segunda-feira, 10 de março 2008
Em Porto Alegre
A minha última visita a Porto Alegre havia sido em fase pré-blogueira, em julho de 2004, para o Congresso da Abralic daquele ano. Eu descia a Borges de Medeiros com dois amigos italianos. Tinha a cara tão feliz de estar ali e falava tão entusiasmado sobre as coisas do Rio Grande – se não me engano, o tema era a ida de Tesourinha para o Grêmio em 1954, que pôs fim a décadas de segregação racial no Tricolor – que um dos amigos chegou a comentar: puxa, achei que você fosse mineiro. Que não se acuse este post, pois, de puxação de saco com meus anfitriões. Minha história com o Rio Grande está documentada em resenhas musicais ainda na casa velha, homenagens ao Internacional 1975-76 e ao Grêmio 1983, louvações à capital e à culinária gaúchas, além de incontáveis anúncios desta visita. Sobre minhas conexões musicais gaúchas e minha admiração por sua lucidez, já escrevi outras vezes.
Interessam-me essas mitologias que os lugares constroem sobre si mesmos. Tome Minas Gerais. Trata-se de uma narrativa de identidade regional que cultua a dissimulação e a esperteza por trás das portas. Amo Minas, mas tenho uma relação bem ambígua com o relato dominante sobre a identidade mineira. Identifico-me muito mais com uma narrativa – como a gaúcha – que celebra a exterioridade, o peito aberto na defesa das próprias posições. Quem lê este blog sabe que, neste sentido, sou muito mais gaúcho que mineiro.
A diferença se manifesta até mesmo nos heróis de cada lugar. Os grandes heróis mineiros são figuras que entraram para a história na sua morte: Tiradentes e Tancredo, para não ir mais longe. No Rio Grande, há outra relação com a vida, completamente. Sim, sei que a morte de Getúlio Vargas também ficou famosa. Mas Getúlio venceu à beça antes de meter a bala no peito. Há aí uma diferença fundamental com os heróis mineiros, que parecem só aceder à história enquanto derrotados – apesar, claro, de toda a fama de espertinhos que temos.
Gaúchos não acreditam nessa viadagem da Terceira Via. O futebol, como sempre, é a metáfora perfeita. Porto Alegre compartilha com Belo Horizonte a condição de cidade sede de dois grandes clubes. Mas a rivalidade Galo x ex-Ipiranga não é nada em comparação com a rivalidade dos pampas. Em primeiro lugar, porque nós, mineiros, temos essa estranha entidade, o América-MG, que ainda arrebanha, sei lá, uns 3% da torcida, acolchoando a tensão entre os dois grandes. Em segundo lugar, em Minas Gerais você encontra, ao contrário do Rio Grande, esse esquisito ser, o sujeito que não torce para ninguém. Em BH isso é relativamente comum. Pode ser que exista um porto-alegrense que não tenha preferência clubística. Mas lhes digo: eu nunca vi.
Graças à generosidade de Milton Ribeiro, estive no Gigante da Beira-Rio pela primeira vez depois de 28 anos (a última visita havia sido na legendária semifinal do Brasileirão de 1980, quando o Galo pôs fim à maior dinastia do futebol brasileiro pós-Pelé com sonoros 3 x 0 no Internacional de Falcão). Neste sábado, compareci ao épico embate entre o Inter e os Xavantes do Brasil de Pelotas.

Discutindo o carrossel colorado na arquibancada
O Inter é uma equipe que não empolga, parece sonolenta, mas cria uma quantidade absurda de chances de gol. O Brasil teve o azar de levar o primeiro aos 15 minutos de jogo e de perder um jogador por expulsão aos 25. Daí pra frente foi ataque contra defesa. Iarley perdeu três gols feitos e Fernandão parecia um sonâmbulo em campo. Mas mesmo assim o Colorado sobrou. Com 48.000 pessoas no Beira-Rio (11.000 mulheres entraram de graça pelo 08 de março), o Inter fez tranqüilos 2 x 0. O maior choque cultural dos atleticanos presentes no estádio foi a forma como a torcida assiste o jogo sentada; nada a ver com o enlouquecimento que toma conta da Massa no Mineirão. Eles saem de casa para ir ao estádio 20 minutos antes do jogo. É incrível!

