Este blog está em hibernação por tempo indeterminado
Caros leitores:
É hora de dar-lhes uma satisfação sobre os rumos do blog. Depois de muito pensar e examinar alternativas, decidi colocar o Biscoito em regime de hibernação por tempo indeterminado. Achei que conseguiria chegar ao quinto aniversário do blog, em outubro deste ano, no regime de postagens quase diário com o qual os leitores já se acostumaram. Mas não vai dar. Ficou impossível conciliar meu intenso envolvimento com a internet e o trabalho acadêmico que pretendo fazer nos próximos meses, que inclui três contratos de livros.
Claro que pensei na alternativa de manter o blog ativo e reduzir a frequência dos posts, o que teoricamente me permitiria dedicar mais tempo à pesquisa e à escrita acadêmica. No entanto, como sabe qualquer internauta viciado, as coisas não são tão simples. A vida online suga bastante e a minha, em particular, tem tido forte componente compulsivo. É mais ou menos como parar de fumar. No meu caso, “reduzir” não era uma opção.
Também pensei na possibilidade de convidar alguns dos muitos comentaristas do blog para postarem textos aqui a cada semana, transformando o Biscoito numa espécie de revista. Mas, além de que isso me manteria ligado na caixa de comentários, a ideia não tem muito sentido, visto que praticamente todos os colaboradores em quem pensei têm os seus próprios blogs.
Vou manter minha conta no Twitter mas também por lá devo dar uma reduzida. Sigo colaborando com a Revista Fórum, em cujo site você poderá ler, mensalmente, meus artigos, que não pretendo continuar postando aqui.
Nestes dez dias sem blogar, redescobri um pouco do intenso prazer de ler a produção acadêmica recente em crítica literária, filosofia e estudos culturais: ler coisas com capa, desenvolvendo um longo, complexo argumento em centenas de páginas, produto de pesquisa e reflexão feita ao longo de anos. É uma experiência que, pelo menos para mim, a internet não substitui. Claro que continuo um entusiasta dos blogs, das redes sociais, das novas mídias. Claro que é possível conciliar as duas coisas, viver simultaneamente nos dois mundos. Este blog provou isso nos últimos cinco anos, em que minha produção acadêmica se manteve mais ou menos constante. Mas o fato é que não conheço, pelo menos em português, um blog de penetração e frequência de postagens comparáveis às do Biscoito que seja escrito por um acadêmico ativo, com produção constante. Dá um trabalho do cacete. Meu amigo Michael Bérubé teve um blog comparável durante alguns anos. Precisou parar. Ainda não voltou. Minha suspeita é que vou acabar voltando antes dele mas, agora, impõe-se uma pausa para respirar e recarregar as baterias do intelecto.
Peço a compreensão de vocês por trancar a caixa de comentários deste post, mas é uma decisão que facilita a minha transição de volta à vida acadêmica em tempo integral.
Há uma teoria que reza que não existe ex-blogueiro e, como dito acima, pretendo voltar em algum momento. Encontrarei formas de avisar-lhes. Deixo o agradecimento a todos os leitores e comentaristas. Agradeço muito a todos os blogs que lincaram textos do Biscoito ao longo destes anos. Obrigado, de verdade. Valeu.
Os primeiros cinco links dos drops de hoje vêm do último número da Revista Fórum, que está muito bom:
Sergio Amadeu dá uma entrevista sobre a ética que animou o surgimento da internet, o conflito inevitável entre a lei de direitos autorais e o coletivismo internético e fala, como sempre, com autoridade, sobre o AI-5 Digital.
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Você sabe, caro leitor, quais são os três estados brasileiros onde não existem Defensorias Públicas? Você leu na Fórum, via Biscoito, primeiro: Santa Catarina, Paraná e Goiás. Três dos grandes – se não os três maiores – bastiões do anti-lulismo. O artigo de Cinthia Rodrigues é uma reflexão breve, mas informativa, incisiva, sobre o triste estado das nossas Defensorias. AC, AP, DF, MS, PB e RR tem 100% de suas comarcas atendidas por Defensorias. Só 47% das comarcas mineiras são atendidas por Defensorias. O estado de São Paulo? Quinto pior índice do Brasil, 7,1%. No artigo de Cinthia Rodrigues.
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Renato Rovai e Adriana Delorenzo fizeram interessante entrevista com Valter Wladimir Pomar (obrigado pela correção, André e Biajoni), talvez o maior especialista brasileiro em China, ainda que com uma versão forçada, oficial e ortodoxa sobre o massacre na Praça Tianamen.
Camila Souza Ramos escreve muito bem sobre a contagem regressiva do kirchnerismo e faz ótima entrevista com o historiador Osvaldo Coggliola.
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Foi punida só com uma censura a piradíssima psicóloga evangélica que se propõe a “curar” gays e lésbicas. Mas ainda está viva a possibilidade de que seu registro seja cassado, o que é o correto segundo resolução já aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, que proíbe esse tipo de maluquice.
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O artigo de Paulo Renó sobre cotas e falácias lógicas foi um dos melhores textos que li sobre o assunto ultimamente.
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Sempre é bom lembrar que foi Leonardo Sakamoto, e não a grande imprensa, quem noticiou que uma escola pública de São Paulo virou alojamento de escravos.
Alguém aí sabe quanto dinheiro público irrigou as Organizações Globo durante os 21 anos do regime militar? Existe alguma pesquisa minimamente fundamentada sobre esse mastodôntico número? Será que algum dos funcionários dos Marinho, ao falar de dinheiro público indo para isso ou aquilo, pensa em fazer essa pesquisa?
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Excelente o texto de Alan Badiou sobre a arte, publicado em português no último número do Sopro, revista editada por Alexandre Nodari e Flávia Cera, que andam fazendo a peregrinação da capital mundial dos botecos.
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E, nas palavras de Túlio Vianna, Gilmar Mendes indeferiu (pdf) a liminar do DEM contra as cotas, mas preparou o terreno para votar com eles na questão de mérito.
Lucia Malla é das pessoas mais queridas da blogosfera brasileira. Cientista de mão cheia, viajante contumaz, estudiosa atenta da questão ambiental, Lucia é conhecida, principalmente, pela extrema gentileza com que trata a todos: uma daquelas pessoas cuja verdadeira ponderação e respeito pelo interlocutor são mesmo incomuns, irradiam compreensão e diálogo por onde passam. Orgulho-me de ser seu amigo e o seu blog é um de meus favoritos de todos os tempos. Se você anda estressado e cedendo à tentação de bater boca, a sugestão é que dê uma passada no blog da Lucia, mergulhe nos arquivos e tome um banho de alto astral, saber científico-viajante e alegria de viver. Lu integra meu blogroll desde o minuto 1, contemporâneos que somos.
Em Indústria Farmacêutica 1 e Indústria Farmacêutica 2 está o cruzamento entre Lucia cientista e Lucia ativista-blogueira-popularizadora de sua ciência. É uma fundamental leitura de nosso tempo. Mas o blog dela é muito mais. Característica que me faz gostar muito é a série Pequenas anotações de viagens virtuais, em que ela linka generosamente, sempre, os blogs que lê. Trata-se de uma arte essencial que Lu sempre exerceu com maestria.
Além do grande conteúdo, o blog de Lu é dos visualmente mais lindos, registro que é das viagens de dois grandes biólogos pelo mundo. As imagens são assinadas por Andre, marido e fotográfo, além de profissional da biologia. Aqui, Lu com um tubarão, uma de suas especialidades:
Bióloga brasileira já citada por revistas de ponta da ciência internacional, Lu foi a encarregada de dar uma lula a Lula quando o Presidente visitou a Coreia. Além de testemunhar mais de quatro cantos do mundo, ensinar-nos muito sobre a conservação do planeta, esbanjar sabedoria e alto astral, Lu imortalizou uma frase na internet brasileira:
Aí vai um post que explica alguns dos princípios que regem a relação deste espaço com seus leitores e com outros blogs. Senti a necessidade de escrevê-lo depois de receber dois emails de pessoas que haviam aberto blogs e me procuraram pedindo a tal fatídica “parceria de links”. Como sabe quem bloga há algum tempo, não há nada que tire um blogueiro do sério como esse pedido. O que era diferente nesses casos é que os dois blogs em questão eram promissores. Mas o pedido é muito brochante. Aí pensei que valeria a pena aproveitar e esclarecer algumas coisas.
1.Podemos fazer uma parceria de links? Mô fio, não peça isso a um blogueiro jamais. Você queima seu filme antes de entrar na roda. “Parceria de links”, pelo menos aqui, não existe. Quando vejo um blog de que gosto, divulgo-o sem pedir nada em troca. Qual a melhor forma de trazer leitores ao seu blog então? Ora, ir armando uma rede de contatos e fazer comentários nos posts sobre os quais você tem algo relevante a dizer. Eu, pelo menos, nunca recebo aqui um comentário de blogueiro ainda não conhecido sem que eu dê uma clicadinha para visitá-lo. Se gosto do que vejo, copio o link para o meu Google Reader. Se começo a lê-lo regularmente, ele passa ao blogroll aí à esquerda. Quando vejo algum post que acho que pode ser do interesse de quem me lê, dou o link aqui no corpo dos textos. O Biscoito linka muito e com frequência há anos. Não leio religiosamente todos os blogs linkados aí à esquerda, mas não há blog em língua portuguesa que eu leia com regularidade que não esteja listado aí. Cada um faz isso de uma forma: existe gente que é completamente pautada por blogs ausentes de seu blogroll. Eu prefiro usar meu blogroll para dizer com clareza ao leitor a quem eu leio. Se não está aí, é porque não leio ou, pelo menos, não passei a ler regularmente ainda.
2.Você não respondeu meu comentário: Sempre foi minha prática responder os comentários. Ficou impossível, como qualquer pessoa razoável pode atestar visitando as caixas do Biscoito. Mas tenha certeza de que seu comentário foi lido com atenção e de que sou grato pela visita. Não tem sentido ficar entupindo a caixa com “obrigados” e “volte sempre”, mas espero que a apreciação esteja implícita. Responder ou não a um comentário é, na maioria dos casos, produto de fatores aleatórios: tempo, disposição, ter ou não ter algo que acrescentar, ter ou não ter chegado a tempo de respondê-lo antes que um monte de outros comentários tenham sido feitos etc. Se respondi ao comentário de outro leitor que não você, não pense que aquele foi mais apreciado que o seu. Na verdade, boa parte dos meus comentários favoritos aqui ficou sem resposta.
3.Você ignorou meu email / meu twitt / minha chamada no MSN / Gtalk / Facebook: Sempre foi minha prática responder os emails que recebo, mas já está ficando impossível. Se você precisa de algum link ou informação, envie um breve email ao endereço disponível aí à esquerda, e as chances são de praticamente 100% de que você receberá uma resposta. Se você me enviar um email de 17 parágrafos debatendo algum tema do blog, as chances são de praticamente 100% que ele ficará sem resposta. Não vejo muito sentido em discutir opiniões por email. Para isso está a caixa de comentários. Quanto ao MSN / Gtalk / Facebook: eu não bloqueio ninguém nessas ferramentas de comunicação instantânea. Eu praticamente não as uso.
4.Você está interessado em uma parceria para avaliar o produto tal e escrever sobre ele? Terminantemente não. O Biscoito não faz propaganda de nada a não ser do que leio e gosto, ouço e gosto, vejo e gosto. Não estou interessado em conversar com nenhuma empresa sobre nenhum produto.
5.Gostaria de enviar-lhe o meu livro ou ensaio. Receberei com todo prazer e muito provavelmente lerei. É só enviar um email e pedir o endereço. Você com certeza receberá o agradecimento pelo envio. No entanto, lembremos Derrida: o dom deixa de ser dom no momento em que se inscreve numa expectativa de economia de troca. Se você quer me dar algo, eu aceito, se for dádiva mesmo. Não me cobre nada. Eu posso fazer uma resenha ou não. Isso depende não só de eu ter gostado, mas também de eu sentir que tenho algo a dizer sobre a obra. Recebi vários livros de que gostei muito e que ainda não foram resenhados aqui – em parte por falta de tempo mesmo. Casa das feras, de Márcia Bechara, Transparência pública, opacidade privada, de Túlio Vianna, Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência, de Rafael Fortes e Visita às casas de Freud e outras viagens, de Sérgio Telles são quatro magníficas obras que já li e gostaria de resenhar. Pode ser que role ou não. Portanto, a ausência de comentário sobre o seu envio não quer dizer nada. A certeza que você pode ter é que, se você for um jovem contista, me enviar o seu livro e eu achar que ele é uma porcaria, eu não farei uma resenha dizendo isso. Não tenho o menor interesse em detonar um jovem escritor.
6.Estamos concorrendo no concurso de blogs tal e qual, você pode ajudar? Já fiz isso muito mas, sinceramente, acho que já deu. Os concursos de blogs cumprem lá o seu papel, sempre é bacana a divulgação extra que eles trazem, mas me cansei um pouco deles. Acho, inclusive, que a grande maioria dos leitores não está muito interessada se você ganhou o selinho do concurso tal. Isso vale tanto para outros blogs como para mim. Com certeza o Biscoito voltará a ser indicado para concursos, mas eu não planejo voltar a divulgar nenhum deles aqui.
7.Estou cursando a disciplina tal e quero fazer uma entrevista com você. Sim, estou à disposição, desde que seja algo que eu não tenha respondido antes. Portanto, se você é estudante universitário e gostaria de fazer uma entrevista comigo, eu sugeriria que você desse uma olhada nas mais de dez que fiz por aí na web. Se as perguntas forem qual é o potencial dos blogs e das novas mídias? ou você acha que os blogs vão substituir a grande imprensa?, aí não, porque eu já respondi isso umas trinta vezes. Se as perguntas forem novas, em geral dá.
8.Se posso aproveitar para fazer uma sugestão, aí vai: o silêncio do outro, na internet, raramente significa o que achamos que ele significa. Trata-se de um mundo superpovoado de signos e, na ausência deles, é melhor não interpretar muito. Eu tenho visto ao longo dos anos que essa é uma boa técnica para manter a sanidade mental.
Se algum blogueiro quiser completar com algo que vem da sua experiência, fique à vontade. Se algum leitor quiser usar o espaço para saber algo mais, fique à vontade também. Sei que este é um post que em alguns momentos pareceu meio rabugento, mas eu tinha a necessidade de escrevê-lo, inclusive para ter o link na próxima vez que eu receber alguma dessas perguntas, o que vem acontecendo quase diariamente. Boa semana para todos.
PS: O blogroll dá as boas vindas a dois blogs que comecei a ler com muito gosto e proveito: Ademonista e Tiago Pereira.
PS 2: Quem esteve aqui em Minas este fim de semana e me encarou bravamente numa maratona de Originais foi a turma que escreve o excelente blog do Guaciara.
Rafael Galvão é, antes de tudo, um preguiçoso. Ele é a prova definitiva de que a natureza faz as coisas direitinho. Com a erudição e o talento absurdos que possui, já teria dominado o mundo, caso se empenhasse. Tal como está, ele é só o autor de um dos melhores blogs já escritos em qualquer língua. Sem o menor respeito pelas mais elementares etiquetas do politicamente correto, implicando com cidades, com o orgulho local, com o que ele chama de pseudo-feministas, sem mover uma palha para responder aos seus comentaristas e sem comentar em lugar nenhum, ele é uma lenda viva entre os que presenciamos a pré-história dos blogs brasileiros.
Se você nunca ouviu a expressão As alegrias que o Google me dá (atenção: no fim da página há um link para a continuação da festa), você está perdendo o que de mais divertido – e ao mesmo tempo revelador – já foi feito nos blogs. As respostas do Rafael às expressões que lhe trazem leitores pelo motor de busca são um achado sensacional, não só pelas pérolas de humor que ele extrai da coisa, mas porque o “Alegrias que o Google me dá” é um verdadeiro retrato da miséria humana, inconcebível antes da internet. O Google ocupa hoje, claro, a posição que Jacques Lacan chamava de sujeito suposto saber. Ele é o Grande Outro ante o qual não só projetamos o não-saber, mas vivemos a ilusão de fazê-lo privadamente. Eu daria tudo para ver a cara de um sujeito que reencontrasse um dos seus termos de busca (penes piqueno) no interior de uma sátira do Paraíba.
Eu não teria nenhum motivo para gostar do Rafael Galvão: o cabra é stalinista, flamenguista, fã de Paul McCartney e redige melhor que eu. O texto é sempre escrito naquele português escorreito, límpido. Não há nem sombra das estrovengas barrocas que eu enfio no meio das frases. Sobre os Beatles, eu, lennonmaníaco, não seria louco de polemizar com o Paraíba. Eu sairia machucado. Ele é, provavelmente, a pessoa que mais conhece Beatles no Brasil.
Eu tenho a honra de ser co-autor de um post no blog do Paraíba. Ainda acho que é o melhor post que já escrevi, e é quase tão bom como os posts dele. Antes de oferecer o link, faz-se necessária uma explicação. Lá nos primórdios, quando ainda blogávamos com a inocência de quem faz uma traquinagem de moleque, eu cometi a irresponsabilidade de fazer uma brincadeira. No meio de um chat organizado pelo Alex, onde se reuniram vários blogueiros, apareceu uma figura de codinome Solitária 4.2, que ninguém conhecia. Depois de trocar com ela uns flertes virtuais – eu era solteiro --, inventei a história de que alguém havia sequestrado meu perfil para dar as cantadas. Depois, fui ao blog e inventei a história de que o blog também havia sido sequestrado. Exagerei tudo deliberadamente, para que os leitores percebessem a brincadeira. Ali eu aprendi que, na internet, não se brinca com a credulidade humana.
Foi um fuzuê. Alguns leitores entenderam e se divertiram. Outros, não. Comecei a receber telefonemas de amigos e familiares em pânico. Era a véspera de uma palestra minha em Northwestern University, em Chicago, e um professor de lá, leitor do blog, resolveu entrar na brincadeira. Deu-me a ideia de anunciar que um impostor havia aparecido, passando-se por mim, e que ele havia sido recebido com a seguinte pergunta: se você é mesmo o Idelber, diga lá: quem foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1977, em que ano se publicou o primeiro poema gauchesco argentino e onde nasceu Raul Seixas? A história que se seguiu foi narrada por Rafael numa inesquecível entrevista.
Homenagear o Paraíba é uma forma de me lembrar do porquê de eu escrever aqui: porque, sim, cumpre algum papel político, constrói redes sociais, compartilha conhecimento, et cetera e tal. Mas, acima de tudo, porque é divertido. Quando deixar de ser, a gente fecha a bodega.
Fal Azevedo inventa, na internet brasileira, todo um sentido de comunidade através dos blogs -- isso, mes amis, bem antes que o Biscoito sonhasse existir. Longe das discussões políticas, dos geeks, das pendengas sobre jornalismo, uma enorme comunidade de leitores – muito especialmente de leitoras – se reúne em torno da Fal com carinho e devoção que, para mim, são comoventes. Se você não conhece o Drops da Fal e já fez na vida alguma afirmação sobre “blogs”, desculpe-me, mas você tem que voltar lá atrás e começar tudo de novo.
A escrita da Fal não se parece com nada que você conheça. Algum crítico literário mais apressado poderia dizer que é uma “reprodução da oralidade”, mas é muito mais que isso. Às vezes, é como se a dicção registrasse os movimentos do corpo. Tente imitar aquilo e você passa vergonha. É inimitável. Eu brinquei uma vez com a ideia de que os blogs inventavam outra forma de narrar a experiência. Aquela banalidade bruta, do cotidiano -- vizinhos, programas da madrugada, o policiamento do prazer -- pode de repente exalar uma cintilação inaudita no momento em que se transforma em matéria narrável. É com isso que Fal nos brinda todos os dias. Tradutora de mão cheia, ela inventa uma língua. Nada menos.
Houve duas ocasiões em que Fal deixou o Biscoito Fino e a Massa no chinelo. A primeira foi na cobertura do mensalão. No fogo cruzado que caracterizou os idos de 2005, com a direita exultante e a esquerda atônita, faltava uma língua para falar daquilo. O Biscoito tentou e aí estão os arquivos. Mas foi na cobertura ao vivo da Fal que o absurdo de todas as partes envolvidas se revelava. Eu aprendi mais sobre política com a cobertura da CPI feita pela Fal que com qualquer tratado de sociologia.
A segunda foi na época em que resolvi seguir uma novela, Páginas da Vida. A novela era boa, havia muito que se comentar. Mas era impossível não repetir os apelidos que Fal criava para os personagens. O meu pobre post sobre a novela acabou sendo um plágio descarado da festa orgiástica que Fal armava com seus leitores.
Em agosto de 2007, a morte de Alexandre foi, para mim, a confirmação definitiva de que qualquer ideia de justiça neste mundo é um conto da carochinha. Alexandre ainda é o autor do email mais belo que já recebi na vida, uma missiva em que ele encomendava cuidados, preocupado que estava com a vinda de Fal a Belo Horizonte. Ali se via, fariseus, o que é o amor em estado puro.
Roland Barthes sabia das coisas: a honra pode ser imerecida, mas a alegria nunca o é, disse ele em algum de seus livros. Espero que Fal não se importe com a minha revelação pública de que tenho a alegria – a honra, com certeza, eu não mereço – de ser o herdeiro do último objeto que Alexandre tocou em vida. Das minhas mãos ele só sairá para as de meus filhos.
O Drops da Fal é uma história da internet brasileira. É também um lugar para se renovar, diariamente, a alegria de viver. Apesar de tudo.
O que vem acontecendo na República do Peru é algo que raia o inominável. Há um bom post em português sobre o assunto, no blog Cinema e outras artes: Peru, o massacre anunciado.
A ausência de notícias sobre a Palestina Ocupada na mídia ocidental só significa, claro, que os palestinos continuam sendo vítimas de terrorismo de estado sem reações violentas que atinjam israelenses. Veja o que é tentar visitar alguém na Ramallah ocupada. As humilhações sofridas pelos escritores que organizaram o Festival Literário da Palestina está documentada no YouTube. A escritora brasileira Christina Baum esteve presente e escreveu: Foi uma experiência incrível passar uma semana viajando pela Palestina com escritores, jornalistas e cineastas. Só agora entendo a gravidade da situação. É realmente muito, muito triste.
Leandro Fortes, jornalista investigativo de verdade, que incomoda os poderosos e é vítima de processo até do Presidente do STF, não tem medo do blog da Petrobras.
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Acaba de sair um livro importante para o movimento em defesa dos direitos de gays e lésbicas. É a nova publicação da Fundação Perseu Abramo, Na trilha do arco-íris: Do movimento homossexual ao LGBT, de Júlio Assis Simões e Regina Facchini.
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Não posso deixar de registrar que recebi email da Associação Brasileira de Psiquiatria em apoio ao post sobre a homofobia. Quem conhece a história da psiquiatria sabe como isso é significativo. A ABP lançou um projeto de estudos sobre os efeitos da discriminação.
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Bem-vinda à blogosfera, Deputada Manuela. Colocando aí um blogroll, um email de contato e uma licença Creative Commons, a coisa fica mais bonita ainda!
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O Biscoito praticamente já não escreve sobre futebol, mas ajudo a divulgar esse interessante espaço para os viciados em ludopédio: Esquemas táticos.
O post de hoje traz links sobre vários temas e, no final, duas notinhas de interesse para os cariocas.
Em primeiro lugar, música:
Esta dica você leu aqui primeiro: conheça o dirty samba soul de meu amigo e extraordinário músico Blake Amos, que acaba de lançar seu primeiro CD, The Manifesto. Blake é artista formado por uma combinação que não pode dar errado: New Orleans + Bahia + São Paulo + Nova York + Bangkok. É o gringo mais brasileiro que conheço. Se você está em Nova York, não perca os shows de Blake. Se está no Brasil, fique atento para as constantes vindas do artista pra cá. No site de Blake dá pra ouvir um bom naco do CD. Para comprá-lo, clique aqui. Confira a faixa “Check the Sound”, canção que vi nascer. Puro suingue.
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Passei a noite ouvindo Balangandãs, o belíssimo CD que acaba de lançar uma de minhas cantoras favoritas de todos os tempos, Ná Ozzetti. Ela resolveu revisitar clássicos do samba com arranjos clean, mas sem as diluições “de bom gosto” que às vezes se vê em releituras do gênero. No repertório, pérolas que todo mundo conhece: “Tico-tico no fubá”, “Touradas em Madri”, “Camisa listada”, “A preta do acarajé”. O ponto alto do disco, pra mim, é “Na batucada da vida” (Ary Barroso/ Luiz Peixoto), em que a voz de Ná e o violoncelo de Mário Manga dão um show todo especial. Disco recomendadíssimo pelo Biscoito.
Este blog continua rigorosamente silencioso sobre o ludopédio. Pra não dar azar.
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Saiu o último número da revista argentina Todavía. Há uma coisinha minha sobre heavy metal, que o leitorado do blog já conhece, mas que ainda não havia circulado no mundo hispânico, onde o Sepultura tem enorme público.
Recomendo com muita ênfase, nesse número, o artigo do escritor argentino Aníbal Jarkowski sobre a leitura. Gosto de quem discute as condições atuais do ensino de literatura sem moralismos, sem pânico com as novas tecnologias, sem a bobagem apocalíptica de que hoje as pessoas leem menos. Vale lembrar que Jarkowski é autor de um grande romance, El trabajo.
Ainda no número 21 da Todavía, os profissionais do Direito apreciarão, acredito, o artigo de Roberto Gargarella, Professor de Direito Constitucional da UBA, sobre as novas constituições da América Latina.
Sei que muitos não gostam quando exagero na argentinofilia, mas se existe alguma revista brasileira comparável à Todavía, me avisem, porque eu não conheço. Perto dela, as Cults e Bravos! da vida ficam parecendo redação de vestibulando. O paralelo que encontrei outro dia com meus amigos blogueiros belo-horizontinos foi: comparar a cultura letrada argentina com a cultura letrada brasileira é mais ou menos como comparar a percussão brasileira com a percussão argentina. E tenho dito.
O blogueiro zarpa amanhã para a Maravilhosa Inigualável. Começa na quinta-feira, na PUC-RJ, o congresso internacional da Latin American Studies Association. Se você mora no Rio, tem horários livres durante o dia e interesses intelectuais de qualquer tipo, em qualquer disciplina – da agronomia à crítica de arte --, não deixe de passar lá na PUC. Seguindo o link, dá pra ver a imensidão que é o programa. O trotskista atleticano que assina este blog apresenta dois trabalhos. O primeiro é numa mesa-redonda que organizei a pedido da própria LASA (e que inclui o blogueiro Mauricio Santoro), sobre o diálogo entre o Brasil e o Cone Sul. Ela acontece na quinta-feira, às 17:00, na L-454, Leme. O segundo é na mesa “The Art of Human Rights in Latin America”, onde apresento na sexta, às 17:00, na K-103, Kennedy (você não encontrará meu nome nessa mesa, mas estou lá; é que atrasei a anuidade). Falo em português em ambas mesas, evidentemente. A primeira é bilíngue português / espanhol. A segunda é bilíngue português / inglês. Acontece tudo lá na PUC.
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Pensei em convidar os leitores do blog e os amigos blogueiros cariocas para um chope na quinta-feira à noite. Que tal? Digamos, lá pelas 21:30. Teria que ser, claro, num lugar grande (a Cobal do Humaitá?). Pode ser que apareçam os 10 ou 15 amigos do peito que tenho no Rio, e pode ser que apareça muito mais gente, já que estou anunciando no blog. Decidam aí onde é melhor. No momento em que decidirem, eu atualizo o post confirmando.
Atualização: Está confirmado o chope para às 21:00 na Cobal do Humaitá, nesta quinta.
Um blog aos sábados: Palestina do Espetáculo Triunfante
Uma das regrinhas que organizam o blogroll d'O Biscoito Fino e a Massa é a eliminação dos links a blogs não atualizados há, digamos, três meses. É uma forma de manter as recomendações em dia e abrir espaço para novos interlocutores que chegam. Essa regra possui uma única exceção, um blog atualizado pela última vez em junho de 2008 e que aqui continuará para sempre: Palestina do Espetáculo Triunfante. A exceção se apóia num motivo bem simples. Eu considero Katarina Peixoto a inteligência mais fulminante que já blogou em língua portuguesa.
Poesia e filosofia mantêm, sabemos desde Platão, um vínculo difícil e acidentado. Nos textos de Katarina, jóias raras, acontece essa coexistência entre o aríete poético e o pensamento mais rigoroso. Trata-se de um acontecer, mesmo, cintilante. Se você cochila, passa batido.
É verdade que os textos de Katarina não são para todos. Não porque você tenha que ser Mestre em Filosofia como ela, ou conhecer em minúcias a tradição que vai de Heráclito a Nietzsche, como ela, ou manter disposição de luta por justiça social comparável à dela – pouquíssimos seres humanos se comparam a Katarina nesse quesito. Os textos não são para todos porque eles pressupõem que o leitor se entregue à intempérie da linguagem; que esteja disposto a revirar até a última gota cristalizada de medíocre senso comum que nos habita.
Nada do que fiz aqui na cobertura da eleição de Obama se compara às poucas linhas que escreveu Katarina na noite histórica: Porque hoje, nesta noite, os profetas do apocalipse e das variantes deterministas rastaquera estão mudos. Devem estar. Porque os charlatães internacionais e os trapaceiros de balcão – engordurado – de falsas idéias e palavras de aluguel estão sem audiência [...] Porque quando a possibilidade soa como um átimo, esse átimo merece eternidade. Se não se entende, com essas palavras, a significação histórica da eleição de Barack Obama, desculpe-me, mas eu não saberia explicar melhor. Talvez outra frase de Katarina ajude: a gramática da possibilidade pode ser um acaso feliz na história, mas é preciso saber cavá-lo, nem que seja no céu, ou na ponta de um iceberg.
