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<title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
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<description>Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.</description>
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<dc:creator>idelberavelar@gmail.com</dc:creator>
<dc:rights>Copyright 2012</dc:rights>
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<title>Novo endereço</title>
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<description>Aviso: o Biscoito fechou as portas, mas eu continuo em atividade, agora mais intensa e frequente, na Revista Fórum, tanto no meu blog pessoal aberto no site da Revista, como nas matérias de capa, às quais passo a contribuir com...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Aviso: o Biscoito fechou as portas, mas eu continuo em atividade, agora mais intensa e frequente, na <a href="http://www.revistaforum.com.br/">Revista Fórum</a>, tanto <a href="http://revistaforum.com.br/idelberavelar/">no meu blog pessoal</a> aberto no site da Revista, como nas <a href="http://www.revistaforum.com.br/">matérias de capa</a>, às quais passo a contribuir com textos, entrevistas e traduções. Apareçam <a href="http://www.revistaforum.com.br/">por lá</a>.  </p></p>
<p>
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<dc:subject>Metablogagem</dc:subject>
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<title>Este blog encerrou suas atividades</title>
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<description>Seis anos depois de publicar o Decálogo dos Direitos do Blogueiro, que marca a inauguração desta URL, e seis anos e meio após sua primeira postagem no UOL, O Biscoito Fino e a Massa encerra suas atividades, agora em definitivo....</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Seis anos depois de publicar o<a href="http://idelberavelar.com/archives/2005/03/decalogo_dos_di.php"> Decálogo dos Direitos do Blogueiro</a>, que marca a inauguração desta URL, e seis anos e meio após sua primeira postagem no UOL, O Biscoito Fino e a Massa encerra suas atividades, agora em definitivo. Os arquivos continuarão aqui. Da mesma forma como, na hibernação de 2009-10, eu já imaginava que o blog voltaria durante as eleições, agora tenho a convicção de que é a hora de fechar a bodega e voltar para o trabalho de pesquisa. Desse front, a quem interessar possa, aí vão as notícias: o <a href="http://www.dukeupress.edu/Catalog/ViewProduct.php?productid=18706&viewby=subject&categoryid=128&sort=newest">Brazilian Popular Music and Citizenship</a> sai nas próximas duas semanas, a minha tradução de Tununa Mercado<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=624971250132378436400611&nitem=25000488"> já saiu</a> e o <em>Figuras da violência</em> será lançado pela Editora UFMG no segundo semestre deste ano. Mas produzir outro livro vai mesmo exigir dedicação em tempo integral. Meus Twitter, FormSpring e Google Buzz também serão fechados hoje. </p>

<p>Despeço-me mencionando e linkando alguns dos blogueiros que me brindaram com sua amizade e interlocução nestes quase sete anos. Incentivo os leitores a que sigam os links. </p>

<p>Agradeço a Fábio Sampaio, que cuidou da nossa retaguarda e hospedagem. <a href="http://www.nemonox.com/ppp/">Nemo Nox</a> desenhou o layout do blog. <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">Alexandre Nodari</a>, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/">Flávia Cera</a>, <a href="http://descurvo.blogspot.com/">Hugo Albuquerque</a> e <a href="http://www.urbanamente.net/blog/">Ana Paula Medeiros</a>, entre outros, já testemunharam que sua participação aqui deu algum impulso para que eles abrissem seus próprios blogs. Isso me orgulha muito, porque os considero quatro dos melhores blogueiros do Brasil. O próprio Alexandre, a <a href="http://cynthiasemiramis.org/">Cynthia Semíramis</a>, a <a href="http://marjorierodrigues.com/">Marjorie Rodrigues</a> e o Paulo Candido abrilhantaram o blog como colunistas convidados, e a eles vai um agradecimento especial. </p>

<p>Com muita gente que conheci em blogolândia ao longo destes anos, os laços de amizade passaram também a incluir o mundo chamado real. </p>

<p><a href="http://www.rafael.galvao.org/">Rafael Galvão</a> e Mônica me proporcionaram uma estadia inesquecível em Sergipe. </p>

<p>Na megalópole maior, há uma lista enorme de agradecimentos pela hospitalidade e/ou interlocução, em casas, restaurantes e bares: a Lauro Mesquita, Tiago Mesquita e Joaquim Toledo, do blog <a href="http://guaciara.wordpress.com/">Guaciara</a>, a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/">Lucia Malla</a> que, viajante contumaz, anda agora pelo Havaí, mas a quem conheci em São Paulo;<a href="http://biajoni.opsblog.org/"> Luiz Biajoni</a>, <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/">Renato Rovai</a>, Glauco Faria e Frédi do <a href="http://www.futepoca.com.br/">Futepoca</a>, <a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/">Fal Azevedo</a>, <a href="http://www.alessandraalves.blogspot.com/">Alessandra Alves</a>, <a href="http://pandinigp.blogspot.com/">Pandini</a>, <a href="http://rre.opsblog.org/">Camila Pavanelli</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki">Alexandre Inagaki</a>, <a href="http://maryw.posterous.com/">Mary W</a>, <a href="http://qquechose.blogspot.com/">Kellen Guiterres</a>, <a href="http://bibi.org/">Bibi</a>, <a href="http://www.frankamente.blogspot.com/">Franka</a>, <a href="http://lixomania.wordpress.com/">Klein</a>, <a href="http://doidivana.wordpress.com/">Ivana Arruda Leite</a>, <a href="http://www.atorredemarfim.apostos.com/">Marcos Matamoros</a>, <a href="http://andreadelfuego.wordpress.com/">Andrea del Fuego</a>, <a href="http://hedonismos.posterous.com/">Marcos Donizetti</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/fiapodejaca/">Tuca Hernandes</a>, <a href="http://marconileal.opsblog.org/">Marconi Leal</a>, <a href="http://www.oprazerdotexto.blogspot.com/">Fabiana Motroni</a>,<a href="http://brancoleone.wordpress.com/"> Branco Leone</a>, <a href="http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/">Pedro Dória</a>, o <a href="http://politicaetica.com/">Pax</a>, <a href="http://www.marciabechara.blogspot.com/">Márcia Bechara</a>,<a href="http://www.alefelix.com.br/"> Alê Félix</a>, <a href="http://escrupulosprecarios.blogspot.com/">Iraldo</a>, <a href="http://dialetica.org/marmota/">André Marmota</a>, <a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog/">André Kenji</a> e <a href="http://namarianews.blogspot.com/">NaMaria</a>, além do Hugo e da Marjorie, citados acima. Com todos eles passei momentos memoráveis. </p>

<p>No Rio de Janeiro, contei com a hospitalidade e/ou interlocução de <a href="http://agora.opsblog.org/">Ricardo Cabral</a>, Monix e Helê do <a href="http://duasfridas.wordpress.com/">Duas Fridas</a>,<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/"> Alex Castro</a>, <a href="http://www.marinaw.com.br/">Marina W</a>, <a href="http://pirao.wordpress.com/">Marcos Vasconcelos</a>, <a href="http://www.novoaemfolha.com/">Christiana Nóvoa</a>, <a href="http://eugeniainthemeadow.blogspot.com/">Silvia Chueiri</a>, <a href="http://www.kitbasico.blogger.com.br/">Renata Maneschy</a>, Viva e Yvonne do já extinto “Nós por Nós”, <a href="http://lembrancaeterna.wordpress.com/">Bruno Freitas</a>, <a href="http://todososfogos.blogspot.com/">Maurício Santoro</a>, <a href="http://oluquetucho.wordpress.com/">Lucas Abreu</a>, <a href="http://www.gonzum.com/">Miguel do Rosário</a>, <a href="http://cesarkiraly.opsblog.org/">César Kiraly</a>, <a href="http://hisbrasileiras.blogspot.com//">Luiz Antonio Simas</a>, <a href="http://www.butecodoedu.blogspot.com/">Eduardo Goldenberg</a>, o <a href="http://geografiassuburbanas.blogspot.com/">Marechal</a>, o <a href="http://www.nababu.org/">Nababu </a>e o tuiteiro e amigo militante <a href="http://twitter.com/bernardocotrim">Bernardo Cotrim</a>. </p>

<p>As visitas à minha cidade, Belo Horizonte, têm sido ocasiões para reuniões blogueiras com muita gente especial: além da Cynthia, já citada, <a href="http://tuliovianna.wordpress.com/">Túlio Vianna</a>, as pioneiras <a href="http://mothern.blogspot.com/">Laura Guimarães e Juliana Sampaio</a>, <a href="http://prascabecas.blogspot.com/">Cláudio Costa</a>, <a href="http://www.mineirasuai.blogspot.com/">Ana Letícia</a>, <a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br/">Carlos Magalhães</a> (o Guto), a Mônica, do extinto Monicômio, <a href="http://ojornalismorreu.posterous.com/">Jorge Rocha</a>, <a href="http://gscotti.blogspot.com/">Guilherme Scotti</a>, <a href="http://www.cria-minha.blogger.com.br/">Fernanda Castro</a>, <a href="http://parededemeia.blogspot.com/">Fernando Lara</a>, <a href="http://twitter.com/daftm1">Daniel Fernandes</a>, <a href="http://leticianaweb.blogspot.com/">Letícia Marteleto</a>, <a href="http://favoritos.wordpress.com/">Luiza Voll</a>, <a href="http://nalu.in/">Nalu</a>, <a href="http://quintarola.blogspot.com/">Cibbele Carvalho</a>, <a href="http://inquietudine.wordpress.com/">Érika Pretes</a>, <a href="http://twitter.com/odisseia">Leandro Oliveira</a> e <a href="http://www.blogdadeborahrajao.blogspot.com/">Déborah Rajão</a> já são amigos de vida real, junto com a carioca <a href="http://carlarodrigues.uol.com.br">Carla Rodrigues</a>, os gaúchos <a href="http://alexprimo.com/">Alex Primo</a> e <a href="http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago/">Gabriela Zago</a>, e o paulista <a href="http://www.trezentos.blog.br/">Sérgio Amadeu,</a> todos eles conhecidos em BH. Também em BH, <a href="http://fserb.posterous.com/">Fernando Serboncini</a> me proporcionou uma tarde muito especial no Google.</p>

<p>Em Porto Alegre, sou muito grato especialmente ao <a href="http://rsurgente.opsblog.org/">Marco Aurélio Weissheimer</a> e à <a href="http://palestinadoespetaculo.zip.net/">Katarina Peixoto</a>, que me hospedaram em sua casa, e ao <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/">Milton Ribeiro</a> e à Claudia Antonini, que me receberam na sua. Tive também o prazer de conhecer o Tiagón, do extinto e saudoso Bereteando, o Daniel Cassol e Douglas Ceconello, do <a href="http://www.insanus.org/impedimento/?cat=1">Impedimento</a>, o <a href="http://cloacanews.blogspot.com/">Senhor Cloaca</a>, Cláudia Cardoso e Eugênio Neves, do <a href="http://dialogico.blogspot.com/">Dialógico</a>, <a href="http://animot.blogspot.com/">César Schirmer</a>, <a href="http://sul21.com.br/">Rachel Duarte</a> e a Elenara Lelex, além da tuiteira <a href="http://twitter.com/clapont">Clarissa Pont</a>, que outro dia me transportou no túnel do tempo, me lembrando da época em que eu militava com o seu pai, o Deputado Raul Pont (PT-RS). Ainda não conheci pessoalmente o <a href="http://www.diariogauche.blogspot.com/">Cristóvão Feil</a>, mas não faltará oportunidade. O Diário Gauche tem sido leitura diária minha há anos. </p>

<p>Em Brasília, o <a href="http://sergioleo.opsblog.org/">Sérgio Leo</a> me recebeu com mais carinho e generosidade do que eu mereceria, dadas as minhas invectivas raivosas contra o jornalismo. É uma amizade que ficará para sempre, tenho certeza. Na Coreia do Sul, contei com as dicas e a hospitalidade da<a href="http://www.sindromedeestocolmo.com/"> Denise Arcoverde</a>. Na Califórnia, usufruí da hospitalidade da Leila Couceiro, do extinto "Stuck in Sac". </p>

<p>Com certeza deixei de mencionar muita gente, por esquecimento ou porque os links já não estão na rede. Agora vocês imaginem: eu conheci todas essas pessoas por causa deste blog. De todas elas eu guardo pelo menos uma memória especial. </p>

<p>Além daqueles a quem conheci pessoalmente, quero mencionar alguns dos colegas com quem ainda não cruzei no mundo chamado real. <a href="http://index.opsblog.org/">Daniel Lopes</a> montou o fantástico <a href="http://www.amalgama.blog.br/">Amálgama</a>, que é nosso interlocutor há tempos. De <a href="http://www.aomirante.net/">Nelson Moraes</a> e <a href="http://cyncity.zip.net/">Cynthia Feitosa</a> me lembrarei sempre. Os blogs de <a href="http://moysespintoneto.wordpress.com/">Moysés Pinto Neto</a> e <a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com">Pádua Fernandes</a> continuarão a fazer parte das minhas leituras diárias, com certeza. Praticamente toda a turma congregada no portal OPS tem dialogado com este blog ao longo dos anos, e deixo na despedida, além dos já citados, menção e link a <a href="http://andreegg.opsblog.org/">André Egg</a>, <a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/">Lelec</a>, <a href="http://serbon.opsblog.org/">Serbão</a>, <a href="http://diegoviana.opsblog.org/">Diego Viana</a>, <a href="http://incautosdoontem.opsblog.org/">Ulisses Adirt</a>, <a href="http://googala.opsblog.org/">Gugala </a>, <a href="http://felipedeamorim.opsblog.org/">Felipe de Amorim</a>, <a href="http://ddd.opsblog.org/">Fabiano Camilo</a> e <a href="http://vistoseescritos.opsblog.org/">Rodrigo Cássio</a>, este último já um amigo no mundo chamado real. </p>

<p>Seria impossível citar as centenas de blogs com os quais mantivemos diálogo ao longo destes anos, mas deixo um alô de despedida também a <a href="http://www.aleporto.com.br/">Alexandre Porto</a>, <a href="http://joaovillaverde.blogspot.com/">João Villaverde</a>, <a href="http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com/">Pedro Alexandre Sanches</a>, <a href="http://napraticaateoriaeoutra.org/">Celso de Barros</a> (já hibernando), <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/author/paulagoes/">Paula Góes</a>, <a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com/">Lola Aronovich</a>, <a href="http://amanteprofissional.com/blog/">Paula Lee</a>, <a href="http://politikaetc.blogspot.com/">Raphael Neves</a>, <a href="http://gatoprecambriano.wordpress.com/">Gato Precambriano</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/cintaliga/">Menina Eva</a>, <a href="http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/">Mauricio Caleiro</a>, <a href="http://www.victordarosa.blogspot.com/">Victor da Rosa</a>, <a href="http://www.naopostaras.blogspot.com/">João Guilherme</a>, <a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com/">Bruno Cava</a>, <a href="http://ladyrasta.com.br/">Lady Rasta</a>, <a href="http://rafaelfortes.wordpress.com/">Rafael Fortes</a>, <a href="http://educarparaomundo.wordpress.com/">Deisy Ventura</a>, <a href="http://catatau.blogsome.com/">Catatau</a>, <a href="http://ericocordeiro.blogspot.com/">Érico Cordeiro</a>, <a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/">Niara de Oliveira</a>, <a href="http://pontoecontraponto.com.br/index.php/">Len</a>, <a href="http://www.gutierrez.pro.br/">Suzana Gutierrez</a>, <a href="http://www.alcinea.com/">Alcinéa Cavalcanti</a>, <a href="http://caderno.allanpatrick.net/">Allan Patrick</a>, <a href="http://flabbergasted2.wordpress.com/">Meg Guimarães</a>, <a href="http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/">Marcos Doniseti</a>, <a href="http://srtabia.com/">Bianca Cardoso</a>, <a href="http://www.botequimdobruno.blogspot.com/">Bruno Ribeiro</a>, <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/">Leonardo Sakamoto</a>, <a href="http://palpit.blogspot.com/">Marcelo Manzano</a>, <a href="http://desculpeanossafalha.com.br/">Lino Bocchini</a>, <a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/">Luciana Nepomuceno</a>, <a href="http://www.brausen.com.br/">Leonardo Bernardes</a>, <a href="http://patriciafornitani.blogspot.com/">Patrícia Fornitani</a>, <a href="http://www.ideiasmutantes.com.br/">Marcelo "Muta" Ramos</a>, <a href="http://objetosimobjetonao.blogspot.com/">Fred Coelho</a>, <a href="http://lampertop.com.br/">Vanessa Lampert</a>, <a href="http://www.cartadaitalia.blogspot.com/">Allan Robert</a>, <a href="http://altino.blogspot.com/">Altino Machado</a>, <a href="http://www.mariafro.com.br/">Maria Frô</a>, <a href="http://tranversaldotempo.blogspot.com/">Gilson Moura Jr.</a>, <a href="http://www.alfarrabio.org/">Paulo Bicarato</a>, <a href="http://ecodigital.blogspot.com/">José Murilo Jr.</a>, o <a href="http://deolhonofato.blogspot.com/">Luiz lá no Ceará</a> e aos importantíssimos projetos <a href="http://machismomata.wordpress.com/">Machismo Mata</a>, <a href="http://blogueirasfeministas.com/">Blogueiras Feministas</a> e <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/">Rede Brasil Atual</a>. </p>

<p>Este blog recebeu alguns milhões de visitas e algumas dezenas de milhares de comentários. Que todos os leitores não blogueiros se sintam contemplados no meu agradecimento a Renata Lins, Jair Fonseca e Paulo SPS. Que vocês representem todos os sem-URL. </p>

<p>Além de tudo isso, este blog me permitiu conhecer <a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com/">o meu amor</a>, que nunca mais terá que ouvir <em>peraí que estou terminando um post</em>. Valeu a pena ou não valeu? </p>

<p>Ao sambista mais novo, está entregue o bastão. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/este_blog_encerrou_suas_atividades.php#comments" title="Comente Este blog encerrou suas atividades">176 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://incautosdoontem.opsblog.org/" rel="nofollow">Ulisses Adirt</a> :: 
mar 14, 2011  5:36 AM)

Fico tristíssimo, mas entendo. Fica meu mais doce abraço, Idelber.</p>
<p>(<a href="http://doutormiranda.blogspot.com" rel="nofollow">Leonardo Fazito</a> :: 
mar 14, 2011  5:40 AM)

Valeu, Idelber! Obrigado por tudo! Força aí na nova fase!</p>
<p>(<a href="http://animot.blogspot.com/" rel="nofollow">Cesar S.</a> :: 
mar 14, 2011  5:51 AM)

Puxa, obrigado pela lembrança! Desejo todo o sucesso nesta nova fase da tua produção. </p>
<p>(Gregório Reis :: 
mar 14, 2011  5:53 AM)

Idelber, meu amigo, sentirei muita falta do blog, como já senti quando daquele teu recesso. Primeiro o Rafael Galvão e, agora, tu. Tá complicada a vida de "leitor de blogs".

Aliás, te chamo de amigo, sim. Mesmo tendo comentado pouquíssimo, li praticamente tudo que tu publicou desde a campanha de Obama. E ainda que eu tenha discordado de ti milhões de vezes, sempre admirei a clareza e a qualidade dos teus argumentos. Portanto, te considero aquele típico amigo do qual, mesmo que não sejamos próximos ou concordemos com ele, sentimos falta de ouvir quando de uma boa discussão ou tema polêmico.

Ok, o comentário já está imenso. Boa sorte nos rumos futuros!

PS: Manterei o blog no meu Google Reader, afinal, nunca se sabe, não é?</p>
<p>(<a href="http://rre.opsblog.org" rel="nofollow">Camila</a> :: 
mar 14, 2011  6:13 AM)

Ainda estou em fase de negação, repetindo o mantra não-existe-ex-blogueiro, não-existe-ex-blogueiro. 
Obrigada por tantos anos de excelentes textos.</p>
<p>(<a href="http://luciamalla.com" rel="nofollow">Lucia Malla</a> :: 
mar 14, 2011  6:40 AM)

Que a nova etapa da vida "escrivinhadeira" venha com o brilho costumeiro que já lhe é característico. A rede permanece geradora de amizades reais, e passando pelo Havaí, a casa está de portas abertas a vc e Ana, sempre. 

Tudo de melhor sempre pra vc, querido Idelber.</p>
<p>(marconi :: 
mar 14, 2011  6:56 AM)

Obrigado Idelber.</p>
<p>(<a href="http://ddd.opsblog.org/" rel="nofollow">Fabiano Camilo</a> :: 
mar 14, 2011  7:18 AM)

Eu lia os posts, mas não os comentava. Uma dia, comentei e passei a comentar regularmente. Um dia, “O Biscoito Fino e a Massa” - sempre adorei o nome do blog – hibernou e, com o tempo, senti falta de escrever comentários, tanta falta que criei um blog.

Levei um susto quando li o título deste post, lincado no Facebook. Torci para que fosse uma brincadeira. Não é. Estou triste com o fim do “Biscoito”, mas, como a querida Camila, mantenho a esperança de que um dia você volte a blogar, Idelber.

Obrigado pela lembrança no post de despedida, caríssimo. Desejo-lhe, sempre desejarei, tudo de bom!

Um beijo triste e terno!</p>
<p>(Paulo Sousa :: 
mar 14, 2011  8:03 AM)

Sou leitor assíduo, mas não comento no blog. Este espaço fará falta pelo seu conteúdo de excelência. É com pesar que recebo esta notícia, mas compreendo a situação. Boa sorte Idelber e um abraço,
Paulo</p>
<p>(<a href="http://entropia.blog.br" rel="nofollow">João Carlos Caribé</a> :: 
mar 14, 2011  8:22 AM)

Parabéns pela coragem, e fico triste por perder um blog que vai fazer falta. </p>
<p>(<a href="http://ladyrasta.com.br" rel="nofollow">flaviapenidFlavia (@ladyrasta)</a> :: 
mar 14, 2011  8:27 AM)

Caramba, com quem eu vou "brigar" agora? :-)
Boa sorte nas suas novas empreitadas!
beijos!</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">Damastor Dagobé</a> :: 
mar 14, 2011  8:55 AM)

mas como fica nosso espirito de panelinha???
onde vamos achar outra tão acolhedora???
estamos órfãos...</p>
<p>(<a href="http://andreegg.opsblog.org" rel="nofollow">André Egg</a> :: 
mar 14, 2011  9:03 AM)

Acrescento aqui meu lamento. O Biscoito foi uma das minhas principais referências na internet nestes anos todos - e fará, certamente, muita falta.

Contudo, esperamos continuar lendo Idelber Avelar nos livros, na revista Forum e, quem sabe?, em outros projetos na internet.

O blog termina, como não poderia deixar de ser, generoso em links e em memórias de pessoas especiais. Foi isso que sempre fez a grandeza do blog.

Parabéns por todo este trabalho.</p>
<p>(<a href="http://soseforcomqueijo.blogspot.com" rel="nofollow">Flavia</a> :: 
mar 14, 2011  9:23 AM)

Tenho certeza de que, qualquer  seja o espaço, a qualidade e a inteligência estarão presentes. Me entristece saber que logo agora que eu estava começando a me sentir capaz de compreender muitos dos temas tratados, o Professor se ausenta. Mas é claro que fico feliz pelas novas perspectivas e por ter tido a oportunidade de aprender alguma coisa! Boa sorte!</p>
<p>(<a href="http://doutorsujeira.blogspot.com" rel="nofollow">fontinatti</a> :: 
mar 14, 2011  9:43 AM)

Pena. Cheguei tem pouco tempo. Uma pena.
</p>
<p>(<a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/" rel="nofollow">Luciana Nepomuceno</a> :: 
mar 14, 2011  9:51 AM)

Vinícius, como sempre, certo: Tristeza não tem fim. Felicidade, sim. </p>
<p>(<a href="http://caderno.allanpatrick.net" rel="nofollow">Patrick</a> :: 
mar 14, 2011  9:52 AM)

Sentiremos falta, muita falta.</p>
<p>(<a href="http://tiagoaaguiar.blogspot.com" rel="nofollow">Tiago Aguiar</a> :: 
mar 14, 2011 10:01 AM)

Muito triste isso.</p>
<p>(<a href="http://Http://politikaetc.info/" rel="nofollow">Raphael Neves</a> :: 
mar 14, 2011 10:05 AM)

A luta continua, Mestre! Muita sorte com os projetos pessoais e acadêmicos. Aquele abraço, Rapha.</p>
<p>(bacana :: 
mar 14, 2011 10:16 AM)

PQP, que merdha. Desculpe o palavrão e boa sorte aí.</p>
<p>(Leocadio :: 
mar 14, 2011 10:17 AM)

olá, p@z & b3m!

espero que este encerramento seja a frutificação de novos projetos e realizações.

bem que ao menos poderia deixar o twitter vivo para degustarmos raros e finos biscoitos!

[]s livres.</p>
<p>(aiaiai :: 
mar 14, 2011 10:20 AM)

aiaiai, q p é essa? Ficou doido, homem? não foi você mesmo que disse que não existe esse negócio de ex-blogueiro?
Vai lá, escreva e leia o que tiver que escrever e ler, e volta logo, kraio!

Deu pro cê ver que eu ainda não estou na fase da negação. To na fase da raiva...kkkkkkkkkk (bem humorada, sempre, mas ainda assim, raiva).

Vai e volta logo, ok?</p>
<p>(Alexandre Cearax :: 
mar 14, 2011 10:38 AM)

Mas por que saída definitiva? Irrevogável no estilo Mercadante, espero. ;-)

Felicidades! Valeu por tudo! Grande abraço!</p>
<p>(<a href="http://comfelelimao.wordpress.com" rel="nofollow">Vinicius Duarte</a> :: 
mar 14, 2011 10:40 AM)

Realmente, uma pena. Tá sobrando pouca gente boa na blogolândia.</p>
<p>(Marcelo Silva :: 
mar 14, 2011 10:42 AM)

Que pena! Que merda! Que tristeza! Que ...  Você vai fazer falta.</p>
<p>(<a href="http://deolhonodiscurso.wordpress.com" rel="nofollow">Daniel Dantas</a> :: 
mar 14, 2011 10:43 AM)

Uma pena para todos nós!
Sucesso sempre.</p>
<p>(<a href="http://cacerenga.wordpress.com" rel="nofollow">Daniel Caceres</a> :: 
mar 14, 2011 10:45 AM)

Muito triste. E obra é bela. As seções de música e de literatura serão revisitadas e recomendadas sempre. 

Como os que vão sempre voltam, aguardamos o retorno. Afinal, blog é vicio camará.</p>
<p>(<a href="http://www.sergioleo.opsblogs.org" rel="nofollow">SLeo</a> :: 
mar 14, 2011 10:48 AM)

Obrigado pelas palavras carinhosas,espero continuar discordando e concordando contigo no twitter _ limitado que serei a saber de sues brilhantes comentários sobre literatura encomendando seus trabalhos  pela livraria Cultura.

Curioso, eu falava ontem sobre a redução dos espaços de debate e inspiração na blogosfera não vinculada aos grupos de comunciação. Hermenauta puxou a fila, o NPTO, o Pedro Dória, o Rafael Galvão, a Elenara,  a Leila... É o twitter, é a dificuldade de administrar os blogues e as demandas da vida não virtual,´são as limitações do meio?

Agora deixa de ser fresco e bote logo um post novo aí. Não é porque eu levei dois anos paera ler o martin Kohan entre os muitos excelentes autores que recomendou que você vai fazer uma desfeita dessas . (-;

abração, camarada. </p>
<p>(<a href="http://usinadobem.blogspot.com" rel="nofollow">nilo cabral</a> :: 
mar 14, 2011 10:49 AM)

Lamentável, embora eu compreenda os motivos. Mas poderá, eventualmente, dar uma chegadinha no blog, não? Foi um privilégio ouvi-lo e lê-lo na Web. Ainda bem que o motibo da despedida é para nos brindar com mais produção intelectual. Gde abraço de POA. NIlo</p>
<p>(<a href="http://www.sergioleo.opsblogs.org" rel="nofollow">sleo</a> :: 
mar 14, 2011 10:50 AM)

Caramba agora que me toquei de que o twitter também vai ao espaço. Só espero que v. tenha alguma pesquisa a fazer em Brasília.</p>
<p>(<a href="http://www.cria-minha.blogger.com.br" rel="nofollow">Fefê</a> :: 
mar 14, 2011 11:02 AM)

Tenho esperança que você repensará essa decisão e voltará a nos brindar com seus posts, nem que seja de forma mais esporádica.
Beijos,
Fefê</p>
<p>(Pax :: 
mar 14, 2011 11:07 AM)

Um grande abraço, Idelber. Nos vemos por aí.</p>
<p>(<a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Cava</a> :: 
mar 14, 2011 11:07 AM)

Puxa vida, já rola imensa nostalgia.

Boa sorte nas novas aventuras, Idelber, e sobretudo coragem!</p>
<p>(Igor :: 
mar 14, 2011 11:12 AM)

Que pena! De qualquer forma, obrigado pelo que foi feito durante esse período no blog e afins e boa sorte nas novas empreitadas!
Um abraço!</p>
<p>(<a href="http://www.twitter.com/brsamba" rel="nofollow">Bruno Ribeiro</a> :: 
mar 14, 2011 11:12 AM)

O encerramento do Biscoito representa, para a blogosfera brasileira, o fim de uma era. </p>
<p>(Marjorie :: 
mar 14, 2011 11:17 AM)

Como assim?!

Fui pega de surpresa, rs. Mas aqui ou em qualquer outro lugar, sei que vc vai continuar produzindo coisas excelentes =)

Prazer enorme ter te conhecido graças a este espaço. E mais prazer ainda ter sido convidada pra escrever nele.

beijo beijo!</p>
<p>(<a href="http://www.bytestypes.com.br" rel="nofollow">André Borges Lopes</a> :: 
mar 14, 2011 11:22 AM)

Caríssimo Idelber, compreendo perfeitamente os seus motivos, mas deixo claro que esse espaço de reflexão vai nos fazer enorme falta. Sobretudo diante dessas nuvens escuras que hoje se acumulam assustadoramente sobre os EUA, seria muito bom continuar contanto com essa "New Orleans Connection" em contraponto ao que nos informam os canais oficiais. Pelo que se anuncia, nos enganamos achando que a luz do Obama era o sol surgindo entre as nuvens; na realidade eram somente relâmpagos da tempestade.

Tenha certeza de que o Biscoito marcou profundamente uma época importante, não apenas nas nossas vidas pessoais, mas no debate de idéias no Brasil. Espero continuar lendo seus textos na Forum e seus bons livros.

Grande abraço e sorte nos novos projetos.</p>
<p>(<a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/" rel="nofollow">Luciana Nepomuceno</a> :: 
mar 14, 2011 11:24 AM)

Um Biscoito a Menos...o meu jeito de dizer adeus  http://migre.me/42Fz5.</p>
<p>(<a href="http://www.naopostaras.blogspot.com" rel="nofollow">João Guilherme Dayrell</a> :: 
mar 14, 2011 11:26 AM)

Nossa, que pena, Idelber.
Bem que você podia vir aqui às vezes para discutir literatura ou só propor um clube de leituras, hein? hehe...(tudo bem, eu sei que o melhor boteco da internet tá fechando definitivamente mesmo....)

Não há como não compreender. Eu tentei, mas não conseguir ser um blogueiro de verdade por causa do trabalhão que isso aqui dá. De qualquer forma, fiquei bem emocionado com a menção. 

Ah, só uma perguntinha. Dava pra acompanhar de forma bem legal seu trabalho por causa da internet. há alguma outra forma?

um abraço.</p>
<p>(<a href="http://www.mariafro.com.br" rel="nofollow">Conceição Oliveira</a> :: 
mar 14, 2011 11:31 AM)

Idelber, a blogosfera por vezes exaure mesmo, acho interessante dar esses tempos de respiro. Cuidar da vida, dos afetos. Mas blogueiro é bicho esquisito, algo me diz que isso não é definitivo.
beijos e boa produção neste tempo de muda.</p>
<p>(Nico :: 
mar 14, 2011 11:48 AM)

Acho que é a primeira vez que comento por aqui, mas não poderia deixar de fazer isso nesse momento.

É realmente uma pena que hoje estamos perdendo um dos melhores blogs que temos nesse país (talvez o melhor). Espero que todas as tua próximas empreitadas tenham o sucesso e os excelentes textos que encontramos por aqui.

Boa sorte e obrigado.</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/daftm1" rel="nofollow">Daniel</a> :: 
mar 14, 2011 12:03 PM)

Acompanhando a fase de negação da Camila, o comentário do Ricardo no facebook e o belo post no Olhos de Borboleta, deixo meu afetuoso abraço. Afinal, a hora da partida também é de encontro. Que a morte do Biscoito seja mais um grão pra nova Fênix.
Adeus amigo do Biscoito.
Bem vindo, amigo Idelber!</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/repimlins" rel="nofollow">Renata Lins</a> :: 
mar 14, 2011 12:06 PM)

Valeu, camarada. Que o caminho lhe seja leve, daqui para adiante. A interlocução fará falta, mas dá pra entender que a vida chama. E quem sabe a gente não se reencontre por alguma dessas esquinas da vida...? 
Um abraço amigo, e obrigada pelos textos, sempre!</p>
<p>(Tiago Lorenzo :: 
mar 14, 2011 12:19 PM)

Estou de luto.

Boa sorte, felicidades e obrigado.

</p>
<p>(<a href="http://www.patriciafornitani.blogspot.com/" rel="nofollow">Patricia Fornitani</a> :: 
mar 14, 2011 12:23 PM)

Estou imensamente triste por saber que não teremos mais os seus posts para nos nutrir de novas idéias, contextos e suas experiências. Fico feliz por citar o meu blog, que re-comecei a escrever depois de me inspirar muito ao seu. Graças a sua presença ativa na internet (seja pelo blog, facebook, twitter etc.)conheci a minha grande amiga Leila Farkas que me conduziu à novas idéias e amizades. Só por esta amizade serei eternamente grata a você... rsrsrs...
Que este fim de ciclo seja o início de outro muito maior e melhor, que tê alegrias mais imensas e abrangentes, maiores que o do mundo virtual. Felicidades e até breve!
</p>
<p>(<a href="http://www.twitter.com/fabianamotroni" rel="nofollow">Fabiana Motroni</a> :: 
mar 14, 2011 12:33 PM)

Idelber,

se o seu 'respirar leitura' significa um "ler mais" e um "escrever menos", suspender um pouco as palavras para o mundo e navegar mais pra dentro dos livros e de si mesmo, eu te apoio e te entendo muito - comecei a fazer o mesmo e essa questão do que fazer com a internet é minha última cruzada.

Mesmo já saudosa pelo vazio biscoiteiro, eu só posso te apoiar e torcer. O Eremita é o arcano anterior à Roda - o novo ciclo, o devir do novo. E por esse novo todos esperaremos, felizes :)

Beijo e bom mergulho,

Fabi</p>
<p>(<a href="http://www.ericocordeiro.blogspot.com" rel="nofollow">érico cordeiro</a> :: 
mar 14, 2011 12:37 PM)

Caro Idelber,
Passei os últimos minutos tentando imaginar o que escrever.
Pensei em falar das horas de prazer literário, musical e futebolístico que desfrutei por aqui... em falar dos momentos em que compartilhei com você da indignação contra a mídia, o conservadoriamo, o neoudenismo, o machismo e outros babaquismos... pensei nas vezes em que discordei de suas opiniões (embora não tenha sido maluco o suficiente para rebater seus argumentos)...
Pensei em saudá-lo qual um Ogier, da mesma forma como o fiz em seu retorno da hibernação...
Pensei em xingá-lo e dizer que você não tem o direito de encerrar o Biscoito simplesmente porque ele não te pertence mais...
Pensei em lhe perguntar se, ao contrário de Clinton, você andou fumando e tragando alguma coisa...
Mas resolvi dizer apenas duas coisinhas:
1 - Muito obrigado!
2 - Você vai fazer uma falta tremenda!</p>
<p>(<a href="http://claudioversiani.wordpress.com/" rel="nofollow">Claudio Versiani</a> :: 
mar 14, 2011 12:42 PM)

Caro Idelber, o Biscoito vai fazer falta.
Bom trabalho e bom livro!
Saudações atleticanas.
Ab.</p>
<p>(<a href="http://catatau.blogsome.com" rel="nofollow">Catatau</a> :: 
mar 14, 2011 12:46 PM)

Poxa, que coisa!

Tua despedida particularmente me pegou, pois embora não conversamos virtualmente já há alguns anos, o Biscoito foi um grande exemplo e referencial de conversas para o Catatau.

Não sei bem o que dizer, a vontade é dizer: "e não dá para conciliar as novas exigências com esse prazeiroso instrumento plástico que é um blog? Ele pode muito bem servir também como complemento aos estudos, linha de fuga ou mesmo interlocução acadêmica, basta mudar aqui ou ali os modos de postar ou os assunots". Mas como as coisas nunca são simples, sei que você tem seus motivos e critérios e que de repente agora não há boas condições para continuar. Enfim, ficam os votos de que a nova fase tragam produtivos ventos e textos!

Abraço,</p>
<p>(<a href="http://manualdavidaparainiciantes.blogspot.com/" rel="nofollow">Luan Crespo</a> :: 
mar 14, 2011  1:03 PM)

Que notícia triste, fico sem biscoito fino porém encorpado que provava quase diariamente...Idelber, desejo boas realizações pessoais, e espero que o vício da blogosfera traga-te de volta, num futuro qualquer...

Um grande abraço</p>
<p>(<a href="http://manualdavidaparainiciantes.blogspot.com/" rel="nofollow">Luan Crespo</a> :: 
mar 14, 2011  1:04 PM)

Que notícia triste, fico sem o biscoito fino porém encorpado que provava quase diariamente...Idelber, desejo boas realizações pessoais, e espero que o vício da blogosfera traga-te de volta, num futuro qualquer...

Um grande abraço</p>
<p>(<a href="http://www.guzman.bz" rel="nofollow">Eduardo Guzmán</a> :: 
mar 14, 2011  1:12 PM)

Seis anos de um belo trabalho, parabéns. Abraço e até breve, Idelber.</p>
<p>(<a href="http://moysespintoneto.wordpress.com" rel="nofollow">Moysés</a> :: 
mar 14, 2011  1:25 PM)

Puxa vida, sensação de orfandade por aqui. Ler esse final foi tão difícil que sequer consegui ler o post inteiro.</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Barbara</a> :: 
mar 14, 2011  1:55 PM)

Só porque eu tava empolgando com o blog. É uma pena. Mas boa sorte com a vida de agora para frente, e volta de vez em quando pra visitar a gente!</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Barbara</a> :: 
mar 14, 2011  2:02 PM)

Só porque eu tava empolgando com o blog. É uma pena. Mas boa sorte com a vida de agora para frente, e volta de vez em quando pra visitar a gente!</p>
<p>(<a href="http://escudinhos.blogspot.com" rel="nofollow">MarcosVP</a> :: 
mar 14, 2011  2:02 PM)

Professor, obrigado por tudo e sucesso sempre em todas os seus empreendimentos. E se precisar tirar alguma dúvida sobre música mineira, camisas de futebol e guitarras - que é tudo o que sei nessa vida - é só gritar.

Forte abraço do VP.</p>
<p>(sandra leite :: 
mar 14, 2011  2:02 PM)

só passei aqui pra deixar um beijo e desejar o sucesso de sempre.

sandra leite</p>
<p>(<a href="http://www.verbeat.org/blogs/bereteando/" rel="nofollow">tiagón</a> :: 
mar 14, 2011  2:29 PM)

Muito obrigado por tudo, professor. Conta comigo.</p>
<p>(Anarquista Lúcida :: 
mar 14, 2011  2:38 PM)

Ai, Idelber! Um dos poucos (dos que acompanho, o único) blog onde o fla-flu nao impera, onde há espaço para discussao verdadeira, onde comentaristas idiotas quase nunca aparecem. 

Ah, você nao tem o direito de fazer isso conosco! (sei que tem, mas é DUUURO de aceitar). E logo agora, quando estamos tao precisados de análise sobre o que está ocorrendo. Mas enfim, boa sorte com seu livro, e VOLTE!</p>
<p>(<a href="http://brausen.com.br" rel="nofollow">Leonardo Bernardes</a> :: 
mar 14, 2011  2:58 PM)

Lamento muito, embora já estivesse preparado pra isso -- tanto em razão da sua pausa anterior, quanto por conta do fim do blog de Rafael, que já indicava o cansaço de toda uma geração de blogueiros.

Valeu enquanto durou, obrigado pela consideração, pela acolhida e espero que pelo menos no GReader você não nos abandone! :D

-- Forte abraço!</p>
<p>(<a href="http://vidaoffline.wordpress.com" rel="nofollow">Marcus Pessoa</a> :: 
mar 14, 2011  3:02 PM)

Em vários momentos, o seu blog se tornou mais importante, como fonte de notícias, do que vários meios de comunicação aqui do Brasil. Você fez jornalismo sem ser jornalista, com informação de qualidade, opiniões bem explicadas, e procedimentos rigorosos na técnica e na ética.

Quero lhe dar meus sinceros parabéns pelo tanto que você construiu nesses anos todos, e lhe desejar felicidades e sucesso em seus próximos projetos.</p>
<p>(alessandra :: 
mar 14, 2011  3:09 PM)

Triste...mas...fazer o quê? Obrigada por proporcionar textos tão lúcidos, informativos e bem escritos durante esse período. Sorte. E parabéns. Alessandra.</p>
<p>(<a href="http://deolhonofato.blogspot.com" rel="nofollow">Luiz do Ceará</a> :: 
mar 14, 2011  3:14 PM)

Sua lembrança me honra enormemente. 
Tenha certeza que voltarei periodicamente ao Biscoito para reler alguma coisa, conferir algum dado, buscar alguma referência.
Até porque isso é uma das coisas que você sempre fez melhor: servir de referência. Mesmo nas discordâncias, a tua opinião era insubstituível.

Boa sorte e grande abraço, padeiro-chefe.</p>
<p>(Gustavo S. :: 
mar 14, 2011  3:37 PM)

=[</p>
<p>(gabriel :: 
mar 14, 2011  3:43 PM)

tou puto.

muito puto.

mas não poderia deixar de te agradecer pelos anos de leituras imprescindíveis. valeu demais, mesmo.

</p>
<p>(<a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com" rel="nofollow">Pádua Fernandes</a> :: 
mar 14, 2011  3:52 PM)

Prezado Idelber Avelar,
obrigado pela menção, e boa sorte para esta nova fase e para suas novas pesquisas. Espero que possa retomar o blogue, ou outro meio de comunicação com o Brasil, depois dos próximos livros.
Abraços,
Pádua</p>
<p>(mary w :: 
mar 14, 2011  4:34 PM)

Foram 6 anos realmente incríveis. Seu blog se tornou ponto de encontro de tantas discussoes. Obrigada por isso. 

A lista de links é imensa. Vc vai ter q arrumar um jeito de fazer a social entao. desiste do twitter nao.

beijo. bom livro pra vc ;)</p>
<p>(Dida :: 
mar 14, 2011  5:15 PM)

Só queria saber por que, após terem se mostrado os mais aguerridos combatentes pela eleição da Dila, esses guerreiros estão largando a arena  - falo especificamente do Celso (NPTO) e do Ideber... Vergonha pela merda que fizeram?</p>
<p>(Fábio Carvalho :: 
mar 14, 2011  5:20 PM)

Obrigado pelos posts e pelas caixas de comentários quase sempre tão diversas e recheadas de informações úteis. 

Compreendo a necessidade de afastamento para cuidar de outros afazeres importantes. Mas compreender não é sinônimo de aceitação...

:o(</p>
<p>(rabbit :: 
mar 14, 2011  5:33 PM)

é pena, mas pra frente é que se anda!

tudo de muito bom, sempre, como já disse a Lucia Malla!


</p>
<p>(<a href="http://napraticaateoriaeoutra.org" rel="nofollow">NPTO</a> :: 
mar 14, 2011  5:35 PM)

Boa sorte aí, cumpadi (agora no post certo)! Em consideração ao comentarista Dida (ah, os trocadilhos, que saudades)acima, parabéns pela merda que fizemos!</p>
<p>(<a href="http://alfabetizadospoliticos.blogspot.com/" rel="nofollow">Gelso Job</a> :: 
mar 14, 2011  5:36 PM)

Tristes por perdermos o brihantismo de sua leitura quase diária mas felizes por sabermos que estás em um novo projeto, só temos a desejar boa sorte e obrigado por tudo.</p>
<p>(Mariana :: 
mar 14, 2011  5:50 PM)

Puxa... a má notícia do dia... :(
Mas em todo o caso, boa sorte, felicidades...
snif...</p>
<p>(aiaiai :: 
mar 14, 2011  6:08 PM)

bom, pelo menos a gente ficou sabendo que o NPTO está vivo e operante!!!! Sempre se pode tirar algo de bom de uma tragédia...continuo com RAIVA!</p>
<p>(Dida :: 
mar 14, 2011  6:08 PM)

Celso, cara
Também parabenizo vocês pela merda que foi feita. Não podia ter sido maior e ainda bem que você reconhece (hahahah, sabia que ia viver para ler isso...). Agora, volta pro batente, que tá todo mundo doidin pra te espinafrar por conta disso.
Beijão.
Ah, Idelber. Perdão, baby. Não pude deixar de trollar num último post...
Bem, quem sabe daqui a 3 ou 4 anos, você retorna para, à exemplo do Celso, cuidar do batalhão blogosférico na reeleição da Dilminha ou eleição do seu candidato (Lula, ou algum poste tal-e-qual nossa presidenta? Bem , o acaso e seus cataclismas melhor dirão...)
</p>
<p>(Bruno Marcondes :: 
mar 14, 2011  6:32 PM)

Vou sentir saudades dos seus posts sobre futebol.

Aprendi muita coisa com eles.

Abração e até mais.</p>
<p>(JG_ :: 
mar 14, 2011  6:45 PM)

Putz, li hoje antes de sair pro trabalho, mas só deu pra comentar agora. Na moral, fiquei mal, estragou o meu dia. 

Mas como é isso, Idelber, que numa semana você diz que logo logo vai entrar no debate sobre Dalkins, no twitter começa a organizar clubes de leitura... e assim, de repente, acabou tudo?  

Tomara que nas próximas férias te bata aí uma secura, ou que venham eleições que mecham com os teus hormônios petistas, sei lá, não é possível que isso seja definitivo não.    

Se você tava pensando em dar uma Jânio Quandros, saiba que falhou miseravelmente, pois dessa vez o povo vai sim à caixa de comentários clamar pelo seu retorno. 
</p>
<p>(Fernanda Queiroz :: 
mar 14, 2011  7:03 PM)

NÃO FAÇA ISSO!!! Eu me inspiro em você pra poder estudar, ler e entender as coisas!!!! Não nos deixe!!!! </p>
<p>(<a href="http://cabaretdajuju.blogspot.com" rel="nofollow">Júlia Eléguida</a> :: 
mar 14, 2011  8:00 PM)

recebo esta notícia, com a seguinte expressão: ah não, por quê? não gostaria de ficar órfã deste espaço, tão inteligente, que proporciona reflexões e conteúdo para a discussão de qualidade. entendo seus motivos, mas vou sentir muita falta. </p>
<p>(<a href="http://www.olhaosemblante.blogspot.com" rel="nofollow">Thiago Quintella de Mattos</a> :: 
mar 14, 2011  8:18 PM)

Idelber, muito obrigado! Ficarão aqui os arquivos e disso gostei. Comuniquemo-nos por outras vias! </p>
<p>(<a href="http://guaciara.wordpress.com/" rel="nofollow">Tiago Mesquita</a> :: 
mar 14, 2011  8:22 PM)

Querido, nem sei como te agradecer por tudo. Espero que o Guaciara, o edifício, continue a ser a sua base em São Paulo, você será sempre bem-vindo. Está difícil blogar pra mim também, mas quero voltar. Agora, espaço pra intervir fora dos blogs é o que não falta. Toda sorte e alegria meu chapa</p>
<p>(<a href="http://www,.atorredemarfim.apostos.com" rel="nofollow">Marcos Matamoros</a> :: 
mar 14, 2011  8:29 PM)

Caro,
Da outra vez, eu tinha certeza de que você ia voltar a postar, como de fato voltou. Agora, porém, está com cara de que a decisão é irrevogável. Acho uma pena. Saiba que eu vou sentir falta dos seus posts, amigo. Quando estiver em São Paulo, vamos marcar uma feijoada 
Um abraço,
Marcos </p>
<p>(<a href="http://guaciara.wordpress.com/" rel="nofollow">Tiago Mesquita</a> :: 
mar 14, 2011  8:33 PM)

Além disso, só um lugar legal pode reunir gente tão boa</p>
<p>(<a href="http://www.joao.villaverde@blogspot.com" rel="nofollow">João Villaverde</a> :: 
mar 14, 2011  8:35 PM)

Já deixou uma saudade enorme na blogosfera, Idelber, meu caro. Maldito NPTO hehe.
Boa sorte nos trabalhos. Quando precisar, já viu que não te faltam amigos por aqui.
Forte abraço,

João

P.S. Reforço o convite do Matamoros ;-)</p>
<p>(Flávia Cera :: 
mar 14, 2011  8:35 PM)

Querido Idelber,

estou tão emocionada. Li três vezes pra me certificar desse elogio imenso que você me deu. E, puxa, obrigada demais, Idelber. Mas você é muito generoso e eu não sou tão boa blogueira ;) 
Eu lamento que o Biscoito encerre suas atividades, mas eu entendo (ô como entendo) que isso seja necessário para o blogueiro poder se dedicar à pesquisa. E blog e tuiter tomam tempo. E reitero meus agradecimentos ao Biscoito (e por extensão ao confeiteiro, é claro): foi ele quem me inspirou na abertura do mundo-abrigo e foi ele também que me motivou a voltar a blogar depois de meses sonecando. 
E também queria dizer que é uma sorte tê-lo como amigo para além das fronteiras internéticas. Meus agradecimentos seriam extensos demais para dizer o quanto os dias em BH que eu e Alexandre passamos com você fez diferença nas nossas vidas. Sempre falamos disso aqui em casa. 
Mas meu lamento é esquizofrênico: do lado do blog,  tristeza; do lado acadêmico, um mega sorriso esperando os resultados das pesquisas!!!
Bom trabalho. Um beijo grande.

</p>
<p>(Mônica :: 
mar 14, 2011  8:55 PM)

Caramba, Idelber. Uma pena. Abraços.</p>
<p>(<a href="http://www.biajoni.com.br" rel="nofollow">Biajoni</a> :: 
mar 14, 2011  9:31 PM)

ó, meu deus! mas eu não acredito em ex-blogueiro. mantenha contato, queridão. beijos.
:>*</p>
<p>(pedro piva :: 
mar 14, 2011  9:34 PM)

a vida é complicada, tive perdas demais ultimamente...</p>
<p>(Igor :: 
mar 14, 2011  9:37 PM)

Que coisa! Primeiro o Hermenauta, depois o NPTO e o Rafael Galvão. Agora o Idelber. A blogosfera está cada vez mais orfã. Será que a velha imprensa vai ganhar essa?</p>
<p>(Bartira :: 
mar 14, 2011  9:44 PM)

vai fazer falta !! muuuuita falta!

muito obrigada por toda a dedicação até agora, acompanho sem comentar há uns 5 anos. Nem saberia por onde começar uma lista sobre o que li, refleti e aprendi no ou por indicação do Biscoito.

o Biscoito é um tesouro. tem tanta coisa nos arquivos que sempre volto para um assunto ou outro que sei encontrar aqui referências.

li o seu livro Alegorias da Derrota e adorei. vou já atrás desse seu novo livro. 

muita sorte e realização nos seus projetos novos. 

</p>
<p>(Cláudio Freire :: 
mar 14, 2011 10:02 PM)

Puxa, Idelber, sentirei muita falta. Sou um dos sem-URL. Este blog sempre foi leitura diária, desde que iniciou suas atividades. 
Pegando carona ao avesso no comentário do Dida, depois da maravilhosa participação sua e do NPTO nas últimas eleições, dá uma pena danada pensar que voces não estarão na arena política.
Mas muito boa sorte nas caminhadas. E, se tiver uma vontadinha, ainda que mínima de voltar, não pense duas vezes. Estaremos aguardando. </p>
<p>(<a href="http://www.alessandraalves.blogspot.com" rel="nofollow">Alessandra Alves</a> :: 
mar 14, 2011 10:02 PM)

Idelber, querido,

Só tenho a agradecer - pelo blog, pelos momentos adoráveis diante daquele hamburguer do Ritz, pela menção ao meu nome/blog. Não vou perder a esperança de que você volte, quem sabe para a
eleição de 2014?

Um forte abraço a você e outro à Ana, a quem não conheci pessoalmente, mas que me emocionou muito com textos como a análise da obra de Monteiro Lobato.

Venham degustar outro hamburguer um dia desses!

</p>
<p>(<a href="http://srtabia.com" rel="nofollow">Bia Cardoso</a> :: 
mar 14, 2011 10:04 PM)

Muito agradecida por ver meu nome em lista tão seleta, escrevo para desejar que a água continue a fluir por entre os pensamentos e a vida, Idelber! Foi, é e será um prazer entrecruzarmos tantos rios de bytes entre tantas pessoas tão bacanas. Bons Novos Projetos!</p>
<p>(Guilherme :: 
mar 14, 2011 10:26 PM)

É uma pena. Conheci o seu blog há pouco tempo e agora acabou. Espero que este fechamento em definitivo não seja definitivo no final das contas.</p>
<p>(<a href="http://serbon.opsblog.org" rel="nofollow">Serbão</a> :: 
mar 14, 2011 10:47 PM)

Poxa, li este post e fiquei emocionado por dois
motivos. Primeiro , a citação , que agradeço.
E segundo, a suspensão das atividades do Biscoito - com isso, digo e muita gente boa há de concordar que perdemos uma referência na blogosfera. Bom, abro um convite/intimação: ao passar aqui por SP, avise, vamos tomar um chopinho, e eu e Paulinha teremos o prazer de preparar teu cantinho no quarto de hospedes aqui. Prometo nao lembrar da final do Brasileirao de 77 na hora do jantar, hehehehe. ;) </p>
<p>(Ignez :: 
mar 14, 2011 11:28 PM)

Sinto essa notícia como se um tsunami estivesse invadindo o sitio dos blogs que me acostumei a ler. Meu primeiro impulso é de xingar, me descabelar, ficar inconformada, sentir como se o chão estivesse se abrindo... Pô!!! Mas do que adianta?! Tenho que me adaptar... Não sei mais o que dizer. Nem quero ler o que escreveram...   </p>
<p>(Christopher Dunn :: 
mar 14, 2011 11:40 PM)

Idelber: Eu também deixo aqui meus agradecimentos pelo comentário incisivo e generoso ao longo dos anos. Seu blog nasceu com meu filho, se tornou o centro de comunicação para nossa comunidade durante a crise do Katrina e abrigou os debates sobre a política e cultura mais interessantes que eu conheço. Prefiro pensar que você está dando um tempo e que algum dia o grande Biscoito voltará! Abrraços, Chris</p>
<p>(<a href="http://terapiazero.blogspot.com/" rel="nofollow">anna v.</a> :: 
mar 14, 2011 11:40 PM)

Que pena! 
Sucesso com o livro novo.</p>
<p>(mirtes :: 
mar 15, 2011 12:45 AM)

Como parar Idelber? Não pode. Você nos cativou,  é bem assim, você é responsável, nos cativou e agora?
Que triste. A outra vez fiquei esperando e você voltou. Nada é definitivo hem?! Já acho uma falta tremenda do Bruno Ribeiro e agora você.
Abração
mirtes</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
mar 15, 2011  1:07 AM)

Mó falta de sacanagem.

Boa sorte em seus novos empreendimentos. Valeu pelo espaço de discussão... onde é que tem outro parecido?

Até a próxima esquina da vida!</p>
<p>(Rodrigo Tavares :: 
mar 15, 2011  1:24 AM)

Prezado Idelber, que pena. Adoro este Blog! Mas vá lá... Super obrigado.  </p>
<p>(Luciana :: 
mar 15, 2011  1:42 AM)

Alguém devia ter feito vc e o Celso (NPTO) jurarem pelo que houvesse de mais sagrado que vcs não abandonariam seus respectivos blogs se a Dilma ganhasse. Como é que a gente - os que viam essa candidatura com todos os pés atrás e que ficaram putos da vida de ver tanto "entusiasmo" de campanha reunido em torno desse projeto(?) de petismo (ao mesmo tempo decadente e megalomaníaco) - vai agora usar esse mesmo espaço pra apontar as contradições, vai poder dizer "tá vendo? eu não disse?", vai poder discutir as formas de se contrapor às cagadas que esse governo já está fazendo e promete ainda fazer cada vez mais? Agora nos abandonam ao deus-dará? Onde vamos levantar as questões que essa pseudo-esquerda no poder quer a todo o custo esconder? Oras!

 </p>
<p>(Renato Rovai :: 
mar 15, 2011  1:52 AM)

Triste li este seu post. Como não acredito em coisas definitivas, sei que o Biscoito ainda retornará. De qq forma, como há algum tempo já acontece, as páginas impressas e virtuais da Fórum estão sempre a disposição do amigo.
abs
renato rovai</p>
<p>(<a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/" rel="nofollow">Lelec/Leonardo</a> :: 
mar 15, 2011  6:10 AM)

Mui caro Idelber,

Para todos que amamos o Biscoito, fica um vácuo gelado. Estou genuinamente triste com o fechamento deste blog.

Mas minha gratidão é maior que a tristeza e só tenho a lhe agradecer. Pelos seus textos tão bem feitos, cheios de referências, de links. Pelas dicas de livros, pelo clube de leituras. Pelas respostas lá no Formspring. Por você ter criado um espaço cuja caixa de comentários aglutinou gente com tanta cultura e capacidade argumentativa. Pelos seus textos terem me influenciado tanto, fazendo-me aprimorar minhas idéias, inclusive nos textos em que não concordava com você. Pela sua gentileza e elegância em me citar neste triste texto de despedida.

Muito, muito, obrigado Idelber.

Espero de verdade poder tomar umas com você, seja aqui no Velho Mundo, ou em New Orleans, ou na nossa querida Beagá, ou em qualquer boteco desse mundão grande sem porteira.

Desejo-lhe todo o sucesso e brilho aí na continuação das suas atividades. Você merece.

Grande e apertado abraço, com todo meu apreço,

Lelec/Leonardo

</p>
<p>(Jair Fonseca :: 
mar 15, 2011 11:09 AM)

Idelber, querido amigo.
Só sinto por não ter tido tempo nem talento pra contribuir mais nessas discussões extraordinárias, nessas reflexões a quente que você nos proporcionou.
Admiráveis são não só sua inteligência e militância mas também a agilidade e o fôlego com que manteve a bodega aberta por tanto tempo.
Eu que tenho um ritmo não macunaímico (preguiçoso) mas caymmíco (devagarinho) sempre admirei seu pique. 
É isso aí, hora de desacelerar, começar outro ritmo.
Quem sabe, o blogêmio voltará novamente, de outra feita?
Abração, Idelber!
Missão cumprida (e comprida)!</p>
<p>(Fernando Trindade :: 
mar 15, 2011 11:28 AM)

Caro Idelber,

Obrigado por fazer o blog e pela sua participação importante em todo o processo político-social que vivemos no Brasil e pelo Mundo afora.</p>
<p>(<a href="http://www.danielaraujo.net" rel="nofollow">daniel araujo</a> :: 
mar 15, 2011 11:30 AM)

Tchau, Idelber!

Este blog foi o que mais segui. Serviu de companhia em Copas, eleições, tragédias no Oriente Médio e comédias políticas no Brasil. Foram marcantes a eleição do Obama e a Copa de 2006. Me inspirou a ler o Grande Sertão: Veredas e me apresentou um cara que virou herói pessoal: o grande Robert Fisk - e seu estupendo livro "The Great War for Civilisation". A última descoberta literária via Biscoito foi aquele livro argentino maluquíssimo cheio de prólogos. Foi aqui também que conheci o Paêbiru.

Então só tenho a agradecer, né?

Valeu, Idelber!
</p>
<p>(FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO :: 
mar 15, 2011 11:35 AM)


Caro Idelber muito boa sorte em seu mais novo projeto, e, que as pesquizas sejam feitas, mas, que num tempo não tão dsitante você volte, ainda mais cumplíce das boas causas e, sobretudo da qualidade da cultura da boa escrita e da informação.

Como não admirar e não sentir saudades de uma blog e de uma escrita crítica, séria sem ser sizuda e quando necessário, bem humorada e irreverente sem ser apelativa. 


Um abraço a tí e À todos que colaboraram diretamente e inditemamnte na construção e na interação desse raro e qaulitativo blob.


FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO. 
OAB/RN. 7318.</p>
<p>(João Paulo :: 
mar 15, 2011 11:57 AM)

Idelber,

você é o maior. 

Um abraço.</p>
<p>(<a href="http://rafaelfortes.wordpress.com" rel="nofollow">Rafael Fortes</a> :: 
mar 15, 2011 12:00 PM)

Dizer o quê, além de dizer um grande, imenso muito obrigado?!

Valeu, Idelber!</p>
<p>(<a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com" rel="nofollow">Lola</a> :: 
mar 15, 2011 12:26 PM)

Que triste, Idelber! Puxa, podia ter preparado a gente um pouquinho pra essa notícia... Espero que vc volte, mas, realmente, seis anos é ano que não acaba mais! </p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
mar 15, 2011  1:36 PM)

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................................................
................................................
.................................................
...............................................
...........!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!</p>
<p>(Rodrigo :: 
mar 15, 2011  1:52 PM)

Acabou: NPTO, Rafael Galvão e Idelber. Agora posso voltar a trabalhar.

Foi um prazer, Mineiro.</p>
<p>(<a href="http://www.pontoecontraponto.com.br" rel="nofollow">LEN</a> :: 
mar 15, 2011  1:59 PM)

É realmente uma pena Idelber, mas acredito que você mais do que ninguém sabe o que é melhor para a sua vida. Desejo muito sucesso nessa nova jornada assim como você teve sucesso como blogueiro. Não esqueça de nos fazer uma visita se um dia vier a Maricá, e se sobrar um tempo, no Ponto & Contraponto. Como dizem no teatro, merda pra você.</p>
<p>(Guiba :: 
mar 15, 2011  2:59 PM)

Caro Idelber,

meu eterno agradecimento pelos ensinamentos e estímulo.

Sorte, saúde, sucesso!!!</p>
<p>(<a href="http://cartadaitalia.blogspot.com" rel="nofollow">Allan</a> :: 
mar 15, 2011  3:32 PM)

A blogosfera está acabando e esqueceram de me avisar.  :/

Tudo tem seu tempo. Melhor quando somos nós a decidir que tempo é.

Abração e muito obrigado pelos muitos posts antológicos!</p>
<p>(Valdir :: 
mar 15, 2011  4:01 PM)

Só te perdôo porque li teu livro sobre as ditaduras e alegoria e achei muito bom. Então vou esperar pelo próximo livro. Toda felicidade e reconhecimento nessa nova fase.</p>
<p>(Marcelo :: 
mar 15, 2011  5:07 PM)

Concordo com a Luciana 102#. NPTO caiu fora depois das eleições (quase pareceu que esteve lá programado apenas para ser mais uma das pontas da propaganda da campanha). Idelber tem mais história e abrangência, mas desativa o blog num momento capital da história brasileira, quando o silêncio que vem após a festa prefigura muitas nuances e premonições. O afastamento do Idelber _ que devo dizer antes me antipatizava muito com ele, mas depois achei o ponto de equilíbrio da discordância positiva_, dá a impressão de que pelos  próximos anos  a assim chamada esquerda nacional já definiu o mote de sua participação na dialética política, antes jubilante, agora reticente e esquiva.</p>
<p>(<a href="http://cincodeoutubro.blogspot.com" rel="nofollow">Fernanda</a> :: 
mar 15, 2011  5:23 PM)

Sei bem como é o encerramento de um blog. Já encerrei alguns para colocar outros projetos em vida. Parabéns pelo trabalho! Que novas perspectivas possam surgir e que, sempre, possamos transformar o mundo, para melhor, com nossas palavras, pensamentos e ações!
Um grande abraço,
Fernanda</p>
<p>(fm :: 
mar 15, 2011  6:07 PM)

Sobre sua decisão
Creio que não exista apelação
Mas ela é nossa redenção,
Calou o Ramiro Conceição :)


Abraços.

Obs. Nunca se esqueça que me deve um doce!</p>
<p>(<a href="http://www.farmaciadepensamentos.com" rel="nofollow">Sonia Montenegro</a> :: 
mar 15, 2011  6:15 PM)

Só mais uma interrupção. Estou certa de que, qdo o Brasil precisar, poderá contar com vc!!!</p>
<p>(Cláudio E :: 
mar 15, 2011  6:41 PM)

Da vez primeira em que me assassinaram
perdi um jeito de sorrir que tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Mário Quintana

Pô Idelber, isso era hora?

</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
mar 15, 2011  6:45 PM)

Puxa, Idelber, eu realmente estou triste pelo fim do Biscoito, mas é claro que as razões são perfeitamente justas - e fica a torcida pelo sucesso dos novos projetos do amigo. Quando passar por São Paulo novamente, tomemos uma cervejinha!

saudações fraternais
Hugo

P.S.: E muitíssimo obrigado pela inspiração e pelo apoio, isso não tem preço. </p>
<p>(Mônia Daniella :: 
mar 15, 2011  7:36 PM)

pôxa, eu entendo, mas não aceito! rs Precisa mesmo fechar twitter e tudo o mais, sumir do mapa? aparece de vez em quando, vai!?</p>
<p>(Cajueiro :: 
mar 15, 2011  8:31 PM)

Puta falta de sacanagem!!!
Isso é mais grave que fechar o mercado central. O Biscoito é uma instituição da blogosfera, uma referência em tantas coisas que chega a ser absurdo. Sério, sacanagem. Vai fazer uma falta danada. Foi uma honra.

Obrigado.</p>
<p>(Bosco :: 
mar 15, 2011  8:37 PM)

Você e o Daniel Lopes do amalgama fizeram a minha cabeça. Fica dificil aceitar essa perda. Mas pelo menos sei que você continuará vivo na revista Forum. Ou não? Um grande abraço. Mas o que leva mesmo uma pessoa que tem um blog tão importante, que tem tanto a contribuir com o seu país resolve parar o blog assim de repente? Não foi por causa do amor tenho certeza. O amor traz é muito mais inspiração e alegria.</p>
<p>(<a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com" rel="nofollow">Leandro Fortes</a> :: 
mar 15, 2011  8:40 PM)

Meu caro, o Biscoito será sempre um marco na internet do Brasil. Boa sorte e muito sucesso em suas empreitadas.
Forte abraço</p>
<p>(Paulo Isobe :: 
mar 15, 2011  9:14 PM)

Bom, Idelber, faço parte da multidão silenciosa que acompanha o blog. Desejo-lhe sucesso nos novos projetos.

Sei que você encara isso aqui de forma intelectualmente séria, de forma que, imagino, preferiu fechar o blog a ter que fazer algo que lhe tomasse menos tempo mas que não tivesse a mesma qualidade. Respeito isso.

Grande abraço, Professor.</p>
<p>(<a href="http://meueusadico.blogspot.com" rel="nofollow">Pedro Marques</a> :: 
mar 15, 2011 10:36 PM)

Em relação ao universo blogueiro, esse começo de ano só está tendo notícias horríveis.

Lamento demais. Vai fazer MUITA falta.

Abraço, e obrigado pelos textos brilhantes. Espero que num futuro próximo eu possa, novamente, vê-lo dando palestras no IFCS da UFRJ. Foi assim que eu conheci um pouco do seu pensamento e tive acesso a esse espaço.</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
mar 15, 2011 11:18 PM)

À fm #120...


A PERGUNTA FUNDAMENTAL
by Ramiro Conceição

Na ciência dos materiais, a resiliência é a propriedade de um material se deformar, isto é, absorver energia sob o REGIME ELÁSTICO. Ou seja, se for altamente resiliente, tal material devolverá à sua vizinhança a energia acumulada durante o fenômeno de sua deformação e, portanto, voltará, com grande probabilidade, às suas dimensões quase originais. Logo, materiais resilientes são utilíssimos à engenharia do SER-HUMANO.

Mas advém, então, as perguntas do “CAPETA”, dito, capitalismo: 
1) o coração humano é eticamente resiliente? ou 2) se deforma plasticamente diante de qualquer moral hegemônica quando atingido o PODER? 
Em outras palavras: 3) um ser, dito, revolucionário, manterá a sua ética quando diante do PODER ou se deformará plasticamente até que fique irreconhecível, um infiel - fiel ao molde duma sociedade de classes; e, portanto, sendo impossível o seu retorno à filosofia original que lhe dera o passaporte à transformação da sua, nossa, história?

Ou como brada a pergunta fundamental: 

PIMENTA NO CU DE OUTRO É REFRESCO?! 



</p>
<p>(<a href="http://diegoviana.opsblog.org" rel="nofollow">Diego Viana</a> :: 
mar 16, 2011 10:33 AM)

Caro Idelber, deixo aqui mais uma voz de tristeza, numa caixa de comentarios que vai virando, e bem a proposito, um pequeno lacrimario.

Assim como o Rovai, nao acredito em coisas definitivas. Mas acredito na internet, e nos blogs em particular, como um espaco que, mais do que democratico, e livre. Quando digo "livre", penso do ponto de vista de quem senta diante do teclado e pode escolher dar todos os niveis de atencao imaginaveis a seu blog. O diario, o eventual; o periodico, o esporadico; o impressionista, o elaborado...

O blogueiro e livre para partir quando quiser, com uma bela palavra de despedida ou sem; da mesma maneira, e livre para voltar, e se nao quiser avisar que voltou, nao precisa - se bem que, no seu caso, o mundo inteiro ficaria sabendo antes mesmo que voce clicasse no "publish".

E, ora, o blogueiro e livre para deixar um ola de vez em quando, uma palavra para os leitores, amigos e fas, um pequeno comentario, uma pequena ideia. Um sinal de vida, pelo menos?

Desejo toda a sorte do mundo nas empreitadas.

Abracos
Diego

PS: Desculpa a falta de acentuacao, a culpa e do teclado.</p>
<p>(<a href="http://www.pandinigp.blogspot.com" rel="nofollow">Luiz Alberto Pandini</a> :: 
mar 16, 2011 10:59 AM)

Idelber, agradeço a calorosa e honrosa menção. Pode ter certeza de que a recíproca é verdadeira e que espero ter novas oportunidades de uma conversa ao vivo. 

Sobre a decisão de fechar o blog, entendo perfeitamente e nem sequer vou lamentá-la. Várias vezes pensei em fazer o mesmo com o meu. Falta coragem, a mesma que você teve. Tocar um blog adiante sem estar com tempo suficiente ou com tesão pela coisa é terrível. Fica-se com uma sensação permanente de estar sendo desonesto ou negligente com os seus leitores. 

Parafraseando Vandré, "a vida não se resume à blogosfera". Novos e agradáveis encontros nos esperam em breve. Até lá! </p>
<p>(<a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mar 16, 2011 11:39 AM)

Agradeço a menção, o blog, a amizade e sempre que quiser vir à Porto Alegre, estamos disponíveis e com a casa aberta.</p>
<p>(dra :: 
mar 16, 2011  1:00 PM)

putz, q pena...
quero deixar tb meu testemunho do qto o Biscoito foi importante nesses seis anos q passaram, para mim pessoalmente e para toda a blogosfera brasileira.
ponto de encontro de muita gente boa, sempre com discussões importantes.
mas o tempo do livro, da pesquisa, demanda mais mergulho do q o tempo do blog. 
entendo q cada um exija dedicações plenas.
Grande Idelber, te desejo força nos projetos por aí! abs!
deixo um beijo tb para a Ana!</p>
<p>(<a href="http://jeanscharlau.blogspot.com" rel="nofollow">Jean Scharlau</a> :: 
mar 16, 2011  2:20 PM)

Idelber, escolheste o lado mais fácil: parar de escrever é barbada, o brabo é ter que parar de ler.

Até as próximas notícias, então. Que sejam as melhores. Aparece de vez em quando lá na minha bodega - o garçom é meio lerdo mas é gente boa.</p>
<p>(<a href="http://dandi.blogspot.com" rel="nofollow">Dandi Marques</a> :: 
mar 16, 2011  4:56 PM)

Bom, nota triste. Só tenho a dizer que lhe devo muito. Obrigado, Idelber.</p>
<p>(George D. :: 
mar 16, 2011  6:42 PM)

Salve, Idelber,

Deixaste uma grande contribuição ao bom debate na internet... inspirou a muitos. Sucesso na continuidade das pesquisas.

Abraço!</p>
<p>(Frank :: 
mar 16, 2011  7:43 PM)

apesar de divergir em larga medida do q se publicava aqui (sobretudo após a reencarnação recente, mais militante e menos "pensante"), lamento o encerramento desse espaço.

espaço único, em q se pudia buscar / conhecer o ponto de vista de uma Esquerda minimamente ilustrada - o autor e ótima caixa de comentários.</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/crdasneves" rel="nofollow">Cleber</a> :: 
mar 17, 2011 12:31 PM)

Notícia triste, mas a tristeza aqui é o que menos importa: importa mesmo é agradecer por este espaço incrível, onde aconteceu tanta coisa boa.

Obrigadíssimo, Idelber, e grande abraço!</p>
<p>(Marinho :: 
mar 17, 2011  1:46 PM)


Que pena... mas valeu por tudo.</p>
<p>(Raquel :: 
mar 17, 2011  6:38 PM)

Caro Idelber,
Antes de mais nada, muito a agradecer. Primeiro, por tempos passados, em que suas reflexões e debates tanto fizeram pensar e ensinaram sobre o quão são indispensáveis a tolerância e o diálogo no espaço das idéias. Obrigada, ainda, pela retomada com subsídios críticos tão fundamentais no ano de 2010. 
É fácil compreender a necessidade de seguir adiante, com comprometimentos diversos e novos projetos, que conduzem a outros rumos. Desejo-lhe proteção e sorte, já que o sucesso, não tenho dúvida, lhe será companheiro.
Mesmo assim, não me furto a exteriorizar um bocado de tristeza, pois o Biscoito fará muita falta como um espaço minimamente elegante, firme e denso para pensarmos esse estranho mundo em que vivemos. Se numa dessas viradas que por vezes nos surpreendem, você um dia decida retomá-lo, não esqueça de avisar. Haverá, sempre, leitores fiéis à sua espera. Estarei.
Um grande abraço,

</p>
<p>(PauloZ :: 
mar 17, 2011  9:16 PM)

Caro Idelber
Como vai?
Cheguei aqui por causa de um episódio acontecido com o jogador Grafite em um jogo pela Libertadores no Morumbi. Expressei opinião contrária a sua mas, ainda assim, fui muito bem recebido. Passei a frequentar diariamente.

Muita coisa mudou no mundo exterior (e aqui também) e curiosamente o jogador Grafite acabou sendo convocado para a Copa de 2010. Quando isso aconteceu penso que o blog estava ativo mas acabei não o parabenizando, afinal você gostava deste atacante!

No mais, deixei de comparecer por aqui naquela época que um assessor da Soninha provocava pororocas diárias. Resolvi passar longe da Pororoca. Eu gostava dos seus textos sobre Futebol, e os comentários deles decorrentes. Me lembro com mais carinho de um 'post' sobre a 'Máquina' tricolor e de uma discussão sobre o campeonato espanhol (sobre este último minha opinião naquela época está se realizando agora: só há Real Madrid e Barcelona).

Para você que mora no exterior gostaria de dizer que sem viajar para a Europa a mais de vinte e tantos anos, nunca pensei que a nossa imagem como sociedade estivesse tão desgastada ao contrário do que era lá pela década de 80 (algumas vezes isso me foi dito com toda a educação e reservadamente). Estive também num país muçulmano e aí a coisa era ainda pior (mas também esta percepção me foi transmitida com educação). Voltei para casa nestas duas vezes percebendo uma divergência enorme entre o que falam da nossa sociedade lá e o que aqui se fala dos que eles falam de nós. Não sei se na América é assim.

É uma pena que você tenha que deixar este espaço logo na semana que o Obama vem ao Brasil (e ao Rio) e as relações entre o nosso país e os EUA possam voltar e ser incrementadas. Muito obrigado por ter mantido este espaço e um grande abraço. PZ</p>
<p>(Inaiara :: 
mar 17, 2011 11:04 PM)

Sei lá, largar um espaço desses, com todo esse estofo, essa grife...

Largar o hábito de expor ideias e debatê-las, enriquecendo-se até com a pulhice alheia, uma vez que só reforçavam o próprio mote...

Largar um canal direto de militância política, artística, futebolística, acadêmica...

Deixar para trás um comentário como o #120, hilário merecedor do termo permalink...

Larga não, bobo.</p>
<p>(<a href="http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com" rel="nofollow">Rogério Santos</a> :: 
mar 18, 2011 12:51 AM)

A discussão sobre o veto ao livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, ficará na memória. Os textos escritos por Ana Maria Gonçalves sobre o assunto provocaram debates bem acalorados e esclarecedores sobre o racismo no Brasil, e causaram bastante rebuliço tanto na blogosfera como entre os amigos a quem eu passei os links do texto. 

O elogio que você e ela fizeram ao comentário que eu deixei no texto Carta Aberta ao Ziraldo foi demais, e permanecerá vivo na minha mente toda vez em que eu lembrar o assunto. 

Não era comentarista frequente deste blog, mas, por ter lido alguns textos e participado de alguns debates, me sinto à vontade para dizer que O Biscoito vai fazer falta. Mas, você tem outros projetos de vida e nós temos de entender isso. </p>
<p>(<a href="http://tucazamagna.blogspot.com" rel="nofollow">Tuca Zamagna</a> :: 
mar 18, 2011  2:13 PM)

Ainda nem saí do luto pelo fim do blog do Rafael Galvão e você também fecha as portas, Idelber?

Concordo que você tem muita razão nesta decisão, mas... sejamos um pouco irracionais, faz favor!

De todo modo, obrigado por tudo e boa sorte nas novas empreitadas. E se um dia, por mais longínquo que seja, você resolver voltar, prometo - em nome de todos! - que estaremos vivos para reembarcar na sua segura, confortável e enriquecedora canoa!

Abração</p>
<p>(<a href="http://gonzum.com" rel="nofollow">Miguel do Rosário</a> :: 
mar 19, 2011 12:11 AM)

Estimado Idelber, a blogosfera é um grande oceano, cujas águas às vezes nos parecem ameaçadoras, em outras ocasiões nos convidam a um mergulho agradável, em outras nos afoga, ou nos leva às suas profundezas e nos faz descobrir tesouros, ou nos deixa perdidos. É sempre um desafio e já está provado que não é fácil manter um blog, mormente um com tantas visitas como o vosso. Um dia você volta, tenho certeza. Descansar é necessário, mas navegar é preciso. Bom descanso, você merece, e boas leituras. Quando voltar ao Rio, pode entrar em contato para o chop. Será um prazer. Um abraço!</p>
<p>(Vitória :: 
mar 19, 2011  1:44 PM)

Idelber,
Conheci o seu blog na época das eleições (a última, a mais desgastante). Depois te acompanhei com as excelentes reportagens sobre o feminismo e o sexismo e sobre a o racismo.
Continuo sempre vindo aqui, posto pouco mas sou leitora assídua e divulgo muitas coisas que assim são produzidas.
Vou sentir falta mas sei como é a vida acadêmica. Volte quando puder. 
Felicidades e que a vida te seja cada vez mais leve. Você merece.</p>
<p>(Cláudio Freire :: 
mar 19, 2011  6:43 PM)

fm #120:
O comentário #130 só reforçou que voce tinha razão.
Desculpa aí, não pude resistir... rsrsrs</p>
<p>(<a href="http://vistoseescritos.opsblog.org" rel="nofollow">Rodrigo Cássio</a> :: 
mar 19, 2011  7:30 PM)

Idelber, que o fechamento do Biscoito seja o primeiro passo para novos projetos na internet, tão logo os compromissos da pesquisa permitam. 

O que define a sua presença na internet é a palavra "vocação". Você tem vocação para isso aqui, meu caro. E por isso vai fazer muita falta. 

Obrigado pela lembrança no post, que muito me honra. 

Abraço grande!</p>
<p>(<a href="http://www.caldodetipos.blogspot.com" rel="nofollow">Paulovilmar</a> :: 
mar 20, 2011 12:17 AM)

Idelber!
Entender tuas razões não diminui nossa tristeza, sinto-me orfão e agradeço pelos´sempre lúcidos, elegantes e inteligentes "posts" que nos brindaram, durante todos estes anos, com verdadeiras aulas de cidadania, direitos e tantos outros assuntos! Junto-me ao coro dos descontentes, que certamente devem estar organizando o blog "volta Idelber"!
Adeus "Biscoito Fino", seja feliz em tudo que empreenderes, estaremos torcendo e nos orgulhando de cada empreendimento teu, afinal, mesmo que virtuais, o sentimento de amizade continua.
</p>
<p>(Theo Dubeux :: 
mar 20, 2011  1:06 AM)

Muito grato por tudo que aqui li. Força e sorte nos próximos projetos.
E, perdão se trollo, mas excelente o fm #120, seguido do #148.</p>
<p>(Charley :: 
mar 20, 2011  4:12 AM)

Do que conheço do meu irmão e da ultima despedida, é um até breve. Biscoito também mofa. O futuro dirá</p>
<p>(Charley :: 
mar 20, 2011  4:22 AM)

Apenas um escorpião acuado temporariamente aliar o rabo à cabeça, e saudosamente despedir-se do Biscoito. Ótimo! Rosquinha então. Seja qual for o blog, site, rede social, é inevitável que continue. E é preciso que continue...afinal?</p>
<p>(Claudia e Eugênio :: 
mar 20, 2011  6:19 PM)

E aí, jovem! Mantenhamos contato!

Abração!</p>
<p>(<a href="http://amianomarcelino.wordpress.com/" rel="nofollow">Amiano</a> :: 
mar 21, 2011 12:47 PM)

Boa sorte com os novos projetos, Idelber! Você vai fazer falta. Um abração.</p>
<p>(<a href="http://luzdeluma.blogspot.com" rel="nofollow">Luma</a> :: 
mar 22, 2011 12:18 AM)

Oh Good grief!</p>
<p>(Gustavo S. :: 
mar 22, 2011  2:38 AM)

Idelber, fica pelo menos no Twitter. Lá vc pelo menos nos indica seus trabalhos acadêmicos mais recentes, um grande alento aos leitores órfãos do blog. =]</p>
<p>(<a href="http://www.ideiasmutantes.com.br" rel="nofollow">Marcelo "Muta" Ramos</a> :: 
mar 22, 2011  3:37 PM)

Pôxa vida... Bastou que eu me afastasse um pouco da internet para, então, receber uma notícia dessas!

O Biscoito Fino sempre foi um local de frequente visita e vai deixar saudade! Mas entendo que isso acontece e faz-se muitas vezes necessário...

Abraço e boa sorte em seus projetos!</p>
<p>(Renato Marques :: 
mar 25, 2011  6:22 PM)

Lamento. Não será fácil ficar sem observações tão lúcidas.
Obrigado.
Abraço!
Boa sorte!</p>
<p>(<a href="http://www.alexandrepinheiro.blogspot.com" rel="nofollow">alexandre bertolai</a> :: 
mar 25, 2011  7:45 PM)

puxa vida ... 
mais um?
assim não dá ...... não haverá mais o que ler de bom na web ... </p>
<p>(<a href="http://carmillainwonderland.blogspot.com" rel="nofollow">Ághata</a> :: 
mar 27, 2011  3:28 PM)

Heim??? Mas por que fechou???? /o\
Não!</p>
<p>(<a href="http://carmillainwonderland.blogspot.com" rel="nofollow">Ághata</a> :: 
mar 27, 2011  3:28 PM)

Heim??? Mas por que fechou???? /o\
Não!</p>
<p>(José Bernardino :: 
mar 27, 2011  5:13 PM)

Conhecí a pouco tempo o seu blog. Daí em diante
fez parte da minha leitura/consulta. E agora vai
fechar as portas ? Que pena. Mas tenho certeza de
que faz por um motivo justo.
FElicidades, Sucesso e obrigado por sua ajuda.</p>
<p>(José Bernardino :: 
mar 27, 2011  5:14 PM)

Conhecí a pouco tempo o seu blog. Daí em diante
fez parte da minha leitura/consulta. E agora vai
fechar as portas ? Que pena. Mas tenho certeza de
que faz por um motivo justo.
FElicidades, Sucesso e obrigado por sua ajuda.</p>
<p>(<a href="http://www.marconileal.com" rel="nofollow">Marconi Leal</a> :: 
mar 30, 2011 10:32 PM)

Pena. Não tem volta? Sempre tem, de uma maneira ou de outra. Mas, mais importante, quando vier ao Rio (sim, li Thoreau e deixei a civilização de vez: troquei São Paulo pelo Rio), não deixe de avisar. Sempre se toma um chope. Abração.</p>
<p>(<a href="http://lembrancaeterna.wordpress.com" rel="nofollow">Bruno</a> :: 
abr  2, 2011 12:35 AM)

Te espero de braços abertos quando você aparecer em Terra Brasilis. Sempre foi um imenso prazer ler você aqui, e conversar contigo quando o tempo permitiu - e te encontrar na Flip de bobeira quando deu certo. Você é um cara especial, Idelba. Call me when you're over. Chopp's on me. </p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
abr  2, 2011  3:19 PM)

DE PÉ
by Ramiro Conceição


Inventar DE PÉ, mesmo quando deitado e quase derrotado. Sim, trabalhar DE PÉ ao Amor, mesmo quando for somente uma longínqua esperança. Sim, estar sempre DE PÉ diante de qualquer cotidiana ditadura dissimulada. Sim, DE PÉ, diante do Sagrado e, principalmente, diante de sadomasoquistas religiões prostradas. DE PÉ, sonhar e permitir o possível à continuidade da Vida, da Poesia, mesmo quando for somente o tempo da hipocrisia. DE PÉ, escrever mais e mais, principalmente, diante do “nunca mais”, pois a eternidade é bastante - mas a mediocridade não se basta!

</p>
<p>(Shirley Fontes :: 
abr  2, 2011  9:16 PM)


Olá Idelber !

Eu não posso deixar de te agradecer pelos anos de leituras neste blog ímpar. Desejo tudo de melhor e sucesso ! ! ! Ficarei, sempre, aguardando o seu retorno. Abraço.
</p>
<p>(<a href="http://qquechose.blogspot.com" rel="nofollow">kellen</a> :: 
abr  3, 2011  1:50 PM)

amigo querido,

muito boa sorte nos seus projetos. sentiremos falta do biscoito, claro. mas espero (estou certa disso, na verdade) que a boa interlocução continua. inclusive em bares nas cidades que nos possamos nos encontrar ;) grande beijo :***</p>
<p>(Ananda :: 
abr  4, 2011  2:15 AM)

Idelber, ainda nao caiu a ficha que você nao vai mais escrever aqui. Agora vou ter que ler todo o arquivo de todos os posts ainda nao lidos para criar uma ilusao de que o Biscoito nao acabou.  
Estou realmente triste, mas desejo a você muito sucesso e felicidade sempre. Sobretudo, obrigada por trazer tanta lucidez na minha vida e fazer com que eu ficasse mais feliz com o mundo por ter tido acesso a debates e ideias incriveis, realistas, encorajadoras, comprometidas com a verdade. Obrigada, obrigada, obrigada para sempre. Ananda</p>
<p>(Marcia :: 
abr  5, 2011  9:01 PM)

idelber.

em primeiro lugar: vc é o unico atleticano a povoar de maneira definitiva o coraçao desta cruzeirense de nascença.

em segundo lugar: fico sempre espantada quando me lembro da sua generosidade, dentro e fora do blog. a natureza dessa generosidade, a tranquilidade.

eu so tenho agradecimentos e carinhos.

beijos enormes e saudosos...</p>
<p>(<a href="http://dukrai.wordpress.com" rel="nofollow">João Aguiar</a> :: 
abr  6, 2011 12:28 AM)

abraços, véi, quem sabe a gente se encontra num outro curso na UFMG.</p>
<p>(Hans :: 
abr  9, 2011  1:56 AM)

É uma pena!
Reconsidere...
...ou não.
Fará falta.

Abraços,


Hans</p>
<p>(Ricardo Amaral :: 
abr  9, 2011  4:50 PM)

Vai ser dureza.
Sem Biscoito e sem Galo.
Obrigado por tudo.
A gente ainda se vê.
</p>
<p>(Cristóvão Feil :: 
abr 10, 2011  9:52 PM)

Salve, Idelber! Lamento muito tua saída da cena blogueira. Espero que seja por breves meses. Não nos conhecemos no mundo real, mas isso pouco importa.
Um grande abraço!

Cristóvão 

  </p>
<p>(<a href="http://www.blogdacidadania.com.br" rel="nofollow">Eduardo Guimarães</a> :: 
abr 13, 2011  2:42 PM)

Caro Idelber,

apesar dos percalços, dos desentendimentos pretéritos, não posso deixar de reconhecer o papel que você e esta página desempenharam na blogosfera.

Acredito que todos nós temos sempre o dever de não permitir que rancores persistam, independentemente de quem esteve certo ou errado, se é que existiu a dualidade.

Desta maneira, quero lamentar o fim do Biscoito Fino. Com certeza a blogosfera fica mais pobre com a sua saída. 

Espero que, num futuro qualquer, tenhamos oportunidade de enterrar de vez qualquer resquício que possa haver daquele desentendimento inexplicável.

Boa sorte.