Milton, com seu modelito Valderrama; eu, com a camisa da seleção chilena; Alexandre, com a legendária número 3 de Elias Figueroa.
Depois, houve uma reunião memorável de blogueiros: Milton, Claudia Antonini, a futura parlamentar italiana, Tiagón, o visionário da Verbeat, Douglas Ceconello e Daniel Cassol, que escrevem o melhor blog de futebol do Brasil, Gabriela Zago, a futura Advogada-Geral de Defesa dos Blogueiros, Brigatti, o paulista expatriado, além de outros amigos. No dia seguinte, depois da visita de regra ao Brique da Redenção e de um super churrasco no legendário Barranco, um encontro com Katarina Peixoto, esse cérebro fulminante spinoziano,o Marco Weissheimer, de tantas afinidades políticas, o antenadíssimo César Animot e o leitor Luiz, que até chaveirinho do Grêmio me presenteou. Faltou a Suzana, que não apareceu; ainda tenho que ir atrás da Claudia Cardoso. Por aqui é possível sair à rua e encontrar gênios que escrevem essas coisas absurdamente brilhantes. Em definitivo: o Rio Grande está sobrerepresentado nas minhas preferências blogueiras.
Pois é. O post de hoje era só para agradecer essa hospitalidade gaúcha e dizer da alegria de estar aqui, especialmente de estar com esse amigo maravilhoso, com o qual me relacionei durante anos sem nunca vê-lo ao vivo. Venham ao Rio Grande.
PS: Em algum momento desta segunda-feira eu completo o post com as fotos, que são boas. Faltou um cabo... Fotos: Bernardo Ribeiro.
Escrito por Idelber às 00:29 | link para este post
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terça-feira, 19 de fevereiro 2008
Anúncios
Aí vão uns anúncios que podem ser de interesse:
1.Eu estudei literatura com algumas sumidades, de Fredric Jameson a Silviano Santiago. Mas o professor que mais me influenciou na alegria da leitura e na atenção ao texto literário se chama Antônio Sérgio Bueno. Eis que descubro que Serginho, no seu Núcleo de Estudos Paidéia, está dando cursos de literatura para a comunidade – sem nenhum requisito, só a vontade de ler. Se você mora em Belo Horizonte ou imediações, gosta de literatura e quer se aprofundar no seu estudo, não perca. Os cursos que estão rolando no momento são sobre a linguagem poética, a memorialística de Pedro Nava, o Grande Sertão: Veredas, de Rosa, os romances da maturidade de Machado de Assis e a poesia de Drummond. O Paidéia fica na Av. Contorno 4023, Edifício Liberal Center, sls.: 601 e 602, ali no Santa Efigênia. Informações pelos telefones (31) 3281-3115 ou (31) 9791-1561, ou pelo email nucleodeestudospaideia arroba gmail ponto com. Confira.
2.Acontece nos dias 3 e 4 de maio deste ano, em Rosario, na Argentina, o Primeiro Encontro Nacional de Mulheres Lésbicas e Bisexuais. As rosarinas estão procurando atrizes, cantoras, fotógrafas e artistas plásticas que desejem participar. Informações no email informes arroba encuentrolb ponto com ponto ar.
3.Se você é acadêmico, trabalha em ciências humanas ou sociais, desenvolve pesquisa comparativa que relacione o Brasil com algum país do Cone Sul e tem interesse em apresentar uma comunicação no próximo congresso da Latin American Studies Association (11 a 14 de junho de 2009, na PUC-RJ), entre em contato comigo pelo email idelberavelar arroba gmail ponto com. A associação me pediu que organizasse uma mesa sobre o diálogo Brasil / Cone Sul. Só há quatro vagas e se houver muitas propostas, eu farei uma seleção, evidentemente.
4.Nos dias 27 a 29 de março, New Orleans será ainda mais brasileira do que normalmente já é. Reúne-se aqui a BRASA (Brazilian Studies Association), com a presença de centenas de acadêmicos brasileiros ou brasilianistas. A palestra de abertura será do meu chapa José Miguel Wisnik. Já comecei a receber uma enxurrada de emails com perguntas sobre a cidade. Se você vem à BRASA, se ligue aqui no blog porque em breve eu publico um post com um mini-guia a New Orleans. Já aviso que sobre os hotéis da cidade eu, por razões óbvias, não sei nada. Mas posso ajudar em outras coisas.
5.Se você é falante nativo de alemão ou tem proficiência em nível de Zertifikat Deutsch ou Großes Deutsches Sprachdiplom, mora em Belo Horizonte e tem disponibilidade para me dar umas aulas de conversação de maio a agosto deste ano, entre em contato comigo. Fecharam o raio do Goethe-Institut aí de BH.
PS: Amanhã, publico uma análise dos resultados das primárias democratas em Wisconsin e no Havaí. Neste, a expectativa é de vitória tranqüila de Obama. Em Wisconsin, as pesquisas indicam disputa acirrada. A demografia deveria favorecer Cliton: baixa população afro-americana e muita gente morando em subúrbios. Mas o embalo, como se sabe, é de Obama. A conferir.
Escrito por Idelber às 03:16 | link para este post
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domingo, 23 de dezembro 2007
Boas festas e feliz 2008
O Biscoito desarma a tenda por duas semanas, até dia 07 de Janeiro. Boas festas e feliz 2008 a todos que passaram por aqui.
Aos amigos do Clube de Leituras, um aviso: no semestre que vem, dou aqui em Tulane um curso de pós-graduação em literatura que se dedicará à leitura de quatro grandes sagas do romance brasileiro. O romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, Catatau, de Paulo Leminski, Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro e A República dos Sonhos, de Nélida Piñon. Começamos com Suassuna, já em janeiro. Quem estiver a fim de participar, se ligue, porque a minha idéia é repercurtir o seminário aqui no blog. Já estão convidados a começar a ler o Suassuna, pois.
Aos viciados em blogs, deixo abaixo alguns links de textos publicados este ano que ainda possam interessar. Voltamos no dia 07 de janeiro, com notícias de um livro imperdível.
