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<title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
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<description>Um weblog anti-apocalíptico sobre polí­tica, música, futebol e literatura.</description>
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<dc:creator>blog@idelberavelar.com</dc:creator>
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<title>A 120 anos da Lei Áurea: a ação de inconstitucionalidade contra as cotas</title>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Neste 13 de maio em que se celebram 120 da Lei Áurea, o Supremo Tribunal Federal está julgando duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma contra a política de cotas nos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro e outra contra o programa ProUni.  Estas ações são promovidas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e foram apoiadas por 113 figuras públicas, num texto que tem alguns méritos, mas que escolheu um título bastante infeliz: <a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR83466-6014,00.html">113 cidadãos anti-racistas contra as leis raciais</a>. </p>

<p>O título é infeliz porque se ancora naquele velho truque retórico: igualar o racismo real – a discriminação e a exclusão vividas cotidianamente por negros e mulatos ao longo de séculos no Brasil – com um remédio paliativo, que é o sistema de cotas que cria incentivos para a entrada de negros e mulatos às instituições de nível superior, como se “racista” fosse este último! Daí, é um passo para aqueles que se opõem a essas políticas se auto-intitularam os “anti-racistas”, implicitamente etiquetando de “racistas” aqueles que as defendem. </p>

<p>A posição do blog sobre as cotas raciais sempre foi a de que é possível que pessoas razoáveis e genuinamente preocupadas com a justiça social tenham posições divergentes sobre elas. Eu mesmo, de posição <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/04/o_brasil_posgra.php">entusiasticamente favorável</a>, tendo ouvido <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/04/enquete_cotas_n.php">muitos argumentos</a>, passei ser <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/antonio_riserio_a_utopia_brasileira_e_os_movimentos_negros_1.php">mais sensível </a>à idéia de que talvez a legislação racializada possa ser substituída, com melhores efeitos, por políticas de cotas sociais (destinadas, por exemplo, a alunos de escolas públicas) e por investimento maciço em combate ao racismo e em incentivo educacional à população negra e mulata. Posso, por exemplo, discordar da atual política de cotas da UFRGS, que determina que 30% das vagas sejam reservadas para alunos das escolas públicas, sendo metade destas para negros. Mas parece-me inaceitável que se tente silenciar o debate sobre as cotas com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. </p>

<p>Em outras palavras, é perfeitamente possível que você seja contra as cotas e, ainda assim, torça para que o STF siga o voto do relator Carlos Ayres Britto, que foi pela sua constitucionalidade. Isto significaria simplesmente que você não acredita que seja o momento da suprema corte do país sufocar iniciativas que permitiram a entrada de centenas de milhares de cidadãos brasileiros à universidade. Por isso, alegrei-me muito de encontrar <a href="http://pvnc.sites.uol.com.br/manifesto13maio2008.pdf">o manifesto que defende a constitucionalidade das cotas</a> (pdf), assinado também por um<a href="http://pvnc.sites.uol.com.br/assinaturas.htm"> time respeitável</a>. Trata-se de um extenso documento, com ampla fundamentação e sólida pesquisa. Recomendo, com muita ênfase, a leitura. Você pode acrescentar seu nome assinando <a href="http://pvnc.sites.uol.com.br/">aqui</a>. </p>

<p>O Brasil conta hoje com 20 mil cotistas negros cursando a graduação em várias universidades do país. 20 mil. Não é muito, veja só. Ao contrário do que se apregoa, as pesquisas acerca do desempenho dos cotistas mostram <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3502&bd=1&pg=1&lg=">resultados muito bons</a>. O ProUni já alocou 440.000 bolsas e conta com 310.000 alunos. Considerando-se os beneficiados pelo ProUni, aí sim, as iniciativas de inclusão no ensino superior já estariam em vias de produzir um impacto real na sociedade brasileira. </p>

<p>Pode ser que em algum momento deste processo, a sociedade brasileira – ou a maioria de suas universidades – decida que as cotas racias não são o caminho a seguir. Mas impugná-las hoje, por decreto, via Supremo Tribunal Federal, seria lamentável. </p>

<p>* Meus agradecimentos ao<a href="http://www.ditoassim.blogger.com.br/"> Jayme Serva</a>, pelo convite a escrever este post e pelo link que me levou ao manifesto em defesa da constitucionalidade das cotas. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/a_120_anos_da_lei_aurea_a_acao_de_inconstitucionalidade_contra_as_cotas.php#comments" title="Comente A 120 anos da Lei Áurea: a ação de inconstitucionalidade contra as cotas">32 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(Paulo :: 
mai 13, 2008  6:35 AM)

Caro Idelber
Pois é, o mar levou o principal mentor da constituição de 88 mas este nos deixou enredados com as MP, medidas provisórias, e as ADIN, ações de inconstitucionalidade. A compreensível intenção de valorizar o Supremo proporcionou um acréscimo de serviço àquela corte já que na Constituição Cidadã cabe tudo. Os juízes acabam tratando desde a mudança da cor da camisa do Corinthians até causas altamente complicadas!

Vejo que com o assunto “cotas raciais” ocorreu o que ocorre com tudo neste país, foi pouco debatido pela sociedade. Aliás quando um político diz que o assunto foi “exaustivamente debatido” entenda-se: decisão autocrática. Só futebol e carnaval são debatidos com "profundidade" e "repeito". A prova de que o debate foi insuficiente é que em meio a adoção das chamadas “cotas raciais” lembrou-se do acesso dos estudantes de escolas públicas. O resultado que conhecemos é, segundo os pessimistas, uma confusão. Mas otimistas inveterados podem acreditar que mais esta “solução brasileira” estará possibilitando o acesso a universidade a muitos que de outra forma não a freqüentariam.
Eu creio que esta ação de inconstitucionalidade está pretendendo justamente e primordialmente “sufocar iniciativas”. Acho até que a maioria das ações de inconstitucionalidade pretendem exatamente isso (seria preciso verificar melhor, mas tudo indica que sim). Ou seja, o instrumento ágil de acesso ao tribunal constitucional tem o efeito prático de cristalizar posições e estancar debates ainda não encerrados. É lamentável.
Creio caro Idelber mais estranho que uma entidade de estabelecimentos de ensino atue no Supremo em relação a direitos do cidadão do que uma reunião de pessoas (imaginando que seus objetivos sejam éticos). E creio que nesta existência o nosso país, o Brasil, não conseguirá se livrar destes defeitos de comunicação (por exemplo no título do documento “113 cidadãos”) e postura que você aponta no uso da expressão “anti-racista”. Talvez em uma outra existência, quem sabe?
</p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 13, 2008  8:23 AM)

Caro Idelber,

Se me provarem que uma criança branca sofre tanto quanto uma criança negra desde o nascimento até o momento do vestibular eu fico com as cotas para quem vem de escolar pública.

Agora como eu sei que nunca uma criança branca fará como fez a professora e escritora GENI GUIMARAES que num momento de tristeza conforme sua memórias escritas do livro "LEITO NO PEITO" pegou areia e passou na pele para tirar a cor negra ou num outro momento ela pergutara a mãe se a chuva que caía do céu poderia levar sua cor embora. Como eu sei que nunca uma criança branca agirá assim nem em sua infância nem em sua adolescência, como eu acredito nisso, sou favorável as cotas pelo recorte racial. 

Sabe Idelber, tem gente que pensa que o vestibular é ato único. Ninguém percebe que ele é o ato final(antes de adentrar no mundo do conhecimento, que o branco acha que por direito natural e por direito divino lhe pertence) de uma agressão que começa ao nascer à criança negra e a segue durante a sua juventude.

Se existir alguém ainda pensando nesta suposta democracia de sofrimento de todos os pobres independente da cor sugiro os seguintes livros: "LEITE DO PEITO - Contos" memórias de Geni Guimarães e "A MULHER NEGRA QUE VI DE PERTO"  de Nilma Lino Gomes. Ambos os livros da excelente editora mineira Maza edições.

Abraços.</p>
<p>(<a href="http://trpz.org/" rel="nofollow">Rafael M</a> :: 
mai 13, 2008  8:41 AM)

Há políticas de cotas e políticas de cotas. 

Acho iniciativas que separam um conjunto de vagas para negros, com processo seletivo exclusivo, populistas e racistas sim. Geram um privilégio, na minha opinião, imerecido, num contexto no qual a meritocracia deveria ser o principal guia. 

Mas iniciativas de bônus, como as da Unicamp ou da USP, que dão um grupo de pontos a mais a alunos oriundos das escolas públicas, possuem vários méritos: 

1. O conjunto da processo de seleção fica preservado. As pessoas ainda competem pelas vagas e as mais preparadas ainda ganham. A diferença está em que como o processo de seleção ainda é único, todos os alunos que passam no vestibular são comparáveis, independente de origem, e o conjunto de alunos ainda é o melhor que saiu do vestibular. Não há duas "castas" de alunos. 

2. A iniciativa dá incentivo sem conotação racial, a pessoas (brancas e negras) que a necessitam. Essa é uma solução superior, ao meu ver. 

3. O sistema é justo. Bons alunos de escolas privadas passam sem problemas. Bons alunos de escolas públicas passam sem problemas. No limite da nota de corte, alunos de escolas públicas são privilegiados em relação a alunos de escolas privadas, ou seja, entre alunos de desempenho semelhante, preferem-se os da escola pública.  </p>
<p>(Eduardo Trajano :: 
mai 13, 2008  8:50 AM)

Idelber,

Acho que o melhor enfoque pelo qual se pode analisar a relevância ou não da adoção das cotas raciais para ingresso no ensino superior é por suas conseqüências. O estabelecimento de cotas para negros melhorará a disparidade social existente entre negros e brancos? Essa disparidade é conseqüência do preconceito "racial" ou do abismo social que separa pobres e ricos no Brasil? No meu ver, as cotas em nada melhorarão a vida dos negros ou dos pobres. Em primeiro lugar, a grande causa desse abismo social que separa negros e brancos não é racial e sim histórica. Essa disparidade vem dos tempos da escravidão. E os negros foram escravos não por que são inferiores e sim por razões que se relacionam com a forma de desenvolvimento econômico do Brasil e do mundo a partir de 1700 (Brasil Colonial e Brasil Imperial). A melhor forma de diminuir essa disparidade social é investir maciçamente em educação para as camadas mais pobres da população, brancos e negros, e desde, e principalmente, o ensino fundamental. A adoção de cotas raciais só se justificaria se os negros fossem impedidos de ingressar na Faculdade em razão da cor da sua pele. Isso não ocorre no Brasil. O negro pobre ou o branco pobre, em sua grande maioria, são impedidos de ingressar na Faculdade em razão de sua condição social. O negro e o branco das classes mais privilegiadas não terão maiores dificuldades. O negro bem formado não será impedido de ingressar na universidade só porque é negro. Acho sinceramente, com todo o respeito a quem pensa o contrário, que as cotas não resolvem o problema que se propõem resolver e podem ainda gerar ódios inter-raciais desnecessários. 

Abraço,

Eduardo</p>
<p>(Bruno ( ) :: 
mai 13, 2008  9:34 AM)

Essa é uma das polêmicas mais complicadas. Acho que denunciar a retórica dos outros é apenas metade do processo, uma vez que essa polêmica em especial simplesmente não tem verdade. No final das contas, me tornei indiferente às quotas: sei muito bem que elas funcionam, e entendo seu grau de justiça. Acho-as razoavelmente boas, melhores do que nada --- mas ao mesmo tempo confesso que esse atalho entre problema social e problema racial sempre me soou bastante idiota. Certamente os negros fazem maioria entre os pobres, entre aqueles que não têm acesso a educação de qualidade, mas os problemas continuam sendo renda e educação, não cor da pele.

É um pouco como no caso do referendo do desarmamento: que as quotas sejam, no final do dia, algo bom, isso eu tenho certeza. Mas da forma como elas foram colocadas, e aí já não é mais questão de mérito próprio e inerente, mas de contexto, vejo elas como algo no caminho de um governo trabalhando seriamente para diminuir a desigualdade (não existe, pelo menos não no Brasil, uma equação pela qual sistema de quotas diminua sensivelmente a desigualdade nacional, não adianta forçar a barra), ou para melhorar a qualidade da educação pública.

Tenho certeza que alguém vai se sentir tentado a responder: "mas esse é um plano de ação para o curto prazo, seu mérito não deve depender dos de médio prazo". No mundo ideal, concordo, e de fato acho que já disse lá em cima: no final das contas, me considero indiferente às quotas. Mas a gente não está no mundo ideal: não só não se fizeram outros planos como não se farão. E com o sistema de quotas, tenho visto desde o meu colegial vários professores e outros formadores de opinião, tipo Tony Garrido, darem o problema por resolvido. Longe disso.

Como projeto, o sistema de quotas para negros pode até ser inferior a um sistema, digamos, de quotas para pobres --- isso não lhe tira nenhum mérito, continua sendo um bom sistema. Como discurso, ele representa dois, três mandatos presidenciais sem que se tome mais nenhuma atitude substancial quanto ao acesso à educação. Isso faz dele um projeto mau? Não. Isso não é índice da maldade das quotas, e sim da burrice do brasileiro, que se contenta com pouco e pára de reclamar. É sempre mais difícil exigir uma solução quando você já tem uma gambiarra.

Por mim, com projeto, sem projeto, não faz a menor diferença, mas se as pessoas se contentarem com isso e pararem aí (como elas estão fazendo), o país vai continuar na mesma por ainda outros dez anos. O problema não está nas quotas em si, o problema está no que se faz com elas, e principalmente: o problema está nas pessoas, que desistem muito fácil, que botam um preço muito baixo.</p>
<p>(João Marcelo :: 
mai 13, 2008 10:11 AM)

Idelber,
tenho uma posição muito parecida com a tua. O que sempre me incomodou na política de cotas foi o "conjunto" que os defensores da ação afirmativa traziam. Refiro-me, por exemplo, ao Estatuto da Igualdade Racial e a outros mecanismos que pretendiam instituir classificações raciais nos mais diversos níveis da máquina pública, Estado, sociedade civil. Eu me incomodava com o que parecia ser um "pacote" destinado a praticamente refundar o país do zero, o que implicaria uma miríade de leis, iniciativas, regulamentos e "escaninhos".
Acho que uma boa defesa das cotas deve ser pragmatista, isto é, estabelecer-se como uma iniciativa contingente, aberta e desvinculada de qualquer "pacote" civilizatório que se arvore numa narrativa fechada sobre o Brasil. Nesse sentido, as cotas poderiam ser tranquilamente inscritas na nossa tradição constitucional recente e mesmo nas nossas diversas narrativas sobre o "Brasil".Nessa perspectiva, seriam mais um instrumento destinado a ampliar nossa vida comunitária, nossos horizontes de desejos e esperanças. E aderir a elas não implicaria comprar uma certa interpretação do Brasil que reputo fundamentalmente equivocada e que se limita a "denunciar" nossa História, ao estilo "500 anos de opressão", "país errado" etc. </p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 13, 2008 10:31 AM)

Rafael, detalhe que na USP pela tal bonificação, o percentual de negros variou de poucos mais de 0,20% em 3 anos. Ou seja: Nada.

E na Unicamp, há pontuação para quem se declarar negro, pardo e indigena, ou seja a midia racista deste país tenta incutir que a Unicamp não tem recorte racial. E tem gente que acredita.