Eduardo Guimarães</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Metablogagem</dc:subject>
<dc:date>2011-03-14T02:56:57-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Começo do governo Dilma, 2ª parte: Guia da Reforma Política</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/comeco_do_governo_dilma_2_parte_guia_da_reforma_politica.php</link>
<CommentCount>71</CommentCount> 
<description>Já é um senso comum anódino dizer que o cidadão deveria fiscalizar seus representantes. Mas no caso da reforma política, há que se reiterar o chavão com renovado senso de urgência. Uma rápida observação da história recente da política brasileira...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Já é um senso comum anódino dizer que o cidadão deveria fiscalizar seus representantes. Mas no caso da <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/mudanca+no+modelo+de+voto+nao+e+garantia+de+transparencia/n1237993743522.html">reforma política</a>, há que se reiterar o chavão com renovado senso de urgência. Uma rápida observação da história recente da política brasileira e uma visão um pouquinho mais complexa da realidade--que não se limite a acreditar que a corrupção, por exemplo, é algo que trazemos no sangue ou nos genes-- são suficientes para concluir que a reforma é urgente. Basta alguma familiaridade com Brasília para saber que, ou ela se realiza agora, no primeiro ano do mandato dos deputados, ou a próxima chance será em 2015. Se a cidadania fracassar na tarefa de acompanhamento e fiscalização dos parlamentares, não adiantará filiar-se ao “Cansei” e ao “Não reeleja ninguém”, ou bradar aos quatro ventos “contra tudo o que está aí”. Prestam um tremendo desserviço à democracia, portanto, os supostamente radicais que <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/chico+de+oliveira+reforma+politica+e+perfumaria/n1237994025119.html">afirmam </a>que reforma política é “perfumaria” de “quem não tem o que fazer”. O espírito deste post é o oposto: <strong>informe-se sobre o processo e fiscalize o seu parlamentar</strong>. A hora é agora. </p>

<p><a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/camara-cria-comissao-que-tratara-da-reforma-politica">Estão instaladas</a> as comissões do Senado (15 membros) e da Câmara (40 membros) encarregadas de discutir os vários itens que compõem a reforma. Segundo <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/sistema-majoritario-deve-ser-tema-mais-discutido-na-reforma-politica">matéria da Carta Capital</a>, serão onze os principais temas: sistemas eleitorais; financiamento eleitoral e partidário; suplência de senador; filiação partidária e domicílio eleitoral; coligação na eleição proporcional; voto facultativo; data da posse dos chefes do poder executivo; cláusula de desempenho; fidelidade partidária; reeleição e mandato; candidatura avulsa. </p>

<p>No espírito de contribuir com o debate, aí vão minhas opiniões sobre estes temas, em ordem crescente de complexidade. As observações serão acompanhadas de links a alguns dos melhores materiais que encontrei por aí sobre a reforma. </p>

<p>1.<strong> Data da posse dos chefes do poder executivo</strong>: o Brasil perde prestígio e protagonismo ao empossar seus prefeitos, governadores e presidente no dia 1º de janeiro. Com a exceção dos representantes dos países vizinhos, só pode vir quem se dispõe a passar o réveillon dentro de um avião ou em solo estrangeiro. É uma estultícia. Como a alteração da data não contraria os interesses corporativistas de parlamentar nenhum, não deve ser polêmica a aprovação de uma mudança.</p>

<p>2. <strong>Suplência de Senador</strong>: não creio que nossos ínclitos Senadores tenham condições políticas de manter o sistema atual, por mais que ele favoreça alguns caciques. Para quem não sabe, hoje, no Brasil, no caso de vacância de uma cadeira no Senado, assume um suplente eleito na mesma chapa e invariavelmente desconhecido dos eleitores. Na maioria dos casos, a suplência tem funcionado como o lugar dos financiadores. Você ajuda a bancar uma campanha e recebe, em troca, o lugar de suplente. <s>Washington</s> Wellington Salgado (PMDB-MG, aquele “do cabelo”), Senador suplente empossado no lugar de Hélio Costa, reconheceu isso com a sua tradicional sinceridade. Essa excrescência tem que acabar. </p>

<p>3. <strong>Fidelidade partidária</strong>: este blog defende que o fortalecimento da democracia passa pela construção de partidos mais representativos. Quer trocar de partido? Maravilha. Entregue o mandato e se candidate de novo, na eleição seguinte, pelo seu novo partido. Pela mesma razão, este blog é contra as candidaturas avulsas. </p>

<p>4. <strong>Voto facultativo</strong>: aqui começa a polêmica. Há <a href="http://www.portalfiel.com.br/noticias.php?id=851-eleicoes-2010-cresce-apoio-ao-voto-facultativo-no-pais.html">significativo apoio</a> no eleitorado à proposta de instalação do voto facultativo. Também não há muita dúvida de que, instituída a facultatividade do voto, aconteceria nas <a href="http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/NOVOS%20TEXTOS/texto6%20-%20Voto%20Obrigat%F3rio.pdf">camadas mais pobres</a> o afastamento mais acentuado das urnas. Eu, pessoalmente, entendo o voto como um direito-dever. <a href="http://movimentovotolivre.multiply.com/photos/album/27/27">Neste site</a> em defesa do voto facultativo, você encontrará declarações de vários intelectuais brasileiros a favor do voto obrigatório. Eu estou com eles. </p>

<p>5. <strong>Cláusula de desempenho</strong>: É a obrigatoriedade de que um partido atinja uma determinada porcentagem dos votos para que tenha direito a assentos no parlamento, tempo de televisão e dinheiro do fundo partidário. Os seus defensores a apresentam como um antídoto contra os partidos de aluguel. A minha opinião é que há outras formas de desidratar as legendas de aluguel sem criar barreiras para que partidos de verdade, ainda que pequenos (como o PSOL), tenham o direito de participar do jogo. Lembremos que o maior partido brasileiro de hoje, o PT, quase foi vítima da draconiana cláusula de barreira da ditadura militar nas eleições de 1982. <br><br></p>

<p><img alt="paulo-teixeira.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/paulo-teixeira.jpg" width="316" height="237" /><br />
<em>Líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP)</em><br><br></p>

<p>6. <strong>Reeleição e mandato</strong>: meu problema com a reeleição não era o instituto em si, mas o fato de ele haver sido aprovado mudando as regras com o jogo em andamento, com o claríssimo propósito de favorecer o governante da época. Agora, curiosamente, muitos dos que apoiaram a manobra de então querem manobrar de novo, abolindo a reeleição e instaurando um mandato de cinco anos. Opinião pessoal: o Brasil é um país ainda bastante burocratizado. Boa parte das ações do Executivo passa por um calvário de estágios no Judiciário e no Legislativo. Quatro anos não é tanto tempo assim, e há uma ótima forma de se impedir a reeleição de alguém: que a oposição ganhe na bola, nas urnas. Três mandatos é demais, mas eu defendo a possibilidade de uma reeleição. Sou a favor da manutenção do sistema atual. </p>

<p>7. <strong>Coligações nas eleições proporcionais</strong>: é outra excrescência que tem que acabar. Nas eleições proporcionais brasileiras, combina-se o voto nominal, no candidato (permitindo-se também o voto em legenda), com um quociente eleitoral calculado não pelo partido, mas pela coligação. A porcentagem dos votos recebidos pela coligação determina o número de cadeiras daquela coligação no parlamento. É o pior de todos os mundos possíveis. Um Enéas, por exemplo, com seus milhões de votos, levou ao Congresso Nacional meia dúzia de parlamentares que haviam tido não mais que algumas centenas. Numa coligação como a que ocorreu em Minas Gerais no ano passado, você corre o risco de votar num Patrus Ananias e ajudar a eleger um Washington Salgado (pode-se argumentar que a culpa é do próprio PT, que escolheu coligar-se com o PMDB; é verdade, mas enquanto o sistema funcionar assim, os partidos agirão segundo os seus interesses). Cabe um alerta aos eleitores do PT: existe resolução do partido contra as coligações nas proporcionais. Fiscalize. </p>

<p>8. <strong>Financiamento</strong>: aqui, impõe-se outro alerta aos eleitores do PT: depois de exaustiva discussão, o partido tirou resolução pela defesa do financiamento exclusivamente  público das campanhas eleitorais, com distribuição de recursos proporcional à representatividade nas urnas. É obrigação dos parlamentares do PT sustentar essa posição (sim, cada um é livre para ter sua opinião, mas uma vez que a maioria decidiu qual é a posição do partido, é tarefa de todos os representantes defendê-la; do contrário, que se decrete a abolição dos partidos). O financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais é bandeira difícil de se defender. Com o descrédito da política, ganha terreno o argumento de que “não há que se dar dinheiro público a esses políticos safados”. O que acontece, claro, é que a “safadeza dos políticos” não vem da jabuticaba nem do clima tropical, mas de um sistema que favorece a promiscuidade entre o financiador e o representante popular. Há que se argumentar que, a longo prazo, o financiamento privado custa muito mais caro aos cofres do país, ao estimular a corrupção e o caixa dois (é verdade que o financiamento público não resolve tudo, e crimes eleitorais continuarão acontecendo; mas ele inibe bem a coisa). Tome-se, como exemplo, um único caso: a lista dos parlamentares <a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/planos-de-saude-ajudaram-na-campanha-de-75-candidatos-eleitos">financiados por planos de saúde</a>. A quem pertencerá o mandato desses representantes? Qual é a outra forma de coibir, por exemplo, o poder das empreiteiras ante o estado brasileiro? Pra não falar dos bicheiros, traficantes, milicianos e igrejas. </p>

<p><br />
&&&&&&&&&&&&</p>

<p><br />
9. <strong>Sistema eleitoral</strong>. Aqui, sem dúvida, é onde ocorrerá a maior briga de foice. Repasso abaixo algumas das propostas que estão na mesa:</p>

<p><strong>Voto distrital</strong>: transforma a eleição legislativa de proporcional em majoritária. Pressupondo-se que o número de deputados permanecesse o mesmo, o país seria dividido em 513 distritos e em cada um deles seria eleito apenas o mais votado. O sistema é defendido, em geral, com o argumento de que os representantes ficariam mais “próximos” do eleitor. Este blog acredita que o argumento é uma balela.  A “proximidade” do político com o cidadão dependerá da representatividade dos partidos e do funcionamento dos mecanismos próprios à democracia, não da extensão geográfica do universo eleitoral. Partidos como o PSOL ou o PcdoB, que não são majoritários em lugar nenhum, mas existentes em todos e importantes em vários, seriam bastante prejudicados. O voto distrital cria brutais distorções num princípio básico da democracia, que é a <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/11804/representacao-proporcional-e-sistema-de-partidos">proporcionalidade</a>. No Reino Unido, que utiliza o sistema distrital puro, o Partido Liberal Democrático obteve, em 2010, 23,1% dos votos e conquistou apenas 8,76% das cadeiras. Na eleição de 1974, incrivelmente, os liberais obtiveram 16,3% dos votos, mas só 2,2% das cadeiras. Um dos mecanismos de engessamento da democracia estadunidense num bipartidismo cada vez menos representativo é justamente o voto distrital, que dificulta o surgimento de uma terceira alternativa. Para piorar, o voto distrital favorece a prática conhecida como <em>gerrymandering</em>, o desenho de distritos geograficamente estapafúrdios, feitos para inflar, de forma artificial, a representação de um determinado grupo político. Numa democracia como a brasileira, seria um prato cheio para as oligarquias. <a href="http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/ricardo-berzoini-e-athos-pereira:-o-golpe-do-voto-distrital-43871.html">Neste texto</a> você encontra uma explicação mais detalhada dos problemas do sistema distrital. </p>

<p><strong>Distritão</strong>: É a proposta que está transitando dentro do PMDB. As raposas, evidentemente, <a href="http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2011/fevereiro/lista-fechada-e-voto-distrital-dividem-pt-e-pmdb">não vão se entregar</a> sem luta. O distritão transforma a representação parlamentar em matéria puramente pessoal, individual. Se o estado de Minas Gerais tem direito a 53 cadeiras na Câmara, seriam eleitos os 53 candidatos mais votados, independente do partido. É claro que os partidos mais coesos e programáticos (ou seja, aqueles que são partidos de verdade) ficam prejudicados: seus votos se dividem entre candidatos que defendem o mesmo programa, que fica assim subrrepresentado no parlamento. É o projeto que mais favorece a personalização da política. Faço meus <a href="http://sergyovitro.blogspot.com/2011/02/distritao-uma-ideia-que-piora-os-vicios.html">todos os argumentos de Fernando Abrucio</a>: o distritão piora todos os vícios da política brasileira. </p>

<p><strong>Voto proporcional em lista preordenada</strong>: é a proposta defendida por este blog. Cada partido teria direito a um número de assentos proporcional aos seus votos. No caso de um partido ter direito a 20 cadeiras, seriam eleitos os 20 primeiros de uma lista pré-determinada pelo próprio partido. O eleitor vota numa proposta partidária, num projeto político. Desfulaniza-se a eleição. Lembremos que o voto em lista é a única possibilidade de se estabelecer o financiamento público de campanhas eleitorais, já que não há hipótese de o Estado sair distribuindo dinheiro a indivíduos que se candidatem. Lembremos também que várias pesquisas já demonstraram que, no Brasil, uma parcela enorme do eleitorado não se lembra de qual foi o deputado ou vereador que recebeu o seu voto. O argumento comumente usado contra o voto em lista é de que ele favoreceria os manda-chuva de cada partido, que organizariam a lista a seu bel prazer. O contra-argumento é simples: junto com o voto em lista, pode se aprovar também a obrigatoriedade de prévias para a definição da ordem dos candidatos. Concedo que isso não cancelaria, por si só, o poder das burocracias partidárias (é ingenuidade achar que ele será completamente eliminado, em qualquer sistema), mas o voto em lista é o que mais politiza e estimula a participação na vida interna dos partidos. Usam o sistema de voto em lista Argentina, Espanha, Portugal, Israel, Bélgica, Holanda, Noruega e África do Sul, entre outros. Os países de sistema distrital misto, que combina o voto distrital-majoritário com o proporcional, <a href="http://www.flc.org.br/revista/materias_view.asp?id={50097250-D800-4C6C-AA4D-068E18E4C904}">também usam</a>, para este último, <a href="http://medidasdascoisas.blogspot.com/2009/05/reforma-politica-lista-fechada.html">a lista preordenada</a>. </p>

<p>Este post ficará em destaque durante alguns dias. O blog deixa o convite a que você leia os textos linkados, com calma, e dê o seu pitaco. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/comeco_do_governo_dilma_2_parte_guia_da_reforma_politica.php#comments" title="Comente Começo do governo Dilma, 2ª parte: Guia da Reforma Política">71 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(aiaiai :: 
mar 10, 2011 11:33 AM)

A principio concordei com tudo. Acho que vou ler com mais tempo e também ler os links para comentar sobre cada caso. De cara, acho óbvio o item 1 - é ridículo marcar a posse para dia 01 de janeiro. Até para os cidadãos poderem comparecer. Eu não fui a posse da Dilma porque não queria passar ano novo longe do meu filho...
Outra óbvia é o fim das coligações nas proporcionais - odeio. Votei na minha candidata de sempre, em quem confio e com quem compartilho interesses. Ela foi ser ministra (o que foi ótimo, é claro), mas me deixou totalmente sem representação na camara federal. O deputado q ocupou a vaga dela não teria meu voto nunca.</p>
<p>(bacana :: 
mar 10, 2011 11:45 AM)

Minha impressão é que o financiamento público vai estimular - e muito - o caixa dois. A tal empresa de seguros de saúde vai pagar por fora, e ser beneficiada na surdina. Portanto não vejo a menor vantagem no financiamento público de campanha.</p>
<p>(Luca :: 
mar 10, 2011 12:01 PM)

No geral. concordo com os argumentos e com seus comentários. É fato que nem todos vão resolver os problemas, mas o importante é que sejam, a princípio, critérios corretos e adequados à realidade brasileira. Poderão ser driblados, etc? Sim, mas aí é outro problema. Sou favorável ao financiamento público e sempre defendo que é mais barato para o eleitor/contribuinte. E também já me ocorreu que o financiamento público não vai acabar com o caixa dois. Acho que, mudadas as regras, a punição deveria ser mais dura.</p>
<p>(<a href="http://www.donrobalo.com.br" rel="nofollow">André Monnerat</a> :: 
mar 10, 2011 12:01 PM)

Li a defesa do Chico Alencar da posição que creio ser a do PSOL sobre o sitema de voto. Não seria exatamente o sistema de voto proporcional com lista fechada, mas uma solução intermediária que, ele diz, é usada na Bélgica. Conhece bem esta opção? O que acha dela?</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011 12:17 PM)

Oi, André, esse é um sistema de voto em lista que inclui a opção de que o eleitor vote também para alterar a ordem em que estão colocados os candidatos dentro da lista. Você continua votando no partido, mas pode exercitar o seu direito de votar num indivíduo também. Num dos estudos que linkei aí acima--já não me lembro qual--, há dados acerca de como é raro que os eleitores exercitem essa opção. 

Eu não me oporia a ela necessariamente, mas parece que o impacto prático dessa medida, nos lugares em que foi adotada, é mínimo. Se o voto é em lista (mesmo que "aberta"), a esmagadora maioria dos eleitores tende a votar só no partido mesmo. 

Pelo menos é o que entendi do que li até agora. Se eu estiver errado, alguém me corrija aí. </p>
<p>(<a href="http://educarparaomundo.wordpress.com" rel="nofollow">Deisy Ventura</a> :: 
mar 10, 2011 12:23 PM)

Voto distrital, aqui, seria um revestimento chic para o curral eleitoral.

E este post será a cereja sobre o bolo da minha aula de segunda-feira. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011 12:27 PM)

Luca, eu concordo contigo. Se formos pensar em reforma já imaginando que a lei será descumprida, não fazemos nada. É a resposta que o Paulo Bernardo tem dado quando perguntam a ele sobre a proibição de que políticos sejam donos de estações de TV ou rádio (proibição que ele defende). Retrucam que o político usaria laranjas. 

Ora, aí já não é problema do Ministério das Comunicações. O uso de laranjas já é tipificado como crime. Cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal investigar, se for o caso. O que não dá é para renunciar às regras que achamos melhores porque pensamos que elas não serão cumpridas. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011 12:28 PM)

Minha jurista favorita comentou enquanto eu respondia um comentário :-) </p>
<p>(<a href="http://www.donrobalo.com.br" rel="nofollow">André Monnerat</a> :: 
mar 10, 2011 12:30 PM)

Eu não li mesmo sobre o uso da opção "aberta" pelos eleitores, apenas sobre a mecânica da coisa. Mas achei bom para o sistema e para os eleitroes, ao menos em teoria, que se dê esta opção. 

De modo geral, concordo com as suas colocações no texto. Mas o que citei antes, publicado no site do Chico, toca em pontos que este seu não toca e que acho que seriam muito importantes para uma boa reforma política: a correção das distorções de representatividade na Câmara e a função do Senado. 

O link, pra quem quiser ler, é esse aí: http://www.chicoalencar.com.br/_portal/noticias_do.php?codigo=453</p>
<p>(Renata Lins :: 
mar 10, 2011  1:01 PM)

Depois comento com mais calma. Por enquanto, só pra deixar aqui marcada a defesa do voto obrigatório. Cidadania também é isso: direito e dever. E só existe alguma possibilidade de avançar na democracia se todo mundo se envolver nisso. A liberdade de não votar é uma pseudo-liberdade, já que os governantes vão influir na sua vida, quer queira quer não. Não se sente representado, vote nulo. Em protesto. E aí, acho que há sim uma mudança a ser feita: os "votos válidos" deveriam ser todos, para que haja de fato a possibilidade de se anular eleição no caso de "nulos + brancos" ficarem acima de determinado percentual.</p>
<p>(joaonildo51 :: 
mar 10, 2011  1:25 PM)

Em princípio agradeço as informações prévias e neste assunto quanto mais informações melhor.

Propostas como VOTO DISTRITAL PURO encaixam melhor em países menores e no sistema parlamentarista de governo.

O assim chamado DISTRITÃO com eleiçaõ dos mais votados ,favoreceria enormemente as oligarquias e estruturas regionais de poder, principalmente se mantidas as atuais regras de financiamento de campanha.

As regras de proporcionalidade representam grande e indesejável distorção da vontade do eleitor uma vez que um "puxador de votos" traz consigo representantes eleitos com votaçaõ inexpressiva.

Por fim, a melhor opção,no nosso entendimento atual, é o VOTO DISTRITAL MISTO com financiamento público de campanha, lista aberta com obrigatoriedade de filiaçaõ e fidelidade partidária além de uma distribuiçaõ criteriosa da geografia dos distritos. 
João Nildo Bezerra    </p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
mar 10, 2011  2:37 PM)

Idelber,

você deixou no ar, e concordo que não é a discussão principal, mas você conhece alguma proposta, para além da cláusula de desempenho, para evitar/acabar com legendas de aluguel?

Abraço,</p>
<p>(André Mattana :: 
mar 10, 2011  2:57 PM)

Felipe,
não é uma solução final, mas o fim das coligações nas eleições proporcionais já enfraqueceria as legendas de aluguel.
No sistema atual, pequenas legendas se aliam a partidos maiores, dando a eles tempo na tv e no rádio, e em troca as regras da coligação sobre-representam esses pequenos partidos na câmara.
Só para se ter uma idéia do impacto que as coligações têm: Os três maiores partidos (PT, PMDB e PSDB) na eleição passada transferiram 62 cadeiras a seus aliados de coligação.
E o sistema se reforça, pois além das cadeiras também são transferidos fundos partidários e tempo de tv para as próximas eleições, que virarão moeda de troca a realimentar as legendas de aluguel.</p>
<p>(Dimitri Brandi de Abreu :: 
mar 10, 2011  2:59 PM)

Excelente post, Idelber, espero que estimule o debate. 

Há dois questionamentos que gostaria de fazer:

1) O sistema de "lista partidária aberta" é muito semelhante ao que vigeria no Brasil, hoje, se não houvesse coligação nas eleições proporcionais. Votamos primeiro no partido (dois primeiros dígitos) e depois dizemos qual dos candidatos da lista é nosso preferido (demais números). Até na urna eletrônica é isso que é sugerido, aparecendo primeiro o nome do partido e só depois o do candidato. Por exemplo, se vou votar no candidato cujo número é 1399, estou primeiro votando no PT (13) e depois escolhendo qual dos candidatos do partido prefiro (99).

2) Quanto ao financiamento público, este seria restrito à campanha ou também limitaria os partidos? Ou seja, os partidos políticos ficariam proibidos de receber doações? Como ficaria o modelo adotado pelo PT, que se financia pelas contribuições do filiado? Se o partido puder receber doações privadas, de nada adianta o financiamento público da campanha, pois a compra de interesses continuaria, ainda mais se pensarmos que a ideia da reforma política deve ser o fortalecimento dos partidos em detrimento do individualismo e da fulanização da política. 
 </p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
mar 10, 2011  3:19 PM)

André,

é que aqui no Paraná já ocorreu um caso bizarríssimo - não sei quão comum é no resto do país - de uma legenda de aluguel fora da coligação. Não lembro qual era o partido, mas ele tinha candidato próprio ao governo do Estado nas eleições de 2006. Este candidato utilizava todo o seu tempo de mídia e seu espaço nos debates para atacar exclusivamente o candidato Osmar Dias; principalmente no tocante a uma fazenda que Dias teria em Goiás, fruto, teoricamente, de alguma negociata que Requião alardeava. Por outro lado, o tal candidato puxava o saco do Requião a olhos vistos. Era desgraçadamente cômico o seu papel...

</p>
<p>(Igor :: 
mar 10, 2011  3:59 PM)

Sobre o voto obrigatório sugiro esse texto do Paulo Moreira Leite.

</p>
<p>(Mateus Araújo (Meteste) :: 
mar 10, 2011  5:41 PM)

Eu já falei que em linhas gerais eu sou contra a Reforma? Acho muito que a tendência é piorar.

1 - Apesar de eu gostar da posse no dia primeiro, acho que um dia ou outro, tanto faz. E não concordo com o argumento da perda de prestígio, me parece mais ao contrário, uma demonstração de prestígio.

2 - Vamos colocar o que no lugar? Entra o terceiro colocado? Em algumas eleições costuma ser um cara que não teve nem 1% dos votos. Acho curioso quantas pessoas são favoráveis à lista fechada para Deputado e contrárias para Senador.

3 - Não há o que discutir.

4 - Essa é a primeira das questões dependentes de resultados. Da pra colocar um "e se" para cada hipótese. Simplesmente não existem dados e pesquisas suficientes para se concluir o que vai acontecer. A minha hipótese, que eu testaria se minha pesquisa fosse sobre esse assunto, é a de que o voto facultativo iria fazer com que quem tem mais interesse nas eleições votasse e que quem tem menos parasse de votar. Suspeito que pessoas que vendem o voto sejam as que têm maior interesse em votar.

5 - Sou contra e não acho que essa seja uma questão dependente de resultados. Os partidos, pequenos ou grandes, de aluguel ou comprados, todos têm o direito de disputar o jogo, senão deixa de ser democracia. Mesmos argumentos contra o Ficha Limpa, o povo tem que ter o direito de eleger os corruptos que têm o direito de serem eleitos, mas não de praticar corrupção.

6 - Perfumaria total. Mas é também uma questão dependente, nós simplesmente não sabemos o que vai acontecer.

7 - Concordo. As coligações são complicadas demais, primeiro por que prejudicam a igualdade do jogo, já que alguns partidos pequenos terão melhores chances que outros ao fazer coligação, o PSOL, por exemplo, que encara a disputa sai sempre prejudicado por isso, a Luciana Genro, por exemplo, seria eleita em qualquer coligação. Além disso, provocam distorções entre votação, eleição e parlamento, já que as coligações eleitorais podem não corresponder a coalizões parlamentares.

8 - Não sei se o financiamento deve ser público, o que me parece que é mais problemático aqui é a desigualdade, já que alguns candidatos ou partidos têm muito mais recursos do que outros, prejudicando a competitividade do jogo, por outro lado, o financiamento público proporcional me parece também desigual e segregador (quem tá fora quer entrar mas quem tá dentro não sai). O financiamento igualitário, ou um teto seriam mais adequados. Não vejo por que a riqueza de alguém, ou a quantidade de votos de um partido nas eleições anteriores deva aumentar suas chances de ganhar as próximas eleições.

9 - Aí entra a parte mais dependente dos resultados, e aqui temos problemas não apenas institucionais. O voto distrital pode até não apresentar distorções entre votação e eleição, mas não é a isso que ele se propõe, portanto me parece ser o pior sistema. O distritão não é uma proposta, é uma safadeza, mas se temos que levar a sério, ele favorece a distorção entre eleição e parlamento, uma vez que o deputado eleito sozinho não tem motivo nenhum para se manter fiel ao partido, ou à plataforma pela qual foi eleito. Além disso, essa proposta é claramente incompatível com a fidelidade partidária, já que não tem por que um deputado que foi eleito por suas próprias forças perder o mandato para um partido. A lista preordenada tem esse problema sobre a definição da lista, parece que apenas o PT e o PSOL teriam estrutura hoje para funcionarem democraticamente nesse sistema, mas ainda assim, eu imagino a loucura que seriam as convenções do PT e suas 127 correntes internas querendo cada uma colocar pelo menos um candidato entre os 10 primeiros. Pode ser que dê certo, e o PT funcione e cresça em função de sua maior democracia interna, e que com o tempo os outros partidos se adaptem, mas falta informação para saber o que de fato iria acontecer.</p>
<p>(Henrique Rodrigues :: 
mar 10, 2011  5:45 PM)

Dois pitacos: 1) Quanto à fidelidade partidária, só se os partidos também forem fiéis aos seus programas. Ou seja: a reforma deveria incluir regras claras para a definição dos estatutos dos partidos, do contrário, filiados ficarão reféns dos casuísmos de quem controla a burocracia partidária. Vejam, por exemplo, o constrangimento que a Erundina pode sofrer em São Paulo com o ingresso do Kassab no PSB. Caso Erundina abandone o barco, quem estaria sendo infiel, ela ou o Partido? 2) quanto ao voto em lista, não acho bom minimizar os riscos de fortalecimento de quem controla a máquina burocrática dos partidos. Resumindo: vale para este ponto o mesmo que sugeri no anterior.
Abraços,
Henrique.</p>
<p>(Pedro Daltro :: 
mar 10, 2011  5:49 PM)

"O que acontece, claro, é que a “safadeza dos políticos” não vem da jabuticaba nem do clima tropical, mas de um sistema que favorece a promiscuidade entre o financiador e o representante popular."

Ah tá, então quer dizer que a safadeza do mensalão não tem a ver com o caráter repugnante de tucanos e petistas que se lambuzaram com o dinheiro público roubado. é culpa do sistema. Vai ver o sistema colocou uma arma na cabeça dos indefesos políticos e eles foram obrigados a roubar...</p>
<p>(Anarquista Lúcida :: 
mar 10, 2011  6:38 PM)

Concordo com tudo, mas com as mesmas ressalvas que o Henrique (#18) colocou. É preciso que haja exigências de fidelidade ao programa tb da parte dos partidos, e exigência de prévias. Se os membros de um partido nao tem condiçoes de controlar a burocracia partidária, que sofram entao os efeitos disso... Faz parte da espécie de partido que escolheram... 

Agora, sou contra a lista aberta, porque aí continuaria cada candidato na guerra para obter financiamento pessoal, e os custos de campanha seriam muito maiores, e sem nítido caráter partidário: seria uma defesa de um nome, nao das idéias constantes de um programa. O financiamento tem que ser ao partido, e a campanha uma defesa dos pontos do programa do partido. Que os vários candidatos disputem internamente, para serem referendados pelas prévias partidárias. </p>
<p>(<a href="http://outrascoisaseafins.wordpress.com/" rel="nofollow">Paulo Soares</a> :: 
mar 10, 2011  7:24 PM)

Outro argumento a favor do voto obrigatório é a legitimidade que a quantidade de eleitores dá ao pleito.

Explico, imaginemos que numa dada eleição com voto facultativo compareçam menos de 50% das pessoas em idade de votação (acima de 16 anos). Num país como o nosso, onde a flor da democracia ainda é jovem e o golpismo ainda é uma opção política para muitos, seria fácil questionar a legitimidade dos eleitos e tentar derrubá-los com base nessa premissa.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011  7:54 PM)

Oi, André (#9): 

Claro, claríssimo, eu fecho com o Deputado Chico Alencar--e muitos outros--na proposta de se corrigir as distorções de representação dos estados na Câmara. 

Pra quem não se lembra: hoje, há um limite mínimo de 8 cadeiras e um máximo de 70 para cada estado, independente da população. Isso cria uma distorção na qual um deputado de São Paulo representa 580.000 eleitores, e um deputado de Roraima representa 51.000. Claro que isso é uma afronta ao princípio da proporcionalidade. 

O pacto federativo é representado pelo Senado. A Câmara deve ser estritamente proporcional. </p>
<p>(Newton :: 
mar 10, 2011  8:10 PM)

Idelbar
Você,surpreendentemente, ocorre no mesmo erro dos que querem acabar com o voto de legenda. 
Os votos do Enéas, não elegeram deputados com baixa votação por causa da coligação. Os votos foram do Prona, isto é são votos de legenda. Combater os votos do Enéas ou do Tiririca e combater o voto de legenda.
Nós devemos começar a gritar que o voto de legenda é intocável, qualquer coisa menor do que o voto de legenda e um imenso retrocesso.
O que devemos é esclarecer a população que hoje eles não votam nas pessoas e sim na legenda. Cabe a nós do lado da esquerda fazermos isto.
Se não avançarmos para o voto em lista partidária, que pelo menos mantenhamos o voto de legenda, uma herança da ditadura que não sabia muito bem o que estava fazendo quando o implantou </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011  8:18 PM)

Newton, caríssimo, eu não disse que foram as coligações nas proporcionais que elegeram a turma do Enéas com 200 votos. Eu sei que eram votos do Prona. O que estou dizendo é que a combinação entre voto nominal e coligação nas proporcionais nos dá o pior dos mundos possíveis. 

Enfim, estou contigo, voto em lista. Se for aprovado o voto em lista, por definição ele será na legenda. Mas a batalha não será fácil, você sabe, né? </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011  9:26 PM)

Há bastante coisa nos comentários, e vou tentar ir respondendo no meu ritmo atual, tranquilo. 

Renata (#10), estou contigo. Sou a favor da obrigatoriedade do voto e acho que deve ser criado algum mecanismo para incorporar ao processo o impacto dos votos nulos e brancos. </p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 10, 2011 10:33 PM)

"Propostas como VOTO DISTRITAL PURO encaixam melhor em países menores e no sistema parlamentarista de governo."

Pelo contrário. É justamente em países grandes com unidades territoriais grandes que o voto distrital puro é mais interessante. Em São Paulo, por exemplo, a quase totalidade do interior e dos subúrbios pobres da capital são subrepresentados(Mesmo tendo cerca da metade da população).

O Berzoini não quer voto distrital justamente porque quem comanda o PT só está lá por causa da representação distorcida que conseguem por causa da capital. No voto distrital, você teria o partido dividido entre os prefeitos, em especial gente como Cido Sério(Araçatuba) e Jamil Ono(Andradina) tendo mais poder que Marta Suplicy, que entregou duas eleições de mãos beijada aos tucanos.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 10, 2011 10:46 PM)

O que os defensores das atuais reformas partidárias não explicam é o seguinte:

1-) O Brasil é um país heterogêneo, aonde você teria que equilibrar os interesses de regiões densamente povoadas com de vastas regiões rurais. Também tem vários estados que são maiores que muitos países. Nenhuma destas propostas TOCA neste ponto.

O único país continental de grande população que adota o voto proporcional tirando o Brasil é a Indonésia. Todos os outros(India, Mexico, Estados Unidos) adotam uma versão ou outra do voto distrital.

2-) O nível de identificação do brasileiro com partidos tende a ser fraco para dedéu. Ironicamente, quanto mais forte for o partido(O que permite um controle maior por parte da cúpula) maior a dificuldade para se obter a identificação.

De qualquer modo, não consigo ver nenhuma justificativa para lista partidária que não seja golpe.

3-) Eu confesso que não sou cientista político nem acadêmico na area, e sou mais um poser e political junkie. Mas gostaria que me indicassem os autores que apontam sobre a necessidade de partidos fortes numa democracia.

Esses dois comentários de fato são mais agressivos que deveriam ser, mas não são flame war. Só apontamentos e alguns questionamentos.</p>
<p>(<a href="http://guaciara.wordpress.com/" rel="nofollow">Tiago Mesquita</a> :: 
mar 10, 2011 11:35 PM)

André,sobre os sistemas partidários, vale ler o Adam Przeworski da NYU e o texto do  Erik Olin Wright. Aqui no Brasil, o professor Fernando Limongi (que é contra a reforma eleitoral) e o professor André Singer tem teses diferentes da que você apresentou sobre a identificação partidária. Aliás, eles defendem a existência dessa identificação.
Não sei também se sou favorável a uma reforma eleitoral, mas se fosse proposto o voto em lista, não sei se temeria tanto. Embora seja verdadeiro o risco de burocratização, acho que os partidos tendem a criar estruturas internas pra conter isso. Todos os partidos de países com lista fechada têm uma vida interna intensa. 
</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011 11:45 PM)

Caro André, de forma nenhuma eu tomaria seus comentários como flame war. São sempre cheios de conteúdo. 

Mas eu não acredito que você defenda voto distrital! Os EUA nitidamente agonizando num bipartidismo engessado, cada vez mais distanciado do movimento real da pólis, e você propõe que abracemos isso? 

Olha, temos que pensar no que queremos dizer com "representação". Eu sou da Zona Leste de Belo Horizonte. Jô Moraes, a deputada em quem voto, também é. Mas esse detalhe é absolutamente marginal para a minha escolha. Eu nem sabia disso quando comecei a votar nela. Eu voto nela porque ela representa o projeto, os valores, a prática que eu quero ver expressos no Congresso. Essa história de que "Pindamonhangaba não está representada no Congresso Nacional" é bobagem, se partimos de um conceito de representação enfocado nas políticas e nos programas, e não nas picuinhas geográficas. Para isso existem as Câmaras de Vereadores. </p>
<p>(Arthur :: 
mar 11, 2011 12:16 AM)

Idelber, 

Sempre que se discute financiamento público de campanha alguém se levanta para dizer que isso só gerará mais caixa 2. Acho importante contrapor esse argumento porque ele é totalmente falso.

Creio que a raiz desse argumento contra o financiamento público de campanha reside na constatação que a Justiça Eleitoral e o Fisco são incapazes de coibir o caixa 2. Até aí, tudo bem. É verdade mesmo que nenhuma dessas duas instituições é capaz de realizar essa fiscalização de forma satisfatória. 

Mas o que muitos se esquecem é que quem primordialmente fiscaliza os candidatos não é a Justiça Eleitoral e o Fisco e sim os próprios concorrentes. Qualquer um aqui que já participou de alguma eleição de DA ou DCE sabe que isso ocorre e muito. Concorrentes tentam anular chapas, impugnar urnas etc. 

Aí vale imaginar como seria essa fiscaização entre 'pares' caso fosse instituído o financiamento público e os candidatos tivessem agora condições financeiras similares. Certamente surgiria uma intensa fiscalização entre os candidatos aos cargos eletivos. Isso faria qualquer candidato a deputado que sair visitando dezenas de cidades de helicóptero e cooptando financeiramente dezenas de lideranças locais ser alvo de vários processos e denúncias midiáticas por parte dos seus concorrentes o que, por sua vez, coibiria o caixa 2. 





 </p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
mar 11, 2011 12:24 AM)

Pois é, Idelber, eu ia dizer bem isso quanto à crítica do André. Eu creio que a Constituição já contemplou suficientemente a representação geográfica quando incluiu (em termos) Municípios no pacto federativo. Já gastei litros de cerveja com um amigo defensor do voto distrital que continua martelando nessa cantilena do "sentir-se representado". Segundo ele, é o parlamentar do lugar que conhece os problemas da região. Mas esse argumento esbarra no conceito ou ideia de lei e, por conseguinte, de legislador: lei é comando geral, o menos casuísta possível, o menos bairrista possível. Para isso, o que importa são sim as ideologias. Agora, vai perguntar quais são os problemas da região que deviam preocupar o "representante" na visão dele: uma estrada aqui, uma escola ali, saneamento acolá etc. etc. Pois é, tudo coisas do Executivo, para o qual já há uma espécie de 'voto distrital' majoritário, o para prefeito. Se parlamentar, tirando o vereador, pode contribuir, é sempre na base da emenda orçamentária, que passa ao largo da função principal do Legislativo e que é um instrumento muito questionável da nossa política.

Porém, eu acho que a preocupação do André quanto a centros e periferias são bastante importantes. Depois do maciço êxodo rural das últimas décadas, e da concentração das facilidades públicas - notadamente as de ensino superior, de comunicação, e as especialidades médicas - em poucas cidades, nós do interior nos ressentimos muito de um certo descaso dos centros, de uma necessidade de interiorizar o 'progresso', digamos assim irrefletidamente. Por isso acho que o voto distrital tem um apelo bem forte nesses rincões. Ocorre que não me parece ser este o remédio, posto que interiorizar tais facilidades continua dependendo de uma política geral, de uma visão que não deixa de ser ideológica, como o próprio programa Luz para Todos. Isso não é problema de uma região que precisa se sentir representada, e sim do interior como um todo; e até mesmo das próprias concentrações urbanas centrais, que padecem dos problemas que todos nós já conhecemos.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 11, 2011 12:27 AM)

Idelber

Eu conheço bem o interior e a Grande São Paulo. Eu moro bem no meio da Grande São Paulo Estendida, já trabalhei em vários pontos dela, e como fotográfo amador conheço vários pontos do interior. Quase ninguém vota nestes lugares para deputado por motivos quase que ideológicos, mas sim tentando obter uma representação para a sua cidade. 

É uma distorção horrenda do distrito, que é o curral eleitoral, basicamente porque o pessoal destes currais fica refém dos deputados que elege, porque corre o risco de ficar sem deputado nenhum. Em muitos lugares as lideranças regionais dos partidos para eleger deputados simplesmente inibem ao máximo a candidatura por um partido. Foi esse método do blocão que mandou o Luis Fernando Machado, uma figura sem expressão nenhuma para Brasília.

E o ponto não é Pindamonhangaba ficar sem representação, mas regiões muito pobres dos estados maiores. A Linha Francisco Morato-Luz da CPTM não seria uma das únicas linhas do trem metropolitano que ainda usa composições antigas se essa região tivesse deputado.

É elitismo achar que estas questões "geográficas" são irrelevantes porque isso envolve questões economicas, transportes, etc.

Eu pessoalmente trocaria sem pestanejar o sistema americano(Mesmo com gerrymandering e os distritos com tamanhos claramente defasados, o que poderia ser corrigido se isso fosse implantado no Brasil) com o sistema brasileiro, aonde eu não tenho forma de pressão alguma com o deputado(Eu nem sei quem contactar se tenho problema). De qualquer forma, mesmo distritos com muitos deputados seria bem melhor porque daria um equilíbrio de poder a estados grandes com regiões metropolitanas grandes. Inclusive porque o deputado não deve representar apenas quem vota nele. Isso é insano.

Por fim, acho que os dois partidos americanos funcionavam melhor quando os partidos em si eram fracos. A caminhada do partido Republicano rumo ao hospício, como diz o Bill Maher, começou com a derrocada dos Rockefeller Republicans e os Democratas Conservadores ajudavam a dar um toque de equilíbrio e mais populista aos democratas.</p>
<p>(Fábio Carvalho :: 
mar 11, 2011 12:27 AM)

Lista preordenada, ah, não mesmo. 

Para citar um único exemplo, José Genoíno. Julgando que sua corrente, majoritária, reservou-lhe o disputadíssimo número 1313, acho que ele seria o primeiro da lista do PT de São Paulo: eleito com 92 mil votos.

Minha decepção com o Genoíno é das maiores. E não é porque ele assinou os papéis que ele disse não ter lido. É coisa da maior desonestidade cívica e parlamentar. É de embrulhar o estômago.

Depois do episódio do mensalão, como todos sabem, ele deixou a presidência do PT e requereu aposentadoria como ex-parlamentar(um privilégio que ele mesmo votou para extinguir, sendo uma das mais contundentes vozes da época) porque, pasmem, tinha direito adquirido. 

Entenda-se: ele era parlamentar antes de o Instituto de Previdência do Congresso ser extinto. Alegou, pobrezinho, dificuldades financeiras. Benefício mensal de R$ 8 mil. Diário Oficial da União, 5/08/2005, seção 2, página 30.

Dinheiro legal. Superlegal. Fizeram bem, muito bem, os paulistas que não reelegeram Genoíno.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 11, 2011 12:32 AM)

Município é conceito do Executivo, meu ponto é no Congresso. A subrepresentação de várias regiões pobres é perversa.

E se querem saber, defendo voto distrital para se ter um voto mais ideológico. Quero ver um deputado eleito num distrito em Alphaville que vai defender impostos mais altos, quero ver deputado eleito em Francisco Morato defendendo a rede de serviços sociais mais ampla possível.

Atualmente, o que você tem é um Congresso apático, com deputados dependendo de currais sem grande ideologia(Note-se o forte tamanho da UDR, um grupo que defende abertamente grandes proprietários de terras). Aliás, em termos de representação por etnias e gênero nosso Congresso é uma vergonha.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 11, 2011 12:33 AM)

Está ficando bom o debate. Parei por hoje, para assistir às finais regionais do basquete universitário (em esportes, eu no voto distrital!), mas amanhã volto com bastante calma, porque ainda tenho muito a responder por aqui. </p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
mar 11, 2011 12:49 AM)

André, Município não é conceito de Executivo, porque tem poder Executivo (Prefeitura) e Legislativo (Câmara dos Vereadores). É uma espécie de unidade federativa, só que sem representação no Senado e sem Judiciário (mesmo assim, é como ente da federação que a Constituição trata o Município). Seu ponto é no Congresso, o meu também: por isso falei de leis. Os problemas que você traz são de execução - ou seja, do Executivo. Quanto a saber para quem reclamar, prefiro saber que posso fazê-lo para qualquer parlamentar, do que ter a certeza de que a maioria não tem compromisso nenhum com a minha região simplesmente porque não é do meu distrito. Sem falar que esse saber a quem reclamar sempre vira saber a quem pedir favores, a quem reclamar uma vaga de cargo comissionado (ou mesmo concursado...), e por aí vai. Se o brasileiro não tem a prática do voto ideológico, precisa aprender a ter (bem como o partido precisa aprender a se organizar em torno de um programa), e não creio ser outra a maior razão de uma reforma política. </p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 11, 2011  1:03 AM)

Felipe

1-) Ter um "Legislativo" em nível municipal ao mesmo tempo que o prefeito faz o que der na telha(Os prefeitos pintam os prédios da cor dos seus partidos) é uma idéia insana. 

É outra jaboticaba que deveria ser abolida. Depois ninguém sabe porque Câmara de vereadores só aprova nome de rua e lei inconstitucional. Legislação não se faz num cantinho de terra.

2-) Você já tentou contatar algum membro do Legislativo? Contatar todos e contatar nenhum são a mesma coisa.

3-) Bem, em nenhum lugar do planeta as pessoas tem voto puramente ideológico. E sistema político se adapta a população, não o contrário. Se for assim, é melhor adotar o anarquismo de vez.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 11, 2011  5:47 AM)

Caro Dimitri (#14): 

Sobre seu ponto número 2: eu sou a favor da manutenção das doações privadas, mas sempre de pessoas físicas, não jurídicas, aos partidos. Também sou favorável a que se limitem essas doações a uma quantia determinada. Não descarto a possibilidade de ocorra corrupção, mas ela é bem menor. Em primeiro lugar, porque a própria limitação da quantia cumpre esse papel inibidor. Em segundo lugar, porque ao limitar as doações a pessoas físicas, você corta uma das artérias da corrupção, que é a troca de favores entre empresas e o poder pública. Em terceiro lugar porque, sendo  contribuições ao partido, e não aos indíviduos, a possibilidade de "comprar consciências", por assim dizer, fica muito mais remota. 

O problema mesmo é o financiamento de campanha. É ali que o bicho pega. Financiamento privado de campanha combinado com voto nominal dá o monstrengo que temos hoje. </p>
<p>(Valdir :: 
mar 11, 2011 10:45 AM)

Tem me chamado atenção que uma das principais desculpas/motivações dos partidos para fazer coligação é o tempo de tv. Não sei, mas parece algo bastante patético, uma democracia cujo centro na elaboração de parcerias partidárias é o tempo de tv. 
Isso dito, simpatizo com o voto em lista, mas seria preciso uma participação em massa na vida partidária, quase um tipo de democracia que não existe ainda no mundo, pra segurar ou pelo menos contrapor as burocracias partidárias. Mesmo o PSOL, principalmente o MES, tá caindo nessa verticalização na qual o PT, a meu ver, caiu faz tempo. Seria importante pensar propostas, além de prévias internas, para frear as burocracias já estabelecidas e incentivar novos quadros. 
Por fim, Idelber, discordo da caricatura que você fez do pensamento do Chico de Oliveira, no início do seu post. Entendi como uma reforçada retórica da sua parte, mas você sabe que não é bem "não há o que fazer" que o Oliveira está dizendo. Ele entende que as forças precisam marcar sua posição, demandar espaços nas instituições e, somente ao longo desse processo, haverá reforma política efetiva. É meio hegeliano, se não estou enganado. Eu não concordo, mas, enfim, é uma visão complexa, que precisa ser melhor contraposta.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 11, 2011 10:53 AM)

Caro Valdir, eu concordo que é uma caricatura, mas a caricatura foi feita por ele. Eu sou muito cuidadoso com aspas. O que eu coloquei entre aspas está dito na entrevista -- são as palavras exatas dele. E, como pode se ver pela sequência da entrevista, não são palavras que ele matize depois (de forma que não vale aquele argumento de que a citação está "descontextualizada"). 

Eu me assustei muito com essa entrevista. Porque me lembro bem de que Chico foi o coordenador do projeto de reforma política no Instituto da Cidadania em 2003. </p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
mar 11, 2011 11:22 AM)

Idelber, vc poderia falar um pouco sobre uma doença típica do voto distrital nos Estados Unidos: o unopposed incumbent.

Talvez isso ajude as pessoas a entender por que o voto distrital não aproxima as pessoas do "seu" deputado, muito pelo contrário.

Eu vejo tb que algumas pessoas tendem a rejeitar mudanças na legislação eleitoral porque percebem que elas podem ser manipuladas. É verdade. Não existe sistema eleitoral perfeito (como espremer a opinião de 100 milhões de pessoas num conjunto de quinhentos representantes, sem nenhuma distorção?), não existe conjunto de regras inviolável, e não nem nunca houve limites para a imaginação criativa de quem quer burlar a lei. O que há é sistemas eleitorais melhores e piores (melhores para uns e piores para outros, também, claro), conjuntos de regras mais e menos difíceis de violar, e polícias mais e menos eficientes.</p>
<p>(Rodrigo :: 
mar 11, 2011  1:41 PM)

O nome daquela gracinha de suplente de senador aqui por Minas é Wellington Salgado de Oliveira e não  Washington Salgado, como está no texto. Mais respeito com seus representantes,  mineiro  de Uberaba. risos.

abs.
Rodrigo</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 11, 2011  3:59 PM)

Confere, Rodrigo, obrigado! Caramba, é impressionante como não dá pra fazer nada de memória hoje em dia... </p>
<p>(Tiago Prata :: 
mar 11, 2011  4:30 PM)

Caro Idelber,
muito boa sua proposta de Reforma Política. Concordo com quase todos os pontos.
Porém, acho que voce se enganou ao relacionar Coligação Proporcional com a eleição do Enéas...
No caso dele, não houve coligação nenhuma. Ele teve 1 milhão e meio de votos, consegui fazer sei lá quantos coeficientes e levou outras pessoas do seu partido, sem coligação nenhuma com outra legenda.
O caso do Tiririca por exemplo foi diferente. Ele estava coligado com o PT e PCdoB(que coisa, hein!!!) e ajudou a eleger o Protógenes e outros que não eram de seu partido.

O voto em lista partidária pode ajudar a acabar com essas aberrações de Eneas, pois o voto não seria nele diretamente, e sim no partido.
Mas se não for pra passar voto em lista, que pelo menos continue do jeito que está, e de preferencia sem possibilidade de coligação nas proporcionais.
Mas o mais urgente mesmo, é o financiamento público!!!!</p>
<p>(<a href="http://euseiqvivoemloucautopia.blogspot.com/" rel="nofollow">João Vicente</a> :: 
mar 11, 2011  4:43 PM)

Ótimo post, também acho que a reforma política pode se tornar mais importante do que outras reformas como a tributária e a trabalhista (embora esta última acho que só precisa ser reformada a estrutura sindical para acabar com os ranços corporativistas que ainda existem, de resto, deveria fortalecer a CLT).
Mas eu acho que o debate já começa perdido pq só se discute mudanças e nada de atacar as bases do problema político brasileiro, numa séria repetição do mudar o mundo com uma lei. O que precisa se discutir no Brasil é o fortalecimento ou mesmo uma construção de cultura política entre a população, até para combater a crescente alienação da população, eu sei que as coisas só são do jeito que são hoje em dia por causa do ataque que os capitalistas fazem constantemente contra a classe trabalhadora, atacando sua solidariedade, incentivando sua alienação para não se organizar politicamente para não contestar o sistema de exploração, e de como eles compram todos os políticos para defender só seus interesses.
Obviamente não falo de se fazer uma revolução socialista ou comunista (embora seja a única maneira de resolver todas as contradições), mas num cenário sem revolução à vista, insistir em qualquer mudança sem cultura política vai fazer com que a democracia brasileira seja atacada, consigo ver num futuro não muito distante partidos como o PCB e o PSTU sendo extintos, por conta de cláusulas de barreiras, voto distrital, e principalmente o voto não obrigatório, que será monopolizado por grupos mais bem organizados que não os movimentos sociais a exemplo do que ocorre nos EUA, o risco de supremacia da direita conservadora e proprietária ser os únicos com representantes só crescem. </p>
<p>(<a href="http://twitter.com/raphaelperico" rel="nofollow">Raphael</a> :: 
mar 11, 2011  5:00 PM)

Eu sou um pouco extremado nesta discussão, visto que acredito numa reforma política que mexa com alguns pilares de nossa esquizofrênica federação.

Li alguns comentários aqui, defensores do sistema distrital, e concordei com muitas coisas ditas. Primeiramente, acredito tbm que a maioria dos eleitores brasileiros vota num sistema "distrital subjetivo", isto é, naquele candidato de sua região, para que esta possa ser agraciada com obras e investimentos do governo federal.

E aí que está o problema basilar da reforma política, que pra mim deveria passar por uma reforma institucional. Nossos deputados e senadores servem como liberadores de emendas ao orçamento, não servem para debatar e pensar os problemas nacionais de forma concreta. Acredito que há, no Brasil, um federalismo "faz-de-conta", porque tudo tem que passar por Brasília, desde a construção de uma simples ponte, até a construção de estádios para a Copa do Mundo.

Não adianta mudar o sistema de eleição de deputados enquanto o pacto federativo brasileiro não for revisto. Pessoalmente, sou a favor do sistema distrital misto, que junta o voto em lista e o distrital (é isso, né), fortalecendo a dita proximidade entre o eleito e o eleitor, e ao mesmo tempo dando representatividade aos partidos.
Mas acho que nada isso adianta enquanto Brasília ter que decidir sobre a construção de um muro numa escola.

Meu radicalismo vai mais além: sou um defensor ferrenho do parlamentarismo. O presidencialismo, da forma que praticamos, deu certo, de uma forma ou de outra, somente nos EUA. Mesmo que venham falar que nossos representantes não valem nada, que não teriam capacidade e tal, acredito que esse sistema é mais realista, e fortalece de vez os partidos. A coalizão que tem maioria governa o país, e os deputados preenchem os ministérios e escolhem o primeiro-ministro.

Acredito que a máquina de governo tenderia a diminiur, porque acabaria essa barganha executivo-legislativo de distribuir cargos em troca de apoio, até pq quem estaria na reta seriam nossos ilustres representantes.

Por mais que tenhamos saído de uma presidência em que o presidente fez uma importante diferença para o desenvolvimento do país, acredito que devemos lembrar que a origem do presidencialismo, precisamente nos EUA, surgiu para emular o que existia na sua antiga metrópole, o rei da Inglaterra. Há um excessivo personalismo e até um caráter mítico da função de presidente da república, e tanto lá como aqui acreditamos que ele é mesmo o rei, e que tudo pode e tudo resolve.

Mas precisamos mesmo é de um parlamento atuante, que legisle, ou no caso do Brasil, reforme as leis já existentes para uma maior dinamicidade e organicidade no sistema de governo brasileiro. Já que vivemos num Estado Democrático de Direiro, que vem a ser também, ou por isso mesmo é, uma democracia representativa, nada mais sensato que transferir o comando aos diretos representantes do povo, os deputados (nesse sistema, é claro, o senado iria para o beleléu)

faço um paralelo meio capenga com uma outra defesa minha, que é o voto facultativo. Acredito que os argumentos em defesa do voto obrigatório são bem fortes, mas acredito que um dos conceitos democráticos é que você tem direito de participar e de se expressar politicamente, e você também tem o direito de não se expressar. Não acredito que aconteceria aqui o que acontece nos EUA com relação ao registro pra votar, já que nosso sistema eleitoral é anos-luz mais moderno que o americano, com todos os eleitores já cadastrados num único cadastro nacional.

Sei que hj em dia no Brasil o voto já é meio que não tão obrigatório, pq vc tem todos os meios de não votar e justificar por qualquer coisa, mas tenho um pensamento, que pode parecer ingênuo, que o voto facultativo seria uma avanço nos direitos civis e políticos do brasileiro. Com relação às camadas pobres da população, que não iriam votar, gosto de pensar que se de tempo ao tempo, pois vivemos num país em franco crescimento e inclusão de pessoas num contexto mais amplo de cidadania, que perceberão que dependem muito de políticas públicas para buscarem cada vez mais a melhoria de suas condições de vida.

Junto estas duas defesas minhas para afirmar que o parlamentarismo e o voto facultativo trariam uma melhoria compulsória da classe política. Não sei se é um pensamento meio utópico, mas acredito que se nossos representantes estiverem efetivamente no poder, como dirigentes, nós, o povo, estaríamos muito mais aptos a fiscalizar e cobrar por efetividade no comando e formulação de políticas públicas para o bem de todos. O voto facultativo faria com que os candidatos tivessem que formular melhor suas propostas, de modo que convencessem os eleitores que ir votar em seus projetos, ou melhor ainda, no projetos de seus partidos, seria necessário, de novo, para a formulação de políticas públicas de importância para o país.

Sei que muitas vezes o parlamentarismo pode trazer impasses horrorosos, como o que está acontecendo agora na Bélgica, há quase um ano sem governo, ou como acontece desde muito na Itália do pós-guerra, mas mesmo o impasse no parlamentarismo, no meu ver, é mais transparente que as negociatas que envolvem o apoio ao executivo aqui no Brasil.

Me alonguei um pouquinho, e adoraria mesmo discutir essa questão numa mesa de bar, pq é muito que se tem pra falar sobre isso, mas tenho que voltar a trabalhar pq senão daqui a pouco meu chefe me olha torto. Abraços a todos.</p>
<p>(<a href="http://outrascoisaseafins.wordpress.com/" rel="nofollow">Paulo Soares</a> :: 
mar 11, 2011  5:17 PM)

Olá,

Falhas do voto em lista fechada:

1. Dá poder demais à burocracia partidária;

2. Num país sem partidos (só temos sopas de letrinhas que reúnem caciques), a ordenação da lista não atenderá a critérios transparentes... e nesse caso não adianta dizer que “democracia se aprende na prática e os partidos naturalmente abrirão espaços para debates e prévias internas”, pois isso não ocorrerá... nossos partidos têm caciques e eles não abrirão mão do poder que têm;

2.1. Daí que não haverá fortalecimento de partidos como espaço de discussão e representação, mas apenas como espaço de compra e exercício de poder;

3. Afasta o eleitor de seu representante. Política também é uma relação pessoal e de identidade (não apenas com ideologias). O voto em lista fechada alienará ainda mais boa parte dos eleitores, que terão dificuldade de se identificar com as ideologias partidárias (aliás, isso existe?) e aumentará o número dos que só seguirão para as urnas porque são obrigados por lei;

4. Facilita a vida dos coronéis, afinal, diminui o rebanho que precisam controlar (limita-o aos caciques do partido);

5. Ajuda a impedir a renovação parlamentar. O Fábio (#33) deu o exemplo do José Genoíno. Por seu controle e história no partido, encabeçaria a lista facilmente, mas ele não tinha representação popular suficiente para se eleger (tanto que não foi eleito). Voto em lista tornará os partidos mais conservadores e ainda menos abertos à renovação de quadros e ideias;

5.1. Essa tendência a manter quadros velhos e sem representatividade popular afastará ainda mais o partido das “forças  vivas da sociedade”, diminuindo a legitimidade do sistema partidário.

Ainda prefiro o voto proporcional, em lista aberta, mas com a proibição de coligações para o legislativo... </p>
<p>(<a href="http://prafalardecoisas.wordpress.com" rel="nofollow">Manoel Galdino</a> :: 
mar 11, 2011  5:34 PM)

Idelber e demais,

meu comentário ficou muito grande, então transformei num texto e coloquei no meu blog. Quem quiser pode dar um pulo lá depois.

abçs
Manoel</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 11, 2011  5:38 PM)

Opa, Tiago (#44). Parece que eu me expressei mal mesmo no nº 7. Como você pode ver no meu comentário #24, em resposta ao Newton, a ideia não era sugerir culpa das coligações pela  eleição da meia dúzia do Prona que entrou ao Congresso Nacional com algumas centenas de votos. Sim, eu sei que eram votos do Prona. A ideia era sugerir que o voto nominal, em combinação com as coligações nas proporcionais, nos dá o pior dos dois mundos. Mas enfim, parece que foi problema de expressão meu mesmo. Abraços. </p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
mar 11, 2011  6:27 PM)

Bom, eu não conheço bem a questão do sistema eleitoral, então vou ler mais sobre isso para não falar besteira...

Mas sou a favor do voto facultativo. Primeiro simplesmente porque acho que votar não deveria ser orbigatório, deveria ser uma honra, um motivo de orgulho e de festa, mas não deveria ser obrigatório. E o fato de ele ser obrigatório é prejudicial. Posso dar o exemplo da minha mãe: ela odeia votar, só vai porque é obrigada, e como não está interessada, ela não assiste o programa político, não ta nem aí pros candidatos, e acaba por fim votando em qualquer um que tenha um número fácil de lembrar. Cabe ressaltar que venho de uma família de classe média, minha mãe é dona de casa com ensino médio completo e foi professora antes de se dedicar aos filhos. Fico imaginando como isso se dá em famílias com menos escolaridade e mais pobres...

Me assusta um pouco pensar que sim, se o voto facultativo fosse instaurado, candidatos eleitos com votações pouco expressivas (por falta de comparecimento) poderiam ser questionados, quiçá derrubados. Mas isso não me demove: com a situação do jeito que está, com Enéas e Tiririca com votações expressivas, acho que, pelo menos enquanto as pessoas não são muito politizadas, o voto deveria ser facultativo, e vota só quem quiser. Desse modo, as pessoas votariam mais "esclarecidas" e motivadas para a política.

No mais, sou contra as coligações e não tenho nenhum problema com reeleição. Acho que a cláusula de desempenho acaba prejudicando muito os partidos menores. A gente percebe isso observando o tempo de propaganda política: a Dilma (somando representatividade + coligações) tinha, no primeiro turno, mais de 10 minutos de Tv. O Serra tinha um pouco mais de 7 minutos. A Marina tinha menos de 2 minutos. Os outros candidatos, nenhum teve mais do que 1 minuto de propaganda. Isso acaba sendo muito prejudicial aos candidatos/partidos menores, que têm pouca chance de conseguir muitos votos, independente de ideologia ou identificaçào (aliás, como se identificar com alguém que mal tem o tempo para dizer "vote em mim!"??). Isso também acontece nas propagandas de candidatos a deputados, senadores, vereadores...</p>
<p>(Tiago F. :: 
mar 11, 2011  6:37 PM)

As pessoas querem eleger um deputado da sua própria região por que sabem que assim ele vai dar mais atenção a problemas da sua região (caso contrário não será reeleito). É um círculo vicioso. Eu realmente não sei o que um deputado federal pode fazer por uma região específica. 

Idelber, se a proposta for mesmo forçar o eleitor a votar em uma ideologia (que eu concordo, ao menos em teoria) não seria melhor deixar de restringir o voto a um deputado federal do próprio estado e permitir que se vote em qualquer candidato do Brasil? Internet taí pra isso.</p>
<p>(Ricardo Petrucci Souto :: 
mar 11, 2011  9:02 PM)

Eu ando tão preocupado com esse tema que cheguei a me antecipar fazendo um comentário sobre ele no post "Na Revista Fórum: a escalada da ultradireita nos EUA" de 23/02/2011.

Por isso vou repeti-lo abaixo.

 "O golpe sorrateiro que a direita pretende dar no Brasil é a implantação do voto distrital.

O voto distrital suprime a representação da minoria e limita a discussão política às demandas locais, eliminando a possibilidade de grandes transformações estruturais.

O voto distrital é tudo o que os conservadores querem.

Ricardo Petrucci Souto em fevereiro 24, 2011 9:44 PM"


--------------------------------------------------------------------------------
</p>
<p>(gilson :: 
mar 11, 2011 10:20 PM)

Ótima lembrança do Tiago F. ali no 51, por que não uma lista nacional, ao invés das estaduais? Num sistema misto com distritos parece ser um "mundo" muito bom.

Quanto ao financiamento público, ótimo (junto com a doação de pessoa física com limites), mas teria que vir com uma legislação mais pormenorizada sobre as campanhas. A disputa eleitoral fica muito dependente da vontade de cada Juiz de cartório eleitoral que acha que determinada coisa pode ou não pode. Esses "espaços" no regramento são muito utilizados para fazer valer a grana na disputa.
Coligação proporcional nem pensar e voto facultativo da mesma forma.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 11, 2011 10:25 PM)

"Idelber, vc poderia falar um pouco sobre uma doença típica do voto distrital nos Estados Unidos: o unopposed incumbent."

Não é doença típica do voto distrital. No Brasil você não tem incumbente que não tem oponentes pela simples razão de que a maior parte das despesas são financiadas pelo contribuinte, portanto, os riscos que uma derrota eleitoral são pequenos. 

Se bem que eleições federais, mesmo para eleições em que determinado partido tem chances nulas, isso é muito raro. Isso é mais comum para cargos que não tem eleição no Brasil, como procurador geral do Estado ou chefe do Conselho de supervisores.

Oh, sim, no Brasil quem tem um curral eleitoral forte é na prática um incumbente sem oponentes.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 11, 2011 10:39 PM)

"As pessoas querem eleger um deputado da sua própria região por que sabem que assim ele vai dar mais atenção a problemas da sua região (caso contrário não será reeleito). É um círculo vicioso. "

Não é isso. Há aquela citação batida do Tip O´Neill de que toda política é local, e de fato para a maior parte das pessoas a política tende a ser mais local e ligadas a pontos concretos e mais terrenos. Que é o que costuma ocorrer no planeta inteiro, em especial porque gente que trabalha costuma viver neste mundo.

Em comentários de blogs é muito comum se adorar políticos de discurso perfeito, mas de realizações limitadas. Não é assim que o resto da população trabalha.

</p>
<p>(<a href="http://prafalardecoisas.wordpress.com" rel="nofollow">Manoel Galdino</a> :: 
mar 11, 2011 11:37 PM)

Sobre curral eleitoral, deixe-me lembrar que os melhores estudos da ciência política brasileira não tem conseguido achar evidência de curral eleitoral. Na verdade, até conceitualmente é uma idéia complicada. Tecnicamente, os tais currais são chamados de distritos informais ou se usa o termo dominância política.
Dois exemplos de artigos que discutem essa questão:
1. http://cienciapolitica.servicos.ws/abcp2010/arquivos/12_7_2010_20_38_58.pdf 
2.http://cienciapolitica.servicos.ws/abcp2010/arquivos/4_7_2010_16_48_51.pdf

Aliás, quem der uma fuçada no site do último Congresso da ABCP, irá encontrar muitos artigos que discutem empiricamente e normativamente algumas desses temas que vocês estão falando.
</p>
<p>(Marcelo :: 
mar 12, 2011  1:58 PM)

Só queria entender por que um governo que se diz populista e de esquerda, num país que é o expoente do etanol no mundo, não dá nem as caras pelo menos para explicar a causa do aumento abusivo do etanol nos postos de combustíveis. O por que o MP e o procon de vários estados estão entrando com representações contra o governo federal, devido a esses aumentos sem sentido e criminosos, visto que os estoques de etano estão comprovadamente cheios. O por que a presidentE não age em benefício do povo, como tanto foi dito durante sua esplendorosa campanha, mas sim em favor dos cartéis e corporações do petróleo.

Se alguém puder _ ou se predispuser_ a responder, ficarei grato.</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
mar 12, 2011  2:07 PM)

Raphael,

Acho que vc se equivoca bastante em sua análise.

Acredito que há, no Brasil, um federalismo "faz-de-conta", porque tudo tem que passar por Brasília, desde a construção de uma simples ponte, até a construção de estádios para a Copa do Mundo.

Se aceitarmos a idéia de que o único "verdadeiro" federalismo é o dos Estados Unidos, sim, claro, todos os outros são de "faz-de-conta". Mas não é verdade que "tudo" tenha de passar por Brasília. A construção de uma ponte, por exemplo, só passa por Brasília se a estrada for federal; se a estrada for estadual, passa pela capital do estado.

Não adianta mudar o sistema de eleição de deputados enquanto o pacto federativo brasileiro não for revisto.

Por que não? Em que uma coisa depende da outra? Não é possível melhorar o sistema eleitoral sem mudar o pacto federativo? Qual é a lógica dessa afirmação?

Mas acho que nada isso adianta enquanto Brasília ter que decidir sobre a construção de um muro numa escola.

"Brasília" não decide sobre construção de muros em escolas - a não ser se a escola for o Colégio Pedro II. A maioria das escolas brasileiras são municipais, e depois delas vem as estaduais. Decisões desse tipo são tomadas por diretores de escola, e precisam ser aprovadas pelos Secretários de Educação dos municípios ou estados. "Brasília" pode ser ser solicitada a fornecer verba (e aí seria difícil defender a idéia de que não devesse ter opinião a respeito), mas a decisão de "vamos construir um muro" é tomada a nível local, localíssimo mesmo.

Aliás pode-se até argumentar que esse é o problema, que estados e principalmente municípios tem excessivo poder na área de educação, resultando no quadro catastrófico que todos vemos. Não acho isso, mas não é nenhum absurdo, e pelo menos se refere a uma realidade que eu posso ver.

Mas se "federalismo de verdade" implica uma lei penal diferente em cada estado, como nos EUA, então eu francamente prefiro um de mentirinha.</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
mar 12, 2011  2:20 PM)

André, acho que vc não entende o que é um unopposed incumbent. Num sistema proporcional, como o nosso, não há "incumbentes". O deputado aqui não é dono de um distrito. Ele tem que concorrer com outros, inclusive outros do mesmo partido. Não tem como ele não ter concorrência. Nos EUA, ao contrário, o deputado do vigésimo distrito do Oklahoma é o único deputado do pedaço. Não tem competição nem mesmo dentro do partido (pode haver prévias, e ele pode ser derrotado nas prévias, mas depois de vencê-las, ele passa a ser o único candidato do partido).

Daí o que ocorre com freqüência: em distritos onde os democratas são muito fortes e os republicanos muito fracos, não há estímulo para que estes lancem candidato. É desperdício de dinheiro que poderia ser melhor utilizado para sustentar uma candidatura numa "key constituency" - um distrito em que a disputa é voto a voto, com boas chances para ambos os lados. E aí o "seu" deputado, "próximo" de vc, passa a ser um sujeito que se eterniza na cadeira sem ter de ganhar eleições, que só se preocupa com o eleitorado do partido dele (para ganhar as prévias) e marginaliza cada vez mais a oposição do distrito. Se ele é do seu partido, vc acha ótimo. Se ele é do "outro" partido, vc fica décadas sem representação, sem "seu" deputado, e com muito menos representação do que um eleitor brasileiro que votou no João do PX, que não se elegeu, mas ajudou a eleger a Maria, também do PX, e portanto teoricamente com posições pelo menos próximas.</p>
<p>(Arlindo :: 
mar 12, 2011  2:52 PM)

Dois aspectos que eu acho que fortaleceriam os partidos e seus programas (o que hoje em dia não existe de fato):
1 - Parlamentar convidado para participar do Executivo como Ministro, Secretário, etc., abre mão do mandato e entra em seu lugar o seguinte m número de votos no Partido
2 - Além do Financiamento Público de Campanha, os partidos poderiam (como na Alemanha) arrecadar através da associação dos eleitores seus simpatizantes, que sejam afiliados ao Partido e paguem uma mensalidade ou anuidade.</p>
<p>(Bruno Marcondes :: 
mar 12, 2011 11:08 PM)

Alô Idelber.

Sem querer entrar em um assunto nada a ver, gostaria de saber se você prefereria a capital em Brasília ou no Rio de Janeiro.

A propósito, gostei dos seus apontamentos.

Abração.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 13, 2011  1:07 AM)

Luis Henrique

Deputado brasileiro com base eleitoral realmente forte em nível regional é praticamente um unopposed incumbent. Ele não perde de jeito nenhum. Pegue a Família Chedid, que dominava quase que completamente a política na região entre Atibaia e Bragança Paulista(Duas cidades de *excelente* padrão de vida, próximas da capital paulista, ou seja, nenhum "grotão" no vocabulário da esquerda brasileira).

Os deputados da família são uns pulhas, mas eles continuam no poder, em parte porque sem eles a região ficaria sem representação nenhuma. Oh, sim, no sistema distrital americano há o problema do gerrymandering, que poderia ser contornado no Brasil, com facilidade. Sem o gerrymandering todos os distritos seriam mais competitivos, embora no caso do legislativo estadual nos dois países isso é mais complicado porque isso atrai menos atenção. E muitos dos deputados que concorrem sem oponentes nos EUA não o fazem com complacência.

De qualquer forma, ao invés de choramingarmos sobre o sistema americano deveriamos olhar para o nosso. Em termos de representação feminina e de minorias raciais o Congresso americano é infinitamente superior que o brasileiro, atolado de homens brancos ricos, quando não grandes proprietários de terras. A Casa dos Lordes britânica deve ser mais democrática neste sentido que o Congresso brasileiro.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar 13, 2011  1:13 AM)

Luis Henrique

Deputado brasileiro com base eleitoral realmente forte em nível regional é praticamente um unopposed incumbent. Ele não perde de jeito nenhum. Pegue a Família Chedid, que dominava quase que completamente a política na região entre Atibaia e Bragança Paulista(Duas cidades de *excelente* padrão de vida, próximas da capital paulista, ou seja, nenhum "grotão" no vocabulário da esquerda brasileira).

Os deputados da família são uns pulhas, mas eles continuam no poder, em parte porque sem eles a região ficaria sem representação nenhuma. Oh, sim, no sistema distrital americano há o problema do gerrymandering, que poderia ser contornado no Brasil, com facilidade. Sem o gerrymandering todos os distritos seriam mais competitivos, embora no caso do legislativo estadual nos dois países isso é mais complicado porque isso atrai menos atenção. E muitos dos deputados que concorrem sem oponentes nos EUA não o fazem com complacência.

De qualquer forma, ao invés de choramingarmos sobre o sistema americano deveriamos olhar para o nosso. Em termos de representação feminina e de minorias raciais o Congresso americano é infinitamente superior que o brasileiro, atolado de homens brancos ricos, quando não grandes proprietários de terras. A Casa dos Lordes britânica deve ser mais democrática neste sentido que o Congresso brasileiro.</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
mar 13, 2011  1:57 AM)

Marcelo,

no Brasil nós não temos tabelas de preços, o governo não controla os preços, os comerciantes são livres pra pôr o preço que bem entenderem. O que governa preços aqui são as leis anti-cartel e a lei de oferta e demanda. O governo não tem nada a ver com isso. A presidentA Dilma não tem nada a ver com isso. Reclame com o dono do posto que aumentou o preço sem explicação.</p>
<p>(Marcelo :: 
mar 13, 2011  7:37 PM)

Bárbara, como gostaria de viver em seu mundo. Basta digitar as palavras certas aí no seu teclado para vc ver que o Ministério Público e o Procon, além de um grande gama de pessoas, tem outra informação completamente diferente da sua. Um exemplo só:

http://transparenciarondonia.com.br/2011/01/05/boicote-contra-aumento-abusivo-da-gasolina-crece-na-rede-social/</p>
<p>(Renata Lins :: 
mar 13, 2011 10:39 PM)

A propósito do financiamento de campanha, vale uma olhada no link do TSE, onde se pode verificar os financiadores (declarados) de cada candidato, na prestação de contas final:
http://spce2010.tse.gov.br/spceweb.consulta.prestacaoconta2010/pesquisaCandidato.jsp</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
mar 13, 2011 11:25 PM)

Marcelo,

não é culpa do governo que os comerciantes façam cartéis...

Você pode até reclamar dos impostos, mas se não fossem por eles não teríamos SUS (que, pode até ser saturado, mas funciona; sou dependente exclusivamente do SUS e ainda não morri), nem universidades públicas (sou estudante de universidade pública e estou satisfeita, assim como meu irmão), entre outras coisas que são necessárias e dependentes de uma organização estatal, que por sua vez é dependente da cobrança de impostos. Podemos reclamar quanto ao gasto eficiente desse dinheiro - e nesse ponto também fico indignada com coisas tipo o aumento do salário dos congressistas (mas devemos reparar que esse aumento nem foi por lei, nem chegou a passar pelo executivo nem teve de ser sancionado ou vetado por ninguém, então não é culpa da Dilma, mas dos próprios congressistas).

Quanto ao preço dos combustíveis, acredito que o pior problema é a má-fé dos comerciantes, que comercializam combustível de má qualidade a preços abusivos, regulam o preço como querem, fazem coisas como: quando a ANP anuncia um aumento, eles aumentam o preço automaticamente, quando a ANP anuncia uma redução no preço, eles demoram até semanas para baixar o preço alegando "estoque", entre outras práticas abusivas.

Se você não está satisfeito - e é um direito seu - vá ao Procon, ao Ministério Público e faça a sua queixa.

Mas procure saber de todas as variáveis envolvidas nos temas sobre os quais você se interessa em discutir, para não sair falando besteira.

Ou você acha que parar de comprar em um posto de gasolina vai resolver o problema dos preços?

Bem vindo ao meu mundo.</p>
<p>(Marcelo :: 
mar 13, 2011 11:32 PM)

Amém!</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
mar 14, 2011 12:54 AM)

Idelber,

Ando numa correria danada e gostaria de comentar este post de forma detalhada, mas já adianto que é por aí mesmo, assino embaixo das propostas - as discordâncias são mínimas, nem vale a pena tecê-las. Sobre o ponto que rendeu mais debate por aqui, o voto distrital, creio que o exemplo americano e o das últimas eleições no Reino Unido são ótimos - aliás, a distorção monstruosa vista nas últimas eleições britânicas sempre foi meu exemplo predileto para rechaçar esse sistema. Voto distrital é ruim por tudo isso mesmo, ele cria cercados nos quais a Maioria tende a ser privilegiada mesmo; qualquer lugar pobre tem lá sua oligarquiazinha que seria favorecida com isso, transformando o Congresso, de vez, em um covescote de párocos de província. Por isso encampo tua proposta mesmo.     

abraços</p>
<p>(<a href="http://meueusadico.blogspot.com" rel="nofollow">Pedro Marques</a> :: 
mar 14, 2011  2:26 AM)

Interessante como as discussões sobre a reforma política são muito mais profundas nessa caixa de comentários do que no programa do William Waack na Globonews, com seus politólogos que SEMKPRE estão em consenso.

</p>
<p>(<a href="http://napraticaateoriaeoutra.org" rel="nofollow">NPTO</a> :: 
mar 14, 2011  3:12 PM)

Boa sorte aí, cumpadi!</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-03-10T09:33:14-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Links para o 8 de março</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/links_para_o_8_de_marco.php</link>
<CommentCount>10</CommentCount> 
<description>Aí vão alguns links recomendados pelo blog para este 8 de março: Segundo estudo da Fundação Perseu Abramo, uma mulher é vítima de violência no Brasil a cada 24 segundos. Em 80% dos casos, os agressores são maridos e namorados....</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Aí vão alguns links recomendados pelo blog para este 8 de março: </p>

<p>Segundo estudo da Fundação Perseu Abramo, uma mulher é vítima de violência no Brasil a cada 24 segundos. Em 80% dos casos, os agressores são maridos e namorados. Inaugurado em janeiro deste ano, o blog <a href="http://machismomata.wordpress.com/">Quem o Machismo Matou Hoje?</a> compila as notícias dos horrores da violência contra as mulheres. Vale a visita, como lembrete reiterado da realidade para a qual o 8 de março deve nos alertar. O blog também tem <a href="http://twitter.com/machismomata">perfil no Twitter</a>. </p>

<p>Agora em domínio próprio, o blog coletivo <a href="http://blogueirasfeministas.com/">Blogueiras Feministas</a> reúne várias das mais destacadas blogueiras do Brasil com postagens diárias. Chamo a atenção especialmente para as <a href="http://blogueirasfeministas.com/?category_name=midia">postagens sobre mídia</a>, que mapeiam a reprodução cotidiana da cultura machista na grande imprensa. </p>

<p>A Universidade Livre Feminista é a responsável pelo belo projeto <a href="http://www.bibliotecafeminista.org.br">Biblioteca Feminista</a>, um centro de documentação e repositório de teses, livros e artigos sobre questões de gênero. A biblioteca está organizada em pastas temáticas e algumas delas, como a de políticas públicas, já têm um acervo considerável. </p>

<p>Dois sites governamentais enfocados em políticas públicas são o <a href="http://www.observatoriodegenero.gov.br">Observatório da Igualdade de Gênero</a> e a página da <a href="http://www.sepm.gov.br/">Secretaria de Políticas para as Mulheres</a>, portais com informações acerca das ações do governo no combate à discriminação, à violência e ao machismo. </p>

<p>Outros dois portais que valem a pena ter entre os favoritos são o da <a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br">Agência Patrícia Galvão</a> e o da S<a href="http://www.sof.org.br/">empre Viva Organização Feminista</a>, espaços de debates, opinião e notícias. </p>

<p>O blog <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/">Livros Feministas</a> já tem um belo arquivo de obras para baixar. Recomendadíssimos são os dois clássicos <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/2008/01/20/o-segundo-sexo/">O Segundo Sexo</a>, de Simone de Beauvoir e <a href="http://livrosfeministas.wordpress.com/2007/11/18/um-teto-todo-seu/">Um Teto Todo Seu</a>, de Virginia Woolf. </p>

<p>Para quem quiser revisitar a ubíqua presença do machismo nas últimas eleições, os arquivos do blog coletivo <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/">Sexismo na política</a> são parada obrigatória. </p>

<p><br />
&&&&&&&&&</p>

<p><br />
Textos, alguns deles já clássicos, que este blog recomenda para o dia de hoje: </p>

<p><a href="http://inquietudine.wordpress.com/2011/03/08/dispenso-esta-rosa-marjorie-rodrigues/">Dispenso esta rosa</a>, de <a href="http://marjorierodrigues.com/">Marjorie Rodrigues</a>, uma magnífica explicação do porquê de os parabéns e a rosa não serem exatamente a melhor tradução do espírito do 8 de março. </p>

<p>Na mesma linha, <a href="http://cynthiasemiramis.org/2008/03/07/os-machistas-no-dia-internacional-da-mulher/">Os machistas no dia internacional da mulher</a>, de Cynthia Semíramis, analisa alguns dos clichês aparentemente elogiosos nos quais se diluem as pautas de luta feminista. </p>

<p>Da lavra de Leonardo Sakamoto, <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/03/07/a-dura-vida-das-jornalistas-brasileiras/">A dura vida das jornalistas brasileiras</a> discute o machismo nas salas de redação. </p>

<p>Também saído do forno, o ótimo texto da Beauvoiriana analisa como o machismo se reproduz também na indústria editorial: <a href="http://opensadorselvagem.org/ciencia-e-humanidades/instantaneos-sociologicos/mulheres-sem-voz">Mulheres sem voz</a>. O perfil dela no Twitter é o <a href="http://twitter.com/literariamente">Literariamente</a>. </p>

<p>Para quem se interessa pela luta pelo direitos reprodutivos das mulheres, há um texto imperdível da Dra. Diana Curado: <a href="http://www.rupturafer.org/index.php?option=com_content&view=article&id=179:portugal-3-anos-de-aborto-legal-seguro-e-gratuito&catid=82:saude&Itemid=534">Três anos de aborto legal, seguro e gratuito em Portugal</a>, que demonstra, entre outras coisas, que a legalização não representou um aumento no número de cirurgias e que neste período não ocorreu uma só morte relacionada a aborto no país. </p>

<p>E para quem ainda não teve a notícia, aí vai: <a href="http://mulheresemmarcha.blogspot.com/2011/03/governo-kassab-despeja-o-cim-maior.html">o governo Kassab acaba de despejar o Centro de Informação da Mulher</a>, o maior acervo sobre a mulher da América Latina. </p>

<p>As postagens d'O Biscoito Fino e a Massa sobre feminismo, homofobia, tratamento da sexualidade na literatura e assuntos correlatos estão agrupadas na tag <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/genero/">Gênero</a>. </p>

<p>Recebam todas--e todos--o convite a que compartilhem na caixa de comentários outros links relevantes neste 8 de março. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/links_para_o_8_de_marco.php#comments" title="Comente Links para o 8 de março">10 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(aiaiai :: 
mar  8, 2011 11:36 AM)

Já que quebrei meu recesso internético para ler a Lola neste dia 8 de março, resolvi ampliar um pouco e vir aqui neste biscoito e acho um texto cheio de links....assim não vou conseguir voltar ao meu recesso kkkk

mas já que vim, fica a dica do post da Lola também sobre feminismo.

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/03/mulheres-saiam-do-armario.html</p>
<p>(aiaiai :: 
mar  8, 2011  1:10 PM)

Opa, linkei o post da lola de ontem...hoje tem um novo e ótimo também

http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/03/meu-feminismo-nao-e-pra-mim.html

agora fui, juro!</p>
<p>(Emil :: 
mar  8, 2011  3:58 PM)

Artigo da revista eletrônica Vírus, do esquerda.net, sobre Marxismo e Feminino:

http://www.esquerda.net/virus/index.php?option=com_content&task=view&id=79&Itemid=26

(e aproveito pra indicar, pra quem se interessa por críticas, pratindo de dentro do próprio marxismo, a posições estáticas de um marxismo ortodoxo ou vulgar, o livro Marxismo e Literatura, do Raymond Williams)</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  8, 2011  5:17 PM)

Mais um link que pode interessar. Um pouco da história do movimento sufragista: http://historia.abril.com.br/gente/voto-rosa-choque-433802.shtml</p>
<p>(<a href="http://www.rodopiou.blogspot.com" rel="nofollow">Cleverson Lima</a> :: 
mar  8, 2011  5:54 PM)

Opinião:
Para as mulheres, e para os homens que temem perder o seu lugar ao sol: http://bit.ly/flZS5J 

Abraços a tod@s</p>
<p>(Jacquelini Marinho :: 
mar  8, 2011 10:12 PM)

Cheguei no Twitter agora e senti tua falta, mas deparei com o blog já bem antecipado e direcionado, não poderia ser diferente vindo de você. Obrigada pelo cuidado conosco, mulheres de mundo virtual e real. Beijo amigo.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  9, 2011 12:21 AM)

Que bom ter a sua visita no 8 de março, Jacquelini :-) </p>
<p>(aiaiai :: 
mar  9, 2011  6:01 PM)

Puxa, mestre, adorei o texto sobre as sufragistas. Incrível notar que elas também eram ridicularizadas pelos "esquerdistas" da época. Triste perceber que não é de hoje que o machismo é mais forte do que a vontade de lutar contra injustiças. </p>
<p>(<a href="http://andreegg.opsblog.org" rel="nofollow">André Egg</a> :: 
mar  9, 2011 11:44 PM)

Obrigado pelas dicas todas. Eu também escrevi o meu libelo:

http://andreegg.opsblog.org/2011/03/08/propostas-para-um-brasil-pos-lula-3-defesa-dos-direitos-da-mulher-e-superacao-das-desigualdades-de-genero/</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar 10, 2011  9:08 AM)

Só agora li, André. Muito bacana o seu texto. Obrigado pelo link. </p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Gênero</dc:subject>
<dc:date>2011-03-08T05:46:20-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>O acontecimento literário do ano: Lançado o Museu do Romance da Eterna</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/o_acontecimento_literario_do_ano_lancado_o_museu_do_romance_da_eterna.php</link>
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<description>O ano mal começou, mas nenhum acontecimento literário que por ventura tenha lugar nestas plagas poderá se comparar a este. Está disponível em português, com 44 anos de atraso, um dos mais assombrosos livros já escritos. Trata-se do romance mais...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="macedonio-fernandez.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/macedonio-fernandez.jpg" width="200" height="268" align=left vspace=5 hspace=5/>O ano mal começou, mas nenhum acontecimento literário que por ventura tenha lugar nestas plagas poderá se comparar a este. Está disponível em português, com 44 anos de atraso, um dos mais assombrosos livros já escritos. Trata-se do romance mais decisivo e influente de toda a literatura argentina; uma das grandes obras-primas da narrativa do século XX, em qualquer língua; talvez o livro mais anunciado e adiado de todos os tempos; um mito tecido ao longo de meio século de rabiscos esquecidos em quartos de pensão, cafés, bares e bondes. Saiu a tradução do <a href="http://editora.cosacnaify.com.br/ObraApresentacao/10298/Museu-do-Romance-da-Eterna.aspx">Museu do Romance da Eterna</a>, a invenção genial de Macedonio Fernández (1874-1952), aquele que ninguém menos que Jorge Luis Borges chamava de “meu mestre”. </p>

<p>Macedonio se mudava de pensão a pensão com seu violãozinho e uma mala de anotações, às vezes largando para trás montanhas de papéis em que escrevia, sem se preocupar em publicar, o romance no qual purgava o luto pela morte da mulher Elena. Macedonio leva ao limite o gesto da vanguarda, fazendo da espera pelo romance que nunca se publicará a história mesma que se narra. O resultado são cinquenta e tantos prólogos, onde se arma uma poética invencionista, anti-naturalista do romance. Ali ele brinca com a espera, reflete sobre a escrita, a literatura e a publicação, constrói a figura da mulher ausente e, depois de centenas de páginas e dezenas de anos, chega ao “romance” propriamente dito, que é muito mais curto que os prólogos, e no qual os personagens não parecem seres humanos, e sim seres de papelão, como que num conto de fadas. Acredite: não há nada neste planeta que se assemelhe a este livro. </p>

<p><em>Ninguém morre no romance</em>, diz Macedonio num dos muitos prólogos, <em>ainda que ele seja imortal, pois ele entendeu que, sendo os personagens gente de fantasia, eles perecem todos ao concluir o relato. Tarefa desnecessária que tomam os autores, com o perigo de esquecimentos e de repetir a morte a algum</em>. Tudo em Macedonio funciona assim, de forma a expor, ao invés de esconder, os mecanismos de produção do texto e a relação com o leitor. Este, aliás, é o grande personagem do Museu. Macedonio elabora uma verdadeira galeria, onde se destacam o Leitor-de-Vitrine, o Leitor-de-Porta, o Leitor-de-Capa, o Leitor-Mínimo (ao qual o autor dedica o Título-Obra), o Leitor Não-Conseguido e, finalmente, o Leitor-Salteado. Para este último, o autor reserva um carinho especial: o livro onde não é necessário saltar nada, pois tudo já vem salteado: <em>Não lhe peço, leitor salteado, desculpas por apresentar-lhe um livro inseguido que, como tal, é uma interrupção para você, que se interrompe sozinho … um livro tão picotado que não houve recurso senão lê-lo seguido, para manter assim desunida a leitura</em>. <img alt="museo.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/museo.jpg" width="240" height="350" align=right vspace=5 hspace=5/></p>

<p>As histórias narradas por Jorge Luis Borges sobre Macedonio ao longo dos anos foram compondo um conjunto de mitos que, pouco a pouco, passaram a ser indissociáveis da própria biografia. <em>Eu o imitei até a transcrição, até o apaixonado e devoto plágio</em>, diria Borges no discurso pronunciado no velório de Macedonio, em 1952. Borges repetiria à exaustão que a obra escrita de Macedonio, por mais genial que fosse, era só um pálido reflexo da espontaneidade oral, da invenção conversacional que ele elevou à condição de arte. Macedonio escreveu contos, poemas, romances, ensaios, tratados, cartas, mas talvez o seu gênero literário por excelência tenha sido o <b>brinde</b>. Nele se desenvolveram alguns dos achados macedonianos que chegariam à condição de clichês, como o célebre <em>faltaram tantas pessoas na sua festa que se faltassem mais algumas não caberia ninguém</em>. </p>

<p>Num desses brindes surgiu outra das obras-happening de Macedonio, sua candidatura humorística à Presidência da Argentina, em 1927. Com bilhetes deixados nos bondes e nos livros das bibliotecas públicas, anúncios irônicos nos jornais, envelopes distribuídos pela cidade com propostas incongruentes e contraditórias, vai se construindo a figura do candidato. A segunda parte do plano incluía a intervenção na cidade com uma série de objetos impossíveis: pentes com dentes dos dois lados, escarradeiras oscilantes, colarinhos desmontáveis (de forma que, ao agarrar um sujeito para começar uma briga, você ficava só com o colarinho), escadas assimétricas, onde cada degrau é de um tamanho etc. Era a política transformada em ficção dadaísta. </p>

<p>Macedonio era, acima de tudo, um inimigo da verossimilhança, do realismo, da ilusão de realidade na arte. Ao invés de buscar o real na ficção, procurava na realidade o seu grão de ficcionalidade constitutiva: <em>eu quero que o leitor saiba que está lendo um romance e não vendo um viver, não presenciando 'vida'. No momento em que o leitor caia na Alucinação, ignomínia da arte, eu perdi, não ganhei, leitor. O que quero é mui outra coisa, é ganhá-lo, a ele, de personagem, ou seja, que por um momento ele mesmo acredite não viver</em>. </p>

<p>O primeira edição do Museu é de 1967, quinze anos posterior à morte de Macedonio e mais de meio século posterior às primeiras menções do livro nos brindes macedonianos. Como se trata de romance póstumo compilado a partir de uma papelada esparramada, que inclui dezenas de prólogos, todas as quatro edições—a do Centro Editor de América Latina, já esgotada, a da Corregidor, a da Cátedra e a da Coleção Archivos—são diferentes entre si. Ainda não manuseei a edição brasileira, mas ela parece ser muito bem cuidada. A tradução é de Gênese Andrade e a apresentação é do escritor, editor e tradutor argentino Damián Tabarovsky. <br />
<br><br />
<iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/phQXmpZ321Q" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br></p>

<p>Nada, absolutamente nada que possa acontecer no mercado literário brasileiro este ano terá a importância e a dimensão--eu já ia dizer "transcendência", mas andaram assassinando essa palavra por aí--desta publicação. É o único livro de metafísica do qual você dá gargalhadas do começo ao fim. </p>

<p>Se um, só um de vocês decidir não morrer antes de ler esse livro, a existência deste blog já terá valido a pena. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/03/o_acontecimento_literario_do_ano_lancado_o_museu_do_romance_da_eterna.php#comments" title="Comente O acontecimento literário do ano: Lançado o Museu do Romance da Eterna">43 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(Charley :: 
mar  2, 2011  5:25 AM)

"um dos mais assombrosos livros já escritos"
"aquele que ninguém menos que Jorge Luis Borges chamava de “meu mestre”"
"Se um, só um de vocês decidir não morrer antes de ler esse livro, a existência deste blog já terá valido a pena."

Prazer grande ler o blogueiro deixando a arena semiárida da política para tratar dos grandes mestres, ainda que (temporariamente?) numa surpreendente catarse poética hiperbólica. Finalmente um texto idelberdiano sobre Macedonio! Será algum trânsito de mercúrio sobre escorpião? </p>
<p>(aiaiai :: 
mar  2, 2011  7:29 AM)

Ainda não está disponível...acho que é um pré-lançamento. de qualquer forma, assim q estiver a venda, vou fazer um esforço aqui na fila de livros para ler esse mestre de borges.</p>
<p>(<a href="http://aloalopresidenta.blogspot.com" rel="nofollow">angel</a> :: 
mar  2, 2011  9:44 AM)

Está disponível sim, vi na Cultura e se é engraçado vou comprar e escapar do carnaval com ele, mas estou lendo Comunista de casaca, a biografia do Engels, que também não deixa de ser engraçada e interessante.</p>
<p>(Gui Losilla :: 
mar  2, 2011  9:58 AM)

Li Alan Pauls e Martin Kohan por indicação sua, fique tranquilo que este livro será lido após o carnaval!
Abraços

ps: no site da Cosac & Naif é possível comprar o livro, que parece ter uma edição um tanto quanto inovadora, como se fosse um amontoado de folhas encadernado... </p>
<p>(<a href="http://goytacity.blogspot.com" rel="nofollow">artur gomes</a> :: 
mar  2, 2011 10:26 AM)

por aqui nem só beleza
nesses dias de paupéria
nação de tanta beleza
país de tanta miséria

http://goytacity.blogspot.com/2011/03/o-racha-no-ministerio-da-cultura.html

ventilador – jiddu saldanha – cinema possível
http://www.youtube.com/watch?v=SVpwfLpwp00


</p>
<p>(<a href="http://www.heliojesuino.wordpress.com" rel="nofollow">heliojesuino</a> :: 
mar  2, 2011 10:42 AM)

...e de quebra, ao final do vídeo sobre o  macedônio, as vozes e as caras de cortázar e onetti...

gracias, biscoito.

soy loco por ti america!</p>
<p>(Cristiano Moreira :: 
mar  2, 2011 11:17 AM)

Salve Idelber!

nada, nada do que você escreveu pode ser desmentido!!
lí macedônio na edição da coleção archivos e o museu da eterna fazia parte de meu projeto de mestrado juntamente com osman lins, mas o rumo da escrita pegou um vento de "través" como dizem os pescadores aqui. escrevi sobre ele para um congresso em rosário em 2007.
vale lembrar que o ricardo piglia escreveu  alguns textos como "anotações de macedônio em um diário (laboaratório do escritor e formas breves) e inclusive um romance "cidade ausente" no qual figura como fantasma , a eterna na voz de uma máquina de relatos. a editora corregidor empreendeu a reedição daquilo que se tentou chamar obra completa (tarefa impossível pelos motivos que apontastes em teu texto)
o fato é que macedonio agora chega ao brasil com seu museo e espero que venhammais papeis avulsos.
para aqueles que queiram mais, vale dizer que lezama lima publicou macedonio em  Origenes, revista que editou até as margens da revolução; mônica bueno escreveu um bom estudo chamado Macedonio um escritor de fim de século.
nesse livro aponta macedonio com anarquista, um afigura muito peculiar que se assemelha ao oswald contundente e jocoso do joão miramar.

creio que não será demasiado deixar um pequeno texto de macedonio  aqui:

Un paciente en disminución
[Cuento. Texto completo]

El señor Ga había sido tan asiduo, tan dócil y prolongado paciente del doctor Terapéutica que ahora ya era sólo un pie. Extirpados sucesivamente los dientes, las amígdalas, el estómago, un riñón, un pulmón, el bazo, el colon, ahora llegaba el valet del señor Ga a llamar al doctor Terapéutica para que atendiera el pie del señor Ga, que lo mandaba llamar.
El doctor Terapéutica examinó detenidamente el pie y "meneando con grave modo" la cabeza resolvió:

-Hay demasiado pie, con razón se siente mal: le trazaré el corte necesario, a un cirujano.

