódio da prisão de um universitário carioca acusado de … fazer fotocópias!, Alexandre Nodari escreveu um belo texto sobre direitos autorais, que gerou também alguns comentários excelentes. A partir de pesquisa do Alexandre com fontes primárias, o texto desenterra um momento chave dessa história, uma Instructio do Papa Clemente VIII. Vale a leitura. Na sequência, Nodari emplacou outro texto fundamental sobre a complexa relação entre liberdade de expressão e censura.

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O keynesiano Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2009, esteve no Brasil e se rendeu aos encantos do lulismo de resultados.

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Por falar no assunto, vale a pena assistir ao vídeo do passeio dado por Lula a alguns jornalistas no gabinete presidencial:

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil manteve em seu portal, durante 72 horas, uma carta hidrófoba do Bispo Luiz Gonzaga Bergonzini que fazia explícita campanha contra Dilma Rousseff e acusava o PT de ser “contra os valores da família”. A carta foi retirada quando o dano já havia sido causado. Agora está lá uma nota genérica e neutra sobre as eleições. No entanto, a carta hidrófoba circula em vários fóruns da internet assinada por Dom Bergonzini, mas apresentada como se fosse a palavra da CNBB (como se vê aqui ou aqui). Digamos que, nos dias de hoje, se eu demorar 72 horas para corrigir algo no blog, é melhor deixar o erro lá. A correção não faz muita diferença se for tão lenta.

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Correntes de emails com insultos ou calúnias dirigidos a Dilma têm circulado também entre evangélicos. Em reação a elas e a outras manifestações anti-Dilma, um grupo de batistas lançou uma bela carta. Apesar do clima criado por setores do evangelismo, na verdade o apoio a Dilma entre a comunidade evangélica é bastante expressivo.

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Hoje, às 16 horas, na mítica esquina da Paulista com Augusta, em São Paulo, ocorre um beijaço em defesa do casamento igualitário. Paulistanos, larguem o computador um pouquinho e vão beijar. Os amigos e amigas gays e lésbicas, na luta pelos seus direitos, agradecem.

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A ciéncia politica tucana anda tão mal das pernas que ao ler um artigo como esse e depois outro como esse, você já não sabe qual é o texto que se quer sério e qual é a paródia. Às vezes fica realmente difícil saber.

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O Celso de Barros publicou outro excelente post, desta vez sobre Marina. Acho que o Celso escolhe o eixo exato para falar do assunto, ou seja, o difícil equilíbrio que se impõe, e que Marina já deve ter percebido: resvalando para a direita, perde votos do lado "de cá" e não ganha tantos assim do lado "de lá". É mais fácil entender esse dilema que encontrar uma alternativa a ele, depois de ter rompido com um projeto de centro-esquerda tão bem sucedido como o lulismo de resultados. Se Marina tivesse rompido pela esquerda, à la PSOL, claro, o problema estaria resolvido, mas aí ela teria que se equilibrar no mui exíguo espaço que restou à esquerda do lulismo. Não é o caso. Sem alternativas, ela tem feito eco, com frequência, ao discurso udenista, cuja manifestação mais óbvia aconteceu na sua fraquíssima participação no debate de domingo passado.

Acredito que o eixo escolhido pelo Celso é perfeito, mas discordo de algumas observações. Nada me leva a acreditar que Gabeira perdeu uma "eleição facílima" ao Senado, como afirma o Celso. É bastante difícil imaginar que o voto dilmista fluminense se transferiria de forma tranquila para Gabeira numa dobradinha com Lindberg. Em pequenos setores da Zona Sul, talvez. Mas entre o grosso do povão, ele perderia por margem bem superior àquela pela qual perdeu em 2008, na eleição para prefeito. Eu seria capaz de apostar minha coleção de camisas de futebol que Gabeira, caso candidato, não se elegeria Senador este ano. Isso se deve ao fato de que Gabeira claramente viaja na contramão do rumo que tomou o país. Noto no texto do Celso, e não só nesse (e, dada minha amizade virtual com ele, sei que tomará a ponderação com humor e numa boa), o que eu chamaria de síndrome-da-nostalgia-do-abraço-da-Lagoa, uma reiterada tentativa de reeditar a lendária aliança vermelho-verde de 1986. Estudando o assunto de longe e sem ser do Rio de Janeiro, me atrevo a dizer que esse é um sonho que representa uma parcela ínfima do povão fluminense que abraçou o lulismo. O mundo girou e Gabeira parece já ter feito suas escolhas.

Bom domingo para todos.



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sábado, 18 de setembro 2010

Atualização dos números e análise de 10 eleições para o Senado

Em primeiro lugar, se você não leu ainda, leia o post inicial sobre as corridas ao Senado, e você entenderá melhor o quadro que apresento aqui. Consciente de que Dilma precisará de apoio parlamentar mais sólido que aquele do qual ele desfrutou, o Presidente Lula tem jogado tudo nas eleições legislativas, impondo, inclusive, algumas concessões amargas ao PT nas corridas para os governos estaduais (Minas Gerais talvez seja a mais amarga dessas pílulas). Os resultados já se fazem notar.

marta_oficial.jpgOs números que chegam são muito bons para nós; na verdade, bem melhores do que eu esperava. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar fez seus cálculos e, segundo eles, o PT deve se transformar no maior partido da Câmara e aumentar significativamente sua bancada de senadores. Desenha-se um quadro em que Dilma terá maioria tranquila para governar, talvez até mesmo a super-maioria de 3/5 necessária para a aprovação de emendas constitucionais. A esquerda aliada (PSB, PcdoB, PDT) deve crescer também. Tucanos e pefelês já sabem que vão encolher. A dúvida é o tamanho do encolhimento.

Tentei usar os números mais recentes possíveis. Aqui vão eles, com o nome do instituto sempre indicado.

São Paulo, DataFalha: Marta Suplicy (PT) 35%, Netinho de Paula (PcdoB) 34%, Romeu Tuma (PTB) 22%, Aloysio Nunes (PSDB) 22%, Ciro Moura (PTC) 11%, Moacyr Franco 7%. Confesso aqui duas coisas: em primeiro lugar, não imaginava a possibilidade de que a esquerda abiscoitasse as duas vagas no ninho do tucanato por excelência . Mas é exatamente este o quadro que se desenha. Claro que nada está definido e Renato Rovai, outro dia, alertou que a própria Marta não está garantida. Aloysio pode crescer, impulsionado pela liderança de Alckmin na corrida para o Palácio dos Bandeirantes. O mais provável, no entanto, é que a esquerda fique com as duas vagas. É um quadro histórico: os dois senadores eleitos por São Paulo seriam um negro comunista (o primeiro negro senador por São Paulo) e uma feminista que foi a primeira mulher a dissertar sobre o orgasmo na TV brasileira. A segunda confissão é que eu tinha tremenda resistência à candidatura do Netinho mas, recentemente, em conversa com Cynara Menezes, mudei de opinião. É evidente que o endosso enfático do blog vai para as duas candidaturas de esquerda.

Rio de Janeiro, Ibope: Lindberg Farias (PT) 36% Marcelo Crivella (PRB) 33% César Maia (DEM) 23% Jorge Picciani (PMDB) 20%. No DataFalha os números são outros: Crivella 40%, Lindberg 36%, César Maia 29%, Picciani 21%. Há alguns meses, parecia inconcebível que César Maia não conquistasse uma das duas vagas em disputa. Mas a onda vermelha levantou o garoto petista oriundo da UNE e ex-prefeito de Nova Iguaçu, e hoje ele é o grande favorito. A segunda vaga pode pender para qualquer um dos três que continuam no páreo. As alternativas para o eleitor de esquerda aqui são: dar seu voto ao (eleitoralmente) nanico Milton Temer, do PSOL, que certamente não será eleito, ou tapar o nariz e votar no Bispo Crivella, o que ajudaria a enterrar um cacique pefelê e daria à base de sustentação de Dilma mais um senador. Como ando pouquíssimo afeito a purismos, desejo um Congresso o mais tranquilo possível para Dilma e sei que esta é a grande chance de desferir o golpe decisivo nos pefelês, eu não teria dúvidas se morasse no Rio: iria de Lindberg e Crivella. vanessa.jpg

Minas Gerais, DataFalha: Aécio Neves (PSDB) 71%, Itamar Franco (PPS) 42% 40%, Fernando Pimentel (PT) 32%. Aqui sim, a oposição a Dilma tem um senador garantido, Aécio Neves. Ele certamente será a voz mais forte da oposição no Senado. Há um mês, a diferença entre Itamar e Pimentel era de 18 pontos: 47 x 29. Caiu para 10 8. Dilma terá grande vitória em Minas Gerais e é bem possível que ela leve Pimentel na cola. O mais importante para o eleitor de esquerda aqui é não acompanhar seu voto em Pimentel com um voto em Itamar (acredite, há eleitores progressistas em Minas pensando nisso, com base na vaga memória do nacionalismo de Itamar). Um voto em Itamar e Pimentel é, basicamente, um voto anulado, posto que Aécio está eleito. Além de Pimentel, o blog endossa Zito Vieira, do PcdoB, que não será eleito, mas poderá se cacifar para voos mais altos caso tenha uma votação minimamente expressiva. Há dois meses parecia impossível, mas hoje está claro que Pimentel tem chances de chegar. O comício de Lula, Dilma e Pimentel ontem em Juiz de Fora foi estratégico: trata-se da principal base de Itamar Franco. O dilmismo pode, então, sair do Triângulo das Bermudas com cinco das seis vagas em disputa para o Senado. O blog aposta que terá pelo menos quatro.

Rio Grande do Sul, DataFalha: Inacreditavelmente, Ana Amélia Lemos (PP) 47%, Germano Rigotto (PMDB) 41%, Paulo Paim (PT) 41%. Aqui não há muito o que analisar. A esquerda está numa briga de foice para ter uma cadeira no Senado. Tarso lidera a corrida ao Piratini e tem boas chances de liquidar a fatura no primeiro turno. O blog aposta que com o impulso dado por Tarso e com a força da militância petista gaúcha, Paim segura sua cadeira. É importante, claro, fazer campanha para que o eleitor de Paim não dê o seu segundo voto a Ana Amélia ou Rigotto. A candidata do PC do B, Abigail Pereira, tem 8% das intenções de voto no DataFalha. Luiz Carlos Lucas, do PSOL, tem 2%.

Bahia, DataFalha: César Borges (PR) 29% Lídice da Mata (PSB) 28% Walter Pinheiro (PT) 27%. Até há bem pouco tempo, César Borges, herdeiro do carlismo e único candidato da direita com chances, liderava tranquilo. Agora, embolou tudo e ele corre risco de ficar fora. O governador petista Jaques Wagner deve se reeleger no primeiro turno, o que aumenta as chances dos dois candidatos de esquerda. De toda a longa história de discrepâncias entre o voto de esquerda nas últimas pesquisas antes da eleição e o total de votos efetivamente encontrado nas urnas, a Bahia é o caso mais clássico: em 2006, as pesquisas indicavam vitória de Paulo Souto no primeiro turno. Foi Wagner quem acabou levando de primeira. A esquerda pode sair da Boa Terra com as duas vagas ao Senado. É a aposta do blog.

Pernambuco, DataFalha: Também ali o lulismo quer mostrar com quantos votos se elegem dois senadores. A vitória implicaria o enterro de um lendário cacique pefelê, ex-vice-presidente da República, inclusive. Os números do DataFalha são: Humberto Costa (PT) 47%, Marco Maciel (DEM) 34%, Armando Monteiro (PTB) 32%. Na corrida ao Palácio do Campo das Princesas, Eduardo Campos (PSB), lulista de quatro costados, está impondo a Jarbas Vasconcelos uma das derrotas mais humilhantes da história de Pernambuco, com diferença que pode chegar a 50 pontos. Tanto Lula como Eduardo Campos estão jogando pesado para alavancar Costa e Monteiro. Seria um amargo fim de linha para Marco Maciel: não conseguir renovar sua cadeira no Senado num ano em que há duas vagas em jogo. No estado de Pernambuco, a popularidade de Lula alcança soviéticos 96%.

gleisi.jpgParaná, DataFalha: Também aqui o objetivo lulista é abiscoitar ambas cadeiras. A aliança pela qual eu desesperadamente clamava no meu Google Reader, ainda na época de hibernação do blog, acabou se formando. A chapa lulista é fortíssima e lidera com certa tranquilidade. Os números são: Gleisi Hoffman (PT) 44%, Roberto Requião (PMDB) 44%, Gustavo Fruet (PSDB) 21%, Ricardo Barros (PP) 18%. O candidato tucano ao Palácio das Araucárias, Beto Richa, tem liderado as pesquisas por margem cada vez menor. Pouco a pouco, vai se configurando a virada de Osmar Dias (PDT), candidato único do bloco lulista. Nem com o apoio de Richa o candidato tucano ao Senado, Fruet, conseguiu decolar. Fruet foi um dos parlamentares de mais visibilidade em toda a bancada tucana ao longo destes últimos anos. Era o líder nacional do bloco de oposição na Câmara quando anunciou sua candidatura ao Senado. Mesmo assim, patina há meses no patamar dos 20%. O lulismo deve levar as duas cadeiras.

Amazonas, Ibope: Sem dúvida é a eleição que o Biscoito acompanha com mais atenção e entusiasmo. Eduardo Braga (PMDB) está eleito para a primeira vaga. Tem, no momento, 80% das intenções de voto. Brigam pela segunda cadeira Arthur Virgílio, ou “Artur Neto” (PSDB), e Vanessa Grazziotin (PCdoB). Artur Neto liderou a briga por essa vaga até recentemente, mas a coisa virou na última pesquisa. O Ibope dá 39% para Vanessa e 34% para o valentão que queria dar uma surra em Lula. O Amazonas talvez seja o estado brasileiro onde os tucanos são mais detestados. Na eleição para presidente, a vitória de Dilma será esmagadora e Serra corre sério risco de ficar atrás de Marina. A campanha de Vanessa vem crescendo—ela foi recebida recentemente por multidão inédita em Manicoré, município que fica a mais de 300 km de Manaus—e os números do Ibope são anteriores à gravação do depoimento de Lula em apoio a Vanessa. O Biscoito promete festa com rojões, fogos, vídeos, pirotecnia e distribuição de brindes caso a valente militante comunista consiga derrubar o senador mais babaca da república.

Piauí, Ibope: o PT já garantiu uma das vagas. Wellington Dias tem 67% das intenções de voto e não deve ter problemas para se eleger. Também aqui a torcida do blog é forte, na corrente pra trás contra Heráclito Fortes (DEM), figura das mais repugnantes da nossa política. Os números do Ibope na disputa pela segunda vaga são: Mão Santa (PSC) 31,8%, Heráclito Fortes (DEM) 21,7%, Ciro Nogueira (PP) 15,4%, Antônio José Medeiros (PT) 8,8%. Mão Santa não é exatamente um modelo de compromisso com a res publica, mas mesmo que a segunda vaga fique com esse folclórico piauiense, haverá motivos para comemoração. Heráclito terá sido enviado à lata de lixo da história, relegado a uma provavelmente fracassada campanha à prefeitura de Teresina em 2012.

Acre, Ibope: A primeira vaga parece garantida para o PT. O ex-governador do Acre e ex-prefeito de Rio Branco, Jorge Viana, tem 63%. Seu irmão, Tião Viana, deve se eleger governador no primeiro turno. A briga pela segunda vaga mostra: Sérgio Petecão (PMN) 38%, Edvaldo Magalhães (PCdoB) 31%, João Correia (PMDB) 11%. O favorito Jorge Viana tem feito o possível para alavancar Edvaldo junto com ele, e a trajetória do comunista é ascendente. Trata-se de mais um estado em que a esquerda lulista pode levar ambas vagas.