</p>
<p>(Ana Carolina :: 
mai 13, 2008 10:33 AM)

Não acredito no sistema de cotas com base na cor/raça. Acredito que tal política gera uma onda de racismo muito maior e muito mais cruel entre os universitários e na sociedade em geral. Também não considero justo com relação a todos os vestibulandos, brancos ou negros.
Eu estudei em escola pública até a 8ª série e fiz o colegial em escola privada. Em ambas tive colegas negros. Dos alunos da escola pública, menos de metade da classe fez curso superior. Muitos fizeram cursos técnicos enquanto outros simplesmente desistiram. Dos colegas do colégio particular, todos fizeram curso superior, inclusive os negros.
Quero demonstrar com isso que acredito que o melhor sistema para democratizar a educação superior no Brasil deve levar em conta não a cor da pele, mas a proveniência do estudante: escola pública/particular. Ainda, deve-se levar em consideração o desempenho do aluno (conforme explicado pelo Rafael M).
Mas a verdade é que nenhum sistema de cotas é justo. Justo seria fortalecer o ensino público para que os alunos concorressem em pé de igualdade em qualquer vestibular.
 </p>
<p>(Gui Losilla :: 
mai 13, 2008 11:20 AM)

Eu não entendo porque tanto alvoroço para entrar em uma universidade!!! Moro em Brasília e vejo pessoas entrando na UnB pra depois fazer um concurso e seguir a vida!! Mas e a tal da pesquisa, da extensão????? onde ficam??? pq não cria e/ou melhora as escolas técnicas? pq não cria faculdades? 
Enquanto não se repensar as Instituições, de nada adianta cotas (de qualquer que seja!).</p>
<p>(<a href="http://www.ditoassim.blogger.com.br" rel="nofollow">jayme</a> :: 
mai 13, 2008 11:25 AM)

Idelber, de fato essa é uma questão delicada, com sutilezas que a meu ver impedem uma tomada de posição peremptória -- o que, de resto, é bom. Me parece que os principismos e generalizações levam aposição contra as cotas, enquanto a tentação do assistencialismo e a do intervencionismo tendem a levar ao contrário. Não acho que seja esse o embate. O que há de se olhar é o dado real colocado sobre a mesa: o negro é duplamente atingido pela desigualdade social. O ciclo vicioso que o enreda na pobreza tem o agravante de um preconceito real mas surdo. Suas condições são objetivamente piores do que as de pessoas brancas da mesma condição social. Estudos como os do professor Marcelo Tragtenberg et al. (http://www.acoes-afirmativas.ufsc.br/artigos/2006-09-30-artigo-pagina-comissao.pdf) e de Rosângela e Walter Praxedes (http://www.espacoacademico.com.br/018/18praxedes.htm) mostram isso com clareza e embasam bem a idéia da necessidade e da transitoriedade das ações afirmativas relacionadas à população negra. Mais do que dizer que todos são iguais perante a lei, é preciso assegurar que todos devam ser e sejam iguais. Isso passa necessariamente por atuar junto às desigualdades. Inclusive aquelas determinadas pelo fator raça.</p>
<p>(<a href="http://casadetolerancia.blogspot.com/" rel="nofollow">Gnorante</a> :: 
mai 13, 2008 11:37 AM)

"Isto significaria simplesmente que você não acredita que seja o momento da suprema corte do país sufocar iniciativas que permitiram a entrada de centenas de milhares de cidadãos brasileiros à universidade."
Ou, cabe a suprema corte julgar tecnicamente apenas a constitucionalidade da matéria. Se é bom ou não, devem ou não ser implementadas, isto não cabe ao STF, ao menos não deveria.</p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 13, 2008 11:43 AM)

Posições contrárias se perpetuam no tempo. Só mudam os atores. Isso acontece desde o século XIX, quando se contrapunham os contra e os a favor da abolição. Em 2006 foi entregue um manifesto que tinha mais nomes anti-cotas, hoje cairam para 113, mas sabe como é que é né. Muitos refletiram e pararam de ler os editoriais da mídia monopolista.</p>
<p>(<a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/" rel="nofollow">Gravatai Merengue</a> :: 
mai 13, 2008 12:33 PM)

Como ação afirmativa, defendo cotas sociais e principalmente nos colégios, mais ou menos como funciona com os bolsistas.

E seu texto ficou muito bom. Eu era favorável à ação afirmativa com base étnica, hoje acho que o melhor é a base social - sobretudo para a realidade brasileira.

Mas debates são para isso: divergências democráticas e idéias interessantes para que possamos refletir sem violência.

Abs</p>
<p>(tiago :: 
mai 13, 2008  1:14 PM)

Por mais controversas que sejam, não vejo um modo melhor de reparar os males e distorções da sociedade escravocrata no Brasil. Acho que só quando o racismo for encarado de forma severa que o Brasil se democratiza. Para isso, não conheço alternativa melhor do que a ação afirmativa. Mas queria saber de outras propostas. Além disso, queria saber quem são os negros que subescrevem a lista da revista época.
abraço
tiago</p>
<p>(<a href="http://paulodaluzmoreira.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Moreira</a> :: 
mai 13, 2008  1:31 PM)

Idelber,
Vc acerta na mosca quando levanta a necessidade de se aprofundar a discussao aos detalhes, ajustes que podem ser feitos tambem com o tempo, avaliando os resultados das cotas como parte de um processo em que a sociedade e o estado brasileiro resolvem agir concretamente contra a desigualdade e a discriminicao que nos entristecem e envergonham. Nessa discussao ha que tomar cuidado com essa gente que se diz a favor da igualdade racial "em tese". No  Imperio ninguem era contra fim da escravidao, nem os responsaveis por quase 50 anos de enrolacao que nos fizeram ser a penultima nacao latinoamericana a aboli-la. A direita no Brasil adora esvaziar o debate dessa forma: os ruralistas sao a favor da reforma agraria e os militares eram a favor da democracia na maior parte da ditadura - sempre "em tese".  </p>
<p>(<a href="http://marcuspessoa.net" rel="nofollow">Marcus</a> :: 
mai 13, 2008  2:42 PM)

Subscrevo integralmente o seu post, como habitual.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai 13, 2008  2:48 PM)

Car@s: 

Dada a quantidade de argumentos possíveis ao redor deste assunto, e a freqüência com que o blog o vem tratando, vou me permitir abster de responder hoje, senão começo a escrever tratados. 

Em todo caso, já há uma boa leva de idéias para ir se pensando no tema. Como um dado novo, note-se a aliança meio estranha entre pensadores da cultura brasileira que têm a genuína democracia racial como meta, mas que se sentem desconfortáveis com as cotas (como Antonio Risério, Caetano Veloso), e figuras da direita  estilo Veja. É um fato criado por essa carta dos 113. </p>
<p>(Hugo Albuquerque :: 
mai 13, 2008  3:08 PM)

Idelber,
Pessoalmente sou favorável às cotas étnicas no sentido de que é uma forma de se reparar as terríveis distorções geradas pela escravidão no país.

É ridículo, cruel e imbecil usar argumentos como os que dizem ser impossível diferenciar quem é ou não negro no Brasil. Na hora de escravizar, todos sabiam exatamente quem era ou não negro. Na hora de discriminar, todos sabem quem é ou não negro. Na hora de incluir ninguém mais sabe quem é negro. Intrigante.

Por mais que seja ciníco esse debate (sobre as cotas raciais), ainda há a possiblidade de trava-lo, no entanto, no que tange ao PROUNI não estou entendendo o que está sendo discutido. Pensei que as universidades fizessem parte do projeto voluntariamente e que recebessem isenções fiscais em troca, além do mais, essas bolsas estariam apenas preenchendo a capacidade ociosa comum às instituições públicas de ensino superior, não diminuindo as vagas disputadas no vestibular convencional das mesmas. 

Cotas sociais e étinicas podem não resolver todos os problemas tangentes ao ensino superior no Brasil, mas são um primeiro passo, e derruba-las seria um inequívoco retrocesso. </p>
<p>(Fábio Carvalho :: 
mai 13, 2008  3:34 PM)

Sou favorável às cotas para negros, apesar de compreender que não representam uma solução ideal. As cotas sociais, aparentemente mais justas, também apresentam distorções. Eu sou um exemplo vivo. Fiz o ensino médio em escola pública: um centro de excelência, único no Brasil, para apenas 100 alunos (somadas as três séries do ensino médio).

Falo do Centro de Ensino e Pesquisa/Instituto de Laticínios Cândido Tostes, em Juiz de Fora (MG). As instalações são boas e o corpo docente, inesquecível (tive professores com titulação na Europa, como se diz quando queremos destacar excelência). Tive laboratórios bem equipados e uma fábrica-escola para "aprender-fazendo". Os estudantes de outras cidades podem morar na escola, pagando quantia simbólica para utilizar o internato. Há uma piscina semi-olímpica e anfiteatro com 300 lugares. Problema? Tem vestibular para ingresso! Na minha turma, com ingresso em 1988, havia um único negro.

Idelber cita a Ufrgs, onde as cotas raciais foram inseridas dentro das cotas sociais. Hoje, resido em Porto Alegre. As cotas sociais também sofrem críticas dos vestibulandos em geral, pois o Colégio de Aplicação da Ufrgs, público, tem ensino de qualidade. Claro, é disputadíssimo, de modo que tem um sistema de seleção, a partir da 5ª série, "hostil" aos filhos da pobreza. Não é o único com esse perfil.

O Colégio Militar, em Porto Alegre, também é elogiado. Ou seja, os alunos, embora com ensino público de qualidade, entrarão nas chamadas cotas sociais. Curioso que o Colégio Militar, segundo apurei junto a um ex-aluno, tem reserva de vagas para filhos de militares e ninguém jamais pensou em acusar esse "privilégio".
</p>
<p>(<a href="http://sergioleo.blogspot.com" rel="nofollow">S Leo</a> :: 
mai 13, 2008  3:46 PM)

Já eu era contra as cotas, por achar que rebaixaria os critérios da Universisdade, que devem ser meritocráticos, e mudei de idéia, primeiro porque a meritocracia universitária e, segundo, porque aparentemente nem é tão meritocrática assim, nem houve rebaixamento, os cotistas estão se esforçando (muitas vezes sem apoio institucional) e defendendo bem a idéia da cota. 

Hoje acho que é ruim acabar em algo que dá certo, mas tenho dúvidas se dá tão certo. POde mudar. Ainda acho que cotas seriam melhores para egressos de escola pública e penso que elas deveriam ter prazo, pois são preferíveis, às cotas,  políticas de renda com estímulo à educação báscia e fundamental, como o Bolsa Família e congêneres.

Porém, caro Idelber, é um tremendo sofisma dize que a ação de incondicionalidade veta o debate. Ela veta a medida, tomando partido no debate. Quem quer vetar o debate, pelo jeito, é a maioria dos defensores da política de cotas, que não adimte qualificações nem discussão do assunto, logo tascando nos que são contra as cotas o apodo de racista, reacionário ou anti-negro.

Mas a cota é racista, sim, por definição. Só pode negro. Mulato, dependendo do matiz da pele, sofre tanta discriminação quanto, se for pobre, e fica de fora; teve aquele caso famoso dos g~emeos na UnB, em que um entrou e outro não foi considerado apto. Num país mulato como o nosso, falar em políticas exclusivas para negros é racismo. Pode ser justificado por mil argumentos, mas é um critério racial que discrimina mestiços com a pele não tão escura. MInha tia-avó, se resolvesse estudar, se habilitaria a uma cota; a irmã dela, minha avó, não. E duvido que uma tenha sofrido mais preconceito que a outra na vida.

</p>
<p>(<a href="http://opensadorselvagem.org/blog/miltonribeiro/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mai 13, 2008  4:06 PM)

É uma questão dificílima. Desde há muito tempo, sempre fui favorável às cotas sociais. Mas, admito que, egresso de escolas e universidades públicas, tenho uma biografia de competir no vestibular contra alunos teoricamente "melhores preparados" a apoiar minha posição.

Abraço.</p>
<p>(<a href="http://www.serbon.blogspot.com" rel="nofollow">Serbão</a> :: 
mai 13, 2008  4:38 PM)

eu , por enquanto, sou a favor das cotas sim, mas como solução emergencial - até uma inclusão maior do negro. quando a novela das oito tiver protagonistas negros, o mocinho e a mocinha; quando as administradoras de RH deixarem de exigir fotos nos currículos aos candidatos de emprego; quando os prédios não tiverem mais separação entre elevador social e de serviço; etc, etc, aí eu assino junto com os 113. </p>
<p>(<a href="http://www.serbon.blogspot.com" rel="nofollow">Serbão</a> :: 
mai 13, 2008  4:40 PM)

incluindo: daqui a 32 anos, mais precisamente, fico contra o sistema de cotas:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL467980-5598,00-SALARIO+DE+BRANCOS+E+NEGROS+DEVE+SE+IGUALAR+EM+ANOS+DIZ+IPEA.html
</p>
<p>(paulo :: 
mai 13, 2008  4:51 PM)

Tenho uma posição um pouco polêmica a respeito. Primeiro que sou a favor das cotas. Acho que é algo necessário para corrigir algumas distorções históricas e sociais. Estudei em faculdade particular de alto nível e não havia um único negro na minha sala. Não consigo lembrar de um negro em todo curso. Tá bom, talve um ou dois em um universo de mais de 2000 alunos. Estudei em escola particular. Não tive amigos negros. Meus amigos negros sempre foram os que jogaram bola comigo na várzea, alguma roda de samba...nada além disso.No mundo corporativo que vivo hoje, verdadeiramente elitizado, negros só no baixo escalão, e olha lá. Por isso acredito que uma ação afirmativa poderia, pelo menos, começar a mudar esse cenário. Para o bem de todos nós. A definição do que é ser negro pode gerar alguns questionamentos, mas mesmo assim, acredito que -- como li em algum comentário, desculpe não lembrar quem foi o autor -- quem é negro sabe. Eu não preciso de governo. Gostaria muito de não pagar escola, saúde, segurança etc. Mas infelizmente sou obrigado a pagar. Pago e tenho uma vida com muito mais conforto que a classe média tem na Europa. Sei porque morei lá. Eu não preciso de ação afirmativa. Eu não preciso ter medo de um negro ser meu concorrente. Não preciso ter medo de perder meu lugar na faculdade. Eu sempre tive muito mais oportunidades que eles e, provavelmente, sempre terei. Parece-me mais uma proteção aos filhos que sequer podem andar no barro, sem saber a falta que isso fará no futuro. Acho que os negros precisam que o Estado volte seus olhos para eles. Nem que seja por um instante. Quem sabe será a primeira vez que isso irá (está)acontecer(ndo). No mais, excelente a discussão e acho que mesmo aqueles que são contra ao que eu acredito defendem suas posições de forma  elegante e honesta. Aprendizado constante, mas que reforça minha posição. Parabéns pelo blog Idelber.   </p>
<p>(<a href="http://www.izabellaoc.blogspot.com" rel="nofollow">Izabella</a> :: 
mai 13, 2008  5:34 PM)

Sou à favor das cotas , temos um Karma à pagar , depois de tantos anos de escravidão nesse país.
 Isso não impede que sejam feitos ajustes.
Discussão excelente.</p>
<p>(Cesar :: 
mai 13, 2008  7:44 PM)


Idelber,

Concordo com o seu argumento. Mesmo sendo contra as cotas, não posso ser favorável à sua inconstitucionalidade. As cotas trazem um debate benéfico sobre o Brasil, colocam a questão da justiça social na ordem do dia, e isso tem que ser visto com bons olhos. A experiência das cotas têm que existir, até para serem avaliadas, possivelmente adaptadas, etc.

Eu não vejo o título do manifesto dos 113 da mesma forma que você. Infelizmente, no Brasil criou-se uma polarização falsa. Ou você é a favor das ações afirmativas, ou você é cúmplice do discurso da democracia racial. O título do Manifesto dos 113 indica uma outra possibilidade: somos contra a racialização das relações sociais E TAMBÉM SOMOS anti-racistas. Em outras palavras: as ações afirmativas são UMA forma de combater o racismo. É possível ser CONTRA as cotas e combater o racismo. A meu ver, essa é a mensagem do título.

   Eu ia até assinar o outro manifesto que defende a constitucionalização das cotas, mas o texto me pareceu tão panfletário e simplista que resolvi declinar. Afirmar que os 80 acadêmicos dos 113 representam "uma elite acadêmica branca centrada no eixo Rio-São Paulo que solicitam o retorno ao estado de exclusão de racismo institucional que imperava indiscriminadamente nas universidades brasileiras é demais"(pag 25) . Chamar de racismo institucional um sistema educacional que, para o BEM e para o MAL, era movida por uma ideologia a-racial, é não saber empregar conceitos ou, então, simplesmente fazer uso de má fé. Não me sentiria bem assinando isso.

Mas o seu eu assino!;o)

PS- Idelber, eu vejo uma diferença entre Antonio Riserio, Caetano, Luis Nassif e o colunismo da Veja nesse assunto. Enquanto os primeiros reconhecem a existência do racismo, acham que há outras formas de combatê-lo, sem que isso comprometa o legado riquíssimo do hibridismo cultural brasileiro. O colunismo da Veja, a meu ver, defende a idéia rósea do "nós não somos racistas". Creio que há uma diferença nítida, apesar de todos (menos Nassif, dentre os que mencionei) ter assinado o Manifesto dos 113.</p>
<p>(<a href="http://falaai.zip.net" rel="nofollow">Pablo Vilarnovo</a> :: 
mai 13, 2008  7:58 PM)

Primeiramente vou pedir desculpas a amiga Izabella: não tenho karma nenhuma a pagar em relação a nenhum negro. Nunca tive escravo.