FIN

Macedonio Fernández 
Fonte: http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/mini/paciente.htm
acesso em 10 de junho de 2008
</p>
<p>(cristiano Moreira :: 
mar  2, 2011 11:28 AM)

Lembrei agora que o texto que compõe o video foi publicado na revista Márgenes/margens (creio que número 3, não lembro).</p>
<p>(<a href="http://vidaoffline.wordpress.com" rel="nofollow">Marcus Pessoa</a> :: 
mar  2, 2011 11:55 AM)

Agradeço muito a referência; não o conhecia. Será que as propostas de leituras alternativas dos capítulos do Jogo da Amarelinha do Cortázar são resultado de alguma influência de Macedonio?

Eu ri quando você disse que "andaram assassinando a palavra transcendência".</p>
<p>(Pedro Daltro :: 
mar  2, 2011 12:25 PM)

Idelber, desde que o Emir Sader deu aquela entrevista desastrada, para ser suave com ele, procurei por alguma reação sua e não vi nada, nem aqui nem no twitter. Só essa sua indireta em relação ao uso da palavra transcedência. Nem uma palavrinha sobre a declaração racista em relação ao Gil?? Nem uma palavrinha à estúpida comparação da ministra com um autista?? Adoraria ver sua reação se isso tivesse saído da boca do Serra.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 12:48 PM)

Pedro, desde o dia 04 ou 05 de novembro eu não cito o nome do Serra. Vamos falar de Macedonio, que tal? Está todo mundo aí feliz porque o blog voltou a falar de literatura. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 12:48 PM)

Oi, Marcus! Costuma ser difícil, claro, identificar com certeza onde um autor buscou tal ou qual procedimento, mas tudo o que seja vanguardismo, ruptura da linearidade etc. na literatura argentina, direta ou indiretamente, bebe na fonte de Macedonio. O cara anteviu tudo lá atrás.  </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  1:01 PM)

Cristiano, grande! Quer uma citação maravilhosamente oswaldiana de Macedonio? Olha aqui, veja se não é puro Oswald: 

Personajes con fisiología, además de muy estorbados de cansancios e indisposiciones, --por lo que no se ve a protagonistas enfermarse y retirarse en cura, sino sólo representar enfermarse como parte de su trabajo y continuar figuración activa de enfermos y moribundos -- son de estética realista y nuestra estética es la inventiva"  (do Museu). 

Um doce para quem encontrar a citação de Oswald que é uma exata coincidência com este último trecho. </p>
<p>(Pedro Daltro :: 
mar  2, 2011  1:10 PM)

Idelber, não quero falar do Serra, quero falar do Emir Sader e o silêncio ensurdecedor da esquerda sobre seus disparates. E falo isso pq adorei os textos da Ana Maria Gonçalves que vc publicou aqui sobre racismo.

E acredite, adoro quando o blog não fala de política. Só toquei no assunto por causa da sua alusão à palavra transcedência.

Abs</p>
<p>(<a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br" rel="nofollow">Guto</a> :: 
mar  2, 2011  1:27 PM)

Vou ver se já tem o livro em BH. Depois desse post fica difícil esperar a entrega da livraria Cultura (1 dia útil). </p>
<p>(fm :: 
mar  2, 2011  3:15 PM)

"O trabalho contra o detalhe naturalista - pela síntese; contra a morbidez romântica - pelo equilíbrio geômetra e pelo acabamento técnico; contra a cópia, pela invenção e pela surpresa."

Oswald de Andrade-Manifesto da Poesia Pau-Brasil</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  3:23 PM)

Grande, Frank. Pode cobrar o doce--ou a cerveja--na minha próxima ida ao Brasil. </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011  3:55 PM)

O que tem na Argentina que a torna uma espécie de rica versão daquidebaixo da contra-cultura norte americana? Eles tem Ernesto Sábato, o químico desistente que se refugiou na literatura. Eles tem casos de genial non sense, como o de Macedonio e o de Witold Gombrowicz. Eles tem W.H.Hudson (como não era argentino?), que nos deixou o extraordinário "Longe, e Há Muito Tempo". Parafraseando Hemingway, se o adubo de nosso futebol fosse garantia de uma excelência nas letras, equivalente a da Argentina, eu iria atrás do Pelé e dos Ronaldos com um moedor de carne.</p>
<p>(<a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mar  2, 2011  6:20 PM)

Tá, tá, não grita! 

Vou ler sem falta para poder morrer.

:¬)))</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  7:52 PM)

Caro Milton, tenho largo crédito com recomendações, correto? Você já leu algum argentino por recomendação minha? </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011  8:26 PM)

Um dos mais belos _ e longos_, prólogos dos prólogos de Borges é dedicado a Macedonio. Encontro nele a frase: "O corpo, nele, era quase um pretexto para o espírito."

E tem neguim que quer saber de Serra, ainda!!</p>
<p>(<a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mar  2, 2011  9:04 PM)

Caro Idelber, tens bastante crédito. Todas as tuas indicações argentinas foram matadoras. Não penso em te desobedecer!

As duas últimas foram muito especiais: Tununa Mercado e Sylvia Molloy. 

Grande abraço, meu amigo.</p>
<p>(Daniel Barros :: 
mar  2, 2011  9:08 PM)

Ah, não. 
Vamos falar de Emir Sader sim. 
Que declaração absurda !
Não a da ministra, que ele pense o que diabos quiser sobre ela.
Mas falar de literatura e relevar a outra, após dois textos demolidores da Ana sobre o racismo no Brasil ?
Falemos de literatura E da declaração racista de Emir Sader, por que não ? A meu ver uma coisa não elimina a outra.
</p>
<p>(Paulo Nogueira :: 
mar  2, 2011  9:19 PM)

Valeu, Idelber. Não li e gostei.
Vou comprar o mais rápido possível.
Saludos!</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
mar  2, 2011  9:34 PM)

Só por curiosidade, a edição brasileira é uma edição totalmente nova ou é tradução de uma das quatro em espanhol? De qual delas?

Gostei muito do brinde! Me deu uma enorme vontade de ler esse livro.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  9:59 PM)

Não sei, Bárbara, em qual das edições é baseada a tradução. A mais completa é a da Archivos. </p>
<p>(Carlos Brito :: 
mar  2, 2011 10:19 PM)

Espero que em Salvador, Macedonio possa comer um acarajé com pequi de eminha terra, uai!
http://twitter.com/@cabrito2606</p>
<p>(<a href="http://www.ericocordeiro.blogspot.com" rel="nofollow">érico cordeiro</a> :: 
mar  2, 2011 10:38 PM)

Idelber,
Parece que é a água portenha que tem alguma coisa de especial. Borges, Sábato, Cortázar, Saer, Bioy Casares... E ainda tem escritores quase desconhecidos no Brasil como Manuel Mujica Lainez (li Bomarzo, mas não sei se saiu outra coisa dele aqui) e agora Macedonio Fernández (que eu não conhecia até ler seu post.
Fiquei interessado.
Valeu meu caro.</p>
<p>(Mariza :: 
mar  2, 2011 11:30 PM)

Adorei a indicação vou procurar correndo em B.Camboriú .
Vc já conhece o escritor Uruguaio, Felisberto Hernandez?
Vale a pena conferir.
O prólogo do livro :O cavalo perdido,e de Cortazar.
valeu,obrigada pela dica</p>
<p>(Márcio :: 
mar  3, 2011  2:06 AM)

Depois dessa indicação apaixonada, só me resta ler esse livro!!!</p>
<p>(Luiz :: 
mar  3, 2011 11:01 AM)

Sempre achei um pouco mistificante as declarações do Jorge Luis Borges sobre o Macedonio. 
Da última vez que estive em Buenos Aires comprei o "No todo es Vigilia la de los ojos abiertos" e uma outra antologia de mais textos de metafísica, "Para una metafisica argentina." São bons livros onde a tal da oralidade genial do Macedonio se faz exalar. 
Sempre me recordo do soberbo ensaio do Borges, Kafka y sus precursores (é esse mesmo o título em espanhol?), quando me vem à cabeça o Macedonio. É ótimo escritor, sem sombra de dúvida, faz sombra a muitos vultos da nossa pobre literatura. But I cannot shake off the impression that Borges invented his precursor Macedonio. 
Agora, quanto à edição inédita do Museo de la Novela de la eterna, tem absoluta certeza que já não havia nada em português? Posso estar enganado, mas lembro de ter uma edição magrinha, quase picotada, em português do Museo em algum lugar da minha biblioteca que ficou para trás, extraditada.  </p>
<p>(Luiz :: 
mar  3, 2011 12:07 PM)

Nem tanto aqui nem ali. 
Trata-se do "Tudo e Nada: Pequena Antologia dos Papéis Recém-Chegado", editora Imago, onde salvo engano, alguns dos prólogos do Museo de la Novela de la eterna aparecem.  </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  3, 2011 12:12 PM)

Perfeito, Luiz, eu já ia dizer que tinha certeza de que o Museu era inédito em português. Alguns prólogos na antologia da Imago, isso sim, é bem possível.  

Oi, Mariza, como lhe disse no Twitter, sim, gosto muito de Felisberto e leciono sua obra. Não sei se você conhece o site do escritor, que tem alguns bons recursos, apesar da irritante musiquinha tocando ao fundo (que desaparece depois que você sai da página principal). </p>
<p>(<a href="http://moysespintoneto.wordpress.com" rel="nofollow">Moysés</a> :: 
mar  3, 2011 12:27 PM)

A última dica que colhi do teu formspring - Cristovão Tezza - foi uma leitura excelente. Já foi para a fila. </p>
<p>(Luiz :: 
mar  3, 2011 12:36 PM)

Felisberto Hernandez foi um caso de amor quando o conheci pela tradução da Cosac de O Cavalo Perdido. Olhando o site oficial do Hernandez fiquei com comichão de encomendar as obras completas da Siglo XXI. 
Tem aí algum segredo para encomendar literatura em espanhol para a América do Norte? A Amazon nem sempre tem opções satisfatórias. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  3, 2011 12:52 PM)

Oi, Luiz, para comprar livros em espanhol aqui na América do Norte, a melhor casa que já encontrei é o Latin American Book Source. </p>
<p>(Jair Fonseca :: 
mar  3, 2011  1:19 PM)

Idelber, outra aproximação a Macedonio Fernández, via literatura brasileira, além de Oswald, é a que temos com Guimarães Rosa, principalmente o de Tutaméia, com seus "prefácios" e seu riso metafísico, que ri da metafísica. 
Não só pela estrutura do livro, mas por seu meta-riso da metafísica, acho que tem mais a ver com Macedonio.
Que bom que traduziram e publicaram todo o Museo, pois só havia mesmo algo na antologia da Imago.
Tenho a edição da Arquivos, que só li aos pedaços, por absoluta falta de tempo. 
Tô precisando de um ano sabático!</p>
<p>(Ricardo L Berbara :: 
mar  4, 2011  9:28 AM)

Caros,
As traduções para o português costumam ser ruins. De autores portenhos nem se fala. Alguem pode dar seu testemunho sobre o livro em pauta?</p>
<p>(Rodrigo :: 
mar  4, 2011  3:09 PM)

Caro Idelber, dois episódios em que figuras ligadas ao seu time (eternamente perdedor) fizeram bonito. Primeiro a carta do Toninho Cerezo ao seu filho (filha) e a postura do Kalil, figura pela qual nao tenho a menor simpatia, nesse episódio dos direitos de transmissão dos jogos pela televisão.</p>
<p>(Luiz :: 
mar  4, 2011  5:20 PM)

As traduções da Cosac me parecem muito boas. Bioy Casares em O Sonho dos Heróis é bem boa. 
As traduções mais recentes dos romances do Onetti Junta-Cadáveres e Vida Breve, por não me lembro mais que editora, também não deixam nada a desejar. 
Mas voltando a Cosac, os projetos da editora sempre são fodões. Compro de olhos fechados. </p>
<p>(<a href="http://semsugestaodenomes.blogspot.com" rel="nofollow">eduardo ssugest</a> :: 
mar  6, 2011  4:55 PM)

Obrigado por mais uma indicação, grande Idelber. Já estou correndo atrás do livro.
Abraços!</p>
<p>(<a href="http://www.twitter.com/e_caparelli" rel="nofollow">Estela Caparelli</a> :: 
mar  7, 2011  6:28 PM)

Seu post escancarou novas possibilidades. Macedonio Fernández: próxima parada literária obrigatória </p>
<p>(<a href="http://doutorsujeira.blogspot.com" rel="nofollow">Fontinatti</a> :: 
mar 11, 2011 11:22 AM)

Também não li e gostei.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Literatura</dc:subject>
<dc:date>2011-03-02T04:04:52-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Consenso no topo, divergência na base: Os primeiros 60 dias de Dilma Rousseff (1ª parte)</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/consenso_no_topo_divergencia_na_base_os_primeiros_60_dias_de_dilma_rousseff_1_parte.php</link>
<CommentCount>65</CommentCount> 
<description>A perplexidade da direita e a indignação da esquerda é uma tradição dos começos de governo lulistas. É provável que muita gente não se lembre, mas quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente, ele prometeu um governo que deixaria...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A perplexidade da direita e a indignação da esquerda é uma tradição dos começos de governo lulistas.</strong> É provável que muita gente não se lembre, mas quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente, ele prometeu um governo que deixaria “a direita indignada e a esquerda perplexa”. Como se sabe, a profecia fracassou, mas treze anos depois Lula a atualizaria com signo trocado: em 2003, a reforma da Previdência, a elevação do superávit primário de 3,75% para 4,25%, a manutenção das metas de inflação e do câmbio flutuante, assim como o privilégio à estabilidade macroeconômica deixariam a direita perplexa e a esquerda indignada. Em dezembro de 2003, atendendo o convite da saudosa revista argentina <em>Punto de Vista</em>, escrevi um <a href="http://www.bazaramericano.com/bazar_opina/articulos/avelar_dic2003.htm">balanço otimista</a> do primeiro ano do governo Lula, a partir da noção de superação do populismo. Quem se lembra de quantas bordoadas o governo Lula levou pela esquerda naquele ano saberá como era difícil que um cabra de esquerda mantivesse aquela posição. No número seguinte da <em>Punto de Vista</em>, Norberto Ferrera, argentino radicado no Brasil e professor da Universidade Federal Fluminense, publicava uma <a href="http://www.bazaramericano.com/correo/ferreras_avelar.htm">resposta</a>, em que falava de “vergonha alheia” pelo meu otimismo e aludia ao “péssimo político Gilberto Gil” e à “falta de efeitos práticos” do governo Lula. Deixo ao leitor a decisão sobre quem riu por último. </p>

<p>Relembro aquele episódio não para bater no peito e dizer que eu estava certo. Talvez eu estivesse certo mas era, com certeza, pelas razões erradas. Seis anos depois, já com a perspectiva de dois mandatos de Lula, André Singer escreveria aquela que ainda é a <a href="http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1356">melhor análise do lulismo</a>, mostrando como ele se apropria da bandeira da redução da desigualdade <strong>sem perturbação da ordem</strong>, o que seria a chave para a conquista da população de baixíssima renda, o subproletariado, que havia sido anti-Lula até um passado recente. Observando a votação das várias classes sociais nas eleições brasileiras desde 1989, Singer vê o ponto de inflexão em 2006, justamente quando setores da classe média abandonavam Lula, e os muito pobres, que em 1989 haviam seguido Collor por medo da desordem, abraçavam seu novo líder, favorecidos pelas políticas de valorização do salário mínimo, pelo Bolsa Família, e por programas como o Luz para Todos, mas movidos também pela empatia com o retirante nordestino que chegou à Presidência. </p>

<p>&&&&&</p>

<p>O petismo pode ter representado uma superação do populismo, como eu dissera em 2003 (há um belo livro de Raul Pont, aliás, que recomendo a todos: <em>Da crítica do populismo à construção do PT</em>). Mas o lulismo, que foi quem efetivamente governou, é <strong>uma atualização do populismo</strong>, que combina o ganho econômico para os mais pobres, o sólido cuidado com os interesses do andar de cima, especialmente do capital financeiro, o papel do Estado na correção (moderada) das desigualdades, e o apreço pela ordem. É o que <a href="http://www.diariogauche.blogspot.com/">Cristóvão Feil</a> resume num ótimo achado: lulismo de resultados. Dilma mantém tudo isso, mas o lulismo agora sobrevive sem um de seus pilares: a identificação dos mais pobres com seu nordestino retirante, nove-dedos e corintiano. Todos os assessores e colaboradores coincidem na avaliação de que Dilma é extremamente difícil de ser lida, mas alguns de seus movimentos iniciais têm a ver, acredito eu, com a sua percepção desse problema: como reinventar o lulismo sem Lula. Nós sequer temos uma tradição de presidentes concluindo mandatos e transmitindo o cargo a um(a) correligionário(a). Dilma tem a tarefa de suceder o maior mito político de nossa história moderna. </p>

<p>&&&&</p>

<p><strong>O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses</strong>. A afirmativa é até banal, de tão óbvia, mas é chave para entender estes primeiros 60 dias. Têm alguma representação na coalizão lulista o subproletariado e o capital financeiro; ruralistas e ambientalistas; o capital industrial e as centrais sindicais; oligarquias peemedebistas e setores trotskistas do PT. A administração dessa coalizão heterogênea, com Dilma, certamente terá um caráter diferente da que teve com Lula. A <a href="http://moysespintoneto.wordpress.com/2011/02/20/tecnocracia-de-esquerda/">tecnocracia de esquerda</a>, para usar a certeira expressão de Moysés Pinto Neto, não é simplesmente um traço da personalidade da Presidenta, mas uma estratégia real, que recoloca os problemas políticos—onde a expressão dos antagonismos de classe é inevitável—como questões técnicas e gerenciais. Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento. </p>

<p>As frentes amplas—como aquela formada em apoio a Dilma durante as eleições—são reconfortantes. Nos sentimos parte de um todo unitário. Há um inimigo comum. É uma ótima sensação: "somos todos companheiros!" Mas seria uma ingenuidade, na melhor das hipóteses, imaginar que essa unidade se manteria durante o governo. Daí o fato de que, seja qual for sua opinião sobre os primeiros 60 dias, qualquer tentativa de sufocar o debate com afirmativas sobre a necessidade de manter a “unidade” são daninhas e devem ser rechaçadas. Se, no topo, há um consenso—até a Revista Veja e Kátia Abreu reservam elogios para Dilma, sem que a esquerda do PT, por exemplo, sequer cogite romper com o governo—, na base há uma proliferação de avaliações diferentes, da perplexidade à indignação, da justificativa automática de qualquer ação da Presidenta a julgamentos peremptórios sobre a hegemonia neoliberal no governo. É normal que assim seja. Estamos todos tateando. </p>

<p>No caso da internet e da blogosfera, foi o feminismo o primeiro a ser acusado de “desagregador”, já logo na época da posse. Houve gente que se dispôs a “investigar” quem estaria “por trás” da crítica ao masculinismo da esquerda. Houve gente que comparou a crítica feminista ao masculinismo progressista no Brasil de hoje ao colapso dos republicanos espanhóis na Guerra Civil em 1937. Houve gente que viu, por trás da crítica feminista, os dedos de um misterioso e onipotente ex-assessor da Soninha. Mal sabiam os acusadores de então que seriam depois, também eles, acusados de romper a “unidade”, seja ao questionar ações do MinC, ou criticar a política do salário mínimo, ou questionar a ida da Presidenta à Folha de São Paulo, ou defender essa mesma visita (neste caso, aliás, eu entendo os que se indignaram e entendo os que a justificaram; só não entendo aqueles que, dos dois lados, se surpreenderam). A estas alturas, portanto, já não tem sentido pensar em agregadores ou desagregadores, posto que está mais ou menos óbvio que existe uma pluralidade de avaliações acerca dos primeiros 60 dias de Dilma—o que é muito positivo. </p>

<p>Esta é, portanto, a primeira tese: <strong>a pluralidade de avaliações dos primeiros passos do governo Dilma deve ser incentivada</strong>. A retórica da “necessidade de manter a unidade da blogosfera” é enganosa e serve interesses escusos. A conversa deve ser ampliada para incluir camaradas que optaram pelo apoio a Marina Silva, e que agora com certeza terão algo a dizer, por exemplo, sobre a construção da Usina Belo Monte. Ela deve incluir também forças da oposição de esquerda, como, digamos, Ivan Valente e Milton Temer, cuja exclusão do debate sobre os rumos do governo não interessa em absoluto ao petismo. Eles serão aliados, por exemplo, no debate sobre a reforma política. Está mais ou menos claro que haverá uma reconfiguração das forças políticas brasileiras nos próximos anos: quem, em sã consciência, um ano atrás, imaginaria Kassab no PSB ou Kátia Abreu na base dilmista? </p>

<p>A hegemonia sobre os rumos do governo não está dada de antemão. Vale a pena brigar por ela. Volto ao assunto num próximo post, tratando da reforma política e das comunicações. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/consenso_no_topo_divergencia_na_base_os_primeiros_60_dias_de_dilma_rousseff_1_parte.php#comments" title="Comente Consenso no topo, divergência na base: Os primeiros 60 dias de Dilma Rousseff (1ª parte)">65 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://fernandohleme.wordpress.com" rel="nofollow">Fernando Leme</a> :: 
fev 28, 2011  2:27 AM)

Idelber, com todo o respeito (e considerando a sua hipótese de "valorização da pluralidade) o governo Dilma (seja ele bem ou mal avaliado aqui a quatro anos, não me cabe aqui nenhum exercício de adivinhação) pecou por comunicar-se com extrema gentileza com a chamada "direita" brasileira (que inclui, sim, grupos heterogêneos e com interesses conflitantes, como industriais e latifundiários, por ex.) e não dar nenhum sinal de reconhecimento ou de adequação às diversas orientações tidas como "de esquerda".
Pelo contrário, a sequência de maus sinais, dos quais destaca-se a atuação do MinC, pode ser entendida como uma revelação, à lá Meszaros, de que o sistema convenceu-se da prevalência do neoliberalismo, a qual os diversos atores políticos, como o Obama (por ex.), são incapazes de reverter.
A manutenção do Brasil como um país periférico, fornecedor de commodities para o centro do capitalismo acabou por sustentar-se na divisão de renda "na marra" representada pelo Bolsa Família, e não por políticas públicas de longo prazo, como o investimento massivo em educação e a reforma agrária, que ao meu ver e a depender do início do governo Dilma, tornaram-se sonhos um pouco mais distantes.
Ou isso ou eu ainda não sou um pragmático pró-mercado.</p>
<p>(JG_ :: 
fev 28, 2011  5:57 AM)

Idelber, Idelber, não sei se a tua bola de cristal tá tão bem cotada assim não, teus textos de 2004 não dizem o mesmo que os de 2003... ;)

----

Bom, sobre os próximos 4 anos de Dilma, ando pessimista. Acho que o Brasil deve mesmo crescer acima de 6%, pobreza ainda mais reduzida, melhora em diversos indicadores. Mas se eu quisesse um bom gerente, votava no PSDB.

Eu sou de esquerda, mas aceito coalizões "amplas". Só não me agrada a perspectiva de bons resultados de centro, sem as bandeiras de esquerda. Sem casamento gay, sem fontes menos agressivas de produção de energia, sem reforma agrária, sem briga pela democratização dos meios de comunicação, sem PNDH-3... (por mais quatro anos), bem, aí eu vou ter que procurar um partido de esquerda pra votar em 2014.   

----

Uma historinha rápida:

Tenho um amigo que se diz de esquerda e votou em Lula em 2002, mas pulou fora indignado depois do mensalão (tá bom, eu também fiquei indignado). Em 2010, votou na Marina, e na Dilma no segundo turno, mais pra evitar o Serra (quem gosta do Serra?). Prefere o Palocci; vai com a cara do Aécio; seus olhos brilham com expressões como "choque de gestão"...

Enfim, esse meu amigo existe mesmo, por mais que pareça uma caricatura, extremamente comum de se encontrar, de pseudo-esquerdista-tucano-enrustido.    

O caso é que sempre que eu tento contra-argumentar com ele (e outros do mesmo time), a fim de desfazer essa panaceia de "bons gerentes" que o PSDB vende aqui e ali, costumo atacar tal modelo dizendo coisas como que se trata de uma estratégia de discurso "que recoloca os problemas políticos—onde a expressão dos antagonismos de classe é inevitável—como questões técnicas e gerenciais. Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento."    

Moral da história: roubaram a minha crítica ao PSDB, pra usá-la como elogio a Dilma. 

(isso não me traz bons pressentimentos)</p>
<p>(aiaiai :: 
fev 28, 2011  7:59 AM)

Eu concordo com a tese de ajudar a manter a pluralidade, mas acho que tem um pessoal pegando meio pesado nas críticas. 
Do salário mínimo, nem sei o q dizer. Ela conseguiu transformar em lei o acordo q o lula tinha feito com sindicatos. Foi uma supervitória para quem acha bom o salário mínimo subir com critérios alinhados ao crescimento do brasil, ou não?
Essa história da ida à folha foi ridícula. A presidenta cumpriu o protocolo - não são muitas empresas no brasil que fazem 90 anos-, fez um discurso coerente com o que ela é e sempre foi, e, depois do discurso, foi embora, porque ela tem mais o que fazer na vida. E pronto.
Chamá-la de tecnocrata também é meio precoce. Eu acho que ela está usando argumentos técnicos para obter vitórias políticas, vitórias para a estratégia de crescimento que o pt traçou e quer alcançar.
Acho que todas as questões sociais e de direitos humanos terão melhores condições de avançar com dilma do que tiveram com lula. Primeiro porque a base dela no congresso é mais sólida do que a q lula teve. segundo porque ela tem ainda mais vontade política de mudar essa estrutura arcaica do Brasil do que tinha o lula no início de mandato. Aposto que em seu governo vai passar lei de comunicações; casamento gay; descriminalização do aborto, etc. 
O perigo que eu vejo é a esquerda se desmantelar em picuinhas e deixar a direita (kassab, etc) tomarem acento no apoio ao governo. Ai ela vai ficar sem apoio para fazer o que ela certamente gostaria de fazer em algumas áreas, para garantir a execução da meta maior que é - e deve ser mesmo - reduzir a pobreza. </p>
<p>(thor :: 
fev 28, 2011  8:14 AM)

O que eu acho curioso dessa revolta da esquerda é que a narrativa de 2011 é a mesma de 2003. Com certeza, muito mais do que uma suposta opção por uma guinada ideológica ou administrativa muito abrupta, estão usando esse momento oportuno e a solidez da base (mesmo que perplexa) para desestruturar a oposição, tanto no plano partidário quanto no plano imagético e ideológico. Se esse movimento não é claro agora, não importa: apela-se à base com resultados em alguns anos. Mas é patente que existe um cálculo e uma prática política mais sofisticados do que o derrotismo que anda circulando. 

Dilma já cumpriu uma promessa do Lula, que não é pouca coisa. Extirpou o DEM da política brasileira! Kátia já não se dá com Bornhausen que não se dá com Kassab. Nisso, ainda alijou a Força Sindical e fez o PSDB votar contra a bandeira histórica deles e entrar de cabeça na oposição negativa pela qual tanto se criticou o PT pré-poder. É só parar pra imaginar como isso vai soar nos debates de 2014 com o Aécio.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011  8:38 AM)

Puxa, descriminalização do aborto eu sou capaz de apostar que não passa, não. União civil de casais do mesmo sexo, sim. Mas aborto? Duvido. 

Gostaria de estar errado, sublinhe-se. </p>
<p>(<a href="http://solidaliberdade.blogspot.com/" rel="nofollow">Amon B.</a> :: 
fev 28, 2011  9:12 AM)

Para mim fica uma questão que não considero fácil: é possível valer-se da tecnocracia como forma de resolver - talvez fosse melhor dizer evitar - as questões políticas, sem levar junto o insulamento burocrático e certo autoritarismo que acompanhas as práticas gerenciais? Além disso, me parece que a resolução tecnocrática coloca a hegemonia sobre bases frágeis uma vez que não se trata de um "consenso" orgânicamente articulado, mas que é, em certa medida imposto.

Concordo que não se pode esperar que as "bases" avaliem consensualmente as políticas de governo, mas elas não podem ser ignoradas, já que a conquista por "espaços" na sociedade civil é interminável. Contudo, na medida em que o gerencialismo visa escamotear o conflito inserindo a dimensão da técnica acaba por dar pouco espaço a resolução política das questões.</p>
<p>(Igor :: 
fev 28, 2011 10:36 AM)

Ouvimos coisas muito parecidas de alguns esquerdistas no primeiro ano do primeiro mandato do presidente Lula. Muitos deles foram para a extrema esquerda se encontrar com a extrema direita (pelo outro lado). Ver o PSOL alinhado com o DEM e o Chico Alencar repetindo as coisas que o Roberto Freire diz é muito instrutivo. Minha convicção continua inabalada: a presidenta Dilma vai fazer um ótimo governo. Quanto aos direitos humanos, a impressão que eu tenho é que a ministra Maria do Rosário está muito à vontade no cargo.</p>
<p>(Rodrigo Saraceno :: 
fev 28, 2011 11:12 AM)

Idelber, a União Civil vai sair via STJ e STF.

Semana passada começou o julgamento de um recurso com esse objeto no STJ, que está em 4 a 2 a favor da tese. Faltam 4 ministros votarem, me parece que vai rolar.

Além disso, temos o STF, que vai julgar uma ação constitucional com esse mesmo objeto nesse ano ainda, provavelmente no primeiro semestre. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011 11:19 AM)

Sim, sim, acompanhei a votação no STJ, até o inacreditável pedido de vista... </p>
<p>(Dida :: 
fev 28, 2011 11:23 AM)

Bem vindos ao mundo corporativo, após a eleição, não de uma política, mas de uma C.E.O. Nem um tucano faria melhor...

O chato é que, em um país democrático - e como o nível de política que temos - quem vota na Assembléia Geral Ordinária de 4 em 4 anos não são apenas  os militantes, digo, os que tem as ações majoritárias (preferenciais ou ordinárias) , mas todo o quadro de acionistas, digo, todo o eleitorado, daí que essa C.E.O. terá que levantar o traseiro do trono, digo, da cadeira presidencial, e se travestir de política mais uma vez, deixando os acionistas majoritários, digo, os militantes de respiração suspensa mais uma vez...

</p>
<p>(Cláudio Freire :: 
fev 28, 2011 11:26 AM)

Idelber, ia comentar exatamente o que voce comentou em #5!
Concordo muito com aiaiai (em #3), mas acho que a discriminalização do aborto, infelizmente, vai ter que esperar. E isso é consequência do processo eleitoral, ocasião em que o PT respondeu à campanha fascista do PSDB se comprometendo em não tocar nessa questão. Gostemos ou não, esse foi o compromisso. 
Mas, no geral, concordo com aiaiai. Principalmente porque, na minha opinião, tem muita gente baseando-se um informações da velha imprensa para criticar o governo em seu início. Acho isso, no mínimo, precipitado.  
Obs: depois que as coisas estiverem mais claras, claro que críticas serão feitas, e devem sempre ser feitas. Com elas, temos a oportunidade de refletir, avançar e/ou corrigir rotas. 
Mas devemos saber separar as atitudes a serem tomadas pelo governo com as atitudes a serem encampadas pelo partido majoritário (PT). Esse entendimento ainda tem que ser melhor amadurecido, e noto isso desde que trabalhei em alguns governos do PT, na esfera executiva municipal. Lembro-me, por exemplo, como foi dolorosa essa discussão no governo Luisa Erundina.
Mas vamos em frente. Saber trabalhar com o tempo é uma das maiores virtudes de um lider político. Vamos deixar as coisas se definirem um pouco melhor, mas sempre vigilantes e dispostos a fazer as necessárias críticas construtivas.     </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011 11:28 AM)

E eis que acabo de ler na Folha uma entrevista com Luiz Werneck Vianna que vai mais ou menos na linha do exposto aí no post. </p>
<p>(<a href="http://moysespintoneto.wordpress.com" rel="nofollow">Moysés</a> :: 
fev 28, 2011 11:28 AM)

Ótimo texto. Por enquanto, estou enxergando as coisas como o comentário do Amon B. </p>
<p>(Rodrigo N. :: 
fev 28, 2011 12:38 PM)

O mundo complexo do jeito que está e tem gente que ainda se apóia nos velhos clichês de esquerda e direita?
O que é ser de esquerda hoje? O que é ser de direita?
</p>
<p>(<a href="http://desenvolvendodesenvolvimento.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Roberto Silva</a> :: 
fev 28, 2011 12:47 PM)

Concordo que o modelo adotado no Brasil nos últimos anos envolve uma pactuação social heterogênea, mas ela é diferente do populismo em essência. No populismo os conflitos sociais se davam dentro do estado. No nosso modelo atual estamos próximos do que os autores das Varietes of Capitalism chamam de "capitalismo cooperativo", em que o estado atua como árbitro dos conflitos sociais (explicação rasa, a teoria é muito mais complexa). Sugerido, para complementar ao André Singer, a leitura do artigo de Glauco Arbix sobre o modelo econômico adotado no governo Lula, em comparação com o desenvolvimentismo e o neoliberalismo.</p>
<p>(thor :: 
fev 28, 2011  1:08 PM)

Já que vamos fazer indicações..

Após uma pequena temporada estudando populismo, especialmente o Jorge Ferreira, cheguei à conclusão que se trata de uma categoria vazia, de uso meramente desqualificatório. Só serve quando vem qualificado (populismo-trabalhismo do Vargas, populismo cambial do FHC, populismo salarial cooptatório do Jango ministro do trabalho. Vê-se que a palavra não acrescenta nada)

</p>
<p>(<a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Cava</a> :: 
fev 28, 2011  1:34 PM)

A tecnocracia não é perniciosa se for tática para encobrir políticas de esquerda, ou seja, escamotear a visão ideológica para minimizar a barulheira da imprensa conservadora que, apesar das redes sociais e mídias livres, ainda é dominante.

Mas a tecnocracia passa a ser um problemão, e de fato se alinha ao discurso tucano, quando é posta em dialética com a democracia. Isto é, opor gestão e democracia. Aí a tecnocracia passa a ser usada para encobrir não a política de esquerda, mas precisamente a sua neutralização, curvada sob a incontestabilidade de números e especialistas e teses acadêmicas.

Exemplo concreto. Ministério da Cultura. O discurso tecnocrático aí se apresenta como sustentabilidade, qualificação profissional, inserção no mercado, gestão eficiente, para se opor, de modo dialético, à democratização dos recursos, ao empoderamento transversal dos agentes culturais, à expansão dos Pontos de Cultura e da Cultura Viva (política cuja importância se equipara ao Bolsa Família, por atender, cf IPEA, mais de 8 milhões de pessoas e complementá-lo com a capacitação produtiva e cognitiva dos pobres).

Não a toa a Ministra Ana de Hollanda tenha aparecido no caderno MERCADO da Folha de São Paulo e no DINHEIRO da Isto É. Está assessorada por advogado do ECAD, medalhões da "classe artística" e cabeças da aristocracia ilustrada do Rio de Janeiro (três grupos que são as mesmas pessoas). E assim maneja o discurso técnico pra anular a política de esquerda. Isso é estratégia, sim, mas do mais desvalado reacionarismo. 

Isto tem significado: 1) contornar a ampliação dos Pontos de Cultura (como prometido na campanha) em nome da "qualificação" do programa e sanar problemas de gestão; 2) priorizar iniciativas "sustentáveis" como indústrias criativas = parcerias com grandes conglomerados cultural-midiáticos (seguindo o exemplo do Rio, onde o discurso da economia criativa se concretizou com três mega-museus nas mãos da Fundação Roberto Marinho); 3) reunir "especialistas" para formular as políticas públicas, ao invés da construção em rede de baixo pra cima dos ministros anteriores, e isso fica evidente na discussão da LDA, onde Ana promete "montar uma comissão de juristas"; 4) estabelecer a dicotomia entre criadores (classe artística) e consumidores, onde a cultura não passa de produtora de bens integrada à economia, e não como autovalorização social e construção de mundo em rede, ou seja, mundinho separado da cultura (atividade técnica e especializada) e não cultura como mundo, ou seja, cultura proprietária x cultura commonista.

Esse discurso autoritário e surdo, porque blindado pela aura de apoliticidade, tomada como valor e não desvalor, está apresentado de modo cristalino no MinC. Nas outras áreas, meu juízo fica um pouco atenuado pelos argumentos dos defensores do governo. Essa questão dos 90 Anos da Folha pra mim não passou de dor de cotovelo da blogosfera progressista, e serviu para ela parar de ser mais realista que o rei. Mas no Minc é simplesmente indefensável a guinada, mais que conservadora: reacionária. É um desastre total.

É preciso produzir o dissenso.</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 28, 2011  1:48 PM)

Quanto à questão do casamento gay, além do processo no STJ, o deputado Jean Willys (não sei como escreve o nome dele) apresentou o projeto de uma PEC do casamento gay. Vamos ver se vai ser discutido.

Infelizmente o aborto não deve passar. Lembro que durante o governo Lula alguém tentou propor que se desse tratamento no SUS às mulheres que fizessem um aborto clandestino (li um artigo em defesa dessa proposta na Veja!), mas também não passou. E vendo o tipo de argumento que usam nas discussões desses  temas (casamento gay, aborto), me pergunto se estamos mesmo num Estado laico livre de influências religiosas em suas decisões.</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/cadulessa" rel="nofollow">Carlos Lessa</a> :: 
fev 28, 2011  1:56 PM)

Ótimo texto, Idelber. E o resumo (se podemos chamar assim) é este:

"O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses."

Corrija-me se estiver enganado, Idelber, mas para poder "acomodar" esta heterogeneidade de classes e interesses, o poder, necessariamente, deve gravitar no CENTRO do espectro político, não?

Não seria uma incoerência chamar um governo assim de esquerda? Ou será que essas divisões em direita, centro e esquerda está ultrapassada, pelo menos no caso brasileiro?

Não corremos o risco de embaralhar muito o espectro político em nosso país, nessa conjugação de interesses, ficando assim difícil da população em geral identificar quais partidos/candidatos os representam mais fielmente, facilitando a vida dos conservadores (lobos vestidos em pele de cordeiro)?

Esses questionamentos foram levantados num post recente do Rodrigo Vianna e achei que tem muito a ver com o seu post. Agora, só o tempo trará as respostas.

Abraços,
Carlos Lessa
</p>
<p>(<a href="http://desenvolvendodesenvolvimento.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Roberto Silva</a> :: 
fev 28, 2011  2:09 PM)

O comentário #16é perfeito quanto à inutilidade do conceito de populismo.</p>
<p>(eltonbcastro :: 
fev 28, 2011  2:16 PM)

O governo Dilma é um governo em disputa e as forças que o compõem precisam brigar para se fazerem ouvidas. O que eu realmente cobrarei do governo Dilma é a continuidade de uma característica presente em ambos os governos Lula: que seja melhor que todos os governos anteriores, ou, como disse a presidenta em campanha: avançar, avançar, avançar.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011  2:25 PM)

Thor, Paulo: Eu tenho observado essa tendência de uso do conceito de populismo de forma desqualificatória. Tenho observado também que ele costuma aparecer sempre que algum governo toma medidas em favor das classes menos desfavorecidas. Nesse sentido, acho que vocês têm razão. 

Mas eu não jogaria fora o conceito de populismo, não. É uma discussão longa, que eu não tenho condições de reeditar aqui agora, mas eu os remeteria a um livro do Laclau, um post do Biscoito sobre João Ubaldo, outro sobre Fernando Henrique, em que aparecem alguns esboços de como eu entendo, hoje em dia, o conceito de populismo. 

Para resumir a ópera: entendo as reservas que o Thor coloca. O termo é mesmo usado, levianamente, para desqualificar. Mas não sei se eu "jogaria o bebê fora junto com a água suja do banho", para usar outro clichê. Claro que o Thor deve ficar totalmente à vontade para dissertar aqui sobre suas razões para descartar o termo. Eu ainda acho o conceito essencial. </p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/" rel="nofollow">Lord Jim</a> :: 
fev 28, 2011  2:56 PM)

"a opressão quase sempre conta com a conivencia do oprimido" Jean Paul Sartre</p>
<p>(aiaiai :: 
fev 28, 2011  3:11 PM)

As dificuldades para aprovar uma lei que ao menos trate o aborto como uma questão de saúde pública serão imensas, não duvido. Mas a Espanha já conseguiu...Portugal também. Então, pensando que Dilma ficará 8 anos, não acho improvável que ela consiga. Vai depender muito de como nós - os cidadãos - vamos nos comportar nas próximas eleições. 

Um dos pontos importantes: se a gente ficar dando ouvidos à esquerda evangélica (coisa esquisita, mas vcs sabem quem é, né?), não vamos conseguir avançar mesmo.</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/" rel="nofollow">Lord Jim</a> :: 
fev 28, 2011  3:32 PM)

Os analistas que enxergam tantas sutilezas e nuances são muito mais inteligentes que eu, isso é uma coisa evidente pra mim que quero deixar claro.
O sistema que permitiu e eleição do Obama lá, da Lula e da Dilma aqui, sabe o que faz e não abre mão de nada, ao contrário.
Em nosso país pobre só é motivo de preocupação para o poder quando pega em armas. Uma parte da população inconformada e com disposição para a ação mas que não tem  a menor capacidade de se organizar politicamente em guerrilhas ideológicas, se organiza em quadrilhas (milícias, traficantes, crime organizado e o escambau). O mesmo sistema que “permitiu” essas eleições controla e administra muito bem seus interesses e descobriu que, impossibilitada de manter um dos seus a frente dos governos eternamente, o melhor é recrutar um dos “excluídos’,  de “esquerda” – operário nordestino, negro americano, mulher, índio biliviano – para tocar o barco pq daria uma enorme satisfação aos realmente excluídos. E daria tempo aos donos do mundo para ajustar suas estratégias para os momentos seguintes.
Para melhor resumir o que penso melhor fazer o seguinte: baixar na net o documentário Da Servidão Modera, assistir e pensar a respeito. Boa sorte pra todos nós que vamos precisar.
</p>
<p>(<a href="http://desenvolvendodesenvolvimento.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Roberto Silva</a> :: 
fev 28, 2011  3:36 PM)

Idelber, discutir o popu,lismo sob um enfoque como o de Laclau é interessante, porque aí estamos falando do populismo tal como ele se configurou em um determinado momento histórico: Um modelo político em que as classes emergentes ligadas ao processo de industrialização (tanto burguesias nacionais modernizantes como setores populares, especialmente urbanos) encontraram -, ou melhor dito, formaram, embora com diferentes graus de poder e influência no produto final - um Estado e um regime que pudesse dar resposta política, econômica e social à crise da dominação oligárquica (Weffort, 1973; Laclau, 1977; In: Calderon).

Agora, pactuações entre grupos sociais heterogêneos para o desenvolvimento aconteceram em diversas circunstâncias, não necessariamente desembocando em populismo. O Oriente é pródigo nestes exemplos. Ou vamos chamar de populista o governo japonês nos anos 1960, o coreano dos 1970 ou mesmo o chinês a partir de Deng Xiaoping?

O "lulismo", ou algo assim, assim como o "chavismo", não é uma resposta à crise da dominação oligárquica, mas à crise das reformas liberais do consenso de Washington. No Brasil, o PT construiu um pacto social que no qual a grande empresa ocupa um papel de vanguarda. Na Venezuela Chaves articulou outro pacto, no qual a grande empresa não tem voz. O resultado é a diferença entre o desarollo endógeno de Chavez e o ativismo estatal sem estatismo de Lula/Dilma</p>
<p>(Luiz Monteiro de Barros :: 
fev 28, 2011  4:25 PM)

Blog de esquerda não significa eliminar a direita. Aldo Rebelo, relator do novo código florestal apoiado por Kátia Abreu, apoiadora da CPI do MST! Que nada apurou e o PIG não anunciou. Como no caso dos laranjais. 
Temos pois um único problema – é a midia, o PIG, a Fox. Passamos mais tempo desmanchado factóides, que na falta surgem os feminazis, os blogueiros com Luls
Enfim ser presidenta é ser como uma mãe,segundo Lula no documentário argentino. Se favorecer o filho mais necessitado. Isso é paradigma como dizem imperativo categórico. O pensamento convergente é a utopia de Estado e Mercado eficazes!!!Estado é mãe. mercado é partilha se for eficaz. Ser presidenta, mãe, gerir o Estado no Brasil é muito fácil. No pais mais rico do planeta, integrante de um MERCOSUL, o imperativo categórico, o destino, a profecia torna inexorável a diminuição da desigualdade de renda das famílias. Quando atingiremos uma Noruega que partilhou o seu petróleo. Alias como será a blogosfera lá. Tem blogs sujos e não sujos ou é tudo cinzento? 
Dêem banda larga acessível como já existe em outras economias capitalistas e mais gente virá ao Biscoito aprovar, criticar e muito pelo contrario. 
Se Dilma fizer, pe. mais pela educação como Lula, torneiro mecânico - mais 214 escolas técnicas alem das 105 (?) que desde sempre existiram a partir da 1a. em 1909 e o pouco sempre será > que zero, apesar de ser condição necessária mas não suficiente. A desigualdade diminuiu. Para tal aritmeticamente é preciso que os + pobres se apropriem de uma PARCELA maior. Sem revolução diante da bonomia da raça brasileira.Ah foi o IPEA que disse isso dirigido pelo Pochmman que agora o Moreira minista, (paradoxo, outro?). Ah e ele tambem disse termos o fator populacional a nosso favor - o crescimento já está abaixo de 1,9 filhos por casal, na media. Imagine quando o nordeste do Nicolelis, pela neurociencia se apaixonar pela cultura. Nutrição e reprodução.
Sonhar juntos...........
</p>
<p>(Jair Fonseca :: 
fev 28, 2011  5:29 PM)

Concordo contigo, Idelber.
Outro dia mess falei para um (já!)decepcionado eleitor da Dilma que ainda é muito cedo, e ainda lembrei a ele dos decepcionados eleitores de Lula, ao fim já não tão decepcionados. Pelo contrário: surpresos pelo seu ótimo desempenho, apesar do clichê "mas-claro-que-poderia-ser-melhor"...

Fora do assunto: silêncio de um minuto pela morte de Benedito Nunes, aos 82 anos.
Um ótimo e raro crítico literário com forte formação filosófica, no Brasil.
E um camarada muito gente boa, com quem já bati ótimos papinhos.</p>
<p>(wagner :: 
fev 28, 2011  5:47 PM)

Não tenho conhecimento nem erudição pra comentar com muita qualidade o texto do blogueiro, que é sempre muito bom. O que diria é que não vejo muita diferença entre Lula e Dilma, a menos do estardalhaço do primeiro(aliás Frei Beto foi certeiro quando disse que saímos da Escola de Samba para o Teatro Municipal).

As concessões à direita estavam e continuam lá, bem como os méritos e avanços sociais provavelmente continuarão também (espero que os avanços políticos, abandonados por Lula, aconteçam agora).

Então acho que a essência do governo é praticamente a mesma, o que é uma vantagem, pois teremos um Governo Lula SEM O LULA, uau, isso é ótimo, viva Dilma!!!
Wagner</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011  5:52 PM)

Caro Jair, deixei ontem no Twitter minha notinha de pesar pela morte de Benedito Nunes. O Alexandre Nodari fez o comentário perfeito: foi um dos poucos filósofos a entender a forte carga de pensamento que havia em Oswald de Andrade e Clarice Lispector. 

Requiescat in pace. </p>
<p>(Anarquista Lúcida :: 
fev 28, 2011  8:00 PM)

Idelber, você leu no Blog do Sakamoto sobre o acordo do governo com a Cosan, que praticamente desmonta a luta contra o trabalho escravo no Brasil? Isso tb é estratégia? 

Concordo com você que ainda é cedo para avaliar, mas que estou profundamente desanimada com os sinais que esse governo está emitindo, estou. Tomara que você esteja certo e eu errada. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011  8:06 PM)

Mas o meu texto não diz que não há sinais preocupantes. Só diz que a hegemonia está em disputa. Sim, há várias coisas preocupantes. A que você cita é uma delas. Estou contigo. </p>
<p>(marcelo l. :: 
fev 28, 2011 10:15 PM)

Idelber, sinceramente um governo que começa com sua presidenta no mesmo dia que sai um corte monumental indo ao Rio de Janeiro com o jato oficial para cozinhar em um programa de TV é um mal sinal, ou não?

Por sinal nesses cortes estão os futuros fiscais que iriam fiscalizar a Cosan (port 31) em uma semana que ela fez acordo com a AGU, curioso não? É para fazer o acordo e impedir novas fiscalizações, é isso que dá para entender?

O Guido também cortou a contratação de 300 cgu que iriam fiscalizar os gastos do governo, mas irá contratar por uma quantia maior a FGV, o mesmo expediente usado pelo grande gestor Sarney (não é um ataque a FGV, mas não era necessário nem um caso nem o outro, todos sabem o ocorre na folha, estão querendo economizar mesmo?  

Sem contar os agrados para o Sarney, a Dilma ao meu ver é apenas um Serra melhorado, o que é muito pouco, a hegemonia já foi dada, se a direita tiver o mínimo de articulação Aécio Neves será o futuro presidente, todos que ela paparica nesse instante estarão do outro lado, e quem considerou traído não terá confiança nela. </p>
<p>(dida :: 
fev 28, 2011 10:20 PM)

"Sem contar os agrados para o Sarney, a Dilma ao meu ver é apenas um Serra melhorado,"
hehehe... melhor seria ter ficado com o original, de fábrica, então.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 28, 2011 10:24 PM)

Marcelo, na boa, o lance da Dilma fazer um omelete de queijo com a Ana Maria Braga eu acho de pouca monta. Mas os outros pontos que você coloca, esses sim, valem discussão. 

Pra quem não viu ainda: o João Villaverde tem uma boa análise do corte orçamentário. </p>
<p>(marcelo l. :: 
fev 28, 2011 11:26 PM)

Idelber, até entendo mas a analise do João Villaverde falta alguns dados...

1 - Começo pela CGU já que foi eu que coloquei, isso foi informado pelo  Jorge Hage está adiado para 2012, e é ela que faz a controle interno para o governo, se você adia a estruturação dela para que contratar uma auditoria externa que será mais cara, se não terá quem implementar o plano, e a mesma CGU poderia fazer o plano, mas aí nem vou comentar.

2 - Agora partindo para analise do João Villaverde,  questão dos concursos públicos, sim é uma indústria, mas estava forte este ano por algumas razões, o governo tem um acordo não cumprido com o Ministério Público Federal de acabar com funcionários terceirizados em funções fins, por sinal os terceirazados saem mais caro (mas isso é outro problema), vamos raciocionar, não contratamos para indicar que queremos pessoal na iniciativa privada, mas ao mesmo tempo deixamos um "trabalhor mais caro temporário"...

3 - O termo indústria do concurso é mais a causa de um problema estrutural brasileiro, a constituição de 1988 exige que sejam realizados concursos, o serviço público paga melhor que o particular, e há milhares vagas não preenchidas que ficam represadas por adiamentos, enquanto isso cargos de livre provimento mais os terceirizados sempre aumentam. 

4 - O caso Cosan já cheira mal, este mês havia notícias verdadeiras ou não que queria-se mais fiscais por que o atual número é insuficiente para combater o trabalho analogo ao escravo e não terá concurso? Idelber é estranho, até por que um lobby bem feito com uma boa reportagem das condições de trabalho escravo e a falta de vontade do governo de combater conseguirá facilmente obtenção de barreiras tanto nos EUA como na Europa, é jogar com a sorte e nesse momento o "mercado" (para usar uma expressão tão queria do Guido) é protecionista e procura desculpa para proteger os empregos dos seus nacionais.
 
5 - Só pensar na área das Universidades Federais e escolas técnicas recém-inauguradas adiar a contratações é meio sem sentido em um governo que diz vai atacar o conteúdo e que precisa de um esforço de formar melhores trabalhadores.

6 - Acho que o problema do jatinho e do omelete, Idelber, é simbólico, no momento que seu governo está congelando salários e fazendo cortes de investimento duríssimos, você vai mostrar na TV que é uma boa dona de casa prendada, eu sinceramente achei um momento de extrema alienação com o povo que a elegeu. Claro que o Guido ainda torpedeu a mesma FAB dizendo que não tem dinheiro para caça, mas descobrimos que tem para jatinhos presidenciais passearem ao Rio de Janeiro. 

7 - Próximos dias teremos um novo aumento dos juros, ou seja, toda economia e  sacrifício será  entregue ao Deus Mercado. </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  1, 2011 12:00 AM)

Xará, ótimo comentário. Eu tô aqui só assuntano. Não se pode dizer nem que a mascara caiu, por que a presidentE nem chegou a colocar uma máscara. O mais interessante é como a parte da esquerda que ainda reage _ ou deveria reagir _, vai aos poucos percebendo que deve adotar novos questionamentos, se quiser ser diferenciada. Vai ser sintomático ler a evolução dos post do Idelber daqui para frente!</p>
<p>(<a href="http://www.saladapalavra.zip.net" rel="nofollow">mario cezar</a> :: 
mar  1, 2011 12:15 AM)

caro idelber, o que percebo, de muito salutar, em seu caderno, são as fundas indagações de todos. gente que conhece o chão (minado?)da política(esta arte de bagaceiras, como diria o matuto, de pés de  chão)concordo com você,o quanto o sr luis inácio lula da silva  foi espezinhado no os primórdios de 2002-03. foi peia, aos montes. o tempo mostrou a lucidez do operário. nessa perspectiva, lula, melhor do que ninguém, sabia quem deveria prosseguir com o rumo. não vi o inferno desabar e instaurar-se, mediante ao fato da presidenta comparecer ao aniversário da folha(onde reside a perdição em dilma conversar com com fhc?) será que a nação vai ser desmilinguida e esfacelada pelo capital porque a presidenta vai conversar no programa "mais você" tenho enormes ignoranças", do ponto de vista político e dou inteiras razões ao gênio de sigmund freud quando diz que educar e governar são imperativos impossíveis. fica redundante dizer, dila já faz um ótimo governo, desde o ministério das minas e energia. inté</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  1, 2011 12:18 AM)

Excelente comentário, marcelo (o do xará também). Lido com mucha atención. Estou aqui matutando, catando informação aqui e acolá. Agora vou me deliciar com meu Borges e deixo este post aqui mais 24 horas para você conversarem -- inclusive porque amanhã deve sair um aumento dos juros, não é isso? 

Volto a fazer outro post de política, se os orixás assim o permitirem, na madruga de terça para quarta. 

Conversem aí à vontade. </p>
<p>(<a href="http://twitter.com/repimlins" rel="nofollow">Renata Lins</a> :: 
mar  1, 2011 12:37 AM)

Idelber, para além do comentário específico sobre sua avaliação desse primeiro momento, que prefiro deixar pra daqui a pouco, gostaria de louvar o seu chamamento à conversa de grupos que não votaram na Dilma (no primeiro e/ou no segundo turno), e também a sua conclusão: todo governo numa democracia é, em certa medida, um governo em disputa. Um governo que se diz de esquerda (ou à esquerda), mas que fez alianças ao centro et alli, precisa da luta permanente de sociedade - movimentos sociais, militantes diversos, grupos de interesses - que o puxem mais para a esquerda. Nenhuma conquista dos trabalhadores jamais se deu sem luta. Porque agora seria diferente, se as forças que compõem o governo são tão heterogêneas? A questão é que, se há no governo gente disposta a trabalhar em prol dos avanços para assalariados e excluídos, é necessário que haja forças de fora do governo que briguem por isso. Com críticas, com protestos, com luta. Porque democracia se constrói assim. Nem toda crítica é para destruir, e alguma são fundamentais para construir. Valeu.</p>
<p>(Bruno Galvao :: 
mar  1, 2011 12:59 AM)

A politica monetaria-cambial esta destruindo o pais. Alem da forte perda de competitividade da industria, o pais esta registrando o maior deficit em conta corrente da historia, quando as commodities estao no mais alto nivel da historia. Isso tudo porque o supermonetarismo impede a queda da taxa de juros e a "correcao" do cambio. 
Esse modelo produzira uma crise cambial num futuro proximo. Para mim, a Dilma manter os ortodoxos no BC e apoiar o aumento dos juros e uma decepcao. Um pais nao se faz so de maladragem politica de ir para o centro para isolar a oposicao. A economia importa e muito. </p>
<p>(<a href="http://ocium-magnum.blogspot.com" rel="nofollow">wesley</a> :: 
mar  1, 2011  1:59 AM)

-É falso pensar o PT como atualização do populismo, principalmente se tivermos em mente a forma como ele se deu no pré-64. O que havia ali era uma sociedade combativa, em que demandas classistas chocavam-se. Faz parte da compreensão do populismo também a entrada do povo no jogo eleitoral que vinha se dando desde os anos 20 e 30, e que encontrava nas altas esferas uma resistência que sempre esboçava soluções golpistas. Clima tenso. 

-Esse está longe de ser o quadro atual. Não há nenhuma rota de colisão iminente que o PT deve evitar. Nenhuma efervescência conflitiva, (a não ser no reduzido espaço entre os blogueiros "progressitas" e a mídia aristocrática). Se "O lulismo é uma coalizão heterogênea de classes e interesses", como você disse, isso só se dá de forma, digamos, mais pontual, sem que por isso seja definido o quadro geral da política brasileira. Você, com seu resíduo de marxismo, passa uma idéia falsa da conjuntural luta-de-classes no Brasil, que estaria capitaneada pelo PT, que, para você, só finge fazer o jogo dos banqueiros. O PT estaria na verdade é amansando o capital finaceiro, fazendo um jogo de cena (ao mesmo tempo que lhe rende lucros altos), e com isso sagazmente conduzindo as conquistas dos trabalhadores, não é mesmo?

-Mas o que é a conquista dos trabalhadores nesse PT? Certamente não são os direitos trabalhistas: teve a reforma da previdência, o salário mínimo agora, todos conduzidos com discurso semelhante ao do Sarkozy, diga-se de passagem. E não custa lembrar que nomes petistas como o de Gushiken vem dos fundos de pensão, que significam orgia do capital especulativo, acima de tudo comprometido com a privatização e com o lucro que, por sua vez, significa alta exploração da força de trabalho. A resistência "trabalhista", da qual a Dilma seria uma expoente, se dá só nos poros.

-A conquista dos trabalhadores,o grande marco da era Lula, foi a elevação do consumo, essa porta de entrada no mundo capitalista. As famílias que afora viajam pelos aeroportos, como os leitores desse blog lembram. Os carros que agora são mais vendidos, a casa própria conquistada. Tudo isso é bom, o sonho americano também é uma coisa muito bonita. Mas esse é justamente o projeto neoliberal dando certo. Isso é fé demais no capitalismo, e pouca fé na política.

-A pouca fé na política significa a exclusão política das massas que o PT promoveu, paradoxalmente enquanto essa se alinhava a ele eleitoralmente. Isso começou com o "Lulinha Paz e Amor", a ideologia de pós-política conciliatória do Lula. Por isso não é populismo, porque este se deu historicamente no Brasil em um momento de ascensão política das massas. O Lula é de um neo-populismo, meio que um avesso desse, como o Chico de Oliveira escreveu brilhantemente em seu "O momento Lenin" (artigo que é uma das melhores sínteses sobre o governo Lula).

-E agora vem você, para reforçar esse movimento, entendendo também que "defesa da ordem" é um valor, que o pragmatismo serve à esquerda porque a permite avançar, e que situar as questões como problemas gerenciais é uma bela estratégia! Ora, isso faz parte justamente da ideologia dominante que quer despolitizar o debate, instaurando sua ortodoxia como bom -senso, ou melhor dizendo, boa gestão. Como assim isso é uma estratégia para a esquerda? Essa é justamente a estratégia da ideologia neoliberal. Ela diz "there's no alternative" e coloca como a única coisa sensata a se fazer aumentar apenas ridiculamente o mínimo, e deixar intocado os serviços da dívida, que é o grande senhor do PT desde a "Carta ao Povo Brasileiro".

-Como assim ainda tem alguém tateando, querendo achar o sentido do governo Dilma? Sem dúvida as contradições existem, mas a demanda de esquerda só aparece no governo Dilma enquanto foco de oposição, como diria Poulantzas. O que é hegemônico é o neoliberalismo, não como nos tempos de selvageria tucana, mas triunfante e progredindo.

-O assunto é complexo, demanda análise detida, etc. Mas o que não pode é esse teu texto, um malabarismo conformista e alinhado, que se disfarça de "complexidade da situação".  
</p>
<p>(marcelo l. :: 
mar  1, 2011  2:29 AM)

Vou continuar batendo no concurso, por que ela em parte vai permear a discussão de toda a política da Dilma, hoje tem uma entrevista do novo presidente do Ibama, ele é claro tem apenas 280 técnicos e precisa de pelo menos mais o mesmo número para agilizar os processos. 

Aí se fala bem ainda tem 1,5 bi para contratar, bom é verdade, mas é esse ano que o governo contrata praticamente todos os comissionadas e por isso no orçamnento já sai com 5.580 x salários e ainda dos 20.000 DAS se faz um cálculo do que o servidor efetivo irá receber a mais, se alguém pegar a calculadora não vai sobrar tanto assim.

Como vai contratar técnicos para IBAMA e aprovar os projetos na rapidez que o governo quer analisando corretamente se tem pouco espaço para as necessidades do órgão?

Pulando a desculpa do Minha casa, minha vida do corte dos 40% por que o Congresso não votou é assim terrível, só ver a maioria que o governo tem no Congresso, faltou foi vontade política.

Além do mais as alianças com a direita patrimonialistas começam a demonstrar os estragos no PT, o pedido de prisão hoje do presidente regional do PT do Maranhão que "ganhou" o cargo graças a uma interveção do diretório federal para apoiar a família Sarney, é um indicativo que a aceitação de certas regras de governabilidade levaram a uma conta alta em um partido que já tem a imagem arranhada desde o mensalão que levou a Marina receber um bom número de votos da antiga base petista.

Concluindo, o que vimos hoje foi um show de horror, não apenas nos cortes burros que arranha a sua imagem de gestora, mas a maneira autoritária da costura de alianças já começa a apresentar escândalo, o futuro próximo será a subida da taxa básica de juros e aumento da gasolina, tudo em menos de 100 dias de governo. È difícil pensar que ela começou bem.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  1, 2011  2:32 AM)

Wesley, eu teria que estar bem menos cansado do que estou para responder sua (rica) crítica com o vagar que ela merece, especialmente a parte sobre o populismo. Podemos discutir se a existência de uma "sociedade combativa" é ou não é um requisito para a existência do fenômeno populista. O seu comentário parece sugerir que sim. Isso é curioso, porque há teorias do populismo--você com certeza as conhece, pelo que noto do que escreveu--que enfatizam justamente o contrário, a imobilização das classes populares, cujas demandas estariam canalizadas na figura do líder populista. Enfim, longa discussão. 

Mas vou me limitar aos momentos em que eu acho que você falsificou o que eu escrevi: 

Você, com seu resíduo de marxismo, passa uma idéia falsa da conjuntural luta-de-classes no Brasil, que estaria capitaneada pelo PT, que, para você, só finge fazer o jogo dos banqueiros. O PT estaria na verdade é amansando o capital finaceiro, fazendo um jogo de cena (ao mesmo tempo que lhe rende lucros altos), e com isso sagazmente conduzindo as conquistas dos trabalhadores, não é mesmo?

Vixe Maria, onde é que meu texto diz que o governo petista "só finge" fazer o jogo dos banqueiros e está na verdade amansando o capital financeiro? Eita, eu não me reconheço nessa paráfrase, não! Está lá, no terceiro parágrafo, com todas as letras, o sólido cuidado com os interesses do andar de cima, especialmente do capital financeiro. 

Quem tem "sólido cuidado" com alguma coisa não pode estar "fingindo", não é mesmo? 

Segunda falsificação: 

E agora vem você, para reforçar esse movimento, entendendo também que "defesa da ordem" é um valor, que o pragmatismo serve à esquerda porque a permite avançar, e que situar as questões como problemas gerenciais é uma bela estratégia!

Carácolis, eu disse que o lulismo inclui a redução da desigualdade com defesa da ordem. Ponto. Eu relatei isso como um fato. Pode se concordar com ou discordar de que isso seja um fato. O que você não pode negar é que minha frase está no modo constativo. Em momento nenhum eu disse que isso é "um valor" ou uma "bela estratégia". Nas passagens em que eu me refiro à estratégia de recolocar a política como questão gerencial, onde é exatamente que eu uso a palavra "bela" ou alguma outra que se lhe assemelhe? 

Eu aceito a crítica de que há malabarismos no meu texto. Estou mesmo, me equilibrando na corda bamba que separa o adesismo automático da crítica segura de si (essa na qual o seu comentário resvala, acredito eu, em alguns momentos, ao falar de "hegemonia neoliberal"). 

Touché, portanto. Você percebeu isso muito bem. Há malabarismo, sim. Há um certo rebolado no texto, digamos. Se é isso que será criticado, eu aceito a crítica. Mas você não precisa distorcer o que eu disse para formulá-la. 

Ótimo comentário, voltarei a ele. Mas esse texto do Chico, cá pra nós, não é grande coisa, não. 

PS: pra quem não conhece o texto do Chico ao qual o Wesley faz alusão, aqui vai o link. 

PSTU: eu não disse que o PT é a atualização do populismo. Eu disse que o lulismo é a atualização do populismo. Big difference. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  1, 2011  2:39 AM)

A propósito, já que estamos na seara das críticas à esquerda, aí vai um link que pode interessar: a tradução de "Quand le gauche essayait", de Serge Halimi: Quando a esquerda tentava. Cortesia de Renata Lins. </p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
mar  1, 2011  3:15 AM)

Eu diria que o lulismo não é a atualização do populismo:

http://www.andrekenji.com.br/weblog/?p=3096</p>
<p>(<a href="http://cacerenga.wordpress.com/" rel="nofollow">Daniel Caceres</a> :: 
mar  1, 2011  4:05 AM)

Também acredito e defendo a pluralidade de avaliações.

Essa atualização do populismo me parece bem aquela discussão em torno do pós-positivismo jurídico: não há pós-positivismo, mas aprimoração do que já existia. No caso do populismo, não sei se posso falar em aprimoração. Mas em atualização, sim.

Outra coisa, o que me preocupa é a forma como a distribuição de renda é feita. Os tributos deveriam ser recolhidos de maneira mais adequada e o retorno dele em serviços deveria ser mais fiscalizado e mais cobrado pela sociedade. Acho que li em outra canto texto seu falando que as coisas devem ser simultâneas, continuar os programas de repasse de dinheiro enquanto arruma-se a casa. Começo a pensar que pode ser interessante. Mas quando isso é usado como arma de compra de voto e fortalecimento do populismo, fica difícil de defender.


***

Às vezes quando ando por aqui fico pensando: me parece que a blogosfera anda possibilitando uma comunicação social cada vez mais interessante. Fico feliz em poder participar.</p>
<p>(marcelo l. :: 
mar  1, 2011 10:31 AM)

Estranho que sempre via a articulação e o agora dito  lulismo ser uma atualização do populismo, na faculdade um membro do DS já tinha me alertado para notar como eles apropriam o discurso dos adversários mais a direita, e exigem submissão da esquerda por dizerem ser a única saída para um projeto de construção de um novo país, hoje o que vemos são alguns programas sociais, mas o cerne do poder patrimonista que domina o Brasil desde cabral cada dia mais ligado ao executivo além do "Mercado" o principal beneficiário das políticas economicas. </p>
<p>(Rogério Neibert Bezerra :: 
mar  1, 2011 10:48 AM)

Quando leio neste e em outros sítios sobre como a Presidenta esta atuando, me ocorre que esses textos,de pessoas letradas omite que não foi esse alto nível de "ilustração" que fez o Brasil melhorar nos últimos 8 anos. Textos cheios de citações, estudos, teses, filosofias. Esse "escravismos acadêmico" é um dano causado pelo descolamento da realidade. É a realidade vista do nosso sofá confortável.
O Presidente Lula melhorou o Brasil quando "minorou" a fome e o desemprego... Quando deixou de lado a conversa mole do estudo e dos "bons" modos. Melhorou quando deu "uns trocados" aos pobres. Melhorou quando fez do almoço o assunto principal e não os livros. Milhões de brasileiros precisam de comida, emprego, casa e saúde para poderem estudar e lerem teses... Entender a realidade que passa na frente de nossas confortáveis casas é o grande desafio para os "doutores".

Da bela, que já foi menos desigual, Floripa

</p>
<p>(Rogério Neibert Bezerra :: 
mar  1, 2011 12:01 PM)

Percebe-se que os "operários da Opus Dei" estão muito ativos nos blogs "sujos".A semanal "lavagem cerebral" a que são submetidos pelas chefias, produzem estas figuras "letradas".
Para a outrora, nobreza da sociedade brasileira restou criticar o PT, criticar a Presidenta através de seus operários.
Enquanto isso, outros "letrados" enviam "suas crias" para atividades culturais na Disney.

Rogério Neibert Bezerra
  </p>
<p>(<a href="http://hellbebach.wordpress.com" rel="nofollow">He will be Bach</a> :: 
mar  1, 2011  2:34 PM)

"(...)quem, em sã consciência, um ano atrás, imaginaria Kassab no PSB (...)"

A lápide do Miguel Arraes deve até ter afundado de tanto que ele se remexeu lá embaixo.</p>
<p>(aiaiai :: 
mar  1, 2011  4:56 PM)

Hoje o mimimi já mudou. A direita tá perplexa porque a dilma mostrou que sabe fazer omelete e a esquerda indignada porque ela teve que quebrar ovos para tal!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk</p>
<p>(<a href="http://aloalopresidenta.blogspot.com" rel="nofollow">angel</a> :: 
mar  1, 2011  6:27 PM)

É cedo para avaliar se a presidenta tem talento para dar prosseguimento ao "lulismo", que não é respeito à pluralidade coisa nenhuma, apenas luta política, num governo que não pode ignorar sua base social, nem o setor "produtivo" (tanto devido à base social como aos "produtivos" que mudaram de lado tendo em vista os resultados dos governos do teórico da dependência), sem chocar-se com o capital financeiro, este sim hegemônico. O lumpen entrou de massa de manobra para que os governos Lula tivesse força para tocar essa política que, ao final das contas, foi mais produtiva para o país.</p>
<p>(<a href="http://tsavkko.blogspot.com/" rel="nofollow">Raphael Tsavkko</a> :: 
mar  1, 2011  7:41 PM)

Passado o primeiro mês do governo de Dilma, o saldo que fica, para mim, é negativo. Negativo em relação a Lula que, ele próprio, já foi muito inferior ao que desejava a militância e os movimentos sociais. Estamos diante de retrocessos do que, em geral, já não foi bom - mas apenas o que deu para fazer, como dizem muitos.

Reconhecer conquistas não é apagar os retrocessos, e Dilma, infelizmente, praticamente não tem grandes conquistas, mas coleciona significativos retrocessos.

Ao ler diversas análises do Rodrigo Vianna, Maurício Caleiro, Maria Frô, Azenha, Leandro Fortes e até mesmo do Eduardo Guimarães, governistas até a medula, me surpreendeu a amargura de alguns com acontecimentos recentes e também o temor de maiores retrocessos. Em geral o que vi foram críticas muito bem colocadas e temor.

Principal alvo das críticas - ou talvez o estopim - foi a presença da Dilma na festa de 90 anos da Folha, que descrevi como "Uma linda festa que reuniu saudosos da Ditadura, criminosos higienistas, produtores de jornalixo e... o PT.".

O engraçado foram alguns  tentando justificar, que a presença de Dilma na Folha teria sido uma lição, um golpe duro na mídia... Mas ninguém comenta sobre os elogios rasgados feitos pela Folha neste semana? Qual foi o acordo? A presença de Dilma na Folha em troca de um abrandamento da oposição? Ou há algo mais, envolvendo a Ley de Medios, que a cada dia se torna mais e mais uma ilusão?

É de assustar a ingenuidade e a cegueira de alguns, incapazes de notar qualquer problema com o governo.

Mas Dilma não se contentou em apenas ir na Folha, ela também vai, agora, ao programa de Ana Maria Brega Braga, uma das musas do movimento Cansei. Lá, ela falará até mesmo com a Marina, candidata neopentecostal representante do atraso.

O que me assusta não é o retrocesso, ou retrocessos - eu já esperava por eles  -, mas o fanatismo de parte da militância que é simplesmente incapaz de conviver com críticas.

http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/blogosfera-reage-aos-retrocessos-ou-o.html

</p>
<p>(<a href="http://ocium-magnum.blogspot.com" rel="nofollow">wesley</a> :: 
mar  1, 2011  8:02 PM)

-Idelber, de fato, o conceito de populismo merece mais rigor do que eu dei a ele. E associá-lo a "sociedade combativa" não é o melhor caminho. Quis sublinhar a diferença histórica entre o que tivemos antes do golpe e o que acontece hoje, de forma a desautorizar sua leitura. Mas realmente, o conceito merece melhores contornos.

-Mas se dissemos que as leituras clássicas sobre populismo investem na "desmobilização" das massas, isso merece uma melhor qualificação. Acho que a "desmobilização" nessa sociologia brasileira se dá mais enquanto ausência de perspectiva de enfrentamento (que no limite seria revolucionária) do que outra coisa. É como se a política das massas estancasse diante da demagogia do líder, instituindo assim o limite dessa política. Daí, ela fica à mercê até para ser massa de manobra, etc. Mas veja, o quadro aqui é o da crescente modernização do Brasil, que desenvolve sua democracia liberal, a cidadania dos direitos trabalhistas, do voto, etc. É algo crescente, movido por uma sociedade politizada, de uma forma que os anos 2000 não tiveram nem de perto. O Weffort chega a usar uma expressão como "os fantasmas que assombram", algo assim, ao se referir a essa mesma massa que ele entende como alienada e submissa (ou imobilizada, diríamos até). Se o líder, nessas leitura clássica, é o canal das demandas da classe imobilizada, como você notou, ele é também muito propriamente o freio político dessa classe. Ora, o colapso do populismo, para o Ianni, se dá justamente quando da perda dessa capacidade por parte do Estado populista, diante da agitação que vem dos "de baixo". A solução do impasse, que coroa o fim do populismo, teria vindo, então, da caserna.

-Você notou duas falsificações que eu teria feito da sua leitura. Uma delas é sobre a "defesa da ordem", e você está certíssimo ao acusar o meu vacilo. Foi má leitura, uma coisa triste mesmo quando acontece em um debate, e geralmente isso pertence mais a quem esperneia do que a quem ama a reflexão. Peço desculpas.

-Em relação a outra, eu de fato forcei algo que você não diz textualmente. Mas acredito que estou sendo justo quanto à verdade do seu pensamento, exposto aqui e em outros lugares, que é a de que o governo serve a dois senhores.
</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/modelo-de-evolucao-da-populacao-no-brasil-colonial" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
mar  1, 2011 10:13 PM)

Rodrigo,

O mundo complexo do jeito que está e tem gente que ainda se apóia nos velhos clichês de esquerda e direita?
O que é ser de esquerda hoje? O que é ser de direita?

Não vejo qual a grande complexidade do mundo hoje que não existisse em 1848.

Os conceitos continuam a significar o mesmo de então: "de esquerda" é quem é contra a desigualdade, "de direita" é quem é a favor dela (ou quem acha que ela ainda é pouca e devia ser aumentada).</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
mar  1, 2011 10:54 PM)

Ando bastante sem tempo, mas fico feliz com este post, Idelber. Pegando a análise do Singer sobre o Lulismo, creio que ele identifica bem alguns fenômenos sociais, mas erra ao tentar enquadra-los em uma camisa de força racionalista: A questão de direita x esquerda não está no plano do Trabalho, mas sim no da Linguagem. Eis o ponto que muda a conversa toda, eis o ponto que o faz se perder logo adiante. É o que está em jogo agora nesse momento de embaralhamento geral.

Sobre o Governo Dilma? Eu não tenho bola de cristal, mas perplexidade não é o que eu sinto definitivamente. Sempre fiz questão de pontuar que um eventual governo seu seria (I) qualquer coisa bem menos criativo do que o de seu antecessor; (II) mais preciso administrativamente do que o dele. O primeiro ponto está aí, o segundo também, embora fique mais claro apenas depois. É evidente que houve muito de errado, como assinalava à época, o processo de sua escolha, quase que por aclamação, foi sintomático, mas a conjuntura com a histeria de direita serrista e a crise do PSOL não abriam muito espaço para muita coisa.

No meu entender, ao PT resta uma grande reforma, a política, mais o resto de agora em diante são políticas específicas em áreas pontuais, não reformas extensas, mas sim reformas profundas. Esse é o momento no qual o PT pode ser engolido pelas reformas que produziu e algo imprevisível acontecer - com a direita em crise ou fagocitada pelo governismo e a esquerda não-petista meio perdida. Claro, uma liderança mais política do que administrativa - como um Tarso Genro ou um Jaques Wagner - seria mais capaz de tocar as coisas nesse momento, mas não é isso que temos.

A minha perspectiva do "futuro" é simples: Se faltava a Lula uma administradora em algum ministério central, falta a Dilma o inverso. Se ela não conseguir encontrar essa pessoa - ou quiser fazer isso -, terá problemas sérios logo mais. De todo modo, o papel da esquerda neste momento, ao meu pensar, é fora dos partidos, lutando para que não se estabeleça definitivamente um consenso, uma contemporização geral - algo que sempre esteve perfeitamente claro no horizonte de um país no qual a ideologia oficial sempre foi, veja só, o cordialismo.

abraço</p>
<p>(<a href="http://solidaliberdade.blogspot.com/" rel="nofollow">Amon B.</a> :: 
mar  2, 2011 12:34 PM)

O governo petista não é de forma alguma revolucionário. É, talvez, o governo mais sintonizado com as demandas do capitalismo brasileiro atual que o país poderia ter, levando ele mais um passos em direção à integração aos países de capitalismo mais avançado.

Explico-me:na conjuntura atual de crescimento e desenvolvimento, para que o país possa se manter em rota de crescimento com paz social, é necessário ampliar conquistas e direitos exatamente para manter as coisas como estão.

A necessária inclusão de vastas camadas de população ao grupo dos consumidores, permite a expansão do próprio aparelho produtivo e possibilita a ampliação dos lucros do conjunto do capital. Ok, o jogo é esse mesmo, afinal no capitalismo se não há a expansão crescente, a crise é certa.

Contudo, na medida em que as concessões feitas à população passam ao largo da política e se estabelecem sobretudo a partir de critérios técnicos, temos o empobrecimento daquela esfera. Isto poderia ter aspectos positivos, no médio prazo, principalmente se os sindicatos e outros movimentos sociais se descolassem da influência governamental imediata.

Assim, teríamos outros grupos de pressão que poderiam forçar o governo a manter a hegemonia a partir de negociações mais amplas, que incluíssem demandas populares como elemento de contrapeso no momento de tomada de decisões.

Porém, com o governo ensimesmado em seus critérios técnicos e na necessidade de se manter a pax econômica a partir dos critérios atuais, e com os trabalhadores se vendo fielmente representados no governo petista, apenas o capital (com especial ênfase no financeiro) se verá no direito de fazer exigências e demandas.

Talvez, a maior batalha que o governo atual tenha que travar seja a de estabelecer novos parâmetros na busca de manter a economia sob controle. Da forma como está este fica sendo um flanco muito aberto, restringindo bastante a capacidade de manobras.

(acho que ficou meio confuso o texto, mas é o que meu tempo me permite dizer no momento).</p>
<p>(<a href="http://outrascoisaseafins.wordpress.com/" rel="nofollow">Paulo Soares</a> :: 
mar  2, 2011 10:29 PM)

O lulismo (que ainda não se pode confirmar como conceito válido) nada mais é que a boa e velha conciliação entre Capital e Trabalho.

Dilma representa a continuidade dessa Conciliação.

E sua ida a programas populares de TV ajudará a diminuir sua distância em relação ao eleitor.

Mas ninguém superará o que Lula fez.

Creio que muitos consideram a presidenta apagada a partir de uma comparação injusta, afinal, por muito tempo ninguém sequer se aproximará de Lula em termos de exposição e uso de exposição.</p>
<p>(Anarquista Lúcida :: 
mar  4, 2011  6:10 PM)

Quede a segunda parte? Promessa é dívida... </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  4, 2011  6:21 PM)

Calma! É carnaval :-)) A 2ª parte vai ser sobre reforma política. </p>
<p>(Moco :: 
mar  5, 2011 10:11 AM)

Se o titular deste blog fosse docente de IFES, certamente estaria desiludido com o início de governo da Dilma. Ela rasgou todas as promessas de campanha no tocante à educação e C&T. Cortes no orçamento de C&T, IFES à mingua, autorização de contratação de professores temporários, intransigência na negociação do novo plano de carreira, etc. Nada mais parecido com o Serra do que a presidenta (sic) Dilma!</p>
<p>(<a href="http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/" rel="nofollow">Marcos Doniseti</a> :: 
mar  7, 2011  3:05 PM)

Ótimo texto, Idelber. Mas, gostaria que você, quando pudesse, explicasse melhor essa questão de que o Lulismo promoveria uma 'atualização e superação do Populismo'. Este é um tema muito interessante e atualíssimo.  

Bem, inspirado por seu comentário, eu escrevi um texto no meu blog a respeito do assunto, no qual faço uma análise do 'Populismo' varguista (que prefiro chamar de Trabalhismo) e das diferenças existentes entre as políticas de Vargas e de Lula (sobre o governo Dilma, penso que ainda é muito cedo para se tirar qualquer conclusão definitiva a respeito do mesmo e quem já desembarcou desta canoa é porque, de fato, nunca entrou nela):

Lula e Vargas: Duas políticas distintas!

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/03/lula-e-vargas-duas-politicas-distintas.html

Saudações</p>
<p>(<a href="http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/" rel="nofollow">Marcos Doniseti</a> :: 
mar  8, 2011  3:18 PM)

Alguns críticos do governo Dilma, supostamente 'esquerdistas, estão afirmando que ela teria se rendido a uma 'ortodoxia neoliberal' em função do corte de gastos públicos que anunciou. 

Porém, andei pesquisando dados relativos aos investimentos públicos válidos para o período de 1995 a 2009 e também a respeito do Orçamento da União para 2011 e constatei que tal afirmação não passa de um conto da carochinha. 

Para maiores informações, sugiro a leitura do texto que publiquei no meu blog a respeito do assunto (não irei publicá-lo neste espaço pois ele ficou muito extenso):

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com/2011/03/o-governo-dilma-e-o-suposto-corte-dos.html

Saudações</p>
<p>(CAÇA - VAZAMENTO :: 
mar 10, 2011  3:03 PM)

rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr.Desentupidora
 </p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-02-28T01:26:31-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Na Revista Fórum: A escalada da ultradireita nos EUA</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/na_revista_forum_a_escalada_da_ultradireita_nos_eua.php</link>
<CommentCount>24</CommentCount> 
<description>Se lições podem ser tiradas dos dois primeiros anos da presidência de Barack Obama, uma das principais terá que ser esta: é impossível dialogar com um surto psicótico coletivo. Obama tem pago um altíssimo preço político por se eleger e...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Se lições podem ser tiradas dos dois primeiros anos da presidência de Barack Obama, uma das principais terá que ser esta: é impossível dialogar com um surto psicótico coletivo. Obama tem pago um altíssimo preço político por se eleger e governar baseado num projeto de diálogo com esse surto, estratégia que se ancora na tentativa de um debate racional e razoável (ao modo sonhado pela “ética comunicativa”, do pensador liberal Jürgen Habermas) com um interlocutor imaginário, sujeito político que não quer ser interlocutor, mas inimigo encarregado de aniquilar, eliminar, destruir o adversário. Os 8 anos de governo de extrema-direita, a manipulação midiática dos ataques de 11 de setembro de 2001, a violenta crise econômica que explodiu em 2008 e a irrupção, mais forte que nunca, do racismo e da xenofobia contribuíram para a configuração de um quadro político verdadeiramente assustador nos Estados Unidos de hoje, do qual não há saída imediata à vista. O ataque terrorista no Arizona, em que seis pessoas foram assassinadas e a deputada democrata Gabrielle Giffords saiu ferida na cabeça, foi o mais recente capítulo dessa macabra narrativa. </p>

<p>Até mesmo o leitor da <em>Fórum </em>deve ter se surpreendido com meu uso do termo “terrorista” na frase anterior. Apesar de consistente com o sentido que a palavra classicamente teve —matança indiscriminada, por motivos políticos, de uma população civil desarmada, com o objetivo de disseminar o medo —, o uso do termo “terrorista”, para designar eventos como os de Tucson, tenderá a provocar estupefação hoje em dia, por um motivo dos mais simples e prosaicos. A manipulação a que foi submetido esse termo nos EUA ao longo da última década nos levou a uma situação em que a violência de extrema-direita, tão estadunidense como a torta de maçã, já não cabe sob a alcunha do terrorismo. Esta se encontra definitivamente reservada para o “outro” — em especial para o outro árabe. </p>

<p>Enquanto isso, uma retórica delirante se fortalece em setores dos meios de comunicação de massas e no Partido Republicano. A partir das assembleias populares (<em>town hall meetings</em>), propostas por Obama para a discussão da reforma do sistema de Saúde, em 2009, a retórica de extrema-direita encontrou terreno fértil. A caracterização de Obama como nazista, bolchevique e islamista — para ficarmos em três definições obviamente contraditórias entre si — já é parte da paisagem, do discurso político aceito como normal e razoável nos EUA. Os questionamentos ao patriotismo de Obama, nos quais um visível racismo não deixa de cumprir seu papel, também são matéria cotidiana na TV e no rádio dos EUA. O discurso do ódio ao diferente, tão típico dos impérios em declínio, pavimenta o caminho para tragédias como a de Tucson. </p>

<p><br />
<a href="http://www.revistaforum.com.br/noticias/2011/02/15/a_escalada_da_ultradireita_nos_eua/">Continue lendo "A escalada da ultradireita nos EUA" no site da Revista Fórum</a> e volte aqui caso queira papear sobre o texto. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/na_revista_forum_a_escalada_da_ultradireita_nos_eua.php#comments" title="Comente Na Revista Fórum: A escalada da ultradireita nos EUA">24 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://euseiqvivoemloucautopia.blogspot.com/" rel="nofollow">João Vicente</a> :: 
fev 23, 2011  2:49 PM)

Ótimo texto, e que me fez retomar uma questão que surgiu quando li sobre a história dos neoconservadores num livro do David Harvey, Idelber vc que está aí nos EUA e que deve ter visto um pouco de toda a campanha das legislativas, os democratas perderam muitos postos pq os eleitores cansados de votarem em representante que representam apenas as grandes corporações estão tão desencantados com a política que decidiram nem ir votar para não se desencantar mais???</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 23, 2011  3:04 PM)

João, simplificando um pouco um quadro que tem lá suas complexidades, eu diria o seguinte: a derrota acachapante dos Democratas nas legislativas de 2010 tem a ver com 

1) o fato de que a crise herdada da era Bush foi tão violenta e tão profunda que ela continuou, claro, a produzir efeitos durante a era Obama. Ela passou a ser uma "crise do Obama". Com isso, boa parte dos independentes que votaram Democrata nas eleições de 2008 penderam de novo para os Republicanos. Apesar de que Obama tomou algumas medidas para conter a crise, com algum sucesso, segundo muitos economistas--no sentido de que essas medidas impediram a disseminação de efeitos ainda mais agudos do que os realmente experimentados em 2009 e 2010--, ninguém sabe realmente o que teria acontecido ("quão piores" teriam sido as coisas) caso as políticas anteriores tivessem continuado. 

2) o fato de que a "esquerda", principalmente os eleitorados jovem e negro, ficaram em casa em altíssima porcentagem, ao contrário de 2008, quando compareceram em massa. Ficaram em casa porque, basicamente, se desiludiram com o excesso de concessões de Obama. 

Resumindo, acho que foi isso aí. </p>
<p>(Manoel Galdino :: 
fev 23, 2011  3:45 PM)

Sobre as derrotas legislativas, tem um componente estatístico aí, se podemos chamar assim.
Diante da maioria democrata anterior, com certeza iriam perder cadeiras. E pelo que parece, historicamente o turnout é menor nas intermediárias, não?

</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 23, 2011  3:51 PM)

Verdade verdadeira, Manoel, que nas legislativas o comparecimento é menor. Aqui tem uma tabelinha. Mas dados os enormes números de registros de novos eleitores em 2008, especialmente jovens votando pela primeira vez, seria de se esperar que em 2010 uma proporção maior aparecesse para votar. Eu não tenho números de 2010 à mão, mas como evidência anedótica posso lhe contar que muita gente jovem que conheço ficou em casa, desiludida. Eu mesmo não fui votar (não que eu seja lá tão jovem, claro...). </p>
<p>(<a href="http://vidaoffline.wordpress.com" rel="nofollow">Marcus Pessoa</a> :: 
fev 23, 2011  4:43 PM)

Muito bom texto. Mas o que se viu foi que a parte que mais perdeu dos democratas foram os centristas... e a ala direita (blue collars) foi dizimada.

Talvez isso tenha contribuído para a queda. Os deputados mais combativos conseguiram mobilizar os eleitores à esquerda, os centristas não.</p>
<p>(Cajueiro :: 
fev 23, 2011  8:41 PM)

Pois é. São esotéricos os motivos que levam as esquerdas no poder a quererem dialogar com as crias da pior espécie de reacionarismo. Passam a se comportar como se devessem cumprir as promessas que não fizeram, enquanto os seus próprios eleitores as vezes ficam estupefatos com certas posições. Não se trata, logicamente, de adentrar no terreno das bravatas, mas assumir uma postura, sim, de confronto de ideologias, quando necessário. Não é sempre disso que se trata? Um embate de visões de mundo? Pois se nós ganhamos o recado é que queremos ver um mundo governado por princípios de esquerda. Queremos, sim, que a direita, da forma como a entendemos, xenófoba, primitiva, fanática, beligerante, seja apagada, ou reduzida ao folclore, com seus personagens até certo ponto hilários. Como vc bem o disse, não se dialoga com loucos, nem com malandros. O caso Obama é um ótimo exemplo para que Dilma não caia na tentação e seja seqüestrada pela ideologia que derrotamos. </p>
<p>(<a href="http://cacerenga.wordpress.com" rel="nofollow">Daniel Caceres</a> :: 
fev 23, 2011  9:49 PM)

Obama perdendo cada vez mais peças nesse xadrez político pode acabar inviabilizando seu governo, o que espero não implique a volta da extrema-direita ao poder.

Ainda assim, acredito ser importante a facultatividade do voto. As suas consequências negativas podem são grandes, principalmente em razão de abstenções, mas permite à sociedade e ao governo perceberem seus ganhos e perdas de uma forma mais concreta. É o que me parece.</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
fev 24, 2011  1:50 AM)

Simples. OS democratas tentaram aprovar uma reforma da saúde complexa e incompreensível na marra, que mexia(Ou supostamente mexeria) com beneficios aos idosos, que votam com maior frequencia com a média, deixando a questão da economia em segundo plano.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 24, 2011  5:18 AM)

André, eu concordo com você que a reforma era complexa, mas não sei se "na marra" seria a expressão que eu usaria aqui. Os Democratas cederam as unhas, depois os aneis, depois os dedos, depois os braços... 

Daniel! Caramba, pré-história da blogosfera voltando com tudo! Seja benvindo. </p>
<p>(Lord Jim :: 
fev 24, 2011  3:41 PM)

Gosto de pensar que nao me espanto com mais nada...mas estou sempre me espantando: pessoas inteligentes que ainda acreditam em "politica" a, nessa epoca em que corporações mafiosas financeiras tomou conta de tudo; olha so o Brasil:
Governo, estado, congresso, eleições, democracia; apenas um carnaval televisivo para acalentar as massas e criar ilusão de participação popular.
Os politicos são apenas atores que ganham pelo papel (ridiculo) que fazem...</p>
<p>(Henrique K :: 
fev 24, 2011  4:07 PM)

Interresante esses dados postados pelo idelber nos comentários... O comparecimento caiu de 46% pra 38% de 70 pra 74... Culpa do NIXON, né? Justamente quando supostamente o novo consenso conservador americano surgiu (watergate foi só um contratempo) a mobilizaçao politica diminui. ... Dai nem adianta a demografia (a tendencia de crescimento das minorias) ajudar os democratas, se eles não se ajudam né, com esse centrismo conciliador... ... Enfim, os republicanos souberam jogar o jogo, o Obama desmobilizou e desmotivou o movimento que criou em 08 - ainda acho que se relege, porque campanhas presidenciais tem maior comparecimento e a rejeição fala mais alto, se os republicanos botarem mais um caipira louco (palin) se ferram.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 24, 2011  4:13 PM)

Na mosca, Henrique, esse dado aí sobre a queda do comparecimento de 70 para 74 é chave para se entender a onda conservadora que vem depois. Em todo caso, a taxa de rejeição da Palin é altíssima, mas se os Republicanos vierem com alguém como Pawlenty (governador de Minnesota), não sei não... </p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 24, 2011  7:24 PM)

Triste constatar que esse movimento não acontece só nos EUA... Ainda não temos um "Tea Party" aqui no Brasil, nem tiroteios contra militantes de centro-esquerda, mas parece que vamos chegar lá...