Por hoje é isso, mas prometo voltar com números e análises dos outros estados.

PS: As fotos são, claro, de Marta, Vanessa e Gleisi, tiradas dos próprios sites oficiais linkados.

Atualização: o André Egg e o Daniel Lopes estão lá batendo cabeças e corações com os números do Piauí. É muita gente secando Heráclito.



  Escrito por Idelber às 08:33 | link para este post | Comentários (115)



sexta-feira, 17 de setembro 2010

Velocidade, serenidade e política

Um dos pensadores que mais me impactaram durante a preparação do meu livrinho sobre a violência foi o urbanista francês Paul Virilio. Signatário daquelas que talvez sejam as reflexões mais originais sobre a guerra no nosso tempo, Virilio faz da velocidade a categoria central de seu pensamento. A sociedade contemporânea seria, para Virilio, essencialmente dromológica, ou seja, caracterizada pela primazia da velocidade. Daí ele extrai consequências bem interessantes para pensar a guerra, que não vêm ao caso para este post, que é sobre velocidade, paranoia e política.

Ontem, confesso, me bateu certo cansaço no Twitter. Pela primeira vez desde que me engajei na campanha, me permiti uma botecagem com meus alunos de pós-graduação, o que foi decisão muito sábia. Minha irritação não vinha de mais uma rodada de bandidagens da mídia brasileira, posto que esta já não tem o poder de afetar meu humor. Minha falta de paciência era com alguns dos próprios camaradas de esquerda. A partir da queda de Erenice Guerra—que, como qualquer queda de ministro, não advém da culpabilidade ou da inocência, mas de um cálculo político, correto ou não, da relação custo / benefício—e da notícia de uma palestra de Reinaldo Azevedo e não sei mais quem no Círculo Militar, os camaradas despirocavam no Twitter como se os tanques de Olímpio Mourão Filho, Odílio Denys e Castello Branco já estivessem às portas de Brasília.

Já adianto que não aceito que se tome este texto como um chamado à passividade ou ao imobilismo. Há alguns dias, eu alertava contra o clima de já ganhou e insistia na importância de se continuar trabalhando. Mantenho tudo o que disse lá. Que a imprensa brasileira é golpista até a medula não resta dúvida. Mas manter isso é bem diferente de pensar, agir, falar e escrever como se estivéssemos à beira de um golpe de estado para impedir a eleição de Dilma Rousseff. Desculpem-me, não estamos, e despirocar como se estivéssemos não presta nenhum serviço à campanha de Dilma. Na humilde opinião deste atleticano blog, você contribui muito mais se der aquela checada com o vizinho para conferir se ele sabe mesmo onde está o título de eleitor.

Atentos, pero sin enloquecer jamás.

Parte da piração advém da polaridade normal da eleição, da incrível saraivada de baixarias em que se transformou a campanha de Serra e do histórico de bandidagem da mídia brasileira. Mas há outra parte que é produto, creio, da velocidade das ferramentas com as quais trabalhamos hoje. Já sou veterano de cinco campanhas eleitorais na internet (2004, 2006, 2010 e duas em 2008, a brasileira e a gringa). Não há comparação entre a velocidade com que trabalhávamos nos blogs em 2006, quando inexplicáveis fantasmas instalavam grampos jamais encontrados no escritório de Gilmar Mendes (e a mídia brasileira, com sua tremenda desonestidade, não falava de outra coisa), e o que fazemos hoje no Twitter. Para dar um exemplo: as caixas de comentários do Biscoito sempre estiveram abertas para o link off-topic, com o qual o leitor me trazia alguma notícia, em geral saída do forno. Hoje, não há a menor necessidade disso, porque é improvável que você me traga uma notícia nova (relevante) que eu ainda não tenha visto no Twitter.

A coisa ali é de uma velocidade estonteante. Facilita a circulação de informações, mas nem sempre estimula o raciocínio mais sofisticado e crítico.

Discordo dos camaradas que dizem que o governo contemporizou demais com os conglomerados máfio-midiáticos. O governo agiu corretamente com eles: 1) Garantiu a liberdade de imprensa: Globo, Veja, Folha e Estadão jamais foram censurados, apesar das insistentes referências a Hitler e Mussolini na imprensa brasileira; 2) Iniciou a comunicação direta com a população, através de órgãos como o Blog do Planalto e o Blog da Petrobras; 3) Democratizou a circulação das verbas de publicidade, o que realmente enfureceu os caras; 4) Realizou a Confecom, que envolveu a sociedade civil e estabeleceu as bases para um outro modelo de comunicação.

Fazer mais que isso não é papel de governo. Combater a mídia não é tarefa do governo. É tarefa nossa. Nesse combate, superestimar o poder do adversário pode ser tão daninho como subestimá-lo. Falar como se Globo e Veja estivessem em condições de dar um golpe de estado hoje só serve para produzir confusão do lado de cá e aumentar a moral do lado de lá. Pedir que Lula vá à TV atacar uma insignificância como Mario Sabino é entregar a bola ao time deles. A bola está com a gente, lembram?

O que há que se fazer agora é fortalecer a campanha para fechar essa parada no primeiro turno. Depois da eleição, podemos pensar em uma grande ofensiva sobre esses veículos, com campanhas de cancelamento de assinaturas e, muito especialmente, intensa pressão sobre os anunciantes, atividade que não tem muita tradição no Brasil e que produz efeitos devastadores quando bem aplicada aqui nos EUA. Eu sinto que nós já temos força para isso. Tem que ser bem feito, mas temos.

Por enquanto, a tarefa é ganhar a eleição no dia 03 de outubro. Claro que essa tarefa inclui o combate a distorções da mídia. Mas ela também inclui—e às vezes nos esquecemos disso—apresentar nossa candidata a esses 10% de indecisos que ainda estão por aí. A candidata é fera, sabe das coisas, nós governamos bem e temos o que mostrar. Vamos embora pra luta com um pouquinho mais de leveza e alegria.



PS: Ainda sobre o tema do post: o site do Nassif de vez em quando cai mesmo. Às vezes um charuto é só um charuto, dizia o sábio Segismundo.

PS 2: Nem vou dizer isso no Twitter para não gerar polêmica mas, caríssimos candidatos de esquerda: na humilde opinião deste blogueiro, um "tuitaço" é coisa que só serve para espantar seguidores.

PS 3: Completaram-se, mês passado, 70 anos da morte de León Trotsky.

PS 4: Lula e Dilma foram destaque no Clarín, que mandou repórter para cobrir as eleições brasileiras. O cabra está em Recife, atônito com o fato de que exista governante em fim de mandato com aprovação de 96%, que é o índice de Lula em Pernambuco.



  Escrito por Idelber às 07:03 | link para este post | Comentários (112)



quinta-feira, 16 de setembro 2010

Blog endossa Alessandro Molon (PT) para Deputado Federal no Rio de Janeiro

Aí vai mais um vídeo de endosso, desta vez a Alessandro Molon (1313), candidato a Deputado Federal pelo PT do Rio de Janeiro.


Como sempre, a caixa de comentários está aberta para que você endosse candidatos e apresente suas razões (sem spam). Convido também os fluminenses a que conversem sobre os dilemas que vivem os eleitores de esquerda do Rio nestas eleições para o Senado.



  Escrito por Idelber às 06:37 | link para este post | Comentários (126)



quarta-feira, 15 de setembro 2010

Uma saudação e uma correção à Ombudsman da Folha

Independente de sua posição política, leitor, é louvável e digna de aplausos a coluna de domingo da Ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer. A coluna foi dedicada inteiramente ao acontecimento que tomou o Twitter brasileiro de assalto no dia 05 de setembro. Autista ao extremo, a Folha sequer noticiou o fato que chegou ao topo dos Trending Topics mundiais e foi discutido até mesmo em salas de redação dos EUA. Em vez disso, a versão online do jornal preferiu apresentar uma tosca matéria que dizia que os TTs “não significavam nada” e que a chegada dos brasileiros ao Twitter estava “incomodando os gringos”.

Em todo caso, a Ombudsman merece nossos parabéns por ter tratado o tema sem luvas de pelica. Para os que dizem que “tanto petistas como tucanos” reclamam da Folha, basta agora oferecer o link à coluna da própria Ombudsman, que afirmou com todas as letras que José Serra só aparece na Folha para fazer “denúncias”. Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo. A coluna de domingo já foi reproduzida por meia internet, mas copio o texto aqui na íntegra, pois quero acompanhar meus parabéns com duas correções importantes. Primeiro, o texto de Suzana:

O ATAQUE DOS PÁSSAROS

A manchete de domingo desencadeou uma onda anti-Folha no Twitter, que o jornal ignorou

A FOLHA VEM se dedicando a revirar vida e obra de Dilma Rousseff. Foi à Bulgária conversar com parentes que nem a candidata conhece, levantou a fase brizolista da ex-ministra, suas convicções teóricas e até uma loja do tipo R$ 1,99 que ela teve com uma parente no Sul. Tudo isso faz sentido, já que Dilma pode se tornar presidente do Brasil já no primeiro escrutínio que disputa.

Mas, no domingo passado, o jornal avançou o sinal ao colocar na manchete “Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma”. O problema nem era a reportagem, que questionava a falta de iniciativa do Ministério de Minas e Energia para mudar uma lei que acabava por beneficiar com isenção na conta de luz quem não precisava.

Colocar uma lupa nas gestões da candidata do governo é uma excelente iniciativa, mas dar tamanho destaque a um assunto como este não se justifica jornalisticamente.

Foi iniciativa de Dilma criar a tal Tarifa Social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso. É fácil mexer com um benefício social? Não, o argumento de que faltava um cadastro de pobres que permitisse identificar apenas os que mereciam a benesse faz muito sentido. Existe alguma suspeita de desvio de verbas? Nada indica.

O lide da reportagem dava um peso indevido ao que se tinha apurado. Dizia que a propaganda eleitoral apresenta a candidata do PT como uma “eficiente gestora”, mas que “um erro coloca em xeque essa imagem”. Essa tem que ser uma conclusão do leitor, não do jornalista.

Uma manchete forçada como a da conta de luz, somada a todo o noticiário sobre o escândalo da Receita, desequilibrou a cobertura eleitoral. Dilma está bem à frente nas pesquisas de intenção de voto e isso é suficiente para que se dê mais atenção a ela do que a seu concorrente, mas, há dias, José Serra só aparece na Folha para fazer “denúncias”. Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo.

Os leitores perceberam a assimetria. Durante a semana, foram 194 mensagens à ombudsman protestando contra o noticiário, mas o maior ataque ocorreu no Twitter, a rede social simbolizada por um pássaro azul, que reúne pessoas dispostas a dizerem o que pensam em 140 caracteres. Até quinta-feira passada, tinham sido postadas mais de 45 mil mensagens anti-Folha.

CRIATIVIDADE
Os internautas inventaram manchetes absurdas sobre a candidata de Lula: “Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4″, “Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: continue a escrever, rapaz, você tem talento!”, “Serra lamenta: a Dilma me indicou o Xampu Esperança” e “Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha“.

O movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares (“trending topics”) do Twitter em todo o mundo, impulsionado, em parte, pela militância política -segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede. Até o candidato a governador Aloizio Mercadante elogiou quem engrossou o coro contra o jornal.

Mas é um erro pensar que apenas zumbis petistas incitados por lideranças botaram fogo no Twitter. O partido não chegou a esse nível de competência computacional.

Na manada anti-Folha, havia muito leitor indignado, gente que não queria perder a piada, além de velhos ressentidos com o jornal.

Não dá para desprezar essa reação e a Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O “Cala Boca Galvão” durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral on-line, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um “trending topic”. Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa.

A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo -e não ter medo de crítica- sempre foram características preciosas deste jornal.

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Nada tenho a acrescentar à primeira parte da coluna, que é de notável honestidade para os padrões da Folha. Mas, para que fique correto o registro histórico, a bem da verdade dos fatos, algumas coisas precisam ser corrigidas na segunda parte. Vou devagar, porque há muita coisa misturada ali.

impulsionado, em parte, pela militância política

Isso não é incorreto, considerando-se que, de qualquer internauta que esteja tirando sarro de uma matéria mentirosa sobre Dilma, pode se dizer que ele está na “militância política”. O problema começa em seguida.

segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha,

Os internautas que participaram da brincadeira do dia 05 de setembro são testemunhas de que nenhum dos tuítes originais lançados na rede continham a tag #ondavermelha. A brincadeira começou logo depois do horário de almoço e varou noite adentro. Já bem avançada a madrugada, aconteceu algo que, infelizmente, a Suzana—acredito que por falta de experiência com as redes sociais, e não por má fé—deixou de apurar de forma correta.

11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede.

Aqui há algo factualmente incorreto. Não houve nenhum chamamento da campanha do PT. A cúpula da campanha não chamou ninguém. A coordenação de internet da Dilma sequer participou do #Dilmafactsbyfolha. Suzana poderia ter comprovado isso recorrendo aos arquivos do Twitter. Sei que o Twitter não é a plataforma mais amigável para checar fatos ocorridos há dias. Mas com um pouquinho de paciência para clicar algumas vezes no more que fica na base da página, você descobre o que quiser. O que aconteceu foi outra coisa e eu explico.

Já entrada a madrugada, o perfil @ptnacional, que não tem nada a ver com a direção do PT nem com a coordenação da campanha de Dilma (e isso pode ser comprovado visitando o próprio perfil), passou a republicar os tuítes dos internautas como se fossem criação sua, sem dar RT e sem informar quem eram os autores. Como sabem meus leitores, não sou exatamente um paranoico obcecado com o problema do plágio. Isso está documentado no blog. Quando encontro algum texto meu plagiado ou reproduzido sem crédito, o máximo que faço, se tanto, é publicar o link por aqui e avisar aos leitores. Em geral, isso é suficiente para que a pessoa, envergonhada, apague o plágio.

No entanto, o caso do dia 05 de setembro, eu notei de cara, era grave, porque o perfil @ptnacional tem mais de 6.000 seguidores e com certeza é confundido por muita gente com o perfil oficial do partido. Os plágios sucediam-se às dezenas, e eu só tomei a iniciativa de denunciá-lo (digo isso também para os amigos tuiteiros que me criticaram por “excesso de zelo ou paranoia”, "exagero" ou até por “ego”) porque eu previa que isso podia acontecer: o movimento ser desqualificado como “coisa do PT”, já que esse perfil (que é de um simpatizante do partido) estava agindo de forma irresponsável, plagiando, acrescentando a tag #ondavermelha e, fim da picada, exigindo RT ao seu plágio no momento em que os autores do tuítes reclamavam. Muitos outros tuiteiros denunciaram o fato na hora.

Reitero: isso aconteceu de madrugada, quando a esmagadora maioria dos internautas já havia ido para a cama com dores no estômago, provocadas pelo excesso de gargalhadas. A brincadeira já havia alcançado o topo dos TTs e produzido todo o efeito do qual sabemos. O grave erro da pessoa responsável pelo perfil @ptnacional não aumentou em nada o impacto do movimento e, mais importante, não retirou seu brilhantismo, que foi exclusivo mérito de internautas que atuavam espontânea e anarquicamente, como já relatei aqui.