Políticas de cotas são racistas sim por definição. Política de cotas beneficia um cidadão em detrimento a outro por conta de sua cor de pele, por conta de seu nascimento, por conta de sua "raça". Isso a torna racista. Não é questão de comparar um racismo com ou outro. Não há dois tipos de racismo. Racismo é racismo. De branco para negro, de negro para branco e de Estado.  

Isso não quer dizer que pessoas que apoiam as cotas sejam racistas. Elas podem acreditar, como muitos, que devem alguma coisa aos negros. É uma opinião muito justa.

Mas que as cotas são racistas isso elas são. Só não pode dizer que não para tornar o assunto mais "higiênico", mais limpinho.

Praticamente TODOS concordam que cotas não resolvem os problemas. 

Eu fico me perguntando porque raios os brasileiros se concentram mais em soluções que NÃO resolvem os problemas ao invés das soluções que RESOLVEM os problemas? Isso para mim é um mistério ainda não solucionado. E nesse tempo todo que debatemos as cotas, a solução que é a melhoria da educação pública no período secundário só faz piorar. 

E ninguém dá a menor pelota para isso. 
Se os pró-cotas destinassem um terço de sua energia para cobrar do governo uma melhoria da educação secundária pública, nesses, o que?, quatro, cinco anos de debate, pelo menos toda uma geração que cursou o segundo grau poderiam ter a capacidade de competir por uma vaga em uma faculdade pública sem precisar de cotas raciais ou sociais. 

E é isso que mais me entristesse e o que mais alegra o governo.

Outro ponto. Ou é falta de conhecimento do que seja uma ADI ou é uma bruta falta de boa vontade.  A ADI de maneira nenhuma quer barrar o debate. 

Infelizmente no país há leis, e uma dela diz que "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si". 

Na do Rio de Janeiro diz que "Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, convicções políticas ou filosóficas, deficiência física ou mental, por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição".

Ora, não é exatamente isso que as cotas fazem? Ou não? Estou errado? Não é direito das pessoas quererem barrar algo que elas consideram errado?

Idelber, as cotas sim permitem a entrada de centenas de milhares de brasileiros nas universidades. Mas também impedem a entrada de  centenas de milhares de tão brasileiros quanto os outros. 

Isso é "justiça social"? Isso é ao menos justo?

Queremos mesmo viver debaixo de um Estado que faz esse tipo de distinção??

Eu não quero.

Já basta cadeia especial, aposentadoria especial, regimes especiais, mordomias especiais etc... etc... etc...
</p>
<p>(fm :: 
mai 13, 2008  9:02 PM)

desde antes da criação das cotas, a lei que diz que "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si". existia, inclusive aquela outra lá no Rio de Janeiro e tantas outras.
Mas me parece que somente agora é justo que elas devem ser 'acionadas'.
Ora, as cotas não barram ninguém que já tenham acesso a boa educação de ingressarem numa universidade.
Os  debates sobre justiça social, anteriores às cotas, sempre  morreram  na praia.
Tanto é  evidente que as cotas 'não resolvem o problema', como  é evidente que 'ninguém dá a menor pelota para isso', as tais ' solucões que resolvem o problema'. Por isso acho as cotas importante.
Já viviamos 'debaixo' de um Estado que fazia esse tipo de distinção, e isso não era provocativo.
Mas argumentar que exista cadeia especial , que é para brancos, aposentadoria especial, que é para brancos, regimes especiais, mordomias etc etc etc , que são para brancos, e incluir as cotas neste rol, é de um descaramento sem igual.
As cotas, independente dos resultados positivos,  acima de tudo, provocou um debate  que, quero crer, não se ajustará ao calor do momento.
Mas é sempre bom ouvir opiniões mais competentes:
http://www.neilopes.blogger.com.br/eu Lote - Nei Lopes</p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 13, 2008  9:20 PM)

Prof. Eliane Marta Teixeira Lopes,Titular de História da Educação da UFMG a sua aluna de mestrado Nilma Lino Gomes, negra antes de começar a orientação:

"Sou branca, Nilma, e mesmo que não queira, devo ser racista, devo trazer em mim, marcados no meu pensamento e na minha participação no mundo, todas as piadinhas racistas que já ouvi, todos os comportamentos da minha família, dos meus ancestrais(nem tão distantes) portugueses, da minha raça"

E o Procurador Regional Federal no Rio de Janeiro Daniel Sarmento:

"(...)O mito da democracia racial, durante muito tempo acalentado entre nós, provou-se nada mais do que isso: apenas um mito, que, no seu ufanismo, anestesia as consciências e posterga o enfrentamento de um dos mais graves problemas nacionais. E nem é preciso recorrer à contundência das estatísticas para derrubar o famigerado mito. Para quem tem olhos de ver, basta um giro pelos shopping-centers ou restaurantes frequentados pela elite em qualquer centro urbano do país para constatar a exclusão social dos negros, que, no entanto, estão muitíssimo "bem representados" em outros espaços menos glamourosos, como os presídios e as favelas.

Porém esta realidade é muitas vezes ignorada por observadores desavisados, porque a desigualdade racial já está "naturalizada" na nossa sociedade. De tanto conviver com esta desigualdade, desde a sua primeira infância, o brasileiro mediano acaba perdendo a capacidade crítica de percebê-la como uma tremenda injustiça. Socializado neste contexto, ele passa a ver este quadro como absolutamente natural e internaliza, inconscientemente, a idéia de que o "normal" é que o negro ocupe as posições subalternas na sociedade.

Portanto, para lutar contra a discriminação racial e a desigualdade é preciso reaprender a olhar. Olhar para ver que são quase sempre negras as crianças famélicas que fazem malabarismo com bolinhas nos sinais de trânsito das grandes cidades; quase sempre negras as famílias que dormem sob as marquises, na imundice das sarjetas das nossas ruas; quase sempre negras as vítimas da violência policial e da tortura. Olhar para ver que a miséria no Brasil tem cor." 

Agora eu, Chico Mendes, pergunto até quando esta anestesia durará na mente de quem acredita que todos sofrem de igual modo? Aquele que diz que brancos e negros sofrem de igual modo sejam ricos ou pobres é porque defendem políticas universalistas e quem defende politicas universalistas tem a obrigação de defender que somos uma democracia racial.

Por fim:
TRECHO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2005.04.01.006358-2/PR do Desembargador Federal Des. Luiz Carlos de Castro Lugon:

"Permissa maxima venia, não há como deixar de dizê-lo, ver a disparidade atual e aceitá-la comodamente é uma atitude racista em sua raiz."
</p>
<p>(<a href="http://falaai.zip.net" rel="nofollow">Pablo Vilarnovo</a> :: 
mai 13, 2008 10:33 PM)

FM - 

Não acho em absoluto que o debate seja ruim. Muito pelo contrário. 

Cotas sim barram pessoas que tem bons acesso a educação. Barra justamente em detrimento a pessoas que não possuem capacidade para tal. O sistema de meritocracia, ainda o melhor que existe, é solapado.

De mais, gostaria que me indicasse atos do Estado que fizessem distinção entre cor. Eu não conheço. Você deve conhecer para dizer que só agora acionam essas cláusulas (como se a Constituição fosse uma lanterna).

Bom, tem gente que acredita que cotas seja "justiça social" (esse termo muito Mandrake). Outros não.

"Já viviamos 'debaixo' de um Estado que fazia esse tipo de distinção, e isso não era provocativo."

Novamente gostaria que me apresentasse algum tipo de distinção de cor que o Estado realiza. 

Cadeia Especial não é para brancos, é para quem tam curso superior, assim como todos as outras mordomias apresentadas não são relacionadas a cor. 

Agora se acha que eu as elenquei porque eu as defendo, devo dizer que é totalmente o contrário.

P.S.: Desculpe por ter emitido minha opinião não tão competente.


Abraços!</p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 14, 2008  1:08 AM)

No trecho do Idelber o qual destaco abaixo atraiu muitos simpatizantes. Para que eles irão ler o manifesto pro-cotas se este trecho já atende seus anseios preservasionistas?

"Eu mesmo, de posição entusiasticamente favorável, tendo ouvido muitos argumentos, passei ser mais sensível à idéia de que talvez a legislação racializada possa ser substituída, com melhores efeitos, por políticas de cotas sociais (destinadas, por exemplo, a alunos de escolas públicas) e por investimento maciço em combate ao racismo e em incentivo educacional à população negra e mulata."

Um dia um amigo meu perguntou como a prova do vestibular distigui o negro do branco e assim sucessivamente. Coitado e coitados se acham que o Estado se deixará flagrar assim de forma fácil. A diferenciação por cor começa ao nascer e percorre toda a infancia-juventude chegando às portas do vestibular. Pronto! como num passe de mágica toda a carga de racismo recebida pelo negro é colocada juntamente com suas bolsas e celulares lá na frente da sala na hora do vestibular(conforme manda o fiscal de sala), ou então ele deixa a carga de racismo em casa, ou então ele resolve esquecer tudo que passou justamente na hora de preencher o gabarito. 

E tome mente anestesiada de quem acha que todos sofrem igual não importa a cor.

Um detalhe: Defendo cotas raciais e investimento na educação. Apesar de a mídia racista dizer que silenciamos com relação aos investimentos estamos aqui para desmeti-la.

Quel lerem o manifesto pro-cotas galera anti-cotas.</p>
<p>(Chico Mendes :: 
mai 14, 2008  1:10 AM)

Quis dizer:

Que tal lerem o manifesto pro-cotas, galera anti-cotas.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2008-05-13T04:12:14-04:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Robert Fisk relata a guerra por procuração no Líbano</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/robert_fisk_relata_a_guerra_por_procuracao_no_libano.php</link>
<description>Outra humilhação americana. Os pistoleiros xiitas que passavam de carro em frente ao meu apartamento em Beirute ocidental ontem à tarde buzinavam, faziam o V da vitória e apareciam pelas janelas dos utilitários desportivos com seus rifles no ar, provando...</description>
<guid isPermaLink="false">881@http://www.idelberavelar.com/</guid>
<content:encoded><![CDATA[<p><em>Outra humilhação americana. Os pistoleiros xiitas que passavam de carro em frente ao meu apartamento em Beirute ocidental ontem à tarde buzinavam, faziam o V da vitória e apareciam pelas janelas dos utilitários  desportivos com seus rifles no ar, provando aos muçulmanos da capital que o governo eleito do Líbano perdeu. </p>

<p>E perdeu mesmo. O exército nacional ainda patrulha as ruas, mas só para impedir matanças ou massacres sectários. Longe de desmontar o sistema de tecomunicações secreto do Hizbollah pró-iraniano – ou de desarmar o próprio Hizbollah – o ministério de Fouad Siniora permanece no velho e turco Serail (palácio de governo), denunciando a violência com a mesma autoridade que o governo do Iraq na zona verde de Bagdá. </p>

<p>O exército libanês assiste o Hizbollah construir barricadas. E não faz nada. Como conflito Teerã versus Washington, o Irã venceu, pelo menos por enquanto. Walid Jumblatt, o deputado e líder druso e apoiador pró-americano do governo de Siniora, está isolado em sua casa em Beirute ocidental, mas não lhe foi feito nada. O  mesmo se aplica a Saad Hariri, um dos mais proeminentes deputados e filho do primeiro-ministro assassinado Rafik Hariri. Ele continua em seu palácio de Beirute ocidental, em Koreitem, protegido pela polícia e por soldados, mas incapaz de se mover sem aprovação do Hizbollah. O simbolismo é tudo. </em></p>

<p>Mais que de um golpe de estado ou de uma guerra civil, Robert Fisk <a href="http://www.independent.co.uk/news/fisk/hizbollah-rules-west-beirut-in-irans-proxy-war-with-us-825430.html">prefere falar da guerra por procuração</a> (<em>proxy war</em>) entre Irã e EUA no Líbano. Fisk é, sem dúvida, o jornalista ocidental que mais profundamente conhece o Líbano, onde reside há décadas. Tem aquela particularidade: não é um “enviado especial”  que escreve no hotel. Ele vai atrás do barraco. Ele estar vivo até hoje é um mistério e uma dádiva. As colunas de Fisk no Independent serão indispensáveis nos próximos dias. </p>

<p>PS: Há outras boas matérias disponíveis em português, de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1005200803.htm">Tariq Saleh</a>, para a Folha  (link para assinantes) e de <a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2008/05/10/ult574u8463.jhtm">Robert F. Worth e Nada Bakri</a> para o NYT. </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/robert_fisk_relata_a_guerra_por_procuracao_no_libano.php#comments" title="Comente Robert Fisk relata a guerra por procuração no Líbano">11 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(Bruno ( ) :: 
mai 10, 2008  2:03 PM)

O que me assusta são as possibilidades. Se o Hizbollah se consolida no Líbano, não é difícil imaginar um pegapracapar generalizado em todo o mundo árabe. ...não faço idéia da posição que Israel vai tomar nessa história, mas com ou sem a sua intervenção, dói ver que o Líbano corre risco de se tornar mais uma Gaza do Oriente Médio.

Eu tenho um amigo libanês, um grande amigo, ele mora no norte, em El Mîna (a cidade portuária da região de Trípoli). É um lugar relativamente seguro por enquanto (no norte, em região portuária --- onde estão todas as tropas marinhas dos Estados Unidos), apesar de que nenhum lugar é seguro se considerar o tanto de terrenos que o Hizbollah possui all over the place.

Nessas horas a gente olha praquelas teorias pós-modernistas e pensa: não; não é que a modernidade morreu: &#0151;justamente, ela se extendeu por tempo demais. O século dezenove se repete e se repete, cada vez pior. Que coisa horrível!...</p>
<p>(Marcelo Luiz :: 
mai 10, 2008  2:24 PM)

Walid Jumblatt, estranho essa posição pró-ocidente, por que durante toda a guerra civil os drusos foram uma das mais poderosas milícias e pró-Siria.
E é difícil acreditar que o Hizbollah e a Amal fiquem juntos por muito tempo.
</p>
<p>(<a href="http://www.danielslopes.com" rel="nofollow">daniel</a> :: 
mai 10, 2008  2:29 PM)

A situação libanesa atual é prova do sucesso da Guerra ao Terror, bem como do bombadeio macho man israelense de 2006. Como diria o outro: e que sucesso!</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai 10, 2008  4:37 PM)

Bombardeio apoiado, diga-se de passagem, por auto-intitulados "pacifistas-paladinos-da-razão-contra-o-fanatismo", como Amos Oz. </p>
<p>(Hugo Albuquerque :: 
mai 10, 2008  7:23 PM)

Putz, eu adoro o Robert Fisk! o cara é uma dessas lendas do jornalismo do século 20º que feizmente ainda está na ativa.
Lembro quando ele veio ao Brasil em 2007 para participar da FLIC e deu uma entrevista ao Roda Viva da TV Cultura, foi sensacional.
Quanto ao que está ocorrendo no Líbano, é uma óbvia consequência da desastrosa ação israelense por aquelas paragens somada a política americana no Oriente Médio que parece mesmo ter por intenção provocar a Terceira Guerra Mundial ou senão é o cúmulo da incompetência. 
</p>
<p>(<a href="http://discutapolitica.blogspot.com" rel="nofollow">Eugenio Hansen</a> :: 
mai 11, 2008  9:43 PM)

Paz e bem!

Israel não aguantaria intervir no Líbano, o custo financeiro seria alto demais e não têm condições de bancar.

Na verdade Israel é responsável por parte do prestigio do Hizbollah: no passado recente os as forças de "defesa" isrealenses foram lá buscar lã e sairam tosquiadas justamente pelo Hizbollah.</p>
<p>(<a href="http://falaai.zip.net" rel="nofollow">Pablo Vilarnovo</a> :: 
mai 12, 2008  3:28 PM)

Desculpem, mas vejo mais torciada do que outra coisa.

Dizer que é culpa de Israel o avanço do Hizbollah não dá... Todos sabem quem financia o Hizbollah e por qual motivo.

Também dize que a IDF foi derrotada é outro grito de torcida. Não foi. Por mais que a propaganda pró-hizbollah tentasse. 

Agora saiu vitoriosa? Não. Derrotada militarmente? Não. É o claro exemplo americano no Vietnam. Onde um país perde uma guerra mesmo sem ser derrotado militarmente.