A rejeição ao governo Dilma já tomando conta das redes sociais com coisas tipo "abaixo o decreto do mínimo", "como assim ela congelou os concursos públicos???!!!", "como assim o governo ta se recusando a dar um bom aumento no mínimo agora, adiando pro ano que vem, com esse aumento de 60% dos parlamentares e funcionários do Executivo???!!!" e por aí vai...

A nossa sorte é que no Brasil não temos uma cultura de guerra, de porte de armas, de tiroteios (são mais raros por aqui do que por lá).</p>
<p>(Ricardo Petrucci Souto :: 
fev 24, 2011  9:44 PM)

O golpe sorrateiro que a direita pretende dar no Brasil é a implantação do voto distrital.

O voto distrital suprime a representação da minoria e limita a discussão política às demandas locais, eliminando a possibilidade de grandes transformações estruturais.

O voto distrital é tudo o que os conservadores querem.</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 24, 2011 10:49 PM)

"A nossa sorte é que no Brasil não temos uma cultura de guerra, de porte de armas, de tiroteios (são mais raros por aqui do que por lá)"

Cuma????????????? eu li direito????
e os 50.000 assassinados ao ano por toda sorte de arma??? não contam???</p>
<p>(<a href="http://www.andrekenji.com.br/weblog" rel="nofollow">André Kenji</a> :: 
fev 25, 2011 12:24 AM)

Idelber

Quem passou a "reforma" foi basicamente Pelosi e Reid, que eram "whips", ou sejam, contavam os votos do seu partido. E eles só o fizeram porque pressionaram e fizeram promessas financeiras a democratas em distritos e estados conservadores(As famosas Lousianas Purchases e o Cornhusker Kickback). Tanto que a reforma passou com um único voto republicano na Casa e nenhum no Senado e as pesquisas passaram a indicar um cenário horrível para muitos desses senadores democratas de estados conservadores. Ben Nelson de Nebraska está bem atrás nas pesquisas para a reeleição em 2012.

O problema dos democratas é que os republicanos sempre souberam usar gente como Lee Atwater, Frank Luntz e Roger Ailes para simplificar e deixar o mais claro possível suas propostas para o povão. Os democratas nunca souberam fazer isso, e o estimulo e a reforma da saúde são exemplos claros.

Embora acho que o Obama deveria partir para o modelo híbrido brasileiro ao invés de insistir naquela coisa desconexa.</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 25, 2011  9:08 PM)

A Lesma Lerda,

contar conta. Mas eu escrevi isso pensando no "Columbine", nos atentados... Não pensei na violência urbana, digamos, "ordinária". Claro que ela conta, claro que é uma coisa horrível, mas não era no que eu estava pensando ao escrever meu post.</p>
<p>(<a href="http://ZipMail" rel="nofollow">Albert Chirac</a> :: 
fev 26, 2011 11:46 AM)

Gracias, aqui não temos censura , nem tipinhos como Gustavo Chacra .  Lá a censura eh enorme , no jornal que este trabalha .  Bem vamos ao assunto.  Queremos liberdade de imprensa para o Presidente da Wikileads .  A Inglaterra eh pressionada e os juizes ingleses ameaçados pela CIA dos EUA .  Querem deportar o Presidente da Wikileads para a Suécia   e depois ... para o inferno de Guantânamo .  De lá de Guantanamo o Presdiente da Wikileads vai sumir para sempre. Porisso quero fazer uma veemente proposta a todos para defenderem a liberdade de imprensa nos EUA.
Os EUA são covardes e não tem Democracia nem liberdade de imprensa .  Lá  somente dois Partidos se revezam no poder .  Tudo eh proibido até mesmo o Partido Comunista chegar ao poder.
Porisso queremos liberdade de imprensa nos EUA .
Passe para frente .  Liberdade para o Presidente da Wikileads. </p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A mosca da sopa</a> :: 
fev 26, 2011 11:58 AM)

                                                             O Vitiligo da Presidenta
O pessoal que defendia a brancura do Michael Jackson alegava ser decorrência do vitiligo: o mesmo vitiligo que branqueava a pele afinava o nariz e alisava o cabelo.
A submissão da presidenta aos PIGs é a mesma coisa; dizem seus defensores na “esquerda” que é pura estratégia sofisticada e sutil, além da compreensão de mentes  estreitas e tacanhas.
-os cortes orçamentários que ela vai fez para agradar os banqueiros também fazem parte dessa estratégia né?
-a miséria do salário mínimo defendida e aprovada pelo governo.
- a penalização dos trabalhadores com limites drásticos em aposentadorias também.
Acho que essa turma sofre de vitiligo mental.
</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">Damastor Dagobé</a> :: 
fev 26, 2011  2:36 PM)

A mosca foi na mosca...e podia ter lembrado que arranjar justificativas para o injustificavel nao tem nenhuma novidade para certa canhota. O pacto Ribbentrop-Molotov por exemplo, que colocou a Exercito Vermelho e a KGB pra fazer o serviço sujo dos nazistas na Polonia (vide massacre na floresta de Katyn que Gorbachov confessou em 1988) foi explicado como fina estrategia de Stalin para ganhar tempo.</p>
<p>(Bosco :: 
fev 26, 2011  8:29 PM)

Idelber, que tal dois postes com uma opinião de alguem que seja a favor do CL dos 13 e outro que seja a favor dos clubes dissidentes!

Aguardo.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 26, 2011  8:30 PM)

Puxa, o problema seria encontrar alguém a favor dos clubes dissidentes. Nem na torcida dos respectivos a gente anda encontrando. Sugestões? </p>
<p>(Henrique K :: 
fev 27, 2011 12:21 AM)

minha namorada é flamenguista (sou gremista) e apoia os dissidentes (não quis discutir)... katyn não foi bem serviço do stalin pro hitler, né, nem bate cronologicamente. Mas um serviço podre que ele teria feito foi realocar os judeus da polonia depois do famigerado tratado, de tal modo a transforma-los em elementos alienigenas nas novas comunidades facilitando a contribuiçao futura de alguns poloneses nao-judeus nos grupos de exterminio que precederam o holocausto mais ''limpo'' (himmiler teria vomitado vendo os fuzilamentos, fossas coletivas, curiosos indo ver, tinha ate soldado alemao que mandava foto pra esposa ~~eu e o porco judeu~~)</p>
<p>(<a href="http://www.alcoholicosanonimos.net/" rel="nofollow">Ana | alcoholicos anonimos</a> :: 
mar 18, 2011  2:24 PM)

Buenas!,

Me ha encantado el articulo y me ha encantado volver a leerte, voy a recomendar esta web a todos mis amigos.

Saludos!</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-02-23T14:26:36-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Crônica de uma visita à Coreia do Sul</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/cronica_de_uma_visita_a_coreia_do_sul.php</link>
<CommentCount>19</CommentCount> 
<description>Aconteceu entre os dias 23 e 25 de abril de 2010, na época em que o blog estava hibernando, o Primeiro Encontro das Literaturas da Ásia, África e América Latina, em Incheon, na Coreia do Sul, para o qual tive...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu entre os dias 23 e 25 de abril de 2010, na época em que o blog estava hibernando, o Primeiro Encontro das Literaturas da Ásia, África e América Latina, em Incheon, na Coreia do Sul, para o qual tive a honra de ser um dos três convidados latino-americanos. É uma história que há tempos quero contar aqui, em parte para que o blog volte à sua rotina pré-eleitoral de misturar a política com outros assuntos, mas também pelo interesse e curiosidade que gera aquela parte do mundo. </p>

<p>Já aviso de cara que todos os meus comentários são baseados numa visita de uma semana, que eu não entendo uma palavra de coreano, e que há pelo menos <a href="http://sindromedeestocolmo.com">duas </a><a href="http://www.interney.net/blogs/malla/">blogueiras </a>que conhecem a Coreia por longas estadias. Elas estão muito mais equipadas que eu para responder perguntas gerais sobre o país. Relato só o que vi e as impressões que tive. </p>

<p>O encontro era parte de um esforço cada vez mais visível, que vai muito além dos estudos literários: construir pontes de diálogo Sul-Sul, através das quais África, Ásia e América Latina possam interagir sem a mediação das potências do Atlântico Norte. Para o encontro de Incheon, infelizmente, os dois outros convidados latino-americanos—dois dos mais aclamados escritores cubanos, Miguel Barnet e Nancy Morejón—não puderam comparecer, por motivos que desconheço. Éramos, portanto, vários asiáticos, vários africanos e eu. Esta era a turma que se reuniu em Incheon: <br><br></p>

<p><img alt="31359_399440542712_565462712_4082711_1120465_n-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399440542712_565462712_4082711_1120465_n-1.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br />
Era a primeira vez que eu visitava um país cuja língua desconheço completamente (ok, eu estive na <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/11/amsterdam_primeiro_dia.php">Holanda</a>, mas ali não conta: em Amsterdã, pelo menos, todo mundo fala inglês). Cheguei ao aeroporto de Incheon no dia 22 de abril e, já de saída, fui tomado pela sensação que seria constante nos dias que se seguiriam: a de completa ignorância. Na van que nos levava ao hotel, juntos com dois membros da equipe de organização, estávamos eu e o romancista vietnamita Ho Ahn Thai (que depois apresentaria uma comunicação impressionante sobre o processo de perdão aos estadunidenses no Vietnã). Qual foi o primeiro medo que sentiu a besta quadrada aqui? <em>Puxa, será que as línguas coreana e vietnamita são mutuamente compreensíveis e eu vou ficar boiando? </em> Logo descobri que as duas não têm nada a ver e que o idioma ali na van seria o inglês. </p>

<p><br></p>

<p><br />
<img alt="lanternas.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/lanternas.jpg" width="454" height="144" /><br />
<em>Lanternas no Cheonggyecheon. Foto: <a href="http://sindromedeestocolmo.com">Denise</a></em>.</p>

<p><br />
Ao longo da estadia em Incheon e Seul, meus dois grandes choques foram: a verdadeira paixão dos coreanos pelo caraoquê e o tremendo impacto da separação entre as Coreias sobre uma parcela enorme das famílias do país. Numa das noites em que saímos por Seul, eu, Harry Garuba, crítico literário nigeriano radicado na África do Sul, e outros amigos fomos parar num caraoquê em que havia uma única mesa enorme, com umas quinze pessoas. O nosso grupo era composto, na sua totalidade, por gente reconhecivelmente estrangeira. </p>

<p>Com a típica amabilidade, a turma da mesa trocou a música coreana por sucessos do pop americano (claro que sem saber que alguns de nós preferimos qualquer música coreana a “Hotel California” e congêneres). Acabamos contagiados pela alegria dos anfitriões e dançamos bastante. Conversando com uma senhora bem idosa, descubro que ela tem um filho do outro lado da fronteira, a quem ela não vê <b>desde 1953</b>. A separação entre coreanos significa isolamento total: sem telefone, sem comunicação de qualquer espécie, sem notícias. Ela não tem como saber se o filho está vivo. Praticamente todos os coreanos com quem conversei têm histórias dolorosas sobre um pedaço da família do outro lado da fronteira. É algo muito mais presente do que eu imaginava. Todos os assuntos, em algum momento, resvalam ali. Quando acontece, é visível a mudança na expressão facial das pessoas. <br />
<br><br />
<img alt="cartaz-coreia.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/cartaz-coreia.jpg" width="320" height="240" /><br />
<em>Cartaz do encontro</em></p>

<p><br />
Ao longo da minha estadia, foi se reforçando a sensação de que os coreanos se parecem a nós, brasileiros, bem mais que os chineses, japoneses ou vietnamitas. Apesar da intransponível barreira da língua, seu jeito afetuoso e sorridente trazia algo de conhecido. A hospitalidade é impressionante: tudo funcionava à perfeição. Não só os tradicionais componentes de um congresso bem organizado (horários, transporte, programação etc.), mas também coisas mais intangíveis. Dou um exemplo: depois da última palestra, nos avisaram que havia presentes para os convidados na saída do auditório. É claro que imaginei que todos receberíamos a mesma coisa, ou coisas parecidas. Ao pegar a sacolinha, me dei conta de que os presentes eram <strong>personalizados</strong>. Na minha, havia vários agrados, incluindo-se uma coleção de <a href="http://www.bookhouse.pt/catalogo/literatura-autores-estrangeiros_0880/contos-contemporaneos-coreanos_02673301.aspx">contos coreanos</a> traduzidos para o português. Dali nos levaram a um banquete inesquecível. </p>

<p>A comida coreana é requintada, mas de sabor fortíssimo para o nosso paladar. Talvez a iguaria mais famosa seja o kimchi, uma espécie de repolho fermentado com bastante tempero. Algas marinhas são presença frequente. As sopas são bastante apimentadas. Peixes cozidos são comuns no café da manhã. Mesmo na megalópole Seul não é muito fácil encontrar culinária ocidental em meio aos restaurantes coreanos, japoneses e chineses. Só graças à <a href="http://sindromedeestocolmo.com/">Denise Arcoverde</a>, colega de blogosfera a quem conheci pessoalmente na Coreia, pude ter a minha única refeição ocidental em toda a estadia. </p>

<p>Tive a honra de conhecer intelectuais e escritores gigantes: Lui Zhenyun, romancista chinês que vende nada menos que 5 milhões de exemplares, em média, dos seus livros; Makerand Paranjape, crítico indiano que conhece o Brasil melhor que muitos de nós; Harry Garuba, pesquisador nigeriano que foi o grande companheiro de cervejas durante a visita e com quem aprendi muito sobre a África; o ensaísta palestino Fahri Saleh, exilado na Jordânia e proibido de visitar suas laranjeiras, que brincava dizendo que eu era “mais palestino” que ele; a grande escritora egípcia Salwa Bakr: </p>

<p><img alt="egypt.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/egypt.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br></p>

<p>a poeta sul-africana Sindiwe Magona, de quem você terá uma versão das letras sul-africanas completamente diferente da mais canônica, consagrada pela Prêmio Nobel Nadine Gordimer: </p>

<p><img alt="31359_399439507712_565462712_4082706_786411_n-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399439507712_565462712_4082706_786411_n-1.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br><br />
e finalmente o decano das letras filipinas, Francisco Sionil José, um verdadeiro cidadão do mundo, com uma vida dedicada à luta pela justiça, e com quem aprendi dezenas de palavras em tagalo que são idênticas às do espanhol: </p>

<p><img alt="31359_399637922712_565462712_4085236_2792183_n-2.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/31359_399637922712_565462712_4085236_2792183_n-2.jpg" width="320" height="240" /><br />
<br><br><br />
Tivemos situações bem divertidas com a língua. Durante o congresso, todos os não-coreanos fizemos nossas apresentações em inglês, com a exceção dos chineses, que usavam o mandarim. Havia, então, serviços de tradução simultânea entre mandarim e coreano, entre inglês e coreano, e entre mandarim e inglês. No congresso, tudo perfeito. Num passeio pela ChinaTown de Incheon, resolvemos entrar numa loja. Éramos vários: o nigeriano, a egípcia, eu, o filipino, o chinês, o vietnamita, a sul-africana. Mas nenhum coreano. A garota da loja só falava chinês. Mas Lui Zhenyun, o chinês que andava conosco, não falava inglês. Resultado: dizíamos, em inglês, ao vietnamita, o que queríamos; ele transmitia o pedido em vietnamita ao chinês, que entendia o idioma. Este, por sua vez, se comunicava com a garota da loja no idioma nativo de ambos. Invariavelmente voltava uma explicação que nos chegava, em inglês, já meio incompreensível. O mais sensacional telefone-sem-fio que já presenciei. </p>

<p>Com o idioma, registre-se, fui um fracasso completo. A sensação de ser analfabeto e ter diante de mim  caracteres indecifráveis era mais tranquila dentro da universidade, onde todos, de alguma forma, tínhamos uma língua em comum. Nas vezes em que me aventurei sozinho pela cidade, a sensação de desamparo era constante. A cada dez minutos, enfiava a mão nos bolsos das calças para ter certeza de que ainda tinha o endereço do hotel anotado para entregar ao taxista. Apesar de ter decorado a sequência de fonemas, por exemplo, da palavra “obrigado”--<em><s>samkahamnida</s></em>  <em>gamsahamnida</em>--, só depois de uma semana pude pronunciar a última sílaba com a entonação exigida. Conversando com meu anfitrião, o Prof. Suk Kyun Woo, perguntei num certo momento: </p>

<p>-- Você convive com ocidentais aqui há décadas. Conhece algum que tenha aprendido a língua?<br><br />
-- Não. Nunca. Nenhum. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/cronica_de_uma_visita_a_coreia_do_sul.php#comments" title="Comente Crônica de uma visita à Coreia do Sul">19 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 21, 2011  7:51 PM)

Eu tenho um professor (sul-coreano) de linguística na faculdade que me deu uma patada quando eu disse que não reconhecia a diferença entre "s'al" e "sal", quando ele pronunciou. Ele disse simplesmente: "claro que você não reconhece a diferença. Você não é coreana." Me desanimou completamente.

O professor Lee também nos ensinou que a escrita coreana é meio que "artificial"; sua invenção foi quase toda documentada... Também aprendi que coreano e chinês não tem nada a ver (e nenhum deles tem nada a ver com japonês, exceto pelos kanjis nipônicos, emprestados dos ideogramas chineses).

Mas começo esse ano o curso de japonês. Mais fácil =D


Deve ter sido uma viagem muito bacana essa sua, Idelber!</p>
<p>(<a href="http://interney.net/blogs/malla" rel="nofollow">Lucia Malla</a> :: 
fev 21, 2011  7:53 PM)

Delicioso post e q me deu saudades das aventuras por lá... 

Te digo q, durante os quase 3 anos q morei lá, conheci 2 brasileiros em Seul que falavam coreano perfeitamente (um deles peruano criado no Brasil, casado com uma japonesa, e que falava essa miscelânea de português-espanhol-japonês-coreano em casa, com os filhos, uma loucura). E o médico americano da clínica internacional do Seoul University Hospital, q tem um coreano flawless - perguntei a um coreano pra confirmar e ele disse q o coreano do médico era melhor q de muitos coreanos... :D

De resto, realmente, ocidentais penam para aprender até o básico. E isso não é uma maravilha? Eu particularmente adorava andar pelas ruas com essa sensação de total estrangeira, de não-pertencer. Aliás, ainda adoro: quando vou a países de língua por mim desconhecida meu passatempo predileto ainda é de alguma forma ter essa sensação, seja andando pelas ruas, dentro de lojas ou tentando conversar por mímica, de que "só sei que nada sei" MESMO. :D

Idelber, quanta saudade esse post me trouxe... aiai... preciso revisitar Seul um dia...

P.S: O obrigado é "gamsahamnida". Vc inverteu as consoantes. (E, sim, só estou falando isso pra "pentelhar" vc mesmo, pq eu não ligo nem pra português errado, quiçá coreano... hahahahaha!!) :D</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 21, 2011  8:43 PM)

Ah, Lu, que honra ter mexido com suas saudades. Eu também gosto da sensação de não pertencer, de ser um estrangeiro total e completo--tenho essa sensação na Europa, independente da língua, muito mais que em qualquer país das Américas. Mas na Coreia o desamparo era forte demais! 

E, sim, você está certa, eu troquei as consoantes. Está vendo como não aprendi nada da língua? Nem o raio do "obrigado", que eu achei que tinha aprendido! Já corrigido :-) 

É isso, Bárbara. É difícil mesmo. O alfabeto coreano se chama Hangul. Antes, eles usavam caracteres chineses, mas no século XV foi desenvolvido o sistema usado que é usado até hoje :-) </p>
<p>(Isabella :: 
fev 21, 2011  9:26 PM)

Que leitura prazerosa!

@Bárbara Vai se divertir aprendendo japonês. Mas não é nada simples com o kanji, hiragana, katakana, romanji ... Fiz muitos anos e apenas consigo ler história infantil. 
:P</p>
<p>(<a href="http://guaciara.wordpress.com" rel="nofollow">Lauro Mesquita</a> :: 
fev 21, 2011  9:47 PM)

Ótima história Idelber, lembrei de alguns momentos da nossa conversa em Curitiba, acho que você tinha passado em Seul. Tão legal esses encontros de gente de todo país - troca de experiências intensiva - para nos colocar no nosso eixo a partir de outra perspectiva. 

Muito bom. </p>
<p>(Arthemísia :: 
fev 22, 2011 12:34 AM)

Não conheço a Coréia, mas conheço coreanos e sua comida e posso concordar com você em duas coisas: os coreanos são realmente muito agradáveis e a comida é difícil, pelo menos para mim que não gosto de pimenta. Outro ponto em comum com os brasileiros: futebol, que eles adoram.</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 22, 2011  1:21 AM)

OCEANOS
by Ramiro Conceição


Quando viajo à terra do SER-HUMANO
- esse composto-substantivo-complexo -,
vem a sensação de não pertencer a nada, 
de ser um total estrangeiro dentro de tudo,
mas com a liberdade para beijar o mundo.
Quando acontece…  Amplo é o desamparo.
Porém ainda bem que volto ao porto e paro: 
meu ser humano se alegra  - com oceanos!



PS: Idelber, seu relato foi o mote…
</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 22, 2011  1:41 AM)

Isabella,

kanji eu sei que é quase impossível eu aprender... Mas katakana e hiragana eu até já conheço um pouquinho! Vou estar satisfeita se eu conseguir acompanhar animes legendados (se puder ouvir e entender sem legenda, melhor ainda!). =D</p>
<p>(Afonso Andrade :: 
fev 22, 2011 11:12 AM)

Oi Idelber, 
Olha só que coincidência. Este ano o FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, que acontece aqui em BH, em novembro, terá a Coreia do Sul como país homenageado. Assim teremos a presença de exposições, quadrinistas coreanos e um pouco da cultura daquele país. O Manhwa, como é conhecido o quadrinho na Coreia, está cada vez mais presente no mercado editorial brasileiro. 

</p>
<p>(<a href="http://www.ericocordeiro.blogspot.com" rel="nofollow">érico cordeiro</a> :: 
fev 22, 2011 11:13 AM)

Grande Idelber,
Que relato de viagem admirável. Você nos transportou à Coréia do Sul, de forma leve, simpática e bem-humorada.
Você poderia aproveitar para trazer aos seus leitores as suas experiências "marcopolianas" do período em que o blog esteve em estado de animação suspensa :-)
Me senti em Seul, cantando "Hotel California" em um animado karaokê!
"Gamsahamnida", meu caro!</p>
<p>(<a href="http://www.naopostaras.blogspot.com" rel="nofollow">João Guilherme Dayrell</a> :: 
fev 22, 2011 12:22 PM)

Da Coréia do sul só conheço mesmo o Kim Ki-duk. Mas todos os sul coreanos que tive prazer de conversar pelo mundo são extremamente simpáticos. Deu vontade de ir até lá.

Belo post!

abraços!
</p>
<p>(Pedro Lobato :: 
fev 22, 2011  1:23 PM)

Tb fui aluno do Lee, na Letras-UFMG. É bem legal ter um professor de linguística coreano.

Quem nos dera vc pudesse viajar o mundo todo só pra escrever esses pequenos e prazerosos relatos, Idelber.

Valeu.</p>
<p>(Mari :: 
fev 22, 2011  4:25 PM)

Que gostoso de ler esse seu relato!
Que saudades da minha experiência multiracial em um curso no Japão, onde a única outra mulher era coreana! E como ficamos amigas, apesar de todas as diferenças! Nunca me esqueço do seu olhar espantado me vendo derramar potes de lágrimas ao nos despedirmos e da sua recomendação para que eu tratasse bem os coreanos que encontrasse pelo mundo...
Como fiquei mais tempo que você, aprendi a não ter medo de me perder na cidade cheia de códigos ininteligíveis para mim. Só não podia esquecer o mapinha do metrô.;0) </p>
<p>(<a href="http://www.sergioleo.opsblogs.org" rel="nofollow">SLeo</a> :: 
fev 22, 2011  6:52 PM)

O pior, Idelber, é que, em coreano, samkahamnida quer dizer: "por favor, não toque no meu cangote". Você deve ter deixado muito taxista perplexo lá em Seul.

E que série de contos não dariam as viagens de Harry Guaruba e o mineiro Avelar pelo bas fond asiático... Cadê o Murakami que não foi para esse Congresso.</p>
<p>(Lugon de Souza :: 
fev 22, 2011  9:38 PM)

Na Coréia do Sul até novela é erudita.

Há algum tempo, ouvi por acaso uma interpretação magnífica de uma música do Astor Piazzola e ao pesquisar a fonte, surpresa! Era um trecho de uma novela de lá chamada "Beethoven Virus".

Consegui o DVD pela Amazon e me apaixonei por este povo.

Com sua permissão, Idelber, gostaria de sugerir para o pessoal daqui pesquisar no You Tube:

Festa On Ice - Yuna Kim (esta menina sul-coreana é campeã mundial de patinação artística que, em uma apresentação, quase fez este bronco aqui chorar).

Libertango Beethoven Virus (É uma cena que, quem vê, não permanece o mesmo)

Tae Yeon ft. Seo Hyun - Can You Hear Me (Esta música faz qualquer um querer falar sul-coreano)

Um grande abraço

</p>
<p>(Renata Lins :: 
fev 23, 2011 12:02 AM)

Esse post me lembrou um lindo texto do Paulo Rónai sobre o húngaro - "retrato íntimo de um idioma". Tá no livro "Como aprendi o Português e Outras Aventuras". E, claro, deu vontade de chegar perto do coreano, assim como o do Paulo Rónai dá vontade de pelo menos dar uma experimentadinha no húngaro...</p>
<p>(J. Messias :: 
fev 23, 2011 11:52 AM)

Caríssimo, agradeço pelo post.
(e nem tento fazê-lo em coreano, audacioso por demais seria)
Penso que todos os professores (principalmente os de português aqui do Brasil) deveriam ter a oportunidade de vivenciar essa experiência de total ignorância. Talvez assim compreendessem melhor quem tem dificuldades em aprender a leitura e a escrita.
Grande abraço, e saudações alvi-negras, de um botafoguense que também ama viajar.</p>
<p>(<a href="http://poecinzas.blogspot.com" rel="nofollow">Bárbara</a> :: 
fev 23, 2011  5:01 PM)

Pedro Lobato,

Lee foi um dos melhores professores que eu tive até hoje... Até me matriculei esse semestre em outra disciplina dele (teoria fonética e fonológica). Pena que a gente tem que puxar muito a língua dele pra ele contar os "causos" de quando ele morou fora, de como é a educação na Coreia, como é a cultura dele...</p>
<p>(<a href="http://hellbebach.wordpress.com" rel="nofollow">He will be Bach</a> :: 
fev 27, 2011 11:47 PM)

"Ao longo da estadia em Incheon e Seul, meus dois grandes choques foram: a verdadeira paixão dos coreanos pelo caraoquê..."
Cara,
Ficar surpreso com o ainda presente impacto da separação das Coréias, eu até entendo. Por mais que a gente "imagine" como "deve ser", o impacto de sentir isso naquela terra, de receber as palavras de alguém que não vê o filho há quase 60 anos, é mesmo impossível de transmitir ou de representar esse impacto.
Agora, não saber do caraoquê é dose... É mais ou menos como não saber que o esporte nacional da Coréia é Starcraft. :)
Aliás, japoneses também são loucos por caraoquê. Bom, japoneses são loucos, ponto. :D
Aliás2, apesar da asquerosa ocupação japonesa, a Coréia ainda guarda um grande trunfo histórico contra o Japão: eles deram uma surra tão grande no Hideyoshi que os japoneses lembram disso até hoje.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Primeira Pessoa</dc:subject>
<dc:date>2011-02-21T18:43:13-02:00</dc:date>
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<title>Retratação</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/retratacao.php</link>
<CommentCount>0</CommentCount> 
<description>Em conformidade com uma decisão da Justiça, já irrecorrível, este blog deve uma explicação e uma retratação. No dia 29/06/2009, publicamos um post intitulado “Gravataí Merengue era mesmo autor no blog anônimo de difamação contra Luis Nassif”. No contexto do...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Em conformidade com uma decisão da Justiça, já irrecorrível, este blog deve uma explicação e uma retratação. No dia 29/06/2009, publicamos um post intitulado “Gravataí Merengue era mesmo autor no blog anônimo de difamação contra Luis Nassif”. No contexto do processo movido por este contra aquele, a Justiça <a href="http://esaj.tjsp.jus.br/cpo/pg/search.do;jsessionid=8523DBE1410F69DF3E9134D1A6F91C65?paginaConsulta=1&localPesquisa.cdLocal=-1&cbPesquisa=NMPARTE&tipoNuProcesso=UNIFICADO&dePesquisa=fernando+renato+garcia+gouveia#">decidiu</a>: </p>

<p><em>A ação e o pedido contraposto são improcedentes (...). No caso em exame, cinge-se a controvérsia em verificar se houve, efetivamente, ofensa à honra e à dignidade do autor em razão das afirmações veiculadas pelo réu em seu blog. Analisando o teor das declarações do requerido, verifica-se que o réu não agiu com o dolo, com o intuito específico (elemento subjetivo) de agredir moralmente o autor, pois não extrapolou o limite do animus criticandi ou animus narrandi, na medida em que noticiou fatos.</p>

<p>Claro, assim, que o réu ficou adstrito ao limite do animus narrandi, razão pela qual não se vislumbra nenhuma ofensa à vítima. Desta forma, restou clara a inexistência dos pressupostos do dever de indenizar, restando, ausente, pois, o dever de indenizar (...) POSTO ISSO e pelo mais que dos autos consta, julgo IMPROCEDENTES o pedido principal e o contraposto, nos moldes da fundamentação supra. Custas e honorários indevidos, na forma do artigo 54 da Lei n° 9.099/95.</em></p>

<p><br />
O post, portanto, foi apagado. Sendo matéria irrecorrível, evidentemente, não cabe discussão, razão pela qual o blog fechará a caixa deste post e não publicará comentários sobre este tema em outras caixas. Fica registrada a retratação. <br />
</p></p>
<p>
]]></content:encoded>
<dc:subject></dc:subject>
<dc:date>2011-02-20T16:18:08-02:00</dc:date>
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<title>Um blog aos sábados: Pensar Enlouquece, Pense Nisso</title>
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<CommentCount>21</CommentCount> 
<description>Está de volta no Biscoito a série “Um blog aos sábados”. Ela tenta colocar em prática um dos princípios que norteiam o blog desde sua inauguração: circular links, recomendar outros textos na rede, levar os leitores a ampliarem o seu...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><em>Está de volta no Biscoito a série “Um blog aos sábados”. Ela tenta colocar em prática um dos princípios que norteiam o blog desde sua inauguração: circular links, recomendar outros textos na rede,  levar os leitores a ampliarem o seu leque de referências na internet. Esta série já homenageou <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_uma_malla_pelo_mundo.php">Uma Malla pelo Mundo</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_rafael_galvao.php">Rafael Galvão</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_drops_da_fal.php">Drops da Fal</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/um_blog_aos_sabados_palestina_do_espetaculo_triunfante.php">Palestina do Espetáculo Triunfante</a> e <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/um_blog_aos_sabados_ao_mirante_nelson.php">Ao Mirante, Nelson!</a> O homenageado de hoje é Alexandre Inagaki, do <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a></em>.<br />
<br><br />
<img alt="pensar-enlouquece.gif" src="http://www.idelberavelar.com/pensar-enlouquece.gif" width="430" height="221" /></p>

<p><br></p>

<p><br />
Quando se escreva a história da internet brasileira, caberá um lugar de destaque a Alexandre Inagaki. Pioneiro que transita por várias áreas, o jornalista, poeta bissexto, leonino, japaraguaio, air drummer e cínico cênico—algumas de suas autodescrições—é o signatário do blog <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a>. É referência incontornável na internet. Autor de texto fino, sempre escrito em português escorreito, Ina tem algumas características que são verdadeiras marcas registradas: a apuração rigorosa de tudo o que diz, o olhar <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/03/07/1001_dicas_sexo_enlouquecer_homem_cama/">levemente irônico</a>, mas nunca sarcástico ou agressivo, a generosidade ao linkar de forma profusa e constante, a multiplicidade de interesses, o assombroso domínio de referências da cultura pop e o incrível talento para desenterrar coisas insólitas na internet, como os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/04/17/piores_cantores_do_mundo/">piores cantores do mundo</a>, os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/14/virunduns_lemgreloadedl_emg/">hilários virunduns</a> ou <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/12/05/oito_dancas_mais_bizarras_do_youtube/">as danças mais bizarras do YouTube</a>. Quando este blog abriu suas portas, em outubro de 2004, Ina já era mito. Nós nos conhecemos pessoalmente em agosto de 2005 e eu me orgulho de tê-lo como amigo há quase seis anos. </p>

<p>Fazer uma antologia dos textos de Inagaki na internet é como escolher os gols mais belos de Reinaldo ou os melhores poemas de Drummond. A profusão é estonteante. Se, por alguma misteriosa conjunção dos astros, você não sabe quem é Alexandre Inagaki, minha sugestão é que você siga o <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">link ao blog </a>e faça um passeio tranquilo e demorado pelos arquivos. Já tradicionais, por exemplo, são os seus balanços telegráficos de fim de ano. Delicie-se com os flashbacks de <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2004/12/31/retrospectiva_2004/">2004</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2006/12/30/2006/">2006</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/01/01/2007/">2007 </a>e <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/12/31/retrospectiva_2008/">2008</a>. </p>

<p><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/02/27/prologo_para_um_romance/">Romântico contumaz</a>, Inagaki é também responsável por uma série de inovações formais na blogosfera. Generoso, Ina mantém à direita da página uma lista de “blogs da semana”, na qual ele recomenda blogs de qualidade, mas ainda pouco conhecidos. O blogroll do Biscoito inclui vários sites com os quais tomei contato, pela primeira vez, através do Pensar Enlouquece. Quando vejo referências à história da blogosfera brasileira como se ela tivesse começado anteontem, me lembro <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2003/01/01/momentos_da_blogosfera_brasileira/">dessa cronologia</a> escrita por Ina, que se remonta ao ano de 1998, além dos vários outros posts de historiografia de blogolândia que ele já publicou. É importante reconhecer quem veio antes de nós. É importante dar o crédito. São duas lições do Pensar Enlouquece às quais tenho tentado fazer jus ao longo dos anos. <br />
<br><br />
<img alt="DSC00281.JPG" src="http://www.idelberavelar.com/Post-images/DSC00281.JPG" width="390" height="293" /><br />
<em>Inagaki, em pé, de preto, no centro do grupo de blogueiros que se reuniu em agosto de 2005 no debate sobre blogs promovido pelo <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/08/no_salao_do_liv.php">Salão do Livro</a> de Belo Horizonte</em>.<br />
<br></p>

<p>A <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/10/os_10_melhores_discos_de_musica_popular_/">música popular</a>, o <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2005/12/10/como_era_gostoso_o_meu_cinema_brasileiro/">cinema</a>, os <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/04/03/charlie_brown_e_a_garotinha_ruiva/">quadrinhos </a>e a <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2008/01/29/qual_livro_que_mais_marcou_sua_infancia/">literatura </a>são presenças constantes no blog desse torcedor do <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2006/11/27/masoquista_ludopedico/">Guarani de Campinas</a>. Mais além das óbvias polêmicas possíveis, os textos de Ina esbanjam erudição, mas sempre de forma simples, sem exibicionismos ou carteiradas. Invariavalmente, eles demonstram seu talento de frasista, como na célebre <a href="http://www.cracatoa.com.br/2005/desejo/archives/2006/02/amar_hemburresc.php">"Amar é decretar uma chacina de neurônios"</a>. Quando algum acontecimento abala o mundo da cultura popular, é alta a probabilidade de que Ina faça um dos melhores balanços do tema, como foi o caso na <a href="http://mtv.uol.com.br/popcabeca/blog/michael-jackson-s%C3%ADndrome-de-peter-pan-e-o-museu-de-grandes-novidades">morte de Michael Jackson</a>. </p>

<p>A primeira visita de Ina ao Biscoito—feita quando o PE, PN já era uma referência para mim—me encheu de orgulho na época, e vinha expressar uma discordância sobre García Márquez, escritor que não está meu panteão, mas por quem Ina tem muito apreço. De lá pra cá, votamos em candidatos diferentes, tivemos opiniões discordantes sobre uma infinidade de assuntos e polemizamos um par de vezes. Continuamos amigos. </p>

<p>Nos últimos dias, por razões que não vêm ao caso, tenho me lembrado muito do mantra estampado por Ina em seu blog: <em>A vida é bela e cheia de possibilidades. A vida é bela e cheia de possibilidades.</em> </p>

<p><a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a>. Valeu, Ina. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/um_blog_aos_sabados_pensar_enlouquece_pense_nisso.php#comments" title="Comente Um blog aos sábados: Pensar Enlouquece, Pense Nisso">21 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://interney.net/blogs/malla" rel="nofollow">Lucia Malla</a> :: 
fev 19, 2011  9:06 AM)

Uma justíssima homenagem a uma das pessoas mais generosas que a blogosfera brasileira possui. Dono de uma simpatia estonteante, que nos envolve como água num mergulho. 

Obrigada, Ina, por um dia ter começado a escrever na internet, e desde então nunca mais parado. Por compartilhar sempre, de coração tão aberto. :)</p>
<p>(<a href="http://ladyrasta.com.br" rel="nofollow">flaviapenidFlavia (@ladyrasta)</a> :: 
fev 19, 2011  9:49 AM)

Lembro até hoje de como fiquei feliz como uma aluna do primário que ganha estrelinha na lição quando vi meu blog nos blogs da semana lá no Pensar Enlouquece, hehehe.
Homenagem mais do que merecida.
Beijos</p>
<p>(<a href="http://www.dropsdafal.blogbrasil.com" rel="nofollow">Fal</a> :: 
fev 19, 2011 10:47 AM)

Ina, the best.</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 19, 2011 12:31 PM)

Um contraponto brincalhão ao Ina...


PENSAR QUASE ENLOUQUECE
by Ramiro Conceição



Preciso cortar o cabelo, mas
não consigo… ir ao barbeiro.

Não é a distância. 
Não é o dinheiro.

Sou eu! 
Louquim. 
Louquim.

Caju, sem cajueiro.
Fogo, sem braseiro.

Meu Deus
- cresceu a barba branca, 
o branco cabelo cresceu - 

por favor me diz como se faz…
Estou a aparecer -  Karl Marx.

Já são três dias - de luta,
de intriga, briga e labuta.

Corta. Não corta.
Corta. Não corta.

Catralhos me mordam!
Ai de mim, fiquei doidim!

Debaixo do bigode,
resta um grito de fé:

“Cadê a corte de Herodes
  com a sua bela Salomé?”

Todo poeta - é um profeta,
mas a loucura não é meta.


</p>
<p>(<a href="http://www.biajoni.com.br" rel="nofollow">Biajoni</a> :: 
fev 19, 2011 12:48 PM)

justíssima homenagem ao AVÔ da blogosfera.
:>)
ei, o ina, enquanto pessoa, nem é tão velho.
;>)</p>
<p>(<a href="http://www.twitter.com/fmuriana" rel="nofollow">Fabricio Muriana</a> :: 
fev 19, 2011  1:46 PM)

Trabalhei com ele e falo sem ressalvas.
Inagaki é o cara!</p>
<p>(<a href="http://blog-do-lucho.blogspot.com" rel="nofollow">Lucho</a> :: 
fev 19, 2011  3:05 PM)

Esqueceu-se de citar a melhor qualidade do Inagaki: Ele é bugrino.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 19, 2011  3:20 PM)

Está mencionado lá, logo depois da foto! </p>
<p>(<a href="http://metamorfosepensante.wordpress.com" rel="nofollow">_Maga</a> :: 
fev 19, 2011  9:30 PM)

Homenagem mais que merecida. Indicação inevitável.

Um grande abraço</p>
<p>(<a href="http://meueusadico.blogspot.com" rel="nofollow">Pedro Marques</a> :: 
fev 19, 2011 11:39 PM)

Pegando o bonde do post: cês perceberam que o Rafael Galvão aposentou o teclado?</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 19, 2011 11:43 PM)

Sim, Pedro, eu não cheguei a anunciar aqui, mas lamentei o fato no Twitter (com o maldito Twitter, agora a gente já não faz anúncio em blog). 

Mas deixei lá no Paraíba a minha aposta de que ele volta. A conferir. </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 20, 2011  1:31 AM)

Outra contribuição super importante do Ina foi o "mailzine" Spam Zine, nos idos de 2000 ou 2001. Divulgou textos de muita gente que estava começando a escrever, com ou sem pretensões literárias. Dava também as principais notícias da blogosfera, fazendo com que muita gente se conhecesse num tempo em que ainda éramos poucos, se comparados com agora. Para mim foi uma imensa alegria quando ele publicou um texto meu. Sem falar que ajudou muito na divulgação do "Ao lado e à margem..."
Obrigada, Ina!</p>
<p>(Cláudio Freire :: 
fev 20, 2011 11:17 AM)

Idelber, dei boas risadas com várias coisas que voce destacou do blog do Inagaki.
Os vídeos bizarros são demais.
Nas resenhas de final de ano, destaco o finíssimo humor negro (!) das notícias de alguns falecimentos:
"Ingmar Bergman perdeu a partida de xadrez", "meu nome era Enéas", etc. 
Sensacional.</p>
<p>(Ignez :: 
fev 20, 2011 12:05 PM)

Caro Idelber. Estou felicíssima em ter conhecido seu Blog. Sua generosidade em relação aos blogueiros, sua autenticidade me emocionam. Ressalto essa sua qualidade, porque a de grande analista já está mais que comprovada. Todos os seus "indispensáveis" o são também para mim. Temos isto em comum. Boa semana. Vou te curtindo, também. Adorei o post de Ana Maria. Um abração!</p>
<p>(<a href="http://www.frasesparaomsn.com/" rel="nofollow">FrasesParaOMsn</a> :: 
fev 20, 2011  2:06 PM)

Tropa de elite em peso nessa foto hein, dá até um desespero em ser um simples mortal.

Sou um mero leitor, parabéns pela genialidade.</p>
<p>(Ronaud Pereira :: 
fev 20, 2011  4:22 PM)

Homenagem bonita e merecida!</p>
<p>(Theo Dubeux :: 
fev 21, 2011  3:43 AM)

[off topic]
Caro Mestre,
parece-me que é o momento de pressionar a presidenta para se manifestar em relação, pelo menos, à Líbia, não? O Gaddafi parece ter perdido completamente as estribeiras (se é que já as teve). Mandei mensagens para o MRE e para o gabinete da presidenta. Parece-me que só a pressão internacional pode evitar a continuação do massacre.</p>
<p>(Pedro Américo :: 
fev 21, 2011  8:59 PM)

hum...valeu pela dica</p>
<p>(<a href="http://www.escaparfedendo.blogspot.com" rel="nofollow">Acauam Oliveira</a> :: 
fev 22, 2011  5:45 PM)

Olá Idelber.
Há tempos acompanho seu blog, e posso dizer que, como muitos, foi o biscoito fino que me inspirou a montar o meu próprio blog. Temos em comum o trabalho com a cultura popular, sempre buscando fazer uma reflexão mais crítica. Gostaria que, se voce pudesse, desse uma olhadinha lá no blog, para ter uma ideia do que se trata. Ele se chama Melhor Escapar Fedendo do que morrer cheiroso, em homenagem ao grande ídolo Falcão.
Segue dois links, um texto que usa João Gilberto e o Raça Negra pra pensar o samba:

http://escaparfedendo.blogspot.com/2009/06/joao-gilberto-da-bossa-e-luis-carlos-do.html

E outro que arrisca uma teoria para a razão estrutural do insucesso popular de Ed Motta:

http://escaparfedendo.blogspot.com/2009/12/razoes-estruturais-para-o-insucesso-de.html

Se tiver um tempo, agradeceria muito a visita.
Abraços. Seu blog é favorito lá no meu faz tempo.</p>
<p>(<a href="http://lembrancaeterna.wordpress.com" rel="nofollow">Bruno</a> :: 
fev 23, 2011 11:39 AM)

Jesus Luz, faz tempo isso! Meu cabelão, o cabelão do Bia... histórias mil, conversas musicais pela madrugada... ah, bons tempos...</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 24, 2011 11:03 AM)

Obrigado a todos os que passaram por aqui para festejar o Ina, obrigado ao Bruno pelas memórias, e ao Acauam pelo link ao blog. Já está devidamente incorporado ao meu GReader, Acauam. Gostei muito dos dois posts que li. 

Abração a todos. </p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Metablogagem</dc:subject>
<dc:date>2011-02-19T08:09:18-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php</link>
<CommentCount>323</CommentCount> 
<description>Caro Ziraldo, Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca &quot;Que merda é essa?&quot; e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de...</description>
<guid isPermaLink="false">1428@http://www.idelberavelar.com/</guid>
<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ziraldo,</p>

<p>Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "<a href="http://oglobo.globo.com/carnaval2011/blocos/video/2011/22068/default.asp">Que merda é essa?</a>" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do <a href="http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=2&ved=0CCEQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.rj.anpuh.org%2Fresources%2Frj%2FAnais%2F2004%2FSimposios%2520Tematicos%2FMaria%2520Ana%2520Quaglino.doc&rct=j&q=eugenia%20e%20monteiro%20lobato&ei=-C9eTdiIEoOGtwf85MDOCw&usg=AFQjCNG2OjH54AVU4c6HBwE0AdS2BP4fpA&sig2=JcnPR6Ee438sueCN076xgQ&cad=rja">eugenista Monteiro Lobato</a> que, em <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101127/not_imp645872,0.php">carta </a>ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "<em>(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).</em><br />
<br><br />
<img alt="27_MHG_camisa_do_que_m_e_essa%20%281%29.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/27_MHG_camisa_do_que_m_e_essa%20%281%29.jpg" width="320" height="205" /></p>

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Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o <a href="http://extra.globo.com/noticias/carnaval/bloco-que-merda-essa-critica-censura-na-literatura-1040905.html">endossa </a>:<em> "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". </em>A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita <em>"é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente". </em></p>

<p>Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Presidente_Negro">"O presidente negro ou O choque das raças"</a> que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e <a href="http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/eugenia_a_biologia_como_farsa_imprimir.html">médico eugenista</a> Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois:<em> “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".</em> </p>

<p>Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: <em> "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." </em>Tempos depois, voltou a se animar: <em>"Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos".</em> Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o <a href="http://www.redetec.org.br/inventabrasil/biofont.htm.">Jeca Tatu</a>, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura. </p>

<p>Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: <em>"Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".</em></p>

<p>No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. <em>"Em que estado voltaremos, Rangel,"</em> se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "<em>desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões".</em> Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse do <em>Caçadas de Pedrinho </em>a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a <a href="http://www.publishnews.com.br/telas/clipping/detalhes.aspx?id=61682">palavra "merda" foi censurada</a>? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma <a href="http://www.semcortes.com/?p=33">questão de caráter</a>.</p>

<p><img alt="ziraldo_direitos_humanos.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/ziraldo_direitos_humanos.jpg" width="221" height="308" align=left hspace=5 vspace=5 />O que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar a <a href="http://portal.mj.gov.br/sedh/documentos/CartilhaZiraldo.pdf">Cartilha de Direitos Humanos</a> encomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do <em>Caçadas de Pedrinho</em> vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: <em>"O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem."</em> Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.</p>

<p>A gente se acostuma, Ziraldo.  Como o seu <a href="http://www.webartigos.com/articles/31289/1/A-REPRESENTACAO-DO-NEGRO-EM-O-MENINO-MARROM-DE-ZIRALDO/pagina1.html#ixzz1DzGd2xoB">menino marrom se acostumou</a> com as sandálias de dedo:<em> "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" </em>(ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque <em>"(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom"</em> (ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: <em>"(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" </em>(ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que <em>"Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!</em>" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação: <em>"Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, a <u>ausência </u> do branco"</em> (ZIRALDO, 1986, p.30).</p>

<p>Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, <a href="http://www.wscom.com.br/noticia/educacao/PELE+INFLUENCIA+DESEMPENHO+ESCOLAR-97619">começam a tirar notas baixas</a> porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas. </p>

<p>Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, <a href="http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=1&ved=0CBMQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.anped.org.br%2Freunioes%2F28%2Ftextos%2Fgt21%2Fgt211256int.rtf&rct=j&q=rendimento%20escolar%20de%20crian%C3%A7as%20negras&ei=fDZeTYezC4Sztwf73rnlCw&usg=AFQjCNEi-rYYOZ_cQbJb0PEEXERTqpXW-g&sig2=6xpcbK556F_VWXeCyXvITg&cad=rja">não facilita nada a vida delas</a>. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele:<em> "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável".</em> Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos <a href="www.revistaforum.com.br/noticias/2011/01/17/racismo_ninguem_sente_ninguem_ve_ninguem_sabe_o_que_e/">adquiridos na infância</a>, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de <em>Caçadas de Pedrinho</em>. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo. </p>

<p>Assim você <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/04/04/anistia_ziraldo_jaguar_vao_receber_indenizacao_pensao_mensal-426702935.asp">se defendeu</a> de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "<em>(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”.</em> Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato,  <em>"negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão"</em>, e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.<img alt="menino-lendo.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/menino-lendo.jpg" width="240" height="180" align=right hspace=5 vspace=5 /></p>

<p>Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, como <a href="http://cadaminuto.com.br/noticia/2009/09/13/ruth-rocha-e-ana-maria-machado-falam-sobre-monteiro-lobato">Ana Maria Machado</a> e <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100916/not_imp610479,0.php">Ruth Rocha</a>, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz: <em>"Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais."</em> É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que<em> "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças."</em> Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. <em>Cada um a seu modo, a repetir seu destino</em>. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar. </p>

<p>Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense você <a href="http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2010/11/29/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=31636/ficha_agitos.shtml">disse </a>que<em> "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. </em>Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos: <em>"Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." </em>Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz,<em> "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos."</em> Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "<a href="http://www.youtube.com/watch?v=xOj9Uwzq9is">Só dói quando eu rio</a>". </p>

<p>Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,</p>

<p>Ana Maria Gonçalves<br />
Negra, escritora, autora de <em>Um defeito de cor</em>.<br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php#comments" title="Comente Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves">323 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://escudinhos.blogspot.com" rel="nofollow">MarcosVP</a> :: 
fev 18, 2011  9:36 AM)

Um texto de tirar o fôlego. Que lamentavelmente - espero MUITO estar enganado - não vai estar nos artigos de opinião da grande imprensa. Ali Kamel merecia ler isso.

Mas enfim, não esperemos a montanha vir. Vamos a ela.

Grande beijo, Ana.</p>
<p>(Katia Motta :: 
fev 18, 2011  9:48 AM)

Ana, bravo!</p>
<p>(<a href="http://gibicomics.blogspot.com" rel="nofollow">Claudio Roberto Basilio</a> :: 
fev 18, 2011  9:51 AM)

Mais uma aula magna da grande Ana Maria Gonçalves! Texto urgente e brilhante, como sempre! Todavia, cabe aqui uma observação: Ziraldo sempre afirmou que "ler é mais importante do que estudar"... Pelas declarações do velho cartunista transcritas no texto de Ana Maria percebe-se que ele abandonou o bom hábito da leitura e da reflexão trazida por ela faz tempo, já que no surgimento da polêmica "Caçadas de Pedrinhos x Racismo" gente como a própria Ana Maria e articulistas como Sergio Leo e Paulo Moreira Leite colocaram o debate no seu devido lugar. Relembro isso porque eu tenho quase certeza de que se esse artigo da Ana Maria chegar nas mãos do criador do Pererê provavelmente ele dará os ombros e não passará do primeiro parágrafo, tão crente que é no "dogma" de "racismo precisa ter ódio"... E isso será lamentável para ele, que sempre propalou aos quatros ventos o seu "amor" pelas crianças e pelo universo infantil... Bão, de um jeito ou de outro, apenas para reforçar tudo que eu disse finalizar e finalizar de vez, eu digo: obrigado, Ana Maria!</p>
<p>(<a href="http://sociologiadebar.blgospot.com" rel="nofollow">Lukas Darien</a> :: 
fev 18, 2011  9:51 AM)

Só queria agradecer pelo texto. É um prazer quando lemos uma crítica assim, elegante e bastante embasada. Foge do padrão chiliquento atual.

Parabens Ana Maria</p>
<p>(Guilherme de Paula :: 
fev 18, 2011 10:13 AM)

Arrebatador.

Parabéns pelo texto, Ana.

Pesquisa e trabalho sério. É disso que precisamos, e não trocadilhos espertinhos e engraçadinhos que caem no jogo da imprensa pra repetir: "isso é ridículo, isso é censura". 

Com pesquisa e trabalho sério, você tornou indefensável o racismo de Lobato. Racismo, dos menos escondidos, mas dos mais articulados. 

Se não workasse, não estávamos aqui playando...</p>
<p>(Ignez :: 
fev 18, 2011 10:13 AM)

Que carta! O pinçamento de textos de Lobato e Ziraldo e as respectivas análises expõem, em parte, o caráter de ambos os escritores. Deslindam suas almas. Revelam preconceitos. A carta é uma cartarse, também. Vou imprimir e ler com maior atenção. Gostei da abordagem da questão. Com certeza irei mais além do "ler". Vou "aprender", também.</p>
<p>(Humberto Borges :: 
fev 18, 2011 10:22 AM)

Bem feito, Ana Maria.
Foi um verdadeiro banho em quem, há muito, precisava.
Só pessoas como você poderão, com inteligencia e elegancia, pela força da verdade, salvar este país.
Até quando teremos que suportar estes "formadores de opinião" ? </p>
<p>(<a href="http://www.essesoueutambem.blogspot.com" rel="nofollow">Adriano Matos</a> :: 
fev 18, 2011 10:24 AM)

Ôô pancada levou o Ziraldo!

Como ele, eu também pensava que as histórias de M.Lobato tinham importância na criação do pensamento coletivo brasileiro e iniciei lê-las para minha filha, As Caçadas de Pedrinho incluído. Nessa obra, é clara a grosseria com que ele se refere à Tia Nastácia e eu tinha que remendar o texto à medida que lia, para não repetir as agressões racistas do autor. Terminei, enfirm, por abandonar essa intenção porque muito do que estava alí é arcaico, do linguagar barroco às idéias do autor.</p>
<p>(Andrea :: 
fev 18, 2011 10:26 AM)

Recebi esse texto como um murro na cara. Estou realmente chocada e perturbada com o conteúdo das correspondências de Lobato. Mesmo depois de tanta polêmica, ainda o defendia. Mas a clareza e informações desse texto me convenceram de que não se trata de afroparanóia contra Lobato. É a revelação de que o tal racismo camuflado e "afetuoso" é muito mais danoso e tão violento quanto o racismo explícito.    </p>
<p>(<a href="http://twitter.com/danielffb" rel="nofollow">daniel ferstl ferreira bastos</a> :: 
fev 18, 2011 10:55 AM)

Nem tanto ao mar nem tanto à terra... Se a gente for pensar em quantos livros e outras obras de arte possuem conteudos imorais ( O racismo é imoraL) Tomar a parte como o todo e a partir daí condenar uma obra inteira!, é reduzir muito o valor e o uso da arte. Me incomoda mto mais os papéis dos negros  na teledramaturgia brasileira. Sempre se repete os esteriótipos. Nunca vi negros em papéis de médicos, advogados, juizes, prefeitos, governadores, presidentes..... Isso, sim, me dá nojo e raiva!  Sobre o Lobato, acho que ele é a cara de um Brasil rural, pobre,  escravocrata, desigual, aristocrático. Sobre seus livros, cito o Millôr : " A nobreza de uma ideia não tem nada a ver com o canalha que a exprime". Que se  explique para as crianças  o contexto de sua obra! </p>
<p>(<a href="http://www.urbanamente.net" rel="nofollow">Ana Paula Medeiros</a> :: 
fev 18, 2011 11:02 AM)

Ana, mais uma vez, obrigada! São seus os textos que a gente deve ter em mãos para contra-argumentar quando as pessoas vêm nos acenasr com a ausência de racismo no Brasil. Beijo grande.</p>
<p>(Constancia Lima Duarte :: 
fev 18, 2011 11:10 AM)

Querida Ana Maria Gonçalves, adorei seu texto, tao lúcido e pontual! Parabens! 
Voce desmonta e desvela as artimanhas de Ziraldo, que quer ficar sempre bem com todos. </p>
<p>(Bruno Correia :: 
fev 18, 2011 11:12 AM)

Texto definitivo!</p>
<p>(Caio :: 
fev 18, 2011 11:24 AM)

Ridícula sua análise das opiniões de Lobato são completamente descontextualizadas e de forma alguma podem ser consideradas avultadas pelo cartunista.

Quer dizer que se eu desenho o Ahmadinejad dançando com uma mulher, ao invés de estar fazendo humor, estou patrocinando as atrocidades contra o sexo feminino no Irã?</p>
<p>(<a href="http://www.botequimdobruno.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Ribeiro</a> :: 
fev 18, 2011 11:33 AM)

Ao Daniel Ferstl (#10): como contextualizar para uma criança negra que o autor se referia à Tia Nastácia como ''macaca'' e ''preta fedida'' porque era ''assim que se pensava na época''.

Qualquer tentativa de contextualizar o racismo para crianças será um ato de agressão contra aquelas que se sentem diretamente atingidas por ele. 

Pensa o contrário quem nunca sentiu o racismo na pele. Ou quem não tem um filho negro em idade escolar. 

Um amigo, branco, confessou-me esses dias que só depois de ter se tornado pai de uma menina negra é que começou a sentir o racismo brasileiro. Até então ele sabia que existia racismo, achava um absurdo que houvesse, mas nunca havia sentido, ele próprio, o racismo na pele. 

''Hoje não há um só dia em que eu não vá à rua com minha filha e não volte indignado com os olhares de reprovação, com os comentários que escuto ou com o tratamento que dispensam à ela, uma criança inocente que ainda não consegue entender a razão de estar sendo tratada de forma diferente pelos coleguinhas, pelos pais dos coleguinhas ou mesmo pelas professoras. Quando maltratam a minha filhinha é como se estivessem me maltratando também. Hoje eu me sinto um negro'', disse o meu amigo. 

Uma pergunta aos que acham um exagero as críticas feitas à adoção de ''As Caçadas de Pedrinho'' pelas escolas da rede pública: fossem livros com temática antissemita, tudo bem? Qual seria a reação da comunidade judaica em relação a livros que tratassem o povo judeu de forma racista ou pejorativa? A imprensa também diria que os judeus estão fazendo ''muito barulho por nada''? Ou compreenderia e endossaria sua revolta? 

Para reflexão. 
   </p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011 11:33 AM)

É isso aí! Todo o apoio.

O daniel, aí acima, sugeriu que o contexto seja explicado às crianças e ao mesmo tempo que a arte tenha respeitada sua autonomia. 

Ah, então quer dizer que, ignorando a própria estrutura da obra do Lobato, ela deve ser lida como objeto cujos valores são autônomos em relação às demandas políticas e sociais (racistas, excludentes, eugenistas) e ao mesmo tempo como objeto que, somente no racismo, não foi autônomo e deve ser referido ao contexto? Ã? 

Quer dizer que o Lobato deve à arte o fato de ser bom contador de histórias e deve ao contexto o fato de ser um bom racista contador de histórias racistas? Desculpe, mas não faz sentido.

A obra de Lobato é um todo não autônomo em relação às demandas políticas, sociais e de mercado. É impossível lê-lo do ponto de vista estritamente artístico, já que a arte não tinha espaço autônomo em relação às outras demandas, e já que o próprio Lobato se posicionou contrariamente às tentativas de autonomização, pois esteve, para o bem e para o mal, ligado às exigências do mercado e da política. 

O que muita gente está reivindicando é o seguinte: vamos ler sem ler. Falar de Lobato, sem falar de Lobato. Falar do racismo "lá fora", sem falar da estetização do racismo. Francamente, é um sintoma social e tanto.</p>
<p>(<a href="http://www.botequimdobruno.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Ribeiro</a> :: 
fev 18, 2011 11:34 AM)

Ao Daniel Ferstl (#10): como contextualizar para uma criança negra que o autor se referia à Tia Nastácia como ''macaca'' e ''preta fedida'' porque era ''assim que se pensava na época''.

Qualquer tentativa de contextualizar o racismo para crianças será um ato de agressão contra aquelas que se sentem diretamente atingidas por ele. 

Pensa o contrário quem nunca sentiu o racismo na pele. Ou quem não tem um filho negro em idade escolar. 

Um amigo, branco, confessou-me esses dias que só depois de ter se tornado pai de uma menina negra é que começou a sentir o racismo brasileiro. Até então ele sabia que existia racismo, achava um absurdo que houvesse, mas nunca havia sentido, ele próprio, o racismo na pele. 

''Hoje não há um só dia em que eu não vá à rua com minha filha e não volte indignado com os olhares de reprovação, com os comentários que escuto ou com o tratamento que dispensam à ela, uma criança inocente que ainda não consegue entender a razão de estar sendo tratada de forma diferente pelos coleguinhas, pelos pais dos coleguinhas ou mesmo pelas professoras. Quando maltratam a minha filhinha é como se estivessem me maltratando também. Hoje eu me sinto um negro'', disse o meu amigo. 

Uma pergunta aos que acham um exagero as críticas feitas à adoção de ''As Caçadas de Pedrinho'' pelas escolas da rede pública: fossem livros com temática antissemita, tudo bem? Qual seria a reação da comunidade judaica em relação a livros que tratassem o povo judeu de forma racista ou pejorativa? A imprensa também diria que os judeus estão fazendo ''muito barulho por nada''? Ou compreenderia e endossaria sua revolta? 

Para reflexão. 
   </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011 11:38 AM)

99% dos que dizem que o professor tem que "contextualizar o racismo de Lobato para a criança" nunca pegaram num pedaço de giz.</p>
<p>(<a href="http://jeanscharlau.blogspot.com" rel="nofollow">Jean Scharlau</a> :: 
fev 18, 2011 11:40 AM)

Caramba! Agora me deu muita vontade de ler o livro desta mulher. Que mulher! Perdão. Que escritora!</p>
<p>(Ju Sampaio :: 
fev 18, 2011 11:42 AM)

Um primor seu texto, Ana! Maravilhosa lucidez. Ressalto ainda o absurdo de mais uma vez se retratar a mulher negra como objeto sexual: o homem branco de terno, ela de biquini. Racista e sexista esse Ziraldo.</p>
<p>(<a href="http://www.espacoimaginarium.blogspot.com" rel="nofollow">Ayesha Luciano</a> :: 
fev 18, 2011 11:47 AM)

Grande texto, Ana Maria Gonçalves! Tão urgente quanto combater o racismo difundido abertamente é combater o racismo velado e mascarado em escusas justificativas como as de Ziraldo e de todos os outros que dizem que "não somos racistas", mesmo quando surgem a cada dia novas histórias de horror e preconceito! Seu texto foi brilhantemente construído, e meu desejo sincero é que ele chegue aos ouvidos que merecem ouvir essas verdades!

Parabéns!</p>
<p>(Paulo Maia :: 
fev 18, 2011 11:50 AM)

Parabéns Ana Maria, concordo com o #4 Lukas, que estilo! </p>
<p>(<a href="http://twitter.com/crdasneves" rel="nofollow">Cleber</a> :: 
fev 18, 2011 12:09 PM)

Que bom poder ler isso, Ana, que bom. E obrigado por mais um excelente texto contra essa literalidade que, quando muito, só consegue ver racismo na KKK, homofobia no ataque com lâmpada fluorescente ou machismo na cadeira de rodas da Maria da Penha.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 18, 2011 12:10 PM)

Grande texto. Se tivesse uma parte só a criticar, entre tanta pesquisa bem fundamentada e inteligência apurada, seria apenas o fato de ter citado a opinião de Ziraldo a respeito de Simonal e interligado-a a uma insinuação de antipatia do desenhista à cor do cantor. Bem se sabe que a figura do Simonal ainda esta em processo de reavaliação, começando pelo ótimo documentário recente produzido pelo filho do artista, mas tal julgamento do Ziraldo é compartilhado por vários contemporâneos do Simonal, incluindo outros negros.

Eu sou um exemplar da miscigenação nacional, sou branco, meu pai era negro, minha mãe descendente direto de espanhóis, e o pai de meu pai índio. Assim como grande parte da população brasileira. Não se pode negar a discriminação racial acentuada, principalmente contra os negros, que existe nesse país. E o grande mérito do texto da Ana é mostrá-la no que tem de mais perverso e tendente a manter sua perenidade: o caráter subliminar do racismo, os adendos de tradição de fazer-se piadas contra os negros, de taxar-lhes apelidos pejorativos, de, tranquila e de boa consciência, impor que o negro seja o eterno "bobo do povoado", o eterno personagem mítico de terceira categoria sobre o qual é normal cair os neologismos e distorções da língua que os enquadram sutilmente como sub-espécie. Isso é o  mais terrível, e, penso, o que deve ocupar o centro dos debates sérios sobre o assunto. Há uma gramática e uma História paralelas às oficiais que correm no cotidiano das cidades históricas brasileiras, especificamente para manter a centenária mentalidade de recepção sobre os negros. É o caso da Cidade de Goiás, perto da cidade onde moro, e Ouro Preto, Diamantina, em Minas Gerais, e nas várias cidades antigas do nordeste. Nessas cidades_ exemplos potencializados do que acontece no restante do país_ a visão discriminativa contra os negros é tão arraigada, envolta com um verniz de "carisma", que tais textos e tais hermenêuticas acadêmicas como as que vemos aqui (e as que são produzidas pelas faculdades locais) não conseguem perfurar a indevassável malha de concepção cultural popular. Nada mais comum que o uso cotidiano, e espontâneo, das denominações como "macaco", das frases em jargões "só podia ser negro, mesmo", ou "mas, também, olha só a cor dele!". E, quando alguma polêmica serve a tirar essas pessoas do torpor da tradição e mostrar-lhes as consequências sociais desse "carisma" por sobre as vítimas discriminadas, essas pessoas alegam que também "não são brancas", que "no Brasil não há racismo, pois não existem negros REAIS e brancos REAIS, mas só uma alegre e freiriana miscigenação."

Não conheço a Ana Maria Gonçalves, suponho que ela escreveu algum outro texto para o Biscoito, que não me animei a ler. Confesso que quando vejo textos como esse, subscrito por uma autora que assina "negra, ecritora", fico tão desestimulado que passo adiante. O mesmo comportamento que tenho diante toda as minorias institucionalizadas e geralmente raivosas desse país: feministas, ateus, gremistas, corintianos, anti-papistas, papistas, homossexuais, anti-homossexuais. É o tipo de imersão forçada que te faz TER QUE SE POSICIONAR, e quando menos vc percebe, apesar de nunca ter sido homofóbico e de ter vários amigos homossexuais, vc já está participando de uma passeata gay, intensamente vinculado na defesa de uma causa que até então vc adotava em relação a ela a mais saudável posição requerida: a de uma indiferença respeitosa, uma isenção pacífica. De forma que ler esse texto da Ana foi, de certa forma, uma revelação da possibilidade de uma discussão cujo envolvimento e estruturas empregadas são de um âmbito bem superior ao normal dos debates sobre diferenças sociais.

Baseado nisso é que proponho à Ana a leitura, se já não a fez, dos livros do sul-africano J.M. Coetzee, em especial o magnífico romance "Desonra". Esse ganhador do Nobel, que explorou o tema do racismo contra os negros de uma forma profunda e combativa (veja "Vida e Época de Michael K."), com esse título, tem a coragem de ir além ao padrão das visões costumeiras sobre o assunto. Nesse romance, uma mulher branca é brutalmente estuprada por um garoto negro, numa fazenda na Àfrica do Sul. O pai da vítima, professor universitário decaído, um intelectual especialista em Byron, reconhece o garoto negro e aciona a polícia local. Nada é feito, há uma conivência obscena dos oficiais, todos negros, com o estuprador, que transita livremente pela cidade, chegando a participar de uma festa local e da própria casa da mulher estuprada. Até que um dia, a filha do professor lhe revela: vai se casar com o estuprador. Uma espécie de compensação histórica por parte de uma branca a todo o sofrimento por qual os negros passaram. O que é um estupro de uma branca, ela diz ao pai indignado, diante todo o histórico de estupros sofridos pelas negras africanas, perpetrados por seus senhores brancos.

Veja que o assunto é espinhoso, e necessita de muito comedimento dos debatedores para ouvir e respeitar os imensos pontos de conflito. O que Coetzee, no meu entendimento, propõe, é justamente o grau mais elevado de cogtação de possibilidades, afastando-se da retórica imbatível de ambas as partes para demonizar e se auto-vitimizar no assunto. E o que mais ocorre no Brasil, nessa e numa inúmera gama de outros assuntos, é isso: a impossibiliadade de se achar um caminho, devido ao ódio apaixonado dos oponentes, cada qual na certeza de ter a razão diante um inimigo terrível. É o caso das cotas raciais, talvez um dos monolitos principais do tema. Talvez ( e note bem, faço uma tentativa, assim como Coetzee, uma expansão da imaginação sobre o assunto), o Ziraldo esteja, inconsciente ou não, propondo isso, na junção do Monteiro com a mulata: propondo uma aproximação reativa de dois mundos repletos de idiossincrasias
e um fardo histórico de concepções temporais mutáveis que possam se juntar num nivelamento dialético isento de ódio. Não se pode esquecer que, se julgarmos um escritor (ou criador em qualquer outro campo da arte) pelo que exteriorizou de ideias, e não por sua obra, sobrarão poucos. De Shakespeara, Euclides da Cunha, Dostoiévski, Machado, Céline, todos desconsiderados por terem sido, em parte, produtos do meio de uma época histórica que tinha suas próprias incorreções políticas, num maior ou menor grau deletério.

Talvez por isso, para mostrar que o próprio homem é um elemento dialético em mutação, Coetzee, em sua auto-biografia, tenha se mostrado como um cadáver hipotético de um ser humano arrogante, icerto, corrupto.
</p>
<p>(<a href="http://blogafora.blogspot.com/" rel="nofollow">Marcia W.</a> :: 
fev 18, 2011 12:21 PM)

Ana, Ana, Ana!

Nunca vi alguém enfiar e rodar o dedo dentro da ferida com tanta precisão. Elegância cirúrgica.
Obrigadissíma pelo texto. </p>
<p>(ana lucia vilela :: 
fev 18, 2011 12:26 PM)

Cara Ana Maria, só tenho a agradecer todos os pingos nos is que vc,magistralmente, coloca.
E pra botar mais lenha na fogueira, vale notar o caráter machista da imagem. Porque lobato não está nú também ,como seria mais adequado? A mulata sorridente e semi nua servindo de objeto sexual a um branco em gravatas não é uma coletânea triste de preconceitos? 

Esse afeto que Ziraldo diz é aquele que ouço de gente abastada que tem uma empregada (negra, claro) na família faz décadas - a quem não se remunera adequadamente - declarar que a serviçal é "quase como se fosse da família". 

E esse quase vai longe, porque a empregada negra mora mal, come mal, gasta horas da sua preciosa vida num transporte ruim e cuida pouco dos seus próprios filhos porque dedica as horas do dia aos filhos da patroa. Tudo, é claro, com muito afeto.
 É quase como se a empregada fosse gente, né? Quase como se ela tivesse direitos, quase como se tanta gente já não se tivesse sofrido demais com o racismo no país.
Tudo com "açúcar e com afeto".

obrigada mais uma vez.

</p>
<p>(daniela :: 
fev 18, 2011 12:38 PM)

Parabéns, Ana Maria, pelo excelente texto.

Quando leio uma argumentação tão elegante e precisa como esta me sinto um pouquinho vingada pelo racismo que sofri quando vivia no Brasil.

Uma das lembranças mais dolorosas da infância é a de uma colega de classe que começou a me chamar de "negrinha fedida da vala".  E olha que nós nem líamos Lobato naquela escola. 

Os professores não tomaram nenhuma atitude.  Minha mãe me aconselhou a "esquecer isso".  Meu pai sequer se me deu ouvidos.   
</p>
<p>(Moco :: 
fev 18, 2011  1:03 PM)

Nossa, o Ziraldo (que aliás é mestiço) não vai nem dormir à noite depois desta bordoada...</p>
<p>(Moco :: 
fev 18, 2011  1:08 PM)

É fácil demonizar o Monteiro Lobato nos dias de hoje. Mas ele foi apenas um homem de seu tempo. Como o próprio Machado. Borges era mais racista que a turma do Ku-Klux-Klan. E já vi várias entrevistas do João Ubaldo Ribeiro mencionando "os negros", como se ele fosse branco. 

Ironicamente, o próprio Ziraldo é mestiço...</p>
<p>(<a href="http://ricardoriso.blogspot.com" rel="nofollow">Ricardo Riso</a> :: 
fev 18, 2011  1:15 PM)

Prezada Ana Maria, excelente texto!
Precisamos desconstruir os cânones da literatura brasileira e mostrar o quanto há de racismo nas suas obras, como a senhora muito bem demonstrou nos textos do Ziraldo. Este, um ídolo que tive durante a infância, ídolo por sua atuação nos tempos sombrios da ditadura, mas que se desfez com as fatídicas declarações em defesa do racista Monteiro Lobato e após visualizar o cartaz provocativo que fez para o bloco de carnaval.
Muito obrigado pela sua coerência, clareza e humanidade.
Abraços,
Ricardo Riso</p>
<p>(Jander Loyola :: 
fev 18, 2011  1:15 PM)

Texto brilhantemente construído com embasamento teórico, de forma contextualizada e muita sensibilidade.
Parabéns Ana Maria.
Lobato e Ziraldo: tão antiquados e tão atuais em seu preconceito racial "afetuoso", ainda tão presente na sociedade brasileira, responsável por aniquilar a vida daqueles que geneticamente possuem a cor da pele negra.
Isso vai durar até quando??</p>
<p>(<a href="http://corpoindisciplinado.blogspot.com/" rel="nofollow">Mari Biddle</a> :: 
fev 18, 2011  1:18 PM)

Texto definitivo. [2]</p>
<p>(Karla :: 
fev 18, 2011  1:33 PM)

Não é impedindo crianças e adolescentes de terem acesso às ideias de Lobato e de vários outros artistas e intelectuais preconceituosos que vamos educá-las e combater efetivamente o preconceito. 
O livro, sendo adotado, seria uma ótima oportunidade para o professor esclarecer o racismo e debater o tema com os alunos.
O que me preocupa no políticamente correto é o fato de tentar impedir o acesso à crueldade do preconceito, como se maquiasse a verdade nua e crua para crianças e adolescentes. Não concordo com esse tipo de educação.
Concordo com as críticas feitas à ilustração das camisas do bloco.</p>
<p>(Roberto SP :: 
fev 18, 2011  1:36 PM)

O texto é um primor. A figura do Lobato que a gente quando criança aprende a ver como um vovô bondoso contando histórias maravilhosas, se transforma - PELAS PRÓPRIAS PALAVRAS DELE - num canalha repulssivo.

E o mais espantoso é que depois de ler tudo isso tem gente que vai buscar Dostoievski para tentar justificar.

O quê?
</p>
<p>(Roberto SP :: 
fev 18, 2011  1:39 PM)

Pelo visto a Karla se preocupa mais com o feminismo ultrajado da mulata do que o racismo abjeto de Monteiro Lobato. </p>
<p>(Maria Elisa Máximo :: 
fev 18, 2011  1:43 PM)

Relmente arrebatador. Texto digno de ser usado em sala de aula, com alunos de todos os níveis escolares, para gerar reflexão. Também me entristece saber que o Ziraldo usou de forma tão baixa e tão pouco crítica a recomendação do MEC. É tudo tão demorado quando se trata de avançar na discussão sobre a questão racial no Brasil, e quando avançamos pessoas como ele resolvem "macaquear". Lamentável!</p>
<p>(Mário Salerno :: 
fev 18, 2011  1:44 PM)

Pobre Lobato, e pobre infância brasileira que se vê impedida de lê-lo. É a vitória da burrice.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011  1:45 PM)

O livro, sendo adotado, seria uma ótima oportunidade para o professor esclarecer o racismo e debater o tema com os alunos.

Faça o experimento, Karla. Entre numa sala de aula com 30 alunos de 9 anos de idade, 5 deles, digamos, negras. Aí essas crianças leem no livro -- com o qual, lembre-se, elas têm uma relação de reverência, de objeto de autoridade -- que a personagem que se parece com elas é "fedida, crioula beiçuda, preta imunda". Aí você verá essas cinco crianças recebendo o impacto daquela desumanização e, muito provavelmente, sofrendo bullying dos outros colegas. 

Aí você pega um pedaço de giz e começa a "esclarecer o racismo" para elas e me conta qual foi o resultado. 

Boa sorte. </p>
<p>(karla :: 
fev 18, 2011  1:46 PM)

Eu vim aqui para debater e respeitar todos que fizeram o mesmo, Roberto.
Eu só disse que não acho que vetando determinadas obras, pessoas, pensamentos, ... iremos educar realmente crianças e adolescentes. 
Eu abomino qqr tipo de preconceito e por isso mesmo defendo que eles sejam expostos para os alunos para que o educador possa conduzir um debate que combata o racismo, a homofobia, o machismo, a misoginia,...
Não julgue quem vc não conhece só pq, em alguns pontos, discorda de vc, isso tbm é intolerância.</p>
<p>(karla :: 
fev 18, 2011  1:51 PM)

Idelber, é isso que fazem muitas professoras do ensino básico que conheço.
Foi isso que eu fiz durantes os 8 anos que trabalhei no ensino médio em uma escola de elite de BH. No início, só recebia agressividade dos alunos e alguns protestos dos pais. Mas consegui fazer o trabalho e conquistei o respeito da maioria daquela comunidade escolar.
Me incomoda muito o fato de as pessoas serem tão agressivas e irônicas com quem pensa diferente delas.</p>
<p>(<a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br" rel="nofollow">Guto</a> :: 
fev 18, 2011  1:52 PM)

Excelente! Acho detestável essa postura do Ziraldo que gosta de se apresentar como irreverente, mas que reverencia o tempo todo os piores preconceitos.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011  1:56 PM)

Idelber, é isso que fazem muitas professoras do ensino básico que conheço. Foi isso que eu fiz durantes os 8 anos que trabalhei no ensino médio em uma escola de elite de BH.

Eu não estou sendo agressivo. Estou simplesmente trucando. Duvido que tenha tido experiência de trabalhar os textos racistas de Lobato, dentro de sala de aulas com crianças de 8 ou 9 anos de idade, negras, com resultados positivos e não traumáticos para elas. 

Duvido. Se tiver link, fonte, documentação de alguém que tenha genuinamente ouvido os alunos negros depois da experiência de ler Lobato na infância, em sala de aula, e comprovado que foi uma experiência positiva para as crianças, é só apresentar. O blog aceita links. </p>
<p>(Leticia Marteleto. :: 
fev 18, 2011  1:59 PM)

Texto maravilhoso, Ana. Realmente sensacional, colocando pingos nos 'is', fundamentado por pesquisa e uma análise profunda da obra de Lobato. Muito obrigada. Beijos,

Leticia.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 18, 2011  2:01 PM)

Idelber, eu não sei se a visão das crianças de uma obra literária passa por um auto-reconhecimento assim tão imediato. Ainda mais que os personagens das ficções infantis do Monteiro são deliberadamente imaginários para que a Dona Benta ou o saci sejam tidos como marcas de esteriótipos pessoais. Na minha infância escolar, pelo menos, nas leituras de Monteiro, não me parece que alguma vez os bullying tenham partido dessas leituras. Lembro de um livro sobre os símbolos discriminatórios do império norte-americano por detrás dos desenhos do Disney, muito popular na década de 80, que apontava o quanto o Zé Carioca era um tipo da malandragem e alienação do latino-americano, o Tio Patinhas a representação dos banqueiros capitalistas gananciosos, e assim vai. Causou muito frisson, arregimentando debates intelectuais fervorosos, e, nós, crianças naquela época, ou pré-adolescentes, continuávamos lendo e assistindo à Disney com o mesmo fascínio descompromissado de abtermos apenas diversão. Talvez a Karla esteja certa: a exposição da obra de arte, sua contextualização temporal, e o distanciamento crítico, funcionem melhor que o expurgo definitivo. E, de um certo ponto de vista, me parece até ingenuamente anacrônico a preocupação com Narizinho e Pedrinho, o Visconde de Sabugoza, diante a formas de arrebatamento muito, mas muito mais perniciosos, que cito apenas um exemplo: o jogo popularíssimo GTA, em que dá à criança a fantasia de sair matando policiais e estuprando mulheres.</p>
<p>(karla :: 
fev 18, 2011  2:03 PM)

Bom, não sei a que escola vc se refere porque todos sabemos que há grande diferença entre as públicas e as privadas.
Eu estudei no Marconi e presenciei isso várias vezes dos meus 11 aos meus 17 anos.
Inclusive, havia um professor de História lá, o Madeira, famoso por ser assumidamente nazista. Na minha turma de 40, havia uns 5 alunos negros que junto com o resto da turma foram obrigados a ouvir que os senhores de engenho tratavam os pobres escravos com muito carinho. Sim, o Madeira disse isso. Claro que tínhamos medo de falar no assunto com o nazista, mas sempre debatíamos com os professores de outras matérias, principalmente português, literatura e geografia.
Qto às minhas amigas professoras do ensino básico, todas lecionam em escolas públicas.
</p>
<p>(Flavio Vieira :: 
fev 18, 2011  2:05 PM)

Parabéns pela pesquisa e o texto está muito bem escrito. Essa de ficar procurando resquícios de racismo nas entrelinhas de obras artísticas é um saco. Acho desnecessário a autora assinar "negra" no fim do texto, isso por acaso muda a aceitação do conteúdo ? E se estivesse assinado "caucasiana" mudaria alguma coisa ? Eu acho que muito do racismo acontece pelo excesso de auto-vitimização, que cria uma antipatia pela causa, acho que o combate ao racismo deve começar pelo amor próprio e autoconfiança. 
Flavio Vieira (mestiço)</p>
<p>(ana :: 
fev 18, 2011  2:13 PM)

Se Monteiro Lobato estivesse vivo provavelmente seria processado e pagaria pena por cometer crime de racismo. Infelizmente não está! Assim sendo quem pagará a pena somos nós e nossas crianças que perderemos acesso a sua brilhante obra. Lamentavel! Espero que essa bolha do racismo estoure logo. Somos da mesma raça: HUMANA</p>
<p>(<a href="http://@tuiterdojonas" rel="nofollow">Jonas Porto</a> :: 
fev 18, 2011  2:35 PM)

Perfeito o texto, sempre adorei lobatto, Mas agora vou tirar meus livros da gaveta e ler novamente sob uma nova ótica!

Valeu mesmo, tu manda muito bem nas palavras moça.

</p>
<p>(Flavio Vieira :: 
fev 18, 2011  2:49 PM)

Esse mundo politicamente correto está ficando chato para caral#*%!!! Qualquer coisa é bullying, racismo, preconceito e bla bla bla. As adversidades nos tornam mais fortes, dá vontade de dar um tapão na cara desse pessoal que fica de mimimi, que só reclama das injustiças do mundo. O mundo é cruel e vai ser sempre, o racismo existe e sempre vai existir assim como o anti-semitismo, homofobia, intolerância, violência etc. Eu acho isso triste... Malgré tout c'est la vie. Meu melhor amigo de escola era negro, eu zombava dele por ser negro, zombávamos juntos do gordo por ser gordo, zombávamos do Ferrugem por ser ruivo, me zombavam por ter "monocelha", racismos e preconceitos sem filtros sociais, eramos todos amigos de verdade , faríamos piadas de nós mesmos por qualquer motivo, frequentávamos a casa do outro, zombávamos a mãe do outro. É tudo a forma como você encara as adversidades, as pessoas mais interessantes são as que sabem rir de si mesmo e levar a vida com bom humor. Eu acho um pé no saco as pessoas que querem fazer justiça (?) por 500 anos de "maus tratos", ninguém viveu tanto tempo assim pra se sentir tão injustiçado, são as vítimas da história. Devemos escrever a nossa própria história ao invés de exigirmos reparações pelo que já estava feito antes de nascermos. Escravidão, ditaduras, inquisição, guerras, campos de concentração, tortura, terrorismo, racismo, jihad... O mundo tem incontáveis injustiças e episódios escabrosos em sua história, ou ficamos criando mecanismos de reparação e cotas para os oprimidos por tudo o que já foi feito com seus antepassados (cadê a Israel dos ciganos ?) ou fazemos o bem para a natureza e para as pessoas a partir da nossa individualidade. </p>
<p>(Alan :: 
fev 18, 2011  2:50 PM)

É. Vamos parar de ler Monteiro Lobato, este odiável racista. Leiamos "Contigo", "Capricho","Veja" e outras, do mesmo nível. </p>
<p>(Alan :: 
fev 18, 2011  2:53 PM)

É. Vamos parar de ler Monteiro Lobato, este odiável racista. Leiamos "Contigo", "Capricho","Veja" e outras, do mesmo nível. </p>
<p>(Talitha :: 
fev 18, 2011  2:53 PM)

Como muitos que comentaram anteriormwente, tive a impressão de ter levado um soco. Embora lembre de minha mãe comentando qualquer coisa (ela era bem informada). Tive mais sorte, em relação as histórias que li para meus filhos, sempre as mais fantasiosas..mas é claro que o conteúdos não deixa dúvidas. Mas confesso que costumo relevar, ao menos em parte, os entraves de muitas pessoas que admiro. Lembro de um trecho em que Nísia Floresta, feminista conhecida, fala com desprezo de uma trabalhadora européia, e também de Luciana de Abreu, também femoinista e abolicionista, falar em escravas mentirosas e interesseiras. O que de fato me causa espanto, é a idéia não de um "deslize" mas de uma estratégia pensada perpassando a obra. Isso sim, é de doer.</p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011  3:21 PM)

Politicamente correto? Eu tô entendendo bem? Se o país fosse politicamente correto, a gente estaria um pouco melhor. O problema é que não existe país mais politicamente incorreto do que o Brasil. Quando o país começa a se organizar pra fazer instituições e leis mediarem conflitos, aparece um monte de babaquara pra dizer que mediar conflitos é politicamente correto. Querem o quê? Esperam que o país continue nesse pega pra capar, onde todo mundo ferra com todo mundo, onde os mais diferentes tipos de violência mediam os conflitos? Regressão e barbárie. E o outro ali acha que se trata de não ler Lobato e, no lugar, ler Capricho. Como assim? Está louco? Tomou xixi? Aterrisou de Marte nessa tarde? Sério. É inacreditável.</p>
<p>(<a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br" rel="nofollow">Guto</a> :: 
fev 18, 2011  3:26 PM)

Curioso. O Lobato agora é um autor tão importante... Tem de ser lido. Privar alguém da leitura do Lobato é um crime. Por que esse autor é logo agora tão valorizado? 

Ninguém contesta que algumas coisas são inadequadas para crianças.Todo mundo critica a tevê por mostrar violência em horários inadequados. Ninguém contesta a classificação por faixa etária da programação. Pedem mais, na verdade.

Mas fazer referência a negros como "beiçudos", "fedorendos" e "macacos" não é grave. Basta alguém explicar para as crianças que era assim que se pensava antigamente... Afinal, "não somos mais racistas, se é que já fomos..."

Ahh, tá... 



</p>
<p>(<a href="http://rosaamandastrausz.wordpress.com" rel="nofollow">Rosa Amanda Strausz</a> :: 
fev 18, 2011  3:30 PM)

Aplausos, Ana. Textos como este precisam circular mais. Vou partilhá-lo em minhas redes e listas de discussão.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011  3:38 PM)

Na mosca, Guto. </p>
<p>(<a href="http://anacarolinameuamor.blogspot.com" rel="nofollow">pai da ana</a> :: 
fev 18, 2011  3:40 PM)

Nossa... estou em choque.
Comprei para minha filha, tanto o dvd do Sitio do Picapau amarelo, quanto o do Menino maluquinho.
Não sei o que explicar a ela.

Vou me sentar, pensar um pouco e voltar a ler o texto. Quantas vezes me forem necessárias.</p>
<p>(Eduardo de Assis Duarte :: 
fev 18, 2011  3:40 PM)

Prezada Ana,
Parabéns pela beleza de texto, pela contundência da argumentação. E pela seriedade e amplitude da pesquisa, indo fundo na busca das opiniões escancaradas na correspondência. Monteiro Lobato lamentar a ausência de uma Ku Klux Klan no Brasil é de dar engulhos,fazer vomitar. Agora, quando chama a negra de "macaca" num livro para crianças, o pensamento conservador infiltrado em todos os recantos desse país, inclusive no PT e no governo, quer passar a mão na cabeça do escritor racista dizendo que ali é brincadeira, é ficção... Ora, todo mundo sabe que não existe palavra inocente, muito menos literatura neutra, voltada exclusivamente para o entretenimento... O racismo está aí, onipresente como a branquitude hegemônica e silenciosa. E quando alguém denuncia, este sim é chamado de racista! O desenho infeliz do Ziraldo reproduz um dos piores estereótipos racistas herdados da escravidão, o da "mulata assanhada", voltada exclusivamente para a satisfação das fantasias sexuais dos filhos da casa-grande! Pior de tudo é a casa-grande mental que domina até hoje as cabeças de muitos brasileiros e até brasileiras. Encerro com a pergunta que não quer calar: deve o poder público usar dinheiro público para comprar milhares de livros com conteúdo racista e colocá-los em escolas públicas?</p>
<p>(<a href="http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com" rel="nofollow">Rogério Santos</a> :: 
fev 18, 2011  3:43 PM)

Quando a Federação Israelita do Rio de Janeiro entrou com um recurso para impedir que um carro alegórico da Unidos da Tijuca que trazia uma suástica e uma imagem de Hitler desfilasse na Sapucaí (não lembro exatamente em que ano, mas foi bem recente), eu não ouvi nem li nenhuma reclamação contra os judeus. Ao que me consta, ninguém chamou os judeus de ridículos ou disse que eles estavam fazendo "muito barulho por nada" ("que saco! Até no Carnaval essa gente vem criar problema!!"). Entretanto, quando o MEC, a pedido da SEPPIR, determinou a retirada de Caçadas de Pedrinho da bibliografia básica da rede pública de ensino, os racistas de plantão gritaram, espernearam e deram chiliquinho público por causa de um suposto desrespeito à obra de Monteiro Lobato. Ora, bolas!! Vão se catar!! Por que os judeus podem usar mecanismos legais contra a exibição pública dos símbolos do Terceiro Reich (segundo os alemães e alemãs com quem já conversei, a venda do Mein Kampf é proibida em território alemão por conta da forma como os judeus são tratados no livro por Hitler. E aí, racistas de plantão, vocês também acham isso errado?), mas nós, negros e negras, não podemos impedir que as nossas crianças sejam identificadas por termos como "macaca de carvão", "pretas beiçudas", "fedorentas", dentre outros termos racistas?? 

Não estamos fazendo nada de errado. Só temos o direito de exigir que as crianças negras não sejam mais massacradas do que já são (vocês podem não querer ver assim, mas o racismo é uma grave violação de direitos humanos - contra a qual vocês simplesmente fingem que não veem). Vocês acham que é fácil ouvir uma criança dizer que é feia por conta da cor da sua pele e da textura do seu cabelo? Vocês acham que é fácil ouvir uma criança dizer ao pai ou à mãe que sofreu humilhações racistas na escola sem que o corpo docente ou a coordenação tomasse nenhuma atitude contra isso (quando não são estes os primeiros a incitar a humilhação, é claro)? Vocês acham que é fácil ver uma criança negra implorando para que a mãe a leve ao salão de beleza para alisar o cabelo para se ver livre das piadinhas de mau gosto feitas pelos amigos? Vocês não sabem o que é isso, pois ou vocês não tem filhos ou os filhos de vocês não são negros. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Vou contar um caso que ouvi num curso que tomei no Instituto Cultural Steve Biko, primeiro cursinho pré-vestibular popular do Brasil, atuante há mais de 18 anos: uma adolescente, negra, tinha uma raiva profunda dos seus cabelos "duros". Havia feito de tudo para deixá-los lisos, mas sem sucesso (diz o palestrante que ela chegou até a passar ferro de roupa no cabelo). Como não conseguiu o que queria, tomou uma medida radical: ateou fogo ao cabelo, pois, para ela, era preferível não ter cabelo nenhum a ter os cabelos "de pixaim". Teve queimaduras de segundo e terceiro graus na cabeça, ficou muito tempo internada, e por pouco não morreu no hospital. Após receber alta, a equipe de coordenação do ICSB tomou conhecimento do caso dela e iniciou um longo e penoso trabalho para fazê-la aceitar o seu corpo como ele é. Hoje, ela está bem, recuperada, e se tornou mais uma militante antirracista de Salvador. 