Evidentemente, o PT não pode ser responsabilizado por algo feito por um perfil manejado por um simpatizante, da mesma forma que o Flamengo não pode ser culpado por um crime cometido por um torcedor rubro-negro, a não ser, claro, que se detecte cumplicidade com o malfeito (“um malfeito”, viu, Noblat, é diferente de “algo mal feito”). Essa cumplicidade, chamamento ou participação não existiu no caso do #DilmafactsbyFolha.

Considerando-se a extrema honestidade e coragem de Suzana Singer no tratamento deste episódio, seria elegante de sua parte publicar uma errata, já que o exposto aqui não é questão de opinião, mas da ordem do erro factual puro e simples.



  Escrito por Idelber às 17:01 | link para este post | Comentários (38)



terça-feira, 14 de setembro 2010

Para conversar: Números das presidenciais nos estados

Mais tarde haverá um post com texto mas, por enquanto, gostaria de deixar com vocês o mapa atualizado dos números da eleição presidencial em cada estado brasileiro, já que tanto Ibope como Datafolha acabam de publicar novas pesquisas. Este belíssimo mapa é fruto do trabalho do Alexandre Porto, que tem dado um show com os números nesta eleição, tanto em seu blog como no Twitter. Para saber como vão Dilma, Serra e Marina em cada estado, é só clicar no território correspondente. Haverá várias colunas, com os números de cada instituto:



Parabéns e obrigado ao Alê por nos proporcionar esta ferramenta. Como veem, o Brasil inteiro já é vermelho, com a exceção do Acre. Se você quiser saber como vão os números do Ibope para as corridas ao Senado, é só procurar aqui.



  Escrito por Idelber às 13:51 | link para este post | Comentários (55)



domingo, 12 de setembro 2010

A Veja nossa de cada dia

Uma das grandes chatices da reta final do processo eleitoral brasileiro é esperar o escândalo semanal com o qual a Veja tenta derrubar o candidato do PT. Tudo indica que esse processo, que vem se repetindo com tediosa previsibilidade, está prestes a chegar ao fim de sua vida útil. Não por “censura” ou qualquer outra coisa do tipo, mas por pura ineficiência mesmo. Lá pelas priscas eras de 2006, funcionava mais ou menos assim: a Veja lançava o lamaçal de acusações. O Jornal Nacional repercutia, martelando o assunto durante dois ou três dias. Crise generalizada. Os petistas começavam a juntar papeis e lançar notas para desmentir as acusações, coisa nem sempre fácil de ser feita, posto que provar a não-existência de algo para alguém que sequer chegou perto de oferecer indícios de sua existência é um exercício que se aproxima muito mais da metafísica do que da política. Depois do escândalo na Veja e no JN, a Folha, o Globo e o Estadão passavam a “investigar” o balão de ensaios, e toda a política brasileira ficava refém da ladainha durante algumas semanas. O jogo se esgotava, só para ser reiniciado com outra “denúncia”, que repetia de novo o mesmo ciclo. É o que foi tentado este ano, com a modorrenta história da quebra do sigilo de Verônica Serra. Apesar de não ouvirmos falar de outra coisa durante semanas, a ópera bufa não alterou em nada as intenções de voto em Dilma. Agora, é Serra quem não quer que se investigue o caso.

Por outro lado, quando alguém faz jornalismo real mostrando quem realizou e como realizou a violação da privacidade de sessenta milhões de brasileiros, esses mesmos veículos de comunicação se calam, não dando sequer uma linha sobre o assunto.

Nas eleições de 2006—e os arquivos do Biscoito estão aí, para quem quiser ver--, a oposição apostou todas as suas fichas nesse jogo. Em coordenação com Gilmar Mendes e a mídia, ela passou semanas martelando a tese de um grampo que jamais ninguém ouviu e de cuja existência a investigação da Polícia Federal não encontrou nenhum indício. Mesmo assim, preciosas laudas que poderiam ter sido dedicadas a discutir política externa, saúde ou educação foram perdidas repercutindo a suspeita indignação de Gilmar Mendes acerca de um grampo que tinha tanta materialidade como a Libertadores vencida pelo Corinthians.

Se a oposição quer mesmo entender por que vai levar uma surra nas urnas, deveria começar por aqui: o joguinho morreu. Acabou. Ele não funcionou. Em primeiro lugar, porque as pessoas não são burras, e não vão votar contra o governo que multiplicou o seu poder aquisitivo e melhorou significativamente sua autoestima só porque uma revista lança um monte de acusações desconexas, sem qualquer relação com jornalismo de verdade. Em segundo lugar, porque resta no Brasil um único conglomerado máfio-midiático de poder manipulatório real, e redes de televisão como a TV Globo não rasgam dinheiro. Ontem, um episódio bem interessante ilustrou a diferença entre a situação atual e a de 2006.

A Veja lançou uma bateria de acusações à sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil, Erenice Guerra. As acusações eram gravíssimas, e vinham desacompanhadas, como costuma ser o caso, de fundamentação jornalística. Erenice imediatamente soltou nota contundente de protesto, colocando seus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição das autoridades. Não demorou para que o próprio empresário citado na matéria como o acusador (atenção: o suposto acusador, não o acusado) emitisse comunicado desmentindo a revista e dizendo que não era nada daquilo. Pipocavam na internet notícias sobre matérias falsas feitas pelo mesmo jornalista (valeu, Cloaca) e às 19 horas, segundo fontes deste atleticano blog, a corja do Jornal Nacional discutia se repercutia ou não a matéria da Veja.

Não repercutiram. O fato, me parece, é bastante significativo. Todos se lembram de como foram conduzidas as entrevistas com os candidatos à Presidência da República. O Jornal Nacional não é exatamente um espaço simpático a Dilma Rousseff. Mas o lixo lançado pela Veja era tão pouco fundamentado que nem mesmo na escolinha Ali Kamel ele emplacou nota suficiente para passar.

Antes da revista chegar às bancas, ela já está desmoralizada.

É uma nova etapa, mais decadente, da fábrica de factoides. Este post, mais que chegar a essa óbvia constatação, serve simplesmente como prólogo para recomendar a leitura de um texto que eu considero uma das melhores coisas já escritas na internet brasileira. O Celso de Barros pegou o lixo da Veja e mostrou como se fazem diamantes com esterco. Antes de comentar aqui, portanto, vá lá no Celso ler esta pérola e tenha convulsões de gargalhadas eruditas.

Depois volte aqui e a gente conversa.


PS: Dei uma atualizada boa no FormSpring. Ainda falta muito, mas respondi várias perguntas de ontem para hoje.



  Escrito por Idelber às 08:54 | link para este post | Comentários (78)



quinta-feira, 09 de setembro 2010

Aos leitores que querem mais Derrida e Jackson do Pandeiro, e menos Dilma

Era óbvio que a segunda encarnação do blog não agradaria a todos. Eu sabia disso. Aqui vai uma satisfação aos decepcionados.

Como incontáveis outros, este blog tem suas próprias características, particulares, que o diferenciam da rede com a qual ele se relaciona. Desde o primeiro dia identificado como um blog de esquerda, ele não é produzido por um político de carreira nem por um jornalista, perfis majoritários entre os blogs de esquerda de algum impacto. Escrito por um professor de literatura cuja abordagem ao texto literário sempre se pautou por uma forte relação com a filosofia, este blog faz dessas duas disciplinas, acompanhadas do futebol e da música, o cardápio principal quando o tema não é política. Convenhamos, isso gera um leitorado bem heterogêneo. Em épocas não-eleitorais, já é difícil equilibrar a coisa.

A inacreditável história de desgraças do Atlético Mineiro faz com que as pautas esportivas terminem, ocasionalmente, resvalando para o basquete universitário e o futebol americano, dois esportes que acompanho aqui nos EUA. Mas isso é outra história. Tergiverso.

Quando voltei, avisei que o grosso da brincadeira, até o dia 03 de outubro, seria a política. Prometi um post por semana sobre outros assuntos e tenho cumprido a promessa. Entendo que as críticas não são ao predomínio da política em si, mas ao fato de que os antigos posts de análise mais reflexiva deram lugar a textos mais militantes, escritos na trincheira da campanha de Dilma e dedicados, em grande parte, a combater a assombrosa coleção de mentiradas da mídia brasileira. A própria presença desse tipo de vocabulário ('mentirada', 'safadeza', 'conglomerados máfio-midiáticos') provoca um certo rechaço em alguns leitores. Esses são, em geral, os leitores que querem posts sobre outros assuntos ou discussões políticas mais reflexivas.

Eu aceito as críticas e acredito que elas procedem. A reclamação alude a um fato real. Mas não vou mudar. O caso, até 03 de outubro, não tem solução. Este post explica por quê.

A propósito da reclamação mais comum e tradicional, acerca da 'parcialidade' do blog, eu já não tenho muito mais o que dizer. Faça uma busca nos arquivos com os substantivos (im)parcialidade, isenção, neutralidade e com seus respectivos adjetivos, e você encontrará incontáveis versões da minha resposta a essa objeção. Há material até para fazer um artigo acadêmico sobre o tema.

Sempre dou boas risadas com os jornalistas que repetem a cantilena de que a militância faz as coisas se tornarem “simplistas” e aí tascam a mais simplória análise do suposto simplismo alheio. Manter-se equidistante de duas forças políticas em combate não implica isenção. Às vezes é falseamento da realidade, mesmo. Dizer, por exemplo, que petistas e tucanos podem discutir quem contribuiu mais à mudança no perfil de renda do brasileiro não é fazer análise “isenta”. É pura e simplesmente falsear a realidade. É só consultar os números do IBGE.

Sobre a outra objeção, de que a intensidade militante do blog obnubila (esta palavra vai para os que reclamam do termo “mentirada”) certas sutilezas da política, eu só posso dizer que ela procede--não sempre, acredito eu. O post sobre o PSDB, por exemplo, não me parece um ataque militante. Gerou comentários muito ricos. Mas procede, é verdade, na maioria dos casos recentes.

A razão é muito simples. Se eu escrevesse só para o João Villaverde, a Lola, o Alexandre Nodari e o Celso de Barros, todos os posts sobre política seriam reflexivos, analíticos e atentos às ambiguidades da própria esquerda. Mas, feliz ou infelizmente, não é esse o caso. Nos últimos dias, recebi dois comentários que, justapostos, explicam a situação. Um leitor, na caixa, muito educadamente e com fina argumentação, dizia que a transmissão dos comícios de Dilma demonstrava que o blog havia se transformado em “mera legenda”. Outro leitor, por email, e escrevendo dos cafundós do Brasil, me agradecia pela transmissão do comício de Betim, pois Lula ali explicou que este ano são necessários dois documentos para votar (título e mais um documento com foto). Ele não sabia disso.

Como dizemos por aqui, I rest my case.

Os posts sobre política no Biscoito continuarão a tradição de análise crítica da própria esquerda. Mas não agora. Neste momento, a minha prioridade número zero é fazer tudo o que esteja a meu alcance para ajudar Dilma Rousseff a ter a vitória mais acachapante possível no dia 03 de outubro. Todo o demais é secundário. Como eu acabei estabelecendo vínculos um pouco mais orgânicos com a campanha do que eu imaginava ao princípio, essa tendência se exacerba. Se, a qualquer momento, você achar que essa prioridade distorceu alguma percepção minha da realidade, você sabe que o contraditório aqui é bem-vindo. Mas mate a cobra e mostre a cobra morta, ou seja, argumente caso a caso, demonstrando por quê. Não prometo resposta, já que o cotidiano de uma campanha é coisa de cuja intensidade pouquíssima gente tem noção. Perguntem ao Paraíba. O seu direito de dizer ah, você só fez esse post porque é petista não será tolhido, mas não espere que eu sequer leia esse tipo de comentário.

Desculpe a franqueza, mas é melhor que a gente se entenda desde já.



PS: Um segurança pessoal contratado por Yeda Crusius, de dentro do Palácio Piratini, espionava meus amigos Marco Aurélio Weissheimer e Katarina Peixoto (incluindo-se aí seus telefones), além de bisbilhotar Tarso Genro e várias outras personalidades políticas e jornalísticas do Rio Grande do Sul. Atenção: não se trata de que “um filiado” do PSDB ou alguém que foi vizinho (hahahah, vizinho!) de um tucano possa ter cometido ato de espionagem. É um fato comprovado, de autoria de um assessor direto da governadora, locado no interior do Palácio de Governo. Até mesmo as crianças que são filhas da deputada petista Stela Farias foram espionadas. Alguém imagina o que estaria acontecendo na mídia se um governo petista tivesse feito isso?

PS 2: Andrea Neves visitou o jornal Hoje em Dia, que estava começando a fazer matérias políticas de conteúdo um pouco mais investigativo. Logo depois, foi decepada a cabeça de Orion Teixeira, editor de política, que coincidentemente acabara de reproduzir este texto em seu blog. A prática é antiga no aecismo e está documentada neste vídeo (dois links). De novo: alguém meça por favor o inferno que estaríamos vivendo se tivesse sido o PT?



  Escrito por Idelber às 11:43 | link para este post | Comentários (158)



segunda-feira, 06 de setembro 2010

#DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal

Este post também está publicado no site da Revista Fórum.


Muita gente costuma dizer que o século XVIII terminou em 1789, que o século XIX terminou em 1914 e que o século XX terminou em 1991 (ou em 11/09/2001, segundo como se veja a coisa). Claro que não são afirmações a serem tomadas literalmente. São alegorias do movimento real da história.

É neste sentido, alegórico, não literal, que poderíamos dizer que no dia 05 de setembro de 2010, o jornal Folha de São Paulo morreu no Twitter. Continuará existindo, claro, enquanto suas fontes de financiamento permitirem e enquanto existirem jornalistas dispostos, ou obrigados por necessidade, a se submeter àquilo. Mas ele morreu como veículo de comunicação ao qual se possa atribuir um mínimo farrapo de credibilidade.

O mote foi a assombrosamente mentirosa manchete de ontem, que não guardava qualquer relação com a verdade, ou sequer com a própria matéria: Consumidor pagou R$ 1 bi por falha de Dilma. Quem sabe ABC sobre política, concluiu na hora: a manchete não tinha nada a ver com informação. Era algo para Serra usar em seu programa. Como o jornal morreu, não tem sentido refutá-lo com fatos. Dilma já o fez com elegância:


No meio da tarde de ontem, o Flávio Gomes, especialista em automobilismo, lançou esta, a partir de uma tuitada do @eduu27: Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. "Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998" via @eduu27. Logo a Cynara Menezes, este atleticano blogueiro e outros tuiteiros começamos a elaborar possíveis manchetes para que a Folha servisse de bandeja ao programa eleitoral do Serra. Sucediam-se hilárias tuitadas como:


@flaviogomes69: Dilma a padre no Sul: "Enche os balõezinhos que dá". #DilmaFactsByFolha

@Lau_Roces A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma. #DilmaFactsbyFolha

@alexcastrolll Antes de Dilma mergulhar no Mar Morto, ele não estava nem doente! #DilmaFactsByFolha

@ocachete Folha Informa: Dilma cortou a cabeça do último Highlander #DilmaFactsByFolha

@tuliovianna Dilma embebedou o Jeremias #DilmaFactsByFolha

@ludelfuego Dilma Roussef atirou o pau no gato #DilmaFactsbyFolha

@botecoterapia O fuzil chama-se AK-47 por imposição da Dilma que vetou o AK-45. #DilmaFactsByFolha

@estadodecirco Dilma para John: "Querido, deixa eu te apresentar uma amiga, esta é a Yoko..." #DilmaFactsByFolha

@drrosinha: 'Padre irlandês que agarrou maratonista brasileiro em Atenas era filiado ao PT' #DilmaFactsByFolha

@camilalpav Folha revela: Dilma seria dona do circo que separou Dumbo da mãe. #DilmaFactsByFolha

@rayssagon Dilma vendia Marlboro para bebê fumante. #DilmaFactsByFolha

@lelo13: Descoberta a identidade dá louca que gritava "Pedro, me dá meu chip": Era Dilma Rousseff #DilmaFactsByFolha

@la_simas Sociológo Demetrio Magnoli afirma que Dilma era o contato da VPR com os Panteras Negras #DilmaFactsbyFolha

@andersonscampos Repórteres da Folha apuraram junto a moradores do condomínio de Dilma que ela peida no elevador #DilmaFactsByFolha

@eduardohomem41 O Ministério da Saúde adverte: camisinhas da marca Dilma arrebentam! #dilmafactsbyfolha

@zedutra13: Exclusivo: Dilma é quem escreve as colunas do Merval. #DilmaFactsByFolha

@Katoui Folha Informática: O Twitter é Totalitário? Uma análise surpreendente dos analistas a favor do Brasil.