Israel em relação ao Líbano só tem duas opções: ou avança com seu exército até Beirute, destruindo o Hezbollah pelo caminho ou fica em Jerusalém. Não há o meio termo. Tentaram o meio termo. Se deram mal. O Hezbollah soube usar bem velhos, mulheres e crianças como escudos humanos e a propaganda fez o resto.

Mas para alguns aqui parece que não há a Síria, não há o Irã, devem vibrar quando um político não aliado a Síria explode em pedaços... devem dar urras de felicidade.</p>
<p>(<a href="http://www.ditoassim.blogger.com.br" rel="nofollow">jayme</a> :: 
mai 12, 2008  4:33 PM)

Idelber, de pato a ganso: acho que há um assunto a ponderar e comentar, que gostaria de ver destrinchado aqui. É a questão das cotas para negros nas universidades, que está sob forte tiroteio. Falei do assunto lá no Dito Assim e gostaria de ampliar o debate. Dois abaixo-assinados chegarão amanhã ao STF, ambos com as celebridades de sempre, um a favor, outro contra. Somando esse fato ao simbolismo da data, creio que há um bom caldo a ser cozido (e cosido)por aqui. Abração,</p>
<p>(Texas do Brasil :: 
mai 12, 2008 10:11 PM)

Idelber

Você evita e não gosta do assunto - Cotas Raciais- mas seus leitores gostam. Qualquer referência àquela música do "Ultraje a Rigor", sabe? não terá sido mera coincidência.

Até o Gravataí tá pedindo textículos a respeito do assunto e vc morador de Tulane...logo Tulane..anda "mineirando". Uai. 


Ah! meu IP é 78.129.197.69 e moro em Dallas.TX.
Vou instalar um GPS no meu lap pra te informar de onde estou postanto. Ví esta idéia no Colbert Report, semana passada e adorei.
Todos saberão a todo tempo de onde estou postando. 

Abs.  </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai 12, 2008 10:39 PM)

Valeu o empurrão, Jayme. Apesar de ser época de prova final, é uma data e um conjunto de eventos que não dá para deixar passar. Você, como sempre, foi na mosca. Vou escrever hoje à noite. Abração.  </p>
<p>(<a href="http://napraticaateoriaeoutra.wordpress.com" rel="nofollow">Na Prática a Teoria é Outra</a> :: 
mai 13, 2008 11:05 AM)

Não há dúvida de que a política israelense na Palestina é uma tragédia, mas, sinceramente, uma vitória do Hezbollah em um país culturalmente sofisticado como o Líbano seria a maior tragédia em muitos anos.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2008-05-10T06:12:09-04:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>A decadência de um clã: Balanço das primárias democratas</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/a_decadencia_de_um_cla_balanco_das_primarias_democratas.php</link>
<description> O declínio de um clã tende a ser mais melancólico que o de uma pessoa, já que ao indivíduo costuma estar dada a possibilidade de ir descendo com um pouco mais de dignidade. Os clãs, especialmente os da política,...</description>
<guid isPermaLink="false">880@http://www.idelberavelar.com/</guid>
<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="michelleobama2.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/michelleobama2.jpg" width="150" height="200" align=left hspace="5" vspace="5"/> O declínio de um clã tende a ser mais melancólico que o de uma pessoa, já que ao indivíduo costuma estar dada a possibilidade de ir descendo com um pouco mais de dignidade. Os clãs, especialmente os da política, têm excessivas obrigações, digamos, teatrais. Quanto maiores e mais poderosos são, mais ampla será a discussão interna acerca de como admitir, com classe, que sofreram a derrota emblemática, a que indica, nas palavras do NYT, uma <a href="http://www.nytimes.com/2008/05/08/us/politics/08dems.html?ref=politics">troca da guarda</a>. É a história dos Clinton nos últimos poucos meses e, especialmente, <a href="http://www.nytimes.com/2008/05/08/us/politics/08clinton.html?_r=2&adxnnl=1&oref=slogin&ref=politics&adxnnlx=1210269927-dymKOcTphhf7FGInVotF8g&oref=slogin">nesta semana</a>. </p>

<p>“Derrota” aqui é relativo, claro. Hillary continua senadora poderosa de NY e Bill uma referência ineludível de presidente de sucesso, apesar de tudo. Eles mantêm considerável poder de barganha e força no partido. Mas a história recente indica a derrota, mais que da candidatura Hillary, da estratégia que os Clinton canonizaram nos 90: a combinação entre a apropriação de bandeiras republicanas -- rigor fiscal, “transição do welfare para o trabalho” etc. --, as táticas violentas de corpo-a-corpo contra os adversários políticos e um componente populista com algumas bandeiras, defendidas com a consciência de que apelos simbólicos bem manipulados são suficientes para manter feliz uma parte cativa do eleitorado do Partido Democrata (leia-se aqui: negros). </p>

<p>Este último componente sustentou aquele escandaloso mito, o de Bill Clinton como o “primeiro presidente negro” dos EUA -- idéia que talvez seja a principal baixa, o mais ilustre cadáver da campanha destas primárias, em que Hillary concorreu <b>contra</b> Barack Obama como se ela fosse a candidata do Partido Republicano.  Os Clinton não esperavam cair assim: no ano da “candidata inevitável” (slogan da campanha de Hillary até aproximadamente jan./08), surpreendidos por um garoto de 40 e poucos anos, senador júnior, ao mesmo tempo de origem humilde e de Harvard e, para piorar, mais brilhante retoricamente que Bill, pondo-o no chinelo na batalha discursiva da campanha. Para completar o baile, ainda por cima, o cara é preto. É surpresa demais para quem traz a história que trazem os Clinton. </p>

<p>Por isso há que se dar tempo para combinem entre si a forma mais elegante de ir admitindo a derrota (de qualquer forma, não interessa a Barack Obama ser coroado semi-oficialmente na semana que antecede a primária da Virgínia Ocidental). Esta derrota não seria difícil de assimilar para um grupo menos ambicioso que os Clinton: caramba, não é vergonha para ninguém perder por aproximadamente 52 x 48 no cômputo geral, mantendo um assento no senado por Nova York e a opção de ser líder da maioria ou qualquer outra coisa que quiser (não a Vice-Presidência na chapa Obama, que não é boa idéia <a href="http://talkingpointsmemo.com/archives/193860.php">para ninguém</a>). Mas, para os Clinton, é uma dinastia que se desmorona. </p>

<p>Quando se diz aqui “os Clinton”, entenda-se não só Bill e Hillary, mas todo um grupo (cuja estratégia política fica em mãos de James Carville, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/02/contrate_o_duda_hillary.php">Mark Penn</a> etc.) que é diretamente responsável por uma campanha eleitoral que foi a maior acumulação de sandices das Américas desde que <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2006/06/parreira_inventa_o_revolucionario_esquema_604.php">Parreira inventou o 6-0-4</a>. Primeiro havia que se coroar Hillary antes de começar o jogo, pois era a candidata “inevitável”. Esta tática durou até as primárias de Iowa – estado <b>branquelíssimo</b> -- em que Barack levou, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/john_edwards_abandona_a_corrida.php">John Edwards</a> ficou em segundo e Hillary em terceiro. Daí houve o breve momento pseudo-feminista da campanha, a rápida virada de Hillary em <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/virada_de_hillary.php">New Hampshire</a> com o choro emocionado num <em>diner</em> e o tema do <em>I found my voice</em>. Quem conhecia sua trajetória com as bandeiras feministas --- assim como com as sociais, as raciais, as democráticas – sabia que a transcendência delas para Hillary sempre havia sido eminentemente eleitoral. <a href="http://www.huffingtonpost.com/jon-wiener/feminist-leaders-oppose-h_b_84715.html">Feministas </a>atrás de <a href="http://cynematic.wordpress.com/2008/02/10/feminists-for-obama/">feministas </a>atrás de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OVuMYKs8iJs">feministas </a>já haviam aderido à campanha de Obama. Em todo caso, o momento morreu ali porque nas primárias seguintes Obama passou a vencer também entre as mulheres, na maioria dos estados. </p>

<p>Daí foi morro abaixo: dos ataques pessoais contra Obama inaugurados na <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/por_que_obama_goleou_na_carolina_do_sul.php">Carolina do Sul </a>aos argumentos usados para desqualificar os estados que votaram nele na <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/02/balanco_da_super_terca_e_a_guerra_do_spinning.php">Super-terça</a>, definiu-se o que seria o perfil da campanha de Hillary. Era a chamada <a href="http://www.google.com/search?q=kitchen+sink+strategy&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:en-US:official&client=firefox-a">kitchen-sink strategy</a>, que se poderia traduzir livre e futebolisticamente como <b>abaixo do gogó tudo é canela</b> ou <b>se não sangrou nem fraturou, não é falta</b>. A barragem de ataques foi coisa que não se via em décadas no Partido Democrata. Paralelamente, operava a tática da inevitabilidade: as vitórias do adversário haviam que ser desqualificadas. Não valem vitórias em estados que certamente votarão Republicano no outono (Utah, Idaho), não valem vitórias no Sul de concentração negra (Mississippi, Geórgia, Louisiana), não contam os estados que usam assembléias em vez de cédulas (Maine, Alaska, Kansas). Havia que se pensar no candidato que poderia derrotar McCain nos chamados <em>swing states</em>. Daí Obama passa a vencê-la em vários swing states (Virgínia, Colorado, Wisconsin, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/02/cobertura_em_tempo_real_das_primarias_americanas.php">Missouri</a>) e a estratégia da desqualificação assinada por Mark Penn e Carville em nome dos Clinton passa a precisar de malabarismos ainda mais mirabolantes. A última tentativa foi grudar em Obama o rótulo de inelegível porque ele continuava perdendo entre o eleitorado <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hillbilly">hillbilly</a> dos Apalaches: </p>

<p><img alt="Appalachian_Region_of_US.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/Appalachian_Region_of_US.jpg" width="220" height="207" /><br />
(<em>fonte do mapinha: Wikipedia; sobre o delírio que é apresentar Obama como inelegível porque "somente" consegue 40% dos votos num eleitorado pequeno, caipira e reacionário, que geralmente vota Republicano de qualquer forma, cobre-se-me outro post. Esta é a única cordilheira que conheço razoavelmente bem</em>). </p>

<p>Enquanto Obama se consolidava como o “candidato da esperança e da mudança”, Clinton se credenciava como a candidatura que dizia duas coisas: 1) “essas mudanças não acontecerão tão facilmente como vocês imaginam”; 2) <em>elections are a full-contact sport</em> [eufemismo para <b>vamos dar porrada mesmo</b>] <em>and if you can't take it, drop out of it</em>. Quando eclode  o escândalo fabricado com o pastor Jeremiah Wright e Obama tem seu primeiro momento de baque real, ao invés de abraçar a chance de fazer uma campanha coerente com a história do partido, Hillary embarca na tática do <em>culpado por associação</em> de estirpe republicana: e dá-lhe declarações de que <em>eu teria saído daquela igreja</em>, dá-lhe falsa indignação com <em>ele ficou 20 anos naquela igreja</em>, dá-lhe vídeos estilo política do medo, dá-lhe hesitação calculada em cadeia nacional ao responder a pergunta sobre ela saber ou ou não que Obama sempre foi cristão e nunca muçulmano. </p>

<p>O que é mais promissor nestas primárias é que Obama teve N chances de desenterrar esqueletos dos Clinton para uma campanha negativa e não o fez (e, acredite, como há esqueletos no armário! Comecemos onde? <a href="http://www.newsday.com/news/nationworld/ny-usark245589997feb24,0,2458397,full.story">Em 1975</a>?). Algumas dessas possibilidades de adoção da kitchen-sink strategy viraram até <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/03/uma_pergunta_eticopolitica_sobre_a_campanha_americana.php">enquete no blog</a>. Obama as recusou, como a maioria. Criticou, claro, Clinton em questões legislativas (seu voto pela guerra do Iraque, a demagógica proposta de suspender o imposto da gasolina por um verão e fingir que as petroleiras pagarão a conta), mas só quem falsifica a realidade em nome da preferência eleitoral ou da “ponderação” veria, nestas primárias americanas, as baixarias como responsabilidade das duas campanhas. Não. Foi a estratégia de um clã em declínio, recusada pelo outro lado. </p>

<p>Essa é a gigantesca <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/09/o_trabalho_do_l.php">tarefa do luto </a>com a qual se defrontam hoje os Clinton: não só era um senador júnior; não só deu um baile retórico em Bill; não só chegou a Harvard tendo sido pobre; não só, heresia das heresias, era preto. <strong>Ainda por cima ganhou jogando limpo</strong>. É muita petulância. Ora, ora, desde 1992 se sabia – supúnhamos – que política não é um jogo que se ganha jogando limpo. </p>

<p>A reversão desta "lei" é o legado da vitória parcial de Obama e a imensidão do choque que os Clinton têm sobre o seu colo. Que caíssem num tiroteio contra a extrema-direita de Rush Limbaugh e Kenneth Starr era um final heróico para o qual estavam preparados. Que tenham caído <b>agindo como Limbaugh</b>, contando com o apoio de Limbaugh (que os preferia como adversários) e tentando manchar um jovem senador negro que veio como candidato da esperança foi, sem dúvida, uma amarga ironia que a História reservou para os Clinton. Por mais traições que tenham cometido, eles talvez não a mereciam. Mas é fato que ainda têm tempo de lidar com ela dispondo de alguma grandeza. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/a_decadencia_de_um_cla_balanco_das_primarias_democratas.php#comments" title="Comente A decadência de um clã: Balanço das primárias democratas">33 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://riquita1303.blogspot.com" rel="nofollow">cristina</a> :: 
mai  8, 2008  8:33 PM)

Excelente texto. como tudo parece facil de entender quando é lido aqui....:)

beijos</p>
<p>(<a href="http://deolhonofato.blogspot.com" rel="nofollow">Luiz</a> :: 
mai  8, 2008  9:52 PM)

Isso é o que se poderia chamar de "relatório de autópsia". E dos bons...

Só um acréscimo (se é que precisa...): a tentativa final e desesperada de forçar a inclusão da Florida e Michigan na disputa, inclusive com ameaças de cortar o apoio financeiro ao partido, pode ser o epitáfio que falta na mais mal conduzida campanha da qual tenho conhecimento.</p>
<p>(<a href="http://www.serbon.blogspot.com" rel="nofollow">Serbão</a> :: 
mai  8, 2008 10:11 PM)

off topic: e essa do Álvaro Dias, hein? vão continuar falando em 'dossiê'???</p>
<p>(Max :: 
mai  8, 2008 10:11 PM)

só uma pergunta:
há sinais de que Hillary vai largar o osso?</p>
<p>(<a href="http://miudorecruzado.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Pinheiro</a> :: 
mai  8, 2008 10:28 PM)

    Como disse o Luiz aí em cima, a campanha da Hillary está insistindo na apelação para que as prévias de Michigan e Flórida sejam validadas.Além disso, estão tentando desesperadamente convencer os superdelegados de que Hillary tem mais condições que Obama de vencer McCain. 

     Não é fácil admitir uma derrota, ainda mais nessas condições que vc expôs no post, mas essa candidatura está praticamente enterrada. Cabe à senadora tentar abandonar a disputa de cabeça erguida, para manter boas condições de barganha e influência, e não prejudicar ainda mais a candidatura do Obama e, por consequência, entregar a presidência de mão beijada para os republicanos.</p>
<p>(<a href="http://miudorecruzado.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Pinheiro</a> :: 
mai  8, 2008 10:48 PM)

  Nossa senhora! Idelber, por favor, tem como vc corrigir o meu nome no comentário aí de cima? É Bruno, e não Brubo! Tô ficando doido...</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  8, 2008 11:06 PM)

Corrigido :-) </p>
<p>(<a href="http://palpit.blogspot.com" rel="nofollow">Marcelo Manzano</a> :: 
mai  8, 2008 11:48 PM)

Falou e disse!  E a foto dos Obama tá ótima. O que será que ele diz? Yes, we can!

</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008 12:15 AM)

Caro Serbão, difícil falar depois da Dilma ser elogiada do Catarro Verde ao Noblat. A Mary W disse já o que eu diria. </p>
<p>(<a href="http://www.duvido.com" rel="nofollow">Douglas Donin</a> :: 
mai  9, 2008 12:29 AM)

Eu me pergunto se alguém está fazendo a contabilidade dos recursos - e não falo só do dinheiro - que o Partido Democrata jogou ralo abaixo nestes meses de atrito desnecessário.