Leitora de Spinoza, Katarina sabe que a moral é universalizável, mas a política nunca o é. Diferença tão simples não exigiria, supõe-se, tanta tinta e tantos bytes, mas não há confusão mais daninha para o Brasil de hoje. É essa a confusão que permite que zumbis do espetáculo triunfante como Regina Duarte e Ana Maria Braga possam traficar cantilena moralizadora como se fosse alternativa política.
Katarina deixou de blogar, mas continua traduzindo dezenas de textos para a Agência Carta Maior, do inglês, do francês, do espanhol. Uma busca com seu nome retorna 129 ensaios. Pura generosidade de quem coloca seu vasto saber a serviço dos demais. Como sabemos, tradutores só são lembrados quando erram. E Katarina, como tradutora, não erra nunca. Mas, aqui, esse seu trabalho também não foi esquecido. Obrigado.
Amiga, não tome este post como um pedido para que volte a blogar. Você sabe o que faz. Aqui, neste cantinho da internet, a Palestina estará para sempre. Como você disse uma vez, nenhum continente nos separa.
Atualização: Eis que chega via César, do Animot, a notícia de que é hoje o casamento de meus amigos Katarina Peixoto e Marco Aurélio Weissheimer. Esse encontro foi uma vez definido por Katarina com uma expressão que, acredito eu, até ele gostaria de ter inventado para definir seu encontro com ela: um tiro certeiro na lua. Tim-tim e felicidades. Vocês merecem.
Extraordinariamente, o Biscoito não publica hoje o seu já tradicional texto longo, reflexivo e / ou incendiário das segundas-feiras. Um valor mais alto se alevanta:
Conto com os belo-horizontinos lá na Rua da Bahia hoje à noite. Neste fim de semana, suspendi até mesmo meu trabalho acadêmico para estudar a sandice. Para destrinchar os danos desse projeto, continua valendo a impecável análise de Túlio Vianna e o acompanhamento do Xô Censura. O áudio do debate em que Túlio dá um baile no Senador Azeredo – mesmo dispondo somente de 15 minutos, contra 40 do Senador – está disponível aqui (o arquivo é pesado e a qualidade do áudio, nas falas de Azeredo, muito ruim).
Para quem quiser acompanhar a tramitação da geringonça no horrível site do Senado brasileiro (uma verdadeira caixa-preta), desde o PLS de 2000, o link é este aqui. O resumão feito pela Agência Senado está em franca contradição com a letra do projeto. Leia, por exemplo, o artigo 285-B. Depois, leia a definição de “dispositivo de comunicação” oferecida no artigo 16. Em seguida, veja se você se convence com a massagem tranquilizante oferecida pelo site do Senado. Não convenceu a mim nem aos dois juízes que consultei.
Por incrível que possa parecer, há profissionais do Direito que acham que esse projeto de lei não é draconiano o suficiente. Se você quiser um bom exemplo de como a mídia -- neste caso, a Rádio Inconfidência -- dissemina pânico em torno do tema da criminalidade na internet, ouça esta entrevista. Reparem na intonação da voz que introduz o programa. Notem o completo delírio que é a estatística citada: a de que nos próximos 10 anos, 90% dos crimes do mundo ocorrerão na internet.
Sempre é bom lembrar, quando alguém tirar da cartola a ladainha sobre pedofilia, que ela é um crime que acontece no mundo real, em ruas, estradas e igrejas brasileiras. A pornografia infantil na internet já é objeto penalizado. Trata-se da lei 11.829, de 25/11/2008.
Como veem, estou preparado. Com o trabalho acadêmico atrasadíssimo, mas convicto de que meu tempo está sendo bem utilizado e que minha carreira pode esperar mais uns meses ou anos por outro livro de crítica literária. Belo-horizontino, aguardo-o na Rua da Bahia, 1341, às 19:30. Sua liberdade de navegação está em jogo, meu chapa.
Para benefício das levas de leitores novos que vão chegando, o Biscoito inicia uma série: "um blog aos sábados". É uma homenagem a blogs que já fizeram história na internet, uma espécie de modesta contribuição à memória blogueira.
Nelson Moraes talvez seja o único blogueiro brasileiro a ter inventado um gênero. O que você lê em Ao Mirante, Nelson! não é microconto, não é poema em prosa, não é fait divers. É um gênero próprio, burilado ali, algo para o qual ainda não há nome e que poderíamos chamar de post elevado à condição de arte.
No final de 2004, logo depois de abrir o Biscoito, ainda sem saber onde aterrizara, saturado de ler porcarias – ou uns poucos blogs bem escritos que, no entanto, não me diziam muito --, já meio rendido à tese de que tudo na blogosfera era ruim, eu cheguei a um post. Foi, ao mesmo tempo, lição de humildade e fonte de gargalhadas que insistiam em se repetir cada vez que eu revisitava o texto. Eu nunca havia visto aquilo: um diálogo de meia página que combinava uma erudição assombrosa com um domínio perfeito de todos os tiques da linguagem tecnológica daquele momento. Trata-se daquele que eu ainda considero o post mais perfeito já produzido em lusitana língua: Se os diálogos de Platão fossem pelo MSN. Se você nunca leu, siga o link e fique por lá. Volte aqui só no domingo.
A obra de Nelson Moraes – sim, de uma obra se trata – tem essa característica, a de agarrar um momento da tecnologia, da política ou do cotidiano, extrair-lhe a essência mais hilária e, ao mesmo tempo, confrontar-nos com o seu vazio. No caso da tecnologia, o mais recente exemplo é o emblemático Jornal x Blog x Twitter: a série, que diz mais que todas as nossas verborrágicas discussões sobre o futuro das mídias. Os próprios blogs são temas constantes, como nesta paródia aos comentaristas ou nesta sátira à republicação de posts. Não custa lembrar, Nelson é o responsável pela tese de que não existe ex-blogueiro.
Ninguém se lembra o que realmente foi roubado do MASP em 2007, mas para muitos de nós, aquele desimportante acontecimento jamais será esquecido. Foi, afinal de contas, quando Nelson escreveu Ladrões arrombam o MASP e se recusam a furtar inúmeras obras de arte. A criminalização da bebida para motoristas já vai caindo no olvido, como sói acontecer com as leis brasileiras, mas duvido que eu me esqueça de Lei seca ameaça piadas de bêbado. “Leem” e “voo” já me saem naturalmente sem acento (e eu não conheço tema de discussão mais chato que a Reforma Ortográfica). Mas muito depois que tenhamos nos esquecido que “heroi” "heroico"* um dia teve acento, lá estará um clássico: Após o acordo ortográfico, entra em vigor agora o acordo aritmético.
Nelson possui uma tremenda erudição literária, cinematográfica, musical e filosófica. No entanto, ao contrário de certo humor pseudoaristocrático que floresceu durante algum tempo em comarcas mais direitosas da blogosfera, a erudição de Nelson não exclui, mas inclui o leitor, mesmo aquele que não domine todo o intertexto do post. Eu, que possuo cultura cinematográfica tão vazia que nela não cabe mais nada, não deixei de gargalhar com Post Noir.
Uma vez vislumbrei uma antologia de posts de Nelson Moraes ilustrada por André Dahmer. Bem promovida, venderia mais que boa parte do catálogo de qualquer editora, mesmo que não se apagasse nada da internet. Talvez, algum dia, apareça um editor lúcido o suficiente para fazê-lo.
PS: Fique à vontade você também, leitor, para compartilhar links aos seus momentos favoritos da obra de Nelson -- um link de cada vez, para que você não corra o risco de ir parar na caixa de junk.
El Rey Tiagón disse ontem algo muito bacana: o melhor remédio contra a ignorância é lincar. 'Bora lincar, Tiagón.
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Para o acompanhamento de um tema em que o Biscoito ficou devendo nos últimos meses, e de outro sobre o qual sei muito pouco, tenho recomendação a fazer: Palestina no Tsavkko e País Basco no Tsavkko.
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Também tem se feito presente na cobertura da Palestina, com um texto muito bem cuidado e ampla documentação, o blog Estado Anarquista.
O Biscoito se orgulha de ter tido um papel no surgimento de alguns blogs. Há quatro deles que me são especiais. Visito, cada vez com mais gosto e proveito, Descurvo, Guaciara, Urbanamente e Consenso, só no Paredão. O Hugo é hoje uma das poucas comarcas onde me animo a ler algo sobre futebol, eu que virei um velho chato, rabugento, nostálgico e ressentido em questões ludopédicas. Tiago e Lauro Mesquita passam do cinema à política, da música à crônica com a mesma desenvoltura. O blog da Ana Paula ficou absurdamente lindo -- e o texto tem aquele esmero que convida à leitura mesmo quando o tema não é de meu interesse imediato (como é o caso com a pedagogia). Dispensam quaisquer comentários as agudas inteligência e erudição de Alexandre Nodari, sempre mobilizando de forma rigorosa um vasto leque de referências e produzindo uma leitura do Brasil que vai no avesso do avesso do senso comum.
Luis Nassif esteve em Belo Horizonte e finalmente pudemos nos conhecer. Nassif falou para um auditório abarrotado na UFMG, numa histórica discussão de mais de três horas que também incluiu o brilhante advogado Luciano Ferraz e o Prof. Venício Lima. Infelizmente, Nassif retornou a Sampa sem reservar a noite para o chopinho.
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No 15° aniversário da já legendária estreia de Chico Science e Nação Zumbi, Pedro Alexandre Sanches destrincha os caranguejos com cérebro e a parabólica enterrada na lama. Sinto saudades do meu breve mergulho na cena musical de Recife, cidade que ainda considero o mais criativo laboratório de ideias pop do Brasil.
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Se você veio a Belo Horizonte e nunca foi ao Pedacinhos do Céu, desculpe-me, mas você perdeu o mais importante. Ontem à noite, mais uma memorável sessão musical sob a batuta de Mestre Ausier Vinicius. Sem dúvida, é uma das três mais antológicas casas de choro de Pindorama.
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Ainda na música, a notícia de destaque da semana é o primeiro disco solo de Andreas Kisser, guitarrista de vastos recursos que vão do blues ao metal ao clássico. Dias 04 e 05 de junho tem lançamento em Sampa, aí no SESC Pompeia.
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Não sei se repararam, mas a blogosfera de esquerda passa por um momento bom. Consolidam-se de uma série de blogs além daqueles já mais manjados. Tem tido destaque no meu Google Reader o de Altamiro Borges. Veja também a categórica desmontagem lógica (antes que política) de um editorial do Estadão no blog de João Villaverde.
Não custa lembrar que Wladimir Ungaretti ainda está sob censura. Censura mesmo, proibição de falar, não o choramingo do troll ocasional ou dos barões da grande mídia quando são contrariados.
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É inacreditável, mas oferecendo em troca o direito (bem limitado) a uma prática à qual cada vez menos leitores recorrem -- o xerox --, e da qual eles sempre usufruiram paralegalmente de qualquer forma, o lobby dos direitos autorais arrancou mais de 3 milhões anuais da Universidade de Buenos Aires que, sem consultar seus excelentes especialistas, assinou um acordo idiota.
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"Inacreditável" e "direitos autorais" são expressões que frequentemente vão juntas, mas isso eu nunca havia visto: *a RIAA quer pedir pena de morte para garotos que compartilharam arquivos musicais em Oklahoma* (via Twitter do Túlio). O desespero vai aumentando, na medida em que a RIAA passou a bater em retirada antes do julgamento sempre que aparecem os nomes de advogados que já a derrotaram categoricamente nos tribunais.
Amanhã, a primeira homenagem de sábado a um blog fundamental.
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*Sensacional sátira que, dado o estado atual da perseguição às trocas de arquivos, pegou o blogueiro na boa mesmo. Correção feita às 11:12 de Brasília.
Atualização: Uma breve observação sobre o hoax acerca da RIAA. Às 03:05, eu caí na sátira do More Digitaler. Às 09:50, o leitor Murilo me advertiu do hoax. Às 11:12, eu fiz a correção, rasurando a frase, mas mantendo-a lá para que você, leitor, visse que eu cometi o erro. E não é que fazendo uma busca em português eu vejo que o portal UOL caiu no mesmo hoax no dia 21/05, ou seja, oito dias atrás, e não corrigiu até hoje? Tudo isso sem indicar, claro, qual era a fonte da "notícia".
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A filha de Sarah Palin, adolescente mãe, vira garota-propaganda da abstinência (via Piro, que cunhou o termo lapidar: a berlusconização do mundo).
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Num espaço de dez dias, o Estadão publicou três violentos ataques ao IPEA: um editorial, uma "reportagem" e uma coluna. Todas os três textos repetiam sem provas que os estudos do IPEA são "políticos" e não "técnicos". Ao receber um breve texto com o contraditório, o vetusto jornal paulistano recusou-se a publicá-lo.
Atualização: Aí vai um ótimo exemplo de conversa em rede: o leitor Vinicius veio aqui ao blog me pediu um levantamento de valores comparativos entre fraudes no Bolsa Família e nos programas assistenciais americanos. Eu indiquei o Hermenauta. Vinicius foi lá e recebeu uma resposta que traz dados interessantes.
Aí vai um aviso para quem não tem Twitter (hoho): o RS Urgente, indispensável fonte de notícias, análises e debates sobre a política do Rio Grande do Sul, está operando só neste endereço do blogspot. O dominío rsurgente.net, apesar de ter sido pago pelo Marco até 2010, está fora do ar desde ontem pela manhã. Ainda não sabemos o que aconteceu.
Não houve perda de conteúdo. Todos os arquivos estão lá no blogspot, voltando a 2008. Os arquivos de 2005 a 2008, que detalham em minúcias o que a Revista Veja descobriu agora, estão na velha casa do blog.
Esclarecimento aos leitores sobre meu desligamento do Pandorama
Eu comuniquei ao Pedro Doria e ao Pax o meu desligamento do coletivo Pandorama. O desligamento foi como a entrada: conversado entre amigos. Explicar aos leitores deste blog, aos velhos e aos novos, as razões da decisão é o objetivo destas linhas.
Eu não tomei a decisão sozinho. Ao ter a dúvida, chamei duas leitoras e quatro leitores antigos do blog. Debatemos por email e, mesmo eu tendo entrado na conversa achando que ia ficar, terminamos o papo unânimes na opinião de que permanecer no Pandorama não seria de interesse deste blog.
O plano inicial com o qual eu aceitei superar minha ojeriza à ideia de pôr propaganda aqui foi, para citar o convite do Pedro, “um coletivo onde blogarão Antonio Cícero, você, Villas Bôas Corrêa, Alice Ruiz, um coletivo plural”. O Cícero não começou mesmo e parece que não vai começar a blogar, além dos seus (sempre instigantes) textos semanais da Folha. O Villas continua escrevendo em seu blog sem muito envolvimento com o coletivo.
Depois do meu post sobre a visita de Ahmadinejad, fui surpreendido com um post do Pedro que aludia à “polêmica entre Idelber Avelar e Lula Borges” -- o que me causou muita surpresa, porque jamais li nem ouvi falar de ninguém com esse nome. Portanto, não poderia estar polemizando com ele. Quando recebi a notícia dessa “polêmica”, fui conhecer. Não me pareceu que valia a pena terminar de ler nenhum dos parágrafos iniciais dos dois textos que vi.
Aí, lendo o quem somos que foi colocado pelo Pedro no portal, percebi que a ideia era ter uma sorte de ringue com um representante da “esquerda” e outro da “direita”, ante os quais o Pedro exerceria sua voz moderadora. Não acho que seja uma ideia ruim fazer isso, necessariamente. Mas nesse caso era um debate em que os lugares estavam definidos e o meu intelecutor parecia ter sido escolhido de antemão – acontecendo de ser alguém de quem jamais se ouviu falar na blogosfera brasileira.
Pareceu-me (e a esses seis leitores conselheiros também) que tentar encaixar nesse marco do Pandorama a infinitude de debates que já acontecem por aqui há quatro anos e meio traria mais perdas que ganhos. Não critico o Pedro pela forma como conduziu nada nem acho que tenha havido qualquer coisa que não um mal entendido. Esse mal entendido – da ordem daquilo que Oswald, inspirador deste blog, chamava de contribuição milionária de todos os erros – me permitiu ver também que vale a pena seguir o instinto da minha ojeriza à propaganda aqui, neste espaço. Não como regra para ninguém, mas como opção minha.
Nada disso prejudica a longa amizade que já tenho com o Pedro. A passagem pelo Pandorama serviu para solidificar a amizade – ainda só internética – com o Pax, que foi um gentleman. Desejo, de verdade, sucesso ao Pandorama, porque tudo que o Pedro e o Pax conquistarem com seu trabalho será merecido. Pedro e Pax continuam no meu blogroll normalmente.
Cabe um esclarecimento final. Apareceu, na caixa de comentários sobre o Ahmadinejad -- aquela, com 203 comentários publicados, 3 apagados (por ofensas) e ainda assim acusada de não acolher pontos de vista discordantes --, a teoria de que o Pandorama havia trazido trolls. Essa teoria em nenhum momento foi base da nossa decisão. Ela nem mesmo se confirmou, inclusive. Se você é leitor novo, chegado do Pandorama, ou de onde seja, bem vindo. Os motivos da saída são os explicados nos parágrafos acima, não essa teoria, que circulou livremente por aqui, como circula qualquer uma que não esteja recheada de ofensas.
Suponho não ser necessário enfatizar que o Biscoito não está, com isso, abandonando nenhum debate. Sempre que eu vir, no Pandorama ou em qualquer canto da blogosfera, algo que eu queira debater, farei o que sempre faço, linkar e discutir. Sempre que outros blogs virem aqui algo digno de ser debatido, será uma honra receber o link e a interlocução, ou o comentário aqui na caixa. Enfim, a possibilidade de debate não desaparece de forma nenhuma.
Desejo muita sorte ao coletivo, mas o opção é pela carreira solo mesmo.
O Diário Mothern da Gravidez. Como qualquer produto mothern, é muito recomendado para homens também. Parabéns, Ju Sampaio e Laura Guimarães. Ser amigos de vocês é mesmo um orgulho.
A partir de ontem, este blog passou a fazer parte de um coletivo. Não exatamente um portal, mas uma comunidade em rede. Aceitei o convite de Pedro Doria para compor o Pandorama. Dar as boas vindas ao projeto e explicar aos leitores o que muda e o que não muda são os objetivos destas linhas.
Em primeiro lugar, acho que seria elegante agradecer aos portais Verbeat, Interney e Pensador Selvagem que, em diferentes momentos, me convidaram a fazer parte de jovens equipes dentro das quais, com certeza, eu teria me sentido bem à vontade. Sempre preferi continuar blogando solo, basicamente porque estou disposto a me meter em vários balacobacos aos que não gostaria de arrastar ninguém. Não seria legal colocar um portal inteiro em risco porque, por exemplo, decidi cometer desobediência civil-eletrônica e hospedar os materiais censurados do Professor Potel. Esse foi o meu motivo básico para sempre querer manter esta URL. O convite do Pandorama me permite fazer parte de um coletivo e ao mesmo tempo preservar a URL do Biscoito.
Aceito com prazer o convite do Pandorama porque 1) apesar de discordar dele em muito do que se debate em nossos blogs, confio no tino do Pedro para fazer as coisas acontecerem na internet; 2) o Pandorama não é um portal, ou seja, você continuará visitando o mesmo espaço: idelberavelar.com. Nada muda nos feeds tampouco. A diferença é que os posts se reproduzirão lá também; 3) para quem mantém um blog com domínio próprio, de crescimento constante durante anos, como é o Biscoito, vai se formando um círculo vicioso nada agradável: quanto mais o blog cresce, mais você paga. No contexto do Pandorama, serão veiculados aí acima uns anúncios que ajudarão na manutenção do blog e, oxalá, nalguma cerveja.
Eu jamais havia aderido ao AdSense, por exemplo, não por purismo, como algumas bobas discussões entre blogueiros “profissionais” versus “não-profissionais” às vezes sugeriam ser o problema para todo mundo necessariamente. No meu caso, era porque o AdSense embute anúncios a partir de palavras-chave. Você escreve um texto desancando a ocupação israelense da Palestina, vai dormir e acorda com um post seu ilustrado por um banner do Ministério de Turismo israelense. Aí não dá. Nunca topei por isso.
Os anúncios do Pandorama serão diferentes. Cada anúncio será aprovado por cada blogueiro, com sua total independência. Desde já, me comprometo com os leitores a não veicular quaisquer anúncios de: 1) entidade estatal ou privada implicada na ocupação da Palestina; 2) parte dos decadentes impérios dos Civita, dos Marinho, dos Frias; 3) armas; 4) conteúdo racista, homofóbico ou sexista; 5) armazém dos Perrella.
Fora isso, a gente conversa.
O Pandorama já tem um espaço de discussão, ainda em processo de se ajeitar. Além da confiança no Pedro e no formato flexível dos anúncios, meu outro motivo para aceitar o convite foi a qualidade do time. Fazem parte do Pandorama um decano do jornalismo político brasileiro, Villas-Bôas Corrêa, a grande poeta Alice Ruiz e o poeta e pensador Antonio Cícero, entre outros. É um time de que me orgulho fazer parte. Não o unifica absolutamente nada, acredito eu, exceto uma mínima qualidade de texto, que todos têm, sem dúvida. Da turma toda, acho que sou o único inequívoca e claramente associado com a esquerda. Mas me senti bem por lá.
Vamos ver até onde chega. Se ganharmos grana de verdade, reservarei uns 20% para o chope com os leitores.
(diga do Tiagón no Google Reader, onde ele e Ju Sampaio são pastores e nada nos falta).
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Também por dica do Tiagón cheguei neste suculento blog sobre carne argentina; caçando algo parecido em português, achei esse post com fotos, nomes e descrições.
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Nelson Moraes tem uma peculiaridade: cada momento da tecnologia é registrado em seu blog com um post inesquecível.
Acerca de mais um imbróglio provocado pela truculência do presidente do STF, os textos que mais me tocaram foram reflexões bem pessoais: a Aline sobre a risada do Gilmar e o Thiago sobre uma experiência em sala de aula.
Gostei muito da entrevista com Antoni Domènech publicada pela Agência Carta Maior. Não concordo com tudo, e a caracterização que ele faz das ciências humanas de hoje poderia ter um pouco mais de nuance. Mas é uma bela leitura das encruzilhadas da esquerda hoje em dia.
Ainda no terreno jornalistas-processando-e-silenciando blogueiros, atente-se para o caso do Prof. Wladimir Ungaretti, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo Ponto de vista satirizava e desmascarava a picaretagem da grande mídia, incluindo-se aí as manipulações de imagem de um jornalista apelidado de Fotonaldo. Eis que Fotonaldo, sem responder nenhuma crítica, consegue a ordem de retirada dos materiais que lhe dizem respeito do site do Prof. Wladimir, que acabou deixando o silêncio em forma de protesto enquanto recorre. Escreve sobre o caso a Ariela Boaventura. Li em primeiro lugar sobre essa lamentável decisão judicial no RS Urgente.
O Estado de Minas dá o seu chilique (atentado??) no episódio em que a UFMG ganhou nos tribunais um direito de resposta depois suspenso pelo TRF da primeira região. Para um contraponto, leia Direito de resposta e liberdade de imprensa, de Luis Nassif.
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Ainda os tribunais: jogador de futebol ganha indenização de jornalista que o havia chamado de QI de alface. Onde? Em Minas Gerais, evidentemente. Time? Ex-Ipiranga, óbvio.
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Sobre a prisão e subsequente liberação de Eliana Tranchesi, ofereço dois links para pontos de vista bem diferentes: Leonardo Sakamoto e Ely Ery Roberto Correa (este via Jayme, que outro dia disse tudo o que penso e nunca escrevi sobre Ferreira Gullar).
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Todo mundo já recebeu emails-corrente propondo boicote a isso e aquilo. Só Rafael Galvão, no entanto, é capaz de tomar um deles como mote para fazer arte. Leia também, da lavra do Paraíba, Sobre livros e Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister. O Paraíba é um blogueiro preguiçoso. Tece posts com a urgência de um Caymmi diante do mar. Às vezes, larga o blog às moscas. Quando volta, reassume seu lugar de direito: um dos melhores prosadores da internet brasileira.
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Links em outras línguas:
Entendamos a diferença entre a grande mídia brasileira e a argentina. O Brasil não possui um veículo como o Página 12 que, faz um mês, é o único jornal latinoamericano que leio. Confira o Nuevo diccionario de la derecha criolla.
Confesso que tenho desenvolvido um certo prazer sádico em ler textos sobre a lenta e inapelável agonia do jornalismo em sua forma, digamos, canônica das últimas décadas. Em inglês, aí vai uma seleção. A algum deles com certeza eu cheguei via Tiago Dória.
Pesquisa do Pew Research mostra que a grande maioria dos americanos não está nem aí para a morte dos jornais regionais.
Na Slate, Jack Shafer põe os pingos nos i's: É hora de jogar fora a idéia de que jornais são essenciais para a democracia. A liberdade de imprensa é essencial para a democracia. Jornalistas que estão agonizando na grande mídia adoram confundi-la, essa liberdade, com a existência de conglomerados mídiaticos na forma que os conhecemos hoje.
Até John Nichols and Robert W. McChesney no The Nation, quem diria, no meio de uma bela análise da situação, dão essa idéia maluca de criar um imposto para sustentar jornal. Socialista convicto, peço que me incluam fora dessa.
Jornalista Felipe Vieira foge do pau e se agarra à vara dos tribunais
Vejam vocês, para usar um termo caro à parte querelada, a dêmencia em grau inaudito:
Se jornalista não processa jornalista era o lema dos funcionários dos grandes grupos de mídia no passado, com a internet e o mínimo trabalho de ombudsman que fazem certos blogs, passamos à fase seguinte da brincadeira. Agora as dondocas da grande mídia correm aos tribunais para processar jornalistas-blogueiros independentes quando estes lhe cobram explicações as mais razoáveis sobre seu trabalho e seus vínculos.
O Sr. Felipe Vieira é âncora de um programa da Bandeirantes RS e signatário de um site “jornalístico” irrelevante com patrocínio de dinheiro público gaúcho. Processa os blogueiros do Nova Corja por um post de quase um ano atrás, dedicado na verdade a outrem (que já processou o NC e perdeu, aliás). Naquele post, o Nova Corja questionava a lógica do patrocínio, apontava a realidade de chapabranquismo no jornalismo gaúcho e dava o link ao site do Sr. Vieira, para que os leitores pudessem julgar por si próprios. No seu site de “jornalismo”, entre dezenas de manchetes, não há uma única que aluda ao atual colapso político, moral, institucional e financeiro do governo Yeda Crusius. Parece um gaúcho escrevendo na Suécia.
O Sr. Vieira, que tem site próprio patrocinado com dinheiro público, tem acesso à Bandeirantes do Rio Grande do Sul, e foi citado uma vez num blog que jamais apaga comentários e que publicaria com destaque e na íntegra a sua resposta, caso enviada, escolhe não encarar o debate e corre para os tribunais. Sobre essa desfaçatez, Marco já disse tudo.
Ele é primo de outro, movido por Políbio Braga contra a Nova Corja. Você conhece Políbio Braga? Eu também não, mas ele ficou mais conhecido quando processou o NC e perdeu, sendo condenado pelo Juiz a pagar os custos do litígio e os honorários.
A atual, fútil querela do Sr. Felipe Vieira pode ser lida na íntegra neste pdf. Ela contém pelo menos duas gafes. Em primeiro lugar, confundem-se e processam o Jones Rossi errado. Em segundo lugar, demonstram não saber – ou fingem não saber, dá na mesma – o que significa a palavra “relevância”. Tomam-na como injuriosa, quando ela de fato se refere a realidade mensurável e universalmente conhecida por quem usa a internet.
Como já demonstrou o Leandro Demori, ex-integrante do NC e também interpelado neste processo, “relevância” é categoria objetiva medida por ferramentas como Alexa, Technorati, Google Page Rank. Você pode discutir qual é a melhor. Inegável é o fato de que segundo qualquer uma delas, o site do Sr. Felipe Vieira é irrelevante mesmo. Para dar um exemplo, o site do Sr. Vieira, que aparece na mídia e recebe dinheiro público, tem Google Page Rank 3. Tanto o NC como o Biscoito, artesanais e independentes, têm Page Rank 5.
Através de seus representantes, o Sr. Vieira, com site próprio patrocinado com dinheiro público e acesso à Bandeirantes do Rio Grande do Sul, afirma que o post de um ano atrás do Nova Corja afetou sua “autoestima”. O Biscoito Fino e a Massa sugere que ele pare de gastar dinheiro com advogados – pressupondo que com salário de jornalista ele pague advogados tão caros – e invista na psicanálise. O Biscoito recomenda a freudiana, que não está presa à superstição ego-psicológica de que baixa autoestima se resolve através de uma aliança do analista com a parte saudável do ego.
Confio que qualquer juiz sensato verá que temos aqui uma querela fútil, pouco fundamentada, de potencial daninho à liberdade de expressão e ancorada numa leitura abusiva dos artigos referentes a injúria e difamação.
Atualização: Träsel também falou do assunto, cometendo generosidade de que fomos incapazes, que é dar o link para o Sr. Vieira. O Biscoito teria dado o link caso o Sr. Vieira tivesse discutido o assunto em seu site. Não o fez, não ganha pirulito. Penso em adotar a seguinte regra aqui: trabalha na grande mídia e processou blogueiro por crime de opinião, não ganha pirulito no Biscoito, pelo menos não no corpo do post. O leitor que ache pelo Google.