@jeffrodri Dilma escreveu o rascunho do AI-5. Costa e Silva deu uma amenizada. #DilmaFactsByFolha


Algumas das minhas próprias contribuições foram :

@iavelar Confirmado que Dilma é a autora das receitas médicas de Vanusa.

@iavelar Dilma disse a Bush: "em seis meses você resolve esse negócio no Iraque".

@iavelar Dilma disse ao Ronaldo: "aquela ali é mulher mesmo".

@iavelar Em Jerusalém, 1948, Dilma disse à ONU: "É só repartir isso aqui que dá tudo certo.

@iavelar Dilma disse ao Covas em 89: "chega lá em PoA e diz que torce pro Grêmio e pro Inter, os gaúchos adoram isso"

@iavelar Escavação da Folha revela: Dilma comprou vibrador com dinheiro do mensalão, seduziu Capitu e corneou Bentinho.

@iavelar Confirmado: Dilma Rousseff é culpada pela maior humilhação que a internet já impôs a um jornal

@iavelar Dilma quebrou o sigilo do catálogo telefônico. Dados podem estar em comitê petista.

Para quem não conhece o Twitter: o caractere #, quando anteposto a qualquer palavra, a transforma numa “hashtag”, ou seja, num link que te permite encontrar todas as outras mensagens com o mesmo assunto, desde que o internauta se lembre de incluir o # colado à palavra. Programas como o Tweetdeck te permitem ler ao mesmo tempo, em três colunas, as atualizações daqueles a quem tu segues, as menções a ti mesmo por qualquer pessoa e todas as tuitadas que incluem uma determinada hashtag. Eu recomendo.

Em um par de horas, as tuitadas se sucediam numa velocidade frenética, que leitor nenhum conseguia ler na totalidade, com alusões a tudo, desde o Gênesis (Dilma criou intrigas entre Abel e Caim, por exemplo) até a Copa de 50 (Dilma levantou a saia e atrapalhou o goleiro Barbosa). Sem nenhuma coordenação, de forma espontânea e anárquica, sem qualquer orientação da campanha de Dilma ou participação de sua coordenação de internet, o #DilmafactsbyFolha ia subindo nos Trending Topics (a ferramenta que mede a popularidade de um determinado tema no Twitter) até chegar ao topo dos TT brasileiros e ao segundo lugar dos TTs mundiais. O importante site What the Trend repercutiu, com matéria em inglês. No começo da noite, eu já recebia emails de amigos norte-americanos e até o telefonema de um jornal dos EUA, perguntando: What's #DilmaFactsbyFolha?

Era a Folha de São Paulo internacionalmente humilhada no Twitter.

Evidentemente, a desonestidade da Folha permite que, na edição de segunda-feira, ela tenha ignorado dezenas ou centenas de milhares de tuitadas que correram o mundo virtual e foram comentadas em redações até aqui nos EUA, mas fizesse alusão a um tuíte de Roberto Jefferson. Tanta distração só pode ser culpa da Dilma.


PS: Se, depois desta, tu ainda não te animas a fazer uma conta no Twitter, eu não sei o que te dizer. Além de usar esta caixa para comentar o que queiras, façamos também duas coisas: selecionar alguns dos tuítes favoritos dos leitores do Biscoito (é só clicar na tag e ir descendo a página) e dirimir dúvidas para quem quer se juntar ao microblog e ainda não sabe como ele funciona. Se você ainda não me segue no Twitter, é só ir lá e clicar no "follow". Estou circulando notícias da campanha com certa regularidade por lá.

Atualização: Para a seleção de tuítes citada acima, contei com o auxílio luxuoso de Alex Castro. Valeu.



  Escrito por Idelber às 14:04 | link para este post | Comentários (87)



sábado, 04 de setembro 2010

Resposta da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República a O Globo

Nota à imprensa

Em vista da matéria "Campanha nas Asas do Planalto", publicada na edição do jornal "O Globo" deste domingo (5 de setembro), a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirma que, a apesar de insinuar, a reportagem não aponta nenhuma irregularidade ou descumprimento da legislação ou das recomendações da Advocacia Geral da União por parte do ministro Alexandre Padilha ou de nenhum de seus assessores. Além disso, a participação da SRI nas agendas institucionais citadas em estados e municípios reafirma o caráter republicano e não-discriminatório deste governo, como evidencia o envolvimento de prefeituras e governos estaduais de partidos da oposição - aspecto omitido na reportagem.

Tendo em vista dados equivocados apresentados na matéria, a despeito das informações corretas terem sido previamente repassadas à reportagem, a SRI esclarece que:

1. A comparação de valores de gastos com diárias entre 2009 e 2010 não considera o reajuste na tabela de diárias dos servidores federais concedido em julho de 2009.

2. A comparação entre os valores de diárias recebidas pelo ministro Alexandre Padilha no período de janeiro a julho de 2009 contra o mesmo período de 2010 não leva em conta o fato de que, nesses dois intervalos, o mesmo ocupava cargos diferentes. Em 2009, ele era Subchefe de Assuntos Federativos, logo tinha atribuições mais restritas que as atuais. Ao assumir, no fim de setembro de 2009, o posto de ministro-chefe da SRI, passou a acumular, além do relacionamento federativo, a responsabilidade pela relação com o Congresso Nacional e com os conselheiros do Conselho de Desenvolvimento Econômico (CDES). Além disso, o valor individual da diária paga a um subchefe é inferior ao pago a um ministro de Estado.

3. A comparação entre os valores de diárias recebidas pelo Subchefe de Assuntos Federativos, Olavo Noleto, no período de janeiro a julho de 2009 contra o mesmo período de 2010 não leva em conta o fato de que, nesses dois intervalos, o mesmo ocupava cargos diferentes. Em 2009, Olavo Noleto era Subchefe-adjunto de Assuntos Federativos, com demandas de representação menos frequentes que as atuais. Além disso, o valor individual da diária paga a um subchefe-adjunto (DAS 5) é inferior ao pago a um subchefe (Cargo de Natureza Especial).

4. Em relação aos valores de diárias recebidos pelo Assessor-chefe da SRI, Mozart Sales, a comparação é feita com períodos de tempo distintos - apenas três meses em 2009, contra sete meses em 2010. Além disso, o servidor foi nomeado como assessor-chefe (DAS 6) em janeiro de 2010, tendo, portanto, valor individual de diárias superior ao de chefe-de-gabinete (DAS 5), cargo que ocupou desde seu ingresso na secretaria, em outubro de 2009.

5. O quadro-resumo de datas apresentado na capa do jornal induz o leitor a uma interpretação equivocada, que deve ser retificada nos seguintes pontos, conforme previamente informado à reportagem:
a) A agenda oficial - reuniões do CDES e visitas às obras do PAC no Rio de Janeiro - ocorreu nos dias 22 e 23. A presença do ministro no Rio de Janeiro no dia 24 não gerou pagamento de diárias e nenhuma outra espécie de gasto público. O texto da matéria a que a chamada faz referência contradiz a informação da capa.
b) A agenda oficial do ministro não durou de 19 a 24, pois nos dias 21 e 22 ele estava em São Paulo, sua residência permanente, sem compromissos oficiais e, consequentemente, sem receber diárias.
c) O ministro não cumpriu agenda oficial em Recife no dia 27. Naquele dia, seu único compromisso institucional foi realizado em Salvador, de onde deslocou-se para Recife, conforme esclarece a própria reportagem, sem uso de recursos públicos.

6. A comparação entre o número de servidores da SRI no começo do governo Lula e o momento atual é improcedente, pois o ministério inexistia em 2003. A SRI só foi criada em 2005, a partir da junção do então Ministério da Coordenação Política com o ministério responsável pelo CDES.

Por fim, a SRI não admite qualquer tipo de cerceamento ao direito constitucional de livre manifestação política de qualquer servidor público, na sua condição de cidadão, sem prejuízo a sua missão institucional e cumprindo rigorosamente a legislação.

Reitera ainda que o exercício de sua missão institucional, de articulação com o Congresso Nacional e os entes federados e de promoção do diálogo social por meio do CDES, não será interrompido em função do calendário eleitoral.

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
4 de setembro de 2010



  Escrito por Idelber às 21:55 | link para este post | Comentários (45)




Cinco vídeos que dizem tudo, direto do Rio Grande

A dor de cotovelo de José Serra, à qual o Presidente Lula se refere aqui





tem sua origem em incontáveis manifestações, Brasil afora, semelhantes a esta aqui




as quais, por sua vez, não vêm do nada, ou só da simpatia do Presidente, mas são frutos de fatos incontestáveis como os descritos por Lula aqui:












PS: Retirei o post que estava aí acima, com a transmissão do Dilma na Rede, porque o vídeo inicia automaticamente ao se abrir o blog. Alguns leitores acham isso meio inconveniente, e eu concordo. Vale a pena para a transmissão ao vivo, mas não tem sentido deixar aqui um programa eleitoral que roda de forma automática quando você chega a esta página.



  Escrito por Idelber às 09:30 | link para este post | Comentários (36)



sexta-feira, 03 de setembro 2010

As aventuras do careca: Fábula de um país imaginário

-- Rapaz, eu te falei que esse negócio dos nossos jornais não darem uma linha sobre a história era burrada. A imprensa inteira fazendo o maior auê e a gente dando manchete sobre o aumento da poluição em BH? Foi bandeira demais. Os caras só seguiram a pista.

-- Eu disse ao Alvim. Era só repetir a ladainha “o aparelhamento da Receita, o Estado policial, patati patatá”. Mas não. Ficaram no silêncio, deu no que deu. Ficou óbvio demais.

-- Uso do cachimbo deixa a boca torta.

-- Pois é.

-- O negócio já estava agourado lá atrás, quando o Ecim bateu na namorada. Pô, tá achando que Copacabana é Barão de Cocais? Lá vaza mesmo. A moça lá da Folha que é dona da boate contou, mas não deu nome nenhum.

-- Quem deu?

-- Aquele jornalista lá, do futebol.

-- Por que o cara fez isso?

-- Ele vive afogado em processos, o Ric o odeia.

-- O Rick o está processando também?

-- Não, sua besta, esse é outro Ric, o do futebol!

-- Ah, sei. Mas o que tem a ver?

-- É que o Ric é chapa do Ecim.

-- Isso aí foi antes ou depois daquele recado do careca, o pó pará?

-- Depois. O Ecim já sabia que o chumbo era grosso. Mas aí o Ecim já estava com a galera nossa aqui, já tinha chamado o Yruama. Quando o careca descobriu que o Rick estava processando o Yruama, endoidou. Ele é feio e desengoçado, burro ele não é. Mas aí Inês já era morta, tinha que continuar com a ladainha de que era o partido dos barbudos. Como réu, o Yruama tinha acesso aos autos. Imagina, o Yruama, repórter, macaco velho, com aquela papelada toda. O sujeito até salivou. Um franguinho assado no colo.

-- O que tem na papelada?

-- Toda a história de Lilliput nos anos 90. Como venderam tudo, as negociatas, tudim, tudim. O careca entrou em pânico.

-- O lance é que o careca tentando fingir de indignado não convence nem minha vovozinha. É mais fácil ele aprender a dançar forró que se fingir ultrajado. Aí fodeu mesmo.

-- Mas o plano não era incriminar o partido dos barbudos com o material do Yruama, aproveitando que era sigiloso?

-- Tentaram. Foram lá em Brasília com aquele delegado. O sargentão estava lá também. Não conseguiram nem um aloprado pra arrastar.

-- Mas a Óia não deu a matéria assim mesmo, dizendo que era o partido dos barbudos?

-- Os caras foram lá, mas a história era tão fantasiosa que nem o Quaresma achou que dava pra vender.

-- Mas a matéria saiu.

-- Saiu, porque ali sacumé. Até o cruzamento da mandioca com o rinoceronte eles já inventaram.

-- E aí, o que rolou?

-- A matéria saiu na internet num sábado. Veio o domingo e nada de repercussão. Veio a segunda, nada. Não sei o que rolou na segunda, mas na terça A Esfera entrou solando, publicou matéria repercutindo. O rapaz da Folha até contou que eles nem iam pegar essa história, era vexame demais, mas como A Esfera já tinha publicado, eles tinham que seguir.

-- Nem com a matéria eles conseguiram algum bobo do partido dos barbudos pra pegar um dado sigiloso e depois ser incriminado?

-- Nem um. Filhos da puta. Os barbudos estão ficando espertos.

-- Como é que eles descobrem a relação disso tudo aí com a cidade do Visconde?

-- Internet, meu filho. Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989. Não sei quem foi, mas às 15 h o trem já estava pegando fogo na internet.

-- Qual foi a besta quadrada que saiu da reunião dizendo “a internet já descobriu que foi o Ecim”?

-- Não sei quem foi, mas vazou isso também.

-- Como é que está Ecim?

-- Ecim está tranquilo. Agora, o careca está em pânico.

-- E o nosso esquemão aqui?

-- Complicado. Descobriram as matérias clandestinas feitas à noite aqui, pra não sair no jornal e vazar pra outros.

-- Como descobriram? Porra, estamos no oitavo andar!

-- A meia dúzia de quarteirões do Ecim. Eu já te falei, Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989.

-- Como se chama este bairro aqui?

-- Bairro da Serra.

-- Avenida Getúlio Vargas no bairro da Serra?

-- Eu sei, pode rir.

-- E o careca agora?

-- Ficou doidão. Não pode revelar o esquema, começou a brigar com os blogs.

-- Blogs?

-- É uma turma suja que escreve na Internet.

-- O cara quer governar Lilliput e está brigando com os blogs?

-- Desespero, mô fio. O Ecim é que é esperto. O careca odeia o Ecim até mais que ele odeia o barbudão. Do barbudão ele tem é inveja.

-- E o barbudão?

-- Estava lá em Porto Alegre quando vazou tudo. Sendo beijado pelo povo, aquela nojeira.

-- Tem perigo disso sair na imprensa?

-- Tem não. Morrem de medo, rabo preso, sacumé. O lance é que dá na mesma, está todo mundo migrando pra internet.

-- O Yruama está se cuidando?

-- Aquele ali é doido de pedra. Você sabe, ele voltou pra Minas depois que levou aquele tiro em Brasília.

-- Nosso esquemão aqui sobrevive?

-- Claro. Minas é tranquilo.

-- Então a mulher vai ganhar mesmo?

-- De lavada.

-- E o careca?

-- Se fodeu.

-- Acho que é até melhor pra nós.

-- Com certeza.

-- O careca ficou sozinho então?

-- Ficou sozinho.