É contra isso que nós estamos lutando. É para que casos como esse não mais se repitam que nós exigimos a exclusão do livro de Lobato ou ao menos uma nota de advertência no início do texto. Mas vocês não entendem isso, né? E também não querem entender, pois não são os filhos de vocês que sofrem com isso. Preto tem mais é que se f...   </p>
<p>(Andréa :: 
fev 18, 2011  3:44 PM)

Karla, 

se a minha filha fosse bem negra, você fosse sua professora e resolvesse discutir racismo usando Lobato, teríamos sérios problemas, pois não ia permitir que minha filha fosse exposta a tamanho constrangimento,desconforto e  sofrimento. Ela não precisaria saber que no passado pessoas como ela eram chamadas de macacas, fedidas, burras... Não há nada de educativo nisso! Aliás, há sim. Vc iria ensinar às crianças brancas mais maldosas (e elas existem!) como chamar os coleguinhas negros durante o recreio.    </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  3:52 PM)

Pessoal, muito obrigada pelos comentários. É bom ter interlocutores, é bom poder falar aberta e seriamente desse assunto, tantas vezes negado e escondido. Obrigada.

Comentando alguns comentários:

Andrea #9 - o racismo velado é ainda mais perigoso, porque ele apenas se insinua, apenas atinge o alvo sem que ninguém ao redor perceba. É como lutar contra o vento descolado pela trajetória da flecha, e não a flecha em si. 

Daniel #10 - sabe o que acho que é ainda pior? Quase nunca vemos negros, na vida real, exercendo as profissões de médicos, advogados, juizes, prefeitos, governadores, presidentes. E isso começa lá na infância.  Se você seguir dois dos links do texto, vai entender boa parte do problema: grande parte das crianças negras têm rendimento abaixo do das crianças brancas, por causa de preconceito sofrido dentro da escola, seja por parte de colegas, professores, funcionários etc. Isso é grave. E ao invés de pensar nisso, boa parte das pessoas pensa no Lobato. Concordaria com a brilhante fase do Millôr se o canalha em questão, Lobato, não tivesse confessado que fazia uso da literatura para atingir seus objetivos.

Carlos #14, por favor, contextualize por favor a minha descontextualização, porque não entendi. Quanto ao Ahmadinejad, primeiro pense que você deveria ser, antes, um ativista da causa feminista, como Ziraldo é escritor para crianças (não só, eu sei, mas nesse caso a opinião dele é ouvida por causa disso), querendo ser levado a sério e defendendo que Ahmadinejad  também o é (feminista), mesmo que as atitudes dele provem o contrário. É esse o contexto. Entendendo isso, dê uma olhada nos comentários #15 e 16#. Tendo Lobato assumido o que fazia, é difícil separar a arte do artista. Vira panfleto.

Pois é, Ju #20, ainda tem essa e muito mais, que preferi deixar de fora para não dispersar o assunto. 

Exatamente, Cleber #23, está aí o mito da democracia racial, que é bom que continue, para o bem da grande nação brasileira. O custo disso, que pague quem sempre pagou.

Obrigada pelo comentário, Marcelo #24. Muita coisa aí para comentar e outras nas quais vou pensar com calma. Quanto ao Wilson Simonal, houve muita coisa dita sobre ele no Pasquim, como tê-lo ridicularizado pelo carro que ele tinha, por ter mordomo, por comer caviar, entre outras coisas mais. Talvez eu devesse ter explicado mais ou nem ter colocado, não sei.
Escrevi um outro texto recente sim, sobre o mesmo assunto, que gostaria muito que você lesse. Sobre a questão do posicionamento, eu acho bem mais complicada e vou tentar escrever mais tarde, assim como sobre o Coetzee. Mas sobre o Ziraldo querer fazer a reaproximação, duvido. Talvez até seja isso que ele acha que faz, pois comenta que o fez para acabar com a polêmica, para porvar que o racismo, sem ódio, não existe. Não tem a menor noção do que está falando e, consequentemente, do que está fazendo. 

#26 - Exatamente, Ana Lucia, o mito do (a) senhor (ou senhora) bondoso (a)...

Karla, #33, dê uma lida no comentário da Daniela #27. As crianças, ao sofrerem racismo, algumas vezes se arriscam a contar aos pais (muitas vezes não contam, e sofrem sozinhas, porque sabe que vai fazê-los sofrer). Quando contam, algumas vezes são desacreditadas ou ignoradas, porque às vezes é isso mesmo que os pais acham que é o certo fazer. Não porque aceitam que os filhos sejam humilhados, mas porque sabem que, muitas vezes, o sofrimento vai ser duplo, porque não vai dar em nada. Você realmente acha que um professor vai conseguir resolver um problema desses? 
Informe-se também um pouco melhor, porque ninguém está proibindo nada. O caso é colocar uma nota explicativa no texto, o que a meu ver é pouco. Por mim, há vários outros livros maravilhosos para se discutir racismo em sala de aula, como os do Nei Lopes. Quem quiser comprar os livros do Lobato que compre, que até leve para a sala de aula, não vai ser proibido. Mas não é uma afronta quando já h;a nota explicativa de que a ortografia mudou e que as onças não podem mais ser caçadas, enquanto que nada sobre o racismo? Concordo com você sobre os preconceitos serem expostos ao alunos (#39), mas sou terminante contra expor os alunos ao preconceito do preconceituoso. E isso, com dinheiro público, inclusive com impostos pagos pelos próprios pais de alunos que se sentirão ofendidos...

Moco, #29, se não criticarmos o Lobato por algo que ele ajudou, conscientemente, a plantar, em qualquer época que seja, como pederemos ser realmente pessoas do nosso tempo, vendo o inaceitável acontecer e deixando pra lá? 

Flávio Vieira, #46 e #49, ensine a fórmula, por favor, de desenvolver amor próprio e confiança sofrendo racismo. É muito mais complicado do que se imagina. E você realmente acha que muitos casos não são racismo e sim auto-vitimização, é isso? E os casos que acontecem e não são relatados (a grande maioria, por vários motivos), são o que? 
E eu tô de saco cheio é desse papo de quem não para de repetir que tá com saco cheio do "politicamente correto" :-) Quer continuar desrespeitando, vá em frente, e arque com as consequências. Vocês são muitos, vai ter muita gente pra trocar gozações e brincadeiras... Agora, vir patrulhar quem quer realmente fazer alguma coisa para que todos sejam tratados como iguais, é o fim da picada. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011  4:03 PM)

Quem quiser discutir esse assunto a sério, tem que pensar, refletir, escutar, encarar argumentos como o do Rogério. O resto é patacoada de quem quer esconder e negar o óbvio com vagas alusões a "explicar o contexto" ou diatribes contra o mais vago ainda "politicamente correto". A realidade está aí. Já tentou enxergar? 

Obrigado, Rogério. </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  4:04 PM)

Guto, #54, sabe o que achei mais interessante. Se você clicar ali nos links que estão sobre os nomes de Ana Maria Machado e Ruth Rocha, vai lê-las dizendo que a literatura de Monteiro Lobato está ultrapassada, que os livros dele são graficamente horríveis, que as crianças de hoje nào conseguem entender a ortografia antiga, e que inclusive, para que os netos da Ana Maria Machado o conhecesse, ela teve que lê-lo para eles, etc etc etc. Ou seja, o que livros assim tão desinteressantes assim estão fazendo no currículo escolar. Isso, elas disseram mais ou menos um ano antes de começar essa polêmica. Depois, bem, leia a nota assinada por elas, Ziraldo, Lygia Bojunga, Pedro Bandeira e Bartolomeu Campos de Queirós: http://armazemcultura.com.br/?p=1346

Como assim?
</p>
<p>(<a href="http://www.balaiodopedrao.blogspot.com" rel="nofollow">pedro borges</a> :: 
fev 18, 2011  4:09 PM)

sei que o que vou escrever aqui poderá ser voltado contra mim, mas não acho correto censurar o livro do lobato. na verdade, deixar que ele circule é mais um modo de combater o racismo, de explicitá-lo, denunciá-lo. a responsabilidade de combater o racismo é do professor, da família; evitar que o livro circule é um grande equívoco, até porque monteiro lobato, gostemos dele ou não - e eu não gosto, justamente por achá-lo preconceituoso - faz parte da nossa história e da formação do nosso país.</p>
<p>(Laura Gimenez :: 
fev 18, 2011  4:10 PM)

Desde épocas mais remotas meus avós tinham capataz(como chamavam os empregados)e eram negros na grande maioria, sempre foram tratados com respeito, eu aprendi assim que pessoas devem ser tratadas com respeito desde quando juz a ele.E meus avós eram austríacos portanto muito brancos(arianos).Então acho tão ridículo que passado tantos anos ainda se vê esse tipo de confronto racista, ainda mais nos meios acadêmicos.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 18, 2011  4:16 PM)

Peraí, então. Vamos falar ipsis litteris o que é a proposta deste texto. Vocês querem que sejam probidos os livros de Monteiro Lobato, que sejam banidos das escolas e livrarias, e os remanescentes das estantes queimados? Trocando em miúdos e sem retórica, é isso?

Concordo com alguém aí em cima. Desde quando Monteiro Lobato passou a ser "clássico", literatura brasileira de primeira? Eu sei que o texto do post, realmente excepcional, mira com presteza no racismo, mas não será o mote um tanto supervalorizado demais?

Se passassemos a proibir literatura, de qualquer naipe de grandeza e qualidade, vamos fazer um exercício de montarmos uma listinha?

-Shakespeare, Dostoiévski, Céline, Knut Ramsun: descartados por serem TODOS antissemitas.

-Nietzsche: não dá, o suposto pai da ideologia nazista.

-Saul Bellow: racista, uma vez que perguntou ostensivamente onde estava o Tolstoi dos congoleses. Vai para a fogueira.

-O próprio Tolstoi, acima citado: descartado, uma vez que no fim da vida declarou que os mujiques russos eram bestializados incultos e atolados ba ignorância.

-Mark Twain: e só ler "As Aventuras de Huckleberry Finn" para vermos o quanto o autor tratava os negros como seres cômicos, inferiores aos senhores brancos. DESCARTADO. O que seriam de nossas crianças se os lessem?

_Ralph Ellison: o grande autor negro norte-americano, que escreveu um único e definitivo romance sobre a condição dos conflitos raciais, "O Homem Invisível". Ele mesmo seria uma leitura improdutiva e corrompedora para as nossas crianças, já que a arma que usa é de mostrar com fortes graus de esteriótipos o quanto o negro é desfocado da sociedade americana, com sua obsessão por doces de batata, com sua tradição criminosa de ter descendentes com as próprias filhas, de ser joguete de arrivistas revolucinários.

O que sobra para permanecer a imaculabilidade de nossas crianças? Vamos ver, já que estarão privadas de toda a grande literatura universal_ corruptora e má-intencionada_, que tal a inocente série vaga-lume?

Êpa, acabo de me lembrar. A Série Vagalume é condenável tanto para negros quanto para brancos. É só vermos um título, que muitos aqui leram insuspeitamente na juventude, o "Tonico e Carniça". Um dos personagens, referido no título, tem o apelido de carniça, e é NEGRO. Outro, o chamam de branco azedo, e é BRANCO.

Nos sobra a reedição dos telletubes, onde ninguém era negro ou branco, mas azul, rosa, vermelho, amarelo. E, o melhor das coisas, se bem me lembro, tinha um dos telletubes que era até homossexual. Teletubes em nossas crianças!!!</p>
<p>(Leishmaniose :: 
fev 18, 2011  4:18 PM)

Olá. O interessante é ver como o pessoal pula os comentários, principalmente os que levantam análises e possibilidades de novas discussões que saiam da caixa, como o #24. E falo sem dar razão a lados (há mesmo lados? - vejo argumentos válidos partindo de premissas bases, mas todos têm uma base similar), apenas vendo as relações de poder aqui. Onde cada um se vê com razão (superior) e não disposto a ceder a quem não tem razão (inferior), por ir contra sua opinião. Como conciliar essa discussão sem "racismo" (e não falo do preconceito à cor, uso a citação da autora que diz que racismo nasce da relação de poder) em ambas as partes? ;) Bonanças.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  4:20 PM)

pai da ana, #57, quanto ao DVD do Menino Maluquinho, não sei. Mas quando ao do Sítio, nem se preocupe, pois todas as referências racistas foram cortadas ou adaptadas (seguindo o raciocínio do "politicamente correto"que muitos estão fazendo, seria censura, não?) nas versões da Globo. Inclusive, vai começar série nova. Segundo o diretor, "Segundo o diretor executivo da Mixer, Tiago Mello, as referências ao regime de escravidão presentes na obra original serão retiradas da animação, medida que segue o atual parecer do Conselho Nacional de Educação, que se manifestou contrá à adoção do livro Caçadas de Pedrinho nas escolas pelo seu suposto conteúdo “racista”. Mello garantiu aunda que a animação tem o pleno aval da família do escritor."
Você está vendo alguém protestar contra isso? 
Aliás, muita gente que diz que não há racismo em Lobato, nunca leu Lobato, só viu as séries, já adaptadas.
Link sobre a nova série: http://www.entretendo.com/globo-vai-exibir-desenho-do-sitio-do-picapau-amarelo-em-2011/


Eduardo, #58, dá imensa tristeza perceber o jogo político por trás disso tudo. Tanto da oposição, que brada por "censura" do governo controlador, tanto da situação, que não quer tomar uma atitude divisionista. Mas nesse caso temos que brigar até o fim, entrando na justiça, se for o caso. 
Parece que aqui estão as últimas novidades sobre o caso: http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=2516
Se você souber de mais alguma, por favor, venha nos dizer.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  4:23 PM)

Rogério, #59.
Muito, muito, muito obrigada pelo seu comentário. </p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011  4:23 PM)

Laura, tu é parente do professor Hariovaldo?</p>
<p>(<a href="http://www.botequimdobruno.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Ribeiro</a> :: 
fev 18, 2011  4:27 PM)

Caralho, Pedro Borges (#64)! Quem é que está pedindo a censura dos livros do Lobato? Quem é que está falando em proibir que as pessoas leiam? Você não entendeu bulhufas. </p>
<p>(Douglas :: 
fev 18, 2011  4:31 PM)

Alguem aqui já pesnou em proibir alguma criança de assistir ao Didi e seus Trapalhões? Querem maior prova de Preconceito (racial, sexual e social) que o "artista" Renato Aragão ajudou (e ajuda) a espalhar neste país? E ainda virou embaixador da UNICEF.....</p>
<p>(JUNIOR :: 
fev 18, 2011  4:37 PM)

Fiquei sem folego com esse texto maravilhoso, daqui das ALAGOAS TERRA DE ZUMBI !!!! </p>
<p>(Leishmaniose :: 
fev 18, 2011  4:40 PM)

Olá. Parabenizo à autora por comentar os comentários. Boa iniciativa. :D E eu confesso estar gostando aqui de algumas colocações, embora sempre tem alguém que caia na Lei de Godwin. É incrível como discussão sobre preconceito na net, com tantos argumentos válidos sobre o assunto, sempre se cai na lei: "À medida que uma discussão na Usenet cresce, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas aproxima-se de 1 (100%)." E olha que na tradição nética, usar desse extremo indica apenas ausência de argumentos mais válidos por parte de quem a evocou. :P Bonanças.</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/rlivre" rel="nofollow">Radical Livre</a> :: 
fev 18, 2011  4:43 PM)

Laura, #65, dá uma lida em outro texto da Ana publicado anteriormente aqui, Não é sobre você que devemos falar.

</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  4:44 PM)

Isso, Bruno#71, seria interessante eles explicarem o que entendem por censura e proibição de circular, e onde elas cabem nesse caso. 


Douglas, #72, o "livro" dos Trapalhões não está sendo distribuído para escolas de ensino fundamental e médio, com verba pública, o que torna impossível a comparação. O mesmo vale para os casos levantados pelo Marcelo, #66</p>
<p>(Andréa :: 
fev 18, 2011  4:49 PM)

E tem mais. Lobato deve ser banido das escolas pq é chato pra caramba! É um desestímulo ao delicioso hábito da leitura. Liguagem, ideias e "aventuras" pra lá de ultrapassadas. Minha filha de 11 anos se orgulha de ter lido cinco livros nas férias. Nunca sai de casa sem livro na bolsa. Lê de porcarias a coisas excelentes. Desde que seja adequado para a idade, ela pode escolher o que quiser para ler. Vai aprender sozinha a diferença entre lixo e literatura. Ela ganhou dois livros de Lobato. Começou a ler e largou pq achou tudo muito chato, liguagem insuportável, histórias tolas. Parece-me que Lobato está preso no passado e que fique por lá. 
</p>
<p>(Andréa :: 
fev 18, 2011  4:51 PM)

E tem mais. Lobato deve ser banido das escolas pq é chato pra caramba! É um desestímulo ao delicioso hábito da leitura. Liguagem, ideias e "aventuras" pra lá de ultrapassadas. Minha filha de 11 anos se orgulha de ter lido cinco livros nas férias. Nunca sai de casa sem livro na bolsa. Lê de porcarias a coisas excelentes. Desde que seja adequado para a idade, ela pode escolher o que quiser para ler. Vai aprender sozinha a diferença entre lixo e literatura. Ela ganhou dois livros de Lobato. Começou a ler e largou pq achou tudo muito chato, liguagem insuportável, histórias tolas. Parece-me que Lobato está preso no passado e que fique por lá. 
</p>
<p>(Orlando Cardoso :: 
fev 18, 2011  4:51 PM)

Mais um que mudou de opinião. Parabéns pela verdadeira AULA. Lobato deve ser estudado e compreendido sim, pelo conjunto dos seus pensamentos, incluindo os racistas, mas pelos adultos, pelos acadêmicos e estudiosos da formação do pensamento e do caráter dos brasileiros. Tiremos as crianças da sala.</p>
<p>(Pedro Daltro :: 
fev 18, 2011  5:31 PM)

Confesso que no início dessa discussão sobre o livro do Monteiro Lobato eu fui contra, pois o meu entendimento sobre o assunto (não o racismo em si, mas o racismo do Lobato) era superficial. Mas depois de ler esse belo texto, mudei de idéia. 
</p>
<p>(<a href="http://www.sapobrothers.net" rel="nofollow">Rafael B. dourado</a> :: 
fev 18, 2011  5:32 PM)

Há um termo para resumir esse artigo: mimimi. Há muito do que se criticar Ziraldo. Racismo não é um deles. E ir achincalhar Lobato nem de longe me parece o jeito mais eficiente de atrair SIMPATIA a causa. Já atenção, sem dúvida. Talvez fosse só esse o objetivo.</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 18, 2011  5:35 PM)

Prezada Ana
 
Seu texto possui rigor científico, parabéns. Antes de toda essa polêmica, eu tinha Lobato em alta consideração. Porém, depois de “Não é sobre você que devemos falar” - post publicado aqui, em novembro de 2010 -  e, principalmente, agora, após a leitura dos trechos das cartas de Lobato, sem sombra de dúvida, NÃO DÁ PARA SUSTENTAR QUALQUER DEFESA À MEMÓRIA DE LOBATO.

Fico a pensar, cá, com os meus botões... 

Quando foi que “O Sítio do Pica-Pau Amarelo” começou a ter grande penetração na “alma” brasileira?
A partir de meados dos anos 50 e, principalmente, na década de 60.

Onde e sob mando de quem? 
Nos Diários Associados sob a batuta CANALHA de Assis Chateaubriand.

Onde mais?
Na década de 70, na Globo, sob a CANALHA batuta de Roberto Marinho.

Agora, duas perguntas que não querem calar... 

Por que Gil fez a música tema do sítio?
Será que Gil desconhecia o perfil de Lobato?

</p>
<p>(<a href="http://sinceramenteser.blogspot.com" rel="nofollow">Raquel Jacobsen</a> :: 
fev 18, 2011  5:36 PM)

....o nosso jeito "carinhoso" de explicar o racismo:
meu avô,tratava muito bem os seus empregados negros ( não os deixava morrer de fome),pois precisava deles para arar a terra,conduzir as carroças...mas,não permitia que entrassem na nossa "casa imaculada"...
eu gostaria de amado e respeitado mais o meu avô,não fosse essa nódoa,se não tivesse existido a cerca que ele colocava em volta dos nossos anseios de criança..que nos obrigava,eu e meus irmãos,brincar às escondidas,com nossos amigos negros.

Obrigada,Ana!!! Um texto mais que necessário.</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/danielffb" rel="nofollow">daniel ferstl ferreira bastos</a> :: 
fev 18, 2011  5:52 PM)

Obrigado Ana, pelo comentário, vou ler seu texto com mais calma,  essa discussão toda aqui  me fez pensar no racismo brasileiro. Pode ter certeza que depois dela não penso da mesma forma como  antes de ler tudo o que foi postado aqui. Obrigado também Idelber pelo espaço, e aos demais comentadores aquele abraço e bom fim de semana </p>
<p>(Pedro Alexandre Sanches :: 
fev 18, 2011  6:06 PM)

Maravilhosa, Ana, absolutamente maravilhosa.

Dois pequenos temas, só:

a) uma dúvida que me acomete sempre que eu vejo o Ziraldo: se fôssemos nomear, qual seria a cor da pele dele? Marrom, talvez, como a do menino de seu livro autorracista e lobatoide?

b) Sobre as ideias de eugenia atuantes na sociedade paulista da qual Lobato era ponta-de-lança (africano, umbabarauma, marrom talvez?): moro em SP e não canso de me espantar com a presença persistente, até hoje, de restolhos e garatujas dos, er, "ideais" de eugenia. Exemplo elementar? José Serra e suas rampinhas antimendigos (de que cor mesmo costumam ser os mendigos? marrons?).
</p>
<p>(Pedro Alexandre Sanches :: 
fev 18, 2011  6:06 PM)

Maravilhosa, Ana, absolutamente maravilhosa.

Dois pequenos temas, só:

a) uma dúvida que me acomete sempre que eu vejo o Ziraldo: se fôssemos nomear, qual seria a cor da pele dele? Marrom, talvez, como a do menino de seu livro autorracista e lobatoide?

b) Sobre as ideias de eugenia atuantes na sociedade paulista da qual Lobato era ponta-de-lança (africano, umbabarauma, marrom talvez?): moro em SP e não canso de me espantar com a presença persistente, até hoje, de restolhos e garatujas dos, er, "ideais" de eugenia. Exemplo elementar? José Serra e suas rampinhas antimendigos (de que cor mesmo costumam ser os mendigos? marrons?).
</p>
<p>(carol :: 
fev 18, 2011  6:20 PM)

Ver as coisas como elas são, no que diz respeito as características de cada raça, não significa ser racista. Numericamente, cerca de 14% da população americana é negra, assim como um pouco mais de 90% de seus presidiários também o são. Baseado nestes valores poderia dizer q nos EUA os indíviduos q compõem a raça negra apresentam um comportamento muito maior do q os de outras raças p cometer um crime ou delito, caso contrário não estariam presos. Seguindo o mesmo raciocínio lógico, científico, naquele país grande parte da produção científica é desenvolvida por mentes intelectualizadas caucasianas. Porém, independente de estarmos nos EUA ou no brasil ou em qq lugar do mundo, o comportamento das raças segue sendo o mesmo. Eh da natureza de cada uma delas agir daquela maneira, está no fator genético de cada uma delas. Foi por tentar explicar e provar isto q James Watson foi mandado embora. Mesmo depois de ter apresentado ao mundo a nova descoberta, o DNA. Foi mandado embora porque a política America do politicamente correto não permite uma análise deste nível. Eh melhor ser hipócrita ao ver a realidade nua e crua.Quando Ziraldo descreve o menino marrom ele está generalizando uma característica comum de vários meninos brasileiros. Não é preconceito. Agora, esta mania feia de brasileiro de copiar tudo de americano nem sempre é uma política correta.</p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011  6:31 PM)

Nossa, carol, você me abriu nossos olhos. Então quer dizer que, cientificamente, está comprovado que os negros são bandidos por natureza e os brancos cientistas pela genética? Agora estou entendendo porque roubei aquelas mexericas no quintal do meu vizinho quando eu era criança. Obrigado.</p>
<p>(<a href="http://forumzn.blogspot.com/" rel="nofollow">FORUMDAZN</a> :: 
fev 18, 2011  6:39 PM)

REPUBLICAMOS NO BLOG

http://forumzn.blogspot.com/2011/02/180220111823.html
Parabéns</p>
<p>(Bruno Ribeiro :: 
fev 18, 2011  6:40 PM)

Que comentário foi esse acima, da Carol #87?!? Acho que tá na hora de começar a moderar comentários neste post. Isso já deixou de ser um debate saudável para virar achincalhe de racista que se acha no direito de defender teses absurdas e há muito derrubadas pela própria ciência que ela evoca. 

A moça sequer tem o trabalho de se perguntar a razão de os negros estarem em maior número nos cárceres dos EUA. Atribui o fato ao DNA e não ao racismo, à desigualdade social, aos séculos de escravidão, à pobreza, à violência policial. Para essa racista nada disso existe, tudo não passa de retórica de quem se quer fazer de vítima...

É, minha gente... O racismo realmente é um câncer incurável no sangue de certas pessoas. </p>
<p>(douglas :: 
fev 18, 2011  6:53 PM)

Nem sempre o Racismo Bate, mas ele sempre Fere.</p>
<p>(<a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com" rel="nofollow">Lola</a> :: 
fev 18, 2011  6:58 PM)

Nossa, que horror todas essas declarações do Monteiro Lobato. Não conhecia nada disso. E Ziraldo fica muito, muito mal na foto (eu adoro a Turma do Pererê, cresci com ela e com Flict). Olha, imperdoável. Parabéns a Ana Maria Gonçalves por escrever essa denúncia de fôlego que não deixa dúvidas. Ou alguém vai negar o racismo de Monteiro Lobato?</p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
fev 18, 2011  6:58 PM)

Ih, Valdir,

olha só: enquanto a Carol te esclarece teu próprio comportamento, obnubila o meu! Porque eu também roubei mexericas - ou vergamotas, como chamávamos lá na minha cidade - do meu vizinho. E não só isso: também apedrejei os vidros das janelas dele... E além disso me faltam publicações no currículo...

Devo ser a exceção, né não?
</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  7:03 PM)

Carol,#87 - Você só pode estar sendo irônica. Então, muito obrigada por vir aqui nos esclarecer sobre o assunto.

Aliás, você sabia que James Watson também sustentava que as mulheres grávidas deveriam poder abortar se testes comprovassem que os bebês nasceriam gays? 

E que mulheres grávidas de meninas (heterossexuais, claro) poderiam ter o direito de manipular geneticamente seus fetos, para que só nascessem mulheres bonitas? 

Dá para acreditar num cientista desses? Eugenia pura.

Você diz: "Agora, esta mania feia de brasileiro de copiar tudo de americano nem sempre é uma política correta."- Eu te pergunto: qual é mesmo a nacionalidade de James Watson, o dono dessa teoria absurda que você está tentando nos aplicar? </p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011  7:06 PM)

Ô Felipe, provavelmente o fato se dá por eu ser mulato. Então me branqueei um pouquinho, sendo assim sou melhor que você, ainda negro, portanto com mais genes bandidos nas células, portanto, com mais ações bandidas na vida. Mas não te preocupa não. Sabe essa história de transgênico? Pois é capaz que no futuro todo mundo já nasça cientista, sabe? E ninguém mais vai roubar as mexericas de ninguém. Eu acredito nisso...</p>
<p>(karla :: 
fev 18, 2011  7:16 PM)

Andrea, não concordo com você. Como bem dito pela Ana, o preconceito velado é pior porque é mais difícil de ser combatido. 
Acho perverso vc afirmar que eu ensinaria as crianças brancas a tratarem as negras pejorativamente. Vc não deve ser da área da educação para saber como esse tipo de aula seria conduzido e como a grande maioria dos alunos é inteligente o bastante para entender o objetivo que teria uma aula desse tipo. Além de perverso, seu argumento é generalizante e cruel com as crianças brancas, pois nem todas são racistas.
Ana, minha afirmação não foi feita por falta de informação, eu respondi a vários comentários que pediam a eliminação do livro e comentei por que não concordo com essa atitude.
Eu quero acreditar, sim, que o professor educador, ou seja, a Educação possa contribuir para resolver esse problema e já luto por isso dentro da Educação há tempos com vários pares. 
Pensar que a escola não pode resolver o problema é grave no meu ponto de vista, pois pode levar, e leva, muitos professores a desistirem da luta.
Em tempo: se a proposta é que o livro venha com uma nota sobre o racismo, acho ótimo. Mas acho que o professor que o adote tem que ser obrigado a tratar do tema em sala de aula.
Gostei de tudo o que vc escreveu e concordo em tudo com vc. Eu só quis responder àqueles que pedem que o livro seja proibido.
Obrigada.</p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
fev 18, 2011  7:37 PM)

É, Valdir. Problema é que até hoje eu me achava branco, mas com tanta bandidagem no meu passado, seguindo a opinião da carol, devo ter alguma aberração genética nas minhas veias. =D</p>
<p>(<a href="http://www.mariavazphoto.com" rel="nofollow">Maria Terezinha Vaz</a> :: 
fev 18, 2011  7:41 PM)

Parabens por essa resposta brilhante Ana Maria, o racismo tem que ser combatido sim. Ele eh sutil nos olhos do espextador e doloroso no coracao do sofredor da discriminacao. Moro nos EU a 15 anos e venho sofrendo discriminacao por todos os lados que vou. Agora estou entrando com processo contra a escola on estudo porque uma professora tem me impedido de entrar para cantar com o coro da orquestra sinfonica local, oficialmente. Venho cantando com eles por anos, mas ele nunca me passou na "audition" (nao sei a palavra correspondente em portugues)por pura racismo...

Estou brigando, e ja comecaram a me olhar estranho porque sabe que eles nao gostam qdo reclamos. Querem que aceitemos a condicao subjugada.

Abraco
Terezinha</p>
<p>(<a href="http://spiritosanto.wordpress.com" rel="nofollow">Spirito Santo</a> :: 
fev 18, 2011  8:07 PM)

Ana, 

Nem sei se voc~e vai chegar a ler este cmentário de tantos que este excelente post seu gerou. O fato é que vim aqui aapós um dos seus leitores ler um post meu sobre este mesmo assunto e me linkar com o seu.

Brilhante. Confesso que foquei bsatante tocado com as cartas de Lobato e o seu racismo orgulhoso. Receio até que o seu leitor me tenha linkado aqui por conta da defesa que fiz do direito de Monteiro Lobato de ter aquelas odiosas opiniões racistas que tinha, defesa a qual, mesmo profundamente tocado pelas suas informações eu reafirmo.

É que não considero seguro promover nenhum tipo de censura ofcial, formal, institucional de qualquer opinião, seja ela qual for. São muitos os fatores envolvidos neste tipo de decisão e as informações odiosas contidas nos livros de Lobato (e não estou falando das crianças que o leram ou lerão) precisam existir também, a elas precisamos ter amplo acesso também para formarmos juízo de valor, inclusive, contra o veneno contido nelas.

Não concordaria, por exemplo que o desenho não menos odioso da camiseta do Ziraldo fosse pribido pela censura (como a palavra 'merda' contida nela foi). Do mesmo modo acho justamente condenável o que ele eo pessaol do Pasquim fizeram censurando e cometendo o assassinato cultural do Simonal.

O que eu gostaria mesmo é as crianças do Brasil se vissem livres das eventualmente perniciosas idéias racistas contidas na obra de Monteiro Lobato por conta da consciencia de todos nós, edicadores e não educadores de que ele precisa swer lido contextualizado e criticado, inserido num processo educacional no qual todos aprendem a ser livres para discernir, até poderem decidir se serão racistas ou não, progressistas ou não segundo a sua própria consciencia.

Acho que a luta certa esta um pouco além  de apenas suprimir o outro por algum tipo de força coercitiva.

Abs</p>
<p>(Felipe Vicari de Carli :: 
fev 18, 2011  8:11 PM)

Mas, falando sério agora, parece-me que os mais indignados quanto a essa crítica a Monteiro Lobato não conseguem conceber a literatura senão de uma forma canonizada, que venera os gênios intocáveis. Típico dessas propagandas que, para incentivar a leitura, reproduzem a ideia de que a literatura é a entrada a um mundo maravilhoso de aventura, e não mais do que isso. A literatura é também a sobrevivência da ruína de seu tempo, e isso fica claro na posição racista de Lobato. Deve-se enfrentar seu texto e essas questões, sem jogá-las para baixo do tapete? Claro que sim. Ao que me consta, entretanto, não há ninguém pretendendo criar um index librorum prohibitorium do politicamente correto, como se aventou em um ou outro comentário. Ninguém quer proscrever Lobato, creio eu. A questão colocada brilhantemente por Ana Maria é completamente diversa. É se Lobato, com seu racismo, pode inocentemente fazer parte da educação infantil – para o que bastaria colorir o racismo com a alegria do estereótipo do brasileiro. Não se pode deixar a educação refém do cânone literário. E, principalmente, para os que acham que Lobato é oportuno para fazer as crianças enfrentarem o assunto do preconceito, não se pode achar que depende delas, das crianças, resolver um problema com que sequer os adultos conseguem lidar satisfatoriamente.</p>
<p>(Valdir :: 
fev 18, 2011  8:14 PM)

Felipe, sim, certamente existe alguma aberração vinda do Congo no teu DNA. Brancos não são geneticamente predispostos a roubar mexerica nem a produzir poucos artigos científicos. Já negros, sabe como é... Ainda mais agora, com as cotas, até gente como eu é capaz de entrar na universidade. Aí, já viu. Não vai sobrar mexerica nas árvores dos campi das universidades.</p>
<p>(<a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Cava</a> :: 
fev 18, 2011  8:22 PM)

Gullar, Jabor, Caetano, Maurício de Souza e agora Ziraldo. Não vai sobrar ninguém. Não confie em ninguém com mais de 50!</p>
<p>(Andréa :: 
fev 18, 2011  8:23 PM)

Karla, 
com o máximo respeito, acho que você é jovem, idealista e branca. Sou negra, mãe e vivo neste planeta há 35 anos. E como estudante negra por mais de 20 anos, posso assegurar: essa sua teoria é um desastre! Repito o q disse Idelber Avelar a vc, aqui mesmo: 

"Duvido que tenha tido experiência de trabalhar os textos racistas de Lobato, dentro de sala de aulas com crianças de 8 ou 9 anos de idade, negras, com resultados positivos e não traumáticos para elas."

Pois saiba, minha cara, que se você fizer isso, a criança negra em sua sala de aula vai se sentir humilhada, constrangida e vai ficar calada, torcendo para a aula acabar logo.E se fosse a minha filha nessa situação, você teria sérios problemas. Hoje eu não me encolho diante de racismo. Enfio o dedo na cara e meto um processo no rabo! </p>
<p>(<a href="http://www.astrokabana.net" rel="nofollow">Fernando</a> :: 
fev 18, 2011  8:28 PM)

perfeito.
obrigado.</p>
<p>(Ana Cristina :: 
fev 18, 2011  8:44 PM)

Texto espetacular, parabéns Ana.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  9:15 PM)

Ramiro, #82, são boas perguntas. É impressionante o silêncio em torno desse lado de Lobato. Talvez porque tenha sido compartilhado com tantas outras figuras importantes. Aí, esconde-se tudo, de todo mundo. Só para você ter uma ideia, na Sociedade Eugênica de São Paulo, fundada em 1818,  à qual Lobato foi muito ligado, tinha na diretoria: Arnaldo Vieira de Carvalho, que fundou o Instituto Vacinogênico, que depois foi incorporado ao Butantã, e foi um dos fundadores da Faculdade de Medicina de São Paulo. Fernando de Azevedo, crítico literário do O Estado de São Paulo, educador de renome que ajudou a fundar a Universidade de São Paulo (USP). Arthur Neiva, renomado médico sanitarista. Francisco Franco da Rocha, médido fundador do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, e por aí vai, com muitos sobrenomes importantes. Tinham muito espaço em jornais, principalmente no Estado de São Paulo. Isso tudo está lá naquele livro do qual já te falei, o "Raça Pura - uma história da eugenia no Brasil e no mundo", da Pietra Diwan.
Posso estar enganada, mas pelo que procurei, por exemplo, em sites especializados em Lobato, como esse patrocinado pela Unicamp, Cnpq e Fapesp, organizado pela Marisa Lajolo, considerada maior especialista em Monteiro Lobato, não constam essas cartas reveladoras. Triste, né? 
Site: http://www.unicamp.br/iel/monteirolobato/correspondencia.html


Pedro, #85. Como será que ele se define? Na curiosidade, fui agora n o google images e achei alguns auto-retratos pretos, marrons e outros, cor-de-rosinha :-) 


Bruno, #90, é melhor não moderar não. Sem desmerecer nenhum outro, por favor, talvez esse comentário dela tenha sido dos mais importantes dessa caixa. Um belo exemplo de pleonasmo, como existe aos monstes por aí: desinformado e preconceituoso. O que não deixa de ser também um belo exemplo de coragem, porque geralmente quem pensa assim não fala.


Karla, #96, uma coisa que não se pode esquecer é que estamos falando de Brasil inteiro. Há cidades por esses interiores em que o professor de ensino básico, por exemplo, sabe pouco mais que o aluno. Como é que vamos obrigá-lo a tratar de um assunto com tantas nuances como as que estamos vendo aqui?


Força aí, Maria Terezinha, #98!


Spirito Santo, #99, fui lá ler seu texto também. Mas ainda não consigo defender o direito de ninguém ser racista. Nem na época de Lobato, nem agora. Defender isso não seria aceitar que pessoas continuem sofrendo com o racismo? Ou seja, defender que alguém possa ser racista, não seria defender que ele possa exercer seu racismo? Isso o torna contra ou a favor da lei que criminaliza o racismo?


Obrigada, Felipe, #100, uma coisa interessante lavantada na discussão do texto anterior que escrevi sobre o assunto (Não é sobre você que devemos falar) é a impressão de que muitas pessoas estão, na verdade, defendendo o leitura que fizeram dos livros do Lobato, o prazer que sentiram com as aventuras da turma do Sítio, tendo deixado o racismo passar batido. Aí está a verdadeira "censura". Ou seja: depois que sei o que sei, nunca mais vou poder sentir o que senti ao ler Lobato? Freud explica. </p>
<p>(Adler :: 
fev 18, 2011  9:30 PM)

Sou branco e me orgulho demais por isso. Nao tenho vergonha de sê-lo nem de dizê-lo. Li e sempre adorei Monteiro Lobato. Vou continuar lendo, inclusive para meus filhos. Estou pouco me fudendo para vcs, "ofendidos". Racistas são vcs. Complexados!</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011  9:32 PM)

Esqueci de comentar, Spirito Santo,#99, eu também sou contra a censura ao nome do bloco. Mas acho um absurdo que eles a tenham aceitado calados, principalmente quando estão falando de censura (inexistente, no caso) no tema desse ano. É muita hipocrisia...</p>
<p>(Marcos :: 
fev 18, 2011 10:50 PM)

Pois é, Adler (#107). Pessoas como você, que estão se fudendo, vão poder continuar fazendo piada de preto nas festas de família e encontros de turma da escola. Nosso objetivo momentâneo é apenas que tenham que se recolher, envergonhados, à esfera privada - até há bem pouco tempo, a esfera pública era de vocês também. E que vocês não possam mais usar a esfera pública pra difundir isso que você chama de orgulho mas que é muito provavelmente um racismo, sem, bem, sem se fuderem.

(Só cuidado com o que ensina aos seus filhos, porque eles não são sua propriedade. Eu nem sou negro. E votaria feliz a favor de um projeto que obrigasse pais que, comprovadamente, ensinam racismo aos filhos a passar uns bons fins de semana fazendo trabalho comunitário na favela.)</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011 11:05 PM)

Marcos, #109, nesses casos é melhor deixar falando sozinho. Senão vira circo e é exatamente o que eles querem. Millôr tem uma frase ótima: "Não se amplia a voz dos imbecis". Se for ofensivo, a gente apaga. Se for só babaca, deixa pra lá.</p>
<p>(Roseli Rocha :: 
fev 18, 2011 11:12 PM)

PARABÉNS, QUERIDA!!!

Sinto-me com a alma lavada!!!

Vou tentar fazer uma sintese do seu texto em uma página para panfletar no último dia do ensaio do bloco "A Merda do Ziraldo", quer dizer: "Que merda é essa?" rs rs rs...

Q bom ter escritoras como você, que ALEGRIA!

FELICIDADES & AXÉ!

</p>
<p>(<a href="http://ocium-magnum.blogspot.com" rel="nofollow">wesley</a> :: 
fev 18, 2011 11:14 PM)

O texto é excelente, bastante comovente, e de um tom combativo mais que necessário.

Só gostaria de apontar algo (e não sei se alguém tocou no assunto antes de mim, já que não li todos os comentários): é negativa a vitimização de Simonal, e a associação desta com racismo (muito embora, certamente alguns ou muitos de seus detratores tenham sido racistas).
Simonal promoveu uma tortura e respaldou a ditadura (de forma irreverente ou "inocente" que seja). No final das contas, tudo saiu muito barato pra ele.</p>
<p>(David :: 
fev 18, 2011 11:24 PM)

Viva a democracia! Um propõe trabalhos forçados aos dissidentes da ideia propalada pelo texto acima, outros apelam para a censura, querendo simplesmente cassar a palavra discordante. Lemos o que bem entendemos. Hitler adorava queimar livros, vejo que os leitores de esquerda (!?) deste blog também. Agora não concordar é ser babaca? Agora é proibido ler Monteiro Lobato? Defendo até morrer o direito do Adler, acima, de se manifestar, mesmo que não concorde exatamente com seus termos.</p>
<p>(Cajueiro :: 
fev 18, 2011 11:27 PM)

Como os racistas são caricatos!! Esses comentários beiram o inacreditável, de tão absurdos. Alguém aí em cima fez bem em perguntar se a pessoa é parente do professor Hariovaldo.

Ana, certeira! Pena que Ziraldo esteja "pouco se fudendo". Ali Kamel tem razão. Eles não são racistas. São cínicos.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 18, 2011 11:44 PM)

David, #114, por favor, onde você viu alguém aqui proibido de se manifestar? O comentário do Adler está lá, do jeitinho que ele fez e quis. Agora, foi uma provocação, e se as pessoas começarem a responder, vira briga. Gostaria muito que a gente pudesse manter o diálogo, concordando ou discordando, num nível razoável e,  principalmente, no terreno das ideias, sem partir para as ofensas pessoais. Posso contar com a sua colaboração? Obrigada.</p>
<p>(gonza :: 
fev 18, 2011 11:45 PM)

Gostei muito do texto que me fez chorar ao pensar nas crianças e jovens negros das escolas públicas. E nos pais, e como o negro quase não aparece na sociedade. Que tristeza que dá; e raiva também. Me causou muito repúdio aqueles que mais pareciam estar se defendendo a repeito da decisao do MEC. O Ziraldo sem duvida nenhuma é talentoso. Mas consegue ser um homem patético.

Em 5 de abril de 2008, Ziraldo — e mais vinte jornalistas que foram perseguidos durante os anos de chumbo — teve seu processo de anistia aprovado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e foi indenizado em mais de R$ 1 milhão, além de receber uma pensão vitalícia de R$ 4.375,88.[5] Ele e o cartunista Jaguar receberam as maiores indenizações.[6] À época, Ziraldo afirmou que "o Brasil lhe devia" tal indenização, declarando: "Eu quero que morra quem está me criticando. Porque é tudo cagão e não botou o dedo na seringa. Enquanto eu estava xingando o Figueiredo e fazendo charge contra todo mundo, eles estavam servindo à ditadura e tomando cafezinho com o Golbery. Então, qualquer crítica que se fizer em relação ao que está acontecendo conosco eu estou me lixando".[5] O episódio foi comentado por seu antigo colega Millôr Fernandes, que se negou a exigir indenização, questionando: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?".[7]

Em 27 de setembro de 2008, os cartunistas Paulo Caruso e Chico Caruso deram uma entrevista ao jornalista Alex Solnik, declarando: "Ziraldo é mau-caráter" e "Ele não paga ninguém. Ele dá trambique. Ele tira emprego dos outros. Atropela." Chico Caruso ainda afirmou: "É sempre um miserável. É isso que ele é. Não só financeiramente como de caráter também." [8]

Em fevereiro de 2010, o advogado de Ziraldo tentou aumentar o valor da prestação mensal da pensão vitalícia recebida por ele para R$ 19.432,91, alegando que a soma de R$ 4.375,88 era compatível apenas com a função de jornalista, e não com as funções de direção de arte e até de presidência de jornal que o cartunista chegou a exercer. A Justiça Federal negou o pedido.[9]
</p>
<p>(Carmen :: 
fev 18, 2011 11:51 PM)

Me uno à polêmica porque o texto me fez refletir. E me deixou bem triste... Não tinha toda essa informação sobre Monteiro Lobato - sabia que era um homem preconceituoso porque algum professor mencionou em aula no Ensino Médio, mas não com tantos fatos como os expostos aqui. 
Confesso que li vários livros seus quando criança e não vi maldade alguma. Não achava chatos, ao contrário: me abriram as portas para a literatura, para a magia dos livros. Mas não li pelo currículo escolar. Na verdade, não conheço muita gente da minha idade que tenha lido Lobato... Li porque meu avô me deu coleções dele quando pequena. Meu avô, que se soubesse do caráter e intenções do autor, jamais teria presenteado sua neta com esses livros. Que era o tipo de pessoa que aparecia na hora do almoço com um mendigo em casa dizendo pra minha avó "trouxe um amigo pra comer com a gente" e que acreditava na palavra de políticos. Em suma, que também não viu mais que fantasia nas obras de Lobato.
Me pergunto: será que se eu desse os mesmos livros  pra minha filha quando ela tiver a idade que eu tinha, ela vai ter outra interpretação(ou pode ser que os que eu li não tivessem tanto conteúdo racista como "Caçadas de Pedrinho"? :S)? Por um lado, acho ótimo que acrescentem notas explicando o politicamente incorreto dos livros. Por outro, acho que ensinar a discernir é obrigação dos pais. Em relação à tudo. Com ou sem notas de rodapé.


Uma curiosidade: sou a única da minha família que não é racista. Me refiro ao pequeno núcleo familiar, pais e irmã. Minha mãe não era, mas aprendeu com o meu pai a ser, e minha irmã cresceu com essa educação. Hoje se lhe perguntam, ela diz que não é racista: "Q: Casaria com um negro? R:Se amasse....sim. Q: E teria filhos com ele? R: Ah, isso não. Filhos negros não teria." 
Tive que aprender aos 12 anos (de uma professora de biologia branca de cabelo pixaim) que cor da pele é nada mais que o resultado de um processo adaptativo do ser humano; que a pigmentação da pele, cabelo e olhos é uma resposta da seleção natural e mutações genéticas através dos milênios à quantidade de luz e temperatura do ambiente. Que os primeiros hominídios se dispersaram pelo mundo a partir da África, e as mudanças de cor e tamanho aconteceram muito, muito depois. Ou seja, que todos somos da mesma espécie, e o resto é o resto. E nesse dia tive um "click". Percebi que o racismo não tinha sentido. Por mais que meus pais quisessem me ensinar o contrário.


Uma outra pergunta que me faço sempre: quem não tem algum tipo de preconceito? Aquele que disser que não tem precisa de auto-vigiar um pouco melhor.</p>
<p>(<a href="http://www.myspace.com/wesleynoog" rel="nofollow">Wesley Nóog</a> :: 
fev 18, 2011 11:58 PM)

Parabéns, muito legal ! ! !</p>
<p>(Eneida Melo :: 
fev 19, 2011 12:15 AM)

Eu já tinha lido o suficiente para ficar chocada num post anterior aqui mesmo no Biscoito Fino.  Achei que mais nada poderia ser dito.  Eis que volto ao blog do Idelber, e consegui ficar ainda mais perplexa, logo no início do texto, não só com o Monteiro Lobato, mas também com o Ziraldo (se bem que esse mais pelo meio do texto).  Eu consegui chegar ao fim do post, apesar de ter muita vontade de parar (não por ser longo o post, e ele é, mas pelo conteúdo mesmo), e fiquei tão enojada que não consigo dizer mais nada.</p>
<p>(gonza :: 
fev 19, 2011 12:19 AM)

Se o Davi, ou Adler, ou se forem a mesma pessoa, tivessem algo para oferecer além do vômito mental, nao seriam chamados de babacas. E olha que este blog, com este post, e estes comentários são de uma qualidade que não se vê por aí. Se os caras ficam com o ego diminuído diante desse nivel não precisam demonstrar com tanta obviedade. Nao tem um argumento mínimo além do insulto e das falácias. É preciso desenhar, por que quem sabe eles se tocam e vão procurar ajuda. 

Outra coisa que me incomoda é esse tipo de lógica (além do pseudo-argumento de ofendidos complexados ou da supremacia ariana: quem não tem preconceito? Isso serve para se defender/justificar ou o que? Dentro dessa logica entao prefiro ter "preconceito" de racistas e cínicos do que ser isso.  Faz algum sentido?</p>
<p>(<a href="http://www.uff.br/nupges" rel="nofollow">Desirée Simões</a> :: 
fev 19, 2011 12:26 AM)

Um dos textos mais PERFEITOS que já li.</p>
<p>(Sara Siqueira :: 
fev 19, 2011 12:26 AM)

Há muito tempo eu sabia do racismo do Lobato, qdo descobri me senti tão mal, afinal li os livros do Sítio qdo criança. Além d seu racismo tb soube d seu machismo, algo q Ziraldo tb é.
Está d parabéns, q bela crítica!</p>
<p>(kandimba :: 
fev 19, 2011 12:49 AM)

ue' Ana voce ta' chamando o professor Spirito santo de racista negro? Porque? Que artigo do blog dele voce leu e chegou essa conclusao?
Kandimba</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011 12:55 AM)

Kandimba, por favor, eu queria muito saber como foi que você chegou a essa conclusão. Sabendo, com certeza a gente esclarece esse mal entendido.</p>
<p>(miriam palazzo :: 
fev 19, 2011 12:56 AM)

Míriam, de Porto Alegre, cumprimenta pelo texto forte, agudo e esclarecedor. Não esqueçamos também  do belo pagamento que Ziraldo recebeu a título de compensação pelo seu sucesso devido à revolução de 64, que o tornou famoso e bem sucedido, declarando na ocasião que estava na hora "dessa merda desse país me dar alguma coisa" ... e sem censurar a palavra merda! Um abraço! </p>
<p>(Eneida Melo :: 
fev 19, 2011  1:18 AM)

"Eh da natureza de cada uma delas agir daquela maneira, está no fator genético de cada uma delas. Foi por tentar explicar e provar isto q James Watson foi mandado embora. (...) Foi mandado embora porque a política America do politicamente correto não permite uma análise deste nível."

Foi mandado embora porque a mídia estúpida distorceu o que ele disse.

Ele disse que a forma de pensar de diferentes povos era DIFERENTE.

Ele não disse que a forma de pensar dos negros era inferior à dos brancos.

O que ele quis dizer é que a cultura na qual estamos imersos faz DIFERENÇA na nossa forma de raciocinar, e que portanto não fazia sentido avaliar todos por um mesmo molde.  Não tem nada de racismo nisso.</p>
<p>(karla :: 
fev 19, 2011  1:23 AM)

Ai, Andrea, vc errou em quase todas as avaliações que fez de mim. Só acertou que sou branca. Mas o debate aqui não é sobre as pessoas que comentam, não me interessa de que cor vcs são, que profissão têm, se são jovens, adultos, pais, mães, heteros, homos,... O seu problema é que, querendo ou não, julga as pessoas por discordarem de sua opinião. 
Se estou na mesma luta que você, mas penso diferente, qual é o problema?
Tem uma coisa que vc se esquece, quem quer lutar por algo tem que estar disposto a se expor, tem que enfrentar tudo o que vier pela frente.
Só para vc saber, tenho uma prima e afilhada negra, ela foi adotada por minha prima, entrou para a família bebezinha. Várias vezes ela passou por agressões orais na escola e, em todas, ela enfrentou e colocou o tema em debate durante as aulas, tudo com o apoio da família porque nunca quisemos que por medo de ouvir o que não queria ela se calasse. Medo de se expor é tbm uma forma de resignação.
Ana, concordo com vc, mas eu já havia dito, inclusive, sobre a diferença de escolas públicas e privadas. Por isso, as medidas devem ser tomadas na estrutura e a luta é longa, pois concordo que a maioria dos professores ainda não tem preparo para lidar com esse e com vários outros temas. Muita coisa tem que ser feita. Se vc se interessa pela Educação, posso relatar muitas medidas equivocadas que estão tornando o ensino hipócrita, escrevo livros didáticos e preparo vários materiais para uma rede de BH, estou juntando os casos revoltantes que já sofri para escrever um livro sobre a Educação no Brasil. Caso te interesse, posso te relatar tudo.
Ah, Idelber, eu não tenho como provar que aulas sobre racismo já foram bastante proveitosas em escolas por meio de link, site, etc. Mas te dou minha palavra e espero que ainda existam pessoas que acreditam na palavra do próximo sem exigir que as novas tecnologias provem algo.
</p>
<p>(Stella :: 
fev 19, 2011  3:02 AM)

Fiquei sabendo do seu texto por um colega de faculdade e vim conferir. 
Fui uma leitora de Monteiro Lobato quando criança e já naquela época sentia-me incomodada com as referências a Tia Anastácia. Li toda a coleção dele e nunca vi sentido em colocações que tanto desvalorizavam a personagem. Mais ainda porque me parecia dúbio: porque uma personagem tão afetuosa podia ser tratada de forma tão desrespeitosa? Devo ressaltar, no entanto, que pude fazer essa distinção porque li esses livros já adolescente, e, portanto, capaz de questionar o que no livro é apresentado como senso comum. Como professora que sou, não acredito que crianças do 1o. ciclo do Ensino Fundamental possam fazê-lo, mesmo com a tutoria de uma professora (que pode ser racista, inclusive), sem que as crianças negras sejam hostilizadas por isso.
Assim, agradeço por você ter colocado em palavras, com tanta propriedade, percepções e sentimentos que muitas vezes desejei colocar no papel, mas que me faltou a sua competência para fazê-lo. 
O que mais me chamou a atenção é o fato de ele ser um texto consistente e embasado e que, por isso, mereceria dos que não concordam com ele uma refutação nos mesmos moldes, se fosse possível. (Fiz questão de ler todos os comentários antes de deixar aqui o meu. )Afirmações ligeiras e repetidas à exaustão como às que se referem ao "politicamente correto" e a "censura" não fazem frente a um texto como o seu. Parabéns!
Acho que o melhor de toda essa polêmica, seja qual for o resultado dela, é colocar em evidência o fato de que é, sim, inaceitável, deixar que textos racistas sejam de alguma forma legitimados pela escola. Muito menos com o dinheiro público. </p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 19, 2011  3:17 AM)

Por que as pessoas continuam a repetir esse negócio de "censura aos livros de Lobato"?

PelamordainexistênciadeDeus.

Os livros de Lobato continuam e continuarão a ser publicados e vendidos. Estão e continuarão a estar nas livrarias e nas bibliotecas, inclusive nas públicas. Inclusive nas de escolas públicas. Cadê a censura, ou para citar o Ziraldo, Que Merda (de censura) é Essa?!

Nunca li Henry Miller em sala de aula de primário, ginásio ou colégio. Duvido que alguém tenha lido. Henry Miller está censurado? Deveríamos apresentá-lo a nossas crianças e adolescentes? Que tal D.H. Lawrence? Ou Bocaccio?

Dá pra entender que as escolas não podem pedir aos seus alunos a leitura de todas as obras literárias já escritas, nem mesmo a de todas as obras literárias pare crianças, sequer a de todas as obras literárias brasileiras para crianças? Que não há tempo nem espaço pra isso? Que é preciso selecionar, escolher? E que quando as escolhas forem polêmicas, é razoável explicar, em prefácios ou notas de pé de página, por que são polêmicas?

É complicado ver as mesmas pessoas dizerem que os livros de Lobato são uma "oportunidade de expor o racismo" e ao mesmo tempo acharem que colocar notas no livro, exatamente "expondo o racismo" de Lobato é o mesmo que censura, proibição, impedir as pessoas de ler Lobato, etc.

É engraçado também que a "defesa" de Lobato ignore exatamente o que existe de defensável em Lobato. Por que, por uma dessas ironias da história, trata-se de um autor capaz de problematizar as verdades aceitas, de convidar os leitores ao pensamento crítico. É por isso mesmo uma pena que seus textos sejam tão eivados de racismo: por que, para proteger as crianças da exposição ao racismo de Lobato - o que é claramente necessário - acaba-se por "protegê-las" também da crítica corrosiva de Lobato à pieguice social, ao filistinismo religioso, à aceitação acrítica do senso-comum, à lógica do militarismo, à fetichização da violência. Coisas de que nossas crianças todas, brancas ou negras, precisam e muito.

(Aliás, uma coisa que temo é que se os "defensores" de Lobato nesta polêmica se dessem conta do que Lobato realmente diz às nossas crianças no que toca ao respeito às tradições e aos mais velhos, Lobato perderia a maioria dos seus "defensores" num piscar de olhos.)

Já pensei bastante sobre isso, não tenho solução para o problema, a não ser uma que é distante demais, utópica demais: num mundo efetivamente sem racismo, textos racistas - e, portanto, os textos de Lobato - seriam inofensivos; num mundo em que o raciocínio crítico fosse a moeda corrente na educação e na vida, nenhum texto crítico em particular - e portanto nem os textos de Lobato - seria indispensável.

***********

Ziraldo mestiço?!

Ziraldo é branco, gente. Entra em qualquer lugar em que "negro não entra" e não toma baculejo da polícia. Mestiço de quê? Vão dizer que ele é mulato? Mestiço de índio? Fora da habitual lenda da bisavó "caçada a laço"?

Parece que virou moda muitos brancos se auto-intitularem "pardos". Talvez na esteira do nosso ex-presidente e seu pé na cozinha, gente que nunca sofreu preconceito racial agora se acha "mestiça", "mulata", "parda", "cabocla", etc. Aí, claro, como diz o Kamel, "não somos racistas", né? Afinal, não podemos ser anti-semitas se "alguns dos meus melhores amigos são judeus", então suponho que não possamos ser racistas se tivermos uma tataravó negra? Daqui a pouco chegaremos quiçá ao ponto de não nos considerarmos machistas por que "algumas das minhas melhores mães são mulheres"?

Será que além de tudo, agora vamos roubar aos negros também a própria raça?</p>
<p>(Antonio Peddro :: 
fev 19, 2011  4:13 AM)

Parabéns pela crítica. Tratou de todos os aspectos.Concordo com tudo, plenamente.
Novamente parabéns.
ap</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 19, 2011  4:53 AM)

a questão da indenização que o Ziraldo, e outros, receberam por terem sido "perseguidos" pela ditadura militar  foi bem definida, como sempre, pelo Millor Fernandes: "então eles não estavam fazendo revolução, mas investimento".</p>
<p>(<a href="http://neveraskedquestions.blogspot.com" rel="nofollow">Roberto Takata</a> :: 
fev 19, 2011  5:18 AM)

Ana,

A carta de Lobato a Arthur Neiva está publicada em algum lugar? A Sra. teve acesso às correspondências do escritor?

[]s,

Roberto Takata</p>
<p>(Carmen :: 
fev 19, 2011  7:41 AM)

Ui, [b]gonza[/b], se você se refere ao meu comentário com isso de "além do pseudo-argumento de ofendidos complexados ou da supremacia ariana: quem não tem preconceito?", está muito equivocada. Não estava defendendo o racismo nem o preconceito, simplesmente estaba refletindo. O racismo é só um dos muitos preconceitos que a gente encontra por aí,e muitas vezes estão tão velados e arraigados desde a nossa infância que nem percebemos. 
Era só um comentário para auto-análise.... </p>
<p>(Deb :: 
fev 19, 2011  8:32 AM)

Ana, nao te conhecia e me linkaram seu texto. Parabens voce me deixou sem palavras, Deus te abencoe.
</p>
<p>(Flavia :: 
fev 19, 2011  8:49 AM)

Cada vez mais acho que Nelson Rodrigues é quem estava certo...
Detesto rótulos. Lobato é racista; Ziralodo é isso...Há que se ler , sim. Há que se lutar é por uma educação de qualidade que forme alunos críticos, que possam estabelecer suas próprias opiniões. Sou professora há 25 anos e desde o ano de 1988, venho trabalhando ano a pós ano com a obra de Lobato em sala de aula, de forma livre, crítica, sem endeusamentos...Nossos alunos têm o direito de ler Lobato e os professores têm o dever de apresentá-lo, sim. Vamos banir José de Alencar? Vamos banir Helena Morley?
E tantos e tantos outros, contraditórios, representantes de um tempo!
Para observar as contradições lobatianas, leiam os contos "O jardineiro Timótio" e "Negrinha"...
Acho caça às bruxas e politicamente correto uma atitude limitadora. Há que se esclarecer, censurar jamais. Lo siento...</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 19, 2011  9:00 AM)

Seria interessante as pessoas entenderem em que discussão estão entrando para que não repitam argumentos já amplamente refutados e que têm muito pouco a ver com o que se propõe aqui. Repetindo, então o comentário do Luiz Henrique (#129): 

Por que as pessoas continuam a repetir esse negócio de "censura aos livros de Lobato"?

PelamordainexistênciadeDeus.

Os livros de Lobato continuam e continuarão a ser publicados e vendidos. Estão e continuarão a estar nas livrarias e nas bibliotecas, inclusive nas públicas. Inclusive nas de escolas públicas. Cadê a censura, ou para citar o Ziraldo, Que Merda (de censura) é Essa?!

Nunca li Henry Miller em sala de aula de primário, ginásio ou colégio. Duvido que alguém tenha lido. Henry Miller está censurado? Deveríamos apresentá-lo a nossas crianças e adolescentes? Que tal D.H. Lawrence?

Mas com certeza, daqui a pouco vem mais alguém repetir a cantilena "banir", "censurar", "politicamente correto", "rótulos" etc. Não percebem que "politicamente correto" é um puro rótulo e quem que está "banindo" e "censurando" a discussão de um problema são eles. </p>
<p>(<a href="http://www.aomirante.net" rel="nofollow">Nelson Moraes</a> :: 
fev 19, 2011  9:33 AM)

Sem palavras, Ana. Estarrecido por ainda não saber destes pormenores - digamos - epistolares, e pasmo com a descoberta. Excelente. </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011 10:01 AM)

Roberto, #132, a carta é citada na página 125 da tese "Eis o mundo encantado que Monteiro Lobato criou: raça, eugenia e nação" defendida Paula Arantes Botelho Briglia Habib do departamento de História da UNICAMP. Está citada da seguinte maneira: "Carta de Monteiro Lobato a Arthur Neiva. N.Y. 10/04/1928. Arquivo Arthur Neiva. Código 39"

A tese pode ser baixada daqui: http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls000290012</p>
<p>(Gamba :: 
fev 19, 2011 10:09 AM)

Ana,
Fiquei comovido em ler seu texto - não só pela precisão e seriedade - mas pelo valor contextual em nossa cultura tão habituada a venerar o fascismo escondido em coletes coloridos e cabelos longos. Prefiro o reacionarismo explícito do que essa capacidade de alguns MUDERNOS de serem reacionários sem que niguém perceba.  Ziraldo foi de uma confraria em Minas que dizia que o melhor movimento feminista era os quadris e seu personagem "maluquinho" já insinuou em uma tira que o concorrente "Calvin" era maricas por não gostar da outra personagem Susie.  Ou seja, parabéns Ana, pelo seu esforço e sua dignidade em denunciar isso.  se não mantivermos esse "tônus crítico" fica difícil demais continuar seguindo. </p>
<p>(<a href="http://lusoleituras.wordpress.com/" rel="nofollow">Jesiel Oliveira</a> :: 
fev 19, 2011 10:16 AM)

Prezada Ana, parabenizo-a vivamente pelo seu texto. Pela maneira competente e, sobretudo, confrontadora como você o redigiu. O índice que melhor qualifica a magistralidade de sua Carta lê-se pela intensa perturbação que ele causou entre tantos leitores. Sou professor universitário e tenho me dedicado a pesquisar algumas expressões literárias daquilo que Florestan Fernandes chamou de "moral reativa" do branco brasileiro, o tipo de racionalidade auto-mistificadora que preside às nossas relações raciais. Nos comentários à sua Carta, é possível notar o impacto fulminante que sua argumentação exerceu nas ilusões mesquinhas -- e profundamente patológicas, do ponto de vista social -- que sustentam o "antirracismo" de tantos milhões de brasileiros. O desmascaramento que você fez de Lobato enfim escancarou, para muita gente, que Papai Noel não existe. Por isso mesmo, a reatividade a seu texto tende a se mostrar mais ferina, atordoada, intolerante e abstrusa.

No final das contas, o que a sua corajosa Carta eviscera é aquela "saudade do escravo" a que se referiu Joaquim Nabuco: o que tantos contestam e lamentam aqui não é o "radicalismo" da crítica a Lobato, mas a maneira como você explicitou o que está na base daquela saudade de uma Tia Anastácia sempre complacente aos xingamentos e "piadinhas" animalizantes, sempre dócil perante a sua ridicularização e exploração ostensivas, inquestionavelmente no seu "devido" lugar. Como viver sem a "verdade" inerente a essa saudade? -- é isto o que agora angustia a muitos e muitos dos que aqui protestam pela  morte de Papai Noel.

Para finalizar, deixo a indicação de mais um daqueles dados que revelam o tipo de afetuosidade interracial vigente no Brasil: "Brasileiro exige mais na hora de adotar criança" .

Abraços,
Jesiel Oliveira      </p>
<p>(ANA :: 
fev 19, 2011 10:22 AM)

Monteiro Lobato foi, sem dúvida, um homem de seu tempo. Não avançou um centímetro do pensamento estabelecido pela elite conservadora do Brasil.
Basta reler "Paranóia ou Desmistificação", no qual ele desce o pau nos Modernistas da Semana de 22. 
Voltando às Caçadas de Pedrinho, além de passagens sim, racistas, há o 'fecho de ouro', quando Tia Nastácia pede para também passear na carroça puxada pelo rinoceronte: "negro também é filho de Deus".
Ana, você colocou com toda propriedade, as várias manifestações racistas e a que mais impera no Brasil é o coitadinho negro, pobre e burro. Devemos dar muita rapadura para essa gente que não cresça e se torne um traficante, dependente, homicida, assaltante e o estorvo social.
Bravo!

Em tempo: Li para meu filho, ele tem 8 anos, As Caçada de Pedrinho, ele ficou chocado com tratamento dado a tia Nastácia.Indefensável.</p>
<p>(Valdir :: 
fev 19, 2011 10:37 AM)

A carla é neta do professor Hariovaldo, que é pai do Adler, que é pai da carla, e sempre lê com orgulho branco a obra de Lobato pra carla e também pro David, que não concorda exatamente com o pai Adler, mas nem por isso vai achar que só porque o Adler aprova a eugenia e o racismo deve ser objeto de sua, dele David, revolta, pelo contrário, o David tá brabo com os que são contra a eugenia e o racismo porque, existindo esse tipo de gentalha, o mundo e, até mesmo o Brasil, vai virar politicamente correto, o que é um problemão, haverá leis e, pior, leis efetivas, e o Adler, a carla e o David não poderão defender que negro é bicho burro mesmo, nunca prestou pra nada, só prejudica o futuro do país, que vai indo tão bem sem qualquer lei, sem qualquer governo enchendo o saco de quem só pensa no progresso e na propriedade. Poxa vida. Acho que faz todo sentido, vocês é que não entenderam bem.</p>
<p>(Mariane :: 
fev 19, 2011 10:55 AM)

  Sou a favor da censura às obras racistas, seja de que quaisquer escritores! Elas constituem ainda mais sofrimento aos negros!</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011 11:03 AM)

Por favor, eu gostaria tanto que continuássemos a discutir ideias... As interpelações unicamente pessoais, contra ou a favor do argumento do texto, só levam ao que sempre acontece quando se fala de racismo e outros tabus: mudança de assunto.
Vamos manter o foco? Obrigada.</p>
<p>(karla :: 
fev 19, 2011 11:21 AM)

Bom, Valdir, com vc não tenho nada para discutir pq vc não argumenta e só faz ofender e julgar quem não conhece. 
A verdade é que enqto muitos aí que não estão dentro da Educação ficam pronunciando sentenças em relação ao ensino, eu e muitos colegas trabalhamos efetivamente contra o preconceito dentro de sala de aula. 
Vc não entendeu nada do que eu afirmei aqui até agora ou, pior, não quis entender para proferir frases perversas e se auto-promover.
</p>
<p>(David :: 
fev 19, 2011 11:26 AM)

Postei um comentário acerca da opinião de Adler. Leio agora ataques de cunho pessoal, como o do Valdir, #142. Calma, calma.Não defendo a eugenia, como quer o Valdir, nem o preconceito - de ambos os lados, vale registrar - mas acho interessante, tal como disse a Ana no #115, manter a discussão no âmbito das ideias. Outro aí também me chamou de babaca (Gonza, ou algo assim, #120). Sabe, li o Monteiro Lobato quando criança e - perdoem minha ignorância c/c falta de orientação familiar - só agora me deparei com a realidade, graças ao texto, de que ele era extremamente racista. Mas creio que nunca é tarde para mudar e evoluir. Não sou babaca, Gonza, nem eugenista, Valdir, só me manifestei contra a censura. Só isso. Acho que baixar o nível, como vcs tanto querem, leva a discussão para um campo mais perigoso ainda. Eu teria um grande prazer em debater democracia com vcs, mas sem que para isso tivesse que sofrer ofensas e ser injustamente rotulado. Eu os respeito, como respeito o Adler, ou quem quer que tenha postado por aqui, mas não posso aceitar a generalização cega, a condenação injusta e a rotulação ofensiva. Assim, o que acrescenta ao debate o montante que Ziraldo recebe do Governo? Isso é ataque pessoal e ódio puro, gente! Não vai enriquecer a discussão.
Por fim, obrigado, Ana, pelos esclarecimentos presentes no texto. Como disse Bob Marley, "light up the darkness".</p>
<p>(<a href="http://www.caixappreta.blogspot.com" rel="nofollow">Paula</a> :: 
fev 19, 2011 11:31 AM)

 Estou impressionada com esta carta! Nunca gostei de Monteiro Lobato e isso só em assistir o Sitio do Pica Pau Amarelo, nunca havia lido os textos racista dele...agora,me entristesse muito saber que o Ziraldo nada mais é, que uma replica moderna de Monteiro Lobato e me preocupa saber que o mesmo, se encontra presente em uma emissora de TV que se diz estar preocupada com a educação de nossas crianças...lamentável!</p>
<p>(gonza :: 
fev 19, 2011 11:46 AM)

@Carmen
Não citei sua assinatura porque não comentei como algo pessoal mas sim quis discutir o argumento universal: quem nao tem preconceito. Qual é a idéia por trás dele? Que não se deve criticar quem possui atitude/posição racista ou hipócrita? Deve-se ser complacente? 

QUanto a sua ponderação, acho que deve-se escolher o que se quer ensinar e um ensino público deve prestar contas a todos os setores da sociedade. Não falo de escolha pessoal pois acredito que todos devem ler tudo e o que quiserem (inclusive pais para filhos sem nota de rodapé). Eu tenho o direito de criticar se eu quiser a mentalidade que voce estruturar a partir de suas leituras. Afinal para o que mais voce escreveu seu comentario? Leia o seu proprio post, e encontre suas respostas. Como voce disse, a vida nao vem com notas de rodapé.</p>
<p>(gonza :: 
fev 19, 2011 12:08 PM)

@Valdir:
engenhoso e hilário!! Perfeito!

</p>
<p>(gonza :: 
fev 19, 2011 12:15 PM)

David, não é outro, é outra.</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 19, 2011 12:46 PM)

David, olha o que vc escreveu:

Viva a democracia! Um propõe trabalhos forçados aos dissidentes da ideia propalada pelo texto acima,

Opa. Quer dizer que a lei brasileira, ao prever a possibilidade de penas alternativas à privação da liberdade, instituiu "trabalhos forçados" no país?

Se for assim é muito grave, e inconstitucional, pois a Constituição brasileira explicitamente proíbe o estabelecimento de penas "desumanas ou degradantes", como o "trabalho forçado" certamente é.

Mas é mais provável que vc goste de uma hipérbole, não? Que esteja chamando a prestação de serviços comunitários de "trabalhos forçados" da mesma forma que outros chamam a proibição judicial de transmitir informações sobre processos tramitando em segredo de justiça de "censura".

outros apelam para a censura, querendo simplesmente cassar a palavra discordante.

É mesmo, David? Quem, por exemplo?

Lemos o que bem entendemos.

Grande verdade. Eu por exemplo leio, e vou continuar lendo, Monteiro Lobato - ou melhor, a obra infantil dele, porque a adulta é muito fraquinha e não vale o esforço.

Mas às vezes - e especialmente quando somos crianças - também lemos, em vez do que "bem entendemos", o que nos mandam ler. Eu por exemplo li "Senhora", de José de Alencar, não porque o meu bem-entendimento assim o dispôs, mas porque o "establishment" escolar decretou que assim devia ser. Essa é a discussão, David: não o que podemos ler como bem entendermos (que, evidentemente, já que vivemos em um regime democrático, é qualquer coisa, inclusive Mein Kampf, mas o que seremos obrigados a ler, como parte daquilo a que chamamos educação. Ou, considerando nossa idade, aquilo que nossos filhos ou netos serão obrigados a ler.

Hitler adorava queimar livros, vejo que os leitores de esquerda (!?) deste blog também.

Mais uma hiperbolezinha básica, David? Quem é que falou em queima de livros? Quem é que remotamente sugeriu algo parecido com a destruição física de livros aqui?

Agora não concordar é ser babaca?

Não é não. Não concordar é apenas isso, não concordar. Mas ser babaca também continua a ser babaquice. Dizer, por exemplo, "estou pouco me fodendo pra vcs ofendidos", não é discordar, é ser babaca.

Agora é proibido ler Monteiro Lobato?

Não me parece que seja. Os livros podem ser encontrados em qualquer livraria, aliás em edições novas, bem recentes, e de boa qualidade. Estão em qualquer biblioteca com um mínimo de qualidade. Estão até na internet. Mais uma hipérbole?

Defendo até morrer o direito do Adler, acima, de se manifestar, mesmo que não concorde exatamente com seus termos.

Lá está ele, manifestado. Qual o problema? Ele pode se manifestar, dizendo que está "pouco se fodendo" para outros, mas, curiosamente, outros não poderiam se manifestar chamando-o de babaca? Por que não, David? Mesmo que vc não concorde exatamente com os meus termos, vc não defende o meu direito de chamar o Adler de babaca? Por que?

Será por que é mais uma das suas hipérboles, confundindo a crítica a um comentário extremamente infeliz com "censura" ou "queima de livros"?</p>
<p>(Valdir :: 
fev 19, 2011 12:51 PM)

Karla, desculpe, mas eu tava falando sobre a carla, que é outra carla, com c, de modo que se eu não entendi nada, você também não, e foi um bruto dum mal entendido. Compreende? Eu tava falando da carla, neta do Hariovaldo, prima da Mayara, fã do Ali Kamel. Não de você, com K. Troço Cafiquiano.

David, por certo. Meu espírito avacalhador sempre me bota em maus lençóis. Mas às vezes a palhaçada do que se dá como sério deve ser explicitada como palhaçada. Eu sou, franca e abertamente, intolerante com palhaçadas e defesas do indefensável, como a tua e a da carla com c, e a do Adler com brancura invejável. Agora não falo mais, pois já desviei o assunto. Parabéns pra Ana por mais um brilhante artigo.</p>
<p>(karla :: 
fev 19, 2011  1:11 PM)

Ah, Valdir, entendi. Pensei que fosse mais um caso, entre vários, que negligenciam minha feia letra K ;)
Vc me desculpa?
Abraço!
Ah, aproveito para pedir àqueles que se interessam em discutir sobre Educação que me mandem e-mails, pois gostaria de saber se concordam, ou não, com algumas medidas que vêm sendo tomadas pelo PNLD.
Obrigada.</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 19, 2011  1:14 PM)

Parabéns pelo texto, Ana, pena que só o li agora. Diante de tudo isso, eu só não sei até que ponto termina a dissonância cognitiva e começa o cinismo de quem aqui - ou na esfera pública - ainda insiste na tese de censura do MEC contra a obra de Lobato. Sim, eu seria contra censura, mas sim eu também sou contra o fato que os livros continuassem a ser utilizados como se não tivessem problema algum, por isso a decisão do MEC - sob a batuta do ótimo Fernando Haddad, dos melhores quadros do PT paulista - foi nada menos do que precisa. Outro ponto que eu tenho de ressaltar é quanta gente o Governo Lula conseguiu tirar do armário  - e não falo de velhos e notórios reacionários, mas sim de gente que esteve no front contra Ditadura e, de repente, mostrou a verdadeira cara porque as condições do debate público forçaram a isso. Ziraldo é um exemplo, embora Caetano seja o maior deles.

beijos e novamente parabéns</p>
<p>(kandimba :: 
fev 19, 2011  1:18 PM)

Ana, seu texto e' bom mas nao e' perfeito nem quase perfeito como muitos comentaram. As criticas que vc faz apesar de serem importantissimas ja' foram feitas nos anos 60, 70, 80...enfim. O problema Ana e' que no Brasil o racismo e' muito primitivo, a luta contra o racismo ainda e' muito primitiva. Entao o seu texto torna-se "perfeito" 

Agora quero ver vc fazendo critica aos racistas que estao vivos hoje...ai sim e' luta mesmo. 

Claro que as ideologias racistas que temos hoje na sociedade sao basiadas no passado mas pra que serve esse texto se nao se pode falar sobre os racistas de hoje...</p>
<p>(Marcos :: 
fev 19, 2011  1:18 PM)

Talvez saindo um pouco do tópico: eu iria mais longe. Será que não se pode fazer uma versão em texto, em vez de puramente televisiva, de um "Monteiro Lobato para crianças do século XXI"? Nas Bíblias para crianças, por exemplo, Deus não mata nem faz pacto com o diabo pra destruir a vida de ninguém.

Pois, se por um lado a Ana usa o Lobato (como, admite, usa o Ziraldo) como bode expiatório, para iluminar o funcionamento e as práticas do nosso racismo açucarado, também deve saber que a questão não se resolve banindo da comunidade o indivíduo Lobato. De um lado, evidente, é preciso quebrar a aura de santo do sujeito - mas vamos combinar que isso é assunto mesmo, ao menos 95% do tempo, para os departamentos de literatura. Num país mais avançado, poder-se-ia exigir até que os cadernos de literatura nos jornais lembrassem sempre o lado escuro em suas reportagens. Mas, pra usar o clichê, ninguém pensa nas criancinhas?

É preciso reconhecer que o Sítio do Pica-Pau Amarelo foi uma grande contribuição para a literatura nacional - e tem potentical pra continuar sendo uma grande contribuição ao imaginário infantil brasileiro. Com um uso inteligente da mitologia brasileira, personagens cativantes e histórias bem-boladas, o universo infantil de Lobato merece, IMHO, ser explorado não só pela Globo, mas pela escola e pelos pais também. As crianças do século XXI, e nisso concordo com os saudosistas, têm direito a ler A Chave do Tamanho.

Entendo que uma adaptação português-português de Lobato possa parecer insatisfatória para todos os envolvidos. Uns acharão que é demais, que não se deve, como é?, censurar um autor tão importante; outros dirão que é insuficiente, que é preciso quebrar a espinha do racismo degredando o racista. Mas isso tem mais a ver com o status canônico do autor e da obra, e talvez com uma disputa política bem mais profunda, do que com a real solução do problema. Além do mais, as crianças adorariam poder ler um Lobato aggiornado em mais do que acentos, peagás e ipsilones. Como alguém lembrou, o estilo usado é enfadonho para a maioria das crianças que estão vivas e que poderiam apreciar o conteúdo e se apropriar dele se a forma fosse, vou usar uma palavra feia, pasteurizada.

(um parêntese cuja necessidade só demonstra a miséria da argumentação: você vai continuar podendo ir na livraria e comprar todos os livros no original, ok? E inclusive vai poder lê-los pros seus filhos; o objetivo é criar uma versão que possa ser lida pelas crianças de oito anos sem a supervisão de um adulto. Existem aos montes versões assim de Dom Quixote, por exemplo.)

Enfim, ideias no ar. Parabéns pelo brilhante trabalho, Ana, e pela sempre vigilante divulgação, Idelber!</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 19, 2011  1:30 PM)

Pessoal.. pega mais leve com o grande Jose Bento (que o pessoal contra e a favor nao leu, pq senão saberia que ele nao poupa ninguem: médicos, jornalistas, politicos,policia, intelectuais, e toda sorte de picaretas similares..pq iria poupar o pessoal mais bronzeado??)
depois..pensa bem; ele era um genio mas era tambem:
1-paulista
2-advogado
3-fazendeiro.
qualquer uma dessas "qualidades" sozinha ja faz um reacionario de mão cheia...

O Ziraldo é conterraneo da Miriam Leitão e ou seus suinos amestrados..então tudo tem explicação lógica e simples.</p>
<p>(<a href="http://projetogriots.blogspot.com" rel="nofollow">Leandro Quirino</a> :: 
fev 19, 2011  1:45 PM)

Parabéns pelo texto.
Tomei a liberdade de postá-lo no nosso blog:
www.projetogriots.blogspot.com

"Até que os leões possam contar suas próprias histórias, as histórias de caça sempre irão glorificar o caçador." (Provérbio Africano)</p>
<p>(Kleber Miguel :: 
fev 19, 2011  1:49 PM)

Ana, parabéns pelo texto!
</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 19, 2011  1:50 PM)

Ana,
muito grato pela delicadeza da resposta...
Quanto a pergunta que fiz sobre Gil, espero sinceramente que ele desconhecia o perfil de Lobato, tal qual tantos - e me encluo entre eles.

Ana, 
antes dos seus textos, eu poderia ter escrito algum poema em homenagem a Lobato, porém, agora, apesar do vazio em meu coração, 
EU DIGO - NÃO!</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 19, 2011  2:05 PM)

Errata: sei que é uma merda escrever de improviso, mas sempre insisto… Portanto: 1) onde se lê “desconhecia” é “desconhecesse”; 2) onde se lê “encluo” é óbvio que é “incluo”.</p>
<p>(BERNA :: 
fev 19, 2011  2:35 PM)

BRAVISSIMA ANA MARIA!!!!!!!</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011  2:46 PM)

Queria agradecer por todos os comentários postados aqui, e dizer que me é impossível responder um por um, às vezes tendo pena de deixar passar uma observação, uma ideia que valeria muito a pena desenvolver. Mas o importante é que estão aí, estão colocadas, e continuão a servir, pelo menos para mim, como excelente fonte de consultas futuras. Obrigada de verdade.

Queria fazer uma observação em relação a algo que o Jesiel, #140, escreveu: "ilusões mesquinhas -- e profundamente patológicas, do ponto de vista social." Quando da morte de Glissant, há poucos dias, fui reler algumas das ideias dele, e achei uma indagação bem interessante. Ele se pergunta se a história da escravidão não poderia ser encarada como a história de uma neurose, onde o tráfico seria o trauma, a tentativa de esquecimento (individual ou coletiva) não seria o recalque, os delírios em torno do assunto seriam os sintomas e a recusa de se falar disso, de trazer para o presente esses problemas do passado, não seria a manifestação do retorno do recalcado.

Escravidão é memória, é o passado que foi soterrado debaixo de vários mitos e fragmentos selecionados. E o trabalho de ir lá, escavar, ver o que já virou ruína e o que ainda dá para ser recuperado é um trabalho sujo. Mas, ao mesmo tempo, necessário, e o mais urgetemente possível. Acho que todos vocês aqui, contra ou a favor de Lobato, não importa, estão contribuindo pra isso.

Eu sou otimista e acho que algum dia a humanidade ainda vai superar esse trauma. :-) O que não podemos fazer é ficar jogando mais terra por cima do assunto.</p>
<p>(Jair Fonseca :: 
fev 19, 2011  3:03 PM)

Parabéns pelo texto, Ana! 
Não acho que tudo é ruim na obra de Lobato, que cumpriu lá um papel importante na literatura brasileira, apesar de toda sua "paranóia e mistificação", além dos seus preconceitos, comuns à mentalidade dominante de sua época.
Mas é uma pena que não se possa discutir pra valer essa questão. Ziraldo tá nem aí...
E é pena que a turma aqui sempre se refira à fórmula do maldito "politicamente correto" para não discutir a coisa de verdade.
Será que são sado-masoquistas? Gostam de maltratar os outros e ser maltratados?</p>
<p>(Boaventura de Sousa Santos :: 
fev 19, 2011  3:06 PM)

Felicito-a vivamente pelo desassombro e pela lucidez. A corrente quente da razão e da história com um brilho inusitado. O parecer da Prof Nilma Gomes do CNE ficará  na história da luta por um Brasil mais justo e mais democrático. Às vezes me pergunto porque é tão difícil, quer no Brasil quer em Portugal,convencer a opinião pública sobre a veracidade destas duas ideias com tanta comprovação histórica atrás de si: é fácil negar a existência de racismo quando se não é vítima dele; a negação do racismo por parte de quem é vítima dele é o efeito mais insidioso do racismo. A partir destas duas ideias formulei um príncipio que ainda não teve a dita de ser adoptado por Ziraldo ou por outros cartoonistas que nos habituámos a admirar: temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. 
um abraço grato pela lição de dignidade que nos deu
Boaventura</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 19, 2011  3:17 PM)

Professor Boaventura de Sousa Santos: 

Que honra o senhor nos concede visitando O Biscoito Fino e a Massa. Como admirador da sua obra, da sua ética, da sua história de luta e do seu compromisso com os oprimidos, não posso deixar de registrar meu orgulho, ainda que os méritos, evidentemente, sejam todos de Ana, a autora do texto. Muito obrigado por esta visita, companheiro. A casa é sempre sua. 

Receba o forte abraço do seu admirador. </p>
<p>(Augusto Lima :: 
fev 19, 2011  3:32 PM)

Excelente texto, Ana.Vou utilizá-lo (posso?)em minhas aulas. Essa do Lobato em que vê a literatura como um "processo indireto que 'work' muito mais eficientemente" é um fio da meada excelente para problematizar o racismo brasileiro e a importância da lei 10.639/2003.</p>
<p>(<a href="http://cyncity.zip.net" rel="nofollow">Cynthia</a> :: 
fev 19, 2011  3:33 PM)

Ana, li seu post no dia em que foi publicado, mas não consegui comentar até agora. Que o texto seja excelente, bem fundamentado, lúcido e elegante não é surpresa nenhuma pra quem já leu qualquer coisa escrita por você, mas o teor me surpreendeu e muito. Mais que isso, me entristeceu e envergonhou. Eu li muito (não todo) Monteiro Lobato quando criança, e adorava aquilo. Sinceramente, não sei se achava que as ofensas à tia Anastácia eram algo além de bobagens e grosserias ditas por uma boneca meio antipática. O que tinha ficado, pra mim, eram as histórias, e sempre me lembrei com carinho da chave do tamanho, do país da gramática, da viagem ao céu, entre tantas. Por isso,quando começou a discussão sobre "censura" aos livros, fiquei do lado dos que defendiam a manutenção de Lobato como leitura obrigatória nas escolas. E ao fazer isso, fiz o mesmo que tantos dos comentaristas aqui fizeram: entendi tudo depressa demais, e tudo errado. Não me aprofundei, não fui atrás, não pensei antes de falar. Ignorante das convicções eugenistas do autor, debitei tudo na conta do "homem do seu tempo, superficialidades numa obra maior" etc. Saber, e só fui saber aqui, graças a você, que ele escrevia com um propósito, e que o propósito era asqueroso, me atingiu como se fosse, sei lá, a descoberta de que um tio querido fosse pedófilo: o fato de não ter sido diretamente agredida por ele não torna menores a mágoa, a vergonha, a raiva por alguém que eu admirava tanto. Do Ziraldo nem falo, já tenho uma opinião formada sobre ele e ela é bem parecida com a sua. Também foi deprimente ler os comentários. Dos racistas assumidos, dos cientistas de ocasião a gente já sabe o que esperar, e não se decepciona. O que entristece mais é ver gente "progressista", que é (seja verdadeira ou oportunisticamente) contra o racismo achar que o "feminismo ultrajado da mulata" é frescura, coisa menor e sem importância, como tudo o que é "coisa de mulher". Que tipo de consciência ou coração tão pequenos são esses que só comportam um tipo de reflexão por vez - ou por vida - e que acham que qualquer outra é bobagem ? Obrigada pelo texto excelente, com todas as informações necessárias, com o fato de não ser censura bem explicado, com o conteúdo das cartas pessoais do velho bem detalhado. E obrigada até pela tristeza que ele me causou. Ela foi grande, mas ainda é bem menor do que a alegria, e por que não, o alívio que me causa ver que ainda existe gente como você, que pensa, estuda, analisa e pondera antes de entender, opinar e escrever. Enquanto houver gente assim sendo publicada, seja em livros, imprensa ou blogs, nossa raça tem esperança. E só pra deixar claro, caso alguém disposto a briga ler isso aqui, quando eu digo raça, quero dizer aquela à qual todos pertencemos, merecendo ou não: a raça humana.
</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 19, 2011  4:47 PM)

"(...)me atingiu como se fosse, sei lá, a descoberta de que um tio querido fosse pedófilo" -- Eu queria expressar o que eu sentia diante dessas revelações, mas não conseguia, acho que é isso daí mesmo, obrigado, Cynthia.</p>
<p>(Nilton :: 
fev 19, 2011  5:00 PM)

Escritora A. M. Goncalves,
Parabens! Este artigo e oportuno e objetivo. Uma aula de Historia do Brasil. Agradeco a sua dedicacao em preparar este texto. Nilton</p>
<p>(J. Guilherme :: 
fev 19, 2011  5:23 PM)

Vocês que falam sobre racismo por parte dos brancos esqueceram que os negros podem ser tão ou mais racistas que os brancos, inclusive contra outros negros.
.
Porque andar com uma camiseta escrito "100% Negro" é motivo de orgulho e andar com uma camiseta escrito "100% Branco" é considerado racismo?
Até onde sei racismo é uma via de mão dupla.
.
Quem aqui anda ou já andou de ônibus e já presenciou uma abordagem policial em uma blitz (ou comando)?
Quem aqui nunca reparou em cima de quem os Policiais negros vão ao entrar em um ônibus?
Vão direto nos negros e os chamam de coisas muito piores do que Monteiro Lobato escreveu em suas agora tão polêmicas obras.
.
Como já bem disseram ai pra cima, racismo e preconceito fazem parte do ser humano e nada e ninguém jamais vai conseguir mudar isso, tentar é o mesmo que cobrir o sol com uma peneira.
.
O que deve ser feito é cada um viver sua vida da melhor maneira e da forma mais correta possível, se cada um fizesse isso a humanidade com certeza estaria muito melhor e nem precisaríamos dessa hipocrisia chamada hoje de "Politicamente Correto".</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 19, 2011  5:34 PM)

falou mal do politicamente correto é batata:
temos um darwinista social, um fascista e um racista..pelo menos pra isso o PC serve com certeza...</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 19, 2011  5:39 PM)

J.Guilherme: Reclamar do politicamente correto até vale, mas dar uma de coitado porque ninguém tolera o clichê da camisa "100% branco" é contradizer tudo o que você disse - ou quer dizer que só vale tudo se a vítima não for você?</p>
<p>(Marcia Guerra :: 
fev 19, 2011  5:40 PM)

Ana,

obrigado!
</p>
<p>(Leosan :: 
fev 19, 2011  5:43 PM)

texto rico e emocionante. brilhante</p>
<p>(J. Guilherme :: 
fev 19, 2011  5:49 PM)

Hugo Albuquerque acho que posso ter me expressado mal, o que eu quis passar com o exemplo da camiseta é que hoje existem dois pesos e duas medidas para a mesma situação e eu jamais me fiz de vítima durante meus 45 anos de vida, sempre fui atrás do que é meu.</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 19, 2011  6:02 PM)

É, pelo jeito você se expressou mal mesmo, mas não acho que você conseguiu escapar ao dois pesos e duas medidas que você denuncia, é bom lembrar que você pode dizer tudo o que você quiser, mas esperar fazer isso em segurança, aí, é querer demais, não? Todos "corremos atrás do nosso", mas se você não aceita a possibilidade de uma coexistência para melhor, não aja com um fraco e aceite que, nessa perspectiva, um dia você pode ser caçador, mas no outro você pode ser caça - só não se faça de coitado na segunda ocasião, please.</p>
<p>(Maria do Carmo Ledesma :: 
fev 19, 2011  6:03 PM)

Maravilhoso seu texto e suas reflexoes.</p>
<p>(Vanice da Mata :: 
fev 19, 2011  6:51 PM)

Tudo aqui já foi dito, e muito mais do que bem dito.
Agora é seguir em frente, continuando fazer a história!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 19, 2011  7:04 PM)

Está instalada a moderação de comentários. É um mecanismo que usamos quando sentimos que a coisa corre o risco de descambar e virar bate-boca. 

Só serão publicados, a partir de agora, comentários que não interpelem outros leitores pelo nome. Querendo debater alguma ideia colocada aqui, cite o trecho e o número do comentário ou, melhor ainda, faça uma paráfrase da ideia que quer discutir. 

Sei que pode parecer anódino para muita gente mas--pela experiência de blogueiro véio--, sinto que é a melhor forma de evitar que uma caixa superlotada e polêmica se transforme em bate-boca. 