Sergio Leo faz um magnífico post perguntando-se o que foi mesmo que o Itamaraty fez de errado no insólito caso da brasileira que alegou ter sido atacada na Suíça.
A cobertura desse inacreditável desgoverno que é o reinado de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul encontra-se, como sempre, no RS Urgente.
Uri Avnery faz o balanço implacável, estilão dele, das eleições israelenses: Senhorita Tântalo, publicado pelo Amálgama em tradução de Caia Fittipaldi. Aliás, que dito fique: o trabalho do tradutor é árduo, inglório e só costuma ser lembrado quando alguém vê problemas. Caia Fittipaldi tem prestado um enorme serviço à informação em língua portuguesa com seu labor voluntário. Obrigado, Caia.
Por falar em tradução, o Miguel do Rosário está fazendo um belo trabalho de traduzir textos de Nicolás Casullo: Comecemos a discutir a direita é dos meus favoritos.
A atitude imbecil da Associated Press, de processar o Shepard Fairey, autor da arte dos cartazes de Obama que deram duas voltas na internet, revela uma paupérrima, mesquinha, interesseira e inconsistente compreensão do que deve ser o direito autoral e do que é o universalmente respeitado princípio do fair use. Alex Primo já desobedeceu.
Para se perder durante horas vendo e ouvindo shows de todos os estilos imagináveis: Fabchannel (via Lápis Raro).
Excelente artigo do New York Times sobre a arte da atualização no Facebook. Eu tenho usado minhas atualizações (sempre em inglês, que é minha língua por lá) como uma espécie de Twitter privado para pensar em voz alta com os amigos. É um gênero com suas especificidades, sem dúvida. Perfil do blogueiro, aqui. Comunidade do Biscoito no Facebook, aqui.
Por falar em Twitter, quem tem sempre publicado material de qualidade sobre o tema é a Gabriela Zago.
A recente odisséia de Obama tentando aprovar seu pacote de estímulo no Congresso só fez reforçar meu unicameralismo. Continuo achando que Senados são uma perda de tempo e dinheiro. Conheço os argumentos que ditam que eles têm um papel em países enormes, de desenho federativo, tipo EUA e Brasil. Nenhum desses argumentos me convence. Acho que é um aparato anti-democrático de manutenção de privilégios regionais mesmo.
O que seria hoje José Sarney se não existisse o Senado? Nada, uma bostica, uma tutaméia. A máquina que iguala Roraima e São Paulo, Wyoming e Califórnia, vai perpetuando esses fantasmas, essas almas penadas da política.
Aqui nos EUA, fecharam o acordo para uma versão aguada do plano de Obama, cheio de concessões à turma que agora faz oposição à situação em que nos deixou. Como sempre, está valendo acompanhar o Talking Points Memo, pelas notícias, o Rude Pundit, pela poesia e a Digby pelo comentário mordaz.
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Sobre o caso Battisti, não deixe de ler o escrito pelo Alexandre Nodari.
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Um comentarista querido do Biscoito, jovem de fina prosa, o Hugo Albuquerque, inaugurou seu blog: Descurvo .
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Um velho amigo de blogosfera, conterrâneo e sociólogo da mais fina estirpe, que junto com sua esposa Mônica foi das minhas grandes amizades nos primeiros dias de blogueiro, está de volta: Carlos Magalhães, o Guto, agora assina o Imaginação Sociológica. É para se acompanhar.
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Foi-me pedido que dissesse algo sobre o Fórum Social Mundial em Belém. Remeto aos balanços que mais gostei entre os que li: Katarina Peixoto e Marco Aurélio Weissheimer.
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Se você quer ir sentindo o impacto das cacetadas da crise sobre a universidade americana – que é, certamente, mais mediado que em outras áreas –, é só assinar o feed do Chronicle of Higher Education.
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Depois de começar os jogos da liga regional com duas derrotas inesperadas, os Tar Heels engatilharam sete vitórias consecutivas e dividem o primeiro lugar. As duas últimas vitórias foram, respectivamente, shows do ataque e da defesa. Um dos tira-teimas com Duke é na próxima quarta. Vale a dica de que o site do ESPN transmite, sob “Espn 360”. É o maior clássico e a maior rivalidade do esporte americano universitário, de longe. Carolina, até agora: 7-2 na liga, 21-2 na temporada toda. Embalando.
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Do que li nos cadernos culturais brasileiros no fim de semana, o que mais gostei foi o texto de Luiz Antonio Simas sobre samba e literatura.
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Para a meia dúzia de três ou quatro que me leem em New Orleans: nesta quinta, às 5 da tarde, um dos últimos maître penseurs europeus, Étienne Balibar, fala no auditório Freeman: Strangers and Enemies. From Politics to Philosophy. Na sexta, eu e mais seis professores fazemos uma mesa-redonda com a fera, no Newcomb Art Dept., das 10 às 6, com pausa para almoço. Aqui, 0,5% em pdf da produção monumental de Étienne Balibar, um pensador indispensável. Aqui e aqui, Balibar fala sobre a Palestina.
A convite dessa magnífica instituição, vou passar uns dias em Los Angeles, cidade-véu por excelência que, por incrível que pareça, eu não conheço até hoje. Confiando que quem dirige em BH dirige em qualquer do lugar do mundo, aluguei um carrinho com GPS para o fim de semana na Califórnia. Volto na quarta e até lá o mais provável é que o blog fique meio largado.
Se você está na Costa Oeste dos States e quiser dar um pulo até a palestra, o papo é sobre estudos de masculinidade nas literaturas brasileira e hispanoamericana e acontece na segunda à tarde no Departamento de Espanhol e Português, sem dúvida um dos líderes da disciplina nos EUA.
O Biscoito Fino e a Massa está entre os dez finalistas do Best Blogs Brasil na categoria política. Para votar, é só clicar aqui. O cadastro é simples e rápido.
Seria impossível agradecer individualmente a todos os blogs que estão me ajudando na cobertura da matança israelense em Gaza, mas deixo o link da repercussão com o agradecimento a todos.
Logo que eu conseguir algumas horas de sono, publico o segundo verbete do glossário macabro. As palavras e expressões escolhidas são "ponderação", "equilíbrio" e "ver os dois lados".
Nos EUA, saiu pesquisa nova da CNN: três de cada quatro americanos se declaram felizes que Bush vai embora. Praticamente um de cada três o considera o pior presidente da história.
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Dentro de vinte e quatro dias, os EUA terão um presidente que nomeia, para lidar com questões referentes à ciência, nada menos que um ... cientista! Não é genial?
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Em Covina, na Califórnia, ocorreu mais um daqueles massacres que um ou outro profeta do laisser faire ainda não acredita ter nada que ver com a fácil disponibilidade das armas de fogo: um ex-marido vai a uma festa de Natal na casa dos familiares da ex-mulher, vestido de Papai Noel, e abre fogo indiscriminadamente. Foram nove mortos. Dez crianças ficaram órfãs. O cabra ainda explodiu a casa, o que lhe rendeu queimaduras de terceiro grau que parecem ter sido a razão de seu posterior suicídio, já que ele tinha uma passagem de avião para o Canadá na manhã seguinte. Acabei encontrando a cobertura local do massacre: Aqui, o jornal da região. Aqui, uma galeria de fotos. Aqui, o xerife conta a história. Aqui, a terrorífica gravação do telefonema ao 911 feito por uma sobrevivente.
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Uma das marcas de 2008 foi a radicalização do movimento estudantil, e ela chegou a uma das veneráveis instituições de ensino superior dos EUA, a New School, em Nova York. O prédio da pós-graduação foi tomado durante três dias e liberado pelos alunos ontem, com algumas conquistas. A reivindicação mais importante, a renúncia do impopular presidente Bob Kerrey, ainda terá que ser negociada. Kerrey já havia recebido um “voto de desconfiança” dos professores, por uma margem de 74 a 2. Em minha carreira de professor, já vi o magistério aprovar votos de desconfiança a administradores. Mas jamais por 74 a 2. Kerrey, no entanto, continua por lá. O movimento dos alunos incluía alas bem radicalizadas (obrigado ao leitor Evandro por me chamar atenção aos acontecimentos na New School).
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Depois de abrir mais de 30.000 processos contra usuários de música que compartilham arquivos, parece que a indústria fonográfica descobriu o que até Chico Bento sabia: esses processos não detêm a circulação de mp3 via internet e criam um desastre de relações públicas para a indústria. Pelo menos é o que afirma o Wall Street Journal, noticiando uma decisão que depois ecoou nas universidades, instituições onde essa questão é relevante e premente. A venda daqueles artefatos artificialmente inflacionados, os CDs, continua despencando.
Gostei demais, muito mesmo, da série pós-apocalíptica da CBS, Jericho, que durou menos de uma temporada e meia. Como podem cancelar aquilo? A série é baixável por aí, com legendas em português, inclusive. Merece um post, em breve.
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O Biscoito Fino e a Massa tem comunidade no Facebook. Se você usa o serviço, passe por lá.
Junto com os votos de Feliz Natal e Próspero 2009, deixo aos leitores o link de um joguinho (visto na Mary, eu acho) que tem corrido sério risco de me viciar nos últimos dias. Você pensa num personagem -- real, literário, mitológico, não importa -- e o gênio vai fazendo perguntas que você pode responder com sim / não / não sei / provavelmente ou parcialmente / provavelmente não ou não realmente. Depois de uns minutos de interrogatório, o gênio cospe a resposta certa, com foto e tudo.
Até Tia Anastácia ele adivinhou certo. Eu só consegui derrotá-lo com Demócrito, Xangô e o Doutor Protógenes. De Xangô, claro, a máquina perde a pista no momento em que você responde corretamente a pergunta sobre se ele realmente existiu. Também derrotei a máquina com Garrincha e Reinaldo, ex-Galo, mas essas não valeram. O gênio só errou porque eu insisti em dizer que eles eram "parcialmente não brancos". Refazendo o jogo com Garrincha e Reinaldo brancos, ele acerta.
Avise aí se conseguir vencer com alguém mais. Tem que responder tudo certinho, claro, senão não tem graça.
PS: E por falar em futebol, fizeram uma lista dos 20 maiores jogadores de todos os tempos (via Marcus, no Google Reader) na qual não entraram Garrincha, Puskas, Di Stéfano ou Reinaldo. Mas entrou Roberto "meião" Carlos. Perdoai, Senhor. Eles não sabem o que fazem.
Um convite aos paulistanos: O grande blogueiro, músico e nadador soteropolitano Ricardo Cury está lançando o seu livro, Para colorir, neste sábado. Sou velho fã do blog dele e recomendo o evento. Dia 29 de novembro, às 16h, na Livraria Pop, Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros, São Paulo.
Um convite aos cariocas: minha amiga, a jornalista e pesquisadora Carla Rodrigues, tem um artigo no livro organizado por Paulo Cesar Duque-Estrada, Espectros de Derrida, que será lançado no dia 3 de dezembro, quarta-feira, na livraria Argumento, no Leblon, a partir das 19h.
Parabéns ao Cury e à Carla e, quem puder, apareça.
Cardoso convidou e eu também gravei um trecho para o Mil Casmurros, um projeto em parceria com a Rede Globo.
O cartógrafo Thomas Lessman reúne numa só página sua vasta produção de mapas históricos. Aqui, o mapa-mundi de 800 DC, com o Emirado Ummayad ocupando uma enorme maioria do que hoje é a Espanha. Aqui, um outro mapa, do ano 1200, já com os reinos de Castilha e León, que se uniriam depois. Aqui, um belo livro sobre Al-Andalus, a região de controle islâmico na qual judeus, cristãos e muçulmanos viveram em (relativa) paz durante séculos.
Pedro Dória tem boas anotações sobre os ataques em Mumbai, na Índia. Em inglês, há uma cronologia do horror e uma série de links no Juan Cole, que lembra o recente ataque extremista hindu a cristãos no leste da Índia.
Nos EUA, Barbara Walters fez uma baita entrevista com Barack e Michelle:
Na medida em que Obama vai anunciando seu time, eu só consigo me lembrar do final de novembro/ dezembro de 1992, em que Bill Clinton iniciava aquela que seria uma das transições mais caóticas de todos os tempos: uma guerra de facções e interesses “plantava” notícias na mídia como estratégia de conquista de espaço; mulheres, negros, gays, latinos e todas as minorias imagináveis disputavam espaço “proporcional”; havia confusão de porta-vozes; a própria liderança, Bill, não anunciava o time compactamente porque ia usando as vagas para tentar administrar o caos. Um verdadeiro pesadelo para os progressistas, foi o fim de 92/começo de 93. O contraste com o que está sendo a transição de Obama é tão abismal que me excuso de fazê-lo.
Digby não se importa e Josh Marshall tem suas dúvidas. Eu, pelo contrário, achei Chanceler Hillary Clinton uma super escolha, epocal e inteligente (ao contrário do que teria sido escolhê-la para Vice). Hillary tem tudo para desfazer pelo menos parte da lambança dos oito anos de política externa de Bush.
Atualização: E sobre as eleições venezuelanas, quem matou a pau, de novo, foi Mauricio Santoro.
Thiago Berlim e Ricardo Aoki, de Santa Catarina, nos deixam aqui (via Biajoni) os números de contas para doações às vítimas das enchentes.
Contas do Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ 04.426.883/0001-57:
Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc - Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco - Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
São mais de 100 mortos e 60 mil desabrigados no lindíssimo estado barriga-verde. Ajude a divulgar ou deixe lá uma contribuição, se puder.
Há algumas citações recentes ao Biscoito que eu gostaria de agradecer. Fomos citados naquele perigoso órgão do comunismo internacional, o Guardian. Fiquei muito lisonjeado. Continuo sonhando com um Brasil que tenha pelo menos um jornal da qualidade do Guardian.
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A Revista Bula fez uma pesquisa entre universitários brasileiros e o Biscoito foi um dos dez blogs mais citados. Gracias muy mucho.
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Falzuca, a poderosa madrinha, vem arrasando nos lançamentos do seu novo livro e me citou nessa entrevista. Só de ter representado alguma coisa para uma pessoa tão iluminada como a Fal já vale a pena ter tido blog.
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Aliás, no dia 28 deste mês o blog completa quatro anos. Três dias depois, no Halloween – ou no dia do Saci-Pererê, segundo o companheiro Aldo Rebelo – o blogueiro completa quarenta...
********** Alô, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. O grande Slavoj Žižek vai ao Brasil, para o lançamento de A visão em Paralaxe. Dia 12, na Boa Terra, às 15 horas, no Instituto Cultural Brasil-Alemanha; dia 13, no Teatro de Arena da UFRJ, campus Praia Vermelha, às 20 horas; dia 14, no Sesc Vila Mariana, às 19:30. Mais detalhes aqui. Se puder, compareça. Só ver o cabra transpirando já é um espetáculo em si.
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Aqui nos States, o tema eleitoral da última semana foi a queda completa da campanha de John McCain nas acusações desesperadas a Obama por “associação com terroristas”. Veja este vídeo para ter uma idéia do clima de ódio que anda imperando nos comícios de McCain. A cobertura completa está no TPM. Enquanto isso, eleitores de Nova York recebem cédulas com o nome Osama em vez de Obama. Foi um erro “tipográfico”, afirmaram os responsáveis. Claro que este blog não acredita em teorias da conspiração...
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Perdido lá no cantinho do “Painel”, da Folha, está a notícia de que a investigação da Polícia Federal concluiu que não houve grampo nenhum em Gilmar Mendes. Paulo Henrique Amorim pergunta-se, com razão: e se o veredito fosse o contrário? Qual o seria o tamanho da manchete de primeira página? Aliás, a Folha vai continuar fingindo que não foram publicadas denúncias seríssimas contra o homem que ocupou mais de 30 manchetes do Caderno Brasil nos últimos dois meses?
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A Folha de São Paulo realmente escondeu uma pesquisa do DataFolha sobre o segundo turno em Belo Horizonte?
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Altamiro Borges faz um bom balanço do desempenho da esquerda nas eleições municipais. Concordo com tudo, mas acho que a mesma crítica que se faz ao PT do Rio de Janeiro deve ser feita ao PC do B do Rio Grande do Sul.
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Mas foi Mestre Inagaki quem fez o post definitivo sobre as eleições municipais.
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Abraços aqui de Rutgers University, em New Brunswick, Nova Jersey, onde o blogueiro palestra neste fim de semana, convidado, desta vez, pelos alunos.
Políbio Braga publica texto alheio sem citar fonte
Cristóvão Feil, do blog Diário Gauche, publicou um texto que demonstra como foi burra a estratégia do PC do B gaúcho ao dividir a Frente Popular e lançar Manuela D'Ávila para a prefeitura de Porto Alegre. Cristóvão mostra como o PPS brittista colocou seus ovos em duas cestas, apoiando formalmente a Manuela mas mantendo quadros – como Cézar Busatto, ex-chefe da Casa Civil da Yeda Crusius (PSDB), ou a esposa de Busatto, Clênia Maranhão – na campanha de Fogaça (PMDB). A tática é conhecida e “chupa” a densidade eleitoral de um partido para ser capitalizada por outro.
O resultado foi um desastre para o PC do B. O PPS teve 842 votos na legenda e elegeu três vereadores para a Câmera. O PC do B? Teve 14.796 votos na legenda e não colocou nenhum vereador na Câmara. Deixo para os gaúchos a tarefa de calcular quantos vereadores o PC do B poderia ter elegido no interior da Frente Popular.
No dia 06 de outubro, segunda-feira, às 13:10, o jornalista Políbio Braga publicou o texto de Cristóvão sem crédito, com o cabeçalho “Opinião dos leitores”, o que evidentemente dá a entender que o texto era de autoria de um leitor seu. Foi publicado assim: sem fonte, sem link, sem nada. Como está documentado no Diário Gauche, ainda na segunda-feira, às 20:22, Políbio foi avisado por email, pela Cláudia Cardoso, que o texto havia sido escrito pelo Cristóvão. À uma hora da manhã desta quarta-feira, mais de vinte e oito horas depois, Políbio ainda mantinha o texto plagiado em seu site, sem qualquer crédito ao devido autor ou reconhecimento do grave erro.
Políbio é jornalista e trabalhou na Zero Hora e na Veja.
A Dalva me ligou chorando, aos soluços quase à uma da manhã. Parece que ela mandou uma foto para o namorado da Internet que mora em Salvador. Aí ele ligou para ela dizendo que mesmo vendo a foto ainda queria vir para Sampa conhecê-la. Consolei, fiz barulhinhos de amparo, disse que ela havia entendido mal o significado da frase e desliguei. "Mesmo" vendo a foto? Jesus, onde a gente arranja esses homens? .
Este é um trecho de Crônicas de quase amor, um dos livros de Fal Vitiello de Azevedo Cardoso que guardo aqui com carinho. Fal é tem muita história na blogosfera: fez a melhor cobertura da CPI do mensalão, a melhor cobertura de Páginas da Vida, deu show no Salão do Livro de Belo Horizonte, e muito mais (está tudo lá nos arquivos).
E eis que Falzuca vai lançar mais um livro, desta vez por uma grande editora, a Rocco. Acontece na terça-feira da semana que vem. Aí vai o convite, paulistanos. Não percam.
Aí vão alguns links para blogs que tenho lido com muito prazer e que ainda não destaquei aqui com o holofote merecido. Alguns já estão no meu radar há bastante tempo. Outros foram descobertos nesta madrugada mesmo. Todos valem a pena:
Eu tava aqui pensando e blá blá blá: Há muitos anos eu não passava uma madrugada lendo os arquivos de um blog. Aconteceu com esse. Dei muita risada. Não é atualizado com muita regularidade, mas vale o mergulho nos arquivos. O autor é o ex-baterista da banda Formidável Família Musical, de Salvador, que eu não conhecia. Fiquei conhecendo pelo blog. Aliás, a estas alturas já sei até o que cabra come no café da manhã. Muito, muito bom (via Alex).
Todos os fogos, o fogo. Pouco a pouco, Maurício Santoro vai compondo um dos melhores blogs de política do Brasil, colocando em prática aquele velho princípio: em geral, funcionam os blogs temáticos em que .... hmmm ... bem ... o autor entende do tema. E poucas pessoas conhecem política latino-americana como o Mauricio -- só o Sergio Leo, já bem conhecido dos visitantes desta bodega.
RS Urgente: Vira e mexe volta aquela discussão sobre blogs e imprensa, e somos obrigados a concordar que os blogs jornalísticos brasileiros ainda estão longe de produzir notícia de forma independente. O RS Urgente é uma das poucas exceções. Sua cobertura da política gaúcha bate a grande imprensa de longe. Leitura obrigatória para quem quer acompanhar o cotidiano político do Rio Grande.
Histórias do Brasil: Há tempos quero destacar este blog, que já é parte do meu blogroll mas nunca havia sido recomendado com a ênfase que merece. Os “causos” da época áurea do futebol brasileiro são imperdíveis. Os dois últimos posts são sobre a Batalha de Berna, o famoso Brasil 2 x 4 Hungria da Copa de 1954.
Música popular do Brasil: De Odair José a Diana, de Paulo Sérgio a Roberto Leal, a viagem no tempo que faz este blog é indispensável para qualquer um que queira conhecer, sem preconceitos, a memória da música brasileira.
Blog do Bourdoukan: Um dos blogs brasileiros mais atentos aos massacres diários que sofre o povo palestino, vivendo sob a mais brutal ocupação militar da era moderna. Vale sempre a visita. Via Bourdoukan cheguei a essa excelente entrevista com o sinólogo Diego Salmen Elias Jabbour, sobre o festival de hipocrisias do Ocidente sobre a China (sobre o mesmo tema, não perca esse texto da Mary).
Se estiver descobrindo pérolas por aí, é a hora de deixar o link.
A abominável monstruosidade parida pelo Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para regular a Internet foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Numa semana de péssimas notícias para a Internet, começou a mobilização para tentar barrar a aprovação em plenário desse projeto substitutivo, que cria a figura do provedor delator, criminaliza o compartilhamento de arquivos e, absurdo dos absurdos, transforma em criminoso todo aquele que obtiver “dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular”.
Em outras palavras, o Senador Eduardo Azeredo quer criminalizar basicamente tudo o que fazemos na internet: citar, copiar, colar, compartilhar. Não tenho nada a acrescentar ao que vários colegas blogueiros já disseram sobre o assunto. Limito-me, então, a convidar os leitores a que assinem a excelente petição escrita por Sergio Amadeu e André Lemos. O selinho que segue foi retirado do blog do Sergio Amadeu (veja que fantástico: se aprovado o projeto de Azeredo, eu estaria cometendo um crime ao circular este selinho):
É uma vergonha para o estado de Minas Gerais ser representado no Senado por Eduardo Azeredo.
Judiciário brasileiro inventa a punição a José pelos atos de João
Repercutiu bastante na internet a atitude do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que intimou Fernando Gabeira e exigiu a retirada dos banners de apoio a ele em vários blogs brasileiros que apóiam a sua candidatura a prefeito. Pedro Dória cumpriu, claro, mas denunciou e logo depois ofereceu algumas reflexões sobre o que se entende por censura. Sem estar comprometido com nenhum candidato a prefeito do Rio, não posso deixar de oferecer a solidariedade ao amigo.
Quando da publicação da inacreditável resolução 22.718 (pdf) do TSE, que regulamenta a campanha eleitoral deste ano, eu cantei a parada e previ o desastre. Alguns advogados me contestaram, afirmando que era alarmismo desnecessário, já que a introdução diz claramente que a resolução dispõe sobre as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral. Não sendo o blogueiro candidato a nada, não haveria razão para se preocupar. Ouvi calado, não citei os casos que já conhecia e não quis polemizar pois, no fundo, torcia para que eles estivessem certos e eu errado. Mas ora, quantos exemplos ainda são necessários para que se entenda que, com o judiciário brasileiro, sempre há motivo para se preocupar?
O mais estapafúrdio da exigência é que ela contraria um dos princípios básicos do direito: o de que cada um é responsável pelos seus próprios atos. Os indíviduos blogueiros que exibem seus banners de apoio a um candidato tiveram que retirá-los para que esse candidato – que não pediu, nem pagou, nem organizou a manifestação – não fosse impugnado. É o mundo às avessas. É como se eu fosse interpelado judicialmente por ser parte do blogroll de algum blogueiro que cometeu um crime. A ironia não escapou à atenção de um leitor do Pedro: poderíamos começar a exibir banners de apoio a Garotinho e Maluf, impugnando assim suas candidaturas. Que tal?
A censura se apóia na proibição da campanha eleitoral antes do dia 06 de julho. Pode-se discutir se essa proibição é boa coisa. Eu, pessoalmente, acho uma bobagem, pois é sempre subjetivo determinar se um político, ao proferir tal discurso ou inaugurar tal obra, está ou não fazendo “campanha”. Em todo caso, a lei existe. Mas o que chega às raias do absurdo é interpretá-la de forma que abarque não só os candidatos, mas os próprios eleitores. Daí à mordaça é um passo. Nada é mais urgente no Brasil que introduzir nossos juízes ao básico do básico sobre o funcionamento da internet.
É verdade que o Pedro Dória, putíssimo e com razão, pode ter exagerado ao afirmar que a liberdade de expressão é um valor absoluto. Acredito estarem certos os profissionais do direito que lhe lembraram que, na jurisprudência, nenhum valor é absoluto – o direito é, por definição, um sistema, ou seja, um complexo onde o valor de cada elemento é balanceado em relação com os outros. Mas neste caso, não há dúvidas: a liberdade de expressão na internet foi seriamente atingida e o Pedro tem minha total solidariedade.
PS 1: Muita gente escreveu sobre o caso. Comece o percurso pelo Bereteando e pelo Outra política, que fizeram posts recheados de links.
PS 2: Alguém aí é capaz de imaginar uma entrevista como essa num jornal brasileiro?
PS 3: Às vezes, na internet, você lê coisas que tocam e emocionam. Obrigado, Katarina.
Só um rápido aviso para quem perguntou: a minha palestra desta quarta-feira, sobre o romance argentino contemporâneo, acontece na sala 3053 da Faculdade de Letras da UFMG, às 19 horas. Depois tem cervejinha.
Logo que eu terminar os ajustes de chegada aqui em Belo Horizonte, o blog volta ao ritmo normal.
Grosso modo, os 40 anos de Maio 68 produziram três reações:
1) “Maio 68 é responsável por todos os males que vivemos hoje: falta de autoridade, relativismo absoluto, crise dos valores”;
2) “Maio 68 é responsável por todas as conquistas das quais o presente pode se gabar: pluralismo, direitos das minorias, laicismo, anti-autoritarismo”;
3) “Maio 68 teve coisas geniais e coisas estúpidas”.
A pior, a mais medíocre, conformista, ignorante e reacionária é obviamente a terceira.
Acompanhei de perto a enxurrada de textos sobre maio de 68 em vários países. Adivinhem onde encontrei o texto mais brilhante. Alan Pauls, mestre como sempre. Leia o texto de Alan e depois confira, no caderno especial (link para assinantes) da Folha de São Paulo, a sucessão de exemplos do que ele chama de “reação medíocre e conformista” ao legado de Maio 68.
Por iniciativa da extraordinária escritora anglo-egípcia Ahdaf Soueif, e com o apoio de sumidades literárias como Chinua Achebe, John Berger, Mahmoud Darwish, Seamus Heaney e Harold Pinter, inicia-se na quarta-feira, dia 07 de maio, o Festival Literário da Palestina, que levará à Cisjordânia um belo time de escritores. Do material de divulgação do evento: “reconhecendo as dificuldades que os palestinos enfrentam, sob ocupação militar, para viajar em seu próprio país, o festival viajará rumo a seu público, em Jerusalém, Ramallah, Jenin, Belém.” Mais detalhes do site do festival. Salam, Ahdaf.
Você se interessa por quadrinhos? Chegou o blog que vai abafar neste tema. Senhoras e senhores, HQ e Cultura, do meu amigo Afonso Andrade. Bem-vindo à blogosfera, Afonso.
Outro leitor histórico, Alexandre Nodari, também se rendeu à blogagem e inaugura um espaço que merece seu bookmark desde já. Boas vindas também ao Cultura e barbárieConsenso, só no paredão.
Nas minhas andanças por aí, achei mais um blog que me impressionou muito pela qualidade do texto. Bookmark também no Histórias do Brasil. O post sobre a Copa de 1974 é um primor.
Já é de conhecimento da comunidade blogueira musical, mas talvez algum leitor do Biscoito ainda não saiba: Mestre Tom Zé anda blogando a mil (acho que cheguei lá pela primeira vez via Animot).
Para se entender o México e a cultura mexicana, tão diferente da nossa, há um livro fundamental: La jaula de la melancolía. Acabei de inteirar-me de que o seu autor, o grande Roger Bartra, já está blogando há oito meses.
Se você habita Blogolândia há mais de três anos, provavelmente já ouviu falar daquele que eu apelidei aqui, carinhosamente, de Deus. Convidado a palestrar por esta chiquérrima universidade – que concentra, sem dúvida, o maior número de imberbes de terno e gravata do planeta –, tive a oportunidade de conhecer Deus pessoalmente.
Deus é Fábio Sampaio, o responsável direto pelo fato de que você possa ler e escrever no Biscoito em condições de total conforto, segurança, tranqüilidade e privacidade. Webmaster, ás da tecnologia, um dos maiores conhecedores de Movable Type do mundo, o Fábio há anos cuida dos bastidores do blog e resolve todos os problemas que aparecem com rapidez e competência alucinantes. Por fim, pudemos nos conhecer.