A impressão que eu tenho é que, seja quem for o candidato, sairá das primárias esfarrapado e exausto - e com um partido e eleitorado dividido - para pegar um McCain relativamente focado e tranqüilo. </p>
<p>(Sidarta :: 
mai  9, 2008  8:42 AM)

Idelber, já estão falando na possibilidade de Hillary entrar como vice. Se você estivesse no lugar de Obama, aceitaria essa? Olha, eu vou dizer uma coisa. Se fosse eu, teria muito medo de um Clinton como vice... Ah! E a capa da TIME, hein? Se a moda pega, basta a mídia querer para acabar a campanha da Hillary. Já pensou todos os jornais e revistas mostrando a vitória final de Obama antes mesmo de ela desistir? Seria um fim vergonhoso para os Clinton.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008  9:01 AM)

Sidarta, o argumento definitivo contra a VP: você imagina Bill Clinton morando na Casa Branca sem ter nada o que fazer?

É um pesadelo. E eleitoralmente não faz sentido, tampouco. </p>
<p>(<a href="http://www.izabellaoc.blogspot.com" rel="nofollow">Izabella</a> :: 
mai  9, 2008  9:16 AM)

Nossa Idelber que texto maravilhoso!!!
 Parabéns!!!!
 Adorei a foto tb que mostra esse homem político com coração....
 Obrigada pelo post.

 Grande abraço</p>
<p>(<a href="http://www.osintensos.blogspot.com" rel="nofollow">Roy Frenkiel</a> :: 
mai  9, 2008 10:26 AM)

Um dos maiores desafios de Barack Obama, para o eleitorado comum, eh desvincular-se das associacoes. Ainda eh cedo para dizer o que vem ou pode vir, mas sem acreditar em teorias conspiratorias e sem necessitar puxar-se o "coitadismo" racial, obviamente aceitar um presidente negro eh mais dificil do que aceitar Hillary Clinton presidente. Fatidicamente, democratas veem-se divididos, e os republicanos preferem Clinton, por mais odiada seja. Ao menos assim aparenta ser, em alguns casos, mas nem sempre eh. Os movimentos internos deste pais nao se encontram mais estagnados. Ha exploses inevitaveis. Ha mudancas na opiniao publica, mesmo que ainda haja racismo, haja quadradismo e caretismo, haja manipulacao midiatica, e nao haja futebol.

So por associacoes, e ate agora nem por associacoes, conseguirao derrubar Obama. E so conseguirao por que querem, especificamente, derrubar Obama.

Adorei o blog, e venho por indicacao de Luma ;-)

abraxao,

RF</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008 10:47 AM)

Valeu, Roy, volte sempre. Dei uma consertada no seu link, para que o pessoal possa te visitar. O link tinha vindo com um ponto a mais. Abração. </p>
<p>(mary w. :: 
mai  9, 2008 10:56 AM)

eu tinha decidido nao mais comentar sobre eleição americana por aqui. porque temos posições absolutamente divergentes e reconheço que vc tem um dominio muito maior a respeito do assunto. mas entretanto e doravante. eu considero que suas análises nao levam em conta o sexismo do eleitor. vc foca nas estrategias de campanha e nos discursos. e o eleitor fica de escanteio. ao mesmo tempo vc diz que os clintons tinham o eleitorado negro. entao, eu presumo, que vc considera o eleitor para raça/etnia. e nao o considera para genero. e vc diz "os clintons". como se esse clã óbvio para analistas fosse tb obvio para o eleitor. pq se esse eleitor negro adere tao rapidamente a obama (sendo q *o* clinton  tinha esse apoio incondicional), talvez ele nao faça a associação tao rapida e obviamente entre o casal. o q parece ser bastante provavel já q 1) o charme pessoal do bill é sempre evocado; 2) a grande imprensa foi bastante parcial e sexista na cobertura.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008 11:50 AM)

Mary, você é minha ídola e é sempre bem-vinda. E neste caso temos mesmo que concordar em discordar, o que não significa que a conversa não valha a pena. Vamos por partes, porque eu não discordo de tudo. 

Não acho que seja verdade que eu não considerei a questão de gênero. Considerei até mais que a questão da raça. Metade do quinto parágrafo é sobre gênero. não o considerei como você queria, que é explicar a derrota da Hillary com o argumento do sexismo. Porque realmente não explica. Sério: no meu círculo há incontáveis feministas. Não conheço sequer uma que atribua o fracasso dessa campanha ao sexismo. 

Houve abordagem sexista na mídia? Sem dúvida. Especialmente no começo. O auge das representações sexistas dela na TV ocorreram antes da primária de New Hampshire, antes de sua única grande vitória. Nos últimos meses, com a blitz dos Clinton sobre a mídia, a coisa foi muito mais para o outro lado. Semanas e semanas inteiras vendo o pastor de Obama, berrando, todo pretão e assustador, enquanto Hillary pontificava sobre "o problema de Obama com os eleitores brancos de classe trabalhadora". Não vi nenhuma menção de Obama a, digamos, um "caráter emocional" dela, ou estereótipo sexista do tipo. 

As pessoas que detestam Hillary por motivos sexistas são muitas. Mas, em geral, não votaram nestas primárias. Estão no campo oposto. A figura conduziu uma campanha que foi um desastre atrás do outro. Surgiu um candidato com palavra mais confiável, outro modo de fazer política, um histórico legislativo muito mais progressista. Hillary concorreu fazendo uma campanha de direita. E depois da mídia nos tratar a um mês inteiro de terror com o pastor de Obama, vamos colocar a culpa da derrota dela no sexismo? Não dá. Não quero ficar usando argumento de autoridade, mas juro que o Brasil é o único lugar onde conheço gente que acredita nessa teoria. Aqui, sinceramente, não conheço ninguém. Uma blogueira feminista pró-Hillary como, por exemplo, Digby, não acredita nisso. 

Agora, falemos "dos Clinton". São eles que se apresentam assim. Exemplo? O argumento central de Hillary era o da "experiência". Mas que experiência, dado que ela tem menos tempo de Senado que Obama? Contava, é óbvio, o seu tempo na Casa Branca. É justo que conte. Foi uma primeira-dama muito mais ativa que qualquer outra. O plano de saúde do governo Clinton, por exemplo, foi de responsabilidade de Hillary (foi, aliás, um desastre conhecido por qualquer um que tenha morado aqui em 1993). Então, se conta a "experiência" como primeira-dama, é normal que as pessoas a associem ao reinado dos anos 90. É ela própria que reivindica essa associação (menos nas coisas que não deram certo, como o NAFTA: estas ela atribui a Bill e diz que ela fazia oposição por trás das cortinas). É essa desonestidade básica que a derrotou. 

Claro que levei em conta a questão do gênero: é a questão de gênero que sustentou o seu eleitorado mais fiel, ou seja, os eleitores católicos de mais de 55 anos, que votam nela exatamente por motivos sexistas (por ter mantido, humilhada, o casamento). 

Na boa, Mary, se eu quisesse desenterrar esqueletos anti-feministas de Hillary, faltariam bytes neste blog. Nunca quis fazer isso, exatamente pela importância histórica da candidatura dela. Mas para um gostinho do que seriam esses esqueletos, é só seguir o link que diz "1975" lá em cima. </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008 11:54 AM)

Ah, mais uma coisinha: quem tinha o apoio do eleitorado negro não era *o* Bill. Eu não disse isso. Hillary tinha também. Ela foi eleita senadora em Nova York com esmagadora votação entre os negros.

Perdeu os negros como perdeu os jovens. E perdeu também as mulheres não católicas de menos de 55 anos. Foi o que disseram as urnas. </p>
<p>(<a href="http://e-squina.blogspot.com" rel="nofollow">Cristiano</a> :: 
mai  9, 2008 12:45 PM)

Idelber, o Bill abriu o escritório dele em Harlem em  30 de julho 2001, a Hillary chegou ao congresso em janeiro do mesmo ano. Até na época não parecia que tinham apoio absoluto dos negros. 
Pesquei uma do líder dos novos panteras negras, na ocasião da mudança de Bill para o Harlem: "Bill Clinton is no friend of Harlem...Poor black men and poor black women will not have a home in Harlem any more because rents will be going up. ... We are losing our urban inner-city that is ours." </p>
<p>(mary w :: 
mai  9, 2008 12:50 PM)

gostei tanto dessa resposta. obrigada mesmo. só pra constar. eu nao acho em nenhum momento q o obama foi sexista. ele tem se saído bastante bem "culturalmente", pelo que acompanho daqui. eu acho q é um componente do eleitor. que estava doido por uma alternativa masculina. claro q aí parece q eu sou biruta de querer "ler" o inconsciente do eleitor. pq ela era SIM a "candidata inevitável". e o obama que está atrapalhando o partido democrata. ele q nao tava no script. por isso q eu nao gosto da idéia dela desistir embora eu (q nem eleitora sou) tenha admitido a derrota tipo em fevereiro ou março. outra coisa é q os negros de NY sao bem distintos dos negros do sul. sao dois eleitorados, certo? e outra coisa ainda. eles querem ser os clintons. mas nao sao para os eleitores. isso q me parece. claro q ela quer colar a imagem no bill. mas nao colou. tipo. esqueceram o eleitor. mesmo q a campanha fosse a caneladas, se ela nao representasse o q representa, teria mais facilidade. porque era inevitavel. e o problema dela é ser uma mulher fálica. pelo menos pro eleitor médio. acho q é nesse ponto q a gente nao vai conciliar. vc vê outros problemas com ela e acredita q o eleitor tb.</p>
<p>(<a href="http://www.ubatubavibora.com" rel="nofollow">sidney borges</a> :: 
mai  9, 2008  1:18 PM)

Muito bom o biscoito. A massa fina então é das melhores. Vai para os favoritos.</p>
<p>(Sérgio Sinotti :: 
mai  9, 2008  4:06 PM)

Caro Idelber,
Você pirou? Parreira inventou o 6-4-0, e não o 6-0-4, que ele não é louco de jogar com quatro atacantes.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008  5:56 PM)

Sérgio, 6-0-4 foi uma expressão que eu, mary e outros usamos na época da Copa (a autoria da fórmula é da mary, não minha, aliás: eu só me apropriei) para designar um time que tinha Kaká, R. Gaúcho, Adriano e Ronaldo Gordo, mas não tinha meias-armadores, meio-campo propriamente dito. 

O que a gente queria dizer era 6-0-4 mesmo. 

O que não significa, claro, que o time fosse "ofensivo". Não quer nem dizer que a equipe tivesse 4 atacantes, claro, porque aquele "4" desaparecia quando entrava em campo. A idéia era essa.... 

Abraços.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008  5:58 PM)

Cristiano: vero, vero. Mas ao longo dos anos 90 o eleitorado negro já votava maciçamente em Clinton. </p>
<p>(<a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com" rel="nofollow">Ana</a> :: 
mai  9, 2008  8:16 PM)

Mary e Idelber,
Desculpe-me a intromissão na conversa de vocês, mas queria dar meus pitacos.

1 - Acredito que a "inevitabilidade" da nomeação da Hillary foi uma tática de campanha antecipada, vendida "pelos Clintons" (dentro daquele conceito de Bill+ Hillary + staff + parte do partido democrata que a endossou desde o início) e comprada pela mídia, mas não "fechada" com os eleitores. Este foi o primeiro (e talvez o mais grave) erro deles, ao desconsiderarem a importância dos eleitores na distribuição e na decisão dos delegados (por motivos eleitorais, que sejam), e não seguirem o que parecia ser uma "indicação clara"do partido: Hillary para presidente. Eles apostaram tudo na base política, e não eleitoral, achando que esta seria fácil de manipular.

2 - Tido que não haveria disputa dentro do partido, a campanha da Hillary não se preparou para ela. Desde a "inevitabilidade" de sua candidatura, tudo foi pensando visando um confronto com o partido republicano, e não com outra candidatura democrata. Os Clintons estavam preparados para combater os republicanos com as mesmas armas que eles usaram para derrotar os democratas em eleições anteriores: calcada no medo, na segurança nacional, na experiência, na necessidade de um comandante-em-chefe que protegesse os americanos contra as ameaças do mundo externo. Vem daí o argumento de que ela seria mais indicada para combater McCain em novembro, visto que não os dois teriam, pelo menos no campo político, muitas diferenças a serem ressaltadas. E foi assim que ela se apresentou também diante do candidato democrata, pois não havia um Plano B preparado para o caso de enfrentarem alguma resistência dentro do partido.

3 - A questão do sexismo...  Acho que, novamente, preparada para a campanha contra os republicanos, o combate ao sexismo seria outra "arma", ou bandeira, a ser usada contra eles. Todo o discurso feminista estava preparado, mas a campanha de Obama não aceitou a provocação (inúmeras vezes feita pela própria campanha da Hillary); talvez até porque já soubesse que estava fazendo uma provocação maior: um candidato preto. Ou seja, todo um discurso preparado para defender a Hillary dos bad-boys caiu no vazio. Em nenhum momento a campanha de Obama (e aqui há que se diferenciar manifestação de campanha e manifestação de eleitores, tanto de um lado quanto de outro) fez qualquer uso de estratégias sexistas, nunca colocou a Hillary na posição que ela tanto precisava para formar uma coalizão feminina: a de vítima. E que ainda trouxe para a cena duas mulheres fortíssimas, também do tipo fálico: a mulher e a mãe. Vale a pena conhecer a história da mãe dele, aqui: http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1729524-1,00.html (está certo que não são elas as candidatas, mas se é válido o conceito de culpado por associação, que o contrário também o seja).

Então, se a campanha ou a trajetória do Obama não poderia ser chamada de sexista, sobrou para quem? Os eleitores; mas principalmente As eleitoras. Para mim, isto explica um pouco o porquê de tantas mulheres jovens não apoiarem Hillary Clinton só porque ela é mulher; ou só porque elas são mulheres. Com as mais velhas (acima de 55 anos), há a questão de identificação ou de coroação de lutas do movimento feminista. Com as mais jovens, a união em torno do movimento feminista pró-Hillary nunca colou. Primeiro, porque as mulheres mais jovens percebem a dissociação entre discurso e atuação que tem marcado a carreira/vida da Hillary. Não sei, mas acho que, por exemplo, ao ser humilhada por causa de mentiras e traições conjugais tornadas públicas, uma "verdadeira feminista" não iria passar a mão na cabeça do marido e dizer que seu comportamento predador, anti-ético e compulsivo é justificável porque ele sofreu nas mãos de duas mulheres: a mãe e a avó. E que ele se deixou levar por "white trailer trash", às quais, inclusive, ela mesma tratou de entrevistar e ameaçar. Ou seja, uma feminista que, para defender um comportamento masculino indefensável, é capaz de desqualificar as mulheres que o criaram e as que foram seduzidas por ele. Se as "antigas feministas" aprovam isso, as "novas" não aprovam, e se sentiram atiradas (se já não estavam) nos braços da candidatura do Obama quando foram chamadas de "inocentes", "manipuláveis", "irresponsáveis", "cegas e insensíveis aos claros ataques sexistas" que nunca existiram  da maneira como eram esperados ou que poderiam vir numa disputa com o partido republicano.

Hillary não soube ou não pode conduzir o momento importante que sua candidatura criaria ao colocar em destaque a questão do feminismo, ou da mulher em situações de independência e poder. Por outro lado, ironicamente, ajudou a criar oportunidades para que Obama pudesse conversar clara e seriamente com a sociedade americana, dizendo: sou preto sim, e o quanto isso amedronta vocês? Será que vocês são adultos o suficiente para tentarmos entender o que isso significa e e seguirmos em frente? E sabe quem parece ainda não ter entendido? A Hillary sabe, e por isso se agarra tanto a eles: os "hardworking white american men, os mesmos que poderiam fazer o jogo do gênero nestas eleições democratas. Os que, talvez para espanto até da própria Hillary, estão do lado dela. Eles são os eleitores que ela acha, e apregoa aos quatro cantos, que nunca conseguirão superar a questão racial para votar em um preto. E é usando-os (pois na campanha de Bill Clinton, quando estes não o apoiavam, ela disse que eles não tinham importância, que eles nunca tinham feito nada para o Bil e que, por isso, a eles nada era devido), que ela tenta convencer os delegados a dizerem para Obama: "pois então, garoto, você foi muito bem. Mas não podemos te dar a nomeação porque, em novembro, os americanos brancos não votarão em você porque você é preto". Isto, mais do que nunca, quer dizer o "indizível", ao pensarmos no contraponto de hardworking-tax-payers-white-class: lazy-or-unemployed-and-dependable-from-the-governement-black-class.