Então: qualquer ponto de vista é benvindo, mas não publicaremos comentários que interpelem outros leitores. É uma medida que evita que a coisa descambe. </p>
<p>(Vanice da Mata :: 
fev 19, 2011  7:05 PM)

Tudo aqui já foi dito, e muito mais do que bem dito.
Agora é seguir em frente, continuando fazer a história!</p>
<p>(Francisco Lacerda :: 
fev 19, 2011  7:06 PM)

 Ana, bem interessante suas colocações. Por isso mesmo, vou aproveitar o que você disse para praticar um pouco de dialética.
  Bem adequada e oportuna sua defesa da necessidade de não se deixar a polêmica esfriar, como querem Ziraldo e outros intelectuais. Temos que fazer o contrário: aproveitar o tema e aprofundar o debate. 
   Mas, eu não concordo com o banimento puro e simples dos livros do autor da lista do Mec... Acho que existem outros modos de se trabalhar o livro do Monteiro Lobato com crianças e jovens, além da rasa "contextualização" (que implicaria em dizer que no tempo dele, quase todo mundo era racista... tirando o Lima Barreto). Eu aceitaria o desafio de usar o livro do Lobato com outra finalidade: justamente para chamar a atenção das crianças para o fato de que o racismo existe (até hoje), tanto nas obras literárias como nas novelas de tv. </p>
<p>(<a href="http://dancewithyou.wordpress.com" rel="nofollow">Thais</a> :: 
fev 19, 2011  7:43 PM)

Caros,

Achei bonito o texto, e admiro a luta pelos direitos, os todos. O Lobato, como muitos homens de sua época e de hoje, vivia no papel da sua classe e do seu tempo, olhando tudo através das suas lentes preconceituosas contra tudo o que era diferente.A literatura brasileira está cheia do olhar estrangeiro, é só ler quase todos os escritores, mesmo os melhores, e isso não tira o mérito de terem sido grandes escritores. 

Tenho, contudo, algumas ressalvas sobre a carta.

Concordo que é muito complicada a discussão em sala, com crianças pequenas, sobre assunto tão delicado quanto a discriminação racial, mas dela não se pode fugir se queremos que essa história toda mude  de uma vez por todas. Também penso que seria um desrespeito à capacidade de leitor - do professor e da garotada - supor que eles não entenderiam que os insultos aos negros são coisas deploráveis, talvez eles mesmos (as crianças são mais espertas) descobrissem no Lobato um autor que eles não gostam.

Outro problema, o mais sério, é considerar o texto "O menino marrom" um texto racista. Pela carta, pintei coisa horrível aqui, já que não tinha lido. E fui procurar o livro. O que encontrei foi algo muito diferente do monstro aqui pintado. É um livro belíssimo (pra quem quiser ler: http://www.4shared.com/file/jhlJJA5I/o_menino_marrom.html) que discute exatamente o assunto proposto na carta. A Ana pode dar a mão ao Ziraldo, eles estão do mesmo lado. 

As discussões multiculturais ganhariam muito mais se focassem a discussão de maneira realmente multicultural e não ressentida (com razão). Talvez fosse isso que o Ziraldo quis dizer, mas foi infeliz, assim como foi a Ana quando falou sobre "O menino marrom" e separou pedaços mal-interpretados do livro para pintá-lo como racista. As infelicidades são inevitáveis quando se dá a cara a tapa. 



</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011  9:35 PM)

Professor Boaventura,#165, grata fico eu, que admiro demais o seu trabalho. E vai ficar como um mantra: "temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza." Obrigada.
</p>
<p>(Francisco Pedra :: 
fev 19, 2011  9:51 PM)

Gostaria de postar dois artigos escritos por um negro - mulato - na realidade, o dr. Carlos Lopes, que esclarece bastante bem vários equívocos neste texto de Ana Maria - vou tentar encaminha-los ao email de Ildeber, na esperança de trazer luz ao debate. Outra opção é acessar o site do Jornal onde foi publicado www.horadopovo.com.br e sugerir que os interessados usem a Busca da página com o nome Monteiro Lobato, e verão várias matérias, mas apenas duas sobre o tema aqui: Monteiro Lobato, “Negrinha” e a construção da identidade nacional" e o outro "Sobre Monteiro Lobato e os conselhos dos conselheiros". Desejo boa leitura. E melhor compreensão do tema!! um abraço, Francisco.</p>
<p>(Deise Benedito :: 
fev 19, 2011 10:41 PM)

Qda, magnífico, simplismente profundo, realista, brilhante suas observações. brilhantes, ainda enquanto mulheres negras ,somos relegadas aos prazeres do sexo, aos favores, ainda reconduzidas a mulheres de 2a categoria,Não somos as Rainhas do Lar, não somos as capas de revistas, não somos reconhecidas como agentes de direitos. Me choca, o Ziraldo tão proximo aos direitos humanos, ter cometido uma violação de existencia humana. Não somos a cor do pecado, não somos a Devassa, Não somos Q merda é essa.
Como filha de mineiros como vc, somos sim mulheres negras guerreiras, não somos o "cascalho da batéia"  somos o mais maravilhoso diamante. Das Minas para Minas das Mulheres das Minas. Quiseram nos colocar nos campos de concentração que são os Complexos de Favelas, de SP, RJ,BH,SA,PE,MA,RGS e surpreendemente, alí está concentrado "talentos, da arte, literatura,música, engenharia,médicina,direitos, arquitetura,jornalismo," Aliádo a concentração,de coragem, determinação, alegria e resistência.
Valeu querida.
Abcs.
Parabens,
Menina,Mulher da Pele Preta.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011 10:49 PM)

Thais, #183, gostei de você ter ido atrás do livro. Você leu também a análise, que está no link da carta, assim que começo a falar dele? Lá está a interpretação que falta aqui, por isso linkei. Independente de o livro ser bom ou não, os estereótipos estão lá. Os estereótipos de sempre. E acaba a história (não a da conversa aqui, claro, mas a do livro).

Eu acho que as infelicidades podem ser evitáveis sim, Thais. Mas é um exercício constante, nem sempre bem sucedido. Com certeza já cometi algumas e ainda vou cometer outras. Aí, só tem uma solução: respeito. Outro dia estava olhando a etimologia dessa palavra que a gente usa tanto, mas que tem um sentido muito mais além. Respeito vem de respectus, "ação de olhar pra trás", "olhar de novo", "atenção". Acho que a gente tem que fazer isso quando se trata de preconceitos, de qualquer natureza. Olhar de novo. A História (não a dos livros) já cometeu infelicidades demais, está passando da hora de re-ver os estereótipos.</p>
<p>(Jacimar :: 
fev 19, 2011 11:10 PM)

Belo texto!
Meus Parabéns! 
Até fiquei feliz por nunca ter lido as obras de Monteiro Lobato, não preciso ler um rascita como ele. Mas já o Ziraldo!!! Fiquei horrorizada com seus rascimo camuflados. É uma pena! Ziraldo eu gostava de ti, hoje não mais.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 19, 2011 11:12 PM)

Os textos citados pelo Francisco, #185, estão nos links: 

- Monteiro Lobato, “Negrinha” e a construção da identidade nacional - http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2915-17-11-2010/P8/pag8a.htm

- Sobre Monteiro Lobato e os conselhos dos conselheiros - http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2913-10-11-2010/P8/pag8a.htm</p>
<p>(<a href="http://neveraskedquestions.blogspot.com" rel="nofollow">Roberto Takata</a> :: 
fev 19, 2011 11:25 PM)

Ana,

Muitíssimo obrigado pela informação.

[]s,

Roberto Takata</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 19, 2011 11:52 PM)

Thais,

havia dado como ponto final a minha parca contribuição a este debate, mas seu comentário me instigou a uma nova participação. Através do mesmo link por vc citado, fui até o "O menino marrom". Novamente afirmo: o texto da Ana é primoroso, e, por isso mesmo, exige ser lido com as antenas da crítica em amplo funcionamento. Por isso, digo que o texto do Ziraldo é fantástico, não havendo ali nada de sub-liminar ou deletério para quaisquer "raças" nacionais.
</p>
<p>(Alexandre :: 
fev 20, 2011 12:15 AM)

"Por isso, digo que o texto do Ziraldo é fantástico, não havendo ali nada de sub-liminar ou deletério para quaisquer "raças" nacionais"

Como assim Thais?

O "menino marrom" refere-se a qual significante então? A um menino que faz côcô marrom, em oposição ao menino que faz côcô cor-de-rosa? Se for algo parecido com isso a liberdade poética do Ziraldo é maior do que eu imaginava.</p>
<p>(Maria Luiza :: 
fev 20, 2011  2:37 AM)

#Prezada Ana. Fiquei com pena de não ter encontrado a mensagem de apoio ao Parecer da Profª Nilma Gomes, mencionado no comentário do Prof. Boaventura de S. Santos, que enviei aos meus colegas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Gostaria que vc o lesse. Infelizmente não o encontrei. Nele,utilizo uma pequena parte da correspondência de Lobato a Godofredo Rangel para externar meu repúdio à adoção do Caçadas de Pedrinho na escola pública brasileira, pelos mesmos motivos que vc invocou em sua carta, relativos à situação da criança negra no nosso sistema educacional. Li um fragmento dessa correspondência entre Lobato e Rangel na década de 90, no momento em que redigia minha tese de doutorado, versando sobre concepção de literatura em Lima Barreto. Desde então, minha adoração por Lobato vinda da infância por causa do Reinações de Narizinho foi irremediavelmente tocada. A estetização do racismo em sua obra para a infância é danosa pq, misturado ao humor, à ironia e à afetividade, o racismo se confunde com camaradagem. E assim as crianças negras o leem: como alguém que de maneira bem humorada e afetiva lhes diz quem de fato elas devem ser. Como se já não bastasse elas não terem praticamente nada para ler que as valorize etnica e culturalmente. Outro dia uma aluna minha da graduação me perguntou como é que ela ia passar auto-estima pros seus alunos negros se ela mesma, negra, não conhecia a história dos seus antepassados, a não ser que tinham sido escravos. Não bastasse isso, e ainda adotar Monteiro Lobato como cânone. Qto ao Ziraldo, nunca tinha pensado nele como racista. Ultimamente, tenho achado que ele é um bobo que fala um monte de besteiras sobre educação como se fosse a maior autoridade do planeta. O cartaz do Bloco me irritou de tal maneira que eu que achava o "Que merda é essa?" divertido fiquei com o pé atrás. A mensagem é explícita. Só não vê quem não quer. No Brasil não existe racismo, só cordialidade. Quem é que cai nessa, meu deus? tinha muitas outras coisas pra dizer, mas já estou me perdendo. Aceite meus efusivos parabéns pela lucidez da sua carta. Com ela você "escova a história a contrapelo", mostrando a cara racista de Monteiro Lobato, e mostra tb que no Brasil existe sim essa coisa abjeta e monstruosa. 
Um abraço
Maria Luiza       
   </p>
<p>(<a href="http://www.blogdamima.blogspot.com" rel="nofollow">Selma</a> :: 
fev 20, 2011  3:15 AM)

O texto é contundente, sério, bom de ler…vai ver que é por isso que não está na grande mídia. E os comentários são um capítulo à parte. Não pude resistir à tentação de adicionar o meu apenas pra reforçar que uma das principais questões não é a censura ao Lobato, mas os motivos pelos quais  o governo não deve empregar dinheiro público na compra dessa obra, como bem questiona o professor Duarte, em seu comentário. Eu acho a literatura infantil no Brasil muito franzina. Comparada às opções aqui nos Estados Unidos, dá tristeza. Sem contar que livro infantil é caro. Então por que não subsidiar alguns autores novos, por exemplo? E que as famílias interessadas em apresentar Lobato aos filhos façam isso, não o Estado, às expensas do dinheiro público.
Eu me lembro uns anos atrás, durante uma convenção da Brazilian Studies Association, alguém dizendo que estava cansada dessa história de defendermos o Lima Barreto porque ele era pobre e mulato. A pessoa disse que era historiadora e que por isso sabia, ao contrário de nós, estudiosos da literatura, que devemos considerar o contexto histórico em que ele viveu, ao que respondi que ao fazer isso também devemos exercer julgamento crítico sobre a história. Apenas reproduzir fielmente valores não ajuda muito nem me parece muito “histórico”. Na mesma ocasião, tive de ouvir que Lima Barreto não se ajeitou porque não quis, pois teve o apoio de Lobato. Mas a ideia que Lobato tinha de Lima também fica clara na biografia de Francisco de Assis Barbosa e apenas confirma sua visão de mundo.  No fim das contas tô de saco-cheio dessa história de “Não Somos Racistas”, de ver gente como Ali Kamel,  Ziraldo, João Ubaldo, a falecida Rachel de Queirós  e quetais se auto-intitulando porta-vozes de “nós”. Nós quem cara-pálida? Desse jeito todo mundo que sofre preconceito todo dia nesse paraíso racial acaba sendo sempre o “o outro”. 
</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 20, 2011 10:31 AM)

Alexandre, como o Ziraldo deveria ter nomeado seu personagem, então? "O menino afro-descendente" ou, conforme a horrível denominação do senso, "o menino pardo"? Criar-se eufemismos para algo que não necessita de eufemismos?

Gostaria muito que a Ana fosse além nessa discussão, em futuros textos a serem publicados aqui. Gostaria que ela explorasse o racismo "positivo" e o "negativo". Um dos comentários acima me fez pensar no enorme mutismo que bloqueia esse tipo de discussão, muitas vezes vindo da vitimização excessiva e revanchismo velado de parte dos negros (não digo por parte dos brancos, pois esses já são tidos como os promotores naturais desse tipo de reação). Pode-se muito bem usar uma camiseta escrita "100% Negro", como diversas vezes já vi, mas tente, um branco, usar uma camiseta escrita "100% Branco", para ver o que acontece. Pode-se ser preso sob suspeita de discriminação racial, ou ameaça, conforme a susceptibilidade dos ânimos.

 Acho que estacar-se apenas no amplo tema da denúncia das estruturas racistas, históricas, sociais, culturais, elegendo-se o escritor ou indivíduo qualquer da vez a ser crucificado, esta longe de sequer resvalar num caminho para a solução do problema do racismo. Pode trazer um lenitivo, uma impressão de desabafo, uma catarse. Mas é quase ficar falando ao vento. Essa questão deve ser explorada, volto a falar, de forma auto-policiada, afim de sanar as tendências revanchistas que, mesmo num texto tão sofisticado quanto o da Ana, aparecem.</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 20, 2011 11:23 AM)

# 189:

Os textos citados pelo Francisco, #185, estão nos links:

E, infelizmente, fazem parte do nobre combate aos moinhos de vento da "proibição de Lobato". Mas o que esperar de gente que acredita em comissários que desaparecem ( http://www.newseum.org/berlinwall/commissar_vanishes/vanishes.htm )?</p>
<p>(Sheila Dias :: 
fev 20, 2011 12:49 PM)

Cara Ana...

Esta carta deve ser publicizada aos quatro cantos.
sinceramente,andei meio desiludida com o parecer favorável a esta obra infâme de monteito lobato(isso mesmo, no diminutivo, tal como sua obra que infelizmente tem e teve efeito destrutivo a todas (os) que leram a mesma). mas, agora, sinto-me  revigorada ao ler suas palavras tão profundas e sinceras... quero parabenizá-la e dizer que estou divulgando-á. precisamos nos fazer ouvir e quem sabe um dia, bem próximo eu espero, esta e outras obras que nos fere de morte seja banida de nossa literatura, assim como as charges do não menos racista ziraldo (no diminutivo também).

Axé e verdade pra vc!

Sheila Dias</p>
<p>(Andrea CPR :: 
fev 20, 2011 12:56 PM)

Parabéns pelo texto.

Vc diz o que eu sinto, e as vezes não consigo expressar!

Obrigada</p>
<p>(Rogério Prudente :: 
fev 20, 2011  1:00 PM)

Minha mulher enviou-me o link desse post porque sabe que eu gosto de bons textos e sobretudo porque debatemos várias vezes Monteiro Lobato em casa. E eu o li inteiro e com imenso prazer. Também com um pouco de TOC li todos os comentários, do primeiro ao último e uma coisa que notei é o seguinte: as pessoas precisam aprender a interpretar texto.

Para aqueles que insistem eu desafio: onde está escrita a frase "Nós queremos a censura ou banimento dos livros do Lobato"? Bom, não achando algo assim podem falar "Tá subentendido, a imprensa disse...". Então fica a minha pergunta novamente: onde está escrito no TEXTO que é defendida a censura ao Lobato?

Lamentável ter que ficar repetindo o tempo inteiro que não é censura e as pessoas ressuscitarem esse argumento tosco. Defendem idéias como se defendessem penalti polêmico no jogo do Corinthians. Pessoal: na análise de texto não cabe paixão e sim que se atenha ao que foi escrito. 

Em tempo: o texto me fez refletir e ver que o que eu mais gostava no Monteiro Lobato era a adaptação dos anos 70 do Sítio e das músicas. E deixando claro para os "não analistas": isso é um gosto meu, uma memória afetiva. Não estou endossando em momento algum o Lobato. 

Concordo 100% que tenha de existir a tal nota como a da caça das onças se isso é o pleiteado. Como disse a Ana, isso ainda me parece pouco, mas é o mínimo.

Outra coisa que talvez o pessoal não note aqui é que ainda que fosse um pedido de censura (de novo, não o é), o que é positivo é que isso está sendo discutido, debatido e avaliado. 

Diferente de discussão de penalti, o debate muda alguma coisa.

Vida longa e próspera!

</p>
<p>(<a href="http://miscerratenses.blobspot.com" rel="nofollow">Allysson F Garcia</a> :: 
fev 20, 2011  1:21 PM)

Mais uma vez Ana Gonçalves nos brinda com uma análise profunda e profícua na luta contra essa chaga que tantos males nos faz, contra o racismo todo esforço é pouco.
</p>
<p>(Jair de Souza :: 
fev 20, 2011  1:31 PM)

Gostei muito deste texto e concordo com sua essência. Pelo que pude constatar ao ler o parecer sobre Caçadas de Pedrinho, não se propõe ali que o livro seja proibido, senão que haja uma nota de esclarecimento a professores e alunos sobre pensamentos e preconceitos racistas presentes no citado livro. Como professor, acho quase impossível não trabalhar com obras literárias clássicas brasileiras que não contenham estereótipos racistas, declarados ou subliminares. É que a imensa maioria de nossos escritores ditos clássicos, assim como a elite sócio-econômica à qual pertenciam, estavam imbuídos de inúmeros conceitos (preconceitos) racistas, os quais inevitavelmente apareceriam em seus trabalhos. Ou seja, se não estivermos dispostos a trabalhar com esse material, quase não teremos nada mais a utilizar, posto que era quase que exclusivamente essa elite que tinha condições concretas de publicar seus trabalhos.

Assim que, para mim, contextualizar a obra de Lobato (ou de qualquer outro escritor) é deixar patente para os alunos com os quais estamos trabalhando a base ideólogica por trás de seu trabalho, as razões que explicariam (sem justificar) a presença de tantos estereótipos de cunho racista em sua obra. Este trabalho fundamental de esclarecimento deveria ser feito de modo intenso ANTES de que a leitura do livro em si tivesse início. Acredito que, desta maneira, poderemos atingir aos dois objetivos principais que devem nortear nosso trabalho como professores: levar ao conhecimento efetivo de nossos alunos o melhor da produção literária existente (de um ponto de visto estético-literário), ao mesmo tempo que denunciamos os preconceitos racistas presentes na mesma.
</p>
<p>(Luana :: 
fev 20, 2011  1:57 PM)

Quero parabelizá-la, Ana, pelo texto perturbador, eu já sabia sobre o assunto do Lobato expressar os teus pensamentos de eugenia em suas "historinhas inocentes para crianças", mas não tinha lido dados tão contundentemente expostos como aqui. Aos demais digo: só passei a compreender melhor o que a escravidão perpetuou na vida dos negros brasileiros após 3 anos morando em uma comunidade de descendentes quilombolas. Sendo eu branca, pude entender os efeitos dos ecos da história da vida dessas pessoas. É comum crianças que se achem uma "merda" por aqui, meninas que querem alizar os seus cabelos "pixains" porque preferem cabelos "bons", que acham que nunca irão conseguir nada na vida porque são menos inteligentes que os filhos dos brancos (descendentes dos "senhores de escravos bonzinhos" que tinhamos por aqui). Afinal a pergunta que não quer calar: em que os livros do Lobato poderiam compribuir para a construção da identidade desse nosso povo multicultural e multiétnico? Vai ajudar a desfazer todo esse processo de racismo sendo trabalhado em instituições públicas? Duvido!Concordo com o comentário acima, nossa literatura infantil está débil há muito. Porque não incentivar as novas gerações na criação de livros que imprimam novos paradigmas, que sejam estmulantes e instigantes? Trabalho na Universidade Federal desta referida cidade de remanescentes quilombolas, aqui estimula-se os alunos de pedagogia a trabalharem a auto-estima destas crianças, dentre outras questões referentes aos abismos sociais, através de livros alternativos construidos com materiais reaproveitados e que imprimam os contextos e conflitos por eles vividos no dia-a-dia. Não precisamos gastar mais dinheiro com lixos como Lobato.
Quanto ao Ziraldo, bom, o que dizer de alguém que comercializa as suas militancias?Ótimo artista, péssimo caráter, no fim, espelha-se na criação as crenças  e verdades do criador!
Ana, meu respeito e admiração.
Luana Lombardi
</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 20, 2011  2:06 PM)

Rogério Prudente,

o texto da Ana nos remete a uma encruzilhada retórica, de forma que dou a cara a tapa para ser batida e me desvisto de qualquer pudor intelectual ao perguntar: nas últimas consequências, o que está sendo proposto no texto? Tirando as reviravoltas dialéticas de uma escritora cerebral, que escreveu, entre outras publicações, um romanção de quase mil páginas (que pretendo ler), o que suavizaria o tom de indignação de um texto que, a meu ver, está longe de ser desapaixonado (contrariando a sua opinião)? Colocando-se esse texto na matemática da mínima distância entre dois pontos, a linha reta traçada nos levaria a concluir o quê?

Sei que a discussão é o ponto positivo para a promoção de uma sensação maior de que vivemos numa democracia, mas a minha interpretação do texto (sinceramente pedindo licença para ser honesto, mas não ofensivo, ao Idelber a à Ana), é que se censure as obras de Lobato, e se tenha uma leitura mais racialmente engajada quanto às amenidades do Ziraldo. No menino marrom, do Ziraldo, eu não vi nada de ofensivo, aliás vi algo da mais simplória ingenuidade comparando-se à auto-crítica dos artistas negros norte-americanos. Há uma quantidade de séries televisivas feita e interpretada por negros, na qual se usa, com um humor libertário, toda as pre-concepções e estigmas adotados pela sociedade em relação aos negros. Pegue-se, p. ex., a série Todo Mundo Odeia o Chris, em que a professora do personagem título o presenteia com atitudes discriminatórias diariamente. Acho que os EUA estão à frente nessa questão, por os negros ali terem-se desatrelado substancialente do revanchismo e da auto-piedade. Veja-se o rap ali produzido que já criou uma mítica negra própria, que fala de si mesma e de sua posição quanto à sociedada de forma combativa e identitária, sem a atmosfera policial e auto-depreciativa desse mesmo estilo de música feito aqui.

Ainda convido aos interessados, e à Ana, a leitura de O Homem Invisível (infelizmente há décadas sem reedição no Brasil), e como Ralph Ellison, o maior escritor negro norte-americano, tem uma visão evoluída e mais progressisita sobre a questão. Como ele passa por todo inferno da mentalidade racial dos EUA sem passar a mão na cabeça do negro, sem ser panfletário, sem pudores de mostrar o negro com todas as consequências de seu atraso social promovido por séculos de exploração espiritual mutiladora, sem tentar compensar esse atraso por propostas emergenciais políticas ou de transcodificação de programas ortodoxos. O quanto, ao encerrar o livro com a frase bombástica, "quem sabe se, nas esferas mais baixas, eu não falo também por vocês?", Ellison desmascara o ciclo de ódios e vícios do conhecimento instituído que mantêm brancos e negros em eterna oposição.</p>
<p>(Alexandre :: 
fev 20, 2011  2:39 PM)

Marcelo,

Ao você imputar a idéia de "revanchismo" a todos aqueles que optaram por um posicionamento político em favor de profundas mudanças sócio-estruturais e simbólicas para a população negra afro-descendente do Brasil, não compreende bem o que está em jogo em todo esse debate, além de se apresentar com um posicionamento que eu diria no mínimo como "reacionário". E a tua exigência por um comedimento no debate faz ignorar completamente os sentidos de URGÊNCIA dos sujeitos políticos negros e não-negros, para uma revisão e interferência imediatas nas estruturas racistas brasileiras. Por que urgente e imediata? Por que há pouco mais 120 anos da abolição somente AGORA, nos anos 2000, estamos discutindo políticas de reparação pelos crimes da escravidão e inclusão maciça a cidadania e a dignidade da população negra brasileira. 12O ANOS Marcelo! Não é ravanchismo, é urgência. Para ontem. O Brasil levou um século para reconhecer sua relação social exacerbadamente racializada e que, ao mesmo tempo a escamoteia. 
E para mim, pessoalmente, se ao enfatizar essas relações de racismo no Brasil, dói para alguém, ou que as pessoas ficam com medo de se verem como racistas, sinto dizer que não há "revolução sem sangue nas ruas", ou seja, de que não há mudanças profundas, sem que alguém sofra com isso, no íntimo de sua subjetividade, no profundo de sua alma. 
Sinto muito Marcelo, o teu comedimento, é um subterfúgio para escamotear e frenar o debate sobre o racismo, para sofrer menos, para não dar razão ao outro, e acusá-lo de revanchista. </p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 20, 2011  2:55 PM)

Outra coisa, bem diferente, é acusar o Ziraldo por ter ajuizado a União pelos prejuízos causados pela perseguição política durante a ditadura militar. Quem, como o Millôr, não quis entrar na Justiça, não entrou. Quem quis, entrou, ganhou, e muito bem ganho. Se não queremos que nossos impostos sejam gastos em reparações por malfeitos do Estado, temos que ser mais rápidos em derrubar ditaduras opressivas.</p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 20, 2011  2:59 PM)

Sabe, Marcelo, #195, eu queria muito que você me explicasse a partir de que ponto deve ser iniciada uma discussão sobre racismo com quem fala em racismo "positivo" e "negativo". A partir de que ponto deve ser começada uma conversa com quem fala em "vitimização excessiva e revanchismo velado por parte de negros", ignorando o valor simbólico de uma camiseta onde se lê "100% negro" e outra onde se lê "100% branco", levando em conta racismo científico, eugenia, escravidão e a influência nefasta de tudo isso na História.

Assim como você, # 24, também sou fruto da miscigenação nacional, filha de pai branco e mãe negra, bem clara. Poderia assumir qualquer identidade aí nesse meio, mas me assumi negra. Há pouco tempo, porque antes de começar a pesquisar para escrever Um defeito de cor, eu vivia bem alienada, desfrutando indiretamente de privilégios que nunca fiz nada para merecer. Porque é exatamente isso que acontece: se alguém está em desvantagem, e está mais do que provado que o negro está em desvantagem nesse país, é porque alguém, direta ou indiretamente, conscientemente ou não, está levando vantagem. A vantagem não desaparece no ar: é tirada de uns para ser dada a outros. O mesmo acontece com os héteros (homens e mulheres) e com os homens: levam vantagens em relação a homossexuais e mulheres. (É óbvio que ninguém precisa ser e/ou se assumir negro ou homossexual, por exemplo, para ser a favor de direitos iguais para todo mundo. Não existe a menor relação entre uma coisa e outra, basta a sensibilidade e a vontade de se colocar no lugar do outro). Mas quando alguém, de dentro, aponta essas vantagens e diz que elas não têm razão de ser, corre o risco de ser acusado do que você chama ,no seu comentário #24, de "minorias institucionalizadas e geralmente raivosas". Eu não TIVE QUE; se quisesse, no Brasil, poderia ter passado a vida sem me posicionar, desfrutando dos privilégios que isso me acarretaria; mas EU QUIS, depois de ler o que li sobre a história da escravidão, depois de ouvir o que ouvi sobre os efeitos dessa escravidão nos dias atuais, depois de ver o que vi nos lugares onde passei a circular.

 E, de verdade, sinto muito se o fato de eu assinar meus textos assim, "negra e escritora", "identidade e função" nas quais venho trabalhando para exercer de fato e de direito, sabendo que vai ser assim pelo resto da vida, com erros e acertos, te façam dizer coisas como essas, no seu comentário #24: "Não conheço a Ana Maria Gonçalves, suponho que ela escreveu algum outro texto para o Biscoito, que não me animei a ler. Confesso que quando vejo textos como esse, subscrito por uma autora que assina "negra, ecritora", fico tão desestimulado que passo adiante." Acho que é exatamente disso que a gente fala aqui: acabar com preconceitos, ouvir e se interessar pelo que o outro tem a dizer. Ou, mais ainda, se colocar no lugar do outro e tentar imaginar como ele se sente.

Conheço Coetzee de livros e pessoalmente. Estive como convidada na mesma edição da FLIP que ele e outra nobel sul-africana, Nadine Gordimer. Como também conheço, de livros e pessoalmente, a norte-americana Toni Morrison. Todos têm livros ótimos que denunciam escravidão e preconceito a partir das próprias experiências e vivências, que não deixam de ser universais. Conheço também a literatura de Ralph Ellison, #203, e seus contemporâneos, como Richard Wright e James Baldwin. Juntos, e com mais alguns e algumas, esses três foram super importantes para a deflagração do Civil Rights - o que contradiz o que você diz: "sem tentar compensar esse atraso por propostas emergenciais políticas". Procure ler um pouco sobre a biografia dele, e vai descobrir também que foi super influenciado por sua esposa, Fanny McConnell Ellison, fotógrafa, diretora de teatro e ativista que já militava bem antes de eles se casarem, e que o ajudou a editar The invisible man. 

Mas, para falar de Brasil, de algumas situações especificamente nossas, prefiro autores nacionais. Nós existimos, Marcelo, apesar de alguns também sermos "negros e escritores", e tem muita gente escrevendo coisa boa por aí. Em literatura infantil, se realmente te interessar, gostaria de sugerir "Histórias do Tio Jimbo", do Nei Lopes. Leia esse livro e compare-o com qualquer outro sobre o qual há denúncia de peconceitos e estereótipos. Mas há muitos outros também, de autores negros ou não, é só procurar. E também não há silêncio sobre alguns assuntos sobre os quais você diz que há. Pode até não haver diálogo, porque há muita resistência e pré-conceito. Há várias discussões acontecendo por aí, é só procurar e se dispor a ouvir. Boa sorte!</p>
<p>(Matheus :: 
fev 20, 2011  3:10 PM)

argumentação genial. parabéns!</p>
<p>(Alexandre :: 
fev 20, 2011  3:14 PM)

Um dos grandes equivocos, não só teu Marcelo, como de muita gente, é comparar o racismo dos EUA com o Brasil. São relações muito diferentes. E o mais grave: achar que o racismo de lá, é o racismo "verdadeiro", e aqui "nem tão verdadeiro", "nem tão real".

Nos EUA, pode se dizer, a estrutura racial é "objetiva", sem escalas; aberta. Lá o "inimigo" é declarado. Aqui no Brasil, o racismo passa por um filtro, um filtro de subjetividade que escamoteia a relação, que faz as pessoas negar a sua existência, e ao mesmo tempo praticar intensamente (um paradoxo peculiar nosso).

Quanto a "auto-piedade", posso dizer que essa é uma forma de deslegitimar, o discurso político do outro, sem ao menos tentar compreende-lo. Ou seja, afinal de contas por que essas pessoas enfatizam tanto o seu próprio dissabor. Mas é claro, né Marcelo, as pessoas precisam lidar e se acostumar com seus dissabores. Se acostumem, não é isso?. Lidem com o racismo que vocês sofrem. Mas com a condição de não imputá-lo a mais ninguém, só vocês tem o direito de sofrer com isso. Aguentem no osso, quietos. Isso é um problema de vocês.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 20, 2011  4:10 PM)

Bom, estou expressando o que penso sobre o assunto. Não sou especialista em nada, o que, de certo ponto, me beneficia. Sobre O Homem Invisível, livro que já li um sem número de vezes, visto meu interesse de sempre em literatura norte-americana, digo que os traços que citei no meu comentário acima procedem: nessa obra Ellison aprofunda-se como não vi par (só em "Desonra", do Coetzee, em seu devido nicho) na "história das mentalidades" raciais norte-americanas. Quanto à biografia, aí entraríamos num dos motes de seu texto, Ana, e do meu posicionamento a respeito: uma coisa é a vida, as cartas que nunca se pensava publicáveis, do escritor; outra, a sua obra.

Gostaria de saber, pragmaticamente, o que vc, enquanto negra, propõe para solucionar o problema racial brasileiro (novas leis, notas de rodapé maiores que o corpo do texto, uma guerra civil?) e, por quê é diferente um negro ostentar sua negritude de um branco idem?

Acho validíssimo seu debate, defendo-o onde quiser que a minha pequena participão pudesse sustentá-lo, mas penso que sua riqueza maior são as novas ideias que aparecem pelo caminho, ideias à primeira vista antagônicas da causa principal, e também, aceitar que tal debate faça surgir os mesmos discursos feitos, as mesmas poses de atitudes. Essa caixa de comentários pode ser um exemplo rico disso: as mesmas ideias guardadas ressurgem, querendo se confrontar, um se arvora branco com prazer, outro se diz mãe e assombrada com a educação, num ou noutro sentido. E, quem somos nós para não assumirmos a legitimidade dessas pessoas se expressarem, se dizerem brancas ou negras? Eu jamais usaria uma camiseta escrito 100% branco, assim como acho ridículo e alienado ver alguém vestindo uma com 100% negro.

O que digo é que o racismo venenoso, encalacrado, o racismo fóssil ainda vivo e perpétuo, não é o que se costuma querer combater do alto da cátedra. É o que acontece, como disse, no cotidiano das pequenas cidades, o que se entrelaçou com a "cultura" e nela fez ninho. O racismo dos livros, dos salões de debate, das esferas acadêmicas, só serve para turbinar os ingredientes da potência retórica e da lucidez dos aspectos livrescos do problema: sua medida histórica, social, biológica, etc, etc. Propõe-se a seleção analítica do racismo impresso, seu combate minucioso, enquanto o padeiro ainda é chamado de Seu Criolo (há um onde moro), o engraxate mesmo tendo a pele branca sendo chamado de "neguim da graxa"; o promotor da minha cidade, um negro, quando vira as costas e entra em sua Hilux, não ouvindo as piadas de alguns de que "ele é o promotor mesmo, não o motorista dele?"

E talvez Monteiro Lobato sirva com perfeição a acender o pavio do discurso, mas a forma como esta sendo feito talvez não seja a mais propícia, com insinuações de proibição das obras dele.

Agora, querer criar uma hermenêutica própria do racismo brasileiro, desconsiderando os avanços obtidos em outros países, será o caminho correto? Conhecendo Coetzee, Ana, deve ter lido seu romance-ensaio Elizabeth Costello, algo de tamanha transcedência que vai da filosofia à exploração kafkiana da guetização étnica. Ele, propondo o distanciamento sobre a questão sul-africana, afim de proporcionar, quem sabe, uma nova amplitude sobre a questão, fez de sua personagem uma escritora australiana, escrevendo e palestrando sobre a situação australiana. Será que algum escritor nacional, negro ou não, foi capaz de fazer algo parecido, desencarnar-se de toda a acirrada atmosfera passional, para ver com objetividade?

Quanto a vc, Alexandre, não tentei matar o discurso nem ser reacionário, e não acho ser a "revolução pelo sangue" a solução para o dilema. Mas acho que, por sob tudo isso que foi dito, é sempre bom estar em alerta para os perigos de que as palavras percam seu encanto ambíguo, e apenas o grotesco dessa insinuação apareça.</p>
<p>(<a href="http://www.folha.com.br" rel="nofollow">Bashir</a> :: 
fev 20, 2011  4:17 PM)

Alguem tem como se certificar de que o Ziraldo lerá mesmo esse texto? Está tão bem escrito, conduzido e moralmente conciso que seria uma PENA caso passasse incólume pelo Ziraldão. Quero só ver qual vai ser a resposta dele.Sonho como um 'mea culpa', um 'ok, errei', mas provavelmente teremos uma análise superficial da situaçao ou um xingamento dispensado à autora. </p>
<p>(Marcelo :: 
fev 20, 2011  4:23 PM)

Ana, sobre seu primeiro parágrafo no #206: o racismo é um caminho de duplo sentido, e também utilizei aspas para racismo "negativo" e "positivo". Se 100% negro é mentira, do ponto de vista biológico (que aliás há tempos o conceito de raça já foi desbancado), essa frase só se justifica por ser um lema cultural de guerra. Sendo 100% negro, tudo por fora dessa órbita é 0% negro, é uma nulidade a ser combatida, a ser preenchida pelo universo de um sentido só que é ser negro. No que isso pode contribuir para a resolução do problema? 100% negro é 100% revisionista do passado, em busca de compensação? Compensação em que sentido? Quando um quadro de guerra está montado na psique social, será que uma lado está livre para confontar e ganhar, sem que se o anteponha o lado contrário? Não haverá uma turba de assíduos defensores de um Brasil 100% branco? Colocar as coisas nesse termo (que não é o seu caso), é relegar tudo à barbárie. </p>
<p>(<a href="http://afrocorporeidade.blogspot.com" rel="nofollow">Denise Guerra</a> :: 
fev 20, 2011  5:07 PM)

Caríssima Ana Maria, obrigada pela clareza de espírito, por compartilhar conosco um texto tão lúcido e verdadeiro! Mais "Um defeito dos ausentes de cor": Intolerância Racial! Adorei o seu livro "um defeito de cor" Parabéns por suas veias literárias tão intensas! Cordiais abraços!  </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
fev 20, 2011  6:13 PM)

Luana, #202, belíssimo depoimento, muito obrigada.

*****
Pessoal, todos vocês, concordantes e discordantes, deixaram aqui contribuições riquíssimas para esse debate. Com certeza vou voltar muitas vezes a essa caixa de comentários, reler, aprender, pescar ideias que, no clamor dos acontecimentos, passaram batido. Obrigada mesmo a todos.

Quero agradecer principalmente ao Idelber. Pela postura combatente e corajosa que sempre me inspira, pelo espaço, pela paciência e, principalmente, pelo apoio.</p>
<p>(<a href="http://jocih.blogspot.com" rel="nofollow">Jocih Machado</a> :: 
fev 20, 2011  7:33 PM)

Ana, acredito que tentar vencer o ressentimento causado por todas as injustiças históricas e barbaridades cometidas até aqui, seja o próximo passo a ser dado na dissolução do preconceito e discriminação. Seu texto é brilhante, sua narrativa contundente, mas ainda é um ataque, e por reflexo. Concordo com você quanto as ideias eugenistas e perigosas de Lobato. Compartilhei seu texto no facebook, tudo isso precisa ser discutido e esse é o ponto positivo.  Criticar alguém que é parte do cimento de nosso alicerce é como criticar a nós mesmos. Como se tivéssemos fazendo coro, sendo cúmplices, por ter deleite e identificação com tão brilhante obra. Minha opinião é que devemos ter consciência da existência, inclusive em nós, de todas essas mazelas. Devemos ouvir de tudo e extrair o que é bom. Não existem bons moços, existem seres humanos com suas ideias. Todo artista é contaminado por suas próprias ideias, algumas vezes traído por elas, e longe de ser dono da verdade.  Isso cabe ao Ziraldo, mas quem a possui?  Quanto as ideias, umas, espero a maioria, serão feijões e outras pedras, ambas no mesmo pacote. Não existe ninguém tão brilhante que não possa ser contestado, nem devemos nos culpar pelo deleite na obra desses artistas maravilhosos. Se tivermos discernimento, sabe lá Deus de onde vem, e bom senso, se existe e sabe lá de quem, talvez nossos dentes continuem inteiros. Digo isso porque a paixão e o ressentimento podem nos cegar e fazer enxergar só as pedras. E ainda reavivar questões já superadas como um foco de incêndio.
Não seja você, alguém com uma cabeça tão linda esse foco. Sejamos felizes, não existem negros, brancos, gays, héteros ou qualquer outra segregação. Existem apenas seres humanos, o resto é criação nossa, levantar qualquer bandeira que não seja de paz é estupidez. Precisamos praticar a tolerância e o perdão, sei que você pensa estar fazendo exatamente isso, por isso lhe escrevo isso e peço que releia o seu texto e me desculpe a audácia. Você possui minha simpatia e virei um leitor e indissociavelmente um crítico seu. Com respeito e admiração.  
  </p>
<p>(<a href="http://dancewithyou.wordpress.com" rel="nofollow">Thais Travassos</a> :: 
fev 20, 2011  7:44 PM)

Olá, Ana.

Agradeço a resposta ao meu comentário. Não havia lido o seu artigo sobre o livro antes, por isso li e volto aqui para comentá-lo. Aprecio o seu fôlego teórico, aprendi bastante sobre o lugar do negro na sociedade brasileira. Mas devo discordar da sua leitura. Lá você afirma que o Ziraldo dilui a identidade do menino marrom por não aceitá-lo como negro. A minha leitura é contrária, a história é exatamente sobre a busca da identidade, que passa pela sua cor, mas não só pela sua cor, passa também pelo olhar que a sociedade tem da sua cor (o episódio da professora e da escola é sobre essa descoberta, o episódio do adolescente que pensa sobre o seu lugar no mundo também)e por TANTAS outras coisas (as palavras - ingredientes do humano; a descoberta da morte - o episódio da velhinha (ele vai ajudá-la depois, não é assim?); a descoberta de que a nossa história é sempre maior (independente da raça) que a do robinson crusoe). Assim como você mesmo afirma lá, o olhar etnocêntrico imposto aos povos negros e indígenas formadores do brasil é um olhar limitante. Por que deveríamos, então, reescrever uma história do mesmo jeito mal-contado, só revertendo papéis? 
Outro problema que vejo com a análise é pressupor pensamentos ideológicos do autor. É preciso lembrar que a literatura é a literatura, é a mentira com aparência de verdade, que não necessariamente é mimética à realidade, mas que pretende reconstruir significados que depois voltam a ser verdade pela experiência, mas ela não É a experiência. 
Penso que supor pensamentos ao autor não se deve. Pois aí vai haver gente querendo dizer que o Machado de Assis era racista porque narrou o "Pai contra mãe" ou porque teve coragem de mostrar a todos o olhar burguês sobre o negro. 
A arte é pra levar os homens e os povos além, e nela o bem e o mal não podem ser julgados pelo nosso filtro de bem e mal social, já que é recriação. 
Sabe, insisto aqui na discussão porque respeito (no sentido mesmo que você colocou na sua mensagem, de voltar atrás, de rever) a sua carta, e o seu artigo e a sua opinião e quero saber mais sobre as análises multiculturais, mas sempre me surpreendo com o grau de ressentimento (como já disse, muito bem justificado) e de poder de imposição que encontro nelas.
Termino aqui com o dito do Riobaldo, narrador do Grande Sertão: Veredas, sobre contar histórias, sobre a literatura:

"Apreciei demais essa continuação inventada (alguém inventara a continuação final de uma história verdadeira). A quanta coisa limpa verdadeira uma pessoa de alta instrução não concebe! Aí podem encher este mundo de OUTROS movimentos, sem os erros e volteios da vida em sua lerdeza de sarrafaçar."

Abraço!</p>
<p>(Juliana :: 
fev 20, 2011  8:21 PM)

Ana, 
Primeiramente, parabéns pelo texto e referências.


Lembro de ter lido as obras de Monteiro Lobato quando criança. Na época, com meus 6, 7 anos, não tinha ideia do quão racista ele era - eu não conseguia ver o racismo em sua obra - o que não era realmente a questão central do texto, na minha visão de mundo daquela época.
Embora não visse o racismo de Lobato, sempre soube de um Brasil racista, tema constantemente exposto para mim, através das histórias de vida do meu pai, e de todo o preconceito que sofreu por ser negro e de família pobre. Sem panos quentes, sem tapar sol com a peneira, dizia: "Minha filha, a vida é difícil pra todo  mundo, mas estude muito, estude pra ser a melhor, porque esse país é racista e você é negra, e pra você vai ser mais difícil".


Não acredito, ao contrário de muitos, que o Brasil não seja um país racista. Considero o racismo no Brasil um dos piores do mundo, já que 'não existe' - então como não existe não precisa ser falado, comentado, discutido.


Não acredito que privar as crianças de conhecerem quaisquer obras - racistas ou não - resolva o problema do racismo. É como se se deixasse de produzir filmes sobre o Holocausto os judeus não sofreriam mais com o anti-semitismo. Sim, estou colocando de uma forma muito simples, mas a verdade é que o horror da Segunda Guerra é constantemente lembrado. 


Então por que fingir que Monteiro Lobato não escreveu o que escreveu? Sim, também era o retrato de uma época - ou vamos ser ingênuos e achar que SÓ Monteiro Lobato pensava assim? Mais nenhum outro...não é bem por aí... Ou então vamos banir grande número de obras literárias porque elas contêm referências e insultos aos negros? Vamos banir "O Cortiço", onde Aluisio de Azevedo escreve "e tinha de estirar-se ali, ao lado daquela preta fedorenta a cozinha e a bodum de peixe!"? Não acredito que a coisa se deva dar por aí. Vamos fingir que o racismo nunca existiu? (e se nunca existiu, ainda existe?)

E por que ninguém se manifesta contra o papel constante dos negros como domésticas, pobres, motoristas, capangas, marginais,ignorantes nas telenovelas? Isso também constroi um ideal errado do que o negro representa. Sim, é uma triste realidade, mas o grande problema a meu ver é que não se enaltecem os negros que realmente realizaram e realizam coisas importantes - os advogados, médicos,escritores, artistas, professores da vida real,e não apenas os jogadores de futebol.



Mais: uma criança negra em idade escolar (6 aos 10 anos) possivelmente já foi chamada de nomes derrogatórios suficientes para não se espantar com o "macaca", "fedorenta" da Tia Nastácia..Não estou dizendo que isso seja positivo, aceitável.(Apenas estou contrapondo com o que disseram sobre "crianças brancas aprenderem como chamar os colegas negros") É possível também que crianças negras em idade escolar também respondam aos xingamentos chamando as crianças brancas de "azedas" "fantasminhas" "branquelos". Não tem o mesmo peso "psicologico" talvez, mas da forma como foi colocado, parece que as crianças negras são tão somente pobres-coitadas que não são capazes de responder à altura. Me desculpem, eu discordo. O que precisamos é de menos vítimas e mais lutadores.



</p>
<p>(<a href="http://ofalltheblogjointsyouwalkintomine.blogspot.com" rel="nofollow">Miguel Falcão</a> :: 
fev 20, 2011  8:50 PM)

Essa demonização de Monteiro Lobato como racista nada mais é que uma ridícula imitação politicamente "correta" do que estão tentando fazer com Mark Twain nos Estados Unidos. Agora incluir Ziraldo nesse rolo vai além do ridículo, é pura debiloidice mental mesmo.  

</p>
<p>(Denir Camacho Ferreira :: 
fev 20, 2011  9:03 PM)

Seu texto "desmata o Amazonas de nossa ignorância", permitindo-nos refletir de forma mais plena. 
Obrigada por isso.</p>
<p>(Rogério Prudente :: 
fev 20, 2011  9:44 PM)

Em resposta ao Marcelo #203:

"o texto da Ana nos remete a uma encruzilhada retórica, de forma que dou a cara a tapa para ser batida e me desvisto de qualquer pudor intelectual ao perguntar: nas últimas consequências, o que está sendo proposto no texto? "

Como eu dise antes o que o texto propões é : a inclusão de uma nota de esclarecimento.

Vale a máxima do jogo do bicho: "Vale o que está escrito". Achar algo mais do que está escrito no texto é ir para divagações que a própria autora do texto já negou várias vezes ao longo dos comentários ou tentar extender a discussão para outros pontos que não são os discutidos nele.

Li o livro do Ralph Elisson no original. É muito bom. Também adoro o "Todo mundo odeia o Chris". Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não é engraçado um sujeito bater na porta da minha casa, olhar para a minha mulher e perguntar se "a patroa está em casa", embora seja praticamente o que faz a senhora Morello do seriado. E como disse a Ana, não se pode comparar os racimos dos EUA e daqui, quanto mais com qualquer lugar do mundo ou mesmo com o que sofreram os judeus. É jogar numa vala comum estereotipada assuntos muito delicados. Mas... como disse antes: isso é fugir do que se propõe o texto. 

A nota, ao meu ver, é uma coisa tão minimamente ridícula nessa celeuma toda do Lobato, que não entendo porque não está lá há mais tempo.  

Estamos falando de livros escolares, que tem essas notas ou coisas similares que são distríbuidos pelo Estado que como foi dito pela Ana, só estaria sendo coerente com o estatuto da Criança e do Adolescente.

Quem não gostar disso tem uma opção: coloque o filho em uma escola que não adote os livros do Estado. 

Mas para mim o ponto final da discussão é : se realmente entrarem com alguma ação legal e for definido pela lei que tem que ter a nota, acabou a conversa. Goste-se ou não a lei deve ser obedecida e depois questionada. Ou vamos entrar na discussão do penalti novamente...</p>
<p>(Paulo Galo :: 
fev 20, 2011 11:57 PM)

Boa Noite Ana

Possua as seguintes características :
Meu tataravô por parte de mãe foi escravo ...
Meu tataravô por parte de pai chamava-ve Francesco Gallo ...

Aprendi com meus pais e com a vida algumas coisas...
Que o conhecimento é a maior virtude do ser humano
O conhecimento é a ÚNICA maneira de crescer .
Sem ele você não consegue desenvolver-se , expressar-se , escolher , etc.
Falar de racismo é alimentá-lo .
Calar-se é alimentá-lo .
ESTUDAR , Trabalhar com dignidade é vencê-lo .
Meu nome é Paulo Galo.
Não é Negro Paulo Galo,
ou Pai de família Paulo Galo,
ou Engenheiro Paulo Galo,
ou Filho de imigrante nordestino Paulo Galo ,
ou Paulistano Paulo Galo
é somente Paulo Galo .
Parece que tenho nariz largo , cabelos crespos e a pele escura , parece , pois não tenho muito tempo para me olhar no espelho . Aliás creio que todas as pessoas que vivem hoje no mundo ficam 0,01% do seu tempo em frente à um espelho .
Não entendo porque temos que nos intitular de negros ou palmerenses ou maçons.

Negro não é título , não é profissão .
Fala-se que a escravidão do Brasil (em 400 anos) matou cerca de 6 milhões de escravos .
Fala-se que Stalin matou 20 milhões de russos .
Fala-se que o  holocausto na 2a Guerra (em menos de 10 anos)matou a mesma quantidade de pessoas .

Quem capturou/prendeu/comercializou os escravos na Africa tinha A MESMA COR DA PELE que os escravos capturados.
Quem capturou/prendeu/assassinou os judeus na Alemanha/Polonia tinha A MESMA COR DA PELE que os judeus capturados.
Quem capturou/prendeu/assassinou os russos na antiga URSS  tinha A MESMA COR DA PELE que os russos capturados.
Na África do Sul brancos matam negros
Na África do Norte árabes matam árabes
Na África do (Meio) negros matam negros


Ódio é humano
O conhecimento é humano .

Não sei de quem é a frase mas "O maior inimigo do amor não é o ódio , mas a indiferença"

Se Monteiro Lobato ou Ziraldo ou Michael Jacson (não sei a cor dele) , ou os comerciantes negros de escravos negros da África não gostam/gostavam de negro, não dê ouvido à eles.

Vamos estudar , vamos crescer .
Sabe o que os judeus fizeram depois do holocausto... Estudaram e cresceram.
Sabe o que os descendentes russos assassinados pos Stalin fizeram depois da Revolução Russa fizeram...Estudaram e cresceram.
Não esqueceram o que sofreram . Não gostariam de passar pelo mesmo . Apenas estudaram e cresceram.
Façamos o mesmo.

Obrigado</p>
<p>(SôniaG. :: 
fev 21, 2011 12:22 AM)

Um conhecido, famoso e antigo livreiro me respondeu assim: o 'O Menino Maluquinho'? Tenho,ainda não li, mas deve ser a autobiografia do Ziraldo.</p>
<p>(Nisia :: 
fev 21, 2011 12:35 AM)

É simples fazer o teste. Quem não tiver filhos, e tiver paciência, que pegue os livros do Sítio pra ler. Os xingamentos, especialmente à Tia Nastácia, não estão somente nas Caçadas de Pedrinho. Há em outros também, e "negra beiçuda" é o menor deles.
Ao ler os livros para meu filho, volta e meia eu engasgava, e substituía as palavras, pulava trechos.
É inegável. Mesmo quando eu era criança, aquilo me causava estranheza. Isso que eu sou branca, e tinha uma avó constrangedoramente racista.</p>
<p>(Zarastro :: 
fev 21, 2011  2:40 AM)

O post faz uma confusão danada entre eugenia e racismo, e para mim é até estranho que num blog que se percebe tão "letrado" e onde quem discorda é sempre desafiado a postar "referências".
Eugenia se propunha a ser a "ciência" (entre aspas mesmo) que promoveria o melhoramento da humanidade através do descarte dos indivíduos mais fracos, como é perfeitamente explicado no ótimo e arrepiante documentário Homo Sapiens 1900. Diversos países europeus - principalmente Alemanha e países nórdicos - e os EUA tiveram práticas eugênicas por décadas a fio, sendo que na Suécia, elas se estenderam até o ano de 1975, na forma de esterilização dos indivíduos "inaptos". Logicamente, os racistas se apropriaram dessas ideias para dar um ar de respeitabilidade a suas próprias agendas odientas. Interessantemente, a prática do nudismo tem suas origens em práticas de eugenia, pois o mesmo era visto como uma maneira de não se "contaminar com as fibras industrializadas" e "promover uma interação direta do corpo com a terra". (Veja uma crítica de um dos livros a respeito.)

Outras provas de que a eugenia não se confunde com o racismo são os filmes feitos no início do século XX que propagavam suas ideias. O mais notório é o infame The Black Stork ("A Cegonha Preta"), onde um eugenista advoga abertamente o sacrifício de crianças "defeituosas" - não se cita em momento nenhum de que "raça" ou "cor", e a criança que se debate no filme - numa cena revoltante, de cortar o coração - é branca.

Outro caso emblemático foi o "The Negro Project", concebido  por Margareth Sanger, uma das pioneiras do campo da educação sexual e do controle de natalidade. É difícil encontrar opiniões não exaltadas ou encharcadas de religiosidade e fanatismo, mas o link que coloquei a respeito é uma boa introdução. Trocando em miúdos, o que aconteceu é que muitos líderes negros começaram a discutir sobre se deviam ou não adotar os preceitos de Margaret Sanger sobre controle de natalidade, de forma a formar famílias menores e mais fortes. Houve cientistas negros inclusive que escreveram artigos a respeito apoiando a iniciativa. E, novamente, é interessante ver que as práticas modernas de controle de natalidade e de liberação da mulher que a pílula anticoncepcional possibilitou também tiveram suas origens na eugenia.

Assim, concordo com o Ziraldo - quando ele diz que racismo sem ódio não é racismo. Entendo que o "racismo sem ódio" a que ele se refere é a eugenia, a qual era antes de tudo uma teoria pseudocientífica tida como importante em seu próprio tempo. Agora, daí a identificar a frase de Ziraldo com o racismo e o eugenismo de Monteiro Lobato usando um conjunto de frases de um livro tiradas de fora de seu contexto é desonesto. No mínimo, é tão simplista (e furado) quanto dizer que "Deus é amor, o amor é cego, logo Stevie Wonder é Deus". 

Mais: não faço a mesma leitura do desenho que a autora do texto. Para mim, a leitura seria que ambos têm suas qualidades, e que todos nós poderemos ser melhores se celebrarmos as qualidades de ambos - e aí, não me refiro só aos atributos físicos. (Ou a autora considera a mulata retratada como um ser não inteligente, só porque usa um recatado biquini branco, algo comum de se ver num bloco carnavalesco?)

Outras interpretações: a mulata é tão mais esperta que ML que conseguiu convencê-lo a abandonar seu eugenismo e cair no samba; ou ainda, as convicções de ML eram tão débeis, tão fracas - ou a força da cultura do negro e do mestiço, tão grande - que nem ele aguentou e caiu no samba.

Para finalizar, se não ficou claro até aqui: deploro o racismo. Não sei quantas vezes eu briguei com o meu pai por conta das grosserias racistas que ele falava. (Ele parou quando uma amiga minha, negra, linda, veio a um aniversário e por pouco ele não soltou uma besteira.) Deploro igualmente a eugenia, embora seja interessante como adotamos hábitos e soluções que tenham sido inspirados e preconizados por ela. 

Por outro lado, não dá para ficar jogando fora os bebês com a água do banho, e em minha opinião as últimas polêmicas deste blog só levam a isso. ML é um personagem importantíssimo da história do Brasil contemporâneo, e não se pode simplesmente desprezar as contribuições que fez e tentou fazer ao Brasil, que amava. Tem-se que avaliar o saldo não só de sua produção, mas também de seu legado. E seu principal legado foi inventar a literatura infantil brasileira, a qual praticamente inexistia. Dentro de seus defeitos e limitações, é um feito que nunca lhe poderá ser tirado.

Da mesma maneira, acho que a folha de serviços prestados pelo Ziraldo ao Brasil compensa em muito as várias gafes que produziu durante sua já longa vida. O simples fato de ele ter ousado enfrentar o regime ditatorial que assolava o país na época do Pasquim já o faz maior do que todos nós. Sua defesa de ML deve muito mais a Voltaire do que aos racistas e eugenistas. E quanto à suposta ironia do Ivan Lessa, eis o restante do texto do Ivan: interpretem como bem entenderem.

Pagaram uma miséria, os militares de então. O que agora, uns 30 anos mais tarde, foi devidamente corrigido. Mas corrigido que não é brincadeira. Corrigido para valer. Corrigido como não está no gibi. Ou como não está nos clássicos do humorismo da esquerda engajada feito os Zeróis, os Menininhos Maluquinhos, a turma do Pererê, o Flicts, a Supermãe, as anedotas de salão em brochura.

No spoonerism (todos ao dicionário) clássico de Millôr Fernandes: “A justiça farda mas não talha.”


Encerrando esse longuíssimo comentário, estou com a Juliana. Vitimizar a vítima de racismo só vai... Vitimizá-la. Ao invés, temos que dar a essa vítima - do passado, do presente e do futuro - mais instrumentos para que enfrente o racismo de frente. Não consigo crer que todas as pessoas sejam tão frágeis assim como você dá a entender - do contrário, você nem estaria aqui escrevendo esse texto e eu não o comentaria, como fiz.</p>
<p>(Zarastro :: 
fev 21, 2011  3:16 AM)

O post faz uma confusão danada entre eugenia e racismo, e para mim isso é estranho num blog que se percebe tão "letrado" e onde quem discorda da opinião do blogueiro (e dos que lhe são favoráveis) é sempre desafiado a postar "referências".
Eugenia se propunha a ser a "ciência" (entre aspas mesmo) que promoveria o melhoramento da humanidade através do descarte dos indivíduos mais fracos, como é perfeitamente explicado no ótimo e arrepiante documentário Homo Sapiens 1900. Diversos países europeus - principalmente Alemanha e países nórdicos - e os EUA tiveram práticas eugênicas por décadas a fio, sendo que na Suécia, elas se estenderam até o ano de 1975, na forma de esterilização dos indivíduos "inaptos". Logicamente, os racistas se apropriaram dessas ideias para dar um ar de respeitabilidade a suas próprias agendas odientas. Interessantemente, a prática do nudismo tem suas origens em práticas de eugenia, pois o mesmo era visto como uma maneira de não se "contaminar com as fibras industrializadas" e "promover uma interação direta do corpo com a terra". (Veja uma crítica de um dos livros a respeito.)

Outras provas de que a eugenia não se confunde com o racismo são os filmes feitos no início do século XX que propagavam suas ideias. O mais notório é o infame The Black Stork ("A Cegonha Preta"), onde um eugenista advoga abertamente o sacrifício de crianças "defeituosas" - não se cita em momento nenhum de que "raça" ou "cor", e a criança que se debate no filme - numa cena revoltante, de cortar o coração - é branca.

Outro caso emblemático foi o "The Negro Project", concebido  por Margareth Sanger, uma das pioneiras do campo da educação sexual e do controle de natalidade. É difícil encontrar opiniões não exaltadas ou encharcadas de religiosidade e fanatismo, mas o link que coloquei a respeito é uma boa introdução. Trocando em miúdos, o que aconteceu é que muitos líderes negros começaram a discutir sobre se deviam ou não adotar os preceitos de Margaret Sanger sobre controle de natalidade, de forma a formar famílias menores e mais fortes. Houve cientistas negros inclusive que escreveram artigos a respeito apoiando a iniciativa. E, novamente, é interessante ver que as práticas modernas de controle de natalidade e de liberação da mulher que a pílula anticoncepcional possibilitou também tiveram suas origens na eugenia.

Assim, concordo com o Ziraldo - quando ele diz que racismo sem ódio não é racismo. Entendo que o "racismo sem ódio" a que ele se refere é a eugenia, a qual era antes de tudo uma teoria pseudocientífica tida como importante em seu próprio tempo. Agora, daí a identificar a frase de Ziraldo com o racismo e o eugenismo de Monteiro Lobato usando um conjunto de frases de um livro tiradas de fora de seu contexto é desonesto. No mínimo, é tão simplista (e furado) quanto dizer que "Deus é amor, o amor é cego, logo Stevie Wonder é Deus". 

Mais: não faço a mesma leitura do desenho que a autora do texto. Para mim, a leitura seria que ambos têm suas qualidades, e que todos nós poderemos ser melhores se celebrarmos as qualidades de ambos - e aí, não me refiro só aos atributos físicos. (Ou a autora considera a mulata retratada como um ser não inteligente, só porque usa um recatado biquini branco, algo comum de se ver num bloco carnavalesco?)

Outras interpretações: a mulata é tão mais esperta que ML que conseguiu convencê-lo a abandonar seu eugenismo e cair no samba; ou ainda, as convicções de ML eram tão débeis, tão fracas - ou a força da cultura do negro e do mestiço, tão grande - que nem ele aguentou e caiu no samba.

Para finalizar, se não ficou claro até aqui: deploro o racismo. Não sei quantas vezes eu briguei com o meu pai por conta das grosserias racistas que ele falava. (Ele parou quando uma amiga minha, negra, linda, veio a um aniversário e por pouco ele não soltou uma besteira.) Deploro igualmente a eugenia, embora seja interessante como adotamos hábitos e soluções que tenham sido inspirados e preconizados por ela. 

Por outro lado, não dá para ficar jogando fora os bebês com a água do banho, e em minha opinião as últimas polêmicas deste blog só levam a isso. ML é um personagem importantíssimo da história do Brasil contemporâneo, e não se pode simplesmente desprezar as contribuições que fez e tentou fazer ao Brasil, que amava. Tem-se que avaliar o saldo não só de sua produção, mas também de seu legado. E seu principal legado foi inventar a literatura infantil brasileira, a qual praticamente inexistia. Dentro de seus defeitos e limitações, é um feito que nunca lhe poderá ser tirado.

Da mesma maneira, acho que a folha de serviços prestados pelo Ziraldo ao Brasil compensa em muito as várias gafes que produziu durante sua já longa vida. O simples fato de ele ter ousado enfrentar o regime ditatorial que assolava o país na época do Pasquim já o faz maior do que todos nós. Sua defesa de ML deve antes a Voltaire do que aos racistas e eugenistas. E quanto à suposta ironia do Ivan Lessa, eis o restante do texto do Ivan: interpretem como bem entenderem.

Pagaram uma miséria, os militares de então. O que agora, uns 30 anos mais tarde, foi devidamente corrigido. Mas corrigido que não é brincadeira. Corrigido para valer. Corrigido como não está no gibi. Ou como não está nos clássicos do humorismo da esquerda engajada feito os Zeróis, os Menininhos Maluquinhos, a turma do Pererê, o Flicts, a Supermãe, as anedotas de salão em brochura.

No spoonerism (todos ao dicionário) clássico de Millôr Fernandes: “A justiça farda mas não talha.”


Encerrando esse longuíssimo comentário, estou com a Juliana. Vitimizar a vítima de racismo só vai... Vitimizá-la. Ao invés, temos que dar a essa vítima - do passado, do presente e do futuro - mais instrumentos para que enfrente o racismo de frente. Não consigo crer que todas as pessoas sejam tão frágeis assim como você dá a entender - do contrário, você nem estaria aqui escrevendo esse texto e eu não o comentaria, como fiz.</p>
<p>(<a href="http://www.fonajune.com.br" rel="nofollow">Juliano Gonçalves Pereira</a> :: 
fev 21, 2011 10:35 AM)

Caríssima Ana;

Paradoxalmente fico muito contente e triste ao me deparar com sua reflexão reveladora, sincera e justa do quanto ainda temos trabahos a fazer para acabar com o racismo neste país.

Infelizmente nosso histórico e as provas do presente, prova que este país ainda está bloqueado para a participação horizontal das etnias presentes em solo nacinal.

Creio que leituras como essa que nos possibilita devam ser cada vez mais presentes para mudarmo um poruco do curso das ondas racistas ainda pesentes em nosso cotidiano.

Obrigado pela reflexão.

Atenciosamente;</p>
<p>(Eduardo Silva :: 
fev 21, 2011 10:52 AM)

Obrigado ! Obrigado por ser nossa voz, por abrir nossos olhos, por revelar tantas coisas. 
Gostaria muito que esse texto fosse publicado em todos os lugares, nas escolas, na tv, pois ao povo falta informação.
Obrigado mesmo.</p>
<p>(<a href="http://sociologando-on-line.blogspot.com/" rel="nofollow">Maria Cristina</a> :: 
fev 21, 2011 11:19 AM)

Os argumentos da carta tocam num ponto essencial do racismo “enrustido” de nossa formação societária. A possibilidade de tomar certas idéias comuns sobre as cores dos brasileiros de modo inofensivo, sem crítica, cai por terra quando se tem em mente o que a carta destaca, que é o sentimento de uma criança em sala de aula ao ver retratada sua condição social com menos respeito, por menor que pareça. O respeito igual é um direito básico. Sobretudo na infância. E é apenas um ponto de partida para se poder então se formar pessoas aptas a enfrentar as tantas competições e disputas pela vida afora. As lutas do dia a dia já são tantas que não são necessárias discriminações de base, como as raciais. Infelizmente, elas são fortes. Daí, portanto, a importância de as instituições (escola por exemplo) não abrirem mão do princípio do respeito e dignidade iguais.</p>
<p>(Glorya Ramos :: 
fev 21, 2011  4:01 PM)

Parabéns e obrigado por nos acrescentar tão importantes palavras e argumentos que nos fortalecem nesta luta de combate ao racismo, que encontra mais racistas e toma novos contornos, se sofisticando. Mas encontram em vc bravas guerreiras que podem dar respostas a altura e nos fortalecer para responder com força, sabedoria e muita competencia. Vamos usar toda a midia alternativa anti racista para soltar a sua, a nossa voz.
AXÉ!!!</p>
<p>(luiz carlos :: 
fev 21, 2011  4:19 PM)

Nós, precisamos disso!

Há anos,os não negros brasileiros falam em nosso nome. E se espantam, se enfurecem mesmo, quando discordamos.
Na segunda mestade do século XIX,Luiz Gama, poeta,político,jornalista e por que não dizer,pioneiro da negritude no país escravocrata, dizia que "todo escravo que mata o seu senhor, está agindo em legítima defesa."Pois é...

Um ditado popular sintetiza a pusilanimidade de uma parcela da intelectualidade brasileira não negra: Pimenta nos olhos dos outros é refresco, no nosso arde.

Valeu Ana.</p>
<p>(Lucila :: 
fev 21, 2011  5:49 PM)

Ana, você lavou a minha alma, pelos preconceitos sofridos por minha avó, uma mulata.</p>
<p>(Wagner Duarte :: 
fev 21, 2011  7:10 PM)

Ana e Idelber,

O texto, acachapante, de tão lógico e rico, já foi por demais comentado e esmiuçado aqui. Eu, normalmente, não comento, embora acompanhe sempre os posts e as discussões.

Mas senti, estimulado pelo comentário da Cynthia #168, que devia contar uma experitência pessoal.

Eu também li o "nosso" (?!) eugenista na infância, lá pelos 1965/1970, e adorei a fantasia e imaginação daquele universo paralelo que era o Sítio do Picapau Amarelo. Passei ao largo da crítica que ora se faz, e vivi com aquelas lembranças todas até 3 anos anos atrás quando, querendo apresentar as aventuras aos meus filhos, então com 6 e 5 anos, comecei a ler, para e com eles, as Caçadas de Pedrinho.

Antes até que eu pudesse perceber o que estava acontecendo, a minha filha reclamou do tratamento dispensado à Tia Nastácia, que não "podia ser tratada daquele jeito", e o meu filho reclamou da morte da onça, que, "coitadinha, tem que ser preservada".

Cobraram explicações, e não consegui convencê-los com a justificativa de que a história se passava em outro tempo, de outros valores. A solução foi uma releitura da estória, numa versão pessoal em que suprimi o racismo e os maus tratos, às pessoas e aos animais, para que sobrasse a aventura na "roça". Desta eles gostaram.

Ano passado, num bate papo com amigos, contei esta história. Na mesa estava um professor do Doutorado em Literatua da UFBA que, achando o episódio interessante e a abordagem espontânea das critanças, diferente, disse que o levaria aos seus alunos, como estudo de caso.

A historinha, muito simples, serve para valorizar e exaltar tudo que a Ana escreveu, de maneira tão eloquente e pungente. 

Obrigado, Ana. Agora posso explicar melhor aos meus filhos os "por ques" daquele enredo aviltante. Você foi brilhante, na mesma medida em que o Ziraldo foi (é?) opaco.</p>
<p>(<a href="http://viraminas.org.br/uaipod" rel="nofollow">Paulo Morais</a> :: 
fev 21, 2011  7:45 PM)

Oi Ana.

Acho que falta incluir nos comentários que o chilique da Globo em relação à tal "censura" tem a ver com o fato de as obras de Monteiro Lobato serem da Editora Globo.

Abraços</p>
<p>(Naná Sodré :: 
fev 22, 2011 12:57 AM)

Ana Parabéns! Texto fundamentado e brilhante vou divulgá-lo! Um forte abraço! </p>
<p>(Antonio Ramos :: 
fev 22, 2011  3:45 AM)

      Quero fazer meu comentário a partir de um caso muito semelhante: "As aventuras de Tintin" de Hergé. Muitos devem conhecer. Ícone na Bélgica, considerado o "Disney europeu" sua obra infanto-juvenil, composta de vários volumes em quadrinhos, foi traduzida para mais de 40 línguas, sendo um grande sucesso mundial. É um grande clássico que tem o seu valor positivo. Todavia, alguns volumes estão impregnados de racismo, antissemitismo, colonialismo e anticomunismo.
      Há muitas semelhanças com o caso em questão. Os títulos mais racistas foram criados entre as décadas de 1930 e 1950, no contexto da eugenia nazi-fascista da mesma época do Lobato, mas com o agravante de serem HQ's, muito mais apelativas às crianças e a todos. Foram feitas edições corrigidas, desenhos animados adaptados, mas os originais estão aí, e continuam sendo mundialmente vendidos. 
      O caso está sendo julgado pela justiça da Bélgica. Para maiores informações: 

Tribunal ouve autores de acção contra «Tintim no Congo»
2010-11-23 17:02:39 	
Bruxelas - Um tribunal belga ouviu esta segunda-feira, os argumentos expostos por um cidadão congolês e uma associação francesa, que sustentam que a banda desenhada «Tintin no Congo» é racista e ofensiva em relação aos africanos.
A acusação pretende proibir a história e não é propriamente um processo contra o autor da banda desenhada. «Não queremos que seja um julgamento contra Hergé (o desenhista belga do personagem), e sim contra uma época na qual o racismo estava ancorado nas mentalidades», declarou o advogado de um dos autores da acção, citado pela agência belga de notícias.
O processo aberto pelo cidadão congolês residente na Bélgica, Bienvenu Mbutu Mondondo, e pelo Conselho Representativo de Associações Negras (CRAN) de França, que querem proibir a venda de «Tintim no Congo», publicado em 1931. Os autores da acção procuram que, pelo menos, exigem que nas novas edições exista uma advertência que explique o contexto da época, quando a actual República Democrática do Congo era uma colónia belga.
(c) PNN Portuguese News Network

      Vou então colocar minha opinião pessoal: 
      O que estamos vivendo hoje é uma revisão histórica. Na era da internet, a censura, o banimento de uma obra, é impossível, pura ilusão.       
      Assim, o papel da educação fica ainda mais reforçado. Porque as crianças vão lá no site ver tudo, falo isso pela minha experiência como professor. Então, é lógico que não vai se trabalhar Monteiro Lobato numa classe de educação infantil, numa aula de literatura, este tema cabe melhor numa série mais adiantada, de fundamental II ou médio, em uma aula cujo tema transversal seja a própria questão do preconceito, dentro de um planejamento pedagógico, e não como muitos imaginam, de se utilizar a leitura do "Sítio do Picapau Amarelo" tal como se fazia com as crianças das gerações passadas. Quando o Lobato escrevia e as crianças liam, nem existia televisão. Elas brincavam na rua de pião, pipa, bambolê, bolinha de gude, futebol, carrinho de rolimã e soltavam balão. A criança de hoje vive num mundo completamente diferente. Ela tem acesso a absolutamente tudo através da mídia, inclusive a conteúdos muito alarmantes. Hoje é a própria criança que leva os temas para a sala de aula, daí então o trabalho tão fino e delicado do educador, que nas condições mais adversas ainda consegue explicar a um adolescente o que significa "contexto histórico". 
      A educação deveria começar é pelos pais das crianças, para saberem exatamente o que são os contos infantis que estão lendo para elas antes de dormir, se é que ainda tem o amor de fazer isso, ou deixam elas largadas e esquecidas assistindo televisão.</p>
<p>(Antonio Ramos :: 
fev 22, 2011 12:40 PM)

      Complementando meu comentário anterior, quero dizer que não estou jogando nenhuma "carapuça do saci", mas apenas dizendo que todos nós temos responsabilidade nisso, (pais, professores, autores, editores e mídia), pois o que estamos vivendo é uma revolução, um processo de releitura, revisão e reavaliação de valores do passado, que inclusive fizeram parte de nossa própria educação, uma grande mudança e revolução causada pela internet. Não podemos fechar os olhos para isso tomando opiniões parciais e extremas, porque toda obra de arte tem seu lado positivo e negativo, umas mais e outras menos, tudo vai depender é da leitura crítica e do respeito às diferentes opiniões. Há muitos desenhos do Pato Donald e do Pernalonga da época da Segunda Guerra que foram banidos por serem declaradamente racistas, mas eles estão no Youtube! Então não tem jeito, devemos todos ser professores, a começar de nós mesmos, estando abertos às mudanças que o mundo de hoje exige. </p>
<p>(Ananda :: 
fev 22, 2011  3:55 PM)

Oi Ana,

muito obrigada por este texto elucidativo.
Acho difícil acrescentar algo mais ao que já foi dito e re-dito aqui por você.
Idelber, sou fã eterna do seu blog.
Grande abraço,</p>
<p>(Talitha :: 
fev 22, 2011  6:20 PM)

Apoiada apoiadíssima! Tem muita coisa maravilhosa pra gente ler com as crianças, ninguém mais precisa "ficar reconhecendo o valor literário" etc. etc. etc. Criança não é crítico, o que interessa pra elas é o valor formativo, que passa pelo emocional, está centrado no emocional, sobretudo no início da infância.
Eu não tenho estômago pra ler o Monteiro Lobato, acho ele um seboso, e no mínimo desconfio dessa suposta nostalgia, desse saudosismo de Ruth Rocha e Ziraldo. "Ah, a minha infância..." A infância de vocês foi num mundo que não existe mais, dá licença. Que formou a parte boa a a ruim de vocês. Se tem uma porção de coisas que piorou pra caramba, ao menos deixem nossos filhos aproveitarem as poucas que evoluíram! Racismo é crime, não importa se o criminoso é "afetuoso" ou sincero.
Também agradeço à Ana pela paciência de explicar tão bem (que eu por exemplo não tenho mais), a lucidez e a coragem.</p>
<p>(<a href="http://blogdojuarez.amazonida.com/wp" rel="nofollow">Juarez Silva (Manaus)</a> :: 
fev 22, 2011  6:30 PM)

Bravíssimo Ana, já tinha lido uma resenha sobre "Defeito de cor" com grandes elogios ao estilo, vivacidade e comprometimento com as questões afrobrasileiras, mas ler o texto acima confirmou a fama..., parabéns também (e duplamente :-)) ao Idelber.

Falando em Lobato..., por coincidência recebi hoje um email-spam da editora globo dando o seguinte link : http://www.mundodositio.com.br/institucional/teaser.xhtml

Não é à toa que a "defesa" de Lobato tem sido tão forte por parte do poderoso grupo midiático, o "filão ML" apesar de já bem explorado pelo mesmo, ainda pode render uns bons trocados... 

Ah ! Idelber, sabes por acaso onde consigo uma cópia da velha lei sobre o a "declaração de defeito de cor" ? 

Abração !</p>
<p>(Vania Aires :: 
fev 22, 2011 10:26 PM)

 Obrigada pela luz que me iluminou através de seu texto. Estou sentindo vergonha por esses racista!
</p>
<p>(Diogo :: 
fev 22, 2011 10:43 PM)

Por que não demonstrar o racismo de Monteiro Lobato para leitores adolescentes ? Corta-se a recomendação para a leitura por crianças e se utiliza ele exatamente denunciando o racismo. Evita-se a censura (que é a prática menos eficiente para o caso), e enfrenta-se a questão de frente, sem se acovardar (e se acovardam mesmo os que gritam palavras de ordem aos ventos). </p>
<p>(Yure Romão :: 
fev 22, 2011 11:29 PM)

Excelente documento! Admirável!</p>
<p>(Natalia :: 
fev 23, 2011 10:42 AM)

Ana Maria, seu texto é primoroso! Estou divulgando no meu perfil de FB. Parabéns pela coragem! Sou fã do Ziraldo mas assino embaixo suas colocações.</p>
<p>(arnaldo :: 
fev 23, 2011 11:39 AM)

Discordo. Monteiro Lobato beijando a mulata é uma sacação genial em termos de mensagem anti-discriminatória, e Lobato foi um produto do seu tempo. Não que isso desculpe o racismo dele, mas a discriminação infelizmente faz parte do inconsciente humano, e exige um esforço consciente a fim de superar. E não é privilégio dos de pele clara, como comprovam os estudos do Project Implicit, da Harvard. É só fazer os testes online. Entendo a revolta sentida pelo preto (desculpem-me, mas acho a expressão "negro" artificial, hipócrita e paternalista) contra a discriminação, mas esse estigma tem que ser superado por todos nós. Juntos. De mãos dadas. Há pretos tão ou mais racistas que o Lobato. É uma questão de conscientização individual que envereda pelo filosófico e espiritual, e como política, futebol e religião é perda de tempo discutir, paro por aqui.</p>
<p>(Torreal :: 
fev 23, 2011 11:58 AM)

O texto é muito bom, muito bem embasado e sou favorável às políticas de inclusão social de negros e pobres. Mas nem por isso concordo com modificações em textos de qualquer autor que seja. Não adianta embelezar Monteiro Lobato com o que ele não é. Que ele seja um racista, eugenista e reconhecido como tal de acordo com o que escrevia. Que seu texto sirva de debate intenso nas escolas. Que se mostre às crianças que ele estava errado. Mas digo não a qualquer tipo de censura. Pois senão ninguém mais poderá escrever o que pensa, e portanto ninguém mais poderá pensar diferente de uma cartilha estabelecida. E esse direito é sagrado. Como Monteiro Lobato tinha direito de pensar como quisesse, desde que não cometesse atos racistas. Uma ideia pode ser defendida, qualquer que seja ela, por mais absurda que seja, por mais ignorante e falaciosa... E portanto pode também ser atacada. Mas que tenhamos direito às ideias e que disso, desse debate, a sociedade extraia o que for positivo. Sempre atraves do debate. E sempre com a verdade dos fatos. Racismo é uma merda e me orgulho de nascer num país mestiço, em que eu tenha sangue de tudo quanto é "raça". Sejamos então mais abertos ao debate, mais verdadeiros ao encarar a realidade, sem que nos utilizemos de ferramentas que maquiem os textos de tempos em que vingavam outro tipo de pensamento, atrasado, incorreto. Para que possamos evoluir precisamos entender o passado com a verdade, factual. Esconder isso não é positivo e gera distorções.
Ana Maria, parabéns pelo texto e por seus pensamentos coerentes. Mas ainda assim discordo de qualquer mudança nos textos de Monteiro Lobato. </p>
<p>(Everton Lima :: 
fev 23, 2011 12:01 PM)

Caríssima Sra Ana Maria Gonçalves,

parabéns pelo belíssimo, esclarecedor e contundente artigo.

Fico triste por ter a certeza de que o cartunista - assim como a maioria dos brasileiros - nunca irão reconhecer o seu racismo e - como disse alguém acima - não irá passar do primeiro parágrafo na leitura desse artigo. Fico mais triste ainda de saber que artigos como este não serão publicados em jornais de grande circulação e não terão espaço nas emissoras de TV porque "não interessa" este tipo de informação para a grande população.

E assim nós vamos seguindo, como bem disse o cartunista, com o nosso "racismo afetuoso" - uma contradição em termos - que nos faz "até" abraçar os negros, ter um amigo negro, achar um negro bonito, limpo, etc, etc, etc. Quantos de nós não já ouvimos isto: "Eu não sou racista, tenho até um colega negro!!!!!" 

Enquanto esse país não assumir seu racismo em relação aos negros vai continuar difícil a luta pelo combate e erradicação da discriminação e preconceito seja de que esfera for e é por isso que acredito na força das palavras, do gesto tocante de não se calar, mesmo que em alguns ou muitos momentos nos vejamos impotentes perante o grande monstro que é o preconceito.
E é nessas horas que leituras de artigos como o seu nos enchem de orgulho e alegria, nos encorajam a continuar acreditando na possibilidade de um dia isto acabar e nos fazem erguer a cabeça e seguir em frente pelo simples fato de saber que não estamos sozinhos nesta luta que as vezes me cansa, mas nunca me faz desistir primeiro porque sei meu valor, sei da minha dignidade e humanidade, sei do meu papel e da minha importância no mundo e pessoas como você Ana Maria me fazem afirmar isto com mais força e mais altivez.

Parabéns e Muito Obrigado.
Com respeito e grande admiração,

Everton Lima
Recife - PE</p>
<p>(<a href="http://apeninsula.blogspot.com" rel="nofollow">Clarisse Goldberg</a> :: 
fev 23, 2011  3:08 PM)

Chocada!
Que Monteiro Lobato, a quem tantos de nós dedicamos tanto carinho, tivesse esse pano de fundo.
E, mais au=inda, que escritores como Ziraldo justifiquem e perpetuem isso.
Chocada!</p>
<p>(Hermenauta :: 
fev 23, 2011  3:22 PM)

Idalba véio de guerra,

Como sabe ando afastado da blogoseira, não tenho lido muito blogs e muito menos comentado neles.  Mas esta é uma discussão importante, e que ao mesmo tempo, me deixa meio inquieto.

Deixe-me primeiro avançar minha posição quanto ao problema: sou contra o banimento do livro de Lobato das escolas.  E a favor de que sua leitura seja usada para formar consciências críticas.  Já vi pelos seus comentários aí em cima que você não concorda com esta opinião.  Normal.

Diante disso, porém, eu queria resgatar um trecho de um post seu em uma polêmica anterior, sobre as críticas de Ali Kamel a livros didáticos "de esquerda":

"Na maioria das vezes, quem grita contra lavagem cerebral ou doutrinação está julgando a inteligência alheia com o metro de que é capaz a própria. Em época de Google, falar de lavagem cerebral em 7a, 8a série – qualquer que seja o conteúdo do livro didático – é passar atestado de completa ignorância da realidade da sala de aula do século XXI, seja no Brasil ou em qualquer lado, em escola pública ou particular."

Tomei a providência de procurar saber em que série se utiliza o "Caçadas de Pedrinho" de Lobato.  Não achei muitas referências, nem mesmo no portal do MEC; em uma dissertação, uma mestra diz que ele é mais utilizado na quinta série.

Claro, a diferença entre a quinta e a sétima série pode mesmo ser grande do ponto de vista do equipamento cognitivo do aluno.  No entanto, não deixa de ser curioso notar que, por coincidência, um programa de TV popular aqui e mundo afora chama-se, justamente, "Você é mais esperto que um aluno de quinta série?".  E muita gente mesmo não é...

De qualquer forma eu acho _ julgando pelo que você mesmo disse no post sobre o Ali Kamel _ que o poder de fogo que você utilizou aí nos comentários é desproporcional à essa diferença cognitiva entre uma criança de 11 e outra de 13 anos.  Talvez você esteja usando dois pesos e duas medidas, não acha não? 

Grande abraço!</p>
<p>(Letícia :: 
fev 23, 2011  3:24 PM)

belíssimo texto e muito informativo também! descobri a misoginia do lobato quando escreveu sobre o trabalho da Tarsila. sempre o achei racista, ao ter acesso ao Sítio do Pica Pau... mas ler o que ele realmente escreveu e seu racismo declarado, me deu muito nojo da canalhice dele.

obrigada Ana, por ter tido estômago para ler tantas coisas terríveis e selecionar o suficiente para nós.

abraços e saudações!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 23, 2011  3:34 PM)

Salve, Hermenauta! Que prazer tê-lo aqui. A objeção é inteligente e pertinente, como sempre são as suas, e merece resposta. Ela vai meio na correria, mas vai. 

Acho, sim, que a diferença entre uma criança de 9 anos e uma criança de 11 anos é significativa, mas o grosso da minha resposta à sua objeção não seria isso. Seria outra coisa. 

No caso da minha crítica ao Kamel, lembremos, o contexto era uma suposta doutrinação esquerdista nos livros didáticos; ou seja, era algo que está no terreno das ideias, algo exterior aos sujeitos, às crianças ali presentes. 

No caso em questão aqui, estamos falando de textos que atingem diretamente a própria subjetividade da criança, textos que falam dela, da cor da pele dela, de quem ela é enquanto ser humano. E falam de uma forma que sanciona inclusive--com a autoridade que costuma ter o texto lido como "grande obra literária"--um bullying potencial, tremendamente traumático para uma criança de nove anos. 

Em outras palavras, mesmo que fosse verdade que os livros didáticos brasileiros apresentassem uma versão "comunista" da história nacional ou universal, os alunos de 11 anos têm muito mais elementos para questioná-la do que têm as crianças de 9 anos para se defenderem de uma representação da sua pele, da sua cor, do seu cabelo como algo subhumano. A coisa ali toca nelas, diretamente, e produz efeitos bem poderosos. 

Acho que é essa a diferença entre os dois casos. 

Abração e obrigado pela visita! </p>
<p>(<a href="http://semantica.blog.com" rel="nofollow">Andre</a> :: 
fev 23, 2011  5:00 PM)

Ótimas colocações, que estes fatos se perpetuem para mostrar SEMPRE que a raça deve ser uma, na construção da educação de todos. Obrigado.</p>
<p>(silvana :: 
fev 23, 2011  7:51 PM)

As vezes me pego a pensar como algo uma "simples leitura"pode ser danosa e perigosa.Peprodutora e legitimadora do racismo.Por isso enquanto educadora estou sempre a selecionar miniciosamente cada texto que vou apresentar para as minhas crianças, isso porém só acontece porque busco referências em profissionais como você Ana.Parabéns!!!!!!</p>
<p>(Iara Caldwell :: 
fev 23, 2011  9:54 PM)

Ana Maria,

Muitos de nós, certamente, já sabíamos da "fama" de Lobato, sobretudo quem é ligado a área de Letras como eu. Contudo, desconhecia o teor de suas declarações e de suas intenções( e quem sabe, práticas) tão explícitas a cerca do racismo.
Os trechos destacados por você neste texto, ilustram de forma brilhante a sua crítica ao Ziraldo, que a mereceu, como muitos a merecem. Como você bem coloca, o fez de "bode expiatório". 
Sem dúvida, não existem inocentes. Todos sabemos o quanto praticamos, ainda que apenas por uma repetição do que ouvimos e vimos a nossa vida inteira, o racismo. Nunca houve e hoje há menos ainda, espaço para esse tipo de comportamento, melhor, esse tipo de sentimento. Parabéns pelo texto. Eu não lia um tão bom e tão direto, há muito tempo. Muito obrigada.</p>
<p>(Augusto Barcelos :: 
fev 24, 2011  2:39 AM)

Prezada Ana,
Gostaria de Parabeniza-la pelo excelente texto e suas reflexoes.
Sinceramente,</p>
<p>(Giovane Sobrevivente :: 
fev 24, 2011 11:45 AM)

Poesia : Devolva a perna do saci 
Autor :  Giovane Sobrevivente 

Devolva a perna do Saci lobato 
Devolva a perna do Saci lobato 
Devolva a perna do Saci lobato 
Era uma tarde de sábado 
Onde todos jogavam uma pelada 
Na defesa 
Giovane limeira e maka 
No meio de campo Jocelha Lander  e Lindinalva 
No ataque Hamilton o saci e a tia Anastácia 
Der repente aconteceu a desgraça 
A cidade toda fechada 
Era monteiro lobato de moto cerra machado e faca 
Tia Anastácia foi seqüestrada  ficou revoltada e foi libertada 
O saci teve a perna serrada 
Derrepente apareceu Jorge conceição com toda boiada salvado toda negrada dizendo devolva a perna do saci lobato .


Giovane sobrevivente 
poeta 
ator 
Militante do MNU-BA
TEL 71-8808-4234</p>
<p>(Giovane Sobrevivente :: 
fev 24, 2011 11:48 AM)

Poesia : A revolta de Tia Anastácia 
Autor : Giovane  Sobrevivente 
Movimento Negro Unificado – MNU 
TEL – 71-8808-4234
 
 Tia Anastácia estar revoltada  
Tia Anastácia estar revoltada 
 Tia Anastácia estar revoltada  
Hoje eu estive com tia Anastácia 
Ela me desse que estar muito revoltada
Porque o Sitio do Pica-pau  Amarelo estar  tirando ele como  otária 
Ela faz os  bolinhos e Dona Benta recebe a medalha 
 Farinha de trigo tem que ser  Tia Anastácia 
   



</p>
<p>(veronica :: 
fev 24, 2011 12:14 PM)

PARABÉNS PELO TEXTO. FICO MUITO FELIZ DE TER ALGUEM QUE POSSA EXPRESSAR TAO BEM O QUE É SOFRER POR SER NEGRO.OBRIGADA!MARAVILHOSO!</p>
<p>(<a href="http://www.docenciaonline.pro.br" rel="nofollow">Méa</a> :: 
fev 24, 2011  1:11 PM)

Ana seu texto é lindo, competente e um case de argumentação engajada, encarnada...Parabéns!
Edméa Santos
Professora do PROPED-UERJ</p>
<p>(<a href="http://clubecaiubi.ning.com/profile/HAROLDOOLIVEIRA" rel="nofollow">Haroldo Oliveira</a> :: 
fev 24, 2011  2:32 PM)

Oi Ana!
Nunca algo me havia sido tão impactante quanto o seu texto. É de uma profundidade e de uma dimensão imprescindível para quem quer compreender, e principalmente saber se defender desse cancer que é a "Democracia Racial Brasileira".
HAROLDO OLIVEIRA.
Produtor Musical, compositor, poeta e músico.</p>
<p>(Tania Muller :: 
fev 24, 2011  2:42 PM)

MARAVILHOSO. DISSE TUDO!!!!!!</p>
<p>(Hermenauta :: 
fev 24, 2011  4:39 PM)

Grande,

Bem, eu acho que estamos falando de duas coisas diferentes.

Ao fazer uma diferenciação entre o efeito do texto racista sobre a criança negra, e o efeito do texto "esquerdista" sobre a criança em idade escolar, você está chamando a atenção para a gravidade relativa do problema _ DADA a existência do efeito.

O que eu quis dizer foi que o seu próprio texto anterior nos levaria a crer que o efeito em si simplesmente não existe.

Pessoalmente, acho que sua posição anterior está mais próxima da verdade, no geral.   E que um uso mais crítico dos textos por parte dos professores resolveria o resto desse problema em particular (porque, por exemplo, nem todo mundo tem ampla disponibilidade de informação em casa, um problema mais pronunciado entre os mais pobres _ que entre nós infelizmente são de fato os negros).

Além disso, fiquei olhando a lista dos livros do MEC e pensando quantos daqueles livros e autores escapariam de um olhar mais arguto. Mesmo em uma obra célebre de ninguém menos que Machado de Assis, ele mesmo negro, consta a seguinte passagem, tratando da repartição da herança do pai do personagem principal, Brás Cubas:

"Estava tão agastado, e eu não menos, que entendi oferecer um meio de conciliação; dividir a prata. Riu-se e perguntou-me a quem caberia o bule e a quem o açucareiro; e depois desta pergunta, declarou que teríamos tempo de liquidar a pretensão, quando menos em juízo. Entretanto, Sabina fora até à janela que dava para a chácara, — e depois de um instante, voltou, e propôs ceder o Paulo e outro preto, com a condição de ficar com a prata; eu ia dizer que não me convinha, mas Cotrim adiantou-se e disse a mesma coisa.