Acabamos indo juntos para a Grande Meca passar o dia. Para os que admiram o trabalho do Fábio, aí vai a notícia: trata-se de um grande cervejeiro! Ales, ambers, lagers, ele traça todas. Com o dia belíssimo e o sol brilhando em Nova York, optamos por uma Summer Ale no Bryant Park, enquanto repassávamos futebol, política, tecnologia e blogs, entre boas risadas. A Summer Ale dos novaiorquinos foi aprovada: ótimas textura, consistência, sabor e aroma. Depois, rodízio brasileiro na Rua 39: alcatra, maminha, lombo, cupim, carneiro, lingüiça, frango, coração e picanha para fazer qualquer vegetariano benzer-se três vezes.
Foi um dia memorável nessa que ainda é a minha cidade favorita, a mãe de todas as urbes. Mais uma vez, lembrei-me do que realmente faz a diferença em Blogolândia: a possibilidade de conhecer gente interessante e divertida. Valeu, Fábio.
PS: Ao falar do Fábio, não posso deixar de agradecer também outro pioneiro que possibilitou a existência deste blog: Nemo Nox, que desenhou o layout original que você vê aqui e me ajudou enquanto eu dava os primeiros passos, em 2004. Minha próxima visita a Nova York será em outubro, e dessa vez arrastaremos também o Nemo, que trabalha em Washington. Sim, este blog já entrou em cena auxiliado por pioneiros da internet brasileira.
PS 2: O juiz era Luiz Carlos da Silva, mas mesmo assim o Galo foi bravo e está nas finais do Campeonato Mineiro.
PS 3: Não poderei assistir os jogos decisivos dos Estaduais aí no Brasil, mas deixo meus palpites: acho que em São Paulo dá Palmeiras e no Rio dá Botafogo. Em São Paulo, o Biscoito torce pela Ponte Preta e celebrou a sua vitória sobre o time-empresa do Guaratinguetá.
Na saída para o aeroporto, procurando pela nonagésima vez os meus óculos escuros perdidos em algum canto da casa, veio-me de novo a convicção de que eu não posso comprar óculos de qualidade. Eu os perderia em menos de duas semanas e morreria de raiva. Ou seja, se você tem vergonha de amigos que usam óculos escuros de 8 dólares, nunca me convide para um programa diurno. Lembrei-me de um parente, que uma vez me disse: não tenho o menor respeito por quem gasta dinheiro comprando o papel higiênico mais caro do supermercado. Acho isso uma viadagem inominável.
Aí me veio a idéia de um meme idiota para que vocês passem o tempo aqui enquanto eu viajo e me recupero da gripe: qual é o produto com o qual você não aceita gastar mais que o estritamente necessário? No meu caso, as respostas são, pelo mesmo motivo, "óculos escuros" e "guarda-chuva". Papel higiênico de qualidade, para mim, é fundamental. Como sabemos, e parafraseando um saudoso ministro, papel higiênico é "imperdível", posto que "imexível".
Diga lá qual é o produto do qual você sempre leva a opção mais barata.
2.Como sabem, as questões relativas ao direito interessam muito a este não-especialista: e é mais uma conterrânea que chega com um excelente blog nessa área: Direito é legal (cheguei lá via Favoritos).
4.Um inacreditável blog cubano: Generación Y. As caixas, incríveis, alternam entre 2, 3 e 4 mil comentários. O “debate” é meio lixão, mas o texto da moça é bom.
5.A blogosfera futebolística vai melhorando a cada dia: confira o De Primeira.
6.É uma obsessão deste blog: a subserviência da imprensa esportiva. Já vai uma semana que se noticiou que Polícia Federal está investigando os irmãos Perrella, que dirigem o Cruzeiro, por evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. No “jornal dos mineiros”, nenhuma menção.
7.Alô, alô, cearenses, mais especialmente os torcedores do Fortaleza! O Ministério Público está investigando a tentativa de suborno do Ipatinga a jogadores do Villa Nova, na última partida da fase de classificação do Campeonato Mineiro. O que o Fortaleza tem a ver com isso? Se o Ipatinga perder o lugar na Série A, o Tricolor do Pici, quinto colocado na Série B do ano passado, assume a vaga. Mais uma vez: acontece uma operação criminosa no futebol mineiro e uma busca por “Ipatinga” no Estado de Minas não produz nenhum resultado associado ao escândalo. A imprensa mineira é realmente inacreditável.
8.Por falar em imprensa esportiva: Fabiano Angélico sugere duas boas pautas investigativas para o jornalista esportivo que não quiser ser capacho da cartolagem.
10.Em redondilhas maiores, o Almirante explica por que Hitler não chegou ao inferno, no Cordel teutônico.
11. Se você é atleticano, tem filho e mora em Belo Horizonte, prestigie o lançamento do livro infantil sobre a história do Galo: Vencer, vencer, vencer - A história do time do meu coração, do jornalista Eduardo de Ávila. Acontece no sábado, às 11 horas, na Feira Tom Jobim (ali perto do Colégio Arnaldo, Brasil com Bernardo Monteiro). O macete na Tom Jobim é chegar de manhã. De tarde a coisa se transforma um fim de festa meio melancólico. Aí vai o cartaz:
12.Se você está no sudoeste dos EUA, apareça em Albuquerque, Novo México, na segunda-feira, para escutar uma palestra e bater um papo. Aí vai o cartaz feito por essa bela instituição que me convida. Achei que ficou simpático:
PS: Ao deixar seu comentário, você verá uma página em branco. Não se avexe. O comentário entrou. Estamos trabalhando para resolver o problema. Deus já resolveu o problema com a caixa de comentários. Tudo normal :-)
O New York Times avisa que já tem gente por aí morrendo de tanto blogar. A reportagem relata as histórias de Russell Shaw, que blogava sobre tecnologia, morto aos 60 anos de idade de ataque cardíaco; de Marc Orchant, morto aos 50, da artéria coronária; e de Ohn Malik, que sobreviveu a um ataque cardíaco em dezembro, aos 41 anos de idade. Os outros sintomas de blogagem excessiva listados pelo NYT incluem alteração do peso, dificuldades para dormir e fadiga.
Parece que especialmente no campo da tecnologia, as circunstâncias descritas pelo NYT apontam para uma população estressada e apressada para conseguir notícias, que podem significar alguns cliques e rendimentos a mais na conta do blogueiro.
Mesmo para quem não bloga profissionalmente, às vezes o estresse toma conta. Não é o meu caso, mas confesso que em algumas noites de cansaço extremo já fui incomodado pela auto-cobrança: puxa, milhares de pessoas vão passar lá amanhã; tenho que escrever algo. Quando eu dou um tempo do blog, vocês podem saber que é, em geral, pelo incômodo produzido pela auto-cobrança.
Este Weblog passou por dois ou três longos interregnos em sua existência. Todos eles ocorreram pelo mesmo motivo: pareceram-me necessários para manter o bom humor, o relaxamento e o senso de perspectiva de que o que fazemos tem, sim, a sua importância, mas é, afinal de contas, só um blog.
Vocês se lembram da discussão sobre a Wikipedia aqui no blog, correto? Pois é. Voltando agora do Rio Grande, resolvi dar uma conferida no verbete sobre o estado na dita cuja.
Ali aprendemos que o alemão hunsrückisch conta com pelo menos um ou dois milhões de falantes no Rio Grande do Sul, se não mais, de acordo com as estimativas mais aceitas por especialistas.
Para a Wikipedia, 20% se não mais do Rio Grande do Sul fala alemão. Como estou bem longe de ser especialista em sociolingüística da língua alemã no Brasil, acho que eu deveria acreditar, né?
OK, minha vez de pedir ajuda aos leitores do blog: alguém aí saberia, por favor, qual é o serviço de internet wi-fi que eu poderia comprar por duas semanas -- e que funcione no Bairro União, em Belo Horizonte?
Eu tinha internet a cabo no meu AP em BH, mas cancelei porque não valia a pena ficar pagando o ano inteiro. Agora preciso estar conectado pelas próximas duas semanas, aí no Brasil (de preferência via um serviço que eu pudesse comprar hoje, online, aqui nos EUA).
Tem que funcionar em Belo Horizonte. Em Porto Alegre vou estar conectado graças a um querido amigo.
Quer tiver uma dica, por favor, deixe aí. A casa agradece :-)
Todos conhecem a história de que os esquimós possuem não sei quantos substantivos diferentes para designar a neve, não é mesmo? Pois bem, quais são as três palavras com mais sinônimos dicionarizados na língua portuguesa falada no Brasil?
Deixe primeiro o seu palpite aqui na caixa de comentários e depois descubra a resposta certa de acordo com esse post do excelente blog Fósforo.
Se acertar, não comemore por enquanto, para não atrapalhar a adivinhação do próximo leitor.
Pode ser que eu esteja errado, mas acredito que tem chegado a este blog, nos últimos tempos, um tipo diferente de leitor. Trata-se de um leitorado que acompanha blogs hospedados em grandes portais (Globo, Abril, UOL, IG) e que não possui ainda muito traquejo com blogs artesanais, pessoais. São leitores que não estão exatamente inseridos numa conversa entre blogs, mas num Fla x Flu cada vez mais raivoso entre apoiadores e detratores do atual governo brasileiro ou, o que infelizmente dá na mesma, apoiadores e detratores do governo passado. Aos que chegam, um aviso: este blog não é parte desse Fla x Flu.
O Biscoito denunciou o mensalão no primeiro dia, criticou a delubianização do PT e, meses depois, apoiou a campanha da reeleição do presidente Lula. Ridicularizou a xenofobia do deputado Aldo Rebelo e apoiou a série de denúncias que o jornalista Luis Nassif vem arrolando contra a Revista Veja. Morre de rir de blogs que não conseguem enxergar neoliberalismo na América Latina, mas continua lendo-os (e linkando-os) com gosto e proveito. Criticou o oportunismo de José Serra mas, no episódio dos cartões corporativos, concorda integralmente com um colega blogueiro que declarou voto em Serra. As razões para estas posturas estão amplamente explicadas nos arquivos. Se alguém vê nelas uma “contradição”, paciência.
Posso estar errado de novo, mas acho que o caracteriza esse leitorado que vem dos grandes portais e do interior desse Fla x Flu é uma certa sensação de direito adquirido, o que chamamos em inglês sense of entitlement. Explico, então, pela milésima vez o que qualquer blogueiro sabe: num blog pessoal, não existe “censura”. Se eu lhe impedisse de abrir o seu próprio blog, isso sim, configuraria censura. Este blog não é uma democracia. É um espaço editado. Procuro, em geral, responder os comentários, mas também me dou o direito de ignorar o que acho que deve ser ignorado e apagar o que acho que deve ser apagado. A tolerância com comentários discordantes aqui é bem ampla, como podem atestar vários leitores que estão à direita de Médici e que continuam lendo e comentando neste blog inequivocamente esquerdista.
Mas se, por exemplo, num post sobre o Atlético-MG, você ofender a Massa, terá seu comentário apagado. Se, num post sobre a decadência da Fox, você me fizer uma pergunta agressiva que pressupõe incompreensão do que está escrito no post e que parte da incrível premissa de que as cadeias de TV americanas são de “esquerda”, não adianta ficar bravinho por ter seu comentário ignorado. Este aviso vai para uma parte ínfima do público que chega. A todos os demais, boas vindas. Se você chegou via blogs de jornalistas dos grandes portais, ou via alguma menção ao Biscoito num veículo de grande porte, reitero: bem vindo mas, por favor, entenda que este blog tem mais de três anos de história, é parte de uma conversa que se gesta há tempos entre uma rede de blogs e não se pauta pela premissa de que eu tenha a obrigação de responder perguntas agressivamente colocadas, como se o idelberavelar.com fosse uma espécie de cadeia de TV paga com dinheiro público.
Nos últimos dias, comecei a receber spams de uma geringonça chamada “Credibilidade e Ética”. Trata-se de uma colagem de textos os mais estapafúrdios, como por exemplo um inacreditável delírio que acusa FHC de ter recebido, em 1969, dinheiro da CIA via Fundação Ford. Sinceramente, quem confunde a Fundação Ford com a CIA deveria estar se informando melhor, não mandando spams. Esta recomendação vem de alguém que é insuspeito de ter qualquer simpatia por FHC.
Jornalistas de peso não deveriam incentivar seus leitores a mandar spam. Não há nada que irrite mais quem trabalha com a internet do que correspondências massivas e não solicitadas enviadas indiscriminadamente. Isso só corrói a credibilidade de quem manda. É importante que os jornalistas que chegam à internet oriundos dos grandes veículos entendam isso. Este blog está à esquerda de Miguel Rossetto, mas nem por isso vou deixar de denunciar a prática do spam só porque seus autores são pessoas que concordam comigo sobre a Reforma Agrária e as privatizações de FHC.
PS 1: Recentemente, dei uma atualizada no blogroll, incluindo vários blogs novos e eliminando links a blogs que estão fora do ar ou inativos (entendendo-se “inativo” como um blog não atualizado há mais de dois meses). É possível que algum link tenha sido perdido no processo. Se havia um link para o seu blog aqui no Biscoito durante a passagem do ano e esse link sumiu, me avise. A idéia não era deslinkar ninguém, mas manter o blogroll atualizado. As deslinkagens por incompatibilidade, digamos, ética, já foram feitas há muito tempo. Se o seu blog estava inativo e você voltou a blogar, avise também. O blig do Tão, por exemplo, tem cadeira cativa no meu blogroll no minuto em que ele voltar a blogar (por onde andas, Tão?)
PS 2: A Gabriela Zago continua fazendo um trabalho que já a coloca, na minha opinião, entre os melhores blogs do Brasil.
PS 3: Confirmo que no domingo à noite coloco aqui um texto sobre Ariano Suassuna para preparar a discussão do Clube de Leituras sobre A Pedra do Reino, a se realizar na segunda-feira.
PS 4: Poxa, sai um artigo meu n'O Globo e ninguém me avisa? Alguém aí teria, por favor, um exemplar do jornal de sábado passado que pudesse me enviar? Eu pago, claro, as despesas com o correio. Quem me deu o toque foi a gentilíssima Chris Nóvoa, que anda com o blog temporariamente fora do ar.
Aí vai um post-bobagem, para desintoxicar um pouco da política americana:
1.O volante Bilu, ex-Atlético, é um dos seres humanos mais ruins de bola que já pisou o planeta. Mas de tanto ver a torcida pegar no pé do rapaz, ajudada pela infeliz oxítona do seu nome, eu me sinto tentado a me levantar e gritar o nome do sujeito na arquibancada.
2.Os Clintons traíram todas as bandeiras progressistas que poderiam ter traído nos anos 90. Com eles na Casa Branca, o Partido Democrata passou de 30 governadores em 1992 a 18 governadores em 2000, 258 deputados em 1992 a 212 oito anos depois. Hillary Clinton é a única candidata democrata a ter falado em guerra com o Irã. Mas de tanto presenciar o massacre sexista contra ela na mídia, dá até vontade de apoiá-la.
3.Tenho incontáveis críticas ao governo Lula, na política de alianças e na política econômica. Mas é só escutar os "argumentos" da oposição tucano-pefelê e da blogoseira anaeróbica que dá vontade de reforçar meu apoio.
4.O nível dos blogs literários de jovens escritores no Brasil realmente é muito baixo. Mas é só ouvir “jornalistas literários” -- uma espécie de eufemismo para designar leitores de orelhas de livro – pontificando sobre um suposto cenário apocalíptico na literatura que eu me sinto com vontade de publicar um post por dia louvando cada jovem escritor como o novo Guimarães Rosa.
Continuem vocês aí, leitores. Vale qualquer assunto. Eu não passo memes, mas adoraria, num futuro próximo, ler listas semelhantes dos meus camaradas Alexandre Inagaki e Hermenauta. E já imagino o que o Paraíba seria capaz de fazer com a idéia.
Atualização: O Hermenauta já respondeu, com a verve habitual.
De uma unha quebrada à morte de uma pessoa, da perda de um guarda-chuva à perda de um passaporte, parece-me que os enunciados "não era pra ser" e "podia ser pior" dividem a humanidade em dois grandes estilos de consolação. Diga-se logo de cara que, na morte, sobrevém uma terceira corrente consolatória: a dos que dizem que o morto "descansou". Mas, como até para descansar é preciso estar vivo, descartaremos qualquer análise mais profunda desta terceira via, por consistir ela na escolha preferencial daqueles que não têm a mais remota idéia do que dizer nas situações em que nada há a ser dito - saindo-se, então, com afirmações rigorosamente desprovidas de qualquer sentido. "O morto descansou" é afirmação de logicidade comparável a "o morto foi à praia e tomou um sorvete".
******************************* Tem certos dias, quando passo no subúrbio, que vejo a gurizada jogando bola no barro vermelho. Estou eu lá dentro do ônibus, voltando esgualepado e com toda a mortalidade do mundo nas costas, e uns oito ou dez malandros estão correndo atrás de uma bola, já quase escuro. E tudo que eu mais queria era descer do ônibus e me infiltrar no meio do jogo, fingindo que não me envergonhava dos muitos centímetros e quinze anos a mais que meus companheiros de time e adversários
E nada mais justo que no dia em que eu confirmei minha viagem para Porto Alegre (sim, esta bodega transmitirá dos pampas durante alguns dias em março), Milton Ribeiro, meu generoso anfitrião, disserte sobre Roberto Bolaño. Porque eu e Milton nos conhecemos virtualmente num dia já longínquo em que ele escreveu sobre Bolaño.
Ontem fiz um post criticando velhos intelectuais não aceitam a internet. Hoje vou falar como um velho intelectual que não aceita a internet. É que devo ao meu amigo Sergio Leo um post sobre meus motivos para jamais – ou raríssimamente – linkar ou recomendar a Wikipedia.
Poucas coisas foram saudadas com tanto triunfalismo como a Wikipedia. É muito sedutora a idéia de uma comunidade aberta, produzindo conhecimento coletivamente, com a possibilidade de permanentes revisões. Cheguei a ver gente inteligente, que eu respeito, dizendo que na Wikipedia qualquer erro se corrigia em questão de minutos. O Pedro Dória colocou uma semente de ceticismo bem fundamentado nessa discussão há uns tempos. Confirmei que ele estava certo. A quantidade de erros é absurda. Nos temas polêmicos – o que significa toda a esfera das ciências humanas e sociais --, vence a versão de quem tem mais tempo, grita mais alto e faz mais lobby. Não vale a pena.
Exemplos? Tomemos um bem anódino: o Campeonato Mineiro de 1956. Segundo a Wikipedia, o campeonato de 1956 foi dividido entre Atlético Mineiro e Cruzeiro. O Atlético escalou um jogador irregular em uma das partidas finais e o Cruzeiro pleiteou os pontos. O caso se arrastou nos tribunais durante dois anos e, finalmente, foi dado ganho de causa ao Cruzeiro. Dada a impossibilidade de se marcar nova partida com os jogadores inscritos à época, a Federação Mineira de Futebol dividiu o título.
Neste verbete, tudo o que é relevante está ausente, tudo o que está presente está errado. Em primero lugar, num campeonato decidido no Tribunal, em geral queremos saber quem ganhou a peleja dentro de campo. O verbete não diz. Pois bem, o Atlético venceu o jogo e sagrou-se pentacampeão. A prova? Está aqui, os campeões com a taça:
Segundo, o Cruzeiro entrou, sim, na justiça, mas o Tribunal não lhe deu ganho de causa coisa nenhuma. Com a pendenga arrastando-se, a FMF decidiu dividir o título. Você pode, se quiser, ir a Belo Horizonte, ao bairro do Barro Preto, e consultar um cruzeirense das antigas: nenhum deles comemora esse título. Oficialmente, é dividido, sim, mas toda a informação presente no verbete está errada. Nota-se que quem o escreveu 1) era cruzeirense; 2) estava mal informado; 3) redigiu com pretensões de neutralidade. Eu desafio qualquer editor da Wikipedia a me dizer qual foi o jogador irregular que o Atlético escalou na final de 1956, e por que ele estava irregular.
Já sei, futebol não vale. Tomemos outro verbete: Ariano Suassuna. Ali se diz – já na segunda frase, ou seja, ainda no momento em que se está descrevendo quem é o cabra -- que Suassuna é um defensor militante da cultura brasileira. Sinceramente, eu não sei o que é isso. Entendo que alguém se apresente assim, acreditando que a cultura brasileira seja algo que se possa “defender”. Não entendo que uma enciclopédia use essa frase, como se ela tivesse um sentido, um referente claro.
Em casos onde há desacordos e discussões – como na política – a Wikipedia oscila entre duas possibilidades. A primeira é que o grupo mais forte e organizado imponha sua versão, como no caso dos verbetes sobre o Oriente Médio, que são pouco mais que panfletos em defesa de Israel. A segunda é que as várias versões se neutralizem e se produza um monstrengo, onde um trecho contradiz o seguinte. É o caso do verbete sobre a liberdade de expressão em Cuba, onde um parágrafo desdiz o que anterior afirmou.
Não digo que não existam bons textos por lá, especialmente na Wikipedia em inglês. Mas a quantidade de erros e inconsistências é grande demais para que sirva como referência. Não se trata de que eu esteja esperando profundidade de uma tese acadêmica num verbete de enciclopédia. Tampouco se trata de “discordar” do que está escrito. Discordar é outra coisa. Se vou à Torre ou à Corja, sei que não vou concordar com nada, mas a perspectiva deles me enriquece. São textos pessoais, assinados. O irritante na Wikipedia é a pretensão de neutralidade, quando está óbvio que alguém ali ganhou uma batalha entre visões parciais, para depois conquistar o direito de se apresentar como versão objetiva. Neste sentido, ela produz, sim, efeitos daninhos, de uma forma que blogs bobagem não produzem. Jamais gasto bytes aqui criticando blogs que não têm nada a dizer -- ora, eles não me fazem mal nenhum. A Wikipedia é outro caso, porque posa de referência objetiva. Cada vez mais gente cita a Wikipedia como se estivesse citando um estudo sério. Isso sim, há que se combater.
PS: Na “democracia” da Wikipedia, a chefia decidiu que todos os links que saiam de lá para sites externos terão o atributo “nofollow”, mesmo depois da comunidade ter votado contra isso. Argumentaram que era para controlar o spam. É uma das decisões mais cretinas da história da internet. As páginas da Wiki aparecem bem colocadas nas buscas do Google por causa da quantidade de gente que as linka. Recebem seu ranking da comunidade de usuários da internet e se recusam a circulá-lo, devolvê-lo, compartilhá-lo. Eu tô fora. Aliás, em 3 anos e meio de blogagem, nunca houve um assunto sobre o qual eu não achasse uma referência melhor que o verbete da Wiki. Como no caso do Ariano Suassuna, outro dia, em que linkei um textinho modesto, mas sem erros e sem simplificações grosseiras.
PS 2: Se quiser me ajudar e fazer a prova dos nove, dê uma passada por lá, escolha um verbete na sua área de conhecimento, e me diga o que achou.
Enquanto eu estava de férias, o pau comeu na blogosfera argentina. Foi o maior barraco da história. Naturalmente, dele não se teve notícias nos blogs brasileiros. Muro de Tordesilhas véio de guerra. A história já é antiga – coisa de um mês atrás, em blogs, é pré-história. Mas vale a pena acompanhar, porque diz muito sobre a reação dos jornalões às novas plataformas de publicação.
Quando um jornalão brasileiro quer destilar o seu ressentimento pela queda do público leitor e a perda de espaço para as novas mídias, ele contrata a agência Talent, que faz uma campanha comparando blogueiros a macacos. Quando um jornalão argentino – o Clarín – quer fazer o mesmo, quem se encarrega da tarefa é um ensaísta da estatura de Horacio González, diretor da Biblioteca Nacional, que assina, sob o título “Os blogs não tem futuro”, uma incrível, bizarra e barroca diatribe contra os blogs. As reações na blogosfera argentina foram sensacionais e muito bem humoradas. Vamos por partes.
De todas as “eras douradas” que os nostálgicos gostam de dizer que foram destruídas pelos blogs, a escolhida por González é a mais insólita: a época da carta do leitor ao jornal, que aparece em seu artigo como uma espécie de era de ouro da democracia! Sério, é isso: El género de la carta del lector nació con el periodismo mismo y postulaba un ejercicio superior de ciudadanía –la enmienda, la queja, la reescritura, la rectificación, la protesta–, así como exigía del periodismo el trabajo con un incipiente derecho a réplica o con perspicaces elaboraciones de un lector, que si pasaba el cedazo riguroso de la redacción estable de un diario, era una señal de fuerte opinión editorial proveniente de la sociedad civil.
Essa era a idade de ouro, em que a voz dos leitores encontrava o ilustre cantinho do painel das cartas – cuja publicação, evidentemente, ficava e fica a cargo do jornal. A barbárie atual, segundo González? É esta: Cuando en los últimos tiempos se invita a la opinión en el gran "blog" en que se está convirtiendo el mundo digital de la información, se desata una interesante pero al mismo tiempo borrosa disentería de escritos de rigor espontaneísta: Esos escritos quizás prometen una futura revulsión artística en la lengua, pero por ahora la desarticulan con banales juegos de irreverencia y pseudos-vandalismo. O texto de González defende essa estranha tese: os blogs podem, um dia, revolucionar a linguagem. Mas por enquanto então “desarticulando-a” e pondo fim ao exercício democrático do sujeito que ponderadamente enviava missivas ao jornal como um ato de cidadania. Reclamando do mundo em que qualquer um pode escrever, González cita o famoso tango de Discépolo: cualquiera es un bacán, cualquiera es un señor. Se usasse o Google, González saberia que sua citação está errada. O que disse o ilustre tangueiro foi cualquiera es un señor, cualquiera es un ladrón, erro de citação que não deixa de ser uma bela ironia no contexto do artigo.
Estamos na época da disolución del perfil autoral y la responsabilidad del multi-secular sujeto escribiente, lamenta González. Os blogs seriam a disenteria verbal, as rufadas de espontaneísmo, a barbárie da opinologia: quanto mais retorcida a linguagem, mais visível o ressentimento. Lendo uma coisa dessas, assinada por ninguém menos que o diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina – instituição que foi dirigida por Jorge Luis Borges, grande precursor da internet –, não dá para deixar de pensar: do que esses intelectuais têm tanto medo?
As reações da blogoseira foram várias: fazendo uma gozação com a retórica de González, La barbarie ofereceu uma tradução do texto, frase por frase; acertando na mosca, Últimas de Babel lembrou que quem fala sobre “os blogs” em geral, é porque não sabe do que se trata; no excelente blog coletivo Nación Apache, Julio Zoppi fez uma análise do ressentimento e do susto que movem essas diatribes; no Lectora Provisoria, que fez seu primeiro aniversário no sábado passado, Juan Villegas pegou pesado; o Hipertextos tomou o mote “os blogs não tem futuro” e colocou-o ao lado de outras previsões furadas do passado; finalmente, o indispensável Tapera demonstrou que a idade de ouro da carta ao jornal não era tão de ouro assim.
Minha opinião? As respostas deles a González deram de 10 x 0 nas nossas respostas ao Estadão. Mais um capítulo, pois, da blogofobia. Vida que segue.
Transpiauí, Uma peregrinação proctológica, de Mr. Manson
Acho que a última vez que eu dei tanta risada assim foi quando o goleiro do ex-Ipiranga buscou duas bolas dentro do gol de uma só vez. Acabei de ler – numa sentada – o Transpiauí: Uma Peregrinação Proctológica, o livro que relata a viagem do Mr. Manson, do Cocadaboa, ao Piauí. Publicado em 2004 pela editora Churros e já esgotado há tempos, o livro está disponível na íntegra na internet desde o mês passado (sem as fotos, que respondem por boa parte do escândalo que o livro causou). Recomendo. Mas recomendo mesmo.
Já nem sei como cheguei ao livro. O fato é que depois de dois parágrafos não consegui mais parar: uma odisséia numa “estrada” esburacada, uma incrível pegadinha no meio do deserto, um quebra-pau entre um travesti e as mulheres do ônibus. Daí em adiante a coisa só melhora, ou seja, piora. Há até informações históricas e geográficas sobre o Piauí que você nunca imaginou que fosse aprender.
Parece que, por causa das piadas, o livro despertou a fúria de muitos piauienses. Foi tema de programa de televisão no Piauí e tudo mais. Já até imagino os emails que o Mr. Manson deve ter recebido. Claro que os relatos de viagem, desde que o mundo é mundo, ofendem uma parte dos nativos. É da vida. Ninguém chega com um olhar de fora sem incomodar um pouquinho. Se é um livro de humor, bom, é inevitável. Os ofendidos se ofenderão. Neste caso, a única coisa que posso dizer é: leia o livro inteiro, não os trechinhos pinçados por alguém que tenta pintar o autor como um preconceituoso (puxa, o sujeito encara uma viagem dessas e ainda falam de pré-conceito?). A leitura é coisa de duas horas. Se depois de ler o livro, você ainda estiver ofendido, aí é porque você não tem jeito mesmo.
Os textos jornalísticos sobre o Brasil publicados na Argentina invariavelmente trazem aquela boa dose de idealização. Mas convenhamos, esse do La Nación bateu qualquer recorde.
A vantagem de ter má memória é que se goza muitas vezes com as mesmas coisas. Nietzsche e seus aforismos maravilhosos. Tem mais um monte, em espanhol, aqui.
Este blog se junta aos que pedem justiça para Ana Virgínia Moraes Sardinha, brasileira que passa por verdadeiro inferno em Portugal. A lista dos blogs que participam do esforço de solidariedade à Ana Virgínia está aqui. Ajude a divulgar, se puder.