  Escrito por Idelber às 09:51 | link para este post | Comentários (98)



quinta-feira, 02 de setembro 2010

O enlameado, melancólico fim de José Serra

Pois é, valente Deputado Brizola Neto, o lacerdismo vive. Para os mais jovens, aí vai a frase de Carlos Lacerda que emblematiza o golpismo tupiniquim: O senhor Getúlio Vargas não deve ser candidato à presidência; candidato, não deve ser eleito; eleito, não deve tomar posse; empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.*

Não há momento da história do Brasil em que, ameaçada pelas urnas, a direita não tenha recorrido a alguma variação do espírito dessa frase. Em vez de utilizar a campanha eleitoral para discutir o que interessa--saúde, educação, reforma agrária, política externa, política tributária, papel do Estado na economia--, nos vemos mais uma vez numa grotesca paródia de telenovela mexicana, rastreando um carimbo de cartório de setembro de 2009, indo atrás de contadores e advogados que assinaram ou deixaram de assinar um pedaço de papel, repetindo ad infinitum esse tedioso disse-me-disse dos factoides. A entrevista com o contador que levou à Receita Federal a solicitação de cópias das declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra é um festival de chacotas. Quem diria, a sério, algo assim sobre qualquer candidato?: Tenho nojo de política. Mas eu voto no Serra viu? Sou eleitor dele desde que ele nasceu.

Mais uma vez, o futebol nos oferece a metáfora perfeita: a quem interessa a confusão e a bagunça extra-campo? Qual é o time que quer tumulto? Qual é a equipe que deseja levar o jogo para o tapetão? Certamente não são aqueles que estão jogando na bola e ganhando a partida. Serra parece disposto a lançar ao lixo o que lhe resta de biografia honrada. Tudo indica que sairá deste processo passando vergonha: apelando para a pancada, reclamando com o juiz, escondendo a bola, como é de seu feitio (vejam, nesse link do insuspeito Estadão, a referência a Tasso Jereissati).

Aqui, cabe uma palavra acerca do papel da mídia. Nada disso teria tomado a campanha eleitoral de assalto se não fosse pelo exército de manipuladores amestrados dos conglomerados máfio-midiáticos do país. Tento não subestimar nem superestimar o poder desses conglomerados. No ambiente volátil da internet, muitas vezes oscilamos entre os dois extremos, o da euforia (“depois da internet, morreu o poder da mídia!”) ou da conspiração maligna (“a mídia elegeu tal candidato, ela é responsável por esse ou aquele resultado eleitoral”). Acredito que a análise deve ser feita caso a caso. Creio, por exemplo, que no Sul a RBS tem um poder de distorção e manipulação que os Diários Associados não possuem em Minas Gerais. Também acho inegável que hoje já não há espaço para golpes como os perpetrados pela Globo em 1989.

Mas também acredito que não estaríamos discutindo isso se não fosse pela disposição da mídia brasileira de funcionar como porta-voz do golpismo. O Sr. Ricardo Noblat, depois de traficar mentiras sobre assassinatos, ontem entrou no ramo da manipulação de vídeo, editando e cortando uma entrevista de Dilma Rousseff, com grotesca distorção sonora ao fundo. Ele continua tendo a cara de pau de chamar isso de jornalismo.

Acabam de entrar, nada mais, nada menos, com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a impugnação da candidatura de Dilma Rousseff, por uma violação de sigilo fiscal da filha de Serra, ocorrida em setembro de 2009, sobre cujas relações com Dilma eles não possuem um fiapo, um miligrama, uma tutaméia de provas. Já tentaram isso antes. E o povo deu a resposta nas urnas, oferecendo ao pobre Alckmin menos votos no segundo turno que ele havia tido no primeiro, façanha inédita na história das eleições presidenciais brasileiras.

Pelo jeito, passaremos alguns dias nessa realidade paralela. Mas concordo com o leitor de Luis Nassif, que lembra que o relator dessa palhaçada será o Ministro Aldir Passarinho Jr., um legalista que honra a toga. O TSE é presidido pelo Ministro Ricardo Lewandowski, constitucionalista e brasileiro honrado, de quatro costados. É evidente que é preciso estar atento, mas tudo indica que o saldo do episódio será mais uma desmoralização para José Serra.

O que sua coalizão e a corja de jornalistas amestrados não parecem entender é que, num país com a história do nosso, essa é uma brincadeira muito perigosa.


PS: Band, iG e Vox Populi iniciaram ontem a divulgação do tracking diário da eleição presidencial. É um modelo que nós, aqui nos EUA, conhecemos bem. Costuma aferir bem a tendência do eleitorado. Foi o estudo do tracking que nos permitiu, aqui no Biscoito, discutir com antecedência a possibilidade de vitória de Obama no republicaníssimo estado da Carolina do Norte, enquanto Miriam Leitão dizia que a escolha de Sarah Palin havia sido um "golpe de mestre" de John McCain--afirmativa pela qual até hoje ela não se retratou. O tracking da Vox entrevista 500 pessoas por dia e divulga, diariamente, a média das últimas 96 horas. A cada dia, saem da ponderação os números auferidos quatro dias antes. Não surpreende o desespero de José Serra. No primeiro tracking, divulgado ontem, os resultados foram: Dilma, 51%; Serra, 25%, Marina, 9%. Antes da divulgação pelos portais, os números apareceram, em primeira mão, no Twitter.


* A frase foi corrigida algumas horas depois de publicado o post.



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terça-feira, 31 de agosto 2010

Blogueira convidada: Sexismos à parte, por Marjorie Rodrigues

O texto de hoje é de autoria de minha amiga Marjorie Rodrigues. Ele é inédito e foi escrito a convite do Biscoito.

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Devo confessar que, no começo do ano, estava um pouco apreensiva em relação a como seria cobertura jornalística das eleições presidenciais. “Podem esperar que vem muito sexismo por aí”, cheguei a twittar. Afinal, teríamos uma situação inédita: duas mulheres entre os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas – sendo que uma delas representa o governo que a imprensa, tomando para si o papel de oposição, tanto tem se esforçado para derrubar.

Vale lembrar que a participação das mulheres na política brasileira ainda é muito tímida. Os partidos dizem ter dificuldades para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas. Creio que este é um problema, acima de tudo, cultural. As mulheres se candidatam pouco e as pessoas têm desconfiança em votar nelas, em grande parte, devido à idéia de que mulher “não serve” para política. De que os homens são racionais e as mulheres, sentimentais. De que o comando econômico e político é território masculino, enquanto às mulheres cabe o campo da domesticidade, do cuidado de crianças, doentes e idosos; às mulheres cabe à moda, o enfeite, o supérfluo. Enquanto não rompermos com a idéia arcaica e rígida de que há coisas “de menino” e coisas “de menina”, acredito que o aumento de mulheres em cargos eletivos será um caminho árduo.

Enfim. A imprensa é um dos meios que formam o imaginário coletivo. Portanto, é um dos meios pelos quais é disseminada esta mensagem de que mulher não serve para governar. As últimas eleições presidenciais americanas, as quais acompanhei com bastante entusiasmo, tiveram duas mulheres em posições de destaque (Hillary Clinton e Sarah Palin) e foram um show de preconceito de gênero.

Logo, não pude deixar de pensar: como seriam as nossas eleições, nós que temos uma mídia que escancaradamente nos reduz a bundas, nos compara a objetos, dá espaço a vozes ultraconservadoras e ridiculariza o movimento feminista? Como seriam as nossas eleições, nós que temos uma mídia desenfreada, monopolizada, que fala o que quer e muito raramente é punida por isso? Como seriam estas eleições num país cujos principais humoristas acham racismo e sexismo o cúmulo do cool?

Já no ano passado, as perspectivas não eram das melhores. Há cerca de um ano, o jornalista Marcelo Coelho publicou em seu blog um texto em que media o sex appeal de várias mulheres na política. Jorge Pontual fez o mesmo no twitter, embora tenha voltado atrás e pedido desculpas. Ruth de Aquino caiu no ridículo de entrevistar um psicanalista para dar bronca nos tiques e trejeitos “pouco femininos” de Dilma: “abaixa esse dedo em riste! Seja mais delicada!”. Então, pensei: “ai, ai, ai. Se a coisa já tá assim agora, imagine quando a campanha começar pra valer?”.

Bom, de fato, a mídia não me decepcionou. Sexismo há, e muito. O trio Estado-Folha-Globo (para não citar os jornais regionais, menores, que pegam carona na cobertura destes) fez reportagens de, no mínimo, meia página sobre as roupas, a maquiagem e as transformações estéticas das candidatas. A Folha de S. Paulo chegou a entrevistar o marido de Marina Silva, para ver se ele aprovava as mudanças que ela fez no visual.

Já a revista Veja publicou uma matéria sobre “quão decisivo é o fator beleza numa eleição”. (estranho... Se é tão importante assim, por que nunca tinham escrito sobre o assunto? Só foram escrever agora, que temos duas mulheres? Embora políticos homens sejam citados na matéria, o foco são as mulheres. E são majoritariamente fotos de mulheres que ilustram a reportagem).

Celso Kamura, o cabeleireiro responsável pela mudança no corte de Dilma, também ganhou entrevistas extensas no caderno de política. É necessário? É relevante? Acho que não. Mas, se fosse, cadê as entrevistas com o pessoal que cuida do visual de Serra e de outros candidatos do sexo masculino? O pior foi a ambiguidade utilizada pelo Estadão, na entrevista com Kamura: “este é o homem que faz a cabeça de Dilma”. Recurso já utilizado antes, pela revista Marie Claire, que intitulou uma entrevista com Dilma com "a mulher do presidente".

(Particularmente, também vejo muito de sexismo na mania de chamarem a Dilma de “poste” e dizerem que Lula será seu “tutor”. Ora, Dilma foi Secretária de Minas e Energia de um estado importante, Ministra das Minas e Energia e Ministra-Chefe da Casa Civil. Que o carisma de Lula é algo importantíssimo na campanha, não há dúvidas. Mas daí a usar a palavra “tutela”, sei não. Sinto cheiro de sexismo aí.

Mas Dilma tem se saído muito bem com isso. “Decidam: uns dizem que eu sou mulher de ferro, outros dizem que sou um poste...”, disse ela na famigerada entrevista ao JN. A entrevista chamou a atenção das pessoas pelo nível de grosseria e afetação do casal Bonner e Fátima. A mim, no entanto, o mais chocante foi eles terem passado quase metade do tempo estipulado fazendo inquisição sobre o temperamento, a postura, a conduta da candidata. Ora, a opressão que nós, mulheres, sofremos está muito baseada em códigos de conduta: não se vista assim, não fale assado, não cruze as pernas desse jeito. Eu jamais esperaria que uma das primeiras perguntas da entrevista do JN fosse: “candidata, é verdade que você é grossa?”. Pô, que pergunta é essa?

Mas, como disse, a saída da candidata petista foi de mestre, apontando o óbvio: não dá para uma pessoa ser mandona e capacho ao mesmo tempo. Dilma, ao dizer, “decidam-se”, deixou claras as limitações e contradições da mania de dicotomizar as mulheres: ou puras ou putas, ou santas ou diabas, ou mandonas ou submissas. Há toda uma miríade de meio-termos. As mulheres são mais complexas do que isto)

Mas enfim, divago. Como dizia, sexismo não falta na cobertura. No entanto, ele não tem tido o efeito sobre o eleitorado que eu pensei que fosse ter. Hillary perdeu as primárias sendo amplamente ridicularizada. Dilma só se fortalece, só cresce. Embora a imprensa chie, invente dossiês, tente reduzi-la a um poste ou um bibelô, a candidata do PT avança nas pesquisas. A ponto de podermos até pensar em uma vitória no primeiro turno.

Não sei quanto a vocês, mas eu me emociono deveras diante da possibilidade de ter a primeira presidenta do Brasil. Ainda mais ganhando assim, de lavada, contra um candidato autoritário, tacanho, que sequer a própria campanha foi capaz de conduzir sem trapalhadas. Ainda mais sabendo que não é qualquer mulher. É uma baita mulher.

Claro que a gente deve evitar o clima de “já ganhou”. Até outubro, tem chão. Mas estou otimista. Não tem como não ficar otimista ao ver essa discrepância entre as pesquisas e a cobertura jornalística. É um sinal não só de que o sexismo tem menos poder do que eu pensava, mas também de que a imprensa tradicional está perdendo um tiquinho de seu poder.

E, caso Dilma seja mesmo eleita, um bom horizonte se abre. Ter uma mulher no cargo mais importante da república, um cargo de extrema visibilidade, será um incentivo e tanto para que outras mulheres tomem coragem para se candidatar. Para que outras mulheres tomem coragem para agir politicamente em suas comunidades, municípios, estados. E, principalmente, para que parte do eleitorado deixe de torcer o nariz para candidatas mulheres. Coisas boas hão de vir.



  Escrito por Idelber às 21:41 | link para este post | Comentários (48)



segunda-feira, 30 de agosto 2010

Por que a metáfora do tsunami não interessa à esquerda

Permitam-me, ao melhor estilo do Sapo Barbudo, uma alegoria futebolística.

Na primeira metade dos anos 80, o Atlético-MG era um dos três times mais fortes do Brasil, junto com o Flamengo e o São Paulo--ou o Grêmio, dependendo do momento que você tome. Hexacampeão mineiro, sistematicamente semifinalista ou finalista do Campeonato Nacional, convidado todos os anos aos torneios de verão da Europa (que, naquela época, tinham um prestígio que não têm hoje), o Galo acreditou no conto do vigário de que só havia um time grande em Minas. Nosso único rival, dizíamos, era o Flamengo, já que o Cruzeiro não existia, era um time pequeno.

Claro que o papo é legítimo como provocação de torcedor, mas quando a diretoria do seu clube começa a acreditar nele, pode ter certeza de que se avizinha um desastre. Embriagado por sucessos que nem eram tão grandes assim—afinal, o sonhado bicampeonato brasileiro e a Libertadores não vieram--, o Galo vendeu metade de uma Seleção Brasileira por milhões que jamais apareceram nos cofres do clube, elegeu péssimas diretorias, foi saqueado e não entendeu a transição para o futebol global. Em menos de dez anos, o Cruzeiro havia virado o jogo. Hoje não há atleticano fora dos sanatórios que acredite que competimos com o Cruzeiro em igualdade de condições. Já são quinze anos de supremacia azul no estado e onze clássicos sem vitória (dez derrotas e um empate). Nós nos vemos anualmente lutando contra o rebaixamento ou, no máximo, brigando no pelotão intermediário da tabela. Não há reversão desse quadro no horizonte, porque nosso presidente é um falastrão que personifica a Verneinung freudiana: aquele estágio de cegueira completa em que o sujeito acredita, com todas as forças, que negar a realidade é suficiente para que ela deixe de existir.

Pois bem. Petistas, comunistas, trabalhistas e socialistas: mirem-se no exemplo daqueles alvinegros de Minas. Ainda não ganhamos nada. A esquerda-esquerda (PT, PcdoB, PSB, PSOL e um naco do PDT) não possui sequer 40% do Congresso Nacional, todos os grandes jornais e a TV que domina o mercado nos são abertamente hostis, pelo menos dois Ministros do Supremo Tribunal Federal não perdem uma só oportunidade de nos atacar, e mesmo assim se dissemina, tanto no campo oposicionista, em tom melancólico, como no campo governista, em tom eufórico, o meme de que “está tudo dominado”.