Ou seja, acho que o mais irônico disto tudo é que Obama ganhou a nomeação depois de ter sido levado a concorrer com o tipo de campanha preparada para dar a nomeação a Hillary: na defensiva de ataques de uma campanha republicana. O que vocês acham?</p>
<p>(<a href="http://www.serbon.blogspot.com" rel="nofollow">Serbão</a> :: 
mai  9, 2008  8:40 PM)

Idelber, não sei se alguém já mencionou, mas se Hillary fosse eleita agora, teríamos , em 24 anos, apenas DUAS dinastias se revezando na Casa Branca: os Clinton e os Bush. se ela fosse reeleita, 28 anos(1988-2016).
estranho isso numa democracia tão importante como a americana. </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  9, 2008 10:00 PM)

Mary: Rá! Acho que chegamos num ponto rico, que me interessa muito como tema, que é a mulher fálica. 

Eu acho que quanto à Hillary, nisso, você tem e não tem razão. Ou seja, haveria que matizar. Sem dúvida você está certa que a alta taxa de rejeição da Hillary (pelo menos uns 4/5, eu diria, dos 40 e tantos por cento de rejeição que ela tem) vem da herança da Hillary fálica de 1993-98 e do sexismo assustado e auto-defensivo de parte do eleitorado. Digamos, do plano para a saúde de 1993 até Monica Lewinski. 

Depois, a própria construção da "persona" dela passa por outras comarcas que incluem a imagem da avó populista e benevolente (com os "working-class voters") ou mesmo da cristã beatificada-humilhada-purificada (que é a Hillary na qual vota em peso o eleitorado católico de mais de 50, feminino e masculino. 

Isso não quer dizer que ela não tente reprojetar essa condição de mulher fálica em outras esferas, como a política externa: Hillary, ao contrário até de McCain, falou em "obliterar" o Irã com bombas! Mas a estratégia não costuma funcionar muito bem para ela, porque nota-se que é a tentativa de "look tough", ser "durona" -- aqui não há nada, me parece, específico de gênero. A tentativa não funciona assim como não funcionou a história de inventar uma moratória de dois meses no imposto da gasolina: soa e parece falso, simplesmente. 

Aí eu sigo Hannah Arendt: demonstração exagerada de instinto violento pode ser um indício da perda, não da conquista de poder. O contra-exemplo perfeito aqui me parece Marty Suplicy: fálica até as últimas consequências, mais coerentemente, me parece. 

Quanto aos negros do Sul / NY: sim, claro, são totalmente diferentes! É o problema com a campanha de Clinton: faz uma qualificação em bloco desse eleitorado de uma forma que, claro, não é exatamente racista, mas é bem desprovida de sensibilidade para a coisa, na medida em que sugere que "todos eles me abandonaram porque o outro candidato era negro". 

O que é enganoso, porque várias vezes o eleitorado negro já optou por candidatos brancos quando concorria um negro nas primárias (contra Al Sharpton, em 2004, para não ir mais longe). 

Para resumir um longo e confuso comentário: acredito que o sexismo auto-defensivo e assustado ante a mulher fálica cumpriu um papel na construção da enorme rejeição de Hillary entre a direita nos anos 90, mas pouco papel em sua derrota nas primárias este ano. Se algum papel teve, pode até ter sido em seu favor, na medida em que seu eleitorado mais fiel (católicos idosos) vota nela exatamente por razões anti-feministas. 

É o paradoxo amargo que a História reservou, desta vez não para "os Clinton", mas para a Hillary em particular. </p>
<p>(mary w :: 
mai 10, 2008  2:30 AM)

Ana. Você tocou num ponto que eu SEMPRE	me esqueço. Que é a forma como a Hillary lidou/lida com as traições do marido. Acho sim que isso a descredencia com as eleitoras jovens. Até pela despolitização na esfera pública, o comportamento privado acaba sendo decisivo. 
Quanto a inevitabilidade. Eu não acho que é invençao de campanha. Os Clintons são um símbolo de viabilidade eleitoral pro partido democrata. O partido tratava assim. Como inevitável. Tanto que *os* Clintons estavam confiantes nos superdelegados. E a impressão que me deu foi que os superdelegados demoraram pra perceber que podiam apoiar Obama. De modo que ele é o azarão. O mundo todo esperava a candidatura dela. Ela "escolheu", inclusive, não disputar a eleição anterior por considerar que essa era barbada. Justamente por isso ela nem se preparou para esse embate. 
Mas eu continuo achando que existia/existe uma resistência anterior a ela que é bastante sexista. Quanto ao Obama não ser eleito por ser negro (caso nao seja). Acho que é uma dúvida que todos nós temos. Como eu mantenho a minha em relaçao a Hillary. Nunca vou ficar segura de que a nao-indicaçao dela foi simplesmente politica. Nao consigo deixar de enxergar sexismo.


Idelber. Grosso modo eu poderia dizer que os negros do Sul dão um voto mais classista e os negros de NY optam por um voto mais identitário ou nao tem nada a ver?</p>
<p>(mary w :: 
mai 10, 2008  2:48 AM)

"arrumando" porque nao ficou claro. é uma duvida q existe. quando se trata de minorias. e a campanha usa pq sabe q as pessoas têm essa dúvida. nao acho legal que use. mas nao acho racista o uso. é um golpe baixo. pq é um lance terrorista. mas nao acho racista. na salon hj tem um artigo dizendo q eles ultrapassaram a linha e tal. tá tudo muito perigoso, anyway. é um momento da campanha q eu nao to gostando, claro. mas como vc, ana, disse, parece q eles partiram prum eleitorado conservador. e enfim. eu espero q de alguma forma ela mantenha o respeito pelas questoes de identidade, é um posiconamento q deve sempre ser firme pq é o modus operandi dos movimentos.</p>
<p>(<a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/" rel="nofollow">Gravatai Merengue</a> :: 
mai 11, 2008  3:41 AM)

Excelente texto, Idelber! Lembra os bons textos de Woody Allen. Há um tema, uma mensagem passada de forma ao mesmo tempo sofisticada e simples, e piadas geniais no meio do caminho (a do esquema tático do Parreira é para rir e até perder onde parou a leitura!).

Parabéns.

A saída honrosa ao clã, a meu ver, é reconhecer a vitória de Obama antes dela ser matematicamente inevitável (embora já praticamente o seja) e conclamar o PD a um grande movimento de coalizão, união etc.

Já que vão perder, mesmo, ao menos mantêm a pose de líderes e saem como conciliadores. Claro que isso é dolorido e não se imagina Hillary fazendo algo assim.

Mas é o que resta. Esperar o último segundo para perder e gastar todo esse tempo para atacar seu "adversário" (que, a rigor, NÃO É UM ADVERSÁRIO!) é uma tática não apenas "suja", mas contraproducente do ponto de vista eleitoral.

No mais, um chute: se fosse Obama o derrotado, ou o "prestes-a-ser-derrotado", provavelmente teria feito exatamente isso, uniria o partido e aplaudiria Hillary.

Quem sabe os Clinton não aprendem a ser um pouco "Obama", né?</p>
<p>(<a href="http://blogafora.blogspot.com/" rel="nofollow">Márcia W.</a> :: 
mai 11, 2008  5:59 AM)

Eu, por acaso lendo as memórias do Booker T. Washington (Up From Slavery- 1901). Tem um capítulo que ele fala do Alabama e conta como os negros votavam sempre contra os candidatos brancos, no matter what. Ai ele diz (pg 53): I am glad to add, however, that at the  present time the disposition to vote against the white man merely because he is white is largely disappering, and the race is learning to vote from principle, for what the vote considers to be for the best interests of both races . Tudo muito lindo, pois. Fiquei imaginado quanto seria bacana,  se agora no século 21 pudéssemos substituir "negros" e "brancos" por brancos e/ou negros/latinos/etc e/ou mulheres/homens e/ou glbts ou whatever. 
I have a dream, ele é bom, tô com medo de acordar ;>(</p>
<p>(André Pessoa :: 
mai 11, 2008  3:10 PM)

Sinceramente, quando você fala de Barack Obama, você deixa em casa todo o senso crítico que você costuma ter em outros assuntos. Você virou fã, sem dúvida alguma. Até aí tudo bem, mas neste caso eu me reservo ao direito de pular esses posts em que o Obama aparece.

Bill Clinton tem milhões de defeitos, e é em parte por isso que eu gosto dele. E acredito mesmo que a consciência dele sobre a sua ausência de perfeição que lhe ajudou a fazer o melhor governo americano do pós-guerra, e um dos melhores de todos os tempos. Não sei se a Hillary conseguiria fazer um governo tão bom quanto o dele, mas com certeza não é por nada relacionado a isso que ela não está conseguindo a indicação. Se tem gente capaz de dizer que não votaria nela porque ela perdoou o marido na traição, então é porque simplesmente, no manejar de preconceitos, o Obama se desvencilhou melhor daqueles que o atingem do que a Hillary.

Barack Obama vai perder a eleição geral para o McCain. Mas se ganhar, vai tentar mimetizar o governo Clinton no que for possível, e não vai conseguir.</p>
<p>(M. :: 
mai 14, 2008 12:20 AM)

Caraca, Idelber: este texto nem parece escrito por vc, que quase sempre consegue analisar os assuntos de uma forma equibilibrada, sopesando os vários argumentos até chegar a uma conclusão clara e sem tanta parcialidade.  Até chega a ameaçar retirar esqueletos do armário, na tentativa de denegrir a imagem da outra candidata.  A talvez provável vitória do Senador Obama será mais um erro dos Democratas nesta campanha, quando deverão perder aquela que seria a eleição mais ganha da história (poderiam ganhar até com o Geninho de técnico...).  Não tenho dúvidas de que um número decisivo de eleitores que, como eu, pensava votar Democratas optará pelo risco menor e dará a vitória a Mc Cain, uma vitória que cairá em seu colo por análises tão equivocadas e agressivas como a que vc fez em seu texto.</p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Polí­tica</dc:subject>
<dc:date>2008-05-08T18:34:53-04:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Maio de 68 e jabás</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/maio_de_68_e_jabas.php</link>
<description>Grosso modo, os 40 anos de Maio 68 produziram três reações: 1) “Maio 68 é responsável por todos os males que vivemos hoje: falta de autoridade, relativismo absoluto, crise dos valores”; 2) “Maio 68 é responsável por todas as conquistas...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p><em>Grosso modo, os 40 anos de Maio 68 produziram três reações: </p>

<p>1)	“Maio 68 é responsável por todos os males que vivemos hoje: falta de autoridade, relativismo absoluto, crise dos valores”;  </p>

<p>2)	“Maio 68 é responsável por todas as conquistas das quais o presente pode se gabar: pluralismo, direitos das minorias, laicismo, anti-autoritarismo”; </p>

<p>3)	“Maio 68 teve coisas geniais e coisas estúpidas”. </p>

<p>A pior, a mais medíocre, conformista, ignorante e reacionária é obviamente a terceira. </em></p>

<p><br />
Acompanhei de perto a enxurrada de textos sobre maio de 68 em vários países. Adivinhem <a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-4588-2008-05-05.html">onde encontrei o texto mais brilhante</a>. Alan Pauls, mestre como sempre. Leia o texto de Alan e depois confira, no <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/inde04052008.htm">caderno especial </a> (link para assinantes) da Folha de São Paulo, a sucessão de exemplos do que ele chama de “reação medíocre e conformista” ao legado de Maio 68. </p>

<p>*************************************<br />
<strong><br />
Jabás vários: </strong></p>

<p>Por iniciativa da extraordinária escritora anglo-egípcia <a href="http://www.ahdafsoueif.com">Ahdaf Soueif</a>, e com o apoio de sumidades literárias como Chinua Achebe, John Berger, Mahmoud Darwish, Seamus Heaney e Harold Pinter, inicia-se na quarta-feira, dia 07 de maio, o <a href="http://www.palestinelitfest.org/home.htm">Festival Literário da Palestina</a>, que levará à Cisjordânia um belo time de escritores. Do material de divulgação do evento: “reconhecendo as dificuldades que os palestinos enfrentam, sob ocupação militar, para viajar em seu próprio país, o festival viajará rumo a seu público, em Jerusalém, Ramallah, Jenin, Belém.” <a href="http://www.palestinelitfest.org/home.htm">Mais detalhes do site do festival</a>. Salam, Ahdaf. </p>

<p>Você se interessa por quadrinhos? Chegou o blog que vai abafar neste tema. Senhoras e senhores, <a href="http://www.hqecultura.blogspot.com/">HQ e Cultura</a>, do meu amigo Afonso Andrade. Bem-vindo à blogosfera, Afonso. </p>

<p>Outro leitor histórico, Alexandre Nodari, também se rendeu à blogagem e inaugura um espaço que merece seu bookmark desde já. Boas vindas também ao <s>Cultura e barbárie</s> <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">Consenso, só no paredão</a>. </p>

<p>Nas minhas andanças por aí, achei mais um blog que me impressionou muito pela qualidade do texto. Bookmark também no <a href="http://hisbrasil.blogspot.com/">Histórias do Brasil</a>. O post <a href="http://hisbrasil.blogspot.com/2008/05/o-zaire-na-copa-e-outros-babados-de.html">sobre a Copa de 1974</a> é um primor. </p>

<p>Já é de conhecimento da comunidade blogueira musical, mas talvez algum leitor do Biscoito ainda não saiba: Mestre Tom Zé <a href="http://tomze.blog.uol.com.br/">anda blogando a mil</a> (acho que cheguei lá pela primeira vez via <a href="http://animot.blogspot.com">Animot</a>). </p>

<p>Para se entender o México e a cultura mexicana, tão diferente da nossa, há um livro fundamental: <em>La jaula de la melancolía</em>. Acabei de inteirar-me de que o seu autor, o grande Roger Bartra, <a href="http://www.letraslibres.com/blog/blogs/index.php?blog=11">já está blogando há oito meses</a>. </p>

<p>E aí vai uma idéia que seria interessante aproveitar no Brasil: Cuento mi libro, o <a href="http://www.cuentomilibro.com/entrevistas.asp">primeiro vídeo blog de escritores latino-americanos</a> (via <a href="http://conejillodeindias.blogspot.com/">Oliverio Coelho </a>que, apesar do sobrenome, não é brasileiro, mas argentino). </p>

<p>Boa navegação. <br />
</p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/maio_de_68_e_jabas.php#comments" title="Comente Maio de 68 e jabás">30 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(Paulo :: 
mai  5, 2008  8:47 PM)

Valdomiro, um ponta-direita que foi hepta-campeão pelo Internacional de Porto Alegre, fez o terceiro gol contra o então Zaire. Este país que já tinha se chamado Congo e Congo-Kinshaza apareceu na Alemanha denominando-se Zaire (mas em todas as versões ele era presidido por Mobutu).
O ridículo que Zagalo passou foi primorosamente apresentado pelo CANAL 100, cine-jornal (é, isso existia) de Carlos Niemeyer, em um filme (de longa metragem) sobre a Copa de 1974. No referido filme Zagalo, em uma primeira cena, afirmava que o time da Holanda não sabia fazer gols de fora da área. Logo em seguida o CANAL 100 presenteava os espectadores com uns 20 gols feitos do meio da rua!
Ao desembarcar no Galeão, Zagalo vociferou contra a imprensa presente. Posteriormente Zagalo deu uma de RC e “apagou” de sua biografia a vergonhosa campanha de 1974!
</p>
<p>(<a href="http://opensadorselvagem.org/blog/miltonribeiro/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mai  5, 2008  9:12 PM)

Estou navegando. Obrigado! Li o Pauls e o Tom Zé. Brilhante o Pauls. infelizmente não entro na Folha. Infelizmente?

E a Bolívia, meu caro?