Está em curso mais uma edição do prêmio internacional The Bobs, organizado pela agência alemã Deustche Welle para premiar blogs que se destacam no mundo todo. Saíram os dez finalistas ao prêmio de melhor blog em língua portuguesa. Com a licença dos meus amigos bugrino e tricolor, que mui merecidamente estão nas finais, gostaria de convocar os leitores do Biscoito para votarem no Ao Mirante, Nelson! Se você ainda tem dúvidas sobre a genialidade almirântica, leia um post, só um, o meu favorito: Se os diálogos de Platão fossem pelo MSN, um clássico da blogosfera tupinambá.
O Pedro Dória me chamou para o meme da pág. 161, que consiste em abrir nessa página o livro que está ao seu lado e copiar a quinta frase. Voltando de Bogotá, li La ocasión, de um dos maiores escritores do século XX, o argentino Juan José Saer. É o livro que ainda tenho ao lado. Dos anos 60 aos 80, Saer não teve leitores e continuou escrevendo, paciente, sem que isso jamais lhe parecesse um motivo para queixa. Dali até sua morte, em 2005, teceu uma obra ímpar, que se ombreia com a dos maiores. Seus escritos despertam amor e devoção incondicionais ou a indiferença absoluta.
O meu problema com o meme, hohoho, é que as páginas de Saer não costumam chegar a cinco frases, e a 161 de La ocasión não é exceção. Aqui vai, então, a primeira, que descreve a chegada do personagem -- um francês de século XIX que foge da ridicularização de seus contemporâneos positivistas -- à pampa de Santa Fé. Copio em espanhol mesmo:
Adrede, se ha exhibido un poco en los campos desiertos, ha pasado y vuelto a pasar por los mismos lugares, para señalar bien su presencia, su existencia, su realidad y ha recorrido varias veces el perímetro de su tierra para marcar de un modo inequívoco su territorio y hacérselo evidente a los otros, se ha instalado en la llanura para recorrerla desde dentro, tratando de interiorizarla, hacérsela a si mismo connatural, tendiendo a reconstruir en su interior la percepción que tienen de ella los que han hecho su aparición en ella, los que, como Adán con el del Paraíso, están amasados por el barro gris que pisan los cascos de sus caballos, estancieros, peones, indios, arrieros, carreros, ladrones de vacas e incluso prófugos de la justicia y asesinos.
Este é Juan José Saer. Não vou repassar o meme, mas se alguém quiser tomá-lo, é só avisar que eu coloco o link aqui. Não vale escolher o livro, claro.
A Fal, a mais querida, está aceitando inscrições para seu novo curso de Arte na História. O curso é totalmente virtual e começa no dia 03 de novembro. Informações no email artenahistoria arroba gmail.com. Olhem o programa aí, que beleza.
Aula I
Arte. Que é isso?
Algumas teorias sobre o surgimento da arte.
Pedra lascada, pedra polida.
A vida como nós a conhecemos: as primeiras civilizações
No princípio era o verbo
Dos tijolos sumerianos aos jardins suspensos da Babilônia, passando pelos gatinhos do Egito.
Os números da Maloca
Tantos povos, tantas histórias: persas, minóicos, micênicos, hititas, lídios, medos, dóricos fenícios, cartaginenses e, ufa, hebreus
Aula II
Se oriente rapaz I: China e Índia
As crianças da Grécia
Os geniais etruscos
Roma e a não-arte
Aula III
Balaio de gatos: bárbaros germânicos, arte românica, gótica e a Idade Média
Construindo catedrais com a Ana Paula
Se oriente rapaz II: Japão
Aula IV
Humanismo
Grandes navegações: o mundo diminui
A terra é mui graciosa, tão fértil eu nunca vi
Apertem os cintos, o Papa sumiu
Aula V
O barroco francês, Rembrandt, Bach e outras coisas do século XVII que fazem meu coração sorrir
Bebendo café com o Mauro
Aula VI
Carneirinho, carneirão: o Arcadismo
Born in the USA
Eu sou Napoleão Bonaparte
Linha de montagem
Aula VII
Vizinhos Reais
Noutras palavras, sou muito Romântico
Romantismo Português, ó pá!
Eu te amo, porra! - Romantismo no Brasil
'Sua mãe pode até descender dos macacos, mas a minha não'
Aula VIII
A vida como ela é: O Realismo
A Natureza é tão natural
Simbolismo
Lerê Lerê
República ou morte
Impressionante
Freud, explica!!
Aula IX
Século novo, vida nova
Espartilhos e grandes bigodes: a Primeira Guerra Mundial
Futurismo, cubismo, dadaismo: é ismo que não acaba mais
Modernismo: Brasil e Portugal
Derretendo relógios
Fazendo moda, fazendo arte
Nós cantamos na chuva
A Segunda Grande Guerra
Baby boom
O anjo pornográfico
Aula X
Flower Power, o passaporte pra revolução
As veias abertas da América Latina
Coca-cola é isso aí: a publicidade e o divino, e as malas da Carla San
Moda, cinema, literatura, poesia, arquitetura, teatro, pintura, escultura, publicidade, rádio: stress puro ou seu dinheiro de volta.
O Havaí seja aqui : internet, a nova arte e o diário coletivo
De volta à pintura de paredes: os novos urbanos
O caso já repercutiu à beça na internet, mas não custa acrescentar uma voz ao coro: o Jornal do Brasil publicou, no domingo, um texto assinado por Fausto Wolff que é um plágio, do começo ao fim, desse post publicado pelo Marconi Leal há cinco meses e meio. É só ler os dois textos e confirmar. O Marconi explica o caso aqui e anuncia para hoje mais detalhes.
Enquanto isso, fica a sugestão do Marconi para que os leitores se manifestem ante a editoria do JB sobre o mui descarado plágio. Aliás, o perfil do Wolff na Wikipedia já faz alusão ao caso (dica do Bernabauer).
Atualização: Que triste. Se "viu na internet" ou "recebeu anônimo por email" -- o texto de Wolff não é claro nesse ponto -- faz pouca diferença. É muito simples publicar e dizer: "texto recebido, sem autoria; se alguém conhecer o autor, avise, para que o crédito seja dado na próxima semana". Em menos de 24 horas, Wolff teria feito um amigo e Marconi Leal teria tido a oportunidade de circular um trabalho seu devidamente assinado entre o público do JB (ninguém é obrigado a produzir conteúdo original toda hora, é só transparência que se pede; no es mucho). Agora, vos digo: não posso ter muito respeito por quem -- por uma questão de direita / esquerda -- se recusa a solidarizar-se com o Marconi, ou pior, diz que ele "quer aparecer", ou ainda pior, que há "linchamento" de Wolff. Plágio é plágio, a gente nota e dá o link.
Atualização II: Que lamentável. O último texto no site de Fausto Wolff é um amontoado de falsidades (de que "suspeita" de plágio falas, ó cara-pálida?), ocupações indevidas da posição de vítima, ataques a "blogueiros" não nomeados e algumas frases escritas em sintaxe incompreensível. Acho que esse aí foi o fundo do poço.
Já está chegando no limite da falta de educação a minha demora em responder a vários memes, menções em lista e recomendações que este blog recebeu por aí, mesmo tendo ficado em hibernação durante boa parte dos últimos meses. Com terrível atraso, aqui vão as respostas com os devidos links:
Onde anda Su?, da gaúcha Suzana Gutierrez, indicou este blog para o prêmio "Blog com tomates" e o também gaúcho Milton Ribeiro nos indicou para o "The Power of Schmooze Award". Obrigado, tchê.
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Enquanto os blogueiros do Rio de Janeiro realizam seu Primeiro Encontro (muito bacana, por sinal), os belo-horizontinos realizamos, há duas semanas, o nosso quinquagésimo oitavo, regado a muita cerveja:
Ótima notícia para quem anda descrente da justiça: um certo universalmente detestado garoto-propaganda do (pseudo)jornalismo esportivo foi condenado no processo que lhe moveu Juca Kfouri. Parabéns, Jucão.
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Por falar em links, eis uma notícia velha, seguramente já sabida por quem acompanha a internet mais de perto que eu: A Wikipedia passou a colocar o atributo "nofollow" em todos os seus links externos. O que, obviamente, deverá gerar represálias: recusas a linkar a Wikipedia ou links "nofollow" dirigidos a ela também. Alguém anda acompanhando isso? Você, aí, usa links "nofollow"? Em qual circunstância?
Ah, o infinito talento da universidade para dar tiros nos pés! A gente tenta defender a danada, compra até debate com amigos, mas não adianta: ela continua fazendo o possível e o impossível para confirmar a fama de prepotente, arrogante e cega ante o mundo ao seu redor. O último exemplo foi o debate sobre responsabilidade e conteúdo digital promovido pelo Estadão, a raiz da malfadada campanha feita pela agência Talent para o jornal, comparando os blogueiros a macacos. O prof. Gilson Schwartz, da USP (tinha que ser da USP!), pagou um grande mico com sua participação e já deve ter percebido isso. A íntegra do debate está disponível no Estadão, mas o Rodrigo Barba também postou uma versão noYouTube:
Sobre a campanha, já não há muito o que dizer depois da enxurrada de posts que ela gerou: particularmente, acho difícil concordar com os que disseram que o Estadão apostou no velho “falem mal, mas falem de mim” como forma de ganhar publicidade gratuita na internet. Mais próximo da verdade estará o Cris Dias, quando opina que provavelmente um executivo encomendou uma campanha que tentasse reverter a perda de audiência dos jornais para a internet e a Talent mandou essa tremenda bola fora.
Na tentativa de remendar, chamaram três blogueiros para um debate: Carlos Merigo, do Brainstorm # 9, a Bruna, do Sedentário e Hiperativo e o Edney, do Interney, além do Pedro Dória. Completaram a mesa João Livi, diretor de criação da Talent; Marcelo Salles Gomes, diretor do Núcleo Digital do jornal Meio&Mensagem, Osvaldo Barbosa Lima, presidente do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e o citado Prof. Schwartz, da ECA (Escola de Comunicação e Artes) da USP.
Ficou por aí uma sensação de que faltou traquejo aos blogueiros para questionar mais duramente o Estadão e a Talent sobre a questão da credibilidade. Os jornalistas, publicitário e professor pilotavam o debate e depois de assistir o vídeo ficou difícil escapar da sensação de que os blogueiros estavam ali para legitimar uma “limpada” na imagem do Estadão. Edney deu uma bela resposta a um mal-informado comentário de Schwartz sobre a rentabilidade dos blogs mas, no geral, faltou conflito, especialmente considerando-se que o debate ocorria na esteia de um grotesco ataque do Estadão aos blogs.
O Cardoso ficou putíssimo com a forma como os blogueiros foram engolidos dentro do clima de “cordialidade” que ali, claro, só servia ao interesse de limpar a barra do Estadão. Como apontou o Cardoso, o Gilson Schwartz disse que o “Estadão tinha mais era que descer o cacete mesmo”, que a blogosfera era uma “lixolândia” e ninguém reagiu. Nessas horas, há que se mandar a cordialidade às favas. Eu, pessoalmente, não me importo nem um pouco de ganhar desafetos por escrever o que penso (mas, Cardoso, o Schwartz não é “digno representante e admirador da Blogosfera Intelectual”, seja lá o que for isso: ele é representante dos que acham que toda a blogosfera é um lixo, sem ter lido, claro, nenhum blog).
Não compartilho a percepção do meu amigo Pedro Dória sobre a “falta de relevância” da blogosfera brasileira. Comparações com a blogosfera americana não ajudam, pelas assimetrias que todos conhecemos. Faltou alguém que apontasse que no Brasil já há uma considerável história: blogs que descobriram plágio em discursos de senador (descoberta, por sua vez, depois plagiada pela grande mídia), blogs que foram processados por senadores depois de causar considerável impacto na eleição, blogs que viraram referência para os próprios congressistas sentirem o clima político do país, blogs que, infelizmente, conseguiram derrubar e desfinanciar projetos de pesquisa. Claro que falta muito, que se pode crescer mais, etc. Mas não vejo nenhum “problema de relevância”. As coisas crescem no seu ritmo.
Outra coisa que ficou nítida no debate foi a vontade, tanto do moderador como do representante da Talent, de martelar que a “campanha havia sido mal compreendida”, que “não havia ataque aos blogueiros”, que só se tratava de uma chamada de atenção para a qualidade da informação, etc. Poucas coisas me irritam tanto quanto isso: o sujeito escreve A, 40.000 pessoas entendem e criticam A, e o sujeito volta para dizer que foi “mal compreendido”. Reitere o que disse ou retire o que disse, mas pelamor, não finja que o planeta e a torcida do Corinthians o compreenderam mal. Isso aconteceu também, por exemplo, no caso Janine Ribeiro – que teve a oportunidade de reiterar ou retirar, mas prefiriu dizer que a humanidade não o havia compreendido.
O Prof. Schwartz, claro, deu mais uma bela contribuição para que a imagem pública da universidade continue piorando. Mais que no infeliz uso do termo “lixolândia”, mais que na apropriação infeliz da metáfora dos “macacos”, a ignorância do acadêmico sobre o fenômeno que debatia ficou clara quando pontificou sobre o fato de que, supostamente, o problema dos blogs seria que “todo mundo virou emissor”, num recurso a um modelo completamente ultrapassado de comunicação. Não é no terreno dos blogs que “todo mundo é emissor”. Se há um espaço em que “todo mundo é emissor”, é justamente nas revistas acadêmicas, que só são lidas pelos próprios autores. Caramba, rapaziada: será que ninguém teve presença de espírito para dizer uai, professor, eu achava que todo mundo era emissor naquelas revistas que vocês fazem na USP, que só são lidas pelos que nelas escrevem.
PS: Mais sobre a polêmica:
5. Renato Cruz insiste que a "intenção não foi ofender", esquecendo-se do velho e bom ditado sobre quão cheio de boas intenções anda o inferno.
6. O Blogajuda concorda com o Prof. Schwartz, dizendo que faltam "receptores minimamente inteligentes". É a observação da qual eu mais discordo. Se há uma coisa que não deixa de me encantar nos meus três anos de blogagem, é justamente a quantidade de receptores inteligentes que encontrei.
7. Paulo Bicarato faz uma bela observação: quando um sistema emergente aparece, é porque já está mais que consolidado.
A notícia foi um baque para mim. Deu uma raiva danada, sabe? Eu havia aprendido a admirar o carinho e a paixão que os unia. Não conheci o Alexandre pessoalmente, mas tive com ele uma troca de emails que selaram minha admiração para sempre. No Salão do Livro de BH, em 2005, Fal compunha uma mesa redonda comigo e com Inagaki. Os emails em que Alexandre encomendava cuidados com a Fal foram das coisas mais tocantes e lindas que já chegaram à minha caixa de correios – coisa de quem ama de verdade, cuida, se preocupa. Papeamos, como se fôssemos amigos.
Claro que Fal não precisava de ajuda nenhuma. Meu brother bugrino concordará comigo que a minha presença e a dele naquela mesa redonda foram meros complementos para o espetáculo de bom humor e sabedoria dado pela Fal. Mas os cuidados do Alexandre com essa viagem da Fal me marcaram, porque era tudo amoroso demais.
E agora ele está morto. Falzuca, nem sei quando você voltará a ler blogs ou a passar por aqui, mas queria deixar essa recordação. Que você tenha serenidade e tranquilidade para segurar essa barra. Eu e Ana estamos pensando muito em você.
PS: Os comentários do blog passaram a ser moderados. Comente, clique enviar e tenha paciência que a gente libera. Depois comento o porquê da decisão.
Enquanto o Biscoito prolonga só por mais uns dias o preguiçoso recesso, eu não poderia deixar de recomendar o blog do meu amigo e brother Christopher Dunn, que anda bombando lá na Revista Bravo!
Bem vindo à blogosfera, Chris. Mais uns dias e a gente volta.
Como no caso de recessos anteriores do blog, o desta semana não foi planejado. Acabou se impondo e continuará por algum tempo, não maior que 10 dias. Enquanto isso, eu viajo com a família e me meto de cabeça numa pilha de tarefas: artigos, cartas, pareceres, revisões de tese.
O plágio é o tema da vez em alguns dos blogs pelos quais eu circulo. O Allan, do Carta da Itália, foi plagiado por outro blog. Recentemente, a Ticcia também foi. Ontem, o Rafael Galvão fez um post resumindo o que eu penso sobre o assunto mas, em todo caso, aqui vai um pitaco.
Entendo a raiva de quem encontra um texto seu copiado sem crédito. Eu, pessoalmente, nunca procurei saber se um texto do Biscoito foi plagiado em algum lugar. Recebi uma vez, por email, o meu ensaio sobre o Galo atribuído a Armando Nogueira e só aí me dei conta de que o texto havia dado várias voltas na internet e em caixas de correio com a falsa atribuição (da qual, obviamente, Mestre Armando não tem culpa nenhuma: trata-se de um daqueles fenômenos da cultura digital que a Corinha analisa num belo livro). Depois, vi que um balanço do governo Lula que escrevi a pedido do site InfoBrazil.com havia sido deturpado em alemão (publicado com crédito, mas em tradução parcial e grosseira); daí foi um pulo para alguns mal-entendidos em húngaro.
Vou esquentar a cabeça com isso? Se for, fico louco. Se tenho uma pesquisa em andamento, ainda não publicada em livro, pode ter certeza que ela não virá parar aqui no blog. Depois de publicada, eu, feliz da vida, colocaria a dita cuja por aqui, se não estivesse com isso violando a lei de direitos autorais – a lei mais caduca, decimonônica, atrasada e fora da realidade que existe por aí. Quando Roberto Carlos plagia a canção entregue a ele por uma fã e ganha, com isso, alguns milhões, faz coisa bem distinta – ética e legalmente -- do moleque que copia um texto seu para fazer um perfil no Orkut. Para começar, o ganho econômico com o fruto do plágio torna o caso uma operação bem diferente, pelo menos aos olhos da lei.
Não quero com isso sugerir que a indignação do plagiado não tenha razão de ser, embora eu ache que, muitas vezes, a obsessão com o tema é uma espécie de mecanismo de validação: “veja, já fui plagiado!”. Para quem gosta de falar em processos judiciais, seria interessante investigar se há algum precedente de condenação a alguém por fazer um copy / paste na internet. Suspeito que não. Isso não faz do plagiário um ser mais moral, obviamente, mas talvez ajude o plagiado a matizar um pouco sua indignação. Pessoalmente, acho que a denúncia com o link já é punição suficiente: na grande maioria dos casos, o plagiado tem tráfego infinitamente maior que o plagiador.
De novo: que nenhum plagiado, pelamor, sinta que sua raiva esteja aqui sendo desqualificada. O objetivo do post é só sublinhar a máxima do imortal filósofo Vicente Matheus que é a pauta ética deste blog: quem está na chuva é para se queimar.
Leituras recomendadas:
1.Polêmica argentina (ver os 19 textos linkados à direita) sobre o recente cancelamento do prêmio La Nación-Sudamericana a Bolivia construcciones, romance de Sergio Di Nucci no qual – depois da honraria concedida por um jurado de notáveis escritores – um muchacho de 19 anos descobriu nada menos que 30 páginas copiadas de Nada, romance da década de 1940 escrito pela espanhola Carmen Laforet. Nessas 30 páginas, Di Nucci se limitara a trocar os pronomes femininos pelos masculinos e substituir as palavras ibéricas que soariam inverossímeis no castelhano platense. Vale a pena acompanhar a discussão, bem mais interessante que qualquer uma que eu tenha visto aqui sobre o tema. Atenção especialmente à intervenção de Josefina Ludmer, a extraordinária sátira de Estanislao Figueroa, o duro ataque de Elsa Drucaroff, a resposta de Susana Santos e a cacetada final de Drucaroff.
Na quinta-feira eu pego o avião para Belo Horizonte. Durante os próximos três meses, o Biscoito transmite aí do Brasil, entre BH e Recife (com a exceção de um curto período em que eu estarei no Chile). As atualizações, portanto, devem sofrer um pouco durante esta semana.
No mês de maio, o Biscoito teve 156.560 pageviews, média superior a 5.000 por dia. A casa deixa o agradecimento pela preferência e promete manter, logo que eu estiver instalado em BH, o ritmo mais acelerado de atualizações que tem caracterizado o blog nas últimas duas semanas.
Enquanto isso, deixo com vocês o belíssimo clip da canção “Balada para Robert Johnson”, incluída no novo disco de Flávio Guimarães, Blues Etílicos. A letra é de Bráulio Tavares e a canção é interpretada pelo violeiro e repentista Sebastião da Silva. A dica é de Beth Salgueiro:
PS: o post scriptum de hoje deixa uma declaração de votos de boa sorte ao NoMínimo que, segundo informam os editores, corre o perigo de fechar por falta de patrocínio.
Em 1998, os EUA aprovaram o Copyright Term Extension Act – também conhecido aqui como Mickey Mouse Protection Act. A essência daquela legislação era estender o copyright – que até então cobria a vida do autor e mais 50 anos, ou 75 anos para criações de corporações – para inacreditáveis “vida do autor mais 70 anos” e 95 anos para corporações. Era a Disney deitando e rolando com seu lobby na Washington D.C. de Clinton, "protegendo" Mickey Mouse e cia. Bons tempos aqueles, os da ameaça de impeachment por uns boquetes. Éramos felizes e não sabíamos.
Mas tergiverso.
Eis que no New York Times (link aberto temporariamente), o Sr. Mark Helprin – vá lá, leitor, ajude-nos a saber quem é – propõe copyright perpétuo sobre bens intelectuais. Sim, isso mesmo é o que a proposta significa: que se daqui a 800 anos você quiser fazer uma adaptação teatral d’ "A Terceira Margem do Rio", terá que negociar pagamento com algum deca-neto maluco de Guimarães Rosa, que sacará do colete uma tabelinha de preços. Isso é o que “copyright perpétuo” significa. Não se trata de nada que tenha a ver com garantir ao autor da obra uma compensação justa por sua criação – que é a idéia da legislação original de copyright –, mas sim algo que aprisiona a posteridade nessa farsa que é a posse sobre bens intelectuais passando de geração a geração.
Sabe do que falo quem acompanha a batalha ingrata que livram os estudiosos da obra de James Joyce com um neto possessivo, maluco, obsessivo e frustrado. A ironia, claro, é que, na obra do avô, essa figura caberia em algo assim como meia linha.
Pois bem, logo depois da publicação da idéia absurda no New York Times, surgiu uma página estilo wiki com argumentação copiosa contra o copyright perpétuo. O primeiro argumento já rebate de cara a analogia proposta por Helprin com a posse dos bens físicos: esta última é um jogo de soma zero. Para que eu compre a casa da Main Street número 50, alguém tem que se desfazer dela. A posse do direito de uso -- citação e transformação -- de bens intelectuais, imateriais, obviamente não implica isso.
Meu direito de usar e citar e transformar Guimarães Rosa não altera o direito de ninguém fazer o mesmo. A posse do direito de uso de bens intelectuais não é uma equação de soma zero.
Este blog é pelo fim total do direito de herança sobre bens intelectuais. Vê lá se não tenho coisa melhor para deixar aos meus filhos que o direito e a tarefa de ficar decidindo quem pode ou não reaproveitar coisas que escrevi em parcos livrinhos. Ora bolas.
Atualização: A partir de hoje, o blog terá duas ou três atualizações diárias, ao invés do tradicional texto semi-diário. Você, que visita as caixas de comentários, acostume-se a descer a barra de rolagem. O site está programado para exibir, na página principal, os posts dos últimos 15 dias. Se, com o novo ritmo, ela ficar pesada, avisem.
A ameaça da Microsoft com as patentes é outro exemplo do ditado de Franklin Delano Roosevelt de que a única coisa a se temer é o próprio medo. Primeiro, a Microsoft teve sucesso como empresa porque, na maior parte, refinou as inovações nas quais outras companhias foram pioneiras. Portanto a Microsoft tem sérios problemas com defesas de reivindicações de patentes baseadas em “arte prévia” e “obviedade.” Segundo, os criadores do GNU e do Linux foram inspirados pelo Unix, não pelo Windows, e o Unix é bem mais velho que o Windows. De novo, com defesas baseadas em arte prévia e obviedade. Terceiro, a Microsoft já vendeu, inclusive, licenças Unix, chamadas Xenix (que eles licenciaram da SCO), mas a Microsoft depois abandonou o Xenix em favor do Windows NT, o que indicaria (para mim, pelo menos) que as idéias para as patentes da Microsoft relacionadas ao Windows são provavelmente tecnologia bem diferente do Xenix. ... Quinto, e talvez mais importante, Linus Torvalds enviou por email a Charlie Babcock, do InformationWeek, o argumento de que a maioria das inovações que dizem respeito a funções dos sistemas operacionais perderam proteção de patente há muito tempo, já que a maior parte da teoria básica de sistemas operacionais já estava pronta nos anos 1960. A discussão do Slashdot sobre este último tema pode ser encontrada clicando aqui. Sexto, o advogado do IT, Andy Updegrove, já disse que não está impressionado com as reivindicações de patente da Microsoft. A discussão do Slashdot desta história encontra-se clicando aqui.
Bom, eu não ia entrar nesse meme, especialmente depois de ler a matéria do Inagaki, mas já que Biajoni, Marmota e Alessandra deram a este blog a honra da inclusão na lista de cinco que os fazem pensar, vamos lá. Abaixo seguem os links a cinco blogs que atualmente me estimulam o pensamento. Não cito o Ina, Bia, Marmota, Alessandra ou Rafael porque seria chover no molhado.
Favoritos: já citado pelo Ina, não posso deixar de endossar. O blog da Luiza Voll virou minha parada obrigatória diária. Leve, bonito, com achados espetaculares, dele saíram mais bookmarks para meu uso pessoal que de qualquer outro blog. Tem sido ótimo ter o Favoritos agora que a Bibi nos deixou órfãos.
Blog do Alon: comecei a ler na época da campanha eleitoral e não parei mais. Alon combina as vantagens de ter paixão pelo jornalismo político e não ser nem petista nem tucano. Raramente concordo com tudo e quase nunca comento (as regras são bem diferentes das daqui e terminaram me inibindo) mas é certamente um blog que me faz pensar, por mais que às vezes cometa frases que são verdadeiros empecilhos ao pensamento -- como, por exemplo, o debate sobre o aborto é um debate sobre o direito de matar, frase pragmaticamente falsa qualquer que seja sua posição sobre o direito ao aborto, posto que, de ser a frase verdadeira, não existiria debate. Mas o blog é parada diária minha.
Contemporânea: Não deve haver muita gente que conheça o Biscoito e não conheça o blog da Carla, mas ela não poderia faltar na lista. Jornalista, acadêmica, dona de um texto límpido e cristalino, com ótimo tino para encontrar materiais de reflexão por aí, ela assina um dos melhores blogs do Brasil, na minha opinião. Foi muito louvável a decisão de instalar a moderação nos comentários, porque o que acontecia ali (e ainda acontece, mesmo com a moderação) é de desanimar qualquer blogueiro. Já não tenho condições nem tempo de debater em caixa de comentários alheia, mas incentivo os leitores interessados a que passem por lá e participem da discussão, quando possível.
Hermenauta: confesso que achava que ele vivia gastando tinta inútil quando dedicava tantos posts a desmontar Olavo de Carvalho, mas hoje dou o braço a torcer – os sopapos diários de Hermê ao Reinaldo Azevedo são essenciais para questionar a credibilidade dessa verdadeira barricada de extrema-direita intolerante e falastrona hospedada no portal da Veja. Confiram, por exemplo, o post de hoje, desmontando a mentirada de que nas grandes democracias não existe regulação de conteúdo televisivo como o atualmente proposto pelo governo brasileiro.
Ao Mirante, Nelson!: porque pensa melhor quem pensa dando risadas. Os textos do Almirante são clássicos instantâneos de erudição e verve. Se você nunca leu um post chamado Se os diálogos de Platão fossem pelo MSN – encontre lá -- você ainda não conhece a contribuição brasileira aos top 5 da história da galáxia blogueira.
A Feminista (a quem deixo as condolências pela recente perda do pai), o Imprensa Marrom e o mais jovem Catatau também já me fizeram pensar muito. Que ninguém se sinta obrigado a repassar o meme, pelamor.
Ok, agora que o Rafael Galvão parou de falar de putaria, o Biscoito não poderia deixar de preencher o espaço. Dizem que na véspera da decisão da Copa das Confederações, uma empresa publicitária argentina saiu com a seguinte campanha. Depois dos 4 x 1, uma empresa publicitária brasileira devolveu a gentileza:
Perdoname, Linkillo :-) Mas essa era muito boa. Amanhã voltamos com a programação normal.
Depois do show de bola que foi a série no GNT, as pioneríssimas e chiquérrimas Juliana Sampaio e Laura Guimarães lançam mais um livro e prefaciam outro. É sábado, no lindo espaço da Traquitana (Major Lopes, 63, São Pedro, ali pertinho da Contorno) a partir das 10 h.
Lá estaremos em espírito. Você aí em BH, não perca.
Um velho leitor do Biscoito e amigo meu, o cientista político Diego Ambrosini (também conhecido como Dra) engrossa o rol dos excelentes blogs acadêmicos com um belo projeto: com vocês, Tentativas de Mitologias.
Eu cheguei a perdê-lo de vista por uns tempos, numa dessas novas dentições pelas quais passam os blogs. Reencontrá-lo foi uma grande alegria; não deixem de visitar Zé Carlos Cipriano, um dos maiores conhecedores da música brasileira, e o seu indispensável Sovaco de Cobra.