Merval Pereira fala em tsunami, Eliane Cantanhêde, grunhindo contra os “cães da internet”, delira que a imprensa é “o último reduto do contraditório”, e mesmo em blogs de esquerda não é incomum ler coisas como “a oposição será varrida do mapa” ou “o PSDB vai virar um partido nanico”. Eu não sei em que realidade paralela vive essa gente. Na que eu observo, o aecismo está virando o jogo em Minas, Alckmin ainda lidera com folga em São Paulo, um dos melhores senadores petistas, Paulo Paim, está numa briga de foice para não ceder a vaga a uma sub-Miriam Leitão, Beto Richa lidera no Paraná e já sabemos com certeza que perderemos nossa única senadora catarinense. Claro que vários outros contra-exemplos poderiam ser citados, a começar pelo banho de votos que Dilma, pelo que parece, dará em Serra. Vamos crescer e eles vão encolher, isso é fato. Mas mirem-se, por favor, na serenidade de Dilma:






Lembremos que boa parte dos que hoje dizem que o PT já dominou tudo são aqueles que, até pouco tempo atrás, previam sua morte (como Montenegro, do Ibope, chegou a fazer há exatos doze meses) ou falavam de acabar “com essa raça” (como certo oligarca catarinense) ou negavam o fato de que o PT foi o partido que melhor se saiu nas eleições municipais de 2008. Quando este blog, baseado em números do TSE, fez essa observação, disseram que era “torcida organizada”. Agora dizem que dominamos tudo. Curiosamente, aqueles que escondem suas preferências e mentem acerca de uma pretensa neutralidade parecem acreditar que torcida organizada é só a dos outros.

Eles oscilam entre a retórica da aniquilação do adversário e a retórica de que o adversário quer aniquilá-los. Esse jogo não interessa à esquerda. São 500 anos de governo do PFL que nós mal começamos a reverter. Não nos esqueçamos da lição de Telê Santana: 3 x 0 no placar? É hora de partir pra cima e fazer o quarto.


PS: Isto aqui tem que ser denunciado.

PS 2: A coisa lá no Twitter hoje está bem animada.



  Escrito por Idelber às 07:31 | link para este post | Comentários (42)



sexta-feira, 27 de agosto 2010

Blog endossa Jô Moraes para Deputada Federal em Minas

Esta foi fácil. O endosso do blog para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais--ou seja, o voto que eu vou efetivamente depositar na urna--é de Jô Moraes (PCdoB, 6565). Aí vão minhas razões:




Como sempre, caixa aberta para quem quiser endossar alguém, argumentar ou discutir minha escolha.



  Escrito por Idelber às 07:42 | link para este post | Comentários (17)



quarta-feira, 25 de agosto 2010

Blog endossa Raul Pont para Deputado Estadual no Rio Grande do Sul

Aí vai mais um vídeo com um endosso deste blog para as eleições do dia 03 de outubro, o Deputado Raul Pont, do Rio Grande do Sul:



Se você tem candidato a Deputado Estadual e quer declarar voto ou argumentar em favor dele(a), agora é a hora. O espaço está aberto.



  Escrito por Idelber às 13:27 | link para este post | Comentários (22)



terça-feira, 24 de agosto 2010

Links

Aí vão algumas notícias e links que podem ser de interesse:

1. Se você apóia Dilma Rousseff para presidente, saiu um pdf que você não pode deixar de ter à mão. São 40 páginas com aquelas coisas detestadas ou desdenhadas pelos que só reclamam do “Fla x Flu entre petistas e tucanos”: números e gráficos. Nesse pdf você encontrará o número de empregos criados nos últimos 16 anos; o número de universidades criadas nos últimos 16 anos; a evolução da dívida brasileira em relação ao PIB; o valor do salário mínimo. Está tudim, tudim, neste pdf.

2. Você se lembra do comentário grosseiro e classista de Boris Casoy sobre os garis? Pois é, Celso Lungaretti, veterano de muitas batalhas, escreveu na época um texto de repúdio. Agora, chega a notícia de que Casoy o está processando. Lungaretti ofereceu a Casoy o direito de resposta mas, como costuma ser o caso com os funcionários dos nossos conglomerados máfio-midiáticos, não é o direito de resposta que buscam. O Biscoito Fino e a Massa está à disposição de Lungaretti para o que eu puder fazer. Já há mobilização por aí.

3. Depois da bela declaração de voto do Celso de Barros, foi a vez de Carlos Hotta escrever outro excelente Por que votarei em Dilma Rousseff.

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4. Na Argentina, o governo de Cristina Kirchner entrega à sociedade ampla pesquisa, de 400 páginas, que mostra a cumplicidade dos donos dos jornais Clarín, La Nación e La Razón com a ditadura militar instalada em 1976. É claro que eles chiaram. Em particular, o documento investiga como as ações da empresa Papel Prensa, da qual Clarín e La Nación hoje são acionistas, passaram das mãos da família Papaleo-Graiver aos donos dos três jornais citados. Quando aconteceu a transferência? Acertou, bidu, em 1976. Papel Prensa surgiu em 1972 das mãos do … Grupo Abril, sim, ele mesmo, o conglomerado máfio-midiático dos Civita. Como já é de tradição nas últimas décadas, a Argentina investiga seu passado em níveis impensáveis no Brasil. Mas para os porcalistas da Família Marinho, trata-se de “investida contra a imprensa”. Como já afirmou este blog em outras ocasiões, um dos maiores mistérios da última ditadura militar brasileira é o montante exato de dinheiro público apropriado pelas Organizações Globo. Quantos milhões de dólares passaram dos cofres públicos para a Globo sob a forma de subsídios, subvenções, isenções fiscais, propagandas do Exército ou métodos menos ortodoxos? Ninguém sabe. Precisamos urgente de uma campanha: ajude um porcalista da Globo a descobrir qual porcentagem do seu salário é paga com dinheiro público roubado pela ditadura.

5. Depois de desistir do seu candidato, a Folha de São Paulo passa a fabricar mentiras sobre a favorita. A manchete de ontem, em letras garrafais, anunciava que “Dilma estuda aperto econômico”. A manchete era falsa. Não há nenhum “arrocho” em discussão na campanha de Dilma.

6. Voltou à Internet um mito, um ídolo. Está de blog novo o Almirante Nelson.

7. Muitos devem saber que a Abert e a ANJ, que adoram capital estrangeiro exceto quando esse capital compete com eles, moveram uma ação contra o portal Terra. A ação recorre ao artigo 222 da Constituição, que limita a participação do capital estrangeiro em empresas de comunicação. A Abert e a ANJ querem, portanto, em seu próprio interesse, fazer a ginástica mental de aplicar à Internet a legislação das TVs e rádios. Parece que a ação não vai prosperar. O procurador da República Márcio Schustershitz deu parecer contrário e sugeriu o arquivamento da ação (via Coleguinhas, Uni-Vos!).

8. Momento histórico para o Brasil: está inaugurada a TV dos Trabalhadores, à qual você pode assistir online.

9. O blog convida as leitoras gaúchas ao evento desta tarde, às 18:30, com o Deputado Raul Pont (PT, 13400), no Prefácio Bar, que fica na Sarmento Leite, 1024, ali na Cidade Baixa:


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10. A cada dia impressiona mais a ignorância do candidato a vice escolhido por José Serra. Salvo erro do G1, o que é sempre possível, o Sr. Indio descobriu uma invasão americana à Colômbia em 1984 para sanar o sistema de saúde dos próprios EUA. Pior, disse que devemos fazer a mesma coisa. O que quer sugerir essa besta quadrada? Que o Brasil deve invadir a Colômbia?

11. Por falar em Serra, já são 96 horas desde que ele afirmou que o governo financia “blogs sujos”. O Cloaca News está interpelando José Serra judicialmente para que ele declare quais são esses blogs. O Biscoito se junta ao desafio: Seja homem, José Serra, e explique-nos a quais blogs você se referia.


PS: Crédito da foto: Ricardo Stuckert, no Blog do Planalto.



  Escrito por Idelber às 08:45 | link para este post | Comentários (47)



segunda-feira, 23 de agosto 2010

Dez Batalhas Chave da Esquerda nas Eleições ao Senado

1.Senado Piauí: Uma das mais auspiciosas possibilidades das Eleições 2010 é chutar Heráclito Fortes para fora do Senado. Qualquer um que saiba qualquer coisa sobre a figura entenderá a torcida entusiasmada deste blog. Típico representante da mais escrota oligarquia nordestina—que vem tendo seu domínio político solapado pelo crescimento do PT, do PSB e do lulismo na região--, Heráclito corre sério risco de ter que se candidatar a vereador ou prefeito de Teresina em 2012. Sempre lembrando que cada estado elege dois senadores este ano, os números atuais do Ibope são: Wellington Dias (PT) lidera com 42%, Mão Santa (PSC) tem 22%, Ciro Nogueira (PP) e Heráclito (DEM) pontuam nos 14% cada um e Antonio José Medeiros (PT) tem 5%. Independente das discussões acerca do “voto útil”, ou sobre se Medeiros pode crescer e brigar pela segunda vaga (o segundo candidato do PT ao Senado chegou a marcar 14% em outra pesquisa, a 180 Graus/Jales), o Biscoito endossa a corrente pra trás contra Heráclito.

2.Senado Amazonas. O números atuais do Ibope para o Senado no Amazonas são: ex-governador Eduardo Braga (PMDB) 86%, atual senador "Artur Neto” (PSDB) 43% e deputada federal Vanessa Grazziotin (PC do B) 33%. Vanessa é antiga militante dos movimentos populares no Amazonas, sua campanha vem crescendo, e há 18% de eleitores que só citaram um candidato ao Senado na pesquisa Ibope (além dos 7% de indecisos). Arthur Virgílio foi humilhado na última eleição majoritária no Amazonas (ficou na casa dos 5%) e o blog aposta que ele vai perder a vaguinha no Senado. Além do fato óbvio de que Vanessa está comprometida com o projeto popular de crescimento com distribuição de renda do governo Lula, aqui há o dado adicional de que os tucanos ficam muito mal colocados na discussão sobre a Zona Franca. Sem dúvida, seria bem emblemático eleger uma mulher feminista e comunista para tirar a vaga do senador que gosta de ameaçar bater em presidente da república (ameaça tão típica do machismo nosso de cada dia). Arthur Virgílio é a personificação do atraso e este blog coloca qualquer modesto recurso que possa ter à disposição da campanha de Vanessa Grazziotin (PC do B). Eu conheço a trajetória da candidata e endosso com entusiasmo.

3.Senado Pernambuco. Na terra em que nem Jesus nem o Pe. Cícero é mais popular que Lula, o lulismo de resultados (apud Diário Gauche) quer mostrar com quantos votos se elegem dois senadores. Eduardo Campos (PSB) está disparado para governador, humilhando o neoudenista “autêntico” Jarbas Vasconcellos numa surra de 60% a 24%. Campos deve se reeleger no primeiro turno. Os números do Ibope para o Senado são: Humberto Costa (PT) 44%, Marco Maciel (DEM) 43%, Armando Monteiro (PTB) 27%, Raul Jungmann 12%. Além do grande júbilo de de ver Jungmann derrotado, o lulismo pode emplacar dois senadores e tirar Maciel do Senado. O blog enfaticamente endossa Humberto Costa e Armando Monteiro, dobradinha que vem subindo. Cabe uma palavra sobre o candidato do PTB: ao contrário do que a filiação partidária poderia sugerir, trata-se de alguém que me sinto à vontade endossando. É advogado, não é da oligarquia atrasada, vem do empreendedorismo industrial e tem boa história parlamentar (é oriundo, inclusive, do PSDB, passou pelo PMDB e não lá ficou porque o PMDB-PE é meio inóspito para um lulista). Monteiro tem muito mais a dar aos pernambucanos no Senado que um Maciel já semi-aposentado e do lado errado da História. Sobre Humberto Costa creio que não é necessário dizer muito. Os pernambucanos o conhecem. O blog endossa a dobradinha lulista.


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4.Senado Rio Grande do Sul: Tarso Genro lidera a corrida para governador, não com folga, mas lidera. Na corrida para as duas vagas do Senado, briga de foice entre três: Paulo Paim (PT) e Germano Rigotto (PMDB) têm 39% cada um e Ana Amélia Lemos (PP) tem 38%. Ainda recompondo-se da surpresa de que uma papagaia da RBS pontue nesses níveis, o blog lembra que há 44% de indecisos (trata-se de uma “eleição de 200%”, pois há duas vagas) e que a onda dilmista com certeza está impactando o estado adotivo da candidata petista à Presidência. Conhecedor da trajetória de Paulo Paim como sindicalista, militante pela igualdade racial, Constituinte de 1988 e ativo Senador da República nos últimos anos, o blog se coloca à disposição dos amigos gaúchos para ajudar no que for possível para que ele dispare logo e assegure a primeira vaga ao Senado.

5.Senado Paraná. O tucano Beto Richa lidera as pesquisas para governador, mas há espaço para o crescimento de Osmar Dias (PDT) que, depois de inacreditáveis idas e vindas, dignas de uma novela mexicana, finalmente assumiu a condição de candidato unificado do lulismo ao Palácio das Araucárias. Para o Senado, o lulismo mantém as duas primeiras posições nas pesquisas: Roberto Requião (PMDB) tem 48%, Geisi Hoffmann (PT) tem 32%, Ricardo Barros (PP) tem 15% e Gustavo Fruet, esperança "ética" do tucanato, pontua nos 11%. O blog repudia os que afirmam que a “privatização do Banestado aconteceu há 10 anos e não há por que discutir isso agora”. Os paranaenses mais jovens têm o direito de ouvir toda a discussão: quem foi e quem não foi responsável pelo negócio que custou bilhões de reais aos cofres do Paraná. Emplacando essa discussão e mostrando a diferença de projetos entre o governo Lula e o governo FHC, a base aliada tem tudo para eleger os dois senadores. O blog está à disposição no que puder ajudar.

6.Senado Goiás: O tucanato e o peemedebismo neolulista brigam pelo governo estadual, e os números para o Senado são: Demóstenes Torres (DEM) 43%, Lúcia Vânia (PSDB) 26% e Pedro Wilson (PT) 16%. Com 47% de indecisos e 26% que só citaram um candidato para as duas vagas, tudo pode acontecer aqui. Pedro Wilson tem história e conta com o apoio deste blog. Uma sugestão enfática que fazemos é que o deputado Pedro Wilson desabilite o jingle de campanha que toca automaticamente quando abrimos o site. Quem navega na internets odeia essas coisas, Deputado. É melhor ter o jingle como uma opção que o internauta pode escolher ouvir ou não.

7. Senado Rio Grande do Norte: Rosalba Ciarlini (DEM) lidera a corrida para governador com 46% contra os 26% de Iberê (PSB). Todas as minhas fontes potiguares sugerem, no entanto, que Iberê sobe e que a eleição para governador vai para o segundo turno. Para o Senado, os números são: Garibaldi Alves Filho, do neolulismo peemedebista, tem 60%. José Agripino (DEM) tem 51% e Vilma de Faria (PSB) pontua nos 43%, Vilma é ex-prefeita, ex-governadora, é parte do efeito arrasa-quarteirão anti-demo que os socialistas têm emplacado no Nordeste, e conta com total apoio deste blog. Vilma tem um Flickr e um Twitter meio abandonados. Talvez eles pudessem ser úteis na arrancada para chutar Agripino para fora do Senado.