Alguns textos do blog em 2007:
Páginas da Vida
Comentário a um texto de Renato Janine Ribeiro
Sobre uma declaração da ministra Matilde
Cripta em duas partes
Deus, um delírio
Os 100 melhores romances em castelhano
Entrevista com Paulo César de Araújo
Ali Kamel e seu mais recente delírio
A entrevista de Fernando Henrique
Estadão versus blogs
Tropa de elite
Entrevista com Antonio Risério
Feliz ano novo :-)
Escrito por Idelber às 04:12 | link para este post
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terça-feira, 04 de dezembro 2007
Em Sampa
Pois então. Em alguns blogs da geração deste ou da anterior, pairou uma certa melancolia nos últimos tempos. Além do Träsel, a Alê Felix e outros ecoaram a sensação de que os blogs já não são mais os mesmos. Legítimo, claro, por mais que a gente saiba que as coisas não voltam e ponto. Mas não é que em dois dias em Sampa eu tive a maior aula da contrapartida? O que os blogs podem ser.
Debate Biscoito x Torre: Era para ser um experimento em debate civilizado entre direita e esquerda e foi muito mais que isso. Foi um super encontro de amigos. Eu, que fui jogar pelo empate, aterrizei numa partida onde todos ganhariam (quem escutar também, acredito), não porque a coisa tenha ficado morna, de jeito nenhum. Houve debate e discordância aberta. Houve também convergências em pontos não esperados. Eu não achava que o Marcos fosse, no essencial, favorável ao princípio do Bolsa Família. Provavelmente ele não achava que sou a favor de coisas como incentivo à produtividade no serviço público. Nos dois primeiros rounds, vocês notarão, eu perdi por pontos. Depois equilibrei o jogo nos contra-ataques. Em todo caso: uma feijoada de primeira, chope gelado (o Marcos na verdade na caipirinha) e 2 horas de papo político com um gentleman. Está gravado em fita cassete e logo que digitalizarmos, eu coloco o podcast aqui e o Marcos lá na Torre.
O debate com o Marcos me deu vontade, retrospectivamente, de que o papo da noite anterior tivesse sido gravado. Saímos para bebericar e comer com Sua Eminência, padrinho deste blog, Pedro Dória. Para quem não me lê há anos: Pedro foi o maior responsável pelo primeiro grande salto de visitação deste weblog, com um link a um obscuro post. O papo agradabilíssimo, regado a chope e tira-gostos, inevitavelmente caiu no tema Israel / Palestina, que tanto eu como ele acompanhamos em detalhe, ainda que com ênfases diferentes. Foi um bom debate, que em breve voltará à baila aqui numa resenha desse indispensável livro. A observação posterior da Ana, que estava conosco no bar, foi ótima: nos debates Israel / Palestina, há uma série de números que tomam o lugar de sujeitos da frase: “1967”, “1956”, “1948” significam uma complicação de coisas que vão ficando cada vez mais crípticas para quem chega, na medida em que outros termos complexos vão entrando na roda. É um debate formado por diferendos, no sentido que dá ao termo o pensador francês Lyotard: diferenças para as quais não existe nenhuma linguagem neutra, nomeá-las já é tomar partido. Independentemente das ênfases distintas, concordamos que a coisa está, hoje, mais longe de uma solução que jamais esteve. Que Bush em Annapolis foi um simples photo-op. E concordamos em muito mais. Este weblog fala menos do tema do que deveria porque, vou lhes contar, é barra-pesada. Com Pedro, claro, foi um grande papo. Valeu, cumpadi.
Mas tudo isso era só aperitivo.
Porque afinal eu ia me encontrar com ela. A ídola. Levei livrinho de presente e tudo mais. Estilo fã mesmo. Ela nos buscou lá no Filial, veio com o Klein, que é um barato. Enquanto ele estacionava, emplacamos um papo sobre certos buracos na noção de direitos humanos, que não inclui, na vasta maioria do planeta, o simples direito de que um casal gay ande de mãos dadas ou se beije. Histórias de blogs, a mil, rolaram na mesa de café na Vila Madalena, que também incluía o Marcos. Foram papos sobre guitarras com o Klein, sobre Fernando Henrique Cardoso com ela (que, como eu, gosta do cabra) e sobre muito mais. Eu falei um pouco da minha tese acerca da tancredização do Clube da Esquina e ela riu. Contei a ela de uma dissertação que oriento, sobre concursos de beleza, e ela achou o máximo. Falei de tudo que eu adoro no blog. A sintaxe, que é única, né? Os pontos finais. O uso dos itálicos. Os personagens. O professor de filosofia. Não há blog que misture o pessoal e o “político” como aquele. Aliás, para quem não sabe: não foi Kfouri, nem PVC, nem Tostão quem definiu, de cara, o escrete do Parreira em 2006. Foi Mary W, prevendo tudo lá atrás, quem sacou que Parreira armava um time no 6-0-4. Sem meio-campo. O link ao post original eu não tenho, claro, porque ela apaga periodicamente o blog. O que é ú-ni-co. Experiência singular, essa. Ensinar os leitores a fazer o trabalho do luto. O que, graças a uma turma que a esperava na Augusta, ela fez conosco de novo, ficando com uma dedicatória pela metade no livro e não aparecendo no encontro do Pacaembu.
Que rolou brilhante, graças ao meu irmão que arrasou na co-organização e divulgação: Branco Leone, Marconi Leal, Olivia, Roger, Jussara , Cris e Träsel eu não conhecia pessoalmente, foi super legal conhecer. Além de conhecer gente, revi os amigos: o bródi, a Lucia Malla, cientista brasileira premiada, Doni e Tuca, são-paulinos já cansados dessa chatice de comemorar títulos, Dra e André, leitores históricos. A Lu estava com o André, seu marido, que deu uma aula nesse post do Biscoito. Fui a tudo isso, claro, muito bem acompanhado.