Não se trata de blog novo, mas eu acabo de conhecê-lo. O autor é sociólogo, conhecedor do mercado editorial e ainda por cima tem o bom gosto de ser vascaíno. Visitem a Quitanda do Chaves.
Das coisas mais brilhantes e divertidas que li ultimamente na blogofera foi esse texto do Matusca. Não deixem de ler (via Mestre Fábio).
O stalinista já recomendou, mas eu não posso deixar de concordar: o novo projeto de Ricardo Monteiro, Vidas e Imagens, é um olhar brilhante e original sobre o Brasil. Não deixe de passar por lá.
As atualizações não são tão freqüentes como eu gostaria, mas esse é um espaço que você não deve perder de vista: Ecologia Digital.
Poucas vezes vi um blogueiro levar tanta cacetada como Tim O'Reilly na sua última tentativa de elaborar um "código de conduta" blogueira. O problema não é sugerir alguns códigos. O problema é fazê-lo com esse tom de quem quer organizar a internet. A pior parte foi a sugestão de que os blogueiros "assumam responsabilidade" pelo dito pelos leitores, justamente numa época em que se conseguiram algumas vitórias importantes na justiça dos EUA, no sentido de aliviar a responsabilidade jurídica do blogueiro sobre o dito por outrém em seu blog. Via o indispensável Tiago Dória.
Um escândalo do tamanho das gravatas do Henry Sobel num país vizinho: Bryce Echenique, talvez o segundo escritor peruano mais conhecido em sua pátria e no estrangeiro, foi pego no plágio não de um, não de dois, mas de pelo menos oito textos diferentes, copiados de outrém verbatim e publicados em jornais sob sua assinatura. Em sua declaração sobre o assunto, Bryce se justificou remetendo o problema a uma confusão de sua secretária particular. Trata-se de um petardo em cheio que atinge um escritor até então queridíssimo, que praticamente não tinha desafetos. A história completa, com toda a documentação, está no excelente blog Punte aéreo, aqui, lá , acolá e alhures.
PS. Se você estiver próximo a Madison, Wisconsin, no próximo fim de semana, não perca este colóquio (veja o programa completo). A conferência de abertura acontecerá na sexta-feira às 10 da manhã e será dada por este atleticano blogueiro, que deixa o agradecimento à Universidade de Wisconsin em Madison pelo convite.
* Estreou com pompa, circunstância e destaque nos principais jornais brasileiros o novo portal Interney blogs, onde se hospedam vários amigos desta casa. O Biscoito, que anda em fase ainda baiana e preguiçosa, noticia o fato depois de todo mundo. Em todo caso, melhor tarde do que nunca. Aqui vai o convite a que você visite o Pensar Enlouquece, o Marmota, o Ao Mirante, Nelson, o Enloucrescendo, o Hedonismos, o Discoteca Básica, o Uma dama não comenta e todo o resto do excelente time de lá. Vão também os votos de boa sorte e muito dim-dim no bolso. A proposta do portal é profissional, o Edney tem know-how na coisa e os blogueiros que se reuniram lá têm conteúdo. Ou seja, eles têm tudo para dar certo. Inagaki explica o babado nessa entrevista com o Tiago Dória.
* Para quem se interessa pela situação atual de New Orleans, aqui vai um belo diário de um nova-iorquino aqui no Golfo. Muito bom.
*Está em curso na Argentina o processo de confecção do mito Osvaldo Soriano-o-gordinho-pobre-e-santo- abandonado-pela-academia-malvada. Afinal de contas, dos mortos é possível se fazer qualquer coisa. A novidade aqui é o ódio, a virulência, a agressividade e a misoginia com que, para confeccionar esse mito, Osvaldo Bayer e Guillermo Saccomano saem de porrada em cima de uma intelectual como Beatriz Sarlo, jogando lama, inclusive, sobre o melhor curso de Letras da América Latina, o da Universidade de Buenos Aires. Uma pensadora da estatura de Sarlo não precisa de ninguém para defendê-la, obviamente, mas fica aqui a nota de solidariedade. Veja também, sobre essa seqüência de agressões, o texto de María Moreno e o depoimento de Daniel Link. Como lição do episódio, vai o seguinte: sempre que vir alguém apresentando a si ou a outrem como um coitado silenciado pelo desprezo da academia, desconfie. Muito provavelmente se trata de um demagogo de plantão.
* Hermenauta e Lucia Malla, save us all! Sabem de onde sai a mais militante, apaixonada e carola defesa das religiões contra The God Delusion, o novo livro do cientista (e racionalista de carteirinha) Richard Dawkins? Vem de Terry Eagleton, uma das lideranças do marxismo britânico. Quando os nossos marxistas de plantão se dedicam a voltar suas baterias em defesa das religiões contra o racionalismo ateu é porque a coisa vai mal. Em breve, um comentário sobre essa resenha aqui no Biscoito.
Amapá Urgente: Mais notícias das agressões de Sarney contra a jornalista Alcinéa Cavalcante
Ao longo desta campanha eleitoral, José Sarney e seus capangas têm tentado silenciar e censurar o blog da jornalista Alcinéa Cavalcante. Sucessivas ações na justiça eleitoral do Amapá terminaram retirando do ar o blog que Alcinéa tinha no UOL, com vergonhosa cumplicidade do portal. Sarney havia conseguido que o TRE-AP ordenasse a retirada de uma charge que Alcinéa fotografou; o UOL se adiantou e retirou o blog inteiro do ar. A censura desencadeou revolta na blogosfera e gerou uma gigantesca campanha Xô Sarney. A história foi contadaaqui no Biscoito e também no Pensar Enlouquece, e recebeu atenção da mídia internacional.
Já com o blog hospedado no Blogspot, ela recebeu, ontem, uma notificação de que Sarney havia ganhado o direito de resposta em seu blog. Isso mesmo: um direito de resposta num blog pessoal, onde Sarney tem o cinismo de assinar uma frase como Alcinea Maria Cavalcante Costa publicou matéria difamatória e caluniosa contra o Senador José Sarney, homem sério, digno, honrado e que tem prestado valiosos e imprescindíveis serviços ao Estado do Amapá nos seus mais de 50 anos de vida pública. O que você acha disso?
O TRE-AP que vem dando ganho de causa a Sarney e obrigando o blog de Alcinéa a retirar posts do ar, pagar multas e publicar cartas do coronel pode ser contactado neste email ou em algum desses.
A caixa de hoje está fechada, para que todos os comentários se concentrem lá na Alcinéa, especialmente na resposta ao Sarney. Para os que querem continuar debatendo os últimos acontecimentos do imbróglio com o dossiê, a caixa de comentários de ontem está aberta.
Toda a solidariedade à Alcinéa. Não deixe de dar o seu recado lá.
Atualização: por causa da configuração do blogspot, o permalink à resposta de Sarney abre o post na página como se ele não tivesse caixa de comentários. Tem. Por isso atualizei todos os links. Em vez de remeterem ao post específico, remetem agora ao blog de Alcinéa. Para ver a cartinha do coronel, desça até o post das 5:20 do dia 20/09.
TRE-Amapá dá a Sarney direito de resposta num blog que já não existe
Do blog da Alcinéa Cavalcante:
Fui notificada agora pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá que foram julgadas procedentes as representações 448, 449, 450, 451, 452 e 453/2006 movidas contra mim por Sarney.
O pleno do TRE deferiu o pedido de resposta feito por Sarney para ser publicado no alcinea.zip.net - que, repito, o UOL já tirou do ar faz tempo - e me aplicou uma multa de R$ 25 mil,
Quem está acompanhando a história sabe: Sarney primeiro conseguiu que o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá obrigasse Alcinéa a retirar um post do ar. Antes de que Alcinéa pudesse cumprir a ordem judicial, o UOL, sempre tão solícito com ditadores, retirou o blog inteiro do ar.
Agora Sarney ganhou - pasmem - direito de resposta num blog que já não existe. Isso mesmo: o ditadorzinho bigodudo que controla todos os meios de comunicação de massas do Amapá ganhou direito de resposta num blog pessoal que ele já havia conseguido - graças à cumplicidade do UOL - retirar do ar. Alcinéa no momento já deve R$45.000 em multas.
Sabe o que acho? Que seria um bom exercício de cidadania escrever para o tal tribunal com uma opinião sobre essa decisão. Para você que escreve cartas à moda antiga, o endereço é:
Tribunal Regional Eleitoral do Amapá
Av. Mendonça Júnior, 1502 - Centro
CEP 68900-020 - Macapá-Amapá
Se tem disponibilidade para telefonar, pode ligar para:
(96) 3214-1722 / 1723
Ou pode-se mandar uma correspôndencia para este email ou para algum dos membros da secretaria jurídica do TRE-AP, cujos endereços eletrônicos estão aqui.
Sabe como, não é? Um rápido e cordial email relatando sua opinião sobre decisões como essas, e um pequeno lembrete de que o mundo está de olho nas eleições do Amapá. Algo me diz que os capangas, aprendizes de ditadores, lambe-botas da ditadura, censores de blogs - e seus amigos nos vários poderes constituídos - estão começando a temer a internet.
PS: Enquanto isso, o blog da Alcilene Cavalcante, o Repiquete no Meio do Mundo, que havia desaparecido até do cache do Google desde o último dia 25, misteriosamente voltou ao ar, justo no dia em que Sarney ganhou direito de resposta nele. Curioso, não?
Sentença judicial contra Imprensa Marrom abre perigoso precedente na blogosfera brasileira
Acaba de ser lavrada em São José dos Campos uma sentença judicial que abre um precedente perigosíssimo para a liberdade de expressão na blogosfera brasileira. Para os que acompanham blogs há algum tempo, a história é conhecida. Para benefício dos que por ventura ainda não a conheçam, aqui vai o relato, desde o começo.
Em 2004, um dos sócios de uma empresa de recolocação profissional, cuja reputação pode ser averiguada com uma consulta ao Google, sentiu-se ‘ofendido’ com um comentário publicado no blog Imprensa Marrom, e conseguiu uma liminar que tirou o blog do ar. O Imprensa Marrom logo depois conquistou o direito de voltar ao ar, mas na sua volta já não incluía espaço para comentários. Enquanto isso a ação continuava tramitando. Três detalhes são cruciais para se entender o caso:
1. o comentário havia sido feito por um usuário não identificado num post de mais de seis meses de idade. Ou seja, foi colocado num espaço onde ele dificilmente seria lido, já que é raro que algum leitor de blog leia caixas de comentários tão antigas.
2. a empresa em questão e o sócio que se sentiu ofendido jamais entraram em contato com o Imprensa Marrom pedindo que o comentário fosse apagado.
3. a empresa em questão é a mesma que já havia ameaçado, em termos bem grosseiros, o blogueiro Cris Dias com um processo judicial por causa de comentários publicados em seu blog.
Tudo isso torna o caso extremamente suspeito. O que vocês diriam de uma situação em que um anônimo escreve um comentário ofensivo a alguém num post de seis meses de idade, e quatro dias depois você é surpreendido com uma ação na justiça? Estranho, não? Pois bem, a ação desse senhor contra o Imprensa Marrom foi, na semana passada, parcialmente deferida, com o responsável pelo blog sendo condenado a pagar 10 salários mínimos por danos morais.
O Biscoito Fino e a Massa entende que essa é uma decisão equivocada. Meu argumento não é, obviamente, que se deve possuir o direito de dizer o que quiser sobre os demais nos nossos blogs. Os crimes de calúnia e difamação são previstos no código penal e se aplicam à internet da mesma forma que a outros veículos. No caso em questão, no entanto, parece-nos que a juíza – sem sequer realizar uma audiência – não atentou suficientemente para os fatos de que a ofensa não foi proferida num post do blog, e sim num comentário antigo, e que em nenhum momento foi dada ao blog a oportunidade de apagar o comentário ofensivo. Tive acesso à sentença e, apesar da juíza fazer a ressalva de que a responsabilidade do requerido se mantém, pois que, ao disponibilizar o espaço para divulgação democrática (termo utilizado na contestação) do conteúdo inserido por terceiros, assume o risco sobre as expressões ofensivas veiculadas, não foi dada, neste caso, absolutamente nenhuma chance de que a "ofensa" fosse sanada com um simples apagamento do comentário.
Este blog confia que essa decisão em primeira instância será revertida. Enquanto isso, manifesto total solidariedade ao amigo Gravataí Merengue, responsável pelo Imprensa Marrom. Manifesto também minha compreensão com a recomendação feita pelo Gravataí, de que à luz desta sentença os blogueiros brasileiros retirem ou instalem moderação em suas caixas de comentários. Compreendo a posição dos que optam por essa alternativa, mas o Biscoito continua com sua caixa de comentários aberta, confiante que esse perigoso precedente contra a liberdade de expressão será revertido em segunda instância.
PS: E não é que enquanto eu concluía este post fui surpreendido com outra história de lamentável cerceamento à liberdade de expressão na Internet brasileira? Alcinéa Cavalcante, respeitada jornalista e blogueira do Amapá, já recebeu nove representações judiciais do sr. José Sarney, com demandas absurdas como o apagamento de posts do blog e de comentários de leitores, além da aplicação de multas. O "crime" de Alcinéa? Simplesmente o fato de ter fotografado e publicado em seu blog uma charge vista num muro. Pois bem, este blog se junta à enorme rede que decidiu republicar a charge e desafiar o coronel maranhense:
Urgente, atualização: nesta sexta-feira as tesouras censoras do coronel Sarney conseguiram, na justiça, uma liminar que ordenava a retirada de seis posts do blog de Alcinéa Cavalcante. Num completo desrespeito aos leitores, o UOL tirou o blog inteiro do ar. Alcinéa se recusa a ser silenciada e já montou um novo blog no blig e outro blog hospedado no exterior. Por favor, ajudem a divulgar.
Pois, começou o programa das Mothern no GNT. Eu adorei assistir o primeiro episódio, o penúltimo que poderei ver antes do regresso a terras gringas. Foi suficiente para testemunhar que o programa tem fôlego para ir longe: um baita material, roteiro ágil, boas atrizes. Claro que a tendência dos que conhecemos as Mothern pessoalmente é ficar comparando, e aí é covardia: as personagens são ligeiramente “histéricas” quando comparadas à sabedoria zen de Ju e Laura. Mas minha única crítica de fundo é que num sitcom com quatro mães, realmente não havia razão para que todas elas fossem brancas. Fora isso, achei um charme o início da série. E acho que ela vai longe.
E só mesmo as Mothern para me fazerem abandonar por quinze minutos um Roda Viva em que Tariq Ali dava um show de bola nos jornalistas brasileiros para assistir o programa da Hebe Camargo! Lá estavam as poderosas, no sofá da Hebe. Outro show.
Encontros de blogueiros, neste país, são realizados com o único objetivo de que o Biajoni possa depois fazer um relato. Nada a acrescentar.
A trilha sonora do dia foi Vou tirar você deste lugar: tributo a Odair José, um excelente disco de rock, na verdade, com uma linda versão de “Eu queria ser John Lennon,” pela banda carioca Columbia, que eu não conhecia. Baixado lá no Mercado de Pulgas (dica da Luiza e seu belo Favoritos). O disco ainda conta com Mundo Livre S/A, Paulo Milklos, Mombojó, Pato Fu. Tudo bem feitinho. Demorou, mas Odair é cult. Só senti falta de uma versão de "Pare de tomar a pílula".
Milhares de mineiros saem de Governador Valadares, uma cidade de merda, para viverem numa cidade de Boston. As frases são assim, meio politicamente incorretas. Mas algumas são hilárias. Frases malucas.
Alguns blogs amigos já noticiaram que o Grande Sertão: Veredas foi disponibilizado online. Mas nesse link eu ainda não vi nada, só a capa. Alguém sabe o que está acontecendo?
Tenda do Nilo. Rua Coronel Oscar Porto, 638, Paraíso, Sampa. Ali teve lugar uma das melhores refeições árabes da minha vida, de longe minha melhor refeição em Sampa. Como é de tradição entre famílias árabes, a hospitalidade é algo mais. Recomendo.
O programa imperdível de hoje à noite em São Paulo é a mitológica banda Fellini, que toca no SESC Pompéia. Thomas Pappon está na cidade.
Valeu, Sampa. O próximo post lhes chegará de Belzonte.
Está chique o suficiente ou quer mais? Não acabou. O programa Mothern começa sábado no GNT, 20:30.
Eu poderei dizer, hohoho, "eu era amigo delas quando eram 'só' blogueiras, autoras de um livro e criadoras de uma das comunidades mais inovadoras da Internet brasileira".
Parabéns, Ju e Laura. Leitores: telinha ligada no sábado para a estréia da série. Vale a pena, né?
No Brasil, todos os blogs importantes estão ligados a instituições de mídia.
(Carlos Haag, no penúltimo parágrafo dessa matéria sobre blogs publicada na Revista da FAPESP).
A matéria até que não está ruim. Mas essa frase foi de lascar. Dêem uma lida na matéria e digam aí o que acharam.
Aqui vai um mini relato do lançamento de Um defeito de cor, da Ana, na quinta-feira passada. Sim, mini, porque só uma câmera nas mãos de Federico Fellini poderia relatar tudo o que foi a festa e, especialmente, a reunião blogueira que se seguiu, no Belmonte do Leblon.
O público foi muito bom. Poderia ter sido melhor, se a Record não tivesse se esquecido de imprimir os 2.000 convites que havíamos encomendado para os congressistas da Abralic. O interesse pelo livro da Ana na universidade já é bem grande, e muitos professores e estudantes que ainda não criaram o salutar hábito de visitar blogs não ficaram sabendo. Mas a casa estava cheia, a Ana passou umas duas horas e meia assinando livros e a grã-sociedade blogueira compareceu em peso.
Ana assinando um exemplar do romance. Foto: Nababu.
Para mim, o lançamento tinha um ingrediente especial, porque eu iria conhecer uma ídola minha. Conhecer ídolos é sempre um negócio complicado. O grande escritor argentino Alan Pauls tem páginas memoráveis sobre o desastre que foi o encontro com seu ídolo Manuel Puig - que escreveu livros hilários mas que, como pessoa, era ranzinza e cheio de manias. Pauls se preparou mas não adiantou: a cada frase, o desconforto aumentava. Era uma gafe atrás da outra. Pauls saiu dali jurando nunca mais ir conhecer um ídolo ao vivo.
Felizmente, eu acho que escolho melhor os meus ídolos. No quesito ídolos-blogueiros eu estou, como dizem os gringos, three-for-three. Conheci o Inagaki e foi memorável. Conheci a Bibi e foi um barato. Na quinta-feira eu conheceria a terceira ídola, uma das responsáveis involuntárias pela existência deste blog, a Marina W do blowg. Ela tem, junto com a Mary W, a dicção, a respiração de frase que eu mais admiro na blogosfera. Foi, eu acho, o primeiro blog que li de cabo a rabo, junto com o Catarro Verde e o Por um Punhado de Pixels. Se você gosta de visitar o Biscoito, agradeça a ela, porque foi ali naquela leitura que me veio o click. O encontro foi fantástico. Ela é um encanto: fina, discreta. Tem aquele olhar de quem absorve muito mais do que aparenta.
Mas as grandes estrelas da noite foram as Duas Fridas. Eu sinto muita empatia com elas: política, estética, cultural, tudo. Demos tantas risadas juntos que a sensação era de que eu as conhecia há anos. A Monix, divertidíssima e cheia de histórias interessantes de sua viagem a Cuba, é Fluminense. O Luciano - o Diego das Fridas - compartilha minhas simpatias cruz-maltinas. A Helê é inteligente, espirituosa, linda, bem-humorada mas, como todo ser humano, não é perfeita.
O Alex Castro apareceu na UERJ e me deu carona ao Leblon. Dirige bem, nem parece aquele louco do blog. No começo, o único que eu pensava era: se o Alex encher o saco da minha ídola eu tiro esse gordo da mesa a tapas. Mas que nada. Combinaram super bem. Ao seu estilo, Alex ofereceu os materiais de seu inconsciente para deleite geral. A frase favorita foi: ´eu não sinto ciúmes`. Provocou risadas céticas em toda a mesa. Alex também arrancou gargalhadas com uma de suas perguntas irrespondíveis: ´por que de um homem a gente diz que ele está despirocado e de uma mulher dizemos que ela está embucetada? Por que não empirocado ou desbucetada? Alguém aí tem alguma teoria?
E a emoção que foi ver o Bruno? Para quem não sabe, o Bruno foi diagnosticado com câncer. Ao invés de se esconder, não falar no assunto e evitar a palavra, Bruno fez do seu blog um diário da luta contra o tumor. Encarou a quimioterapia. Batalhou, se cuidou e está curado! O cabra está mais forte, sorridente e alto astral que nunca. Lição de vida.
Tomei um susto danado quando apareceu o Gejfin, que eu já conhecia de fotografias. Eu sabia que ele estava no Rio, mas a ficha não havia caído. Dizem que pronunciei certo o nome dele, mas até agora eu não sei o que disse. Conversamos pouquíssimo, porque por mais que tentássemos, não conseguimos arrastá-lo para o bar. Eram 9 da noite e o Internacional de Porto Alegre ia jogar a semifinal da Libertadores. Livros e encontros blogueiros são importantes, claro, mas há coisas que só acontecem de 20 em 20 anos. Ele foi pra casa ver o jogo, perdoado.
O Marcos VP e o João Nababu também passaram por lá. Ambos trabalham na UERJ, vejam só, e eu não sabia. O João nos salvou mais uma vez, porque eu esqueci a máquina fotográfica. As fotos do João estão aqui. Com o Marcos eu estava ligeiramente sem graça, por não ter até hoje terminado de ler o manuscrito que ele me passou na última vez que vim ao Rio. Culpa minha, não do manuscrito.
Também conheci a Telinha, muito rapidamente. Até o Capitão Gravatá passou pela livraria, embora não tenha nos acompanhado ao bar. Tinha mais um monte de gente com quem não conversei. Foi isso.
PS 1: A próxima noite de autógrafos de Um defeito de cor é em Parati, durante a Flip, no sábado à noite. O lançamento em São Paulo acontece 16 de agosto, na Livraria da Vila. Eu e Ana estaremos em Sampa do dia 15 ao dia 22. Amigos blogueiros, reservem a noite do dia 16 para nós, ok?
PS 2: A discussão sobre Grande Sertão: Veredas não acabou, tá? Depois do Rio e antes da viagem a Sampa vou encontrar tempo, em BH, para fazer mais um post sobre o livro. Quero falar um pouco de Riobaldo-Diadorim.
PS 3: Os amigos são-paulinos estão putos da vida com a jornalista Milly Lacombe, que acusou - sem provas - Rogério Ceni de falsificar assinatura com uma proposta do Arsenal. Não vou comentar o assunto porque não vi, mas quem quiser pode falar.
PS 4: Tem blog novo, de qualidade, no meu blogroll: Brincar de viagem. Vão lá.
PS 5: Se há algo mais lindo neste planeta do que o Rio de Janeiro num dia de sol, eu não conheço. E olha que eu tenho mais milhas acumuladas que muito piloto por aí.
Revista Época publica a melhor matéria já feita sobre a blogosfera no Brasil
Das matérias sobre blogs já publicadas na grande imprensa, a da revista Época desta semana me pareceu a melhor. Fez uma análise ponderada do impacto dos blogs nos últimos anos, apresentou uma lista de 8 importantes blogs brasileiros e 10 grandes blogs em inglês, ofereceu algumas estatísticas úteis. Relatou alguns casos históricos da Internet brasileira, como o plágio cometido por Antônio Carlos Magalhães num discurso no Congresso e denunciado pelo Catarro Verde. A revista traz também uma entrevista com John Batelle, fundador da Wired e colaborador do Boing Boing, e até ensina aos internautas mais incautos os primeiros passos para a confecção de um blog. Para concluir, a matéria oferece uma cronologia de alguns momentos chave da blogosfera americana, desde a criação do Links.net, em 1994, até o inédito evento ocorrido em Janeiro de 2006, quando a revista Time pagou para ter o blog de Andrew Sullivan en seu site. Na versão online da matéria, a Época também traz uma excelente cronologia da blogosfera tupiniquim, feita por Alexandre Inagaki.
Se há alguma matéria sobre blogs em língua portuguesa melhor que essa, eu desconheço. Como este blog não tem papas na língua quando se trata de malhar os erros da imprensa, faço questão de deixar meu pitaco: parabéns aos jornalistas Ricardo Amorim e Eduardo Vieira.
Segundo a revista, os critérios usados para a seleção dos blogs foram não apenas a audiência, mas também "o impacto e relevância do conteúdo gerado”. Os 8 blogs selecionados pela Época como “os mais quentes do Brasil” foram: Jesus, me chicoteia, Kibe Loco, Cocadaboa, Interney, Querido Leitor, Pensar Enlouquece, Noblat e Juca Kfouri. É uma lista de respeito, sem dúvida, pelo que esses blogs já realizaram. Só para que conste: são 7 homens e uma mulher.
Esta é minha única crítica à lista: há vários blogs de mulheres (tratando ou não de interesses específicos das mulheres) que já construíram uma história na internet brasileira. A minha lista traria pelo menos um desses blogs: Drops da Fal, Bibi’s Box ou Mothern.
Pela comunidade que criou, pelo estilo que inventou, pela interação que promove com os leitores, acho que a Fal merecia estar na lista. A Fal bloga desde março de 2002. Pelo incrível mapeamento que faz dos recursos da Internet, a Bibi também mereceria um lugar ali, apesar de blogar em inglês. Os arquivos do Bibi’s Box se remontam a maio de 2004.
Mas talvez a proposta mais inovadora e relevante para a vida de seus leitores a ficar fora da lista foi o Mothern, revolucionário blog sobre maternidade (e tudo o que acompanha o tema, ou seja, o universo) criado por Laura Guimarães e Juliana Sampaio. O Mothern já virou livro e no dia 19 de agosto estréia como programa de televisão no canal GNT. O Mothern também é responsável pela criação de um verdadeiro fórum de mulheres que cotidianamente trocam experiências no livro de visitas, independentes das atualizações do blog.
Além das mencionadas, Hernani Dimantas, Cris Dias e Tiago Dória seriam outros nomes que me viriam à memória para uma lista dessas, pela qualidade e consistência do trabalho que têm feito na blogosfera.
Da lista publicada pela Época, quem eu tiraria para pôr as Mothern, a Fal ou a Bibi? Bom, eu tenho infinito respeito pelo trabalho do Juca Kfouri e, sem dúvida, 10 milhões de visitas em menos de um ano é um número impressionante. Mas se o critério é não só “audiência” como também “relevância”, eu me atreveria a dizer que a presença do Juca na lista se deve mais ao (extraordinário) trabalho feito por ele em outros veículos do que ao blog em si – onde dificilmente você verá algo que não sejam resumos de jogos facilmente encontráveis, com mais detalhes, nos portais de esportes.
E você aí? Considerando estes critérios (audiência + conteúdo), de quais outros blogs você sentiu falta na lista feita pela competente matéria da Época? Alguém, entre os que já leram a matéria, teria outras observações?
PS: O Marcos Donizetti também fez um belo post sobre o tema.
PS 2: A conversa minha com o Biajoni sobre a Síndrome da Biblioteca de Babel versus a Síndrome de Robinson Crusoé continua rendendo. Agora Rafex Galvão entrou no papo com um excelente post.
O Biajoni fez um excelente post sobre o que ele chama de Síndrome da Biblioteca de Babel: a desvalorização dos conteúdos que – em velocidade e profusão inauditas – são veiculados na internet. O exemplo do Bia é a música. Ele se lembra de suas experiências (que foram as minhas também) de economizar uma grana suada para comprar um bolachão de vinte e poucos minutos de cada lado e escutá-lo um mês inteiro: a grana para o próximo disco só pingaria no mês seguinte. Desolado, ele compara essa atenção ao artefato cultural com a euforia meio vazia de um amigo seu que hoje celebra ter baixado “48.000 músicas”! Com toda a razão, o Bia se pergunta quantas dessas músicas o amigo ouvirá com um mínimo de atenção.
Os efeitos da síndrome de Biblioteca da Babel são implacáveis e atingem especialmente a circulação de música popular. Baixa-se e apaga-se música de tal maneira que as novas gerações não mantêm nem mesmo a relação com o “disco”: no reino do MP3 as canções existem soltas, fragmentadas – mesmo os arquivos com terminação .rar, que compilam discos inteiros, com freqüência sofrem recortes de cada usuário depois de baixados. O garoto hoje ouve a canção sem saber de que disco ela saiu, o que para os velhos puristas fãs de música popular teria sido uma heresia inaceitável.
O problema é que, no frigir dos ovos, eu prefiro viver num mundo onde se pode baixar 40.000 canções em alguns dias do que num mundo onde eu compre um bolachão de 45 minutos por mês. A relação deste último comprador com o produto que ele adquiria era mais atenta? Sem dúvida. Mas era uma atenção movida pela escassez compulsória. Havia também aquele momento horrível – o Bia se lembrará de exemplos – em que o bolachão comprado com a grana suada era uma porcaria. Na profusão, cabe a cada um nadar ou afogar-se: eu, particularmente, confio no meu tino para organizar o redemoinho de informações. Prefiro, digamos, achar que é possível nadar do que me queixar que há água demais na piscina.