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8. Senado São Paulo: Não há muito o que dizer aqui. A eleição de Marta Suplicy para o Senado da República seria um momento histórico para o projeto que se aglutinou em torno de Lula, para o PT, para os movimentos populares de São Paulo, para sua população mais pobre e para as mulheres. Os números do Ibope no momento apontam: Marta com 31%, Quércia (PMDB) com 20%, Romeu Tuma (DEM) com 19%, Ciro (PTC) e Netinho (PC do B) com 18%. O Ciro do PTC deve cair um pouco (ele se beneficia da bizarra confusão de uma parte do eleitorado, que o confunde com Ciro Gomes) e há espaço para que Netinho cresça. Mas todas as fontes paulistas do blog coincidem em que seria sonhar demais imaginar que a esquerda possa levar as duas vagas, especialmente porque Netinho e Marta brigam por votos mais ou menos entre a mesma faixa da população. A prioridade total é a eleição de Marta.

9. Senado Acre: No estado em que um petismo bem próximo a Marina Silva deve eleger Tião Viana governador com folga, os números para o Senado são: Jorge Viana (PT) tem 64% e está eleito. Brigam pela segunda vaga Petecão (PMN) com 35% e Edvaldo Magalhães (PC do B), com 27%. Considerando que 29% só citaram um candidato e 25% ainda estão indecisos, o comunista, que tem tido bela atuação, possui todas as chances de abiscoitar a segunda vaga, surfando no tsunami do sapo barbudo. Edvaldo precisa, no entanto, fazer uma página na internet um pouco melhor que esta.

10. Senado Bahia:: Jaques Wagner (PT) deve se reeleger governador no primeiro turno e, para o Senado, o lulismo já garantiu pelo menos uma das duas vagas. Mas pode muito bem ficar com as duas. Os números de hoje são: César Borges (PR), o resquício do carlismo, tem 38%, Lídice da Mata (PSB) tem 25% e Walter Pinheiro (PT) tem 23%. Lídice vem do PSDB, mas há que lembrar que o PSDB da Bahia não é o PSDB de Higienópolis: o tucanato baiano foi aliado do lulismo em momentos chave da peleja anti-carlista na Boa Terra. Lídice depois solidificou essa opção migrando para o PSB. Há uma histórica tradição dos institutos de pesquisas eleitorais subestimarem o voto de esquerda na Bahia, para depois serem surpreendidos por "ondas vermelhas" no dia da eleição. A vitória de Jaques Wagner é o mais recente exemplo. O blog torce por e endossa Lídice e Walter, que vêm trabalhando em dobradinha.


PS: Como se viu, em todos os casos trabalhamos com números do Ibope. Os números do Sensus e do Vox Populi têm tendido a ser mais favoráveis às forças políticas endossadas por este blog e, em muitos casos, são depois confirmados pelo Ibope. Este blog não considera o DataFolha um instituto que satisfaça os mínimos requisitos de credibilidade hoje.

PS 2: Estes prognósticos do DIAP para o Senado sugerem o quadro que todos esperam, encolhimento do DEM e crescimento da esquerda. Falta precisar quais serão as dimensões desses movimentos.

PS 3: As fotos que ilustram o post são de São Bernardo nesta madrugada, e foram retiradas do Flickr da Dilma.



  Escrito por Idelber às 06:27 | link para este post | Comentários (52)



sábado, 21 de agosto 2010

Serra e Folha: Decadência de um modelo de manipulação midiática

Há algumas diferenças entre a campanha presidencial de 2006 e a deste ano, e uma das mais notáveis é a perda de influência dos setores da mídia que apostaram numa compreensão unilateral da informação. Esse (des)entendimento da informação como uma avenida de mão única é parte da explicação do colapso da candidatura de José Serra e do baile sociológico-estatístico sofrido por um de seus suportes, o DataFolha. Eles apostaram no mundo velho.

Desde o princípio, a candidatura de Serra optou por um modelo de relação com a informação: a opção pela compra da boa vontade dos oligopólios de mídia com contratos públicos em São Paulo, a truculência na direção da TV Cultura e a forte tendência autoritária, censora, de ligar para redações pedindo cabeça de jornalista ou de reagir agressivamente a qualquer pergunta indócil, questionadora. Essa tendência se manifestava tão mais claramente justo quando o Sr. Serra e a direita brasileira insistiam que o governo federal “censura” a mídia, como se não soubéssemos o que a imprensa brasileira publica sobre o Presidente Lula.

Superestimando o poder dos conglomerados máfio-midiáticos do país, Serra apostou neles as suas fichas e perdeu. Foi mais um de seus muitos erros, numa lista que inclui a sucessão de trapalhadas na escolha de um Vice que ele nunca vira, a modorrenta e ególatra espera à qual submeteu a si e seus correligionários antes de se candidatar, a ingênua ideia de que poderia dar xeque-mate em Aécio simplesmente esperando sentado em sua cauda de pavão, o privilégio ao método de bastidores, conchavos e guilhotina em vez do embate de peito aberto na pólis. Não são esses, no entanto, os motivos de sua derrota, como sabe qualquer interessado em política brasileira que não viva em Marte. O motivo básico de sua derrota é só um: o povo quer continuar o governo Lula e quem continua o governo Lula, segundo o próprio, é a Dilma. Assim de simples.

Por isso, é de uma desfaçatez inominável que a Folha faça um editorial de cônjuge traído, chilique de cornudo(a) que se sente abandonado(a) pelo seu candidato, o mesmo que a Folha teimosamente insiste em não endossar em editorial. Lendo a Folha de hoje, não há como não fazer a pergunta: como é possível que ela não soubesse que essa seria a estratégia, que esses “erros” de Serra, afinal de contas, não são simples erros, mas consequências necessárias da própria concepção de política de Serra nos últimos tempos? Descobriram agora que ele é autoritário, não ouve ninguém, adora conchavos e tem tendência ao autismo político? Onde estiveram nos últimos vinte anos em que lhe ofereceram apoio, editorialistas da Folha? Ou vocês não enxergaram antes porque estavam lá nos bastidores dos conchavos também? Que tal agora descobrir que Serra tem uma política de comunicação baseada no unilateralismo, na troca de favores com os oligopólios e com a distorção mentirosamente neutra da informação? Que tal, por exemplo, fazer uma investigação e revelar como é possível que três funcionários ou membros do PSDB sejam "sorteados" para fazer perguntas num debate aí na sua própria cozinha, Folha? Que tal avançar nas descobertas, Folha?

Continue lendo "Serra e Folha: Decadência de um modelo de manipulação midiática" no site da Revista Fórum.


PS: A atriz mineira Débora Vieira busca patrocínio para um projeto de espetáculo teatral que tem muito boa pinta. Aqui vai o link para o pdf do projeto. Se quiser ajudá-la, é só escrever a debora.o.vieira arroba gmail ponto com.



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quarta-feira, 18 de agosto 2010

Baile de Dilma no primeiro dia de TV; Serra inventa a favela de plástico

Já se esperava que os programas de TV de Dilma Rousseff e José Serra mostrariam um tremendo contraste de competência. Essa lavada tende a acontecer há tempos na política brasileira: o PT (e sua coalizão de esquerda: PSB, PC do B, PDT) tem feito programas de TV superiores aos dos outros partidos, e isso é simplesmente da ordem do fato. O Brasil chegou a proibir cenas externas numa campanha presidencial por puro medo de que o povo visse Lula nos lugares reais em que o povo vive (isso numa época em que Lula tinha 35, 40% de popularidade; hoje ele anda na casa dos 85%). Agora imagine: um país faz rede de televisão nacional para dar a conhecer seus candidatos, mas proíbe a exibição de imagens do próprio país. Hoje, sem essa proibição, depois de sete anos e meio de presidência Lula, mostrar o Brasil, mostrar o Brasil de antes e o de hoje é tudo o que governo terá que fazer na televisão para eleger sua candidata. Fez, no primeiro dia, muito mais: Dilma deu uma homérica surra televisiva em Serra, num contraste de qualidade (e autenticidade e verdade) de programas de TV que permanecerá como marco na história das campanhas eleitorais no Brasil.

Ex-prefeito da cidade e ex-governador do estado que têm o mais alto número absoluto de favelados no país, Serra conseguiu inventar o programa com a favela de plástico, numa constrangedora montagem de estúdio que lembrou as chanchadas da Atlântida. Atenção, estudantes e pesquisadores das áreas de ciências humanas e sociais! Quando aparecerem aqueles frankfurtianos-adornianos dizendo que tudo o que a indústria cultural e a TV produzem é manipulado e mentiroso, não se esqueça de dar mais uma volta na dialética deles e contraargumentar que até mesmo a mais deslavada mentira (a favela de plástico de Serra) não deixa de trazer em si profunda verdade (a verdade sobre o que é a candidatura Serra, ou seja, a sua impossibilidade de realmente visitar e estar numa favela brasileira). Poucas vezes na história dos programas político-eleitorais uma falsificação foi tão reveladora da verdade. Decupado pelo Brizola Neto, aí vai o clipe desse imortal momento de chanchada mágico-fantástica:



Mas o programa de Serra não mentia apenas na construção da favela de estúdio. Neste mesmo clipe de 20 segundos, você encontra duas outras escabrosas mentiras, uma política e uma pessoal. Mentira número 1: o jingle dedica mais tempo ao nome do presidente ao qual o candidato fez oposição, ou seja, de má fé ele tenta associar o candidato a uma figura política que não é da turma dele, e à qual ele se opõe desde 1982. 2: o jingle mente sobre o nome do próprio candidato, que é José Serra, jamais encurtado para "Zé" na política, e sim para "Serra". Sobrenome até se muda, mas o nome? Como assim, depois de 50 anos de vida pública ele vira "Zé"?

Muito poderia se escrever sobre a imensa superioridade técnica do programa de Dilma: trabalho de câmera, qualidade das imagens externas, edição do filme, multiplicidade de ângulos e tomadas, trabalho com a luz—essa lista não está nem próxima de ser exaustiva. Aconteceu um baile de dramaturgia e cinematografia, sras. e srs. Mas ele não chega nem perto do baile político que ocorreu:







Como notou o Marco Aurélio Weissheimer, o programa de Dilma destacou o significado histórico de uma candidatura. De cara, aniquilou a possibilidade de qualquer outro factoide com a militância anti-ditatorial de Dilma. Encarou o tema de frente, falou dele com orgulho, trouxe o testemunho de ex-companheiras de cela e alinhavou pela primeira vez, na história pós-1989, a ditadura militar e a memória como temas legítimos numa eleição presidencial. Foi histórico, porque ao falar de si Dilma falou também do coletivo, contou aos mais jovens um passado que eles não viveram. Foi, ao mesmo tempo, um ato verdadeiro e um golpe preventivo: tente agora, Revista Veja, inventar um factoide do tipo Grupo de Dilma discutiu assalto a banco em 1969; tente agora, Folha de São Paulo, desenterrar outra ficha policial falsa enviada como spam. Querem falar de 1969? A campanha respondeu: assistam a esse programa, esse pronunciamento, e aí a gente fala de 1969, e de 1971 também. O jogo agora é outro, baby.

(Ao colunismo da grande imprensa, partidário mas que não se assume como tal, apresentando-se sempre como pretensamente neutro, restou torcer para que o povo não tenha dois documentos para votar, ou torcer que um milagre em Minas Gerais leve a eleição ao segundo turno--Minas, aquela "república independente das Alterosas", cuja "lingua", o mineirês, Serra já declarou não entender muito bem.)

No programa da noite, estabelecida a candidata, comoventemente contada sua história, apresentada como mineira-gaúcha que é (temperada de ampla experiência de Brasília), foi o momento da entrada de Lula. Sua entrada estabelece o contraste que interessa a Dilma, entre o que foi o Brasil de FHC, com Serra ministro, e o que tem sido o Brasil de Lula:





Logo depois que as primeiras reações ao contraste televisivo se espalhavam pela internet, saíram os números da pesquisa Vox Populi, dando Dilma com 16 pontos na frente, por 45 x 29. Nas goleadas do futebol, há sempre um momento em que o jogo "sai do controle", e qualquer tentativa de empate vai virando tentativa de manter em derrota em números aceitáveis. 17 de agosto bem pode ter marcado esse momento da partida para a candidatura de José Serra, tão equivocada desde o começo, tanto em sua estratégia como em sua concepção de Brasil. Seus programas de TV só confirmaram essa verdade, mesmo quando mentiam.



PS: Caríssimos em Goiânia, o blog convida a que liguem na Mostra de Cinema Árabe, que acontece aí nos dias 27 e 28 de agosto.



  Escrito por Idelber às 05:14 | link para este post | Comentários (26)



terça-feira, 17 de agosto 2010

Blogs e política, links, livros, Dilma

* Acho que os dois grandes blogs desta eleição têm sido o Tijolaço, do Deputado Brizola Neto e o Na Prática a Teoria é Outra, do Celso. Ambos, com conteúdo original e frequente, fazem um contraponto à péssima imprensa, formada basicamente por Monday morning quarterbacks, ou seja, comentaristas redundantes do acontecido. No reino destes últimos, a novidade é que até o Josias desembarcou da candidatura Serra.

* Alô meninos, alô mães e pais, alô apreciadores da boa literatura infantil: Seguindo este link e clicando na imagem você baixa O Reinado de Bené, de Andressa Gonçalves e Paulo Morais, ficção que se nutre da memória oral dos reinadeiros de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Divinópolis. A orelha foi escrita por Ana.

* Por falar em orelha, Elvis e Madona, sensacional melodrama underground de Luiz Biajoni, sai em breve com orelha minha, parcas linhas relatando o quanto me diverti com o livro. Biajoni é uma luminosa inteligência pop da internet brasileira, e eu me orgulho de ter dito isso lá atrás.

* Uma diferença entre a eleição de 2006 e a de 2010 nos blogs é que uma matéria como a da Época antes seria tema de inúmeros posts com denúncias de manipulação e má fé que se arrastariam durante dias. Vivemos agora em outra temporalidade. A reação é instantânea. Um naco imenso da população já sabe que a baixaria é manipulada, e assim as paródias pululam imediatamente. Dois exemplos são a mudança em massa de avatares dos tuiteiros, adotando a imagem da Dilma na revista, ou esses belos trabalhos do Abunda Canalha:

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* Já recomendei aqui, mas não custa ressaltar que o Por que votarei em Dilma Rousseff, do Celso, é um banho de números. Cito o parágrafo demolidor: A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.

* Pretendo gravar pelo menos dois outros vídeos, endossando o Deputado Raul Pont (PT, 13400) para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e a Deputada Jô Moraes (PC do B, 6565), para a Câmera dos Deputados por Minas Gerais, antes de fazer o meu Por que votarei em Dilma. Impossível escrever outro na mesma semana que o do Celso.

* Se você apoia Dilma para Presidente, saiba que já está no ar o blog oficial Dilma na Rede, que é de conteúdo colaborativo: você se cadastra e escreve, cria comunidades etc. Se já está lá, visite meu perfil e adicione. Se ainda não entrou, entre. Está bem feita a coisa.

* Vai rolar agora em São Paulo o Primeiro Encontro de Blogueiros Progressistas, com muita gente boa. Prometo estar aí em espírito.

* Aí vai uma explicação sobre uma mudança na página inicial do blog: muitos leitores já me disseram que ficavam perdidos no imenso blogroll. Fiz uma listinha de “Indispensáveis”, que são simplesmente os blogs em que clico primeiro no Greader. É no intuito de orientar quem chega ao mundo dos blogs. É uma lista que vai variar, evidentemente. Ela também inclui blogs maravilhosos que pararam, como o Ao Mirante, Nelson e a Palestina do Espetáculo Triunfante, ou que quase pararam, como o Pensar Enlouquece. Estão lá os outros lugares na web em que saem textos meus: a Fórum (com periodicidade), o Sul 21 e a Agência Carta Maior, todos eles espaços com os quais tenho orgulho de colaborar.