Abraços.</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  5, 2008  9:29 PM)

Muito bem lembrado, Paulo. A seleção de Zagallo quebrou vários recordes naquela Copa. Além do maior número de bobagens ditas por um treinador (ele chegou a declarar que não "precisava" assistir VTs da Holanda, já que era ela quem tinha que se preocupar com o Brasil, isto dois anos depois de que o Ajax e a Seleção Holandesa já encantavam a Europa!), Zagallo bateu outro recorde: 192 minutos sem marcar um único gol: 0 x 0 com a Iugoslávia, 0 x 0 com a Escócia, e finalmente o sofrido gol de Jairzinho aos 12 minutos do primeiro tempo contra o Zaire. O Brasil precisava de 3 x 0 e só o alcançou aos 34 do segundo, com o gol de Valdomiro que você menciona. Detalhe: a Iugoslávia havia vencido o Zaire por 9 x 0. O segundo tempo contra a Holanda foi provavelmente o maior baile que o Brasil já levou em Copas, com destaque para a apelação de Luis Pereira. </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  5, 2008  9:31 PM)

Milton, meu caro, está na agenda um post sobre a Bolívia. Já recuperado por aí?</p>
<p>(<a href="http://vinhal.blogspot.com" rel="nofollow">Vinhal</a> :: 
mai  5, 2008 10:05 PM)

Idelber,

a piauí fez uma matéria sobre 68 já tem um tempo:

http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=22&pag=1&anteriores=1&anterior=52007

Abraço</p>
<p>(<a href="http://www.hqecultura.blogspot.com" rel="nofollow">Afonso Andrade</a> :: 
mai  5, 2008 10:54 PM)

Idelber,
Valeu pela força. Espero sua visita e comentários lã no blog.

Afonso Andrade</p>
<p>(<a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog" rel="nofollow">Alexandre Nodari</a> :: 
mai  6, 2008 12:18 AM)

Idelber, obrigado pelo jabá! Só uma pequena correção: o blog se chama "Consenso, só no paredão". Cultura e Barbárie é o nome do site onde ele tá hospedado (além de ser nome de um Instituto que fundei e que publica a Revista RECRIE).

Maio de 68 na FSP: tirando o texto do Ranciere, todas as demais análises da Folha ficam nesta visão "balanceada". Nem dá vontade de ler os textos na íntegra...

Abraço,
</p>
<p>(<a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog" rel="nofollow">Alexandre Nodari</a> :: 
mai  6, 2008 12:33 AM)

Um adendo: fabuloso o texto de Alan Pauls!</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  6, 2008  2:20 AM)

Alexandre e Afonso, bem-vindos mais uma vez à blogosfera. Sucesso e ânimo sempre! 

Valeu o link, Vinhal :-) </p>
<p>(<a href="http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com" rel="nofollow">André</a> :: 
mai  6, 2008  3:27 AM)

Aproveitando que seu post fala de 68 e de jabá, eu fiz um post no meu blog também sobre este ano. Veja em http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2008/05/05/1968-ou-o-ano-que-nao-acabou-1

Citei você (com o Pauls principalmente) e coloquei uns links para uma série de especiais bacanas do programa "Arquivo N" da Globonews. Inclusive este canal fez um blog só para tratar de 68. Creio que seja legal dar uma conferida.

Abraços,</p>
<p>(<a href="http://palidopontobranco.blogspot.com" rel="nofollow">Danilo</a> :: 
mai  6, 2008  7:30 AM)

A terceira é "a pior, a mais medíocre, conformista, ignorante e reacionária" não porque aborda maio de 68, mas porque o suposto equilíbrio e comedimento de opinião podem ser uma escamoteada recusa da análise. Belo texto indicado, Idelber.

Um fato interessante é que é notável esse tipo de equilíbrio medíocre na abordagem do chamado Programa Forte de estudos da ciência, filhote do próprio maio de 68 que disfarça um relativismo radical vestindo a roupa da "simetria".</p>
<p>(fm :: 
mai  6, 2008  8:32 AM)

Olá Idelber, 
Você não acha que também exista um reflexo dessa “reação medíocre e conformista”, na"aceitação" à proibição da Marcha da maconha?</p>
<p>(<a href="http://paulodaluzmoreira.blogspot.com" rel="nofollow">Paulo Moreira</a> :: 
mai  6, 2008 12:05 PM)

Idelber,
A terceira opção me parece na melhor das hipóteses fruto do desejo de falar sem dizer coisa alguma. Em geral é bem pior que isso; trata-se de anular as diferenças para deixar que o consenso de Washington continue a desfilar os seus tanques, metafóricos e literais, pelo mundo. 
Mas é preciso pintar as coisas com matizes mais ricos. Essa história de falar sem dizer nada me lembra aquela história do sujeito que chegou no interior de MG e perguntou a um habitante da cidade:
- O que é que o pessoal daqui acha do prefeito?
- Tem gente que gosta e tem gente que não gosta.
- E você, o que acha?
- É.
Para mim a anedota acima não revela nem hipocrisia nem maldade, nem a “natureza” do mineiro. É exemplo do uso da ambiguidade [e da ironia] como estratégia de sobrevivência [e mesmo combate] em sociedades extremamente violentas e hierarquizadas. Há o outro lado dessa mesma moeda, num par de outros ditados igualmente mineiros, infelizmente pouco conhecidos: 
- Que remédio tem quem ama senão por o pé na lama?
- Pata do capeta não deixa rastro no atoleiro.
Adoro esses dois ditados porque acho que eles se completam, não apenas nas referências ao barro e a deixar marcas nele, mas na idéia de que comprometer-se é tomar o caminho do amor, já que o recalque é a estratégia do diabo, diabo aqui no sentido que um outro mineiro, Ribaldo, [fictício mas talvez mais verdadeiro que eu ou você] definiu: “o diabo vige dentro do homem […] solto por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum.”
Abs,
Paulo Moreira
PS. Faço um convite a visitar meu blogue.
</p>
<p>(Guilherme :: 
mai  6, 2008  1:42 PM)

Fala Idelber.

A revista Espaço Acadêmico trouxe, esse número, alguns textos interessantes sobre 68, com textos inclusive sobre os EUA e a China no período.

http://www.espacoacademico.com.br/ o link.

Se puder, dê uma olhada...



</p>
<p>(João Marcelo Ehlert Maia :: 
mai  6, 2008  6:59 PM)

Caro Idelber, sobre o texto do Pauls, sei não. Primeiro porque ele parece acreditar que qualquer análise que não caia num dos dois pólos necessariamente implicaria uma higiênica e covarde "impessoalidade". Nesse sentido, discordo de saída do pressuposto das três reações, em especial porque as duas primeiras me parecem mistificações. Por que diabos uma alternativa não seria analisar as contradições de 68, por exemplo? A energia do movimento da contracultura americana x a fratura entre esquerda intelectual e classe trabalhadora, que tal? Isso significa adotar uma asséptica e arrogante concepção da História, do tipo "teve coisas boas e coisas ruins", ou uma concepção conflitiva e aberta, que vê os fenômenos como processos contraditórios que ganham novas camadas de sentido na memória coletiva? Não te parece que a segunda opção também não incorre em equívoco semelhante, ao tomar seu momento biográfico-geracional (sim, porque em geral 68 é incensado pelos que o viveram, não?) como paradigma político e civilizatório?  </p>
<p>(João Marcelo Ehlert Maia :: 
mai  6, 2008  7:00 PM)

Caro Idelber, sobre o texto do Pauls, sei não. Primeiro porque ele parece acreditar que qualquer análise que não caia num dos dois pólos necessariamente implicaria uma higiênica e covarde "impessoalidade". Nesse sentido, discordo de saída do pressuposto das três reações, em especial porque as duas primeiras me parecem mistificações. Por que diabos uma alternativa não seria analisar as contradições de 68, por exemplo? A energia do movimento da contracultura americana x a fratura entre esquerda intelectual e classe trabalhadora, que tal? Isso significa adotar uma asséptica e arrogante concepção da História, do tipo "teve coisas boas e coisas ruins", ou uma concepção conflitiva e aberta, que vê os fenômenos como processos contraditórios que ganham novas camadas de sentido na memória coletiva? Não te parece que a segunda opção também não incorre em equívoco semelhante, ao tomar seu momento biográfico-geracional (sim, porque em geral 68 é incensado pelos que o viveram, não?) como paradigma político e civilizatório?  </p>
<p>(João Marcelo :: 
mai  6, 2008  7:03 PM)

E perdão pela repetição desnecessária dos posts. E saudações rubro-negras, é claro. Por favor, continue apostando contra, tá dando sorte, rsrsrs.</p>
<p>(<a href="http://opensadorselvagem.org/blog/miltonribeiro/" rel="nofollow">Milton Ribeiro</a> :: 
mai  6, 2008  7:14 PM)

Recuperados!

Obrigado.</p>
<p>(<a href="http://www.ditoassim.blogger.com.br" rel="nofollow">jayme</a> :: 
mai  6, 2008  8:05 PM)

Grandes dicas, com destaque especial para o Tamzi (Tom Zé me davidbyrnês). Abraço e grato!</p>
<p>(<a href="http://falaai.zip.net" rel="nofollow">Pablo Vilarnovo</a> :: 
mai  7, 2008 10:41 AM)

68: um bando de jovens alienados, ao melhor estilo "idiotas úteis" de Lênin, queimando carros, bancados pelos mesmos que na mesmíssima época trucidavam outros jovens em Praga.

Longa vida a idiotice humana. </p>
<p>(<a href="http://palpit.blogspot.com" rel="nofollow">Marcelo Manzano</a> :: 
mai  7, 2008 12:34 PM)

Caro Idelber, chegando a teu blog em busca de notícias sobre o Obama, há algum tempo venho acompanhando os seus posts com entusiasmo, seja pelos temas, seja pela lucidez de tuas idéias. Mas, talvez porque tenhamos atividades profissionais mui distintas (sou professor de economia e milito dentro do setor público), discordo frontalmente de teu post sobre maio de 68. Primeiro porque o esquema simplista de 3 alternativas apresentadas pelo Pauls é do naipe do velho Leo Batista e sua saudosa zebrinha. Infelizmente, desde Marx sabemos que a história é um tanto mais complexa e essencialmente contraditória. Segundo porque ao reduzir o argumento dos analistas de hoje a um anacronismo histórico (...es la posición de quien, a la hora de juzgar algo, no tiene a mano más que una triste herramienta cronológica: ser más joven que lo que juzga) o Pauls parece depositar grande fé no sujeito histórico, como se o julgamento da história fosse mais legítimo quando realizado pelos seus próprios agentes. Ora, é bom lembrar do meia-oito Clode Lefort, fundador da revista 'Socialismo e Barbárie', que dizia que a história se escreve do presente para o passado e, portanto, é constantemente reescrita, à medida em que novos  eventos concretos vão dando novo sentido às ações do passado. Terceiro, porque como sugere o desenrolar da história desde 68, muitas daquelas bandeiras estavam encharcadas de um voluntarismo   e de uma frivolidade que em muitos aspectos contribuíram para o esvaziamento da política. Movimentos como a descentralização da gestão pública, a proliferação das instâncias de controle social, ou a ideologia do "smal is beautifull", levaram - contraditoriamente - à uma pulverização da política que em última instância a reduz a uma mera questão de técnicas de gestão. Esta nova política, vazia de sentido na medida em que incorpora a demanda de todos e portanto reproduz o status quo, é estéril e incapaz de transformar a realidade. Em suma, a análise coluna-do-meio, que tanto incomoda o Alan Pauls, me parece sim a mais  honesta. É verdade que 68 significou uma valiosa ruptura da perspectiva do indivíduo, um rompimento com os padrões comportamentais que herdamos da moral burguesa, um importante marco na luta pela igualdade racial. Entretanto, infelizmente, no grande tempo da história (como pensava Braudel)suspeito que os Valores das manifestações de 68 restarão como uma etapa de transformação cultural que rumava à imperiosa força das leis de mercado. Pluralismo político e livre mercado são, no limite, duas faces do mesmo processo.  </p>
<p>(Gui Losilla :: 
mai  7, 2008  9:29 PM)

Fora do tema, gostaria de agradecer a indicação do livro do Risério, obrigado mesmo! Lembra que te falei que estavam faltando algumas páginas? Troquei o livro e terminei, como vc disse, já nasceu clássico! 
 Outra coisa, vc conhece alguma livraria argentina que venda livros para o Brasil, comprar em dólar pela Amazon é complicado, em peso sai bem mais em conta!
Valeu Idelber, e volta os posts sobre literatura!
ps: Booocaaa! Boocaaa!! Depois de hoje, Bi-campeão na certa!</p>
<p>(Maria Andréia :: 
mai  7, 2008 11:09 PM)

Olá, prece que não tem a ver, mas tem. Você viu a resposta da Dilma ao aH! que gripe (saúde) pino no senado hoje? Eu não vi na hora, só depois, mas que foi linda, foi!</p>
<p>(<a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog" rel="nofollow">Alexandre Nodari</a> :: 
mai  8, 2008 12:48 AM)

Gui Losilla: desculpa me atravessar, mas na livraria cultura v. encontra alguns livros argentinos, às vezes mais baratos que lá (ou compensa pelo frete). Se nao tem a Cuspide (www.cuspide.com) ou a Santa Fe (www.lsf.com.ar), mas os fretes são meio salgados, já aviso...</p>
<p>(<a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/" rel="nofollow">Gravatai Merengue</a> :: 
mai  8, 2008 10:40 AM)

Hillary arrega? Ou vai REALMENTE usar aquela tática de bater no Obama até o último segundo?</p>
<p>(<a href="http://miudorecruzado.blogspot.com" rel="nofollow">Bruno Pinheiro</a> :: 
mai  8, 2008 10:52 AM)

   Idelber,
   Acho que as prévias de anteontem foram o tiro de misericódia na candidatura de Hillary, concorda? Só falta ela reconhecer isso. 
   Seria um loucura a cúpula Democrata contrariar a vontade popular e só resta essa esperança à senadora...</p>
<p>(<a href="http://mistral-gagnant.blogspot.com" rel="nofollow">Anna C.</a> :: 
mai  8, 2008 11:45 AM)

A Hillary vai na tática Rocky Balboa: o importante não é ganhar, é lutar os 12 rounds sem morrer no processo.

A essa altura dos acontecimentos, mas nem com intervenção divina ela leva a indicação do partido. Se bem que já se viu coisa mais impossível antes, certo?</p>
<p>(<a href="http://abundacanalha.blogspot.com" rel="nofollow">Kelly</a> :: 
mai  8, 2008  4:54 PM)

Olá, Idelber, 68 de uma forma ou de outra também forjou nossa Dilma, que brilhou nestes dias...
Se bem que ter como adversário político o Agripinho não complica exatamente a vida ;)</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  8, 2008  7:36 PM)

Car@s: obrigado pelos comentários, todos lidos mais de uma vez com atenção, e infelizmente não respondidos por falta de tempo mesmo :-( 

Enrolado com tarefas de fim de semestre, acabei largando o blog uns dias e não papeando em tempo ágil o suficiente para que conversássemos mais sobre Maio 68. Em todo caso, fica o agradecimento a todos e o registro das discordâncias :-) </p>
<p>(<a href="http://animot.blogspot.com/" rel="nofollow">César</a> :: 
mai  9, 2008  8:23 AM)

Obrigado por indicar o texto do Alan Pauls -- rendeu um rascunho para minha tese. </p>
</description>
]]></content:encoded>
<dc:subject>Metablogagem</dc:subject>
<dc:date>2008-05-05T19:22:51-04:00</dc:date>
</item>
<item>
<title>Sobre a marcha da maconha</title>
<link>http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/sobre_a_marcha_da_maconha.php</link>
<description>Conto com leitores e leitoras dispostos a escandalizar-se junto comigo ante o fato de que agentes da lei ainda confundam a apologia do uso de drogas com a apologia de uma mudança na legislação que criminaliza o uso das drogas?...</description>
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<content:encoded><![CDATA[<p>Conto com leitores e leitoras dispostos a escandalizar-se junto comigo ante o fato de que agentes da lei ainda <a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/21042008/25/manchetes-presos-5-divulgarem-marcha-da-maconha-no-rj.html">confundam </a>a apologia do uso de drogas com a apologia de uma <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2006/05/pela_descriminalizacao_do_consumo_de_drogas.php">mudança na legislação</a> que criminaliza o uso das drogas? </p>

<p>Parece uma distinção relativamente fácil de se fazer, não? </p></p>
<p>
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/sobre_a_marcha_da_maconha.php#comments" title="Comente Sobre a marcha da maconha">48 Comentários</a></p>
<p>Comentários:</p>

<p>(<a href="http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/" rel="nofollow">Gravatai Merengue</a> :: 
mai  4, 2008  6:44 PM)

http://www.soninha.com.br/pivot/entry.php?id=1675&w=colunas__gabinete#body

Publiquei no site da chefa na semana retrasada.</p>
<p>(Hugo Albuquerque :: 
mai  4, 2008  6:47 PM)

Não parece, é fácil, mas falar em "agentes da lei" brasileiros sempre é insuportável, damos voltas e mais voltas e chegamos ao ponto inicial: O judiciário brasileiro é uma desgraça. Mesmo que as leis sejam editadas por um legislativo composto por figuras tenebrosas, não custa lembrar que o Judiciário tem armas para escapar disso e garantir o Estado de Direito Democrático, afinal de contas, a lei não é a única fonte do Direito, pode ser a principal, mas não é a única.
Off topic:  "O que dizer de uma criatura que consegue perder o Campeonato Goiano dirigindo o Goiás?", pelo jeito o Caio Júnior entrou pro time do Geninho.
</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  4, 2008  6:49 PM)

Opa, Gravata. Na mosca. Formulei a coisa em termos tão parecidos com os seus que até parece plágio. 