Vejam bem, não digo que o Bia está errado: ele está certíssimo. Mas há um risco – e o post do Bia está atento a esse perigo – de que ao combater a Síndrome da Biblioteca de Babel, caia-se em outra síndrome, que eu chamo Síndrome de Robinson Crusoé: a tendência de achar que em algum momento do passado a relação com a cultura, com a música, com o sexo ou com qualquer outra coisa foi mais pura, autêntica ou verdadeira. Em geral essa percepção é só uma ilusão retrospectiva. No fim dos anos 90, ainda havia gente, dentro do campo de estudos de música popular, que insistia que só se poderia escrever sobre música munido de vinil e um toca-discos de 2.000 dólares. Hoje esses saudosistas já desapareceram, ou estão fazendo luto pela morte do CD. Estão sempre a reboque da história. Levada ao limite, a Síndrome de Robinson Crusoé pode alimentar toda sorte de pessimismos reacionários– desses que insistem que tudo o que é produzido pela contemporaneidade não presta.
Foi uma coincidência ter lido o post do Bia ontem: meus dois iPods (15 GB e 20 GB) lotaram. Tive que apagar arquivos para fazer lugar para a nova música que chegava, bem consciente de que aquilo que fosse apagado ali jamais seria ouvido de novo, mesmo eu tendo os CDs em casa: é que já não me lembro qual foi a última vez que toquei um CD. O que foi apagado? Cortei três sinfonias de Beethoven (na antológica gravação de Karajan) para que coubessem dois discos do Sonic Youth – quem precisa ter as nove sinfonias de Beethoven, não é mesmo, Milton Ribeiro?
Outro mergulho recente meu na Síndrome da Biblioteca de Babel foi finalmente ter organizado meus feeds no bloglines, que andam em 150, entre blogs brasileiros, americanos, argentinos, revistas e jornais do mundo inteiro (para ler o Biscoito em RSS, cole no seu agregador este link para ler só posts ou este link para ler tanto os posts como os comentários). Depois de passar algumas horas lendo artigos que há algum tempo eu teria gastado anos para reunir, terminei me convencendo de vez: é importante, sim, estar atento aos efeitos diluidores da Síndrome da Biblioteca de Babel, mas é mais importante ainda não ceder aos clichês da Síndrome de Robinson Crusoé.
Senão, corre-se o risco de não se encontrar, entre as 48.000 músicas, aquelas pérolas que sempre estarão lá, e pelas quais em outras eras teríamos pago, com gosto, o preço de um vinil importado.
Um dos blogs pioneiros do Brasil, o Mothern, além de ser blog, livro, coluna de revista e "casa de ópio para mães internautas viciadas em guestbooks", como dizem elas, será programa semanal no GNT, com estréia programada para agosto e primeira temporada com 13 episódios.
Parabéns às Mothern, por mais essa vitória e conquista pioneira.
E a Laura, das Mothern, faz aniversário hoje.
E quem também faz aniversário hoje é a Fernanda, do lindo Cria Minha.
Pausa na Copa porque um valor mais alto se alevanta.
Hoje é o dia em que, no mundo todo, os leitores do mais radical, inventivo e revolucionário romance jamais escrito celebram (de preferência com uma boa cerveja) a Irlanda, James Joyce e Ulysses, a obra-prima. Na blogosfera brasileira, pelo segundo ano consecutivo, o Odisséia Literária pilota as comemorações, com vários posts espaçados durante as quase 24 horas em que tem lugar a ação do livro.
A história? Nada mais banal. No dia 16 de junho de 1904, Stephen Dedalus, professor de escola secundária, conversa com seu amigo Buck Mulligan, dá uma aula e passeia no rio; Leopold Bloom, vendedor, atormentado por uma possível traição de Molly, sua mulher, toma café da manhã, recebe uma carta de amor endereçada ao seu alter-ego, vai a um funeral, visita um editor de jornal, lancha num bar, olha um anúncio de jornal na biblioteca (enquanto Dedalus discute Shakespeare com amigos), responde a carta recebida, leva porrada de um anti-semita, masturba-se observando duas garotas, encontra-se com Dedalus num hospital, leva-o a um bordel e convence-o a acompanhá-lo até a sua casa; ambos urinam no jardim, Bloom entra e se deita ao lado de Molly, que fecha o romance com um monólogo cheio de pornografia. Fim da história.
Em cada um dos 18 capítulos, aproximadamente uma hora de ação; em cada um, correspondências cheias de ironia com um episódio da Odisséia, de Homero; em cada um, um sistema detalhado de referências a uma ciência ou ramo do conhecimento; em cada um, uma parte do corpo alçada a símbolo; em cada um, uma infinidade de enigmas, jogos de palavras, paródias, trocadilhos, paranomásias, neologismos, arcaísmos, estrangeirismos e todas as operações com a linguagem que você puder imaginar e mais algumas. Foi o romance que inventou essa coisa que hoje parece tão banal: o monólogo interior.
Publicado em 1922 e proibido como “pornográfico” nos EUA até 1933, Ulisses pode até não ser o maior livro jamais escrito, mas com certeza é a resposta mais produtiva à famosa perguntinha sobre qual livro levar à ilha deserta. “Eu coloquei nele tantos enigmas e quebra-cabeças que ele manterá os professores ocupados durante séculos ” disse Joyce sobre Ulisses. Menos de 100 anos se passaram, mas já se sabe que dará trabalho por muito mais.
Não leu ainda? Se domina bem o inglês, há uma fantástica versão em hiper-texto. Antônio Houaiss fez uma já legendária tradução ao português; agora há uma nova tradução, de Bernardina Pinheiro, que eu ainda não li, mas que vem sendo elogiadíssima como texto mais coloquial e picante que o de Houaiss – e portanto, talvez, mais fiel a Joyce.
Não se deixe levar pela fama de "difícil" do livro: poucas vezes escreveu-se coisa tão engraçada, escandalosa, divertida e sexual como Ulisses. Em cada diálogo, cada cena, cada capítulo, mil sentidos. O treco não acaba nunca.
Manuscrito da primeira página de Ulisses.
Todo 16 de junho eu sinto saudades de Haroldo de Campos, que comandava as comemorações aí no Finnegans Pub, em Pinheiros, Sampa. Se você está em São Paulo e quer comemorar o Bloomsday, o point é esse. Em Belo Horizonte, poetas e músicos se reunirão no Teatro Francisco Nunes às 18:30 para celebrar “Bloomsday com Rosa” porque afinal Grande Sertão: Veredas, o mais joyceano dos nossos romances, completa 50 anos de publicação.
Confirmo que na quarta-feira à noite eu deixo aqui um pequeno texto com alguns comentários sobre o romance Duas Vezes Junho, de Martín Kohan, e na quinta-feira vocês se encarregam da discussão. Combinado?
E aí, vamos ter fôlego para encarar Grande Sertão: Veredas durante a Copa? Quem vai ler mesmo? De quanto tempo vocês precisam?
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Aproveito para recomendar alguns blogs, a maioria novos:
1. O Hermenauta, que me recorda um blog do qual eu gostava muito, não me lembro bem qual.
2. Um novo, excelente blog sobre artes: com vocês, Quintarte.
3. Não tem Folha nem Globo. A melhor cobertura das eleições peruanas quem fez foi o Tordesilhas.
4. Um dos meus colunistas favoritos em todo o jornalismo brasileiro, o Marcelo Coelho, da Folha, inaugurou um blog.
5. Ainda na turma da Folha, o Luis Nassif, que escreve sobre economia e sobre choro (que combinação!), já tem blog. Qualquer dia desses a Folha vira blog.
6. Forma mais original e engraçada de se organizar um blogroll: o argentino Monolingua (vejam que piada o link para o Biscoito).
7. Quem gosta de literatura latino-americana não deve perder este blog: El boomeran(g).
Atualização: Ficou pronta a entrevista com Martín Kohan, que será publicada logo depois da discussão.
Com dois dias de atraso, fica o link e a recomendação de que leia, quem ainda não leu, Dia da Terra, do Mar e do Ar, o belo post da Lucia Malla que puxou neste fim de semana uma blogagem coletiva sobre o 22 de abril, dia da Terra. A lista de blogs participantes está no Nós na Rede.
cachorro banhado em óleo, nas redondezas de um tanque furado. St. Bernard Parish, New Orleans, 5 setembro de 2005, pós-furacão Katrina. Foto: Times-Picayune.
Dois leitores deste blog, que discordam de mim em tudo e a quem eu quero muito bem, porque já nos proporcionaram excelentes polêmicas aqui (polêmicas de verdade, não baixarias), abriram seus próprios blogs, blogaram, blogaram e não me contaram. Mas eu descobri assim mesmo.
Um dos problemas para quem usa mais de um computador é ter os bookmarks sempre na máquina errada. Há uma bela extensão do Firefox, o Kaboodle, que resolve o problema organizando seus bookmarks online, com a vantagem de que você pode compartilhar seus bookmarks com as pessoas. Com prazer compartilho os meus. Estão bem incompletos ainda. Ah, você usa Internet Explorer? Bom, então, como dizem os gringos, I don't know what to tell you.
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Uma revista literário-cultural peruana de altíssima qualidade: Etiqueta Negra.
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Quer uma perspectiva interessante sobre Ollanta Humala, o candidato considerado "progressista" nas eleições peruanas? Visite o Puente Aéreo. Atualização: Outro blog com excelente análise do processo eleitoral peruano é o Tordesilhas (dica da Vanessa)
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Alvíssaras, meu caro Leandro Oliveira: o tema do próximo Salão do Livro de BH será a literatura do Mercosul. Em tempo.
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O assunto lá no Bombordo são as privatizações. O debate lá tem sido muito bom e, com pouquíssimas exceções, de alto nível. Aliás, a prova de que as forças políticas não são idênticas é a completa ausência, entre a direita, de espaços assim, genuinamente abertos. A maioria dos que têm visitado o Bombordo são críticos em relação aos posts. E os autores vão lá se defender, discutir. Acho bonito, bacana. Eu prezo muito os leitores que têm posições políticas diferentes das minhas. Acho chato um lugar onde todo mundo concorda com tudo.
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Quem for de oração, por favor, que reze por Telê Santana. O mestre, o maior de todos, está internado em Belo Horizonte, no Hospital Felício Rocho, em situação gravíssima. Amanhã espero voltar com mais notícias.
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Para quem ainda não conhece, uma boa contraposição ao noticiário da grande mídia é o Informante.net.
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Eu já recebi várias perguntas sobre como andam as coisas em New Orleans. A resposta é: como mandam as tradições da cidade, as coisas andam lentamente. No entanto, ainda mais condignos da tradição, já estamos nos preparando para o French Quarter Festival. Para quem lê inglês, o melhor que se escreveu por aí sobre o tema da "reconstrução" da cidade é esse texto de Mike Davis.
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No interregno de dois meses do Biscoito, o Pedro Dória disse coisas muito gentis sobre cá este blogueiro. Nas priscas eras do Biscoito, o Pedro, com dois links, catapultou o leitorado diário deste blog de dois para quatro dígitos. Muito obrigado, Pedro. E parabéns pelo novo livro.
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Você lê inglês e quer conhecer um pensador hilário, irreverente, anti-convencional e absolutamente chave para se entender o nosso tempo? Read some Slavoj Zizek. É um maluco que teve tempo, na antiga Iugoslávia, de ler quase tudo o que de relevante foi escrito por aí. Botou tudo no caldeirão de uma impressionante inteligência e saiu com uma filosofia muito original.
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Ao ver a notícia sobre o aparentemente legítimo Evangelho de Judas, quem teve a mesma idéia que eu (pensar em Borges) foi o excelente blog argentino Últimas de Babel, do poeta Guillermo Piro.
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Quem ainda não conhece tem que ir conhecer e, de preferência, se cadastrar para escrever por lá: Overmundo é um site interativo sobre cultura brasileira, de qualquer canto ou tipo. A proposta é interessantíssima: qualquer um pode escrever dando a dica que quiser. Os textos que recebem mais votos são publicados, e os líderes vão para as páginas de abertura do site. Quem vota? Todos. Idéia bacaníssima do antropólogo Hermano Vianna, uma das cabeças pensantes do país, um acadêmico que não fica dentro dos muros da universidade.
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Last but not least: dia 29 de abril eu chego aí em Belo Horizonte. Não, minha passagem não é com a Varig.
A vida anda se ajeitando, e este blog será reaberto.
No dia primeiro de abril, para não perder a piada.
Até lá.
Atualização: acabo de ver que primeiro de abril é sábado, dia em que o movimento na blogosfera arrefece um mucadinho. Combinemos a reabertura para o dia 31 de março então, o que não deixa de ser um dia da mentira também.
Este blog está fechado por tempo indeterminado, provavelmente em definitivo. Decidi me concentrar nas obrigações profissionais, que são muitas. Obrigado a todos os que passaram por aqui, leram e comentaram. Tudo de bom para vocês.
Paul Berkley, soldado americano estacionado em Bahrein, residente na Carolina do Norte, 40 e poucos anos, volta para casa para passar o fim de ano. A mulher (uns 20 anos mais nova) tinha um amante adolescente, de 18 anos, que já inclusive morava com ela. A mulher trama o assassinato de Paul. Leva-o até um parque, onde o seu amante e o namorado da filha dele (enteada da mulher) acertam-lhe alguns tiros.
Como disse o Alex, é a história mais antiga do mundo. Um dos nossos maiores escritores, Euclides da Cunha, morreu assim, de um balaço dado pelo amante da mulher.
O que é novo é a repercussão que os blogs dessas pessoas geram. Ler o blog de um corno póstumo é quase terno, quase patético. O cabra se preparou durante semanas para a viagem para casa. Depois de sua morte, seu blog bateu recordes de visitas, e no livro de visitas a revolta é grande.
O blog da assassina virou um mural virtual de insultos. Como não poderia deixar de ser numa história norte-americana, o componente racial esteve no centro da coisa. O fato de que o amante fosse negro gerou toda sorte de insultos raciais no site.
Sabe-se que o amante da mulher e o namorado da filha eram amigos. Não está muito claro qual foi a participação da filha no planejamento do assassinato do pai, mas o blog dela já foi apagado.
Enquanto isso, Monique, a mulher, aguarda, presa, o que provavelmente será uma condenação à morte.
Dia 12 de dezembro foi o aniversário de Belo Horizonte. Morram de inveja, Rio, Sampa, Recife e Salvador: em Minas todos os fantasmas do passado ficaram no interior. BH, passando pelo melhor momento de sua história, é uma adolescente de 108 anos, sem celulite. A comemoração foi em grande estilo, com Nação Zumbi na Praça da Estação Ferroviária. O maracatu daquele pessoal, minha gente, deveras pesa uma tonelada. Celebrar o aniversário de BH ao som das alfaias pernambucanas foi tudo de bom. Obrigado, Nação.
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E por falar em Minas, o blog do conterrâneo e grande atleticano Tristão, o Sarapalha, é o nota 10 do Gravatá esta semana. Parabéns. Linkado no Biscoito desde sempre.
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E por falar em Nordeste, veio do meu amigo Ismael Grillo a sugestão do petardo musical mais interessante dos últimos tempos: os paraibanos do Cabruêra, que eletrificam cocos e cirandas, usam as violas e violões do jeito mais incrível, trazem a marca da melhor música de cordas nordestina (a influência ibérico-medieval), misturam uma percussão irresistível. São de Campina Grande. Pelo jeito, circularam até mais lá fora do que aqui, dado o número de sites em inglês sobre eles.
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E por falar em Nordeste e em aniversários, 13 de dezembro foi o aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga e dia nacional do forró. Salve, salve. (Via BMTH).
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Quando surgiu o interessantíssimo projeto de enciclopédia cooperativa online, a Wikipedia, muitas vozes - de pessoas muito inteligentes - saudaram o projeto como uma revolução. À luz de eventos recentes na Wiki, Pedro Dória dá uma relativizada no assunto.
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A mais importante revista alemã, a Der Spiegel (não, ela não se parece com a Veja, não) dedicou sua reportagem de capa desta semana às práticas de tortura e prisões clandestinas dos EUA e de seus serviços de inteligência fora do território do país. Se você não lê alemão, mas tem acesso ao UOL, pode ler a reportagem em português aqui.
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Nesta quarta-feira, publicou-se entrevista sobre a antropofagia na Folha com meu colega de Tulane (e brother) Christopher Dunn. De novo restrito aos uólicos, o link é este.
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No recente caso de irrupção de violência racial contra os jovens de ascendência árabe na Austrália, os blogs de novo mandaram muito bem na cobertura.
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Estão hilárias as aventuras gastronômicas do Sergio Leo com o Clóvis Rossi (via Lucia Malla). Ao Clóvis Rossi eu ainda devo um jantar, pois apostei com ele que Kerry ganharia de Bush no estado de Ohio. Terei que pagar na próxima viagem a São Paulo. Eu e meu otimismo esquerdista.
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É muito engraçado quando te citam numa língua da qual você não entende bulhufas. Terei que perguntar à Anna Bárbara que raios estão dizendo lá naquele treco que, pelo que suspeito, é húngaro.
Flávio Prada estreou sua nova casa na Verbeat, que vai consolidando seus planos de dominação do mundo. No futuro não haverá direita nem esquerda. Todos serão Verbeat.
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Atualização: Eu não quero nem imaginar o que foi dito nas conversas delas, mas 7 blogueiras se juntaram para fazer esse site, e eu topei mandar fotinha. É um presente-brincadeirinha para a mulherada aí no fim de ano. Gostei, claro.
Hoje tive uma conversa engraçadíssima com um amigo sobre "as coisas que mais irritam na internet". Percebi, com alegria, elas não me irritam mais. De qualquer forma, meu top 4 seria:
1. spam: calcula-se que de 60% a 80% do tráfego de emails seja spam. Já no final de 2002, a Ferris Research, de San Francisco calculava o prejuízo causado pelo spam a empresas americanas (em perda de produtividade) em 8,9 bilhões de dólares. Neste ano de 2005, o primeiro spammer foi legalmente condenado, mas o estatuto do crime ainda é controverso e os especialistas não parecem acreditar que vejamos diminuição no fluxo de spam tão cedo. Por culpa dos spammers, você não pode mais deixar comentários nas caixas de mais de um mês de idade neste blog. Tive que fechá-las, porque não eu aguentava apagar manualmente uma centena de spams por dia. Na caixa de correio do meu email eu já os vejo como parte da paisagem, nem me incomodam.
2. Pessoas que usam filtro anti-spam: tão ruim como o spammer é o cara que exige que você faça um cadastro para se comunicar com ele por email, como ocorre com os filtros anti-spam do UOL. O pressuposto implícito, claro, é que o tempo dele vale mais que o seu. A maior ironia é que essas pessoas costumam perder justamente as mensagens que mais lhe interessam: outro dia alguém me escreveu pedindo ajuda bibliográfica sobre um tema X. Compilo os dados, escrevo a mensagem e clico "enviar". Sou levado a um site onde aparecem as letras ljgwharhwapwrit, todas distorcidas. Tenho que adivinhá-las e digitá-las corretamente. Tento a primeira. Não funciona. Tento a segunda. Nada. O rapaz fica sem resposta para sua consulta. Dias depois recebo outra missiva, esbravejando que eu sou "estrela que não responde os emails". Ele, claro, nem suspeita do porquê de não ter recebido resposta.
3. Pessoas que mandam emails exigindo retorno de recibo: Confesso que essa ainda consegue me irritar. O que será que as pessoas acham que ganham travando a máquina do outro no momento do download das mensagens para exigir que elas enviem um recibo garantindo que a mensagem lhe chegou? Ora, amigo, se ela não bateu e voltou, é porque chegou. Se não foi respondida ainda, é porque o destinatário não quis. Exigir recibo eletrônico confirmando recebimento de mensagem é, pura e simplesmente, um distúrbio patológico, uma neurose obsessiva (a não ser, claro, em casos onde isso é justificado: situações legais, etc.). Quando recebo dessas, em geral deixo de enviar o recibo, ou envio o recibo e jamais respondo a mensagem.
4. Pessoas que escrevem URGENTE URGENTE URGENTE no título do email: Trata-se de uma adaptação cultural para mim, nestes oito meses de Brasil, porque nos EUA - ou pelo menos no meu círculo - ninguém faz isso. Se há um prazo para as coisas, há um prazo, e você informa seu destinatário no interior da mensagem. Mas em certos círculos aqui há uma verdadeira febre de se escrever urgente em letras maiúsculas. Muitas vezes é um trabalho que, do lado de lá, já se está iniciando atrasado. E o sujeito grita URGENTE no seu ouvido. Eu já cheguei num ponto da vida em que me dou o luxo: qualquer email enviado à minha conta com a palavra urgente em letras maiúsculas no título vai automaticamente para uma pastinha chamada banho-maria, que eu só leio de 15 em 15 dias.
E viva a Bahia.
PS 1: enquanto o site Gardenal.org se recupera do resfriado, o Balípodo atende numa casa provisória.
PS 2: neste mês de dezembro é bem provável que o Biscoito dê uma reduzida na freqüência dos posts. Ando enrolado com um ensaio de 50 páginas, uma encomenda, sobre Machado de Assis.
Rufem os tambores! O blog de Pedro Dória recebeu o prêmio do júri no 2005 Deutsche Welle International Weblog Awards como melhor blog jornalístico em língua portuguesa. Quem conhece o trabalho de Pedro sabe do merecimento desse prêmio: é o mais aguçado faro de internet que há por aí na blogosfera tupinambá, como ele gosta de dizer. Parabéns, Pedro :)
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Na categoria língua inglesa, o prêmio ficou com o indispensável Global Voices Online.
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Notícias das festas de lançamento do livro de contos do Blog de Papel esparramadas por aí: outro relato antológico do Biajoni e relato e fotinhas na Olivia. O próximo lançamento é no Rio, dia 27, às 19 horas, na Travessa de Ipanema. De novo vão os parabéns aos autores e a pergunta: a Belzonte vocês não vêm?
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Mais um capítulo na relação blogs-academia vem do Chile: o maior sociólogo chileno, José Joaquín Brunner, aderiu (via Global Voices Online).
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Para quem não viu ainda: estão imperdíveis as várias desmontagens críticas feitas pelo Smart Shade of Blue dos textos recentes do Reinaldo Azevedo na Primeira Leitura.
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Fã da revista New Yorker? Que tal ter os 4.109 números, meio milhão de páginas em oito DVDs, por 70 dólares? (via Últimas de Babel).
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Depois do email, a busca de informações já é a principal atividade dos internautas. É o que diz uma pesquisa do Pew Internet and American Life Project (via o excelente Ponto Media, d'além mar).
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Pedro Alexandre Sanches, profundo conhecedor da música brasileira, das gravadoras e das estações de rádio, inicia uma série de textos sobre o jabá.
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Para os leitores mineiros: nesta quinta-feira, às 10 da noite, a Rede Minas exibe de novo o especial sobre rock e literatura que inclui uma entrevista comigo e com gente muito mais competente que eu, o poeta / jornalista / professor / performer Marcelo Dolabela e o vocalista / letrista / professor Jair Tadeu da Fonseca, agora da UFSC. Ficou bom o programa.
Justamente quando eu me preparava para fazer o primeiro post desde quinta-feira passada, tive a ultra desagradável surpresa de que desapareceram deste blog todos os posts escritos desde o dia 23 de outubro. Misteriosíssimo. Parece um piripaco geral do idelberavelar.com, porque os emails enviados a partir do dia 23 de outubro ao meu endereço do blog também desapareceram do servidor (ah, se eu tivesse aceito o convite do Tiagón e me juntado à Verbeat...).
Eu lamento nem tanto pelos posts, mas pelos comentários. É como ver amigos apagados de um álbum de fotografias. Enfim, queria avisar isso e dizer que estou tentando recuperá-los. Mais notícias na noite desta quarta, junto com um post de verdade. Axé.
(a pedido de leitores, deixo aqui o texto que eu apresentei sobre blogs no colóquio organizado pela Universidade de Pittsburgh; na verdade a apresentação foi bem mais longa, mas este foi o texto base. Infelizmente, está em inglês. Se alguém tiver dificuldade de entender, pode pedir ajuda na caixa de comentários que com certeza alguma alma tradutora caridosa aparecerá...)
Cultural Studies in the Blogosphere:
Academics meet new Technologies of Online Publication
The following paper will be more a personal report than an exercise in speculative theory, but perhaps it might help us shed light on a debate that lies at the heart of the question of ethics in intellectual work: the possibility and desirability that academics write, on a regular basis, for an audience beyond the university walls. In a recent piece, American literature scholar Michael Bérubé reports on the stigma associated with academics who write for broader audiences, choose to intervene in so-called civil society, and thus break the unspoken pact of adherence to the semi-feudal structure that allows scholars to say just about anything as long as they stay within safe disciplinary boundaries. For junior faculty, of course, the act of stepping outside those boundaries into the terrain of broader cultural discourse may turn out to be deadly, no matter how brilliant, prolific, and accomplished they happen to be in their fields. It’s as if the extra work you do as a public intellectual – let us maintain that notion for the moment, however problematic it is – somehow cancels out, invalidates, or causes suspicion to be raised about your disciplinary work, regardless of how valuable that work has proven to be.
In academia, “journalism” is the name reserved for this beast. The term is used in academic discourse in at least two different senses, in a strictu sensu to designate the set of practices that emerged and consolidated themselves around the institution of the modern newspaper in the 19th century as well as its later offspring in spoken and visual media, but also a lato sensu to signify any and all discourses of knowledge, on any object, that do not conform to the boundaries proper to the modern, departmentally divided research university. “Oh, his work is kind of journalistic” we tend to say with disdain about those who dare overstep these boundaries or speak with a greater degree of clarity to an educated general readership, in an implicit equation between being readable and being superficial. This is not to deny, of course, that there is stuff that passes for scholarship but which is, in fact, journalism in the strict sense – a compilation of already produced knowledge, and that therefore should be called by its name. My point is, however, that more often than not the disqualification of journalism in academia works as a protective barrier, maintaining the separation between academia and its outside. First axiom of this paper, then: In the modern research university very seldom will you be able to put yourself in a position to act as a public intellectual without confronting the charge of being “journalistic.” Undoing the anxiety that belies that charge is itself one of the major tasks of intellectual work.
In a debate promoted by The Nation on that topic in 2001, Jean Bethke Elshtain mused that the problem with public intellectuals is that they tend to become more and more public, less and less intellectual. Not necessarily less respectful academically, but “less reflective, less inclined to question one's own judgments, less likely to embed a conviction in its appropriate context with all the nuance intact”. In finding a comfortable niche for him/herself, in a establishing a voice from which a certain public already knows what to expect, the public intellectual runs the risk, at the limit, of becoming a paid publicist, a spinner, an ideologue. That is not, of course, inevitable. Jean-Paul Sartre and Susan Sontag could be mentioned as two examples of thinkers who maintained their full critical edge and rigor even after a life-time of work in the public sphere. It was only after decades of engagement as a socialist intellectual that Sartre wrote his monumental study of Flaubert, The Idiot of the Family, a work as rigorous as anything he ever wrote. The charge that the public arena creates vices in the intellectual may, then, have some truth to it, but it’s far from being universal. However, for academics hoping to act in that arena, the combination or reconciliation of a broad public discourse with the maintenance of the rigor inherited from academic work is, indeed, a permanent challenge.
The discussion about the existence (or not) of genuine public intellectuals in the United States is itself a topic that has produced a lengthy bibliography. Books on the modern university, such as Bill Readings’ The University in Ruins or Peggy Kamuf’s The Division of Literature have studied the growing process of specialization undergone by the post-Fordist university, where an increasingly corporatized structure forces academics into ever-smaller corners of specialization. In this context, the figure of the intellectual in the European sense – or even in the New York sense in which Edmund Wilson and Irving Howe may count as examples – seem to have been on sharp decline, Susan Sontag’s death representing here a somewhat allegorical endpoint for a whole generational experience. For those of us not simply comfortable with the retreat into the safety of academic specialization, while aware that the conditions are not given for a revival of the public intellectual of the universalist, Sartrean type, what is to be done?
The figure of the politicized intellectual has always been closely connected with the space defined by Habermas as “public sphere” – Öffentlichkeit, the German term, brings with it the idea of openness and an essential relationship with the outside. This is my cue to connect ethics and intellectual work. I would contend that the ethical content of intellectual work today does not have to revolve around the question of political commitment along Sartrean lines – it doesn’t preclude it, mind you, but it should not be reduced to it. If we follow Emmanuel Lévinas on this matter, we’d have to reverse those terms: it’s not the content of the commitment that gives the ethical encounter its meaning, but on the contrary, the encounter itself, the unanticipated arrival of the Other that allows for all commitments, political and otherwise, to take place. The key, for Lévinas, is the irreducibility of the Other and its nature as the fundamentally unknowable agent of an event that cannot be anticipated, an event constitutive of the subject as such. The ethical question par excellence for Lévinas, then, is how to open oneself up to the arrival of the Other. How does one prepare and experience that encounter, however, while intervening in the public sphere in ways that enhance its unfinished nature, its openness to political action.
On the Internet, we always, by definition, speak and write to an other that we don’t really know. That is to say that the Internet radically changes our experience of the public sphere – in fact one could not speak of the public sphere today without considering, particularly, the world’s 60 million blogs have changed politics, journalism, and the practice and study of culture in recent years. I’ll devote my remaining minutes to a few reflections on it, based on my one-year experience as a blogger.
For the benefit of those who may not have run into blogs yet, here goes a short definition: a blog is a personal web page updated daily or semi-daily, or with some frequency, with entries dated and organized in reverse chronological order, so that as you open up the page you will always see the latest entry. These entries, named posts, may be accompanied by a comment thread where readers write in their responses. In the more widely visited blogs, the number and frequency of these responses may cause a true conversation to be formed. On one side of the page the blogger will usually include a blogroll, listing the blogs that s/he visits and with which she is engaged in conversation. Posts may be as short as a word and as long as an academic essay, but their essence is the hyperlink, that better-than-a-footnote resource that allows bloggers to send readers to their sources, be they a piece of news, a post in another blog or just about anything available on the Internet.