* Por falar em indispensáveis, mais uma vez o Leandro Fortes dá uma aula de verdadeiro jornalismo, mostrando como o caso Lunus—de exposição do dinheiro (que era mesmo ilegal) no comitê de campanha de Roseana Sarney, em 2002, em ato que dinamitou sua candidatura—tinha todas as digitais do governo Fernando Henrique e, explicitamente, de José Serra. E agora a Revista Veja quer requentar a denúncia para culpar .. quem? O PT, claro. Tudo isso com o profissional que investigou o fato escrevendo na internet e mostrando que FHC esperou até tarde o fax de confirmação do sucesso da operação, que as bestas dos arapongas enviaram da própria empresa investigada! O jogo agora é outro, baby.

* Convido a todos a que circulem o resultado de uma colaboração de blogueiros. O Trabalho Sujo publicou alguns adesivos geniais feitos por Tom Scott para satirizar o pseudo-jornalismo. Eu os traduzi e tanto o Branco Leone como o Tiagón compuseram imagens com a tradução. Aqui vai o pdf do Tiagón, com as versões em português dos selinhos satíricos: (Atualização:o Alexandre Matias dá o link a um arquivo jpeg muito melhor que o meu, feito pelo Thiago. Agora sim, dá pra circulá-lo por aí).

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* Se você é um dos (três ou quatro!) que já trollou este blog vituperando se você é tão marxista por que vai trabalhar nos EUA? Por que não vai pra Coreia ou Cuba?, a espera valeu a pena: regozijai-vos, irmãos, eis aqui vossa resposta.

* Como este blog jamais se furtou a celebrar o fato de que tudo, absolutamente tudo é possível de ser dito na internet, deixo-os com este inacreditável post: o Datafolha é parte da conspiração para eleger a Dilma, diz um blog. E viva o direito de ser doido! (via Alex Castro).

* É claro que a notícia do dia foi que até mesmo segundo o IBOPE, amigo maior da Globo, instituto dirigido por aquele Montenegro que dizia que o teto de Dilma era 15 ou 20, a danada já disparou, está se aproximando dos 50 e abriu vantagem de dois dígitos. Tudo isso antes do sapo barbudo dos 86% de popularidade aparecer na TV pedindo voto pra ela.

* A vida de Serra anda tão difícil que ele foi a Porto Alegre e, em extraordinário ato falho, se referiu à governadora (sua aliada combalida e sem chances de ser reeleita) como Yeda “Cruzes”. Está tudo no blog do Milton Ribeiro, com fotos impagáveis. Não satisfeito, Serra chegou de madrugada e tuitou que em São Paulo fazia ainda mais frio que no Rio Grande! Pouparemos o ex-governador de uma leitura freudiana, mas Nassif anda depenando o coitado com requintes de crueldade.



  Escrito por Idelber às 03:39 | link para este post | Comentários (19)



sexta-feira, 13 de agosto 2010

O vexame de Bonner e um aniversário de 21 anos

Este blogueiro inicia hoje uma colaboração semanal com o site da Revista Fórum. Um trecho de cada um desses posts será publicado aqui, seguido de um link para que você termine a leitura no site da própria revista.


William Bonner e Fátima Bernardes com certeza não terão percebido a ironia involuntária, mas os grotescos espetáculos das entrevistas (agressiva e mal educada) com Dilma Rousseff e (subserviente e omissa) com José Serra marcaram a “maioridade”, por assim dizer, o vigésimo-primeiro aniversário da manipulação mãe de todas, a fabricação de outro debate Lula x Collor (diferente do debate que aconteceu) nas salas de edição de vídeo das Organizações Globo em 1989. O show de grosseria com Dilma e o show de subserviência com Serra foram indicação de que tudo continua o mesmo na Globo, mas tudo mudou no mundo que a rodeia. O seu poder de moldar a realidade nem de longe é o mesmo.

Aqui, como em qualquer outro campo, não convém ceder ao otimismo exagerado. De todos os conglomerados máfio-midiáticos do país, Globo é o único que mantém inegável capilaridade nacional e poderes de fogo e de barganha. Não é absurdo supor que ela foi a principal causadora da ida das eleições de 2006 para o segundo turno, com as bombásticas fotos ilegalmente obtidas de um delegado da Polícia Federal, cuja exibição exigiu que o Jornal Nacional ignorasse o maior acidente aéreo da história do Brasil.

Mas de 1989 a 2006 a 2010 o país cumpriu um ciclo, amadureceu e não é absurdo supor também que, para a maioria dos telespectadores da entrevista com Dilma Rousseff, tenha sido William Bonner quem “pagou o mico”, pareceu sem argumentos, desequilibrado e anti-jornalístico.

Termine a leitura de "O vexame de Bonner e um aniversário de 21 anos" no site da Fórum, e depois volte aqui se quiser comentar.



  Escrito por Idelber às 17:41 | link para este post | Comentários (29)




Blog endossa Dr. Rosinha para Deputado Federal no Paraná

Inicio hoje a publicação de uma série de vídeos com declarações de voto para as eleições do dia 03 de outubro. Eu voto em Minas Gerais, mas incluirei alguns endossos a Deputados Federais de outras unidades da federação, cujo trabalho eu tenho acompanhado de perto nos últimos anos. Meu primeiro recado vai para os amigos paranaenses e meu endosso é do Doutor Rosinha, do PT (1313). Aí vão minhas razões:




Este espaço está aberto para que você declare seu voto na próxima renovação da Câmara dos Deputados, desde que seja em seu próprio nome, sem fazer cópia/cola (spam) de material de campanha já disponível alhures. Outras declarações de voto minhas virão por aí.



  Escrito por Idelber às 02:03 | link para este post | Comentários (30)



quinta-feira, 12 de agosto 2010

José Serra mente até sobre sotaque

Evidentemente, a última coisa que um professor de línguas/literatura, não importa de que posição política, deve fazer com as recentes declarações de José Serra—de que “não entende” sotaques em Minas Gerais, Goiás e Pernambuco—é acreditar nelas. Sim, porque a afirmativa de que é possível que um brasileiro alfabetizado como Serra viaje pelo Brasil e tenha problemas de comunicação oral, por culpa de variações dialetais do português brasileiro, é uma afirmativa comparável a “Serra criou os genéricos”, ou seja, trata-se pura e simplesmente de uma mentira, encapada, como outras, com uma camada de típico preconceito classista da República Morumbi-Leblon.

Isso não existe no Brasil. Serra estava mentindo. Vamos à sociolinguística elementar que nos permite mostrar por que ele estava mentindo.

Claro que estão certos os colegas acadêmicos mineiros entrevistados na matéria de Juliana Cipriani para o Estado de Minas: variações dialetais existem e um ato de comunicação aqui ou acolá pode tropeçar nessas variações, em combinação com o ruído do ambiente e outros fatores. Mas a afirmativa de que possa existir uma dificuldade sistemática, genuínos problemas de compreensão oral de um brasileiro viajando pelo país é um disparate. O brasileiro comum sabe disso intuitivamente, não é necessário ser da área de Letras. Quando Serra alega incompreensão de sotaque, ele está combinando uma mentira com um preconceito, uma desculpa esfarrapada para não ouvir o outro acoplada à real crença—real, ainda que amparada numa mentira—de que o outro não tem nada de importante a dizer.

Por mais que um alemão possa testemunhar que a variação dialetal da Bavária lhe causa problemas de compreensão, ou por mais correto que seja supor que um cidadão dos cafundós do Alabama e alguém do norte da Escócia, falando a “mesma” língua inglesa, poderiam não se entender, no Brasil isso não existe. Se há uma coisa que distingue o Brasil de outros países de extensão comparável é a sua assombrosa unidade linguística (com “unidade” aqui, claro, o único que se quer dizer é que todos falam, com incontáveis variações sócio- e idioletais, reconhecidamente a mesmíssima língua). Se você é falante nativo de português nascido no Brasil, a afirmativa de que “não entenderá” o sotaque de tal ou qual lugar é uma patacoada. É como aquele brasileiro que sai “para a América” e um ano depois diz que “esqueceu o português”.

Por isso, a segunda coisa que um professor de línguas/literatura não deve fazer com a afirmativa de Serra é ceder à tentação de dar-lhe lições de sociolinguística do português brasileiro e passar-lhe um atestado de ignorância. É verdade que a República Morumbi-Leblon continua não sabendo nada de Linguística, mas aqui não se tratava de ignorância. Era má fé mesmo, no seco.



  Escrito por Idelber às 10:24 | link para este post | Comentários (57)



quarta-feira, 11 de agosto 2010

José Serra e seu descompasso com o mundo

As declarações feitas por José Serra sobre política externa ao longo da campanha impressionam por sua irresponsabilidade, truculência, ignorância, xenofobia, belicismo, leviandade, provincianismo, estreiteza de visão e isolacionismo. Postas em prática como política de Estado, seriam receita certa para que o Brasil jogasse no lixo boa parte do prestígio internacional que acumulou durante os últimos anos. Com levianas referências ao Irã, aos vizinhos-irmãos do Mercosul e à vizinha-irmã Bolívia, o Sr. José Serra demonstrou seu total despreparo para suceder o Presidente Lula como porta-voz do Brasil no mundo. As recentes acusações ao PT, de manter “relações” com as Farc, mostram que o candidato do PSDB optou por tentar mobilizar o ódio como cabo eleitoral. Não costuma dar certo.

Na RBS, no dia 06 de maio, em meio a uma das vitórias mais expressivas da história da diplomacia brasileira, José Serra saiu-se com a pérola de que “Eu não receberia nem visitaria o presidente Ahmadinejad. Mas manteria com o Irã relações normais, comerciais”. O gênio José Serra quer inventar jabuticaba jamais vista na história da diplomacia: relações “normais” nas quais um dos lados se permite estabelecer de antemão que não recebe nem visita o outro. Com que autoridade ele vem dizer que não recebe nem visita um chefe de nação importante, reconhecido como legítimo por toda a comunidade internacional? Será pura tentativa de mobilizar o ódio e a xenofobia para dividendos eleitorais, esse alinhamento com uma posição que só o estado de Israel e as piores forças políticas dos EUA continuam mantendo? Se ainda restasse a Serra um mínimo de humildade e disposição de ouvir e aprender--coisa que não tem faltado a Lula--, ele teria se lembrado de que há mais história em um milímetro cúbico de cultura persa que em toda a pobre coalizão que o sustenta, formada pelo rancor de uma pequena parcela da classe média brasileira, algumas oligarquias anacrônicas e o intelectualmente indigente e eticamente enlameado pseudo-jornalismo das Globos, Vejas e Folhas.

O Brasil é um país jovem, de importância crescente, e os melhores momentos de sua excepcional diplomacia se deveram sempre à opção por paz, autodeterminação dos povos e disposição ao diálogo. E vem esse Sr. dizer que não conversa com o chefe político da milenar civilização persa? Com que direito? O presidente brasileiro recebe e visita até mesmo o chefe do estado israelense, que mantém há 43 anos a mais longa e brutal ocupação militar estrangeira da era moderna, marcada por violações a dezenas de resoluções da ONU. E José Serra quer ganhar votinhos às custas da demonização do presidente do Irã, país que nunca invadiu ninguém e onde o Brasil é visto como nação amiga?

Os insultos aos países vizinhos são, a curto prazo, de consequências ainda mais graves. Em declaração à FIEMG, José Serra qualificou o Mercosul como uma “farsa”, para depois tentar consertar o desastre dizendo que era necessário “flexibilizá-lo”. O candidato ainda não explicou como se procede para flexibilizar uma farsa, mas é nítida sua hostilidade aos pilares da integração política pacífica da América do Sul. Exímia desmontagem dessa verdadeira farsa que é a sequência de declarações de Serra sobre o Mercosul já foi feita por Martín Granovsky, analista internacional argentino, com fatos, números e argumentos (em texto disponível em português, na tradução de Katarina Peixoto para a Agência Carta Maior). Com elegância, Granovsky lembra a José Serra o óbvio: “a chave da estabilidade sul-americana é a sólida relação entre a Argentina e o Brasil”; com as políticas de integração do Mercosul, ambos cresceram e diminuíram a pobreza, sendo pouco afetados pela crise que vem devastando países como a Grécia, a quem se impõe agora o mesmo “remédio” do FMI, de tão nítida lembrança para brasileiros e argentinos que viveram sob FHC e Menem. Na América Latina, quem mais sofreu a crise recente foi o México, justamente o país que optou por não diversificar seu comércio exterior e atrelar-se aos EUA.

A acusação de José Serra ao governo boliviano, de cumplicidade com o tráfico de cocaína, é episódio gravíssimo, sobre o qual o governador deve desculpas e/ou explicações. É de uma cegueira sem fim. A declaração é desprovida de qualquer tipo de provas, aposta na confusão ignorante entre folha de coca e cocaína, e estimula a xenofobia e o racismo. Seja qual for a política que você defenda para as drogas ou seu grau de apoio à integração e à colaboração sul-americanas, a acusação feita por José Serra é um desastre de relações internacionais. Se olhasse um pouquinho para a história da Bolívia, o Sr. Serra teria uma dimensão do ineditismo que é a existência de um governo democrático estável, que combina crescimento e redução da desigualdade no país.

O mais recente episódio foi a desastrada acusação de seu vice, Indio da Costa (DEM), ao PT, segundo a qual o partido estaria “ligado” às Farc e ao narcotráfico. Tentando depois corrigir o desastre, José Serra limitou a acusação à suposta relação do PT com as Farc, salientando que estas, sim, traficam drogas. O fato mais óbvio sobre o conflito colombiano o Sr. Serra não tem coragem de mencionar, claro: o dinheiro da droga financia todos os atores políticos armados, incluídos os paramilitares e setores do próprio aparato estatal. Até mesmo a direita hispano-americana reconhece que não há solução possível para o conflito colombiano sem que todos os atores políticos se sentem à mesa de negociações. Com José Serra no comando do país, poderíamos renunciar a qualquer protagonismo brasileiro na resolução do problema. Podemos, inclusive, esperar que a posição brasileira seja a de piorar ainda mais a situação de conflito. Seria uma ruptura com as melhores tradições da nossa diplomacia. As recentes conversas entre Hugo Chávez e o recém eleito Juan Manuel Santos Calderón mostram o acerto da escolha do Itamaraty e do governo Lula nessa área.

José Serra tem todo o direito de defender a política externa que seu partido executou nos anos 90, de alinhamento automático e subordinado com os Estados Unidos. Que ele tenha a coragem de colocá-la ao veredito do eleitorado brasileiro. Mas que tenha um mínimo de responsabilidade. Nossa condição de país pacificamente integrado com seus vizinhos, solidário com seu crescimento e bem quisto nos quatro cantos do mundo é um tesouro por demais precioso para que se brinque com ele em nome de um mero, e passageiro, desespero eleitoral.



  Escrito por Idelber às 18:43 | link para este post | Comentários (45)



segunda-feira, 06 de abril 2009

Folha inicia campanha difamatória contra Dilma

A carta abaixo, escrita pelo jornalista Antonio Roberto Espinosa, professor de Política Internacional e doutorando em Ciência Política na USP, fala eloquentemente por si só. Ela já foi reproduzida por RS Urgente, Marjorie Rodrigues, Luis Nassif e Cloaca News.

Prezados senhores, chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:

1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;

2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;

3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto.

Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:

1) A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;

2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;

3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas.

A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;

4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;

5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc.

Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;

6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.



  Escrito por Idelber às 17:27 | link para este post | Comentários (90)