foto da Olivia, roubada daqui. Lucia Malla, Dra e Doni.
Voltei para New Orleans, via Guarulhos, com a idéia de que esse negócio de blogs vale a pena. E de que a brincadeira está só começando.
PS: Valeu, obrigado a quem votou.
Escrito por Idelber às 02:10 | link para este post
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terça-feira, 27 de novembro 2007
Em São Paulo
Aqui vai um convite para quem estiver nas imediações de Campinas: realiza-se de quarta até sexta o encontro Escritas da Violência, na UNICAMP, com a participação de uma série de pesquisadores internacionais. Confiram a programação.
Será em Sampa, na próxima segunda, o lançamento do primeiro livro do meu amigo Marcos Donizetti, Meias vermelhas e histórias inteiras, publicação d' Os Viralata. Endereço, horário e detalhes, aqui.
Em Sampa acontecerá também o debate direita x esquerda que vai abalar as estruturas da blogosfera: O Biscoito Fino e a Massa versus A Torre de Marfim. Em breve, um podcast com a surra que provavelmente levarei do Marcos.
Ir a São Paulo sempre dá um friozinho na barriga. Lá, mais que em qualquer lugar, eu me lembro de que sou mineiro.
E parece que vou conhecer mais uma ídola.
Vamos ver como estará a conexão em Campinas e em Sampa. Se estiver tudo bem, o blog continuará com atualizações diárias. Se não estiver, tiro um break e vou ao Solar dos Biajoni tomar cerveja.
Em Viracopos a pista tem ranhuras, né?
Escrito por Idelber às 16:39 | link para este post
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segunda-feira, 26 de novembro 2007
Momento jabá
Minhas desculpas aos leitores a quem isso não vai interessar, mas acaba de ser publicado nos EUA um estudo que eu absolutamente não posso deixar de comemorar aqui no blog. Saiu o Faculty Scholarly Productivity Index do ano de 2007. Trata-se da auferição comparada da produtividade dos professores universitários do país todo, em todas as disciplinas.
Pois bem, o Departamento de Espanhol e Português de Tulane University acaba de emplacar um segundo lugar em produtividade entre as 375 universidades americanas que oferecem doutorado. Sim, somos os segundos mais produtivos entre todas as universidades norte-americanas em nossa disciplina. Quem conhece a competitividade do sistema acadêmico do Tio Sam sabe o que isso significa.
Ainda por cima, trata-se de um lugar maravilhoso para se trabalhar: sem invejas, sem facadas pelas costas, sem policiamento da escrita e magistério alheios. Um lugar onde as reuniões departamentais começam e terminam com risadas. Acreditem, isso existe. Para conhecer melhor as doze feras que trabalham comigo, clique aqui. Os últimos prêmios e distinções recebidos pelos professores de Espanhol e Português de Tulane estão listados aqui. Um pouco da nossa história, aqui. As últimas publicações, aqui. Parabéns, rapaziada. Muito especialmente, parabéns ao almirante da nau, meu brother Christopher Dunn.
Amém nóis tudo.
PS: Meu muito obrigado a Fernando Serboncini e ao pessoal do escritório do Google em Belo Horizonte, que nesta segunda-feira me recebeu para almoço e uma palestra -- em inglês! -- sobre meu projeto de pesquisa com a música brasileira. Fizeram um vídeo da palestra e acho que em breve ela estará no YouTube. De quebra, ainda conheci minha ídola Luiza Voll, uma das blogueiras mais admiradas do país. Valeu.
Escrito por Idelber às 23:41 | link para este post
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sábado, 17 de novembro 2007
Filosofando às portas do trem
Maravilhas do jet lag: você passa 48 horas sem dormir, num bagaço, chega ao hotel às 11 da noite, em pânico porque tem que se levantar às cinco e meia para pegar um trem. Depois de seis horas de sono, você acorda, antes do despertador, e se sente como se tivesse dormido doze.
Acabei antecipando minha volta a New Orleans para hoje. Ia ficar aqui no Países Baixos até segunda, mas bateu canseira e saudades do meu amor.
Perguntar não ofende: por que as Nações Unidas, ao invés de ficar discutindo banalidades, não se reúnem e unificam o raio das tomadas no planeta inteiro? Algum dos eruditos leitores que entenda de correntes elétricas poderia me explicar por que isso é tão difícil? Acho que outro dia a Corinha escreveu uma crônica sobre o tema. Das coisas mais enervantes que há é chegar em outro país e procurar loja de materiais elétricos para a conseguir o adaptador certo.
Volto por Nova York, com conexão apertada. Não será desta vez que tomarei uma cervejinha com Deus.
PS 1: Alguém me disse que terça-feira é feriado aí no Brasil. Confere? Que feriado é esse, do qual eu não me lembro? Já não houve um anteontem?
PS 2: A partir do próximo sábado, o Biscoito transmite, durante uma semana, de Belo Horizonte e de Sumpaulo.
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quinta-feira, 15 de novembro 2007
Na Holanda e Bélgica, 3
Foi só mesmo depois de três dias na Holanda que me dei conta de que, pela primeira vez na vida, estava num país cuja língua desconheço totalmente. Em Amsterdã isso quase não se nota, porque todo mundo fala inglês. Mas tomando o trem para Nijmegen, já na área doméstica da estação, não deu para evitar um certo pânico: tudo em holandês. Aí me dei conta de que, ao vir para cá, agi como um verdadeiro gringo. Não comprei um dicionário de holandês, não dispendi o menor esforço para aprender algumas palavras básicas, não fiz nada. Resultado: me embananei e desci na estação errada. Não foi nenhum drama. Era só uma questão de esperar o próximo trem para Nijmegen. Mas, envergonhado, fui à livraria e comprei um dicionário básico de Nederlands.
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Vejam só a picaretagem que são essas maquininhas de tradução: se você for ao Altavista Translator e digitar “I am sorry I do not speak Dutch” (nessas máquinas é bom evitar as contrações), ela cospe de volta Ik ben droevig ik het geen Nederlands spreek, uma monstruosidade que faria um holandês morrer de rir (“ik ben droevig” é algo assim como “estou desolado e triste”) . O correto é um simples surry ik spreek geen nederlands. Todos os G's em holandês soam como R's guturais (como o H do inglês ou o J do castelhano). Você leu aqui no Biscoito primeiro.