— Isso nunca! não faço esmolas! disse ele."

Outra passagem do livro:

"Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir; gemia somente estas únicas palavras: — “Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!” Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.

— Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado!

— Meu senhor! gemia o outro.

— Cala a boca, besta! replicava o vergalho."

Ambas são cenas que você há de convir, são indigestas para nosso paladar atual.

Enfim, e para não prolongar muito a discussão: eu não fico confortável com propostas cuja consequencia acaba sendo, inadvertidamente ou não, camuflar e esconder as cicatrizes do nosso passado coletivo, as coisas feias e as coisas belas que entretanto estão inextricavelmente entretecidas no grande tapete de nossa cultura.  Posso parecer antiquadamente idealista, mas ainda acho que o Sol é o melhor detergente.

Grande abraço para você e para a Ana!</p>
<p>(luiz carlos gá :: 
fev 24, 2011  6:04 PM)

DEMOCRACIA E CENSURA São as duas palavras mais usadas convenientemente pela elite branca e reacionária.

Segundo essa elite, eleiçõe diretas por exemplo é o que vai garantir a democracia nas ditaduras não alinhadas com os EUA e Europa, porém essas mesmas eleições não são suficiente para o reconhecimento da Venezuela como um pais democrático.

O caso do Lobato é tão sério que merecia mesmo ser censurado, pois a obra dele é criminosa, racismo é crime, está na lei, permitir que Monteiro Lobato permaneça em sala de aula é no mínimo cumplicidade com o crime.

Mas podemos também não censurá-lo e considerá-lo como inadequado para crianças, como qualquer programa ou filme violento ou pornográfico.

Que tal contextualizar Nelson Rodrigue para as criancinhas do primeiro grau.

Estou sugerindo ao Ziraldo que contextualise Os 7 Gatinhos para sua próppria neta.  </p>
<p>(<a href="http://lattes.cnpq.br/2983731246083721" rel="nofollow">Washington Carlos Oliveira</a> :: 
fev 24, 2011  6:39 PM)

Parabéns a autora e ao blog.
Parabéns a todos os comentadores (caramba, quanto tempo investi  pra ler os 261 comentários anteriores, mas a qualidade do  debate me fisgou); aprendi muito sobre o tema do preconceito, eugenia, racismo e sobre leitura, interpretação, irritação, paciência, decepção, cuidado, ampliação de referências...


Apesar de parecer uma questão centrada no preconceito, me parece que Ana Gonçalves está nos impulsionando a mergulhar fundo em nossa fé/prática democrática. Me parece que na questão racial a proposta apresentada é irretocável: desvela e fundamenta a visão estratégicamente preconceituosa de Lobato e traz uma proposta concreta:

 “Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas...”
Não há qualquer  referência à proibição de livro, caça às bruxas, censura ou coisa parecida. O que incomoda é que o modo  como isso é colocado não nos permite fingir que isso, também, nos diz respeito. Mexe com todos nós. Não é uma questão que envolve só os negros. Tem a ver com a inclusão de novos contingentes participativos, tem a ver com partilha de poder. Tem a ver com projeto de nação, incluindo pequenos e grandes atos do cotidiano.

O conteúdo do texto (e quase a totalidade dos comentários) é luz que transforma as trevas da nossa ignorância. A questão do “racismo cordial brasileiro” consegue  agregar tanta crueldade que consegue ser, ao mesmo tempo, perversa, dolorosa e silenciosa - tanto para quem sofre diretamente quanto para quem se esforça (muito) para ignorá-la – ou para adiá-la.

Tenho 52 anos e só aos 36 fui descobrir que era negro. Até então, desfrutava da ignorância de me considerar moreno e, até, ser solidário pela luta dos negros (lá, eles). Os primeiros anos não foram fáceis; mas quando compreendi que não  foi apenas uma fraqueza/ocultação pessoal e familiar, e sim uma estratégia de sobrevivência (muito comum, por sinal) de uma família pobre que queria que seu filho fosse alguém na vida – como os pretos eram humilhados  e tinham menos oportunidade, então minha família não se identificaria  com aquilo. Atravessar esse véu do “racismo cordial” sem ser seduzido por usar da mesma violência  que ele vem se utilizando há séculos  um desafio a mais.

Para a maioria  dos acomodados (sejam opressores, vítimas, indiferentes, de direita, de esquerda...) seria mais conveniente a manutenção da “suposta invisibilidade” do negro (e por extensão das demais miniorias políticas). Entretanto, a crescente democracia brasileira já não permite deixar  tanta coisa embaixo do tapete e a aurora já começa a se apresentar. 

Grato Ana Gonçalves e Idelber por contribuírem com mais um raio  de sol para o fim dessa noite escura. Vocês estão  ajudando a dar uma grande sacudidela que derruba máscaras, dessacraliza mitos e escancara a urgência do autoconhecimento pessoal e social. 
Mantenham-se firmes no modo fundamentado, consistente e ao mesmo tempo suave e acolhedor da diversidade. Foi estimulante conhecer o blog. 
</p>
<p>(<a href="http://blogafora.blogspot.com/" rel="nofollow">Marcia W.</a> :: 
fev 24, 2011  7:02 PM)

Ana, Idelber,

1. Vi o gorjeio sobre a matéria no Globo, fui ver. Segundo eles, a carta aberta foi postada "num blog", assim sem nome nem link! Seja como for, parece que nem desenhando, fazendo mímica, tem gente que nem sequer finge que não tá nem aí e só acha um saco esse pessoal com mania de copiar o PC dos gringos, além de quererem cotas ainda vão atrapalhar o carnaval deles.
2. Até o Hermê apareceu! Ana tem poder!</p>
<p>(Chico Mendes :: 
fev 24, 2011  7:15 PM)

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/02/24/em-cada-tres-assassinatos-no-brasil-dois-sao-de-negros.jhtm</p>
<p>(Ana Paula :: 
fev 25, 2011  1:15 AM)

Realmente uma vergonha Ziraldo!!! </p>
<p>(Hermenauta :: 
fev 25, 2011  9:46 AM)

Só mais uma coisa, que me ocorreu hoje cedo, e eu paro de encher o saco.  :)

O Pedro Malan tinha uma frase interessante: de que no Brasil até o passado é incerto.  Bom, talvez essa frase não seja tão inovadora assim para um historiador.  A despeito disso, com a pobre da literatura ocorre algo completamente diverso: ela está fixada no papel, não tem como escapar, o que foi dito, está dito para sempre (ou até que se queimem os livros e os "tablets"...).

O problema é que o Zeitgeist muda. O que aliás é até bom.  Mas só que de repente, se perdermos as rédeas dele, corremos o risco de acabar vendo uma parte apreciável do nosso patrimônio transformar-se em material censurável, algo vergonhoso e digno de opróbio.  Não sei porque mas essa possibilidade me lembra um pouco a distopia de "1984".

Por outro lado, para ser totalmente honesto, não podemos deixar de pensar nas fábulas infantis medievais, que eram MUITO mais sinistras do que as versões "adocicadas" que temos hoje (sendo a Chapeuzinho Vermelho um caso clássico).  Vai ver, quem sabe, estamos passando por um processo parecido.

abração!</p>
<p>(Janaina :: 
fev 25, 2011 11:52 AM)

Que texto lindo!

Obrigada, Ana.</p>
<p>(Francisco Barbosa de Souza :: 
fev 27, 2011  1:46 AM)

Sei que existe muitos escritores maravilhosos, mas fazia tempo que não lia um texto tão exuberante.

Francisco,

Parabéns professora Ana Maria Gonçalves</p>
<p>(Ralph :: 
fev 28, 2011  2:02 AM)

Defender um réu confesso? Lobato era racista, isto é fato, não adianta espernear. 

"sem dúvida, um homem de seu tempo..." 
Ser racista foi uma decisão dele, poderia ter escolhido o outro lado (como muitos fizeram). 

Muito infantil da parte dos defensores do Lobato tentar passar uma imagem de "bobinho" dele. 

"Fi-lo porque qui-lo" Diria ele se estivese vivo.

Seguindo a lógica do "bons artista podem tudo", vamos fazer um bloco para o terceiro reich. 

E Ziraldo desenhar lobato com uma negra foi pura canalhice, Canalha. 

É a escola ensinando que o branco é superior. Isso eles adoram.

Que é mestre em censura E MANIPULAÇÃO é a globo:

*DITADURA MILITAR
*MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE
*LIVROS DE História DO MARIO SCHMIDT

"NÃO SOMOS RACISTA"

"Comerciante que matou estudante por causa de racismo vai a juri popular"

http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=33457
 

Ali Kamel, os bons tempos(pra vcs) do Homer Simpson, ACABOU! 
Agora é Lisa, é Bart.

Nós estamos vendo as sacanagens.
Vocês vão pagar!
</p>
<p>(Maria de Fatima :: 
mar  1, 2011 12:32 PM)

Sou mulher, negra, 58 anos. Com persistencia,passei no enem e no vestibular e desde o ano passado estou cursando Lic. Ciencias Sociais na UFRJ.
No período passado cursei a materia; Pensamento Social Brasileiro. Li vários pensadores brasileiros:Paulo e Caio Prado, Oliveira Viana,S. Buarque de Holanda,Silvio Romero,Gilberto Freire, Florestan Fernandes(ñ deu tempo). Fiquei chocada com a crueldade dos termos usados para descrever o povo brasileiro. Emocionada, sem conseguir conter as lágrimas, critiquei alguns autores.A professora falou desta tal contextualização...Curiosa quiz ler como os escritores franceses, estes são referencias academicas universal, se referiam ao seu povo.Iniciei por dois romances; Os Miseráveis e o Conde de Monte Cristo. Que diferença!!!
Comecei a ler o romance Um Defeito de Cor...pura SERENDIPIDADE, Ana Maria Gonçalves. Muito prazer em te conhecer. Parabens
</p>
<p>(angelina castro :: 
mar  1, 2011  8:24 PM)

Quer dizer que, agora, o escritor não tem mais valor algum, que não trabalhou pelo desenvolvimento econômico-social e intelectual do povo brasileiro, nas campanhas em prol da saúde pública, da nacionalização do petróleo, da autonomia de nosso pensamento, através de sua escrita libertadora e de seu enorme esforço para divulgar livros, num país que importava ideias de fora. É preciso que nos recordemos da lições da História: na década de 1910, nossa gente via o Brasil com lentes embaçadas que deformavam a realidade brasileira.

Para que possamos emitir um julgamento criterioso sobre Monteiro Lobato, é necessário fazer uma leitura atenta de sua obra completa (infantil e adulta) a fim de constatar a evolução de seu pensamento. Ele participou do movimento eugenista, sim, mas o abandonou logo que surgiu o livro de Gilberto Freire "Casa Grande & Senzala". 

Ele próprio nos conta isso no prefácio que fez para a biografia de Gilberto Freire, escrita por Diogo de Melo Menezes. Vejam só e me digam o que acham dos condicionamentos a que fomos sujeitos e ainda somos expostos hoje.

  "Em todos esses capítulos da futura 'História do Brasil' outra coisa não fez Gilberto senão revelar-nos a nós mesmos, contar o que somos, e porque somos assim e não de outro modo. Toma-nos a mão, como Virgílio tomou a de Dante, e vai nos ensinando a ver claro as coisas do Brasil. E nós abrimos a boca, porque, apesar de 'sermos Brasil', várias crostas, sobretudo a do narcisismo, nos têm impedido de ver-nos sem esta ou aquela tendenciosa deformação da realidade. 
 Gilberto Freyre tem o destino das Grandes Esclarecedores. Antes de sua amável e pitoresta lição, vivíamos num caos impressionista, atrapalhadíssimos com os nossos ingredientes raciais, uns a negá-los, como os que têm como 'patriótico' esconder o negro, clarear o mulato e atribuir virtudes romanas aos índios, outros a condenar isto em nome daquilo - tudo impressionismo dum ingenuidade absoluta e muito revelador da mais completa ausência de cultura científica na nossa gente culta e até em nossos sábios." ("Prefácios e entrevistas",p.84-85)
   
Enfim, considero a iniciativa do debate muito oportuna num país que está dando seus primeiros passos no sentido de desenvolver uma democracia plena. E nós podemos auxiliar nesse processo de democratização, exercitando nossa própria voz. Afinal,era isso mesmo o que o escritor almejava.  

 E, se a obra de Monteiro Lobato nos têm estimulado à discussão, parabéns a ela!... 
 
 </p>
<p>(<a href="http://www.animatunes.com.br/animacoes/?a=2010/08/05/" rel="nofollow">elias</a> :: 
mar  2, 2011 11:10 AM)

eu sou o melhor no dd tank e vc</p>
<p>(Aldo Guerra :: 
mar  2, 2011 12:00 PM)

 A lucidez do texto é exemplar. Alguém precisava desmascarar o lado sórdido de Lobato e o fanfarrão do Ziraldo. Perfeito e sem ódio.</p>
<p>(<a href="http://ivancarlo.blogspot.com" rel="nofollow">Gian Danton</a> :: 
mar  2, 2011  6:31 PM)

Estão vendendo a ideia de que Lobato era uma espécie de Hitler brasileiro. Pior: com frases cortadas, descontextualizadas, sem referência de página que permita ir atrás do contexto original. É possível provar qualquer coisa pegando frases descontextualizadas. Veja, por exemplo, o site Porra, Maurício. No livro A reforma da Natureza, Tia Nastácia é chamada à Europa para dar conselhos aos líderes mundiais. Um escritor racista escreveria isso? </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  6:36 PM)

"Frases descontextualizadas"? Neste post? Quais? </p>
<p>(<a href="http://ivancarlo.blogspot.com" rel="nofollow">Gian Danton</a> :: 
mar  2, 2011  7:07 PM)

Idelber, 
várias frases citadas começamm pela metade. E não há uma referência que me permita ir atrás do texto original. A carta citado a Kun Klus Klan, por exemplo: procurei no livro cartas escolhidas e ela não aparece. Se a carta foi publicada, é básico citar a fonte. Se a carta não foi publicada, a autora deveria citar como conseguiu essa carta inédita (foi com os parentes do Lobato?). É princípio científico básico. E, se a carta não foi publicada, isso não indica que Lobato teria se arrependido do que escreveu, assim como se arrependeu de sua opinião original sobre o Jeca? E como isso se relaciona com a forma como a Tia Nastácia é mostrada na obra infantil, sendo convidada a dar conselhos para líderes mundiais? E fico espantado ao ver gente dizendo que Lobato usava uma motoserra (#254)! Lobato foi o primeiro escritor brasileiro que falou da importância de preservar a natureza. Em tempo: Lobato, ao contrário do que é dito em vários comentários, não diz que Tia Nastácia era fedorenta. Ele diz que o urubu era fedorento... vocês é que estão fazendo essa associação. Enfim: é mais fácil demonizar Lobato, dizer que ele usava motoserra, que escreveu sua obra para difundir o racismo nazista do que discutir a sério o preconceito. Ah, sim: eu concordo que o livro As caçadas de Pedrinho deveria vir com uma nota, assim como vários outros livros da época. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  7:17 PM)

Quanto à carta citando a Ku Klux Klan, era só ter lido a caixa de comentários: 

Roberto, #132, a carta é citada na página 125 da tese "Eis o mundo encantado que Monteiro Lobato criou: raça, eugenia e nação" defendida Paula Arantes Botelho Briglia Habib do departamento de História da UNICAMP. Está citada da seguinte maneira: "Carta de Monteiro Lobato a Arthur Neiva. N.Y. 10/04/1928. Arquivo Arthur Neiva. Código 39"

A tese pode ser baixada daqui: http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls000290012


A carta efetivamente consta do Arquivo Arthur Neiva. </p>
<p>(<a href="http://ivancarlo.blogspot.com" rel="nofollow">Gian Danton</a> :: 
mar  2, 2011  7:41 PM)

Idelber, obrigado pela referência, mas é bom lembrar que a obrigação da autora era colocá-la NO TEXTO. Por favor, pode me indicar as referências das outras citações? Pode, por exemplo, indicar a fonte da carta ao Renato Kehl? 
Em tempo: o fato dessas cartas não terem sido publicadas não indicam que Lobato mudou de opinião sobre o conteúdo delas? 
E, por favor, alguém pode me explicar como Lobato, sendo tão racista, coloca os líderes mundiais para pedirem conselhos a ela? A sequência está logo no primeiro capítulo do livro A reforma da natureza...</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  7:46 PM)

Pode, por exemplo, indicar a fonte da carta ao Renato Kehl? 

Sabe aquela coloração verde que aparece antes da referência ao Kehl? Se você passar o mouse sobre ela--voila!--a palavra se transforma num link. Você clica nela. Eis a fonte. </p>
<p>(<a href="http://ivancarlo.blogspot.com" rel="nofollow">Gian Danton</a> :: 
mar  2, 2011  7:47 PM)

Em tempo: eu não sou contra a introdução de uma nota no livro As caçadas de Pedrinho. Pelo contrário, acho que pode ser colocada, assim como em outros livros, de Lobato ou não. Como já foi demonstrado, até Machado de Assis era racista. Essas notas podem explicar o contexto social em que a obra foi escrita. Só o que não concordo é com esse processo de demonização de Lobato e sua obra. Estão pintando-o como um Hitler brasileiro, capaz de usar moto-serra para cortar a perna de um negro! </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011  7:58 PM)

Outra coisa: ninguém aqui tem "obrigação" de nada. Este é um espaço pessoal, editado. Jornais e revistas citam todo santo dia sem oferecer bibliografia nem número de página. Este espaço oferece, como prova da correção de suas citações, uma abundância de links e a história de sua credibilidade. Se acha que alguma citação não está correta, corra atrás e prove. Mas imagino que pedir que alguém que sequer leu a caixa de comentários vá a um arquivo, ou consulte uma tese, é querer demais, já sei. </p>
<p>(Gleyde :: 
mar  2, 2011  8:46 PM)

Ana, não te conheço mas vc já é a minha escritora.
Atitude admirável.
Parabéns! Gleyde.</p>
<p>(Renata Lins :: 
mar  2, 2011  9:59 PM)

Meu problema é outro, como sempre quando se fala em mexer, "consertar", reescrever, transformar obras de outrem. E se resume no seguinte, que pode parecer óbvio - e no entanto -: quem decide o que é certo?</p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011 10:02 PM)

Não querendo ser redundante, mas já o sendo, alguém queira fazer o favor de OUVIR a parte o comentário do Gian:

"E, por favor, alguém pode me explicar como Lobato, sendo tão racista, coloca os líderes mundiais para pedirem conselhos a ela ( Tia Nastácia)?"

Seria muito bom ler o que a Ana tem a sofismar sobre isso! </p>
<p>(<a href="http://ivancarlo.blogspot.com" rel="nofollow">Gian Danton</a> :: 
mar  2, 2011 10:17 PM)

Idelber, pelo jeito, foi você que não leu a dissertação de Paula Habbib: Logo na introdução (p.16), ela diz que o objetivo da obra é enxergar Lobato em seu tempo histórico, como um sujeito que viveu intensamente seus equívocos e contradições. Ou seja: ele é fruto de uma época racista, em que uma mulher negra como Nastácia não poderia ser retratada como uma bem-sucedida executiva internacional. Vale lembrar que nas novelas brasileiras há até bem pouco tempo, todas as negras eram retratadas como empregadas domésticas. Aliás, a própria autora, embora defenda que Lobato era adepto da eugenia, admite que não existe consenso sobre que tipo de eugenia seria. Há, na própria dissertação, exemplos e mais exemplos de que Lobato seria adepto da corrente eugenista que previa a melhoria da população através de medidas higiênicas (ex: p. 57,p. 100). Claro que a autora toma partido da versão de que a eugenia de Lobato era racista, mas há várias contradições nesse argumento. Na página 90, por exemplo, ela argumenta que a revolta de Lobato contra o tratamento dado aos negros durante a escravidão é prova de racismo. Na página 103, ela mesma diz que o romance O choque das raças não previa a esterilização dos negros. Aliás, pode-se perguntar se Lobato, ao prever que os negros correriam para alisar os cabelos não estaria prevendo um auto-preconceito (p.103). Na página 120, ela dá uma opinião, apenas opinião, de que o editor americano de O choque das raças preferiria que o romance se  resolvesse com o assassinato de negros. É puro achismo, especulação da autora. Não é mostrado nada que prove isso. E, mesmo que fosse, isso expressaria o desejo do editor norte-americano, e não de Lobato, o que, sem dúvida alguma, não autoriza a pensar, como tem-se feito aqui, que Lobato gostaria de usar uma motoserra para cortar pernas de negros. A carta em que Lobato fala da KKK é contextualizada na dissertação da Paula, e escondida aqui: Lobato, em plena campanha pelo petróleo e aço nacinais, começa a receber ataques de jornais cariocas, que publicam mentiras sobre ele (é bom lembrar que ele seria até preso por defender a nacionalização do petróleo). A forma como ele escreve é imperdoável, mas é necessário contextualizar a situação em que o texto foi escrito. Voltando à dissertação, há  vários momentos questionáveis. Por exemplo, na página 139, ela diz que o fato de D. Benta e Tia Nastácia irem à Europa dar conselhos aos políticos locais é exemplo de que Lobato alinhava com o totalitarismo (?). O fato de Tia Nastácia ser considerada de grande sabedoria no mesmo livro é simplesmente jogado para baixo do tapete, pois não convinha à tese da autora. Na página 141, na análise da conversa de D. Benta com Péricles, o fato da senhora discursar contra a escravidão é mostrado como prova de racismo. Ou seja: o texto-base, de onde a Ana tira suas conclusões, é passível de críticas e tem contradições. Não é uma verdade universal. Aliás, o texto da Paula não autoriza concluir que Lobato era uma espécie de Hitler tupiniquim ou que dar sua obra para que crianças a leiam vá transformá-las em eugenistas-nazistas, versão que parece ser bem aceita aqui. </p>
<p>(Joselito :: 
mar  2, 2011 10:19 PM)

Ana Maria, parabéns!

Hoje, depois de ler a sua carta, vou ter uma excelente noite de sono.

Continue a nos premiar com essas reflexões para que possamos, talvez, criar um país SEM RACISMO.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 10:40 PM)

Uau, Gian, duas horas atrás você não sabia da existência da carta do Monteiro Lobato ao Kehl! Nem de nenhuma fonte que a citasse! E agora, que eu lhe entreguei a fonte, você pinça citações da tese pra tentar nos provar que "não existe consenso sobre que tipo de eugenia seria"! Eu-ge-nia. 

Perfeito. Tá. Busque outro para entreter sua trollagem.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 10:48 PM)

Não querendo ser redundante, mas já o sendo

Com certeza, Marcelo, foi tremendamente redundante. Essa pergunta foi respondida 50 vezes na caixa de comentários. É só saber ler. 

</p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011 10:51 PM)

Com o perdão da minha possível ignorância, Idelber, mesmo tendo lido TODA a caixa de comentários, mas não vi aí a resposta. O Gian foi o primeiro que trouxe essa informação e o questionamento.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 10:53 PM)

E você perdoará a minha falta de paciência, Marcelo. São 290 comentários. O que eu tinha a dizer está dito. </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011 11:06 PM)

E não vejo as intervenções do Gian como trollagens. Basta ler o texto dele sobre o assunto, no Digestivo Cultural.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  2, 2011 11:15 PM)

Perfeito, Marcelo, concordemos em discordar então. 

Eu me reservo o direito de ver "como ML pode ter sido racista se publicou Lima?", "como ML pode ter sido racista se tinha amigos negros?", "como ML pode ter sido racista se Tia Anastácia é um personagem simpático?", "como ML pode ter sido racista se escreveu 'O Presidente Negro'?" como variações da mesma pergunta, da mesma cantilena denegadora. Você não vê relação entre essas perguntas, já amplamente respondidas aqui, eu respeito. 

Mas por favor não espere que depois de duas semanas, às vezes dias a fio respondendo perguntas formuladas sob a mesma lógica, eu ainda tenha a paciência de ficar debatendo com alguém que vem aqui dizer qual é a minha obrigação no meu blog, confessar ignorância sobre fontes, duvidar da honestidade da citação da autora, esperar que lhe entreguemos número de página, e volta uma hora depois com sofismas pinçados da fonte que lhe foi entregue, e da qual ele havia duvidado. 

Não me interessa em absoluto convencê-lo. </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  2, 2011 11:33 PM)

Tá bom, Idelber, eu concordo! É um assunto desgastante, e sei do seu papel de anfitrião no negócio. Tenho visitado os blogs em que esse excelente texto da Ana tem repercussão, o que indica que a coisa extrapolou os limites das duas semanas e do Biscoito, o que é ótimo. Afinal o Gean ficou horas debruçado sobre o assunto para escrever o texto dele, não na mesma proporção que a Ana, que é uma especialista, mas com a mesma honestidade de intenções. Tenho por mim que esse é um aspecto positivo à discussão.</p>
<p>(<a href="http://doutormiranda.blogspot.com" rel="nofollow">Leonardo Fazito</a> :: 
mar  3, 2011  6:18 AM)

Afinal o Gean ficou horas debruçado sobre o assunto para escrever o texto dele, não na mesma proporção que a Ana, que é uma especialista, mas com a mesma honestidade de intenções.

Você vai me desculpar, Marcelo, mas não me parece que seja a mesma honestidade, não. A Ana é pesquisadora sobre o tema do racismo há muito tempo, já escreveu muito sobre isso, livros até, veja você.

Já o Gean, ao que parece, está só trollando mesmo. "Pelo menos leu a dissertação", poder-se-ia argumentar em seu favor. Mas o fez com o propósito único, e o Idelber já falou isso aqui, de pinçar trechos eventualmente contraditórios e tentar desconstruir o texto da Ana. Repare que o cara nem se preocupou em procurar por conta própria algum texto que eximisse o Zé Bento de ser eugenista, ou racista, e tal. Isso é honesto? Difícil de afirmar categoricamente, não?

Logo, tem um abismo entre a honestidade de um e de outro. Junte-se a isso o tempo, o volume de comentários (aqui e alhures, você mesmo reparou) e a trollagem descarada, se não rolar de entender a preguiça do dono do boteco, fica complicado.</p>
<p>(aiaiai :: 
mar  3, 2011 10:30 AM)

Mestre Idelber,

se me permite, gostaria de responder ao gian apenas num aspecto. Ele finaliza assim:

"Aliás, o texto da Paula não autoriza concluir que Lobato era uma espécie de Hitler tupiniquim ou que dar sua obra para que crianças a leiam vá transformá-las em eugenistas-nazistas, versão que parece ser bem aceita aqui."


Ora, em nenhum momento a Ana ou qualquer outro comentarista que concordou ou gostou do texto dela concluiu nenhuma dessas duas coisas. As conclusões aqui, querido Gean, são: 
(1) Lobato era racista, não adianta tentar esconder, os escritos dele deixam isso bem claro; 

(2) Devemos proteger as crianças brasileiras - principalmente as negras, pardas, ou seja quase todas - da tristeza de ler em um livro em que elas e seus ascendentes são chamados de macacos/beiçudos/carvão/etc...ainda mais quando essa linguagem está carregada da autoridade implícita por vir de um escritor tido como o mais importante da literatura infantil brasileira.!!!! Sacou? 

A gente não está com medo de que caçadas de pedrinho transforme as crianças em eugenistas/racistas e sim tememos que contribua para destruir a já tão frágil autoestima de um povo que construiu esse país e ainda hoje sofre todo tipo de discriminação.
</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  3, 2011 11:17 AM)

Mais um detalhe: além de ter a petulância de vir aqui dizer qual é a 'obrigação' da Ana ao escrever o texto, além de ser analfabeto internético a ponto de não saber passar o mouse sobre um palavra linkada para descobrir a fonte, além de ter a arrogância de querer chegar a um debate com 300 comentários e exigir que lhe entreguemos número de página, além de duvidar da citação oferecida pela autora (até que o livro e o número de página lhe fossem esfregados na cara), além de recorrer a essa ridícula Lei de Godwin, o sr. Gian Danton é um mentiroso. Alguém, ontem, me chamou a atenção no Twitter para o fato de esse Sr. disse que foi "proibido de continuar comentando" aqui. Fui lá no Twitter dele, do qual evidentemente eu jamais havia ouvido falar, e constatei que ele disse isso mesmo. 

Não foi. Não há nenhum comentário dele retido e nenhum foi censurado. 

Pois bem, agora, sim. Só poderá voltar a comentar aqui no momento em que se retratar formalmente pela mentira. </p>
<p>(Marcelo :: 
mar  3, 2011  2:25 PM)

Bom, há tempos eu pelejo para seguir aquela máxima do grande Tim que diz "eu quero sossego", por isso, só faço aqui, agora, o que acho ser justiça a um provável engano. Idelber, acho que entendo o porque o Gian disse ter sido censurado. Pareceu-me que ontem, com a retomada dessa caixa de comentários, o post havia DESAPARECIDO. Procurei-o até o pé da página, e nada. Só quando digitei o nome do post no google que a página voltou, e (tá, também sou, eufemizando, um distraído da internet) então vi que, no lado esquerdo do blog, tem a lista de meses para procura de textos na memória do site. Talvez seja isso que passou pela cabeça do Gian.

Leonardo, o fato de ser especialista só avaliza a Ana de uma série de vantagens para promover o discurso. Eu, que tenho diploma de especialista em outra área nada a ver com racismo, me arvoro legitimado a falar sobre pela experiência, conforme disse num comentário lá no começo da página.

Abraços!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  3, 2011  4:58 PM)

Marcelo, eu entendo. Só que quando alguém tem qualquer tipo de problema para postar um comentário, seja porque travou, seja porque foi parar na caixa de spam, qualquer outro motivo, a mais elementar decência manda que você entre em contato com o responsável pelo blog (o meu email está postado aqui) antes de sair pela internet fazendo acusações sem cabimento. 

O sr. em questão não fez nenhuma dessas coisas. Deduziu, por um problema que teve para postar, que havia sido "proibido de comentar". Fez essa acusação grave, a um site que tem sete anos de respeito à divergência, sem sequer conferir com o dono do blog se este havia recebido algum comentário seu. Quando há um tema volátil em discussão, é normal que o blog-que é pessoal e artesanal, apesar do volume de visitas que recebe--instale a moderação de comentários, por exemplo, quando o dono do blog vai dormir. Houve sim, comentários retidos aqui--pelos motivos óbvios de qualquer blog, por exemplo, por ataques pessoais à autora do texto. Mas nenhum deles era do Sr. em questão. Que agora terá que corrigir sua mentira se quiser comentar de novo. 

Respeito é bom e a gente gosta.  </p>
<p>(Fabiana Tambellini :: 
mar  3, 2011  6:35 PM)

Monteiro Lobato era racista e a discussão é pertinente. Se os livros são adotados nas escolas é fundamental que venham acompanhados de notas para contextualizar. Fácil para nós branquelos fazer pouco da dor dos outros.</p>
<p>(Humberto Salustriano da Silva :: 
mar  3, 2011 10:34 PM)

Caro Idelber,

Esse texto da Ana é simplesmente ESPETACULAR!

Gostaria muito de manter contato com essa escritora. Você sabe dizer se ela utiliza com frequencia aquele endereço de e-mail que está no seu antigo blog. Será que tem outros e-mails...

abraços</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  3, 2011 10:37 PM)

Humberto: sim, aquele endereço no Gmail é atual e por ele você se comunica com ela. </p>
<p>(Jô Ventura :: 
mar  4, 2011 11:34 AM)

a alguns anos não lia um texto como esse , esclarecedor , contextual e reflexivo sobre as mazelas racistas e preconceituosas mascaradas escondidas por de trás de escritores , autores e gênios literários como Ziraldo , que a muito tempo adimirava suas obras e até trabalhava pedagógicamente com crianças e adolescentes em minhas militâncias educacionais que burramente dentro de total e sega ignorancia não percebia o mal que estava cometendo e reproduzindo . masss nunca é tarde para rever os caminhos , obrigado Ana por existir , e como sopro de olorum acordar meus olhos , mente e espírito sobre essas obscuridades perversa de certos dominantes , colonizadores travestido de negro militante libertador .     muito axè para o seu ser .
JÔ Venura 
arte/educador social .   </p>
<p>(<a href="http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com" rel="nofollow">Rogério Santos</a> :: 
mar  4, 2011  1:31 PM)

Putesgrila!! Dizer que a higiene que Monteiro Lobato defendia estava relacionada a lavar as mãos e estender os serviços de saneamento básico para a população foi o maior disparate que eu já vi acerca deste debate. Essa foi ótima!!!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  4, 2011  3:16 PM)

Lamento encher a paciência dos leitores com mais um comentário sobre isso--será o último--, mas é que tem ficar registrado. Além de não saber passar o mouse num link para descobrir a fonte, além de não saber o significado da palavra "higiene" nos textos eugenistas de começo do século, o Sr. Gian Danton pagou um dos maiores micos que já vi na internet, ao acusar o blog de "censurar" um comentário seu apresentando um printscreen falso e, depois, apagando o post em que fazia a acusação, mas esquecendo-se de que existe o cache do Google. </p>
<p>(Hermenauta :: 
mar  4, 2011  3:22 PM)

The plot thickens

LEI No 12.388, DE 3 DE MARÇO DE 2011
Confere ao Município de Taubaté, no Estado de São Paulo, o título de Capital Nacional da Literatura Infantil.
A P R E S I D E N T A D A R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O Município de Taubaté, no Estado de São Paulo, fica declarado Capital Nacional da Literatura Infantil.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de março de 2011; 190o da independência e 123o da República.
DILMA ROUSSEFF
Anna Maria Buarque de Hollanda</p>
<p>(<a href="http://www.almanaqueurupes.com" rel="nofollow">Angelo</a> :: 
mar  4, 2011  6:01 PM)

É mais do que conhecida essa faceta eugenista de Monteiro Lobato. Um pequeno estudo sobre o assunto encontra-se aqui: http://www.almanaqueurupes.com/estudos/lobato/eugenia/

Há que se ponderar, no entanto, vários aspectos, entre eles o contexto histórico. Mas esse não é o assunto aqui.

Independente do contexto em que foi produzida a obra, criminalizá-la ou marginalizá-la também não é a melhor saída. 
O que acho incontestável na carta ao Ziraldo é a nojenta insistência na manutenção da discurso racista.
Há tanto racismo na fala de Lobato quanto em Ziraldo. A diferença entre um e outro é que lá atrás não tinhamos outro pensador para contestá-lo.

Isso dá pano pra manga.

Parabéns, Ana, pelo belíssimo texto. É, sem dúvida, incontestável. 
Azar o nosso, que cultuamos os Ziraldos por aí sem muitas vezes perceber quando é racista.

Abraços.</p>
<p>(Artionka Capiberibe :: 
mar  4, 2011  7:31 PM)

Para quem não entende o quão pernicioso, degradante, dolorido e cruel é o racismo, aconselho ver o documentário "olhos azuis" http://bit.ly/P3Vdp Nele a socióloga Jane Elliott, usando como critério de classificação a cor dos olhos dos participantes, faz brancos americanos sentirem na pele todo o preconceito vivido cotidianamente por negros, mulheres, homossexuais.
Gostei muito do texto da Ana Maria, porque ele expõe claramente fatos graves que costumam ser minimizados. É preciso começar a usar lupas, para que todos vejam aquilo que só quem é vítima constante de racismo sofre.
 </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mar  4, 2011  7:36 PM)

Prof. Artionka, que prazer e honra tê-la aqui. 

Recomendo aos leitores do blog, com muita ênfase, o documentário "Olhos Azuis", que é realmente notável. </p>
<p>(<a href="http://educacao21pugalde.blogspot.com/" rel="nofollow">Paula Ugalde</a> :: 
mar  5, 2011 10:14 PM)

Olá Ana!

Confesso que apesar de ter lido superficialmente sobre o debate, até ler sua pesquisa e argumentos, não achava que Lobato tivesse entranhado tal postura. Pensei que se tratava de mais um dos muitos sensasionalismos inconsistentes em busca de vitrine...
Seu texto foi decisivo para apreender o todo da questão. Agradeço e a parabenizo!
E estou perplexa com o fato do post ter mexido tanto com as pessoas. 
Comento que como professora já vivenciei inúmeras situações de discriminação via desmerecimento dos alunos afrodescendentes, e por parte de vários sujeitos,não apenas dos colegas. 
Não aprovando discursos de supremacia, sempre procurei instigar a desconstrução de tais ideias que só contribuem para que o preconceito persista.
Não sei qual a melhor forma de lidar com isso. A minha é contar a história e demonstrar que o homem branco cometeu uma grande violência para com os negros africanos... Que foi um fato do qual me envergonho e busco mostrar o valor indistinto das pessoas e indagar sobre situações concretas que constituem discriminação, seja do tipo que for.
Observando o entorno, penso que existem muitas falhas nas práticas docentes por preferirem ignorar os preconceitos.
Vou voltar aqui e ler mais detidamente os comentários e procurar perceber as visões aqui expressas, o que hoje não é possível.
Logo, se estiver sendo repetitiva desde já me desculpo. Entretanto, concordo com os que acham que o material não deva ser retirado, mas sim refletido criticamente, para muito além da 'contextualização'.
Os preconceitos estão aí e penso que quem não sofreu nenhum tipo de preconceito não tem ideia do que seja estar sendo vítima de um.
Incomoda-me a naturalização destas questões porque assim perpetuamos os preconceitos e as discriminações.
Defendo que este movimento ao qual pertence se junte a educadores compromissados com a formação do ser mais humano no Mundo e que construam um material didático para ser utilizado nas escolas e cursos de formação de educadores. Entretanto, penso que a causa não deve ser trabalhada individualmente pois temos preconceitos de todo tipo no País. Tenho comigo que a maioria das pessoas não faz por maldade, mas por falta de criticidade. Mas continua sendo nocivo e reprovável e precisamos trabalhar isso sim. Ainda: Sugiro que disponibilize um URL para que possamos republicar seu artigo. []s

PS Se puder sugerir, penso que não devem ser 'moderados' os comentários. É bom conhecermos a visão das pessoas para podermos dialogar.
 </p>
<p>(Mirian Chaves carneiro :: 
mar  8, 2011  8:53 AM)

Todos são iguais perante a Lei e perante Deus! E pronto! Se MOnteiro LObato estivesse vivendo nos dias de hoje  tenho certeza de que sua opinião seria outra. Ele expressava vivencias, sentimentos e pensamentos de uma certa época. Temos que acabar com esta msneira de colocar negros e brancos, uns contra os outros. Tô farta disto!</p>
<p>(José Marcos Thalenberg :: 
mar  8, 2011  5:29 PM)

Estou chocado. Nunca imaginei que Monteiro Lobato, o homem que me fez gostar de ler, tivesse instilado tanto veneno homicida cartas afora. Se é racismo, não é cordial: é instigação ao genocídio, sempre. Estou chocado.</p>
<p>(Carmen Lima :: 
mar 10, 2011  9:24 AM)

Como aprendi com essa carta aberta a Ziraldo de Ana Maria Gonçalves e refleti sobre como as pessoas podem se "impor" às mentes mais desavisadas (como eu) sobre um problema que existe e faz sofrer tantos irmãos. E como fiquei revoltada ao tomar conhecimento das opiniões de Lobato (nunca li seus livros mas sei do endeusamento de algumas de suas ideias)e de Ziraldo (que conheço pouco, literalmente)mas fico perplexa com sua camuflação na formação de nossas crianças.
Valeu, Ana Maria; nunca é tarde para aprender e refletir.</p>
<p>(Ralph :: 
mar 10, 2011  7:30 PM)

O Deputado Estadual, do RJ, Átila nunes(PSL) nos chamou de "Bobalhões".



"Eu não sei exatamente quem foi dentro do governo que deu esssa idéia mas ele tem tempo ainda de se arrrepender: ele pode até parar de babar na gravata, ele pode trocar a dieta dieta dele de capim (tão restrita)... que deve ser evidentemente o que ele deve comer..." 

http://www.youtube.com/watch?v=Eawz-lwnwWw

</p>
<p>(Leandro Scapellato :: 
mar 10, 2011 11:31 PM)

Parabéns e obrigado, Ana.</p>
<p>(MB :: 
mar 11, 2011  6:19 AM)

Que maravilha seria viver no tempo de Lobato!</p>
<p>(<a href="http://reginamilone.blogspot.com/" rel="nofollow">Regina Milone</a> :: 
mar 12, 2011  1:16 PM)

Bom dia!
Li essa opinião aqui e concordo:
"Todos são iguais perante a Lei e perante Deus! E pronto! Se MOnteiro LObato estivesse vivendo nos dias de hoje tenho certeza de que sua opinião seria outra. Ele expressava vivencias, sentimentos e pensamentos de uma certa época. Temos que acabar com esta msneira de colocar negros e brancos, uns contra os outros. Tô farta disto!
Mirian Chaves carneiro em março 8, 2011 8:53 AM"

Embora um pouco ingênua, acho que Mirian tocou em pontos muito importantes, a meu ver.
O racismo existe no Brasil sim, temos que combatê-lo - não só o de cor!!! -, mas pegar trechos soltos do que um cara escreveu para amigos ou mesmo em jornais, numa época muito diferente da nossa, é tanta canalhice como alguns disseram aqui serem as opiniões de Ziraldo hoje.
Parabenizo a Ana pelo texto, mas não concordo com tudo o que ela coloca, embora concorde que há racismo no Brasil sim.
A obra infantil de Monteiro Lobato é maravilhosa, é patrimônio cultural nosso sim e os possíveis erros e contradições de Monteiro Lobato, como pessoa e escritor, precisam ser contextualizados e muito bem conhecidos antes de serem criticados. E, na verdade, estão indo muito além das críticas! Muitos estão execrando o Lobato e seriam os primeiros a queimá-lo numa fogueira se pudessem!
Não se pode combater preconceito com mais preconceito!!!! Isso é muito sério! Atenção!!!
Além disso, a arte e a livre expressão de idéias não devem ser censuradas, na minha opinião, de jeito nenhum! Temos é que garantir o espaço para que todas as idéias apareçam, em sua diversidade, e não apenas algumas!
Abraços a todos,
Regina.</p>
<p>(João Paulo Costa do Nascimento :: 
mar 12, 2011  4:47 PM)

Cara Ana,

Acabo de ler seu texto e fiquei muito satisfeito com o modo como você expõe essa péssima condição moral e política de Monteiro Lobato, exemplificando-a com trechos de cartas, depoimentos, entre outras coisas. EM uma passagem, você menciona que é possível ver o racismo de lobato através de sua obra. E ai está a questão que coloco para você (sem tom de desafio e sim de esclarecimento). É possível se fazer uma análise da obra literária (no caso, O Sítio do Pica-Pau Amarelo) e se provar, apenas através da obra, os elementos que indicam racismo? Pensando-se que a arte possui uma certa autonomia em relação a realidade social, a obra, em si, pode ser considerada racista? Você faz alguma análise deste tipo ou conhece alguma publicação que o faça?

Te pergunto isto porque entendo que uma questão é o racismo do autor (que está mais que confirmado, no caso do Lobato) e outra é o racismo da obra (o qual não me é evidente, talvez mesmo por incompetência minha). Lembro-me de ser exposto, por diversas vezes, a comentários sobre o racismo de alguns filósofos iluministas e idealistas, como, por exemplo Kant. Mas não reconheço este racismo quando leio algumas de suas críticas as faculdades da razão ou do juízo. Como você pensa este problema?

Obrigado!

João Paulo Nascimento</p>
<p>(<a href="http://Twitter.com/biihbarbosa" rel="nofollow">Bianca Barbosa</a> :: 
mar 13, 2011  3:31 PM)

O que falta na sociedade é gente com coragem de questionar, cutucar e criticar. Parabéns, Ana</p>
<p>(Ralph :: 
mar 14, 2011  9:47 AM)

Urgente!

Morre o Mito da Democracia Racial

Ele já andava muito doente.
Os médicos o desacreditaram. 
O único que ainda acreditava na sua sobreviência era Ali Kamel.

Deixa uma dívida enorme.

"Os ''indesejáveis'' do exército na ditadura Vargas"

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110313/not_imp691258,0.php

"As medidas para impedir a entrada de negros nas escolas militares foram tomadas quando ainda se usava a expressão "raça inferior". "O negro era o grande culpado pela miscigenação e pelo enfraquecimento do povo brasileiro", destaca o pesquisador."


"O que mais me marcou na pesquisa foi perceber a intenção de criar uma elite militar que atendesse aos interesses nacionais, que na verdade eram interesses de uma política sistemática que privilegiava brancos e católicos, influenciada até pela intelectualidade e pelas revistas da época."

Ali Kamel, YOU LOSE!
</p>
<p>(<a href="http://campodeassuncao.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Sergio Teixeira</a> :: 
mar 23, 2011  9:38 PM)

TENHO UMA IDEIA GENIAL!!  VAMOS FAZER UMA GRANDE FOGUEIRA E ELIMINAR TODOS OS LIVROS DE MONTEIRO LOBATO DOS ANAIS DE NOSSA HISTÓRIA, E DE QUEBRA, OS DO ZIRALDO TAMBÉM...  ADEUS, NARIZINHO...  ADEUS, MENINO MALUQUINHO...

Ana, sei que sua intenção é das mais elevadas, e originais também.  Tenho consciência da histórica perseguição, exclusão e subjugação do povo africano e de seus descendentes.  Mas os tempos são outros.  

Assim, o que vimos construindo é um processo.  E nós fazemos parte disso: você nos esforço da desmitificação do racismo enrustido, e eu aqui, tentando fazer a crítica da crítica.

Concordo que Lobato poderia ter herdado os princípios humanistas dos abolicionistas; uma pena que não!  No entanto, fazia parte do grupo das políticas de eugenia, de branqueamento tão em voga naquela sociedade; uma lógica provinda do neocolonialismo europeu.  Ora, o que dizer das críticas de Lobato em cima de Anita Malfatti? - ela quase cortou os pulsos, sabia?...  E aquestão do petróleo?  É...  realmente...  Mesmo em seu tempo, Lobato era um reacionário dos piores.

Mas era um escritor de renome na época, tanto que suas obras ainda estão aí.  Em uma releitura dos anos 1970, a globo ofereceu à minha infância, a magia da cuca e do saci-pererê, os que eu mais gostava.  Nesta re-leitura, não lembro do Pedrinho ofender o Tio Barnabé em nenhum momento, ao contrário: nessa relação se inspirava o respeito ao negro, ao velho, ao preto-velho, figura mítica que nasceu no Brasil e que eu muito admiro na umbanda até hoje.  Assim, a re-leitura, neste caso, é um ponto.

Mas de tudo isso, o que mais me causou arrepios, foi dizer que o Ziraldo é racista.  Pelo amor de deus!  Racista?...  Prezo mais o Ziraldo por estar trabalhando por aquilo que vc, sem ter dado conta, está levando à contra-mão.

Graças aos esforços de todos que prezam e lutam por uma sociedade mais humana, estamos vencendo as exclusões que nos envergonham: os pixotes desse país; as viúvas da seca; os excepcionais; a violência contra a mulher - processos que envolvem pessoas e que exigem projetos para além da mera punição; exigem mais: exigem um negócio que meu pai me ensinou muito bem: o bom senso.

Se não fossem essas pessoas, Obama não seria presidente dos EUA; a Lei Maria da Penha não vingava; não haveria pára-olimpíadas; não existiriam debates como as cotas para afro-descendentes e eu nem estaria aqui ou seria professor.  É certo que tudo isso não se fez com passividade, mas também não se fez pelo desprezo.

Desculpe, mas sua originalidade, ao que me parece, vai para além do estilo; aparenta extrapolar com um quê de incitação ao ódio.  Ódio pelo Ziraldo?  que tem genuinamente o compromisso, à sua maneira, com um mundo mais humano?

Sua originalidade está, assim, ao meu ver, na contra-mão, porque espalha e não ajunta; porque apesar de cumprir o papel de esclarecer, não aponta para o bom senso que constrói, ao contrário: pretende inspirar rivalidades, algo que leva a mais segregação, que leva a mais guerras; elementos que não merecem mais lugar em nossa aldeia global.</p>
<p>(Geraldo luiz da Silva :: 
mar 24, 2011 12:52 PM)

Definitivamente, este país é um luxo! A gente tem dificuldade, como povo, como sociedade, de se olhar no espelho.  É, realmente difícil, a tarefa de "se encarar". è para poucos. É preciso se gostar na rudeza e concretude do que se é.  O Brasil tem se construída na lida de esconder-se a si, de si próprio. A mentalidade a partir da qual operamos cotidinamente está repleta de tentativa de mudanças para evitar mudanças efetivas.
Releituras, caro Paulo Sérgio, buscam aproveitar o que o tempo permite explicitar e/ou omitir. Depende do projeto que se tem.  Não más, nem boas, necessariamente. Não mudam, entretanto a essência do original.  Se é necessária maior fundamentação do que isso que foi pinçado pela Ana, sobre a obra, o pensamento e a visão de mundo de ambos os autores e homens de que trata a carta, a fim de que seja possível perceber, afinal do que se trata toda a questão, então nossas dificuldades são muito maiores, de fato.
Precisamos sim, trabalhar na construção de uma nação.  Para isso é necessário todo esforço possível no sentido de nos enterdermos naquilo que somos individual e coletivamente, na nossa diversidade. É necessário entermos nosso próprio processo histórico, sim.  Escamoteando verdades que nos informam isso não é possível.  Não é acaso nossa história estar recheada de quase mudanças. Não se trata de coicidência, o fato de que a suposta "metidês de Simonal parecer maior que a de outros "metidos".  É insuportável, claro, um preto que tenha a exata noção do seu talento e, portanto, não se finja de sortudo. Que saiba da sua capacidade e olhe para o mundo a sua volta dando a exata idéia da sua consciência.
É preferível o Tim Maia.  Tão talentoso quanto muitos outros artistas, seus contemporâneos que disfarçava sua raiva a alguns produtores, seu desprezo por alguns veículos, não indo aos espetáculos ou chegando mais tarde.  A luta dele era mais divertida porque seus algozes podiam reafirmar pretensas "características" dos negros.
Não se trata de ódio ou de afetuosidade. Se trata de diferenças e de tratamentos diferentes historicamente instalados entre nós, a ponto de serem "naturalizados", logo, aparentemente imperceptíveis à todos que quiserem passar ao largo.
Lembremos que estamos falando de um país cuja historia registra, entre outros, um ato do (para manter a expressão já bastante repetida) "poderoso" Rui Barbosa pensou em queimar documentos que tratassem da nossa "experiência com a escravidão" de modo a apagar a "mácula" e não chamou a atenção de todos para o fato de que a forma como abolimos a escravidão numa lei tão consisa quanto omissa, condenava os "libertos" e seus descendentes à marginalidade e, portanto, ao aprofundamento dos males iniciados quando das caçadas de que falava nas suas cartas o "poderoso" Lobato. Males como este, impresso nas camisetas do bloco do Ziraldo.
Que historia é essa!  Que historia é essa, afinal?
Ana!  Ana!  Ana!  Que grandiosidade...
Professor Geraldo Silva - São José dos Pinhais - Pr</p>
<p>(Beatriz Silva :: 
mar 24, 2011  9:26 PM)

Obrigada por expressar os desejos de milhares de brasileiros.</p>
<p>(Ailton Benedito de Sousa :: 
abr 15, 2011  3:18 PM)

Não só excelente, preciso, cortante, mas  oportuno, pois flagrou no memento exato aquele que se arvora em educador brasileiro da nação (e não de segmentos dela, como na realidade o é). Fui aos comentários e vi lá o prof. Boaventura Santos, que jamais pertenceu ao grupo acima, por óbvio. A ele quero dizer, não obstante a relativa validade da sua orientação,  que não se está diante de uma relação individual onde tem pleno cabimento sua norma, isto é 'quando querer ser diferente, quando querer ser igual'. Estamos falando de Diáspora Negra, para muitos o Sexto Continente, mais de 800 milhões de sobreviventes (a vida média do escravo era de 7 anos, 3 nas atividades de risco)vivendo homem com homem, mulher negra com mulher negra {para ficar mais fácil ao homem branco). A norma não cabe aqui. A norma também não cabe no caso da História com H mesmo, de que o homem negro e a África foram excluídos. A que a Unesco vem de lançar não quer dizer senão isso. Tenho sua idade. Na nossa escola o Egito pertencia ao Crescente Fértil, não à África.Como se sentir igual ou diferente, se apagaram minha história? Nesse campo você não é diferente nem igual, você não existe, foi deletado.E se não existe na História, coisa de Homem, não o é.  Aqui se trata de dizer e comprovar, a partir da boca do homem branco, que  esse povo negro, no máximo, é posseiro da África (terra de ninguém, tanto assim que não habita História nenhuma, logo pasto do imperialismo de todas as épocas) e os negros, ainda segundo essa mesma boca e discurso, são parasitas da cultura dos outros, obviamente 'a nossa'.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Literatura</dc:subject>
<dc:date>2011-02-18T08:04:36-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>A presunção de inocência na época da reprodutibilidade digital</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/a_presuncao_de_inocencia_na_epoca_da_reprodutibilidade_digital.php</link>
<CommentCount>17</CommentCount> 
<description>Um dos mais belos princípios do Direito é a presunção de inocência. Trata-se de um daqueles pilares que separam a Justiça do puro justiçamento. O artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, dispõe que “ninguém será considerado culpado até o...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos mais belos princípios do Direito é a <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/162/o-principio-da-presuncao-de-inocencia-e-sua-repercussao-infraconstitucional">presunção de inocência</a>. Trata-se de um daqueles pilares que separam a Justiça do puro justiçamento. O artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, dispõe que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. Como <a href="http://jus.uol.com.br/revista/texto/7198/o-principio-da-presuncao-de-inocencia">nota </a>Simone Schreiber, é comum que se diferencie esse enunciado encontrado na Carta Magna—para todos os efeitos, um princípio da desconsideração prévia da culpabilidade--da formulação mais radical de presunção de inocência encontrada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), na Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966) e na Convenção Americana de Direitos Humanos (1969). </p>

<p>Deixando de lado por um momento a diferença entre a presunção de inocência e a presunção de não culpabilidade, eu gostaria de oferecer dois centavos sobre o que acontece com esses princípios na era da circulação global e instantânea de informação. Como sempre nos casos dos posts sobre <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/direito_e_justica/">Direito e Justiça</a>, falo como leigo e convido os profissionais da área a que corrijam qualquer bobagem. </p>

<p>Que a presunção da não culpabilidade seja com frequência desrespeitada na aplicação da lei realmente existente—e sabemos quem são as vítimas preferencias—não implica que o princípio, em si, não deva continuar sendo um horizonte que nos guie. A Justiça nunca é redutível à Lei, mas sem aquela como horizonte, ainda que irrealizável na sua plenitude, não há lei que valha a pena defender. </p>

<p>Minha suspeita de leigo—e não sei até que ponto há pesquisa especializada sobre isso—é que a reprodutibilidade infinita e global da informação, maravilha tornada possível pela internet, também torna extremamente difícil a vida desse princípio. Seria bom que os internautas refletissem um pouco sobre isso, e o titular deste blog certamente não está isento de culpa nesse cartório. </p>

<p>Já conhecemos de sobra o estrago feito pela mídia tradicional. Episódios como o da <a href="http://www.espacoacademico.com.br/054/54lima.htm">Escola Base</a>, o massacre sofrido por <a href="http://rsurgente.opsblog.org/category/jose-paulo-bisol/">José Paulo Bisol</a> no Rio Grande do Sul ou o caso <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=311FDS002">RPG-Ouro Preto</a> demonstraram amplamente o dano que a mídia é capaz de causar ao princípio da presunção de inocência. Quando esta é provada, muitas vezes o prejuízo já é irreparável. Reputações já foram destruídas e, em alguns casos, inclusive vidas humanas já foram perdidas. </p>

<p>Na semana passada, quando desapareceram <a href="http://www.cultura.gov.br/site/2008/08/28/seminario-de-sao-paulo-discute-os-direitos-autorais-e-o-acesso-a-cultura/">arquivos </a>do site do MinC, alguns camaradas—movidos pelo mais salutar dos desejos, a preservação das conquistas da gestão Gil/Juca—se precipitaram bastante nas acusações à Ministra. Não repetirei os termos aqui, mas foram bastante pesados. Durante dois ou três dias, simplesmente não havia espaço para outra versão: o MinC estava apagando deliberadamente a memória da gestão anterior. Incrédulo, fui apurar a história e confirmei o que depois foi <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=5551">comunicado </a>pelo próprio MinC. Era um problema técnico na migração de arquivos. </p>

<p>(Abro um parêntesis para oferecer um palpite no caso MinC. Acredito que o melhor que podem fazer aqueles que querem defender o legado dos últimos anos é <b>desfulanizar</b> a discussão, organizar-se ao redor de algumas <b>pautas</b> e tentar construir canais de interlocução com o ministério. Esses canais são possíveis e essa é a saída mais madura que se pode encaminhar no momento). </p>

<p>No caso da mídia tradicional, a unidirecionalidade do formato—a telinha fala, você escuta—favorece um uso interessado, político ou mercadológico, do justiçamento. No caso da internet, o funcionamento me parece um pouco distinto. A velocidade estonteante dos instrumentos de que dispomos faz com que às vezes se consolidem as versões mais simples e “tuitáveis” para os fatos. Acaba ficando difícil desconstruí-las depois. O pobre José Saramago—escritor que não está, nem de longe, entre meus favoritos— foi linchado na ágora da internet quando <a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2009/07/26/jose-saramago-fala-sobre-twitter-lula-seu-novo-livro-208101.asp">disse </a>que o Twitter apontava para um mundo em que, de degrau em degrau, íamos descendo até o grunhido. Mas, sem falsos saudosismos por um passado não-digital que em quase nada foi superior ao que é o presente, será que o autor português não disse algo sobre o qual vale a pena refletir? Será que a reprodutibilidade infinita e a instantaneidade da informação não produzem nenhum dano à nuance? </p>

<p>O atleticano que assina este blog tem pensado um pouco sobre essas coisas, sem encontrar solução nenhuma, sublinhe-se. Permanece intacto meu entusiasmo pela cultura digital e pelas mídias sociais, mas também entendo que elas nos colocam em encruzilhadas éticas nunca dantes visitadas. O pisoteio ocasional à presunção de inocência é uma delas. Conjugar o martelo da razão crítica-- sem o qual, afinal de contas, a política passa a ser uma medíocre adaptação aos limites do possível--com o respeito a esse belo princípio é tarefa cada vez mais urgente. As atualizações mais espaçadas e lentas deste blog, inclusive, devem ser entendidas neste contexto. </p>

<p>Desacelerar um pouco talvez nos faça bem. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/a_presuncao_de_inocencia_na_epoca_da_reprodutibilidade_digital.php#comments" title="Comente A presunção de inocência na época da reprodutibilidade digital">17 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://discursocitado.blogspot.com" rel="nofollow">Lilian Starobinas</a> :: 
fev 17, 2011  8:14 AM)

É isso aí, Idelber.
E haja contenção da ansiedade para não reproduzir suspeitas sem checar, não ampliar as dúvidas sem ter dados mais concretos.
Lembra recentemente do boato que a Times tinha retirado o nome do Assange da lista de votação de Homem do Ano?
Um dos preços de receber rapidamente notícias do mundo é ter maturidade para eperar o momento de reproduzi-las.
Agora, sobre o MINC, não seria nada mau se os titulares atuais mostrassem um movimento de amenizar os ânimos.Ajudaria a desarmar o debate.
abços
Lilian</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 17, 2011  9:11 AM)

Também acho, Lilian, que no caso MinC precisamos todos, de todos os lados, desarmar os espíritos-- há um diálogo possível aí. Ele será difícil, não há dúvidas. Mas acredito que ele é possível. Um abração. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 17, 2011  9:31 AM)

Aliás, por falar em reproduzir coisas sem conferir, olha aqui outro exemplo de repetição sem checar a verdade. Quentinho, de ontem. </p>
<p>(<a href="http://viraminas.org.br" rel="nofollow">Paulo Morais</a> :: 
fev 17, 2011 10:41 AM)

Olá Idelber,

Eu entendo que, se os blogueiros querem derrubar o poderio da mídia tradicional, não basta apenas tomar a audiência dela. De nada vai adiantar que 90% da população brasileira deixe de assistir o Jornal Nacional para ler blogs se os blogs usarem de práticas semelhantes às da grade imprensa: a espetacularização da notícia, a superficialidade da cobertura, a omissão de parte dos fatos para construir meias verdades e o uso dessas meias verdades para achincalhar a vida dos inimigos.

O que eu entendo é que muitos blogueiros criticam a mídia mas reproduzem a linguagem dela e, conseqüentemente, seus erros clássicos. A comunicação tem que ser voltada para a conscientização, a transformação e a ação. No mundo da internet, isso exige abdicar do direito de blogar, tuitar e reproduzir na velocidade da luz para checar informações, repensar o texto, aprofundar a pesquisa. É tentador sair botando a boca no trombone em tempo real, mas isso tem suas conseqüências. O erro de avaliação no caso MinC é exemplo claríssimo disso.

A propósito, nessa briga que vem desde a retirada do CC, esse foi o primeiro gol contra da frente de batalha. Pegou muito mal. Concordo que, por mais difícil que seja, tem que se tentar o diálogo. Discordo desse radicalismo, inclusive de muita gente já pedindo a cabeça da ministra com 1 mês de governo.

Um abraço
</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 17, 2011 10:53 AM)

Muito bom o seu texto, e abre pautas para várias reflexões. Sobre sua observação da crítica que Saramago fez à tendência ao "grunhido" do twitter, há um detalhe fundamental não notado pela maioria:

“Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.” (José Saramago) 

É um mini texto que se encaixa como uma luva aos 140 caracteres do twitter. Alguém tão sagaz quanto o grande escritor português não fez isso gratuitamente. A fórmula, bem usada, é uma maravilha. Assim como existem alguns leitores descuidados que acham que o Zygmunt Bauman é um acirrado crítico à modernidade e a tecnologia, e não ao emprego delas para acentuar mais o gênero de dominação que parte dos velhos monopólios repaginados do poder por sobre a maioria dos mortais. 

O que entra-se aqui na questão de controle cruzado da mídia que quer-se fazer, alguns, no Brasil. Será mesmo que esse entulho de notícias não verificadas e prejudiciais, posto que mentirosas e apressadas, é algo inédito, estrito às revistas e jornais atuais de determinados posicionamentos políticos, ou ao universo digital? Antes dos episódios da Escola Base nacional e os outros citados, aos equívocos propalados sobre o Julian Assange e outros, haviam as tentativas de controle de opinião no incidente dos mísseis cubanos na década de 1960, ao Caso Dreyfuss na virada do século XIX.

Essa pausa para a reflexão, infelizmente impossível diante à compulsão digital, que vc propõe _ ao estilo da Lentidão de Milan Kundera_, talvez fosse suficiente para vermos que o sistema jurídico que já existe no Brasil daria conta desses desvirtuamentos agregados e exterizados pela crescente popularização da internet. Ás vezes quando vcs falam sobre novas formas de regulamentação de informação, para abrandar um pouco o controle dos cartéis das revistas e jornais, e dar ao cidadão atacado por mentiras a proteção da lei, me vem as questões: mas para que servem os artigos penais sobre calúnia, injúria e difamação?, e os mesmos reparos da lei sobre monopólios empresarias, direito de resposta, habias data, danos morais, etc...(também me valo orgulhosamente de ser leigo em direito, mas de procurar entendê-la como algo que me diz respeito, não só às coligações maçônicas de advogados e demais jargonistas).

Mas o que se pode concluir de imediato sobre essa complexa questão é que surge a necessidade aos bons leitores a àqueles que desejam usar a tecnologia para o aprimoramento da espécie, de aprender diferenciar o fato objetivo e documentado da grande inclinação do homem para a fofoca e as manchetes extraordinárias.</p>
<p>(André :: 
fev 17, 2011 10:55 AM)

Esse tal de twitter é uma mistura de "telefone sem fio" (aquela brincadeira de criança) com futrica de comadre, mas numa velocidade e alcance enormes.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 17, 2011 11:00 AM)

E não é que o André disse tudo. Hahaha!</p>
<p>(<a href="http://teoriageral.wordpress.com/" rel="nofollow">João Arthur Avzaradel</a> :: 
fev 17, 2011 11:55 AM)

Não é uma questão dos meios de informações, mas de quem os usa e de quem recebe a informação. Principalmente no caso da internet, em que o meio de informação apenas transmite a mensagem criada por seus usuarios - ainda que em casos como a televisão o grupo responsável pelo canal seja também o produtor das mensagens.

De todo modo, se julgam precipitadamente e cometem equívocos por vezes irreperáveis, é porque lhes falta instrumentalização para fazer diferente. Lhes falta instrumentalização para questionar, lhes falta instrumentalização para não se precipitarem em tirar conclusões errôneas em função das aparências. Lhes falta instrumentalização para não saber - sem a qual, sempre acreditarão saber ou inventarão algo que saber para se protegerem do não-saber.

Do outro lado da moeda estão os que divulgam informações tais por questão de interesse. No caso da mídia, se nada mais específico, o interesse da audiência. Então a questão que temos de verdade, é: o que fazer?

Limitar sua liberdade? Processar e, mediante condenação, punir cada falta? Não.

Como a história nos provou repetidamente - ao que o mais marcante exemplo foi o fim da União Soviética - aquele que se isola da ameaça não aprende a lidar com ela e portanto torna-se mais vulnerável a ela. Eventualmente a barreira do isolamento é rompida e então a ameaça há de subjugar aquele que buscou se refugiar. 

Portanto não basta que o Estado, ou alguns membros da sociedade brasileira, passem a combater os abusos e excessos da mídia - seja por mídia grupos que controlam a comunicação ou indivíduos pela internet. O que é necessário é permitir que todas e tantas estas faltas continuem a ser cometidas, por mais impoliticamente correto que isso seja, e preparar a sociedade para que alcance um estágio em que não só questione as informações e retire-se de sua própria ignorância, mas também se indigne com os malfeitos e os combata através de sua própria iniciativa civil.

Do contrário, a sociedade brasileira sempre será refém da desinformação - tutelada por um pequeno grupo que cuida de seus interesses, nunca aprenderia a deles cuidar. Nunca aprenderia a construir para si um país que correspondesse a suas necessidades.</p>
<p>(Cláudio Freire :: 
fev 17, 2011  1:48 PM)

Muito bom, Idelber, concordo integralmente. Inclusive porque as análises feitas na rede não devem substituir o diálogo, sempre que for possível e pertinente. </p>
<p>(<a href="http://www.ic.unicamp.br/~stolfi" rel="nofollow">Jorge Stolfi</a> :: 
fev 17, 2011  1:50 PM)

Alguns comentários:

(1) A personalização da política é essencial numa democracia. O povo tem o direito de escolher, não apenas as pautas e política, mas também quem vai ser encarregado de colocá-las em prática.  É por isso que temos eleições de pessoas.  Se há erro aí, é por falta e não por excesso: muitos cargos que hoje são indicados ou de carreira (incluindo juízes, desembargadores, e procuradores de estado) deveriam ser eleitos.

(2) Quando comecei a ler o artigo pensei que seria abordado o outro lado a questão. Por ser novidade, a reprodutibilidade digital deu brecha para governos violarem direitos tradicionais de cidadãos, como o direito de propriedade, privacidade, livre expressão --- e presunção da inocência.  Ninguém pensaria em puniemprestar um livro impresso, ou tocar uma música no piano, pudesse ser crime; mas quando essas obras foram digitalizadas, de repente emprestar passou a ser crime, e .  Violar correspondência em papel era crime, mas hoje acha-se natural governos (e  Google e Facebook) fuçarem em emails sem mandato judicial.  E, nesses novos "crimes", a presunção de inocência é regularmente pisoteada.  Veje por exemplo o caso da ANATEL multando e confiscando equipamento de usuários no Piauí, sem provas nem julgamento, porque um gerente achou que um deles poderia estar cobrando pelo serviço. http://180graus.com/geral/anatel-multa-usuarios-por-compartilhar-internet-wirelless-397787.html
</p>
<p>(Lourdes Maria Araujo :: 
fev 17, 2011  4:22 PM)

	Como é só um comentário,não dá pra fazer revisão de bibliografia, né? Mas eu não posso deixar de lembrar Richard Sennet, em O Declínio do Homem Público, pois ele notou que nós não seguimos mais antigos rituais de educação quando em contato com outras pessoas e em público; parece que embarcamos em uma intimidade obrigatória com o resto do mundo. Assim, esperamos que as pessoas demonstrem seus sentimentos, que sejam sinceras e autênticas com os outros, conhecidos ou não e, o que é pior, isso vale para um outro de verdade ou para o outro-você-mesmo. 
	Acredito que a internet carrega esta marca. Muita gente reclama da “falta de educação” na rede, do modo como pessoas se expressam gerando ofensas e ofendidos por todos os lados. Mas distanciar-se e ser formal seria o mesmo que esfriar a conversa e fugir da obrigação de ser íntimo. E olha que os outros com que se compartilha a intimidade são um mundéu de gente sem fim espalhada globo afora. Minha sensação é a de estar no meio de um enxame de informações e eu não posso correr para dentro d’ água procurando me salvar. Não dá pra fugir, e são as duas coisas que me envenenam como se abelhas: excesso de informação circulando com rapidez alucinatória e a exposição pessoal, afetiva, íntima de gente que eu não sei que é. Talvez seja necessário desacelerar, parar pra pensar e tomar alguma distância. Reconheço que para muitos perde a graça, pois o que o para mim é um enxame de abelhas terrível, é experimentado por outros com o prazer intenso de um parque de diversões, onde tudo gira incessantemente, com luzes de fantásticas e emoções inesperadas. Tô ficando velha, ou já fiquei.
	O tema deve ainda ser abordado sob o enfoque político, onde a gente pode se arriscar  transgredindo normas que acreditamos injustas. Para isso não tem receita e o que a gente faz ou deixa de fazer é que põe a roda a girar. Não tem ciência que resolva o caso, dando-nos certeza absoluta a respeito do que é o certo, já dizia o Weber. 
	Um caso clássico e a se pensar é o da Talidomida. Esta droga foi lançada e usada no mundo inteiro ao longo dos anos 50 e início dos anos 60; indicada para mulheres grávidas, provou-se teratogênica. Muitos médicos percebendo os efeitos trágicos da droga comunicaram aos seus pares, aos fabricantes e a mulheres grávidas. Ainda assim muitas mulheres perderam seus filhos durante a gravidez ou logo após seu nascimento, várias crianças nasceram com problemas gravíssimos resultantes da má-formação de seus corpos.  Em 1972 o jornal inglês The Sunday Times iniciou uma campanha que informava sobre a droga e apontava como justa a indenização de suas vítimas. Aí vem a sua questão: naquele ano, o caso estava ainda sendo debatido no judiciário britânico, não havia uma definição legal sobre culpas e responsabilidades em relação à fabricação, distribuição, venda, uso e conseqüências da talidomida. Até que os tribunais decretassem a culpa dos fabricantes, inocentes eles eram, legalmente. Mas o jornal assumiu os riscos e o fez em nome de convicções morais (veja http://www.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/health/article3602694.ece). Hoje sabemos que muitas crianças foram salvas pela atitude do jornal que, no entanto, transgrediu a norma legal. 
	Fossemos perfeitos, saberíamos sempre o que fazer não é? Problemas são muitos: como confiar nas informações da rede de computadores para firmar convicções e assumir responsabilidades? como tratar a quantidade de informações com um estoque limitado de tempo? o que cada um de nós representa nesta nuvem que zumbe sem parar, como o barulho de fundo sem forma, sem mapeamento prévio? Pron cô vô no meio desta confusão? etc. etc.
</p>
<p>(<a href="https://twitter.com/fabios" rel="nofollow">Fabio S.</a> :: 
fev 17, 2011  5:54 PM)

Idelber,
Essa do MinC estar apagando conteudo historico foi imaturidade do delator.
Primeiro o camarada diz que algo sumiu e coloca um link apontando. Os leitores clicaram (eu incluso) e a coisa estava lá. Então o camarada me sai com a pérola: "tinham apagado mas voltaram atras".
Realmente. O MinC, orgão cheio de regras e procedimentos, iria reverter imediatamente uma decisão porque um blog disse que o conteudo sumiu.
</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 17, 2011 10:45 PM)

Paulo: Na mosca. Acho que, com o tempo, o grupo gigante de blogs que fazem a crítica da velha mídia vai aos poucos se diferenciando também. Vai ficando claro quais são os que, de uma forma ou outra, replicam os métodos da própria mídia. 

Mestre Fábio, pensei até em te consultar nesse processo, mas logo apurei que não era mesmo o que se pensava. O que me ocorreu também é que, pelo que entendo, quando um link é removido, em geral ele vira link quebrado, dá erro 404. Em nenhum momento isso aconteceu lá no MinC. Era só o texto, o "conteúdo" mesmo da página que havia sumido. Mas a página continuava lá. 

É isso, Cláudio, pelo diálogo sempre. 

André, sem dúvida que o Twitter tem esses componentes de "telefone sem fio" e "futrica de comadre" (grande achado, aliás!), mas tem mil outras possibilidades também. A questão é como explorar estas minimizando aqueles. 

Jorge, Lourdes, João, Marcelo: vou responder em separado, porque é possível que fique um pouco longo... </p>
<p>(Theo Dubeux :: 
fev 18, 2011 12:32 AM)

Pô, eu sempre me perguntava onde raios você conseguia tempo e energia pra fazer tudo o que faz e ainda blogar como blogava. A respeito dessas velocidades, li um livrinho bacana, facinho: Devagar, do Carl Honoré. Ele compila informações sobre movimentos, mundo afora, que de alguma forma se opõem ao culto ao rápido.
E sobre reproduzir bobagens sem checar, a primeira que me vem é justamente sobre esse episódio da CC no Minc: o Caetano, citando Joyce (a cantora, claro), que disse que a CC foi financiada pelo Google, com 50 milhões de dólares (ou algo por aí). É impressionante a obtusidade desses luminares da cultura nacional. Eles realmente acham que o compartilhamento de músicas é culpa da CC - e, evidentemente, não estão dispostos a entrar no site e investir 15 minutos pra tentar entender o que é isso.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011 12:39 AM)

o Caetano, citando Joyce (a cantora, claro), que disse que a CC foi financiada pelo Google, com 50 milhões de dólares

Essa foi antológica! 50 milhões de dólares! Assim, sem mais nem menos... O Hermano Vianna deu uma boa corrigida nesse chutaço. 

Jorge, Lourdes, João, Marcelo: vai rolar resposta aos riquíssimos comentários de vocês. Mas, coerente com o espírito do post, estou me permitindo escrevê-la baianamente :-) </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 18, 2011  2:29 AM)

Marcelo, só para dar uma trolladinha básica: para que esse enunciado do Saramago cabesse num tuíte, ele teria que eliminar 25 caracteres... Mas agora falando sério, acho que foi uma grande sacada sua notar que a crítica dele ao Twitter está escrita em linguagem-Twitter, feita como cápsula mesmo. Creio que pouca gente entendeu isso. Eu não tinha nem imaginado até você apontar. 

Quanto a este trecho, Marcelo: mas para que servem os artigos penais sobre calúnia, injúria e difamação?, e os mesmos reparos da lei sobre monopólios empresarias, direito de resposta, habias data, danos morais, acho que são duas coisas diferentes. Realmente não há a menor necessidade, entendo eu, de mudar os artigos referentes a calúnia, injúria e difamação por causa da internet. Calúnia é calúnia, seja qual for o suporte sobre o qual ela está publicada. Talvez a internet obrigue a uma maior agilidade da Justiça (vixe, aí já viu...), mas o conteúdo dos artigos, em si, não precisa mudar. 

Coisa bem diferente é a regulação da mídia, porque os artigos que você menciona (direito de resposta, limite aos oligopólios etc.) estão na Constituição, mas não foram regulamentados. Como sabemos, na prática, eles não existem no Brasil. Eu costumo dizer que o direito de resposta é o mais desrespeitado que há no país. No espaço da grande mídia ele simplesmente nunca existiu. Aí entra a batalha na qual estamos metidos. 

Jorge, concordo com teu ponto 2. Concordo com o 1 também, claro, mas aqui no caso a questão era o MinC. E a pura verdade é que não há outro nome colocado sobre a mesa que represente continuidade estrita com o legado Gil/Juca. Em outras palavras, gritar "Fora Ana de Hollanda" não tem muito sentido, não só porque a Ministra tem um mês e meio no cargo, mas também por uma questão estratégica: a queda dela não levaria a uma restauração do modelo Gil/Juca. Levaria, provavelmente, a uma situação em que as pautas que se quer defender ficariam ainda mais fragilizadas. É entender o momento em que estamos e lutar com as armas que existem aí. 

Lourdes, esse seu exemplo do Sunday Times é sensacional. Como lhe dirá qualquer jurista, não há princípios absolutos no Direito, e um determinado princípio terá que ser relativizado ao entrar em contradição com outro. O caso que você cita é um exemplo claro de uma situação em que o princípio da presunção de inocência foi relativizado, em face dos indícios, e isso provavelmente salvou vidas humanas. Perfeito. É sempre complexa, a coisa. 

João, eu concordo com o seu raciocínio e privilegio sempre as saídas civis para os problemas. Também acho que os instrumentos não fazem nada sozinhos, claro, e que em última instância são os sujeitos que os manejam os responsáveis (até mesmo penalmente) pelos resultados. Mas também acho que os instrumentos transformam os sujeitos. Ou seja, quando chega o Twitter, ele produz um impacto na forma como as pessoas circulam notícias. Elas mesmas mudam. Acompanhar essa mudança, refletir sobre ela, é parte importante da equação. 

Abraços a todos. </p>
<p>(Marcelo :: 
fev 18, 2011  9:51 AM)

Oh, Idelber! Valeu pela resposta. A frase do Saramago, que vc me desancou com esse seu momento de trollagem (ahahahaha), eu havia matematizado ela algumas vezes, e como essas contas de uma mesma coisa nunca batem, às vezes ela aparecia como tendo 138 caracteres, outras 150, etc. Mas, enfim, a mensagem foi dada, emulando (perfeitamente ou não) a fórmula criticada.

Abraço.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Direito e Justiça</dc:subject>
<dc:date>2011-02-17T07:26:36-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Mensagem aos cristãos que leem o blog</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/mensagem_aos_cristaos_que_leem_o_blog.php</link>
<CommentCount>61</CommentCount> 
<description>Outro dia, conversando com a Juliana Dacoregio no Twitter, me lembrei de que devo um pedido de desculpas. Em 13 de julho de 2009, este blog publicou um post intitulado Ateus, saiam do armário!, que gerou bastante debate aqui e...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia, conversando com a <a href="http://www.interney.net/blogs/heresialoira/">Juliana Dacoregio</a> no Twitter, me lembrei de que devo um pedido de desculpas. </p>

<p>Em 13 de julho de 2009, este blog publicou um post intitulado <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ateus_saiam_do_armario_ateismo_e_falsas_simetrias.php">Ateus, saiam do armário!</a>, que gerou bastante debate aqui e alhures. Reproduzido pelo <a href="http://ateusdobrasil.com.br/p/1937/">Ateus do Brasil</a> e por vários outros portais e blogs, o post também foi aquele que, até hoje, me gerou mais correspondência pessoal de leitores. Em geral, não incentivo o envio de emails sobre posts—prefiro que os leitores debatam na caixa de comentários, onde a conversa é pública e eu não tenho que me preocupar em responder a todo momento. Mas, neste caso, por motivos óbvios, muita gente, de vários rincões do Brasil, “saiu do armário” por email, me contando histórias sobre os efeitos da repressão religiosa. Algumas delas são terroríficas. </p>

<p>Enfim, é um post do qual eu me orgulho porque sei que cumpriu o papel ao qual ele se destinava. Infelizmente, errei a mão num trecho e, por <b>esse trecho</b>, quero me desculpar com os leitores cristãos do blog. </p>

<p>Há um momento do texto em que me escapou o sintagma <s>burrice digna de um cristão</s>.  A expressão aparece aqui rasurada porque a considero ofensiva e desnecessária. Ela é, inclusive, contraditória com a lógica do post, resumida na frase <em>tem que respeitar religião porra nenhuma</em>, que eu mantenho integralmente. A lógica é simples e está explicada no próprio texto: ideias não foram feitas para serem “respeitadas”, mas discutidas. Ideias religiosas estão incluídas aí e não devem gozar de nenhum privilégio. <strong>Pessoas </strong>devem ser respeitadas. </p>

<p>Exatamente porque pessoas merecem respeito, a expressão <s>burrice digna de um cristão</s> não cabia. Minhas desculpas a todos os cristãos que leem o blog. O termo não voltará a aparecer aqui. A primeira pessoa a me chamar a atenção para isso, na própria caixa de comentários, foi o <a href="http://twitter.com/davidbutter">David Butter</a>. Quero agradecer a ele pela discordância honesta e sempre ponderada. Obrigado, seu flamenguista. </p>

<p>Há várias outras coisas que eu gostaria de dizer sobre a relação entre <a href="http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/09/20/religiao_e_politica_no_brasil_atual/">religião e política</a>, mas aprendi que, quando se pede desculpas, é melhor não ficar falando demais (conhecem aqueles casais em que um diz <em>eu te peço desculpas, mas você também fez isso, aquilo, aquilo outro etc.</em>, de tal maneira que, quando o sujeito termina, as desculpas já se perderam?). Em breve, devo entrar numa conversa rica sobre <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/04/a_ilusao_de_deus_de_richard_dawkins.php">Richard Dawkins</a> que rolou na blogosfera, com contribuições de <a href="http://donizetti.opsblog.org/2011/01/26/dawkins-e-necessario-tanto-quanto-stephenie-meyer/">Doni</a>, <a href="http://biajoni.opsblog.org/2011/01/26/dawkins-e-necessario/">Biajoni</a>, <a href="http://andreegg.opsblog.org/2011/01/28/mais-um-pitaco-sobre-dawkins-ou-o-ateismo-que-desconhece-a-teologia/">André Egg</a>, <a href="http://index.opsblog.org/01/2011/dawkins-e-necessario-pode-acreditar/">Daniel Lopes</a>, <a href="http://carlosmagalhaes.com.br/2011/01/30/qual-e-o-alvo-de-deus-um-delirio/">Guto</a>, <a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/2011/02/08/dawkins-o-zagueirao/">Leonardo de Souza</a> e <a href="http://gatoprecambriano.wordpress.com/2011/02/04/o-resgate-de-dawkins/">Gato Précambriano</a>. Este não é o momento. As relações entre religião e política serão tema de muitas conversas por aqui ainda. Mas antes, era necessário este esclarecimento. </p>

<p>Portanto: cristãos, desculpem o uso do termo. Ele não voltará a ocorrer aqui. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/mensagem_aos_cristaos_que_leem_o_blog.php#comments" title="Comente Mensagem aos cristãos que leem o blog">61 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://guilhermepovoas.blogspot.com" rel="nofollow">Guilherme Póvoas</a> :: 
fev 14, 2011 11:38 AM)

Sim, sim! Não sou cristão mas também lhe desculpo. E, afinal de contas, quando volta a twitcam?</p>
<p>(marlene hairs. :: 
fev 14, 2011 11:44 AM)

Sou Cristã e entendo que Deus não precisa de defesa. Ele o é e pronto. O problema é que se as questões da religiosidade e dogmas é que atrapalham ferrenhamente o entendimento da Palavra, pois cada corrente de fé quer puxar a sardinha para o seu lado e em Nome de Deus se cometem tremendas atrocidades. O que deve ficar bem claro é exatamente isto que colocou sobre o respeitar "aquilo" que cada um acredita, pois ninguém verdadeiramente detém a verdade. Estamos todos aqui e, você e todos os seus leitores permeando por ela e crendo em absoluto que todos estamos certos em quase na sua totalidade.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011 11:44 AM)

Volta em breve! </p>
<p>(JG_ :: 
fev 14, 2011 12:05 PM)

Hay que tener cojones.</p>
<p>(<a href="http://catatau.blogsome.com" rel="nofollow">Catatau</a> :: 
fev 14, 2011 12:08 PM)

Legal o pedido de desculpas, passagens como a reconhecida neste post só reforçam um fla x flu no qual vc certamente não gostaria de se inserir (como qualquer religião, cristãos bobões não colocam um vínculo de necessidade de que o cristianismo inteiro é bobão - salvo o de Sarah Palin, claro, heheh - e vice-versa, ateus bobões não tornam o debate sobre o ateísmo inteiramente bobão).

Assim teu canal de debate, que tem uma voz muito grande na blogosfera (vale dizer), chama a atenção ao que deve realmente ser debatido ("ideias não foram feitas para serem “respeitadas”, mas discutidas"...)</p>
<p>(Mona :: 
fev 14, 2011 12:34 PM)

Para mim, a maior conquista da humanidade foi a separação entre estado e religião, conseguida a partir do renascimento e do iluminismo. A fé é questão de forum íntimo e por isso mesmo as convicções de uns, ou de um grupo,  - que entendo como coisas relativas ao privado - não podem ser imperativas ao coletivo - que fica na esfera do público. 
Daí é que não consigo compreender como criaturas inteligentes, descoladas, libertárias, amantes do bom do belo e do justo, defendem com tanto ardor países que baseiam seu sistema político em teocracias. Falando claramente, aqui se defende o Irã, além de proto-estados (que ao se tornarem estados serão teocráticos, a exemplo da palestina) contra o Estado de Israel (um estado em que, embora não-laico, não tem possui religião oficial), que representa com muito mais propriedade os valores ocidentais e democráticos.
O que se pretende, afinal? Apenas agir como menino birrento e ser contra o império do momento, mesmo que, para isso, se esteja alimentando os corvos que um dia irão arrancar nossos olhos? Que maneira de agir é essa? Um monte de Lancelots indo atrás do Graal para completarem seu processo de amadurecimento e, nesse caminhar, escolhem causas que têm um potencial incrível de deitar por terra todas as conquistas da civilização contra a barbárie, elegendo como ídolo aberrações tais como o Ahmadinejad, o Hammas, o Hisbollah? Idelber, meu velho, como um bom ateu, de que maneira pode ser incensada qualquer teocracia?</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011 12:37 PM)

Eu não defendo "proto-estados". Eu defendo o povo palestino contra uma ocupação militar ilegal e um roubo de terras que já dura 41 anos. 

E jamais defendi o regime iraniano. Critiquei a indignação seletiva das "direitas humanas", para quem ditabranda boa é a ditabranda que está do nosso lado. </p>
<p>(<a href="http://vidaoffline.wordpress.com" rel="nofollow">Marcus Pessoa</a> :: 
fev 14, 2011 12:56 PM)

Na boa, não acredito em histórias de "repressão religiosa" contra ateus no Brasil. Se alguém sofre com ela, são os umbandistas difamados em sermões de algumas igrejas neopentecostais, o que gerou inclusive aquele belo movimento contra a intolerância religiosa no Rio de Janeiro, subscrito por todas as igrejas, inclusive a católica.

Sou ateu, e acho inócuos e sem propósito esses movimentos de sair do armário. Acho, inclusive, de muito mau gosto comparar a situação dos ateus com a dos homossexuais, por exemplo, esses sim, discriminados por todo mundo o tempo todo.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  1:21 PM)

20 de novembro de 2008: Câmara aprova Projeto de Lei 2865/08, do deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), que obriga o Poder Público a colocar um exemplar da Bíblia em cada biblioteca pública do País. O projeto, ainda por cima, estabelece leitura de Bíblia em escola pública. 

08 de dezembro de 2008: Estadão publica matéria que mostra que Mackenzie, Colégio Batista e toda a rede de escolas adventistas do País adotam uma postura de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. 

Junho de 2004: Revista Época publica matéria que exibe a imposição do criacionismo nas escolas do Rio de Janeiro durante o governo Garotinho. 

14 de dezembro de 2008: Folha de São Paulo publica matéria sobre o ensino do criacionismo (fora das aulas de religião, até mesmo no ensino fundamental) no Mackenzie: Material didático do Mackenzie e Pueri Domus traz visão teológica no ensino fundamental. Esse link traz um material mais completo. Há uma versão mais reduzida na Folha Online. 
</p>
<p>(Valdir :: 
fev 14, 2011  1:24 PM)

O problema do catolicismo brasileiro não está somente nas ideias estapafúrdias que professa, mas na articulação de discurso e prática social. No Brasil, o catolicismo - logo, um sem número de católicos - está ligado ao que de mais atrasado o país possui, a santificação da propriedade e do proprietário entre outras coisas. Não dá pra separar assim as ideias, aqueles que as vinculam e suas práticas sociais. Entendo o pedido de desculpas, mas entendo que houve um corte muito bem vindo num país de meias palavras e meias medidas. A contribuição do cristianismo foi que todos devem se considerar iguais, filhos do mesmo pai, irmãos na mesma mesa, isto é, um avanço do pensamento democrático está ligado a um avanço dos ideais cristãos. Atualmente, o catolicismo contraria esse avanço, Nietzsche viu bem, o catolicismo é o anti-cristo, a partir de instituições segregadoras, machistas, preconceituosas, sectárias e medievalistas.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  1:27 PM)

Estou contigo, Valdir. Mas é importante atacar as ideias e as práticas sem pressupor que  todos os cristãos, individualmente, são culpados por elas. Inclusive porque aí a crítica resulta mais eficaz, eu acho. </p>
<p>(JG_ :: 
fev 14, 2011  1:35 PM)

Marcos (#8)

Sem essa bobagem de comparar opressão, que acaba-se numa quantificação subjetiva e sem sentido.

É evidente, por uma série de fatores, que o preconceito é bem mais visível e pesado contra negros e homossexuais. Mas havendo preconceito contra um grupo, é preciso que seja combatido, independentemente do tamanho de seu impacto na vida dos que se sentem oprimidos.   

Minha pele é parda mais pra branca e sou heterossexual, portanto não faço ideia do que esses grupos sentem desde de crianças no seu dia-a-dia, mas também já tive meus pequenos momentinhos como ateu. 

Já me senti humilhado em várias conversas sobre religião com familiares em que argumentava o porquê de ser ateu, com a maior sensibilidade pra não ser ofensivo, e recebia em troca risinhos irônicos e frases como "é rebeldia de adolescência"(aos 25 anos), "quando você amadurecer, essa fase passa". Ou tive de ouvir indiretas de meu irmão de que a minha cunhada não me queria próximo na educação de meus sobrinhos porque eu sou ateu. 

É, nunca apanhei na rua, nem fui barrado em porta de shopping, mas já me senti um bocadinho humilhado e excluído por ser ateu. E o meu caso não é exceção.            

E, qual é, se dois dos três últimos presidentes tiveram que esconder seu ateísmo pra conseguir serem eleitos, alguma coisa está muito errada.  


 

</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  1:38 PM)

Pra não falar das espantosas histórias que recebi por email, que incluem, por exemplo, castigos físicos a adolescentes que se recusam a ir à igreja. </p>
<p>(<a href="http://claudiocosta.tumblr.com" rel="nofollow">Cláudio Costa</a> :: 
fev 14, 2011  1:41 PM)

Muito bom! Seu pedido de desculpas é absolutamente coerente com o Idelber que conheço.
 </p>
<p>(<a href="http://index.opsblog.org/" rel="nofollow">daniel</a> :: 
fev 14, 2011  2:39 PM)

Idelber, aí nos links que rolaram sobre o Dawkins, põe por favor o do Leonardo, muito foda - http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/2011/02/08/dawkins-o-zagueirao/

Abs!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  2:47 PM)

PQP, me esqueci justamente do texto de que eu tinha mais gostado! Valeu, Daniel, já está lá. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  2:48 PM)

Grande Doutor Cláudio, sempre um prazer tê-lo aqui. E o nosso Galo saindo do buraco, hein? </p>
<p>(Cláudio Freire :: 
fev 14, 2011  3:28 PM)

Mona (#6), além do que Idelber falou em (#7), acho importante lembrar que o fato de termos críticas em relação a qualquer estado não deve nos impedir de manter aberta a porta do diálogo. É assim que estados democraticamente eleitos devem se relacionar, até para que fiquem mais claros os pontos de divergência e os de convergência. Conforme falava Celso Amorim, "não é pondo o Irã contra a parede que se vai conseguir debater medidas para fins pacíficos".   </p>
<p>(Cláudio Freire :: 
fev 14, 2011  3:30 PM)

Mona (#6), além do que Idelber falou em (#7), gostaria também de lembrar que o fato de termos críticas em relação a qualquer estado não deve nos impedir de manter aberta a porta do diálogo. É assim que estados democraticamente eleitos devem se relacionar, até para que fiquem mais claros os pontos de divergência e os de convergência. Conforme falava Celso Amorim, "não é pondo o Irã contra a parede que se vai conseguir debater medidas para fins pacíficos nessa questão".   </p>
<p>(<a href="http://outrascoisaseafins.wordpress.com/" rel="nofollow">Paulo Soares</a> :: 
fev 14, 2011  4:10 PM)

Esse é um assunto importante e interessante.

Não sei se apenas pelo viés do "sou ateu e sou feliz", mas pelo da tolerância.

E tolerar o diferente não é apenas suportá-lo, mas aceitá-lo em sua diferença.

No caso das religiões, temos a intolerância - clara e óbvia. Mas temos também uma intolerância mais sutil.
Poucas coisas me incomodam mais quando ouço alguém dizer que "todas as religiões pregam o mesmo". Imagino um jainista e um cristão tentando encontrar pontos de contato em sua metafísica e/ou objetivos finais.