Mas eu não tinha visto, não. É que a diferença é meio óbvia, né? 

Valeu o link :-) </p>
<p>(Vicente :: 
mai  4, 2008  7:08 PM)

Infelizmente nossa democracia ainda engatinha e o conservadorismo impera.  Tudo o que não pode ser submetido à crítica deve ser visto com desconfiança, principalmente as leis.
E lá no site da marcha ainda aparece gente pra dizer que a Holanda é um país decadente e coisas do gênero.
Quanto ao Goiás, bem feito deles terem perdido o título já que entregaram a copa do Brasil, mas você viu o que está acontecendo em Itumbiara?  O time é mantido pela prefeitura sendo que o prefeito contrata e premia os jogadores com dinheiro público enquanto o povo vive sem asfalto, saneamento e tudo aquilo que tem direito por pagar impostos.  
Será que na Holanda, aquele país de maconheiros, tem dessas coisas?
Abraço.</p>
<p>(<a href="http://deolhonofato.blogspot.com" rel="nofollow">Luiz</a> :: 
mai  4, 2008  7:13 PM)

Pra mim, quem matou a pau foi o Hermenauta:

http://ohermenauta.wordpress.com/2008/05/04/instituto-brasileiro-de-dois-pesos-e-duas-medidas-2/

O último trecho é lapidar:

"Uma outra questão é essa história de “apologia ao crime”, uma expressão que parece simples mas de simples não tem nada, porque criminaliza o debate democrático sobre a necessidade de mudar uma lei, algo que não poderia sob nenhuma hipótese ser criminalizado.
Em país que tem primeira emenda coisas assim não costumam acontecer."</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  4, 2008  7:19 PM)

Belíssimo parágrafo do Hermê. 

Aliás, o Hermê anda matando a pau todos os dias. Tenho que destacá-lo mais aqui. Como é amigo, a gente às vezes esquece. 

Um dos melhores blogs do Brasil, facinho, facinho. </p>
<p>(<a href="http://prascabecas.blogspot.com" rel="nofollow">Cláudio Costa</a> :: 
mai  4, 2008  7:22 PM)

De vez em quando a questão da descriminalização do uso da Cannabis volta à tona (já boiou muito, na orla carioca, dentro de latas...). A quem interessa a 'criminalização'?</p>
<p>(<a href="http://sergioflima.pro.br/blogs/index.php/blogefisica" rel="nofollow">Sérgio F. Lima</a> :: 
mai  4, 2008  7:24 PM)

Grande Mestre Idelber!


Por um acaso eu escrevi sobre isto hoje:

http://sergioflima.pro.br/blogs/index.php/sergio-blog/2008/05/04/sobre-a-ex-passeata-da-maconha

A falta de inteligência pode pulular em qualquer lugar, inclusive no nosso judiciário!


[]'s
</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  4, 2008  7:25 PM)

Essa é fácil, Dr. Cláudio: aos traficantes e aos policiais corruptos. 

A ninguém mais. Certamente não à democracia ou à saúde pública. 

Forte abraço. </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  4, 2008  7:26 PM)

Caro Sérgio: na mosca o seu post. </p>
<p>(<a href="http://yahoo.com" rel="nofollow">HRPManéReloaded!</a> :: 
mai  4, 2008  8:30 PM)

A maconha é o que?
Ela como o fumo e o alcool ,é danosa ao organismo.....seu uso diário machuca a capacidade das pessoas de se desvencilhar dela ,quando da depedencia quimica?
Nem crime, nem panacéia......infelizmente a marcha da maconha não veio num momomento propicio......90% da população está nem aí para a liberação da maconha.....a turma está ,diariamente, na busca do que comer, na vaga dos filhos nas escolas, na procura de emprego com carteira assinada......e aí aparece a marcha da maconha......EEEEEEE....importante pra caralho!
Amigões.....em outro tempo....mais rico de oportunidades e mais ameno para os trabalhadores!</p>
<p>(Moses :: 
mai  4, 2008  8:38 PM)

Caro Idelber,
vou transcrever aqui os comentários que fiz ontem e hoje no blog do Nassif. Pode parecer entrecortado e prolixo, pois um comentarista mostrou alguma discordância com a minha posição, então tem respostas a colocações dele junto.
Grande abraço deste colorado profundo antipatizante da raposa.
"Nassif,
quando vejo que se multiplicam decisões judiciais contra a "Marcha da Maconha" sinto vergonha de ser brasileiro. E mais vergonha ainda de meu diploma de bacharel.
Quando vejo promotores (fiscais da lei, pela definição secular e constitucional) dizendo que o movimento pela descriminalização de determinada prática é apologia ao crime, fico pensando para quais momentos, senão estes, terão sido consignadas na Constituição a liberdade de associação e de reunião.
É triste ver fanáticos se aproveitarem de suas prerrogativas públicas para fazer sobrepor à força suas crenças, passando por cima dos direitos mais sagrados. Se o cidadão não pode mais defender a criminalização ou descriminalização de alguma conduta, chegamos ao fim, e podemos dizer que a democracia é uma ilusão. Teremos chegado a um novo Iluminismo, dos déspotas de toga.

Sorte da grande maioria de nós que essa época chegou depois da abolição da escravatura, pois por certo esses gênios dariam um jeito de dificultá-la, como fizeram, alíás, à época. Sorte também das minhas filhas que a liberação feminina ocorreu antes, pois não tenho dúvidas sobre como estes democratas de hoje iriam se posicionar caso dependesse deles a liberdade da mulher."
(...)
"note que não entrei no mérito da marcha. Já participei de bons debates aqui sobre propostas de legalização de drogas. Mas não se trata disso.
O que defendi foi a liberdade de manifestação. São coisas distintas. Até mesmo no seu exemplo, revestido de compreensível exagero argumentativo, sobre uma hipotética defesa da legalização dos pequenos furtos, ninguém, muito menos o Estado, pode proibir alguém de defender a incorporação das suas idéias ao Direito, ainda que seja incontroverso o absurdo da proposta.
O que critico é um agente público valer-se de suas prerrogativas para impor sua visão de mundo, em detrimento dos direitos mais comezinhos à democracia. Questiono: como classificaríamos os países muçulmanos se coibissem manifestações contra uma hipotética proibição do consumo de álcool? Outra: a Constituição não proibe "o consumo de maconha". Por outro lado, diz que "não haverá pena perpétua". Pode o juiz proibir uma passeata em defesa da prisão perpétua? E já viste isso acontecer por aí? É ou não a defesa de uma visão de mundo?
O juiz tem o "poder geral de cautela" que, óbvio, limita-se àquilo que esteja no ordenamento jurídico. No caso, inexiste previsão de se proibir manifestações. Assim como o Estado não pode obrigar a pensar, não pode impor o silêncio. A liberdade de expressão não comporta censura; eventual abuso é reprimido a posteriori, nunca antes. Senão, voltamos ao regime de 69, com a vantagem de que lá a censura era constitucional."
(...)
"o debate, para mim, é se é dado a um promotor proibir alguém de se manifestar. Se formos submeter a liberdade de consciência, a de expressão, bem como a vedação à censura, ao juízo de conveniência de alguém, seja dos pretensamente esclarecidos, seja dos agentes públicos, é de se reconhecer que nossa democracia é uma farsa.

Parece exagero, mas não é: se dermos ao Estado proibir o direito de expressão, indiretamente estaremos permitindo que se proíba determinados pensamentos, pois são garantias com o mesmo status, que recebem o mesmo tratamento constitucional. Isso não é criação nossa, é construção secular do regime democrático. Veja que os EUA passam por uma decadência intelectual, moral e econômica. Não à toa, tudo isso associado a um governo que ceifou fortemente a liberdade de expressão. Para nós isso não é novidade, pois a liberdade por aqui nunca existiu.

Por outro lado, não é crítica pessoal, mas o pensamento tutelador que tu sugeristes ("nós, os mais esclarecidos") é fruto da estrutura escravocrata, em que o Estado admite que há dois tipos de cidadãos. Isso tem causado um mal incomensurável à nação, bastando ver o escárnio que é o voto obrigatório ("o povo não está maduro") ou a vergonha de estabelecer valores muito díspares para indenizações por dano moral, como se a dignidade, a honra e a imagem dos cidadãos tivesse valores distintos."

</p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  4, 2008  8:47 PM)

Brilhante, brilhante, Moses. O blog tem uma relação de admiração e amizade com os profissionais do direito que se colocam ao lado de uma interpretação da Constituição que privilegie os direitos à expressão, à pesquisa, à informação, à livre associação. 

O caso da proibição da marcha, como você ressalta, é absurdo. </p>
<p>(Fábio Carvalho :: 
mai  4, 2008  9:32 PM)

Trecho do ensaio "Política de drogas: o lugar do dissenso", de Luiz Eduardo Soares, publicado em 2007. Íntegra em http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2063.

"Parece-nos que chegou o momento de abrir um grande debate nacional sobre a política de drogas. Não se trata de organizar seminários acadêmicos. O debate nacional deve destinar-se a que se tomem decisões. Se possível, decisões que mudem nossa realidade. Sejamos claros e diretos. Os autores defendemos a descriminalização dos usuários e a legalização das substâncias psicoativas, hoje consideradas ilegais, o que acabaria com o tráfico. Começaríamos pela droga mais leve. Pode ser que o único consenso viável em um futuro próximo venha a ser a legalização da canabis sativa, a maconha. Não se trata, é claro, de afirmarmo-nos, nesse debate, a favor ou contra essa ou aquela droga, mas a favor ou contra determinada forma de tratar o problema.</p>
<p>(Paulo SPS :: 
mai  4, 2008 10:36 PM)

Caros colegas, 

É realmente constrangedor ver a incompreensão do Judiciário brasileiro para com certas questões. Acho que nesses casos vários fatores explicam. Conservadorismo em excesso, que leva a interpretações tacanhas da legislação e a uma prevalência injustificável de uma interpretação literal da letra da lei sobre princípios constitucionais muito mais relevantes, como a liberdade de expressão, direito de reunião, etc. A pergunta que fica é sobre quando foi a última vez que esses magistrados estudaram direito constitucional. Ou se fizeram isso alguma vez. Com todo o respeito.  

Essa prevalência da lei sobre valores consagrados na teoria constitucional há SÉCULOS, mostra o quanto nosso ensino jurídico é deficiente, e o quanto ainda temos uma cultura positivista, que usa o "legalismo" como instrumento de manutenção do status quo. 

Outras vezes as ações do Ministério Público, e as decisões judiciais se pautam em pura vaidade. Afinal, dá notoriedade pedir medidas contra um evento que chama atenção da mídia. E dá mais notoriedade ainda dar a decisão proibitiva, gera mais repercussão do que permitir. Pode parecer tosco, mas por situações que já vivi antes mesmo de ocupar meu cargo atual, posso dizer que não é uma suposição leviana. Mas obviamente não como regra. 

Uma pauta interessante para a imprensa, e talvez até um projeto de mestrado para cientistas sociais e historiadores, respectivamente: a) saber se essas decisões foram ou não dadas em plantão judiciário; b) analisar as diferenças entre a prática jurídica na justiça federal e na justiça do trabalho (normalmente mais ousadas, adotando interpretações mais coerentes com a moderna hermenêutica constitucional) e a justiça estadual (normalmente mais conservadora, mais legalista, até por causa do tipo de questões com que costuma trabalhar)

Abraço a todos </p>
<p>(<a href="http://incautosdoontem.blogspot.com" rel="nofollow">Ulisses Adirt</a> :: 
mai  5, 2008  3:00 AM)

Claro que você conta com o meu apoio, Idelber. Diga-se de passagem, se você não se incomodar, vou citar essa reclamação pública na próxima prova que darei para os meus alunos. O resultado vai ser interessante. </p>
<p>(<a href="http://idelberavelar.com" rel="nofollow">Idelber</a> :: 
mai  5, 2008  3:18 AM)

Citação liberada sempre, Ulisses. Abração. </p>
<p>(<a href="http://blogafora.blogspot.com/" rel="nofollow">Márcia W.</a> :: 
mai  5, 2008  4:38 AM)

Debate bacana, como sempre. Só quero dizer uma coisa para quem vive citando a Batávia: aqui é legal fumar em alguns lugares tipo coffeeshops, algumas casa noturnas e claro, em casa. Tudo regulado, quantidade que se pode comprar/vender e ter em mãos. Entretanto (essa palavra que pode mudar tudo) tem uma lacuna muito estranha no sistema, que é a proibição de cultivar a dita cuja, que cria o tal back-door problem (por exemplo aqui. Acho uma solução meio hipócrita se o sistema não é pensado como um todo.</p>
<p>(Paulo :: 
mai  5, 2008  7:30 AM)

Caro Idelber
Achei curioso você usar o termo AINDA! A palavra certa não seria SEMPRE?

Como você já deve ter reparado passamos em nosso país por um período extremamente moralista e conservador. E CONTINUAMOS com aquela nossa consagrada mania da SUPREMACIA DE UMA CORRENTE DE PENSAMENTO sobre as demais.
A tal “Marcha” serviria aqui no Rio como uma armadilha para aprisionar um candidato a prefeito. As forças conservadoras estavam torcendo para que o evento acontecesse para tentar inviabilizar um dos candidatos.
Não me surpreende que as tais “famílias” aparecessem, como mostra hoje no Globo, com uma bandeira INTEGRALISTA!
Como o jogo que está sendo jogado aqui no Rio chama-se ELEIÇÃO PARA PREFEITO, eu passo a ter dúvidas sobre a OPORTUNIDADE da realização de tal evento na cidade. A decisão judicial contrária a “Marcha” certamente frustrou o candidato conservador (e moralista) que certamente a usaria como argumento de campanha, como aliás já fez no passado.

E não poderia deixar de registrar que o governador do Estado do Rio anteriormente falou sobre a POSSIBILIDADE de se estudar a descriminalização das drogas, e obteve da população carioca um SONORO SILÊNCIO!
</p>
<p>(LucianA :: 
mai  5, 2008  9:32 AM)

Eu mudaria "Marcha da Maconha" por "Marcha pela Descriminalização da Maconha". As autoridades não adoram enxergar e até inventar múltiplos sentidos nos textos? Um pouco de literalidade no título não faria mal...</p>
<p>(<a href="http://www.izabellaoc.blogspot.com" rel="nofollow">Izabella</a> :: 
mai  5, 2008  9:56 AM)

Idelber,
 curiosidade vc disse em 2006  que pretendia parar de fumar cigarro, seu único vício.
Parou de usar essa droga legalizada?
tomara que sim
 detesto cigarro
 Um abraço saudável
</p>
<p>(<a href="http://falaai.zip.net" rel="nofollow">Pablo Vilarnovo</a> :: 
mai  5, 2008 10:02 AM)

Só para motivar o debate (até porque concordo com os argumentos do Idelber), mas se houvesse uma marcha defendendo a liberação dos homicídios:

"quero matar quem eu quiser e não ser preso"

Será que estaríamos defendendo também a realização dessa marcha?

P.S.: Idelber, você não entende patavinas de futebol. Errou absolutamente todas as suas previsões. E errou por muito!!</p>
<p>(<a href="http://flipe.multiply.com" rel="nofollow">dois</a> :: 
mai  5, 2008 10:14 AM)

não a confusão, eles sabem muito bem a diferença entre apologia e reivindicação, o fato é que não querem que informação cheguem ao povo, e muito menos permitir que pessoas passem a somar à causa.</p>
<p>(Gui Losilla :: 
mai  5, 2008 10:36 AM)

O que mais me assustou foi que usaram uma lei que diz que é proibido incentivar, induzir e ajudar alguém a usar drogas!!! Eu não consigo ver ness