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Palestrei ontem na Radboud Universiteit Nijmegen, para os catedráticos e alunos de literaturas hispânicas. O tema foi Dos veces junio, de Martín Kohan. Como o eixo do romance é o futebol, não resisti e comecei a dissertar sobre a Laranja Mecânica. Falei daquela bola do Resenbrink na trave, no final do jogo, que teria dado o título à Holanda em 1978. Discutimos uma questão interessante que Martín Kohan averiguou em suas pesquisas: se a Copa de 1978 foi transmitida em preto-e-branco para a Argentina, por que todas as pessoas a quem o autor dirigiu a pergunta se lembram dela a cores? Acabamos, depois, voltando para a literatura – se é alguma vez saímos dela.
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Nijmegen (pronuncia-se “Nái-mê-rren”) tem uma história interessantíssima. Confesso que a ignorava por completo. É uma cidade que, em 2005, comemorou 2000 anos de existência! Sim, é isso que você leu, não há nenhum zero a mais aí não. O nome, que soa tão nórdico, é na verdade a contração de Ulpia Noviomagus Batavorum, nome dado pelo imperador Trajano no século I. Daí virou Noviomagus, para depois evoluir ao seu nome atual. É a cidade mais antiga da Holanda, foi a primeira a cair em mãos dos nazistas, e foi fortemente bombardeada pelos norte-americanos. Visitei as ruínas.
Em Nijmegen, devo gratidão ao Prof. Maarten Steenmeijer e a um verdadeiro anjo da guarda, a super poliglota Prof. Brigitte Adriansen, que me ajudou bastante com o holandês e com as estações de trem. Dank u wel!
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Hoje palestrei na Bélgica francófona, na Université Catholique de Louvain. Esta palestra foi sobre El director, fascinante romance de 2005 do argentino Gustavo Ferreyra, e foi parte de um congresso sobre representações do apocalipse na literatura. O congresso continua amanhã aqui em Gante, na Bélgica flamenga. Deixo a nota de gratidão às Profs. Geneviève Fabry, de Louvain, e Ilse Logie, de Gante, responsáveis pelo convite que me trouxe à Europa.
A Bélgica passa por uma terrível crise política, fruto, em parte, de recentes alterações na legislação que regula o bilingüismo no país. Bruxelas, a capital, fica na parte flamenga, mas pelo menos 80% de seus habitantes são francófonos. Obviamente, na parte flamenga do país, é muito melhor se virar em inglês do que em francês.
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Está sendo bacana poder usar o francês um pouco. Há anos eu não o usava. Está um pouco enferrujado, mas sai.
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Por que será que, em qualquer país do mundo, os turistas norte-americanos são imediatamente reconhecíveis pela prepotência do seu comportamento, pela arrogante pressuposição de que todos devem falar sua língua, pelo constante desrespeito e falta de consideração pelas regras locais? Ontem houve um momento de justiça poética: um típico gringo esbravejava, dando faniquitos, na estação de trem. Um educadíssimo funcionário holandês lhe explicava, em inglês, que ele deveria aguardar até que o seu número fosse chamado. O turista passou a gritar insultos contra o país. Eu, apaixonado pela Holanda que ando, não resisti. Virei para ele, na frente de todo mundo, caprichando na entonação, e soltei: Sir. I think you should calm the fuck down. You’re not better than anyone. You’re in their country, there’s somebody explaining the rules to you in your language, and you still feel entitled to insulting them? Then you don’t understand why Americans are hated all over the world. Shut the fuck up and wait for your turn or just leave. O gringo calou a boca, enfiou o rabo entre as pernas e entrou na fila. Acredito ter visto alguns sorrisos discretos entre os holandeses.
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Não entendeu o que está escrito acima? Peça ao Reinaldo Azevedo para traduzir. O Reinaldinho, sabemos, é aquele que traduz "graduate study" por "curso de graduação", para, com base a sua tradução errada, fazer piada com a suposta ignorância de Lula. Ele agora deu para corrigir o inglês do Pedro Dória. Em breve, Reinadinho, o monoglota, corrigirá o alemão de Modesto Carone. Sobre mais este esdrúxulo episódio envolvendo a revista Veja, o Hermenauta já disse tudo. Mas vale sublinhar: todas as “correções” feitas por Reinaldinho à tradução do Pedro estão erradas. Pedro traduziu “accurate journalism” como “jornalismo imparcial”, o que pode até não ser exato. Mas “jornalismo cuidadoso ou acurado”, como sugere Reinaldinho, é péssimo. “Accurate” é correto, exato. Nada a ver com cuidadoso. O oposto de “accurate” é “wrong”, “errado”, não “desleixado”. Você pode ser perfeitamente cuidadoso e estar errado. Ou ser descuidado e acertar. “Acurado” não é adjetivo que se use em português para qualificar jornalismo. Das três traduções na mesa, a do Pedro é de longe a melhor. “Jornalismo correto” também funcionaria. A parte mais patética da “correção” de Reinaldinho é dizer que “to put flesh and blood” numa figura deve se traduzir como “pôr humanidade”, em vez do perfeitíssimo “pôr pele e osso” usado pelo Pedro (“pôr carne e osso” também serviria). Ora, a própria existência de seres como Reinaldo Azevedo é prova cabal de que “carne e sangue” não são, absolutamente, exclusividade dos humanos.
A cara de pau do cão de guarda da Veja não tem fim. Finge que sabe latim, finge que sabe inglês. Se o Reinaldinho Azevedo provar que é capaz de encadear cinco minutos de conversa fluente em inglês – coisa que para o Pedro Dória é o pão com manteiga de cada dia – eu fecho este blog e passo a torcer para o ex-Ipiranga.
Escrito por Idelber às 21:40 | link para este post
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domingo, 11 de novembro 2007
Amsterdã, primeiro dia
Para além de todo o auê em torno à cidade, eu sempre quis vir a Amsterdã porque ela se parece com New Orleans. É o outro exemplo, o deles administrativamente bem sucedido, de se realizar essa maluquice: uma cidade que se espraia em caracol, abraçada por corpos de água e situada abaixo do nível do mar. Veja como elas são semelhantes:


A respiração da vida urbana das duas cidades é dada pelos canais de escoamento da água. Ao contrário de New Orleans, claro, Amsterdã tem sistemas de saúde e educação impecáveis, um transporte coletivo alucinantemente eficiente, população poliglota. Exatamente como New Orleans, tem uma cultura única, que você não vai encontrar em lugar nenhum do mundo.
A permissividade e tolerância, o erotismo exacerbado, a informalidade sorridente dos holandeses, seu incrível talento com as línguas, a beleza alucinante e compacta da cidade compõem um quadro impressionante. Cidade-vitrine, com certeza. Claro que é possível armar-se de um guia e fazer um roteiro das pontes, museus e tudo mais – pretendo fazê-lo. Mas a essência da cidade se oferece na caminhada ao léu, na qual você vai inevitavelmente trombar com o excesso de opções: arquitetura, pintura, música, comércio, beleza natural, diversão trash ou hardcore, vida cultural e gastronomia para ninguém botar defeito.

Sempre gostei da Holanda. Os brasileiros da minha geração e das anteriores que aprecia(va)m o futebol sabem o que foi aquela camisa laranja na Copa de 1974 (né, seu Mirto?). O que ela representou de renovação das regrinhas e táticas da brincadeira foi assombroso.
Sempre simpatizei com os holandeses porque nas viagens a outros países aprendi a reconhecê-los: certa informalidade no vestir, mesmo quando chiques (barbas, sandálias e bolsas não são raras), inglês impecável (superior em entonação ao excelente que costumam falar os alemães) e movimento em bando, com sorrisos. Se for loiro, não tem erro: é holandês. As mulheres são bem mais informais, relaxadas que as alemãs ou belgas ou dinamarquesas. Mesmo quem não está interessado em paquera notará.
Sempre adorei o fundamento que organiza a sociedade holandesa, e especialmente este milhão e meio abençoado que vive aqui na Grande Amsterdã: quer se prostituir ou contratar prostituta/o? É legal, tem bairro para isso. Quer fumar sua erva? Vá aos cafés, onde é legal. Quer se submeter a elaborados rituais sado-masô? Há mil e uma opções. Escandaliza-me que nossos liberais e conservadores não defendam uma sociedade com base a estas regras, que me parecem tão óbvias. O apoio maciço a elas continua intacto entre os holandeses.
O sex museum da Damrak 18, perto da Estação Central, é uma parada que eu recomendo: de Valentino à arte da gravura, da pintura à instalação, da fotografia trash à artistica, o museu faz bonito com o tema. Joga com aquele humor que pende para o desconforto com muita gente. Sagaz, bem feito.
Entre as mil e uma atrações de Amsterdã, claro, está o fato de que você encontra (com alguma sorte) uma das cervejas mais elogiadas do mundo, a belga Westmalle (resenha, em inglês). Reparem na textura da espuma:

Até terça o blog transmite daqui, depois dois dias da cidade universitária holandesa de Nijmegen, uns dois dias do campus da Louvain-la- Neuve, na Bélgica, e no fim de semana de volta a Amsterdã. Se tudo continuar beleza com a conexão.
Escrito por Idelber às 21:10 | link para este post
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sábado, 20 de outubro 2007
Rapidinhas colombianas
Que Capitão Nascimento que nada. Ser macho de verdade é viajar de ônibus – de buseta -- aqui na Colômbia. Entrei e saí do mato, de buseta, sem maiores percalços.
Cena impagável: ver uma turma de brasileiros tirando fotos ao lado dos pontos de ônibus, que aqui levam o singelo nome de parador de busetas.
Quando vier à Colômbia, não deixe de conhecer um povoado chamado Tabio, na savana. Fica pertinho de Bogotá. Na foto abaixo, uma turma de colombianos jogando capoeira angola em Tabio:

Esta frutinha é deliciosa e se chama pitaya:

Esta outra é mais usada para sucos. Também é muito boa. Chama-se lulo e, apesar do parentesco com a laranja, praticamente não tem acidez:

Uma notinha para os leitores acadêmicos: A Universidade Nacional da Colômbia tem os melhores alunos de graduação que já vi na vida. Num programa de estudos rigorosíssimo, que às vezes inclui 35 horas semanais só para cumprir os requisitos, os cabras chegam ao final da licenciatura com a obrigação de produzir uma monografia que se compara a muita tese de doutorado por aí. Fiquei absolutamente assombrado com o nível dos alunos de Letras. O segundo número da revista feita por eles, chamada Educação Estética, é dedicado a Theodor Adorno. Compete em qualidade com qualquer publicação acadêmica norte-americana. Repito: é uma revista feita pelos alunos de graduação. A revista do departamento de literatura também é de altíssima qualidade e já vai pelo número 9.
A identificação dos colombianos com o Brasil é digna de nota. O carinho que eles demonstram como anfitriões é indescritível. Quando o visitante é brasileiro, bem, aí a coisa chega àquele ponto em que você fica até com vergonha.
Aqui em Bogotá dança-se muita salsa, merengue, tango. Se você, como eu, é fã desse primo do forró chamado vallenato (música de sanfona da costa caribenha colombiana), aí vai a dica: La trampa vallenata, que fica na 42 com quinta.
Um leitor me perguntou sobre a comida paisa (de Antioquia). O meu prato favorito tem sido a bandeja paisa. Escutem só: arroz, feijão (de caldo), carne moída, ovo frito, lingüiça, chicharrón, tomate, abacate e banana frita.
Não adianta. É da Tierra del Fuego até o México: os hispano-americanos não entendem como podemos comer abacate de sobremesa, com açúcar. Alguns ficam sinceramente indignados.
PS. Alguém aí recebeu o spamzão que está circulando, com a comparação entre MacGyver, James Bond e o Capitão Nascimento? Publico aqui ou não publico?
PS2: Quem me conhece de perto sabe que não sou exatamente um fanático defensor dos direitos dos animais. Mas isso aqui realmente é desprezível. Chapeau para o Mestre Ina por, mais uma vez, ter chamado a atenção para uma injustiça.
Escrito por Idelber às 14:49 | link para este post
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domingo, 14 de outubro 2007
Bogotá
Estou em Bogotá. É a minha incrível sina de coincidir com a seleção brasileira no exterior (sim, vi alguns cartolas aqui no meu hotel – como são mais feios ao vivo!). Escrevo um daqueles posts corridos, no ritmo de quem está pagando 10 dólares por hora pela conexão e tem que bater 5 teclas para digitar um til. Aí vão as notícias, então, sem burilar muito o estilo.
Bogotá é, sem dúvida, uma cidade-véu, não uma cidade-vitrine, embora tenha um centro histórico não muito diferente do Pelourinho. É uma urbe gigantesca, de 7 milhões de habitantes, num desenho que se espraia ao longo dos cerros. Convivem relíquias da era colonial (a cidade foi fundada em 1538) com regiões ultra-modernas que lembram um pouco São Paulo. O primeiro impacto que senti foi o da militarização da vida cotidiana: militares com baionetas em tudo quanto é canto, inclusive nas portas dos hotéis. Ao contrário do Chile, as pessoas aqui olham os militares nos olhos e estes até arriscam um bom dia de vez em quando. A Universidad Nacional, minha anfitriã, me colocou num baita cinco estrelas onde a preocupação com a segurança é muito exacerbada: os militares no lobby se contam pelas dezenas.
Aí vão as dicas, baseado no que já fiz até agora. O Museo del Oro, financiado pelo Banco da República, tem uma bela coleção de arte pré-hispânica de um país cujas populações indígenas não costumam receber muita atenção. Contam-me que os utensílios abaixo serviam para administrar cocaína:

Abaixo, o capitólio, situado na Praça Simón Bolívar, centro da parte histórica da cidade:

Ainda na Praça Simón Bolívar, ficam a catedral que ilustra o início do post e o Palácio da Justiça:

A faixa abaixo, pendurada num dos edifícios do centro histórico, protesta contra a decisão do Presidente Uribe de não desmilitarizar um território para as negociações de paz:

Aliás, sobre o processo de paz colombiano e os testemunhos que se produziram aqui até agora, eu gostaria de escrever depois, com calma. Podem cobrar. A culinária colombiana, altamente regionalizada, como tudo aqui, é outro conto sobre o qual há que se escrever com calma. A comida paisa (ou seja, a comida do estado de Antioquia) é muito parecida com a mineira, com uma vantagem: é molhadinha.
O encontro sobre crítica literária organizado pela Universidad Nacional -- no qual eu estou escalado para uma incrível maratona de três palestras -- começa na terça-feira. Nesta segunda, faço uma rápida viagem à "savana" que bordeia a cidade de Bogotá, sobre cuja literatura eu até já escrevi, sem nunca ter visitado (na cara-de-pau mesmo).
Dando tudo certo com a conexão aqui, eu pretendo manter o ritmo de um post por dia, com detalhes sobre o encontro e sobre a cidade. Vai ser o nosso momento Viaje na Viagem.
PS: Que joguinho ruim, hein? Será que esse time só joga bem quando a gente torce contra?
Escrito por Idelber às 21:20 | link para este post
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sexta-feira, 12 de outubro 2007
Paulo Autran
Morreu o maior de todos:

(foto: Autran em "O Avarento", de Molière).
Escrito por Idelber às 21:47 | link para este post
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sexta-feira, 05 de outubro 2007
Cerveja
Já há algum tempo o Biscoito acompanha a conversa que se desenvolve na blogosfera cervejeira nacional. Em países como os EUA e a Bélgica, a cerveja é tema de incontáveis blogs; tem sido gratificante ver como no Brasil a coisa vai amadurecendo. Hoje é o dia de dar os links, porque o pessoal merece.
No último fim de semana, aconteceu aí no Rio de Janeiro o II Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, premiando cervejas em duas categorias: livre e stout. O grande vencendor foi o Ricardo Rosa, da já conhecida (entre cervejeiros) Cervejarte. Ricardo venceu na categoria livre com o English Barley Wine e na categoria Stout com uma Foreign Extra Stout que, me contaram, é coisa do outro mundo. Cervejeiros de vários cantos do Brasil (SP, RJ, MG, RS, SC) estiveram presentes e degustaram com pompa e circunstância:

(fonte)
Se você é um apreciador de cerveja e ainda não explorou as maravilhas da cultura do lúpulo, o Biscoito oferece algumas sugestões, todas elas em português: você pode se iniciar visitando esse fantástico ranking das cervejas mundiais, feito pelo pessoal do Brejas, que já catalogou centenas de cervejas segundo cinco critérios: aparência, aroma, sabor, paladar e impressão geral. Se você ainda não domina bem a diferença entre os vários estilos de cerveja, aprenda com um mestre na matéria, o campeão Ricardo Rosa, nesse quadro explicativo