The first blogs emerged in the late 1990s, and today in several countries – the US, Brazil, France, and Iran, foremost among them – they have become an integral part of the experience of the Internet. According to Technorati, a site that tracks down links on the Internet, there are currently 60 million blogs worldwide. Every 14 seconds someone creates a blog somewhere. These, of course, can range from a teenage diaries to specialized news blogs, blogs of political or cultural commentary, blogs of or on literature, sports or what have you. In countries like Iran, the blogosphere already is the main source of news available about the country, in a context of severe censorship over traditional media. Something interesting has been happening, in fact, with the journalistic blogs: many of them started simply linking to, repeating, and commenting on news reported by the major media. Today, this movement has been reversed somewhat: using internet resources to reach information, blogs have begun to report news first and more thoroughly than major media, in such a way that major newsgroups are now often echoing pieces of news from the blogosphere. In Brazil all of the major newspapers have devoted teams of reporters to tracking down what goes on in the blogosphere. Hardly a day goes by in the United States without a major piece of news coming out through blogs. Hardly a day goes by without traditional media being forced go after or respond to a piece of news uncovered by blogs: recent cases include that of Jeff Gannon, the male prostitute that gained press passes to the White House, the unveiling of the Bush / Dan Rather forged document episode, not to mention the very candidacy of Howard Dean for the Democratic nomination last year, which was primarily catapulted and financed through blogs.
One of the recent events where this new paradigm for reporting and discussing news became clear in Brazil happened in April, during a soccer game between São Paulo and Quilmes, from Argentina. A black Brazilian player was sent off the field for reacting to a racist insult coming from an Argentine player. The unusual thing about the episode was that Grafite, the Afro-Brazilian player, pressed charges against Desábato, his Argentine colleague for racist injury, which is a federal crime in Brazil. The charges were accepted by the sheriff and a warrant for Desábato’s arrest was issued immediately after the game was over. For the first time in Brazil, and perhaps in the world, an arrest was made on a soccer field on the grounds of a racist insult. Regardless of what one thinks about the decision of the Brazilian justice, this was an absolutely novel event not picked up as such by the media. Sports journalists are not used to discussing matters such as racism, and on the other hand political journalists didn’t really know what to make of the event which had taken place, after all, within a soccer field. Dozens of blogs picked up the issue and wrote on a it with a number of perspectives. Several forums for discussion were created, with positions ranging from one extreme to the other. On the days following that episode, my own blog peaked at 18.000 daily visits. By the time the media picked up on it had become clear that they had missed the singularity of the event. If I can mention myself as an example, during the catastrophe in New Orleans it was through my blog and few others that the Spanish- and Portuguese-speaking community of Tulane was able to exchange news about each other and reassure colleagues that everyone was, if not well, at least alive.
As usual, academics have been slow to respond to this phenomenon, often echoing the nervous response of journalists: since blog posts go through no editorial process, there’s no “guarantee” of the quality or the verifiability of the material you read in a blog. While a few academics have picked up the medium and created excellent blogs, my experience is that I’ve had to explain what a blog is more often when talking to academics than when talking to teenagers. Meanwhile, we continue our discussions of the possible or desirable political impact of academia largely ignoring that such impact can no longer be measured without reference to these new electronic media. In the case of blogs three things in particular are highly relevant for that discussion: first, the sheer size of that readership: more people read my blog daily than have read both of my books in three languages and six years. Second, the instantaneous response of these readers makes of the blog an arena with challenges that one does not usually face in the more secure, walled space of the university, and third, the unpredictable nature of the associations you may establish goes far beyond what we have grown used to seeing in the university. The connection with the outside of university walls should no longer then, be a matter that we discuss in oblivion of this amazingly innovative experience in first-person writing. It is up to us to make full use of it.
De volta em gringolândia - só por uns quatro dias, numa bela cidade que eu ainda não conhecia: Pittsburgh. Ando por aqui convidado por essa bela universidade para falar hoje num colóquio que promete. São 2 da matina, eu ainda não terminei a palestra e estou blogando. Êta, vício. Já deixo o agradecimento à Prof. Erin Zivin pelo gentil convite a este escriba.
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Eu já devo ter entrado e saído deste país umas 50 vezes. Hoje, o oficial de imigração que revisou meu passaporte e green card teve que fazer a pergunta inevitável: "por que está há tantos meses fora?" Começo de resposta minha: "Bom, eu moro em New Orleans e..." Resposta do cabra: eu também. Pela primeira vez, na vida, um contato humano com um oficial de imigração: trocamos figurinhas da desgraça. No avião, outra garota de lá, que perdeu tudo. A memória da minha cidade está por todas partes.
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Notícias dos EUA? Nada de novo: corrupção, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro. Mais ou menos como no Brasil, com a diferença, claro, que o governo daqui é responsável pela matança de dezenas de milhares de inocentes. E que agora parece haver real esperança de que, nas mãos de um promotor ao que tudo indica ilibado e respeitável, a montanha de provas contra Bush possa levar à queda da corja. Andam bem nervosinhos na Casa Branca, disso não há dúvida. E a Blogosilvânia de Esquerda anda bem confiante que agora a casa cai. Eu? Cético.
O gente finíssima Mauro Amaral, do Carreira Solo, está fazendo um censo para conhecer melhor os leitores. Para participar e ajudar esse excelente projeto a mapear seu público, é só clicar aqui no selinho:
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O blog que mais tem me feito dar risadas nesse Brasil pós-mensalão completou 400.000 visitas. Congrats, lindas. Leitores, um pulinho lá para dar parabéns às magrelas que elas merecem. Êta, blog alto astral.
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E por falar em risadas, essa aqui é imperdível: . Se ainda não viu, tem que voltar lá no começo e acompanhar tudinho. É hilário demais.
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Contaram-me que, tendo ido assistir pela primeira vez na vida uma partida de futebol - o histórico encontro entre XV de Piracicaba e Paraisópolis - o blogueiro Ludivicus Biajonicus não resistiu à emoção e parece que passou desta para a melhor, logo no dia do seu aniversário. Parece que suas últimas palavras foram: a única coisa que presta nos anos 80 são os Talking Heads, mesmo assim só o disco de raridades e B-sides lançado exclusivamente na Austrália! Relata-se que depois de decretar a falência de toda a música pop, o ilustre blogueiro expirou.
Eu vou ali na Pampulha pegar um avião para Santiago do Chile e já volto, logo que eu estiver plugado em terras transandinas.
Para os comentaristas regulares, fica o lembrete da discussão abaixo, sobre o desarmamento.
Enquanto isso, uma brincadeirinha, seguindo o exemplo do meu camarada Chris Clarke, que inventou na blogosfera americana o Lurker's Day, ou seja, o dia-do-leitor-que-só-fica-sapeando-e-nunca-comenta.
Se você é leitor deste blog e não costuma comentar, este é o post para que você se apresente, diga de onde lê o blog, do que gosta, do que não gosta, como chegou aqui, etc. Os blogueiros morremos de curiosidade.
É fácil: é só clicar na palavra "comentários" abaixo, escrever seu nome ou nick (o email neste blog não é obrigatório) e deixar o seu recado. Se você lê português, mas não escreve, tudo bem: qualquer língua vale.
Bem, meu aniversário está prestes a tornar-se o Dia Nacional do Saci Pererê.
Em compensação, o blog hoje completa hoje seis meses de casa nova. Nosso primeiro post aqui foi no dia 30 de março. Aí vão alguns números:
Foram 272.808 pageviews.
Curiosamente, eu tenho mais leitores nos Estados Unidos que no Brasil. Foram 153.019 visitas dos EUA e 102.682 do Brasil. Muito curiosamente, o terceiro país que mais nos manda leitores é a Austrália (thanks folks, I love your Fosters!). Leitores de 107 países diferentes estiveram por aqui nestes seis meses, incluindo o Kirguistão, Kazaquistão, Omã e até o Vaticano.
Somente 20,1% dos meus leitores usam Firefox. 70,4% ainda usam a barca furada do Internet Explorer (o que estão esperando, cambada? Baixem o Firefox!). 1,6% usam o Opera e 1,4% usam o Safari.
Somente 4,9% das visitas do Biscoito vêm do Google ou de outros motores de busca, o que é uma indicação de que quase a totalidade dos acessos do blog são de leitores de verdade. 67,3% vêm de bookmarks ou de "direct address" (quando o leitor escreve a URL do site no browser). 27,6% vêm de links de outros sites, quase a totalidade deles outros blogs.
2980 URLs diferentes nos enviaram leitores nesses seis meses (este número é menor do que parece: eliminem aí uns 100 ou 150 sites de spam e considerem que dentro de um mesmo blog pode haver mais de uma URL enviando leitores: por exemplo, a URL do índice e a de um post específico).
E umas duas centenas de outros blogs que nos mandaram entre 1 e 200 visitas. Thanks much, indeed.
Neste aniversário eu não poderia deixar de agradecer: Fábio Sampaio, pelo maravilhoso trabalho de instalação e manutenção do blog. Quem tem uma fera como ele ao lado não precisa temer nada. Nemo Nox, pelo layout do blog. Rafael Galvão, pela ajuda com numerosos pepinos.
Love you all, folks (como sabem, eu não costumo misturar inglês aqui, mas com a eleição do Aldo eu não resisto).
Além das buscas com o meu nome e sobrenome, a frase que mais trouxe leitores ao Biscoito através do Google foi: O que é mensalão? Espero que tenham encontrado a resposta.
Nesta segunda-feira eu pego um avião com ela para Santiago, onde estarei dando um curso na Universidade do Chile durante o mês de outubro. Mas antes disso ainda rolam um ou dois posts. Espero poder blogar normalmente por lá, apesar da voltagem em 220.
Nos dias 20 a 23 de outubro eu estarei de volta na terra da "mais perfeita democracia do mundo". Não irei a New Orleans, mas a Pittsburgh, cuja universidade me convidou para um colóquio sobre ética e estudos latino-americanos.
Prometi a eles uma palestra sobre acadêmicos na blogosfera. Tomando o mote da convocatória do colóquio, o resumo que enviei do que eu pretendo apresentar é o seguinte (desculpem, vai em inglês mesmo):
The question of a more “dispersed, fragmented, and (potentially) democratic and liberating practice” in Cultural Studies cannot be properly addressed without reference to the new technologies of online publication that have transformed the internet in recent years. Made possible by user-friendly platforms such as Movable Type, blogs have become an integral part of the internet experience in several countries (US, Brazil, Iran, France).
My paper will be a reflection on my one-year experience as a blogger writing daily on literature, music, and culture for a non-specialized audience much larger than those of academic publications. It will also include an account of the blogger movement amongst literary and art critics, writers, musicians, and filmmakers. Most importantly, the paper will attempt to recast the questions guiding the conference in the light of these new practices: how have academics responded to the challenge of writing to another audience beyond the walls of the university? how has online publication affected the editorial market? How has the internet been used to establish networks and collaborations between academia and its outside? How can we reinterpret the ethical imperatives of intellectual work in the light of these new processes?
Revisando o material que tenho sobre acadêmicos-blogueiros, vi que quase todos eram norte-americanos: para citar somente alguns, Michael Bérubé, PZ Meyers, bitch ph.d. e outros que eu visito com freqüência.
No processo percebi o óbvio: há pouquíssimos acadêmicos blogando no Brasil. Há, é claro, o trabalho pioneiro do André Lemos sobre cibercultura, mas que eu saiba o André não bloga. Conheço as blogueiras-acadêmicas Suzana Gutierrez, que tem um belo trabalho na área, a Elisa Máximo, que acaba de concluir tese de doutorado sobre blogs (obrigado pela correção, Elisa) e a Efêmera, que também está dissertando sobre cibercultura. Tem a Ana Maria Brambilla, que é mestranda na UFRGS e desenvolve um projeto sobre jornalismo open source. Há também o físico Sérgio Lima e o E por falar nisso, da Prof. Iris.
E entre os acadêmicos que trabalham no Brasil, não conheço muito mais.
Alguém aí tem uma observação interessante sobre a relativa ausência dos acadêmicos na blogosfera? Ou outra dica? Ou alguma teoria sobre a ampla maioria feminina entre os acadêmicos-blogueiros? E será que há um montão de gente que eu ainda não achei?
PS: Por falar em ética, o jornalista Juca Kfouri, um dos que mais batalham pela ética no futebol, já tem blog.
PS 2: E por falar em futebol, você se orgulha dos seus conhecimentos futebolísticos? Tente passar pelo teste do Bira. Eu já mandei minhas respostas. Veremos se dei vexame.
Está em São Paulo? É nesta sexta-feira a festa de despedida do livro Crônicas de Quase Amor, da Fal Azevedo. Detalhes aí no cartaz. Adorei essa idéia de despedir-se de um livro. Desse - morram de inveja - eu tenho um exemplar com dedicatória :)
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Concepção genial: abrir um blog, narrar 73 obsessões e fechá-lo (dica dela).
Bem que o Milton Ribeiro falou que ia fazer algo para esquentar as turbinas para o Galo x Colorado deste domingo. Os colorados andam em estado de graça com a liderança do campeonato.
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Durante todo o baixo astral pela tragédia em New Orleans, continuei encontrando alegria e paixão pelo insólito no maravilhoso mundo de Bibi's Box. É um pecado não visitar esse blog diariamente.
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Chegada é o nome do novo disco de Naná Vasconcelos, que promete. Cheguei lá via Brazilian Music Treasure Hunt, que também é parada diária minha, obrigatória - aliás, eu adoraria saber quem mantém aquela maravilha.
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Happy surfing, everyone. Se o Severino renunciar alguém me avise, por favor.
Eu chego ao Rio nesta quarta, dou palestra na Escola de Música da UFRJ na quinta-feira às 10 da manhã (em evento organizado pelo laboratório de etnomusicologia da Federal, sobre música e cidadania, todos convidados) e convido os amigos blogueiros para uma cervejada na sexta-feira no
Pizza Park na Cobal do Humaitá às 19 h. . Quem puder participar, deixe um alô aqui na caixa de comentários ou escreva um email para a Viva, do blog Nós por Nós.
Enquanto isso, a brincadeirinha de hoje é invente uma legenda:
PS: o mais incrível do fim de semana em BH é que o feladaputa do Achcarigudum, que inventou um blog só para xingar a gente, apareceu!! Temos inclusive fotos comprometedoras do sujeito. Mais detalhes em breve.
Astral muito bom na mesa sobre blogs no Salão do Livro: organização impecável, convidados bem recebidos. O público, se não foi nada que lotasse o mezzanino onde falamos, era bem razoável em quantidade e maravilhoso em qualidade.
Ela veio de Três Corações para o fim de semana e iluminou tudo com sua presença.
Inagaki chegou a tempo de almoçar com a gente e pudemos papear um mucadinho antes do encontro. Falzoca enganou todo mundo dizendo que ficava nervosa, e coisa e tal, e foi a mais aplaudida, amada e divertida de nós três, sem dúvida.
Eu, que queria espremer muita coisa para 15 minutos, recorri a essa muleta preferida dos acadêmicos, ler um texto previamente preparado. Ninguém dormiu, que eu tenha visto :)
Falou-se da experiência dos blogs de cada um: das alegrias, das neuroses, dos objetivos, do alcance dos blogs; do trabalho de alguns escritores de ficção na blogosfera; do impacto dos blogs no jornalismo, na política, na vida pessoal de cada um. Deixo aqui um trechinho do texto que apresentei:
A tese central que eu gostaria de trabalhar com vocês aqui esta noite é que os blogs são uma ferramenta nova de representação da experiência. Se há alguma novidade nos blogs, se há algo de revolucionário na escrita blogueira, a explicação desse caráter renovador deve ser buscada na forma como os blogs dão voz a um novo tipo de escrita da primeira pessoa. Os blogs são a resposta dada pelos usuários das novas tecnologias de publicação online à necessidade de representação da experiência, espremida entre a assepsia da informação dos jornais, cada vez mais repetitivos e previsíveis no espelhamento da miséria do mundo, e o caráter técnico e especializado da literatura, cada vez mais divorciada da vivência cotidiana dos sujeitos. Então a tese básica seria essa: algo ainda não representado na experiência ganha acesso à escrita através dos blogs.
Do ponto de vista da literatura, o que de mais notável os blogs acrescentam é essa dinâmica de uma escrita diretamente vinculada à experiência. Mesmo nos blogs menos confessionais, estabelece-se uma relação diferente com o nome próprio das que permeiam outras formas de escrita. Desenha-se com frequência um certo teatro da intimidade, onde não é raro que se interrompa o fluxo de posts sobre os temas principais do blog para uma observação sobre a vida privada: um comentário sobre um desengano amoroso, um lamento por um tragédia pessoal, a convocação de uma festa. Pouco a pouco vai se tecendo um personagem de ficção ali naquele espaço, que os leitores acompanham um pouco como acompanhamos uma telenovela. Com as diferenças que o enredo traz uma relação direta com a experiência de quem escreve e que o final da história não está determinado de antemão. Ele vai se construindo dia a dia, no bojo da interação com os leitores.
O pensador alemão Walter Benjamin, num ensaio intitulado "O Narrador", escrito em 1936, observava que a quantidade de experiências vividas pelo sujeito moderno não havia levado a uma proliferação de relatos pessoais mas, ao contrário, a uma atrofia na capacidade de narrar. Benjamin notava, por exemplo, a incapacidade dos ex-soldados de relatar o que lhes havia ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar de terem vivido o inédito, voltavam mais vazios de experiência. Esta, para Benjamin, estava sempre vinculada à possibilidade de transformar o vivido em matéria narrável. Para isso, Benjamin se aproveitava da existência de duas palavras para designar a experiência em alemão: Erlebnis, forma substantivada do verbo leben, viver, seria a matéria bruta, a coleção de fatos vividos. Uma outra palavra, Erfahrung, tem uma relação etimológica com Gefahr, perigo, e é o termo reservado por Benjamin para designar a experiência no sentido forte. Transformar Erlebnis em Erfahrung é tomar o vivido, a coleção bruta de banalidades da vida cotidiana, e convertê-la em uma narrativa que lhes dê ordem e coerência . Para Benjamin, é exatamente essa conversão que está atrofiada no mundo moderno. Vivemos experiências automatizadas, num mundo onde já não se contam estórias ao pé da lareira. O declínio da arte de narrar seria a principal razão dessa crise na transmissibilidade da experiência. Já não se transmitem experiências como antigamente. Ao primado da informação no mundo moderno corresponderia uma atrofia na nossa capacidade de narrar. Ao contrário da narrativa, a informação é por definição perecível, segmentada, irrelevante no dia seguinte. Na era da informação, acentua-se o divórcio entre narração e experiência.
Nós, blogueiros, nos indignamos quando alguém confunde blog com diário adolescente – que é apenas um tipo de blog, e nem de longe o mais importante ou mais representativo. Mas é fato que o blog mantém uma relação essencial com a forma diário; a superposição de entradas datadas, o vínculo direto com o tempo, a escrita do eu. Pois mesmo nos blogs mais impessoais – científicos ou jornalísticos – aflora ali sempre uma marca do nome próprio, do sujeito que assina, marcas em geral reprimidas na grande imprensa ou mesmo na literatura de ficção das grandes casas editoriais. Essas marcas aparecem com mais força especialmente nos blogs de mulheres, onde em geral a escrita do nome próprio tende a aflorar sem medo. Nós, blogueiros, temos tido que inventar essa língua, porque os modelos existentes por aí não nos satisfaziam. Daí o fato de que nos blogs você frequentemente encontra uma prosódia, uma retórica, uma sintaxe, que não se encontra em nenhum outro lugar. Nossa aposta é que estaríamos assim reconstruindo um lugar de onde narrar a experiência, renovando a linguagem ali onde as palavras já andavam meio sujas e automatizadas.
O público participou, infelizmente sem falar, mas recorrendo a umas fichinhas para enviar perguntas à mesa. O papo foi bom e fiquei conhecendo pessoalmente gente que eu leio há tempos. Aí vai o registro dos blogueiros que prestigiaram a mesa:
Acho que quem foi se divertiu. A festa continuou com toda a blogueirada na lendária Cantina do Lucas, no edifício Maleta. No detalhe, eu e as poderosíssimas Mothern:
Uma trupe de blogueiros sobreviventes armou a terceira parte da festa, no meu AP, da meia-noite às 9 da manhã, incluindo os visitantes Biajoni, Inagaki, Bruno e Viva (valeu a visita, pessoal), os belo-horizontinos Guto e Mônica, além dela, claro, que continuava iluminando tudo, até mesmo as discussões mais bizantinas entre Biajoni e eu sobre quais eram os discos decentes do meu iPod (êta cabra musicalmente intolerante, esse).
Às 9 da manhã, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
O relato da Fal está imperdível, tirando a parte em que ela conta a lorota de que "balbuciou palavras sem sentido". Foi ela quem mais encantou.
O que continua me assombrando nesses encontros blogueiros é a sensação insólita e prazerosa de ser um velho amigo de pessoas que acabo de ver pela primeira vez. É bem melhor do que a sensação - mais comum nas nossas vidas, acho - de que figuras que vemos regularmente há anos são, na verdade, completos estranhos e desconhecidos.
Celular clonado, carro morrendo na marcha lenta, chuveiro pifado e televisão dando piripaco. Tudo num dia só.
Só se eu fosse mágico para fazer um post decente hoje.
Comento a sequência de minitragédias com a progenitora, e ela me sai com essa:
- Pois é, meu filho, lembra que seu pai avisava que esse negócio de ser atleticano não dá certo?
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O interrogatório do sócio de Marcos Valério hoje na CPI foi dos espetáculos mais grotescos que pode produzir a miséria humana. Estou com o brilhante pecus: Três ou quatro culpados aos leões, pizza já, e chega de circo.
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Melhor frase de ontem na CPI: Vossa Excelência, ainda há 30 inscritos e já está quase no horário da novela!
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É amanhã! Reiterando o convite a todos os belo-horizontinos: sexta-feira, às 19:30, na Serraria Souza Pinto, mesa-redonda sobre blogs com Alexandre Inagaki, Fal Azevedo e este escriba. Todos convidados. A serraria fica embaixo do Viaduto de Santa Teresa, imortalizado, como bem lembrou o Leandro Oliveira, no Encontro Marcado de Fernando Sabino. Para os que vêm de fora: caminhem pela Afonso Pena, viu, não caminhem pela Andradas não. O Leandro já deu a dica.
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Trocadilho infame da semana: não confundir militante do PT com mil e tanto pro PT.
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Preparando o ensaio sobre blogs que vou apresentar no Salão do Livro, revisitei esta maravilha de post de Alê Felix: O blog começa a lhe fazer mal quando..... É ou não é um dos melhores posts da história da blogosfera?
Se o Clube Atlético Mineiro me fizer voltar para a América de Bush amargando um rebaixamento para a segunda divisão, eu não terei outra opção senão fechar esta joça. Se você vê algo de interessante neste blog, vire atleticano por quatro meses e nos ajude na matemática do desespero.
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Alex Castro embarcou para New Orleans, onde será, sem dúvida, um dos mais brilhantes doutorandos em literatura de Tulane. Que os orixás o acompanhem.
Para quem gosta de literatura: tem entrevista comigo lá no novo portal Condomínio Brasil. Muito obrigado a Esther Bittencourt pelo papo e boa sorte à turma de lá com o novo site.
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Para quem gosta de futebol: alguém sabia que a palavra gandula vem do nome de um lateral argentino que jogava no Vasco da Gama, e que ficou famoso por buscar bolas para todo mundo, até para os adversários? É isso aí, McDonald's também é cultura.
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Para quem quer entender o Brasil: estou em Três Corações há três dias e descobri algo curioso; quase todo mundo odeia Pelé na terra em que Pelé nasceu. Êta, mundo. Mais detalhes em breve, inclusive umas fotinhas da Sala Pelé do Museu de Cultura da cidade.
Literatura:
Para quem ainda não viu, vale a pena conferir as belas respostas de Marcelino Freire e Ademir Assunção à grosseira caracterização que fez a Revista Veja do Movimento Literatura Urgente, que pleiteia apoio estatal à produção, circulação e consumo de literatura. É isso aí. Subsídios ao papel (link via Martelada) para que megaconglomerados editoriais multipliquem suas margens de lucro, pode. Apoio à produção de literatura, não pode. É incrível como esse tema mobiliza ressentimentos e polícias do "dinheiro público", justamente por parte de pessoas que não costumam ter a menor preocupação com o bem público. Só para confirmar o óbvio: o Biscoito apóia o Movimento Literatura Urgente.
Política:
1. Relato detalhado das práticas de conchavo, aparelhamento e descaso pela democracia por parte do grupo dominante do PT, durante a última "eleição" da nova Executiva Nacional, encontra-se aqui.
3. Para acompanhar a sucessão de desastres e devastação provocados pela invasão americana ao Iraque, a melhor fonte na blogosfera é o meu colega da Universidade de Michigan, o informadíssimo Juan Cole.
4. De que tipo de projeto de lei o Brasil precisa neste momento? Segundo um ilustre deputado de São Paulo, o que nós precisamos é de abolir a crase na língua portuguesa. Haja paciência.
Música:
Músicos do Rio de Janeiro estão se mobilizando em protesto contra a "eleição" na Ordem dos Músicos do Brasil-RJ. Para quem não sabe, a OMB é uma organização que nada tem a ver - e em nada colabora - com os músicos. Dirigida por verdadeiros ditadores, ela sistematicamente aparece nos shows para exigir crachá e filiação, e dificultar o trabalho dos artistas sem nada fazer em benefício da classe. Está rolando um abaixo-assinado e uma série de outras iniciativas. Se você é músico, considere a possibilidade de juntar-se ao listserve Forum Musical e colaborar com a mobilização da classe.
Blogs:
1. Como se sabe, boa parte da blogagem é eco do que acontece em outros blogs. E, se todos tomaram uma determinada informação de uma mesma fonte, e essa fonte está equivocada, 30.000 blogueiros podem estar errados.
2. Todo mundo já ouviu histórias de gente que foi demitida por causa de um blog. Agora chega a novidade: tem gente sendo contratada por causa de seus blogs.
Alegrias do Google - Homenagem de aniversário ao blog de Rafael Galvão
Amanhã, 16 de julho, um dos melhores blogs do Brasil, o de Rafael Galvão, completa dois anos. Rafa é responsável por uma das contribuições mais originais do Brasil à blogagem, As Alegrias que o Google me dá, onde ele periodicamente relata as deliciosas buscas que levam leitores ao seu blog.
Sem ter a pretensão nem de chegar aos pés do Rafa neste gênero, achei que já valia a pena compartilhar aqui algumas das pérolas que trouxeram leitores ao Biscoito nestes primeiros 100 dias de blog em domínio próprio. Fica aqui o plágio descarado como homenagem ao Rafa neste segundo aniversário do seu blog:
futebol é considerado um esporte de massa?
Não. Esportes de massa são o golfe e o hipismo. O futebol é um esporte aristocrático inventado por ingleses. Você é brasileiro e não sabia disso?
vai flamengo balança a rede do adversário
Tudo bem, mas não se esqueça de avisar ao Júnior Baiano de que lado fica a rede do adversário.
o governo de lula comparado com os poemas de bertolt brecht
Perde. Perde feio. Não dá nem para a saída. Brecht odiava emendar soneto quebrado.
porco curitibano
É mais limpinho. Pelo menos é o que dizem, né?
previsões 2005 corinthians
Contratará mais dois argentinos, servirá para lavagem de dinheiro iraniano e continuará mais um ano na fila.
putaria suruba
São dois conceitos diferentes, amigo. Muito importante não confundi-los.
relatos de gozo anal
Lá no Biajoni tem sexo anal. Agora, nessas matérias de gozo, cuidado, porque ele finge muito.
fotos tropeiro mineirao
O feijão vem por cima, o lombo do lado esquerdo, a couve do direito, e em cima de tudo um ovo frito. Agora, em quê essa foto vai lhe ajudar eu não sei...
roberto jefferson vascaíno
Ah, está explicado!
pro for kits tata indigo
Tem o Indigo da Tata do Kit, serve?
a massa armando nogueira (16 buscas)
Já expliquei. O texto é meu. Meu, certo?
qual a vantagem de escutar mpb
Nenhuma. Seus filhos vão te achar velho, os roqueiros vão te achar careta, os classicistas vão te achar vulgar e os bregas vão te achar pretensioso.
a família ao pé da cruz mineirão
Já tentei, meu amigo. Já tentei figuinha, Santo Antônio, Candomblé, banho de descarrego, trabalhinho na encruzilhada, tudo. Não adianta. Foi praga muito forte lançada por cruzeirense em alguma encarnação anterior.
cinco dias sem fumar
Cinco? E você já está guglando? No chance for you, baby. Vá lá na esquina, compre um maço e deixe de bobagem.
olavo de carvalho demitido globo
Reúna uns dez quilos de desinformação, tempere com algumas pitadas de paranóia de extrema-direita e junte um jornal que ainda respeita seus leitores. Só isso. Qualquer outra coisa é delírio.
ortiz goleiro do atletico mineiro
O cara entrega o campeonato mineiro de 1977 ao ex-Ipiranga e você vem procurá-lo no meu blog? Não sabe que ele é o único argentino que não é bem-vindo neste blog?
frases galvao bueno e argentina
Se encontrá-las, não me mostre. Poupe-nos essa antologia, pelamordedeus.
galvão bueno roque jr
Os dois juntos? Você está pagando promessa? Quantos parentes você matou?
conto sobre maldade das pessoas
Pode começar com a Bíblia. Ou com Dostoiévski. Ou com Machado de Assis. Pensando bem, pode começar em qualquer lugar.