Do ponto de vista ético, é possível ver semelhanças enormes entre as religiões, claro (não matar, não roubar, respeitar os mais velhos... isso está em todas as religiões). mas do ponto de vista metafísico, há distinções que devem ser respeitadas. Nada mais intolerante que o ecletismo religioso, que tenta reduzir o "outro" ao "mesmo".

Se bem que sou ateu (e feliz). E nossa metafísica (ou física) também deve ser respeitada. O problema é que as pessoas só relacionam moralidade a princípios metafísicos... bem, se Habermas não escrevesse daquele jeito, talvez ajudasse a divulgar uma outra forma de amparar a moralidade... hehe

Falar sobre ateísmo não é só discorrer sobre os avanços da genética ou física, que nos mostram uma natureza que prescinde deum criador. É também discutir ética e moralidade - de forma que prrescindam de um criador. É conversar sobre a origem dessa dependência de um "pai no céu". É ampliar o sentido da palavra tolerância.

No meu blog (momento publicidade) eu até arrisquei começar a arranhar o assunto aqui:
http://outrascoisaseafins.wordpress.com/2011/01/28/tolerancia-religiosa-2/</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/rlivre" rel="nofollow">Radical Livre</a> :: 
fev 14, 2011  4:33 PM)

Pois é, Valdir (#11).  Os católicos são isso tudo, mas também foram eles que, em muitas ocasiões, deram a cara a tapa durante a ditadura militar.

Mesmo um bispo completamente conservador como D. Eugênio Salles, aqui no Rio, auxiliou perseguidos políticos.  

Isso sem falar nos que propunham a Teologia da Libertação, os que auxiliavam na criação das Comunidades Eclesiais de Base, os que foram pessoalmente torturados e mortos.

A Igreja católica realmente deu uma guinada conservadora nos últimos 30 anos, mas não dá para colocar todos os católicos (ou todos os cristãos) numa única categorização ideológica.
</p>
<p>(<a href="http://www.estadocronico.com.br" rel="nofollow">Carlos Goettenauer</a> :: 
fev 14, 2011  5:36 PM)

Não conhecia o Biscoito Fino à época do citado post sobre religião. Foi uma ótima referência. Ao fim, resta a lógica de que religião é a burocratização de Deus. 
</p>
<p>(aiaiai :: 
fev 14, 2011  5:38 PM)

O problema, Radical Livre, é que os católicos que deram a cara a tapa na ditadura e propuseram a teologia da libertação, etc..., eram pessoas tolerantes que não se incomodavam se estavam ajudando a salvar a vida de um ateu, de um judeu ou de um espírita. Já os católicos que hoje empunham as bandeiras conservadoras são cada vez mais intolerantes. Aqui onde moro - e não é nenhuma roça, é uma capital - até ioga é discriminado pelos católicos.
Eu sofro bastante com isso já que por ter um filho adolescente não posso sair do armário. Se eu falar abertamente que sou ateia quem vai sofrer é o meu filho. Já tive várias amostras disso e recuei. Voltei para o armário, de onde só pretendo sair quando o meu filho for maior e puder entender melhor essa questão.</p>
<p>(arbo :: 
fev 14, 2011  7:14 PM)

idelber, o original continua com a frase motivadora deste post. intacta.</p>
<p>(<a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/" rel="nofollow">Lelec/Leonardo</a> :: 
fev 14, 2011  7:28 PM)

Oi Idelber, 

Muito obrigado pelo:

"PQP, me esqueci justamente do texto de que eu tinha mais gostado!"

Mas meu nome é Leonardo "de Souza" (o do "Para você, que não votou na Dilma"...) e não "Bernardes"...

Abração e obrigado...

PS: Começo o texto "Dawkins, o zagueirão" citando o brilhante Luisinho, ex-Galo. Não é todo dia que um flamenguista faz isso não! :)</p>
<p>(Cajueiro :: 
fev 14, 2011  8:03 PM)

Caro Idelber, tanto tempo depois, lembrar disso, só aumenta meu respeito por você. </p>
<p>(Marcia Costa :: 
fev 14, 2011  8:33 PM)

Sinceramente, não precisava se desculpar. Eu nem tinha notado a expressão pois haviam tantas coisas interessantes no texto... Só se incomoda quem não possui a certeza do se é. Sou cristã, e daí?! Outros não são. Alguns são hindus; outros siks; islâmicos. Muitos se recusam a sofrer dessa loucura coletiva que é ter um Deus. Isso é ser humano. Gosto que seja assim. Não me incomoda porque sou feliz com minha fé, ainda que ela pareça absurda e imbecil para muitos. Acrescento que além de cristã, sou espírita, ou seja, como dizem meus amigos próximos " gosto de fantasminhas". Logo, acredito em reencarnação, vidas passadas. leio Allan Kardec e tem a mais absoluta certeza que fora da caridade não há salvação. Mas sabe, eu gosto dos ateus pra caramba. Não há um que eu conheça que não tenha uma formação intelectual extraordinária. Os caras sabem argumentar, por isso meu profundo respeito de deísta!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011 10:59 PM)

Arbo: claro que o post original continua com a frase. Se eu a apagasse, tanto a caixa de comentários do original como este próprio post ficariam ilegíveis. Pra isso existe o pedido de desculpas: pra apontar, não esconder o erro original. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011 11:00 PM)

Leonardo: mil desculpas! Misturei seu sobrenome com o do Leonardo do Reinventando Santa Maria. Já corrigido. Pra não bagunçar seu nome, vou substituir mesmo, ao invés de rasurar, que é o que normalmente faço ao corrigir erros. Abração e desculpas de novo. </p>
<p>(Valdir :: 
fev 14, 2011 11:55 PM)

Radical Livre: concordo. Mas cuidado pra não relativizar. Boa parte da Teologia da Libertação foi excomungada, justamente porque foi radical na expressão de seu cristianismo. Aí o catolicismo tupiniquim (TFP, Opus Dei, integralistas tardios etc), não soube tolerar nem lutar junto. Pelo contrário.</p>
<p>(<a href="http://andreegg.opsblog.org" rel="nofollow">André Egg</a> :: 
fev 15, 2011 12:02 AM)

Idelber,

aquele teu texto foi importante. Não carecia pedido de desculpas não. Eu como cristão não me senti ofendido - e burrice existe no cristianismo e fora dele, como todos sabemos.

Sou cristão, e julgo que todos os cristãos deveriam trabalhar por um mundo em que a religião seja uma questão de foro íntimo, que não interfira jamais em normativa de conduta sexual ou política (exceto pela exigência ética que deveria pautar a ação do cristão na defesa do bem público).

Existe sim muito preconceito e perseguição contra ateus, nem tanto quanto contra homossexuais, talvez porque o ateísmo não seja muitas vezes tão evidente em uma pessoa quanto a orientação sexual.

O Estado Laico moderno foi primeiro uma criação em países cristãos multi-confessionais, como a Holanda do século XVII.Da mesma forma, julgo que deveria ser interesse máximo dos cristãos separar a religião do Estado.

Entretanto, separar fé e política é uma coisa quase impossível - como afirmo no texto que escrevi pro Amálgama quando um pastor batista incitou os fiéis a não votarem no PT.

http://www.amalgama.blog.br/09/2010/caso-piragine/

Minha única restrição quanto ao teu texto, e contra outros diversos que leio blogosfera afora, é pela prática de tomar o fundamentalismo como única expressão cristã legítima - o que não é fato. O cristianismo é dinâmico e multi-facetado, e tem importantes forças progressistas se batendo em seu interior.

Como estratégia política, considero que existe uma aliança programática natural entre ateísmo e cristianismo progressista. Uma luta por justiça social e igualdade, direitos humanos e democracia, educação, ciência e cultura.

Aliás, vale dizer, cristãos liberais são tão perseguidos quanto ateus nos círculos fundamentalistas. Eu sei bem o que é isso. Basta ver a caixa de comentários de outro texto que escrevi:

http://andreegg.opsblog.org/2010/09/07/pr-pascoal-piragine-os-batistas-do-parana-na-vanguarda-do-atraso/
</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/rlivre" rel="nofollow">Radical Livre</a> :: 
fev 15, 2011 12:07 AM)

aiaiai e valdir - eu sei no que o catolicismo se transformou nos últimos 30 anos.  João Paulo II e sua turma realmente botaram para quebrar nas vertentes mais avançadas da ICAR, não só aqui mas em todo o mundo.  
Mas ainda tem muita Dorothy Stang por aí, dando a cara a tapa.  
Então, mesmo a generalização em cima da Igreja Católica ainda é inapropriada.</p>
<p>(<a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org/" rel="nofollow">Lelec/Leonardo</a> :: 
fev 15, 2011  5:02 AM)

Ô Idelber,
Muito obrigado pela correção no meu nome. Isso acontece, ne t'inquiète pas.
No mais, havia esquecido de lhe dizer: seu pedido público de desculpas aos cristãos, tanto tempo depois, só faz aumentar a enorme admiração que tenho por você e pelo seu trabalho. Parabéns e um abração aí.

PS: Fico feliz em saber que o primeiro a lhe apontar o sintagma foi um flamenguista, o que só mostra a ponderação serena e inteligente que caracteriza os torcedores do maior time do mundo. </p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 15, 2011 10:24 AM)

“…ideias não foram feitas para serem “respeitadas”, mas discutidas….  Pessoas devem ser respeitadas.” É isso. 

Associados aos fatos sempre há argumentos, e aos argumentos sempre fatos. 

Algum dia, Idelber, “roubarei” o seu escrito para algum verso…</p>
<p>(<a href="http://deolhonofato.blogspot.com" rel="nofollow">Luiz</a> :: 
fev 15, 2011 11:05 AM)

Valeu pela iniciativa de pedir desculpas, Idelber.

Eu subscrevo tudo o que o André Egg disse logo acima. Colocar todos os cristãos (e todas as instituições cristãs) no mesmo balaio é equivocado. Aqueles que lutam internamente em defesa de posições progressistas tem sua luta constantemente esquecida ou tem sua importância minimizada.
</p>
<p>(arbo :: 
fev 15, 2011  2:24 PM)

ok, idelber, me parecera uma alternativa melhor q ficasse assim, riscada. mas estou de metido nessa. abç</p>
<p>(arbo :: 
fev 15, 2011  3:41 PM)

#20
Paulo, uma maneira plausível de "amparar" a moralidade...
http://drplausivel.blogspot.com/2010/11/repulsa-ao-nexo-22.html
</p>
<p>(bacana :: 
fev 15, 2011  6:01 PM)

O texto que deu origem a tudo isso é excelente. Foi bom relê-lo. </p>
<p>(Cajueiro :: 
fev 15, 2011  6:25 PM)

Já eu acho que as desculpas foram muito boas. Não porque tenha sido algo terrível, mas porque esse tipo de afirmação tem o poder de envenenar o debate. Quando Idelber escreveu o texto, sua intenção era, acredito, direcioná-lo aos ateus, dai a afirmação categórica (e um tanto catártica). Se o Idelber pretende abordar o assunto futuramente acolhendo toda sorte de debatedores, não apenas os ateus, é uma forma de dizer aos cristãos que são bem-vindos. Do contrário, estaria desencorajando a participação destes, por serem, de antemão, estúpidos, e, talvez, encorajando a trolagem religiosa.</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 15, 2011  6:27 PM)

mas que eles são mais tapados que panela de pressão..lá isso são</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 15, 2011 10:19 PM)

Caro André, agradeço demais o seu depoimento de cristão de que, na sua opinião, as desculpas não eram necessárias. Quanto ao trecho do seu comentário 

Minha única restrição quanto ao teu texto, e contra outros diversos que leio blogosfera afora, é pela prática de tomar o fundamentalismo como única expressão cristã legítima

creio que discordaria de que o texto afirme isso. O texto ataca o silenciamento dos ateus, ataca as lambanças obscurantistas que vêm da religião, critica o privilégio da religião num estado supostamente laico, mas não afirma que a "única expressão cristã legítima" é o fundamentalismo. Eu não acredito nisso e não creio havê-lo afirmado. 

Enfim, concordamos plenamente que há uma aliança natural a ser feita entre ateus e cristão progressistas na luta por justiça social. Forte abraço. 

</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 15, 2011 10:20 PM)

Entendi seu comentário agora, Arbo. Vou seguir sua sugestão e rasurar a expressão no texto original, com uma atualização remetendo a este post. Valeu. </p>
<p>(<a href="http://blogdodanielphilos.blogspot.com" rel="nofollow">Daniel Boeira</a> :: 
fev 15, 2011 10:29 PM)

Muito correta tua atitude. Sou um ateu abalado. E creio que há também inteligência digna de um cristão e de outras opções religiosas.

É um bom tema para um debate suave e tranquilo.

Afinal sou daqueles que pensa que religião se discute sim. Mas com respeito e finesse.</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 15, 2011 10:29 PM)

Grande atitude, Idelber, eu creio que o post em relação ao qual você faz mea-culpa foi dos melhores aqui - no que concerne em pôr fogo no debate -, embora nesse ponto você se equivocou mesmo. A questão religiosa, claro, está aí, a polêmica inerente à sua existência é dura, mas é o tipo da coisa que não há como (nem porque) se esquivar. Sim, eu discordo das linhas gerais do que se chama "religião" - sobretudo a tradição abramíca -, seja num aspecto filosófico ou político, mas também não estou satisfeito com a crítica - ou a prática - que são feitas cá do lado dessa conversa - e as simplificações decorrentes. A crítica no Brasil e no mundo tem passado por uma linha liberal à americana (e sua superficiliade inerente) e pouco por uma problematização da religião que passe pela sua relação com o sistema capitalista contemporâneo, senão vamos cair num binarismo estranho - e nesse sentido, muito longe de ser alguém religioso ou crente, eu também refuto um ateísmo, não sei até que ponto insistir nessa dicotomia faça sentido, afinal, ela não deixa de girar em torno do conceito de Deus, em relação ao qual, naturalmente, eu sou alheio.</p>
<p>(Charles :: 
fev 15, 2011 11:15 PM)

(Sou Cristã e entendo que Deus não precisa de defesa. Ele o é e pronto.)

É isso que me mata nos cristãos. Com eles não tem vez, a palavra deles é a que vale e ponto! Não importa o quão lógica seja teu ponto e os fatos que estão por ai espalhados pelos cantos, como políticos corruptos pelo Braziu.

Sejamos flexíveis, vamos discutir, debater, sem perder a pose. Coloque-se um dia a pensar sobre tudo que você cresceu acreditando, procure saber porque ele prefere abençoar você do que aquele que necessita mais. Esse lance de que, "Se morreu é que foi pra algum lugar melhor, ou que se sobreviveu foi Graças a Deus. Isso não cola. É por esses pequenos detalhes, que você tem que se questionar disso tudo. Se ele realmente tem influencia sobre o mundo e sua melhor (ou pior) criação, o homem. Porque ele anda dando tanta bola fora. Tem um monte de gente mais fiel a ele por ai do que você, e estranhamente deixados de lado. Que Deus é esse, me faria mt feliz tudo isso ser verdade, mas [...]
***********************************

"É melhor saber depois de ter pensado e discutido, do que aceitar os saberes que ninguém discutiu para não ter que pensar."

abraço.</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 15, 2011 11:32 PM)

Também,por favor, me desculpem... 
Já disse isso antes...


PERFUME
by Ramiro Conceição


Dentre os passos meus, naquela manhã, vi deus
no olhar de um cachorrinho ateu, que passeava…
Aquele deus não era tribal, nem um assassino – de gays;
não tinha escravos, terras ou altares justificados por leis;
abominava políticos, padres, freiras, pastores e dízimos;
não era uma lua mística, mas um sublime sol – objetivo!;
era um olhar enamorado que, agora, tento dar um nome,
mas aquele deus não tinha nome; era qualquer homem
ou mulher; era a luz de estrelas num vagar de um vaga-lume;
era um perfume a dizer-me: 
NEM OURO QUE RELUZ É TUDO.

</p>
<p>(<a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br" rel="nofollow">Guto</a> :: 
fev 16, 2011 12:48 AM)

Hoje ouvi uma pessoa dizer que o filho de poucos anos, imagino que em torno dos 10, sabe falar de cor os nomes dos não sei quantos livros da Bíblia. Em Belo Horizonte, um canal evangélico tem um programa infantil em que o energúmeno apresentador afirma que as crianças que não aceitam Jesus vão para o inferno. 

Escrevi no meu blog que tenho dúvidas em relação ao proselitismo ateu. Mas depois de ouvir essa fala de um pai que amestra o filho para repetir os nomes dos livros da Bíblia* (e lembrar do programa de tevê evangélico-infantil)fiquei com uma pulga atrás da orelha.

* É óbvio que o problema não é simplesmente ensinar o filho a repetir os nomes dos livros, mas o que essa prática pode indicar em relação à educação/inculcação religiosa que o filho recebe.  

Ainda que todos fossem convencidos de que o ideal do Estado Laico deve prevelacer e que as práticas religiosas devem se restringir aos espaços privados, restam as crianças e adolescentes.

Como ficam as crianças e adolescentes bombardeadas por pais fanáticos ensandecidos com discursos intolerantes, homofóbicos, obscurantistas, etc? Como protegê-las contra essa doutrinação? 

Não estou dizendo que o proselitismo ateu seja solução para esse problema. Não sei qual seria a solução. Estou com a pulga atrás da orelha. 

Seja como for, uma atitude laissez faire sobre a educação religiosa privada pode fazer vítimas...  </p>
<p>(Renata Lins :: 
fev 16, 2011  4:11 AM)

Acho que o que fica disso tudo é que  a gente tá vivendo um período de intolerância. Religiosa, também. Intolerância em geral. Nesse sentido, caiu bem o pedido de desculpas. Eu não sou cristã  - nem atéia, é bom dizer; sou o q um amigo seu já chamou de uma pessoa "que acredita em coisas" (que aqui não vêm ao caso).
O que eu queria dizer aqui é que a luta contra a intolerância (e portanto contra a discriminação) deveria unir religiosos de todas as denominações e ateus. 
Agora:religiões têm uma estrutura criada pelos homens - e isso sim pode ser discutido. Com atenção para os diferentes, com algum cuidado, de preferência. Atenção à intolerância.
Já crenças, não. Não há como provar a não-existência de Deus... e isso, do meu ponto de vista, é absolutamente irrelevante pro que nos ocupa aqui. Tratemos dos assuntos dos homens.</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 16, 2011  9:50 AM)

Acho que as crianças se protegem sozinhas. De uma maneira geral, nada forma ateus mais convictos nem crentes mais relapsos do que uma educação religiosa daquelas bem antolhadas.

Graças à inexistência de Deus, o mecanismo de ação-e-reação funciona...</p>
<p>(<a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Cava</a> :: 
fev 16, 2011  9:55 AM)

Salve,

Ateísmo quando ataca a existência de Deus, --- seja por biologismo, fisicismo ou qualquer outro cientificismo ingênuo; de modo panfletário como Dawkins ou não --- desrespeita a relação pessoal de cada um com a divindade e desfoca as lutas materiais.

O materialista não tem um modelo pronto na cabeça pra aplicar ao mundo (idealismo). Ele traça estratégias para potencializar as lutas reais.

Qual é a luta?

É a pretensão de profetas e igrejas (e não da religião) em atuar na esfera pública. Esse o inimigo central, o foco: religiosos impedindo o direito da mulher sobre o corpo, a igualdade dos mil sexos, o casamento como instituição aberta a todos, o direito a uma educação não-dogmática (aberta a todas as teorias, inclusive criação espontânea, quando não apresentada como verdade, mas tese, a analisar-se em todas suas implicações ontológicas, epistemológicas, éticas e sobretudo políticas).

Essa luta, com melhor razão, se chama anticlericalismo e não ateísmo. E por que "melhor razão"? Pela prática. Porque podemos encontrar um monte de gente que acredita em Deus e mesmo religiosa que lute junto com os ateus, pela separação entre fé e políticas públicas, por um estado laico, por leis democráticas. 

Do mesmo modo, podemos encontrar ateus que sejam contra essa visão. Ateus dogmáticos, pra quem a inexistência de Deus é um dogma, e deve ser apresentado como uma tese melhor do que a sua existência.

Não, eu não acho que as teses sejam equivalentes, mas por outro lado tampouco acho que a educação deva encurralar a criança em um ponto de vista. Isso é justamente o que fazem as igrejas. Pode ser que uma pessoa, com todas as informações à mão, ainda assim opte por seguir certa religião.

Nesse sentido, há ateus daninhos às causas concretas, que imaginam um mundo onde se deva censurar e oprimir religiosos, inclusive que poderiam estar do nosso lado, --- do lado da universalização dos direitos. 

Segundo ponto.

É possível, sim, mensurar o grau de violência e preconceito que sofrem minorias, conquanto não seja uma quantificação precisa.

Lembro-me bem numa aula sobre direito penal, quando se falava do sistema punitivo triturador de pobres e negros, e uma patricinha da Gávea disse também ter sofrido preconceito, quando foi parada e revistada pela polícia por uma blitz na estrada para Búzios.

Eu mesmo descendo de calabreses e napolitanos (aliás vocês podem achar a família Cava no livro "Gomorra: a história real...), ou seja, um grupo que sofre preconceito por italianos do norte, --- preconceito com lastro histórico e efeitos socioeconômicos --- mas não teria a sandice de me comparar às minorias negras e indígenas no Brasil, e exigir direito às cotas nas universidades.

Alguém se julgar minoria oprimida porque ouve piadinhas na família, ou por se sentir acuado socialmente, isto é muito menos, em todos os níveis imagináveis, do que um negro "confundido" pela polícia uma única vez.

Sem falar no caráter histórico de qualquer preconceito substantivo: negros foram sistematicamente arrancados da África, deportados, escravizados, torturados, estuprados, excluídos do ensino, triturados por quase todas as instituições estatais. Os indígenas americanos foram exterminados numa guerra genocida. 

Pra não perder a viagem, data venia o dono do blogue, um link a meu ensaio "Ateísmo em si, causa desfocada":
http://www.amalgama.blog.br/02/2011/ateismo-em-si-causa-desfocada/

Abraços e beijos ateus.</p>
<p>(Pedro Costa :: 
fev 16, 2011 12:10 PM)

Considerando que toda ditadura deve acabar, inclusive a cubana.</p>
<p>(arbo :: 
fev 16, 2011  2:20 PM)

baita comentário esse do bruno cava. novo rumo.</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 16, 2011  7:16 PM)

Li rápido o título do post e por um instante me intusiasmei: "Massagem aos cristãos que leem o blog". Como não haverão loiras bem dispostas e de mãos macias...tá bom, Idelber, quanto à parcela que me cabe, tá perdoado.</p>
<p>(<a href="http://www.biajoni.com.br" rel="nofollow">Biajoni</a> :: 
fev 16, 2011  9:41 PM)

vc usou uma comparação metafórica e ela é cabida.
não precisava da desculpa.
é como dizer: "cego como um japonês".
;>)</p>
<p>(<a href="http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05" rel="nofollow">A Lesma Lerda</a> :: 
fev 16, 2011 10:23 PM)

parece que o que o pessoal está querendo dizer, no fim das contas é o "bom" e velho..."a gente tem de acreditar em alguma coisa não é?"...</p>
<p>(Gabbardo :: 
fev 17, 2011 12:56 AM)

"Conversa rica" sobre religião com Richard Dawkins? Impossível.

http://www.nybooks.com/articles/archives/2007/jan/11/a-mission-to-convert/

http://www.nybooks.com/articles/archives/2007/mar/01/the-god-delusion/</p>
<p>(<a href="http://ideias.wikidot.com/dinheiro-embranquece" rel="nofollow">Luís Henrique</a> :: 
fev 17, 2011 11:57 AM)

Bons textos, bons textos. A frase sobre Dawkins ser um ateu amador é antológica; vai, nos termos do próprio Dawkins, virar "meme".

Lembro-me de Bertrand Russell distinguindo ateus/agnósticos criados num ambiente protestante de ateus/agnósticos criados num ambiente católico. Dawkins é decididamente um "ateu protestante", vitoriano, como diz a resenha de Orr. Não diz nada a mim, enquanto "ateu católico".

Mas o mais grave, em Dawkins, é a absoluta ignorância histórica. Do meu ponto de vista, é impossível acreditar em Dawkins sem "acreditar em coisas". Por que é que algo tão absolutamente absurdo como a religião tem um impacto tão intenso sobre as nossas vidas? Se não existem motivos históricos para isso, então só pode ser porque alguma entidade metafísica e maléfica nos enfeitiçou com essas crenças nefastas. E aí...</p>
<p>(<a href="http://twitter.com/davidbutter" rel="nofollow">david</a> :: 
fev 17, 2011  7:14 PM)

Boa, cara. </p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 17, 2011  8:02 PM)

O Bruno Cava, fez uma pergunta importante...
Qual é a luta?

Pergunta difícil! 
Então uma resposta difícil...


ELÍPTICO
by Ramiro Conceição


Com matemática e fantasia, 
aprendi uma viva astronomia 
que explica o porquê que, 
elíptico, o meu olhar alegre
gira livre - em torno ao seu.




</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 17, 2011  8:08 PM)

No texto, não existe a PORRA da vírgula 
depois de Bruno Cava... É óbvio!</p>
<p>(<a href="http://www.velhoshabitos.blogspot.com" rel="nofollow">Rodrigo</a> :: 
fev 28, 2011 10:06 AM)

Como perdi o outro post, comento aqui. Eu moro em Recife, num dos 'últimos' bairros antes da cidade acabar. A minha casa fica numa vila, numa rua sem saída, atrás da - matriz - igreja católica do bairro. A influência religiosa é imensa, o bairro vive um pouco o dilema de ser simultaneamente campo e cidade, cada vez menos campo. Algumas pessoas ainda passam o dia com as portas abertas, colocam a cadeira na calçada no fim da tarde. Quando eu era pequeno, ainda criança mesmo, resolvi deixar de frequentar a missa, achava chato e já tinha me dado conta que muitos iam mais pra paquerar e se amostrar, que de fato rezar. Todos seguiam uma obrigação familiar. No entanto, várias vezes estava no terraço lendo o jornal de domingo às sete da noite, quando passavam meus amigos e me chamavam de herege, pois sabiam que eu não tinha ido na missa da manhã (missa das crianças). Se você perdia uma, TINHA que ir na outra. Alguns meses depois, voltei a frequentar a igreja. Até me tornei coroinha por uma única e fatídica missa, só pra demonstrar pra mim mesmo que aquilo tudo era muito fácil de se conquistar, que era realmente uma decisão minha não participar daquela instituição. Lembro que antes de desistir totalmente precisava fazer algumas coisas, uma delas era provar da óstia antes de fazer a primeira comunhão. Aí que os que gritavam herege, mostraram suas garras.  Dois amigos mais velhos vieram conversar comigo seriamente dizendo que eu tinha estragado minha vida e a da minha família, que de agora em diante só ia acontecer coisas ruins, morte de familiares, acidentes, doença, falta de dinheiro, fome. Falaram que minha mãe ia morrer por minha causa. Admito que apesar da descrença, fiquei um tanto assustado. Escrevendo isso hoje, lembrei do Eduardo Galeano, de um excerto do Livro dos Abraços em que ele conta a história de um garoto que vai se confessar por ter se masturbado ou ter falado palavrão e o padre coloca a cruz com jesus crucificado pra o menino beijar dizendo: "você o matou, você o matou". Vixe.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-02-14T11:12:56-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Resposta do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da UFMG, a uma matéria de O Tempo</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/resposta_do_projeto_regularizacao_fundiaria_sustentavel_na_vila_acaba_mundo_do_programa_polos_de_cid.php</link>
<CommentCount>13</CommentCount> 
<description>O DESPEJO DE POBRES NÃO É SOLUÇÃO PARA A CRISE IMOBILIÁRIA Por Ananda Martins, Cíntia Melo, Elyza Cyrillo, João Carneiro, Lorena Figueiredo, Luiz Eduardo Chauvet, Marcos Mesquita (*) O Jornal “O Tempo” publicou no dia 26 de janeiro do presente...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O DESPEJO DE POBRES NÃO É SOLUÇÃO PARA A CRISE IMOBILIÁRIA</strong></p>

<p>Por Ananda Martins, Cíntia Melo, Elyza Cyrillo, João Carneiro, Lorena Figueiredo, Luiz Eduardo Chauvet, Marcos Mesquita (*)</p>

<p>O Jornal “O Tempo” publicou no dia 26 de janeiro do presente ano <a href="http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=161824,OTE&busca=Vila%20Acaba%20Mundo&pagina=1">matéria </a>intitulada “Belo Horizonte tem apenas 20 mil lotes vazios para obras”, tendo como objetivo apontar a escassez de áreas vagas para empreendimentos imobiliários na cidade de Belo Horizonte. Uma das causas apontadas pela matéria é a invasão de determinadas áreas por populações de baixa renda, problema exemplificado com a situação da Vila Acaba Mundo, pequena favela localizada no bairro Sion, uma das áreas mais nobres da cidade, e, por isso, muito visada pelo mercado imobiliário.</p>

<p>Contudo, a matéria desconsiderou que a ocupação citada possui respaldo na ordem jurídico-urbanística brasileira, que tem como figura central a função social da propriedade, constitucionalmente prevista.</p>

<p>A Vila Acaba Mundo encontra-se consolidada há mais de seis décadas, destinada para a moradia de mais de 400 famílias em vulnerabilidade social, sendo este direito, inclusive, um dos direitos sociais elencados no rol do artigo 6º da nossa Constituição Federal e protegido internacionalmente por tratados dos quais o Brasil é signatário.</p>

<p>Muito pesar causa a constatação de que o ponto de vista do autor privilegia os interesses econômicos e financeiros do mercado imobiliário em franca expansão na capital mineira, a despeito de direitos fundamentais exercidos por pessoas economicamente desprivilegiadas, cujas histórias misturam-se com o crescimento dos bairros do entorno.</p>

<p>Cumpre ressaltar que uma ocupação somente se consolida em áreas nas quais a propriedade não cumpra sua função social, como é o caso citado, em que a suposta invasão, somente agora, décadas depois de se estabelecer, recebe pressões para que sucumba a outros interesses que não o de moradia popular.</p>

<p>A ocupação foi iniciada em meados de 1950, com a instalação da Mineradora Lagoa Seca, que implementou, desde então, um projeto de moradia para os trabalhadores provenientes do interior. A partir da década de setenta, o número de moradores no local tornou-se mais significativo. Ao longo deste tempo foi-se desenvolvendo uma história de vida, não somente de cada morador, mas, principalmente, da comunidade, criando uma identidade coletiva catalisada pelo local de vivência.</p>

<p>Apesar de o senso comum indicar que o único tipo de capital existente ser aquele relacionado aos valores monetários, muito importante ressaltar que este não pode se sobrepor a outro tipo de capital, o capital social, conceituado pela professora Miracy Gustin. Em linhas gerais, o capital social se constitui a partir das relações entre os indivíduos, possibilitadas pelo pertencimento a uma mesma comunidade e, neste sentido, a manutenção e construção coletiva do espaço onde se vive é fundamental para sua perpetuação.</p>

<p>Em 1988, nossa sociedade participou de um movimento muito importante, findo o qual tivemos promulgada uma das mais avançadas cartas de direitos do planeta, na qual valores como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e princípios como o da dignidade da pessoa humana se tornaram centrais para a sociedade que queremos construir. Todos nós fazemos parte deste pacto, inclusive o mercado imobiliário, que não pode se furtar a honrar o compromisso democrático estabelecido.</p>

<p>(*) Integrantes do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/resposta_do_projeto_regularizacao_fundiaria_sustentavel_na_vila_acaba_mundo_do_programa_polos_de_cid.php#comments" title="Comente Resposta do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da UFMG, a uma matéria de O Tempo">13 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com" rel="nofollow">Pádua Fernandes</a> :: 
fev 12, 2011  2:30 PM)

Está certíssimo. "Invasão" é o termo usado por aqueles que dseejam ignorar que essas ocupações cumprem a função social da propriedade.
"A Vila Acaba Mundo encontra-se consolidada há mais de seis décadas" - como não conheço a situação dessa comunidade, pergunto: há, houve processo de usucapião? A Constituição de 1988 prevê a usucapião especial urbana no artigo 183, e o artigo 10 do Estatuto da Cidade explicitamente a prevê na forma coletiva.
O artigo 11 da mesma lei prevê que todas as outras ações relativas ao imóvel objeto dessa ação de usucapião ficam sobrestadas, o que é importante para proteger os moradores.
Abraços, Pádua.</p>
<p>(henrique rodrigues :: 
fev 12, 2011  4:16 PM)

Já nos bairros que envolvem a Lagoa da Pampulha, estão começando a demolir casas num incipiente processo de verticalização (prédios prédios prédios ). Outras tantas já foram demolidas para o alargamento de nossas principais avenidas (carros carros carros). Que legal!!!   </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 12, 2011  9:09 PM)

Caro Pádua, excelente pergunta--foi o que me ocorreu também. Acabo de chamar a atenção dos autores do texto para seu comentário. Aguardemos um possível esclarecimento acerca da possibilidade de que já tenha havido processo de usucapião. 

Henrique, parece que a coisa piorou bastante com Márcio Lacerda, né? </p>
<p>(<a href="http://paulodaluzmoreira.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Moreira</a> :: 
fev 12, 2011 11:01 PM)

Obrigado, Idelber, por divulgar situações como essa, que os jornais mineiros ou ignoram ou sabotam aqueles que tentam não repetir uma longa e triste história de remoções autoritárias na zona sul da cidade.  </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 13, 2011  9:12 AM)

De nada, Paulo. E, apesar de estar fora da cidade 2/3 do tempo, tenho a sensação de que a tendência tem piorado bastante com a gestão Márcio Lacerda. </p>
<p>(Cintia Melo :: 
fev 13, 2011 12:41 PM)

Prezados Idelber e Pádua,

Ainda não houve o ajuizamento da ação de usucapião da Vila. Contudo, o Programa Pólos, junto aos seus parceiros, está trabalhando no intuito de fazê-lo. </p>
<p>(<a href="http://www.urbanamente.net" rel="nofollow">Ana Paula Medeiros</a> :: 
fev 13, 2011  2:23 PM)

Eu não conheço o Plano Diretor de BH, mas há instrumentos previstos no Estatuto da Cidade que podem ajudar a regularizar situações como essa: além do usucapião especial de imóvel urbano, a concessão de uso especial para fins de moradia e a instituição de zonas especiais de interesse social. Todos são instrumentos à disposição da prefeitura, não só para disciplinar o parcelamento, uso e ocupação do solo, mas para intervir e, em nome da função social da propriedade e do bem público, regular o valor do solo urbano. 
Eu estava aqui procurando um artigo que eu li, tenho quase certeza de que foi no blog da Raquel Rolnik, mas não consegui encontrar, que relata um problema inverso, ou seja, numa determinada análise, a cidade em questão (não sei se era de São Paulo que ela estava falando) aparecia com demasiados espaços vazios e isso era criticado. Aí a autora fazia o levantamento e descobria que grande parte dos terrenos considerados vazios ou inocupados eram assentamentos de moradia popular. Ou seja, a desconsideração do valor de uso é a mesma. 
Já que não achei o artigo que eu queria mostrar, deixo outro como contribuição à discussão sobre o assunto: http://opalcoeomundo.blogspot.com/2011/01/desbloquear-cidade-audiencia-da-nova.html</p>
<p>(henrique rodrigues :: 
fev 13, 2011  3:29 PM)

Oi Idelber.
Sim, tem piorado com o Lacerda, mas ganhou corpo  com Pimentel, já em aliança com Aécio nos planos de duplicação de avenidas como a Antonio Carlos ou no projeto do Boulevard Arrudas (isso mesmo, para quem não é de BH, estão fazendo um boulevard no centro da cidade; daqui a pouco vão querer transformar o pirulito da praça sete na torre Eifel). Idem para a verticalização da região da Pampulha (exemplos: bairro Castelo, Paquetá, Jaraguá). Foi-se o tempo em que Célio de Castro peitava a câmera dos vereadores contra absurdas mudanças nas leis de uso e ocupação do solo. Em BH, o binômio verticalização/duplicação de avenidas tem imperado. E o espaço urbano vai assim a reboque da especulação imobiliária e dos interesses das grandes empreiteiras. Nada muito diferente de São Paulo ou Rio de Janeiro, mas eu, particularmente, sempre votei na esquerda para ter uma cidade um pouco diferente disso. Da França, quero não um boulevard, mas um pouco da criatividade do prefeito de Paris. 
Abraço,
Henrique.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 13, 2011  8:42 PM)

Cara Ana Paula, é um belo texto esse do Pádua. E, incrivelmente, só agora descobri que a Rolnik tem um blog. Sou grande fã do trabalho dela, e foi através do pessoal da Regularização Fundiária da Vila Acaba Mundo que fiquei sabendo do blog--ela também abriu o espaço para esta resposta. 

Obrigado, Henrique, pelo complemento. A grande diferença que senti na administração Márcio Lacerda durante as minhas estadias em BH foi o comportamento da guarda municipal. No evento de jazz na Praça da Liberdade (que, se não me engano, acontece um domingo por mês), a truculência era visível--coisa que eu jamais havia experimentado com a guarda municipal antes. Me chegou hoje a notícia de que, na recente reunião do PT de Minas, Pimentel teria feito autocrítica da aliança com os tucanos em 2008. Vamos ver se leva a autocrítica às últimas consequências, o que implicaria, claro, que o PT saísse da PBH. Aguardemos. 

Obrigado, Cíntia, pelo esclarecimento. </p>
<p>(Henrique Rodrigues :: 
fev 13, 2011 11:01 PM)

É verdade, o Lacerda consegue deixar as coisas piores. Dias atrás, depois de mais um terrível acidente no Anel Rodoviário, ele deu entrevista sugerindo proibir circulação de caminhões em horário de pico. Puxa! Fosse prefeito de São Paulo, iria proibir aviões em Congonhas depois do acidente da TAM. E por aí vai. Mas, as notícias que tenho quanto ao Pimentel são ainda ambíguas: ora falam em reavaliações, ora em consolidação da aliança. 2012 está batendo na porta. Aguardemos.
Abraço,
Henrique.</p>
<p>(Jair Fonseca :: 
fev 14, 2011  5:45 PM)

Idelber e Henrique, desde a eleição de Lacerda, me surpreende também, a cada vez que vou a BH, a sujeira das ruas e o descuido com os jardins e as árvores.</p>
<p>(<a href="http://www.mauricioribeiro.net" rel="nofollow">Maurício Ribeiro</a> :: 
fev 16, 2011  1:09 PM)

Que ótima troca de idéias. Educativa. Estou acompanhando.</p>
<p>(<a href="http://htto://opalcoeomundo.blogspot.com" rel="nofollow">Pádua Fernandes</a> :: 
fev 21, 2011  1:28 AM)

Agradeço as informações e também os elogios àquele texto. Gostaria de complementar a informação dada por Ana Paula Medeiros: ela se refere a um post de Rolnik sobre São Paulo, mas tanto essa cidade quanto o Rio de Janeiro (e o mesmo deve ocorrer em várias outras no Brasil) o número de domicílios vazios supera o do défice habitacional. Apesar disso, os Municípios não usam os instrumentos previstos pelo Estatuto da Cidade para combater a especulação imobiliária.
Porém, deve-se notar que esses instrumentos seriam capazes somente de reduzir um pouco os problemas. Em uma entrevista que me concedeu a jurista e urbanista Sonia Rabello (e agora vereadora), ela trata dessa questão (principalmente nas páginas 37 e 38): http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=93400502 
Abraços,
Pádua.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-02-12T06:16:58-02:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>31º aniversário do PT: algumas memórias</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/31_aniversario_do_pt_algumas_memorias.php</link>
<CommentCount>63</CommentCount> 
<description>Ocorreu num domingo, no dia 10 de fevereiro de 1980, a partir das 11:30 da manhã, no Colégio Sion, em São Paulo, a reunião de fundação do Partido dos Trabalhadores. Havia cerca de 700 pessoas no auditório. Presidia a mesa...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Ocorreu num domingo, no dia 10 de fevereiro de 1980, a partir das 11:30 da manhã, no Colégio Sion, em São Paulo, a reunião de fundação do Partido dos Trabalhadores. Havia cerca de 700 pessoas no auditório. Presidia a mesa Jacó Bittar, do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia. O secretário era Henrique Santillo, médico formado pela UFMG e Senador por Goiás (sim, havia um Senador da República na fundação do PT). Também presente na mesa estava um certo Luiz Inácio, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, já na época um líder sindical internacionalmente famoso pela greve que ajudou a solapar as bases da ditadura. De acordo com vários presentes, o momento mais emocionante foi a chamada dos seis primeiros signatários do manifesto. Eles foram: Mário Pedrosa, crítico de arte; Lélia Abramo, então presidenta licenciada do Sindicato dos Artistas de São Paulo; Manoel da Conceição, líder camponês; Sérgio Buarque de Hollanda, um dos maiores pensadores da nossa história como nação; Moacir Gadoti, que assinou em nome de Paulo Freire; e o mítico líder popular Apolônio de Carvalho, combatente na Guerra Civil Espanhola. </p>

<p>Mas o objetivo deste post não é contar uma história que já está documentadíssima nos ricos arquivos da Fundação <a href="http://www2.fpa.org.br/">Perseu Abramo</a>. Ao contrário, eu gostaria de fazer algo mais parecido ao que Bia, filha de Perseu, <a href="http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/TD86-colcomportamento.pdf">fez no ano passado</a>: narrar um pouco da minha relação com esse projeto. </p>

<p>Tenho alguma lembrança do histórico <a href="http://www.fpabramo.org.br/uploads/discursodelula1convecao.pdf">discurso </a>de Lula na 1ª Convenção Nacional, em agosto de 1981, no qual ele disse: <em>nosso partido é um menino que nasceu contra a descrença, a desesperança e o medo</em>. Mas minha primeira memória de participação real no PT foi a campanha de Sandra Starling para o governo de Minas em 1982. Ali eu já havia me convertido no que se poderia chamar um <em>militante</em>. Nunca mais deixei de me associar a essa palavra, e em definitivo não me importo que me associem a ela, apesar de que meus períodos de militância são intermitentes e de que militei no PT mesmo, em tempo integral, no Brasil, “somente” oito anos. As decepções foram muitas, as derrotas numerosas. Quem é torcedor de futebol e já disse, alguma vez, enraivecido, <em>nunca mais saio de casa para torcer para esse time</em> saberá do que falo. Olhando para trás e, acima de tudo, olhando para o Brasil de hoje, não consigo escapar da conclusão de que valeu a pena. </p>

<p>Nossa relação com o restante da esquerda era dificílima. O PCB, o PcdoB e o MR-8 nos odiavam mortalmente. Tudo no PT parecia diferente da esquerda tradicional: havia sindicalistas e havia desbundados fumando maconha; havia parlamentares do MDB e havia feministas; havia militantes oriundos da POLOP, da AP e de outros grupos de resistência à ditadura e havia militantes do movimento negro; havia gays e lésbicas saindo do armário, ansiosos para colocar suas pautas na mesa, coexistindo com ativistas católicos das pastorais da terra; havia uma coleção de grupos trotskistas. Aquilo era um saco de gatos. Não tinha a menor chance de dar certo, nos diziam. </p>

<p>A grande acusação recebida pelo PT ao longo da década de 80 foi a de <em>dividir o campo das forças democráticas</em>. Tanto o PCB como o PCdoB haviam optado por alianças preferenciais com o PMDB, coerentes com a teoria etapista que sustentavam (o PcdoB só abandonaria essa estratégia no final da década de 80). O PT era a força política que atrapalhava o consenso, a voz dissonante que desafinava o coro dos contentes da transição. Essa acusação foi repetida  até o momento em que ela deixou de fazer sentido, dado o fato de que o PT havia se tornado uma agremiação muito maior que todas as outras forças de esquerda reunidas.  <br />
<br><br />
<img alt="elza-monerat.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/elza-monerat.jpg" width="400" height="270" /><br />
<em>Elsa Monerat, militante do PCB a partir de 1945 e do PCdoB a partir de 1956. No comício de Lula-Bisol no Rio, em 1989. <a href="http://www.memoriaemovimentossociais.com.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=3&pos=42">Daqui</a>. </em><br />
 <br />
<br><br />
Um dos auges desses ataques pode ser visto num vídeo que desenterrei para a ocasião: o último programa eleitoral do candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo em 1985, Fernando Henrique Cardoso. Para quem não se lembra, as eleições para prefeito na época eram em turno único. Concorriam em SP Jânio Quadros, pelo PTB, FHC pelo PMDB, e Eduardo Suplicy, pelo PT. As pesquisas apontavam a vitória de FHC, que dedicou boa parte de sua campanha a atacar o PT como divisionista. Como se sabe, Suplicy chegou à imponente marca de 20% dos votos, e FHC ficou atrás de Jânio (39 x 35). Aqui, se vê a comemoração antecipada de FHC no último dia de campanha na televisão. O programa, repleto de ataques ao PT, já contava com a indefectível Regina Duarte, comparando a emergência do partido com a divisão dos democratas alemães que permitiu a ascensão de Hitler (a comparação com a ascensão dos franquistas na Espanha viria alguns anos depois): <br />
<br></p>

<p><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/uyvWXZDlhNY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br><br />
Aquela época deixou um legado que sobrevive até hoje para muitos petistas: a desconfiança ante aqueles que querem sufocar o debate em nome da necessidade de consenso e de unidade. A lição continua atual, num momento em que jornalistas que até anteontem serviam aos Marinho ou aos Frias acusam, por exemplo, as feministas de serem “a esquerda de que a direita gosta”. Foi exatamente essa a acusação contra a qual o PT surgiu. Derrubá-la foi sua razão de ser. </p>

<p>Talvez a memória que mais me provoca risadas seja do comício de encerramento da campanha de Lula no segundo turno das eleições de 1989, na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Brizola era o favorito para ficar com a segunda vaga que definiria o adversário do líder Collor, mas uma arrancada na reta final, impulsionada pela militância, levou Lula a ultrapassá-lo. Três lembranças daquele comício ficaram comigo: a chuva torrencial que caía sobre BH (mas que não fez ninguém arredar pé da praça), o discurso interminável de Fernando Gabeira e o hilário momento em que alguém colocou para tocar a “Internacional Comunista”. Lula vinha fazendo um esforço para se aproximar da classe média, ampliar sua base, espantar, enfim, os medos que aquela terrorífica barba não aparada provocava em alguns segmentos da sociedade. A última coisa que queríamos, evidentemente, era a “Internacional Comunista” tocando num comício. <br />
<br><br />
<img alt="comicio-lula.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/comicio-lula.jpg" width="400" height="268" /><br />
<em>Comício da campanha de Lula-Bisol, no Rio, em 1989. <a href="http://www.memoriaemovimentossociais.com.br/bancodeimagens/displayimage.php?album=3&pos=41">Daqui</a></em>. <br />
<br></p>

<p>Situado atrás do palanque, eu me lembro de ficar literalmente gelado ao som dos primeiros acordes da Internacional. Quando ecoa o <em>de pé, ó vítimas da fome</em>, desencadeia-se uma correria repleta de trombadas entre os membros da direção da campanha. Um dos líderes da campanha em Minas (talvez tenha sido Luiz Dulci, mas disso eu não me lembro) desembesta na direção do aparelho de som gritando <em>tira essa porra, tira essa porra, põe o Lula-lá, põe o Lula-lá</em>. Por sorte, alguém trocou a Internacional pelo jingle da campanha e o comício prosseguiu sem grandes percalços. </p>

<p>De lá para cá, como se sabe, Lula perdeu mais duas, ganhou mais duas, e elegeu sua sucessora. Foram muitas as conquistas, numerosos os erros, graves algumas traições ao longo da história. Mas, no todo, ela não envergonha a memória de Apolônio de Carvalho e Elza Monerat. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/31_aniversario_do_pt_algumas_memorias.php#comments" title="Comente 31º aniversário do PT: algumas memórias">63 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://vidaoffline.wordpress.com" rel="nofollow">Marcus Pessoa</a> :: 
fev 10, 2011 10:21 AM)

Fui filiado ao PT ainda menor de idade, o que não é permitido pela lei eleitoral. O PT tinha o instituto da "filiação interna", com a qual milhares de jovens que não tinham nem idade pra votar participavam das decisões do partido.

Mas o meu tempo de militância foi mais curto que o seu. Uns quatro anos. Meu desencato com o arrivismo e o aparelhismo da maioria das correntes petistas que eu via no movimento estudantil foi grande. Me desfiliei expressamente.

Apesar disso, sempre tenho votado no partido, desde então, salvo exceções. E mantenho intacta minha visão crítica sobre ele. Se há algo que me chateia, são amigos que se furtam a fazer as críticas corretas, apenas porque o PT também tem qualidades!

Na época da campanha do Lula de 1989, eu estava na minoria dos que achavam que devíamos apoiar Brizola no segundo turno. A Articulação não largava o seu hegemonismo (presente até hoje) e a esquerda trotskista dizia que Brizola não era um candidato "classista".

Por sorte, não tivemos que escolher, naquele ano. E por mais sorte ainda perdemos a eleição, porque o programa político e o clima no PT da época (apesar da historinha que você contou acima) prenunciava um governo de choque com a burguesia, o que fatalmente o levaria a um fracasso.</p>
<p>(<a href="http://patriciafornitani.blogspot.com/" rel="nofollow">Patricia Fornitani</a> :: 
fev 10, 2011 10:26 AM)

Essa narrativa pra mim é riquissíma, visto eu ter nascido um ano após a fundação do partido. Levei muito tempo para entender a importância da política na minha vida e hoje carrego essa bandeira para onde eu for(não com as mesmas experiências que teve, mas com algumas frustrações também e inúmeras alegrias).
OBS.:Campanha de FHC = Campanha de Serra = Ridícula! kkkk....</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 10, 2011 10:30 AM)

Exato, Marcus, eu também usufruí dessa filiação que permitia a entrada de menores de idade. Só completei 18 anos em 1986. Quando votei pela primeira vez, eu já era militante "velho". E, em definitivo, o movimento estudantil me deu alguns bons desgostos. Muitas memórias boas, mas muito desgosto também. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 10, 2011 10:32 AM)

Patricia, eu não acreditei quando encontrei, por acaso, esse vídeo da campanha do FHC de 1985. 

Eu andava procurando algo sobre a campanha de Virgílio Guimarães para prefeito de BH em 1985. Na época, Virgílio ainda era da Democracia Socialista. Não achei nada na internet. </p>
<p>(<a href="http://andreegg.opsblog.org" rel="nofollow">André Egg</a> :: 
fev 10, 2011 10:32 AM)

O PT é certamente o maior movimento político do Ocidente nestes 31 anos - a perspectiva história hoje nos mostra.

Por outro lado, quem está construindo algum movimento capaz de fazer frente ao que se desenha como uma hegemonia petista na política brasileira?

Está na hora de o PT começar um debate interno mais sério, abandonar um pouco a necessidade de composição com as forças retrógradas e avançar nas conquistas sociais pela qual toda essa militância sempre lutou.

O Brasil está maduro para isso.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 10, 2011 10:36 AM)

Está maduro. A chave aí é a reforma política: voto em lista, fim de coligações nas proporcionais, financiamento público de campanha, fidelidade partidária mesmo. Mas a batalha é morro acima, porque o PMDB sabe que uma reforma política real representaria, pelo menos a médio prazo, um golpe duro ao poder dos seus caciques regionais. </p>
<p>(João Marcelo :: 
fev 10, 2011 10:47 AM)

Idelber, acho que a dsconfiança de outros setores da esquerda diante do PT tinha outras razões também, menos 'estratégicas' e mais profundas. Do lado trabalhista/comunista, havia a percepção de que a História do Brasil contada pelos intelectuais petistas jogava no limbo a esquerda pré-1964, tida como 'populista'. Havia no PT uma crença de que o "antes" era uma espécie de História em falso, conduzida por elites populistas que impediam a formação da 'verdadeira' identidade subalterna. Isso conduziu o partido a ter uma leitura negativa do Estado na história do Brasil, e a nascer fazendo certa apologia da nova' sociedade civil, supostamente uma agência pura que não deveria ser 'corrompida' pelo ativismo estatal.
Esse ranço permaneceu durante muito tempo, mas ao longo dos anos 1990 ele foi arrefecendo, pois o PT, na prática, aproximou-se muito da cultura política trabalhista-comunista, falando em soberania nacional, criticando privatizações e apostando numa linguagem política mais afastada daquela apologia quase narodnik das virtudes do 'social' como agente da pureza. A chapa Lula-Brizola, que não deu certo, foi uma expressão dessa aproximação. A figura de Lula, hoje, é praticamente a bela vingança da cultura trabalhista-comunista, relida a partir de uma experiência democrática que só poderia ter sido traduzida pelo PT.    </p>
<p>(<a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br" rel="nofollow">Guto</a> :: 
fev 10, 2011 10:50 AM)

O locutor do programa do FHC parece saído diretamente dos anos 1950! 

Eu também estava no último comício da Praça da Estação. Não lembrava da história da Internacional.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 10, 2011 10:54 AM)

Ah, sem dúvida, João Marcelo, daria para aprofundar bem mais e esse é um tema que ainda quero tratar no blog com calma: a volta "com vingança" (como costumam dizer em inglês) do legado populista no PT. Nem tanto o comunista, eu diria. Mas principalmente o trabalhista mesmo. A releitura da figura de Vargas tem sido uma constante no lulismo da última década. 

</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 10, 2011 10:59 AM)

Oi, Guto, felizmente acho que foram poucos os que perceberam a história da Internacional naquele comício. A música não chegou a tocar por mais de alguns segundos. Como eu estava atrás do palanque, presenciei a bagunça. </p>
<p>(<a href="http://twitter.com/rlivre" rel="nofollow">Radical Livre</a> :: 
fev 10, 2011 11:06 AM)

Minha história com o PT também começou em 1982, fazendo campanha aqui no Rio para alguns candidatos a Deputado (e tentando carregar um Lisâneas Maciel nas costas).

Nunca me filiei mas, à excessão de alguns votos no PV (gabeira, minc e outros), sempre me senti um petista.

Bom post, boas lembranças.  abraços.</p>
<p>(márcio barcelos :: 
fev 10, 2011 11:27 AM)

Minha primeira "experiência militante" foi na campanha de 1989. Eu panfleteei na rodoviária da minha cidade, no interior do Rio Grande do Sul (São Francisco de Paula)... 10 anos... hehehe</p>
<p>(aiaiai :: 
fev 10, 2011 12:16 PM)

Eu nunca fui filiada ao PT mas sempre fui petista de coração, mesmo qd não votei de cabo a rabo no pt, como em 89 quando no primeiro turno votei no Brizola. 

Em 80, quando aconteceu a fundação do PT e do PDT, meus pais até tinham medo de que eu fosse presa porque falava dos dois partidos e eles achavam que os militares ainda iam prender todo mundo que fosse vermelho kkkkkkk. 


</p>
<p>(Alexandre Vasilenskas :: 
fev 10, 2011  1:24 PM)

Olha Professor...
 meu post vai destoar um pouco do conjunto, talvez pq embora seja mais jovem (32 anos) não tenha vivido o clima que relata e principalmente pq fiz parte no início de minha militância estudantil no PC do B, a tal velha esquerda.
 Apesar de saber de cor todas as cagadas do mov. comunista, acho que há naquela tradição (e tb no velho trabalhismo/brizolismo) um manancial de experiências que não deveria ter sido descartado da forma como foi. Eu me lembro da forma odiosa que velho Brizola foi isolado aqui no Rio, em sua briga quixotesca e mais do que nunca válida com a família Marinha. Seu definhamento da forma como se deu é uma das explicações de pq o Rio de Janeiro hoje está dividido politicamente entre o neochaguismo (Sérgio Cabral) e o Neulacerdismo (César Maia). O PT chegou a fazer "enterro simbólico" do Darcy Ribeiro! no primeiro governo do velho. Na última eleição municipal vi militante petista em grupos de discussão salivando de satisfação o fato da Jandira Feghalli não ter chegado ao segundo turno, pq peitou a briga mais do que necessária como parlamentar pela legalização do aborto.
Hoje quando vejo executivo petista topando privatizar saúde pública, manter a elite do rentismo no Banco Central e enterrar a reforma agrária da agenda política. Fico imaginando o que seria um governo da "velha esquerda" (Brizola, Arraes e outros) que não fariam um décimo disso e por isso mesmo estariam sendo atacados pelos enragés do petismo (em uma concepção um tanto tosca do hegemonismo gramsciano).
E fácil saber pq o petismo se tornou hegemônico: politica e ideologicamente ambiguo, podia assustar menos a classe média do que a foice e o martelo comunista ou o "populismo" trabalhista ao mesmo tempo em que no mov. estudantil e sindical posava de jacobino/bolchevique. Esquecemos que o petismo em todo os anos 90 teve como discurso principal um "neoudenismo" que tanto critica agora. No movimento estudantil lá da uerj me lembro quando tive que impedir que um panfleto da oposição a reitoria saisse com a frase "Mar de Lama na Reitoria". 
A medida que foi hegemonizando-se o discurso foi abrandando (já que tanto o trabalhismo quanto o comunismo já tinham sido transformados em satélites) ao ponto que vemos hoje.
Votei mais no PT na minha vida que em qualquer outro partido. Depois que sai do PC do B, tenho habitualmente votado no Psol no legislativo e no executivo no primeiro turno e no PT nos segundos turnos. Agora quando vejo o Nelson Jobim no Ministério da Defesa, a manutenção acrítica do suprassumo do neoliberalismo no BC, fico imaginando até quando a esquerda terá que aguentar a chantagem petista tipica que usa o PSDB/DEM como espantalho quando o bicho pega graças a despolitização no segundo turno. Governo de esquerda sem confronto? Como? 
A quadratura do círculo que principalmente o segundo governo Lula  conseguiu não se manterá para sempre. Meu medo atual é que o petismo já tenha se tornado  a "retaguarda do status quo". O PSDB/DEM inicia processos maquiávelicos, o PT chia, mas quando assume executivos não os muda, institucionalizando-os e tornando-os consenso. Repito, executivos petistas já assumiram a terceirização da saúde como "favas contadas". Alguém imaginaria um discurso estilo Vacarezza ha digamos cinco anos?
Bem.. desculpe ter destoado da festa e espero como comunista que ainda sou, estar errado...
                          Abraços,
</p>
<p>(Marcelo Silva :: 
fev 10, 2011  2:39 PM)

Podem dizer o que quiserem, mas um debate com o Brizola era muito mais divertido. O homem tinha uma capacfidade de desancar/ironizar/espicaçar a direita que hoje não encontramos mais.</p>
<p>(Reinaldo :: 
fev 10, 2011  3:52 PM)

Belo texto. Sou, muitas vezes, mais petista do que os filiados (minha filiação interna nunca foi oficializada pela bagunça do Diretório Municipal de minha cidade). Por isso, sou defensor da tradição petista e a considero uma das bases do pouco de modernização política que obtivemos.

Observo, contudo, que o final de seu texto faz parecer que Elza Monerat fosse petista. Como você deve bem saber, Elza nunca abandonou o PCdoB. É uma verdadeira lenda da esquerda comunista brasileira.</p>
<p>(<a href="http://viraminas.org.br/uaipod" rel="nofollow">Paulo Morais</a> :: 
fev 10, 2011  4:01 PM)

Grande Idelber,

Belo post, me faz ter saudade de tempos em que ainda nem tinha nascido (hehehe, não podia deixar de zuar).

Acho que seu comentário #6 já adiantou o tema de um futuro post, sobre a reforma política, que tá na pauta do dia. 

Abraço.</p>
<p>(Fábio Carvalho :: 
fev 10, 2011  5:07 PM)

Eu tinha 16 anos em 1989. Morava em Juiz de Fora (MG). Eu estudava numa escola estadual pequena.

No primeiro turno, votei no Roberto Freire (pausa para xingamentos). Meus amigos votavam no Lula em maioria, outros no Brizola, alguns no Covas. Otário de votar no Freire era só eu mesmo, eu acho. Ninguém votava no Collor (noves fora meus pais).

Houve um comício do Collor na Praça da Estação. Eu e três amigos achamos que seria uma ótima oportunidade para matar a última aula daquele dia. E, sem combinação prévia (se houve, eu e meus amigos não havíamos sido "mobilizados"), uma moçada grande estava por lá, mesmo antes mesmo de o comício começar. 

Gente que nem votava ainda estava no agito. Havia poucos ou nenhum militante de carteirinha, eu acho. Era uma moçada numerosa e desorganizada.

"O que esta turma está fazendo aqui?", perguntava para meus botões. Encontrava fulano, que eu conhecia de outras quebradas, e perguntava. "Você vota no Collor?". Fulano só faltava se benzer e respondia alguma coisa como "tá maluco?".

A praça toda enfeitada, tinha um balão imenso do Collor no centro. Haveria show, ao final, dos péssimos Michael Sullivan e Paulo Massadas. Ninguém curtia aquele som, porra.

O comício era chatíssimo... Alguém teve uma ideia ótima para reunir a turma do contra. "Esquerda vai para a esquerda". No boca a boca, a senha correu rápido a praça inteira. Quando Collor pegou o microfone, houve uma vaia enorme. O "esquerda vai para a esquerda" tinha funcionado e a nossa vaia superava e muito a claque colorida do gargarejo. Ainda estávamos bem atrás, distante do palco.

Collor não falou dois minutos. Passou a palavra para o Itamar Franco, que é de Juiz de Fora. Não deu certo. A vaia não parou. Tiveram que encerrar os discursos, porque era muita vaia. 

Botaram a dupla boçal para tocar e a gente começou a gritar  "mercenários, mercenários". A essas alturas, tinha cabo eleitoral pago do Collor que já tinha jogado a bandeira fora e estava lá do nosso lado. 

Não tínhamos adesivo, estrelinha, broche, bandeira, lencinho do Brizola, nada. Lembro-me de duas meninas com tesouras. Uma suprimia o "r" do adesivo do Collor. A outra partia o restante ao meio. Elas fabricaram centenas de adesivos "lloCo" em poucos minutos. A gente colava no peito; alguns na testa. 

Lembro-me de detalhes cômicos. Um fulano fez um turbante de marajá com um pedaço de pano qualquer e colou o "lloCo" no centro. "Eu sou o marajá louco. Vem me caçar, feladaputa", berrava. E a gente dava risada dele.

A coligação do Lula tinha o nome de Frente Brasil Popular. Logo, vamos pra frente! Todos os que estávamos à esquerda, ainda longe do palco, começamos a andar para frente. Era uma massa de jovens. "Vamos pra frente, vamos pra frente". O show acabou, é claro. Não chegou à terceira música, eu acho.

Festa geral. Aquele comício estava arrasado. Daí, subimos o calçadão da Halfeld cantando "Lula lá" a plenos pulmões. Chuva de papel picado em todos os edifícios nos recebia. Fomos até a avenida Rio Branco, onde o grupo desorganizado se dispersou.

Então, resumindo, eu fui num comício do Collor que se encerrou com uma passeata pró-Lula. Bons tempos.</p>
<p>(Jair Fonseca :: 
fev 10, 2011  5:15 PM)

Embora tenha sido um militante um tanto relapso, orgulho-me muito dessa história de que participei também, em BH. 
Eu estava lá nas primeiras reuniões para formar o PT de Minas e participei da fundação do partido no Colégio Santa Rita, no Barreiro.
Nas primeiras eleições, uma mulher feminista pra Governadora (Sandra),  um idoso operário negro pra Senador (seu Joaquim)... Fiz campanha para Luiz Dulci, que foi eleito primeiro (e único, então) Deputado Federal do PT de Minas, e fui seu assessor, segundo ele para assuntos poéticos... O único Deputado Estadual que o PT elegeu foi o João Batista dos Mares-Guia.
Lembro-me desse comício com o Brizola, que fez um empolgante discurso, naquele seu velho estilo.
Percebi que as coisas começariam a mudar em outro comício, na eleição presidencial posterior, quando na mesma Praça da Estação Lula apresentou corajosamente um show dos Racionais, no qual Mano Brown mostrou toda sua moral pra controlar as "galeras" das favelas e periferias de BH, que assustaram a turma da classe-média ali presente...
A partir daí, sabíamos que mais ano dia menos ano chegaria a vez de Lula. E que ganharíamos cada vez mais eleições, mostrando que era possível mudar o Brasil, em favor do povo pobre, mas sem ilusões.
</p>
<p>(fm :: 
fev 10, 2011  5:19 PM)

Nada a acrescentar, a não ser que senti falta da imagem da estrelinha:)</p>
<p>(David Rodrigues da Silva :: 
fev 10, 2011  5:40 PM)

Bom Texto! Relembrar é VIVER! A minha História no PT é DOÍDA....Amo o PT. de Belo Horizonte. Parabéns PT!</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 10, 2011  8:06 PM)

Casei, pela primeira vez, em 08.03.1980. Meu mestrado, na Epusp, começou às 8:00  de 10.03.1980, isto é, casei num sábado - não trepei num domingo-  mas fui estudar pra valer numa segunda-feira… 

Na semana seguinte, contribuí -  angariando assinaturas-  à formação do primeiro núcleo do PT, na Poli, em plena ditadura… 

Eu era membro do MEP, oriundo do CAEEM, Centro Acadêmico da Escola de Engenharia Mauá e, também, do GEMA, Grupo Experimental Mauá – grupo de teatro estudantil especializado em Bertolt Brecht… 

Portanto, sou um petista histórico, um  verdadeiro dinossauro socialista…

Após cinco casamentos, dois filhos – Débora, de 26, cientista política pela Unicamp, e Isaac de 2, aprendiz a fazer cocô  e de não ter medo de AU-AU…
  
Ou seja, após um mestrado, um doutorado, um pós-dourado, dois prêmios em engenharia, 40 trabalhos publicados, um livro de Poesia, cinco mestrados em andamento e três vitórias à Presidência da República, hoje, escrevi … :


PAULISTANA
by Ramiro Conceição


No meio do beijo:
um tiro; um grito;
um medo a sangrar,
uma sombra a fugir;
mas a bicha drogada, que 
correu, não sabia de nada.


Valeu a pena? Como era mesmo o verso de Pessoa?...




</p>
<p>(Jacquelini Marinho :: 
fev 10, 2011  8:35 PM)

O relato deste comício me deixou emocionada, afinal eu também estava lá, corri assim que terminei a minha prova do vest/EFMG, e a emoção correu solta. afinal eu vinha acompanhando o Lula,  desde o Acre, Brasilia e Goiania, cidades que estive morando e eu sabia que o comício de BH seria o último que eu poderia acompanhar e não tinha como ficar longe disso tudo. Temos muita história pra contar, não?
Era o meu primeiro voto, eu estava grávida, vestibular, mudanças e mais mudanças, mas a maior pra mim era poder acreditar que nossas lutas e ideais eram possiveis e ainda é uma verdade.
A semente foi plantada e o primeiro voto da minha filha em 2011 foi para o PT.
saudações Petistas (era assim sempre o final de suas cartas)
 
</p>
<p>(<a href="http://www.grindelwald.com.br/ramiro/index.html" rel="nofollow">Ramiro Conceição</a> :: 
fev 10, 2011  9:52 PM)

Como tudo será daqui a 20 anos?...


MESAS CALADAS
by Ramiro Conceição


Tanta gente a entrar… 
Tanta gente a partir…

Será que elas testemunharam algum sonho
à solução   -  desse nosso mundo bisonho?

Ou foram cúmplices dum plano macabro
dum bando de assassinos engravatados?

Quanto  foi  o leite derramado?
Quantos ficaram enamorados?

Que delicadeza têm  as mesas caladas 
dum restaurante à beira duma estrada! 



</p>
<p>(Marcelo C :: 
fev 10, 2011 11:12 PM)

Uma pergunta, Professor Idelber: nos Estados Unidos, o senhor teria coragem de fazer uma defesa tão enfática, por escrito, de um partido político?</p>
<p>(Marcelo :: 
fev 10, 2011 11:20 PM)

Boa pergunta, chará. Se os gringos lá de Talase Touluse ou o raio que o parta da universidade do Idelber soubessem o português, para lerem seus posts, lá estaria o Idelber escrevendo sobre suas experiências por rodoviárias no interior de Minas, e não em aeroportos internacionais.

Mas...passei para dizer: que fofura, o Lula tem discurso por escrito, e histórico ainda!</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 10, 2011 11:56 PM)

Belo texto, Idelber. A existência do PT, entre outras coisas, nos livrou de uma dicotomia falsa entre a direita e uma esquerda sem povo - algo que corrói a política europeia de hoje, p.ex., mas que se tivesse se repetido por aqui, teria sido trágica pelas próprias condições do país. É claro, na prática as coisas são uma dureza, muito precisa ser melhorada assim como existem riscos claros no horizonte - mas ainda se trata do melhor partido brasileiro.

As minhas memórias do PT são do início dos anos 90, algo muito remoto e desconexo da época do Impeachment de Collor e o medo que eu sentia do Lula, sempre retratado como um barbudo ameaçador e mau. Depois veio o decorrer dos anos 90, o agravamento da crise do projeto do PSDB e aquele movimento todo que deu no Lula presidente em 2002. As decepções profundas do Primeiro Mandato e uma certa animação no Segundo, quando o partido se reinventou em cima de uma onda de prosperidade que conseguiu produziu, retomando, quem sabe algo do espírito brasileiro. Ano passado, uma das melhores lembranças certamente foi a festa da vitória de Dilma na Paulista.

P.S.: Interessante pensar no momento atual e ler esta entrevista de Lula a Guattari no começo dos anos 80.
</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011 12:30 AM)

Marcelos: Cansei de falar e escrever sobre o PT em inglês. Mais recentemente, menos de 2 meses atrás, para a Al Jazeera. E pra quem acha que o português é uma língua desconhecida em Tulane, recomendo uma visita a este site. Menas, Marcelos. Os EUA andam retrocedendo no quesito liberdade de expressão, mas a coisa ainda não chegou a isso, especialmente na universidade. Somos avaliados pelo trabalho de pesquisa e ensino, e ponto.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011  4:08 AM)

Jacquelini, eu nem acredito que houve uma época em que eu terminava cartas com "saudações petistas"... Faz tempo, hein? 

Hugo, essa entrevista de Lula a Guattari é o ouro! Eu a havia lido quando você postou. Recomendo aos leitores do blog a visita ao Descurvo. </p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011  4:12 AM)

Reinaldo, muito bem dito. Não era minha intenção sugerir que Elza foi petista, evidentemente. A intenção era homenagear a tradição comunista e colocar o PT como herdeiro, até certo ponto, dessa tradição. 

Fábio, sensacional essa história de Juiz de Fora! </p>
<p>(<a href="http://tsavkko.blogspot.com/" rel="nofollow">Raphael Tsavkko Garcia</a> :: 
fev 11, 2011  5:37 AM)

Uma coisa engraçada nesse post é notar como o discurso contra o PT na sua fundação é semelhante ao contra o PSOL hoje.... são a esquerda que a direita gosta", "fazem jogo da direita", são "divisionistas"...

Enquanto o PT cada dia mais se aproxima - e se torna? - do PMDB, o PSOL se recusou e formou um novo grupo. E aqueles que antes eram criticados, hoje, fazem as mesmas críticas.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011  5:44 AM)

Sim, mas me inclua fora dessa. Neste blog não há uma única referência ao PSOL como "divisionista", que faz "jogo da direita" etc. Tenho críticas, mas não são essas. </p>
<p>(Marcelo :: 
fev 11, 2011  6:11 AM)

Foi só uma brincadeira, Idelber. Tá claro o motivo da gringaiada de Tulane em terem vc no quadro docente. Pura competência e conhecimento.

Abraço.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011  6:20 AM)

Tranquilo :-) </p>
<p>(<a href="http://www.ericocordeiro.blogspot.com" rel="nofollow">érico cordeiro</a> :: 
fev 11, 2011  8:11 AM)

Idelber,
Pra nossa geração, 1989 é o verdadeiro "ano que não terminou". 
Para além dos equívocos - que foram muitos - acho que o PT construiu uma belíssima trajetória ao longo desses 31 anos. 
Nunca militei no partido - em 1989, no primeiro turno fui de Covas (e não me arrependo, mas lamento que o PSDB não tenha se consumado como uma alternativa social democrata verdadeira, tendo optado por uma aliança muito mais orgânica com o conservadorismo do que a que o PT tem feito nos últimos tempos). Mas creio que nunca participei de uma eleição sem que tenha votado, no mínimo, em um ou dois nomes do PT (quando não havia um bom nome disponível, votava na sigla).
Naquele ano, no segundo turno, claro, fui de Lula e desde então jamais votei em outro candidato à presidência. 
O PT do Maranhão jamais me seduziu, pois com raras e honrosas exceções é exatamente aquilo que o Marcus Pessoa disse (#1): um balaio de gatos cheio de arrvistas, carreiristas e outros "istas" menos pronunciáveis (quem acompanha a política maranhense sabe como foi gestada a atual chapa para o governo do estado e dá para ter uma idéia).
Mas no plano nacional não é possível deixar de reconhecer que o partido soube se "reconstruir", encontrar um discurso que não despreza as bandeiras e conquistas históricas do trabalhismo (importantíssimas, por certo) e ocupar uma posição que outros partidos de esquerda sequer sonham em conseguir (claro que a aliança com o PMDB e que tais é meio difícil de engolir, mas é assim que as coisas funcionam no modelo atual e ninguém parece disposto a bancar uma reforma política séria).
De qualquer forma, acho que o partido tem muito a comemorar e, mais importante, ainda tem muito espaço para se consolidar como a mais importante agremiação partidária de esquerda do planeta (ou alguém ainda acredita no partido trabalhista inglês pós-Blair? ou no PCI (que até já mudou de nome e nem é mais comunista)? Ou no PCF?).
Muito bom o post e dá uma saudade danada daquele tempo, em que as utopias eram possíveis e bastava ir até a esquina para vê-las contecer.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011  8:15 AM)

Na mosca, Érico, o Maranhão é a parte mais difícil de engolir de toda essa trajetória. </p>
<p>(<a href="http://quadradodosloucos.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Cava</a> :: 
fev 11, 2011 10:48 AM)

Tinha 9 anos e minha mãe, advogada trabalhista, era daquelas petistas hormonais. Lembro-me claramente da campanha nas ruas, nos comícios, na televisão, como se fosse hoje a denúncia do aborto, a baixaria do debate. Minha mãe de vermelho também me levou na campanha de Lula pro governo do estado, nos anos 1980, e em comícios das Diretas-Já. Tenho lembranças muito tênues de pular com a bandeirinha. Ela se desfiliou em 2005. Em 2011, votou na Marina e no segundo anulou. Não há como demovê-la da decepção. O engraçado é que, justamente nesse período, de 2002 a 2010, me tornei mais simpático ao partido. Se por um lado perdeu ao se concentrar muito no P, não deixou de ganhar com a saída de uma esquerda velha, classemédia branca, socialista de salão, que enaltece o operário de modo romântico. </p>
<p>(Bruno Cava :: 
fev 11, 2011 10:51 AM)

Esclarecendo o último comentário: tinha 9 anos na campanha de Lula de 1989. A fundação do partido eu não lembro :-) </p>
<p>(Victoria :: 
fev 11, 2011 12:36 PM)

Idelber,
Tambem vivi esta episódio. Há muito a falar sobre o PC do B e o PT. Fui militante do PC do B e me desiludi muito na época da queda dos muros. Albânia? Como pude acreditar naquilo? Acho que há ainda muito a ser feito em termos de autocrítica por esse partido. Reconheço, no entanto, que esse partido tem dado a sua contribuição no avanço dos trabalhadores, na consolidação da democracia.
Mas, eu era jovem na época, orgulhosamente fizemos campanha em porta de fábrica: vendíamos botons, camisetas, para comprar mais e mais. E voltar novamente para as portas de fábrica. E como vendíamos!! Nenhum centavo conosco, tudo contabilizado, apenas para comprar mais e fazer mais campanha.
E orgulhosamente cheguei à Praça da Estação junto com dois ônibus de operários. Lulalá, brilha uma estrela. Foi inesquecível. Chuva, muita chuva. Ficamos encharcados, mas ninguém arredava pé. 
Se eu viver 100 anos, nunca vou esquecer desse fato. Marcou para sempre minha vida. 
Hoje, não sou filiada a nenhum partido (desilução mesmo, essa coisa de partido revolucionário para mim não é real). Mas, votei sempre em Lula, como votei em Dilma e faço campanha, ferrenha sempre.
Ah, eu participei, antes, do comício das Direjas Já em BH e também de todas as manifestações do Fora Collor, posteriormente. Lembra-se do enterro que os estudantes fizeram dele? E da musica que cantavam?
Obrigada por me fazer relembrar momentos tão especiais.</p>
<p>(José Messias Eiterer Souza :: 
fev 11, 2011 12:48 PM)

Caro Idelber, saudações!
É sempre bom relembrar os tempos de militância, a derrubada da ditadura, o movimento estudantil, o início de nosso presente período democrático (que esperamos que se perpetue, apesar da direita reativa). Tudo isso nos traz uma ponta de orgulho e muita satisfação por saber que o Brasil que cresce com justiça é fruto da luta de muita gente boa.
Valeu. Obrigado pelas lembranças.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011 12:51 PM)

Cara Victoria, caro José, obrigado pela leitura. Victoria, eu me lembro bem da campanha das diretas: foi o auge do meu período de militância. 

Mas do Fora Collor eu não tenho nenhuma lembrança. Eu vim morar nos EUA em 1990, dois anos antes do movimento estourar. Como não havia internet na época, e os jornais demoravam um pouco a chegar à biblioteca, eu praticamente não acompanhei :-( </p>
<p>(Roberto M Almeida :: 
fev 11, 2011  1:41 PM)

Caro Idelber, saudações Atleticana.

Idelber, minha militância politica começou bem cedo,por influencia de meu irmão comunista do partidão (PCB),eu ainda jovem participava de reuniões clandestinas e fui me politizando lendo o pasquim, o jornal movimento e principalmente lendo o Fradim do Henfil.O PT só vim a conhece-lo quando mudei para SJcampos SP na década de 90. nunca fui filiado mas sou petista, voto PT e toda minha família Paulista é petista.Meu primeiro voto foi em 74 no Itamar pelo MDB para o senado.
PS. meu irmão é um velho comunista que foi pela 1º vez na última eleição candidato a deputado federal pelo partidão mineiro.Seu nome, António de Almeida Lima. 
  </p>
<p>(<a href="http://guaciara.wordpress.com/" rel="nofollow">Tiago Mesquita</a> :: 
fev 11, 2011  6:06 PM)

Idelber, como você já sabe, o meu pai, o Mesquitão, foi um desses esquerdistas ligados à boêmia, à vida popular, de saco cheio do Partidão e da Libelu. Quando apareceu o PT, partido com pobre de verdade, com povo de verdade, partido que fazia churrasco e bebia cerveja, foi ali que ele foi militar (e milita até hoje). Mas ele sempre, sempre, desde que eu me lembro de falar pela primeira vez de política, me falou do ressentimento dos sovietistas. Não por acaso, o cão mais raivoso das direitas é o patético PPS. Sobrevivente envergonhado do PC, com dono e lacaios. Alguém precisava escrever sobre a história desse ressentimento. Ser esquerda sem povo é fogo ...</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 11, 2011  6:59 PM)

Tiago: Esquerda sem povo só não é a pior do que a ex-esquerda que vira direita raivosa - mas normalmente a segunda sai da primeira...</p>
<p>(Pedro :: 
fev 11, 2011  7:38 PM)

Quando o mensalão estorou, Lula disse que havia sido traído e um dia revelaria por quem. Hoje, no aniversário do PT, Lula disse que o mensalão foi "uma campanha infame" contra o parti.

Feliz aniversário, PT!</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 11, 2011 11:04 PM)

Parabéns, Pedro, fizeste o comentário de número 45!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 11, 2011 11:25 PM)

hohoho, boa, Hugo! 

Tiago, foi um prazer mesmo inesquecível conhecer o Mesquitão. Uma aula de integridade em pessoa, relação direta com o melhor legado do PT nas suas origens. 

E saudações atleticanas, caro Roberto, há toda uma história do Partidão que é bonita e heroica, apesar de todos os problemas. Uma pena que o legado tenha sido sequestrado por esse apêndice demotucano que hoje é o PPS. 

Abração a todos. </p>
<p>(<a href="http://doutormiranda.blogspot.com" rel="nofollow">Leonardo Fazito</a> :: 
fev 12, 2011  7:01 AM)

Idelber, seu post me causou o que chamo "efeito ratatouille" (do desenho animado da Pixar, quando a volta no tempo se faz sentir de maneira quase física). Várias recordações daquele 89, das quais duas ligadas ao futebol:

1 - No dia do comício da Praça da Estação (quando se podia ter manifestações públicas por lá), teve um Galo e Náutico nos Aflitos, com um tabu em cima: o Galo nunca tinha ganhado lá. Marcou primeiro, mas tomou a virada e perdeu. Muito menino para ir ao comício, fiquei vendo o jogo, e esperando meus pais voltarem totalmente encharcados para me contarem como foi. 

2 - Teve um Atlético x Cruzeiro alguns dias antes disso, e num determinado momento, as duas torcidas se uniram para cantar "Olê, olê olê olá, Lulá, Lulá". Desses eventos que marcam o caráter de uma criança.

Senão, sobre as releituras do primeiro gouverno Vargas - e lembrando que um dos responsáveis pelo mito da outorga que hoje se desconstrói foi o ex-petista Francisco Weffort -, recomendo fortemente o livro "O Direito do Trabalho no Brasil", de Magda Barros Biavaschi, da LTr, 2007. A maneira como ela, juíza do trabalho, destaca a institucionalização do direito do trabalho no Brasil a partir de casos concretos é extremamente inovadora. Vale a conferida.

Abraço e sorte pra nós hoje de tarde!</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 12, 2011  7:49 AM)

Leonardo, que impressionante essa memória do jogo do Galo com o Náutico! Como eu sou chato e pentelho, fui conferir para ver se você estava certo mesmo. Certíssimo! O comício foi em 18 de outubro e foi mesmo dia de Galo x Náutico. Olha aqui a ficha técnica do jogo. 

O Galo x Cruzeiro a que você se refere eu ainda estou procurando. Abração, sensacional comentário memorialístico. Eu nunca consegui conjugar as lembranças do futebol e da política. Sempre ficam como compartimentos estanques, separados na memória. </p>
<p>(<a href="http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com" rel="nofollow">Lola</a> :: 
fev 12, 2011  1:11 PM)

Que máximo vc encontrar um vídeo da campanha de 85 pra prefeito de SP! 85 foi a única vez na vida em que fiz campanha pra algum candidato que não fosse do PT. Eu gostava muito mais do Suplicy, mas achava que ele não tinha chance, e como naquela época não existia segundo turno, embarquei na conversa do voto útil e até fiz boca de urna pro FHC. Ai, se arrependimento matasse... Não lembrava da Regina Duarte. Lembro que naqueles tempos empunhar bandeira e entregar santinho era uma coisa puramente amadora, sem pagamento. E mesmo assim essa boca de urna pro FHC foi a única na vida em que recebi alguma coisa: uma camiseta e um sanduíche. Só a gente sabe que tinha de pagar do próprio bolso pra adquirir estrelinha, camiseta, e bandeira do PT... Em 89 eu já tava lá, firme e forte, participando intensamente da campanha do PT. E foi lindo ir sozinha de SP pro Rio só pra estar no comício da Candelária e ver Lula e Brizola pela primeira vez juntos num palanque (naqueles tempos eu nutria muita simpatia pelo Brizola, que esmaeceu quando ele foi o último a defender o Collor).
As eleições do ano passado foram, pra mim, as mais emocionantes desde 89. Mas desta vez ganhamos!</p>
<p>(Pedro :: 
fev 12, 2011  3:58 PM)

Putz, meu comentário foi o de número 45! Que bom, então vamos deixar o mensalão e a posição contraditória do Lula pra lá, né? A linda história do PT é muito maior que essa história mal contada.

E vamos também deixar o Genoíno ir pra festa na casa do Sigmaring com o carro da câmara! E nem pensar em falar dos passaportes do Lula.

Parabéns, PT, obrigado por este imenso legado ético.</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 12, 2011  6:50 PM)

A linda história do PT é muito maior que essa história mal contada. -- sim, é! Principalmente se levarmos em consideração como FHC mudou as regras do próprio jogo, em pleno andamento, para se favorecer, no caso da nefasta emenda da reeleição. Então antes de ficar nessa choradeira absurdista faça um favor para si mesmo e estude a história da política nacional, porque o buraco é mais embaixo, companheiro ;-)</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 12, 2011  6:52 PM)

Puxa, que coisa essa história do meu querido Náutico.</p>
<p>(Pedro :: 
fev 12, 2011  7:13 PM)

Hugo,

O que os erros do FHC têm a ver com os erros do PT? Eles se justificam? O erro de um serve de álibi para o erro do outro? 

A roubalheira tucana absolve a roubalheira petista? 
Os desvios petistas são virtuosos, pois seus objetivos são nobres? Em nome do povo, às favas a ética.

Abraços do chorão que desde já está a estudar a história política nacional. Um dia chego lá!</p>
<p>(<a href="http://www.descurvo.blogspot.com" rel="nofollow">Hugo Albuquerque</a> :: 
fev 12, 2011  7:34 PM)

Abraços do chorão que desde já está a estudar a história política nacional. Um dia chego lá! -- talvez não, há quem nunca chegue lá! A ligação é que os problemas políticos brasileiros vão muito além do que qualquer maniqueísmo moralista - que o PT alimentou em certo momento e agora o PSDB tenta simular - pode alcançar ou resolver. Foi? Se não foi eu é quem fui! Abraço</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 12, 2011  9:32 PM)

Lolita, obrigado a você também pelas memórias, realmente Lula e Brizola no mesmo palanque foi uma das grandes atrações daquele segundo turno. Sempre gostei muito do Brizola, mas me opus (já daqui dos EUA) com todas as forças que eu tinha (que eram muito poucas) ao acordo de 1998, que colocou um Brizola já muito enfraquecido--ele havia ficado atrás de Enéas em 1994--como vice na chapa de Lula, o que obrigou o PT a um injustificável apoio ao Garotinho nas eleições estaduais fluminenses. Na minha avaliação, o PT-RJ não se recuperou daquilo até hoje. Abração. </p>
<p>(Pedro :: 
fev 12, 2011 10:21 PM)

Um dia, quem sabe,  eu abandono esse maniqueísmo moralista. E de quebra viro aliado do sarney. E do collor. E do renan. Um dia,Hugo,um dia!</p>
<p>(Arthemísa :: 
fev 13, 2011  1:03 PM)

Alexandre Vasilenskas,

Talvez você nem leia mais esse comentário, posto que o post já está no ar há 4 dias, mas vou falar assim mesmo.

Moro em Pernambuco, estado que foi governado por Miguel Arraes três vezes, das quais duas eu acompanhei. Em Olinda, cidade vizinha de Recife,o PC do B responde pela prefeitura há 3 mandatos. Em Recife, é o PT quem governa há 3 mandatos. No caso da política pernambucana, posso lhe assegurar que Arraes e o PC do B não fizeram nem fazem nada diferente do que fez o governo Lula e o PT. Aliás, o PC do B aqui sempre se aliou a partidos e a políticos "duvidosos"; o PSB de Arraes, então, nem se fala. Hoje, o neto de Arraes, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB está implantando as OS na saúde. 

Nunca fui filiada a nenhum partido, embora tenha feito muita campanha para o PT. Mas dificilmente seria simpatizante de partidos comunistas, com estruturas tão centralizadas quanto o próprio regime. Para mim, tô fora de partido comunista e de comunismo. O que os partidos comunistas brasileiros nunca conseguiram explicar foi porque a sociedade, ou melhor, a classe trabalhadora, não aderiu ao discurso comunista. Também é exatamente esse o ranço dos partidos comunistas com o PT, que nasceu cheio de intelectuais, mas sempre foi o partido da classe trabalhadora. Contra fatos não há argumentos, pelo menos em alguns casos. O PT não pode ser acusado de ter criado a disputa na esquerda; neste caso, quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.</p>
<p>(Alexandre Vasilenskas :: 
fev 13, 2011  5:53 PM)

 Olá Arthemísa,
 pois é... já eu acho que "se não for para ser comunista é melhor cuidar da própria vida" (frase do Badiou).
 Os comunistas já cometeram vários erros, alguns graves, mas acho que o saldo ainda é positivo.
 Já fomos "hegemonicos" em vários contextos históricos inclusive no Brasil. É preciso lembrar por exemplo que quando o PT se legaliza em 1980, em 1982 um congresso do PCB termina com todo mundo preso. Aí é relativamente crescer... fora a ambiguidade política do qual falei.. nunca se assumindo ideologicamente de forma clara. Aquele papo de "não sou esquerdista, sou torneiro mecânico".
Eu mesmo já sai do PC do B, em grande parte pq considero um erro grave nesse momento ficar a reboque do projeto lulista, mesmo tendo votado no PT para todas as eleições presidenciais desde 94.
Meu medo é o processo de "americanização" que estamos vivendo no Brasil. Daqui a pouco seremos obrigados a escolher entre um social-liberalismo "mal menor" e uma direita criptofascista de influência religiosa.
              </p>
<p>(Marcelo C :: 
fev 14, 2011  1:50 AM)

Professor Idelber: vou reformular a minha pergunta, ainda que à custa de alguma prolixidade.

Sabemos que, nos EUA, o senhor é eleitor do partido democrata. Queria saber (e realmente quero, pois desconheço ambiente intelectual daí) se o senhor se sente tão à vontade para defender, por escrito, o partido de sua preferência na política norte-americana. Não se trata de uma questão de liberdade de expressão, mas sim uma pergunta sobre os hábitos acadêmicos de outros países.</p>
<p>(<a href="http://www.idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
fev 14, 2011  2:24 AM)

Caro Marcelo, eu me sentiria completamente à vontade para defender minha opção pelo Partido Democrata com toda ênfase, caso eu tivesse, pelo PD dos EUA, o mesmo entusiasmo que tenho pelo PT do Brasil. Mas defendi, sim, por escrito, várias vezes, o meu voto em Obama. É super comum aqui que professores façam isso. Como no Brasil, aliás. 

A questão é, obviamente, respeitar os limites do espaço onde isso pode acontecer. Jamais usei sala de aula, palestra ou publicação acadêmica para fazer campanha. Você pode consultar Alex ou Camila, que foram meus alunos, para saber se alguma vez usei a posição privilegiada de professor em sala de aula para traficar propaganda política. Não faço isso. 

Mas aqui, no meu site, pago com meu dinheirim? Claro que faço e lhe garanto que nenhum administrador de Tulane está preocupado com isso. 

Era essa sua dúvida? Me parece meio inverossível que alguém tenha uma dúvida dessas, com todo respeito. Mas se era essa, está respondida. </p>
<p>(Marcelo C :: 
fev 14, 2011  3:49 PM)

Era sim, professor. Sempre tive a impressão de que, no Brasil, a atuação política dos acadêmicos era mais explícita. Minha formação acadêmica se fez na Alemanha e, lá, percebo um distanciamento maior dos professores. Até hoje, por incrível que pareça, não sei em quem meu orientador votava. Talvez, por lá, os problemas sociais não sejam tão urgentes quanto no Brasil. 

Não quis questionar a sua ética acadêmica, professor. Quis saber se, nos EUA, a tomada de posição política por parte da academia é tão disseminada (e tão assertiva) quanto no Brasil. </p>
<p>(<a href="http://doutormiranda.blogspot.com" rel="nofollow">Leonardo Fazito</a> :: 
fev 16, 2011  9:23 AM)

Idelber,

valeu pela resposta. Mal a demora na tréplica. Correria monstra.

Se eu acertei na pinta a data do jogo do Náutico, a memória me pregou peças: para mim, o jogo tinha sido 2x1, e não 3x2. E, na cabeça do menino que eu era, foi uma frustração do cacete: quando o Galo marcou o primeiro, eu pensei "com mil caracóis, se o Galo que é o Galo quebra esse tabu hoje, é lógico e óbvio que o Lula leva as eleições". Como perdeu, temi o pior.

Quanto ao jogo contra o Cruzeiro, que na minha memória tinha sido antes do comício, eis que a "memória substituter" da Internet põe as coisas no lugar: foi no fim-de-semana antes do segundo turno, mais precisamente dia 10 de dezembro. O que explica a adesão massiva da galera Belorizontina, já que no primeiro turno, a balança pesava ora para o Afif, ora para o Covas (e quem diria que esse tipo de pendor esquisito iria voltar em 2010 com a Marina emplacando em BH, hein? Culpa do Pimentel e do Lacerda).

Pra terminar, uma outra lembrança futepolítica, meio off-topic. No dia seguinte às eleições municipais de 1992, rolou um Galo e Caldense (ou Galo e Democrata-GV, a memória falha, mas creio que é Caldense), domingo 4 de outubro. Fui ao Mineirão. Qual é a graça do caso? O João Leite era candidato e jogava ainda. A cada vez que ele pegava na bola, um senhor que estava sentado perto na arquibancada gritava "joga direito, seu CORRUPTO"! E o cara nem tinha sido eleito ainda (votação manual, contagem do quoeficiente eleitoral, etc.). Mas dei boas risadas, ainda mais que o Patrus ficou em primeiro lugar, e que o Arnaldo Godoy acabaria eleito para seu primeiro mandato (como foi o primeiro mandato eletivo do Arqueiro tucano de deus).

Aquele abraço.</p>
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<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2011-02-10T09:43:08-02:00</dc:date>
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